Últimas indefectivações

domingo, 16 de janeiro de 2011

Com muito Coração



Com Jenkins e Mascarenhas lesionados a fazerem de claque no banco, com um Sérgio Ramos que só jogou 17 minutos devido às faltas, foi preciso um grande espírito de equipa para vencer esta partida, num jogo onde as coisas nem sempre correram bem, mas onde a vontade de vencer foi mais forte.
Depois da recente eliminação na Taça de Portugal, depois da pesada derrota com este mesmo adversário no campeonato, esta vitória na Taça Hugo dos Santos (ex-Taça da Liga) caiu que nem ginjas!!! Depois da vitória na Supertaça, este novo triunfo contra os Corruptos numa final, é extremamente saboroso, e espero que se mantenha assim nas próximas finais...
Como o Henrique Vieira 'avisou' no final da partida, o próximo jogo na Letónia vai ser muitíssimo complicado, creio que após estes 3 jogos consecutivos, com 3 vitórias, a equipa tem todo o nosso crédito.




Video: JJD, Pinceladas Gloriosas

Manter o ritmo



Terra de ninguém

"A) Vamos a factos.

1. A atual Comissão Disciplinar (CD) da LPFP tomou posse a 7 de junho de 2010.

2. Até ao dia 7 de janeiro de 2011, relativamente a processos instaurados depois de 7 de junho, a CD decidiu 2 processos – a revisão de um castigo aplicado na época passada a Peçanha, do Marítimo (indeferida a 31 de agosto), e um inquérito a Manuel Fernandes, treinador do V. Setúbal (arquivado a 23 de dezembro).

3. Passaram 7 meses.

4. Terminou a primeira metade da época.

5. A pretérita Comissão Disciplinar da Liga, durante as 4 épocas desportivas do seu mandato (2006-2010), decidiu 510 processos (disciplinares e outros).

6. Em 30 de julho de 2010, Fernando Gomes, o “presidente pago” da LPFP, disse publicamente que a justiça desportiva da Liga “deve ser célere, (…) equilibrada e recatada”.

Conclusões: a) os processos pendentes na atual CD não terão, na maior parte das hipóteses, decisões em tempo “útil”; b) falta saber se, para além dos procedimentos referentes a condutas registadas nos relatórios dos jogos (como o “megaprocesso” dos graves incidentes ocorridos após o “Trofense-Estoril” de novembro) e a queixas apresentadas na Liga, houve instauração de processos em face de outras situações indiciariamente violadoras dos regulamentos: se a resposta for negativa, estamos mal. Porém, aos olhos de alguns, teremos tido, com certeza, celeridade, equilíbrio e o tal recato.

B) Vamos a mais factos, noutro domínio.

1. Desde 12 de abril de 2010 que a FPF tem a utilidade pública desportiva suspensa, por efeito do Despacho n.º 7294/2010 do secretário de Estado do Desporto (SED).

2. Tal despacho teve como efeito central a suspensão imediata dos apoios financeiros resultantes de dois contratos-programa de 2009.

3. A suspensão da utilidade pública desportiva e os seus efeitos estão em vigor pelo prazo de um ano.

4. Nesse mesmo despacho foi prevista a sua revisão “sempre que as circunstâncias o justifiquem, podendo ser alteradas as medidas agora decididas ou aditadas outras”.

4. O regime jurídico das federações desportivas reza assim: “O prazo e o âmbito da suspensão são fixados pelo despacho (…) até ao limite de um ano, eventualmente renovável por idêntico período, podendo aquela ser levantada a requerimento da federação desportiva interessada com base no desaparecimento das circunstâncias que constituíram fundamento da suspensão” (Art. 21.º, 4, DL 248-B/2008). Isto é, parece que não se permite agravamento dos efeitos fixados no despacho durante o período da suspensão.

5. Em entrevista publicada no dia 2 de janeiro, o SED anunciou um novo despacho (em rigor, será o projeto de despacho), que já teria sido notificado à FPF para que esta se pronunciasse: “(…) um novo despacho que agrava o anterior. Foi decidido estender a suspensão a todos os contratos. Até agora havia dois contratos suspensos, passa à totalidade, ou seja, cinco”.

Conclusões: o SED solicita o cumprimento da lei à FPF; todavia, para isso, parece que o despacho “anunciado” passará por cima da lei. Será este o caminho para exigir a conformidade com a lei?

C) Como sempre cá na terra, está tudo bem!"

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Temos que melhorar, de preferência amanhã com o Guimarães, e no Domingo com os Corruptos...


As estranhas coincidências !!!



Com o nosso pavilhão castigado, com o nosso treinador suspenso (por algo que fez como treinador dos Lagartos), um livre directo a 48 segundos do final da partida retirou a vitória ao Campeão Europeu...!!! (e ainda com o César Paulo, e o Diece lesionados)

Objectivamente (cara de parvo)

"Era uma vez um menino muito feio, gordinho, de óculos e que fazia beicinho quando falava das pessoas que gostavam do «bermeilho»!
Andava tão obcecado com a dita côr que se deitava, tinha pesadelos, e acordava sempre a pensar no vermelho! Era desesperante! Ninguém o aturava! Essa besta... o vermelho, atormentava-lhe a cabeça de tal maneira, que mesmo entre amigos, ele entregava-se ao delírio de contar mentiras sobre os vermelhos que lhe queriam tirar o domínio do seu reinado e acenava com fantasmas que lhe poderiam destruir a monstruosa teia em que ele próprio se tinha enrodilhado com alguns amigos do mesmo calibre!
Ora, o tempo passa, e mesmo com algumas lições pelo caminho com 'sopros dourados', ' quinhentinhos' e outras coisas tão a seu gosto, esse monstrosinho continua a vomitar ódio todos os dias sobre a gloriosa côr que lhe parte a cabeçorra de raiva!
Ainda esta semana, em Espinho, aplaudido por alguns basbaques, voltou a vociferar e a gozar, bem ao seu jeito viscoso e pessonhento, com os «bermeilhos», contando mentiras e ameaçando com clones, prolongar eternamente este ódio que lhe vai na alma! Felizmente para os presentes não declamou José Régio pela centésima... milionésima vez! Mas tentou fazer graçolas com o guarda redes-capitão do seu clube prometendo promovê-lo a Major se não sofresse golos!
Não sei se cumpriu a promessa, mas agora que deixou de ter por perto o seu velho companheiro de luta e de tanta combinação... telefónica sobre a fórmula de ganhar títulos, é bem provável que queira ter um Major ali mesmo à mão para o ajudar nas tramiquices do costume!
Esse menino, volto a repetir, é horroroso, gordinho, usa óculos e faz cara de parvo quando tenta gozar com os «bermeilhos»."

João Diogo, in O Benfica

Nota artística

"1.º Poderia ter sido um resultado histórico o de Leiria, tão perfeita foi a exibição da 1.ª parte, com ocasiões de golo suficientes para resolver logo aí o desafio. A equipa foi pressionante e coesa, teve sempre muita gente atrás, apareceu na zona de golo com três e quatro jogadores para marcar, confirmou as boas indicações do final do ano passado. Agora, temos de ir ganhando jogo a jogo.
2.º O Sporting gosta muito de se vangloriar com números, vários deles bem poucos legítimos. Por exemplo: considera o jornal do clube como o mais antigo, já que, a dada altura, passou a considerar uns simples (e raros) antigos boletins internos como jornais... (um processo semelhante ao da 'fundação' do FC Porto!); engloba na sua lista de medalhados olímpicos atletas que nunca pertenceram ao clube (o atirador Armando Marques, embora sócio do Sporting, representava o Clube Português de Tiro a Chumbo) e outros que haviam sido 'alugados' nesse ano para uma única competição meses antes (Taça dos Clubes Campeões Europeus de Atletismo), alguns deles nem chegando a vir a Portugal. Mas o mais recente exemplo (ainda no sábado Ernesto Ferreira da Silva fez dele eco em A Bola) é dizerem que, juntamente com o Barcelona, o Sporting é o clube com títulos europeus em mais modalidades (4).
Desde logo, é muito discutível afirmar-se que conquistaram títulos europeus em Futebol (ganharam a Taça das Taças) ou em Andebol (a Taça Challenge é apenas a quarta competição europeia em importância, não reunindo sequer clubes dos países mais fortes).
Mas, admitindo isso, então têm de considerar que o Benfica também tem vitórias em quatro modalidades e em três delas ao nível máximo (títulos europeus a sério): Futebol (2 Taça dos Clubes Campeões Europeus), Atletismo (5 Taças dos Clubes Campeões Europeus de Estrada), Hóquei em Patins (1 Taça CERS) e Futsal (1 UEFA Futsal Cup, equivalente à Taça dos Campeões Europeus).

Arons de Carvalho, in O Benfica

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Limpinho !!!


Não é novidade, mas...

Estive ausente durante os últimos dias, não vou publicar noticias atrasadas, nem cronicas passadas, mas ao fazer uma revisão às publicações Benfiquistas mais recentes tenho que destacar estes vídeos do JJD no Pinceladas Gloriosas:


Jardel



Se qualquer um dos nossos adversários tivesse contratado este promissor jogador, os elogios seriam imediatos, as criticas à 'passividade' da Direcção do Benfica no mercado interno seriam devastadoras.
Fisicamente forte, excelente jogo de cabeça, parece-me compensar alguma falta de velocidade com uma boa leitura de jogo.
A polémica criada em volta do momento da contratação do jogador é profundamente hipócrita. Tendo o calendário proporcionado num curto espaço de tempo 3 jogos entre o Benfica e Olhanense, qualquer que fosse o momento escolhido nesta 'janela' de Janeiro, seria sempre considerado polémico...


Em sentido contrário parece que o Fábio Faria vai ser emprestado ao Valladolid. Recordo que a passagem por Espanha do Vila-condense Coentrão até lhe fez benzinho!!!

domingo, 9 de janeiro de 2011

NeoBlanc 15

Tabela Anti-NeoBlanc:

Benfica......... 33 (-9)... 42
Corruptos..... 41 (+8)... 33
Sporting........ 28 (+6)... 22
Braga............ 20 (0)... 20


A Lixívia esta semana tem uma versão reduzida!!! Devido a uma recente trovoada estou sem televisão, este fim-de-semana só vi o jogo do Glorioso, dos 'outros' nem sequer resumos, além disso nos próximos dias não sei se vou conseguir Navegar, já que me vou 'perder', lá para os montes do Viriato!!! (Se na Quinta à noite, eu não der noticias, avisem a protecção civil!!!)
Lendo as cronicas, e tendo em conta os resultados, o único lance com influência no resultado foi no Sporting-Braga. Os Lagartos cometeram a proeza de marcar um golo, onde em dois momentos distintos, tinham jogadores em fora-de-jogo!!! Não é nada fácil!!! Li algures de um possível penalty sobre o Bába, mas como não vi...





Anexos:


Benfica

1ª-Académica, Prejudicados, Com 3 pontos
2ª-Nacional, Prejudicados, Com 3 pontos
3ª-Setúbal, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Guimarães, Prejudicados, Com 3 pontos
5ª-Sporting, Nada a assinalar
6ª-Marítimo, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
7ª-Braga. Nada a assinalar
8ª-Portimonense, Prejudicados, Sem influência no resultado
9ª-Paços Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
10ª-Corruptos, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
11ª-Naval, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Beira-Mar, Prejudicados, Sem influência no resultado
13ª-Olhanense, Prejudicados, Sem influência no resultado
14ª-Rio Ave, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
15ª-Leiria, Prejudicados, Sem influência no resultado


Corruptos

1ª-Naval, Beneficiados, Com 3 pontos
2ª-Beira-Mar, Beneficiados, Impossível de contabilizar no resultado
3ª-Rio Ave. Beneficiados, Com 2 pontos
4ª-Braga, Beneficiados, Com 2 pontos
5ª-Nacional, Beneficiados, Impossível de contabilizar no resultado
6ª-Olhanense, Nada a assinalar
7ª-Guimarães, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8ª-Leiria, Prejudicados, Sem influência no resultado
9ª-Académica, Nada a assinalar
10ª-Benfica, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
11ª-Portimonense, Nada a assinalar
12ª-Sporting, Prejudicados, Com 2 pontos
13ª-Setúbal, Beneficiados, Com 3 pontos
14ª-Paços de Ferreira, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado
15ª-Marítimo, Nada a assinalar


Sporting

1ª-Paços de Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Marítimo, Nada a assinalar
3ª-Naval, Beneficiados, Com 2 pontos
4ª-Olhanense, Beneficiados, Com 1 ponto
5ª-Benfica, Nada a assinalar
6ª-Nacional, Nada a assinalar
7ª-Beira-mar, Nada a assinalar
8ª-Rio Ave, Nada a assinalar
9ª-Leiria, Prejudicados, Sem influência no resultado
10ª-Guimarães, Beneficiados, Sem influência no resultado
11ª-Académica, Nada a assinalar
12ª-Corruptos, Beneficiados, Com 1 ponto
13ª-Portimonense, Nada a assinalar
14ª-Setúbal, Nada a assinalar
15ª-Braga, Beneficiados, Com 2 pontos

Braga

1ª-Portimonense, Nada a assinalar
2ª-Setúbal, Nada a assinalar
3ª-Marítimo, Beneficiados, Com 2 pontos
4ª-Corruptos, Prejudicados, Com 1 ponto
5ª-Paços de Ferreira, Nada a assinalar
6ª-Naval, Nada a assinalar
7ª-Benfica, Nada a assinalar
8ª-Olhanense, Beneficiados, Sem influência no resultado
9ª-Rio Ave, Nada a assinalar
10ª-Beira-Mar, Prejudicados, Com 2 pontos
11ª-Guimarães, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Nacional, Beneficiados, Com 2 pontos
13ª-Leiria, Nada a assinalar
14ª-Académica, Nada a assinalar
15ª-Sporting, Prejudicados, Com 1 ponto

Apesar de tudo, escasso, muito escasso...!!!




Podíamos ter resolvido a 'coisa' ainda na primeira parte, assim os hiper-activos Caixinha, e respectivo adjunto, foram mantendo a esperança...!!!

O Saviola fez uma grande primeira parte, o Salvio voltou a ser desicivo, o Cardozo voltou aos golos, os centrais tiveram imperiais, o Coentrão voltou a jogar como sabe, mas o meu destaque vai para o Maxi!!! Não fez nada de especial, jogou somente 'à Maxi' durante 90 minutos, como já nos habituou, depois de um início de época com bastantes dificuldades físicas devido ao Mundial, está definitivamente de volta o nosso Maxi...!!!


Alguém me consegue explicar como é que o N'Gal conseguiu acabar o jogo, sem ser expulso?!!!

Mais uma vez 3 lances no mínimo duvidosos dentro da área do Leiria:

-Zé António joga a bola com o braço. O Luisão falha o remate à frente dele, e isso pode atenuar a 'culpa', mas o mais curioso é a maneira como o 'caso' nem sequer é discutido!!!

-Tall dá um pontapé no Coentrão. Lance 'parecido' com o penalty sobre o Aimar do ano passado, cometido pelo mesmo jogador. Mais uma vez silêncio!!! Na minha opinião penalty claro.

-N'Gal faz falta dobre Coentrão. Depois de ver a repetição parece-me que a falta foi fora da área, e portanto a decisão do árbitro foi correcta, mas em 1000 lances iguais, os árbitros marcam sempre penalty, mas a favor do Benfica...!!! Por exemplo este árbitro em Braga, este ano, já marcou um penalty a favor do Braga numa falta cometida a um metro da área!!!
adenda: Depois de consultar os meus arquivos verifiquei que o erro do Duarte Gomes em Braga, aconteceu logo na terceira jornada contra o Marítimo, e foi ao contrário!!! O defesa do Braga fez falta dentro da área, e o Duarte marcou falta fora da área!!! Fica aqui a rectificação.


...só é pena, é que estas vitórias, não contam para 'quase' nada!!!


Depois de várias jornadas a jogar fora de casa, nas próximas 5 jornadas (as últimas da primeira fase) vamos poder ter o volei do Benfica a jogar na Luz, garantindo quase de certeza o primeiro lugar nesta primeira fase. Mesmo que isso sirva para pouco...!!!

Estranho, muito estranho...



...as ausências do Jenkins, e do Elvis não podem explicar tudo.

sábado, 8 de janeiro de 2011

14 ?!!!

10 ?!!!


Amanhã na Maia é mais difícil, mas também é para ganhar!!!


Objectivamente (FPF)

"O imbróglio que sustenta o Futebol na mentira não tem fim à vista!
Apesar de o Governo, pela voz de Laurentino Dias, ter enviado um aviso sério às Associações para se meterem na Lei, os mais poderosos, como Lourenço Pinto e o novo candidato à Federação Portuguesa de Futebol, Horácio Antunes da Associação de Futebol de Coimbra, dão um NÃO rotundo e tentam arranjar apoios noutras Associações para irem adiando «sine die» a aprovação dos estatutos do novo regime jurídico.
Queixam-se as Associações de que vão perder votos. E, perguntamos nós, se tem direito a exercer esse poder quem o exerce mal, ou quem tem dado fortes sinais de corrupção e de impunidade ao longo dos últimos 30 anos?!
É vergonhosa a forma descarada como se organizam e combatem aquilo que são regras impostas pela FIFA, através da FPF, para que os órgãos disciplinares de justiça e ARBITRAGEM passem para domínio da FPF e saiam do domínio da Liga. É aqui que está o «busilis». Essa palavra mágica «ARBITRAGEM» tem sido o cavalo de batalha dos Lourenços Pintos, dos Adrianos Pintos, dos Pintos da Costa, dos Coutadas, dos Horácios, dos Valentins, dos Pintos de Sousa, etc, etc, do nosso desgraçado Futebol Português! Está entregue a esta gente que não o quer regenerar! E não querem auto-regenerar-se!
E, depois, os sinais que recebem de fora dão-lhes força. Cometem crimes, são condenados por determinados órgãos e são absolvidos por outros. Vão para os tribunais comuns, recorrem, alegam, servem-se da multifacetada Lei geral do País e são absolvidos porque as únicas provas incriminatórias - ESCUTAS TELEFÓNICAS - SÃO ANULADAS. Claro que depois até têm o desplante de pedir indemnizações do Estado Português pelo incómodo que lhes causou todos estes processos!
Que fazer, pois, perante isto?
Alguém tem a resposta?"

João Diogo, in O Benfica

Férias

"O Futebol Português tem originalidades que o distinguem de países europeus com mais Futebol, mais praticantes, mais competitividade e mais afluência aos estádios.
A primeira dessas originalidades é o número exagerado de equipas que disputam o escalão principal: 16, num país com 10 milhões de habitantes e 89 mil quilómetros quadrados de superfície. Na Alemanha, com oito vezes mais população e quatro vezes mais território, o campeonato principal é disputado por 18 equipas.
Segunda originalidade é o facto do calendário e horários dos jogos serem ditados pela TV. Bem pode uma equipa querer jogar à tarde e encher as bancadas com famílias e novos espectadores, que a TV manda e a Liga obedece: jogos de sexta a segunda, no prime time.
Terceira originalidade é que entre as 16 equipas que disputam o presente Campeonato, apenas três alcançaram o título de Campeão, sendo que a maioria joga na retranca com o objectivo da manutenção. Em Inglaterra, das 20 equipas que disputam a Premier League, 13 já conquistaram o título.
E nos últimos anos foi introduzida uma originalidade no Campeonato de Portugal. Para além do defeso e sem razões meteorológicas, o Futebol mete férias pelo Natal e pára com frequência o Campeonato principal plantando outras competições aos fins-de-semana. Com tantas paragens é evidente que o Futebol perde qualidade. Mas a qualidade do Futebol não é a maior preocupação dos donos da bola, sempre mais interessados na conquista à ganância de títulos e dos respectivos proveitos.
Perante este estado de coisas, só o Sport Lisboa e Benfica ergue a voz. Aliás, o Benfica é, praticamente, a única voz a solo, num cenário em que quase todos se integram no coro dos interesses sob a batuta do sistema."

João Paulo Guerra, in O Benfica

A ameaça de Vítor Pereira

"A história demonstrou que, quando a justiça de Atenas matou o seu mais célebre pensador, a cicuta matou a justiça e ajudou a eternizar o pensador. Na miopia do presente, quem lidera os árbitros que no jogo têm a obrigação de aplicar as regras com justiça considera que faz justiça ameaçando quem se queixa das injustiças.
Na semana passada, Jorge Jesus referiu-se, numa entrevista, às más arbitragens que têm influenciado resultados e, consequentemente, a pontuação dos clubes.
A resposta de Vítor Pereira foi desajustada, canhestra e pequenina. Foi uma resposta tendenciosa, ao nível das arbitragens perpetradas pelos árbitros que ele dirige. Vítor Pereira não argumentou, não refutou com factos e não demonstrou a hipotética falta de razão de Jorge Jesus. Vítor Pereira, para demonstrar a sua razão em desfavor da razão alheia, limitou-se a ameaçar o Benfica, dizendo que quem se queixa das injustiças será ainda mais injustiçado.
Já me habituara a ver Vítor Pereira em ladainhas de circunstância. Durante bastante tempo era uma ladainha em tom de ‘ora pro nobis’, pedindo paciência, compreensão e profissionalização para os “seus” árbitros apanhados em escutas pouco dignas no processo “Apito Dourado”. Agora, ameaçando o Benfica, a ladainha saiu-lhe errada, pois, onde ele antecipa um silêncio medroso por parte dos benfiquistas, vai colher um dobre a finados sobre o seu feudo arbitral.
É importante que os ameaçadores do presente aprendam para o futuro uma lição que já vem do passado: o camelo e o burro são os únicos animais que ajoelham para aceitar a carga. Está para vir a primeira ameaça que faça ajoelhar o benfiquismo."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Ano Novo, Vida Nova. Será?

"Vamos a alguns factos recentes. Dia 2 no 'estádio do ladrão', o genro do Garrido fez uma arbitragem vergonhosa, de bradar aos céus. Mesmo assim, nada adiantou, nem o 'incrível' resolveu nada. Aqui, verifica-se que foi ano novo, velhos hábitos. O Benfica entrou tal como acabou. A jogar um bom futebol, a dar espectáculo, a criar novas esperanças. Aliás nesta santa terrinha somos o único clube em crescimento contínuo. Hoje, somos 6 milhões, amanhã seremos 7, daqui a uns 10/12 anos seremos 8. À custa de quem? Por um lado, de um clube sem presente, por outro lado, de um clube sem futuro. É que por muito que queiram, ou não, deixámos de ser uma mera equipa de Futebol para passarmos a ser uma Instituição das mais poderosas deste País. O Benfica do descrédito, da penúria, da vergonha, da falta de credibilidade, acabou. Por tudo isto, e muito mais, é que eu digo muito obrigado Sr. Luís Filipe Vieira.
As nossas modalidades também estão em crescendo e recomendam-se. Estamos a cimentar o presente e a ganhar o futuro. Quem tiver oportunidade de ver através do nosso canal toda a Formação das modalidades, verá a despontar mais-valias nas mesmas, que cedo ou tarde, irão reforçar os planteis seniores. Por falar em Formação, estou em crer que 3/4 futebolistas irão integrar o plantel da próxima temporada (o que não é fácil), pois temos um excelente naipe de jogadores.
Para terminar, também eu quero uma águia a voar no nosso estádio. Que estou convencido, a seu tempo, se irá verificar. O que não entro é em choradeiras, nem vou carpir mágoas em pseudo Conferências de Imprensa por 'dá cá aquela palha'.
Ah! E o único Barnabé que conheci era um indivíduo que tocava tangos, e mal, e era muito bem pago."

José Alberto Pinheiro, in O Benfica

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

José Luis Fernández



Canhoto, rápido, lutador parecem ser estas as principais caracteristicas do novo reforço do Glorioso...
Fernández, não será o próximo Di Maria, mas pode ser muito útil, especialmente no equilíbrio da equipa a meio-campo.

Uma questão de grandeza

"Disse Jorge Jesus, numa entrevista ao jornal 'O Benfica', que nunca imaginou que o clube 'fosse tão grande', acrescentando que o Benfica 'não tem comparação em Portugal'. O treinador do Benfica disse aquilo que treinadores e dirigentes de outros clubes também pensam mas não podem dizer.
Em alguns casos, a forma acintosa e agressiva como certas pessoas falam do Benfica faz-me lembrar uma fala de uma personagem de um filme que vi recentemente. 'Odeias-me porque ainda me amas', diz essa personagem, e eu sinto que estas palavras se aplicam a um tipo de relação que ficou mal resolvida e que necessita de escapes emocionais tantas vezes excessivos e despropositados. O Benfica é como é e tem uma dimensão que os bons resultados de outros clubes não chegam para obscurecer nem pôr em causa. É uma questão que talvez só os psicólogos e os sociólogos consigam explicar, já que transcende o imediatismo das explicações ditadas pela simples paixão ou pela mais irracional aversão.
Essa dimensão tem a ver com a forma singular como o Benfica nasceu, se implantou, cresceu e, depois, se afirmou internacionalmente, continuando a ser uma instituição mundialmente respeitada, mesmo quando está afastada da fase final das grandes competições europeias. Persistem a mística e a crença que há muito se tornaram pilares de uma inegável grandeza.
Nunca deixa de me surpreender, e até de me comover, a forma como adolescentes que se orgulham de ser do Benfica falam dos títulos conquistados nos anos sessenta como se os tivessem vivido e sofrido. Um escritor francês falava da existência de um 'espírito do lugar'. Neste caso poderá falar-se do 'espírito do clube'. Por isso, é bom saber que quem está no comando da equipa não deixa cair os braços nem atira a toalha para o chão. O 'espírito de Benfica' não permite que tal aconteça, pois não é sentimento ou atitude que seja compatível com o que há de grandioso e único da sua história."
José Jorge Letria, in O Benfica

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vamos lá atafulhá-los com elogios

"NESTA jornada da Taça da Liga nenhum treinador foi tão explícito no seu desdém pela competição como Manuel Machado que, antes da deslocação a Braga, explicou muito bem explicadinho que o seu Vitória de Guimarães ia aproveitar o «jogo-treino» para fazer rodar alguns jogadores raramente utilizados. E foi o que aconteceu.
Coerente com a sua afirmação, Manuel Machado optou por não fazer da arbitragem de Duarte Gomes um caso nacional ou, melhor, um caso minhoto.
Na opinião de Machado, o árbitro fez mal em validar o primeiro golo da sua equipa e o segundo golo do Braga, porque ambos nasceram de situações de fora-de-jogo, mas como Duarte Gomes se enganou para os dois lados o técnico optou por registar com salomónico agrado o equilíbrio das decisões erradas.
Quando ao terceiro golo do Braga, o treinador do Vitória de Guimarães admitiu que Meyong pudesse estar em situação irregular mas logo acrescentou que, para o caso, uma derrota por 2-1 é igual a uma derrota por 3-1 pelo que também aqui não há nada a lastimar.
No que respeita às duas expulsões que reduziram o Vitória de Guimarães a 9 jogadores em campo, Manuel Machado não quis chorá-las. Afirmou que estava muito longe do local das ocorrências e que, por isso mesmo, não se podia fiar no seu julgamento. E mais uma vez não deixou de ter razão.
Da cabeça aos pés, o treinador do Vitória de Guimarães parecia um britânico cheio de fleuma a comentar um jogo que a sua equipa acabara de perder contra o seu rival histórico e geográfico.
No hard feelings, acima de tudo. Embora Machado, na mesma conferência de imprensa, não tivesse resistido a acusar de ir para ali «com a camisola vestida» o jornalista menos bondoso que lhe perguntara se estava satisfeito com o resultado do tal «jogo-treino». É que também há limites para a compostura de um lorde inglês... No entanto, fica a dúvida sobre a «camisola vestida» pelo jornalista. Seria a do Sporting de Braga? Ou outra qualquer?
É normal que Manuel Machado, um homem atento ao que se passa à sua volta, não queria incomodar o presidente da Comissão de Arbitragem da Liga com remoques que podem vir a ser extremamente penalizadores num futuro próximo. Ainda recentemente, Vítor Pereira afirmou, em entrevista à TSF, que nesta coisa dos erros dos árbitros «só é enganado quem quer», o que constitui afirmação com conta, peso e medida nesta altura do campeonato.
Manuel Machado não quis ser enganado e ponto final, parágrafo. Agora só lhe resta desenganar os adeptos vitorianos, ainda a sofrer dos ouvidos com a crueldade dos olés de Braga, e explicar-lhes muito bem explicadinho que aquilo, lá na Pedreira foi mesmo um jogo-treino e que 2-1 ou 3-1, do ponto de vista científico, é exactamente a mesma coisa.
para Pedrag Jokonovic treinador do Nacional, a Taça da Liga é uma competição muito a sério, vencer por 2-1 não é a mesma coisa do que vencer por 3-1 e a arengada de Vítor Pereira na TSF sobre os erros dos árbitros - ...«só é enganado quem quer»... - acertou-lhe mesmo em cheio e onde dói. Que é na memória, obviamente.
Jokonovic, que vencia o FC Porto por 2-1 a dois minutos do fim do jogo do Dragão, não aguentou o facto de lhe ter sido sonegada a hipótese de vencer por 3-1 e quando viu Olegário Benquerença (sempre em forma!) ignorar olimpicamente o derrube de Sereno a Pecnik em plena área portista reagiu intempestivamente ao erro do árbitro e acabou por ser expulso.
O treinador do Nacional explicou-se clinicamente no fim do jogo: «Os médicos já me disseram que nestes lances devo começar a tomar calmantes. Mas já não é a primeira vez que acontecem este tipo de situações com este árbitro...!»
Ah, pois não é, não senhor.
Mas Jokonovic teria saído bem mais irritado se Olegário Benquerença tivesse apitado para o castigo máximo, se o castigo tivesse sido convertido com êxito e se depois, à semelhança do que já fez o seu colega Elmano Santos, Olegário tivesse mandado repetir o pontapé... Nesse caso é que não haveriam calmantes que chegassem para o bom do Jokonovic.
De qualquer modo, o treinador do Nacional da Madeira esteve em grande plano estratégico e político nesta sua visita ao Porto.
Vejamos:
1 - Lançando Anselmo aos 76 minutos de jogo, teve a esperteza de só construir a vitória no fim do jogo, roubando tempo a recuperações caídas do céu.
2 - E quando tudo fazia prever que André Villas Boas, perante o resultado negativo, se fizesse expulsar, o próprio Jokonovic roubou espaço de manobra à costumeira acção do treinador do FC Porto e fez-se ele próprio expulsar, o que deixou Olegário Benquerença muito, mas mesmo muito baralhado.
3 - E deixou Villas Boas privado do seu reportório que é já um clássico quando as coisas não lhe correm bem.
Quem sabe, sabe. E Jokonovic sabe.
agora, por falar em Olegário Benquerença... e em Vítor Pereira...
Vítor Pereira depois de, a 21 de Setembro, ter vindo reconhecer publicamente as razões de queixa do Benfica no respeitante à arbitragem de Olegário Benquerença no Vitória de Guimarães-Benfica e a outros benefícios concedidos a rivais, reapareceu o mesmo Vítor Pereira a 3 de Janeiro para mandar Jorge Jesus calar-se imediatamente com os lamentos sobre a distância forjada em relação ao líder da prova.
«Há evidências que demonstram que este tipo de comentários é desfavorável para quem os produz», disse Vítor Pereira. Como já tivemos oportunidade de verificar, o recado do presidente dos árbitros foi diligentemente aceite pelo treinador do Vitória de Guimarães que tudo soube perdoar ao árbitro Duarte Gomes no jogo de Braga e não foi minimamente aceite pelo treinador do Nacional da Madeira que já não pode ver mais Olegário Benquerença em acção.
Enfim, são maneiras diferentes de estar no futebol. E no fim de tudo se verá quem foi mais esperto.
O Benfica deve, por portas travessas, estar agradecido a Vítor Pereira. A franqueza do presidente dos árbitros aos microfones da TSF explica maravilhosamente o que se está a passar em termos de apitos esta época. É proibido marcar grandes penalidades a favor do Benfica porque «este tipo de comentários» - desfavoráveis à suposta isenção da classe - «é desfavorável a quem os produz».
Ainda no domingo se constatou o facto precisamente naquele momento em que João Ferreira conseguiu não ver o aparatoso derrube de Djalma a Salvio na área do Marítimo.
POR absurdo, se Vítor Pereira decidisse compensar Duarte Gomes pela sua extraordinária arbitragem no Braga-Guimarães nomeando-o para o Leiria-Benfica seria da maior conveniência que os benfiquistas se abstivessem de comentários negativos não fosse Duarte Gomes, segundo a doutrina de Vítor Pereira, mostrar-se «desfavorável» a quem os produziu.
Entenderam o recado do presidente dos árbitros, não entenderam? Há que elogiá-los. Vamos lá, então a isso:
DUARTE GOMES É O MELHOR ÁRBITRO DO MUNDO!
Agora, pacientemente, vamos lá ver o que acontece em Leiria no sábado.
E na próxima quinta-feira conversaremos sobre o assunto."
Leonor Pinhão, in A Bola

Perspectiva de género

"No Brasil, a Presidente virou Presidenta, mandando às malvas a ortodoxia gramatical da chamada forma comum de dois géneros dos particípios terminados em ente.
Deixando aos filólogos esta querela linguística ou outras do mesmo teor, pus-me a imaginar - daqui a uns anos - uma crónica de A Bola sobre um jogo de futebol feminino, com o título PRESIDENTA DA LIGA NA FINAL ENTRE AS ESTUDANTAS E AS COMBATENTAS, rezando assim: «As duas concorrentes ao título entraram como tementas e dependentas uma da outra. Por isso, jogaram sem verdadeiras atacantas. As estudantas - quais estrelas cadentas - não acalmaram a contestação às dirigentas e, em particular, à gerenta do futebol. Já as combatentas constituídas por soldadas, sargentas e tenentas, jogaram sem uma comandanta no relvado. Algumas, portaram-se como valentas e omnipotentas, mas outras mais pareciam umas doentas tal a lentidão com que corriam. Nem as suplentas mudaram o rumo. Para agravar a situação as equipas jogaram sem uma extrema-direita e uma extrema-esquerda. Tudo ao centro, mais parecia uma peladinha parlamentar. Advinha-se o mal-estar que vai recair sobre as agentas que haviam transferido algumas delas. As amantas do futebol que assistiram ao prélio ficaram desiludidas. O ambiente no fim mais parecia o de uma capela-ardenta».
Se esta obsessão de género se espalha virulentamente e nos dois sentidos, quem sabe se um jornalisto nos anunciará que um atleto isrealito foi contratado para alo direito ou defeso esquerdo.
Há dias, li neste jornal, a propósito da (feminina) União de Leiria «Caixinha quer Ukra». Será já a antecipação da nova perspectiva de género?"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A mística benfiquista

"Não é fácil escrever sobre a mística. É que a mística é filha do mistério, da emoção, da crença e até do sobrenatural. É por isso que nas nossas vidas mudamos em tantas coisas mas nunca no clube do nosso coração.
Em minha casa, o meu pai era do Porto e a minha mãe do Sporting. As famílias de um e de outro seguiam, no geral, essas predileções (já não a minha irmã), tal como hoje os meus filhos e todos os meus sobrinhos, sempre fomos indefectíveis benfiquistas. Não há, naturalmente, uma explicação racional para esta opção, mas que todos fomos tocados pelo benfiquismo isso é claro.
A minha mais antiga recordação do Benfica tem a ver com a final europeia de Berna, em que, pela primeira vez, fomos campeões europeus. Tinha 7 anos. Não tinhamos televisão em casa e fui ver o jogo a casa do meu tio João, que morava perto de nós. A transmissão a preto e branco era péssima, mal se reconheciam as linhas do campo. Depois, recordo, com uma imagem tão nítida que até me faz impressão, no dia seguinte, às 8 da manhã, estar à porta de casa, à espera da carrinha que me havia levar ao colégio, com uma excitação para poder ir partilhar com os outros meninos esse êxito extraordinário. Lembro-me de subir à carrinha - conduzida pelo Sr. Rosa - e ver estampada no rosto dos meus colegas, a alegria daquela vitória.
Essa incrível equipa de futebol dos anos 60 é um feito único no desporto português e marcou para sempre gerações de portugueses e de todo o mundo da lusofonia.
Tinha de especial ser formada por portugueses, brancos e pretos, gente simples e fabulosa, humilde e incansável na luta, de que Eusébio era o maior emblema. Esta era uma marca única da equipa do Benfica: exclusivamente composta por jogadores portugueses, que se mantinham fiéis à mesma camisola toda a sua carreira. No Benfica também não havia lugar para 'chicotadas psicológicas', os treinadores começavam a época e acabavam-na. Os adversários eram respeitados, que a verdadeira grandeza não precisa de amesquinhar ninguém. Lembro-me bem da minha emoção quando o Sporting, com aquele maravilhoso golo-canto do Morais, venceu a 'Taça das Taças', tal como, mais tarde, desci a Avenida da Liberdade a comemorar a primeira vitória europeia do Porto, com aquele inacreditável golo do Madjer. A mística do Benfica foi forjada em muitas vitórias e em campeões inesquecíveis, desde os míticos Cosme Damião e José Maria Nicolau aos que já são do meu tempo, como, entre muitos outros, Águas, Germano, Coluna, Eusébio, Livramento, Peixoto Alves, Carlos Lisboa, Madalena Canha, Humberto Coelho, Toni, Bento, Nené, Chalana, António Leitão, Rui Costa, Preud'Homme, Nélson Évora, Telma Monteiro, Vanessa Fernandes, Nuno Gomes ou Di Maria. E também em símbolos quase imateriais, como o hino cantado pelo Luís Piçarra, o voo da águia ou a imponência do Estádio da Luz (como o 'terceiro anel' era temido!). Mas sobretudo nessa vocação inter-classista e universal que faz do Benfica um caso mundial. É que o benfiquismo vê-se em Lisboa e um pouco por todo o lado. Falando do que conheço, o Benfica está presente tanto em Trás-os-Montes como na Guiné-Bissau. Como acontece com os grandes impérios, o Benfica também teve crises terríveis, que quase o destruíram, e a que sobreviveu porque os nossos valores foram maiores que os males que nos atacaram.
É graças à mística benfiquista, feita de simplicidade, mas também de ambição de grandeza, sob a égide do nosso lema, e pluribus unum, que prosseguiremos fiéis a um património português único, que há de continuar a alimentar o sonho de gerações."

Ricardo Sá Fernandes, in Mística

Eliminados da Taça




Apesar do nosso domínio nas últimas 2 épocas na modalidade, por alguma razão, nas competições a eliminar não temos tido resultados condizentes com a nossa superioridade, e esta noite o fado voltou-se a repetir...!!!

A Liga das férias

"Terminaram as férias do futebol doméstico. Não sei se esta prática se deve às intempéries de neve pela lusa terra, se ao convidativo calor sul-americano, se ao excesso de trabalho desportivo ou, ainda, se ao risco de uma qualquer antipática prenda futebolística no boxing day.
Terminaram as férias do futebol, mas não as do Campeonato. É-nos concedida a magnanimidade de uns joguitos da Taça da Liga, sempre subalternizada excepto quando se ganha...
Nada tenho contra esta espécie de Taça Intertotonacional. Bastava o meu Benfica ter ganho duas das três edições para com ela simpatizar. Além de que traz ainda vantagens adicionais: permite que os clubes dêem oportunidades a alguns atletas agora que não há torneios de reservas ou as famigeradas equipas B e pode originar receitas interessantes para clubes mais pequenos. E possiblita a esperteza de branquear cartões vermelhos! Pena que não dê acesso à Liga Europa.
Claro que, com um sorteio condicionado e acondicionado, tudo é feito para que a final e uma das meias-finais se jogue entre os três grandes. Por isso, dos três jogos dos grupos, jogam em casa os dois mais difíceis, não vá o diabo (ou o Nacional) tecê-las... E até a final se mudou estrategicamente do longínco Algarve para a central Coimbra, pois que o sorteio dita, por exclusão de partes, que há sempre um Benfica-Sporting... mas nas meias-finais! Tudo pensado ao pormenor na Liga sediada no Porto.
Até lá a liga desliga ou desliga a liga. Nas três jornadas dos grupos queimam-se dois domingos, quando os jogos se poderiam efectuar a meio da semana (nem sequer há competições europeias). E por que não se pensa na Taça da Liga no início de cada época antes do Campeonato?"
Bagão Félix, in A Bola

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Futebol, prosa e poesia

"Reencontrei recentemente, lendo o livro 'Planeta Futebol', do jornalista e comentador Luís Freitas Lobo, uma memorável caracterização do futebol europeu e do sul-americano. Essa caracterização foi feita, de forma magistral, pelo escritor e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini, assassinado em 1974. Dizia ele que o futebol europeu é prosa e o sul-americano poesia.
Pensa-se no estilo e na carreira de grandes nomes do futebol destes continentes e percebe-se o sentido das palavras de Pasolini, poeta que, como quase todos os poetas, conseguiu ter um inexcedível poder de síntese em relação àquilo que outros precisam de explicar escrevendo ensaios e tratados.
Na realidade, se compararmos Pelé, Maradona ou Zico a Platini, Van Basten ou Gulit, percebemos a diferença. Enquanto uns versejam com a bola, criando com ela uma relação de cumplicidade e intimidade, os outros constroem a geometria do rigor e da eficácia, visando muito mais o resultado do que o espectáculo. Claro que estas comparações são quase sempre grosseiras e falíveis, mas servem para sublinhar tendências e sistemas.
As melhores páginas sobre a arte do futebol têm sido escritas, ao longo das décadas, por escritores amantes do futebol, embora os verdadeiros protagonistas dessa 'escrita' tenham sido, como é natural, os jogadores de génio, como Eusébio, que chegam a dar-nos a ilusão de que aquilo que se passa no relvado é coisa natural e está ao alcance de qualquer um. Nada mais ilusório e enganador.
Com frequência, a pouca flexibilidade dos dispositivos tácticos amputa os jogos da sua componente espectacular, para prejuízo dos jogos, dos espectadores e, naturalmente, dos jogadores.
É em época de episódico defeso que sobra tempo para estas fugazes reflexões. Entretanto, outros jogos estão à porta, num ano que se anuncia difícil socialmente, e todos sabemos que a única alegria de muitos é dos campos de futebol que deverá vir, entre prosa e poesia."
José Jorge Letria, in O Benfica

Homenagem em ... silêncio

Amigos/as benfiquistas

Peço desculpa por aqui vos apresentar este video que gostaria que vissem não por interesse futebolístico mas sim num ar de prece e compreensão para o respeito que nos merece quem deixa o "palco" terreno.
Ontem, no jogo para a Taça da Liga, tudo foi preparado ao pormenor para homenagear um dos portistas MAIS AMIGOS de sempre do Benfica. Pôncio Monteiro recentemente falecido, Paz à sua alma.
Antes do inicio do jogo lá aparece a foto do homenageado. Diz-se que era cristão praticante.
Como sabemos o cristianismo apela à calma, serenidade, paz de ideias e movimentos, tudo na religiosidade do ... SILÊNCIO.
Daí que os Cristãos que se encontravam nas bancadas e iniciaram o jogo numa festa que não se adequava ao silêncio que seria suposto existir, no que ao respeito concerne, decidiram enviar uma mensagem enganadora ao guarda-redes portista, Kieszek, onde se lia:
Agarra-me essa bola pois ela é uma "águia" disfarçada e não queremos que essa maldita estrague a nossa festa de homenagem.
Sendo de nacionalidade Polaca, mas percebendo bem o português, assim que a bola chegou junto de si, atirou-se a Ela com unhas e dentes, como se uma "Aguia", fosse fácil de agarrar.
Que me perdoe a minha queria e verdadeira águia, mas quem viu logo a tramóia e não foi em falsos "bilhetes" foi o Anselmo, avançado do Marítimo que, dizem, é Ateu e daí pregar-lhe um pontapé que até a mim me "doeu".
Acredito que foi tudo propositado visto que até o Vilinhas Broas a dada altura se colocou de joelhos, em vénia, como se pode ver no video.
Benquerença o árbitro do jogo, qual "estraga momentos solenes" mandatário dos antis-Cristãos, ainda "construiu" um penalty a favor da agremiação que queria estar em silêncio, o que originou um golo e o salto desrespeitoso de milhares de "Cristãos" os quais ao que se imagina olhando à solene cerimónia deveriam ter ouvido das boas de um homem que costuma oferecer campeonatos aos falecidos cujas promessas acabam como a homenagem de ontem. Em silêncio.
Daí que já depois do Ateu Anselmo, que não compreendeu o estado de silêncio, parecendo até algo zangado porque não gosta da "águia" e julgava que a bola era uma, aplicou-lhe uma cabeçada imperdoável, e aí honra seja feita ao Kieszey, seguiu-o com o olhar nem tentando travar o seu caminho, por respeito às orações que já se ouviam, e a partir daí ainda mais, nas bancadas.
Depois na igreja do Dragão por mandamento do Padre Benquerença, ser lido para o Porto uma oração de pai Nosso que estais no Céu, surge Anselmo que depois de alertado não quis estragar o momento solene e daí puxar da sua Bíblia sagrada e rezar duas Avé Marias, espalhando assim a ideia que se tinha também abraçado a causa nobre e ajudar assim a que o silêncio fosse uma realidade, ouvindo-se apenas a Oração da causa perdida e da homenagem sagrada a um dos homens que mais "amou" o Benfica e a quem, à pessoa "viva", e não à alma feita vida, em descanso entre os mortos, foi prestada a devida homenagem em ...... silêncio

sábado, 1 de janeiro de 2011

Exercícios de memória

"No Verão passado Ricardo Quaresma foi recebido em delírio em Istambul pelos adeptos do Besiktas. Outros três portugueses estão na calha para serem recebidos em delírio em Istambul no Ano Novo: Manuel Fernandes, Simão Sabrosa e Hugo Almeida que se vão juntar a Ricardo Quaresma no tal Besiktas.
Quaresma, Fernandes, Sabrosa e Almeida não são propriamente estrelas de primeira grandeza no firmamento do futebol mundial. E nenhum deles vai para novo, o que também ajuda a baixar o volume dos respectivos negócios. De qualquer forma, o Besiktas investiu alguns bons milhões de euros nesta fornada portuguesa de alta qualidade e, assim sendo, não é de crer que sejam jogadores que tenham de provar a sua utilidade. Ou seja, pelos valores que custaram, não vão para Istambul à experiência, a ver no que aquilo dá. São jogadores para jogar imediatamente.
O que transforma o Besiktas num emblema a seguir com atenção. Porque não há muitos clubes portugueses que tenham quatro jogadores portugueses na condição de titulares indiscutíveis.
Assim, pelas mesmas razões que o FC Porto desperta a curiosidade dos adeptos colombianos e o Benfica tem já uma legião de seguidores na Argentina, o Besiktas começa a merecer o nosso carinho e a nossa preocupação.
É que já nem há memória de um clube com tantos portugueses a jogar à bola...
Fábio Coentrão faz parte do onze do ano do jornal L'Equipe. Os benfiquistas só podem ter ficado encantados com a distinção que coloca o seu lateral-esquerdo ao lado de superstars como Messi, Casillas, Lúcio, Scheinsteiger, Iniesta e Sneijder, entre outros da mesma dimensão supersónica.
E se os mesmos benfiquistas se derem ao trabalho de um pequeno exercício de memória, lembrar-se-ão certamente da indiferença, para não mencionar a desconfiança e o desdém, com que, no Verão de 2009, receberam, a notícia de que Fábio Coentrão, depois de meia época em Saragoça e de outra época invisível em Vila do Conde, ia regressar ao Benfica com grande vontade de se afirmar.
Foi uma risota, não foi?
E, depois, foi o que se viu. E viu-se tanto, que até os tipos do L'Equipe viram também...
Portanto, seria excelente política entre os benfiquistas dar um bocadinho de tempo e de paciência àqueles jovens jogadores que o Benfica contratou no Verão passado, como Jara e Gaitán, e mesmo a Kardec, que já por cá está há mais tempo e que teve a infelicidade de substituir Cardozo no período mais infeliz do futebol dos campeões nacionais.
Tenham lá calma.
José Couceiro vai assumir a direcção do futebol do Sporting, é um facto. Este ano o Sporting não tem sido, outra vez, muito feliz e até tem sido um bocadinho mais infeliz do que o Benfica, a nível interno, visto que na Europa a equipa de Paulo Sérgio já cumpriu um percurso inicial sem grandes sobressaltos, o que tem o seu valor.
Couceiro, como toda a gente se lembra, já cumpriu o mesmo papel no Sporting em 1998. E não foi especialmente feliz, o que em nada o diferencia de todos os directores desportivos que passaram por Alvalade depois dele.
É natural que os sportinguistas estejam em época de não se entusiasmar com nada nem com ninguém. É assim quando há míngua de sucessos.
E também é compreensível, entre os sportinguistas, que haja quem justifique o regresso de Couceiro a Alvalade muitíssimo mais pelos três meses, no ano de 2005, em que foi treinador do FC Porto, um clube de referência para a actual gerência de Alvalade, do que pelo seu passado, ainda que breve, na estrutura do futebol do Sporting.
São, naturalmente, opiniões.
Garante o Correio da Manhã que Costinha proibiu o uso de brincos aos profissionais do Sporting quando estiverem em representação do clube. A jogar, por exemplo. Ou em viagem da comitiva oficial.
E também quando usarem os bonés oficiais os jogadores estão proibidos de pôr a pala para trás, é sinal de desrespeito. As tatuagens também não são bem vistas mas, enfim, o que é que se há-de fazer em casos epidérmicos como esses?
Assumida que está pela SAD a dificuldade financeira em ir ao mercado de Inverno reforçar a equipa e as esperanças no comportamento desportivo da equipa, eis uma maneira respeitável de recuperar os 13 pontos de atraso que o Sporting tem em relação ao comandante do campeonato.
No Sporting, o lema é não queremos cá Diegos Armandos Maradonas!
Nolito diz que gostava mais de ir para o Real Madrid do que para o Benfica. Por um lado é compreensível. Mas Nolito que se lembre do caso de Di Maria. Chegou à Luz e não impressionou por aí além e mais ainda irritou o público da casa quando disse que o Benfica seria um trampolim para outros voos. E foi mesmo. Voou até ao Real Madrid e por lá está, feliz e contente da vida, aquele que, no princípio, os adeptos benfiquistas insistiam em chamar de brinca na areia. Lembram-se?
Pois Nolito devia fazer o que fez Di Maria. Primeiro jogava por cá e depois ia para lá.
Quanto a Funes Mori... continua preso por detalhes.
Oh, está-se mesmo a ver onde é que vai parar, não está?
É que basta fazer um pequeno exercício de memória...
A imprensa noticiou na semana passada a morte do sócio número 3 do Futebol Clube do Porto. Tinha 95 anos, nascera em 1915.
É curioso constatar como o FC Porto, que foi fundado em 1893 segundos os seus historiadores oficiais só terá tido dois sócios nos seus primeiros 22 anos de vida.
E isto se o sócio número 3, que morreu no final de 2010, tivesse sido filiado no ano em que nasceu.
Jorge Jesus respondeu bem e a tempo à bajulice com que Pinto da Costa o vinha tratando publicamente. Agora não deve responder a mais nada. Deve é ganhar o campeonato. Bora lá!"
Leonor Pinhão, in A Bola

Entrevista Ricardo Araújo Pereira: "Acredito no Benfica campeão mesmo quando é matematicamente impossível"

Deve ter sido uma das prendas mais repetidas junto dos benfiquistas que sabem ler. E até dos que não sabem. "A Chama Imensa", livro que reúne as crónicas de Ricardo Araújo Pereira sobre o Benfica no jornal "A Bola", é um retrato do amor (às vezes ódio) de um homem pelo seu clube. O Gato Fedorento, sócio número 17.411, fala-nos das origens do seu benfiquismo e de uma fé no seu clube de tal maneira inabalável que resiste à lógica, bom senso e matemática.
Esta não é daquelas entrevistas que começam com uma descrição do local onde decorreu a conversa. Não está ilustrada por um tique recorrente do entrevistado nem consta aqui qualquer referência à posição do sol aquando do encontro - até a frase "era de noite e, no entanto, chovia", faz ainda menos sentido. Ricardo Araújo Pereira, sócio número 17.411 do Sport Lisboa e Benfica, está em casa, ao computador, na véspera da véspera de Natal, a responder a perguntas enviadas dias antes por e-mail. Enquanto escreve - "não faço ideia de quanto tempo vou demorar porque tenho as miúdas, malditas férias escolares" - a compilação de crónicas "A Chama Imensa" torna-se num dos livros mais vendidos deste Natal.

É possível que a águia Vitória não volte a voar no Estádio da Luz. Vai fazer muita falta?

Sim, fará falta. E é pena. O Benfica era o único clube que conseguia organizar um espectáculo daqueles com o seu símbolo. Os leões não voam tão bem e os dragões padecem do mesmo mal que a maior parte dos penalties que se vão assinalando a favor do Porto: não existem. Ainda assim, S. Jorge matou um. Veja como deve tratar-se de um bicho irritante, para conseguir fazer com que um homem que era santo perdesse a paciência.

Qual é a sua memória mais antiga do estádio da Luz?

Talvez um Benfica-Porto de 1981. Cheguei ao terceiro anel antigo logo a seguir ao almoço, porque os jogos eram à tarde e não havia esta mariquice dos lugares marcados, como na ópera. A certa altura, Pietra deu uma soberba sarrafada ao Frasco, que ficou a contorcer-se no chão. Um consócio que estava ao meu lado gritou, com muita humanidade: "Se ele está a sofrer, o melhor é abatê-lo!" Ganhámos 1-0, golo de João Alves. Resultado magro mas, tendo em conta que o árbitro era António Garrido, foi goleada. Nesse ano, fomos campeões e ganhámos a taça, também ao Porto, 3-1 na final. Três golos de Nené. Veloso marcou um na própria baliza logo a abrir, para lhes dar um de avanço, a ver se o jogo ficava mais equilibrado. Não resultou.

Por que razão escolheu o Benfica?

Quando eu era pequeno, o meu primo António convenceu-me de que o Benfica era o melhor clube do mundo. Sem querer tirar mérito ao meu primo António, não é difícil convencer uma pessoa disso, uma vez que é verdade. Quanto ao meu primo António, é do Benfica por causa de um barbeiro que lhe cortava o cabelo no Areeiro. Portanto, em última análise, sou do Benfica por causa do barbeiro do meu primo António. Até agora, foi o máximo que consegui apurar acerca da minha genealogia benfiquista.

No seu livro fala do Shéu e do Rui Costa, de querer ser como eles. Há algum jogador da actual equipa que lhe mereça essa empatia e admiração?

Em princípio, invejo o destino de todos os rapazes que vestem aquela camisola. Hoje, gosto especialmente do Maxi [Pereira] e do Fábio [Coentrão], uma vez que só não mordem nos adversários porque as regras não permitem; do Ruben Amorim, porque é do Benfica desde os três meses - e isso nota-se no seu futebol; do Luisão e do David Luiz, porque são a melhor dupla de centrais desde Mozer e Ricardo Gomes; do Aimar, porque descobre jogadores isolados para surpresa de toda a gente - incluindo dos próprios, que se apanham sozinhos sem saber como à frente da baliza; do Carlos Martins, porque é um digno sucessor de Carlos Manuel, a locomotiva do Barreiro; e do Roberto, porque é do tamanho de um guarda-fatos que a minha avó tinha e cada vez defende melhor. E, enfim, dos outros todos.

Costuma ver os juvenis na Benfica TV e o futsal de veteranos?

Claro. Estou de olho num puto que parece o Valderrama (acho que lhe chamam mesmo Valderrama) e gosta de fintar várias vezes o mesmo adversário antes de avançar para a baliza. No futsal de veteranos, acompanho com especial interesse a carreira de um avançado que talvez tenha dois ou três quilos a mais. Isto para falar apenas nas modalidades que citou. Mas se um velhote vestir a camisola do Benfica e começar a jogar chinquilho, sou menino para ir apoiar.

A enumeração dos maiores flops do clube é uma ocupação frequente entre benfiquistas que se querem rir deles próprios. Qual é para si a mais fracassada de todas as contratações do glorioso?

Se calhar, é mais fácil fornecer-lhe o meu onze ideal de cepos: na baliza, Bossio. Moretto, Zach Thornton e Butt esperam oportunidade no banco. Lateral direito: Dudic, embora Ricardo Rojas e Gary Charles tenham valor para ocupar o lugar. Centrais: Jorge Soares e Paulão, o coice de mula. Jorge Bermúdez, Machairidis, Simanic e outros 10 ou 20 que não me ocorrem agora também eram exasperantes. No lado esquerdo da defesa, o meu coração balança entre Steve Harkness, Alessandro Escalona e Emmanuel Pesaresi. Mas se me der 5 minutos, talvez encontre pior. Trinco: Michael Thomas, com Marco Freitas, Jamir e Paulo Almeida no banco. Daqui para a frente, seria preciso escolher 5 entre Taument, Glenn Helder, Leónidas, Manduca, Luís Carlos, Luís Gustavo, Clóvis, Uribe, Hassan, Marcelo e Pringle. Uma tarefa difícil.

O que sente ao ver isto [link para o vídeo promocional da Operação Coração, no YouTube]?

Sinto alívio por já não estarmos nessa situação e incredulidade por ter sido possível convencer as pessoas a fazer essas doações. Depois lembro-me do título da Operação Coração que tenho emoldurado na minha secretária e percebo tudo um bocadinho melhor.

E isto [o golo e as lágrimas de Rui Costa depois de marcar ao Benfica enquanto jogador da Fiorentina]?

Eu estava no estádio nesse dia e na bancada também estávamos todos a chorar. Que quer que lhe diga?, os benfiquistas são pessoas sensíveis. Hoje, este episódio continua a emocionar-me, apesar de se ter tornado comum: quando o Inter marcou ao Sporting, Luís Figo também chorou. Chorou a rir, mas chorou.

Não estão em "A Chama Imensa" as crónicas todas. Como fez a selecção?

Excluí as que tinham ainda menos interesse do que as que ficaram. Só fiz ponto de honra em manter todas as que falavam de Rui Moreira. Um homem que é proprietário de um cão que ressuscita merece a distinção. Haja respeito pela Páscoa canina.

Como é ser um dos "dois rafeiros atiçados às canelas" de Miguel Sousa Tavares?

É surpreendente, porque sempre apontei para o lombo. Miguel Sousa Tavares tem uma relação um pouco conflituosa com os factos e uma grande capacidade para ignorar evidências, como certos documentos que temos vindo a ver, ler e ouvir. Ora, como disse a avó de um adepto do Benfica chamada Sophia de Mello Breyner, "vemos, ouvimos e lemos / não podemos ignorar". Palavras sábias.

Durante o período em que foi cronista de "A Bola", qual foi o melhor alvo?

Deve ter sido o Pinto da Costa. É quase inevitável, uma vez que se mantém no cargo há décadas e é um homem multifacetado, que ora declama poesia como João Villaret, ora dá indicações de trânsito como um GPS. O facto de estar a cumprir pena de suspensão por tentativa de corrupção activa enquanto se queixa das arbitragens também é divertido.

Qual é para si a equipa mais fácil de caricaturar do nosso campeonato?

É possível que seja o Sporting. Sempre que o Benfica está no fundo, o Sporting tem a gentileza de aparecer para demonstrar que é possível descer um pouco mais. Um dia depois de termos levado 5 do Porto, o Sporting jogou contra o Guimarães. Estava a ganhar 2-0. Nisto, o Vitória reduz. Depois, empata. A seguir, marca o golo da vitória. Até me passou um bocadinho da azia.

Acha que ainda vamos lá este ano?

Claro. Mas eu sou suspeito, uma vez que continuo a acreditar mesmo quando já é matematicamente impossível."

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011 !

"Aí temos, pois, o Ano Novo a chegar. Cumprindo-se o ciclo dos tempos, a pouco e pouco tinham diminuído os dias e fora-se restringindo a luz, até ao momento ancestral e mágico do solstício de Dezembro. Mas, a partir daí, como sempre, inverte-se o curso da física. O que era ténue, resulta mais definido; o que definhava, matura e cresce; o que se reduzira, volta a progredir. Amplia-se agora o ritmo dos movimentos e dinamiza-se a frequência dos gestos outrora adormecidos. E como a actividade do Homem sempre se acerta pela cadência da Natureza, de tristes, os dias passam a tornar-se conviviais; noites tempestuosas fazem-se alvoradas serenas. Prescindimos do Fogo que tivémos de levantar nós próprios, para que o calor nos aquecesse, e agora é varrer as cinzas que iremos lançar à terra, receptiva a medrar as sementes e raízes. Preparamos roupa leve. Guardamos agasalhos e resguardos. A cerração do Inverno começará a dar espaço à claridade e as nuvens irão abrir-se ao esplendoroso Sol nascente. Os dias, antes feitos negativos, vão ser a partir de agora, dias tornados positivos.
O que até há pouco antes era desânimo e lassidão e frio, vai poderosamente transfigurar-se em acções de afecto, de alento e de paixão. No nosso caso, incontida paixão. Paixão feita dessa vibrante e mágica pulsão com que há quase 107 anos se impulsionam os nossos Campeões que, em todo o caso, apenas parecemos querer controlar durante um tristonho Outono e um Inverno menos fácil...
Mas o solstício que antecede o fim do ano traz a esperança da nova luz que o novo ano sempre traz à Luz.
Que essa luminosa claridade constitua agora a melhor e mais ajustada saída do tempo das trevas e que, definitivamente, possa tocar as vidas de todos os portugueses. Ou, pelo menos, da extensa maioria dos portugueses especiais que por afecto e com paixão única, comungam da nossa Mística indefectível.
Para eles, para todos nós, FELIZ 2011 !"
José Nuno Martins, in O Benfica

2010

"Nunca me entusiasmou a passagem do Ano. Não gosto de datas com obrigação convencional de boa disposição. E constato a rapidez com que um simples ano passa. Virgílio Ferreira escreveu que «o tempo que passa não passa depressa; o que passa depressa é o tempo que passou». Uma realidade certeira à medida que envelhecemos.
Também não sou apreciador dos balanços e escolhas dos eleitos do ano finado. Quase sempre são enviesados pela influência da parte final do calendário (e até das vésperas) e pelo esquecimento do que se passou no seu dealbar ou meados. Afinal, o resultado da memória cada vez mais curta e descartável, numa sociedade onde os acontecimentos se sucedem à velocidade das novas e poderosas tecnologias!
Neste pontapé-de-saída, porém, atrevo-me a fazer a minha eleição desportiva. Mas -confesso - como não sou capaz de ser imparcial, cinjo-me à vida do meu clube de coração. Assim, o dito coração não fica despedaçado por ter de designar intrusos.
Ora aí vai para 2010: melhor dirigente: Domingos Soares de Oliveira; melhor técnico: Jorge Jesus e Henrique Viana (ex-aequo); melhor jogador de futebol: Saviola; melhor atleta: Telma Monteiro; melhores atletas por modalidade: Carlos Carneiro (andebol), Ricardinho (futsal), Heshimu Evans (basquetebol), Rui Pinto (atletismo), Luís Viana (hóquei), Fábio Jardel (voleibol); profissional do ano: Nuno Gomes; revelação do ano: Fábio Coentrão; saudade do ano: José Torres; efeméride do ano: 50 anos de Eusébio no Benfica; jogo do ano: Marselha 1 - Benfica 2; título do ano: campeão europeu de futsal.
Peço indulgência por qualquer injustiça ou esquecimento de quem usou apenas a falível memória, bem como a não referência a modalidades que não acompanho tento."

Bagão Félix, in O Benfica