"Ser o único clube no mundo a
ter 5 equipas masculinas e 5
equipas femininas na primeira
divisão das principais modalidades de pavilhão (andebol,
basquetebol, futsal, hóquei em
patins e voleibol) parece nunca
ser suficiente. Estar na fase
decisiva da competição com 8
das 10 equipas é pouco. Ser
campeão com 6 das 10 não
chega. Tridecacampeãs no
hóquei (sim, são 13 títulos
seguidos), pentacampeãs no
andebol e tricampeãs no basquetebol parece, para alguns,
coisa pouca e fácil de alcançar,
tal como bicampeões no futsal
e a recuperação dos títulos
pelos homens no hóquei e
pelas mulheres no futsal. Já
para não falar da conquista
histórica do râguebi (no masculino) ou do polo aquático (no
feminino). E todas as brilhantes prestações dos nossos
atletas na canoagem, no atletismo ou no triatlo.
Pois, eu também gostaria
muito de conseguir o pleno
todos os anos, mas esta coisa
de ter de se competir com
adversários não dá jeito
nenhum. É que, algumas vezes,
eles são melhores em campo.
Ou nós não somos suficientemente competentes durante
toda a época. É o desporto.
Claro que estamos no direito
de exigir sempre mais, mas
temos também o dever de
reconhecer o papel fundamental do SL Benfica no panorama
das modalidades em Portugal.
Sem o Glorioso, continuariam a
ser meras notas de rodapé nos
jornais nacionais. Até nas nossas invulgares derrotas (estou
a lembrar-me da equipa feminina de futsal na época passada), o caso se tornou notícia.
É muito fácil medir o sucesso
pelos troféus conquistados.
Com o fim da temporada a chegar, fazem-se contas. É assim
todos os anos, mas ao contrário da matemática e da sua
exatidão, o total parece nunca
agradar nem bater certo. É a
cultura da exigência, dizem-
-me. É a falta de cultura desportiva, respondo."
Ricardo Santos, in O Benfica

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