Últimas indefectivações

domingo, 14 de novembro de 2010

Enganador




Vitória preciosa, com 5 titulares ausentes, com uma entrada nervosa que o golo do Kardec ajudou a amenizar. Mostrando bastantes fragilidades a defender (principalmente no meio-campo, e a culpa não foi do Airton), mas para compensar uma excelente produção ofensiva, desta vez com alguma eficácia (os golos apareceram nos momentos certos), isto apesar de muitas oportunidades falhadas. Se a Naval fosse mais eficaz, podíamos ter tido uma noite muito complicada, até porque o Frutado de serviço fez tudo para inclinar a balança contra o Benfica, com uma dualidade de critérios absurda, mas esperada...

Excelente jogo do Aimar, Salvio, Gaitán, Roberto, e do Airton. Boa entrada do Jara. Saviola continua fora de forma. Coentrão não sabe jogar mal, Amorim a ganhar ritmo, Sidnei com um inicio horrível mas com o tempo melhorou. O Kardec continua evoluir, parece mais entrosado com as movimentações da equipa...
Obrigado Nuno, por mais um momento de felecidade...

Os assobios aquando da entrada do Peixoto foram vergonhosos, não sou um fã do jogador, mas em alguns jogos tem sido muito útil, não merece este tratamento.
Estamos em crise, mas continuo a pensar que as assistências na Catedral deixam muito a desejar. Eu não gosto da frase: 'somos o maior clube do mundo'!!! É uma opinião pessoal, mesmo no dia em que chegarmos aos 300 000 sócios, prefiro que sejam feitos apelos à humildade. Agora com médias de 30 000 nos jogos em casa, não podemos continuar a apregoar grandeza.

Impossível ganhar




Não vamos ser campeões. É impossível. Aquilo que se passou hoje, não é muito diferente, do que se tem passado em quase todas as jornadas. O Benfica raramente joga em superioridade numérica, os jogadores do Benfica são excluídos repetidamente jogo após jogo. O nosso Pivot é 'carne para canhão', vale tudo, e quando marcam falta, normalmente é ofensiva!!!


Se no futebol pode-se discutir a importância do Benfica no 'negócio', nas modalidades não há dúvidas, sem o Benfica os Campeonatos 'acabam'.

Como defendo para o Hóquei (bastante tempo), o Benfica deve fazer todos os esforços para poder participar nos Campeonatos Espanhóis, em Andebol, no Hóquei, em Futsal, no Volei, e até no Basket (mesmo na segunda divisão), a falta de vergonha é geral, não acredito em milagres.

Hoje chegámos a jogar com 3 jogadores de campo, e o guarda-redes!!! Voltamos a ter 10 exclusões contra 7 do adversário, sendo que os Osgas foram quase sempre excluídos em simultâneo com os Benfiquistas, jogando o Benfica praticamente durante todo o jogo em inferioridade numérica...

Rectificar o desaire da primeira volta


sábado, 13 de novembro de 2010

Nada fácil !!!



O Benfica teve muitas dificuldades em adaptar-se ao estilo jogo do adversário, com uma excelente defesa 'baixa', e uma distribuição muito rápida, atacando sempre no primeiro 'tempo', não dando tempo ao Benfica para 'montar' o bloco, uma das nossas principais armas. Seria difícil aos homens de Vila do Conde manterem o ritmo durante o jogo todo, e mesmo apesar dos 'chouriços' caírem sempre para o adversário, o Benfica acabou ir ganhando os Set's com alguma 'folga'.
Uma nota para a péssima arbitragem, enganaram-se vezes sem conta, bolas fora eram consideradas dentro e vice-versa, toques no bloco que nunca aconteceram e vice-versa!!! Só o facto de terem distribuído os erros a favor das duas equipas, iliba alguma da culpa!!! Por exemplo os dois primeiros pontos do jogo, um para cada lado, foram ambos atribuídos ao contrário...!!!

Mais uma...




Uma nota para expulsão do Joel Queirós, que poderá fazer muita falta na próxima Terça-feira no jogo contra o sempre difícil Instituto D. João V...
adenda: Vi o jogo dos Lagartos em Vizela, um pavilhão sempre difícil para os visitantes, normalmente com um ambiente que costuma dar origem a arbitragens caseiras. Curiosamente este fim-de-semana isso não aconteceu, bem pelo contrário!!! Um critério na marcação de faltas completamente absurdo, sempre em beneficio das Osgas 'mergulhadoras'!!! Que além da vaca descomunal, pois os dois primeiros golos foram auto-golos da Fundação, só marcaram o terceiro golo num livre de 10 metros, assim será muito difícil alguém derrotar os Lagartos...!!!

Regresso à normalidade...




Depois da derrota da semana passada, foi importante voltar a ganhar.

Relembrar que no jogo com os Corruptos na jornada anterior, existiram erros técnicos graves por parte da equipa de arbitragem, que em condições 'normais' (bastava o beneficiado ter sido o Benfica) obrigaria a Federação a tomar medidas 'extremas', mas...!!!

Grito de serenidade

"Não nego que os primeiros três golos me custaram horrores. A partir daí, assisti ao avolumar da goleada com outra dignidade e valentia: é incrível como se torna suportável ver a nossa equipa ser humilhada, quando o fazemos ao colo da nossa mãe.

É, por sinal, muito mais difícil confrontarmo-nos com o facto de este ter sido o terceiro banho de bola consecutivo que o Benfica levou do FC Porto (Dragão, Aveiro, Dragão), sem que se vislumbre uma superioridade técnico-tática que o justifique.

Não é que, pessoalmente, não tenha também muito receio dos remates do Hulk. Mas isso sou eu, que, quando vou ver os jogos ao estádio, fico sentado na bancada. Ali, mesmo a pedi-las.

É possível que a chave da superioridade do FC Porto nos embates com o Benfica esteja no tão propalado “grito de revolta” – e o campeonato da revolta é um que o clube da Luz nunca ganhará. A revolta é a marca dos pequeninos. São sempre os pequenos que se revoltam contra os grandes, e não o contrário. O Benfica é o que os outros querem ser, quando crescerem: vai-se revoltar contra quem, se não tem ninguém em cima? Contra o Norte? O Norte nunca nos fez mal nenhum, para além de estar pejado de bons benfiquistas. É certo que a Beira Alta sempre me enervou um bocadinho, mas é uma coisa mais minha…

Dito isto, esta semana, só encontrei consolo no Almanaque do Benfica – Edição Centenário, especificamente no testemunho de Rui Águas sobre a época de 1986/87: “É curioso dizer que essas duas derrotas [contra FC Porto e Sporting], com incidência para a do Sporting [por 7-1] acabaram por nos lançar para a vitória no campeonato e para a Taça. Ainda por cima, na Taça, voltámos a encontrar o Sporting. Aí, com a humilhação bem fresca na nossa memória, ganhámos” (pág. 409). Pelo sim, pelo não, é melhor os benfiquistas encherem o Estádio da Luz amanhã."

A ex-Bola


Não resisti a 'copiar' estas duas 'imagens' do Boloposte, via BnrB. Mais uma prova de como a brincar se diz as verdades...!!!

Mau 'começo', numa semana Europeia !!!


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Benfica perdeu e perdeu bem no Dragão

"SE o Benfica persistir nas comparações com a última época, em vez de melhorar o seu desempenho nesta, vai ter dificuldades em atingir os objectivos que ainda tem nesta temporada, e são muitos e importantes.

Embora a reconquista do título já tenha ficado comprometida na fruta servida na sobremesa da homenagem a Olegário que antecedeu a deslocação a Guimarães, a verdade é que o Porto tem sido uma equipa tacticamente evoluída e o seu treinador é merecedor de elogios. Já aqui escrevi, na altura contra a corrente, que no último ano a Académica nos jogos contra o Benfica jogou do futebol mais positivo e conseguido que tinha visto. Tenho pena que haja quem prefira elogiar aqueles que conseguem um pontinho com o autocarro em frente da baliza, muito antijogo e muita sorte em vez daqueles que arriscam a praticar bom futebol. Eu quero uma vez mais reiterar o apreço por Villas Boas como treinador.

Jorge Jesus não esteve feliz nas opções tomadas no último jogo, mas foi Jorge Jesus quem nos deu o melhor Benfica dos últimos 10 anos e será ele que ainda esta época nos trará vitórias e títulos. Evitar a sportinguização do Benfica parece prioritário para quem leu os jornais desta semana. Urgente por agora é ganhar à Naval.

Não são capas panfletárias, nem psis de pacotilha que farão o clube chegar aos seus objectivos. Vinte jogos de campeonato, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e a mais importante competição europeia de clubes parece suficiente como caderno de encargos.

Compro e leio todos os dias A BOLA, a partir de amanhã sem a crónica de Ricardo Araújo Pereira tiraram-me o meu garantido sorriso de sábado, fiquei privado de ler um amigo que admiro, mas sobretudo perdeu o Benfica e os nossos leitores um dos seus mais brilhantes e talentosos advogados. Que seja um parêntesis, que volte o sorriso da leitura e as vitórias com brevidade que nós merecemos."

Sílvio Cervan, in A Bola

Segredo está na coesão interna

"QUANDO o Benfica decidiu estar presente nas celebrações do 35.º aniversário da Independência de Angola, muitos torceram o nariz a um jogo que ia obrigar a equipa de Jorge Jesus, entre duas jornadas da Liga Zon-Sagres, a uma viagem-relâmpago a Luanda.
Porém, na ressaca da derrota no Dragão, poucas coisas poderiam ter um efeito tão regenerador como uma mudança de ares. Os encarnados recuperaram a auto-estima em Angola, onde foram embaixadores de excelência de Portugal, ao mesmo tempo que carregaram baterias para o resto da temporada.
Há uma semana, no Dragão, a Lei de Murphy aplicou-se ao Benfica: tudo o que podia correr mal, correu pior. Depois de um início de época atribulado, entre exibições menos conseguidas e arbitragens penalizadoras, a goleada sofrida frente ao FC Porto representou o ‘bater no fundo’ do Benfica. Agora, na Luz, é tempo de cerrar fileiras e atacar todas as competições com a convicção de que, depois da tempestade, vem sempre a bonança.
Os 20 jogos que faltam disputar na Liga, a Taça de Portugal, a Champions e a Bwin Cup constituem um desafio global que nunca será superado com êxito só por jogadores, ou técnicos, ou dirigentes, ou sócios ou adeptos… Só um clube unido, sem brechas nas fileiras, estará à altura de tão exigente demanda.

PS – Em 1986/87, a 16 jornadas do fim, o Benfica foi goleado por 7-1 em Alvalade. Os encarnados sobreviveram à humilhação e sagraram-se campeões. E nem as vicissitudes de um acto eleitoral (João Santos derrotou Fernando Martins)que teve lugar na recta final do Campeonato corromperam a coesão do clube ou minaram o balneário."
José Manuel Delgado, in A Bola

E agora Benfica?

"Os dados estavam lançados, a margem de erro para o Benfica era mínima ou mesmo inexistente. Mais do que isso, exigia-se um Benfica competente, afoito, resoluto. Só um Benfica na posse dos seus melhores atributos poderia levar de vencida um FC Porto forte, coeso, estimulado. O cenário do Dragão constituía, desde logo, mais uma adversidade para as pretensões rubras.

Que Benfica se viu? O melhor Benfica, tal como era exigido? Ao contrário, um Benfica débil, insuficiente, desmoralizado. O triunfo do adversário foi inquestionável, ainda que os números da vitória sejam tão cruéis quanto injustos. A verdade é que no mais decisivo encontro da temporada, o Benfica não soube puxar os galões de campeão e até sugeriu passar o testemunho ao rival.

Discutem-se as opções do treinador. Com razão? Se calhar, sim. Todavia, também se afigura irrecusável, no final dos jogos todos ganham, todos estão na posse da receita certa. Jesus falhou? Se calhar, sim. E quantas vezes acertou em inúmeras circunstâncias? O pior é que este era o tal jogo em que a falha estava absolutamente interdita.

E agora? Há muito campeonato, há mais Ligas, há outras competições. Uma coisa é certa: o desempenho do Dragão não pode repetir-se. A época não está perdida, está comprometida. Ainda assim, acredite-se que o desastre no Porto até pode ser pedagógico, até pode devolver aos adeptos encarnados o melhor Benfica. É que só esse Benfica traz o suplemento de alma que os aficionados exigem até ao termo da temporada futebolística."
Luís Seara Cardoso, in Record

Superlativos

"Quando eu andava na escola e a Gramática ainda não era uma “arma de arremesso” para causar traumas aos alunos, estudávamos com atenção os Comparativos e os Superlativos. Mais: éramos prevenidos para a circunstância de estes últimos deverem ser utilizados com parcimónia, sob pena de se desvalorizarem e banalizarem. O que tem isto a ver com o futebol e, concretamente, com o clássico – pouco clássico – do último domingo? Simples: Jorge Jesus está agora a pagar (e parece cada vez mais certo que o fará com juros elevados) a fatura tresloucada dos encómios superlativos que, por causa de uma época meritória e categórica como o Benfica há muito não vivia, foram depositando na sua conta. Sempre que o faziam, subiam a fasquia. A cada nova palmada nas costas, o técnico – um respeitável “self made man”, que subiu a pulso e chegou onde merecia – era empurrado para maiores responsabilidades. Embevecido, a vingar os anos de penumbra, deixava-se empurrar e discursava em conformidade com o que nele queriam ver. Agora, com a humilhação de domingo (que vale tanto pelo resultado como pela exibição, ou falta dela), Jesus é despojado dos Superlativos e atirado para o odioso terreno dos Comparativos. Eis a imagem perfeita do futebol contemporâneo, célere a criar ídolos, veloz a destruí-los.

Começam as exigências de “serviços mínimos”. Revelam-se azias, até agora insuspeitas, no balneário. Contestam-se as escolhas, nem por isso diferentes de outras ocasiões críticas (Liverpool, claro). Ridicularizam-se as palavras. Ora, o que se passou no Dragão é, afinal, muito simples e ultrapassa as colocações suicidas de David Luiz e Fábio Coentrão ou as exclusões de Saviola e Airton: o campeão entrou a jogar exclusivamente em função do adversário. Tanto assim que se contam pelos dedos de uma só mão (não é ironia…) os remates que fez. Ao proceder desta forma, ressuscitou o fantasma que viveu instalado por mais de uma década para os lados da Luz – chama-se FC Porto. Quantas vezes se viu o Benfica entrar já em perda psicológica (leia-se “medo”) para os jogos com o rival do Norte? E quantos anos foram precisos para que esse complexo se desvanecesse? Agora, nem era preciso dar mais esse trunfo a uma equipa que se mostrava poderosa e compacta. Mas o Benfica ainda ofereceu mais essa vantagem de mão dada. Falta apurar se voltou à estaca zero e à tremideira.

Daqui em diante, pede-se mais trabalho e menos garganta. Mesmo sem título, ainda há muita margem para minorar os estragos.
Já agora, superlativo no domingo, só mesmo o FC Porto. E André Villas-Boas.

NOTA – Rogério Alves praticou, fora de horas, um dos seus desportos favoritos: a verborreia. Mas há quem não durma: nem Deus, nem Maniche, nem Targino"
João Gobern, in Record

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Aqui hà Gato!

"O JOGO é o jornal do FCP. A BOLA é conotado com o Benfica. É o que se chama “ter a fama e não ter o proveito”. O FCP não brinca em serviço. Até pode jogar bem dentro do campo, mas joga melhor nos bastidores. Desta vez, no jornal onde, até agora, conviviam, democraticamente, os portistas Miguel Sousa Tavares e Rui Moreira, com Leonor Pinhão e Ricardo Araújo Pereira, além de Diogo Quintela, um sportinguista decente, agora, só ficou a filha de Carlos Pinhão a defender as cores do nosso Glorioso! Tudo em nome da isenção e do pluralismo.
Aliás, o jornal tornou-se uma verdadeira 5ª coluna do inimigo: Bastou o Benfica ter um desaire no Dragão para a capa seguinte fazer eco de rumores vindos de bufos do balneário, interessados em desestabilizar a equipa e o seu treinador, o homem que, no ano passado, ressuscitou os mortos que Quique Flores deixou no relvado da Luz e pôs a equipa a jogar como poucas na Europa do futebol.
Isto para não falar de uma luminária que assina Fernando Guerra, o jornalista que ajudou a desacreditar Fernando Santos, que saudou o regresso de Camacho como se, na altura, Vieira tivesse dado à Luz (literalmente) um novo D. Sebastião, que tolerou a incompetência de Quique Flores, e que, desde o início, nunca escondeu uma raiva latente contra Jorge Jesus, como se estivesse só à espera do primeiro desaire para o distinguir com todos os epítetos do seu indigente vocabulário táctico e com todos os nomes do seu rico léxico de insultos. Basta ler o rol de aleivosias que ele escreveu no princípio da época e voltou a escrever, agora, depois do clássico, para perceber a felicidade com que saboreia os maus resultados do treinador que ele elegeu como o seu ódio de estimação.
Parece que me desviei do propósito, mas não. A saída das páginas da BOLA dos dois humoristas dos Gato Fedorento que, todas as semanas, faziam as delícias dos que, como eu, amam o Benfica, mas além disso odeiam a batota, é um tiro no pé do jornal que tinha a reputação de ser vermelho, mas que era, acima de tudo, um jornal que, para mim, que o comecei a ler no tempo onde lá escreviam Ribeiro dos Reis, Cândido de Oliveira, Tavares da Silva, Vítor Santos e Carlos Pinhão, tinha sido uma referência do grande jornalismo. Deixar MST bolsar semanalmente todas as aleivosias que lhe vinham ao espírito contra Ricardo Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela, a quem, à falta de argumentos, chamava “rafeiros” e “censores” com toda a impunidade, deixar MST, embriagado pelo ódio ao Clube que tem conduzido, sozinho, a luta pela decência no futebol, deixar MST impor a sua censura, é pior do que um tiro no pé, é uma vergonhosa cedência às birras e amuos dum arauto do FCP, que convive com o conteúdo das escutas do “Apito Dourado” mas insulta quem as ouve.
Espero que os benfiquistas deixem de ler A BOLA, e que os dois humoristas encontrem rapidamente um jornal que os acolha sem censurar o que dizem, e que seja isento, democrático, pluralista, amante do fair-play, num mundo como é o do futebol português onde os miasmas do ódio, da corrupção e da batota ameaçam perverter o prazer do espectáculo, o mérito das vitórias e o respeito pelos adversários. Amén.
P.S. Já agora, é talvez altura de fazer uma pergunta inocente: PORQUE SERÁ QUE A SEDE DA LIGA É NO PORTO?"

Dez pontos é muita fruta

"“O Benfica é como eu, vai ao Porto para não fazer nada e comer bem”
MIGUEL ESTEVES CARDOSO

“O Coliseu do porto, por estar inteiro, é muito melhor do que o Coliseu de Roma que está numa ruína.”
In O LEÃO DA ESTRELA


FAZENDO fé no que surgiu estampado nas primeiras páginas vinte quatro horas depois do clamoroso episódio de falência técnica do Benfica no Porto, a SAD do Benfica estabeleceu para Jorge Jesus um caderno de encargos que, a não ser cumprido, significará o fim do percurso do treinador no Estádio da Luz.

Curiosamente, o diário francês L’Équipe, que é um colosso da informação desportiva mundial, já produzira na sua edição on-line de segunda-feira um lapso embaraçante para Jesus, para o Benfica e… para o Sporting, referindo-se ao treinador campeão nacional como l’entraineur des lions, ou seja, o treinador dos leões, quando, em boa verdade, Jesus ainda é o treinador do Benfica e ainda não é o treinador do Sporting.

Regressemos ao tal caderno de encargos até porque, e já se passaram outras 48 horas, ainda não foi desmentido nem nos seus pressupostos nem nas suas consequências anunciadas com tanta gravidade e pompa.

O que não deixa de ser bem menos preocupante para Jorge Jesus do que para a própria SAD do Benfica que passa pelo vexame de não se poder reunir em legítimo conciliábulo sem que as conclusões a que chegou não pulem, no ápice, para o domínio público quando deveriam ser de natureza privada.

A não ser que fosse precisamente essa a ideia, o que ainda é mais preocupante porque não há nada a ganhar em eleger publicamente como tema exclusivo da temporada, quando faltam sete meses para o fim da dita temporada, a questão da continuidade do treinador em função de três objectivos desportivos menores.

É que Jorge Jesus, segundo a imprensa, está obrigado a garantir o segundo lugar no campeonato nacional, a eliminar o Sporting de Braga da próxima jornada da Taça de Portugal e a qualificar-se para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Ponto por ponto… enfim, vá lá saber-se o que é que terá passado pela cabeça dos nossos dirigentes para virem a terreiro com estas anormalidades.

Se o Benfica fosse o Sporting, e comprovadamente não é, compreendia-se a eleição do objectivo segundo lugar como um desígnio estimável. Paulo Bento, por exemplo, foi forever durante quatro segundos lugares seguidos e só deixou de o ser quando, bem no princípio da época passada, se percebeu claramente pelo avolumar do atraso que lhe seria impossível conquistar a adorada posição final.

S o Benfica fosse o Vitória de Guimarães e, com o devido respeito, não é, justificava-se o afã de eliminar o grande rival minhoto, o Sporting de Braga, na ronda que aí vem da Taça de Portugal, tanto mais que Guimarães, que agora está por cima, penou a bom penar no ano passado vendo os vizinhos de Braga a subir quase até ao céu, o que deve ter constituído um sofrimento atroz.

E se o Benfica fosse o Benfica europeu que há décadas nos tarda a qualificação para a fase seguinte da Liga dos Campeões estava já resolvida há uma semana restando-nos apenas discutir, entre nós, se nos daria mais jeito ficar em primeiro ou em segundo lugar do nosso grupo.

Não sendo esse aspirado Benfica europeu, como qualquer um de bom senso reconhecerá, e tendo exibido desconsolantes fraquezas nos seus confrontos recentes contra adversários das segundas e terceiras linhas europeias, como são os casos do Olympique de Lyon e do Schalke 04, não seria mais ajuizado – até do ponto de vista da gestão financeira da casa – aspirar a uma carreira honrosa na Liga Europa, defrontando adversários menos poderosos no campo que, por isso mesmo, podem permitir um percurso divertido e sem sobressaltos de maior?

Sem qualquer espécie de fanfarronice, no entanto, não é de temer que aconteça ao Benfica em fase mais adiantada da Liga dos campeões aquilo que aconteceu há duas épocas ao Sporting que saiu absurdamente mal tratado no seu confronto com o Bayern de Muniche com um agregado de 12/1 nada tangenciais nos dois jogos que teve de disputar com os alemães.

Posto tudo isto, penso que a SAD do Benfica devia repensar e refazer o caderno de encargos que colocou na mesa de Jorge Jesus 24 horas depois da derrota no Porto:

1) Risque-se imediatamente a obrigação de ficar em 2.º lugar porque não faz parte da nossa cultura. É uma coisa mais própria de outros emblemas.
Nós até nos estamos perfeitamente nas tintas para aquela coisa de termos ficado 1 vez em sexto lugar porque já ficamos 32 vezes em primeiro lugar.
Assim sendo, o objectivo para este campeonato em relação ao FC Porto é apenas de fazer melhor que o FC Porto fez no passado em relação ao Benfica. E, como estarão recordados o FC Porto ficou a 8 pontos do Benfica, o que é uma distância perfeitamente admissível.
Dez pontos é que não pode ser. De maneira nenhuma.
Dez pontos é muita fruta, tenham lá paciência!

2) No que diz respeito à Taça de Portugal, risque-se a obrigação de eliminar o Sporting de Braga. O Braga ocupa actualmente o 8.º lugar da tabela e não há razão para o Benfica estar a moralizar com elogios de importância aquele que foi o seu grande e único adversário da época passada.

3) Quanto à Liga dos Campeões, esqueça-se já. Concentremo-nos na Liga Europa onde tudo pode sempre acontecer.
Até pode acontecer uma final Benfica – FC Porto, por exemplo.
E, nesse caso, já com fundamento sério, apresente-se então um caderno de encargos ao nosso treinador.



O presidente da Comissão de Arbitragem da Liga explicou a validação do segundo golo do Sporting ao Vitória de Guimarães com uma evidência sublime: o mesmo árbitro que não viu o Evaldo a atirar com o Nilson para lá da linha de golo conseguiu confundir a luva branca do Nilson com a bola…
O futebol português está chique e cheio de etiqueta. Até já temos golos de luva branca."

Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Manter a liderança...

Belenenses 32 - 34 Benfica
Não vi o jogo, mas 'lendo' as estatísticas, e mantendo a tendência dos jogos anteriores, tivemos dois livres de 7 metros, contra sete dos nossos adversários, tivemos 6 exclusões, contra 3 dos nossos adversários, deve ser coincidência...!!!

Cura...



Muito foi dito sobre a oportunidade deste jogo, pessoalmente previ vários cenários, infelizmente o pior aconteceu: após uma derrota (não previ os números) com os Corruptos, com toda a descomunicação social ( e os próprios adeptos) a 'cair' em cima da equipa, dos treinadores, e dirigentes, nada melhor que uma viagem a Angola, para desanuviar o ambiente, ficar longe dos jornais, das TV's e das rádios, das conversas de 'amigos', das piadas fáceis, e ainda deu para descarregar um pouco da ansiedade.

Como em muitos áreas da vida, a última imagem é quase sempre a mais 'poderosa', após uma derrota com um rival, se fosse permitido pelos responsáveis, jogava-se novamente no dia seguinte!!! Para passar por cima do sucedido. Assumindo que o cansaço da viagem será sempre prejudicial, a vitória desta noite, mesmo sendo um amigável com um adversário de nível muito inferior, tem o condão de baixar os níveis de ansiedade para Domingo, esse sim um jogo de vitória obrigatória, para começar a curar o trauma...



FMI no Benfica, já!

"Nos últimos 110 minutos, o Benfica sofreu 8 golos. Ultrapassou assim a barreira dos 7% de Teixeira dos Santos para abrir portas ao FMI. Contra o Lyon, foi a consequência do que não se deve fazer: parar o cérebro, mais até do que as pernas. Contra o Porto, foi a consequência de um desmesurado medo que o adversário soube explorar inteligente e eficazmente. Tal como contra o acessível Liverpool, optou-se pelo experimentalismo e começou-se a perder no minuto zero. Trocou-se um dos melhores centrais do mundo por um medíocre lateral (coitado do D. Luiz), jogou Sidnei que desaprendeu com a inactividade, deixou-se de fora Saviola que, mesmo a jogar menos, é desequilibrador, trocaram-se as voltas a Aimar e Carlos Martins. E já com o resultado pesado, estreia-se o desamparado Roderick e reentra, meses depois, o destreinado R. Amorim. Para completar o mosaico, Luisão porta-se como uma criança mal-educada.
Cometeram-se erros no planeamento da época. Encarou-se a Supertaça com sobranceria e desconcentração e aí começou-se a resvalar. Não se anteciparam as inevitáveis saídas de Di María e Ramires. Os sofríveis Gaitán e Jara e o emprestado Salvio foram caros e não colmataram aquelas saídas. Fábio Faria não existe. Reempresta-se Urreta e compra-se por um balúrdio Rodrigo, que se despacha para o Bolton, onde só jogou uns minutos. Tem-se 25% do passe de Reyes para nada.
Escrevo estas palavras com tristeza, mas não com acrimónia para com os dirigentes e Jesus. Continuo a confiar no treinador. Todos temos o direito ao erro. O certo, porém, é que nos resta agra esperar pelo FMI, Fundo do Mercado de Inverno, para começar a preparar a próxima época e garantir, ao menos, o 2.º lugar para acesso à Champions!"
Bagão Félix, in A Bola

(in)Dignidade

A semana passada, numa animada conversa com um jornalista da Lusa, recebi a confirmação que muitas peças jornalísticas, principalmente nos jornais, são 'truncadas'. É normal parágrafos desaparecerem sem aviso!!! A colocação de avençados em lugares de chefia, dá resultado. Além do incentivo à auto-censura, quando alguém resolve 'incomodar' um intocável, lá aparece o arauto dos bons costumes, a 'cortar o mal pela raiz'...

Estava com alguma excepectativa para ler as respostas do Ricardo Araújo Pereira, e do Zé Diogo este fim-de-semana, após a nojenta, baixa, ressabiada cronica de MST. No Sábado o Ricardo respondeu com classe, não 'baixou o nível' da conversa, não usou terminologia de taberna, mostrando estar muito acima do mal-educado, pseudo-intelectual, e ignorante romancista de pacotilha...
Mas no Domingo fiquei desiludido com a cronica do Zé Diogo!!! Achei-a demasiado 'curta', podia haver uma tentativa de não dar demasiada importância ao Capanga Azul, pensei eu...!!

Hoje, ficámos a saber o que realmente se passou. A cronica do Zé Diogo Quintela foi censurada, pelo jornal A Bola!!! É inacreditável, como depois de vários cronistas 'seus' terem ofendido repetidamente outros cronistas do mesmo jornal, quando MST por vários vezes ter acusado o próprio jornal A Bola e os seus jornalistas, de comportamentos éticos reprováveis, agora quando alguém lhe responde com classe, usando argumentos e fontes fiáveis, citando inclusive os próprios, veja os seus textos censurados. Que enorme falta de Vergonha!!!
A intimidação dos capangas parece estar a resultar, os mentirosos, os criminosos, não gostam de ser desmascarados. Que desconsolo viver num país, onde aqueles que deveriam ter um 'contrato' com a verdade, aqueles que deveriam defender o interesse público, estão mais preocupados em parecer 'simpáticos', adoptando o politicamente correcto, o 'não levantar ondas', demonstrando uma enorme cobardia, não querendo ficar mal vistos, mesmo que para isso tenham que 'apertar a mão' a gente sem honra, e sem dignidade. Esquecem-se é que ao prestarem-se a estes 'servicinhos' estão a ser cúmplices, com toda a podridão em que vivemos...
Um dia muito triste para os fundadores do jornal A Bola.
A atitude do Zé Diogo, e do Ricardo, ao terminarem as suas cronicas no jornal, demonstram carácter, dignidade, e responsabilidade, algo que MST nem sabe o que quer dizer, não ameaçaram, e não fizeram queixinhas....


Para o arquivo deixo aqui o texto censurado, publicado no site Sporting Apoio:
«Pedi ao Nuno Mourão para publicar aqui a parte da minha crónica que A BOLA não publicou, cortando-a sem me consultar. Faço-o porque a parte que foi truncada era uma resposta a uma acusação de Miguel Sousa Tavares e eu quero que fique publicamente registada. Agradeço ao Nuno Mourão a simpatia com que me recebeu nesta sua casa.
Na 3ª feira, Miguel Sousa Tavares insinuou que eu e o Ricardo Araújo Pereira costumamos corrigi-lo por ele ter sido o único convidado, além do Presidente da República, a não ter vindo ao “Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios”. O Ricardo desmentiu ontem essa tese de vendetta e julgo não ser necessário voltar a referir as inúmeras pessoas que também não aceitaram o nosso convite, pessoas que não costumamos corrigir.
(até aqui A Bola publicou. O resto foi cortado)
Talvez porque não tenham por hábito defender teses absurdas e incoerentes sobre o Apito Dourado. Por outro lado, há muita gente sobre quem costumo escrever e que foi ao programa. José Sócrates e Passos Coelho, por exemplo. Deve ser para lhes pagar o favor de terem aceite o convite.
Acha MST que hoje diremos que o convite foi um erro e que não sabemos porque o convidámos. Acha também que sabe bem porque é que não aceitou. Engana-se. Para já, não foi erro nenhum, sabemos bem porque o convidámos: para ele fazer o que faz aqui, mas na televisão, que é mais espectacular. Depois, palpita-me que ele já não sabe porque recusou: aquilo passou-se há um ano, tempo mais que suficiente para MST entretanto ter mudado a sua convicção.
Entretanto, pela segunda vez num ano, MST tenta intimidar-me por causa do que escrevo nestas crónicas. Em Janeiro pediu a Pinto da Costa para que me processasse. Desta vez, vitimiza-se e ameaça abandonar a sua crónica n’A BOLA, pretendendo que o Ricardo e eu sejamos responsabilizados pela sua saída. Depois das queixinhas, uma ameaça de amuo. Que birra se seguirá? Suster a respiração? Que outras traquinices tem MST em carteira para me sensibilizar?
Não gostava que MST deixasse de escrever aqui. Gosto de o ler. Quero que, entre outras coisas, continue a dizer que, quando Porto lhe pagou uma viagem, Calheiros estava reformado (a sério, não sei mais o que faça para desmentir isto. Trazer cá o homem? Se lhe pagar a viagem, de certeza que vem…). Por isso, deixo-lhe um pedido. Faça às nossas crónicas o mesmo que faz com as fontes que cita: não as leia. Ignore-as. Finja que não existem, não responda. É um direito que o assiste. Olhe, até vem consagrado na 5ª emenda (que faz mesmo parte da Constituição, não é como a Declaração de independência). MST pode invocá-la. Evitará auto-incriminar-se.”»

O milagre Coentrão

"Lá na terra não há quem não saiba. “Não sei por onde vou, não sei para onde vou, sei que não vou por aí”. Lá, em Vila do Conde, Régio joga na alma de todos, serve poesia a todos. Hoje, ainda lá na terra, Coentrão até diz ao povo mais do que Régio. Joga na alma de todos, serve bola a todos. Que fenómeno é este? Não há muito tempo, apontamentos bonitos no Rio Ave, permitiam falar num caso encerrado de vocação. E o resto? Dizia-se que o miúdo das Caxinas, a popular zona piscatória, não seria capaz de crescer socialmente. Dizia-se pior, dizia-se que jamais consolidaria a face bisonha da sua arte.
Ali ao lado, o FC Porto descartou o rapaz. Acreditou o Benfica, ainda que as dúvidas persistissem. Dois anos carregados de assimetrias acentuaram as incertezas. E depois? Que prodígio foi esse? Fábio Coentrão cresceu, cresceu muito, cresceu tanto que não há memória de alguém ter crescido tão aceleradamente no futebol nacional. Já se começa a falar no melhor lateral-esquerdo de sempre. Lateral? Extremo também.
Lateral ou extremo, sempre nonstop, sempre com expressão possessiva pelo mais belo. No Benfica, na Selecção Nacional, ou há Coentrão ou não há Coentrão. Haver ou não haver Coentrão faz toda a diferença. O estatuto não se dá, conquista-se. Coentrão conquistou.
E o futuro? Não há gigante europeu que se não enamore dele. Não sei para onde vai, não sei por onde vai, sei que vai por aí…"
João Malheiro, in Destak