Últimas indefectivações

terça-feira, 27 de maio de 2014

Na hora de fazer a contas com a Dona da Pensão da Vida

"Não foi a primeira vez que o Benfica decidiu uma final europeia em Itália. A outra foi em 1965 e foi infame! Frente o Inter, em Milão, em pleno S. Siro. Ficou para a lenda!

O título não é meu: roubei-o. Ou melhor: pedi-o emprestado. A frase é do Miguel Torga que sabia da vida como ninguém. Vinha a calhar, logo, não hesitei. Roubei-o ou emprestá-o, faça o leitor o juízo que bem lhe apetecer.
Contas, sim, porque chegámos à altura de fazer contas.
Não foi perfeito? Não. A perfeição existe? Respondem-me vocês que eu não sei. Mas, se não foi, foi quase.
Estive em Turim. Estádio bonito, arrumado. Dizem que leva 40 mil pessoas mas não esteve nem perto. Dir-se-ia estranho. Não pelas pessoas que vinham de Lisboa e de Sevilha e não da própria Turim que ignorou olimpicamente a sua final sem Juventus. Estranho porque conheci o Comunale, o Dell'Alpi, que sendo feios como o Demo, tinham algum do gigantismo, que se atribui à Velha Senhora. Pois. Em Turim está-se como em Braga, em Guimarães. Maneirinho... Mas Turim também é tão maneirinha...
A Dona da Pensão da Vida é uma mulher velha como o Mundo. Convém ter as contas certas com ela. Talvez nisto tudo se veja um sinal de modernidade à mistura com decadência, com a verdade dos novos tempos.
Também estive na Luz com 120 mil pessoas. Que digo eu? Com 130 ou 140 mil, vá lá saber-se. Ninguém controlava bilhetes, entrava-se pelos portões com os pés no ar, entalado na multidão excitada e incontível. Era um tempo muito para além deste tempo, já complicado de lembrar quanto mais de afirmar.
Turim foi o Alcácer-Quibor desta época do Benfica. Uma derrota quase vitória. Mais: um empate quase vitória. O ir sendo não sendo.
O que falhou? Aqueles que pelo caminho se perderam em cartões amarelos e vermelhos. Estamos todos ou quase todos de acordo. (Há sempre uma réstia de inveja mesquinha em comentadores e articulistas de meia-tigela). O Benfica-de-todo-inteiro teria ganho. Senão fácil, confortável. Mas não houve Benfica-todo-inteiro. Houve o Benfica possível na noite impossível. Se me garantirem que nem daqui a mais de 52 anos o Benfica ganhará uma taça da Europa, eu acredito. Não creio no Destino (assim mesmo, com maiúsculas, mas aceito que a Dona da Pensão da Vida embirra com as contas como qualquer matrona embirrenta que gere o negócio do marido que já morreu).

E o domingo tornou-se segunda-feira
Três dias depois estive em Wembley, na final da Taça de Inglaterra. Arsenal-Hull City. Estavam quase 90 mil pessoas num gigante admirável. Metade vestia com o amarelo e negro às riscas do Hull. Dizem as estatísticas que Kingston-ipon-Hull tem 250 mil habitantes. Estaria lá um quarto? Ficaram em casa os velhos, as crianças e os entrevados? Não sei. Mas o novo Wembley comparado com o pequenino novo Juventus Stadium (mas passa pela cabeça de alguém baptizar assim um estádio italiano?) é motivo para ironia maior do que a do Camilo no Eusébio Macário. Num lugar e no outro estive com amigos velhos e estreitos, e encontrei gente que há muito não via. Até de Águeda. De um lugar ao outro vi a festa de uns e a tristeza dos outros. Em Turim a tristeza tinha uma cor: o vermelho.
Finais perdidas: na Europa demasiadas finais perdidas. Oito, se não contarmos com a Taça Latina; nove se contarmos com aquela de Santiago Bernabéu, frente ao Real.
Talvez (repito, talvez) não nos caiba ver o Benfica ganhar uma taça europeia. Nós, os da geração que entra nos 50 anos. O Eusébio não voltou a ver, o Coluna também não. Mas a grandeza dos clubes não se reduzir à estatística meramente mecânica de comparar provas a esmo como se valessem todas a mesma coisa. Haverá outros tempos e outras coisas para ganhar. Quem de quatro tira uma, ficam três. Foi uma época única, invejável.
Antes da final de Wembley, um adepto do Arsenal desabafava-me: «Tomáramos nós o lugar do Benfica. Há nove anos que não ganhamos coisa nenhuma». Ganharam. A festa foi vermelha em Londres. É esse o caminho dos vencedores, mesmo quando passam temporadas esquecidos das vitórias. Depois vêm mais sábados e domingos de euforia pelas ruas. É assim a vida: faremos nós todos (mas todos sem excepção!) contas com a dona da sua pensão.
Em Turim o Benfica, verdadeiramente não perdeu: fez apenas um pequeno intervalo no vício de ganhar.
E por isso o domingo se tornou segunda-feira..."

Afonso de Melo, in O Benfica

A nossa Paula Rego

"Jorge Jesus ainda vai ganhar muitos títulos e vai perder outros tantos. É este o destino de um treinador competente. Como sabemos, será incensado nas vitórias, e como o próprio confessou, ao recordar a subida da escadaria do Jamor no ano passado, após a derrota com o V. Guimarães, será, muitas vezes, insultado. Quando se fizer o balanço, estou certo que se fará justiça.
Nas vitórias e nas derrotas, haverá uma dimensão da sua carreira que ficará para os anais da história. Passarão muitos treinadores pelo Benfica, alguns - poucos - com mais sucesso, mas nenhum será capaz de fazer das conferências de imprensa momentos como os que Jesus nos oferece. Não o digo com ironia.
Claro que o modo como Jesus fala se presta a alimentar a inspiração infindável dos humoristas, mas arrisco afirmar que nunca ninguém em Portugal falou de forma tão atabalhoada para dizer sistematicamente coisas tão acertadas. Como o próprio disse, num vídeo mítico, trata-se de 'dizer coisas certas com palavras erradas'.
O pináculo das declarações de Jesus à comunicação social foi atingido recentemente, com a referência a Paula Rego, após a vitória na final da Taça. Para Jesus, o trabalho de um treinador compara-se ao de um artista: um trabalho invisível que torna possível a criação de um todo, ao mesmo tempo, harmonioso e belo (a nota artística). Ao contrário do que pode parecer, Jesus não estava a sublinhar as virtudes da ética do trabalho. O ponto era outro: a competência de uma equipa tem necessariamente uma dose de inspiração individual, mas no essencial só muito trabalho discreto é que cria espaço para que o talento se possa revelar.
Em todo este episódio houve um lado igualmente simbólico - a visita que Jesus fez à inauguração de uma exposição de Paula Rego. Num abraço terno, ficou retratado o lado congregador e universal do Benfica. De um lado, a sofisticação de recorte pueril mas aterrador da pintura de Paula Rego; de outro, a sabedoria popular mais repleta de ensinamentos subtis de Jesus. A grandeza única do Benfica também radica nesta combinação de opostos."

A revolução das apostas

"O projecto-lei das apostas desportivas está prestes a ser levado a Conselho de Ministros, talvez já depois de amanhã, por imposição da troika e, espera-se, para satisfação do desejo esfaimado dos agentes desportivos. Desde a tentativa das corridas de cavalos de Ponte de Lima, há uns 25 anos, que as apostas lutam contra  monopólio da Santa Casa, que tem estrangulado uma importante fonte de receita, ao proibir a publicidade aos sites online, impedindo que estes devolvessem ao desporto e aos media uma parte dos milhões que lucram com a utilização dos nomes de clubes, atletas e competições. Mesmo que a carga fiscal leve alguns dos sites a desistirem de operar em Portugal, diminuindo o interesse de muitos apostadores, a regulação deste mercado e a desejável abertura a outros operadores nacionais aliviariam a crise financeira do desporto. Será desta?"

O jogador da época 2013/14

"Enzo Pérez foi a imagem mais deslumbrante de um campeão intenso, equilibrado, racional, autoritário, que dominou todos os princípios do futebol que praticou. Ninguém como ele foi tão relevante para a equipa, domínio dos seus princípios, estilo e orientação táctica.
1. Nem sempre os jogadores são apreciados pelos melhores e mais correctos motivos. Correr, por exemplo, só é um valor sólido se respeitar duas orientações (quando e para onde), embora muitos sejam elogiados pela tendência, tantas vezes demagógica, de quererem estar em toda a parte, sem perceberem que causam um problema (ou vários) onde deviam levar a solução. Dessa doença não sofre Enzo Pérez. O extremo de mediana classe, que Jorge Jesus fez evoluir para médio-centro de nível mundial, é a prova de que, por mais que nos queiram convencer do contrário, no grande futebol não cabem futebolistas que os treinadores utilizam como ferramentas sem cérebro. Por ser inteligente e ter as ideias no lugar, há muito que eliminou a parte mais venenosa do êxito (a vaidade) e do fracasso (o conflito).
2. O seu jogo de vistas largas leva equilíbrio, segurança, inteligência e soluções tácticas que reforçam a equipa e permitem mantê-la sempre organizada. São muito raros na história os jogadores que, em patamares de exigência máxima, conduzem os seus exércitos à vitória com armas de gregário (empenho, simplicidade e disciplina) e a arte dos grandes intérpretes (técnica, visão e magia); que despojam o futebol de toda a superficialidade quando se ocupam da defesa de um espaço ou da vigilância a um adversário e são eloquentes nos argumentos que apresentam para intimidar à frente; que têm espírito para perseguir quem os ataca e brilhantismo para, logo a seguir ao roubo da bola, inverter a energia e causar danos, alguns irreparáveis, na estrutura do adversário.
3. Sem bola é o mau da fita, que nunca se distrai e recusa desviar-se um milímetro que seja do caminho traçado; quando toma iniciativa tem mais que fazer, não perde tempo com malabarismos e ziguezagues que só atrapalham. Tem personalidade para parar um comboio, visão para organizar o plano e talento para concretizar todas as ideias que transporta. De resto, bola que lhe passe pelos pés sabe várias coisas antecipadamente: que não receberá uma carícia como prenda; por norma ficará ali pouco tempo e terá sempre o destino correto, seja a um toque ou após aventuras individuais deslumbrantes – lindo de ver, dificílimo de travar. Tudo quanto decide e faz rejeita o adorno e revela eficácia sem pompa. Prova de que domina de olhos fechados a diferença entre exibicionismo e a sublime técnica individual.
4. Enzo Pérez foi o jogador da época 2013/14, porque foi a imagem mais deslumbrante de um campeão intenso, equilibrado, racional, autoritário, que dominou todos os princípios do futebol que praticou. Podia ter sido qualquer das torres defensivas (Luisão e Garay) ou o génio mais desequilibrador (Gaitán); mas nenhum como Enzo foi tão relevante para a equipa, domínio dos seus princípios, estilo e orientação táctica. A seu favor pesa ainda a capacidade para ser sempre importante, mesmo quando surge muito desgastado, como sucedeu na final da Taça de Portugal: quando tem a bola, porque dispõe de armas tremendas para a criação; quando não a tem, porque é solidário e comprometido; quando ganha, porque o êxito não o embrutece; quando perde, porque a derrota em nada o diminui. É um craque da cabeça aos pés.

Porque o penálti não se teatraliza
Por mais que execute pontapés dos 11 metros durante a semana, às dezenas todos os dias, nunca o jogador conseguirá teatralizar verdadeiramente a situação que vai encontrar em jogo. No fim de um treino, sem pressão, perante guarda-redes descomprimidos, é muito mais fácil ter sucesso do que em estádios cheios, na decisão de uma competição europeia. Dizia o jornalista brasileiro Armando Nogueira que o penálti é uma execução em que o carrasco pode ser a vítima. Para mal dos pecados encarnados, foi o que sucedeu a Cardozo e Rodrigo em Turim.

Sete conquistas em cinco anos
Jorge Jesus confirmou temporada quase perfeita. Mais importante ainda do que os três títulos de 2013/14 é o balanço de cinco anos à frente da águia: duas Ligas, uma Taça de Portugal e quatro Taças da Liga. Se quisermos encontrar o mesmo número de troféus recuando no tempo, contas feitas, chegamos ao campeonato de 1990/91, isto é, há 23 anos. Jesus é o melhor treinador encarnado desde Eriksson e um dos melhores de sempre. “Acardite” mais ou menos; mastigue 20 ou 40 pastilhas elásticas por jogo; tenha a Alemanha ganho um, três ou 33 Campeonatos do Mundo.

(...)"

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Goleada... sem consequência!!!

Benfica 12 - 0 Valongo

Matematicamente fora da corrida pelo título, contra um adversário que independentemente do resultado tinha (e tem) que ganhar na última jornada, na recepção aos Corruptos, para ser Campeão... e que por isso, esta noite resolveu poupar os titulares, o Benfica acabou por golear, tranquilamente...
Este resultado tem pouco significado, mas não deixa de demonstrar como este Campeonato foi mal perdido... bastava, o Roubo de Valongo não ter acontecido, e o Benfica estava a uma jornada de se tornar Campeão!!! É verdade que alguns empates, não deveriam ter acontecido, mas esse é o tal velho argumento, no qual ser melhor não chega, temos que ser perfeitos!!!
A época ainda não acabou, vamos ter a Final Four da Taça de Portugal, onde quase de certeza vamos defrontar os Corruptos na Final... em condições normais diria que temos tudo para ganhar, mas como estamos de falar de Hóquei em Portugal: depende!!!

Capital mundial

"Lisboa foi a capital mundial do futebol. Recebeu a final da Liga dos Campeões aproveitando para mostrar ao mundo as coisas boas de Portugal. Foi brilhante e devem os responsáveis do Turismo agradecer ao futebol esta oportunidade fantástica.
Os 100 anos da FPF proporcionaram este momento único em termos desportivos mas também de enorme impacto económico. As contas só se fazem no fim, mas este foi mais um momento marcante que deve fazer pensar os que estão sempre contra a realização de eventos desportivos em Portugal com a habitual arrogância pseudo-intelectual e preconceitos contra o futebol que uma vez mais injectou muitos milhões de euros na nossa economia.
Lisboa assistiu a um derby que fica para a eternidade deixando Madrid quase deserta, pois houve invasão ao nosso país, com e sem bilhete. A festa foi bonita e espalhou-se por toda a cidade.
A FPF mostrou que a sua equipa está preparada para todo e qualquer desafio organizativo e António Costa, da Câmara de Lisboa, apostou e ganhou no apoio dado ao evento.
Tive o privilégio de assistir a momentos únicos e inesquecíveis. Platini a falar em português, bem como os presidentes de Atlético e Real abraçados, dizendo que são bons amigos fora do campo mostrando fair play, respeito e desportivismo acima da média e transformando o futebol numa festa espectacular e única.
Esta final fica para a história por diversos motivos. Um é seguramente o recorde de Cristiano Ronaldo que voltou a marcar, somando 17 golos em 11 jogos. Soberbo, é de outro mundo. Pepe, Fábio Coentrão e Cristiano Ronaldo estavam eufóricos e Tiago triste apesar da réplica dada pelo Atlético enquanto teve pernas.
Parabéns a todos pela bonita festa. Parabéns, FPF!"

Hermínio Loureiro, in A Bola

A Champions e os nossos...

"Final da Champions no estádio da Luz aguçara apetite do Benfica e até do FC Porto. Mas era sonho sem pernas para andar. Mesmo para o Benfica que saiu mal da fase de grupos, com 10 pontos - habitualmente suficientes para qualificação - e saber a injustiça no 1-0 na Grécia, quando jogou bem, atacou muito e esbarrou em fantástica exibição do seu ex-guarda-redes Roberto. A verdade é que, para lá de quartos de final na Champions, qualquer sonho lusitano passou a ter foros de quimera desde que, na última mão cheia de anos, tanto se agravou o fosso entre os clubes riquíssimos (e têm-se multiplicado...) e os remediados, quando mais face aos que, nesta crescente bitola, nem remediados chegam.
Portugal/Lisboa/Luz; especial alvoroço de 5 finalistas. Mais do que o luso-brasileiro Pepe (que lhe deu para festejar com a bandeira de Espanha?!), Ronaldo (finca-pé em desforra no estádio onde perdeu a final do Euro-2004) e, claro, Tiago, Coentrão e Di Maria, trio de ex-Benfica. Di Maria tanto se inspirou que foi o gigante desta final. Ali, onde ele e Coentrão, após 2 anos no Benfica jogando quais brinca na areia, tiveram a sorte de encontrar um senhor treinador que os virou do avesso: Jorge Jesus."

Santos Neves, in A Bola

Lisboa: a cidade da décima

"Depois das festas de Madrid, é o arranque definitivo da operação Mundial. Com Cristiano Ronaldo a 'exigir' merecido repouso.

1. (...)

2. (...)

3. (...)

4. Tive o privilégio de assistir, ao vivo, às duas finais da principal prova europeia de clubes que se realizaram em Portugal.Em 1967, menino e com farda impecável do Colégio Militar, vivi a vitória, nunca esquecida, do Celtic. Dois a um. E vitória escocesa contra o Inter de Milão. Foi, de certa forma, o fim de um ciclo europeu construído a partir de 1956 e totalmente dominado inicialmente pelo Real Madrid - com seis conquistas até 66 -, Benfica - duas - e Milão e Inter da mesma cidade. Depois foi o Manchester United e o início do período holandês, em especial do Ajax. A que se sucedeu o ciclo alemão - Bayern de Munique - e de imediato, o ciclo de seis conquistas inglesas, com Liverpool (3), Nottingham Forest (2) e Aston Villa. A partir da época de 1985, surgem novos vencedores, como, entre outros, o Futebol Clube do Porto, a Juventus, o PSV, o Estrela Vermelha, o Marselha, o Borussia de Dortmund ou, mais tarde, o Chelsea. Agora, num Estádio da Luz acolhedor e caloroso, uma disputa renhida entre as duas principais equipas de Madrid. O jogo de sábado mostrou, a quem tinha dúvidas, que valeu a pena construir o novo Estádio e que o futebol é um fenómeno de massas, bem único e bem singular. Um fenómeno global como sentimos em Lisboa. Ali estavam os grandes nomes das finanças do mundo e do futebol global. Os grandes treinadores e os grandes jogadores que nunca esquecemos. E que foram nossas referências. Os grandes empresários da indústria do futebol e, naturalmente, os principais actores políticos conexos com as equipas participantes. Mas permitam-me uma nota bem pessoal. Ter o privilégio de assistir à final de sábado passado bem próximo - e escutando os seus sábios comentários - de antigos campeões europeus como António Simões, José Augusto ou Ângelo ou de um grande senhor da cultura portuguesa e europeia como o Professor Eduardo Lourenço é, em definitivo, como refere Matthew Arnold: «A cultura é a busca da nossa perfeição total mediante a tentativa de conhecer o melhor possível o que foi dito ou pensado no mundo em todas as questões que nos dizem respeito». Em todas as questões, sublinho! Que privilégio!

5. (...)

6. Lisboa foi mesmo o centro da Europa na semana passada. O hino da Liga tão bem cantado pela Marisa foi escutado por centenas de milhões de cidadãos desta nova vizinhança global. E Lisboa ficará, sempre, ligada à conquista da décima pelo Real de Madrid. Como ficou com a singular conquista do Celtic. São estes momentos únicos que também ajudam a escrever a história. Já que ela também é repositório de factos. E nestes, e respeitosamente indo a Fernando Pessoa e à sua Lisboa: o que o turista deve ver, lá passará a estar para os fervorosos adeptos do Real de Madrid o Estádio da Luz. O local onde conquistaram, com dificuldade e mérito a Décima! A décima Taça de melhor da Europa!"

Fernando Seara, in A Bola

Triplete à vista !!!

domingo, 25 de maio de 2014

Vice-Campeões Europeus...

Vice-campeões da Europa de Atletismo de Pista... grande resultado para o Benfica. Com a desistência dos Russos, o caminho para a Prata foi facilitado. Mas os Checos e os Espanhóis prometiam luta... os Italianos, têm uma equipa muito superior, por isso o 1.º lugar esteve sempre longe. Ontem no final do 1.º dia estávamos em 3.º, mas hoje demos a volta... mesmo com várias ausências por lesão. Parabéns a todos os atletas, e parabéns à Ana Oliveira, a principal responsável pela secção de Atletismo do Benfica ter voltado aos grandes palcos... Mas é impossível não destacar as vitórias do Marcos Chuva, do Diogo Ferreira, do Marco Fortes, e da estafeta dos 4x400... desta estafeta fez parte o jovem Ricardo dos Santos, atleta que promete muito, para o futuro próximo...
Não será fácil no futuro próximo conseguir o título (este resultado resulta essencialmente de algumas contratações cirúrgicas, para algumas 'posições' chave!!!), mantendo a actual política de contratações (vários Clubes de outros países, acabam por contratar vários atletas internacionais para estas competições), se o Benfica quiser ser Campeão Europeu só com a prata da casa, não vai ser fácil, mas não é impossível... mas tem temos que ter todos disponíveis, no máximo de forma...!!!
Em Viena a Dulce Félix, venceu novamente, desta vez numa corrida citadina de 5 Km... Parabéns!!!

1.º - Fiamme Gialle (Ita)                         - 124,5
2.º - Benfica (Por)                                      - 111,5
3.º - Playas de Castellon (Esp)                  - 106
4.º - Dukla de Praga (Che)                        - 92
5.º - Shaftesbury Barnet Harriers (Eng)       - 88
6.º - Enka (Tur)                                     - 85
7.º - Maccabi Tel Aviv (Isr)                      - 60
8.º - Entende Francoville (Fra)                  - 48

100m - 3.º - Yazaldes Nascimento - 10,70s
110m Barreiras - 2.º - André Costa - 14,40s
200m - 5.º - Yazaldes Nascimento - 21,75s
400m - 2.º - Ricardo Santos - 46,66s
400m Barreiras - 2.º - Jorge Paula - 51,05s
800m - 3.º - Miguel Moreira - 1:48, 08min
1500m - 4.º - Hélio Gomes - 3:49,31min
3000m - 2.º - Rui Pinto - 8:14,32min
3000m Obstáculos - 4.º - Alberto Paulo - 8: 49,91min
5000m - 4.º - Tiago Costa - 14:13,28min
4x100m - 5.º - Ancuiam Lopes, Arnaldo Abrantes, Diogo Antunes, Yazaldes Nascimento - 40,81s
4x400m - 1.º - Arnaldo Abrantes, António Rodrigues, Jorge Paula, Ricardo Santos - 3:11,23min
Altura - 5.º - Paulo Gonçalves - 2,09m
Comprimento - 1.º - Marcos Chuva - 7,79m
Triplo - 5.º - Marcos Caldeira - 15,61m
Vara - 1.º - Diogo Ferreira - 5,37m
Martelo - 6.º - António Vital da Silva - 63,76m
Dardo - 8.º - Tiago Aperta - 61,99m
Disco - 4.º - Jorge Grave - 56,21m
Peso - 1.º - Marco Fortes - 20,43m

Sem margem de erro...

Fundão 2 (1) - (0) 1 Benfica

O Fundão já provou que neste momento está praticamente ao nível do Benfica e do Sporting. O Benfica acabou por ter 'azar', nesta 'chave' do Play-off já que enquanto o Braga começou muito bem, e por isso conseguiu o 3.º lugar, o Fundão foi melhorando durante a época... E neste momento, o Sporting acabou por ser 'premiado' por ter ficado em 2.º na fase regular!!! Mesmo assim, os Lagartos ontem em Braga só venceram nos penalty's!!!

Não posso entrar em pormenores, mas tal como nos Juvenis, as crónicas falam num festival de desperdicio... Na Luz, sem margem de erro, temos que ser eficazes...

Juvenis - 2.ª jornada - Fase Final

Diogo Gonçalves
Benfica 2 - 2 Sporting

Já esperava dificuldades após o Europeu de sub-17, a equipa esteve concentrada no Europeu de Selecções durante quase 3 semanas, primeiro com 12 jogadores, e depois ficaram 11 !!!
Não vi o jogo de hoje, mas as crónicas são unânimes em considerar o resultado injusto, com o Benfica a assumir o jogo, e o Sporting a jogar no erro... Tivemos a perder por 0-2, mas conseguimos empatar, mesmo com uma desastrada finalização...
É verdade que este Benfica pode ganhar em qualquer campo, nas estes 'campeonatos' a 4, com 6 jornadas, não deixam espaço para grandes recuperações. Estamos à frente, mas é essencial não voltar a escorregar...

Benfica.......4
Guimarães....3
Sporting.......2
Corruptos....1

sábado, 24 de maio de 2014

E a Luz deu Di Maria !!!

E nesta noite onde a nossa Catedral recebeu o maior jogo de Futebol do Mundo, nada melhor do que um nosso ex-jogador, ser considerado a maior Estrela da noite: Angel Di Maria... Curiosamente, nas muitas antevisões que ouvi e li, o regresso do Di Maria à Luz passou quase despercebido... Foi de longe o melhor jogador e campo, decisivo, só lhe faltou o golo. Parabéns também para o Coentrão, que estava a fazer um bom jogo quando foi substituído...
Estes foi um daqueles jogos, onde pessoalmente, não tinha preferências... mas quando hoje, soube da clausula de 1 milhão de Euros, no contrato do Di Maria, perguntei logo: e o contrato do Coentrão não tem a mesma cláusula porquê?!!!
Nos últimos dias, sem vender ninguém o Benfica encaixou mais de 4 milhões de euros (Champions, Di Maria e David Luiz), agora só espero que a UEFA levante a tenda rapidamente da Catedral, aquele azul não fica nada bem... Independentemente da visibilidade global que este jogo deu a Lisboa e ao Benfica, não posso deixar de criticar os exageros que foram permitidos: com o Museu fechado e a Benfica TV praticamente fechada...!!! Gostamos de ver a Catedral bem vermelhinha...!!!
Uma nota final ainda para a UEFA, a FIFA e até para o Simeone: foi deprimente ver no maior jogo da época, os jogadores completamente de rastos, durante mais de 30 minutos!!! Enquanto os dirigentes continuam a inventar competições todos os anos, ou a aumentar o número de jogos em cada competição... quando chegamos aos momentos das decisões, temos os jogadores completamente esgotados... o mesmo aconteceu com o Benfica esta época...!!!
O Simeone também merece um recado, porque hoje (e antes já tinha feito o mesmo), voltou a apostar num jogador lesionado, e depois foi obrigado a fazer uma substituição aos 9 minutos... E depois, quando foi para o prolongamento, teve uma substituição a menos, algo que até pode ter sido decisivo devido aos muitos jogadores que pediam para sair...!!!

Um sonho dourado

"Em 1965, Eusébio conquistou a Bola de Ouro, troféu instituído pela France Football para distinguir o melhor futebolista europeu. O prémio foi-lhe entregue no ano seguinte por Dennis Law, seu antecessor e adversário nesse dia.

O tempo das idas à mercearia para fazer compras à Dona Elisa, o do pontapé a meio caminho na bola de trapos, o da baliza feita de pedras e caniços, o do Carlitos, do Mandala e do Orlando, o do Senhor Chico das cautelas: todo esse tempo da sua infância em Moçambique era já, docemente, uma coisa rupestre.
Agora Eusébio era o melhor da Europa. Para muitos, até, o melhor do mundo.
Habituado a vencer, chegou naquela noite ao Estádio da Luz para dar a volta a uma derrota por 2-3 sofrida em Manchester, em jogo da Taça das Clubes Campeões Europeus. Mais do que isso, era uma noite muita sua, de aclamação e reconhecimento muito especiais. À espera dele tinha Max Urbini - chefe de redacção da prestigiada revista France Football -, a estrela mor do United, Denis Law, e 75 mil almas a cobrir totalmente as bancadas e a fazerem soar uma orquestra de buzinas, rocas, gaitas e chocalhos ensurdecedores.
Entrou de branco para se distinguir do encarnado que, naquela noite agridoce, seria de Law e companhia. Tinha 24 anos. A Bola de Ouro, arrancada precisamente por Law no ano anterior, era agora sua. Finalmente, sua! E se o checoslovaco Masopust não existisse em 1962, seria a segunda. Mas agora nem os magníficos Giacinto Facchetti ou Luís Suarez, recém-campeões europeus pelo Inter de Milão, à custa dele e de um mar de sorte, conseguiriam interpor-se.
Habituado a elogiá-lo no magazine gaulês, Max Urbini guardou a caneta e o papel para mais tarde. Era hora de se juntar a Law no relvado, para depositarem nas mãos de Eusébio um sonho dourado, capaz de tentar os irmãos Metralha ou os Argonautas. Pela primeira vez, um jogador português obtinha o máximo reconhecimento internacional. E estava ainda por escrever grande parte da fábula. A começar pela façanha dos 'Magriços' em Inglaterra, daí a uns meses, com ele imparável e soberano. No fim da festa, veio o jogo. Mas a noite seria pequena, dramaticamente incapaz de rimar com a sua grandeza. George Best (2), Herd, Connelly e Bobby Charlton pareciam ter bolas a nascer-lhe dos pés. Eusébio ficou estupefacto a vê-las entrar.
Cinco! Cinco a um! E nem mesmo o ponto de honra teve digna assinatura: Dunne, na própria baliza, que no final gracejou: 'Como fui eu quem meteu a bola do Benfica, espero ter direito aos prémios que os jornais anunciaram... Se calhar, esses senhores anunciantes estavam a pensar no Eusébio, não?'
Ganhar e perder fazia parte. E, nisso, Eusébio era igualmente maior, tendo reconhecido como superior a exibição dos ingleses.
No dia seguinte, a Bola de Ouro iria para Charlton. Eusébio em segundo, apenas a um ponto! Mas se em 1962 houvera, de facto, um Masopust inquestionável, agora, mais do que Charlton, havia impensavelmente um homem da caneta: Couto e Santos. O jornalista português do Mundo Desportivo faria a diferença no referendo, entregando a Inglaterra o ouro português. Eusébio teve pena. Eusébio teve mesmo muita pena. Portugal, também."

Luís Lapão, in Mística

Reflexões de um benfiquista do Porto

"1. Cresci num mundo familiar 'hostil', composto por uma coligação negativa de verde lagarto com tons fortes de azul e branco. Só mesmo aquela imperial vermelha e branca dos anos 60 (equipa encarnada, já que a censura salazarista nem nos permitia chamar vermelho ao que era... vermelho) poderia ter transformado este longínquo vianense num benfiquista dos quatro costados.
Claro que aconteceu comigo e com muitos outros milhares de portugueses da minha geração. Tudo obra daquela equipa imensa, da saga estoica da final de Berna e dos primeiros passos do grande e saudoso Eusébio, entronizado em Amesterdão. Mas o risco de me 'perder' até foi grande. É que se os pais são ainda, felizmente, lagartos, o perigo maior vinha do meu avô azul e branco, que, 'aproveitando-se' dos meus oito(nove anos, tudo tentou para me garantir na sua banda. Chegou mesmo a arrastar-me 70 quilómetros (no final dos anos 50, sem portagens nem SCUT) para me mostrar os andrades nas tardes de domingo (e de que recordo um jogo contra o Belenenses, derrotado por sete a zero, e um golo directo do Acúrsio, então guarda-redes das Antas).
Só que ser do contra já me estava - felizmente - na massa do sangue. Embora, com a ajuda do nosso Eusébio e companhia, até me tenha sido fácil (e ao meu irmão) organizar a 'revolta' e impor à família uma outra realidade, toda de vermelho e branco. Como se prova, valeu (e vale) a pena resistir.

2. Vivo há bastante tempo em Matosinhos. Considero-me uma espécie de cidadão do Porto Região, já vivi na cidade, também já estive em Gaia, montei agora arraiais a 500 metros do Passeio Marítimo do 'nosso' Souto Moura, quase em frente à entrada de Leixões. Amigos de Lisboa perguntam-me por vezes se não tenho problemas em ser benfiquista no Porto. Há muita gente que pensa que ser benfiquista no Porto é duro e difícil, que é preciso coragem para suportar a pressão dos andrades. Um dia destes cruzei-me num restaurante com o Miguel Sousa Tavares e logo a tese contrária veio à baila, que o que era mesmo difícil era ser portista em Lisboa, isso sim, era um acto de coragem (...). Neste particular até acho que Sousa Tavares tem certa razão. Só que nada disso tem a ver com coragem ou com maior ou menos tolerância.
Claro que é bem mais fácil um nativo do Porto ser benfiquista que um lisboeta ter tendências azuis e bancas. E a explicação é fácil. É que benfiquistas no Porto são aos magotes, aos milhares, é fácil e natural o encontro, a convivência e a afinidade quotidiana entre benfiquistas em pleno coração do dragão. O contrário não se verifica, portistas em Lisboa são coisa invulgar, razão pela qual os portistas da capital se 'sentem' mal, isolados, como se fossem uma espécie rara.
E na verdade até são.

3. Depois de, em Julho passado, ter saído do Parlamento nacional, confronto-me agora no 'parlamento' municipal da Invicta com Rui Moreira e o seu (ainda) delicodoce estado de graça. Deixei, é claro, bons amigos em Lisboa, que amiúde revejo com gosto, e que, conjugados com novos focos de actividade, ajudam a fazer a transição de 14 anos de um vai-e-vem quase frenético entre o Porto, a capital e muitos outros sítios e locais.
Há contudo, coisas que a distância e a mudança de estilo e de vida comprometeram de forma drástica. O ambiente e a emoção, a corrente de energia positiva entre quem assiste e faz força e quem, tapete, jogo e luta fazem falta. Tem-me faltado, confesso, o som e a luz da nossa Luz...

4. Há dias ouvi Passos Coelho dizer que era benfiquista. Há coisa de ano e meio também ouvira Vítor Gaspar dizer que o era.
Então agora qualquer pessoa pode, a despropósito, anunciar publicamente que é benfiquista? Usar o bom nome do Benfica para benefício próprio? Sem sequer pedir autorização prévia nem pedir direito de admissão? Sem pagar ao menos um imposto e contribuir para aumentar as receitas do Estado? (confesso que até já pensei em remeter esta indignação-sugestão para os homens da troika...).
Por falar em Passos Coelho, o primeiro-ministro anda há uns tempos a dizer que em Maio vamos abandonar o memorando da troika (ainda não percebi porque chama programa cautelar ao memorando, mas enfim...). Argumenta Passos Coelho que o país está diferente, muito melhor que há dois anos. Pode ser que sim, que tenha razão. Mas eu acho que essas afirmações têm que ser provadas, têm que passar pelo teste do algodão.
E o teste do algodão todos sabemos qual é. Por isso, antes de Maio, o primeiro-ministro tem de ir assistir a um jogo de casa cheia na Luz e ser anunciada a sua presença pela instalação sonora. Logo se verá se, efectivamente, o país está mesmo melhor que em 2011..."

Honório Novo, in Mística

A aranha e a besta

"Considerado na história do futebol o melhor guarda-redes de sempre, o soviético Lev Yashin selou com Eusébio uma amizade imortal.

Ali, naquele único pedaço do campo onde a relva não crescia, o mundo era dele. Tinha dois braços que pareciam quatro. Uma silhueta assustadora. Era um colosso. Um aracnídeo gigante que tecia uma teia inviolável, possuindo um poder capaz de fazê-lo vaguear às cegas entre buzinas de automóveis e campainhas de eléctricos. No seu reduto, não houve igual.
Incomparável a desfazer golos feitos. Penáltis, esses, foram mais de 100. Um houve, especial, que lhe fintou a estatística. Do outro lado estava uma besta, como um dia o classificou o jornalista espanhol Ramón Melcón; uma criatura que transportava em corrida a tal doutrina dos golos feitos; que 'corria como só pode correr alguém que foge da polícia ou da miséria' - assim o pintou o escritor uruguaio Eduardo Galeano.
O aracnídeo gigante pôs-se em guarda, pronto a encarar friamente a besta e a desfazer-lhe sem cerimónias o proveito e a fama. No cartão de identidade tinha o maior dos nomes: Lev Ivanovich. Mais simplesmente: Yashin.
A bestial criatura colocou o esférico no umbigo da área. Deu meia volta e afastou-se uma dúzia de metros. Ali ficou, por instantes, a medir o alvo, como fazem os touros.
Dezoito anos mais cedo, Lev era apenas Levezinho: recta a figura, mãos sonhadoras, bálsamo no cabelo. O Dínamo de Moscovo acabava de recrutá-la. Durante uns tempos, seguiu do banco as mãos graduadas de Alexei Khomich, o 'Tigre', general das redes no clube moscovita e na selecção soviética. Nessa era, a criatura que 'corria como só pode correr alguém que foge à polícia ou à miséria' era ainda um menino a pontapear, descalço, uma trapeira na Mafalala. Uns anos mais tarde, aterraria em Lisboa, já senhor de uns sapatos, mas descalço na modéstia que o seguiria a vida inteira.
'Remata com os dois pés?' - perguntam-lhe, à chegada. Responde que 'sim, mais ou menos...'.
Por essa altura, havia já em Moscovo e na Europa do futebol o aracnídeo gigante. Havia já Yashin: quatro títulos no Campeonato Nacional e três na Taça da URSS; um título olímpico (1956) e outro europeu (1960) ao serviço da sua selecção. A 28 de Julho de 1966, naquele jogo em que se definia em Londres o terceiro lugar no Campeonato do Mundo, entre Portugal e a União Soviética, somava já novos títulos e a única Bola de Ouro (1963) atribuída até hoje a um guarda-redes.
Mas também o menino, por essa altura, era já um senhor. Era já Eusébio: igualmente Bola de Ouro (1965), campeão europeu de clubes (1962), cinco vezes vencedor do Campeonato Nacional e três da Taça de Portugal, ao que somava ainda duas Bolas de Prata - eis a besta que parte para a bola na arena de Wembley.
Atira forte e colocado ao ângulo.
Estira-se o 'Aranha Negra', com todos os membros, mas não lhe chega. Acercam-se ambos um do outro. Para além dos bichos, estão os homens. Cumprimentam-se como irmãos, Filhos perfeitos do fair play e da humildade."

Luís Lapão, in Mística

Acabou... finalmente !!!

Corruptos 24 - 19 Benfica

Acabou o martírio... mais uma temporada sem títulos!!! Exige-se uma revolução...
Nestas ocasiões o elo mais fraco costuma ser o treinador, nos jornais já apareceu o nome do Paulo Fidalgo, mas muito sinceramente não creio que a simples mudança de treinador mude o cenário do Andebol do Benfica. É verdade que o 'sistema' no Andebol também é uma realidade, mas temos dado demasiado tiros nos pés, para nos podermos queixar com convicção...
Em relação ao plantel basta analisar a entrada do Semedo na equipa, para chegar à conclusão que precisamos de um jogador igual, para o lado direito... já que o Pedroso (que já renovou!!!), não consegue ser uma opção regular, durante uma época inteira.
Faz-me confusão ler e ouvir Benfiquistas a pedir o fecho da secção, até porque na Formação o Benfica tem feito um excelente trabalho... Aquilo que temos que fazer, é melhorar o nosso desempenho. Também discordo, da não participação Europeia para o ano, até porque com o 4.º lugar vamos à Challenge... onde até podemos ser felizes e repetir a Final...!!!

PS1: Parabéns às nossas meninas do Basket que hoje se sagraram Campeãs Nacionais da 1.ª Divisão (que é de facto a 2.º divisão!!!), isto depois da semana passada já terem confirmado a subida ao escalão máximo do Basket feminino...

PS2: No 1.º dia da Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo, os nossos rapazes, estão em 3.º lugar. É pena que nesta altura nem todos os atletas estejam no seu melhor, e que ainda tenhamos alguns lesionados importantes, já que sem os Russos (faltou dinheiro para a viagem!!!), podíamos pelo menos dar mais luta aos Italianos... Estamos somente a 3 pontos dos Checos (2.º), portanto, amanhã a Prata é possível...

PS3: Parabéns à Teresa Portela, pela medalha de Bronze da Taça do Mundo de Szeged na Hungria, no K1 500m.

PS4: Parabéns aos putos dos Iniciados, que depois de se terem sagrado Campeões Nacionais da categoria, venceram este fim-de-semana um torneio particular, onde derrotam o Bate Borisov por 6-0, o Maribor por 9-1, uma selecção Russa por 7-1, e na Final venceram o Estrela Vermelha por 3-2!!!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Tricampeões... 25.º título Nacional !!!

Guimarães 72 (0) - (3) 88 Benfica
14-28, 26-18, 18-28, 14-14

Já está... acabou por ser mais fácil do que o esperado. O Vitória nos primeiros jogos da temporada parecia que ia dar mais luta, mas uma excelente atitude defensiva da nossa equipa, acabou por tornar esta Final, num aparente passeio...
Hoje, mais uma vez, o Jobey fez a diferença ofensivamente... nas últimas épocas temos tido vários bons Americanos que acabam por se ir embora, mas o Jobey é claramente o melhor entre eles... e devido à idade (menos apetecível no mercado Europeu...), até pode ser que fiquei por cá...!!!
Parabéns a todos, começando pelo por vezes muito criticado Carlos Lisboa, e a todos os jogadores... Esta noite, nem o mau 2.º período merece critica!!!
Só tenho um reparo, gostava que o Ferreirinho durante a época tivesse mais minutos... para o ano, espero que o Castela também seja mais utilizado... Já foi notícia, que para o ano, todas as Modalidades do Benfica, vão reduzir os orçamentos, espero que essa gestão seja feita com 'cabeça'... até porque no Basket com o regresso dos Corruptos mascarados, com outro nome, vai provavelmente aumentar o grau de dificuldade... apesar do Vitória, provavelmente continuar a ser o adversário mais difícil!!!
Apesar de ter sido mais utilizado nesta parte final da época, o Weaver durante a maior parte do ano, parecia desligado da equipa, talvez o 'corte' se possa fazer por aí, mantendo o resto da equipa...
PS: Os dirigentes Vitorianos pediram um ambiente 'grego' para este jogo!!! Pessoalmente gosto de ver pavilhões cheios... seria bom que assim fosse sempre. Mas infelizmente a definição de um 'grande ambiente' é passar o jogo todo a ofender a instituição e os jogadores do Benfica... Ainda por cima sem originalidade nenhuma nos cânticos!!! Mal educados e plagiadores...!!! E por incrível que pareça, até são elogiados pelos jornaleiros e pelos dirigentes!!!

33 - 5 - 25

"Ontem o meu amigo Paulo Pina fazia-me notar um erro de semântica frequente nesta overdose de conquistas do Benfica: repetidamente se disse que o Benfica foi o único clube a ganhar os três títulos na mesma época, mas bastaria dizer que o Benfica foi o único clube que ganhou os três títulos. De facto Campeonato, Taça de Portugal, Taça da Liga e uma final europeia são dose quase irrepetível de alegrias.
Não sei como vai o nosso organismo reagir aos próximos dois meses, sem finais para vencer e títulos para conquistar. Agosto e a Supertaça ainda estão longe. Esta questão da habituação pode mesmo ser um problema sério. Por cautela, vou logo ver o basquetebol a Guimarães, para evitar recidivas.
Justo dizer que o Rio Ave fez mais para ganhar a Taça de Portugal que o Sevilha para vencer a Liga Europa, mas o futebol também tem injustiças, relativas. Tivemos azar e um árbitro manhoso em Turim, tivemos sorte e um poste amigo no Jamor.
Foi uma época de sonho, merecemos cada momento de alegria, esperemos poder repetir, pelo menos em parte, na próxima época.
Ver os jogadores esgotados no final do jogo do Jamor foi uma alegria, ficou a certeza de que deram tudo, de que deixaram a última gota de suor em campo, de que a única ideia que tinham era vencer. Talvez por isso venceram tanto e venceram todos.
Se para Jorge Jesus subir à tribuna do Jamor foi bem diferente este ano em relação à última época, imaginem então para os milhões de adeptos do Benfica.
Enquanto os adversários terão que construir uma equipa para nos derrotarem, nós teremos que tentar não destruir a nossa para continuar a vencer. Tenho dúvidas do que será mais difícil, atento à conjuntura de mercado. Agora começa o martírio dos títulos de jornais que nos vendem um jogador todos os dias. Fica a fé de que na maioria das vezes é mentira e a certeza de que «o campeão voltou». Vejam bem que maravilha de título tem esta crónica."

Sílvio Cervan, in A Bola

Deve estar a falar Chinês !!!



É inacreditável a quantidade de vezes que o Jesus já indicou neste final de época que vai ficar, e mesmo assim, continua-se a especular com a sua saída...!!! Até com uma entrevista do Maxi à chegada ao Uruguai, fizeram a mesma coisa!!! O entrevistado diz uma coisa, o jornaleiro, infere o oposto...!!!