"Numa final, só pode haver um vencedor, e o sucesso sorriu, dos onze metros, aos parisienses. Mas tanto a equipa do Parque dos Príncipes quanto os ‘gunners’ não chegaram a Budapeste por acaso. Adotaram princípios corretos (e o dinheiro nada tem a ver com isso), que podem e devem servir de modelo aos clubes portugueses…
Quando o Sporting está em mutação acelerada, o Benfica continua mergulhado na indefinição e o FC Porto apostou na evolução na continuidade, valerá a pena refletir um pouco sobre a final da Liga dos Campeões disputada no último sábado em Budapeste, e na política dos clubes envolvidos na disputa pela ‘Orelhuda’.
Comecemos pelo Paris Saint-Germain, atual bicampeão europeu: desde 2011, quando a QSI, agora acionista de referência do SC Braga, e com ligações diretas ao Governo do Catar, comprou o clube, os parisienses passaram 13 anos a tentar resolver problemas e ganhar relevância europeia colocando dinheiro em cima dos problemas, esperando assim comprar o êxito desportivo. Demoraram 13 anos a perceber que, por mais Messis, Neymares e Mbapées que tivessem, pagos a peso de ouro, não passavam da cepa torta, sendo apenas Gullivers em Lilliput, quer dizer, no campeonato francês. A relevância do PSG surgiu apenas quando percebeu, muito por influência do homem-forte do seu futebol, o português Luís Campos, que não são os jogadores que ganham as competições, mas sim a equipas. Foi com jogadores que colocam o coletivo acima do ego que a glória sorriu à equipa do Parque dos Príncipes, deixando para trás a guerra de egos e a prevalência dos umbigos de anos anteriores. Quer isto dizer que, no futebol moderno, em qualquer equipa de clube ou seleção, ou correm todos, para trás e para a frente, ou nada feito. Acabou, ao mais alto nível, o tempo das ‘vacas sagradas’, e devemos estar gratos a Luís Enrique e ao PSG por terem tornado esta verdade tão cristalina.
Passemos agora ao Arsenal que, depois dos anos de Arsène Wenger, que ganhou títulos e a seguir viveu dos rendimentos (esteve 22 , eépocas no clube), passou por um período de dúvidas, coincidente com o período de Unai Emery, que nada de bom lhe trouxe. Foi então que, em 2019, os ‘gunners’ decidiram apostar em Mikel Arteta, adjunto de Pep Guardiola no City. Desta feita, ao contrário do que tinham feio com Emery, deram tempo a Arteta, que, sete anos depois, devolveu o histórico emblema londrino à condição de campeão nacional e só perdeu a final da Champions da marca dos onze metros. Num contexto em que toda a gente tem pressa, valeu a pena ao Arsenal manter a cabeça fria mostrar que sabia o que queria e com quem queria. Acabou por realizar a melhor época da sua história.
Juntemos, agora, os ingredientes destes dois percursos, de PSG e Arsenal, para concluirmos que, no futebol, ninguém ganha nada sozinho, por mais Messi, Mbapée ou Neymar que seja, e quem quiser subordinar os interesses coletivos aos desejos individuais está fadado ao insucesso. Mas há mais: o Arsenal mostrou que tinha um rumo, e não lhe faltou convicção para mantê-lo. Depois de alguns insucessos e desilusões, acabou por conhecer uma época de glória interna, tendo ficado a onze metros de ser campeão europeu.
Querem uma fórmula de sucesso para o futebol, onde tudo é demasiado volátil? Esqueçam os nomes e construam equipas. E deem tempo àqueles em quem apostaram. Porque se não souberem o que querem nunca hão de chegar a lado nenhum. Para quem navega sem rumo nenhum vento é favorável.
CAPA
O ‘Monumental’ é a nova casa de Otamendi
Depois de uma passagem pela Europa – FC Porto, Valência, Manchester City e Benfica – onde conquistou 18 títulos, Nico Otamendi regressou à Argentina para ser sucessor, no River Plate, de dois ‘xerifes’ à sua imagem, Roberto Perfumo e Daniel Passarela. Campeão do Mundo e vencedor de duas Copas América pela ‘albiceleste’, a camisola de ‘Los Millonarios’ assenta-lhe bem para fim de carreira.
FOTOLEGENDA
Hugo Viana
A época 2026/27 vai ser particularmente significativa para Hugo Viana, diretor-desportivo do Manchester City, porque só a partir de agora vai terminar o seu ciclo de influência no Sporting e notar-se a sua impressão digital nos ‘citizens’, onde a intervenção de Txiki Begiristain se desvanece, ao mesmo tempo que a marca de Bernardo Palmeiro surgirá mais nítida no Sporting. O antigo médio-esquerdo dos leões está ligado a dois momentos importantes na vida destes clubes, o primeiro, da sua lavra, a contratação Ruben Amorim, e o segundo, por vontade do técnico, o adeus a Guardiola. Novos desafios em Alvalade e no Etihad.
CARTAS
ÁS
Afonso Eulálio
Quando ainda se lamentava a ausência de João Almeida do Giro, onde iria desafiar Jonas Vingegaard, eis que surgiu Afonso Eulálio, primeiro de rosa, depois de branco, mas sempre excelente, a deixar a sua marca, e muitas promessas, na alta roda do ciclismo.
ÁS
Vitinha
O internacional português foi considerado pela UEFA ‘Homem do Jogo’ na final da Champions, o que o deixa em boa posição para ganhar a Bola de Ouro de 2026, onde o Mundial terá muito peso. Parabéns também a Nuno Mendes, João Neves, Gonçalo Ramos e Luís Campos.
ÁS
André Candeias
O avançado algarvio ,de 23 anos, que vai na 15.ª época no Farense, marcou, no estádio de São Luís, ao Belenenses, o golo que haveria de valer à sua equipa a permanência nas competições profissionais. Parabéns ao Farense e, para os azuis do Restelo, o seu dia chegará.
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