"COMO UM JOGO
MUDOU PARA SEMPRE
A ANTIGA CATEDRAL.
A vinda do FC Barcelona
a Lisboa, em 1957, foi
o incentivo necessário
para se avançar com a
construção das torres de iluminação no antigo Estádio da
Luz. Nesse ano, foi agendado
um jogo amigável entre o
clube espanhol e o Benfica,
em retribuição da visita que
os encarnados haviam feito
17 anos antes. Por uma questão de calendário, foi marcado para uma quinta-feira, dia
5 de setembro.
O Clube foi informado de
que o FC Barcelona iria ter
apenas a possibilidade de
realizar um jogo noturno, de
modo a garantir o descanso
dos seus jogadores após a
longa viagem. Ao definir-se
um horário ao final do dia,
também havia a vantagem
de se aumentar o número de
espectadores, visto que a sua
maioria era “constituída por
empregados que saem pelas 19
horas”. O revés é que o Estádio
da Luz não tinha ainda condições para realizar desafios à
noite e, nessa altura do ano, os
dias já começavam “a escurecer
mais cedo, não permitindo fixar
hora muito tardia”.
O jogo realizou-se então no
Estádio do Restelo, visto o seu
campo ter iluminação. A equipa
benfiquista triunfou por uns sensacionais 4-0, com golos de
Águas, que bisou, Coluna e
Cavém. Todavia, esta situação do
local de jogo gerou controvérsia
entre os benfiquistas.
As vantagens que existiriam se a Catedral
fosse iluminada eram
amplamente conhecidas, mas este “facto
tomou maior acuidade”
neste momento, “e a
ideia que já animava
tinha de tornar-se uma
realidade”. Foi assim
que, passados poucos
dias após este jogo, o presidente da Direção, Maurício Vieira de Brito,
anunciou: “Vamos eletrificar o Estádio!”
A promessa seria rapidamente cumprida, com
as obras de construção
das monumentais torres
de iluminação a terem início em 19 de janeiro de
1958 e a serem inauguradas cerca de cinco meses
depois, a 9 de junho, tornando-se num marco icónico do antigo Estádio da
Luz. Desde então, o Benfica passou a poder realizar,
no seu próprio estádio,
desafios e festivais noturnos.
Saiba mais sobre as várias
fases de construção do antigo
Estádio da Luz na área 17 – Chão
Sagrado, do Museu Benfica –
Cosme Damião."
Lídia Jorge, in O Benfica

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