Últimas indefectivações

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Coreia do Sul Versus Coreia do Norte

"Para os que não sabem, mas deviam saber, estive cerca de dois anos na Coreia do Sul como adjunto do Humberto Coelho, na selecção nacional de futebol. Foram os tempos mais calmos e relaxados que vivi na minha longa vida profissional. Ser técnico de uma selecção de futebol, mesmo que se trabalhe muito, é um paraíso comparado com o inferno quotidiano que o treino de uma equipa de clube de futebol consubstancia.
Por isso, naqueles dois anos deu para muita coisa além do trabalho. Por exemplo, viajar e ler muito. Interessou-me, sobretudo, estudar a realidade sociológica da Coreia do Sul tendo o desporto como referência. Mais ainda, tentei, através do desporto, aquilatar as flutuações relacionais entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte. Fundamentei o meu labor heurístico em fontes tão diversas como filmes, livros, conversas e principalmente nos jornais diários escritos em inglês. E assim cheguei a algumas conclusões interessantes.
A análise do desporto na península da Coreia revela ainda os reflexos emergentes da guerra fratricida que entre 1950-1953 destruiu por completo os dois países. Podemos afirmar que o desporto vai aproximando o que os interesses políticos e militares tendem a afastar. O desporto, como arma política, serve como pano de fundo a algumas das esporádicas relações que estes dois países mantêm.
No entanto, paralelamente à dificuldade de resolver as diatribes sociopolíticas entre Sul e Norte, surge a dificuldade interna de cada país resolver as suas contradições históricas perpassadas de sangue e intolerância. Ainda hoje, custam a ultrapassar as memórias do massacre de Kwangju, em 18 de maio de 1980, quando o exército sul-coreano matou milhares de pessoas, principalmente estudantes, que se manifestavam contra o governo do ex-presidente Chun Doo-hwan, clamando contra a tutela dos USA e tocados por um certo sentimento de rendição sentimental à Coreia do Norte. Ainda hoje, veem-se frequentes manifestações de estudantes que, numa atitude naif e inconsciente, destilam ódio aos americanos e tecem loas ao regime comunista de Pyongyang.
Para a história fica que Chun Doo-hwan, após ter matado milhares, foi recebido com pompa e circunstância por Ronald Reagan. Coisas da geoestratégia e a suposição que os milhares mortos eram agentes disfarçados de Pyongyang.
A relação entre as duas Coreias assume por vezes um carácter trágico-cómico. Não raras vezes, disputas territoriais de águas originam confrontos sangrentos com vítimas letais de ambos os lados. Contudo, basta um mau ano agrícola, situação recorrente na Coreia do Norte, para de imediato os norte-coreanos pedirem, quase exigindo, o apoio do Sul que, de imediato abre a mão aos seus irmãos comunistas mitigando-lhes a fome endémica. São milhares de toneladas de leite, trigo e fertilizantes que todos os anos chegam a Pyongyang em dádivas recorrentes que visam preparar a reunificação.
As relações entre estes países irmãos apresentam contornos interessantes. Em 2000, o presidente da Coreia do Sul, Kim Dae-Jung, foi agraciado com o prémio Nobel da Paz pela realização da primeira cimeira inter Coreias. Só que essa tentativa de aproximação foi manchada por um escândalo político. Kim Jong-il só aceitou a cimeira após ter recebido 150 milhões de dólares. Este cash-for-summit foi pago usando um dos ramos da Hyundai que sempre teve facilidades de relação com o Norte, já que o fundador do conglomerado nasceu na Coreia comunista e ficou sempre afectivamente preso à sua terra natal. Este processo levou à prisão do chairman da Hyundai e ao suicídio de Chung Ju Yung, filho do fundador e profundamente relacionado com o processo, que em 2003 se lançou de alto do prédio, sede da firma.
Na sequência dessa cimeira algumas situações anedóticas se verificaram. A Coreia do Norte tem um programa de propaganda interno pleno de sofisticação. Criaram grupos de jovens controleiros que zelam pela manutenção da pureza revolucionária. Algumas desses jovens, no caso mulheres, a esquadra do aplauso (cheering squad) ao passarem por um cartaz que mostra Kim Jong-il a cumprimentar o presidente da Coreia do Sul, Kim Dae-jung, saíram do autocarro e arrancaram o cartaz considerando-o blasfemo. Aquilo que foi colocado para atenuar o clima de crispação entre as duas Coreias, foi considerado pelas jovens como atentório da dignidade do seu presidente que é quase divinizado pelos prosélitos do regime.
O desporto tem tentado estabelecer pontes relacionais entre os irmãos desavindos, mas a beligerância está atrás da porta. Em 29 de Junho de 2002, navios das armadas dos dois países abriram fogo, tendo morrido 6 marinheiros do Sul; o Norte não referiu as baixas. A batalha aconteceu nos finais do Campeonato do Mundo de Futebol, um momento de forte promoção internacional da Coreia do Sul que atingiu as meias-finais, feito extraordinário para o então incipiente futebol asiático. Analistas militares afirmam que o confronto naval foi uma atitude premeditada por parte da Coreia do Norte para desviar as atenções do sucesso internacional do vizinho do Sul.
Em Setembro de 1988, Seoul hospedou os 28ºs Jogos Olímpicos que surgem como resultante natural do milagre económico que levantou a Coreia do Sul das cinzas da destruição provocada pela fratricida guerra de 1950-53. Estes JO foram um sucesso o que provocou os ciúmes políticos dos “irmãos” do Norte. Pyongyang no final dos anos 80 ainda alimentava a ilusão de competir internacional com o Sul. Por breves momentos Pyongyang teve esperanças de boicotar os JO de Seoul. Esse desiderato chegou ao ponto de justificar a utilização de tácticas terroristas. Em 1987, a Coreia do Norte, no sentido de assustar os países estrangeiros, fez rebentar uma bomba num avião sul-coreano matando 115 pessoas. De igual forma tentou mobilizar os países “irmãos” comunistas para boicotar os jogos; isso também não resultou.
Assim, à Coreia do Norte não lhe restava outra solução que não fosse organizar um evento internacional que emulasse com os JO do país “irmão”, o que era difícil pois os JO não têm concorrente em termos de popularidade e prestígio internacional. No entanto, os norte-coreanos encontraram um substituto plausível – o Festival Mundial da Juventude e Estudantes que os regimes da área comunista organizavam periodicamente, fortemente subsidiados por Moscovo. Uma espécie de Internacional da Juventude. O programa destes festivais incluía discussões políticas, concertos de rock, competições artísticas. É lógico que todos os conteúdos tinham que ter um fundo político cujo objectivo era simultaneamente zurzir no imperialismo norte-americano e exaltar as virtudes dos regimes comunistas. Pyongyang ganhou o direito de organizar esse festival em 1989. Mas, nos finais dos anos 80, os regimes comunistas, com crescidas dificuldades económicas, tinham perdido o zelo panfletário e não estavam dispostos a gastar elevadas somas nesses exercícios de propaganda. 
Embora, sem grande motivação internacional, o festival foi um evento de grandes gastos no sentido de ultrapassar os JO de Seoul. Isso correspondeu a um esforço económico nacional imenso, sabendo-se que o PIB norte-coreano era, na altura, um décimo do da Coreia do Sul. Foi esticar a corda e gastar os escassos recursos que dispunham. Foram construídos caros complexos de apartamentos para alojar os participantes, as rações de alimentos do povo foram reduzidas em 10% para alimentar o festival. Uma série de despesas supérfluas, como a compra de 1.000 Mercedes para transportar os participantes acompanhou o início de alguns ambiciosos projectos de construção para impressionar das delegações estrangeiras, como a construção de um hotel gigantesco que não foi acabado a tempo e continua ainda por acabar. As exigências de segurança interna aumentaram os gastos. As autoridades queriam que o contacto entre o povo local e os estrangeiros fosse reduzido ao mínimo o que originava custos adicionais. Acresce que algumas delegações de países escandinavos começaram a questionar acerca dos direitos humanos na China e Coreia do Norte.
De uma forma geral o festival foi uma grande e pomposa manifestação deliberadamente tendenciada para emular com os JO de Seoul. No aspecto humano, pôde-se, malgrado as restrições impostas pelas autoridades, assistir ao contacto entre o povo e estrangeiros o que permitiu destruir alguns dos estereótipos impostos pela propaganda oficial e permitiu ao povo norte-coreano o contacto com as modas e tendências artísticas ocidentais. De igual forma, a música rock, anteriormente banida do panorama social norte-coreano como símbolo da decadência ocidental e das intenções agressoras norte-americanas, teve os seus momentos altos nas ruas de Pyongyang.
O festival teve a presença de uma estudante sul-coreana, Im Su-gyng, que contrariando a proibição oficial do seu país foi dar ao norte o que eles consideraram uma vitória política. Os estudantes, sempre eles, a assumirem posições de generosidade mesmo que eivadas de ingénua fé nos amanhãs que cantam.
Desporto e política, na dialógica pouco dialogante entre as duas Coreias, são formas atenuadas e por vezes manifestas de guerra. A Coreia do Norte exige garantias de segurança para o regime e ajuda económica em troca do abandono do seu programa de armamento nuclear. Depois de obter o que quer não abandona, antes intensifica o seu programa nuclear. Os do Sul esperam, debalde, que a atitude mude. Parece, por incrível que pareça, que o alaranjado Trump está a ser mais eficaz que os seus antecessores na contenção nuclear da Coreia do Norte. Esperemos para ver.
As crises relacionais recorrentes entre as duas Coreias têm as origens mais incríveis. Uma delas, em 1997, que originou inclusive a paragem temporária da construção do reactor nuclear “light-water”, um projecto importantíssimo para a economia do Coreia do Norte, teve origem num motivo mesquinho, mas que para os comunistas foi crime de “lesa-majestade”. O que aconteceu na realidade? Um número do jornal Rodong Sinmun foi encontrado torcido e amarrotado no caixote do lixo no dormitório dos engenheiros que trabalhavam no reactor nuclear. E depois? Podemos nós perguntar, aceitando que esse é o fim lógico dos jornais lidos. Mas não, na Coreia do Norte a atitude para com os jornais é quase de idolatria, pelo menos oficialmente, já que as páginas frontais apresentam, usualmente, a fronha “sagrada” dos grandes líderes Kim Il-sung e Kim Jong-il. Além do mais o Rodong Sinmun é um jornal especial, publicado pelo Comité Central do Partido do Trabalhadores, e cada publicação tem de ter o imprimatur do partido e do líder.
O Rodong Sinmun foi criado em 1946 e, durante os primeiros anos, foi dirigido por uma série de jornalistas soviéticos de origem coreana. A lógica editorial era idêntica da de todos os jornais de partido comunista. Os editoriais não assinados constituíam fonte de doutrina para os leitores já que eram considerados como a voz do partido. Normalmente estes jornais são “chatos como a potassa”, até para os próprios defensores do sistema totalitário, mas parece que o Rodong Sinmun passa das marcas. Os editores do jornal esclarecem o seu staff que a missão do jornal não é entreter, informar ou distrair as massas, mas sim educá-las. O Rodong Sinmun tem usualmente 6 páginas; as primeiras quatro são matéria oficial contendo relatos das acções “heróicas” dos trabalhadores, agricultores e soldados norte-coreanos. Vários textos afiançam a grandeza e sabedoria dos líderes; a quinta página é preenchida com relatos da vida infernal na Coreia do Sul, e da miséria existencial dos irmãos do Sul que vivem debaixo da patorra colonial dos States (e.g. relatos de crianças pedindo esmola para comer, estudantes vendendo o seu sangue para pagar as propinas, etc.). A última página é preenchida com notícias internacionais. Estou a ver o tipo de notícias internacionais. Faz-me lembrar aquela anedota acerca de um hipotético torneio USA-URSS em Atletismo. Os américas ganharam. O relato do Pravda afirmava: “Os imperialistas americanos ficaram em penúltimo lugar, os nossos gloriosos atletas obtiveram um honroso segundo lugar”.
O jornal também tem lugar para momentos de auto-crítica e crítica de algumas falhas do sistema que responsabilizam alguns, mas somente após o beneplácito dos editores. Ser criticado no jornal corresponde a ficar marcado com o estigma da incompetência e pode fazer perigar uma carreira profissional ou ter resultados ainda piores, como por exemplo ir passar “férias para um campo de trabalho”.
O que aconteceu aos engenheiros que amarrotaram o jornal? Retomaram o trabalho prometendo que iriam tratar o Rodong Sinmun com mais respeito? O que teria acontecido se os engenheiros tivessem limpado o cu às fuças do “grande educador”?
A esta hora estaríamos, talvez, a colher os cacos de uma guerra nuclear entre as duas Coreias.
As relações entre as duas Coreias foram quase sempre marcadas pela lógica do golpe e contra-golpe. 
Em 1966, durante o campeonato do mundo de futebol, a Coreia do Norte, vencendo a Itália atingiu, meritoriamente, os quartos-de-final. Feito inédito até então para qualquer país asiático o que arrastou imenso prestígio para o já reclusivo país governado monarquicamente por Kim Il-sung. Para a história fica que a Coreia do Norte só soçobrou perante a equipa-maravilha portuguesa de Eusébio et al., após um jogo dramático que terminou com a vitória lusa por 5-3 depois de ter estado a perder por 0-3 ao intervalo. Esse jogo marcou um dos momentos mais altos da nossa história desportiva e catapultou Eusébio para o areópago dos heróis do desporto internacional.
A Coreia do Norte conseguiu, com esse feito, grande proeminência internacional o que provocou um estado de “ciumeira galopante” na Coreia do Sul. Os anos sessenta caracterizaram-se por uma luta incessante entre o Norte comunista e o Sul capitalista, valendo qualquer situação ou oportunidade para exprimir a superioridade de um lado sobre o outro. Nesse cadinho efervescente de animosidade social e política era óbvio que o Sul tentaria a resposta a esse êxito marcante do futebol norte-coreano.
Que fazer? A célebre pergunta leninista foi respondida de forma firme e eficaz pelo poder político do Sul. O temível braço secreto da ditadura militar então vigente – a KCIA (Korean Central Intelligence Agency), famosa pela “arte” de torturar os dissidentes políticos, ficou encarregada de organizar a resposta futebolística do Sul à repentina emergência do Norte. Interessante esta responsabilização dos serviços secretos pela organização de uma equipa de futebol, o que demonstra a importância política desta modalidade desportiva.
Assim, a KCIA pegou nos vinte melhores jogadores da nação visando não só suplantar o Norte como transformar a Coreia do Sul no baluarte supremo do futebol asiático, posição que foi conseguida com o quarto lugar obtido no Campeonato do Mundo de 2002. É óbvio que a organização conjunta desse campeonato entre a Coreia do Sul e o Japão ajudou a atingir esse desiderato, como ficou demonstrado pelos “ventos” favoráveis que em algumas ocasiões sopraram a favor da Coreia do Sul.
A equipa então formada não era um simples agrupamento de desportistas, mas um verdadeiro “comando” político que recebeu, inclusivé, um nome de guerra – Yangji que significa “terra iluminada pelo sol”. As palavras mobilizadoras tinham um forte cunho bélico que anunciavam uma verdadeira guerra contra o Norte, em que as armas e baionetas eram substituídas por uma bola e um campo relvado. Durante três anos os jogadores foram literalmente sequestrados pela KCIA, sujeitos a treino intenso e cuidados médico-nutricionais especiais entre os quais se salienta a ingestão de vitaminas expressamente compradas nos USA e transfusões de soro fisiológico durante a noite nos momentos de maior fadiga. Os jogadores foram recompensados com robustos ordenados, prendas variadas outorgadas pelo chefe da polícia política e foi-lhes considerada como prestação do serviço militar obrigatório, que era então de três anos, a estadia na selecção nacional.
Eles diziam que faziam tudo por nós...desde que ganhássemos jogos, afirma Cho Jong-soo, um dos defesas da equipa hoje com 59 anos de idade. Os jogadores eram mimados com várias benesses, mas era-lhes exigido uma dádiva absoluta à equipa. Durante as raras folgas que tinham eram seguidos por agentes secretos da KCIA, descobrindo-se facilmente qualquer atitude menos consentânea com a nobre missão patriótica que lhes estava incumbida, como por exemplo beber um copo com os amigos.
A prática de parada e resposta em relação ao Norte também marcou a preparação da equipa. Quando os homens da KCIA souberam que a Coreia do Norte tinha enviado a sua equipa para fazer estágios na União Soviética e Jugoslávia logo providenciaram no sentido de fazer estagiar a sua equipa em vários países da Europa Ocidental. Só duma vez ficaram 105 dias fora do país.
O presidente Park Chung-hee, que tomou o poder através de um golpe militar em 1961 e que dirigiu o país com mão de aço durante 18 anos, manifestou publicamente um claro apoio à equipa tentando “matar dois coelhos com uma só cajadada”, visando por um lado cimentar o fervor nacionalista contra o comunismo e por outro criar uma manobra de diversão em relação à sua direcção autoritária. Parece que a tríade Fado-Fátima-Futebol que esteve na base da estruturação da esfera noológica lusitana durante muitos anos transformou-se na Coreia do Sul na díade Futebol e Autoridade. Coitado do futebol, sempre aproveitado como um dos “ópios do povo” quando é simplesmente um jogo com uma bola que dá momentos de sonho e evasão tanto ao mais comum dos mortais como ao intelectual mais evoluído. A culpa não é do futebol – é dos homens."

Benfiquismo (MCCXXVI)

Inconfundível...

Raúl de Tomás

É oficial, RdT no Benfica!!!
Não é o substituto do Félix nem do Jonas... é um jogador de características diferentes, parece-me mais o Rodrigo: velocidade, garra, força e facilidade de remate. Agora, não é um criativo, normalmente recebe a bola vira-se para a baliza, assistências para golo são raras...!!! Em relação ao Rodrigo, tem melhor movimentos dentro da área... E curiosamente o Rodrigo também veio do Real Madrid!!!

Eu sei que o pessoal, está à espera de um novo Félix, mas isso dificilmente irá acontecer. O mais provável é jogarmos no mesmo Modelo, mas com jogadores de características diferentes, mudando as movimentações... Seferovic/RdT será a dupla mais provável... sendo que jogadores como o Caio ou o Chiqunho, podem ser a opção para um 'esquema' diferente, com os avançados a jogarem em 1+1 em vez dos dois em paralelo...

Não é fácil convencer jogadores da Liga Espanhola (Inglesa, Alemã ou Italiana) a virem para Portugal. O Grimaldo é uma das excepções, e o facto de as boas exibições no Benfica do esquerdino, não serem relevadas em Espanha, é um bom exemplo de como pode ser 'perigoso' sair de Espanha, para quem tem ambições de chegar à selecção!!!

Não foi um jogador barato, mas grande parte do pagamento, irá ser efectuado com a percentagem que o Benfica tem a receber do Jovic... assim 'dói' menos! Mas o Jiménez também não foi barato!!! E os números do RdT na La Liga, são realmente muito bons, ainda por cima numa equipa de fundo da tabela!!!

Comunicado: saída do Félix

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD (“Benfica SAD”) informa, nos termos e para o efeito do disposto no artigo 248.º-A do Código dos Valores Mobiliários, que chegou a acordo com o Club Atlético de Madrid, SAD para a transferência a título definitivo dos direitos desportivos do jogador João Félix Sequeira pelo montante de € 126.000.000 (cento e vinte seis milhões de euros).
Mais se informa que o Club Atlético de Madrid, SAD pagará a pronto um valor de € 30.000.000 (trinta milhões de euros) e que a Benfica SAD efectuará uma operação de desconto sem recurso dos restantes € 96.000.000 (noventa e seis milhões de euros), sendo os custos financeiros associados a esta operação de € 6.000.000 (seis milhões de euros).
Desta forma, a Benfica SAD garante o recebimento do montante de € 120.000.000 (cento e vinte milhões de euros) no momento da transferência do jogador.
Por último, de referir que os encargos com os serviços de intermediação relativos a esta transferência ascendem a € 12.000.000 (doze milhões de euros) e que o Club Atlético de Madrid, SAD será responsável pelo pagamento do valor do Mecanismo de Solidariedade devido a clubes terceiros, o qual não poderá ser deduzido ao montante da transferência acordado com a Benfica SAD acima mencionado."

quarta-feira, 3 de julho de 2019

David Tavares 2024

Ainda hoje durante o treino transmitido pela BTV, foi possível observar pormenores que não enganam!!! A afirmação do David vai ser feita com um ano de atraso, devido à lesão maldita, logo no primeiro treino da época anterior... tenho a certeza que mesmo com Rui Vitória, teria sido aposta, ainda por cima com as dificuldades que o Gabriel teve no início...!!!
Com 7 jogadores para duas posições (Samaris, Florentino, Gabriel, Taarabt, Gedson, Dantas e o David), não acredito que fiquem todos no plantel... suspeito que o Tiago Dantas, poderá ser o 'sacrificado', mas tenho quase a certeza que o David vai ficar...!!!
Temos inclusive plantel, caso o treinador assim o determine, par jogar em 433! Sem o Félix, sem uma 'cópia' do Félix no plantel até poderia existir a tentação para mudar o 'esquema', mas muito sinceramente não acredito...!!!

'Pai' & 'filho' !!!

Sabe quem é? Um 'sheik' sem hárem - Caio Lucas

"Aos 17 anos estava para deixar o futebol, japoneses não o deixaram; Não veio para o FC Porto, veio para o Benfica

1. Nasceu, por Abril de 1994, em Araçatuba (que, no interior paulista, se conhece como a Cidade do Boi Gordo) e por lá se lançou ao futebol na escolinha do América. Não tardou que o desafiassem para o São Paulo FC. Vendo-o chegar com metro e meio de altura, passaram a chamar-lhe Baixinho. Por lá andou seis anos (na sua equipa jogava Lucas Moura) - e, dum instante para o outro, o seu sonho parece tornar-se cinza.
2. Acabara de fazer 16 anos - e foi como se o céu desabasse sobre a sua cabeça: «No São Paulo falavam desde o começo que eu não tinha tamanho para ser jogador e, então, arrumaram esse motivo para me dispensar». Amargurado com a guia de marcha, ainda se aventurou a teste no Santos e no Palmeiras - e, em ambos os casos, a resposta que não, não o queriam.
3. Achando a esperança a fugir-lhe por entre os pés, deu a um amigo e material de futebol que tinha e atirou-se à busca de trabalho «em qualquer coisa que pegasse». O destino deu-lhe, desconcertante, futuro outra vez: «Ouvindo falar de japoneses que façam temporada por ali, meu pai insistiu que fosse a um jogo em Birigui, cidade ao lado da minha, com esse tal colégio de Chiba. Peguei as minhas chuteiras de volta ao meu amigo e fui ao amistoso com eles. Com dois toques na bola, logo me quiseram...»
4. A proposta soltou-se-lhe no final do jogo: ir para o Japão jogar e estudar - e já lá fez 17 anos. «Fui com Breno, não sabíamos falar nada. Quando a japonesada falava com a gente só dávamos risada. Com sete meses lá, já me virava. Na escola, não jogava só, não estudava só. Por exemplo, éramos nós, os alunos, que lavávamos os banheiros do colégio em esquema de revezamento. Ali, quando chegava a minha vez, eu dava uma escapada com a malandragem brasileira. Quando não tinha jeito para isso, jogava uma água lá, mas não esfregava, não...»
5. Fulgor que espalhou nos torneios escolares pelo Chiba Kokusai levou a que, aos 20 anos, o Kashima Antlers (onde Zico jogara) o desafiasse para lá. Logo ganhou a Taça do Imperador. O seu treinador era Toninho Cerezo - que dele disse: «Criativo, alia a técnica à rapidez. Não fica preso a marcações, gosta de ter bola, com ela nos pés nos pés procura sempre tabela e infiltração, das duas deambulações ela esquerda resultam golos, muitos golos».
6. Não, já ninguém o tratava por Baixinho, tratavam-no por Neymar Japonês (e não só pelas tatuagens) - e, no ano seguinte, foi o craque que arrastou o Kashima Antlers à vitória na J-League. A Champions da Ásia perdeu-a para o Jeonbuk Motors (e a mágoa maior foi não poder fazer o que imaginara: foto ao lado de Cristiano Ronaldo e de Marcelo quando com eles jogasse o Mundial de Clubes).
7. Desafiado a tornar-se japonês, ficou de pensar. Em 2016, o Al Ain deu três milhões de euros pelo seu passe. Casado com uma japonesa, a hipótese de jogar pela selecção do Japão perdeu-se pelos Emirados Árabes Unidos. Em Abu Dhabi virou, um fogacho, ídolo do clube - o fascínio que causou num ápice o arrastou a grande reportagem vestido de sheik (e, deliciado e brincalhão, ele revelou-o: «Sheik sim, mas diferente - pois vim para cá com a minha esposa e a minha vida não tem essa história de harém, não...»
8. A história repetiu-se: pelo Al Ain (onde se cruzou com Rúben Ribeiro) também ganhou o campeonato e taça - e em 2018 jogou, finalmente, o Mundial de Clubes (só que, apanhando o Real Madrid em Abu Dhabi já lá não tinha o Cristiano Ronaldo). Aliás, não jogou apenas o Mundial de Clubes, resplandeceu nele: golo seu arrastou à eliminação do River Plate (e o túnel que fez a Enzo Pérez correu mundo no frenesim do Youtube). A final perdeu-a para o Real - ele saiu de lá com a Bola de Prata (a de Ouro coube a Gareth Bale). E foi nessa altura que se começou a falar de si para o FC Porto (achando-se que pudesse repetir em novo encanto a história de Hulk).
9. Para Portugal veio mas não foi para o FC Porto - foi para o Benfica (a custo zero, com salário de 1,2 milhões de euros ao ano e prémio de assinatura que se insinuou ter andado próximo dos 3 milhões). Ao chegar à Luz, na quinta-feira largou o aviso, num clamor: «Venho para ser campeão! Sou um jogador com muita velocidade. Tento marcar golos e ajudar nas assistências. Vontade e garra não vão me faltar, podem ter a certeza»."

António Simões, in A Bola

Ascot

"1. Aí está a nova temporada (para já em lume brando). À atenção dos interessados, há navios de guerra alemães à venda no eBay.
2. «Senti o meu corpo a rebentar por todos os lados», disse Fernando Pimenta após ganhar uma medalha. Mas podia ser Sérgio Conceição depois de o FC Porto perder Bruma para o PSV.
3. Há quem tenha o coração no Boca (Salvio) e há quem tenha o coração na boca. Podemos elogiar Megan Rapinoe por muitos aspectos, mas dizer que não se pode ganhar o Mundial de futebol feminina sem gays na equipa é negar o que defende e representa.
4. Depois da factura desportiva (pior época em 20 anos), o Real Madrid paga a factura financeira (mais de €300M já gastos, recorde absoluto). Florentino Pérez não podia ser guarda-redes, falta-lhe golpe de vista (CR7).
5. Carlos Queiroz diz que «o VAR é uma criança a começar a andar». Por cá estamos na fase da troca de fraldas.
6. Caro Sporting, o ecletismo termina onde começam as exibições de pião (ou ioiô ou berlinde ou derivados).
7. Parabéns aos atletas portugueses medalhados nos Jogos Europeus. Não festejava assim desde os Jogos sem Fronteiras com Eládio Clímaco.
8. A saída de Bruno Fernandes está mais lenta que as filas da Loja do Cidadão e as ofertas são mais fracas que a memória de Vítor Constâncio. Já lhe chamam o Bruno do prédio Coutinho.
9. A experiência de Jesus no Flamengo assemelha-se, até ver, à corrida de cavalos de Ascot. Está tudo a olhar para os chapéus das senhoras.
10. Não sei o que é mais estranho: Venus Williamns perder com tenista de 15 anos ou a McDonald's lançar hambúrgueres portugueses na Malásia.
11. Depois dos míticos 15 minutos à Benfica, teremos os 15 minutos à Bruno de Carvalho (se ele for). Talvez termine com um: «Não encaixa no meu feeling».
12. Apareceu-me aqui em casa por engano um dos arguidos da invasão de Alcochete. O que faço?"

Gonçalo Guimarães, in A Bola

O mercado parece não ter pressa...

"O mercado, nesta janela de verão, anda preguiçoso, como se não houvesse pressa de definir os plantéis. É verdade que muitos dos melhores negócios se fazem em cima do risco da meta, mas os principais clubes não podem esperar até tão tarde. Nesta altura, está tudo à espera que Pogba, De Ligt, Neymar, Bale, Griezmann, Eriksen, Dembelé e Coutinho se definam, para que, a seguir, com o dinheiro a girar, a economia do futebol conheça a animação prometida.
À escala portuguesa, logo que João Félix seja apresentado em Madrid e Raúl de Tomás se oficialize na Luz, o Benfica terá uma espécie de troca consumada; ficará a faltar, aos encarnados, um substituto para Jonas, e isso não é nada fácil de conseguir. E, talvez porque a última época foi feita pelo caminho das pedras, não tem sido suficientemente enfatizada a importância do brasileiro, na Luz. O Benfica precisa de olhar com muita atenção para o investimento que vai fazer para encontrar alguém com qualidade suficiente para calçar os sapatos de Jonas. Ainda na Luz, uma questão já colocada na segunda metade da época passada: não fará falta uma alternativa a Seferovic?
Já o Sporting permanece refém da indefinição por Bruno Fernandes. Enquanto não houver uma certeza relativamente ao futuro do talentoso médio, Marcel Keizer não pode definir o tipo de futebol dos leões, na certeza de que ter ou não ter Bruno Fernandes faz toda a diferença.
O FC Porto, por seu turno, o primeiro a entrar em competição, tem um contrarelógio exigente para disputar. E, apesar da chegada de Zé Luís, há muito trabalho a precisar de ser feito no Dragão. E pouco tempo..."

José Manuel Delgado, in A Bola

O multiverso de Chiquinho

"Chiquinho assina pelo SL Benfica depois de uma grande época em Coimbra.
Chiquinho assina pelo SL Benfica depois de um grande época em Moreira de Cónegos.
Chiquinho é o clone de Pizzi.
Chiquinho é o clone de Candeias.
Chiquinho integra o plantel para a próxima época.
Chiquinho é dispensado.
Chiquinho vale 690 mil euros.
Chiquinho vale 9 milhões.
O Benfica não recebe um tostão pelo Chiquinho.
Um universo de possibilidades, um multiverso de realidades em volta de Francisco Silva Machado. 
Se não fosse a questão temporal estaríamos realmente a falar em realidades paralelas. Contudo a junção destas possibilidades permite-nos criar duas realidades dentro do mesmo universo, duas realidades somente separadas por 12 meses e ligadas pelo factor somatório dos valores monetários – Chiquinho custou ao SL Benfica 690 mil euros + 4,5 milhões (50% do passe e 750 mil condicionantes do apuramento para a Champions). Portanto saiem dos cofres da Luz mais de 5 milhões euros e entram zero.
As negociatas e gestão do plantel na época transacta são as grandes críticas a este negócio. Chiquinho sempre teve valor para o SL Benfica e é incompreensível a sua dispensa após 20 dias de águia. Comprar um jogador para depois o ceder a custo zero – prática já usual – e ainda o ir buscar 11 meses depois por quase sete vezes esse valor… é algo transcendente.
A questão nem está no valor do jogador, a questão está no facto de um clube gastar 4,5 milhões para adquirir um jogador seu que deveria estar emprestado. A roda dos milhões é o grande buraco negro neste universo com um espaço temporal de apenas um ano.
Agora esquecendo os acontecimentos do Verão passado.
Chiquinho chega à Luz por 4,5 milhões de euros (750 mil por objectivos prováveis) sendo que lhe é atríbuido um valor de 9 milhões euros. Uma excelente compra por parte do SL Benfica. O resgate deste jogador é uma das grandes noticias do defeso encarnado.
É que o multiverso de Chiquinho estende-se também aos relvados.
Chiquinho não é o clone do Pizzi mas pode sim jogar na sua posição. Tal como na posição do Félix. Tal como do outro lado onde tem vindo a actuar mais o Rafa. Tal como o terceiro médio num regresso táctico ao passado. O Chiquinho é jogador da bola, trata bem a redonda, finaliza, serve os colegas, lê e interpreta o jogo. O Chiquinho é mais um talento para o carrossel de ataque Lagiano. E com a saída de João Félix e Jonas, Chiquinho é uma lufada de ar fresco para todos os benfiquistas. 
Vale os milhões por ele pagos e não deve ser nunca sobrecarregado com o peso dos erros e negociatas de quem dirige o clube.
Chiquinho é mais um motivo para a bola sorrir no Estádio da Luz. Um péssimo negócio.
Uma fantástica contratação."


PS: Esclareço a minha opinião: a Direcção cometeu um erro, o Chiquinho deveria ter sido emprestado sem cláusula (ou com uma cláusula alta), ou então vendido com uma cláusula de recompra baixa... este tipo de venda - 50% -, ficamos sempre dependentes de propostas malucas feitas por clubes ligados a determinados empresários...
Seria fácil agora, para não dar parte fraca, receber os 4,5M pela venda do jogador para a Rússia... mas isso na minha opinião seria cometer outro erro: o jogador, agora mais experiente, com ritmo de I Liga, provou ter muita qualidade, portanto o regresso, é a melhor decisão...
Em relação aos valores, são altos, para um jogador que era 'nosso', mas creio que o valor será abatido com jogadores emprestados, vamos esperar para ver...

Benfica Podcast - Best of 18/19 - Part V

Espanha voltou a casa

"No meio está a virtude é uma expressão popular que encaixa como uma luva num campo de futebol. Adaptada ao contexto, e se me é permitida a liberdade, será qualquer coisa como: no meio-campo estão os virtuosos. Poderá ser mais verdade numas equipas do que noutras, mas poucas dúvidas haverá de que a selecção de Espanha de sub-21 dá corpo a esta máxima com pinceladas de artista. Mais do que a conquista do Europeu da categoria, fica a impressão duradoura de um regresso a casa. 
Não consigo evitar uma viagem até ao Euro 2004 quando olho para o percurso da equipa espanhola em Itália. Tal como Portugal há 15 anos, entrou em cena com o pé esquerdo (derrota justíssima diante do anfitrião) mas teve a humildade e a astúcia de emendar a mão, retomando uma zona de conforto que coincide com o seu ADN. No caso de Luiz Felipe Scolari, essa teia genética chamava-se FC Porto, a Luis de La Fuente bastou-lhe recapitular lições passadas.
Em teoria, a cartilha do treinador que começou a carreira na equipa secundária do Athletic Bilbau tinha razão de ser. Compreende-se onde queria chegar quando disse, numa entrevista recente, que embora seja um admirador do jogo de posse, sente necessidade de dar outro tipo de respostas sempre que as circunstâncias o solicitam. Por outras palavras, as do próprio: “Quando temos de jogar directo, jogamos directo”.
Pois bem, o primeiro esboço dessa tentativa teve de ser rasgado - ou guardado com anotações na esperança de um aperfeiçoamento futuro. Para se agarrar à competição como a um helicóptero de resgate, De la Fuente virou a equipa do avesso: prescindiu de um avançado convencional (Mayoral) para jogar com um falso nove (Oyarzabal), dotou o tridente interior do meio-campo de mais critério e criatividade e juntou-lhe ainda dois médios suplementares (Olmo e Fornals) que criaram sempre mais por dentro do que pelos corredores laterais.
Em vez de uma overdose de corredor central, o que se viu foi uma capacidade adicional de explorar o espaço entre linhas, também por força do primeiro passe cirúrgico de Marc Roca ou Fabián Ruiz (eleito o melhor jogador do torneio). Foi uma multiplicação de linhas de passe que nasceu das trocas posicionais mais frequentes no sector, que também beneficiou dos timings de decisão de Dani Ceballos. Foi a criação de espaços onde pareciam não existir graças aos movimentos de arrastamento de Oyarzabal.
O primeiro golo da final é um exemplo perfeito desta relação quase telepática que as diferentes fornadas das selecções espanholas têm alimentado ao longo dos anos. Passe vertical a romper linhas, avançado a baixar e a atrair um central para combinar de primeira e deixar um dos médios em posse e de frente para o jogo. A chamada dinâmica do terceiro homem a funcionar na perfeição, abrilhantada por um remate tão espontâneo quanto certeiro.
Luis de La Fuente tinha a vantagem de já ter trabalhado nos sub-19 com nove dos jogadores da convocatória. Sabia o que podiam dar ao jogo e em que zona do terreno poderiam ser mais-valias. Sabia que, apesar de alguns terem sido obrigados a procurar além-fronteiras o espaço que lhes vedaram em Espanha, aliavam qualidade e maturidade em doses suficientes para fazerem a diferença.
Curiosamente, Espanha até terminou a final abaixo da Alemanha em muitos dos indicadores estatísticos mais relevantes, a começar pela posse de bola. Impôs-se, acima de tudo, pela objectividade dessa posse, construindo com mais critério e criando mais oportunidades reais do que o rival. Envolveu os laterais para dar largura (o esquerdino Junior foi o mais incisivo) e chegou com relativa facilidade a zonas de criação. Pecou aqui e ali na definição, é certo, mas também protagonizou um momento supremo com aquele chapéu de Dani Olmo já com a linha de baliza ao alcance de um braço.
Não deixa de assistir razão ao seleccionador quando alude à necessidade de adaptar o jogar da “sua” Espanha às exigências do jogo. Haverá momentos em que poderá fazer sentido, até como fonte de surpresa para o adversário. O que não faz sentido é tornar essa abordagem no plano A de um conjunto de estetas capazes de transformarem um jogo de futebol numa obra de arte em movimento. É tirar-lhes o pincel das mãos."

O Cantinho do Olivier - ep. 5

Benfiquismo (MCCXXV)

Não foi suficiente...

Defeso: perguntas, explosões e afins

"Quando não havia esta febre mercantil ainda era tempo para nos deliciarmos com o Tour de França ou a nossa exígua Volta a Portugal

1. Há 61 dias entre hoje e o fim de Agosto. Muita água (liquidez) vai correr por debaixo da ponte (defeso). Um tempo para ilusões e desilusões. Tenho para mim que não vale muito a pena ler os variados e fantasiosos «diários do defeso». No fim, logo se verá, depois de decantadas muitas partículas aparentemente noticiosas. Neste longuíssimo período tanta tinta retinta vai dar à estampa uma coisa e o seu contrário. Quando não havia esta febre mercantil, ainda era tempo para nos deliciarmos com o Tour de França ou a nossa exígua Volta a Portugal, ou ainda uma competição internacional de hóquei em patins. Agora é só bola, mesmo que para se concluir por «bolas».
O defeso passa por várias e distintas fases. Começa no modo perguntar, depois passa para a fase de arrolar uma longa série de jogadores estrangeiros que quase ninguém havia ouvido ou lido, até que surge a bomba de um nome indecifrável, acompanhado de um vídeo de meia-dúzia de momentos gloriosos e, obviamente, sem o resto. É o tempo em que ouvimos certos especialistas falar deste ou daquele craque como se os tivessem acompanhado desde pequeninos. Depois vem o modo quase, às vezes fungível com o modo abortar (o negócio). Pelo meio, há o mini-mercado de trocas e baldrocas onde empréstimos são muitas vezes uma forma de condicionar o mutuário face ao mutuante. Antes do fim, há o mercado secundário ou período de saldos, aproveitados avidamente pelos que não têm acesso ao mercado primário. Por fim, chega o modo mais excitante, qual seja o do leilão de última hora no dia 31 de Agosto, onde já não há tempo para manobras de diversão e espaço para especulações mediáticas e onde é, tão-só, pegar ou largar.
Neste mercado, há um ponto que sempre me intrigou. O de se concretizarem transferências que, afinal, não o irão ser. O clube A adquire o passe de um certo jogador, para nem sequer vestir o seu equipamento, pois logo é recambiado para um outro clube por empréstimo (que até pode ser o clube onde o atleta já estava...). Poderíamos chamar-lhe «transumância». Isto, evidentemente, quase sempre acompanhado de declarações arrebatadoras do jogador em causa com aquela pitada de amor eterno à camisola que (não) vai vestir... Porque mais atento ao Benfica, cito, por exemplo, Cádiz que veio do Vitória de Setúbal e que parece - a fazer fé nas notícias - irá jogar num terceiro clube, sem passar pela Luz.

2. Como atrás referi, há uma expressão muito curiosa e que agora é um modismo do defeso. Refiro-me ao verbo perguntar. Todos os dias há notícias sobre clubes que perguntam por jogadores (mais raro é jogadores perguntarem por clubes, antes perguntam por euros). No mercado, perguntar é, nã raro, um verbo usado para substituir a falta de um substantivo, a verba. Às vezes, creio que se pergunta não sei a quem. E, de vez em quando, dá a sensação que se trata apenas de perguntar por perguntar. Outras vezes pergunta-se para que outros deixam de perguntar ou continuando a perguntar o preçário pós-pergunta seja influenciado. Por exemplo, «O clube X perguntou pelo jogador A», é, cada vez mais, uma forma de fabricar uma novidade, de lançar um isco, ou de atiçar uma putativa concorrência. Perguntadores há muitos: é fácil, é barato e, às vezes, dá milhões. Emerge uma nova classe profissional: os perguntadores remunerados em função da sua maior ou menor língua de perguntador, mesmo que as perguntas sejam de algibeira (aqui no sentido literal). Neste contexto, vem-me à memória Vergílio Ferreira: «Uma pergunta não interroga: uma pergunta diz a resposta».

3. Divirto-me também com outro verbo: «explodir». «É este ano que este jogador vai explodir!», assim ouvimos e lemos amiúde, depois de devidamente decretado e certificado pelos magos do futebol. Eis em toda a sua explosão (ou será implosão?) o esplendor do defeso de Verão. Entre duas épocas, explodir é a mensagem e a esperança. A sorte e probabilidade. O preço e a pressa. O retorno e o entorno. Alguns explodem tanto no defeso que esgotam as munições e têm de mudar de ares para tentar explodir com novo oxigénio. Outros explodem de tal sorte que desaparecem. E ainda outros, coitados, explodem em jeito de fogo preso. É, por isso, que não sabem conjugar o verbo explodir, na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, dizendo «explodo» em vez de expludo. Na explosão, como regra, não há fumo sem fogo e fogo sem fumo. É o que vemos com o fogo-de-artifício de quem dela beneficia. E, ao que leio, há clubes onde ainda não há explosões, mas há foguetório, com estampido.

4. O defeso é, de facto, muito imaginativo. Às vezes, até por não ter imaginação nenhuma. Ainda há dias, li as ousadas declarações de um craque recém-contratado que me impressionaram: «Posso acrescentar garra e vontade de ganhar» (coisa que até eu poderia acrescentar...). Li também uma notícia que assim rezava: «Reine-Adélaide colocado no radar». Ao princípio pensei que se tratava de uma rainha de ascendência francesa. Depois vi que se tratava se um jogador, só não percebi se era ele que ia para o radar ou se foi o radar que o detectou. Há outra figura do defeso que me faz lembrar uma involução matemática: refiro-me aos atletas que assinam para ficar num clube, mas saem, ou os que, não saindo, não assinam por onde ficam. Dois exemplos dos últimos dias, ainda a procissão vai no adro: «Miguel Oliveira renova e sai» (quase um paradoxo, a não ser que renova seja a referência a uma marca comercial de papel higiénico) e «Alef renova e é cedido» (coitado, neste caso nem sai, é apenas cedido). Li também que «Premier League não larga Marega», um título que tem a vantagem de não ser desmentido por nenhum dos 20 clubes da mesma.
Na semana passada, o MVP do defeso foi Bruma. Vejamos só algumas manchetes. 21 de Junho: «Bruma prefere o Dragão» (O Jogo). 22 de Junho: «Bruma desviado para a Holanda» (A Bola). 23 de Junho: «Dragões não desistem de Bruma» (A Bola). 25 de Junho: «Bruma quase Dragão. Oficialização do negócio iminente» (O Jogo), «Dragão ao ataque: Bruma assina pelo FCP até 2024. Prevaleceu a vontade do jogador» (A Bola). 26 de Junho: «Bruma volta a complicar-se» (A Bola), «PSV enviou emissário a Lisboa, mas não deu a volta a Bruma» (O Jogo). 27 de Junho: «... Bruma escapou para o PSV de madrugada» (O Jogo), «PSV desviou Bruma em raide nocturno» (A Bola), «Bruma fugiu para Eindhoven» (Record). Passando ao lado do tamanho dos caracteres na capa de O Jogo e Record que são bem eloquentes no anúncio da chegada e quase microscópios nos desmentidos seguintes, este caso - como tantos outros - é uma boa prova do carrossel de rumores, meias-notícias e variações ao minuto em que o defeso é pródigo para compensar a ausência de competições a sério. Isto para já não falar dos «mercados» e «transferências» televisivos onde é o mesmo, mas em escala logarítimica. Enfim, bruma não falta ao defeso. Entre a bruma nortenha e a bruma dos Países Baixos, o que contou foi a espessura do nevoeiro cerrado no sonho de uma noite de Verão.

Contraluz
- Citação (I): De Valdo notável e inesquecível jogador do Benfica nas décadas de 80 e 90: «Quando se fala em Benfica eu ponho-me logo de pé» (em A Bola de 30/6).
- Citação (II): De Jorge Jesus «Hoje o Fla é mais falado lá (em Portugal) do que os três grandes» (em A Bola de 30/6).
- Competição: Os Jogos Europeus, uma invenção recente de um acontecimento que, notoriamente, está a mais. Querendo, pomposamente, ser uma espécie de Jogos Olímpicos Continentais (tipo 2.ª divisão), descaracterizam alguns desportos (o atletismo é um deles) e não despertam grande interesse. Este ano, na Bielorrússia, com estádios às moscas e um notório desinteresse geral, num país de tradição autocrática. Valha-nos a boa prestação dos nossos compatriotas.
- Confusão: A portuguesa Fu Yu conquistou a medalha de ouro no ténis de mesa feminino nos Jogos Europeus derrotando a alemã Han Ying na final. Assim vão as nacionalidades desportivas...
- Discriminação: Vai começar o Campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, na cidade de Barcelona. Dantes, era um acontecimento. Agora é um esquecimento. Tudo diminuído pelo futebol totalizante.
- Fiasco: A Copa América tem sido um completo fiasco. Jogos sonolentos, bancadas quase vazias no Brasil do futebol. Acresce essa estranha inovação de haver dois países asiáticos convidados (Japão e Catar) para acrescentar aos 10 países sul-americanos e substituir-se aos outros dois que nunca competem (Suriname e Guiana). Imagine-se se o Japão ou o Catar fossem mais que «damas-de-companhia» e vencessem a competição... sul-americana. O futebol até a geografia atropela!"

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 2 de julho de 2019

Proibido dormir na forma

"Bruno Lage foi muito claro: quem não tiver mentalidade para ajudar o Benfica na sua afirmação nacional e internacional deve mudar de vida, ou de clube

Se o Benfica entrar na próxima época à sombra do sucesso da época transacta é um engano. Sábias palavras que Bruno Lage quis transmitir aos seus jogadores, em mensagem pública emitida pelo canal do clube no dia do regresso ao trabalho.
«Quem deixar de treinar-se com a intensidade desejada, quem deixar de correr e jogar em equipa» fica sem espaço, por não ter mentalidade para representar emblema que pretende sublinhar a sua afirmação nacional e internacional através de dois grandes objectivos: conquistar o bicampeonato (38.º) e reforçar o seu estatuto europeu.
No momento presente suscita fraco entusiasmo qualquer discussão em que o tema central seja o de questionar, a estabilidade do Benfica, que o coloca em plano mais elevado. É uma evidência, em contraposição aos dois históricos rivais e únicos candidatos e competirem com ele pelas conquistas mais importantes:
FC Porto - Ainda não se livrou do controlo financeiro da UEFA. Debate-se com notórias dificuldades para reconstruir um plantel que defenda e honra do clube. Substituir, em simultâneo, jogadores com a qualidade de Felipe, Éder Militão, Herrera e Brahimi é complicado, mas também há dois anos, de um bando de renegados, Sérgio Conceição formou um grupo profissional e de tal maneira disciplinado e forte que se sagrou campeão. O que me leva a deduzir que o campeonato que se segue será uma cópia deste, e do anterior: dragão e águia a lutarem pelo título até à última gota de suor.
Sporting - Novo treinador, a dar boa conta do recado, que veio de alta escola e que, para sua protecção, deve rapidamente comunicar sem intermediários. Não precisa dizer muito, tão somente perceber o que lhe perguntam e responder o essencial. A dúvida maior é Bruno Fernandes. A sua eventual permanência fará enorme diferença. Com ele, o leão passa de candidato estatístico a candidato efectivo. Com o beneplácito da história: foi campeão em 1970, em 1980 e em 2000. A terminação em zero dá-lhe sorte e a próxima época acaba em 2020. Nunca se sabe...

O Benfica situa-se em patamar superior, mas nada de lhe foi oferecido, trabalhou muito para lá chegar sob a judiciosa e lúcida liderança de Luís Filipe Vieira. Sei que há quem embirre por, frequentemente, trazer à colação a importância da figura presidencial no longo e complexo processo de recuperação do emblema da águia, mas é a pura das verdades.
É o campeão em título, tem sido diligente nos trabalhos de casa e previdente na projecção do futuro. Além disso, usando linguagem militar, passa a ser absolutamente proibido dormir na forma e a primeira advertência deu-a Bruno Lage com sublime clareza: mais exigência, mais intensidade, mais alegria, mais equipa.
O que aconteceu em 2010 deve estar gravado na memória de todos os benfiquistas como exemplo a não repetir. Foi o primeiro ano de Jesus, em campeonato decidido na última jornada devido ao fantástico desempenho do SC Braga, que ficou em segundo, então treinado por Domingos Paciência. Os festejos foram de arromba e as vaidades infindas, de tal maneira que nem tempo houve para preparar a época seguinte e que viria a corresponder a um trambolhão de todo o tamanho: o Benfica foi despromovido a vice, ficando a 21 pontos (!) do FC Porto. Uma vergonha de que só viria a recompor-se quatro anos mais tarde.

O Seixal reabriu as portas e leio em A Bola que os encarnados voltam ao mercado para contratarem «um atacante móvel que também possa jogar como extremo». Só agora? O jornalista Rui Miguel Melo revela no seu trabalho que o Benfica já estava preparado para o fim da carreira de Jonas, mas contava segurar João Félix por mais um ano.
A prioridade incide, pois, em descobrir o substituto do 'jovem 120 milhões'. É normal, mas, por outro lado, escapam notícias sobre outras situações igualmente determinantes para a imposição do tal Benfica ousado que pretende recuperar o lugar que foi seu entre a elite europeia e mundial. Um Benfica apto física e mentalmente para se bater em todas as frentes. Não se fala, ou fala-se pouco, de alternativas para as laterais esquerda e direita, duas posições deficitárias: Grimaldo pode não sair, mas o seu historial clínico dá que pensar, e André Almeida vale pela sua inesgotável disponibilidade.
A aquisição de outro guarda redes parece também em banho Maria, ou é impressão minha. Vlachodimos, de 25 anos, é um jovem em crescimento. Denota inibições no jogo aéreo, a jogar com os pés e fora dos postes, o que não é pouco, mas para resolver esses e outros problemas é que existem equipas técnicas com especialistas nas diversas áreas do treino. Apesar do apreciável cumprimento de grego, o Benfica continua à procura de 'um guarda redes de renome'. De renome? Enfim, se a questão é essa, procure... Se me é permitida a opinião, porém, direi que a questão é outra e reside em descobrir um clone de Jonas. Mesmo com a dor nas costas, a falta que ele irá fazer!..."

Fernando Guerra, in A Bola

10 anos de CFC

Afinal, o que se passa com a VAR no Mundial Feminino?

"24 pénaltis, jogadoras a recusarem continuar a partida, lágrimas de tristeza e sobretudo de raiva. É este o balanço da atuação do Video Assistant Refferee (VAR) no Mundial de Futebol Feminino em França. O que é que isto significa para o torneio e para o futuro da tecnologia no desporto rei?

É a primeira vez que o video-árbitro está a ser utilizado num Mundial de Futebol Feminino, e o balanço não tem sido nada positivo. Desde que o torneio começou, em França, há cerca de três semanas, muitos foram os episódios que tiveram a mulher do apito (e a do ecrã) como protagonistas.
Um dos acontecimentos mais marcantes surgiu no Camarões-Inglaterra, a contar para os oitavos de final da competição. Depois de um golo de Ellen White que fez o 2-0 para as inglesas ter sido anulado pela fiscal de linha mas validado pelo VAR, as camaronesas… recusaram-se a jogar. Numa das cenas mais bizarras do futebol nos últimos anos, as representantes do país africano juntavam-se no centro do seu meio campo e não davam o pontapé de saída.
No Argentina-Escócia, jogo da última jornada do Grupo E, um penálti falhado pelas albicelestes no minuto final da partida significaria que as escocesas seguiriam em frente na competição. Mas a revisão no VAR indicou que a guarda redes estava adiantada da sua linha na altura da grande penalidade, e a repetição do penálti acabou por ser convertida por Florencia Bonsegundo, eliminando as britânicas.
Mas, enquanto estas decisões podem ser contestadas, mas aceites por, em última análise, estarem corretas (especialmente no caso do jogo entre Inglaterra e Camarões), o que aconteceu no Alemanha – Nigéria já não foi tão bem aceite. No primeiro golo das germânicas (que viriam a vencer 3-0), Svenja Huth está a obstruir a visão da guarda redes enquanto a sua colega de equipa, Alexandra Popp, cabeceia para dentro da baliza, fazendo o 1-0. O VAR assinalou a posição irregular de Huth, mas, cabendo a decisão final sempre ao juiz da partida, este acabou por considerar o tento limpo.
Assim, mais do que no Mundial Masculino de 2018, o VAR tem estado no centro das atenções. Não só pelas alturas dramáticas em que tem actuado, mas também pelo volume de decisões que tem tomado. Isto deixa questões no ar, nomeadamente quanto ao progresso do futebol feminino e ao futuro da tecnologia no desporto.
Naquele que, para muito, teria de ser o torneio de afirmação do futebol feminino profissional (com a qualidade de jogo a ser cada vez maior), estas situações agarraram grande parte da atenção exterior. Quem está dentro do desporto rei acha que o desenvolvimento das mulheres no futebol depende também dos juízes que arbitram as partidas. E, para já, os homens e mulheres do apito não têm estado à altura das expectativas.
Mas Pierluiggi Colina, ex-árbitro e actual presidente da Comissão Arbitrária da FIFA, afirma que o desempenho das 27 árbitras e 48 auxiliares destacadas para o Mundial de França está “de acordo com as expectativas”.
A polémica também deixa vários pontos de interrogação no ar quanto à introdução do VAR na Premier League da próxima época. Uma fonte próxima da liga afirma, em declarações à TalkSport, já ter sido contactado devido aos episódios do Mundial Feminino. Garante que os critérios utilizados pelo VAR serão diferentes. Casos como o da repetição do penálti argentino não devem suceder, já que a tecnologia não será utilizada nestas situações. Isto, claro está, se Piergluiggi Colina permitir. O italiano, numa conferência de imprensa, deixou explícito que as regras “são as mesmas em todo o mundo”, o que deixa dúvidas quanto à liberdade de critérios da Liga Inglesa.
Com as meias finais da competição à porta, resta esperar que o foco vire para as verdadeiras artistas, naquele que tem sido um Mundial com grandes histórias e com uma qualidade de jogo sem precedentes no desporto rei feminino."

Megan Rapinoe: as vantagens de não ser invisível

"A jogadora que pinta o cabelo com cores berrantes pode ter ficado bem mais popular quando recusou uma eventual visita a Donald Trump, caso os EUA vençam o Mundial - jogam, esta terça-feira, a meia-final contra a Inglaterra (20h, RTP2) -, ou por dizer que "é impossível" ganhá-lo "sem gays na equipa". Mas Megan Rapinoe, capitã da selecção americana, é bem mais do que isso

Denise leva os dedos indicadores à boca e sopra. A filha está lá em baixo, no relvado, algo perdida, a passar um raio-x às bancadas com os olhos, desesperada por não encontrar quem procura no meio de 20 mil pessoas. A mãe assobia, nada. Assobia de novo, não há reacção. Assobia, pela terceira vez, o assobio a que habituou os filhos desde pequenos, e a mulher de cabelo curto e descolorado desvia a cabeça.
A filha toca com uma mão no ouvido e sorri. Confirma à mãe que a ouviu e a vê com o pai e a irmã gémea, mas, por muito que continuasse a inspeccionar, nunca veria o irmão mais velho.
Ele estava dentro da sua cela, na prisão, sentado no topo de uma pilha de livros, seriam uns 60, presos por pedaços rasgados de lençol, para ser capaz de olhar pela janela da porta e avistar, ao fundo do corredor, uma pequena televisão que estava a transmitir o jogo.
Megan Rapinoe estava em Dresden, na Alemanha, acabada de fazer a assistência para o golo que fez os EUA ganharem ao Brasil, no prolongamento dos quartos-de-final do Mundial de futebol feminino, em 2011. A jogadora da imagem entre o excêntrico e o vistoso, que na fase de grupos, contra a Colômbia, beijara uma câmara e cantara “Born in the USA” após marcar pelo país em que nascera, já começava a dar nas vistas.
Brian Rapinoe estava confinado à cela de uma prisão, nos EUA, cada vez mais escondido de tudo. 
Um encarcerado da vida que, logo aos 15 anos, fora detido por traficar metanfetaminas na escola; aos 18, já consumia heroína quando foi preso por roubar um carro e atropelar uma pessoa; nos 27, tinha cruzes suásticas tatuadas no corpo, fazia parte de gangues de prisão e era transferido para uma prisão de alta segurança; e chegava aos 35 anos a ter de empilhar livros para vislumbrar a irmã do cubículo de uma cela. “Foi o mais difícil. Doeu. Não estava lá para o testemunhar, para lhe dar um abraço, para fazer parte daquilo”, diria, à “ESPN”.
E muito do que Megan Rapinoe é - a eloquente capitã da selecção dos EUA, a franca faladora à imprensa sobre qualquer assunto, a dedicada activista de causas sociais - ou é conhecida por ser - a jogadora que recusa visitar Donald Trump à Casa Branca, caso as americanas ganhem o Mundial - está ligado, de uma forma ou de outra, ao percurso do irmão.
A consciência social que faz a futebolista ser apoiante de movimentos como o #MeToo, o Black Lives Matter e o Time’s Up (contra o assédio sexual) germinou da experiência de acompanhar o percurso de Brian que, confessou, tem “muitas ramificações" para lá do abuso de drogas. “O meu irmão é especial. Tem tanto por oferecer. Seria uma pena se não deixasse mais nada no mundo para além de penas de prisão”, resumiu a jogadora, de 33 anos, sobre a pessoa que a fez olhar para o quão fundo chega a pegada que uma pessoa pode deixar nesta vida.
Ver o que não define mas afeta o irmão, fê-la querer definir-se por aquilo que assume e defende.
Em 2012, um ano depois de jogar o primeiro Mundial, assumiu-se publicamente como lésbica. Quis lutar contra “a visão demasiado estreita” em relação aos gays, os “estereótipos que ainda persistem” e as “visões incompletas sobre quem [eles] são enquanto pessoas”, explicou, à “Sports Illustrated”, quando se tornou na primeira atleta gay a ser capa da revista, na sua edição dedicada a fatos de banho.
Em 2016, decidiu ajoelhar-se ao ouvir o hino nacional dos EUA, primeira na sua equipa (Seattle Reign), depois na selecção. Tocar com um joelho no solo, indo contra a norma comum, não teve, por si só, que ver apenas com Colin Kaepernick, o jogador da NFL que se celebrizou, mas não mais jogou, por protestar dessa forma contra a violência policial contra negros.
Megan Rapinoe queria fazer alguma coisa. “Qualquer coisa que fosse”. Nunca sofreu violência policial ou viu “o corpo de um familiar morto na rua”, mas, escrevendo no “Players’ Tribune”, admitiu que não podia “ficar indiferente enquanto há pessoas neste país a lidar com esse tipo de problemas” diariamente.
E perguntou-se e respondeu e voltou a questionar enquanto se ajoelhava e não era apoiada em público, ou em privado, pela federação do país, que a deixou de convocar durante uns tempos quando a sua forma física, emperrada devido à recuperação de uma rotura de ligamentos no joelho, tornou a ausência plausível de ser justificada: “Importo-me, realmente, com a igualdade das pessoas? Se sim, então tenho de exigir mais, e (...) se estou numa posição de influência, posso usar a plataforma para elevar as milhões de vozes a serem silenciadas”.
Antes destes dois actos, Megan não estava tapada por um manto de invisibilidade. Agindo, porém, deixou de ser invisível para muita gente. E, sobretudo, optou por deixar de sê-lo.
Recuperada a forma e atinada com as boas prestações em campo, Rapinoe continuou a protestar, embora não sobre um joelho. Quando a federação de futebol dos EUA instituiu, em Março de 2017, que as jogadores se devem “pôr de pé, respeitosamente”, ao escutarem o hino, ela começou a não o entoar, nem a colocar uma mão sobre o coração. Quando faltavam 95 dias para o primeiro jogo dos EUA no Mundial, foi uma das 28 signatárias da queixa que as jogadoras da selecção apresentaram num Tribunal Federal, contra a federação, por discriminação de género.
Megan fala, de forma cândida e directa, na mesma medida em que, no campo, decide e decisiva se torna para a equipa. É a capitã e a melhor marcadora (cinco golos, a par de Alex Morgan), em parte por bater os penáltis, muito por ser uma das jogadoras mais experientes e esfomeadas por mais que há. “Não temos chefs pessoais. Não voamos em jactos privados. Trabalhamos em ginásios como uma pessoa normal. Não temos conveniência de jogadores masculinos de topo. Mas é o trabalho mais divertido do mundo”, assumiu, em outro texto no “Players’ Tribune”, coloquial ao ponto de ser fluente em palavrões.
Como o que utilizou, no início do ano, no vídeo em que surge a dizer que não iria à Casa Branca, onde está Donald Trump. "Com a excepção do palavrão, que terá chateado a minha mãe, mantenho tudo o que disse", garantiu, numa conferência de imprensa, já durante o Campeonato do Mundo. Megan Rapinoe diz o que pensa, sem grandes filtros pelo meio, e não tem problemas com isso. 
Depois de marcar os dois golos que eliminaram a França, nos quartos-de-final, a americana que, em tempos, se descreveu como um "protesto ambulante", disse que "não se pode ganhar um campeonato sem gays na equipa. Nunca foi feito antes, nunca. É uma ciência".
Ganhando, ou não, o Mundial, os EUA terão que ultrapassar a Inglaterra em campo, nas meias-finais - e terão feito de tudo para o conseguirem, mesmo antes de jogarem à frente de adeptos e televisões. 
No sábado, responsáveis da Federação Inglesa de Futebol apanharam alguns elementos da entidade homóloga americana, sem o equipamento oficial, a visitarem os quartos de hotel das jogadoras inglesas. Os EUA disseram que essas pessoas estavam apenas a estudar um possível local para a comitiva ficar antes da final, que se jogará no domingo.
Quem não ficará lá hospedado, ou qualquer outro hotel por França, é Brian, que não consome drogas há 18 meses, está a um de sair da prisão e troca sms todos os dias com a irmã. No dia em que os EUA acabaram com a Tailândia, por 13-0, a capitã da provável melhor selecção do Mundial, olhou para o telemóvel e leu: "Megs, o facto de não me poderes pagar uma viagem, com tudo incluído, para França, parte-me o coração"."

Tino 2024

Renovação necessária, com actualização da cláusula de rescisão e do salário, daquele que para mim, parece-me ser de todos os jovens que ultimamente foram promovidos à equipa principal - sem querer ser injusto com os outros -, aquele que mais 'sente' o manto sagrado...

Ah! Esse Brasil lindo e trigueiro...

"Em 1957, o Benfica viaja pelo Brasil. No Maracanã, dois jogos com o Flamengo (agora tão na moda em Portugal por ter contratado um antigo treinador encarnado). Não foi o primeiro, no entanto. O primeiro foi Cândido de Oliveira.

O Flamengo tem, agora, um treinador português: Jorge Jesus, que passou seis pelo Benfica.
O Flamengo já tinha tido um treinador português: Cândido de Oliveira, uma dessas figuras que marcaram a história do Benfica. Foi em 1950. Durante pouco mais de dois meses.
Vamos, agora, a 1957. O Benfica estivera, de novo, à beira de conquistar a Europa, atingindo a final da Taça Latina, disputada e Madrid, perdendo para o Real Madrid, por 0-1.
Mas a águia não tem descanso.
Tem uma vontade indómita de se medir continuamente com os melhores dos melhores.
É tempo de defrontar clubes brasileiros. Esses brasileiros que estão à beirinha de deixar o mundo boquiaberto, no ano seguinte, no Mundial da Suécia.
'Ah! Ouve estas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Ah! Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro...'
No dia 30 de Junho, uma semana após ter perdido a final da Taça Latina, recebe em Lisboa o Vasco da Gama. O Vasco da Gama que viera à Europa derrotar o Athletic de Bilbau (4-2) na decisão do Troféu Ramon Carranza e o Real Madrid (4-3) na primeira edição do Torneio Internacional de Paris. O Vasco da Gama de Orlando, Valter e Vavá venceu por 5-2. Natural. O Vasco era temível.
Passaram-se oito dias.
Uma grande delegação encarnada sobrevoava Copacabana e o Leblon e a Baía de Guanabara, apreciando a vista lá do alto bem mais do que o antropólogo Claude Lévi-Strauss que a terá detestado parecendo-lhe uma boca benguela. A famosa digressão encarnada de 1955 deixara raízes. E o Benfica desembarca no Inverno do Rio com três encontros aprazados contra velhos conhecidos, dois frente ao Flamengo e um frente ao América.
Otto Glória levou consigo 17 jogadores: Bastos e Costa Pereira; Calado, Serra, Ângelo, Artur Santos, Zézinho, Caiado, Alfredo e Pegado; Palmeiro, Coluna, Águas, Salvador, Cavém, Chipenda e Azevedo. Em Portugal chamaram-lhes 'Os bandeirantes da actividade desportiva', recordando o sucesso da digressão de 1955.

Flamengo: a besta rubro-negra!
O Flamengo acabara de bater o Belenenses para o Torneio Internacional de Morumbi, torneio esse que se disputava no Rio e em São Paulo mas, curiosamente, com nenhum dos jogos a ser realizado no Morumbi que ainda não estava completamente construído. 3-1 fora o resultado do Maracanã. E também no Maracanã jogou o Benfica.
Durante longos períodos do jogo domina o seu adversário, respondendo ao golo de Duca, logo aos 30 segundos, com um golo de Águas, aos 42 minutos. No dia seguinte, os jornais brasileiros tecem rasgados elogios ao Benfica, mas recordando a cada linha que é um brasileiro, Otto Glória, que treina, os encarnados. No segundo jogo, os golos não aparecem. Serra foi expulso e Bastos, aos 48 minutos, defendeu um 'penalty' apontado por Moacyr. Pela primeira vez o Benfica não sai derrotado de confrontos com o Flamengo. O Flamengo é o seu 'fantasma vermelho e negro': nunca até hoje o Benfica bateu os brasileiros.
No dia 17 de Julho, de novo no Maracanã, o adversário é o América do Rio. Em disputa, a Taça Craveiro Lopes. As regras para a conquista do troféu são as seguintes: um jogo no Rio de Janeiro, outro em Lisboa e, finalmente, outro vez no Rio. Sairia vencedor quem atingisse primeiro os 5 pontos. Um empate (1-1) deu a cada clube um ponto no primeiro jogo. O segundo jogo disputou-se em Lisboa no dia 1 de Junho de 1959 e voltou a registar um empate (0-0).
Benfica e América nunca voltaram a encontrar-se no Brasil.
A digressão prossegue em São Paulo, ou melhor, em Santos, no Vila Belmiro, contra outras das 'bestas negras' do Benfica, o Santos, um dos adversários que nunca venceu ao longo da sua história. Pela primeira vez os encarnados estava cara a cara com aquele que se tornaria o mítico Santos de Pelé, único clube que pode pedir meças ao Benfica nas suas andanças pelo Mundo. O Santos era bi-campeão paulista mas ainda não era verdadeiramente o Santos, ou seja, o Santos que ficou escrito a letras mágicas na história do futebol. Mas tinha Manga, o guarda-redes que Eusébio e Simões destruíram em 1966. E tinha o grande Zito. E Dorval, e Jair, e Pagão, o herói do Chico Buarque, e Tita. E um menino de apenas 16 anos chamado Edson Arantes do Nascimento. Como dizia Nelson Rodrigues: Edson Arantes do Nascimento, por extenso Pelé.
Ah! Como as viagens do Benfica entusiasmavam aqueles que, por cá, dia a dia, se iam informando sobre o que se passava pelas páginas dos jornais.
'Oh, esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
Brasil pra mim...'"

Afonso de Melo, in O Benfica

'No dia de São Martinho, pão, castanhas e vinho'

"No magusto 'encarnado' de 1980 houve 'pão, castanhas e vinho', mas o rei foi o porco

No dia 15 de Novembro de 1980, teve lugar no restaurante do Estádio da Luz o Magusto-80. Tradição da quadra de São Martinho, o magusto é uma festa que reúne amigos e familiares em torno de uma fogueira, onde se  assam castanhas para comer e se bebe água-pé, jeropiga e vinho novo. No magusto 'encarnado', não houve fogueira, mas não faltaram as comidas e as bebidas tradicionais e ainda houve pouco - «que fez 'as delícias dos comensais' - e uma 'rapsódia' de fado».
Organizado pela Comissão Central do Sport Lisboa e Benfica, o Magusto-80 contou com a colaboração de sócios, dirigentes e simpatizantes do Clube, que não só estiveram presentes em largo número como ofertaram comes e bebes para a festa. Houve mesmo quem oferecesse dois porcos! 'A ideia é poupar à Comissão Central os gastos inerentes, de modo que haja um número mínimo de despesa e um máximo de receita'. Até os 'cortadores dos »bichos»', numa 'atitude muito simpática', recusaram a gratificação que lhes era devida e pediram para ser pagos com emblemas do Benfica.
Com início às 17 horas, 'aí pelas 20 horas estava a festa no auge'. O repasto decorreu em 'ambiente familiar', repleto de 'demonstrações de dedicação benfiquista'. Comeu-se, bebeu-se - 'as febras estavam deliciosas', mas 'também o arroz, tanto que o «chef Dias» veio lá da cozinha para corresponder a uma chamada ao palco' - e, 'com o maior agrado e quentes aplausos', ouviu-se o fado pelas vozes do 'conjunto privativo (...) da Parreirinha de Alfama'.
Com os convivas bem animados e alimentados, veio a surpresa da noite: um 'leitão de «chispes»'! E o porco não comido 'rendeu nada menos do que 16 contos!'.
'E foi assim, neste ambiente descontraído e ameno, que a festa foi decorrendo. E as castanhas e a água-pé desaparecendo'. Só não se prolongou noite dentro 'porque o «bichinho» do desporto começou a atrair gente para o basquetebol que se disputava no pavilhão ao lado'.
Através da sua lente, Roland Oliveira registou a mesa onde jantaram os fadistas que abrilhantaram o magusto 'encarnado'. A fotografia, publicada no jornal O Benfica de 19 de Novembro de 1980, pertence ao arquivo do Centro de Documentação e Informação do Sport Lisboa e Benfica."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Samaris, o novo lider do balneário encarnado?

"Foi com uns surpreendentes dez milhões de euros que o SL Benfica resgatou ao Olympiacos o passe do médio Andreas Samaris, corria a época 2014/2015.
Seria um valor demasiado alto? Esta era a dúvida que reinava no seio dos adeptos encarnados.
Ao Estádio da Luz chegava um médio centro de 25 anos, internacional grego, com uma estampa física imponente, quase 1,90 cm de altura.
A expectativa de ver Samaris a jogar era grande, mas a espera foi curta. Foi pela mão de Jorge Jesus que o então camisola 7 fez a estreia de águia ao peito.
Para além de todas as capacidades técnicas e físicas que lhe são reconhecidas, Samaris cedo demonstrou a astúcia e inteligência que caracteriza os grandes jogadores. Percebeu a dimensão do SL Benfica e, surpreendeu tudo e todos, no inicio da segunda temporada, quando deu uma entrevista na língua de Camões a um canal televisivo português.
Mesmo com jogadores de peso no balneário como Luisão, Enzo Pérez, Nico Gaitan, Jardel, entre outros, começou a ser notória a influência crescente do grego junto do plantel encarnado.
Época após época a sua possível saída era noticia, mas apesar do assédio de clubes estrangeiros o médio foi permanecendo e é, neste momento, um dos jogadores do plantel com mais anos de águia ao peito.
A época 2018/2019 foi bastante agridoce para o médio benfiquista. Com Rui Vitória no comando, o jogador natural da cidade de Patras foi praticamente descartado tendo ficado fora das opções de forma sistemática e, para muitos benfiquistas, incompreensível.
Foi só após a chegada de Bruno Lage que o jogador recuperou posição de destaque e se afirmou como um dos indiscutíveis da turma encarnada. Aproveitando a lesão de Fejsa, o médio rapidamente chegou à sua melhor forma, assumindo logo com Gabriel uma dupla decisiva para triunfos fundamentais na caminhada da reconquista, casos da vitória em Alvalade e no Dragão.
Acarinhado e visto como um líder pelo plantel, o jogador deu o exemplo ao longo da primeira metade da época, treinando sempre nos limites e não mais largando a titularidade até ao final do campeonato. Tem uma entrega tremenda nos 90 minutos, fazendo da firmeza com que aborda cada lance a sua imagem de marca. Por vezes acusado de ser demasiado viril pelos adeptos adversários, a raça e a entrega são duas das características chave do seu jogo.
Seguramente todos os leitores recordar-se-ão do vermelho directo visto em Moreira de Cónegos como uma definição do grego. Eu prefiro recordar esse lance como sendo um ato isolado e gravar na memória como lidou bem e de forma profissional com a ausência bastante prolongada de minutos nas pernas.
Por vezes comente excessos, como em Moreira de Cónegos e o lance que ditou o vermelho directo, mas é inegável para qualquer benfiquista o profissionalismo do grego, mesmo nos momentos mais difíceis, provando que os grandes campeões não se fazem dentro do campo. Com o futebol em constante mudança, é hoje fundamental ter um jogador que seja a voz do treinador dentro de campo e vejo em Samaris o homem certo para desempenhar essa função.
Com o final de carreira de Luisão e Jardel já numa curva descendente, é notória a importância de alguém que lhes possa suceder e ninguém melhor do que Samaris para ser o novo líder do plantel encarnado. 
Entra agora na sua sexta época de águia ao peito, sendo já um dos capitães do plantel.
Terá Andreas Samaris o perfil certo para carregar consigo, a tão desejada braçadeira encarnada?"

O SL Benfica voltou hoje

"Ficou marcado para a manhã de hoje o regresso ao Seixal da maioria dos jogadores do Benfica. Os treinos propriamente ditos só começam na quarta-feira e o primeiro jogo, com o Anderlecht, é só daqui a 10 dias. O primeiro jogo oficial está marcado para 4 de Agosto. Para já, hoje é o dia em que ficamos a saber quem realmente faz a pré-época e quem não faz.
Há desde já 12 jogadores do plantel da época passada que não vão aparecer hoje:
- Odysseas Vlachodimos, Rúben Dias, Ljubomir Fejsa, Andreas Samaris, Pizzi, Rafa Silva, Andrija Zivkovic e Haris Seferovic não vão aparecer porque estiveram nas suas seleções e ainda estão de férias
- Sebastien Corchia regressou ao Sevilla. Jonas e João Félix são saídas “oficiais”. Segundo os jornais não devem aparecer.
- Gedson Fernandes partiu um dedo do pé durante as férias e está lesionado
Do plantel do ano passado, devem aparecer todos os outros, cinco jogadores da equipa B/juniores, alguns regressos de empréstimos, os dois reforços oficializados e Chiquinho que deve ser oficializado hoje ou nos próximos dias. Teremos então os seguintes jogadores:
- G: Mile Svilar e Ivan Zlobin
- D: Tyronne Ebuehi, André Almeida, Jardel, Ferro, Pedro Álvaro (ex-junior), Germán Conti, Alex Grimaldo, Yuri Ribeiro e Nuno Tavares (ex-equipa B)
- M: Gabriel, Adel Taarabt, Krovinovic, Florentino Luís, Tiago Dantas (ex-equipa B), David Tavares (ex-equipa B) e Chiquinho (ex-Moreirense)
- A: Franco Cervi, Toto Salvio, Jota, Caio Lucas (ex-Al-Ain), Jhonder Cádiz (ex-Setúbal), Heriberto Tavares (emp Moreirense) e Nuno Santos (ex-equipa B)
Seria um regresso com 25 jogadores, no entanto a lista pode perfeitamente aumentar com jogadores como Branimir Kalaica (ex-equipa B), Cristian Lema (emp. Peñarol), Pedro Pereira (emp. Genova), ou Chris Willock (ex-equipa B). Ou seja, pode chegar aos 29 jogadores. O que no entanto é pouco provável pois em breve os 8 jogadores das seleções deverão juntar-se.
No meio destes 25 jogadores, há jogadores que quase de certeza não vão ficar, pelo menos para já, no plantel principal. Mile Svilar deverá ser emprestado. Entre Nuno Tavares e Yuri Ribeiro, só um ficará. Pedro Álvaro, Tiago Dantas, David Tavares e eventualmente Nuno Tavares (se Yuri ganhar o lugar) devem regressar à equipa B. Krovinovic tem sido falado que deverá ser emprestado. Creio que entre Jhonder Cádiz e Heriberto Tavares só haverá lugar para um. Tenho muitas dúvidas que o Benfica fique com Cervi, Salvio, Jota, Zivkovic e Caio Lucas atrás de Pizzi e Rafa, logo muito provavelmente 2 ou até 3 destes jogadores ainda irão sair. O mesmo se passa com Fejsa, que nesta altura da carreira deve querer jogar.
Contas feitas, o Benfica tem ainda por colocar Pedro Pereira, Hélder Baldé, Branimir Kalaica, Matheus Leal, Cristian Lema, Filip Krovinovic, Chris Willock, Pêpê, Martin Chrien, André Carrillo, Oscar Benitez, Alfa Semedo, Zé Gomes, Ivan Saponjic, Cristian Arango e Tiago Macedo. Além de todos os outros que não conseguirem um lugar no plantel.
A nível de reforços, além de Caio Lucas, Jhonder Cádiz, Chiquinho e eventualmente algum dos miúdos (Nuno Tavares e Nuno Santos parecem-me os maiores candidatos, além de Heriberto Tavares), estou a contar com mais três reforços:
- Um deles, ao que tudo indica, será Raúl de Tomás que irá competir com um lugar no 11 inicial com Haris Seferovic, ou seja, um ponta de lança de referência.
- Espero também que acabemos por contratar alguém para fazer o lugar de João Félix. Dani Olmo ou Ianis Hagi, dois jogadores que estiveram em grande evidência no Europeu S21, encaixavam-se que nem uma luva. Um deles até conhecemos bem porque jogámos contra ele na Liga Europa.
- Por último, falta um guarda-redes de um nível superior. Não que Vlachodimos seja mau. Não é mau. Mas tudo o que não envolva estar em cima da linha de golo é complicado para o grego. Seja cruzamentos, saídas, jogo com os pés ou controlo da profundidade, é um perigo.
- Defesa direito e defesa esquerdo, acho que não faz sentido, pelo menos para já. Sem ver melhor do que Ebuehi e Nuno Tavares são capazes a este nível, não vejo a lógica de ir ao mercado. Ebuehi tem a questão da lesão, mas o departamento médico do Benfica saberá melhor do que nível se ele está apto ou não.
Mais logo, às 19h00, Bruno Lage dá uma entrevista na BTV que ajudará a desvendar mais um pouco dos planos para o Benfica."

Com o dedo de Lage

"Bruno Lage tem um discurso interessante. Simples e directo. Sem grandes floreados, mas explicando o que quer dizer sem rodeios. Todos percebem o que pensa sobre a saída de João Félix. E que sabe que não vale a pena chorar sobre o leite derramado. As palavras sobre o plantel, os jovens e a pré-época são, todas elas, conclusivas e informativas. Sabe bem ouvir alguém assim. Sem medo de falar. 
Tenho algumas dificuldades em entender negócios como Chiquinho. Mas a verdade é que o Benfica é neste momento um clube saudável, que lhe permite pagar para ter os melhores miúdos, pagar a quem os projecta e pagar até para os reaver. Ter mais dinheiro do que os outros faz toda a diferença. É assim que se fica mais perto de ganhar. Acontece na Luz.
"Não há dinheiro nenhum que me tire do Sp. Braga." A frase é de Abel Ferreira, que acrescentou na altura: "O único que o poderá fazer é o presidente, que terá de me pagar até ao fim." Não faço mais comentários. A piada está feita.
Traído inesperadamente, muito bem António Salvador. Defesa intransigente dos interesses dos guerreiros e escolha célere do sucessor. É duro perder o treinador a horas do arranque, mas quem sabe não será positivo após o doloroso final da época passada?"

Benfiquismo (MCCXXIV)

Golo...