Últimas indefectivações

segunda-feira, 25 de março de 2019

De onde vem então este sentimento um tanto rupestre, primitivo e tribal?

"Foi numa manhã de Agosto de 1984. A vizinha do terceiro andar entrou-nos em casa com a notícia: Carlos Lopes tinha conquistado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. A minha avó reagiu com costumeiro desinteresse. Jogos e desportos eram coisas do diabo. Eu fiquei maravilhado. Uma medalha de ouro. O primeiro lugar. Um português.
Naquele verão, os mais velhos, inspirados pelo que acontecia em Los Angeles, organizaram provas em que nós, os mais novos, competíamos. Como recompensa recebíamos umas caricas espalmadas e cobertas com a prata dos maços de tabaco: eram as nossas medalhas olímpicas. Mas a medalha de Carlos Lopes era a sério. Não era brincadeira de crianças.
À noite, no telejornal, vi a notícia, as imagens do atleta português a cortar a meta, a subir ao pódio, a ouvir o hino, a bandeira no mastro mais alto, e chorei. Ainda hoje, quando vejo aquelas imagens, quando oiço a música de Alfredo Keil, sinto um arrepio de emoção e é como se eu próprio estivesse a subir ao pódio e a receber a primeira medalha de ouro olímpica do desporto português.
Isto para dizer que é uma grande injustiça que só os desportistas tenham direito a ouvir o hino e a ver a bandeira içada com aquela lentidão solene que embriaga até o espírito do mais cínico e universalista dos cidadãos. A professora que aguenta décadas de alunos irrequietos merecia um prémio e a bandeira a drapejar lá no alto, o polícia que prende um facínora deveria ser recebido na esquadra ao som da Portuguesa, o agente imobiliário que faz a venda de uma vida devia subir ao lugar mais alto do pódio e, com um bouquet na mão e a medalha ao pescoço, acenar aos compatriotas o contentamento pelo seu feito.
Quem nunca, no sossego doméstico, se perfilou e entoou altissonantemente a letra de Lopes Mendonça de mão no peito ao ver os jogadores da selecção a fazerem o mesmo no estádio? Eu não, mas conheço muita gente que o faz.
De onde vem então este sentimento um tanto rupestre, primitivo e tribal? Não vou agora recuperar as teorias das comunidades imaginadas e da invenção das tradições, mas admito que, para além desses sentimentos inoculados pela cultura que nos rodeia, haja uma reverberação interior, uma predisposição inata para nos diluirmos numa emoção colectiva que, anulando uma parte da nossa individualidade, nos eleva enquanto membros de um grupo.
Será esta predisposição inócua? Nem sempre. Basta pensar no aproveitamento que dela fizeram os regimes totalitários e como, mesmo em democracia, os políticos procuram retirar dividendos das nossas tendências gregárias. O mesmo acontece em grandes ajuntamentos, sejam manifestações de protesto, concertos de rock, celebrações religiosas. Todos vivem do fascínio irracional da pertença à multidão. De alguma forma sentimo-nos protegidos e integrados. As nossas emoções particulares alimentam-se das emoções dos outros que, por sua vez, se alimentam das nossas, num jogo de espelhos voyeurístico e exibicionista.
Há uns anos, aquando da participação da selecção de râguebi no campeonato do mundo, causou impacto a forma como os “Lobos” entoavam o hino, à beira da apoplexia, como se estivessem prestes a entrar num campo de batalha e, do outro lado, uma horda de guerreiros inimigos os aguardasse para os chacinar. Aquilo, dizia-se, era a demonstração de um vivo sentimento patriótico que os jogadores de futebol, demasiado profissionais e ricos, já não tinham. Era a pátria de chuteiras e calções, para usar uma expressão de Nelson Rodrigues. Aqueles homens, quase todos amadores, tinham um orgulho transcendental por representarem o país, por vestirem a camisola das quinas.
Mas será necessário esse sentimento? Não basta que se empenhem e deem o seu melhor? É preciso cantarem o hino como se a sobrevivência da nação dependesse do nível dos decibéis? Em parte, sim. Como já ninguém exige dos jogadores o mítico amor à camisola nos clubes, as selecções nacionais são o último refúgio dos românticos. Ali espera-se que os atletas, seja em que desporto for, descalcem os sapatos do profissional e calcem as sandálias humildes do patriota. Exige-se que cantem o hino com fervor e comprovem perante os concidadãos que são dignos de vestir aquela camisola. Admite-se que, nos clubes, se comportem como mercenários, mas, na selecção, não se lhes exige menos que a pureza de intenções, o espírito de sacrifício e, talvez, a disponibilidade para o martírio.
Isto para chegar à convocatória de Dyego Sousa, cidadão português nascido no Brasil há 29 anos. Sendo o sétimo jogador naturalizado a representar a selecção, o caso de Dyego Sousa nem devia ser um caso. Um seleccionador deve escolher os jogadores que considera mais aptos e que mostrem disponibilidade para representar a selecção, independentemente do lugar onde nasceram, da sua história pessoal, da ligação íntima ao país. Pode chocar os puristas (e chocará, certamente, outras categorias menos ilustres de cidadãos), mas é assim. Não cabe a um seleccionador aferir os níveis de “portugalidade” dos jogadores, nem escolher atletas em função de sentimentos ou de uma escala de orgulho que irá de um mínimo de Pichardo a um máximo de Lobos.
Isto não impede os jogadores naturalizados de se sentirem na obrigação de provar o seu amor à camisola. Aliás, é mesmo provável que, como os convertidos a qualquer religião, sintam uma maior necessidade de demonstrar publicamente o apego à nova fé. O central Pepe será o expoente dessa exuberância e, enquanto tal, o mais habilitado a validar novas adesões ao culto. Por isso, em conferência de imprensa, convidado a falar sobre Dyego Sousa, afirmou: “Ele está completamente integrado na cultura portuguesa.” Um jornal diário também adiantava, para que não subsistissem dúvidas sobre o compromisso sentimental do avançado do Braga, que “é casado com uma portuguesa e a filha também é portuguesa. Quando soube que estava convocado para a selecção nacional chorou.” Meses antes, o próprio já tinha afirmado sonhar jogar pela selecção portuguesa, pois sentia-se mais português do que brasileiro.
Também Deco, outro jogador naturalizado que representou a selecção portuguesa, explicou ao Expresso a sua decisão: “Joguei na selecção por sentimento, ainda demorei quase um ano até tomar a decisão, era uma escolha de vida, até por saber que tinha qualidade para jogar na Selecção brasileira, foi uma questão pessoal, de sentimento, não de passaporte.”
Porém, todas estas declarações demonstram que a selecção é, e talvez assim se mantenha, uma questão de passaporte. Não falo do documento com fotografia que se apresenta às autoridades alfandegárias, mas do passaporte sentimental que garante a entrada numa comunidade tão imaginária e tão real como as lágrimas e os uivos dos Lobos a cantarem o hino ou a emoção de uma criança a ver a bandeira içada no mastro mais alto no outro lado do mundo."

O desporto e a desportivização

"Entendido como sendo todas as formas de actividades físicas que, através de uma participação organizada ou não, têm por objectivo a expressão ou o melhoramento da condição física e psíquica, o desenvolvimento das relações sociais ou a obtenção de resultados na competição a todos os níveis, o desporto não está à margem do processo de globalização. O desporto adquire um importante estatuto como fenómeno de globalização e, como diria Lipovetsky (2007), de “hipermodernidade”.
Pelas paixões que suscita, pelas identidades que mobiliza, pelas estratégias que reflecte, bem como pelos interesses económicos, o desporto constitui-se como uma importante dimensão da sociedade, que, nas suas formas modernas, se procurou instituir e afirmar como uma linguagem universal e como um modelo cultural adoptado internacionalmente. Um tal modelo tornou-se, pelo seu modo de difusão, numa das formas mais “visíveis” ou um dos principais “motores” da mundialização.
O desporto é talvez a forma mais popular e universal de participação cultural, na medida em que anula barreiras culturais (a língua, a religião, o sistema político, as fronteiras geográficas, etc.). Lipovetsky (2007) não está, certamente, a exagerar quando sublinha que, num contexto de paixão pelo desporto, as competições, sobretudo as de alto nível, despertam um grande entusiasmo e fervor colectivo e que, dificilmente, se encontra noutra esfera da vida social.
O aumento dos tempos livres e a diversificação do mercado dos consumos culturais vieram produzir alterações nos estilos de vida nas sociedades mais industrializadas (Horne, 2006). O lazer, apesar de ter sempre existido de uma forma directa ou indirecta, tornou-se reconhecido como um direito por parte da população, especialmente após a Revolução Industrial e, principalmente, após a II Guerra Mundial. O desporto constitui um espaço compensatório das tendências à rotinização do quotidiano, construído pelos actores no decurso de estratégias visando a expressão de “emoções fortes” – a busca da excitação (Elias & Dunning, 1992).
A compreensão da globalização no desporto remete-nos para as origens do desporto moderno, que nasceu no século XVIII, em Inglaterra, no contexto da Revolução Industrial e de um capitalismo emergente. Para além de um passatempo dos “gentlemen-farmers”, onde a prática física não era esquecida, numa ascese de preparação de caça à raposa e de corridas a cavalos, a génese do desporto em Inglaterra desenvolve-se entre 1820 e 1860 no seio das public schools, privilegiados estabelecimentos, que agrupam os filhos da alta sociedade, assegurando uma forte homogeneidade da elite social.
O processo de “desportivização” (expressão introduzida pelo sociólogo Norbert Elias) designa a transformação das formas de organização e desenvolvimento das práticas físicas em Inglaterra, assim como a sua generalização às restantes sociedades ocidentais, tal como a “industrialização” designa idêntico processo relativamente às formas de produção e trabalho). Este processo desenvolveu-se, grosso modo, em cinco fases.
Numa primeira fase (séculos XVII e XVIII) surgiram o críquete, o golfe, as corridas de cavalos e o boxe. Numa segunda fase (século XIX) o futebol, o râguebi, o ténis e o atletismo. Uma terceira fase (finais do século XIX e princípios do século XX) engloba a disseminação das formas de desporto “inglesas” na Europa continental e nas colónias britânicas e está associada à emergência de intensas formas de nacionalismo e à institucionalização da maioria dos desportos a nível internacional. Uma quarta fase (dos anos 20 aos anos 60 do século XX) é marcada por “lutas” entre as nações ocidentais e não ocidentais para a sua afirmação no desporto. Uma quinta fase (desde finais da década de ‘60) caracteriza-se por um crescente protagonismo de nações não-ocidentais, contestando a hegemonia ocidental no desporto. A emergência e difusão das modernas formas desportivas à escala global de uma forma mais vasta com o “processo civilizacional” (Elias, 2006).
O arranque do processo de globalização no desporto está associado à terceira fase do processo de desportivização. O último quarto do século XIX testemunhou a disseminação do desporto, o estabelecimento de organizações desportivas internacionais, a aceitação mundial de regras de governo de desporto, a multiplicação de competições entre equipas nacionais e o estabelecimento de competições globais, como os Jogos Olímpicos e os campeonatos do mundo em muitos desportos. 
Nesta fase da desportivização, os ocidentais e em particular os ingleses, foram os “jogadores” dominantes. O Reino Unido era, então, o poder hegemónico e os seus desportos (futebol, críquete, atletismo) proliferaram pelo mundo, diminuindo o espaço de influência dos jogos nativos tradicionais. Mas não estiveram sozinhos. Os ginastas suecos (método Ling, 1776-1839) e dinamarqueses, o movimento do Turnverein alemão, são exemplos da fase europeísta no desenvolvimento de um desporto global (Chamerois, 2002).
A luta pela hegemonia, que começou nos anos ‘20, não ocorreu apenas entre o Ocidente e o resto do mundo, mas também dentro do próprio mundo ocidental. De uma forma crescente, o desporto norte-americano começou a disputar a supremacia inglesa. Nos anos 1920 e 1930 práticas desportivas como o basebol, o basquetebol e o voleibol foram difundidos nas partes do mundo onde era maior a influência americana – Europa, América do Sul e partes da Ásia-Pacífico.
Após a II Guerra Mundial, os EUA assumiram uma hegemonia imperial, que resultou na expansão dos desportos “americanos” no mundo. O desporto tornou-se então um idioma global entre os anos ‘20 e o final da década de ‘60. Desde os finais da década de ‘60 alteraram-se os equilíbrios do poder. Em desportos como o badminton, o críquete, o ténis de mesa, o futebol e o atletismo, cresceu a influência de asiáticos (com especial destaque para as designadas “artes marciais”: karaté, judo, aikido, kung-fu, taekwondo, etc.), sul-americanos e africanos. O controlo das organizações desportivas internacionais e do movimento olímpico começou a escapar, embora devagar, das mãos exclusivas do Ocidente."

Conteúdo e qualidade numa modalidade desportiva - que relação?

"1.ª Parte
O sucesso de uma modalidade desportiva mede-se pela capacidade de:
1 – Atrair público à instalação desportiva, isto é, levar ao consumo do evento/jogo de basquetebol (ou outra modalidade) por parte de adeptos e fans e a capacidade de os tornar promotores da marca.
Este é o verdadeiro propósito de uma marca (organização que gere a competição), que tem um produto para vender (evento/jogo), que, neste caso, é de uma modalidade desportiva, o basquetebol. 
As modalidades desportivas estão inseridas na designada indústria desportiva, a que eu gosto de juntar a palavra espectáculo, sendo que assim a expressão fica a ser indústria desportiva e do espectáculo.
2 – Atrair o interesse dos diferentes meios de comunicação social (jornais, rádios e televisão) para divulgar a informação do jogo/evento ou individualidades da modalidade desportiva junto dos seus leitores, ouvintes ou espectadores televisivos, devido ao sucesso que a modalidade evidencia, levando a pensar que o produto é capaz de gerar audiências e, como tal, permita justificar o espaço que lhe é dedicado.
3 - Apoio das marcas patrocinadoras como forma de promover os seus produtos, devido à exposição que a modalidade possui junto do público consumidor que lhes interessa (o target de cada marca), através de diferentes meios de comunicação.
4 - Um quadro competitivo interessante, dinâmico e onde o equilíbrio e a incerteza do resultado sejam uma constante de acordo com os princípios do marketing desportivo.
Assim, podemos afirmar sem hesitações que sem público (adeptos e fans) nas bancadas não é possível considerar uma modalidade desportiva como uma modalidade de sucesso.
Qual é então o problema do basquetebol para atrair público, adeptos e fans?
Tudo começa com uma análise e um diagnóstico correto e eficaz a que deverá corresponder um plano estratégico que envolva, especialmente, os dirigentes e os treinadores, unindo-os à volta de uma visão, submetendo-os a um alinhamento de procedimentos e uma finalidade na gestão das diversas áreas do basquetebol.
E estes dois agentes da modalidade porquê?
Porque são eles que estão no centro das decisões! Uns tomam as decisões referentes à área da gestão desportiva e os outros tomam decisões na área do jogo, nomeadamente na gestão do grupo de trabalho (equipa), tendo ambos grande impacto no produto final que é o jogo de basquetebol.
É por isso que precisamos de dirigentes com uma visão clara daquilo que deve ser a competição/espectáculo de basquetebol e que compreendam nitidamente aquilo que o público (adeptos e fans) querem ver. E de treinadores que compreendam e escolham modelos de jogo que promovam aquilo que o basquetebol significa: espectáculo. Ou seja, modelos de jogo que permitam captar o interesse do público (adeptos e fans), comunicação social e patrocinadores, sem descurar aquilo que todos ambicionam que é a vitória.
O basquetebol sempre foi sinónimo de espectáculo e um bom exemplo são os Harlem Globetrotter. Quantas pessoas conhecem os nomes dos seus jogadores? Eu diria que muito poucos ou quase ninguém, mas isso não impede que o público se desloque ao pavilhão para ver um espectáculo de entretimento através do jogo de basquetebol, tendo-se tornado numa marca de referência.
Podíamos colocar a mesma questão noutras áreas.
Qual a razão das pessoas verem um filme, uma série de televisão, um documentário ou um debate?
A resposta é simples. Porque o conteúdo é interessante e a comunicação à volta destes produtos desperta o interesse dos consumidores.
Nesta matéria, qual é o ponto da situação do basquetebol português?"

Benfiquismo (MCXXX)

Obras!!!!

domingo, 24 de março de 2019

Vitória na Terceira...

Fonte do Bastardo 0 - 3 Benfica
21-25, 17-25, 18-25

A única derrota interna da época, foi na Praia da Vitória, e até por isso, o 0-3 de hoje, acabou por ser muitíssimo importante... Com os dois próximos jogos na Luz, podemos fechar estas meias-finais em Lisboa!

Vitória na Aldeia...

Burinhosa 1 - 4 Benfica

Como é habitual os jogos na Burinhosa são sempre durinhos, ainda por cima hoje sem o Fernandinho e o Fits... mas felizmente, com mais minutos o Raul parece estar a subir de forma, tal como aconteceu no ano passado, no final da temporada...

Fomos melhores...

Benfica 1 - 2 Braga


Fomos mesmo muito superiores em quase todas as fases do jogo: ganhámos quase sempre as 'divididas' e desperdiçamos muitas oportunidades... mas a nossa guarda-redes esteve horrível, com os dois golos do Braga a nascerem de Cantos, com erros infantis!
O plano de jogo do Braga passou exclusivamente por jogar no erro do Benfica... A meio da 2.ª parte, as nossas jogadoras fisicamente 'caíram' (a falta de competitividade tem consequências...), as substituições foram tardias... Mas mesmo assim, o 'jogo' foi sempre nosso!

Impossível não falar da arbitragem: foi um golo mal anulado, dois penalty's e pelo menos uma expulsão perdoada ao Braga, num 2.º Amarelo! Eu digo pelo menos uma expulsão, porque ficaram muitos 1.ª Amarelos por mostrar ao Braga!
A forma como a apitadeira se dirigiu às jogadoras do Benfica, mesmo sem voz, só pelos maneirismos que apresentou, deixava poucas dúvidas... No final do jogo, numa rápida pesquisa das redes sociais, descobriu-se imediatamente o vírus do anti-Benfiquismo primário espalhado na Internet!!!
Não foram só os 'Casos' grandes que decidiram este jogo, perdi a conta às faltas ofensivas mal assinaladas ao nosso ataque... então sobre a Geyse!!! Chegámos a ver a Geyse ser vitima de tentativas de placagem, a aguentar-se em pé, a defesa do Braga mesmo fazendo falta, atirar-se para o chão e a falta ser marcada contra o Benfica!!!!
Vergonhoso... E neste caso, parece-me que nem sequer estamos a falar de incompetência ou de corrupção, foi só ódio ao Benfica!!!

Temos tudo na 2.ª mão para dar a volta, mesmo jogando fora... com uma arbitragem decente, e sem desperdiçar golos atrás de golos! Mas cuidado, porque o Braga vai fazer o mesmo: anti-jogo, porrada, e apostar tudo nas bolas paradas!!!

Iniciados - 1.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 1 Sporting


Excelente vitória, num jogo muito complicado, contra uma equipa que já nos ganhou 'fácil' esta época!
O Sporting tem uma equipa fisicamente superior... o Benfica, tem na minha opinião, a geração 'menos' apetrechada dos últimos anos, mas hoje tivemos organização, concentração e muita garra...
Até porque mais uma vez, o apitador foi uma vergonha... então o critério disciplinar foi absurdo!

Sofrimento e solidariedade!

"No agradecimento de Jonas percebemos bem que são verdadeiras as palavras de Shakespeare: «A alegria evita mil males e prolonga a vida»

1. Há momentos em que as palavras sofrimento e solidariedade se combinam. Sabemos com François Fénelon que «aqueles que nunca sofreram não sabem nada; não conhecem nem os bens nem os males; ignoram os homens; ignoram-se a si próprios». E com Clarence Darrow aprendemos que «o homem que luta por outro é melhor do que aquele que luta por si próprio». Face ao drama imenso que atinge Moçambique, em particular a cidade da Beira, Portugal está a dizer presente. O Estado, as organizações não governamentais, a sociedade civil, o mundo do desporto. A realização no próximo dia 30 - pelas 16 horas, no Estádio do Restelo, do primeiro dérbi entre Benfica e Sporting em futebol feminino e com a receita a reverter para a ajuda a Moçambique é um exemplo efectivo de solidariedade e de responsabilidade social. Este jogo organizado em boa hora pela nossa Federação terá em disputa o Troféu Vicente Lucas, um dos mais marcantes internacionais portugueses e nascido em Moçambique! E os exemplos de solidariedade multiplicam-se a muitos clubes e, também, à Fundação Benfica! Eu que conheci e senti, como académico, Maputo e guardo memórias de um saudoso Tio-Avô - o Almirante Rodoredo e Silva - que foi Presidente da Câmara da Beira, não deixo de saudar, por ser de elementar justiça, a imediata disponibilidade da Euro Atlantic, na pessoa do seu líder o Dr. Tomaz Metello, para a afectação de dois dos seus aviões para o envio de necessidades urgentes ao povo irmão de Moçambique. Sofrimento e solidariedade!

2. Ao escutarmos o sentido agradecimento de Jonas no momento da justa entrega de um prémio Cosme Damião percebemos bem que são verdadeiras as palavras de William Shakespeare: «A alegria evite mil males e prolonga a vida». Jonas encontrou no Benfica um acrescido sentido de Vida! Não desejado no Valência sentiu-se acarinhado no Benfica. Nele houve dor e hoje já prazer! Nele houve sofrimento e hoje há reconhecimento. E nele percebemos por aquela emoção que estremeceu o Campo Pequeno na quinta-feira que o reconhecimento não envelhece! É dito e é sentido. É assumido e em voz alta. E o verdadeiro desportista, e naturalmente cada benfiquista, sentiu-se tocado por aquelas palavras de profundo reconhecimento. Pela vida Vivida. Por tudo o que o Benfica lhe proporcionou. E cada um de nós aplaudimos, com idêntica emoção, todos os grandes momentos que Jonas nos concedeu nos relvados e, em particular, no Estádio da Luz. Como Miguel de Unamuno diremos que «quem não sente a ânsia de ser mais não chegará a ser nada». E Jonas, quase a fazer anos, - não é mentira! - foi e fez mais. Marcou e ajudou, abraçou e motivou, acreditou e honrou! E por tudo isto este jovem Jonas vai ser um dos eixos marcantes da ambicionada reconquista!

3. Mais uma vez iniciámos uma fase de grupos de acesso a um Europeu - como ocorreu com os dos Mundiais - sem o doce sabor de uma vitória. Na sexta-feira, com um Estádio da Luz cheio de muitas Famílias, não conseguimos ultrapassar a Ucrânia. Para alegria dos muitos (as) milhares de ucranianos (as) que trabalham em Portugal. E que não tiveram o coração dividido já que vibraram e muito com o saboroso empate alcançado, com mérito, pela sua selecção. Portugal foi a melhor equipa, mas a Ucrânia foi sólida e cautelosa. E mesmo no final foi ousada e quase que provocava uma grande surpresa. Segue-se amanhã a Sérvia sem Fejsa ou Matic, entre outros jogadores. Vai ser outro jogo sofrido. E em que acreditamos que Fernando Santos vai fazer cirúrgicas alterações do nosso onze inicial. Depois do empate frente à Ucrânia importa ganhar à Sérvia. Sob pena de mantermos o nosso registo de deixarmos as contas do apuramento para os derradeiros minutos! Com a singularidade de sermos os campeões da Europa em título e de ser relevante marcamos presença na fase final deste Europeu que vai abraçar muitas cidades desta Europa diferente e diversificada. E com o sonho de chegarmos a Londres no arranque do Verão de 2020. Mas antes de qualquer outro jogo para este Europeu teremos no Porto - e também em Guimarães - a final four da Liga das Nações! No final desta Primavera que já cheira a Verão!

4. Dyego Sousa foi o sétimo jogador não originariamente português a jogar pela Selecção Nacional de futebol. Em outras modalidades o número é bem mais expressivo e sem que haja nem grande nota pública nem mesmo aprofundaras abordagens. Depois de David Lúcio, Lúcio, Celso, Deco, Pepe e Liedson surge a vez, pela mão de Fernando Santos, do avançado do Sporting de Braga: Dyego Sousa. Vivemos tempos em que as duplas e triplas naturalidades se multiplicam. Neste mundo de erasmus as relações familiares são múltiplas. Os filhos nascidos dessas relações têm dois passaportes, falam as duas línguas dos seus progenitores mais a língua comum deste nosso tempo, o inglês. Mesmo com brexit! E esta tendência vai chegar, na sua integridade, ao desporto. E à realidade das selecções nacionais. Já que há muito chegou ao movimento olímpico e à busca do orgulho do ouro olímpico! Mas esta nova internacionalização na Selecção Nacional de futebol tem de ser vista como um marco deste tempo e não como uma renuncia a uma essência que o momento já não regista. Sob pena de o desporto ser, ainda mais, o espaço de nacionalismos perturbantes! O que sabemos é que Dyego Sousa chegou a Portugal, e para o Nacional da Madeira, ainda com 17 anos! Para já foi o sétimo! Acredito que ainda este ano teremos um oitavo! Sem drama! Melhor sem dramas! Mas sempre com a certeza que Pitigrilli nos legou: «Tudo deve ser discutido. Sobre isso não há discussão»!

5. A Federação Portuguesa de Futebol - mais a Liga, naturalmente - apresentou aos clubes participantes na principal liga das competições profissionais um estudo conducente à reestruturação do futebol português. Diria que implica reorganização das competições, alteração dos quadro competitivos, mecanismos de promoção dos jogadores formados localmente, incentivos fiscais e avaliação de modelo de redistribuição financeira mais solidária. Acredito que é urgente esta reflexão e que a curto prazo escutaremos relevantes vozes do futebol europeu que ajudarão a uma serena discussão. E sabemos, em particular neste momento religioso, as «as discussões são como as luzes de velas acesas na escuridão»!

6. Depois deste período de selecção teremos o regresso em exclusivo das competições de clubes. Internas e europeias. Temos de decisão. E com acrescidas exigências para a designação dos árbitros. Como a confiança, a face ao que dispõe, que importa dar ao Conselho de Arbitragem!"

Fernando Seara, in A Bola

Moçambique, Eusébio e os três tempos do verbo chorar

"Quem nunca jogou com uma bola gaga que atire a primeira pedra. Não há boa infância sem bola coxa de matrecos

Chorar
1. É impossível, nestes dias, não lembrar a extraordinária resposta de Eusébio, no dia em que morreu Amália. Uma radio telefonou-lhe para casa a perguntar o que sentia, o que queria dizer naquele momento, e ele respondeu:
- Estive a chorar, estou a chorar, vou continuar a chorar.
Uma síntese impressionante. No passado, agora e depois de amanhã: chorar.
Também agora com o ciclone que destruiu a Beira. Como se uma tragédia fosse tão grande que deixasse de ter data, ficasse eterna como eternos são os deuses e os diabos casmurros. Não foi hoje esta tragédia: foi sempre; não há o depois das grandes calamidades.
A água como elemento que dá a vida, que sempre foi o sinal da sobrevivência e do desenvolvimento, mostra, por vezes, tragicamente, terrivelmente, a sua parte de diabo, o outro lado. Como se a água subitamente dissesse: não estou aqui apenas para matar a sede, mas para passar por cima de tudo o que é humano, para arrasar.

O lugar «que quase já não há»
2. Mia Couto, belo amigo e companheiro, a quem dou um abraço gigante, bem como a Agualusa, cada vez mais ligado a Moçambique, dois queridos companheiros. Mia nasceu na Beira e disse, há poucos dias, comentando a calamidade, que pensava escrever um livro sobre a sua infância e por isso mesmo regressar à Beira onde nasceu e sentir «o espírito do lugar» mas agora, dizem-lhe, «que quase já não há lugar».
Como sentir o espírito do lugar quando o solo já não está lá, quando até os cheiros, aquilo que parece não ocupar espaço nem ter forma, mudaram?

Matraquilhos, os prazeres da infância
3. Mas quando a desgraça aparece, tentemos salvar com matéria concreta e urgente e depois ainda com histórias encantatórias. Em Moçambique, as histórias não salvam, a memória também não - mas em parte queremos ser servos para manter a memória e para continuarmos a contar histórias.
Penso numa história de Mia Couto, do livro Cronicando, cuja base é o mui nobre jogo de matraquilhos. O narrador da história pertence ao grupo dos imóveis: «Nós éramos os do muro, sentadiços. Os outros corriam os futebóis, dispensavam suores. Enquanto nós, não».
Os sentadiços, uma acertada expressão. Hoje, diga-se, há cada vez mais sentadiços ou sentaduços. Por vezes jogam apenas 22 e há milhões a ver. Sentaduços, espécie animal que se multiplicou em poucas décadas.
Os sentadiços do conto de Mia ficam então fora do suor mas também da convivência feminina, afastados dessas raparigas que passavam e que «com suas batas brancas, pareciam aprendizes de graças».
Enquanto dos atletas ficavam com as elegantes garças, aos sentadiços do muro restava apenas ficar com os «olhos trincando as sombras femeameninas». Ficavam com as sombras, portanto.
Mia Couto conta ainda o fascínio que era um miúdo colocar uma moeda na mesa de matraquilhos e saírem de lá «nove bolinhas, já tão gastas que coxeavam em cada volta de seus épicos percursos». Estas bolas antigas, coxas, rombas, que já não rolam, que andam uns centímetros e param, aqui e ali, como que cansadas ou mancas por completo da sua circunferência. Como dão saudades! Quem nunca jogou com uma bola gaga que atire a primeira pedra. Não há boa infância sem bola coxa de matrecos.
Como não recordar, então, com alegria estes jogos da infância? Em Moçambique, em Portugal, um pouco por todo o lado.
Foram muitas destas brincadeiras de infância que agora foram derrubadas.

A falta que faz
4. Numa próxima crónica falarei mais desta história de Mia Couto, que não é assim tão doce como parece.
E tenho a certeza de que se perguntassem a Eusébio nestes dias o que ele estava a sentir, ele diria o que é necessário:
- Estive chorar, estou a chorar, vou continuar a chorar.
E sim, o futebol é importante, mas nunca Eusébio fez tanta falta como nestes dias trágicos."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

Como segurar João Félix?

"O próximo mercado será o primeiro grande teste ao projecto de Vieira de um Benfica europeu tendo como base os jogadores formados no Seixal. Para que se concretize será, naturalmente, preciso que na Luz se consiga segurar, por período considerável, as principais pérolas, missão complicada quando se está rodeado de predadores para quem dinheiro não é problema. Serão, é seguro dizer, vários os jogadores que testarão a real capacidade do presidente encarnado para levar avante o seu ambicioso plano. Rúben Dias, Florentino, Ferro, Gedson e até Jota começam a dar demasiado nas vistas e os grandes tubarões não tardarão a rondar. Mas nenhum outro como João Félix colocará Vieira à prova.
É normal que o Benfica pretenda aumentar a já galáctica cláusula cláusula de €120 milhões para estratosféricos €200 milhões. Tal como normal é que quem representa Félix, e, até, o próprio jogador, batam o pé, preferindo aproveitar já oportunidade que (no futebol nunca se sabe...) até pode ser única. Poderia - acreditando-se quando disse que tem, hoje, o Benfica condições para isso - Vieira aumentar João Félix para valores que o fizessem pensar duas vezes antes de dar o salto. Mas ficaria, ainda assim, sempre longe daquilo que, financeiramente e desportivamente, o jovem craque pode ganhar se aceitar uma das propostas que lhe chegarão - se é que não chegaram já. Por isso terá dito Rui Costa que há jogadores que, por muito que se queira, não se consegue segurar. Jogadores como João Félix.
Cruel? Apenas a realidade de um futebol que há muito se transformou num negócio. O dinheiro manda, convençamo-nos disso. E convenhamos: há algum clube português que possa, realisticamente, resistir a uma proposta de três dígitos? Pois."

Ricardo Quaresma, in A Bola

A importância dos prazos (!!)

"Pela segunda vez este ano, o CAS anula uma decisão da UEFA relativa a procedimento de fair play financeiro por ultrapassagem de prazos procedimentos. Já aqui demos conta do caso do Galatasaray, tendo sido conhecida esta semana a sentença relativa ao caso do Paris Saint-Germain.
Em 13.06.2018 a Câmara de Investigação do Comité de Controlo Financeiro dos Clubes (CFCB) da UEFA encerrou o processo de investigação ao clube francês e em 22.06.2018 o presidente do CFCB, com base no artigo 16.ª n.º1, do Regulamento do CFCB, ordenou que a Câmara Adjudicatória revisse a decisão, a qual veio a decidir, em 19.09.2018, que o caso deveria voltar à Câmara de Investigação para mais diligências.
A clube recorreu para o CAS pois entende que o artigo 16.º, n.º 1 prevê um prazo de 10 dias para que a revisão fosse feita, o que obteve a concordância do Painel do CAS, tendo este anulado a decisão de 19.09.
As similitudes entre o n.º 1 e o n.º 2 do artigo 16.º são evidentes; qualquer decisão pode ser revista, quer por iniciativa do Presidente do CFCB (em todos os casos) - n. 1 -, que por iniciativa de uma parte directamente afectada pela decisão (apenas no caso em que se chega a acordo ou que existe aplicação de medidas disciplinares) - n.º 2. Ao prever o prazo de 10 dias em ambos os casos, sendo que o início da contagem é diferente, e tendo em conta que não está previsto um outro prazo de 10 dias estipulado parece apontar mais no sentido de ser o prazo para que seja solicitada a revisão e não o prazo de decisão.
A UEFA emitiu um comunicado onde refere que irá tomar posição sobre esta decisão arbitral, que será interessante analisar posteriormente."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Benfiquismo (MCXXIX)

Uma pequena homenagem...

O fato de treino de Lage

"É um facto que tem sido pouco sublinhado mas, desde que no banco do Benfica deixaram de se ver gravatas de riscas horizontais, de um vermelho clarete, a qualidade do futebol da equipa melhorou muito. Não estou com isto a sugerir que as gravatas davam azar, como se de uma mera fezada se tratasse. Bem pelo contrário, a substituição de gravatas de gosto duvidoso por um fato de treino monocromático tem um alcance bem vasto. Um clube com a história e a glória do Benfica pode e deve obrigar os seus representantes a apresentarem-se com vestes condignas.
O ponto é precisamente esse.: a respeitabilidade a que as nossas cores e símbolos obrigam só autoriza dois tipos de vestimenta: fatos do melhor corte e de gosto irrepreensível ou indumentária de trabalho. No fundo, duas possibilidades à imagem do Glorioso - distinto e popular de uma só vez. O patrocinador que desencantou aquelas roupas, que empobreceram a equipa, estava, pelo contrário, numa terra de ninguém do ponto de vista estético. Corte de baixa costura, um cinzento mortiço e as tais gravatas, de um vermelho que era um nada. O fato de treino que Bruno Lage escolheu usar em todas as circunstâncias é, como tal, uma manifestação profunda da mudança que o técnico trouxe ao futebol. Aliás, de que forma se veste um treinador está longe de ser uma questão marginal. Como me alertou o meu filho, sintomaticamente, na maior parte dos jogos de consola, escolhe-se o treinador que equipa de fato completo ou, lá está, num registo mais operário, usa um fato de treino.
Se, hoje, ganhamos em campo não é por força de discursos motivacionais e muito menos por fanfarronices insuportáveis. O Benfica joga bem porque treina bem. Percebe-se nos mais pequenos pormenores: para além da mudança de sistema de jogo e das dinâmicas que agora apresenta, a diferença está, também, na abordagem estratégica a cada partida. Com Seferovic indisponível, a equipa perdeu profundidade e verticalidade. Como é óbvio, Jonas oferece outras coisas (uma qualidade técnica superlativa e uma eficácia na definição sem paralelo). Perante a saída do suíço e o regresso do brasileiro, o treinador teve a capacidade de colocar Rafa e João Félix a fazerem movimentos diferentes dos que fazia Seferovic, com isso trazendo à tona o melhor de Jonas. Lá está, o Benfica melhorou muito porque é em competição o prolongamento do modo como treina. E, por isso mesmo, faz todo o sentido que Lage se apresente em banco com um muito digno fato de treino.
Chamaram-me, aliás, à atenção que em algumas modalidades a tal gravata sobrevive. Com os resultados conhecidos. Fica a recomendação agora que no basquetebol o Carlos Lisboa regressou ao lugar que é seu, peço-lhe que irradie a gravata de riscas horizontais."

Vantagem ao intervalo...

Oliveirense 2 - 3 Benfica

Vitória animadora, na 1.ª mão dos Quartos-de-final da Liga Europeia, em Oliveira de Azeméis!
Só estivemos em desvantagem no início, demos a volta ainda antes do intervalo (1-2), eles ainda empataram, mas aproveitando um power play, voltamos a marcar... Pena o LD desperdiçado pelo Ordoñez...

É só o 'intervalo' da eliminatória, mas agora a Oliveirense sabe que tem que ganhar na Luz... e agora, ao contrário do jogo do Campeonato, já temos todos os jogadores disponíveis!

Chicotada efectiva...!!!

Benfica 112 - 60 Terceira
35-15, 32-11, 20-13, 25-21

Existem situações que não enganam: os jogadores fizeram a 'cama' ao anterior treinador. Como é óbvio o Lisboa não 'estalou' os dedos e a equipa começou a jogar... Não gosto destas situações, por muitas razões que as podem justificar, os jogadores são pagos para dar tudo, em todos os momentos...

Mas a vida é assim... Agora vamos ver como vai acabar a época, pois o potencial existe!
Destaque para o Rafael, que acabou por ser estatisticamente o MVP da partida!!!

sábado, 23 de março de 2019

Vous avez dit Casa 224 ?

"Il m’arrive certains weekends de quitter la capitale parisienne, de prendre le TGV direction Lille. Vous vous demandez pourquoi !? Et bien c’est très simple, j’y vais pour voir les matchs du SLB à la casa 224 de Tourcoing. Il s’agit d’un pélerinage qui vaut le détour ... Le nord de la France possède cette chaleur particulière que l’on retrouve dans son architecture, ses beffrois, ses moules frites et ses gens qui, pour la plupart, sont venus travailler dans les mines et l’industrie textile du 19e siècle. C’est un peu tout cela que je retrouve quand je me rend à la casa do Benfica de Tourcoing.Vous ne pouvez pas la rater ! On la voit au loin dès qu’on progresse sur la rue des 5 voies avec ses murs en briques rouge et noire. Elles me rappellent certains quartiers de Londres tel que le north east et ses pubs accueillants riches en rencontres.
Dès que vous franchirez le pas de la porte, vous reconnaîtrez tout de suite derrière le bar, le personnage le plus emblématique de cette « maison familiale », il s’agit de Paulo le Président, icône vivante de ce qui est le militantisme et l’amour pour son club, notre club. Il est vrai qu’il en dégage Paulo! Sa stature (ancien fuzileiro) son charisme, son franc-parler et son amour sans fin pour le club vous impressionne de suite ! Mais qu’est-ce qu’il est sympa et accueillant, on se sent tout de suite chez nous et on a forcément envie de revenir. Du coup j’habite à Paris et je suis socio da casa à 250 km de chez moi !Comme le dit Paulo : « ensemble nous sommes plus forts » et c’est ça que je retrouve et apprécie à la casa 224. On se sent de suite plus forts, unis par le même esprit Rouge et Blanc.
J’y ai passé des « jornadas » inoubliables, ayant célébrer un « tetra », moment unique de notre histoire où nous avons pû nous réunir français, belges et hollandais au même endroit.
Et oui ! Tourcoing est au carrefour de l’Europe à 10’ en voiture de la Belgique pas très loin des Pays-Bas, du Luxembourg et notre club a cette force d’attraction que peu de clubs en Europe réussissent à célébrer. La casa 224 a cette dimension internationale qui pour moi reste unique. Je pourrais vous parler de cette casa pendant des heures, mais sincèrement elle vaut le détour. Sa décoration, ses pièces de musées, sa salle Eusebio... tout vous sublime et vous rend fier d’aimer ce club et de le supporter. 
Je finirai cette article en rappelant que la casa 224 fait beaucoup pour le sport (équipe de futsal et d’athlétisme) et prend en charge toute l’année la logistique des nombreuses équipes des « camadas jovens » qui viennent participer aux différents tournois internationaux organisés dans la région. Cette casa joue entièrement son rôle de «braço armado» et représente corps et âmes un morceau de notre « Glorioso » au delà des frontières. Je n’oublie pas tous les gens qui s’investissent dans le but de valoriser cette casa au quotidien avec toutes les difficultés et sacrifices que cela incombe (Virginia, Paulo « Ptit frère », Toni, « bruxinha », Paulo Martins...) Juntos somos mais fortes."

Rui Pinto: Barba Negra ou Robin dos Bosques?

"A confusão em torno deste caso leva a paradoxos tão disparatados como este: o Sporting, uma das vítimas dos crimes pelos quais Rui Pinto está indiciado e que inicialmente acusava o Benfica de estar na génese do Football Leaks, vê os seus adeptos ostentarem tarjas a dizer ‘Libertem Rui Pinto’

Um jovem de 26 anos abalou o mundo do futebol em 2015 com a co-criação de um portal intitulado Football Leaks. O nome é ‘descendente’ do WikiLeaks do jornalista Julian Assange, que vive desde 2012 em asilo político na Embaixada do Equador em Londres de forma a evitar a extradição para os Estados Unidos da América, onde arrisca uma pena de prisão perpétua por atos de espionagem contra a nação. Rui Pinto, hoje com 30 anos, capturado e extraditado pelas autoridades húngaras para Portugal, refere-se a Julian Assange (mas também a Edward Snowden) como fonte de inspiração para os seus actos e tenta socorrer-se dos mesmos argumentos para se defender: tudo o que fez, tê-lo-á feito de forma altruísta e com objectivos morais superiores, nomeadamente de denúncia de atos ilícitos em que o futebol seria fértil. No fundo, Rui Pinto deseja ser reconhecido internacionalmente como um whistleblower (denunciante, numa tradução livre) e receber tratamento judicial diferenciado por via desse epíteto. Para já, as autoridades húngaras negaram-lhe esse reconhecimento e as portuguesas também não parecem inclinadas a aceitar essa linha de raciocínio, embora estejamos apenas no início de uma batalha judicial que promete ser longa e complexa. Em bom ‘futebolês’ poderemos dizer que o jogo mais importante da vida de Rui Pinto ainda nem sequer chegou ao intervalo...
O mediatismo em torno deste caso é de tal forma esmagador que acaba por desviar a atenção de questões tão importantes e factuais como, por exemplo, os crimes pelos quais Rui Pinto está indiciado. São seis: dois de acesso ilegítimo, dois de violação de segredo, um de ofensa a pessoa colectiva e ainda um outro de extorsão na forma tentada. Todos eles visando a Doyen Sports Investments e o Sporting Clube de Portugal. Para já, é apenas isto que está em causa e o último crime desta curta lista - a tentativa de extorsão - é aquele que poderá colocar em risco toda a estratégia de defesa de Rui Pinto, já que a actividade de whistleblowing (denúncia de actos ilícitos) implica necessariamente a absoluta ausência de interesse ou proveito pessoal, nomeadamente sob a forma de retorno financeiro proveniente de informação acedida de forma ilegal. Caso o Ministério Público consiga provar essa acção específica de Rui Pinto, naturalmente cairá por terra qualquer alegação de altruísmo em todas as suas restantes acções e poderá passar a ser encarado, até pela opinião pública, como um vulgar criminoso. Neste ponto da acusação, nesta capacidade (ou não) de o Ministério Público provar que houve efectivamente tentativa de extorsão, poderá residir a forma como Rui Pinto será recordado nos anais da história: um hacker, uma espécie de ‘Pirata Barba Negra’ informático que furta visando o seu próprio enriquecimento; ou um whistleblower, um ‘Robin dos Bosques’ dos tempos modernos, que visa denunciar actos ilícitos de interesse público sem qualquer intenção de enriquecimento pessoal à custa de informação furtada. Eu, que nunca acreditei em heróis instantâneos, tenho a minha opinião e reservo-a para mim. Cada leitor terá certamente a sua. Mas em última instância, o que verdadeiramente importa é a leitura que a justiça portuguesa fará dos factos. 
Sem entrar em julgamentos prévios ou condenações em praça pública, não posso contudo deixar de dizer o seguinte: toda e qualquer informação descontextualizada e obtida de forma unilateral é um risco tremendo. Tem uma elevada probabilidade de estar incompleta. É facilmente manipulável. Logo, é altamente falaciosa e, acima de tudo, perigosa. Apresentar informações furtadas como peças de ‘grande investigação jornalística’ é uma desonestidade intelectual atroz. Alegar a deontologia jornalística como uma espécie de manto sagrado debaixo do qual cabem todos os expedientes, por mais ilegais que sejam, é desrespeitar uma classe que é, de há muitas décadas a esta parte, um dos principais pilares da justiça, da segurança e da democracia em estados de direito. E isto é um capital que não pode ser desbaratado apenas e só em função da manchete mais bombástica, custe o que custar e doa a quem doer. Há exemplos de trabalhos jornalísticos de fundo assentes em denúncias - os Estados Unidos são férteis em casos destes - que levaram a mudanças marcantes no curso da história. Infelizmente, no que concerne ao Football Leaks, não foi o caso. Houve, isso sim, uma tentativa de aproveitamento de informações e documentos furtados que, em muitos dos casos, não continham sequer qualquer ponta de ilegalidade, e noutros carecem de validação absoluta do ponto de vista da sua veracidade.
A confusão em torno deste caso leva a paradoxos tão disparatados como este: o Sporting, uma das vítimas dos crimes pelos quais Rui Pinto está indiciado e que inicialmente acusava o Benfica de estar na génese do Football Leaks, vê os seus adeptos ostentarem tarjas a dizer ‘Libertem Rui Pinto’ em pleno Estádio de Alvalade. Já o Benfica, que até prova em contrário não é uma das vítimas das acções de Rui Pinto, vê os seus adeptos congratularem-se pela detenção de alguém que pode significar apenas uma ‘caça aos gambozinos’ por parte do clube da Luz, que não faz a mínima ideia se Rui Pinto está, ou não, ligado ao furto de mais de 10 anos de troca de e-mails privados por parte de milhares de funcionários que integraram os quadros do clube desde 2008. Já o FC Porto, também inicialmente vítima das acções de Rui Pinto enquanto administrador do portal Football Leaks, é por sua vez acusado pelo Benfica de estar por trás de alguém cujos alegados crimes, na verdade, desconhecemos em toda a sua extensão. Bem vindos à esquizofrenia do futebol português!"

José Mourinho: do que não se fala...

"“Emil Cioran evocou que, enquanto estavam a preparar a cicuta que mataria Sócrates, este estava a aprender a tocar uma música na flauta, facto que provocou a surpreendida pergunta: “Para quê’”, expressiva do pragmatismo na iminência do fim. A resposta teria sido: “Para saber tocá-la, antes de morrer”. (Annabela Rita, Do Que Não Existe, Manufactura, Lisboa, 2018, p. 13). Verdade ou lenda, parece certo que, para Sócrates, o conhecimento é a antecâmara da virtude. Para George Steiner, n’A Divina Comédia, Dante (século XIV) “propõe-se incluir, no campo do potencial ascendente do entendimento humano – o moto spirituale – a história da criação e dos lineamentos do além” (Gramáticas da Criação, Relógio D’Água, Lisboa, 2002, p. 92). Para Bento de Espinosa (1632-1677), o culto e metódico Espinosa (tão culto e metódico que o seu fichário de conhecimentos ainda é de grande actualidade), no universo há uma só substância, sendo a substância infinita, ou seja, com todos os atributos pelos quais se manifesta. Nesta perspectiva, podemos escrever, sem receio, que fica de uma indigência confrangedora qualquer síntese, mesmo miudamente relatada, do humano, que não tenha em conta a complexidade que o ser humano é. Luís Lourenço, o mais fiel e o mais competente (porque o conhece, como poucos o conhecem) dos seus biógrafos, no livro Mourinho – a descoberta guiada (Prime Books, Lisboa, 2010) dá especial relevo ao paradigma da complexidade. E, para tanto, cita Edgar Morin: “O homem é um ser evidentemente biológico. É, ao mesmo tempo, um ser evidentemente cultural, metabiológico e que vive num universo de linguagem, de ideias e de consciência. Ora, estas duas realidades, a realidade biológica e a realidade cultural, o paradigma da simplificação obriga-nos a fazê-los elementos do mesmo todo: um não vive sem o outro, ou melhor, um é simultaneamente o outro, embora sejam tratados por termos e conceitos diferentes” (Introdução ao Pensamento Complexo, Instituto Piaget, Lisboa, 2003, p. 86).
Para Teilhard de Chardin, não pode percepcionar-se, cientificamente, qualquer “fenómeno”, incluindo o “fenómeno humano”, sem introduzir um terceiro infinito, o infinito da complexidade, ao infinitamente grande e ao infinitamente pequeno. No universo, os corpos não são unicamente grandes e pequenos, mas também simples e complexos. E, entre os seres complexos, o ser humano, porque de todos o mais complexo, é indubitavelmente o que evidencia mais evolução e a promessa de maior e melhor desenvolvimento. O movimento é vida, ou seja, tudo o que é vida se movimenta – para onde? Por outras palavras: o universo não é estático, mas dinâmico e… qual o sentido deste dinamismo? A lei da complexidade-consciência diz-nos que tudo caminha para uma complexidade crescente, a caminho do espírito. São palavras de Teilhard de Chardin: “Pela sua fracção axial, vivente, o universo deriva, simultânea e identicamente, para o supercomplexo, o supercentrado, o superconsciente” (I, p. 36). Em tese de doutoramento, que fez história, José Gomes Silvestre anima assim a evolução, em Teilhard de Chardin: “segue-se que o motor da evolução, a sua lei directriz, é o caminho para a espontaneidade, para a liberdade, para a consciência. A liberdade é a ponta extrema da evolução, o seu sentido, a sua redenção, a sua vitória – vitória do espírito sobre a matéria, vitória do uno sobre o múltiplo, do universal sobre o individual e, mais do que tudo, vitória da vida sobre o movimento entrópico, vitória do ser sobre o nada” (Acção e Sentido em Teilhard de Chardin, Instituto Piaget, Lisboa, 2002, p. 146). Pela evolução, pela transcendência em direcção ao mais-ser, o universo caminha, imparavelmente, para a consciência e para a liberdade. Para Teilhard, o objectivo último é sempre o essencial. Nada pode frutificar, finalmente, se não existir já, como promessa, na semente, no princípio…
Só que aquilo que eu sou pouco vale diante das constantes culturais em que vivemos e também somos. Ora, a partir da modernização europeia de Portugal, na década de oitenta (e sigo o que Miguel Real observou e analisou criticamente, na cultura portuguesa) “operou-se uma enorme alteração, nos sectores produtivos da economia, com a terciarização desta a suplantar os sectores primário e secundário”; operou-se ainda “uma evidente alteração , na estrutura política do Estado, com a passagem de um sistema corporativista para um sistema de representação democrática parlamentar ao modo da Europa Ocidental”; verificou-se “uma forte alteração do lugar geográfico e estratégico internacional de Portugal, deslocando-se o ângulo de actuação e reacção do Atlântico (o Império) para a Europa”; acentuou-se uma radical alteração dos vínculos institucionais clássicos da cultura e dos complexos comportamentais dos portugueses, como a dependência da Igreja e uma secular ligação à família clássica; descambou-se num pronunciado descrédito “das antigas profissões nobres como a do professor, do político, do militar, do historiador, do sacerdote e do intelectual, substituídas pelo técnico especialista em economia, em gestão e em ciência experimental, pelo jornalismo superficial e pelo comentador televisivo, ora considerados de superior valia e utilidade” (Traços Fundamentais Da Cultura Portuguesa, Planeta, Lisboa, 2017, pp. 111/112). O Dr. Mário Soares, agarrado a princípios democráticos e republicanos que, por coisa nenhuma, consentia em abandonar, foi, depois do Marquês de Pombal, das Invasões Francesas e do Liberalismo Constitucional, o político português que mais contribuiu à europeização e modernização de Portugal e, com a europeização e a modernização de Portugal e com uma população, principalmente urbana, culturalmente mais letrada, o nosso desporto europeizou-se e modernizou-se também. A esmagadora maioria das nossas vitórias desportivas internacionais acontecem (e não é por acaso) no pós-25 de Abril…
O José Mourinho, intelectualmente, é um super-dotado e, porque no nosso País se cumpriram, quase integralmente, os anseios iluministas para Portugal, encontrou, principalmente no Ensino Superior, um ambiente favorável ao desenvolvimento das suas virtualidades. A passagem do INEF ao ISEF e do ISEF à FMH resulta de verdadeiras “revoluções científicas”, que até, noutras universidades de muito bom nível epistemológico e científico, se admiram e aplaudem. Portanto, na Cátedra com o meu modestíssimo nome, que a Universidade Católica Portuguesa fez-me o favor de aprovar, após um trabalho de pesquisa que muito me surpreendeu, em qualquer hermenêutica específica avultam também os nomes dos professores e alunos (do meu tempo, no INEF e no ISEF e na FMH) que, concordando ou discordando das minhas ideias (principalmente as epistemológicas) me obrigaram a um estudo mais honesto e mais persistente e mais rigoroso. Depois, o José Mourinho é filho de um antigo jogador e treinador de futebol, um profissional de talento indiscutível, que passou ao filho, com a ternura de pai atento e solícito, um grande amor pelo desporto, designadamente pelo futebol. Ora, como já o venho dizendo há 50 anos, “a prática é mais importante do que a teoria e a teoria só tem valor, se for a teoria de uma determinada prática”. Quero eu dizer que a teoria, por si só, não transforma, só o faz mediada pela prática. Sem a prática, não há transformação possível. O José Mourinho teve portanto a seu favor o que foi e é e… a sua circunstância. Mas, como também já o escrevi, “é o homem que se é que triunfa no treinador que se pode ser”. De facto, para mim, é no Mourinho, como ser humano, e portanto com qualidades e defeitos mas, com qualidades excepcionais que o fazem um dos melhores treinadores do mundo – é no Mourinho, como ser humano, que é preciso encontrar a chave da resolução desta questão pertinente: quem é o Doutor José Mourinho, como treinador de futebol?... Quero eu dizer a terminar: que, em circunstâncias favoráveis, o José Mourinho até pode ser o melhor treinador do mundo!"

Da morte súbita

"Fábio Mendes, jogador de futsal do Centro Social de São João, faleceu durante o jogo com o Portimonense no início deste mês. Segundo veiculou a comunicação social, foi vítima de um ataque cardíaco fulminante. Três dias depois somos confrontados com a notícia de que Kenneth To, nadador vencedor de uma medalha de prata pela Austrália nos Mundiais de 2013, morreu aos 26 anos depois de se ter sentido indisposto durante um treino, na Florida, nos Estados Unidos.
Chamam-lhe a “síndroma da morte súbita” e reside no nosso imaginário como que acontecendo só de vez em quando no desporto, pois “o desporto dá saúde” e os desportistas são dos seres humanos mais bem controlados e vigiados medicamente.
Recordemo-nos que em Junho de 2003, em directo na televisão, Marc-Vivien Foé, jogador camaronês, morreu em campo aos 28 anos, quando alinhava pela selecção do seu país, na Taça das Confederações, no jogo contra a Colômbia. Talvez o primeiro grande caso porque foi possível a milhões de espectadores confrontarem-se pela primeira vez, em cima do acontecimento, com esta realidade transmitida em tempo real.
O caso mais mediático em Portugal, também porque transmitido em directo pela televisão, foi o de Miklós Fehér, jogador do Benfica, em Janeiro de 2004, em pleno estádio do Guimarães.
A comunicação social, solícita numa retrospectiva, logo repescou o caso de Pavão, jogador do Porto, falecido durante a partida entre este clube e o Setúbal em Dezembro de 1973. E logo tivemos a oportunidade de ver a circular algo parecido com o “entre este caso e o de Fehér nada se passou”. 
Ora, antes do caso de Pavão, embora menos divulgados, podemos registar as mortes dos futebolistas Rico do Varzim, Mário Ventura do Leixões, Lemos do Marinhense e João Pedro do Vilanovense. 
Entre Dezembro de 1973 (Pavão) e Janeiro de 2004 (Fehér) faleceram entre nós durante a prática desportiva – treino ou competição – pelo menos 15 futebolistas, 3 basquetebolistas e 3 ciclistas. Depois de Fehér muitos outros casos semelhantes aconteceram em Portugal…
Parecem ser casos a mais, alguns dos quais ocorrendo mesmo com crianças, numa actividade que se diz promover a saúde… até porque o próprio Comité Olímpico Internacional registou de 1966 a 2004 a ocorrência de 1101 mortes súbitas. A média é de 29 casos anuais…
Na síndroma da morte súbita o coração não suporta o intenso esforço físico a que é submetido e a morte é causada por uma paragem cardíaca. Este desfecho fulminante é a primeira manifestação de uma doença de que não se tem conhecimento, a qual é muitas vezes congénita e indetectável nos exames convencionais – dizem os especialistas… diz a comunidade médica.
O relatório da autópsia de Fehér apontava para uma hipertrofia cardíaca moderada como causa da morte deste futebolista.
Mas para além das causas das mortes, imperativo era serem estudadas e divulgadas as origens dessas causas, pois para cada caso o importante seria não ter voltado a acontecer.
E não só as causas mas as suas origens por que motivo?
Porque enquanto a causa explica o facto, a sua origem explica um processo (André Comte-Sponville, 1998, “Uma moral sem fundamento”, in E. Morin & I. Prigogine, «A Sociedade em busca de Valores», pp. 133-153, Lisboa, Piaget). Porque se um condutor se despista e morre a causa pode ser o excesso de velocidade mas a origem dessa causa pode ter sido o facto de ele ter perdido o seu emprego antes de iniciar essa sua viagem… Porque se um indivíduo se suicida com um tiro na cabeça a causa da sua morte pode ser a falência do cérebro mas a origem dessa causa pode ter sido uma discussão conjugal…"

Benfiquismo (MCXXVIII)

Adversário?!

Uma Semana do Melhor... com o Saca!!!

Sabe quem é? A fugir de Hitler e mais - Béla Guttmann

"Para escapar à Gestapo, viveu num sótão; Treinador de Exilados Políticos, o FC Porto descobriu-o em São Paulo

1. Após jogar pela Hungria os Jogos Olímpicos de 1924, deixou Budapeste - para fugir ao «Terror Branco» que misturava o ataque a comunistas e judeus. Foi para o Hakoah de Viena, clube de judeus que era mais do que clube desportivo. Numa digressão pelos Estados Unidos deslumbraram-se com ele, no NY Hakoah ficou. Não, não foi só jogador de futebol, também foi professor de dança e accionista de um clube clandestino de bebidas que florescera durante a Lei Seca.
2. Foi ainda jogador de cartas e casinos - e ele próprio o revelou: «Enriqueci, mas, na Sexta-Feira Negra de 1929, perdi mais de 55 mil dólares, fiquei pobre como Job. Tive, assim, de voltar a ganhar dinheiro no futebol». Quando percebeu que na América já pouco podia ganhar, saltou a Viena a oferecer-se ao Hakoah para jogador - e não tardou que ficasse seu treinador.
3. Tendo Hitler avançado para Viena, Lipot Aschner, industrial que era judeu como ele, desafiou-o para o seu Ujpest. Ganhou a Taça Mitropa de 1939, então a mais importante competição de clubes da Europa - e ainda a festejar a façanha, por via da «lei anti-judaica» que o governo da Hungria lançara (a exemplo de Hitler), afastaram-no de treinador do Ujpest.
4. Quando nazis tomaram Budapeste viveu escondido no sótão do salão de cabeleireiro do irmão da namorada (que não era judia) - e com a guerra a correr para o fim ainda o atiraram para campo de trabalhos forçados, de lá conseguiu, porém, fugir, rocambolesco, salvando-se assim de Auschwitz (onde lhe morreram alguns familiares).
5. Após a rendição da Alemanha, o Vasas chamou-o a seu treinador. Face à escassez de alimentos, pediu que lhe pagassem então metade do salário em batatas, farinha, banha, açucar, carne, peixe, frutas e vegetais, que era o negócio de um dos seus dirigentes. Pouco tempo lá esteve, foi para clube judeu de Bucareste, o Ciocanul. Pista Kaufmann, que o levara, revelou-o: «Antes de Mister G, a única coisa que os jogadores sabiam sobre bola era que era redonda, ele transformou 11 pés de chumbo na equipa de futebol mais bonita de toda a Roménia».
6. O Ujpest contratou-o de novo, ganhou campeonato de 1947. Mudou-se para o Kispest. Por causa de uma substituição, desentendeu-se com a sua estrela: Puskas - e deixou o clube após jogo em Gyor, não querendo, sequer, regressar no seu autocarro. Saltou para Itália, para o AC Milan. Pondo-o a caminho do título de 1955-1956, exigiu mais dinheiro, embora o mandaram, magoado afirmou-o: «Não sendo nem criminoso, nem maricas, fui demitido, demitido apesar de sair com o clube certamente campeão».
7. Ao saberem da invasão soviética a Budapeste, quase todos os jogadores do Honved, que tinham jogado com o Bilbau (que antes eliminara o FC Porto) na Taça dos Campeões, recusaram regressar à Hungria - e foi dele a ideia: «Se a FIFA não vos deixa jogar por não voltarem, arranjem então dinheiro para viverem, em digressões pelo Mundo».
8. Apesar de o treinador do Honved ser Jeno Kalmar (que haveria de passar pelo FC Porto) Puskas sugeriu-o para treinador dos Exilados - e com o primeiro dinheiro que arranjaram tiraram as famílias da Hungria a salto, através de contrabandistas.
9. Em 1957, a «Equipa dos Refugiados Políticos da Hungria» (assim lhe chamaram) disputou cinco jogos no Brasil e, contagiado pela sua magia, Laudo Natel propôs-lhe ficar como treinador do São Paulo FC. Ficou e foi campeão uma vez mais. Era normal nele: campeão, exigiu aumento de ordenado, o São Paulo achou muito o que exigiu, foi-se embora. O FC Porto foi lá buscá-lo já com o campeonato de 1958-1959 em andamento para o lugar de Otto Bumbel. O seu primeiro jogo nas Antas foi contra o Benfica, acabou empatado. Na jornada seguinte, perdeu no Restelo (num golo de Matateu) e ao vê-lo entrar sorridente no balneário o presidente portista, intrigou-se: «Mas está contente com quê, o senhor?» Abrindo ainda mais o sorriso, exclamou-lhe: «Porque já sei quem tenho de tirar da equipa para sermos campeões». A vítima era uma estrela - foi o «envelhecido» Pedroto. E com Luís Roberto no seu lugar, ganhou mesmo o campeonato, o tal que pôs Calabote na história. Logo depois o Benfica levou-o para a Luz, duas Taças dos Campeões (e mais) lhe deu..."

António Simões, in A Bola

Vantagem acaba ao mínimo deslize

"Enquanto os adversários almoçam e cozinham, o Benfica tem de manter um foco em todos os jogos que faltam

O Benfica venceu de forma clara um dos adversários mais difíceis que tinha até ao fim deste campeonato. Vencemos a horas, onde o rival só empatou depois da hora, mas isso apenas garantiu três pontos. Como intuímos na arbitragem no Dragão, ao mínimo-deslize acaba a nossa vantagem. Jogámos contra 11 quando devíamos ter jogado contra 10, desde os três minutos. Quem jogou contra 10 desde os sete minutos devia ter jogado contra 11.
Em Moreira de Cónegos, onde Samaris liderou um grupo inspirado, fizemos um bom jogo, com uma vontade de vencer permanente. Aos 10 minutos o 0-0, escondia três claras oportunidades de golo desperdiçadas. Aos 90 o 0-4 reflectiam o mérito de quem simplificou um jogo difícil. O golo de João Félix foi um pontapé nas adversidades. O golo de Samaris foi uma cabeçada nas injustiças. O golão de Rafa foi um chapéu às artimanhas. O golo de Florentino foi o mérito da oportunidade e de esforço. 
Enquanto os adversários almoçam e cozinham, o Benfica tem de manter um foco em todos os jogos que faltam, pois só vencendo todos os oito encontros seremos campeões. Com o regresso de Seferovic e Fejsa, Bruno Lage ganha os bons problemas, ter mais opções e mais escolhas. Liga Europa, Campeonato e Taça de Portugal precisam de várias soluções pois serão nove semanas e meia escaldantes.
Em semana de Dia do Pai, o Benfica teve ontem à noite a sua Gala em evocação do seu pai fundador, Cosme Damião, no Campo Pequeno. Cerimónia da família encarnada, onde é obrigatório sublinhar a bonita homenagem a Mário Dias. Um benfiquista de relevo, um homem que serviu o Benfica num momento difícil da sua história. Mário Dias é um dos nossos, um bom exemplo, alguém que deve ser lembrado pelo seu trabalho e dedicação, pela sua persistência e pelo seu amor ao clube.
Última nota para o voleibol do Benfica que segue com uma época imaculada com mais uma importante vitória, a Taça de Portugal, no passado domingo no Alentejo. Falta vencer o campeonato nacional, com a disputa da meia-final já este fim-de-semana, para ter a época perfeita numa modalidade tão espectacular. Desde 1904 com um objectivo... Vencer!"

Sílvio Cervan, in A Bola

Capelada 18/19


"Acho que todos os Capelas deveriam deixar a arbitragem. Não gosto daquele que, às vezes, assinala penáltis mais rápido que a sua própria sombra, nem do outro que, noutras ocasiões, considera que o peito começa no dedo mindinho da mão esquerda e termina no mindinho da outra. Também detesto o que gere os cartões durante algumas partidas e o outro que, ao ver o Cardozo dar uma palmada na relva da Luz frente ao Sporting, pronta e inapelavelmente o admoestou com o segundo amarelo. E então daquele que perde a noção do tempo, chego a sentir repulsa. Na verdade, eles parecem vários, mas são só dois. O irritante que apita jogos do Benfica e o solícito que apita jogos do FC Porto. Ambos são péssimos e, em boa verdade, são o mesmo, parecendo só mudar a postura e a aplicação de critérios consoante as cores.
Recuso-me a acreditar que Capela prejudica o Benfica e beneficia o Porto sistematicamente de forma propositada. Prefiro crer na sua honestidade, mas também na sua incompetência e permeabilidade aos inúmeros condicionamentos a que os árbitros de futebol são sujeitos. Preferiria, assim, que Capela pedisse escusa de apitar jogos de futebol ao mais alto nível pois já se tornou por demais evidente que o homem, seja por que motivo for, não tem condições para actuar competentemente.
Mas há mais Capelas. A temporada 2018/19 está a ser, quanto à arbitragem, uma vergonha sem precedentes. Antigamente todos sabíamos as razões: de viagens a café com leite, houve de tudo um pouco. Mas agora, e existindo ainda vídeoárbitro, é incompreensível haver erros atrás de erros em jogos do Benfica e FC Porto e quase sempre em benefício do mesmo. Não pode ser normal, nem é um acaso."

João Tomaz, in O Benfica

Todos à Tapadinha

"No próximo domingo pode começar a escrever-se mais um capítulo de glória do Sport Lisboa e Benfica. A partir das 15h00, no Estádio da Tapadinha, em Lisboa, a equipa principal de futebol feminino vai defrontar o SC Braga na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal. Actualmente luta - e principais candidatas - à subida à primeira divisão, as jogadoras do Glorioso têm batido recordes atrás de recordes nos segundo escalão. Quanto ao SC Braga, é líder da principal divisão (mais 3 pontos do que o Sporting CP) e, tudo indica, será o mais difícil teste às capacidades do plantel orientado por João Marques. Nada se conquista sem trabalho, mas uma ajuda nossa - dos adeptos, sócios e simpatizantes - é fundamental.
É por isso que vos deixo este apelo: no domingo, depois de almoço, juntem-se às nossas atletas para aquilo que se espera ser um grande jogo de futebol entre duas das melhores equipas a jogar em Portugal. Vamos dar mais cor às bancadas do velhinho estádio do Atlético CP, em Alcântara, com vista para o rio Tejo e para a Ponte 25 de Abril.
O ambiente é digno dos tempos do peão, com bifanas feitas na hora, bancadas de cimento e contacto próximo com as estrelas da companhia. Sim, porque elas são as nossas estrelas - nesta época marcaram 341 golos e sofreram apenas um (na Taça de Portugal). E é nosso prazer e dever apoiá-las. Este é um projecto que nasceu de forma pensada e que caminha para voos que podem ser históricos, como o sucesso na principal divisão e nas competições europeias. Ambicioso? Sim, claro. E depois, isto é ou não é o Benfica?
Vemo-nos na Tapadinha."

Ricardo Santos, in O Benfica

Temos de proteger o Seixal

"Este interregno no campeonato, como quase todos os outros, destrói grande parte da emoção do fim-de-semana. Se dependesse de mim, depois de sexta-feira até podia ser segunda outra vez. Para que raio servem o sábado e o domingo sem Benfica? As modalidades ainda ajudam a diminuir o fastio, mas o vazio permanece. Em todo o caso, se estes intervalos são obrigatórios, pelo menos que sejam sempre assim: com o Benfica se liderança, a seguir a uma expressiva vitória por 4-0 num terreno complicado, e com vários jogadores convocados para as selecções.
Rúben Dias, Pizzi, Rafa e João Félix foram chamados por Fernando Santos. Mais cedo do que tarde, chegará a vez de Ferro. A seu tempo, Florentino e Jota. Qualquer benfiquista assiste com orgulho à pedra basilar que começa a ficar cada vez mais implantada na selecção portuguesa: o Caixa Futebol Campus. Dos 24 convocados, 9 passaram pelos escalões de formação do Benfica ou pela equipa B. Esta tendência será cada vez maior, porque o Seixal abunda de talento. É urgente que Luís Filipe Vieira blinde com elevadas cláusulas de rescisão os atletas, mas não só. Meia Europa anda louca com o Seixal, pelo que têm de começar a estar também protegidos os contratos dos responsáveis da limpeza, jardineiros e seguranças que trabalham no centro de estágio, não vá o Manchester City bater com um cheque na mesa, levar de rompante a equipa de cozinheiros e deixar a rapaziada entregue às Estrelitas e às argolinhas. Se a Dona Lurdes assinar pelo PSG, depois quem é que vai fazer a cama aos jogadores? Posso ir lá eu, mas a minha mãe está sempre a queixar-se de que eu não sei esticar os lençóis."

Pedro Soares, in O Benfica

VARto disto!

"Ao contrário do que acontece com outros temas, sempre acompanhei a UEFA na resistência que, durante muito tempo, mostrou ao uso das tecnologias no futebol. Por feitio, que umas vezes com razão, outras sem ela, me faz desconfiar de quase tudo o que é novo, mas também por temer que em nome de uma qualquer verdade matemática se viesse a estragar um espectáculo apaixonante, e do qual o erro sempre fará parte. Com a aplicação do VAR no futebol português, quase mudei de opinião. Afinal, talvez as quebras de ritmo pudessem ser compensadas por um maior acerto nas decisões dos árbitros. Talvez houvesse menos polémica, e mais justiça. Não foi preciso muito tempo para que o meu cepticismo regressasse.
Esta temporada está a deixar claro que o VAR, em vez de ferramenta de rigor, por ser também ferramenta de manipulação. Um golo pode ser anulado, ou não, por um sopro a meio-campo dezenas de segundos antes de a bola entrar na baliza. Um penálti pode ser assinalado, ou não, por um dedo roçar numa camisola dentro da área - situações que outrora eram tacitamente ignoradas para todos. E isto acontece, ou não, ao sabor dos desejos de quem decide, no campo e a quilómetros de distância. Já nem sei como festejar um golo. E, pior que isso, continua a haver beneficiados.
Muitos lances têm múltiplas interpretações, por isso são tão discutidos pela semana dentro. O VAR, tal como existe, apenas veio acrescentar mais lances para discussão e menos tolerância ao erro. Logo, mais polémica, e não mais verdade.
Ou muda (e não me perguntem como), ou então acabem-se com ele. Como está, manifestamente não serve."

Luís Fialho, in O Benfica