"Acompanho a atualidade do
Sport Lisboa e Benfica há 45
anos, mais coisa, menos coisa.
Foi quando comecei a ter consciência de ser de um clube. Já vi
tudo acontecer ao Glorioso. Vitórias, claro, muitas. Empates que
ficaram atravessados e derrotas que consegui apagar da
memória imediata, mas não da
duradoura. E isto apenas no
futebol, porque, se alargar a
todo o universo eclético do
Clube, são centenas, milhares
de boas memórias com dias históricos e noites épicas.
A dado momento da minha
entrada na vida adulta, tive a
sorte e o privilégio de poder
envergar a camisola do SLB
durante quase 2 épocas. Foi no
atletismo, no final da década de
1990. E é exatamente sobre isso
que vos quero falar nesta semana. Vivi alguns dos momentos
mais emocionantes da minha
curta (e mediana) carreira desportiva quando pude correr de
águia a peito. Conheci gente fantástica, benfiquista e não-benfiquista, e pude sentir e ver como
um clube em ruínas conseguiu
sobreviver ao famoso ‘Vietname’. O orçamento para as deslocações das equipas masculinas
e femininas (nos vários escalões) era insignificante para o
que exigia a alta competição. Ao
ponto de atletas terem de participar em diferentes provas para
se poupar nos custos das deslocações. Algumas vezes, nem
água quente havia nos balneários. Numa ocasião, partilhámos
a sala de musculação com
alguns jogadores do plantel
principal. Foi confrangedor ver
futebolistas profissionais a
levantar menos peso (em exercícios perfeitamente normais)
do que boa parte da equipa feminina de atletismo. O Glorioso não
vivia momentos de glória, procurava sobreviver dentro e fora do
campo. Passaram quase 3 décadas e nem há comparação possível. Há que conquistar mais, sem
dúvida. E mais vezes, deixando
tudo em campo, no pavilhão, nas
pistas, nas piscinas ou onde
quer que o símbolo do SL Benfica esteja presente. Podemos
sempre exigir mais, mas nunca
esquecer a nossa identidade, o
nosso passado e o que passámos para aqui chegar."
Ricardo Santos, in O Benfica

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