Últimas indefectivações

sábado, 2 de maio de 2015

Alegria, mas amanhã é para ganhar!!!

Benfica 2 - 1 Sporting

Admito foi um excelente aperitivo para o almoço!!! Horário diferente, jogo emotivo, com o Benfica mais uma vez a demonstrar uma enorme atitude, continuando assim a série de vários jogos sem perder com o Sporting (2 anos, 6 jogos oficiais, creio...). Vitória na Meia-final da Taça de Portugal, disputada em Sines, mas é bom recordar que a Final disputa-se amanhã, contra o Fundão.

Voltámos a marcar de 'bola parada', em mais uma bomba do Patias. Sem merecer, sofremos o golo do empate, num canto, aos 'tropeções'!!! No nosso golo, correu tudo, como treinámos, no golo deles, foi mais 'vaca'!!! Aliás esta secção do Sporting, é especialista a marcar golos assim (a excepção a esta regra, foi um dos últimos derbys, onde ganhámos, com os nossos golos a serem marcados pelos jogadores Lagartos na própria baliza!!!).
Fomos sempre mais objectivos, criámos sempre mais perigo, e se não fosse o São Cristiano (e alguma incompetência nossa na finalização), o resultado teria sido mais pesado, muito mais pesado... Após o golo do empate, o jogo baixou um pouco de ritmo, com a bola mais longe das balizas, mas sempre com o Benfica a demonstrar mais vontade...
Voltámos, estrategicamente a 'dar a bola' ao Sporting, para lhes roubar o conta-ataque (onde eles são mais perigosos), mas a maior parte dessa posse de bola, foi em zonas 'mortas'!!!
Os Lagartos ainda estão de ressaca devido à derrota na UEFA Futsal Cup (eles pensavam mesmo que iam ganhar aquilo...!!!), nós sabemos que estas transições anímicas entre competições nem sempre são fáceis, e hoje notou-se, principalmente no início do jogo, que o Sporting não estava no seu melhor. Falharam muitos passes fáceis... mas infelizmente o Benfica não aproveitou para 'matar' o jogo.
O jogo parecia encravado, até que o Alan Brandi, nos deu vantagem a 8 minutos do fim. Com o Benfica a ganhar, o Sporting apostou cedo no 5x4, e nós voltámos a defender bem... Só nos últimos segundos, quando o coração já dominava a cabeça, o Sporting criou verdadeiro perigo...

Arbitragem horrível, que decidiu ignorar as regras do jogo, e decidiu não marcar faltas!!! Existe quem goste deste critério, mas eu prefiro quando as regras são cumpridas. Todos sabem que o Benfica tem um especialistas nos Livres de 10 metros, mas hoje podiam estar a jogar o dia todo, que o Sporting nunca iria ultrapassar o limite de faltas!!!

Amanhã, temos a Final contra o Fundão. Apesar da satisfação de hoje, nada está ganho. E recordo que foi o Fundão que nos afastou dos títulos o ano passado. Esta época até começaram mal a época, mas neste momento, estão a um nível idêntico ao do ano passado... portanto, muita atitude, e muita cabecinha!!!

PS: Além da vitória dentro da quadra, mais um 'baile' do nosso treinador na conferência de imprensa... o aziado estava conformado!!!!

Etapa ultrapassada...

Oliveirense 60 - 96 Benfica
(0-3)
(21-27, 14-17, 12-29, 13-23)

Obrigação cumprida, Benfica nas Meias-finais do Play-off. Superioridade em todos os aspectos, e mesmo sem o melhor Jobey (e sem o Doliboa), a vitória nunca esteve em causa...

O nosso mais que provável adversário deverá ser a Ovarense: 2-0 sobre o Lusitânia. Mas a grande surpresa, está na vantagem de 2-1 do CAB Madeira sobre o V. Guimarães. O CAB tem um bom cinco inicial, mas praticamente não tem opções no banco, ao contrário do Vitória. Vamos ver se no jogo 4, disputado na Madeira, podemos ter a primeira grande surpresa... Curiosamente o Barcelos, também está ter dificuldades para eliminar o Algés. É verdade que está em vantagem 2-1, mas...

Sem margem de erro...

Fonte do Bastardo 3 - 1 Benfica
(2-1)
27-25, 25-20, 22-25, 25-20

Derrota nos Açores, deixa-nos sem qualquer margem de erro. Temos que vencer na Luz, e depois ir à Praia da Vitória vencer a negra...

Cabeçada para a vitória...

Benfica B 1 - 0 Braga B

Jogo demasiado tranquilo. A superioridade do Benfica nunca foi questionada, mas gerir uma vantagem de 1 golo, pode correr mal... e se não tivesse sido as boas intervenções do Miguel Santos, em pelo menos 2 ocasiões, o resultado podia ter sido outro...!!!
O grande destaque acabou por ser o regresso do César ao relvado (ainda assustou...!!!), após longa ausência...; num jogo onde o Jonathan voltou a ser utilizado, e voltou a marcar um grande golo. Verdadeiramente à ponta-de-lança!!!
Em diversos momentos do jogo, fomos demasiado individualistas, podíamos e devíamos ter vencido por mais...

M. Santos; Semedo, César, Lindelof, Rebocho; Dawidowicz, Sanches (Carvalho, 63'), Teixeira; N. Santos (Valente, 87'), Andrade Gonçalves, 82'); Jonathan.

2.º dia morno !!!

Resultados mais-ou-menos neste Sábado em Racice, na República Checa, nos Europeus de Canoagem. Hoje em dia disputar as Finais não é suficiente para satisfazer totalmente as nossas expectativas. Com os resultados alcançados no passado recente, esperemos sempre mais...
A Joana Vasconcelos, no K4 500 (com a Francisca Laia, Beatriz Gomes e a Helena Rodrigues), ficaram em 5.º na Final.
O João Ribeiro, no K2 1000m (com o Emanuel Silva), ficaram também em 5.º na Final.

A Teresa Portela hoje, qualificou-se para a Final A, no K1 200m.

Amanhã vamos ter as Finais que faltam: Teresa Portela, em K1 200m, e K1 500m. E ainda temos os rapazes, com o João Ribeiro (Emanuel Silva, Fernando Pimenta, David Fernandes), na Final muito esperada do K4 1000m.

Diz Lopetegui:

" «O árbitro esteve contundentemente contra nós», 14/9
«Maicon não merecia vermelho», 21/9
»Era penalty e expulsão de Maurício (Sporting)», 26/9
«Porque fui falar com Proença no final? Nada de especial. Respeito este árbitro e todos em Portugal», 5/10
«Ficaram dois penalties por marcar contra o Arouca» 25/10
«Outras equipas têm mais pontos beneficiando de erros dos árbitros», 9/11
«(No lançamento lateral de Maxi Pereira) Estávamos a dizer que se pisas para lá da linha é irregular. Depois estávamos a falar da distância», 14/12
«Há erros que nos prejudicam e beneficiam outros», 10/1
«Aos 90+2 não viu penalty sobre o Gonçalo Paciência», 25/1
«Ficou penalty claro por marcar a nosso favor», 7/2
«Houve muitas patadas. E no final ainda tivemos o mesmo número de amarelos que o adversário! O árbitro teve muita pontaria...», 13/2
«Espero que este árbitro acerte nas decisões», 21/2
«Não temos tido a sorte de outros que, quando o futebol não lhes chega, os árbitros não têm sorte nas decisões», 23/2
«Excusatio non petita, culpabilita manifesta», 30/2
«O Arouca discutiu o jogo com o Benfica até ter tido um jogador expulso», 13/3
«Faltou sorte nas decisões deste árbitro», 15/3
«(Expulsões a favor do Benfica) são facto desproporcionado e irrefutável», 19/3
«Não podem ser os árbitros a decidir a Liga», 30/3
«Não vou falar do árbitro! Depois eu é que falo dos árbitros, ou são vocês, jornalistas?», 11/4
«Disseram-me que houve um penalty por assinalar no Belenenses-Benfica», 18/4
«O Fejsa (Benfica) podia ter visto o segundo amarelo», 26/4
«Quem nomeou o árbitro para o Gil Vicente-Benfica? Com o nome de Capela não se enganam, com o meu sim», ontem."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Mota gosta de rever Capela em Barcelos

"Jorge Jesus entende o 'jogo falado' é simples. Complicado é o 'jogo falado', porque são os golos que desenham os títulos e não as palavras. A Liga portuguesa veste-se, porém, de peculiaridades que não se enxergam a olho nu nos principais campeonatos europeus, por não existirem, simplesmente, ou por ninguém lhes atribuir especial significado.
«Há uma intenção clara em que não se fale na nomeação de Capela. Quem fala de mais é porque tem uma intenção diferente», declarou Lopetegui.
«Não gostamos que nos desvalorizem e tentem branquear o que o Benfica tem feito neste campeonato», ripostou Jesus.
Bate boca normal, até aqui, não se desse o caso do treinador do Gil Vicente entrar em cena, embora «surpreendido mas não preocupado» com o árbitro nomeado.
«Ligaram-me da Austrália e de França surpreendidos. O mundo está surpreendido com a nomeação de Capela», afirmou José Mota, do qual Paulo Fonseca, à data treinador do FC Porto, dizia não recordar-se de o ver perder um jogo sem se queixar das arbitragens... Agora, com uma novidade, porém: reclama com um dia de antecedência e também com algum descuido.
Para o campeonato, Capela dirigiu esta época três jogos do Benfica (V. Setúbal, fora (5-0), Gil Vicente (1-0) e Estoril (6-0), em casa), tal como Marco Ferreira ou Jorge Sousa. Idêntico número de jogos que Carlos Xistra, Manuel Mota, Nuno Almeida, Artur Soares Dias e Jorge Sousa apitaram do FC Porto. José Mota quis ajudar a inventar um caso. Talvez lhe dê jeito... Na jornada transacta (30.º), o Gil foi ganhar a Coimbra; antes, só conseguira vencer na 21.ª, em casa (14 de Fevereiro), o Paços (1-0). Quem foi o árbitro? João Capela. Portanto, só pode ser um regresso a Barcelos bem-vindo. Mota não quer é que pareça.
Afinal, o 'jogo falado' é bem mais complicado do que Jesus admite."

Fernando Guerra, in A Bola

Rumo ao 34º título! O bi-campeonato!


Nota: Andava eu à cusca de imagens pelo Google e dei com esta. Não tinha visto o/a autor/a original por isso não o/a mencionei de início em específico. Parece que a imagem veio do blog Bitaites à Lá Benfica. Obrigado pela indicação!

sexta-feira, 1 de maio de 2015

A audácia de Lopetegui...

"O momento de maior audácia de Lopetegui no jogo da Luz foi quando ofereceu um puñetazo a Jorge Jesus. Já o jogo tinha terminado. Se Lopetegui soubesse os nomes que os adeptos do FC Porto lhe chamam até agradecia aqueles que Jorge Jesus utilizou. Foi muito pouco para quem tinha que ganhar por dois golos.
Este FC Porto tem excelentes jogadores. Jackson é um dos melhores avançados do mundo e Oliver tem a classe dos grandes jogadores, apenas para referir os meus preferidos.
Excelente o fair play dos diversos jogadores no fim do jogo e o comportamento dos adeptos. Devia levar um puñetazo quem não percebe que o jogo é uma festa não é uma guerra.
Jorge Jesus, limitado e sem Salvio, jogou com o resultado e saiu-se de forma com razoável. O Benfica não fez um bom jogo, mas saiu com um bom resultado. O FC Porto não fez um bom jogo, nem teve um bom resultado. Não sei se Jorge Jesus é o mestre da táctica, mas deixou Lopetegui às voltas com a matemática. Este campeonato não está decidido, mas uma vitória em Barcelos praticamente o entrega. É verdade o que diz Luís Filipe Vieira, o Gil Vicente será bem mais difícil que este FC Porto. E por isso não há razões para euforias, o Benfica terá que ser melhor em Barcelos.
Nos últimos cinco anos, apenas por duas vezes ganhámos em Barcelos. Tem que ser mesmo o melhor Benfica, o mais concentrado e motivado, aquele que jogará amanhã em Barcelos.
Em fim de semana das festas locais, só a vitória evita que se fique a ver a procissão passar. Não é verdade aquilo que se tem dito, que faltam quatro jornadas para o fim da época. Faltam quatro jogos para o FC Porto, porque para o Benfica faltam cinco. Ainda bem. Há mais para tentar ganhar neste Benfica de 2014/2015, embora o 34.º título seja o fundamental no coração dos adeptos."

Sílvio Cervan, in A Bola

O que está em jogo em Barcelos

"Há uma semana, antes do Benfica-FC Porto, falou-se no «jogo do ano». Hoje, a propósito do Gil Vicente-Benfica fala-se, com propriedade, no «jogo do título».
É verdade que, mesmo que o Benfica ganhe em Barcelos, a conquista do bicampeonato ainda não é matematicamente certa. Mas, a três jogos do fim e podendo perder um deles (caso o FC Porto faça o pleno de vitórias...), não é crível que a festa não se faça no Marquês de Pombal. Por isso, o Benfica e os benfiquistas devem encarar a partida de Barcelos como a mais importante da temporada, ou se quisermos levar a coisa mais longe, das últimas 31 temporadas. É preciso recuar a 1984 para ver o Benfica celebrar um bicampeonato e tudo o que essa dupla conquista representa. Para vencer dois campeonatos seguidos é preciso ter uma equipa estruturada, com poder para suportar a pressão da segunda época, sempre mais exigente que a primeira. Mas, se o Benfica se sagrar bicampeão, deve iniciar-se a discussão sobre uma mudança de ciclo no futebol português? Pode ser prematura. O FC Porto continua competitivamente forte, com argumentos para disputar todas as provas e marcar uma posição firme. Talvez, neste caso, não seja abusivo falar-se uma alteração de paradigma no desporto português. A era do FC Porto dominador quase absoluto chegou ao fim. Está a ser substituída por tempos de equilíbrio entre águias e dragões, com triunfos renhidos, ao sprint, com golos decisivos de Kelvin ou de Lima a fazer a diferença.
Notável a recuperação do pilar desportivo do Benfica, conseguida pela gestão de Luís Filipe Vieira, depois da regeneração patrimonial e financeira!"

José Manuel Delgado, in A Bola

Europeus de Canoagem, a caminho das Finais...

Excelente primeiro dia do Europeu de Canoagem, em Racice na República Checa, com os nossos atletas a qualificarem-se todos para as Finais A:
A Teresa Portela no K1 500m, não conseguiu a qualificação automática, mas na Meia-Final foi 2.ª e qualificou-se para a Final, no Domingo.
A Joana Vasconcelos, no K4 500m, na companhia da Francisca Laia, Beatriz Gomes, e a Helena Rodrigues ficaram em 5.ª na primeira regata. Mas na Meia-Final, ficaram em 1.º, qualificando-e para a Final, no Sábado.
O João Ribeiro, no K4 1000m, (com o Fernando Pimenta, o Emanuel Silva e o David Fernandes) ficaram em 3.º na Meia-Final, qualificando-se também para a Final, de Domingo.
Mas o João não se ficou por aqui, em K2 1000m, com o Emanuel Silva, na eliminatória foram somente 6.º, mas nas Meias-Finais ficaram em 2.º, completando a nossa participação nas Finais, no Sábado.

Juniores - 11.ª jornada - Fase Final

Flávio Silva
Gil Vicente 2 - 2 Benfica

O Flávio Silva continua a marcar... mas para o Benfica já vamos tarde!!!

A três vitórias do título

"As opiniões de Lopetegui divergem da realidade. Depois de críticas sucessivas e infundadas às arbitragens, agora tenta vender oportunidades claras de golo e a exclusividade, em causa própria, da vontade de ganhar. Sejamos sérios: o FC Porto, enquanto equipa que precisava de vencer na Luz, foi indigente. Não é à toa que haja quem, entre os portistas, o apelide de 'incompetegui'.
Pela forma como apresentou a sua equipa em campo, o técnico portista assumiu o enorme respeito que sente pela qualidade do futebol Benfiquista, nomeadamente pela sua capacidade em executar triangulações rápidas a meio-campo e solicitar os seus extremos e avançados. Só assim se justifica que, a necessitar de um vitória, tenha utilizado Rúben Neves, Casemiro, Evandro e Óliver, enquanto os laterais Danilo e Alex Sandro pouco arriscavam. E nada alterou com as substituições, limitando-se a refrescar o seu onze. Esta postura originou um jogo fechado, carente de oportunidades de golo, de acordo com os nossos interesses. Bem fez Jorge Jesus em não se aventurar em nome de um Benfica mítico, aquele que muitos Benfiquistas julgam que não defronta adversários, mas coitados que a pouco mais poderão ambicionar que se vergarem ao nosso poderio.
Em suma, o apregoado 'melhor plantel dos últimos trinta anos', o mais caro da história do futebol português, arrisca-se a nada ganhar. O Benfica, com um plantel injusta e prematuramente criticado por uma comunicação social ávida de instabilidade na Luz, está a apenas três vitórias de conquistar o Bicampeonato. Não será fácil. No entanto, como diz o cântico, se mostrarmos a nossa raça, o querer e a ambição, em Maio seremos campeões."

João Tomaz, in O Benfica

O filho da garra

"Símbolo de força, velocidade e abnegação, Álvaro Magalhães formou com Chalana aquela que terá sido a melhor asas esquerda de sempre do futebol português.

A expressão 'um jogador à Benfica' vem de longe e todos a interpretamos de forma idêntica, sem ser preciso um dicionário de gíria.
Álvaro Magalhães é seguramente um daqueles a quem assenta como uma luva. Quem o viu nos anos 80 desbravar o corredor esquerdo do nosso clube e da Selecção Nacional guardou na memória um arraial de momentos 'à Álvaro', também traduzíveis por 'à Benfica'.
Força, velocidade, abnegação. Álvaro era isto. Trabalhava perfeito de trás para a frente. Com Fernando Chalana a completá-lo, era o motor de arranque daquela que terá sido a melhor de arranque daquela que terá sido a melhor asa esquerda de sempre do futebol português e uma das melhores do futebol mundial.
Um terror. Chalana e Álvaro. Álvaro e Chalana. Às arrancadas do lateral, carburadas a todo o gás, correspondia o 'Pequeno Genial' com piques e fintas mirabolantes, que acabavam quase sempre a matar.
Na Selecção era igual. Ponto supremo o Europeu de 1984, disputado em França. Num quarteto defensivo de pendor tripeiro, ao lado de João Pinto, Lima Pereira e Eurico, defrontou a Espanha, a Alemanha e a Roménia, até ao duelo de má sorte - uma meia final frente aos gauleses que ficou na memória como um dos melhores jogos de sempre da competição. Álvaro atrás. Chalana à frente.
Chegado à Luz na época de 1981/1982, para integrar a equipa recém-campeã nacional aos comandos do húngaro Lajos Baroti, cedo se revelou como atleta de garra, pronto a discutir um lugar ao sol. Nomes grandes como os de Pietra, Veloso, António Bastos Lopes e Humberto Coelho - sem descurar os de Frederico, Alberto Bastos Lopes e Laranjeira - não o amedrontaram.
Foi ganhando o seu espaço à medida que Baroti, primeiro, e Eriksson, depois, lhe reconheceram os méritos. Época em cheio teve-a em 1983/1984, ao conquistar, na qualidade de totalista, aquele que seria, até à data presente, o nosso último bicampeonato.
Nas competições europeias viveu a ribalta com sabor agridoce, ao jogar perdulariamente as finais de Taça UEFA 1982/1983 (1.ª mão) e da Taça dos Clubes Campeões Europeus 1987/1988.
Fez a sua última época pelo Sport Lisboa e Benfica em 1989/1990, tendo-se despedido com quatro títulos no campeonato nacional e outros tantos na 'Taça'.
Defenderia ainda as cores do Estrela da Amadora e do Leixões. Depois de pendurar as botas, em 1993/1994, iniciou a carreira de treinador. Em 2003/2004 regressou ao Benfica na qualidade de adjunto, ao lado do técnico espanhol José António Camacho, e conquistou a Taça de Portugal. Na época seguinte, foi o braço direito do italiano Giovanni Trapattoni rumo ao título nacional, arredado há nove épocas. Logo depois iria embora. A chorar por dentro, com o Benfica na alma. Como diria o Jobim: 'Coisas que só o coração pode entender...'

Álvaro Monteiro Magalhães
Nascido em Lamego a 3 de Janeiro de 1961
Álvaro representou o Sport Lisboa e Benfica entre 1981/1982 e 1989/1990. Conquistou quatro Campeonatos Nacionais, quatro Taças de Portugal e uma Supertaça. Fez 330 jogos pelo clube e 20 pela Selecção Nacional."

Luís Lapão, in Mística

Barcelona e Setúbal: na rota das bandeirinhas

"O maior clube da Catalunha e uma histórica colectividade de Setúbal foram pioneiros na oferta de galhardetes ao Benfica.

Consta que o único clube do mundo a ir à Lua foi o Independiente, da Argentina. Alunou sob a forma de galhardete, na bagagem de Neil Armstrong, que o recebera do clube rojo meses antes do acontecimento.
O Benfica não foi à Lua mas deu a volta ao planeta e é, possivelmente, o maior distribuidor de galhardetes à face da Terra. Não se sabe quando nem a que adversário terá oferecido o primeiro. Mas pode dizer-se que iniciou a 24 de Setembro de 1921 a colecção deste tipo de souvenirs. O ofertante foi o FC Barcelona, na qualidade de anfitrião, durante uma visita do Benfica e Espanha no mesmo ano. Antes do desafio inaugural - faria dois com o Barcelona e outros tantos com o Tarrasa FC -, o histórico 'capitão' benfiquista Ribeiro dos Reis recebeu das mãos do seu homólogo blaugrana 'uma pequena bandeira catalã'. E assim ficou eternizado e primeiro encontro de sempre entre os dois clubes.
Quanto aos dois jogos com o 'Barça', a nossa equipa teve de bater-se com um conjunto melhor preparado fisicamente e habituado a um 'piso muito duro e cheio de pedrinhas soltas'. Tudo isto logo após uma extenuante viagem de 48 horas de comboio. O saldo foi de duas derrotas, por 0-5 e 2-5, mas com notas de 'energia e impetuosidade' por parte dos nossos.
Já no âmbito nacional, o primeiro clube a presentear o Benfica com um galhardete foi a UFCI, União Futebol Comércio e Indústria de Setúbal, a 1 de Novembro de 1925. Emblema histórico da cidade do Sado, ainda em actividade, chegou a ter José Mourinho como jogador sénior e treinador das camadas jovens. Mas não só. O nosso saudoso Jaime Graça ficou igualmente ligado à sua história, ao conduzir a equipa de 1977/1978 ao título da I Divisão Distrital, feito único até então.
O encontro entre os dois clubes assinalou a inauguração do Campo da Bela Vista, pertencente ao adversário e considerado, à época, uma infraestrutura de se lhe tirar o chapéu. Numa altura em que Setúbal era um concelho do distrito de Lisboa, a UFCI tinha já como rival o grande Vitória, que no dia do jogo com o Benfica decidiu engendrar no seu terreno um desafio com outro clube da capital, no intuito de retirar público ao Campo da Bela Vista. Viva-se, então, uma 'guerra' entre os clubes da região do Sado, tendo como pano de fundo a resistência do Vitória a integrar a Liga de Futebol Setubalense.
Alheio ao cenário de altercação, a equipa benfiquista venceu a UFCI por 3-1 o capitão Vítor Gonçalves trouxe para Lisboa aquele que é hoje na colecção do clube o mais antigo galhardete nacional."

Luís Lapão, in Mística

À memória do meu pai, a quem devo o ser do Benfica

"Entrei pela primeira vez com o meu pai no antigo Estádio da Luz. O Benfica ia jogar contra a CUF e a minha emoção era imensa. Em minha casa, desde cedo, ouvia falar do Benfica e do tempo em que os sócios tinham contribuído com trabalho ou com dinheiro para a construção do seu estádio. O meu pai tinha sido um desses sócios, e isso dava-lhe um imenso orgulho sempre que falava do clube, o seu clube. A paixão e o fervor que por ele sentia faziam-no considerar-se parte integrante de um todo, um grande todo, em que a soma correspondia a cada uma das partes e em que cada parte nunca se via como um simples número de uma qualquer estatística. Eram tempos em que a dúvida sobre a vitória não existia e em que a entrega de cada jogador, do primeiro ao último minuto, era total. Eram tempos que sucediam a outros tempos em que o êxito e a glória se transmitiam aos futuros adeptos, para que estes, com brio e justificada vaidade, pudessem falar do passado mas sempre na perspectiva de o projectarem no presente e quererem ver repetido no futuro.
Foi desse modo e com esse espírito que fiquei adepto do Benfica. Um adepto que não possui, nem pretende possuir, qualquer conhecimento particular que o habilite a falar de tácticas, de estratégias ou de formas de jogar, mas um adepto para quem o Benfica significa mais, muito mais, do que as competentes e eloquentes análises e comentários a este ou àquele jogo. Transmiti isto mesmo ao Dr. Sílvio Cervan quando amavelmente me convidou para escrever na Mística e lhe expliquei que outros com competências que não tenho neste domínio, poderiam melhor corresponder ao desafio que me fazia. Ainda assim, e diante da sua insistência, aceitei o seu convite, quer como forma de homenagear o meu pai, que teve o emblema de ouro do clube, quer como forma de testemunhar o permanente contacto de gerações que o Benfica proporciona a milhares de famílias portuguesas. São disso exemplo os meus sobrinhos Baltasar, Luís Roque, Ana, Afonso, Salvador, Luís e Pedro, que com idades compreendidas entre os 16 e os seis vibram com o Benfica e vivem o Benfica de um modo entusiasmante e profundamente contagiante. Uns são sócios e outros não o são, porém em nada se diferenciam quando se trata de apoiar e de defender o clube. A sua chama, sendo idêntica à das gerações mais antigas, é uma chama intemporal, não dependente de épocas ou de fases e não sujeita a conjunturas ou a momentos melhores ou piores do mundo desportivo. E essa é, sem dúvida, uma das grandes características de um clube que é mais do que um clube, de um grupo desportivo que é mais do que um grupo desportivo. Um clube que, indiferente ao tempo, continua a atrair e a marcar quantos a ele aderem, nos mesmos termos em que nesse jogo contra a CUF me senti empolgado, não apenas com o que se passava dentro de campo, não apenas a vitória do Benfica, mas com a grandeza de um ambiente sempre plural, que une o que tantas outras circunstâncias da vida divide. Viva o Benfica!"

Manuel Monteiro, in Mística

quinta-feira, 30 de abril de 2015

O abraço de Quaresma a Jesus (ou como em Portugal as homenagens são sempre contra alguém)

"O treinador do Porto foi empurrado para o túnel por gente tranquila do staff portista, gente que devia estar com uma vontade danada de lhe chamar Lopotegui ou Lotopegui ou pior ainda.

«Que coisa é um nome?»
William Shakespeare, 'Romeu e Julieta', Acto II, Cena 2

DIZ a sabedoria popular que as homenagens em Portugal são sempre contra alguém.
E são. Como ainda se viu no domingo passado.
Ou como explicar a correria de Ricardo Quaresma para os braços de Jorge Jesus depois de tudo o que se passou?
O jogo chegara ao fim com um resultado não pior do que apenas pouco satisfatório para as contas do Porto. Nada está ganho, nada está perdido.
Mas chegou o jogo ao fim com o treinador do Porto, don Julen Lopetegui Argote, de seu nome completo, observado de cabeça perdida à entrada do túnel, todo ele a crescer em bravatas para o treinador do Benfica.
Mas que ego tem o basco! Não troca o reino por um cavalo, como Ricardo III, mas já que o hipotecou quer, efusivamente, o seu nome bem pronunciado para a posteridade: Rulén Ló Pê Teggy, é assim, aprendam.
Revendo as imagens fica-se com a ideia de que Jorge Jesus demorou a entender o sentido das palavras de don Julen. Tudo se inicia em ambiente de aparente bom-tom, até de elogiável cordialidade entre rivais.
Puro engano de Jorge Jesus. E é só quando o treinador do Porto se repuxa todo num frenesim até lhe encostar a franja, que é a sua imagem de marca, que o treinador do Benfica dá conta da má disposição do colega.
Ficaram, naturalmente, as actuações dos dois protagonistas à mercê do crivo da crítica profissional e dos desmandos da opinião pública com larga vantagem para Jorge Jesus por não ter sido o causador do incidente, por não se ter encolhido e também por não se ter esticado mas, muito principalmente, por não se ter deixado arrastar no engodo de prosseguir com a conversa pelo túnel dentro.
Don Julen bem tentou.
Já internado no túnel, o basco ainda se virou mais umas quantas vezes para o treinador do Benfica a citá-lo de longe para a discussão onomástica a coberto da escuridão. Mas não teve sorte.
Imperou o bom senso e o treinador do Porto foi sendo empurrado para o urgente recato por gente tranquila do staff portista, gente que, cá para mim, devia estar com uma vontade danada de lhe chamar, no mínimo dos mínimos, Lopotegui ou Lotopegui ou pior ainda.
Foi feio? Foi.
Bonito, bonito mesmo, foi o que se passou no relvado assim que Jorge Sousa apitou para o fim. Os jogadores das duas equipas cumprimentando-se como que a provar que o futebol pode ser um lugar cortês. Os dois guarda-redes abraçando-se e trocando de camisolas como que a vincar que o futebol pode ser um lugar bem frequentado.
E, finalmente, Ricardo Quaresma que depois de abraçar Júlio César se dirigiu a Jorge Jesus com quem trocou beijos e, se calhar, até uma confidência:
- Não faça caso, mister, aquilo é só fumaça, eu também lhe chamo Tototegui e ainda aqui estou para as curvas…
Quaresma começou o jogo sentado no banco de suplentes. Entrou em campo só a meio da segunda parte. Deveria ter entrado de início? Nunca se saberá. Mas que saiu de campo em grande estilo, lá isso saiu.

FALANDO de golos. No último domingo, 2206 dias depois da última vez que ficou em branco no Estádio da Luz, o Benfica voltou a ficar em branco num jogo disputado em casa.
Falando de contas. Os adeptos não se mostraram muito desagradados porque o resultado com que o jogo terminou – 0-0 – permitiu ao Benfica manter sobre o Porto o avanço de 3 pontos que terá agora de defender nas quatro jornadas que faltam até ao fim do campeonato.
Falando do futuro. Três pontos a mais. Não é uma vantagem sobrenatural. É, muito simplesmente, um avanço vulgar, corriqueiro, uma vantagem concreta mas que não consente desleixos. E bem sabe o Benfica como, por negligência ou por delírios de optimismo, se podem perder títulos que estiveram à mão de semear.
Falando do Gil Vicente. É o próximo adversário. Ocupa os últimos lugares da tabela e luta afincadamente para não descer de divisão. No sábado, o Benfica só somará 3 pontos se for a Barcelos predisposto a lutar afincadamente para ser campeão.
Falando do nome do treinador adversário. José Mota. Não haverá enganos. José Albano Ferreira Mota. Ninguém lhe vai trocar o nome. Trata-se de um treinador português, bem conhecido, com uma honrada folha de serviço. Fez-se a si próprio sem benesses nem padrinhos.
Todos a Barcelos. Carrega, Benfica.

COM o clássico do último domingo terminou o mini-campeonato entre os três grandes que, obviamente, nada decide mas que sempre alimenta a retórica de que o país se alimenta nestes fervores.
Abundaram os empates. Mas o melhor dos três grandes nos jogos entre eles disputados foi o Benfica porque ganhou um jogo ao Porto e empatou os demais. O Porto ganhou um jogo ao Sporting, perdeu um jogo com o Benfica e empatou os restantes. Quanto ao Sporting, somou duas derrotas e dois empates.
Lá mais para o fim de Maio, e se o Benfica cometer a difícil proeza de revalidar o título, talvez os estudiosos da matéria apontem para os dois golos de Lima no Dragão como os momentos fulcrais da Liga de 2014/2015.
Permitam-me discordar. Os dois golos de Lima têm grande importância. Mas, aconteça o que acontecer nas quatro jornadas que faltam disputar, o momento mágico que permitiu ao Benfica perseguir o sonho da revalidação do título terá sido aquele do golo de Jardel ao cair do pano em Alvalade.
Jardel Nivaldo Vieira, o nosso inconfundível Jardel, um portento de oportunidade.

UM jogo sem golos não é obrigatoriamente um mau jogo de futebol. O Benfica-Porto não teve golos mas foi, em termos atléticos, o melhor jogo do campeonato em curso.
Pela intensidade posta em campo, pela altíssima rotação com que foi disputado do princípio ao fim, pela entrega de todos, pelo fair-play e também pela excelente arbitragem, o Benfica-Porto de domingo mais pareceu um jogo estrangeiro do que um jogo da nossa Liga que é bastante pindérica de tal monta são as diferenças entre os dois emblemas que disputam o título e as demais 16 equipas.
Poderão contrapor os benfiquistas dizendo que bom jogo do Benfica foi o dos 6-0 ao Estoril. Mas como se não houve Estoril? Poderão também ripostar os portistas clamando que bom jogo do Porto foi o dos 3-0 ao Sporting. Mas como se não houve Sporting?
No domingo, houve Benfica e houve Porto. Anularam-se, é certo, porque são equipas do mesmo campeonato. Não houve golos, é verdade. Mas o combate foi formidável.
Em função das circunstâncias da classificação e do resultado do jogo da primeira volta entre ambos, este Benfica-Porto teve muito mais características de uma eliminatória a duas mãos de uma prova internacional, de uma Liga Europa (também não chegou aos calcanhares de uma Liga dos Campeões…) do que de um jogo do nosso campeonato de trazer por casa.
E é caso para dizer que o Benfica, jogando manco do lado direito na ausência de Eduardo António Salvio, defendeu muitíssimo melhor (e a coxear) a sua posição de privilégio e o seu bom resultado no Dragão do que o Porto fez, objectivamente, para o reverter em seu favor na Luz.

E agora, don Julen Lopetegui Argote?
Em Setúbal, joga o Helton da Silva Arruda ou joga o Fabiano Ribeiro de Freitas? O Helton deve estar muito mal visto pelos filósofos do trogloditismo porque foi abraçar o Júlio César no fim do jogo. Bem chamou a atenção para este pormenor Jaime Pacheco, em rescaldo televisivo, garantindo que estas gentilezas não têm cabimento no histórico da casa. E Pacheco sabe do que está a falar.
Jogue Helton ou jogue Fabiano, na verdade, tanto faz. São dois bons guarda-redes.
É pena é não haver um émulo do portero que foi don Julen Lopetegui entre os guarda-redes do Porto.
- Um Lopetegui para a baliza, já! Mas não, não há. Também era pedir muito."

Leonor Pinhão, in A Bola

Domingo à tarde

"O título desta crónica bem poderia sugerir um dos mais conhecidos romances de Fernando Namora ou do filme homónimo dos anos sessenta de António de Macedo. No entanto, é das tardes de domingo de futebol que escrevo.
No domingo à tarde, a Luz tem mais luz. No domingo à tarde, o vermelho é mais encarnado. No domingo à tarde, a águia não fica encadeada pelas luzes de não ser domingo à tarde. No domingo à tarde, o cheiro da relva é mais vegetal. No domingo à tarde, há lá mais famílias e gerações. No domingo à tarde, as papoilas são mais saltitantes. No domingo à tarde, os rostos são mais abertos. No domingo à tarde, o fim-de-semana ainda o é e tem hífens. No domingo à tarde, ainda não mergulhámos na antecâmara de segunda-feira. No domingo à tarde, não há a medida do cronómetro, ainda que no relvado e cronómetro conte. No domingo à tarde, há sol e há sombra lá em baixo para os artistas escolherem. No domingo à tarde, a chuva parece mais acolhedora e o vento mais harmonioso, ainda que iguais aos da noite. No domingo à tarde, o suor do esforço dos atletas pressente-se mais. No domingo à tarde, joga-se a bola como que fosse mais ao ar livre. No domingo à tarde, a 'chama imensa que nos conquista' é mais intensa. No domingo à tarde, o futebol é competição, mas também desporto. No domingo à tarde, vemos não apenas olhando e escutamos, não apenas ouvindo. No domingo à tarde, há ainda domingo depois. No domingo à tarde, o jantar é a horas.
Por isso tudo, gosto de ver o meu Benfica jogar na Luz no domingo à tarde. O futebol é mais conforme a sua natureza e o Benfica ainda acontece mais em mim."

Bagão Félix, in A Bola

O pragmatismo de Jorge Jesus

"A semana tem sido fértil em comentários desprimorosos sobre a exibição do Benfica no último jogo com o FC Porto. Dizem alguns comentadores e, inclusive, alguns benfiquistas que Jorge Jesus foi demasiado pragmático ao desvalorizar o espectáculo, procurando apenas olhar para o resultado conveniente.
Percebe-se o fundamento das críticas. O nome e a tradição histórica do Benfica deveria implicar responsabilidade, não apenas no domínio do resultado, mas da combinação ideal entre o resultado e a exibição.
A questão de fundo é que Jorge Jesus terá consideração incompatível essa relação e impossível essa combinação. Para o treinador do Benfica, havia apenas que escolher entre o resultado e a exibição. Decidiu-se pelo resultado. Sem hesitações, sem constrangimento e sem ambiguidades.
Curiosamente - ou talvez não - o mesmo têm dito e escrito alguns analistas ingleses sobre o Chelsea e José Mourinho. Dizem que o português só se interessa, mesmo, por ganhar mais um título em Inglaterra.
O problema é que esse só, não é tudo, mas quase tudo. O desporto de alta competição é, essencialmente, resultado e só depois exibição ou, como diria Jorge Jesus, nota artística.
Claro que há o exemplo do Barcelona ou do Bayern, onde, para felicidade dos seus adeptos, a qualidade das equipas admite o ideal: grandes resultados e grandes exibições.
Não é essa, como se deve reconhecer, a situação do Benfica que nem sequer terá a melhor equipa do futebol português e muito menos o melhor plantel. Daí a razão do pragmatismo de Jesus. Alguém o poderá levar a mal?"

Vítor Serpa, in A Bola

Jogar para o Ó-Ó

" «Atacámos como tínhamos de atacar. Infelizmente não marcámos nas oportunidades que criámos, algumas muito claras».
Lopetegui, treinador do FC Porto, a seguir ao 0-0 na Luz

Marca-se um golo a cada quatro oportunidades no futebol. É uma conta subjectiva, porque não há objectividade na definição do que é uma oportunidade de golo ou um remate perigoso, mas parece-me ter correspondência na realidade do futebol português, até nas provas europeias, onde a qualidade dos jogadores poderia, admita-se, aumentar o aproveitamento de 25 por cento para uns 30 ou 35...
Seja como for, tenho esse número como bom. Diria que um jogo com sete ou oito oportunidades de golo para uma equipa a três ou quatro para a outra tem uma forte possibilidade de acabar 2-0 ou 2-1. Qualquer jogo em que ambas as equipas andem perto do golo menos que quatro vezes pode bem acabar 0-0 (ou no caso do Benfica-FC Porto de domingo, Ó-Ó).
Foi, claro, o que aconteceu na Luz. E não importa quem teve mais oportunidades (eu só via duas, curiosamente quase iguais, por Jackson e Fejsa). Ter duas ocasiões de golo contra uma é ter o dobro das oportunidades mas a probabilidade disso se traduzir no resultado é bem diferente de quando se tem oito contra quatro. A história não difere muito do Sporting-Benfica desta segunda volta da Liga - Marco Silva, como Lopetegui agora, achou erradamente que o Sporting fez muito mais que os encarnados. Por acaso o jogo acabou 1-1, mas com o que se jogou devia ter acabado 0-0 (Ó-Ó).
O Benfica pôde, pela vantagem acumulada, jogar para o 0-0 (Ó-Ó) perante os dois grandes rivais. Na Luz acertou em cheio. Em Alvalade falhou nos números mas foi exemplar no sono que provocou."

Hugo Vasconcelos, in A Bola