"Apesar da matemática poder
ainda permitir outros cálculos,
abrir caminhos mais sinuosos e
iludir as esperanças, a verdade
nua e crua é apenas uma: qualquer hipótese objectiva do Benfica vir a sagrar-se campeão
nacional passa por uma vitória
no próximo domingo.
Trata-se, pois, de um jogo absolutamente decisivo. Se não para
vencer o Campeonato, pelo
menos para não o perder já.
As coisas podiam ter sido bem
diferentes. As exibições realizadas diante do Real Madrid mostraram que o Benfica, aquele
Benfica, tinha capacidade para
passear tranquilamente em
muitas das jornadas da liga
portuguesa – designadamente
naquelas em que perdeu pontos de forma inesperada. Os
empates cedidos na Luz, em
tempo de descontos, face a 13.º,
15.º e 17.º classificados, que
totalizaram um desperdício de
6 pontos, pesam agora em
demasia num Campeonato extremamente desequilibrado e
em que a margem para percalços é quase nula.
Por outro lado, a época tem sido
também marcada por arbitragens degradantes, quer nos
nossos jogos, quer nos jogos
dos adversários directos. Na
verdade, é algo que já vinha a
sentir-se na ponta final da última temporada, mais precisamente desde que este Conselho
de Arbitragem assumiu funções. O penálti com que o FC
Porto desbloqueou a partida
com o Arouca foi apenas mais
um exemplo de como os resultados, as classificações e as
competições têm sido desvirtuadas a um nível que só encontra paralelo nos tempos sinistros do Apito Dourado – quando,
note-se, ainda não havia VAR. Sem erros de arbitragem, o
Benfica estaria seguramente
mais perto do primeiro lugar e
podia mesmo estar agora a discuti-lo neste clássico.
Isso ficará para reflexão noutros
planos e não pode pesar no
espírito dos jogadores quando
entrarem em campo no domingo. Aí, nesse momento, só uma
palavra interessa: ganhar!"

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