Últimas indefectivações

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

O meu pé esquerdo

"Roubo, roubo no melhor sentido, como se rouba agora nas redes sociais, roubo o título do filme que me fez fã de Daniel Day-Lewis, fã para sempre, neste elogio do esquerdino, o jogador com pé dominante menos comum, espécie de transgressor natural, concretamente no ainda mais justo elogio o lateral esquerdo, parente pobre da genealogia dos canhotos, família alargada liderada por génios argentinos de palmo e meio, Maradona e Messi, Messi e Maradona, no futuro haveremos de citá-los sempre assim, aos dois a par, hoje contudo primazia aos deuses menores da casta, aos que andam abaixo e acima no campo, que sabem da prioridade que é anular o extremo contrário, por regra o mais rápido e criativo opositor, mas a quem se exige que não fique pelo cumprimento dessa missão, que também vá em frente, ataque e desequilibre, pois o metro quadrado está mais caro no jogo – a evolução no tempo mexeu com o espaço – e tem de ser quem vem de trás a desatar o nó, tantas vezes.
Coisas da modernidade, dirão, laterais modernos, mas são assim chamados há pelo menos quarenta anos, o Gordillo já era um lateral moderno, no Bétis e no Madrid, a percorrer vezes sem conta aquele eixo junto à cal da esquerda, peito em riste e meias em baixo, já não há laterais de meias em baixo, como o Briegel também, outro peitudo, mesmo se o Briegel não era bem um esquerdino, nem o Demianenko do melhor Dínamo de Kiev, como também não foram Camanho ou Lahm, e hoje o dia é para dedicar aos laterais mas esquerdinos, canhotos de verdade como Maldini e Roberto Carlos, os melhores que a minha geração viu: Maldini, belo como Cabrini antes dele (porque são sempre mais bonitos os italianos?), o melhor de todos a defender, e Roberto Carlos, explosivo como Marcelo depois dele (porque são sempre mais talentosos os brasileiros?), o melhor de todos a atacar, sempre as duas coisas, defender e atacar. E alinho de memória Stuart Pearce, dos penaltis de desempate, um falhado em lágrimas e outro convertido aos gritos, Lizarazu, sangue basco na melhor França de sempre, Henrik Andersen, sinal de ataque raro numa Dinamarca feita campeã da Europa a defender, mais Sergi Barjuán, quando a Espanha ainda era feita de fúria e não ganhava, e ainda Jarni, croata, que só não é o melhor nascido em décadas nos Balcãs porque houve Mihajlovic, lateral também mas mais que um lateral, o melhor pé esquerdo que o mundo já viu a bater livres diretos (não, nem Maradona).
Não é lugar de grande fartura de talentos, sequer no mundo, mas de repente três dos maiores craques da Liga cá do rectângulo andam por ali, acima e abaixo, a dar corda ao pé esquerdo, cada um ao seu estilo: Coentrão como um Tom Sawyer, rebeldia e coragem apuradas no mar das Caxinas, regressou para novas aventuras numa sequência de correrias que cansam quem vê e infernizam quem se lhe opõe, todo coração, mais que razão, sorrisos recorrentes, de novo homem feliz mesmo se com lágrimas na hora da vitória frustrada; Alex Telles é Errol Flynn, arco e flecha, arco perfeito saído das botas com alvo definido e curta margem de erro, poucos são tão fortes naquele drible curto que precede a largada da seta rumo a área, adivinha-se o que vai fazer mas não dá para prever quando nem travar-lhe a marcha; Grimaldo como um músico de jazz, um Glenn Miller, desses que sabem tudo sobre notas e harmonias mas que só se realizam quando fogem à partitura, no caso dele quando não avança sempre por fora em apoio ao extremo, que é o mais comum na função, e improvisa por dentro, altera os compassos previstos e carrega com ele a orquestra. É certo que por cá houve Branco e Schwarz, Nuno Valente e Rui Jorge, Álvaro Pereira ou Siqueira, mas arrisco dizer que nunca os três grandes terão tido, ao mesmo tempo, gente de tanta qualidade na função. O campeonato deste ano pode bem ser decidido à esquerda."

O grande paradigma

"A revista Sábado, de 8 de Fevereiro de 2018, apresenta aos leitores uma reportagem, num ginásio, na zona industrial de Ashton, nos arredores de Manchester. “À entrada, uma roulotte, velhos cavalos de ginástica e uma espada, espetada numa pedra, à espera do Rei Artur. Parece um acampamento nómada”, mas é ali, no Elite Lab, que Mick Clegg, “um treinador especializado em desenvolvimento de força e de velocidade” trabalha, visando o surgimento de novos CR7, ou seja, de novos Cristianos Ronaldos. O interior do ginásio de Mick Clegg “está apetrechado com algumas das máquinas que ajudaram o madeirense a conquistar cinco Bolas de Ouro. Numa dessas máquinas um atleta tenta tocar em todas as luzes vermelhas, que piscam furiosamente num quadro preto, enquanto outro procura memorizar visualmente quatro bolas que se movimentam, misturadas com outras seis, num painel virtual”. Mick Clegg explica o trabalho das máquinas: “O futebolista tem de estar atento à bola, ao movimento dos colegas, à investida dos defesas, aos sons do público. Isso exige muito do cérebro. Estas máquinas ajudam-no a desenvolver a rapidez cerebral”. Os quatro filhos de Mick Clegg, com os métodos do pai, surpreenderam toda a gente que os via, tanto nas aulas de educação física, como na prática desportiva. Chegaram mesmo a “internacionais”, em várias modalidades, o que levou o Manchester United a premiar o arrojo e a competência de Mick Clegg, convidando-o a ingressar, como professor, na sua academia. “O seu programa de desenvolvimento de força era inovador: incluía exercícios de boxe, um chamariz para o médio e capitão Roy Keane, famoso pelo estilo combativo, que apareceu para conhecer o treinador de quem se falava”. Mas não foi só o Roy Keane, outros jogadores dele se aproximaram, curiosos de conhecerem os seus métodos e “em 2000 fui chamado para a equipa principal” sublinhou o Clegg.
David Beckam, Rio Ferdinand, Ruud van Nistelrooy, Paul Scholes, Ryan Giggs ficaram gratos ao professor Clegg… até que o Cristiano Ronaldo o visitou. E, como quem detém um segredo ou recata uma confidência, disse, por fim, a MIick Clegg: “Quero ser mais rápido e mais resistente do que Ryan Giggs”. E, com a sageza aliciante de um especialista, Clegg relatou, em pormenor, o treino específico do CR7 e os resultados espantosos a que o português chegou, atingindo mesmo os níveis físicos do Ryan Giggs, E, a coroar um treino intenso e tecnicamente rigoroso, recorda o professor Clegg: “Tinha uma autoconfiança notável. Enquanto a maioria dos jovens deixava de fazer uma finta quando Roy Keane lhes lançava um berro, ou o público os evolução totalmente controlada. Aliás, ele chegou a confessar-me que o United era uma passagem”. Ronaldo foi para o Real Madrid, em 2009. Dois anos depois, o maestro do ginásio de Old Trafford também abandonou o clube, desiludido pela falta de abertura para com os seus novos métodos. Desde então vive obcecado com a ideia de encontrar um novo Cristiano Ronaldo”. E, ardente de um sonho, com olhos de iluminado, ainda confessa que recebe visitas secretas de jogadores do Manchester City e do Manchester United, “que sentem que os clubes não lhes disponibilizam o treino de que precisam”. E Mick Clegg declara: “Encontrar o novo Cristiano Ronaldo requer uma conjugação de factores – bênção genética, jogar num clube grande e muita dedicação ao treino”. E pacientemente antevê o Futuro: “Se eu comecei a trabalhar com o Cristiano, quando ele tinha 18 anos e ele se tornou um portento físico, imaginem como podem ficar os miúdos que aqui chegam com 6 anos”.
Na conjugação de factores, que o professor Mick Clegg refere, à tríade “benção genética, jogar num clube grande e muita dedicação ao treino”, permito-me acrescentar: “o conhecimento do paradigma onde o treino e o jogo se fundamentam”. Ora, este paradigma só pode ser o de uma ciência hermenêutico-humana. No jornal A Bola, de 10 de Fevereiro de 2018, o dia do Espanha-Portugal, jogo onde se disputou o primeiro lugar do Europeu de Futsal – neste número do jornal A Bola, solicitou-se a antigos jogadores internacionais desta modalidade o que encontravam de relevante, na seleção portuguesa, finalista e portanto possível vencedora do Europeu de Futsal. Para Majó, Zé Maria, Zezito, Gonçalo Alves, Pedro Costa, Cardinal, a resposta foi unânime: o espírito de grupo, a coesão a raça, o querer, uma alegria contagiante durante o jogo e o orgulho de poderem representar o seu País. Ricardinho, o melhor jogador do mundo de futsal, não escondeu o que lhe saía da alma e referiu, acima de tudo, o ”carácter”, isto é, a vontade imensa da vitória… pelos onze milhões de portugueses e porque, durante a fase final do Europeu, Portugal foi a melhor equipa. Pedro Cary, respeitando embora o futsal da nossa vizinha Espanha, que já venceu esta competição por sete vezes, afirmou, convicto, que a vontade da equipa nacional portuguesa iria transcender todos os obstáculos. O treinador Jorge Braz relembrou Orlando Duarte que, frequentemente, repete que “do Passado vivem os museus” e, embora o poderio da selecção espanhola, Portugal “queria” vencer, fosse qual fosse o adversário. Será de recordar, neste momento que, desde 1990, a UEFA começou a organizar o Europeu de Futsal. E apenas quatro países se sagraram campeões: a Espanha (por sete vezes), a Itália (duas vezes), a Rússia e Portugal (por uma vez).
Com todo o respeito pela competência de Mick Clegg, como especialista que é no “desenvolvimento da força e da velocidade”, é a complexidade humana que deve preparar-se, para que os campeões consigam desempenhos que permaneçam estampados em eternidade. E, na complexidade, a biologia é fundamental, o espírito é essencial. Quando chegaram a Lisboa, os novos campeões europeus de futsal foram recebidos, no Palácio de Belém, pelo Presidente da República, Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo Dr. Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, pelo Doutor Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação e do Desporto e pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. João Paulo Rebelo. E, nos discursos proferidos, desde o Ricardinho, o capitão do time vencedor, e do Dr. Fernando Gomes, presidente da FPF (sempre calmo e aprumado e de uma impecável delicadeza), passando pelo Dr. Ferro Rodrigues, com a sua confessa admiração por tudo o que merece ser admirado e pelo Doutor Tiago Brandão Rodrigues (o desportista, o cientista, o pedagogo que questiona e se questiona) até ao Presidente da República (culto e generoso e, por isso, de pensamento animante e contagiante) – em todos, o paradigma, o grande paradigma dos mais espectaculares desempenhos, no desporto, é o “fenómeno humano”, no movimento intencional da transcendência. E portanto onde a inteligibilidade e a explicação de um jogo de futebol ou de futsal se encontra menos na natureza do que na cultura. Aceito, com naturalidade, que os fenómenos culturais apresentem mais fragilidades científicas, mas unicamente à sombra das ciências naturais, ditas exactas, jamais poderemos compreender um campeão, em toda a sua complexidade. A alta competição desportiva é mais um drama que outra coisa qualquer, o que lhe confere significação e sentido é a sua relação com determinados valores. Não há neutralidade axiológica, num jogo de futebol. A motricidade humana só pode entender-se como “conduta humana”. E onde o que se faz é mais determinado por valores do que por um fisiologismo que ainda não descobriu que o fisiológico é uma das partes (embora fundamental) de um todo…"

Pilhado... Nuno Gomes

Pilhado... Imperador

António Figueiredo responde e diz que estranho foi o Estoril-Sporting

"António Figueiredo respondeu a Carlos Xavier e voltou a justificar a mudança do Estoril-Benfica para o Algarve.

António Figueiredo, antigo presidente do Estoril Praia, voltou a reiterar a necessidade do clube ter jogado no Algarve devido aos problemas financeiros atravessados pelo clube na altura e contra-atacou: "estranho foi o jogo contra o Sporting" no qual o Estoril promoveu alterações na defesa que considerou "estranhas". António Figueiredo vincou ainda que o recinto algarvio não foi sequer a primeira escolha da administração do clube, relembrando também que não foi apenas contra o Benfica, dos primeiros classificados do campeonato dessa temporada, que o Estoril perdeu pontos. As declarações, feitas ao Bancada, surgem na sequência das acusações feitas ontem por Carlos Xavier relativas ao encontro entre o Estoril Praia e o Benfica disputado no Estádio do Algarve em 2005. 
“Parece que o anormal não sabia que os jogadores estavam com vários meses de salários em atraso. Parece que o anormal não sabe que eu falei com a equipa toda antes de irmos para lá. A decisão não foi minha, foi uma decisão do conselho de administração, não foi uma decisão individual. Parece que o anormal não sabe que isso permitiu pagar os salários. Parece que o anormal não sabe que se tentou jogar no Estádio Nacional e se estava a mudar a relva. Parece que o anormal não sabe que o Estádio do Restelo estava impedido pois estava cedido para os jogos da cidade e não pôde ser emprestado. Parece que o anormal não sabe que se tentou montar uma bancada provisória no sítio onde está agora aquela bancada, mas que razões de segurança não o permitiam”, contra-atacou o antigo presidente do Estoril Praia.
António Figueiredo explicou-nos ainda pormenores relativos à mudança do encontro para o Estádio do Algarve, reafirmando a decisão colectiva que foi tomada. “Foi pedida opinião ao treinador, aos jogadores… Sabe o que é os capitães de equipa me disseram? Disseram-me que para eles até jogavam no Estádio da Luz. Queriam era receber o dinheiro”. “O Estoril quando passou à primeira, tinha acabado o dinheiro. E assim que garantimos a subida, o Sr. Joaquim Oliveira adiantou metade do valor das transmissões televisivas do ano seguinte. Eu fico na primeira divisão e, entretanto, o Veiga vai para o Benfica. Vendeu acções a um grupo inglês que nunca entrou com dinheiro. O Damásio saiu. Fiquei eu, mais o Manuel Alves, mais o Laranjo, e ficámos agarrados com aquilo e com dinheiro para metade da época. Depois deu o que deu. Se não fosse aquele jogo tínhamos acabado a época recheados de dívidas. Se calhar no outro ano a seguir nem na segunda divisão competíamos”, acrescentou.
António Figueiredo reforçou ainda a ideia de que o jogo do Algarve foi uma bóia de salvação para o Estoril Praia: “Foi por milagre, já quando nos preparávamos para declarar falência, que eu lá convenci o João Lagos a entrar naquele negócio. Onde até perdeu um dinheirão, mas permitiu que o João Lagos tivesse negociado com a Traffic e o Estoril esteja agora onde está. Quando chegámos ao Estoril o clube estava na segunda divisão B e perto de descer. A prioridade era não descer da II B. Era só o que me faltava”.
O antigo líder do clube estorilista atacou ainda Carlos Xavier devido a decisões técnicas que apelidou de “muito estranhas” quando o Estoril recebeu o Sporting nessa temporada: “Eu nunca disse isto, mas digo-o agora. Tendo uma equipa técnica que ainda hoje eu estimo e de quem sou amigo, tendo o director desportivo do Sporting, o treinador do Sporting, adjuntos do Sporting, estranho muito que quando nós recebemos o Sporting tenhamos mudado a defesa toda e o Estoril tenha perdido em casa com o Sporting por 4-1. As maiores goleadas que o Estoril teve nesse ano foram contra o Sporting. Bastava ter empatado esse jogo. A defesa foi toda modificada, mudaram o capitão e o Sporting que estava a atravessar uma fase difícil conseguiu ir ali buscar três pontos o que endireitou as coisas por algum tempo”. “Não foram capazes de ganhar ao Sporting e no Algarve, onde o Estoril se bateu praticamente de igual para igual, onde o Benfica se viu aflito para ganhar o jogo com um golinho do Mantorras já a acabar, onde o Estoril vendeu a alma em campo e onde teve um jogador expulso por culpa do banco, que parecia uma gaiola de malucas, tudo a excitar os jogadores…”, acrescentou. 
António Figueiredo assegurou mesmo que em mais nenhum encontro da liga nessa temporada o Estoril teve as mesmas condições de trabalho: “O jogo do Estoril foi aquele, não por parte do Estoril, que o prémio de jogo era igual ao do Sporting e FC Porto, e soube isto por eles, onde houve mais um prémio suplementar de mil e tal contos dado por um fulano qualquer que dava para que o Estoril roubasse pontos ao Benfica”. “O Litos foi uma semana antes para o Algarve preparar o jogo. Tiveram uma semana no Algarve. Tudo isso foi possível porque conseguimos encher o estádio. Porque o tempo estava bom e porque o Benfica tem essa dinâmica de levar muita gente atrás e nós facturamos 600 mil euros. Se é a isso que ele se refere, então sim, o jogo foi vendido. Mas era imprevisível. Quando a administração tomou essa decisão não sabíamos se íamos fazer muito dinheiro. Claro que mais do que se jogássemos no Estoril faríamos sempre”, acrescentou.
Por fim, António Figueiredo assegurou que o caso irá ser entregue às autoridades e será decidido na justiça. “A minha reacção só pode ser através da justiça. Isto realmente ultrapassou tudo. Ao fim deste tempo todo, esse cavalheiro que foi trabalhar para o Estoril por esmola e a pedido do Mário Jorge, por esmola, ainda tem a desfaçatez de dizer aquilo que disse… devem estar a pagar-lhe com certeza…”. “É ridículo. Eu já entreguei isto à polícia. Já mandei isto para o meu advogado. Eu realmente tenho de calar este anormal. Este individuo tem sido de uma insensatez… Veja só se o Litos mais alguma vez foi buscar este cavalheiro para o ajudar. Isto demonstra que, mesmo sendo amigos, mostra o desempenho que este indivíduo teve por lá. A maior parte das vezes nem sequer aparecia. Ao fim destes anos todos, porque lhe arranjaram também uma esmola no Sporting, veio ressuscitar uma coisa com tanto tempo que eu já expliquei tanta vez. Dei-lhe emprego por esmola, por piedade e por pedido dos amigos dele”, disse ainda.
“Se fizéssemos antes como fez o Salgueiros e cobrássemos 40 contos por bilhete era outro escândalo na mesma. Seríamos presos por ter cão e por não ter”, concluiu António Figueiredo ao Bancada."

Jorge Braz, obviamente!

"O seleccionador conseguiu demonstrar que a cair cairia sempre para Portugal.

lá vamos ao episódio Ricardinho, Éder, Fernando Santos e o golo de Portugal quando jogava sem a sua maior estrela durante o prolongamento frente a Espanha.
No título deste artigo poderiam e deveriam estar outras pessoas como o resto do staff de Jorge Braz e uma pessoa que sempre acreditou piamente no Futsal enquanto aposta, de seu nome Pedro Dias. 
Vamos à quadra! O que esta Selecção conseguiu com Jorge Braz no comando foi um enorme feito, muito difícil, especialmente se considerarmos o contexto da modalidade em Portugal e em especial o dos dois grandes, com vários craques estrangeiros a empurrarem os portugueses para posições mediáticas inferiores.
Jorge Braz levou provavelmente para a Eslovénia a Selecção com menos individualidades dos últimos anos.
Esta Selecção teve quatro estrelas maiores:
1. Ricardinho - palavras para quê?;
2. todo o grupo de jogadores, que se tornou muito compacto, unido, uma verdadeira família, sempre a vibrar com o sucesso uns dos outros (e sabemos que isso nem sempre acontece mesmo no seio das melhores equipas);
3. a equipa técnica, com Jorge Braz à cabeça, e nunca esquecendo os membros na sombra que fazem um trabalho fantástico e muitas vezes desconhecido;
4. a estrutura de apoio, na imagem do Pedro Dias, que de alguma forma está para a federação como Braz para a equipa técnica.
O grande candidato era a Espanha, e esta até poderá ter sido uma das selecções espanholas menos fortes dos últimos anos. No entanto, isso nada retira em mérito a Portugal. Aliás, até dá outro valor à conquista lusa, que foi perceber que era uma oportunidade de ouro para vencer e trazer precisamente o ouro para casa.
A Selecção, sem um guarda-de-redes tão indiscutível como João Benedito no passado recente, ou sem o pivot de referência dos últimos anos Cardinal, levou para a Eslovénia jogadores de Sp. Braga, Belenenses e Leões de Porto Salvo. Não está em causa o nome de qualquer destes emblemas, mas até há pouco tempo, a equipa nacional era composta exclusivamente por atletas de Benfica e Sporting, e eventualmente algum outro que estivesse no estrangeiro.
O discurso de Jorge Braz foi muito semelhante ao de Fernando Santos.
A confiança, a crença. Não direi que a selecção de Futsal tinha todos os portugueses a torcer por ela, não por estarem do contra, mas porque a modalidade ainda não é conhecida por todos, mas Jorge Braz conseguiu demonstrar perante quem a seguia esta convicção de que a cair, cairia sempre para Portugal. O carteiro bate sempre duas vezes, dizem por aí. Ontem, bateu também na nossa memória, quando Ricardinho se lesiona e sai. Percebemos então que seria algo do mesmo género: a cair, cairia sempre para nós.
Por fim, deixar aqui um apontamento: há uns meses, dois amigos recomendaram-me um livro sobre um tema à volta do «antifrágil», ou seja, coisas que ficam mais fortes quanto algo de mal lhes acontece. Não são coisas nem frágeis nem tão fortes que sejam imunes ao que lhes acontece, mas sim antifrágeis: quando algo de negativo lhes acontece, conseguem perceber o que alterar para ficarem mais fortes. Mais uma vez, o termo parece assentar que nem uma luva a esta Selecção de Jorge Braz e restante equipa técnica.
Parabéns a todos! O País agradece, o Futsal agradece! Demonstrámos que um País de dez milhões consegue produzir campeões numa modalidade que ainda não é totalmente abrangente a nível mundial ou europeu, mas é sim praticada ao mais alto nível. Desejamos, obviamente, que seja cada vez mais jogada, estendendo-se a um nível planetário."

A história repete-se

"É sempre possível fazer o que nunca foi feito. Ou por outras palavras: tudo pode ser considerado impossível, mas só até acontecer. Primeiro foi a Selecção Nacional de Futebol a conseguir o milagre de vencer, de forma inédita, o Campeonato da Europa. Ontem coube a outra representação da Federação Portuguesa de Futebol – agora o Futsal – a escrever nova página de ouro.
Já sabíamos que a história pode mesmo repetir-se. O que ninguém imaginava é que poderia repetir-se de forma tão perfeita. Portugal venceu este Euro de Futsal exactamente da mesma forma que a Selecção de Futebol tinha vencido o Euro’2016: ambas as vitórias chegaram no prolongamento, ambas aconteceram no dia 10 e ambas aconteceram em finais onde os seus melhores jogadores (Ronaldo e Ricardinho) se lesionaram. Não ficam por aqui as coincidências: os craques que tiveram de abandonar a luta são ambos capitães de equipa e, se quisermos ir mais longe, jogam em clubes de Madrid: um no Real Madrid, o outro no Inter Movistar.
E o que pensar, então, quando recordamos aquilo que o próprio Ricardinho afirmou a Record a 20 de Janeiro? "Se me disserem que me lesiono, como o Cristiano Ronaldo, mas que Portugal vence o Europeu, não me importarei nada que isso aconteça." Parabéns! E as melhoras."

VAR de Mota!

"1 - A arbitragem de Manuel Mota no Estoril-Sporting foi um exemplo daquilo que deve ser a correcta utilização do videoárbitro. Cinco estrelas para o árbitro da Associação de Futebol de Braga e para Luís Ferreira, que foi o videoárbitro desse jogo. Manuel Mota demonstrou, com esta belíssima actuação, que, afinal, não é assim tão complicado tirar o melhor partido da ajuda que o videoárbitro pode dar. Sereno e com um tempo de intervenção muito acertado, Manuel Mota deu um contributo enorme para a verdade desportiva nesse jogo. Deixo ficar só este exemplo: se o árbitro não tivesse esperado pela conclusão do lance de Ewandro e tivesse interrompido a jogada por fora de jogo, não teria havido 2-0. Esta arbitragem deveria ser vista e analisada por todos os árbitros para servir de exemplo. Parabéns ao Manuel Mota e ao Luís Ferreira. Até pareceu fácil. E como o juiz de Braga tem um talho, deixo ficar este piscar de olho: foi atar e pôr ao fumeiro!
(...)
3 - Já aqui falei de alguns jogadores, fora dos três maiores clubes portugueses, que estão a destacar-se no nosso campeonato, mas faltou-me falar de um dos maiores craques! Lucas Evangelista não engana, tem mesmo muita qualidade. Não tenho dúvidas de que teria lugar no plantel de qualquer um dos três grandes, e até poderia ser titular. O brasileiro de 22 anos, formado no São Paulo e emprestado pela Udinese ao Estoril, é dinheiro em caixa. Quem apostar na contratação deste jogador, vai seguramente multiplicar a aposta e ganhar muitos euros. Este canhoto é internacional sub-21 pelo Brasil... e não terá sido por acaso. Outro jogador muito interessante: Fabrício. Também ele brasileiro, o avançado do Portimonense é, no entanto, mais velho que Lucas Evangelista. Fabrício fará 28 anos em Março, mas também me parece uma excelente aposta para um clube de maior dimensão. Esta época já leva 12 golos em 23 jornadas da I Liga! (Escrevo esta crónica sem saber como ficou o resultado do Portimonense-Benfica.)
(...)"

Justiça: em casa de ferreiro, espeto de pau

"O sentimento de impunidade que experimentamos quando os criminosos escapam cai que nem uma luva no caso das violações do segredo de justiça.

vários anos que se debate o problema da violação do segredo de justiça, em particular as fugas de informação pelas autoridades judiciárias para a comunicação social nos processos mediáticos. Os casos Casa Pia, Monte Branco, Freeport, Face Oculta e, mais recentemente, Lex e e-mails do Benfica, são apenas alguns exemplos. Foi particularmente flagrante e caricato os jornalistas terem chegado a casa do juiz Rui Rangel, antes das próprias autoridades.
Quando um processo penal está em segredo de justiça, os suspeitos não podem conhecer os factos concretos pelos quais estão a ser investigados, tornando-se difícil a respectiva defesa. A difusão desses factos na comunicação social, frequentemente articulados de forma acusatória, é especialmente danosa para o princípio da presunção da inocência e para o bom nome dos suspeitos. É sobretudo grave a divulgação de escutas telefónicas e comunicações de carácter pessoal, sem qualquer interesse público ou relação directa com os processos em causa.
Quais serão as presumíveis motivações das autoridades judiciárias quando passam a informação sob segredo de justiça para os meios de comunicação social nos casos mediáticos? Por um lado, poderá existir a intenção de obter um benefício económico na venda da informação. Por outro, poderá existir a intenção de influenciar a opinião pública no sentido da condenação dos suspeitos.
Note-se que a opinião pública pode pesar directamente na decisão de um tribunal. Um juiz, como qualquer outro ser humano, tem vieses cognitivos e é susceptível de ser influenciado pela pressão mediática, particularmente quanto a matéria de prova. Assim, se o arguido já estiver condenado na praça pública será mais fácil para as autoridades judiciárias obter uma condenação no processo. Concluindo, as motivações das autoridades judiciárias serão alegadamente corruptas e/ou batoteiras. 
Vivemos um período de descrédito generalizado nas instituições democráticas, de excessiva mediatização da política e da justiça, e de populismos que se aproveitam das falhas do sistema para proporem caminhos aparentemente mais fáceis, assentes nas paixões da opinião pública, mas profundamente demolidores dos pilares do estado de direito.
Este tipo de comportamento reiterado das autoridades judiciárias descredibiliza a Justiça. O sentimento de impunidade que experimentamos quando os criminosos escapam cai que nem uma luva no caso das violações do segredo de justiça. Ano após ano, violação após violação, continuam sem apurar-se responsabilidades. As instituições competentes para investigar os crimes são incompetentes para investigar os seus próprios delitos. É caso para dizer: em casa de ferreiro, espeto de pau."

Direito à informação versus direito à privacidade ?

"Há casos em que a fronteira entre o que deve ser mantido em privado e o que pode ser publicitado não é evidente.

O ponto de partida para o processo judicial foi uma noite de 2014 em que um conhecido actor nacional saiu de uma discoteca embriagado, e quatro desconhecidos, aproveitando-se desse seu estado de falta de discernimento, o filmaram, incluindo dentro de sua casa e cederam essas imagens ao Correio da Manhã, que aceitou publicá-las, e à CMTV, que as exibiu em inúmeros blocos noticiosos. Durante cerca de quatro minutos podia ver-se o actor na sala da sua casa com um ar totalmente perdido, atordoado, a cambalear, com uma linguagem quase incompreensível, a gesticular com uma garrafa de cerveja de um litro na mão, de joelhos, deitado no chão, com a camisa aberta, num estado de manifesta embriaguez. Fotogramas desse vídeo foram, ainda, publicados em sucessivas edições do Correio da Manhã, da revista Correio da Manhã TV e do suplemento Domingo.
O actor recorreu aos tribunais, não pela divulgação do seu problema de alcoolismo, que já tinha assumido publicamente e já fora referido por outros órgãos de comunicação social, mas porque, no seu entender, fora ultrapassado aquilo que a comunicação social podia noticiar sobre o assunto. A quantidade e qualidade das imagens consubstanciavam uma desproporcionada e injustificada interferência na sua vida privada e uma clara violação do seu direito à imagem.
Defenderam-se os réus, jornal, canal de televisão e jornalistas, argumentando que o actor era uma figura pública e o seu alcoolismo um facto público e notório, tendo as imagens em causa sido enquadradas numa reportagem sobre figuras públicas e dependências, com entrevistas a outros artistas e a médicos, havendo, assim, um interesse público nos trabalhos publicados. E, por outro lado, o actor aparecia a olhar para a câmara, pelo que tinha evidente conhecimento de que estava a ser filmado, consentindo, assim, nas filmagens. A nossa privacidade é, seguramente, garantia da nossa integridade, da nossa identidade e da nossa dignidade. Num mundo em que todos nos estão constantemente a roubar informação pessoal, convém distinguir o que é para ser público e o que é para ser privado ou íntimo. É evidente, por exemplo, que não é privado o que se discute no julgamento criminal do reitor da Universidade Fernando Pessoa, Salvato Trigo, que decorre, de forma assaz suspeita, no Porto à porta fechada. Mas há casos em que a fronteira entre o que deve ser mantido em privado e o que pode ser publicitado não é evidente.
As doenças são uma das áreas onde a questão da privacidade é fulcral. Mas, mesmo aí, há numerosas circunstâncias que justificarão a divulgação de doenças de pessoas públicas, já que, por exemplo, a saúde do Presidente da República não interessa só a ele. E se um artista fala publicamente dos seus problemas pessoais, tais como a dependência do álcool ou das drogas, tem de aceitar que essas questões sejam matéria informativa de interesse público. Mas até onde vai o direito à informação? Quando se justifica a compressão do direito à privacidade, uma vez que estamos perante direitos de geometria variável?
Em 2011, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos deu prevalência à privacidade, considerando que não violara a liberdade de expressão a condenação pelos tribunais ingleses do jornal Daily Mirror por ter publicado fotografias, captadas à distância, da modelo Naomi Campbell a entrar numa clínica de reabilitação de dependência de drogas.
Desta vez, nem o tribunal de primeira instância nem a Relação de Lisboa no passado dia 20 de Dezembro de 2017 tiveram grandes dúvidas: as imagens tinham sido captadas ilicitamente — dado o estado de embriaguez do actor — e a sua profusa difusão a nível nacional em nada contribuía para um debate sobre o alcoolismo, no âmbito da liberdade de informação, antes contribuindo “para o vexame, aniquilamento da imagem e profunda descredibilização” do actor, pondo em causa o seu processo de reabilitação. E os réus foram condenados a pagar uma indemnização de 50 mil euros e proibidos de voltar a publicar as imagens em causa, bem como de publicar informações sobre os tratamentos médico-terapêuticos do actor.
Parece claro que as doenças e dependências de cada um devem, em princípio, ser protegidas pelo direito à privacidade."

O grau zero de algum jornalismo

"Enquanto houver público para este circo mediático, monopolizado por um grupo de comunicação social, tudo compensa.

Sejamos claros e frontais: a democracia e o Estado de Direito não podem viver sem um jornalismo livre, independente e, muitas vezes, incómodo. De entre outras coisas, para isso se fez o 25 de Abril. Os vários tribunais nacionais e internacionais, com particular destaque para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, têm densificado a liberdade de imprensa, sopesando-a como valor mais relevante que, em muitas hipóteses, o direito à honra. Em alguns casos, até, em minha opinião, com excessiva leniência.
É velha, desde o aparecimento da imprensa, a questão da “tabloidização” dos media: estes limitam-se a dar aos cidadãos o que eles querem ver, ler e ouvir (sangue, tragédias, grandes parangonas), ou são eles que criam a necessidade nos ditos cidadãos? Ambas as coisas. Também desde cedo, sobretudo nas últimas décadas em que as novas tecnologias da informação permitem transmitir uma “notícia” à velocidade da luz, se debatem os mecanismos de auto e hetero-regulação. Se a isto juntarmos a violação do segredo de justiça, em que já todos percebemos que há pessoas em todos os sectores de profissionais que lidam com os processos que passam informações com variadas motivações, mais o eventual exercício do direito de informar, constitucionalmente garantido, aludindo-se a um “interesse público” do dito “jornalismo de investigação”, como possíveis tipos justificadores, é normal que tal crime morra invicto.
A solução nunca é matar o mensageiro. Mas também não é — não pode ser — o vale tudo: o linchamento público a que vamos assistindo, quase sempre vindo dos mesmos títulos da imprensa escrita e de um canal de televisão. Os buscados a saberem pela TV que este meio de obtenção da prova vai ser realizado, por vezes antes mesmo de os órgãos de polícia criminal saberem que para além daquela busca ainda havia outra para cumprir. Há quem diga que tudo isto se deve a esses “meios de comunicação social” — há quem os chame assim — serem mais competentes. Sem pôr em causa a competência desses jornalistas, ninguém é ingénuo ao ponto de achar que todos os demais são estúpidos. Não. Simplesmente não têm a mesma influência junto das possíveis fontes de informação. E como conseguem tal poder? Apenas posso imaginar, uma vez que não me compete investigar. 
Portugal e vários outros Estados regulam os media na sempre complexa ponderação de interesses contrastantes. Perante o panorama sumariamente descrito, soam a verdadeiras anedotas as palavras da Lei. Assim, o art. 3.º da Lei de Imprensa (Lei n.º 2/99, de 13/1) estabelece que esta visa “salvaguardar o rigor e a objectividade da informação, garantir os direitos ao bom nome, à reserva da intimidade da vida privada, à imagem e à palavra dos cidadãos e a defender o interesse público e a ordem democrática”. O Estatuto do Jornalista (1/99, de 1/1), no art. 14.º, n.º 1, al. a), prevê como dever destes profissionais “informar com rigor e isenção, rejeitando o sensacionalismo e demarcando claramente os factos da opinião”. Simplesmente, só “constituem infracções profissionais as violações dos deveres enunciados no n.º 2 do artigo 14.º” (art. 21.º, n.º 1). Dito de outro modo, o sensacionalismo compensa em vários domínios, pois rende mais que eventuais indemnizações a liquidar e porque — pasme-se — nem sequer é falta disciplinar. Donde, estamos em face de uma norma imperfeita, sem sanção, que, por isso, escapa ao controlo da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (cf. o art. 4.º, al. b), do DL n.º 70/2008, de 15/4). E não resulta da Lei que cria a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social – Lei n.º 53/2005, de 8/11), nem podia, por imperativos constitucionais e legais, qualquer acção disciplinar sobre os jornalistas em matéria do dever de rejeitar o sensacionalismo. Por seu turno, em termos de mecanismos de auto-regulação, o Código Deontológico dos Jornalistas estabelece, no seu n.º 2, que “[o] jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo [...]”. Refira-se que este instrumento de soft law foi aprovado no 4.º Congresso dos Jornalistas a 15/1/2017 e confirmado em referendo realizado a 26, 27 e 28/10/2017, com uma baixíssima participação da classe, cujo lamento se pode ler no sítio do Sindicato dos Jornalistas.
Note-se que o dever que vemos vulnerado diariamente resulta de Leis da Assembleia da República, supostamente vinculativas e que deveriam prever efectivos mecanismos sancionatórios. Sic gloria transit media. Enquanto houver público para este circo mediático, monopolizado por um grupo de comunicação social, tudo compensa. Enquanto nas escolas de jornalismo não houver uma aposta mais forte no estudo da legislação dos futuros profissionais em temas de Direito da Comunicação e de Deontologia, tudo ficará na mesma, o que é meio caminho para tudo piorar. Por certo há honrosas excepções, mas essas ameaçam entrar em insolvência.
É este o jornalismo que queremos? Tempo é de se promover um amplo debate com todos os envolvidos e de transformar os provedores dos media em realidades actuantes e não em meras figuras decorativas. Debate sem dogmatismos e sem medos de encontrar um justo equilíbrio entre o papel essencial que a comunicação social tem desempenhado na descoberta de vários (supostos) crimes e os lentos autos-de-fé ao sabor de conveniências de interesses grupais."

Benfiquismo (DCCXLVI)

Jogo do Brinco, 40 anos hoje...!!!

domingo, 11 de fevereiro de 2018

12.ª Taça Hugo dos Santos

Benfica 99 - 85 Oliveirense
31-20, 24-19, 20-22, 24-24

Excelente triunfo, num jogo onde tivemos muito inspirados no ataque: 2 Pts: 71%; 3 Pts: 61%; LL: 92% !!!
A Oliveirense não jogou 'pouco', nós é que nunca permitimos a aproximação...

A Taça Hugo dos Santos, já se chamou Troféu Manuel Castelbranco e Taça da Liga, portanto somadas todas as conquistas, esta é 12.ª...

Campeões

"Sentimos raça e confirmámos talento. Jorge Brás liderou com mestria e Fernando Gomes confirma-se como o presidente campeão.

1. Que noite! Que sábado gordo. Somos campeões da Europa de futsal. E também de futebol. E ganhámos à forte Espanha. Brilhante vitória de um colectivo que abarca jogadores e equipa técnica, Federação e a sua estrutura. Sentimos raça e confirmámos talento. Jorge Brás liderou com mestria e Fernando Gomes confirma-se como o Presidente campeão. Fica o seu mandato como o mandato de ouro da história do futebol português. Saltei, como nunca, de canal para canal. Queria viver tudo nos dois lados, nos dois canais que transmitiam os jogos que me (nos) absorveram e me (nos) contagiaram. E que me (nos) encheram de alegria. Com a certeza da paixão e com a convicção da vitória. Da Eslovénia para Portimão. E no futsal, tal como em Paris, até se lesionou o melhor jogador do mundo de... futsal. Ganhámos a Espanha como ganhámos à França. E este grande Portugal mostra, uma vez mais, que tem talento, que não precisa de naturalizações, que o trabalho dos nossos clubes é valioso, que a capacidade dos nossos treinadores é indiscutível e que a nossa organização é de excelência. E temos razões para sorrir e nos abraçarmos. Uma vez mais!

2. Nos próximos quarenta e três dias faremos uma viagem entre o Carnaval e a Páscoa. Se o Carnaval significa o adeus à carne também é verdade que estes três dias - de Domingo Gordo a terça feira gorda - são o período festivo por excelência em que as máscaras perturbantes e os trajes exuberantes antecipam com a consciência do entrudo - entrada! - o arranque da Quaresma. E no futebol interno - em vésperas de Liga dos Campeões e de Liga Europa - teremos mais seis jornadas até à festividade da Páscoa. Ai na semana santa o Benfica receberá o Guimarães, o Futebol Clube do Porto visitará o Restelo e o Sporting irá a Braga. E desta forma termina uma passagem - que agora se inicia - que também põe fim, em rigor, ao jejum da Quaresma. E tendo nós presente que «tudo o que é já foi, e tudo o que será também já foi»!

3. Era a melhor equipa do Mundo contra o melhor jogador do Mundo. E no final ganhou Portugal sem... Ricardinho nos instantes finais. Mas com Ricardinho a marcar, com o seu talento, o golo inaugural! Esta vencedora equipa de Portugal é uma equipa interna. Só Ricardinho joga no exterior. No espanhol Inter Movistar. Os restantes treze jogam no Benfica (4), no Sporting (também 4), no Sporting de Braga (2) e, ainda, no Leões de Porto Salvo, no Fundão e no Belenenses. É uma selecção de todo o Portugal e suscita a atenção de todo o verdadeiro desportista português. Masculino e feminino. Recordo que a fusão - diria unificação - do futebol de pavilhão, ou de salão, no seio da Federação Portuguesa de Futebol ocorreu em 1997. Havia o futebol de 5 - lembram-se? - e o futebol de salão. Que até tinha uma Federação própria. Com a fusão o futsal dominou e cresceu. Como, mais tarde, o futebol de praia. E, assim, tem razões para sorrir o Doutor Fernando Gomes já que, com a final de ontem, viveu doze finais de grandes competições internacionais. É obra. É um feito. Único!

4. Na Coreia do Sul, em mais uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, vive-se uma verdadeira trégua olímpica. A bandeira da Coreia unificada brilhou na cerimónia de abertura dos Jogos. A participação, julgada impossível há poucos meses, de atletas da Coreia do Norte é um marco extraordinário. E importa recordar que a noção de trégua olímpica está relacionada com as próprias origens dos Jogos Olímpicos. Na verdade, por volta do ano 884 antes de Cristo e estando a Grécia dominada por conflitos internos e pestes endémicas o seu Rei rumou em peregrinação até Delfos para consultar o oráculo acerca das formas de cessar os conflitos entre as diferentes cidades. O oráculo respondeu que a única forma de salvar a unidade grega era restabelecer os Jogos de Olímpia. E assim, nasceu a trégua sagrada que estabeleceu que, pelo menos de quatro em quatro anos, as cidades suspenderiam os conflitos e participariam, sem os horrores das guerras, em Jogos desportivos. O acordo foi gravado num disco de cobre (dirão alguns de bronze) em que se escreveu: «Olímpia é um lugar sagrado. Quem entrar neste lugar com armas será considerado sacrilégio. E também será sacrilégio todo aquele que, podendo, não castigue aqueles que entrarem armados». E, assim, a cada quatro anos as armas silenciavam-se e havia competição desportiva. Mas cada edição dos Jogos era também um local e uma espaço de ciência. Na verdade, como a participação era exclusivamente masculina, reuniam-se em Olímpia não só os melhores desportistas mas também os grandes escritores, filósofos, cientistas ou historiadores. E os seus anéis, com actos concêntricos, representando hoje os cinco continentes, dão sentido, nesta era moderna, à paz que esteve presente no espírito da Olímpia e também à universalidade que marca, neste nosso tempo, os Jogos Olímpicos. E estes Jogos na Coreia em que mais de três mil atletas procuram, e ambicionam, conquistar 102 medalhas em 15 disciplinas. Estes Jogos arrancaram com uma linda cerimónia de luz e de fogo, e num estádio que custou 92 milhões de euros. E, como exige o protocolo, o desfilo começou com a delegação grega. Mas a seguir, e em razão da ordem do alfabeto coreano, desfilou a pequena representação do Gana. E, assim, estes Jogos Olímpicos da Paz estão a marcar a história. Pyeongchang é a cidade que viu desfilar as duas Coreias. Desavindas. Mas com a consciência que a Coreia do Norte sabe bem que com esta aproximação singular perturba a aliança entre a Coreia do Sul e os EUA. E não é preciso ir a nenhum oráculo - mesmo aos modernos - para perceber que há Jogos mas também há, a partir deles, muita diplomacia que está, e muito, para além de uma inédita participação olímpica.

5. O Benfica ganhou, com esforço e empenho, em Portimão. Mostrou que vai lutar, jogo a jogo, pelo penta. Sentiu-se unidade e vontade. É este espírito de união e este sentimento de conquista que temos de manter nas finais que restam. Portimão confirmou, em definitivo, que o penta é possível. Abriu-se, de verdade, a porta de um desfecho que legitimamente se sonha. Como se concretizou o sonho de nos sagrarmos, com todo o mérito, campeões da Europa de futsal. Campeões, campeões, nós somos campeões!!!"

Fernando Seara, in A Bola

Cervi sempre na hora certa

"Argentino marcou em momentos essenciais; Zivkovic cada vez melhor no meio-campo

Nota principal para Cervi
1. Parece-me, logo à partida, justo destacar o papel fundamental de Cervi, autor dos dois primeiros golos do Benfica, qualquer deles em momentos substanciais da partida - no começo, primeiro, e numa fase de reacção ao golo do empate ao adversário, depois - e resultantes de grandes execuções, um remate decidido no 1-0, um livre perfeitamente marcado no 2-1.
Franco Cervi, ademais, voltou a apresentar capacidades singulares, assumindo-se como componente incontornável nesta equipa do Benfica, puxando para ele um estatuto que talvez nunca antes tenha conhecido de águia ao peito.

Zivkovic como Krovinovic
2. Aproveitando o balanço da já terminada análise individual ao argentino segue-se outra, ao sérvio Zivkovic, que voltou a actuar no meio-campo, em lugar que pertencera ao croata Krovinovic até à lesão grave deste. Na verdade, Zivkovic tem demonstrado ânimo na interpretação da tarefa, procurando a bola, pedindo-a aos companheiros, abrindo linhas de passe, arrogando as responsabilidades do jogo sem exagerar em individualismos. O golo que marcou, já no final do encontro - mero ponto final numa história que já estava contada, note-se - serve tão-só para salientar o trabalho do agora médio benfiquista. Zivkovic parece capaz de render Krovinovic no onze com regularidade.

Análise geral: primeira parte
3. No global, o Benfica entrou melhor, jogando de forma audaz, sem permitir ao Portimonense trocas demoradas de bola e muito menos, contra-ataques. Só no final deste período, nos últimos dez minutos, a equipa algarvia deu ar da sua graça; mas o Benfica foi dominador nos primeiros 45 minutos, chegando com mérito ao 1-0, ainda que sem alcançar um resultado mais cómodo do que a vantagem tangencial que tinha.

Análise geral: segunda parte
4. Na segunda parte a equipa da casa mudou o rumo dos acontecimentos. Ou pelo menos tentou. E de certa forma, diga-se, conseguiu. O Portimonense reentrou, empurrando o adversário, conseguindo cruzamentos, cantos, trocas de bola perto da área. O 1-1, nesse sentido, adivinhou-se e cumpriu-se.
Foi então que reapareceu Cervi, contra a corrente do jogo. Aquele livre directo - marcado com precisão de craque - acordou o Benfica para o que faltava. Decisivo na execução e no momento."

Álvaro Magalhães, in A Bola

Mentiroso !!!

Benfica B 1 - 5 Viseu


Resultado muito mentiroso... Foi o Benfica que rematou mais, atacou mais... mas a manha de uma equipa experiente, com vários jogadores com experiência de 1.ª Divisão, jogando em contra-ataque, acabou por construir um resultado muito pesado...

Declaração Universal dos Direitos dos Atletas

"A Declaração Universal dos Direitos dos Atletas foi aprovada pela World Players Association em 14.12.2017 e visa proteger os atletas das violações dos seus direitos humanos. Esta Declaração é um documento de referência para as organizações desportivas internacionais no cumprimento das suas obrigações de proteger, respeitar e garantir os direitos fundamentais dos jogadores.
De acordo com os princípios aí estabelecidos, entre outros, todos os atletas têm direito a um ambiente desportivo livre de corrupção, manipulação e fraude e que proteja, respeite e garanta os direitos fundamentais de todos aqueles que se relacionem ou sejam afectadas pelo desporto, incluindo o atleta; à igualdade de oportunidades sem distinção de qualquer tipo e livre de discriminação, assédio e violência; à liberdade de opinião e expressão; enquanto menor, à oportunidade de praticar livremente desporto de forma inclusiva, adaptada e segura e de ter os seus direitos enquanto criança protegidos, respeitados e garantidos; de se organizar e negociar colectivamente; de ter seu nome, imagem e desempenho protegidos; à reserva da sua vida privada, e protecção em relação à recolha, armazenamento e transferência de dados pessoais; a uma remuneração justa e condições de trabalho adequadas, incluindo salário mínimo, horas justas de trabalho, de descanso e de lazer.
Em bom rigor, a Declaração Universal dos Direitos do Homem cobria, em grande parte, os princípios agora estabelecidos e adaptados à realidade desportiva. No entanto, a verificação de sistemáticas violações dos direitos humanos dos atletas, incluindo menores, motivou a aprovação desta Declaração."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

As equipas B e o futebol português

"Há uma contradição insanável na argumentação dos que querem reduzir o contingente de equipas B autorizadas a participar na II Liga do futebol nacional ou até, mais radical, acabar com elas. Claro que é sempre possível encontrar formas de melhorar o enquadramento competitivo de todo o edifício do futebol nacional, mas de uma coisa tenho a certeza: a inclusão das equipas B na II Liga foi a melhor medida tomada no futebol em Portugal nos últimos dez anos. Tirá-las de lá pode satisfazer clientelas, mas nunca melhorará as coisas.
Não é preciso ser um génio da estratégia para perceber que a razão fundamental pela qual os clubes querem reduzir a presença de equipas B ali tem que ver com a vontade de ter mais vagas para eles próprios. O que já de si é bizarro mas naturalmente aceitável, mesmo que seja muito contraproducente. Senão vejamos. O que se ganhou com a inclusão das equipas B na II Liga? Ganhou-se enquadramento competitivo imediato para os melhores jogadores saídos do escalão júnior, que assim podiam continuar a jogar, a ver a sua evolução devidamente acompanhada, em vez de andarem de empréstimo em empréstimo até ao momento em que se perdiam para o futebol num qualquer clube de Chipre ou da Bulgária.
Se é de resultados que precisam, aqui vão eles. As equipas B tiveram entrada na II Liga em 2012. A selecção nacional de sub-21, que falhara a qualificação para as duas edições anteriores do Europeu da categoria (2011 e 2009) e que não passara da primeira fase das duas que tinha sido disputadas antes dessas (2007 e 2006), ainda falhou a presença em 2013 (por causa de uma derrota na Rússia em Outubro de 2011), mas foi depois finalista vencida em 2015 e não perdeu um jogo competitivo entre Outubro de 2011 e Junho de 2017. Após a ausência na prova de 2009, a selecção nacional de sub-20 vai com quatro Mundiais seguidos a superar a fase de grupos, tendo sido eliminada nos últimos dois (2017 e 2015) no desempate por penáltis, nos quartos-de-final. São resultados que vão muito para lá da qualidade de uma geração em particular e que, no limite, pela habituação que estes jogadores foram tendo às vitórias enquanto membros de selecção, pela forma adulta como puderam passar a encarar a competição desde o momento em que deixaram os juniores, estiveram na base do título europeu conquistado pela selecção principal em 2016.
Estamos, portanto, insatisfeitos? Queremos acabar com isto para arranjar mais vagas na II Liga (na competição profissional, portanto) para clubes que não formam jogadores? Já nem vou ao ponto de me atrever a gritar que é um contrassenso dizermos que temos clubes a mais nas provas profissionais, que queremos reduzir os campeonatos para aumentar a competitividade (o que seria um erro, convenhamos), mas depois vamos a correr à procura de meter mais uns quantos. Ou, ainda pior, que temos de reduzir os empréstimos, porque é evidente que, desregulados, eles subvertem a verdade desportiva dos campeonatos, mas depois tiramos aos clubes que produzem jogadores a hipótese de manter os jovens jogadores em actividade. Isso é mais do que um erro. É uma idiotice de quem desistiu de atacar o verdadeiro problema, que - e já me cansei também de escrever sobre isto - passa por uma maior equidade na distribuição das receitas e, não menos importante, pelo controlo do que é feito com esse aumento de receitas que cada um passaria a receber.
Sou mais do que sensível à argumentação dos clubes que se veem estafegados pelo poder dos grandes e acho que é fundamental encontrar ferramentas para limitar esse poder. Esta, no entanto, não é uma delas. Tratem lá mas é de centralizar os direitos televisivos, de distribuir melhor as receitas que o futebol gera, de obrigar os clubes que estão na competição profissional a ter uma equipa B (em vez de acabar com elas ou de as forçar a jogar um campeonato de sub-23 em que os jovens jogadores não vão encontrar verdadeiros desafios e um panorama competitivo divergente do que têm nos juniores) e a seguir se verá o que fazer com a II Liga. Se acharem que há despesa a mais e receita a menos a esse nível, em vez das 20 equipas atuais até podem ser 32, divididas em duas zonas. Isso já é igual a litro. Mas não queiram acabar com a galinha dos ovos de ouro do futebol português só para aumentarem as chances de ter uma equipa no futebol profissional."


PS: O Tadeia 'esqueceu-se' de pedir autorização ao patrão para escrever esta coluna, a continuar assim ainda vai aparecer na lista dos sportingados!!!

Benfiquismo (DCCXLV)

Pipi

Cadomblé do Vata

"1. Vitória importante que vale a subida à liderança... de qualquer forma não vale a pena acalentar sonhos, viemos ao 1° lugar só para lhe tirar as medidas para o fato de campeão.
2. Olhando para a tabela classificativa, vemos que dos 11 primeiros classificados, já só nos falta visitar Alvalade... pode-se dizer que em teoria, já fomos a todos os campos complicados.
3. Da formá que está a jogar, Cervi pode começar a fazer as malas para ir jogar num grande europeu... já o Rafa insiste em demonstrar amor ao clube, jogando de forma a ficar por cá mais anos do que o Luisão.
4. No dia em que é noticiado que o SLB tem que negociar com a Igreja a expansão do Caixa Futebol Campus, o Jonas lesiona-se... eles que saquem o milagre da disponibilidade física eterna do Pistolas, que nós pagamos o que eles quiserem.
5. Aproveito para dar os parabéns à selecção de futsal, bem como enviar-lhes um abraço solidário... tiveram o azar de se sagrarem Campeões Europeus em dia de vitória do SLB."

A fúria de viver de Franco Cervi provoca um apelo gutural ao javardo que há (,,,)

"Bruno Varela
poucos dias passei por um daqueles quiosques com artigos oficiais do Benfica. Fiquei surpreendido quando vi que o produto em destaque era a réplica da camisola de Bruno Varela. Porquê, pensei eu. Depois lembrei-me que Bruno Varela tem sido decisivo em alguns jogos, isso e tem aquele carisma divertido de alguém que foi confundido com uma figura pública e decidiu aproveitar enquanto ninguém se apercebe. Se aparecermos num jogo de futebol amador com aquela camisola amarela, a dúvida instalar-se-á. Será que este gajo veio equipado como guarda-redes ou como Bruno Varela? Continuo a preferir o segundo. Fica apenas o alerta: não sei como correm as vendas da camisola do nosso Eddie Murphy, mas aquela saída em falso hoje não é o tipo de lance que faz com que um artigo esgote.

André Almeida
Faltam quatro meses para o mundial. O Cédric e o Nélson Semedo devem andar a calmantes. Só lhe faltou o golo aos 71’ num lance em que recebeu isolado na área porque é esse o tipo de jogador que ele é.

Rúben Dias
Concentrou todas as suas energias na crista de Fabrício, avançado talentoso que apresenta um corte de cabelo fiel à sua personalidade, que é como quem diz, moderadamente detestável. Fabrício é um daqueles jogadores cujo desígnio na Terra parece ser o de fazer grandes exibições contra o Benfica. Teve azar porque apanhou pela frente um central cujo desígnio na Terra é o de, caso necessário, sacrificar a sua vida pelo Benfica.

Jardel
Ufa. Ufa. Ufa. Ufa. Ufa. Ufa. Ufa. Ufa. Ufa. Ufa. Foi um alívio ter Jardel no centro da defesa. Corrijo: não foi um alívio. Foram dez.

Grimaldo
O actual recordista mundial no lançamento do Cervi não ficou longe da sua melhor marca em 2018. 

Fejsa
Ao fim de meia hora em campo tinha mais recuperações de bola do que títulos ao serviço do Benfica, um feito notável até mesmo para Fejsa. É um jogador absolutamente essencial à equipa, razão pela qual deveremos esperar a sua lesão a qualquer momento.

Pizzi
o vimos pior. Ainda assim, a sua melhor intervenção no jogo foi deixar Cervi marcar o segundo golo. Devia contar como assistência.

Zivkovic
O melhor jogador em campo arrumou com o jogo e celebrou o seu golo de forma emotiva, com uma dedicatória dirigida aos muitos colegas de claque com quem partilhou a bancada na primeira metade da época. Rafa Em crescendo, mas é um daqueles crescendos de uma banda pós-rock do estilo “anda lá, caraças, desembucha”. As suas jogadas de desentendimento com André Almeida prometem criar muitas dores de cabeça a colegas e/ou adversários. Parecendo que não, é tipo para se fazer.

Cervi
Mais uma exibição plena de competência e fúria de viver. O problema de se escrever sobre Franco Cervi numa noite como a de hoje é que todas as frases começam com observações polidas sobre a capacidade que o argentino tem de combinar com os colegas Grimaldo e Zivkovic e ocupar de forma inteligente o espaço entre linhas, mas de repente ele pega na bola, vai por ali fora, parte aquela merda toda e estão a ver o que é que acontece? As observações polidas transformam-se num apelo gutural ao javardo que reside em mim, a quem só apetece pegar no incrível livre que me deu a vitória, como se fosse possível pegar num livre, como se fosse uma coisa, e esfregá-lo na cara de alguém, mesmo que esse alguém não nos tenha sequer dirigido a palavra, apenas por sabermos que é de outro clube que desejava a nossa derrota. Portanto, diria que sim, foi mais uma exibição competente deste jovem jogador.

Jonas
É extremamente difícil escrever estes textos com os dedos entrelaçados enquanto suplico a Deus Nosso Senhor Jesus Cristo que poupe o joelho de Jonas e, consequentemente, o nosso já de si frágil coração. Aguentemos pois.

Jiménez
Surpreendeu pelo entrosamento com os colegas. Tem tudo para vingar neste Portimonense.

Samaris
Esteve bem ao atingir Fabrício e naqueles dois lances em que a bola tocou nos seus pés. Pode ser mais importante se conseguir evitar que os árbitros vejam as suas faltas sucessivas. 

Diogo Gonçalves
Tempo suficiente para assistir Zivkovic, um jogador que tempos ficou no banco por causa de Diogo Gonçalves. E pensar que estamos a caminho do penta. Quem diria?"

Vermelhão: Contra tudo...

Portimonense 1 - 3 Benfica


Como se esperava, jogo muito complicado, que nem o golo madrugador tornou 'fácil'! Mas uma das coisas que mudou no Benfica, em relação ao início desta época, e agora, é a capacidade de reacção! Enquanto no início da época, quando sofríamos golos importantes, parecia que a equipa não tinha capacidade de reacção, agora isso já não acontece: penalty sobre o Rafa/lesão do Jonas/ golo do empate do Portimonense praticamente tudo seguido, parecia ser o 'momento' do jogo, mas não, não permitimos...!!!

Entrámos muito bem... marcámos, podíamos e devíamos ter marcado mais (Jonas não esteve inspirado...), nos últimos 15 minutos da 1.ª parte, o Portimonense equilibrou o meio-campo...
Não entrámos muito bem no 2.º tempo, mas o adversário só ia conseguindo perigo em bolas paradas... e foi numa bola parada que empatou (mais uma vez, após os 2 golos na Taça da Liga de bola parada) (num lance que nasce de um pontapé de baliza, que devia ter sido Canto a nosso favor!)... Mas reagimos muito bem, voltámos a ficar por 'cima' da partida, em posse de bola, e no meio campo do adversário, os golos acabaram por ser consequência natural do nosso domínio...
Quando soube esta manhã que íamos levar com o Xistra ainda fiquei mais preocupado, e jogo provou que tinha razões para me 'preocupar'!!! Como vem sendo costume, o Portimonense jogou completamente à vontade, porrada a tudo o que mexia (com 'destaque' para os jogadores ligados contratualmente aos Corruptos)... Pois sabiam que ninguém seria expulso!!! Será assim até final da época...
Muito bem o Zivko a aproveitar os descontos dos descontos para marcar o 3.º, frustrando assim a intenção do apitadeiro...!!!

Mais uma lesão, mais uma vez num jogador decisivo (talvez o mais decisivo), mais uma enorme angústia até saber a gravidade... Temos encontrado sempre substituídos, mas nos últimos jogos, tem sido quase uma lesão por jogo, a continuar assim, quando chegarmos ao fim do Campeonato, temos que jogar com os putos da B!!!
O Cervi está de facto no melhor momento desde que chegou ao Benfica, e hoje concretizou... com dois grandes golos: grande jogada no 1.º (até à rotação do Rafa); e um grande livre directo...
Zivkovic a ganhar rotinas na nova posição... O Almeidinhos hoje merecia um golinho...!!!

Varela continua a não transmitir confiança; e o Rafa com alguns bons momentos, em 90 minutos não consegue substituir o Salvio (mesmo o Toto trapalhão!!!).

Neste momento somos líderes, amanhã tudo poderá mudar, mas amanhã as pernas vão pesar mais um bocadinho aos nossos adversários directos. A nossa obrigação, é esta: conquistar os 3 pontos... e depois esperar...!!!

Portugal Campeão Europeu de Futsal

Bastou-me ver o primeiro jogo com a Roménia, para verificar que esta equipa nacional estava melhor, muito melhor que em anos anteriores... Especialmente na consistência defensiva!
Mesmo com algumas escolhas que eu não faria, a atitude e a concentração em todos os jogos foi diferente...

Parabéns a toda a equipa... mas tenho que dar um grande abraço ao Bruno Coelho: lesionado, marca dois golos decisivos... E não tremeu, quando a poucos segundos do fim do prolongamento, marcou o livre de 10 metros!
O Ricardinho como é óbvio é a grande estrela desta equipa, mas sozinho nunca ganharia. Os grandes atletas dos desportos colectivos, precisam sempre da companhia de outros grandes jogadores que os 'apoiem', neste Europeu foi claramente o Bruno...

Aliás, os Benfiquistas estiveram todos em grande: o Bruno, o André com um remate bomba, o Cecílio e o Tiago nos desequilíbrios... e todos com um enorme espírito de vitória!

Vitória da melhor Selecção desde do 1.º jogo, até à Final deste Europeu...

Na Final...

Benfica 81 - 75 Guimarães
21-18, 17-15, 26-24, 17-18

Começamos com um 10-0, mas rapidamente o Guimarães aproximou-se... e apesar dos parciais terem sido quase sempre favoráveis ao Benfica, o jogo esteve sempre muito 'próximo', e fomos obrigados a dar tudo...

Nota para os regressos do Sanders e do Morais. Com dois jogos em dois dias é essencial ter profundidade no banco...
Amanhã vamos defrontar a Oliveirense na Final, que hoje derrotou os Corruptos, no prolongamento, confirmando aquilo que tem sido notório esta época: a Oliveirense é a 2.ª melhor equipa nacional...