Últimas indefectivações

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

Benfica: Taça é Taça


"Respeitar o adversário entrando bem e procurando marcar cedo é a receita da Taça de Portugal para quem se acha ou é favorito. É esta atitude aparentemente simples que previne eventuais surpresas. A altivez e o espera que já marcamos é uma postura arriscada e que se deve evitar. Desta vez, sete equipas de escalões superiores foram eliminadas, três delas da I Liga. Não é novidade, nem acontece por certo por falta de aviso dos treinadores... Mas será que todos os jogadores sabem a história da Taça? Deviam...
Quanto ao mérito da eliminação dos ilustres do nosso principal campeonato, sobem com justiça aos lugares de honra Varzim e U. Leiria, da Liga 3 e II Liga, respetivamente. Porém, ao lugar mais alto do pódio chega justamente o histórico alentejano Lusitano de Évora, equipa do mais baixo escalão a conseguir surpreender e, por isso, autor do maior brilharete da eliminatória.
O Benfica foi, entretanto, uma das equipas apuradas que não correram o risco do relaxamento e da passividade. O Pevidém conseguiu ser, como anunciado pelos seus representantes, um bom exemplo da qualidade do Campeonato de Portugal. Para este jogo, Bruno Lage optou por premiar os atletas com quem trabalhou nesta pausa, construindo um onze misturado com alguns atletas recém-contratados. Kabouré e Amdouni, que embora mostrando argumentos interessantes, são jogadores ainda por adaptar, que não tendo aproveitado completamente a oportunidade vão lutando ainda pela plena integração.
Beste em bom nível foi o maior protagonista. Um jogador alemão que também podia ser suíço, tal a precisão, o compasso e a eficácia das suas ações. Lage escolheu poupar os mais utilizados, não promovendo o ensaio geral cuja utilidade se poderia considerar.
Na proximidade de um confronto europeu, poderá o tempo de paragem sem competir, ampliado pela já famosa novela da Choupana, ser um problema? São dilemas da escolha com os quais os treinadores frequentemente se deparam.
Prolongar uma pausa de campeonato com uma eliminatória da Taça de Portugal, naturalmente menos competitiva, pode ser compreensível, mas neste caso ainda mais inoportuna, especialmente para o Benfica, que viu o Feyenoord, neste período, realizar mais dois jogos.

OSSOS DO OFÍCIO
Lesões é algo que faz parte da vida de um atleta. Fraturas, entorses, roturas, traumatismos, tudo isso eu também tive. Na atualidade, dois jogadores de referência foram recentemente vítimas de um dos mais temidos episódios no que à saúde física e desportiva diz respeito. Carvajal, defesa do Real Madrid, e Rodri, médio do Manchester City, são dois verdadeiros guerreiros obrigados a parar por longo tempo, tendo em conta a importância dos ligamentos cruzados na mais decisiva articulação que temos no corpo.
Esta grave lesão no joelho obriga a cirurgia específica e está perfeitamente definido com rigor o tempo mínimo de paragem, que é bastante.
Será que o desgaste exagerado e continuado, hoje tão discutido, também justifica lesões ligamentares? Talvez o peso destes dois nomes atrás referidos, que representam dos clubes mais poderosos da atualidade, dê mais força a esta luta...
Um outro tipo de incómodo para um atleta, mais frequente mas incomparavelmente menos grave, é a lesão muscular, esta sim mais variável, quer na zona afetada, quer na sua extensão e recuperação.
Ao contrário dos joelhos onde os processos de recuperação estão consolidados, no que se refere a músculos temos por cá dois exemplos que mostram o muito que ainda está por explicar e concluir. Qual a razão pela qual alguns atletas sofrem acidentes musculares consecutivamente, por muito cuidadosa que seja a respetiva recuperação e integração.
Renato Sanches e St. Juste são dois casos de estudo por confirmar e sem conclusão à vista. Atletas de eleição que têm sido obrigados a parar com incrível frequência sem uma justificação clara e objetiva. A cada recuperação a esperança de que tudo corra finalmente bem redobra, mas acredito que o receio de voltar atrás esteja sempre presente. Que desta vez regressem para ficar!"

Aursnes, o próximo líder


"Benfica prepara-se para perder referências importantes do balneário e o norueguês está na linha da frente para a sucessão

O Benfica reencontra o Feyenoord depois de uma goleada de pré-temporada, numa altura em que a esperança de um "regresso" de Roger Schmidt ainda estava viva e o clube vivia numa ilusão. Muitos jogos depois (muitos porque mal a Liga começou se percebeu que o germânico podia estar em apuros), Bruno Lage pegou na equipa e percebeu-se que começou por resolver o meio-campo.
Kokçu e Aursnes foram uma dupla de sucesso no adversário que defrontam nesta noite na Luz. O turco capitão, estrela maior, o norueguês mais discreto, mas, viu-se no Benfica, com uma capacidade tremenda de se camuflar e ser o trabalhador incansável que qualquer meio-campo necessita.
Como se viu, e provavelmente vai ver nesta noite na Luz, a ideia de Lage passou pela antiga dupla de Feyenoord. Não, o meio-campo do Benfica não passa apenas por eles os dois, mas a ideia original é aquela. Provavelmente, Lage pensou se Kokçu e Aursnes tiveram sucesso em Roterdão, como poderiam ter em Lisboa?
Desde logo, com Florentino.
Mas retiremos o português da equação. Quando se diz que Bruno Lage pôs os jogadores nas posições certas, passou por este pensamento de recuperar Orkun e Fredrik.
Agora, provavelmente também, é o norueguês que é a estrela discreta enquanto o turco recupera a reputação e a alegria.
Aursnes é capaz de surpreender qualquer treinador, pois a amplitude do seu jogo é imensa e a sua adaptabilidade um fator determinante.
Falta, talvez, a parte menos visível, mas que começa a notar-se. A sua liderança.
O Benfica vai perder, em breve, algumas das suas referencias. Di María e Otamendi, um mais líder que o outro, no sentido que o central é capitão e mais vocal do que o compatriota, e precisa de novos líderes.
Aursnes está na fila da frente para essa sucessão, independentemente da braçadeira.
Seria curioso, já agora, fazer uma sondagem entre adeptos de Benfica e Feyenoord. Se só pudessem ter um, quem contratariam? Kokcu ou Aursnes? Desconfio que as respostas seriam opostas..."

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Vinícius Júnior acabou com a discussão do Ballon D'or?

Observador: Três Toques - Ouro para o ténis, canja para Mourinho

Observador: E o Campeão é... - Sturm Graz x Sporting salva leões do "vício"?

Zero: Negócio Mistério - S03E06 - Gaitán no Paços Ferreira

Zero: 5 jogos, 32 horas, 823 km: a festa da Taça

Zero: 5x4 - S05E08 - Não estávamos à espera deste Lombos

Sports Market Makers #19 - O que ninguém te conta sobre o momento do futebol no Brasil

Segurança no desporto


"A Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto (APCVD) promoveu, na passada semana, a segunda edição do Congresso Internacional S4 — Safety, Security and Service at Sports Events, precisamente os pilares da Convenção de Saint-Denis.
No Congresso discutiram-se boas práticas e inovações no domínio da segurança dos espetáculos desportivos, procurando motivar todos os intervenientes no mesmo a fomentarem ambientes seguros e em que todos se sintam bem-vindos.
Na verdade, iniciativas como esta, que por vezes — injustamente — passam por baixo do radar, são essenciais no combate à violência no desporto. Não esqueçamos que este é um desígnio da nossa Lei Fundamental, porquanto no artigo 79.º, n.º 2 da Constituição da República Portuguesa é referido que «Incumbe ao Estado, em colaboração com as escolas e as associações e colectividades desportivas, promover, estimular, orientar e apoiar a prática e a difusão da cultura física e do desporto, bem como prevenir a violência no desporto.
Os temas abordados no Congresso incluíram questões relacionadas com a segurança, com a proteção e com o serviço prestado, desde logo aos adeptos; este último tema, por vezes negligenciado ou pouco trabalhado, assume uma importância fundamental quando procuramos fazer dos eventos desportivos locais onde os simpatizantes dos clubes, quer os visitantes quer os visitados, mas também os atletas, árbitros e demais intervenientes, se sintam acolhidos e seguros.
A APCVD está, por isso, de parabéns na organização de mais uma edição deste encontro e, como sempre, no combate incessante aos fenómenos de violência associada ao desporto no nosso país."

Acender uma luz


"A reformulação das competições europeias e a criação de novos torneios, como o Mundial de Clubes, aumentaram o número de jogos e acenderam-se várias luzes de alerta sinalizando uma séria preocupação com as consequências destas mudanças na saúde física e mental dos atletas. Alguns jogadores, como Rodri, jogador do Barcelona, chegaram a ameaçar greve, alertando para o impacto negativo da agenda sobre as suas condições físicas e emocionais e apontou o risco crescente de lesões e o esgotamento causado pela excessiva carga de trabalho.
No plano nacional, mas com relevância internacional, Luís Figo alertou que qualquer tentativa de reduzir o número de jogos deve ser equilibrada com os interesses económicos dos clubes e dos próprios jogadores. Este cenário cria o dilema de ou se optar pela manutenção de um calendário desportivo intenso para sustentar contratos financeiros ou de se investir na criação de um ambiente mais saudável, com menos jogos e mais tempo de recuperação física e mental.
E não são só os jogadores que têm de lidar com a pressão. Os estudantes universitários, por exemplo, também lutam com crescentes níveis de ansiedade e depressão, amplificados pelos efeitos da pandemia e pela crise económica e de habitação. Foi nesse contexto que surgiu a medida governamental do "cheque-psicólogo" destinada a mitigar a falta de acesso a serviços de apoio na área da saúde mental para os jovens em Portugal. A iniciativa, embora positiva, é uma solução paliativa. Ainda esta semana o Bastonário da Ordem dos Psicólogos, Francisco Miranda Rodrigues, referia que que "não basta um cheque e que será preciso garantir que as respostas no SNS e nas universidades sejam capazes de sustentar o bem-estar psicológico dos estudantes a longo prazo" o que implicará "o reforço do investimento na contratação de mais psicólogos para o SNS, reforçar os serviços de psicologia nas instituições de ensino superior, e desenvolver políticas públicas que promovam a saúde mental de forma integrada", ou seja, envolvendo mudanças nas práticas pedagógicas e o reforço dos apoios aos estudantes, com particular incidência que se refere à disponibilidade de alojamento, transportes e outras necessidades.
Diz a sabedoria oriental que "é melhor acender uma luz do que maldizer a escuridão". O "cheque-psicólogo" é uma resposta positiva, e isso não pode ser desvalorizado. Agora, é fundamental que as instituições educativas e o Serviço Nacional de Saúde reforcem as suas respostas, garantindo que todos tenham acesso a cuidados psicológicos contínuos. De forma semelhante, os jogadores de futebol precisam de soluções equilibradas que possam ir além das exigências financeiras, assegurando condições que respeitem a sua saúde física e mental a longo prazo."

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Vitória na Eslováquia...

Presov 16 - 24 Benfica
6-9


3 jogos, 3 vitórias na Europa, e o 1.º lugar do grupo, muito perto, basicamente vencer este Presov na Luz, e os Suíços, também, na Luz!

Defendemos muito bem, estivemos menos bem, no início da 2.ª parte, mas rapidamente voltámos ao normal... Ofensivamente, faltou o Belone para dar alguma definição, mas mesmo assim estivemos bem...

Antevisão...

Treino...

BI: Antevisão - Feyenoord...

Terceiro Anel: Antevisão - Feyenoord...

3x4x3


Segunda Bola...


Falar Benfica #181

Jogo Pelo Jogo - S02E11 - Assalto Nani, Melhores Jogos da Infância, Taça de Portugal

Observador: E o Campeão é... - "Varandas ataca, mas todos têm telhados de vidro"

5 minutos: Diário...

Zero: Senhoras - S05E08 - Portugal em busca do Euro e Portugal no Mundo

“Sporting GOLEIA”…mas o “Benfica” APENAS “marcou 10”…. Semântica apenas não é…?


E ao intervalo?!

Tempos difíceis


"1. O ex-presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, um ex-assessor, Paulo Gonçalves e a SAD do Benfica foram acusados de corrupção ativa, oferta indevida de vantagem e fraude fiscal qualificada. O Ministério Público pede o Benfica fora das competições desportivas em caso de condenação. O assunto é sério e mancha a reputação deste nosso clube fundado em 1904 por gente séria e de poucas posses.

2. Os prazos em que delonga a justiça no nosso país fazem antever um cenário duradouro de dissolução do nome do Benfica na imprensa e na opinião pública. Saberemos nós, benfiquistas, lidar com a violência que vem aí? O que fazer?

3. A SAD do Benfica emitiu na quarta-feira (16 de Outubro), um comunicado frugal sobre as acusações 'por alegados atos imputados' ao ex-presidente e ao ex-assessor considerando 'infundada a referida acusação'. Outra coisa não seria de esperar. Mas o importante, o fundamental, é que nenhum benfiquista de alma e coração se reveja nas práticas que o Ministério Público imputa ao nosso clube.

4. Confiemos na Justiça, sim. E confiemos nos benfiquistas que saberão defender o Benfica hoje o erguer o Benfica amanhã.

5. O selecionador nacional de futebol continua a emitir declarações destrambelhadas sobre Florentino Luís, o jogador do Benfica que não cabe nas suas opções tal como não coube nas opções do anterior selecionador. Os selecionadores são pagos para selecionar, e nunca ninguém ouviu Florentino lamentar-se ou protestar por não fazer parte do lote das quinas. No entanto, os jornalistas persistem em confrontar o atual selecionador com a ausência no jogador do Benfica o que se compreende. E Roberto Martínez persiste em meter os pés pelas mãos nas suas respostas, o que não se compreende.

6. António Oliveira, o 'nosso' Toni, festejou o seu 78.º aniversário, e sucederam-se as manifestações de apreço pela figura - sim, é uma figura e das grandes - daquele que foi jogador campeão e treinador campeão pelo Sport Lisboa e Benfica. A BTV dedicou-lhe um programa especial no dia do seu aniversário, emissão de grande qualidade homenageando esta personalidade única que recolhe a unanimidade das simpatias dos benfiquistas. Parabéns, Toni, para o ano há mais.

7. Depois da chamada ´pausa' das seleções, volta o Benfica às suas lides domésticas e internacionais até à próxima pausa das seleções marcada para a segunda metade de Novembro. Até lá, temos muito com que nos entreter. São sete jogos referentes a quatro competições. Taça de Portugal, Liga dos Campeões, Liga portuguesa e Taça da Liga. Por ordem de entrada em cena, são estes os nomes dos nossos adversários: Pevidém, Feyenoord, Rio Ave, Santa Clara, Farense, Bayern de Munique e FC Porto. Carrega, Benfica! Carrega sete vezes, Benfica!"

Leonor Pinhão, in O Benfica

Um dia pouco habitual


"Numa manhã que deveria ser de descontração, Eusébio teve de lidar com situações desagradáveis

Os grandes jogadores têm em comum o facto de serem altamente competitivos. Essa talvez seja a razão pela qual se tornaram tão bons. A ambição de ganhar constantemente leva a que sejam exigentes consigo próprios, trabalhando no limite das suas capacidades. Acreditam que as vitórias sejam a compensação da consistência do seu trabalho. As derrotas são difíceis de gerir e de esconder o seu efeito, fazendo com que se esforcem em dobro para os reverter ou impedir que voltem a acontecer.
Eusébio habitou-se desde cedo a distinguir-se dos companheiros e, como as equipas de que fazia parte estavam sempre mais próximas da vitória, estava habituada aos ciclos vitoriosos. A temporada 1972/73 elevou ainda mais a fasquia. Peça-chave da campanha perfeita do Benfica no Campeonato Nacional, ao sagrar-se campeão invicto, o avançado foi o melhor marcador de competição, apontando 40 golos em 28 jornadas.
No final dessa época, os encarnados rumaram a Espanha para disputar o Troféu Ibérico. O torneio era de boas memórias para o Clube, que tinha vencido a 3.ª edição, em 1969. Em 27 de Junho de 1973, os benfiquistas entraram em prova, defrontando o Málaga. O Pantera Negra destacou-se ao apontar 2 golos nos primeiros 11 minutos, liderando a equipa para a vitória por 7-1.
A exibição dos benfiquistas agradou até ao rígido Jimmy Hagan, que concedeu folga na manhã do dia 29 de Junho. As elevadas temperaturas que se sentiam em Badajoz, 'até a água da piscina do hotel era morna, e as sombras das árvores e dos chapéus coloridos eram mornas', levou a que os jogadores relaxamento junto da piscina.
Todos pareciam estar a aproveitar o momento, exceto Eusébio, irritado por falsas declarações de um jornalista  espanhol, que tinha avançado que o King desejava representar uma equipa desse país. Com jornalistas portugueses presentes no hotel, o avançado pediu: 'Você está a ver? Aquele tipo resolveu põr-me em Espanha. Diga lá em A Bola, se faz favor, que não tenho o mais pequeno interesse em vir para aqui.'
Para o animar, foi convidado a participar num concurso de natação, concorrendo com Malta da Silva. Adolfo e Homero Serpa. O fotógrafo Nuno Ferrari ficou encarregado de ser o juiz. Assim que deu início à prova, Adolfo ganhou enorme vantagem sobre os restantes e venceu. 'Adolfo é Mark Sptiz do Benfica. Tem um certo estilo e muita força. Com uma época de preparação era capaz de competir a sério, especialmente no estilo mariposa.'
Quem não gostou de perder foi Eusébio, juntando assim a frustração da derrota à irritação da imprensa espanhola. Mas no dia seguinte reverteu o ciclo, na final do Troféu Ibérico. Perante o Estrela Vermelha, o avançado teve uma prestação fantástica, sendo determinante na vitória por 5-2, ao apontar um hat-trick. Tudo voltou ao normal!
Saiba mais sobre o fenomenal jogador na área 24 - 'Pantera Negra' e Outras Lendas, do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Cuidado com os gatos-pingados


"Aprendi a ler com os livros de banda desenhada de Lucky Luke. Em muitas histórias do cowboy pacifista, que disparava mais rápido do que a sua própria sombra, entrava a personagem do gato-pingado, o cangalheiro que ansiava por duelos e mortes para poder fazer florescer o seu negócio. Lembrei-me muitas vezes desta curiosa personagem durante a semana que agora termina. Assim que saiu a risível acusação do Ministério Público contra a Benfica SAD, logo começaram os gatos-pingados a fazer esticar as suas fitas métricas nos ombros e costas de potenciais defuntos.
Parece-me que o psicanalista austríaco Sigmund Freud poderia ter uma explicação para tanta libido que emana de comentadores, jornalistas e especialistas. Até Ivan Pavlov, o fisiologista russo reconhecido pelas experiências de reflexologia com cães e companhias, conseguiria ter algo a dizer sobre tanta saliva que escorre queixo abaixo dos dirigentes, sócios e simpatizantes dos clubes nossos rivais. É-lhes tão fácil esquecer Apitos Dourados e Cashball, férias pagas de árbitros e vice-presidentes a entrar envelopes de dinheiro, que, confesso, quase solto uma lágrima.
É tão descabida a alegada relação de corrupção entre a Benfica SAD e o Vitória FC (basta ver o historial de jogos e os resultados desportivos obtidos) que vai ser bonito de ver quando, mais uma vez, o Clube e os dirigentes forem ilibados. Sim, fica a nódoa desta acusação, mas, a ver as trapalhadas em que o Ministério Público tem estado envolvido nos últimos anos, até pode ser considerada uma medalha. Aproveitem o curto momento enquanto dura. Ou, numa expressão que os gatos-pingados devem entender melhor: 'Vai ser tão bom, não foi?'"

Ricardo Santos, in O Benfica

Jamor? Pode ser uma mesa para 15 mil


"Está de volta a Taça de Portugal e, claro, a saudade de transformar a mata do Jamor numa cozinha a céu aberto. Onde qualquer um se sente um masterchef atrás do grelhador, porque na verdade toda a barriguinha ou costelinha degustada debaixo daquelas árvores sem um sabor especial, tanto para quem come como para quem põe os outros a comer. Desde os panados, no meio do pão - temperados com limão, sal e com o pó levantado pelos carros que, de mala aberta, servem de mercearia - ao arroz de feijão cozido dentro de betoneiras, não há prato do menu que desiluda quem quer que seja.
Quando se fala da magia do Jamor, fala-se muito além de a bola a rolar em cima do relvado, porque esta é o único jogo da época onde o primeiro apito do árbitro sinaliza que o jogo já está a chegar ao fim, e não o contrário. O pontapé de saída é uns dias antes, quando vamos ao supermercado buscar as grades de cervejas que uns dias depois se vão evaporar sem que o calor do sol tenha qualquer responsabilidade.
Ir ao Jamor é como ir de férias a Palma de Maiorca: se pudesse, voltava lá todos os anos. Bebe-se bem, come-se ainda melhor, e ainda celebramos o amor pelo Benfica desde manhã cedo até ao final da tarde? È difícil exigir mais do que isto quando se trata de procurar a definição de felicidade. Por isso mesmo, é bom que se proteja este porque como se fosse mesmo uma área reservada. Fala-se há alguns tempo da recuperação do Jamor, mas estranhamente fecha-se os olhos ao maior escândalo que envolve aquele espaço. A ausência de uma merecida estrela Michelin. Eu e o leitor estamos à espera de mesa desde 2017."

Pedro Soares, in O Benfica

Dia de festa


"A Taça de Portugal é a festa do futebol português. Trata-se da competição onde, mesmo os emblemas mais modestos, mesmo os atletas mais anónimos, pode, um dia, desfrutar do seu momento de fama e de glória. Desta vez a sorte grande sorriu ao Pevidém, equipa minhota que disputa o Campeonato de Portugal e vai receber o Benfica naquele que será, com certeza, um dos dias mais cintilantes do seu historial e da vida dos seus jogadores.
Lamentavelmente, o jogo não irá disputar-se no estádio local, mas, sim, em Moreira de Cónegos. Lembro-me de ver Chalana em campos pelados, com gente espalmada entre muros e linhas laterais. Na época de Eusébio, por maioria de razão, tal seria ainda mais frequente.
Até posso entender as razões pelas quais, hoje, existe uma maior necessidade de proteger os atletas e garantir a segurança dos adeptos. Não percebo é por que motivo se obriga os grandes clubes a jogar fora de casa esta eliminatória, quando as partidas acabam invariavelmente por ser deslocadas para campos neutros. Desconfio que os jogadores do Pevidém gostavam mais de pisar o relvado da Luz por uma vez nas suas carreiras, e que o próprio clube obteria uma receita partilhada muito superior num estádio onde provavelmente estariam mais de trinta mil pessoas. Mas o futebol português tem razões que à razão desconhece. As mesmas que, com a sobrecarga de jogos que os principais jogadores sofrem nas pernas, os fazem jogar as meias-finais desta prova a duas mãos - quando todas as outras eliminatórias, bem como a final, se disputam em jogo único.
É óbvio que, respeitando o adversário, o Benfica irá passar à fase seguinte. E esperamos que, a partir daí, possa prosseguir a sua caminhada até ao Jamor. Em 28 anos vencemos apenas 3 Taças de Portugal. Estão muitas em dívida. Queremos começar a cobrá-las."

Luís Fialho, in O Benfica

Pela paz


"Lutar pela paz é o mais nobre papel que um exército pode ter. E o Exército Português tem-no! Mas não se pense que é passivo ou isento de risco o papel destes comandos. Pelo contrário, exige-lhes redobrada coragem, defender populações civis transformadas em alvo de predadores e bandidos armados numa terra sem lei como é hoje, infelizmente, a República Centro-Africana.
Ali, a realidade é tão terrível, que ultrapassa a ficção. Metade das crianças não tem acesso à saída, apenas um terço vai à escola, e quase 40% sofrem de malnutrição. Quem o diz é a UNICEF e o próprio governo que impotente perante a dimensão da catástrofe social, pode ajuda ao mundo, divulgando que continua, e até aumenta o recrutamento forçado de crianças como combatentes. São já mais de 10 mil meninos soldados feitos carne para canhão e meninas usadas como escravas sexuais.
Os mais fracos de entre os fracos, as crianças, estão na linha da frente aos abusos, mas, para ação das Nações Unidas, estão também na linha da frente da defesa dos direitos humanos e da proteção pelas forças de paz. É esse, entre outros de natureza estratégica militar, o papel social das tropas portuguesas em missão de paz. Por isso, interagem com amizade e carinho junto das comunidades que protegem, levam tudo o que podem para melhorar o acesso à educação e à prática desportiva das crianças centro-africanas. Por isso levam o melhor que lhes poderiam dar daqui deste lado do mundo: a solidariedade benfiquista e a beleza contagiante das nossas cores!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Pre-Bet Show #80 - O amasso que deu origem à expressão: 15 minutos à Benfica 🦅

Frederico Varandas tem pouca autoridade para dar lições de moral


"«O sistema existe, não lhe posso é provar. E realmente essas situações são corriqueiras, desde os juniores até aos seniores. (…) As pessoas que falavam comigo nessas alturas eram pessoas que apareciam e desapareciam, e todas elas tinham uma bitola consoante a importância do jogo. Muitas das vezes fui contactado e não aceitei, e uma das vezes fui experimentar e vi que realmente funcionava».
Estas declarações pertencem a Jorge Gonçalves, antigo presidente do Sporting. Não foi preciso vasculhar terabytes de e-mails consultados indevidamente para chegar a esta declaração clara como água. Que me lembre, é a única admissão de corrupção ativa alguma vez feita por um presidente de um clube português de grande dimensão. Por um lado, apetece-me elogiar a sinceridade da declaração. Por outro, apetece-me perguntar se está prevista a suspensão do Sporting de todas as provas desportivas. Investigue-se.
Vem a provocação a propósito da mais recente entrevista de Frederico Varandas, ao longo da qual o presidente do Sporting enumera uma série de feitos como se o próprio fosse aquilo a que hoje se chama na gíria de «talento geracional». A expressão é usada para descrever um talento que só aparece uma vez uma geração, uma espécie de cometa que passa pela realidade dos comuns mortais e nos abençoa com a sua presença. A expressão foi cunhada para caracterizar o talento de pessoas como Lionel Messi ou Cristiano Ronaldo, portanto Frederico Varandas não me levará a mal se o colocar numa categoria diferente, ligeiramente abaixo dos verdadeiros talentos que marcam uma geração como nenhum outro.
Não quero ser mal interpretado e tento sempre reconhecer valor a quem o demonstra. O presidente do Sporting tem grande mérito no sucesso que, em conjunto com a sua equipa, voltou a um clube que parecia cronicamente afastado das grandes vitórias. Ninguém lhe tira isso, como ninguém lhe deve tirar os demais progressos que o clube tem feito durante os seus mandatos. Mas, para alguém tão revoltado com páginas negras do futebol português, Frederico Varandas parece-me um pouco inebriado pelas recentes conquistas.
Já aqui elogiei a firmeza do presidente do Sporting em relação ao FC Porto, mas não me parece que seja boa ideia o presidente do Sporting viver excessivamente convencido da sua pureza. A ideia de que Frederico Varandas, por ser mais novo e aparentemente impoluto do que dois ex-presidentes seus rivais, representa um clube moralmente inatacável, não resiste ao embate com a realidade. O exercício é simples. Se Frederico Varandas se sente intitulado a decretar sentenças acerca de crimes por demonstrar, como o fez em relação ao Benfica, o mesmo critério poderia ser usado contra o seu Sporting. Bastaria para isso que, tal como Frederico Varandas, fintássemos o Estado de Direito da forma mais conveniente e tirássemos as nossas próprias conclusões acerca da conduta de um antigo vice-presidente do clube de Frederico Varandas, ou de outros funcionários do clube.
Se isso não for suficiente, podia falar sobre o Euromilhões que permitiu ao Sporting obter uma vantagem económica por via da recompra das VMOCS, vantagem essa que Frederico Varandas considerará devida, mas que eu reservo o direito de considerar moralmente condenável, mesmo que financeiramente lícita, e mais do que capaz de desvirtuar a relação de poder entre clubes rivais. Já agora, também valeria a pena lembrar o acionista do clube, detentor de 9,9 % da SAD do Sporting, que se vê hoje enredado em acusações graves de branqueamento de capitais, numa operação alegadamente tornada possível com a entrada de dezenas milhões de euros na SAD. Apetece perguntar a que expediente recorrerá para defender o Sporting no dia em que um destes problemas, ou outros daí decorrentes, se abater sobre o seu clube.
Daqui se infere uma verdade relativamente prosaica: Frederico Varandas, com quem, pasme-se, não antipatizo, tem pouca autoridade para dar lições de moral a quem quer que seja. Pode e deve pugnar pela ética do seu clube enquanto o representar, mas para isso terá de considerar também um objeto, para além dos artifícios verbais. Chama-se espelho e permite ver o nosso próprio reflexo. Nele, se olharmos com atenção, descobrimos as nossas próprias imperfeições e aprendemos coisas importantes sobre nós.
De resto, por muito assertividade que empregue, as sentenças de Frederico Varandas não transitam em julgado. O presidente do Sporting está no direito de escolher a parte da realidade que lhe interessa. Quem o ouve, está no direito de fazer exatamente a mesma coisa. Nisto, devemos ser francos. Não sairá daqui um país melhor, mas antes o país que temos. Quando este choque acontece, ou seja, quase sempre, a acusação de negacionismo é válida para ambos os lados, mas, em rigor, só um dos participantes nesta troca preside a uma instituição com a dimensão do Sporting.
Refiro-me à dimensão, não porque esta crónica semanal se deva ocupar demasiado com o tamanho dos outros, que empalidece por comparação com o Sport Lisboa e Benfica, mas, porque, em virtude dessa dimensão institucional, se aconselharia uma postura diferente por parte do presidente do Sporting, que, à sua maneira, acaba por ser capturado pela narrativa mais corriqueira do futebol que tantas vezes já criticou.
A sensação é a de que Frederico Varandas aproveitou os ventos favoráveis dentro de campo para uma operação de outra natureza, neste caso uma nova recompra de VMOCs, leia-se, Valores Morais Oportunamente Convertíveis. No entanto, se há coisa que o futebol português nos ensinado, é que todos os heróis acabam por viver tempo suficiente para acabarem como vilões.
O meu clube tem um longo caminho a percorrer, precisamente por se ter deparado e continuar a deparar-se com esses heróis caídos em desgraça. Felizmente, há muitos sócios e adeptos que lhe colocam um espelho à frente, sem receio de confrontar a realidade. Podemos ser muito grandes em muita coisa, mas não devemos ser tímidos a reconhecer os momentos em que fomos pequenos, sem pretensas virtudes morais e sem achar que temos algo a ensinar aos outros. Gosto de pensar que nos preocuparemos sempre mais connosco.
Quanto a Frederico Varandas, talvez não o antecipe, mas é possível que a dívida moral, ao contrário da financeira, acabe por cobrar o seu preço."

Zero: Tema do Dia - Arranca a época da NBA, quais os destaques?

El Mítico #108 - Champions League 24/25 - Feyenoord Rotterdam

Terceiro Anel: Diário...

terça-feira, 22 de outubro de 2024

Observador: Três Toques...

DAZN: Partidazo - "349 dias depois, Gavi."

Zero: Afunda - S05E09 - Com Brito Reis, a antevisão da nova temporada da NBA

Festa da Taça de Portugal só é festa quando envolve o Benfica


"Um arranque de Taça de Portugal positivo para o glorioso SL Benfica diante do Pevidém, numa verdadeira festa que encheu as bancadas do Comendador Joaquim Almeida Freitas, em Moreira de Cónegos.
Não foi das exibições mais espetaculares, mas houve um momento Beste na primeira parte, e posteriormente na etapa complementar para sentenciar a partida e respetiva qualificação para a ronda seguinte. Muitas alterações, jogadores a tentaram mostrar que merecem vestir o manto sagrado e um árbitro incapaz de ter uma exibição competente.
No meio deste processo judicial de que o clube é alvo, temos que seguir a mensagem do Bruno Lage e caminhar jogo a jogo por mais vitórias. Quarta-feira temos mais uma noite mágica de Liga dos Campeões no Estádio da Luz e queremos dominar e vencer o Feyenoord. O que os fruteiros dizem pouco interessa. A melhor resposta é esmagar todos os adversários e conquistar troféus.
Sobre o resto, a justiça deve ser feita, mas no apuro dourado ó FC Porto foi suspenso ou desceu de divisão? O Sporting não deu dinheiro aos jogadores do Marítimo? Deixemos os grandes cartilheiros falar, nós só pretendemos ver o Benfica brilhar.
Aproveitar os duplos desafios na catedral frente ao Feyenoord e Rio Ave para juntos celebrarmos mais duas vitórias.
Viva ao Benfica!"

Os heróis da Taça e a falta de qualidade


"Quem não gosta de boa surpresa na Taça de Portugal? A menos que o seu próprio clube seja o surpreendido, claro… Mas, a verdade é que as proezas dos «pequenos» também expõem as debilidades dos supostos «gigantes».

É tão natural como respirar: todos sorrimos e aplaudimos quando «acontece» Taça, quando os pequenos se empertigam e agigantam, quando as diferenças entre divisões se desvanecem, quando os favoritos são apanhados na teia da sua sobranceria e não provam em campo a teórica superioridade dada pelo facto de militarem num escalão superior e acabam batidos por uma equipa «inferior».
É a magia da Taça, o fator que faz com que todos (ou quase) possam sonhar com a presença na final do Jamor, com a participação na festa do futebol, com a eventual conquista do troféu.
Não dando para chegar tão longe, há momentos de fama e glória que perduram (pelo menos) na memória de quem os vive, dos protagonistas e adeptos.
Se a surpresa incluir eliminar um dos três grandes, o feito eterniza-se. Alverca, Torreense ou Gondomar, por exemplo, ganharam lugar na história da Taça sem chegar a uma final.
Lusitano de Évora, Varzim e União de Leiria são clubes com um passado rico no futebol português. Sendo certo que já tiveram dias (bem) melhores, usaram a Taça, este domingo, para espreitar, de novo, o mediatismo dos grandes momentos.
Trocariam, provavelmente, a glória efémera destas vitórias por uma subida de divisão.
Depois, há o reverso da medalha: quem perdeu - Estoril, Boavista e Nacional - não estragou a época este domingo; as derrotas na Taça foram antes mais um sinal dos problemas que têm e terão ao longo da temporada.
Estrela da Amadora e Farense, em dificuldades na Liga, lá superaram os testes que tiveram. É verdade que já tentaram inverter o rumo negativo do início de época com mudanças de treinador, mas ainda terão muito trabalho para subir de rendimento.
Porque a tão falada falta de competitividade do futebol português corresponde a uma falta de qualidade. Sim, há jogos da Liga que são tudo menos um bom espetáculo. Talvez porque o facto de descerem de divisão apenas duas equipas permita investir menos. Ou talvez vários clubes não consigam mesmo investir mais. Talvez andemos a tapar o sol com uma peneira há demasiado tempo.
Haverá imensas propostas ou ideias bem-intencionadas para resolver problemas e aumentar a qualidade e a competitividade.
Por se investir tanto na formação em Portugal, talvez não fosse mal visto dar mais espaço aos jovens jogadores portugueses que, tantas vezes, só encontram espaço em divisões secundárias e, depois, até aparecem como protagonistas em algumas destas surpresas."

A pancadaria voltou em grande


"Tenho o prazer de escrever semanalmente para este jornal há oito anos. Juntei o gosto pela escrita ao privilégio de o fazer num espaço público de referência, uma instituição com quase oito décadas, que nunca perdeu a preferência dos seus leitores. Um dia contarei orgulhoso aos meus netos que fiz parte da equipa d'A BOLA, a Bíblia do jornalismo desportivo.
Mas a frequência desta presença obriga-me à responsabilidade tremenda de selecionar cuidadosamente o(s) tema(s) a abordar. Nem sempre é fácil, confesso. Uma das estratégias que procuro seguir é a de comentar atualidade futebolística, preferencialmente em matéria de arbitragem. A razão é simples: é a minha área de especialização, à qual dedico parte importante do meu tempo nesta casa e noutras que prezo (SIC Notícias e Expresso).
Mas a liberdade de expressão que me é concedida permite-me falar também de outras coisas. E quando entro por aí, há algo que me acontece com frequência: o regresso a assuntos que abordei no passado. Não o faço por esquecimento, negligência ou para encher balões (sou dos revê tudo o que escreveu), mas porque entendo importante reforçar determinadas mensagens.
Acredito que voltar a ideias importantes é meio caminho andando para que a mensagem seja interiorizada com mais facilidade. Acho sinceramente que a repetição traz a perfeição e a insistência a compreensão.É essa a tática de hoje. Quero voltar ao tema da violência no desporto, um dos fenómenos que mais ameaça esta atividade. Não sei se o caro leitor tem noção, mas quase todos os fins de semana há no desporto deste país um conjunto de práticas censuráveis que parecem não ter fim.
Não me refiro aos insultos, ofensas e impropérios, que a sociedade, incapaz de resolver, decidiu normalizar. Refiro-me a situações mais graves, de agressão física, ameaças veladas, perseguições em estrada, danos nos veículos, etc e tal.
O exemplo que vos trago hoje é sobre uma cena de pancadaria que aconteceu num jogo de seniores da Divisão de Honra da AF Vila Real.
Alguns jogadores (e elementos técnicos) de Abambres SC e Mondinense protagonizaram um dos episódios mais feios da época. Socos e pontapés, empurrões e agarrões, gente embrulhada no chão, viu-se de tudo um pouco durante largos minutos. Uma vergonha, uma falta de civismo sem paralelo. Um exemplo horrível dado por vários dos intervenientes na partida. Podem as duas partes argumentar que a culpa é deste ou daquele, que houve provocação e resposta, ação e reação. Que seja o organismo competente a decidi-lo. Para a perceção público, para quem estava deste lado, é irrelevante! A imagem que passou foi que tudo aquilo parecia um filme de orçamento baixo com atores amadores. Um filme que, na verdade, ainda continua a passar nalgumas salas do país.
Começa a ser desesperante a incapacidade de tanta gente qualificada para reduzir ao mínimo este tipo de situações. As ações de sensibilização existem, são bem feitas mas infelizmente produzem pouco efeito. O esforço pessoal e financeiro de tanta gente e de tantas estruturas, esbarra quase sempre no lado mais animal de alguns humanos.
Também as sanções disciplinares e/ou penais são pouco dissuasoras. Apesar de avanços recentes a esse nível, a verdade é que os focos de violência continuam ativos, sobretudo a nível distrital e de formação.
Sabemos que essa amostra tem por base problemas estruturais mais profundos, mas ainda assim acho que podíamos fazer mais e melhor em matéria sancionatória.
Sei que o nosso ordenamento jurídico é demasiado pro reu e permite mil e um expedientes para adiar decisões. Tenho pena que assim seja. Continuo a achar que só quando a tal desgraça acontecer um dia é que a coisa vai mudar. Somos ótimos a apontar o dedo depois da tempestade varrer a costa. Antes é que é mais chato..."

Para onde vais tu, José Mourinho?


"Treinador português continua sem dar sinais de melhoria depois de ter voltado a descer de patamar e assinado pelo Fenerbahçe. Missão nunca seria fácil, mas já se ouvem críticas

A 26 de abril de 2011, Pep Guardiola fartou-se. Antes da primeira mão da meia-final da Liga dos Campeões e depois de José Mourinho ter ironizado com as críticas do rival ao «acerto do árbitro» na final da Taça do Rei perdida para os merengues, acusando-o de viver num mundo só dele, o catalão deu o murro na mesa que abanou todo o futebol espanhol. Era a primeira vez que respondia às provocações. «Amanhã, encontramo-nos no relvado às 20h45. Fora deste, já me ganhou. Vou dar-lhe a sua própria Liga dos Campeões fora de campo, deixá-lo desfrutar e levá-la para casa. Nesta sala, ele é o puto jefe (patrão), o puto amo (mestre) e não quero competir com ele em momento algum.»
Se o português gostaria de ter pelo menos criado a dúvida com esse triunfo em Valência, nos embates seguintes o Barcelona foi ainda mais devastador. Ganhou a Champions, a liga e ainda a Supertaça no arranque do ano seguinte, antes de finalmente permitir o título a Mourinho e ao Real, com um Guardiola desgastado com o ruído e os mind games dizer adeus ao Camp Nou. Esperava-se então a mudança de status quo, mas o ex-adjunto Tito Vilanova, que Mou agredira antes de forma imperdoável junto à linha lateral, conseguiu manter os catalães no rumo certo. À volta dos clássicos, o clima continuou a ser de guerra civil. E terá sido nesse momento que Mourinho se afundou em definitivo, engolido pelos próprios fantasmas.
O Special One só pôde reclamar novamente o cognome no regresso ao Chelsea, com a conquista da Premier, ainda que nem os Blues tenham sido porto de abrigo por muito tempo, e depois com as conquistas da Liga Europa pelo Manchester United e Liga Conferência com a Roma, tatuadas com orgulho. Acabou sempre a sair pela porta pequena e, apesar do entusiasmo que gerou na Turquia, o Fenerbahçe está vários patamares abaixo daquele que foi e ainda deveria ser o seu lugar. Dificilmente veremos por aí o arqui-inimigo Guardiola, que continua a ganhar muito e, ao invés, não nutre por ele sentimento recíproco, preferindo Klopp. Tê-lo-á esquecido?
Apesar da humildade de não se importar em descer do pedestal, a verdade é que, poucas semanas depois, Mourinho vive novas guerras, com os alvos de sempre. Ou são os árbitros. Ou jornalistas. Não faltará muito para que sejam os jogadores. O Fenerbahçe nunca seria um trabalho fácil, mas o português já é como aqueles futebolistas de quem esperamos que seja desta vez a cada ano que passa. É uma tristeza enorme não tê-lo de volta."

Nadal, não deixes o ténis, meu, fica connosco


"Quando nos calha na rifa debitar palavras nesta newsletter, o ponteiro da bússola que determina o que escrever nem sempre obedece a um magnetismo claro, decidido à primeira.
Esta semana, eu me confesso, a fita mental ponderou fixar o tema em Jürgen Klopp, porque não matutar acerca das nefastas consequências que uma decisão de carreira do empático treinador apetrechado de milhões na conta bancária graças à voragem do mais e mais do futebol, mas percecionado como guarda-costas do lado romântico da modalidade, está a ter na imagem pública do alemão por ter aceitado ir aconselhar o projeto de futebol da Red Bull; ou, ainda mais na berra, escancarar as incongruências de Gianni Infantino, o suíço presidente na FIFA que pode bem ter as intenções guardadas no lugar certo e, ao contrário de Klopp, tem o lastro público de ser o mauzão do futebol, um Drácula a mercantilizar um pouco mais o futebol cada vez que desce do seu castelo.
Nenhuma hipótese pareceu, lamento, tão fulcral quando contraposta ao ocaso de uma lenda, à luz que finda na vela de cera de Rafael Nadal, pelo que assim se deu a minha rendição ao espanhol e ao que ele foi, essa memória suplanta o que hoje resta do tenista, nem que seja pelo respeito às últimas vezes em que se pode versar sobre a sua versão jogador.
Este fim de semana, a mexer-se com a anca por arames e um pé cronicamente calçado em dor, preso pela ferrugem dos 38 anos, pesado num corpo feito já não apenas de músculo e potência, pontuado por uma cabeça descabelada, vimos talvez o último jogo de singulares de Nadal e logo com Novak Djokovic do outro lado da rede, uma coincidência de lendas proporcionada pela vénia de ambos ao dinheiro da Arábia Saudita.
Denotou a Lídia Paralta Gomes pertinentemente que as derradeiras faíscas entre as raquetes de dois mitos não deveriam aparecer assim, num torneio plástico e supérfluo, de relevância artificial. Deveríamos ter ficado com as que eles deixaram no verão em Paris, na terra batida de Roland-Garros, onde espanhol e sérvio se cruzaram nos Jogos Olímpicos e a inclemência do tempo, grande destrinçador de capacidades, mostrou mais uma vez a severidade com que atingiu Nadal. Custa horrores ao canhoto ser a locomotiva indomável de outrora, aliás, é-lhe impossível ser tal encarnação durante mais do que um breve fogacho, uma pancada estonteante caso a bola lhe vier a jeito. Um jogo do ténis tem hoje de se aprontar aos limitados conformes do espanhol em vez de se ver subjugado à sua vontade como foi hábito nas últimas quase duas décadas.
Na encenação de Riade, entre Nadal e Djokovic houve um court a albergar as suas 647 semanas conjuntas enquanto números 1 do mundo, os 46 Grand Slams conquistados, os 76 torneios do Masters 1000 e o rasto das 60 partidas oficiais que disputaram, um mausoléu estatístico às suas carreiras que o Six Kings Slam, pomposo nome de batismo dado ao postiço evento, nunca conseguiria estar à altura de celebrar. E resumir só com números a história do espanhol, ou da epopeia entre ambos, seria uma desonra.
Nenhum faz jus aos detalhes, como a ávida brincadeira de Novak, em 2006, no balneário de Roland-Garros, onde pediu que lhes pintassem a caneta um “Vamos Nole” na parte de trás das sapatilhas para emular o “Vamos Rafa” que a Nike desenhara nos calcantes do touro na flor da idade, que sairia vencedor desse primeiro duelo na sua terra batida, porque já era dele, só poderia ser quando um dos templos do ténis tem hoje à porta, para boa-vindar quem lá chegue, uma estátua do espanhol, um dos poucos desportistas que ainda no ativo pôde competir numa arena com um tributo esculpido em sua memória. E bem, porque os 14 títulos de Nadal em Paris são das mais incríveis façanhas do desporto, sintoma de quem andou a desbaratar a nossa noção de majestoso.
Aquilo com que ‘Rafa’ preencheu duas décadas foi a banalização do extraordinário, um mutante do além a consumar-se entre humanos enquanto outras duas anomalias da natureza foram também átomos invisíveis a coincidirem no mesmo palheiro. Se Nadal ficará como o mais dominador numa superfície - cada um teve a sua, o quintal de Djokovic está na Austrália e Federer é o tratador da relva de Wimbledon -, o sérvio perdurará como o dono do único rácio vitorioso no duelo com os rivais - 31-29 sobre o espanhol, 27-23 contra Roger - e o suíço é quem mais fez durar a sua supremacia no ténis, a certo período, ao encadear 10 finais consecutivas de torneios do Grand Slam.
Por isto e devido a tudo o que é incontável por ser intangível, haja os recordes que houver, vimos Roger a dar mão a Rafael, há dois anos, ambos a chorarem na despedida do suíço, e agora constatámos a prontidão elogiosa de Novak face ao maior rival, humilde a prestar o seu tributo ao espanhol que tanto o antagonizou, tal como Federer, por a figura de ambos arrancar maior carinho dos corações dos fãs de ténis: o sérvio pediu-lhe, por favor, “não deixes o ténis, meu, fica connosco mais um bocado”. A grandiosidade de todos liquidificou-se em combustível para cada um, que foram mordiscando mutuamente os calcanhares enquanto fugiam às dentadas de algum deles. Um ciclo vicioso em que Nadal chamuscou raquetes com o seu fogo, não houve uma gota de suor derramada por Federer sem elegância e Djokovic desconjuntou-os com a mecânica do seu gelo.
E nós viciámo-nos no trio de lendas, baixámos a guarda perante o lado aditivo de apreciar uma modalidade elevada a um nível colossal, eu pelo menos também admito que toldei o julgamento durante anos e acreditei que o ténis era aquilo, passerelle constante de grandeza, e que estes três modelos seriam eternos. Não haverá mais jogos a doer entre eles e o fim definitivo de Rafael Nadal será daqui por um mês, em Málaga, na certamente emotiva final da Taça Davis para a qual o espanhol agendou o seu adeus. Não há antídoto para o feitiço do tempo e depois de ‘Rafa’ restará Djokovic, sozinho na sua luta contra o relógio. Muito haveremos de escrever quando chegar o dia do sérvio, porque todos o merecem. O vazio que ficará connosco encarregar-se-á de o provar."

Boas indicações...

Benfica 7 - 0 Elétrico

Segunda vitória, confirmando as impressões que tinham ficado da 1.ª jornada: equipa muito intensa, muito agressiva na defesa, transições defensivas muito rápidas, tentar sufocar o adversário, usando a velocidade sempre que possível... O Elétrico apresentou hoje uma equipa 'curta' no banco, acabou por não conseguir criar dificuldades no 2.º tempo, mas estas primeiras impressões são muito boas!

Ofensivamente, o 4x0 é claramente o preferido, hoje chegámos a jogar com o Silvestre, o Kutchy, o Lúcio e o Carlinhos em simultâneo!!! Mas ainda faltam alguns automatismos... o André Coelho ainda está fora das movimentações dos colegas, e ainda falta ver o Diego neste 'esquema'!

Diego e Raul Moreira, estão lesionados.

A maior burla do século XXI...!!!

Benfica: balneário com a porta fechada


"O exemplo de Bruno Lage no processo dos emails

O tema da acusação ao Benfica de corrupção desportiva e infração fiscal era incontornável na conferência de imprensa de antevisão de Bruno Lage ao jogo da Taça de Portugal. As perguntas tinham de ser colocadas e Lage respondeu como devia, com sobriedade e lucidez, porque não é advogado, nem é juiz, é treinador da equipa do Benfica, como o próprio colocou em perspetiva.
Terá, neste âmbito, a responsabilidade de saber blindar o balneário contra eventuais efeitos nocivos deste caso, mas também neste ponto o técnico esteve bem. Dar o exemplo de que esse é um assunto que não é assunto no balneário será, realmente, a melhor forma de lidar com a gravidade do que se passa, porque, na verdade, trata-se de um adversário do qual os jogadores não se podem defender e ao qual não terão como marcar golos.
Mas se Bruno Lage parece saber o que fazer, e que por muito que não se fale os jogadores terão consciência de tudo, a questão da blindagem quase que se resolve por ela. O balneário do Benfica tem quase duas dezenas de internacionais, muitos jogadores estrangeiros, alguns contratados este verão, para os quais a realidade do clube e da SAD irá pouco mais para trás do que se passa esta época; para os quais pouco ou nada dirão Luís Filipe Vieira, Paulo Gonçalves e um processo a que chamam dos emails, que dura já há bastante tempo e ainda perdurará. O calendário cheio de jogos se encarregará de ocupar a cabeça do plantel, e apenas se começar a perder ele deverá sentir o ambiente pesado que outros temas ameaçam formar."

1 Minuto


- Minuto...

5 Violinos, contra o esquecimento!!!

Visão: S06E08 - Rumo à final

Tailors - Final Cut - S03E25 - Manteigas...

5 minutos: Diário...

Águia: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Varandas em discurso direto: cinco pontos fortes da entrevista

Zero: Ataque Rápido - S06E12 - A proibição de álcool, o tipo de adeptos em Portugal e o melhor onze da liga

Falsos Lentos - S05E08 - Batáguas vai ao funeral de Pinto da Costa

Chuveirinho #98

Vizak: Champions, ronda 3

Terceiro Anel: Bola ao Centro #68 - Habemus Taça, Queremos Champions!

A Verdade do Tadeia #2025/13 - Taça sem surpresas

O Futebol é Momento - S03E11 - Arigato

DAZN: The Premier Pub - Salah na mesa das Lendas

ESPN: Futebol no Mundo #391 - Mais um show do Barcelona, Liverpool e City abrem vantagem sobre o Arsenal

Fernando Gomes, por ação ou omissão…


"Levanta fervura a luta pela FPF, enquanto que a possibilidade de Fernando Gomes pensar no COP já provocou alguma urticária, travestida de apartheid…

Está já na rua, de forma pública e notória, como se viu, aliás, exuberantemente, em tudo o que rodeou o Plenário das Associações Distritais, realizado em Castelo Branco no último sábado, a corrida à sucessão de Fernando Gomes na presidência da FPF. Um dos candidatos, Nuno Lobo, presidente da AF Lisboa fará amanhã a apresentação oficial da sua candidatura, e não deverá faltar muito para que Pedro Proença, presidente da Liga Portugal, lhe siga as passadas, sem que para tal tenha de se demitir das funções que ocupa (à imagem do que fez o próprio Fernando Gomes, também ele presidente da Liga em dezembro de 2011, quando derrotou Carlos Marta nas eleições federativas).
O estado de excelência em que Fernando Gomes vai deixar a FPF, do ponto de vista desportivo, financeiro e patrimonial, é ao mesmo tempo um incentivo de monta para quem quer suceder-lhe, e uma tremenda responsabilidade, porque a fasquia colocada pelo presidente cessante até ao nível do Everest. Deveremos, pois, estar atentos às movimentações em curso, que passam pela necessidade de cada um dos candidatos lutar pelos 43 votos que lhe garantam a vitória na AG eletiva da FPF, que deverá realizar-se em janeiro ou fevereiro de 2025. Sobre esta matéria, logo que se conheçam em detalhe os programas dos candidatos e os seus apoiantes (o que muitas vezes é complicado, porque o voto é secreto e nunca há garantias de nada…) haverá muito que dizer. Para já, fica a certeza de que a contagem de espingardas está em curso, com a cadeira da presidência, na Cidade do Futebol, no ponto de mira.
Relativamente a Fernando Gomes, que integra o Conselho da FIFA, teve três mandatos de grande fulgor na FPF – a construção da Cidade do Futebol, juntamento com o título europeu de 2016 e a Liga das Nações de 2019 são apenas a ponta do icebergue de sucessos –, e tem sido aventada a hipótese de ser candidato à presidência do Comité Olímpico de Portugal (COP), que será liderado até março de 2025 por Artur Lopes, que acedeu ao cargo após a morte de José Manuel Constantino. Provas dadas de visão de futuro, sensatez nas contas, acesso direto ao poder político, independentemente de quem estiver no Governo, e capacidade de realização, não faltam, comprovadamente, a Fernando Gomes, qualidades que legitimam uma eventual presidência do COP. Não sendo certo que o ainda líder da FPF esteja disposto a avançar para o 36 da Travessa da Memória, em Lisboa, já se ouviram vozes dizendo que o facto de proceder do futebol (esquecendo até que a modalidade onde se notabilizou como praticante de alto nível foi o basquetebol) era um ‘handicap’ importante. Porquê? O futebol só falhou os Jogos Olímpicos de 1896 e 1932, tendo entrado, no feminino, a partir de 1996, o que afasta liminarmente esse argumento. Não sei se Fernando Gomes avança, ou não, para o COP, provavelmente outros candidatos competentes surgirão, e os votos irão decidir quem se encarregará de preparar Los Angeles/2028. O que sei é que é redutor, complexado e mesquinho aplicar uma espécie de apartheid ao futebol. Haja noção!"