Últimas indefectivações

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O Porto visto de... Lisboa

"Não deixa de ser impensável que um clube com essa (inabalável) estrutura tenha mandado embora Lopetegui sem ter já uma solução.

Não costumo, por norma, preocupar-me com searas alheias. Muito menos com o clube que usa o nome da cidade onde nasci, o qual, nos 18 anos em que lá vivi, nunca ganhou um campeonato nacional, sequer.
Talvez por isso, por lá ter nascido e ser do Benfica desde esse mesmo dia, numa escolha que o meu Pai fez por mim, e que eu, por mais que viva, nunca lhe pagarei, os meus conterrâneos não me perdoem essa minha opção.
Pelo Benfica, até debaixo de água (como o ouvia cantar, enquanto, durante muitos anos - até vir para Lisboa, para a Faculdade de Direito - percorríamos Portugal inteiro, para ver o Benfica jogar). No futebol, como em muitas das outras modalidades.
Por isso não me canso de repetir que sempre vi o Benfica, em todo o lado antes de ser dirigente, como continuarei a seguir o Benfica quando deixar de o ser!
Mas vamos ao que, hoje, interessa.

Saber estar, saber sair
Numa definição perfeita do que releva para quem exerce o poder, tenho presente - «por ouvir contar» - do que dizia, em conversa privada, um ex-Primeiro Ministro: «Todos entram aqui bem, mas todos saem daqui muito mal.»
E se o futebol, no que tem de ciência política e de relação de poder (porque é de poder que se trata), não esquecer as lições dessa mesma ciência, perceberemos que há dois parâmetros essenciais para definir qualquer liderança.
A obra (neste caso, as vitórias) e a escolha do momento para sair.
E se as primeiras dependem de tantas variáveis aleatórias (que, quem manda, tenta reduzir ao máximo), já o segundo depende, exclusivamente, da lucidez, do discernimento e da vontade de quem lidera (ou do medo que o já não ser possa trazer por razões inconfessáveis...).
Os arautos do clube da Invicta não se cansam de elogiar tanto título ganho por quem lhes ocupa a Presidência por tantos anos. Apesar de sabermos como muitos deles foram conquistados... retenhamos essa realidade para o que nos interessa e não falemos - uma vez, sem exceção, para que não se habituem... - do Apito Dourado!
Normalmente, os mesmos que defendem a limitação dos mandatos no Estado, ou nas Autarquias, são, tantas vezes, os mesmos que participam de Comissões de recandidatura no clube, onde se mandam às malvas tais princípios de rotatividade democrática.
No Estado, com a justificação de que, assim, se evitará, o nepotismo, o clientelismo, a corrupção; no Clube, com a justificação de não haver alternativa. Como se aqui a natureza, mesmo em termos desportivos, não tivesse horror ao vazio e não fosse capaz de encontrar sucessores dignos dessas vitórias...
A não ser que me digam que aos meios usados, os tais que os fins - as vitórias - tudo justificam (numa visão maquiavélica da actividade mais maquiavélica que conheço, o futebol), só este terá acesso... Se assim for, compreendo o desespero dos apoiantes!
Se assim não for, só posso compreender o desespero do candidato.
Porque - e interessa sempre ver no que se traduz essa impossibilidade de perceber que chegou o momento de sair - o espetáculo lamentável de arrastamento, por época e meia, de um erro de casting chamado Julen Lopetegui (que, só me deu alegrias enquanto andou por lá), só tornou evidente que, respeitando a idade, não podem os seus seguidores respeitar tanto autismo, tanto adiamento, tanta prepotência.
As claques, como já defendi, são, cada vez mais, vozes de expressão do sentir do adepto comum. Podem até parecer controladas, manietadas e direccionadas num primeiro momento. Mas acabam, todas, a ser a voz de quem sofre - e muito - pelo clube.
A tal intransigência em ver o óbvio - que alimentava páginas de jornais sobre quem apoiava quem dentro da famosa (e ex-competente) estrutura - feita de autismo, adiamento, prepotência mas, também, de sensação de impunidade, infalibilidade e recuperabilidade, só me trouxe alegrias.
Por mim, essa tal escolha continuaria lá por muitos e bons anos. Só tenho, por isso, de lamentar que o destino não quisesse que assim fosse. Mas a expressão máxima dessa passagem do prazo de validade de quem lidera foi o triste arrastamento, por duas semanas, de uma situação sem uma deliberação alternativa para uma morte anunciada.
A solução transitória - não da pessoa, que tem competência para ser treinador principal - teria tudo a ver com um fim de época em que apenas se desejasse que o tempo passasse. Mas aqui, para quem sofre por aquele emblema (e não fica - como eu - muito contente com cada derrota deles... Deles e dos outros, já agora, para que não julguem que andam sozinhos), tal arrastamento de uma não solução só percepcionou o desfazer de novos sonhos sobre hipotéticas vitórias futuras. Com tanta determinação - adiada por meses, eu sei - em dispensar... ou despachar... Lopetegui, sempre pensei que a alternativa estava encontrada. Afinal, a eficácia de outros tempos parece não existir porque não deixa de ser impensável, num clube com essa (ex-intocável e ex-inabalável) estrutura, ter mandado embora o treinador sem ter já solução.
Dir-me-ão que nada tenho a ver com isso... E que se os sócios não reagem... Talvez. Mas posso gozar, pelo menos? Ou também não?

Rui Barros
Neste interlúdio de incapacidade de gestão, que conduziu ao arrastamento de uma solução transitória, há uma pessoa que merece o meu elogio: Rui Barros.
Nunca tive uma predilecção especial por ele, enquanto jogador, nem mesmo quando as notícias o davam próximo do Benfica... por acção de Jorge de Brito. Mas a forma surpreendentemente elegante, educada, respeitadora e calma como, com clara consciência, mostrou saber qual era o papel que lhe queriam atribuir neste momento, fizeram com que passasse a ter, em mim, uma voz que não se levantará em críticas contra quem demonstrou ser alguém que aproveitou, e muito, a experiência de ter jogado em grandes europeus.

Sérgio Conceição
Outra personalidade que fez com que admitisse mudar a minha opinião sobre ele foi a de... Sérgio Conceição. Eu sei que tenho amigos que dizem que ele fez tudo para perder o jogo... mas Casillas fez muito mais do que ele.
Perdoem-me mas não concordo! Resistiu aos cantos de sereia, sem surpresa de tantos, para escândalo de outros, quando lhe propuseram a (fundamentada ou não) hipótese, mesmo antes desse jogo, de treinar o Porto. Nisto das paixões desmedidas por um clube, tantas e tantas vezes incompreendidas, somos confrontados com uma impulsiva irracionalidade... O que não nos faz mais ou menos honestos, mais ou menos sérios. Mas Sérgio Conceição deu-nos uma lição. Tal como qualquer outro jogador, com o sentido da responsabilidade de envergar uma camisola, vestindo-a como se lhe pertencesse efectivamente, Conceição sentia o peso daquele balneário e das cumplicidades aí geradas, escolhendo o caminho a que, por momentos, terá querido fugir...
Logo após a vitória do seu ainda Vitória frente ao Porto constou que Sérgio Conceição terá recusado assinar pelo (inevitável) clube do seu coração antes desse jogo. A ser verdade o que se lê, gabo-lhe a atitude! De facto, ter achado que o melhor, de acordo com a sua consciência, seria esperar pelo final do jogo para tomar uma posição, é de grande profissionalismo! E sendo o homem «a medida de todas as coisas» e... de todas as atitudes, Sérgio Conceição, apesar da tendência para uma conflitualidade permanente, revelou grandeza - bem cada vez mais escassos no futebol português, como no resto. 

José Peseiro
De todos os treinadores de futebol, foi com José Peseiro que mais falei nestes últimos tempos, por razões de circunstância.
Tenho pena que vá para o Porto, porque não posso desejar-lhe felicidades. Mas deixo-lhe um abraço."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Notas sobre o campeonato

"O campeonato promete uma 2.ª volta emocionante na luta pelo título. Um Sporting melhor do que em anos anteriores, um Benfica agora estabilizado apesar de ausências marcantes, um Porto já sem Lopetegui, ainda que a 8 (5+3) pontos do duo lisboeta.
O Benfica e o Sporting venceram 14 dos 18 jogos. Com uma diferença interessante: Os encarnados venceram apenas 3 deles pela margem mínima, enquanto os leões venceram 9, dos quais 5 nos derradeiros minutos. O FCP ganhou apenas 12.
O Benfica perdeu 5 pontos com clubes acessíveis (Arouca, 3 e União da Madeira, 2) e 6 contra os rivais concorrentes. O Sporting não deixou pontos nos confrontos com SLB e FCP, mas desperdiçou 9 em jogos aparentemente fáceis fora de casa (União da Madeira, 3 e Boavista, 2) e em casa (Paços de Ferreira, 2 e Tondela, 2). Já o Porto perdeu pontos numa mistura entre jogos complicados e outros mais fáceis: em casa, 4 pontos cedidos diante de Braga e Rio Ave e fora, 3 em Alvalade, 3 em Guimarães, 2 contra o Marítimo e 2 em Moreira de Cónegos.
O Benfica ganhou sempre nas últimas 10 jornadas, depois da derrota impressiva na Luz contra o SCP. Recuperou 5 dos 7 pontos de atraso face ao SCP e somou mais 8 do que o FCP. Estabilizou, ganhou confiança e ultrapassou obstáculos difíceis em Braga, Guimarães, Nacional e até Estoril. Donde se conclui que era notoriamente exagerada a notícia de que estaria afastado do título.
Por fim, o Benfica ganhou sempre que marcou golos, mesmo que apenas 1 (aliás, só em Guimarães). Nos 4 jogos em que perdeu pontos ficou sempre a zero. Nos outros 14 marcou uma notável média de 3,4 golos por jogo."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Tudo contra o Sporting

"Que conspiração de todos e de tudo contra o Sporting! Que coligações espúrias contra o Sporting! Nunca se viu tal na história do futebol. Ele é Liga, ele é Federação, ele é UEFA, ele é o Tribunal Arbitral, ele é a arbitragem, ele é a comunicação social, ele é este ou aquele sportinguista com opinião diferente, ele é a secretaria federativa, ele é os empresários, ele é os fundos, ele é o Carrillo ele é os outros clubes, ele é os sorteios dos jogos, ele é o não sorteio dos árbitros, ele é as redes sociais, ele é os outros treinadores, ele é os comentadores, ele até já foram os jogadores, etc., etc. Só os bancos amigos e os consagrados VMOC não conspiram contra o clube de Alvalade.
E, claro está, ele é o Benfica desde o porteiro ao presidente, passando pela águia Vitória. Uma obsessão desmedida como se ser benfiquista quase fosse um crime lesa-leões. Acho até que os responsáveis leoninos e o seu treinador falam mais do Benfica do que do seu clube.
Contra o Tondela, foi a mais superlativa incoerência e falta de fair-play: fúria contra um penalty bem assinalado e fúria contra a rectificação de um penalty mal assinalado! Verdade seja dita que os seus jogadores têm dado lições de grande carácter e profissionalismo, tentando alhear-se de todo o folclore à sua volta.
Percebo a ideia de lutar contra um certo conformismo que, de algum modo, se havia instalado no SCP. Essa luta é bem-vinda e faz bem às competições. Mas que diabo, será preciso, para um clube tão importante e prestigiado, incendiar e inquinar tanto o ambiente do futebol? E se o feitiço se virar contra o feiticeiro?"

Bagão Félix, in A Bola

O maestro que também toca piano

"Sobre ele não há a menor suspeita de ter mais afectos do que os merecidos. Nunca foi um bem amado. Impensável substituto de Enzo Pérez no Benfica de 2014/15, foi sempre um jogador com défice de carinho e, em muitos casos, de mero reconhecimento exterior pelo nível que atingiu. Pizzi que, na temporada passada, assumiu o surpreendente papel de interlocutor das estrelas mais brilhantes da constelação encarnada (Salvio, Gaitán, Jonas e Lima), superou as dúvidas e exerceu influência determinante no arranque para o título, desempenhando um papel que, até então, lhe era desconhecido. O treino e o jogo constituíram refúgio de inspiração e encaixe para as considerações menos abonatórias de quem o viu e analisou como figura menor. O arranque da nova época não confirmou logo a excelência do que já conseguira. Precisou de uma oportunidade à 11.ª jornada, em Braga, para se tornar titular indiscutível, precisamente na fase que deu início à retoma benfiquista na Liga.
Os relâmpagos de talento que emite não são enquadrados pelo engano mas pela perfeição. Não é o drible deslumbrante, o truque ou a mentira avulsa que melhor o caracterizam; a sua especialidade é manter a equipa a funcionar, agregando a esse lado mais mecânico a sumptuosidade de o fazer vendo buracos onde quase todos só vêem muros inexpugnáveis. Se o toque está para o futebol como a palavra para a sociedade, Pizzi é um fantástico promotor de diálogo. Dele não se devem esperar malabarismos retóricos mas o primor de uma intervenção sábia, com excelentes resultados práticos. Resta agora saber o que fará Rui Vitória quando em vez de estratégia pretender talento individual, verticalidade e desequilíbrio; quando em vez de um pensador disfarçado quiser velocidade pura junto às linhas; no fundo, quando achar que deve abdicar de uma solução mais elaborada e paciente por outra mais instantânea e contundente que contemple a utilização de Gaitán, Salvio, Gonçalo Guedes e Cervi.
No Benfica de Rui Vitória, Pizzi é o maestro desviado do centro do palco; o cérebro que dirige a orquestra a partir de zonas laterais, de onde concebe e executa em nome de harmonia, coesão e talento. Porque tem ampla visão periférica e entende o jogo como um todo, feito de vasta cadeia de acontecimentos que convém antecipar, a esmagadora maioria dos foguetes que faz estrepitar tem conotação colectiva. Porque entende o futebol e as suas chaves como desporto em que cada um precisa de todos para se realizar na plenitude, funciona como gestor da manobra global ainda que, nas novas tarefas que lhe foram conferidas, seja frequente vê-lo em acções mais avulsas, na exploração do flanco. Pizzi não administra o jogo dos flancos como fazia David Beckham, para quem um simples pontapé na bola abreviava quatro ou cinco passos na aproximação à baliza. O transmontano sai do flanco para dentro (sugerindo a subida do lateral) e vai trocando a bola à espera do momento para fazer a diferença, tomando quase sempre as melhores decisões à custa de um notável instinto simplificador.
Quando chega à linha de fundo, levanta a cabeça e coloca a bola para o último toque. Pizzi acrescenta dotes de solista aos que revela com a batuta na mão. Sendo o denominador comum das soluções criativas, exerce fora do lugar mais próprio (o meio do terreno) mas, em vez de se diminuir, acrescenta argumentos ao vasto reportório de músico excepcional: toca piano com a eloquência dos grandes executantes e, se for preciso, como agora se viu ao selar o triunfo no Estoril anuncia a festa ao toque do bombo - e vão 5 golos na Liga, lançando vitórias sobre Sp. Braga, V. Setúbal e Marítimo. Se Renato Sanches é o motor que põe a máquina a funcionar e lhe confere coesão atrás e soluções à frente, Pizzi é um gerador e multiplicador de futebol no último terço do campo. Tornou-se um jogador precioso."

Mau resultado

Istambul BBSK 3 - 1 Benfica
25-18, 23-25, 25-21, 25-22

Estamos obrigados a não ceder mais de 1 Set na Luz, para levar o jogo para a negra...!
Temos equipa para isso, mas temos que jogar melhor.

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Pelo Benfica! Sempre!

Redirecta prévia: Redirectas IV - Glu Glu Glu

O caminho do Oriente, não foi fácil !!!

Oriental 0 - 1 Benfica


Já no último Sábado na Amoreira jogámos num mau relvado, hoje voltámos a jogar num péssimo relvado. Tão mau, que mudou completamente o jogo... num relvado em condições normais os méritos individuais para uma equipa triunfar são bastante especificas, num relvado nestas condições as qualidades necessárias são bastante diferentes: jogo directo, jogo aéreo, disputas de bola jogadas no limite da agressividade, jogar de primeira e poucos 'rodriguinhos'!!!

A adaptação ao relvado foi demorada, o Oriental entrou muito agressivo, e só recuou com o cansaço. Depois do intervalo o Oriental voltou a entrar com tudo, mas o cansaço chegou mais cedo... com a entrada do Jiménez e do Sanches o Benfica ganhou capacidade física em zona alta, e com o Talisca perto da meia-lua ganhámos remate...!!!

Destaque para as três grandes defesas do Ederson (que fez esquecer um falhanço... cómico!!!), o regresso do Semedo a precisar de ritmo, o regresso do Djuricic com vontade, mas num relvado impróprio para consumo... Em sentido contrário, o Samaris voltou a provar o mau momento, e o Guedes voltou a estar horrível!!!

PS: Uma nota para a carta de despedida do nosso ex-jogador Carlos Marchena.

Desgraça alheia

"«O futebol são 22 homens atrás de uma bola e no fim ganha a Alemanha», disse um dia Gary Lineker, descrevendo com exactidão a superioridade teutónica. O que provavelmente o avançado britânico desconhecia é que os alemães, para além de vencerem demasiado, são os únicos que têm uma palavra que dá corpo ao prazer que sentimos com o falhanço e a derrota dos outros - schadenfreude.
O futebol é o espaço por excelência para a schadenfreude, para o entusiasmo com a desgraça alheia. O prazer que retiramos do jogo depende tanto das alegrias oferecidas pelo nosso clube, como dos desaires infligidos aos adversários. Vibramos com as nossas vitórias, mas vibramos igualmente com as derrotas dos outros. Aliás, há uns meses, a revista 'Líbero' citava um estudo científico, realizado no Mundial'98 e no Euro'2000, que provava que os mais fanáticos dos adeptos holandeses desfrutavam mais com os insucessos da Alemanha do que com as conquistas da Laranja Mecânica.
Já o filósofo Nietzsche defendia mesmo que a Schadenfreude era uma emoção social vital, pois unia as pessoas e criava identidades partilhadas. Ou seja, somos de um clube também porque somos anti outro clube. Sem rivalidade e sem prazer com o infortúnio dos outros, o futebol perdia o sentido. Humano, demasiado humano, este sentimento de vingança que é tanto mais forte quanto mais nos sentimos em desvantagem. Schadenfreude, meus caros amigos: foi um lindo fim de semana de futebol este que passou."

Lugar de presidente não é no banco

"Desta vez, Bruno de Carvalho foi longe de mais. Comportou-se como um daqueles adeptos que cegam pela paixão ao clube e que vêem um malfeitor em cada árbitro. Há muitos adeptos desses em qualquer campo e em qualquer clube de futebol em Portugal. O problema é que Bruno de Carvalho não estava, incógnito, na bancada, a gritar impropérios contra o malandro do árbitro. Continuava a ser o presidente do Sporting e estava no banco dos chamados responsáveis.
Sabe-se que o líder leonino nunca escondeu a pressão que o jogo e a competição lhe provocam. Nem nunca evitou dizer o que lhe vem à cabeça, nos momentos de maior carga emocional. Entende, aliás, como já referiu, que o racionalismo deve ficar para os presidentes dos clubes do crapô. Pois, mas um presidente assim, pode, até, garantir um grande apoio nas redes sociais, entre a massa de adeptos que, como ele, também cega com a paixão, mas acabará, sempre, por causar enormes prejuízos ao clube que verdadeiramente ama e jura defender de todos os inimigos reais e virtuais.
Mesmo que Bruno de Carvalho tivesse tido razão, no tal lance do penalty e da expulsão de Rui Patrício - e não teve - a sua atitude e o seu comportamento não seria tolerável. O que vem, afinal, provar a razão daqueles que sempre defenderam que o presidente do Sporting, como, aliás, qualquer presidente de clube, não deveria ir para o banco, durante os jogos.
Podem sempre argumentar que durante muitos anos também Pinto da Costa foi para o banco do FC Porto. É verdade, mas não quer dizer que, nesse tempo, Pinto da Costa tenha sido um bom exemplo."

Vítor Serpa, in A Bola

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Como um deus antiquíssimo...

"Em Janeiro Eusébio nasceu e morreu. Janeiro é mês de Eusébio e é forçosamente obrigatório falar dele. Mesmo com o risco de nos repetirmos... Pouco importa...

Em Janeiro nasceu e morreu. Janeiro é mês de Eusébio. Vamos então falar de Eusébio. Já escrevi tanto sobre Eusébio que receio repetir-me. Pouco importa. Repito-me.
Eusébio merece.
15 de Junho de 1961.
Os Campeões da Europa não param. Em todo o lado se exige a presença das estrelas que cintilam nos céus do mundo. Cinco Benfiquistas extenuados - Costa Pereira, Germano, Santana, Águas, Coluna, Cavém - fazem parte da Selecção Nacional que perde com a Argentina (0-2) dois dias antes do jogo do Restelo. Depois, o Benfica segue para Paris para jogar no Torneio do Racing.
Primeiro, mais um nome importantíssimo: Béla Gutmann.
Bélla Gutmann: nasceu em Budapeste, em 1900; foi avançado-centro do MTK Budapeste e jogou pela selecção da Hungria nos Jogos Olímpicos de 1920 (Antuérpia) e 1924 (Paris). Exerceu a actividade de professor de dança e iniciou a carreira de treinador em 1933, no Twente Enschede, na Holanda, ganhando o campeonato. Chamaram-lhe «Feiticeiro», «Mago», «Bruxo», «Profeta»... Ser campeão parecia um vício: no Ujpest, campeão da Hungria e vencedor da Taça Mitropa, uma espécie de Taça dos Campeões da Europa Central; no Ciakanal, vencedor da Taça da Roménia; de novo campeão e vencedor da Taça da Hungria com o Ujpest; campeão italiano com o Milan; primeiro treinador estrangeiro de um grande clube brasileiro e campeão paulista com o S. Paulo; campeão português com o FC Porto na sua primeira época em Portugal. Adepto de um estilo de jogo moderno, ofensivo, privilegiando as trocas de bola constantes e a rapidez nas movimentações colectivas, Béla Gutmann não gostava se de manter durante muito tempo no mesmo clube. Em 1958 está no Porto: comanda uma época fantástica do FC Porto, vencedor do campeonato com 81 golos em 26 jogos. Em 1959 transfere-se para o Benfica por verbas invulgares para a época: cerca de 400 contos por ano. O toque de midas continua a acompanhá-lo em Lisboa: campeão nacional na primeira e segunda épocas - o seu terceiro título consecutivo; campeão Europeu nos dois anos seguintes, torna-se o técnico mais bem pago do Mundo - salário fixo anual de 500 contos, acrescido de prémios (100 contos pela vitória na Taça de Portugal; 250 pelo campeonato; 300 pela Taça dos Campeões). Treina a Selecção Nacional, ele que já fora treinador da Hungria. Zanga-se com os dirigentes do Benfica, vai para Montevideu e para o Peñarol, ganha a Taça Intercontinental, regressa à Luz em 1965. os tempos são outros. Um ano sem vitórias, o despedimento, a partida para Viena. Em 1973, nova experiência no FC Porto. Sem sucesso. Béla Gutmann morreu em 1981.

Um nome para não esquecer
Béla Gutmann, portanto. O treinador de um Benfica, campeão da Europa que viaja para Paris, agora já com Eusébio integrado na equipa. A primeira jornada opõe o Santos ao Racing de Paris e o Benfica ao Anderlecht. Vencem os mais fortes: na final, pela primeira vez na história deste jogo fantástico que o mundo adora, Eusébio defrontará Pelé. O Parque dos Príncipes será palco de reis.
Eusébio recordou por várias vezes esse tempo fascinante: «Paris seria, se jogasse, o local do meu grande exame. Se jogasse, claro! Senti que o meu futuro se decidiria ali. E não me enganei. Contra o Anderlecht, joguei no lugar do Coluna, que adoecera com anginas. Foi complicadíssimo! O Anderlecht era uma grande equipa em formação: veloz, combativa, com força. Uma surpresa para nós, que contávamos com facilidades. Eu estava cheio de nervos, não joguei muito bem, mas ganhámos 3-2 e marquei um golo».
Eusébio fez.
Dois dias depois, a final. O Benfica entra em campo com a linha avançada de Berna: Coluna, Santana, José Augusto, Águas e Cavém. Eusébio fica no banco. Terá de esperar pelo seu momento. E que momento!
O Santos entra em campo com a linha avançada que soa como uma letra de samba: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Aos 20 anos, Pelé está  no auge do seu jovem esplendor. Derrama-o em campo: ao intervalo, já os brasileiros vencem por 4-0, como golos de Lima, Coutinho, Pepe e Pelé. O público de Parque dos Princípes delira com a gala da melhor equipa do Mundo.
Eis agora um daqueles episódios extraordinários que faz do futebol um pasto fértil para lendas.
Exaustos por um final de época alucinante, os jogadores do Benfica parecem desistentes. Logo no início do segundo tempo, Pepe marca o quinto golo. A hecatombe é, tudo leva a crer, inevitável.
Eusébio entrara para o lugar de Santana. Ergue-se no centro de uma equipa em destroços com o vigor de um deus antiquíssimo: é Hércules e os seus trabalhos, Atlas com Terra sobre os ombros, Sísifo empurrando a rocha pelas escarpas da montanha.
Eusébio: ninguém mais esqueceria este nome.
Durante meia hora foi verdadeiramente avassalador. Absoluto: é capaz de ser esta a palavra certa. Ao minuto 63 marca o seu primeiro golo; no minuto seguinte, inventa um «penalty» que José Augusto desperdiça; três minutos depois reduz para 2-5.
O Parque dos Príncipes entra em delírio. De dentes cerrados, absorto na bola, no jogo, nos movimentos próprios e alheios, Eusébio é maior do que Pelé, rouba~lhe o protagonismo, força-o a um papel secundário, subalterno. Milhares de pessoas, encantadas, enfeitiçadas, gritam o seu nome. Ele não as ouve. A sua obra está ainda incompleta. O seu esforço é monstruoso: por si só, reconstrói um conjunto em seu redor, carrega-o consigo no trilho de uma recuperação espectacular. A luta pode ser desigual, mas ele ignora-o. É um vendaval de músculos, tendões, ossos e cartilhagens que desaba sobre um opositor entontecido. O seu entusiasmo desperta a rebeldia dos companheiros. O Benfica domina, agora, os acontecimentos. Eusébio marca mais um golo, faltam dez minutos para o final do jogo, há quem acredite ainda no impossível. Dez minutos não chegam. Pelé é Pelé e teima em recordá-lo àqueles que por momentos, o esqueceram: faz o 6-3 final.
Dia 15 de Junho de 1961: o Benfica-Santos ficará riscado a giz na lousa dos acontecimentos inesquecíveis."

Afonso de Melo, in O Benfica

O animado voo Lisboa-Lourenço Marques

"Uma hospedeira angelical, uma 'mistela' que sabia a limão e um livro aterrador, no início da digressão a África.

A digressão que o Benfica fez a África no Verão de 1950 durou quase dois meses e foi fértil em peripécias dignas de registo. Mas comecemos pelo início: o voo de Lisboa e Lourenço Marques.
No avião Constallation 65 seguiam a 'caravana encarnada' e dois jornalistas, um do jornal O Benfica e o outro do Record, que pareciam estar numa disputa de quem tiraria mais e melhores notas. Enquanto o da casa conversava alegremente com os jogadores, o do Record já tinha meio bloco preenchido. Mas não foi por isso que o testemunho do nosso jornalista ficou aquém do colega. Muito pelo contrário! Foi graças a ele que chegaram até nós sumarentas observações do ambiente vivido no voo. A saber: estava bem-disposto e ninguém mostrou uma pinga de medo por estar a milhares de metros do solo. Aliás, houve até quem dissesse que era homem suficiente para 'dar uma volta pelo «exterior» para apreciar melhor a paisagem' mas, felizmente, ficou-se só pelas palavras. Não que lhe faltasse a coragem mas, provavelmente, pelas vistas dentro do avião serem um bocadinho mais interessantes que as lá de fora. Escreve o nosso que a hospedeira que lhes calhou em sorte era 'um anjo louro de sorriso permanentemente aberto'. Era simpática e solícita mas felizmente, não percebia português ou, caso contrário, teria corado com os piropos da comitiva. 'A todos atende, numa impressionante actividade. E a muito mais ela teria de atender se soubesse entender todos os portugusíssimos «atiranços» da rapaziada'. Alheia a tudo o resto, lá serviu o almoço que até estava bom mas a que faltava... vida. E por vida entenda-se vinho ou, como escreve o nosso enviado, 'pinga'. Em vez disso, tinham à disposição 'uma mistela fresca, a saber a limão'. Provavelmente limonada.
O relato do percurso terminou com uma curiosidade deliciosa, ao contrário das bebidas: um dos jogadores, o Gil, recebeu de um amigo um livro para se ir entretendo durante o voo. E que entretenimento! A história era sobre um avião que se despenhava mar adentro e o narrador, que fazia parte da tripulação, descrevia a sua própria morte. 'Bons amigos, os do Gil', diz o nosso jornalista e dizemos nós!
Desta digressão o Benfica trouxe, entre outras coisas, um exótico dente de elefante que pode ser visto na área 26. Benfica universal, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Furtado, in O Benfica

Redirectas IV - Glu Glu Glu

Então o gajo vai e dá um PERU daqueles?  E eu que ontem não lhes liguei nenhuma como é hábito. Que pena. Tinha passado uma boa noite de gargalhadas. Tenho para mim que este ano já eram. Não gosto de deitar foguetes antes da festa mas pelo andar da carruagem tempos uma luta a 2. Será? Eu cada vez mais acredito no tri...nta e cinco. #rumoao35 #carregabenfica

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Lixívia 18

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 43 (-5) = 48
Corruptos .......40 (+7) = 33
Sporting........ 45 (+12) = 33

Numa semana, onde as arbitragens até estiveram razoavelmente bem, tivemos que aturar mais uma ataque de loucura/propaganda/esquizofrenia/azia Lagarta!!!
Não é fácil arranjar adjectivos para os devaneios Lagartos... nós sabemos que na cabeça de alguns, tudo isto faz parte de uma super-estratégia, infalível, que levará os Lagartos a vencerem tudo!!! Mas muito sinceramente já começo a duvidar dessa teoria...!!! Só se for a teoria do Caos!!!
Ainda o rapazola era candidato a Presidente do Osgalhedo, eu fiz-lhe o diagnóstico: doido varrido, mas com uma retórica carismática, que é capaz de enganar as massas... e acima de tudo: anti-Benfiquista primata, com um nível de trauma psicológico elevado ao expoente máximo do infinito!!!!!!
Aquilo que se passou dentro do campo na última Sexta-feira, no final da partida, e nas horas que se seguiram no Facebook, provam a minha teoria... Só não antevi, esta capacidade 'hipnotizar' todos os Lagartos com acesso às televisões, rádios e jornais!!! Sim, hipnotizar, porque ver e ouvir, aquelas figurinhas, supostamente inteligentes, a defender as posições do seu presidente, só pode querer dizer que eles foram hipnotizados... Se não estão hipnotizados, então são mesmo os asnos, que eu sempre pensei que eram...!!!

Bem, vamos a coisas sérias. A equipa mais beneficiada esta época na Liga, como esta Tabela prova, voltou a zurrar!!! Até parece que quando os árbitros cumprem as regras, eles se sentem prejudicados!!!
Luís Ferreira esteve bem nas principais decisões:
- Penalty e expulsão do Patocío!!! Entrada de pitons no pé do avançado. Acabou por tocar na bola, é verdade, mas foi com a perna de apoio, praticamente sem querer... Eu sei que o João Mário, o João Pereira, o Adrien... o Slimani também têm a tendência de entradas parecidas e nada lhes acontece... mas nem era preciso o jogador estar isolado, para ser Vermelho directo...
- Muito bem o Fiscal-de-linha, ao aconselhar o árbitro a voltar atrás, no corte de cabeça do defesa do Tondela...
Estas foram as boas decisões. As más decisões, foi a permissividade disciplinar para toda a equipa do Sporting, os jogadores e o Banco. É verdade que também perdoou alguns cartões aos jogadores do Tondela, mas tanto o Adrien, como o Jefferson podiam ter visto 'mais' cartões pelos protestos (o Adrien enfiou mesmo os pitons noutro adversário já com um Amarelo...). Além disso, outros elementos do Banco deviam ter feito companhia ao Badocha no Happy Hour do Camarote (aparentemente o buffet estava em condições!!!).
Os Lagartos podem-se queixar de um fora-de-jogo mal assinalado ao Ruiz (pelo o 'outro' fiscal-de-linha), mas a jogada é inofensiva, já que o Central do Tondela, acabou por 'ganhar' a bola...

Em Guimarães, Manuel Oliveira, apitou o seu Clube, mas não evitou a derrota!!! Acabou por estar quase sempre bem... na minha opinião exagerou no 2.º Amarelo ao Aboubakar, mas como foi praticamente nos descontos, acabou por não ter influência no resultado...

Na Amoreira, levámos mais uma vez com o Vasco Santos, um dos apitadores que me deixa mais apreensivo. Nas faltas a meio-campo voltou a ser permissivo com o anti-jogo do Estoril, algo normal... mas o grande erro, até foi do seu Fiscal-de-linha: com 1-1 no marcador, a bola entra na baliza do Estoril, admito que as imagens não são totalmente esclarecedoras, mas fazendo as 'contas' ao pé do guarda-redes do Estoril, e o movimento do braço, parece-me que a bola entrou... Considero o erro mais grave, porque o Fiscal-de-linha estava bem colocado!!! Ao contrário de outras ocasiões, esta não foi uma daquelas jogadas de contra-ataque, ou com um remate de longe, foi uma carambola na pequena área, com a bola e os jogadores perto da linha por vários segundos... Não validou o golo, por cobardia, já que naquela altura validar um golo polémico, que poderia dar a vitória no jogo ao Benfica, sendo a decisão correcta, ou incorrecta, seria sempre 'arrasado' pelos Santolas desta vida... seria quase a sentença de morte do Fiscal!!! Para nossa sorte, o Benfica marcou logo a seguir...

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
8.ª-Sporting(c), D(0-3), Xistra, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
7.ª-União(f), E(0-0), Cosme, Nada a assinalar
9.ª-Tondela(f), V(0-4), Veríssimo, Nada a assinalar
10.ª-Boavista(c), V(2-0), Esteves, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
11.ª-Braga(f), V(0-2), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
12.ª-Académica(c), V(3-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
13.ª-Setúbal(f), V(2-4), Manuel Mota, Prejudicados, (2-5), Sem influência no resultado
14.ª-Rio Ave(c), V(3-1), Manuel Oliveira, Prejudicados, (5-1), Sem influência no resultado
15.ª-Guimarães(f), V(0-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível de contabilizar
16.ª-Marítimo(c), V(6-0), Veríssimo, Nada a assinalar
17.ª-Nacional(f), V(1-4), Tiago Martins, Nada a assinalar
18.ª-Estoril(c), V(1-2), Vasco Santos, Prejudicados, (1-3), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
8.ª-Braga(c), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-União(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
10.ª-Setúbal(c), V(2-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
11.ª-Tondela(f), V(0-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
12.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
13.ª-Nacional(f), V(1-2), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-2), (+3 pontos)
14.ª-Académica(c), V(3-1), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
15.ª-Sporting(f), D(2-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
17.ª-Boavista(f), V(0-5), Veríssimo, Beneficiados, (1-5), Sem influência no resultado
18.ª-Guimarães(f), D(1-0), Manuel Oliveira, Prejudicados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0, Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
8.ª-Benfica(f), V(0-3), Xistra, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
9.ª-Estoril(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
10.ª-Arouca(f), V(0-1), Cosme, Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
11.ª-Belenenses(c), V(1-0), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Marítimo(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Moreirense(c), V(3-1), Paulo Baptista, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-União(f), D(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Setúbal(f), V(0-6), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
17.ª-Braga(c), V(3-2), Sousa, Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
18.ª-Tondela(c), E(2-2), Luís Ferreira, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada
5.ª jornada
6.ª jornada
7.ª jornada
8.ª jornada
9.ª jornada
10.ª jornada
11.ª jornada
12.ª jornada
13.ª jornada
14.ª jornada
15.ª jornada
16.ª jornada
17.ª jornada

Épocas anteriores:

As várias vozes que falam pelo leão

"A moderação (embora crítica) de Jorge Jesus na avaliação dos árbitros perde eficácia perante o discurso radical de Bruno de Carvalho

Passava pouco da meia hora de jogo em Alvalade quando o árbitro Luís Ferreira assinalou grande penalidade contra o Sporting e mostrou o cartão vermelho a Rui Patrício. No banco dos leões, onde se sentavam treinador e presidente, a reacção de Bruno de Carvalho foi mais emotiva do que a de Jorge Jesus; o presidente disse ao árbitro assistente algo que o fez chamar o chefe de equipa, enquanto que Jesus tentava, puxando o braço do bandeirinha, evitar danos a Bruno, que viria a ser expulso. Neste instante, ficaram plasmadas duas abordagens distintas à arbitragem na casa leonina, que viriam a ser ainda aprofundadas no final da partida. Consumado o empate que custou, inesperadamente, dois pontos aos leões, Jorge Jesus mostrou-se crítico do árbitro, mantendo-se, contudo, dentro de padrões razoáveis. Disse o técnico verde-e-branco: «O árbitro não deixou o Sporting ganhar o jogo? Quem não deixou foi o Tondela. O árbitro, quando, em casa, vir as imagens de trás da baliza, vai perceber que foi enganado pelo avançado do Tondela. Penalizou-nos, ficámos a jogar com menos a um, mas isso não é desculpa». Já o presidente dos leões teve uma abordagem diferente, Anteontem, citado pelo Diário de Notícias de ontem, terá dito em público: «Podem ter a certeza de que lhe disse (a Luís Ferreira) o que nem o pior inimigo lhe diria. E só não lhe dei um chuto no rabo porque, olhando para a figura dele, tive medo de que gostasse.»
Estamos, pois, perante duas estratégias de comunicação em Alvalade, uma da lavra de Jorge Jesus, afirmativa mas mesmo assim dando alguma margem de manobra às relações entre o Sporting e a arbitragem; e outra fundamentalista, disposta à rotura, protagonizada por Bruno de Carvalho. Daí a sugestão: Organizem-se, vão por um lado, ou vão pelo outro. Pelos dois, em simultâneo é que não. Porque Jesus fica sem jeito perante a agressividade de Bruno de Carvalho e este deve sentir-se desautorizado pela forma mais branda como o seu treinador aborda o problema. Em suma, o Sporting precisa de definir quem tem a primazia no discurso externo sobre a arbitragem. Porque, assim, a sede de protagonismo do presidente leva-o a ir além daquilo que é a mensagem que o treinador quer fazer passar. Ou se acertam, ou há um que se deve calar...

Depois de 'Flopetegui', uma escolha dedicada
«Fernando Pessoa não é certamente (...) Mas sei que é uma pessoa, ainda não sei é o nome; prognósticos só no fim...»
Pinto da Costa, Presidente do FC Porto
Pinto da Costa procurou mascarar de ironia uma das questões mais sensíveis do seu mandato: não repetir o fiasco na contratação do treinador do FC Porto. Depois da inadaptação de Paulo Fonseca, Julen Lopetegui foi um ato falhado e deixou o clube com um plantel caro e de escolha pessoal, sem que daí adviesse qualquer mais-valia desportiva. Quem será o próximo?

ÀS
Rui Vitória
O Benfica tem crescido a olhos vistos, apesar das ausências de peças importantes. Isso só pode ser mérito de um treinador que se mostra cada vez mais à vontade e vai sentido crescente apoio dos adeptos. Parece que a parte mais ingrata da transição para o pós-JJ está ultrapassada. Hoje, este Benfica já tem assinatura de Rui Vitória.

ÀS
Rui Pedro Soares
O Belenenses venceu fora, para a Liga, pela primeira vez nesta época e o presidente do Belenenses, que foi desencantar o treinador Júlio Velázquez ao país vizinho, deve estar radiante com a opção. A meio da tebela e mais perto da Europa do que da relegação, os azuis do Restelo estão a caminho de uma temporada sem sobressaltos...

ÀS
Sérgio Conceição
Depois de uma semana muito ingrata, a melhor das respostas, em forma de triunfo do V. Guimarães sobre o FC Porto. Penalizado na imagem, embora sem culpa, por todas as notícias que o davam como o próximo treinador dos dragões na semana em que ia defrontá-los, Sérgio Conceição... saiu por cima!

Erro como incidente e não como acidente
O Chelsea conseguiu empatar em casa a três golos com o Everton graças a um golo marcado aos 90+8, em fora-de-jogo claro, pelo capitão John Terry. Apesar da dimensão do erro do árbitro assistente, o caso foi visto como um incidente próprio do futebol do que como um acidente grave. Mentalidades...

Luta de Classes
Até ontem era preciso recuar a 1956 para ver o Real Madrid marcar três golos em 'La Liga', ainda antes do minuto 11. Este registo foi igualado por Bale, Benzema e Cristiano Ronaldo, que desfizeram, sem piedade, o Sporting Gijón, no Bernabéu. Continua assim, dividida entre ricos e pobres, a desequilibrada Liga espanhola que vai mantendo o mediatismo essencialmente graças a Messi e Ronaldo e à dimensão planetária de Real Madrid e Barcelona, mas perde, de goleada, em espectáculo, para a Premier League, muito mais consistente e emocionante."

José Manuel Delgado, in A Bola

Redirectas III - Respeitinho Sr. Serpa

Respeito é bonito e o povo benfiquista exige respeito. A que propósito? O Sr. Serpa ontem publicou um artigo de opinião intitulado 'As águias também suam'. A meio do artigo o Sr. Serpa escreve: 
"...porque prova o improvável: que uma águia também sabe suar quando tem de ser".
Sr. Serpa, que artigo de mais baixo nível. Um artigo inteiro com o propósito de enxovalhar a nação benfiquista? Uma afronta travestida de elogio? O povo benfiquista está vigilante Sr. Serpa. Não nos tome por ignorantes! Nós, benfiquistas indefectíveis exigimos RESPEITO!

domingo, 17 de janeiro de 2016

Qualificados para os Oitavos-de-final da Taça de Portugal

Moradores da Granja 1 -12 Benfica

A equipa estava a precisar de uma vitória, o adversário era indiferente, era importante quebrar o ciclo negativo...
Agora, vamos ter Selecções, todos esperamos que os jogadores regressem com cabeça limpa, e pernas frescas...!!!

Lideres...

Benfica 92 - 78 Galitos
24-18, 22-17, 25-15, 21-28

Vitória normal, num jogo onde me pareceu que o Cook queria mostrar serviço, mas a percentagem de lançamentos continuou por baixo...

Sem vacilar...

São Mamede 0 - 3 Benfica
16-25, 13-25, 21-25

Calendário acertado, com mais uma vitória...

É preciso dar a volta...

Penafiel 1 - 0 Benfica B


A equipa já está naquela fase, onde mesmo quando podia correr bem, tudo corre mal... Perder um jogo nos descontos, com um 'frango' nunca é fácil, ainda por cima com todo o contexto da 'linha de água'... E após uma segunda parte com várias oportunidades, e com o André Ferreira a fazer uma boa exibição, até ao golo!!!
A opção do Lystcov no meio-campo já 'cheira' a desespero!!!

Dois pontos

"1. Ontem no Estoril a vitória merecida do Benfica relançou a nossa Liga. O Benfica ganhou dois pontos ao Sporting e agora sabe que tem todas as condições para conquistar o tricampeonato. Condições próprias. É evidente que ainda pode perder pontos. Como, naturalmente, os outros candidatos principais ao título. Mas é inequívoco que a opção tática de Rui Vitória ao intervalo - ao trocar os pontas de lança - foi uma opção acertada. Acertada e vitoriosa. E fica a sensação que o Benfica, num lance esquisito, marcou um outro golo. A câmara de baliza ajudaria esclarecer a nossa dúvida. E se fosse na final da Taça CTT - ou Taça da Liga - seríamos esclarecidos acerca deste lance. O que fica, no entanto, foram os três pontos. E a convicção que o Benfica, este Benfica, está a cada jornada mais forte, mais moralizado, mais entrosado. Sente-se vontade para vencer. E pressente-se que há intensa preparação para vencer. O que é uma conjugação vencedora. Diria que vitoriosa!
2. Na sexta feira o Sporting jogou em Alvalade frente ao Tondela. Hoje será o Futebol Clube do Porto em Guimarães. E com o Estádio lotado o que não deixa de ser relevante. Apesar da hora do jogo. Mas são os importantes direitos televisivos e a sua consequente e necessária programação a ditarem que os principais jogos se devem realizar entre as oito e as nove da noite. Em Espanha hoje o Real joga em Madrid às quatro da tarde, o Atlético de Madrid às seis e um quarto e o Barcelona às oito e meia. Em Inglaterra em regra só se joga às oito da noite à segunda feira. Mas em Itália joga-se igualmente para a televisão às oito da noite ao sábado e ao domingo. E, aqui, hoje com um interessante Milan-Fiorentina. São as necessárias contrapartidas dos patrocinadores. Como nos mostram os novos números dos contratos da NOS e da MEO. E com o Placard e as suas múltiplas apostas a conquistar cada vez maior número de adeptos. De todas as idades e de todas as classes. É uma aposta ganha como evidenciam os milhares de euros entregues pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa nos últimos dias quer à Federação Portuguesa de Futebol quer à Liga de Futebol. Quer, igualmente, à Federação de Basquetebol e à Federação de Ténis o que demonstra as modalidades que atraem os apostadores. Mas, por cá, na sexta feira foi o primeiro contra o último da tabela classificativa. E terminou com aquele empate que surpreendeu quase todos e mostrou que, tal como em múltiplos espaços deste mundo tão incerto, há alguns que, num circunstancial desespero, assumem que as suas palavras são verdades indiscutíveis e indesmentíveis. Sabemos, a partir do Padre António Vieira e dos seus Sermões - que «se os homens dizem mal, falando verdade, é grande desgraça; mas se eles dizem mal, mentindo, não importa nada»! E não desconhecemos que Churchill já proclamava no século passado que a "atitude é uma pequena coisa que faz uma grande diferença»!
3. Neste tempo de múltiplas violências que abalam o nosso Mundo e, logo, também os nossos espaço europeu e ibérico recordei igualmente aquele que para muitos foi considerado o Pai da História e das suas narrativas: Heródoto. Ele foi o primeiro a narrar o nascimento da violência, ou melhor, a sua transformação na denominada deusa Hybris. Como nos ensina num interessante e recente livro Maurício Murad - A violência no futebol - Heródoto conta-nos que essa deusa «é descrita como omnipresente (está em todos os lugares) e representa insulto, agressão, desrespeito, tortura, mutilação, morte.» Em resumo é apresentada como violência do corpo e da palavra e esta fica mais agravada «quando estamos em grupo, e piora ainda mais quando estamos em grandes grupos». Dois mil e quatrocentos anos depois de Heródoto o também conhecido como o Pai da psicanálise, Sigmund Freud, não deixou de analisar o comportamento do indivíduo quando inserido numa multidão e diz-nos que «quando uma pessoa está misturada à multidão, o seu comportamento é, via de regra, irracional». O que importa é que os reguladores actuem, os regulamentos se apliquem, as sanções sejam efectivas, o direito vença o torto! Todo e qualquer torto!
4. Também recordei nestes dias o denominado Museu Nacional do Futebol em Manchester. Museu que assenta, como outros, - entre os quais os emblemáticos e actuais museus do Benfica e do Futebol Clube do Porto - em sete pilares: História, drama, habilidade, fé, estilo, arte e paixão. Tudo o que nos leva a ser apaixonados por esta religião. Pela nossa cor. Pelo nosso clube. Aceitando pecados. Os pecados dos nossos! E esquecendo quase sempre aqueles que nos beneficiam. Estes são justificados. Os dos outros devem ser castigados. Duramente castigados. Por palavras e por actos. Daí que só em circunstâncias extremas se conheçam verdades da história. Dos fatos e dos números da história. Incluindo da história recente do futebol. Onde está, por exemplo, e na sua essência, a agora conhecida história do golo comprado. Aquele que a 18 de Novembro de 2009 foi marcado no Estádio de França num França-República da Irlanda para o acesso ao Mundial de 2010. E no ano passado ficámos a saber que a FIFA e Blatter pagaram 5 milhões de euros à Irlanda para esta se calar acerca daquele golo que William Gallas, após uma mão clara de Thierry Henry, marcou a poucos minutos do final da primeira parte do prolongamento e determinou o apuramento francês. E o que perturba é que se aceitou que o resultado em campo estava à venda!"

Fernando Seara, in A Bola

Números sem par

"Já passaram duas semanas do novo ano e, por mais voltas e meias voltas que ensaiem, os matemáticos não conseguiram ainda decifrar o enigma lançado pelo presidente leonino. De tal forma se têm atormentado na procura de uma explicação lógica que já não descortinam que outras variantes mais possam tentar para chegar a, ou pelo menos aproximar-me de, uma explicação minimamente coerente para a decifração de tal mistério. Façamos então uma recapitulação do que está em análise. O enunciado do líder sportinguista foi, ipsis verbis, o seguinte: «Queremos fazer de 2016 um ano ímpar». Percebe-se a magnitude do desafio, mas como - como? - se poderá operar tal transfiguração? Se ele ao menos tivesse deixado alguma pista que pudesse ser seguida até perto de uma via já conhecida... mas não, não há nada, nada de nada. Não há premissa nenhuma que conduza a alguma demonstração, pois que converter 2016 num número ímpar não é uma qualquer incógnita mas uma verdadeiro axioma. Na verdade, o que até aqui se sabia é que se a um número par se somar um número ímpar sempre resultará um número ímpar, tal como se a um número par se somar outro número par sempre resultará novo número par. Também é sabido que a qualquer número, seja par ou ímpar, continuará sempre par ou ímpar quando somado a zero. Mas é sob a maior das perplexidades e com um espanto sem fim que todos quantos se debruçam sobre a causa se interrogam ainda mais uma e outra vez: como converter 2016, até agora sempre aceite enquanto número par, num número ímpar? O enigma persiste. Resta esperar para ver se, chegados a 2017, este será, por sua vez, um número par. A não ser que a reposta verdadeira seja esta: 2+0+1+6=9. Ora, nove é um número ímpar. E noves fora nada."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

As águias também suam

"Curioso. Se o Tondela e o Estoril conseguissem uma prova de regularidade no patamar que exibiram, este fim de semana, com o Sporting e com o Benfica, certamente estariam a lutar por lugares de acesso à Europa. O que nos pode levar a concluir que os jogos com os 'grandes' motivam mais e criam outro nível de desejo de sucesso. O que é um caso interessante e motivo de reflexão.
Explica, também, que uma equipa de futebol pode ter muito de qualidade técnica e táctica, pode ter muito de condição física, mas tem, sobretudo, muito de estado psicológico.
Este é, aliás, um aspecto que também se aplica ao Benfica. Que diferença para o Benfica 'poucochinho' do início da época. Como cresceu, esta águia, não apenas do ponto de vista técnico e táctico, mas do ponto de vista mental. Muito mais personalizada. Muito mais confiante. Muito mais madura. Muito mais competitiva. A manifesta evolução do Benfica parece ser ainda mais evidente pela forma como conseguiu resolver as dificuldades de um jogo que nem sequer lhe correu de feição. Foi um daqueles jogos atípicos em que uma equipa domina mas se vê a perder, num lance avulso. Noutros momentos, talvez a águia não tivesse força nem alento para voar, como voou, por cima das adversidades. Mas esta águia está, de facto, diferente. Primeiro, porque prova o improvável: que uma águia também sabe suar quando tem de ser. Depois, porque forma uma equipa muito solidária, muito disponível, muito capaz de resolver em conjunto, quando a individualidade não resolve. Deve reconhecer-se: mérito de Rui Vitória, cujo trabalho começa a tornar-se notório."

Vítor Serpa, in A Bola

Seguir em frente

"No direito positivo a constituir e a rever, há, entre muitos outros desafios (o maior e absorvente seria, considerando a amplitude de matérias que se espraiam pela diversa legislação, o avanço de um ambicioso e amplo 'Código do Desporto') uma urgência e uma oportunidade.
Esta última está em cima da mesa do novo secretário de Estado do Desporto, tendente à revisão do regime jurídico do contrato de trabalho especial do praticante desportivo e do estatuto do 'empresário' desportivo. Desde Setembro que o trabalho encomendado pelo anterior Governo foi entregue pela comissão nomeada para o efeito, com melhorias claras e algumas inovações que estão prontas para aprovação. Por exemplo, destaca-se a mais restrita duração máxima dos contratos de trabalho e de formação, a previsão do "período experimental" como elemento "acidental" do contrato de trabalho (carecido de estipulação expressa das partes), a atenção particular dada à proibição de "assédio" na relação laboral, a clarificação do "direito à imagem" e da "cedência" dos atletas, assim como a conformação das "cláusulas indemnizatórias de rescisão" em caso de cessação antecipada sem justa causa por parte do atleta e da responsabilidade no pagamento dessas indemnizações pelos novos clubes empregadores. Sem esquecer todo um outro enfoque para o contrato de representação ou intermediação do 'empresário desportivo' com os atletas e/ou as entidades empregadoras.
A urgência é a reclamada introdução de uma lei aplicável à actividade do treinador, que tem balançado entre a analogia da lei laboral dos praticantes e a convocação do regime comum do Código do Trabalho. Uma vez mais, o Supremo Tribunal de Justiça (em acórdão de 25 de Junho do ano passado) identificou essa lacuna e balançou entre esses dois polos, seja para confirmar a sujeição a termo dos contratos dos treinadores profissionais, seja para lhes conferir o direito a formação contínua no exercício da sua função.
Se assim houvesse vontade e iniciativa, até mais seria de exigir para além dessa oportunidade e dessa urgência: desenhar o estatuto geral do 'agente desportivo' (categoria prevista nos artigos 34.º e seguintes da Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto) e, depois, segmentar a especialidade de cada um deles. Pelo menos no desporto, não é tempo de reverter no terreno legislativo. É tempo de mudar de paradigma, suprir as deficiências, sanar as sobreposições e seguirem frente."

A violência nos tribunais

"1. A lei portuguesa sobre a prevenção e o combate à violência no desporto tem um historial já significativo - desde 1980 - e, no domínio das sanções, chegou ao patamar da mais gravosa: a sanção penal. Prevendo-se sanções de natureza disciplinar e ainda de contra-ordenação, o Estado entendeu criminalizar condutas, mormente dos espectadores. Começa a chegar aos tribunais a apreciação de recursos nesse âmbito.
2. Em causa o crime de invasão da área do espectáculo desportivo: quem, encontrando-se no interior do recinto desportivo durante a ocorrência de um espectáculo desportivo, invadir a área desse espectáculo ou aceder a zonas do recinto desportivo inacessíveis ao público em geral, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa.
3. Com efeito, o arguido saiu do seu lugar de espectador e entrou no recinto onde decorria o espectáculo, mais especificamente junto da baliza do guarda-redes da equipa visitante.
4. A questão fundamental de que se ocupou o Tribunal foi a de considerar a substituição da pena de multa - aplicada - por uma admoestação.
5. Dir-se-ía que a pena de multa seria de aplicar pela «necessidade de prevenir condutas violentas ligadas ao espectáculo do futebol ou aquelas condutas que, como aquela porque o arguido responde, não envolvem violência contra pessoas ou coisas, mas aumentam intoleravelmente o risco de ocorrência dessas condutas violentas, é muito forte».
6. Todavia, o Tribunal entendeu, que a «desistência» voluntária da conduta ilícita, por parte do arguido, aliada ao restante quadro factual relevante, confere à situação foros de suficiente excepcionalidade em termos de poder ser aplicada ao arguido uma mera admoestação."

José Manuel Meirim, in A Bola

Redirectas II - Falem do Pizzi agora

Eu sei que a massa adepta é enorme e que não é fácil agradar a gregos e a troianos mas eu pergunto:
Ainda existe no dia de hoje benfiquista que se preze a falar mal do Pizzi?
Redirecta prévia: Redirectas I - Esquizofrenia

sábado, 16 de janeiro de 2016

Mais uma Final conquistada, faltam 16 !!!

Estoril 1 - 2 Benfica


Reviravolta, numa daquelas partidas estranhas, onde o Estoril criou perigo duas vezes: na primeira marcou golo, e na segunda, no último minuto dos descontos, esteve quase a empatar!!! No resto da partida, foi um desfilar de oportunidades perdidas pelo Benfica, com bola nos postes, outras salvas em cima da linha... e com o Jonas em noite azarada, a ajudar à 'festa'!!!
Tenho a certeza que a equipa vai ser criticada, porque o jogo não foi especialmente bonito, mas num relvado impróprio, contra um autocarro, não era fácil jogar melhor... O mais importante, é que continuamos a criar oportunidades, mesmo com todas as limitações do plantel e com as lesões a complicarem ainda mais as coisas.
A substituição ao intervalo foi decisiva. O Jiménez é bom rapaz, tem as suas limitações técnicas, é raçudo, mas nestes jogos, o ponta-de-lança tem que ser menos móvel. E essa é a característica principal do Mitro! O Jiménez será útil noutro tipo de jogos...
Os dois jovens que foram convocados, mas ficaram na bancada (Nelsinho e Grimaldo), teoricamente teriam sido muitos úteis nesta noite. O Nelsinho nós já o conhecemos, o Grimaldo se confirmar as expectativas que nós temos, no futuro próximo vão ser fundamentais, quando encontrarmos jogos destes... pois o Eliseu, e o André não são desequilibradores ofensivos... isto apesar do André nas últimas partidas ter cruzamentos/assistências de registo!!!
Era fundamental vencer esta noite, após o empate Lagarto de ontem. Neste momento não dependemos de terceiros para sermos Campeões. É um pormenor, que a 16 jogos do fim, quer dizer pouco matematicamente (porque todos vão perder pontos), mas mentalmente é importante... além disso pressiona os outros, e após o espectáculo moralmente pornográfico de ontem à noite no Alvalixo, nós já vimos como eles reagem às adversidades!!!

Liderança...

Benfica 3 - 0 Ac. Espinho
25-14, 25-18, 25-13

Vitória normal, em velocidade de cruzeiro...

Primeira parte horrível...

Vic 7 - 6 Benfica

Não é fácil comentar um jogo através de infos da Net, mas com 7-1 ao intervalo (chegou a estar 7-0), não e difícil perceber o que se passou!!!
Felizmente reagimos no 2.º tempo, 'ganhámos' por 0-5 na segunda metade!!!
A derrota acaba por ser um mal menor, porque conseguimos manter a vantagem em caso de empate pontual, o que em condições normais, irá garantir ao Benfica o 1.º lugar no Grupo, na última jornada. Mas é melhor não repetir exibições como a 1.ª parte de hoje...

Normal...

Benfica 19 - 23 Corruptos
(9-10)

O resultado acaba por ser normal, tendo em conta o potencial dos plantéis. Onde se notou mais uma vez os nossos problemas foi na eficácia de remate. Defensivamente até estivemos bem, sofrer 23 golos dos Corruptos até é aceitável, agora marcar somente 19, independentemente da qualidade do guarda-redes adversário, é muito pouco... Aliás, este problema no remate, muitas vezes aos 6 metros, tem-se evidenciado em praticamente todos os jogos...

Lá voltou tudo à normalidade

"Grande figura do nosso pequeno futebol Octávio Machado é agora uma espécie de António Ferro do actual pequeno líder do grande Sporting. É o publicista de eleição, a mente epistolar, o ideólogo possível e diga-se em favor da verdade desportiva (e da outra também) que tem desempenhado o serviço com a entrega total - quando não cólera - que sempre dedicou a todas as causas que foi tomando como suas por via de uma entrega profissional muito própria mas que será sempre de admirar.
Esta semana, no entanto, comprometeu seriamente os desígnios do Sporting ao meter o Porto ao barulho, diminuindo-lhe publicamente o estatuto perante a sempre cruel opinião pública, rebaixando-lhe intoleravelmente o gabarito no consagrado departamento das influências e afins quando, para denunciar a pressão do Benfica sobre o sector da arbitragem, utilizou o brasão da Invicta como contraponto fatal. 
Octávio viu-se a apontar, como bom exemplo - e a bem da nação -, a passividade do antes intratável Porto sobre o mesmo atarantado sector da arbitragem com um "o Porto tem estado calminho" que não demorou 24 horas a acordar o velho espírito do dragão. É verdade que Octávio não disse mentira nenhuma. Sim, o Porto vinha estando "calminho", calmíssimo, posto em sossego e, certamente, até agradado com as surtidas diárias anti-Benfica oriundas de Alvalade que lhe permitiram nunca se desgastar nestes antiquíssimos folclores.
Mas não seria também da maior conveniência para o Sporting que o Porto assim permanecesse, calado, tolhido, a ver a banda passar? E a quatro pontos de distância e à procura de treinador? A questão dos quatro pontos e a do treinador resolver-se-ão ou não. A questão do mutismo portista sobre o tema dos apitos e outras influências - que já vinha afligindo, é certo, a massa adepta dos dragões - foi resolvida de uma penada com duas comunicações oficiais de rajada contra a "riquíssima" Federação Portuguesa de Futebol que "não quer o Porto no Jamor" e contra o árbitro algarvio do jogo da Taça no Bessa que mostrou cartões a meia equipa portista, o que não admira, visto tratar-se de um árbitro vindo do "extremo Sul porque Timor já não é nosso". Ah, o extremo Sul! - há quanto tempo não se ouvia uma coisa destas?
E pronto, graças ao excesso de zelo de Octávio Machado é caso para se dizer que, agora sim, lá voltou tudo à normalidade."

Redirectas I - Esquizofrenia

O fenómeno desportivo é um caso de estudo sociológico extremamente interessante. Considere-se este último jogo dos lagartos e todas as ocorrências a si associadas. Daria uma interessante tese de mestrado e se formos ambiciosos consigo vislumbrar mesmo uma tese de doutoramento.
Eu deixo aqui a dica para algum estudante que se encontre perdido por estas paragens.
Como é possível alguém sequer cogitar sobre a legalidade da grande penalidade marcada?
É sociologia ou psiquiatria? Agora fico na dúvida!
O que eu já me ri...