"Um fabuloso filme de Billy Wilder, realizado em 1950 e chamado “Sunset Boulevard”/“O
Crepúsculo dos Deuses”, mostra-nos uma antiga estrela do
cinema mudo (representada
magistralmente por Gloria
Swanson, ela própria oriunda
desse período), que vive em
isolamento e entra numa espiral de decadência por se recusar a aceitar sair do seu próprio passado.
Lembrei-me várias vezes deste
filme durante o Mundial, ao ver
uma antiga estrela arrastar-se
em campo, sem perceber que o
seu tempo acabou, sem saber
sair de cena, e sem que ninguém, a bem ou a mal, o consiga
convencer da realidade.
Cristiano Ronaldo foi um dos
melhores futebolistas de sempre. É, seguramente, o cidadão
português mais conhecido em
todo o mundo. Arrasta consigo
multidões de fãs (não necessariamente verdadeiros adeptos
de futebol), vende camisolas, dá
audiências, faz girar dinheiro,
ou seja, tudo o que nos dias de
hoje acontece com uma celebridade de âmbito global.
Talvez essa bolha mediática,
essa fama desmedida, ou a
natural bajulação dos que lhe
são mais próximos (e ainda
alguns golos que vai conseguindo no meio de defesas sauditas), não lhe permitam perceber
que, aos 41 anos, já não é o
melhor jogador do mundo, já
não é sequer um dos melhores,
e só com boa vontade podia
caber, ainda, nos convocados de
uma selecção como a portuguesa. E Roberto Martinez revelou
absoluta incompetência na gestão do tema, comprando artificialmente uma paz podre que
levou a equipa portuguesa e ele
próprio a caírem com estrondo.
Sem perdão, atendendo a que
Portugal se apresentava, neste
momento, com um dos melhores plantéis da sua história, e
com legítimas ambições de
alcançar um título mundial.
Ver Portugal perder é sempre
doloroso. Quando percebemos
que o motivo da derrota podia
ter sido evitado, a dor transforma-se em indignação."
Luís Fialho, in O Benfica

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