Últimas indefectivações

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um benfiquista e o seu cão

"Um homem e o seu cão estão sentados numa bancada do Estádio da Luz, imagem pouco comum. O homem chama-se Paulo e é invisual, o cão que o acompanha é um Labrador de pêlo preto. O homem tem um pequeno rádio encostado ao ouvido e acompanha com comovente entusiasmo tudo o que se passa no relvado, como se visse. E, no fundo, ele vê, ele tem uma forma muito própria de ver, que é a partilha da emoção com os muitos milhares de pessoas que o cercam.

Tive conhecimento deste caso através de uma excelente reportagem da RTP 1, que me permitiu conhecer pessoas que não se deixam derrotar pela adversidade e que continuam a viver, a lutar e a sonhar.

O Labrador preto tem um lenço à Benfica por cima da coleira e assiste, impassível mas feliz, às manifestações de alegria do dono. É um cão-guia, um cão de acompanhamento, por ser dócil, terno e inteligente, e, afinal, os olhos do seu dono.

Paulo diz que faz questão de ir ao Estádio porque ali, sentado no meio da multidão, gosta de ouvir o ruído, de sentir os cheiros, de vibrar com o colectivo, de se emocionar com o que faz a sua equipa, o seu Clube, a sua gente. Ninguém se espanta com a presença do cão na bancada, pois todos percebem que se trata de um caso especial, diferente, tocante.

Aqui, o cronista é levado a recordar as palavras do grande escritor francês, Antoine de Saint-Exupéry, autor de 'O Principezinho', quando dizia algo muito parecido com isto: a melhor forma de ver as coisas é com os olhos do coração. Paulo vê o Benfica com esses olhos, os do coração, que são também os da emoção e do sentido de pertença.

São histórias como esta que nos fazem perceber até que ponto as vitórias do Benfica são importantes para dar mais sentido à vida de quem recusa a margem, o esquecimento, a discriminação. Paulo e o seu cão vão à Luz em busca da luz interior que o Benfica lhes pode e deve dar. Se todas as semanas os jogadores pensarem em exemplos como este, hão-de cumprir ainda com mais êxito a sua missão."


José Jorge Letria, in O Benfica

Jogo de Portimão é mais importante

"Não foi a derrota na Dinamarca que nos afastou do apuramento directo, foi aquele início desastrado e turbulento. Perder em Copenhaga é bem mais compreensível do que empatar em casa com Chipre.

A Dinamarca jogou melhor e mereceu ganhar, foi um resultado justo e a nossa selecção tem de ser muito melhor para não ter sobressaltos frente à Bósnia.

De mau gosto, mesmo que haja razões, este pingue-pongue verbal de ex-seleccionadores e responsáveis, azedume desnecessário e momento desapropriado.

Quinze dias sem ver o Benfica jogar já me parecia uma imensidão de tempo. O regresso em Portimão é um alçapão com perigos vários.

O primeiro dos quais é o facto de alguns dos melhores jogadores não estarem aptos devido aos compromissos nas suas selecções, depois alguma sobranceria por se tratar de uma equipa de escalão inferior, e por fim o facto de o jogo ser fora e a motivação do adversário estar no máximo, enquanto no Benfica pode haver muitas mexidas naquele que tem sido o onze base. A minha receita seria a de alterar o menos possível as pedras bases e jogar com a cabeça na Taça de Portugal e não em Basileia.

O objectivo na Liga dos Campeões é fazer uma boa prova internacional, mas o objectivo na Taça de Portugal é o de vencer no Jamor, por isso Portimão é o mais importante dos dois jogos.

Confio em Jorge Jesus para transmitir a importância de ganhar uma Taça de Portugal que foge quase há 10 anos.

Basileia terá perdido o seu treinador por este ser muito bom, coisa rara, hoje em dia os treinadores costumam sair por serem considerados muito maus.

Será muito difícil e muito importante nas contas do apuramento o jogo em Basileia, onde o empate é bom e a vitória é óptima.

Bom início da época do nosso basquetebol com uma promissora vitória sobre o mais forte rival, podemos esperar também uma época de títulos."


Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Alerta

Finalmente, amanhã, após duas semanas, o Benfica regressa à competição. No último jogo, a equipa convenceu... os adeptos ficaram um pouco mais crentes. É possível obter sucesso nesta época desportiva? Sim, até agora os resultados têm sido positivos. Um ou outro empate 'desnecessário', mas a equipa tem demonstrado consistência, qualidade, vontade e crer. Além disso tacticamente o nosso treinador parece estar mais pragmático - o que é muito positivo.

Dito isto, não ganhámos nada. Um ou dois maus resultados, e tudo será posto em causa. Todos os jogos são muito importantes, independentemente da competição. Os abutres estão impacientemente à espera!!!

Assim, é necessário manter, a concentração total. Não podemos baixar a guarda. Todos os jogos são finais. Amanhã em Portimão será mais um jogo decisivo no sucesso da época, na Taça de Portugal, mas também no Campeonato - uma onda negativa, contamina todas as competições. Logo de seguida, os jogos com o Basileia podem decidir o nosso sucesso na Champions...

Rotação no máximo, ambição total... e é preciso evitar a euforia. Por outro lado é obrigatório manter o apoio incondicional e apaixonado à equipa, como aconteceu naqueles minutos finais do jogo com o Paços...

A Estónia, por favor, venha a Estónia!

"Vamos desejar que nos saia a Estónia porque a Bósnia e o Montenegro são tramados e a Turquia mete medo. Mas já nos safámos da República da Irlanda do senhor Trapattoni


NA sexta-feira da semana passada, depois de Nani marcar o seu segundo golo aos simpáticos islandeses, o público do Dragão desatou a cantar em coro o nome do dito Nani e qualquer pessoa com dois dedos de testa percebia logo que este torneio de qualificação para o Europeu de 2012 só podia acabar como acabou, ou seja, num desconserto completo e numa meia-aflição.

Tudo isto porque, como toda a gente sabe, o nosso Cristiano Ronaldo, excelente miúdo certamente, fica nervoso quando ouve o público a cantar nos estádios outro nome que não seja o dele. E o caso está a tornar-se bicudo.

Não espanta que em Espanha as plateias pró-Barcelona não parem de cantar o nome de Messi sempre que o nosso Cristiano Ronaldo toca na bola. São coisas lá deles, dos espanholitos, e ainda bem recentemente uma sondagem publicada no diário madrileno As desfazia o mito local da superioridade do Real Madrid em termos de adeptos.

De acordo com as respostas dos inquiridos, o Barcelona é o clube preferido dos espanhóis com 44% dos afectos recolhidos enquanto o Real Madrid é o clube mais detestado de Espanha, com 51% das intenções de desamor, seguido pelo Barcelona com 40% e do Sevilha com 30%.

Não admira assim que Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do Real Madrid, tenha de sofrer grandes amarguras de ego sempre que se vê longe do conforto do Santiago Bernabéu e perante público hostil que sabe perfeitamente como atazaná-lo onde lhe dói.

Também no último jogo do Real Madrid para a Liga dos Campeões, na Croácia, Ronaldo passou pelo mesmo tendo de suportar os cânticos pró-Messi dos adeptos do Dínamo de Zagreb. 'Não gostam de mim porque sou rico, giro e grande jogador', disse o português no fim do jogo. Nada disto espanta.

Já espantou, isso sim, que a moda de enervar o nosso Cristiano Ronaldo cantando por Messi tenha chegado a Chipre como se viu da última vez que a selecção foi lá jogar. Foi, admita-se, um despautério cipriota na ânsia de perturbar o capitão da selecção portuguesa. E perturbaram mesmo.

Viu-se no modo como Cristiano Ronaldo comemorou os golos que conseguiu marcar em Limassol, correndo para as bancadas com vontade de despachar aquele pessoal à estalada. Mais tarde, na conferência de imprensa, diria que estava habituado «a calar o público todo o ano» e nem uma vez sequer proferiu o nome de Lionel Messi.

Eu não sei o público que esteve no Dragão a assistir ao Portugal - Islândia tem noção deste transe em que vive o nosso Cristiano Ronaldo. Aparentemente não tiveram noção alguma e nem pensaram duas vezes antes de, em coro, clamarem por Nani em fundo musical.

É que o nosso Cristiano Ronaldo, por ser simples e bom miúdo, ainda pode admitir que haja uns «anormais» - como ele próprio sublinhou - que não o considerem o melhor jogador do mundo e que a ele prefiram aquele argentino pequenino, pouco ou nada giro, que joga em Barcelona. E, assim sendo, que cantem, gritem por Messi as vezes que muito bem quiserem e entenderem.

Isso é uma coisa...

Agora outra coisa é uma pessoa, como o nosso Cristiano Ronaldo, estar a jogar em solo pátrio contra inimigo estrangeiro e desatar o povo das bancadas não a entoar por Messi, graçola a que já está habituado, mas, pior ainda, a cantar por Nani, um simples compatriota que nunca sequer foi nomeado para a Bola de Ouro da FIFA.

Podem não acreditar, mas isto foi uma grande alfinetada no ego já dorido do capitão da nossa selecção que provou em casa, que horror, o fel da traição dos seus compatriotas.

Está, portanto, explicado este inacreditavelmente medíocre final de campanha rumo ao Europeu de 2012. É verdade que o início da campanha foi ainda pior, muito pior, mas o que fica são as últimas impressões e estas de Copenhaga são de molde a fazer esquecer rapidamente aquela série lamentável de insucessos que marcou o fim da era Carlos Queiroz com o próprio Queiroz in absentia, já posto a milhas pelos responsáveis da FPF.

É assim a vida, Paulo Bento. Enquanto hoje, Carlos Queiroz festeja a goleada que o seu Irão impôs ao Bahrein - logo por 6-0! - e assume todo o favoritismo do Grupo E da qualificação asiática, a nossa selecção vê-se obrigada a disputar o 'play-off' de qualificação para o Europeu de 2012 e com o credo na boca, porque nestas coisas, enfim, nunca se sabe...

Antes que o sorteio dite quem vamos ter por adversário - fica-se a saber amanhã - e admitindo que a nossa selecção se vá apresentar nos dois jogos decisivos da mesma forma como jogou com islandeses e dinamarqueses, nesse caso, por favor, vamos todos desejar que nos saia a Estónia porque a Bósnia e o Montenegro serão adversários tramados e a Turquia até mete medo.

Mas graças às contas dos rankings, já escapámos da República da Irlanda comandada pelo senhor Giovanni Trapattoni que percebe mais de futebol a dormir que muita gente acordada.


PINTO DA COSTA acreditava que Portugal se iria qualificar directamente em Copenhaga para o Europeu de 2012. De outra forma, jamais se arriscaria a acompanhar a selecção nacional.

Uma figura do porte político e desportivo como Pinto da Costa não pode fazer uns bons milhares de quilómetros para ir assistir a uma derrota ainda sem conclusão, para ir abençoar com a sua presença e com a sua áurea de triunfador uma carrada de incompetentes.

E foi precisamente isso que se passou.

No entanto, dizem-me que não, que não foi por causa do jogo da selecção que Pinto da Costa foi à Dinamarca. Que foi apenas e por causa das próximas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol.

Ora, no meu entender, nada disto faz sentido portanto adiante...


RÚBEN AMORIM, se me permitem a confissão, é o jogador do Benfica de que mais gosto. E não é por ser português. É por ser do Benfica. E por ser também ma boa cara, um bom sorriso e um excelente jogador como nos vem provando a todos há dois ou três anos.

Depois de passar uma semana fora da Luz, visto que foi chamado por Paulo Bento para integrar o grupo de seleccionados para os jogos com a Islândia e com a Dinamarca, Rúben Amorim voltou agora a casa para se reencontrar com os colegas e com Jorge Jesus.

Jorge Jesus, a propósito das declarações de Rúben Amorim sobre o que pensa Jesus ser diferente do que pensa Paulo Bento, disse no fim-de-semana passado que iria conversar com o jogador assim que ele regressasse dos trabalhos da selecção e que ambos, «com a inteligência de cada um», saberiam certamente resolver essa pequena desinteligência.

Não faço, nem ninguém faz, a mínima ideia do que Jorge Jesus terá dito por estes dias a Rúben Amorim sobre o assunto.

Talvez qualquer coisa deste género:

-Olha, Rúben, afinal o Paulo Bento pensa como eu, também te deixa sentado no banco a ver os outros a jogar...

Não há de ter sido assim, com certeza, que se passou o reencontro entre treinador e o jogador. Mas sem conhecer nem um nem outro, quase aposto que Jorge Jesus teve de se segurar todo para não lhe sair este remoque da boca para fora.


O presidente do Marítimo não se conforma com o desfecho do caso Kléber, o jogador brasileiro que transitou do Funchal para o Porto sem que chegasse meio cêntimo sequer à ilha da Madeira.

Carlos Pereira voltou a falar recentemente no assunto e, apesar da mágoa que lhe assiste, mostra-se confiante no fim do filme.

-A Justiça, encarregar-se-á de castigar os prevaricadores - disse.

Bom, é uma opinião.

Mas sente-se, Carlos Pereira, mais vale esperar sentado."


Leonor Pinhão, in A Bola


PS: Sobre os 6-0 que o Irão de Queiroz derrotou o Bahrein: aos 35 segundos da 1ª parte, um jogador do Bahrein levou um vermelho directo!!! Até o Queiroz poderá ser competente, com um apito amigo...!!!

Eleições e ficção

"O Clube A apoia (euforicamente) para presidente da Federação um ex-dirigente do Clube B. O Clube B, por sua vez, finge não o apoiar preferindo um ex-presidente do Clube C. O Clube C, por fim, recusou apoiar o seu ex-presidente.

Nas primárias para a leição, o Clube A passou ao lado de uma pré-candidatura de um seu ilustre sócio. O Clube C começou por preferir um outro pré-candidato ex-presidente da Liga, mas agora basta-lhe que seja um dos membros da equipa do candidato ex-dirigente da equipa do candidato ex-dirigente do Clube B e seu sucessor na Liga. E o Clube B diverte-se não exprimindo o seu apoio ao candidato que foi seu dirigente na direcção do presidente que agora não o apoia...

Para ser ainda mais divertido, consta que, entre os delegados que elegerão o presidente, todos ou alguns destes clubes não estão representados. Donde o órgão é eleito por delegados não eleitos ou não é escolhido por delegados eleitos.

Há órgãos eleitos por maioria e outros pelo métedo do complicativo. Senhor Hondt (segundo li, a Arbitragem, Disciplina e Justiça). Coisas de somenos - talvez assim se pense no Clube A ou C - quando comparadas com honrosas vive-presidências que serão generosamente oferecidas a estes Clubes, quem sabe para as selecções, o futebol feminino, o futsal e quejandos. E não é de estranhar que venham a regozijar-se com a Disciplina, deixando a Justiça, ingenuamente, para o Clube B. Quanto a arbitragem, tudo está bem quando acaba num duelo entre Vítor Pereira e... Paulo Costa, árbitro de boa memória para o Clube B.

Por fim, na Liga escolher-se-á um qualquer Medvedev, se possível com a oposição determinada do clube B e o aplauso excitante dos Clubes A e C.

Clube A, B ou C? Isto não é cá. É ficção."


Bagão Félix, in A Bola

O jardim zoológico de Queiroz

" 'O Paulo (Bento) que se concentre, prepare a equipa, isole-se e não ligue a essa bicharada, a esses dinossauros todos, que são pessoas que só destroem o futebol.'

Carlos Queiroz, ontem em entrevista à Antena 1


Primeiro foi a selva, quem ia com ele ou não, depois de um jogo no Brasil. Mais tarde o polvo, que era Amândio de Carvalho, vice-presidente da FPF, que afinal parece que se metamorfoseou e desde ontem é um dinossauro. Laurentino Dias, presume-se, é outro dos dinossauros. Haverá mais alguns animais no meio da bicharada?

Queiroz gosta de metáforas zoológicas. Está no direito dele, deverá ser algo relacionado com a sua experiência em Moçambique. Presumo que no seu jardim também haja pavões e catatuas, papagaios e sanguessugas, é só uma questão de esperarmos mais umas semanas para sabermos quem são.

Já eu, sou um rapaz da cidade, tenho um imaginário diferente. Tenho dificuldade em lembrar-me que a Federação Portuguesa de Futebol já não é na Praça da Alegria. Talvez depois das eleições de Dezembro, depois de há anos terem mudado as instalações, os dossiers, a estrutura toda para a Rua Alexandre Herculano, mudem também as mentalidades, e aí eu não tenha de fazer um esforço para me lembrar que a FPF já não está onde estava no século passado.

E Carlos Queiroz? Bem, Queiroz faz-me lembrar um tipo que encontrava sempre no Rossio, ali no começo da Rua do Ouro, que apregoava o fim do mundo a quem quer que passasse. Talvez tivesse razão, talvez um dia o mundo venha mesmo a acabar, mas das últimas vezes que o vi já ninguém ligava, já ninguém o ouvia..."


Hugo Vasconcelos, in A Bola

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Espírito de Campeão

"A goleada, a festa nas bancadas, o regresso de um grande Saviola, e a liderança (ainda que repartida) no Campeonato, trouxeram-nos, no passado fim-de-semana, a memória da saga de 2009/2010. Sentiu-se esse doce aroma no Estádio da Luz, porventura pela primeira vez desde que, numa certa tarde de Primavera, dois golos de Óscar Cardozo derrotaram o Rio Ave, e levaram para a rua milhões de pessoas em todo o mundo, numa inolvidável manifestação de fervor Benfiquista.

É cedo para tirar conclusões acerca do que poderá acontecer durante uma temporada que ainda está longe de chegar a meio. E é sempre inoportuno embandeirar em arco, até porque a concorrência mais directa não dá grandes sinais de cedência (FC Porto continua em primeiro lugar, e o Sporting vem a fazer uma recuperação notável). Há que dizer também, em nome da verdade, que o Paços de Ferreira surgiu na Luz bastante enfraquecido pelas múltiplas ausências de jogadores lesionados e castigados, não sendo, de todo, a equipa que na última temporada (com David Simão, Nelson Oliveira, Pizzi entre outros) triunfou em Alvalade e em Braga, e vendeu cara a derrota na final da Taça da Liga.


Um Benfica à medida do fato de campeão

Mas se olharmos para o que esta época já nos deu, vemos um Benfica imbatível (treze jogos oficiais, zero derrotas), que está na frente da Liga, que ultrapassou com distinção duas difíceis pré-eliminatórias europeias, que entrou na Fase de Grupos da Champions League impondo um empate ao todo poderoso Manchester United, que ganhou na Roménia, e cujo registo global só um triste empate em Barcelos impediu de se cruzar com a perfeição. Quase sem nos darmos conta, temos um Benfica à medida do fato de campeão, que há dois anos tão bem lhe assentou.

A última temporada trouxe, entretanto, traumas que custaram a cicatrizar. Não foi - como aqui disse em várias ocasiões, e ao contrário da imagem que prevaleceu - uma época totalmente desastrosa (ainda assim, 2.º lugar, meias-finais europeias, Taça da Liga, 18 vitórias consecutivas), mas foi uma época marcada por derrotas particularmente dolorosas, mais até pelas circunstâncias que as rodearam do que propriamente pelos factos em si. Houve azar, houve obstáculos à preparação e visível mão da arbitragem, que nos ceifou permaturamente as aspirações no Campeonato, nos retirou da Taça de Portugal (com um esquecido golo de Hulk em fora-de-jogo), e até na Liga Europa se fez sentir - pois a malfadada jornada de Braga poderia ter tido outro desfecho se o golo solitário da partida (em lance onde Cardozo é claramente impedido de chegar à bola por um adversário) tivesse sido invalidado, como se impunha.

O que ficou foram os resultados, e a memória do sofrimento e da angústia. E isso levou a que muitos benfiquistas olhassem para o regresso às competições com o pé da precaução bem atrás do olhar da confiança. A última semana terá feito render mais alguns cépticos, e pouco a pouco a onda vermelha vai tornando a sua mais viva cor. O Benfica vai ganhando, evidência solidez, e é neste momento, pelo menos, tão favorito como o FC Porto à conquista do título, o que representa generalizadas quando se iniciou a pré-temporada.


As encomendas continuam...

Um resultado que pareceu de encomenda (pelo menos, pareceu), permitiu ao conjunto portista manter, em Coimbra, ante uma equipa orientada por Pedro Emanuel, a liderança aritmética da prova, e um suplemento anímico de que andava urgentemente a necessitar. Nem outra coisa seria de esperar de uma partida onde, acontecesse o que acontecesse, se sentia que alguma coisa haveria de guiar o FC Porto à vitória (e os golos de que necessitava para se manter à nossa frente, sabendo-se o quanto esse simbolismo pesa por aquelas bandas). A estrutura é poderosa, e não brinca em serviço, sobretudo quando as circunstâncias são difíceis. E três jogos consecutivos sem ganhar já estavam a fazer mossa.

O que o Benfica mostrou (e tem mostrado) deixa, no entanto, muitas esperanças no ar. A equipa de Jesus está cada vez mais forte, e não vai - certamente - perder muitos pontos. O leque de opções é vasto, e a flexibilidade táctica parece até mais substancial do que a do ano do último título. Olhando para o perfil deste plantel, e para a consistência que a equipa tem revelado jogo após jogo, temos todos os motivos para confiar numa época de grandes sucessos.

Terá sido a noite de sábado um sinal disso mesmo? Acreditemos que sim."


Luís Fialho, in O Benfica

À boleia

"A Seleção Nacional voltou a viajar ontem com uma comitiva de adeptos de alto coturno, oficializando em momento oportuno o fim da crise de valores, da falta de liderança e da perda de identidade que a afetavam há uns tempos. Com tão solidários apoiantes, até o sorumbático Gilberto Madaíl voltou a aparecer aos microfones, sorridente e prazenteiro, pronto para arrecadar os salamaleques e honrarias que o sistema, venerando e obrigado, houver por bem destinar-lhe para a reforma.

Indiferentes ao folclore, selecionador e jogadores aprestam-se a servir hoje ao país o resultado desejado com todo o profissionalismo e alguma sobranceria pelo regresso à sua intimidade dos padrinhos e afilhados da grande família da bola. Quando tudo se desmorona neste Jardim de contas de sumir e o pessimismo toma conta dos portugueses, sabe bem acender a pantalha, como se ligássemos a máquina do tempo e caíssemos outra vez no tempo dos bitaites, ao ver por lá desfilarem os grandes líderes do triunfalismo, inalando a fumaça dos havanos de quem paga as despesas e arrecada o dinheiro grosso.

Esta viagem à Dinamarca sugere que tudo vai bem no reino da bola: um presidente no seu posto, selecionador em estado de graça, jogadores bons, ricos e famosos, uma sequência de resultados sem precedentes. O cenário ideal para atrair apoios, para fazer amigos, para empolgar políticos. E no regresso, entre uns brindes e umas larachas lapidares, os últimos pormenores da divisão de poderes acabarão acertados e garantidos para mais dez campeonatos.

Agora que as eleições da Federação se apresentam decididas, antes de a opinião pública ter sequer conhecimento dos propósitos e orientações da futura liderança, para lá da desvenda avulsa de dois ou três nomes benignos, esta fulminante transição ofensiva do eixo dominante promete deixar de rastos por muitos e bons anos os paladinos da verdade desportiva que optaram por aderir também a este xito da modernidade, hipotecando para as calendas o nobre anseio de jogo limpo e transparente.

Como um golpe palaciano em democracia terceiro-mundista, a Liga apaga-se e a Federação recupera o protagonismo. A autoridade transfere-se e o poder torna-se opaco e sem escrutínio. Os clubes que, durante tantos anos, lutaram pela autonomia de um comando executivo autónomo na gestão do futebol-espetáculo, entregam-se agora, alegres e inconscientes, nos meandros dos jogos de influências e das interdependências políticas e regionalistas. E ainda aplaudem.

O futuro presidente da FPF deixa um lugar vazio na Liga que ninguém parece preocupado em preencher. Leva com ele os livros de faturas de Arbitragem, Disciplina e Justiça e isso sim é inquietante. Este inesperado, mas revelador, desfile de vaidades à boleia da Seleção demonstra quem são os poderosos que ainda põem e dispõem neste mundo. E quando se percebe a sua força, com uma capacidade de regeneração e desfaçatez sem limites, sejamos indulgentes para a capitulação de Benfica e Sporting, agarrados à boleia do imparável cavalo de Tróia que leva a impunidade de volta ao coração do futebol nacional: como não os podiam vencer, juntam-se a eles."


A Liga dos últimos, primeiro

"Voltou a Liga dos Últimos! Com a mesma ideia, mas renovado e diversificado. Com o humor na dose certa e no sempre difícil compromisso entre o delicioso pormenor junto das pessoas simples e o respeito pela singeleza das suas vidas. Sem jocosidade, com personalidade. Dando provas de que o humor é um acto de inteligência. Que, por isso, não se planta. Semeia-se. Não pega de estaca. Precisa sempre de uma estufa dedicada. Como o é a Liga dos Últimos.

Um bom serviço público protagonizado saudavelmente por Álvaro Costa e Hernâni Gonçalves. Num tempo em que se anda atrás da definição do dito serviço público por via de tecnicalidades livrescas. Uns refrescantes minutos no intervalo da televisão igual à igual. Que nos dão a conhecer o que quotidianamente se omite ou esconde a não ser na busca do incidente e do mal.

Vejo este programa - relegado estupidamente para a segunda divisão do serviço público de televisão (RTP i) - e recordo-me do que, um dia, Miguel Torga escreveu: «na cidade, sou uma ficção entre ficções; na aldeia sou uma criança entre criaturas».

A cidade é aqui a overdose de programas insuportável e doentiamente parciais sobre o futebol de primeira. Sobre ficções. Que manipulam. E a aldeia reside aqui na descoberta dos esquecidos ou ignorados. Sobre criaturas. Que sonham.

Eu sei que o que conta são as audiências e o sangue de cada momento televisivo sobre os jogos de primeira.

Mas, pela minha parte, ainda gosto do futebol como «um reino de liberdade humana exercida ao ar livre», na feliz expressão de António Gramcsi. É este romantismo fora do tempo que encontro da Liga dos Últimos fora da norma. Um programa saudavelmente insurrecto!"


Bagão Félix, in A Bola

Carta aberta a JJ

"Caro Jorge Jesus: a nossa relação começou em amor e vai percorrendo os difíceis trilhos do desamor, às vezes profundo. Outras toca a raiva, outras a bonança. E estes têm sido tempos bons para o Benfica. Mas... há sempre uns “mas”.

A nossa defesa, JJ. O Artur é uma muralha quase invencível. O Garay, que ainda este fim-de-semana disse que o fazes sentir importante, faz uma bela dupla com o Senhor Capitão. Mas o que é que se passa quando ficam todos parados a ver a bola passar e o adversário marcar (ou tentar)? Estas “brancas amnésicas”, como lhes chamo, custam-nos o primeiro lugar isolado, porque o FCP tem uma defesa bem menos batida que a nossa. Este é o meu principal “mas”.

Preocupa-me também o rendimento do Witsel. Tem potencialidades de herói, mas tem perdido combatividade. E vê lá se pões o Javi a dar umas lições valentes ao Matic, que o miúdo faz-se mas ainda não faz o lugar. E o Capdevila, confessa lá, o que é que tens contra o campeão de tudo o que há para “campeonar”? O Emerson não tem falhado, mas caramba, míster, estamos todos à espera para ver o espanhol.

No meio-campo, parabéns. Genuínos. Deste ao Aimar a única coisa que ele precisava para ser o verdadeiro “El Mago”: condição física. Não sei como é que conseguiste esse milagre, mas está conseguido. Também te tiro o chapéu quanto ao Gaitán: quando não dávamos nada por ele, acreditaste. O problema é que o rapaz gosta mais da esquerda do que eu de gelado de chocolate. E o Nolito e o Chuta-Chuta são concorrência dura. Por fim, o Cardozo. É notório que não posso com ele. Queria ver-te ser um treinador raçudo e dar ao Rodrigo e ao Nélson Oliveira – a este, a este – oportunidades reais. Talvez fizéssemos temporariamente as pazes.

Jesus, o nosso amor não tem volta. Mas enquanto dominarmos as estatísticas de ataque, com 18,6% de golos por remate, e tivermos o 1.º lugar e a Champions, o nosso convívio é menos difícil. Bom trabalho, míster."




PS: Não costumo 'postar' as opiniões da Marta Rebelo, raramente concordo ela, algumas até as acho ofensivas para o Benfica... hoje também não concordo com tudo, mas todos nós somos treinadores de bancada, e temos direito à nossa opinião... o importante é que independentemente das nossas visões tácticas, às vezes diferentes das opções do Jesus, temos que admitir que o nosso Mister está no global a fazer um bom trabalho...

Liga: para onde vais?

"O processo eleitoral na FPF mostra que os contorcionismos são surpreendentes, em nome de exposição, algum poder e as linhas de um “projeto”. É o tempo de se conquistar exaustivamente para a “lista” quem se espezinhou no passado; agora é o tempo de prolongar o “consenso” com nomes elogiados pelos arautos de uma “nova era”. O “power point” está pronto e a “literatura” afinada. As avenças escondidas passam para outro espaço. Até ao fim do mês, após a desistência de Soares Franco, espera-se pouco, a não ser política e “papers” a rodar pelas cadeiras. Enquanto se constrói a (quase) unanimidade pedida, o presidente “exaustivo” está a caminho. Até já pediu audiência na confederação, que será o destino ansiado, abrindo nessa altura a sucessão. Está montado um círculo de curto e médio prazo, que não resistiria a um conjunto de lideranças inovadoras… Não será o caso, mas que era mais interessante do que o óbvio, lá isso era.

Se o óbvio acontecer (ou mesmo que não aconteça), abre-se o maior desafio desde a sua fundação à Liga de Futebol Profissional. Em 2006, alguns prognosticaram que os órgãos então eleitos iriam ser uma comissão liquidatária de uma Liga decadente. Enganaram-se. Foi difícil estabelecer a antonímia com o passado. Mas consolidou-se, apesar das resistências geradas, o equilíbrio financeiro, a organização dos recursos humanos, a redefinição da imagem e da credibilidade das provas, a gestão mais profissional, a autonomia e a credibilidade das “áreas críticas” (arbitragem e disciplina), a transversalidade do rigor e da transparência. Depois de 2010, com o regime legal a esvaziar a Liga, seria o tempo ideal para implantar o grande desafio da sua reconversão, sem arbitragem e sem a disciplina das competições, mas com o futebol que se quer acompanhar. Era o tempo de largar as “amarras” que se eternizam (apostas e televisão, por exemplo) e montar em definitivo uma organização e uma indústria feitas para o interesse dos clubes. Já percebemos que esse desafio, além do “show off” e do “consenso” que tanto se preza por cá, não foi nem é para um qualquer “funcionário”.

A meio do mandato anterior da Liga, a UEFA revelou que o nosso principal campeonato ocupava o 10.º lugar em média de espectadores presentes nos estádios, atrás da Bélgica ou da Escócia. O panorama não mudou entretanto e mantém-se desolador. Um novo período de uma Liga robusta tem de começar por aqui – um “programa global” do adepto. Alguns traços: 1) impor a ocupação de 3/4 dos estádios através de ingressos baratos; 2) determinar pacotes familiares com custo baixo e “marketing” incorporado; 3) associação do adepto à aquisição de bens e serviços; 4) ajustamento dos horários televisivos; 5) transformar o estádio em lugar de animação. Um programa a quatro anos (Alemanha e França dão bons ensinamentos) que dê o poder das massas aos clubes. Com esse novo poder “sentado” nos estádios teríamos um futuro mais aberto no profissionalismo, num ciclo difícil, em que será mais do que muita a tentação de a Federação “engolir” a Liga. Falta saber, se assim for, quem vestirá a pele do carrasco..."


Derlis González

O contrato promessa já estava assinado a alguns meses, ontem, Derlis González em pleno Estádio da Luz, assinou definitivamente pelo Glorioso. Pouco depois da confirmação da vinda do Derlis para o Benfica, vi um jogo do Paraguai, num campeonato sul-americano, sinceramente já não me lembro do escalão(!!!), e fiquei agradado com a exibição do miúdo... é muito novo, tem alguns tiques de vedeta (tem que defender mais...), mas é tecnicamente evoluído, e é rápido... nestes dois dias foi comparado a quase todos os atacantes sul-americanos do Benfica, mas foi da boca dele que saiu a comparação mais acertada: Gaitán (a jogar pelo meio!!!). A decisão de o manter no Paraguai por enquanto também me parece acertada, espero que faça a pré-época do próximo ano, e no pior dos casos jogue na nossa futura equipa B, ou então seja emprestada como foi o Melagrejo.

Mas com todo o respeito pelo Derlis, a minha maior satisfação deste processo, foi poder ver novamente, em plena Catedral, Carlos Gamarra!!! (director do actual clube do Derlis). Apesar do pouco tempo que passou no Benfica, foi sem dúvida um dos melhores centrais a passar pelo Benfica. Ao nível de um Ricardo Gomes, ou Mozer, esteve pouco tempo no Benfica, se calhar por isso não seja tão recordado como outros, mas era um prazer ver jogar este 'Xerife', extremamente eficaz a defender, e que tinha uma caracteristica única para um defesa central: Não fazia faltas!!! Impressionante...


A revolução dos direitos televisivos

"A TVI e a SportTV se entretêm por cá na disputa dos direitos tv da Liga dos Campeões e da Liga Europa, e não só, lá fora está em curso uma revolução que promete virar de pernas para o ar o negócio das televisões no futebol. Um negócio que, considerando apenas as cinco Ligas mais importantes do continente, movimenta por ano para cima de 4 mil milhões de euros!!! Um bolo suculento que pode diminuir muito. Uma espécie de Lei Bosman. Tudo começou em 2005 num pub de Portsmouth, cuja proprietária utilizava um descodificador grego (que custa 10 vezes menos do que o da Sky) para mostrar aos clientes os jogos da Premier League. A contenda arrastou-se pelos tribunais até que em 2008 a Alta Corte inglesa decidiu remeter a questão para o tribunal da União Europeia no Luxemburgo.

A sentença foi conhecida há dias e deu razão à dona do bar. No essencial, diz o seguinte: 1-Proibir descodificadores estrangeiros é contrário à liberdade de circulação no território da União Europeia; 2-Qualquer pessoa pode ter em sua casa, para uso doméstico, descodificadores estrangeiros. No caso dos locais públicos a história é diferente porque estão ou podem estar em causa direitos de autor. As consequências que daqui advirão para as várias Ligas serão devastadoras. Fazer conjecturas é, para já, um salto no escuro. Uma hipótese é o surgimento de grandes concentrações tv que assegurariam os direitos para todos os países e eliminariam as pequenas emissoras, como as nossas. Quem já se mexe é a UEFA, que deixará de vender os direitos dos jogos europeus a cada um dos países para o fazer colectivamente a uma grande televisão ou agência. Desaparecerá, assim, o market pool que destina metade dos prémios às tvs locais em função das respectivas representações e mercados. E como será com os clubes?"


Manuel Martins de Sá, in A Bola

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Hall of Fame - Galeria dos nossos Campeões

Das promessas eleitorais da actual Direcção, em relação às infra-estruturas, aquela que ainda está em falta, é o Museu. Pelas notícias que nos vão chegando, já não faltará muito para que no Estádio da Luz, seja inaugurando o nosso grande Museu... O trabalho que está a ser feito na recuperação do nosso Património é exemplar, as expectativas estão altas, mesmo com algumas discripâncias estatísticas que têm sido tornadas públicas (que espero que sejam 'resolvidas', até porque o Benfica, está acima de qualquer problema de egos...), mas os Benfiquistas em geral, esperam que o Museu seja o novo Ex libris do Benfica...

A História, são títulos, são Taças, são momentos de glória, é o sofrimento, são os golos, é a festa, as viagens, as cores, os cheiros, os cânticos, as fotos, os abraços a desconhecidos... mas quando recordamos o passado, normalmente, indexamos as nossas memórias aos interpretes: jogadores, treinadores...

Os Americanos tem muitos defeitos, inventaram muita coisa completamente desnecessária, mas noutras coisas são incomparáveis. O tratamento que eles dão há sua História é extraordinário, alquimia pura, transformam o nada em ouro... O desporto não é excepção, a maquina de criação de mitos não pára, tudo gira à volta da criação de Heróis de carne e osso, ídolos do passado... O Benfica tem uma tradição colectiva, mas são individualidades como Eusébio, Coluna, Torres, etc... que fazem a História do Benfica... Colocar em exposição as Taças é importante, mas são as histórias de vida dos nossos Campeões que inspiram as gerações futuras.

As Ligas, e equipas Norte-Americanas 'descobriram' o sistema do Hall of Fame, mais do que os objectos de Museu, são as personalidades a maior atracção...

Na longa História do Sport Lisboa e Benfica temos muitos antigos atletas e treinadores que merecem tal distinção (futebol e modalidades), ter no futuro Museu do Benfica, uma secção tipo Hall of Fame (com outro nome), seria espectacular. Seria mesmo, a Sala mais importante de todo o Museu, seguramente... Um colega blog, Vedeta ou Marreta, faz um trabalho parecido, escolhendo por eleição as referências do Benfica. Pessoalmente julgo que o critério tinha que ser ainda mais apertado, só os 'Grandes' tinham direito a figurar na lista. Existem muitos sistemas diferentes para eleger os homenageados: por eleição dos adeptos, comissão nomeada em Assembleia Geral... Obviamente existem particularidades que devem ser acauteladas, eu por exemplo acho que dirigentes e adeptos deveriam ficar de 'fora' desta distinção, as Águias de Ouro devem ser a referência para estes casos.

A Praça dos Hérois foi uma boa ideia, também estou curioso para ver o aspecto em redor da estátua do Eusébio, é uma ideia comercial com mérito, mas um espaço como o Monument Park dos Yankees em redor do Estádio da Luz, com as nossas grandes referências do passado, seria de certeza um local de peregrinação...!!!

Aqui fica o meu contributo, tal como aconteceu com a retirada do azul da TMN das camisolas do Glorioso, seria interessante criar movimentos idênticos para outras 'metas', esta parece-me justa...!!!

Deixo aqui algumas fotos e vídeos de Hall of Fame e Museus desportivos. Os bustos no Hall of Fame da NFL são os meus favoritos, o sistema vídeo do Hall of Fame dos New England Patriots é espectacular, o Monument Park dos Yankees é exemplar. Sou da opinião que neste caso os Europeus tem muito que apreender com os Americanos:



NFL Hall of Fame Gallery

Boston Red Sox Hall of Fame



Monument Park Yankee Stadium







Panchito para sempre...



«No Benfica vestia a camisola e arrepiava-me, sentia pele de galinha. O apoio que tínhamos era impressionante. Acabavam os jogos e ficava uma hora a dar autógrafos e a tirar fotos. Fazia-o com toda a alegria. Gostava de ter terminado a carreira aí»
«Foi o único clube onde joguei e que fiquei adepto. No Benfica podiam deixar de pagar durante muito tempo que eu jogava à mesma»
Panchito Velázquez

O Mundo está de pernas para o ar...

"O principal 'inimigo' de Fernando Gomes, ex-administrador da SAD do FC Porto, é Lourenço Pinto, presidente da AF Porto...


Godinho Lopes anunciou no sábado o apoio do Sporting à candidatura de Fernando Gomes. Os leões juntam-se assim a uma lista onde constam também Benfica, Belenenses, Estoril-Praia e Atlético. Ou seja, todos os clubes da AF Lisboa (AFL) que militam no futebol profissional estão com Fernando Gomes. Porém, a posição do presidente da AFL continua longe de ser clara. Nesta altura, só uma tendência suicidária poderá levar Carlos Ribeiro a não saber interpretar o sentido das declarações de intenções dos cinco clubes profissionais da sua associação, aliás aqueles com peso eleitoral decisivo nesse microcosmos. Ora, nesta altura do campeonato, as dúvidas existenciais de Carlos Ribeiro (que durante muito tempo andou de braço dado com o presidente da AF Porto, Lourenço Pinto, recorde-se, na questão dos estatutos, tendo sido aconselhado, entretanto, pelos seus clubes, a rever a posição, coisa que fez...) representam um embaraço para a associação e... para o próprio.

Nesta altura, começa a ser claro que a lista de Fernando Gomes está muitíssimo bem lançada para a vitória e nomes como os de Hermínio Loureiro, Humberto Coelho, Pauleta ou Mónica Jorge só a credibilizam. Mas a Direcção e a mesa da AG da FPF são eleitos em bloco, enquanto aos outros órgãos, nomeadamente a Arbitragem (menina dos olhos, historicamente, da AF Porto...) aplica-se o método de Hondt.

Assim, o afã de algumas associações, onde Lourenço Pinto tem assumido papel preponderante, em encontrar carne para canhão para uma lista que se percebe estar condenada ao fracasso, só colhe explicação se servir de dama-de-companhia de outra lista, essa para a Arbitragem (a oportunidade de controlo desse sector, criada pelo seu regresso ao seio da FPF, é tentadora de mais para quem tem saudade do tempo dos xitos...) potenciadora de outro tipo de negociação pré-eleitoral, que lute contra Vítor Pereira, apoiado por Fernando Gomes.

Em resumo, clubes de Lisboa (e não só, registe-se, porque o apoio é transversal, no País) com Fernando Gomes e, especialmente, a AF Porto, presidida por Lourenço Pinto, amigo do peito de Pinto da Costa, contra o ex-administrador da SAD portista. Houve quem duvidasse que isto fosse possível; hoje está à vista de todos...

..."


José Manuel Delgado, in A Bola

Parabéns Bruno...



O 3º lugar do Bruno Pais, no México, em mais uma etapa da Taça do Mundo de Triatlo, é um excelente sinal. Nas 'vésperas' do ano Olímpico, aquele que tem sido o nosso melhor triatleta masculino dos últimos anos, volta aos bons resultados. Quando as atenções, e esperanças nacionais começavam a apontar somente para o João Silva, o Bruno com este resultado vem relembrar que ainda tem muito para dar à modalidade...

Suor



Corruptos 63 - 65 Benfica

21-16, 16-15, 17-12, 9-22



Não vi o jogo, mas seguindo as estatísticas e os comentários, foi mais uma vitória épica do Glorioso. Jogando mal a maior parte do tempo, principalmente a atacar, sem 3 jogadores lesionados, com um treinador novo, com vários jogadores novos, com 3 jogadores a serem excluídos por faltas, com o Sérgio Ramos aos 2 minutos de jogo a levar com a 3ª falta(!!!), o Benfica venceu mais um troféu... não é o Campeonato, mas uma vitória sobre os Corruptos, é sempre saborosa, ainda por cima com mais uma 'remontada' final, além disso é sempre agradável ouvir as lamurias do Moncho, talvez o mais incompetente treinador de Basket que eu me lembre!!! Também parece que o Andrade andou durante o jogo todo a fazer o seu 'normal' trabalho de 'bater', provocar e atirar-se para a 'piscina', e no final perdeu!!!

Pode ter falhado muitos lançamentos durante o jogo, mas quando a coisa 'aqueceu' (4º período) o Ted Scott marcou 9 pontos (8 no resto do jogo!!!), não querendo comparar o incomparável, o nosso actual treinador quando jogava (os mais jovens não se devem lembrar), também teve jogos menos conseguidos, mas nos momentos decisivos de todos os jogos, ele aparecia, marcava, e normalmente decidia!!! Recordo-me de uma entrevista de Carlos Lisboa pouco tempo depois de deixar de jogar, onde ele descrevia o espírito do balneário do Benfica, 'imbatível' na altura, disse qualquer coisa assim: "Nós até podíamos ter os nossos conflitos pessoais, mas todos odiávamos PERDER, por mais vitórias e títulos que ganhávamos, a DERROTA não passava pela cabeça de ninguém, essa coisa de ganhar ou perder ser Desporto, é treta, das poucas vezes que não ganhávamos aquele balneário ficava 'impróprio para consumo'...!!!" Este é o espírito que se deseja...

domingo, 9 de outubro de 2011

Sofrimento desnecessário !!!



Benfica 6 - 4 Freixieiro



Jogo bastante difícil, com a equipa a defender mal, e a perder a 'calma' em várias ocasiões... Marcávamos um golo, pensávamos que o jogo ficaria mais fácil, e logo de seguida sofríamos um golo, voltando a repor a vantagem mínima, jogo muito 'chato'!!! (O Marcão esteve mal em pelo menos 2 golos sofridos) Caímos na esparrela das faltas, depois da primeira parte estava na 'cara', que só haveria faltas contra o Benfica na segunda, assim jogámos os últimos 8 minutos do jogo 'tapados' com faltas!!!

De positivo, além dos 3 pontos, foram os 6 golos marcados por jogadores diferentes, sem que o Joel tenha 'molhado o bico'!!! Desta vez, o nosso 'abono de família' não marcou, não foi preciso... o César também ainda não regressou...

sábado, 8 de outubro de 2011

A subir...




São Bernardo 16 - 28 Benfica



Não vi o jogo, mas olhando para o resultado, só tenho que elogiar os 16 golos sofridos!!! Existem duas hipóteses: ou o São Bernardo atacou muito mal, ou o Benfica defendeu muito bem!!! Tendo em conta aquilo que se passou no jogo com ABC na Luz, é muito provável que tenha sido novamente a defesa do Benfica a estar em evidência. Aliás o treinador já admitiu que o seu grande objectivo imediato é colocar o Benfica a defender impiedosamente!!! Numa equipa que em muitos jogos parece alheada dos jogos, esta estratégia é sem dúvida a mais acertada... na crónica ao jogo do ABC escrevi que o Benfica a defender com aquela agressividade, em Portugal, não perde com ninguém!!! (como seria de esperar o Madeira SAD depois de ganhar ao Benfica já vai com 2 derrotas em 2 jogos!!! Só marram no vermelho...!!!)

Estreou-se hoje o nosso novo guarda-redes Sueco, David Andersson, devido à lesão do Ferreirinho (prolongada), fomos obrigados a contratar mais um jogador...



PS: Não é atleta do Benfica, mas é Benfiquista: Hélder Rodrigues sagrou-se hoje Campeão do Mundo de Todo-o-Terreno em Motos. Muitos Parabéns Hélder...

Nesta modalidade motorizada, o Dakar acaba por ser mais importante do que o Campeonato do Mundo, portanto o grande objectivo da temporada ainda está por cumprir, força e velocidade Hélder!!!

Difícil !!!




Benfica 3 - 1 Sp. Caldas

25-17, 23-25, 25-18, 25-21


O maior obstáculo do prof. Jardim durante a maior parte da época, vai ser manter os níveis de motivação elevados. Hoje voltámos a facilitar em vários momentos, e contra uma boa equipa, com muita garra, deixamos que eles acreditassem na surpresa. Felizmente acordámos, e as coisas resolveram-se, mas os parciais não demonstram as dificuldades que o Benfica teve em ganhar este jogo. E nem se pode afirmar que o Benfica foi surpreendido, porque nos últimos 3 anos, estas duas equipas efectuaram inúmeros jogos de treino em conjunto, portanto o conhecimento mútuo é grande... E deixo já aqui o aviso: na 2ª volta, no pavilhão D. Leonor, se o Benfica não quiser ter uma desilusão é melhor ir preparado para competir!!!


Uma palavra para o Caldas (meus vizinhos): Excelente jogo, comparando o primeiro jogo na A1 há dois anos, e hoje: praticamente com os mesmos jogadores, a evolução é enorme... Com jogadores da 'terra', formados no clube, numa região com poucas tradições em desporto de alta competição (algo que está a mudar, em várias modalidades...), com um orçamento mínimo, numa época onde os orçamentos de muitas equipas adversárias (equipas 'municipais'...) vão sofrer cortes significativos (troika!!!), onde vai ser difícil continuar a 'importar' camionetas de estrangeiros (principalmente Brasileiros...), esta equipa do Sp. Caldas mantendo esta atitude, sem lesões, vai concerteza garantir o objectivo principal, que é a manutenção, mas com um bocadinho de sorte, até pode aspirar ao 6º lugar que dá acesso à 2ª fase...!!! Se bem me recordo, o Benfica o ano passado na 1ª fase não perdeu um único Set em casa, houve algum demérito do Benfica, mas também houve mérito do Sp. Caldas.

Meia-final do Troféu António Pratas



Lusitânia 64 - 110 Benfica



Olhando para a estatística realço os muitos minutos dos 'miúdos': Ferreirinho (13,34m), Monteiro (9,37m). Sendo que dos mais utilizados o Gentry com 25,50m foi o que mais tempo teve em campo, isto quer dizer que houve uma clara preocupação em proteger todos os jogadores, para que amanhã na final com os Corruptos a equipa esteja mais 'fresca'!!!

Continuamos sem o Ben, o Barroso e o Betinho, mas mesmo a rodar, marcámos 110 pontos, só espero que amanhã, os pontos a mais de hoje, não façam falta...!!!

Anti-climax

"O Benfica jogou para a Liga Portuguesa no dia 1 de Outubro. Só voltará a jogar, em Aveiro, no dia 22 de Outubro. Temos, portanto, 21 dias de interregno, três semanas sem Campeonato, justamente numa fase em que as coisas começavam a aquecer na luta pelos lugares cimeiros.

Mesmo que, no plano pessoal, de certa forma até me agrade uma pausa futebolística que permita, por exemplo, pôr as leituras em dia, em termos de competição, e sobretudo de espectáculo, não posso compreender tão absurda calendarização.

Tenho defendido que os jogos de qualificação das selecções deveriam ser concentrados no Verão anterior ao das fases finais. Ou seja, em Junho de 2011 jogava-se a qualificação para o Euro 2012, em Junho de 2013 disputava-se o apuramento para o Mundial de 2014, e assim sucessivamente. Ganhava a qualidade do Futebol, pois as selecções dispunham de maior tempo de preparação conjunta; cresciam as audiências, sabendo-se que nessa altura o Futebol de clube está fechado para férias, e os adeptos estariam com maior predisposição para encarar o patriótico espírito de Selecção; e evitava esta intromissão quase abusiva nos calendários competitivos dos clubes, que não serve às selecções, não serve aos jogadores, não serve aos adeptos, não serve aos adeptos, e não serve o Futebol (talvez sirva alguns interesses em redor da FIFA).

Também as Taças domésticas (tanto a de Portugal, como a da Liga) poderiam, e deviam, ser concentradas numa altura específica do ano. Por exemplo em Janeiro, quando o mercado de transferências está aberto (outro absurdo), e como marco separador da primeira e segunda volta do Campeonato (uma terminando no fim de Dezembro, outra iniciando-se em Fevereiro). Teríamos, pois, uma volta inteira sem pausas, as eliminatórias das Taças, outra volta inteira sem pausas, as finais das Taças, e por fim as selecções.

Se no plano internacional estamos dependentes dos desígnios e humores da FIFA, quanto ao resto, com um pequeno esforço organizativo, talvez fosse possível mudar. O adepto agradecia."


Luís Fialho, in O Benfica


PS: O Fialho 'esqueceu-se' das competições europeias (Champions e Euroliga)!!! Concordo com a demarcação das épocas (clubes/selecções), mas também gostaria de ver uma altura do ano dedicada especificamente às competições europeias (as equipas que não se qualificarem para as competições europeias poderiam ter uma II Taça da Liga, como competição de consolação, para manterem a actividade...). Após o final dos Campeonatos europeus, 45 dias (mês e meio), seria suficiente para realizar a Champions e a Euroliga:

-Taça da Liga como torneio de pré-época em Agosto, Campeonatos a começar em Setembro e a terminar final de Março, principio de Abril; Competições Europeias de Abril a final de Maio; Selecções até ao início de Julho!!! A única competição que podia 'durar' toda a época seria a Taça Nacional (da Federação), desde que houvesse uma coordenação Europeia na marcação das datas em todos os países, simultâneamente (ou então seria jogada tal como o Fialho 'recomenda' entre a 1.ª e a 2.ª volta dos respectivos Campeonatos)...

Os maiores

"1. Duas notícias (importantes mas que terão passado despercebidas a muita gente) da passada sexta-feira. Numa delas, refere que o Benfica é o 8.º de sempre da Liga dos Campeões, num ranking elaborado pelo jornal francês L'Équipe, fundador da competição, que atribui pontos aos vencedores, finalistas vencidos, semi-finalistas e clubes que atingem os quartos-de-final. O Benfica soma 217 pontos contra 138 do FC Porto (11.º) e apenas 39 do Sporting (48.º). A outra notícia salienta que o Benfica é o único Clube português que entra no top-30 das marcas mais valiosas do Futebol europeu, sendo avaliado em 56 milhões de euros (28.º lugar), segundo o relatório anual da consultora Brand Finance. A classificação é liderada por Manchester United, seguido do Real Madrid e Barcelona.


2. 'O FC Porto é um grande clube europeu em termos de ranking mas pequeno no tratamento destas questões, porque se não tinha capacidade financeira para adquirir dois dos nossos melhores jogadores, não deviam ter negociado' (...) 'Não se preocuparam em dar-nos uma explicação, apesar das nossas inúmeras tentativas para chegar à fala com algum responsável'. As queixas, transcritas no insuspeito 'O Jogo', são de Pierre François, director-geral do Standard de Liège, que acusa o FC Porto de ainda não ter pago, conforme o acordado, os passes de Defour e Mangala, adquiridos em Agosto por 6 e 6,5 milhões de euros, respectivamente. Mas o director-geral do clube belga disse mais: 'O Benfica teve um comportamento completamente diferente e procedeu ao pagamento acordado, mal recebeu o certificado internacional de Witsel.' É um dirigente belga quem o afirma...


3. A polícia fez agora uma rusga à Juventude Leonina, de que resultou uma prisão preventiva e oito elementos com termo de identidade e residência, quatro deles impedidos de ir a jogos. Os No Name Boys já haviam sido alvo de investigação idêntica há uns meses. Estes (e outros) grupos de adeptos integram numerosos elementos muito válidos, que têm como (louvável) objectivo o apoio aos seus clubes. Mas, infelizmente, albergam no seu seio também alguns elementos indesejáveis, que devem ser irradiados do Futebol e devidamente punidos. Só se estranha é que as acções (louváveis) levadas a cabo em Lisboa não sejam seguidas a Norte do País, onde haveria - certamente - muito para 'limpar'..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Em Proença-a-Nova

"Os telespectadores pediram e a Benfica TV tornou possível. A ideia de João Gomes, presidente da Casa do Benfica de Coimbra, rapidamente alastrou ao restante auditório do canal. Milhares de chamadas, de pedidos, de emoções expressas tornaram o evento inevitável. E, após Vila de Rei, naquele que foi o encontro mais central possível, para reunir adeptos de todos os cantos de Portugal, veio Proença-a-Nova em 2011, a 1 de Outubro.

Pelo segundo ano consecutivo o programa «Em Linha» realizou o seu almoço, reunindo o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, os responsáveis pelas Casas do Benfica, os profissionais da televisão do Clube e os benfiquistas que diariamente sintonizam o canal. É uma festa que se quer repetida enquanto o 'Em Linha' existir.

Entre participantes, debateram-se sugestões de uma data fixa, de um pic-nic e até da organização de uma competição específica - malha, damas, dominó, ou outras - no mesmo dia. A organização, liderada pelo homem do projecto das casas, Jorge Jacinto, contou ainda com outra figura que constitui um motivo de orgulho para os benfiquistas: Ricardo Araújo Pereira. Desde 2008 que a Benfica TV convida o Ricardo, bem como o Tiago Dores e o Miguel Góis, para abrilhantar a antena com o humor certeiro e corrosivo, visceralmente vermelho e incondicionalmente glorioso, mas mesmo sem os ter presentes com a frequência desejada a verdade é que ocasiões como a de Sábado passado servem para matar saudades. Com amigos como o RAP e como os telespectadores que nos observam e apoiam todos os dias, a Benfica TV está bem e recomenda-se.

Obrigado a todos quantos nos fazem trabalhar melhor em nome do Clube que nos une. E até ao almoço de 2012 marcamos encontro neste canal, dia após dia, à hora do costume."


Ricardo Palacin, in O Benfica

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Superiores



Benfica 3 - 0 Marítimo

25-18, 25-11, 25-15


Uma entrada no jogo ainda a 'festejar' a vitória da Supertaça, deu mau resultado... obrigando o professor Jardim a 'puxar' (aos gritos) pela equipa... o facto da equipa ter começado o jogo com muitos jogadores novos não é desculpa... Só a partir do 2º tempo técnico, a equipa começou a 'carburar'!!! A dupla substituição, para manter o Distribuidor em zona defensiva, mesmo que temporária, teve um impacto muito positivo, o Gaspar e o Miguel neste momento têm outro andamento!!!

Das novidades, destaco o Ché, depois do mau início, embalou e esteve muito bem. O Kock também não engana, falta algum entrosamento, mas tem qualidade... Na minha opinião só o Kibinho esteve abaixo do esperado.

Dos 7 titulares (com o Libero) da Supertaça, só o Flávio Cruz, o Zelão e o João Coelho jogaram a titular (o Magalhães entrou para fazer alguns minutinhos), o Gaspar e o Miguel tiveram duas entradas curtas, mas importantes... apesar da grande diferença de valor do nosso opositor de hoje, provou-se que o plantel desta época é mais equilibrado, algo que o professor Jardim vai aproveitar para rodar todos os jogadores durante as muitas jornadas duplas deste Campeonato.

Admiração por Jorge Jesus

"Jorge Jesus é o melhor treinador que o Benfica teve nos últimos 15 anos. Não por dar grandes conferências de Imprensa - nisso Quique Flores era melhor -, não por falar fluentemente muitas línguas - aspecto em que Jupp Heynkes era superior -, não por usar elegantes fatos dos melhores alfaiates -, nisso Trapattoni seria imbatível -, mas pelo simples facto de pôr o Benfica a jogar o melhor e mais bonito futebol. Apenas por perceber de futebol.

Das duas épocas que treinou o Benfica, uma foi a melhor dos últimos 15 anos e na outra, que não foi boa e ficou aquém dos objectivos, ganhou um título, levou a equipa a uma meia final europeia (soube a pouco) e a desgraça do Campeonato foi ser segundo.

Jorge Jesus terá defeitos, como todos, terá até coisas em que pode melhorar, mas não lhe reconhecer que revolucionou para melhor o futebol do Benfica é de uma injustiça que não aceito, e falta paciência para alguns intelectuais de pacotilha.

Não sei o que ganhará este ano, mas sei que vai disputar todos os jogos com uma ambição de ganhar, sei também que o Benfica vai jogar bem e marcar muitos golos. Assim gosto mais de ir ao estádio.

Eu assumo a minha admiração pelo treinador de futebol Jorge Jesus que não espero que ganhe o Nobel da literatura, mas sei que tudo fará para pôr o Benfica campeão.

Sobre Aimar penso a mesma coisa que Messi: é o meu herói, joga como poucos e delícia quem gosta de ver futebol bonito. Inteligência em movimento, arte pura quando abre o livro, o bilhete é sempre barato quando Aimar está em campo.

Boa vitória a de José Jardim na Supertaça de Voleibol na última quarta-feira. Foi muito justa a dedicatória a Rui Mourinha, homem que lidera a Secção há muitos anos, e passa agora por momentos difíceis. Parabéns José Jardim e força Rui Mourinha, que temos muitas conquistas para alcançar juntos."


Sílvio Cervan, in A Bola

Zombaria

"Foi um Benfica mais higiénico que bateu com toda a justeza o Paços de Ferreira? A verdade é que Javi Garcia não jogou. Javi Garcia? Esse mesmo. Aquele que é, na opinião de um tal Tavares, 'o jogador maus sujo da I Liga'. O conceito foi escrito no rescaldo da recente igualdade no Dragão, depois de um jogo que os portistas queriam vencer a todo o custo.

O Tavares ficou ressabiado, o Tavares pensava que o FC Porto ia bater o Benfica, quiça golear como havia feito na última temporada. O Tavares descompôs-se na prosa que escreveu. O Tavares viu o que mais ninguém viu. O Tavares viu um FC Porto superior ao Benfica. O Tavares viu com olho azul, olho que se não é cego só pode ser vesgo.

O Tavares tem ódio ao Benfica. O Tavares debita, debita, debita... Debita baboseiras, debita asneiras, debita calinadas. O Tavares, há anos, teve o desplante de dizer que era mais difícil ser portista em Lisboa do que muçulmano na Bósnia. O Tavares pode ser levado a sério?

O Tavares não entende nada de bola. O Tavares nem do FC Porto percebe bóia. Também há anos, num escrito sobranceiro, corria 87, o Tavares aventou que o FC Porto jamais poderia ser campeão europeu com um jogador como Frasco na intermediária. O Tavares sabe que o seu clube acabou por ser campeão europeu, ficou a saber a influência que Frasco, um magnifico executante, acabou por ter no desfecho do despique. O Tavares pode ser levado a sério?

O Tavares irrita a gente. O Tavares, sobretudo, diverte e gente. O Tavares até faz falta. O Tavares é uma pérola catita no anedotário da bola. O Tavares não é do Benfica e jamais poderia ser. O Tavares é do FC Porto e só poderia ser."


João Malheiro, in O Benfica

Comunicação

"Engana-se todo o que olha para o futebol e o considera essencialmente como uma actividade física. O futebol é antes de qualquer outra coisa uma actividade humana.

Nesta perspectiva percebe-se a importância da comunicação no desempenho do futebolista, da equipa, do clube. Perceber qual o tempo e o modo da mensagem é, quase sempre, tão importante como a própria mensagem. É impensável ter uma equipa onde não há uma cumplicidade entre os seus membros. É impensável a cumplicidade numa liderança equívoca ou que comunica numa polifonia de vozes contraditórias.

Muitos não sabem, mas o último título de campeão vencido pelo Benfica foi alicerçado também num esforço enorme de comunicação abrangente, envolvendo muitos benfiquistas e com uma definição clara de objectivos. Percebemos a mensagem, interpretámos correctamente o tempo e o modo, agimos em conformidade e, desde o futebolista sem lugar a titular até ao adepto de bancada, passando pelo treinador, dirigentes e diferentes meios de comunicação do grupo Benfica (sítio na internet, jornal, televisão, revista) toda a gente comunicou um benfiquismo feito de abdicação de interesses próprios em prol do interesse colectivo.

Desde o início desta época que noto com agrado um renovado esforço na comunicação, na tentativa de aglutinar o clube em torno de um rumo comunicacional. Concordando ou não, esse rumo está lá, existe e tem sido cumprido. Por vezes, o que o pode fazer desmoronar é a ausência de vitórias. Felizmente, estas têm surgido. Resta agora que saibamos todos, desde os técnicos ao atleta menos utilizado, passando pelos dirigentes, lidar com o tempo e o modo da comunicação em tempo de vitória."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Pablo Aimar

"Lionel Andrés Messi disse um dia destes que o seu ídolo «era e ainda é Pablito Aimar». A declaração do Bola de Ouro encheu de orgulho o visado número 10 da equipa do Benfica, e também, como é natural, toda a Nação Benfiquista. O elogio do melhor jogador de Futebol do Mundo transborda sinceridade e algum carinho que Pablo César Aimar merece inteiramente. Com sete anos de diferença à maior em relação ao actual Bola de Ouro, Aimar tornou-se referência num país e num sub-continente que respiram e transpiram Futebol jogado com arte e, assim, conquistou a Europa e o Mundo. Diego Maradona chegou em tempos a dizer que Pablo Aimar era «o único jogador por quem valia a pena pagar bilhete». E, verdade se diga, se Aimar «ainda é» o ídolo de Messi isso acontece porque o Benfica trouxe de novo à ribalta do Futebol um jogador que faz parte da constelação de estrelas do maior espectáculo do Mundo. E Pablito correspondeu com a sua técnica, arte, visão de jogo e incomparável elegância.


'...Eu quero ser para ti a camisola dez
Ter o Benfica todo nos meus pés...'
João Monge e João Gil


Para além de tudo o que joga, e que é muitíssimo, Pablito Aimar é também um homem simples, recatado, que não vende a vida privada para ganhar capas de revistas e conquistar louros de papel. Mas ao envergar o equipamento - aquela camisola 10 de tantas gloriosas referências no Benfica - e entretanto em campo, Pablito Aimar transfigura-se e transcende-se. O seu futebol é alegre, inteligente, criativo e eficaz, jogando e fazendo jogar a equipa. E, se bem repararam, o Futebol de Aimar tem perfume, tão fresco como o cheiro da relva aparada e molhada, mas acrescentado pelas essências com que os deuses do futebol ungiram alguns eleitos."




João Paulo Guerra, in O Benfica

A ridícula 'febre' dos números

"Foi o presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt que, no período do 'new deal', criou a figura de referência dos '100 dias de governação', a qual, desde então e sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, nunca mais deixou de fazer carreira na prática dos governos democráticos que gostam de prestar contas. Portugal, desde o 25 de Abril, não tem sido excepção a esta regra. O pior é que esta 'febre' numérica e estatística se transmitiu ao mundo do Futebol, por vezes de forma ridícula. Durante as transmissões televisivas e radiofónicas de jogos, em que é sempre preciso arranjar assunto para preencher os tempos mortos, ficamos a saber que o guarda-redes X ou Y está há 873 minutos sem sofrer golos, que o defesa K ou W está há mil minutos a jogar sem descontinuidade na condição de titular ou que um qualquer ponta-de-lança está há 1.500 minutos sem conseguir marcar. O poder do ouvinte-espectador é assim obrigado a recorrer à calculadora do telemóvel para conseguir trocar esses números arredondados por jogos, tarefa de estatística que está longe de ser fácil, mas que sempre ajuda a justificar a contratação de 'especialistas' para apoiarem o que verdadeiramente conta, ou seja, a informação que é relevante.

Este exibicionismo numérico e estatístico torna-se até irritante, se dermos por nós a pensar na forma como nos distrai do que verdadeiramente importa. Por este andar, teremos em breve jogadores a fazer a festa dos dois mil minutos de titularidade, dos 10 mil minutos na baliza ou dos cinco mil minutos sem sair do banco. Se tal acontecer, fará lembrar os artistas que passam a vida a comemorar os mesmos anos de carreira, como se o tempo não passasse por eles e por nós e tudo se resumisse e efemérides e operações de 'marketing'. Felizmente que a vida é muito mais feita com pessoas do que com números, queira ou não queira a 'troika' a quem executa as suas ordens imperativas."


José Jorge Letria, in O Benfica

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Para além do limite do razoável

"Há místicos que entendem o apoio a Fernando Gomes como mais um passo para se prove, de dez em dez anos ou de cinco em cinco anos, que o Bem até pode vencer.



CAUSA perplexidade a inquietação entre muitos, mas mesmo muitos, benfiquistas este facto, aparentemente bizarro, de o Benfica apoiar com insuspeita frontalidade a veemência a candidatura de Fernando Gomes, ex-administrador da SAD do FC Porto, à presidência da Federação Portuguesa de Futebol agora que, pela norma vigente, a dita Federação vai reocupar-se dos negócios da disciplina e dos árbitros.

No momento em que, repito, o FC Porto tem um Fernando Gomes bi-bota na sua estrutura e um Fernando Gomes bi-presidente nas estruturas da Liga e da Federação, este entusiasmo do Benfica pela próxima nomenclatura superintendente do futebol português não deixa de causar pasmo.

Sobretudo entre aqueles que recordam, por exemplo, o facto de Fernando Gomes, o bi-presidente da Liga e da FPF, o homem em que o Benfica aposta para regenerar o sistema, deter funções de grande responsabilidade no FC Porto à época em que outros responsáveis do clube, portanto todos colegas, tratavam pelo telefone dos negócios da disciplina e dos árbitros usando uma rebuscada terminologia que levou a Polícia Judiciária e o Ministério Público a suspeitarem de graves maroscas contra a verdade desportiva.

Felizmente que para o bom nome de todos e para a tranquilidade geral, os juízes que julgarem esses casos não encontraram o mais leve indício de práticas mal sãs, pelo que todos os acusados saíram ilibados e em ombros, com excepção das gentes mais modestas do Boavista e do Gondomar que ainda hoje arcam com as consequências práticas dessa maré de investigações judiciais.

De tudo isso, para o FC Porto apenas sobrou um leve empalidecimento das suas muitas glórias, uma sombrazinha de mau aspecto e nada mais.

Se é verdade que Fernando Gomes nunca foi escutado a encomendar almocinhos para árbitros rebeldes nem fruta de dormir para árbitros da corda, também é verdade que nunca Fernando Gomes, o bi-presidente, não o bi-bota, se demarcou desses modos vigentes durante a sua vigência como administrador da SAD do FC Porto. Mas também nunca ninguém, nenhum jornalista, por exemplo, e confrontou directamente com a questão.

E, presentemente, temos o Benfica, que tanto de deliciou com o processo Apito Dourado, a apoiar com firmeza a entrega da disciplina e dos árbitros ao ex-colega de Pinto da Costa nesse período áureo da fruta, do café com leite e das chantagens fantásticas, lembram-se?

Não admira que haja benfiquistas confusos com estas coisas. Uns por terem a mania da perseguição, o que é uma doença, outros por terem a certeza da perseguição, que é um facto.

Outros, de cariz mais místico, entendem que o apoio a Fernando Gomes é mais um passo deste martírio que devemos suportar com um sorriso beato nos lábios para que se prove de dez em dez anos ou de cinco em cinco anos que o Bem até pode vencer como aconteceu em 1993/94, em 2004/05 e em 2009/10. E, assim, campeões mais ou menos bissextos, continuaremos a municiar o nosso registo martirológico com novos dados sempre surpreendentes.

Pessoalmente não me revejo em nenhuma destas filosofias que atormentam os meus consócios no que concerne à eleição de Fernando Gomes como presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

E, certamente que por portas travessas, dou razão a Luís Filipe Vieira no seu apoio declarado ao ex-administrador da SAD do FC Porto.

Porque, francamente, isso é coisa que não tem importância nenhuma e não decide campeonatos.

Sabem o que decide campeonatos?

É jogar bem futebol. Tome-se o exemplo do jogo de sábado passado com o Paços de Ferreira, no Estádio da Luz. O árbitro, que se chama Bruno Esteves, portou-se como um verdadeiro herói, utilizando a nomenclatura em voga. E os seus fiscais-de-linha portaram-se também de modo heróico.

Um golo mal anulado a Cardozo, uma série absurda de foras-de-jogo mal assinalados em desfavor do Benfica, duas grandes penalidades por assinalar contra os visitantes, um cartão amarelo de gargalhada a Gaitán... e nada disto impediu que o Benfica partisse sempre de alma renovada e cheio de força nas pernas para cima do Paços de Ferreira que saiu vergado a uma derrota expressiva.

É assim que se ganham campeonatos, a jogar bom futebol e sem choradinhos, sem culpar o presidente da Liga ou presidente da Federação, ou os dois em um, sem blasfemar contra árbitros vendo em cada fora-de-jogo mal assinalado uma salva de prata carregada de fruta subindo pelas escadas de serviço de uma qualquer unidade hoteleira de 5 estrelas rumo ao quarto 1893, curiosamente, o ano da fundação de grande rival.

Deixemos, portanto, o Bruno Esteves em paz. Esteve mal na Luz no jogo com o Paços de Ferreira como também já tinha estado muito mal em Paços de Ferreira no jogo com o Vitória de Guimarães, deixando os homens do berço da nacionalidade à beira de um ataque de nervos.

Será caso para se concluir apressadamente que Bruno Esteves nasceu na Mata Real? É sócio do Paços de Ferreira deste pequenino? Quando era jovem militava entusiasticamente na claque Yellow Boys?

Não, de modo algum.

É apenas caso para dizer que se trata de mais um mau árbitro que conseguiu ascender à primeira categoria e que por ser ainda jovem vamos ter de o ver evoluir ao longo de muitos, muitos anos.

E perante isto o que interessa se Fernando Gomes é ou não é o presidente da Liga?

Preocupe-se o Benfica em ter bons jogadores, bons treinadores, em mantê-los, em manter viva uma alma competitiva que lhe está no código genético e não haverá árbitros fanáticos do honrado Paços de Ferreira nem bi-presidentes que o passam atormentar para além dos limites do razoável.



PARA além do limite do razoável, este tipo de situações não ocorrem apenas em Portugal. Tome-se o exemplo do jogo do Zénit de São Petersburgo com o FC Porto na semana passada. Os russos ganharam de forma inapelável, viram um golo seu mal anulado por um fora-de-jogo que não existiu e viram validado o golo do FC Porto, obtido em posição de fora-de-jogo.

E qual foi o resultado? 3-1 a seu favor. E porquê? Porque o Zénites não se deitaram a chorar sobre os erros de um árbitro estrangeiro e neutral, antes preferiram cavalgar para cima do adversário e arrecadar os 3 pontos com eficácia e pragmatismo.


DANNY não vai estar amanhã no Estádio do Dragão e representar a selecção nacional no jogo com a Islândia. Foi acometido de um mal que o impede de dar o seu contributo à equipa de todos nós. A FPF ainda não esclareceu qual o problema que aflige Danny e a imprensa, sempre atenta, tem avançado com várias hipóteses.

Quanto a Danny, silêncio. Nem uma palavra sobre o assunto proferiu o número 10 do Zénit, o que se respeita mas não deixa de causar surpresa a suscitar especulações.

Que não seja nada de grave, é o que se deseja.

Mas é uma pena Danny não aparecer amanhã pelo Estádio do Dragão. Em primeiro lugar porque é um excelente jogador. Em segundo lugar porque seria curioso vermos como é que a afición portista iria receber em sua casa o artista que festejou de modo tão pouco ortodoxo o bonito golo que apontou contra o FC Porto, lá longe, em São Petersburgo.

E estes pormenores animam sempre os espectáculos."



Leonor Pinhão, in A Bola



PS: O problema da teoria da Leonor, é que ganhar como fizemos com o Paços, mesmo com uma vergonhosa arbitragem, só resulta algumas vezes... quando o valor das equipas é mais equilibrado, dificilmente se consegue corrigir a inclinação somente com suor e talento, e ao fim de 30 jogos só com uma grande diferença de competência dentro das quatro linhas, é que podemos aspirar a superar os sucessivos erros, uns contra a nossa equipa, e os outros a favor dos do costume...

O Zenit, também venceu, mesmo prejudicado em alguns lances, mas aqui a equação é outra: como os erros foram consequência de incompetência, e não foram premeditados, quando o árbitro observou uma falta para 'vermelho', para um jogador Corrupto, não hesitou... e justiça foi feita.

A vida do treinador

"As coisas correm mal? Solução sempre disponível: muda-se o treinador. Assim é no luso futebol. A fronteira entre o «nosso treinador» («forever» ou «até ele querer») e dispensado treinador mede-se por milímetros de causalidades. Às vezes, um simples acaso segura um treinador, outras vezes o afasta, na esperança de um qualquer incumbente milagreiro que tudo mude na aparência.

Nas últimas semanas assistimos a alguns desses acasos no Campeonato, Domingos Paciência viu desaparecer as nuvens negras quando a dez minutos da hecatombe em Paços de Ferreira, a sua equipa virou um 0-2 em 3-2 sem que se percebesse porquê. Vítor Pereira passou rapidamente de categórico treinador principal a adjunto de um treinador ausente e perto de ser condenado não fosse o Danny e companhia não terem marcado mais um ou dois golos na Rússia. Em Leiria, com Cajuda (um bom treinador), atribui-se à sua mudança do clássico bloco de apontamentos para a tecnológico iPad a vitória sobre o Braga. Um novo gadget que, pelos vistos, atrai melhor a atenção dos jogadores cujos tempos livres são ocupados com playststions e derivados! Um Cajuda que ajuda...

E no Benfica, a jogar um soberbo e vivo futebol, sabe-se lá porquê o seu presidente não escolheu melhor altura para criticar publicamente o seu treinador (isso não se deverá fazer dentro do clube?) e elogiar, com um desajeitado cinismo táctico, o treinador do principal adversário.

É difícil a vida de treinador... É sempre o culpado. Herói ou vilão numa semana, num dia, num instante. Basta a bola ir à trave ou um penalti não ser convertido. Ou advir de uma mesma substituição que tanto pode definir um génio visionário como um incompetente timorato."


Bagão Félix, in A Bola

Os lances que a gente discute

"Com o Luisão, só comigo é que aquilo não foi falta. Há histórias com esse árbitro do encontro com o Benfica que eu não posso contar porque isto está a gravar.

Ricardo

no sábado, em entrevista ao expresso


Uma coisa é discutir a expulsão de Rinaudo. As leis de jogo distinguem entre «imprudência», que «significa que o jogador ou as consequências do seu acto para o seu adversário», e que vale cartão amarelo, e «força excessiva», que «significa que o jogador faz uso excessivo da força, correndo o risco de lesionar o seu adversário», e que tem como consequência a expulsão. Dizem ainda que «um tackle que ponha em perigo a integridade física de um adversário deverá ser sancionado como falta grosseira», que também vale o vermelho. Que Rinaudo foi imprudente não há dúvida. Terá havido força excessiva? Eu acho que não - pelo menos maldade não houve -, mas admito que me digam que sim, ou que pôs em perigo a integridade física do adversário.

Outra coisa, bem diferente, é olhar para um lance em que um jogador não toca noutro e achar que há falta. Aconteceu por exemplo em 2005, num Benfica-Sporting, em que Luisão saltou com Ricardo, marcou de cabeça e deu o título às águias.

É lance que nem merece discussão. Já passaram mais de seis anos, mas Ricardo continua a achar que sofreu falta. Como diz um colega meu, talvez pense assim porque de todos os milhares de olhos a ver pela televisão os dele eram os únicos que estavam fechados naquele momento.

Eu acho que o meu colega está a ser mauzinho... Só porque no Euro-2008, nos quartos-de-final com a Alemanha, Portugal foi eliminado e o Ricardo sofreu três golos indo sempre à bola com os olhos bem fechados, como as fotografias documentam."


Hugo Vasconcelos, in A Bola