Últimas indefectivações

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Jhonder Cádiz

"O segundo reforço do Benfica foi hoje oficializado depois de já ter sido confirmado pelo próprio Luís Filipe Vieira na última Assembleia Geral do Clube. Trata-se do avançado venezuelano Jhonder Cádiz, que chega ao Benfica vindo do Vitória de Setúbal por 3.000.000€. Cádiz já está em Portugal há quatro anos. Esteve no União da Madeira, no Nacional, no Moreirense e no Setúbal. Ao todo tem 83 jogos e 14 golos na Primeira Liga Portuguesa.
Não é uma contratação consensual pois a maioria dos benfiquistas ainda tem fresco na memória contratações como Chiquinho (600k), João Amaral (600k), Patrick (custo zero), Salvador Agra (dívida do Nacional), Oscar Benitez (4.4M), Pedro Nuno (400k), Jhon Murillo (750k), Diego Lopes (100k), Marçal (custo zero) ou Pelé (custo zero). Ou seja, jogadores que apesar de não terem um custo avultado, nunca vestiram a camisola do Benfica. Alguns revelaram-se boas apostas. O Marçal foi vendido por 4.5M. O João Amaral por 1.5M. O Salvador Agra saiu por 500k. O Pelé rendeu 3.6M quando o Rio Ave o vendeu por 7.5M ao Mónaco. Chiquinho valorizou bastante neste último ano. 
Jhonder Cádiz não é consensual porque estas contratações não fazem sentido no imediato. Mas a longo prazo vemos que o dinheiro investido em Chiquinho, João Amaral, Salvador Agra, Marçal e Pelé rendeu. Também se poderá dizer que dificilmente vamos recuperar os 4.4M investidos em Benitez. Mas o Pedro Nuno vai servir para baixar o preço do Chiquinho. O Jhon Murillo mais ano, menos ano, vai dar uma boa venda (com 50% a reverter para nós). Logo, parece-me que óbvio que o Benfica está melhor por entrar nestes negócios do que por não entrar.
Para já ainda não é claro qual é o plano para Cádiz. Vai fazer parte da equipa principal ou vai ser emprestado algures para valorizar? À partida seria a segunda hipótese, no entanto todos os jogadores que tiveram direito a vídeo nas redes sociais e entrevista na BTV ficaram no plantel. Este é o modus operandi do Benfica de apresentar um jogador. E foi isso que o Benfica fez hoje. Logo, tudo leva a crer que fique no plantel.
O que conhecemos do jogador é que é um atleta com uma boa envergadura física (1.91m), mas também muito rápido. Tem técnica e uma capacidade de finta - ainda nesta temporada marca um golo contra-ataque ao Sporting onde trocou as voltas ao Petrovic. É um diamante em bruto. Pode estar aqui um excelente jogador. Por 3M não me parece uma má aposta. Pode perfeitamente ser o 5º avançado do plantel. Pode ser emprestado e ter uma época fantástica como o Chiquinho e acabar na equipa principal. Pode ser vendido mais tarde e chegar a valores relevantes."

5 minutos à Benfica - pré-época...

Fim de época com futuro

"A época futebolística termina, há já muitos anos, com um torneio interassociações sub-14, o conhecido Lopes da Silva. Um momento de festa, mas também uma oportunidade para observar as 22 selecções distritais. Estes jovens são, todos os anos, a base da primeira selecção nacional sub-15 masculina da temporada seguinte. Os treinadores precisam destas observações para conhecerem, confirmarem e decidirem sobre a composição das suas equipas, sejam nacionais ou de clube. Esta altura, designado como defeso, tem uma importância decisiva no sucesso das equipas, sendo essa importância proporcional ao nível da competição em que estão integrados, com destaque para as competições profissionais.
Como neste intervalo não há jogos, portanto não há vitórias e derrotas, digamos que todos estão empatados, a tolerância dos agentes desportivos é significativamente maior do que durante a competição. Contudo, as decisões agora tomadas vão ser de importância fundamental para cumprir os objectivos da época. O planeamento para nesta altura se tomarem as melhores decisões começou muitos meses antes. Prever o que se pode passar no defeso, as alterações que a equipa para sofrer, ajuda a encontrar soluções antes dos concorrentes. Esta é uma das maiores dificuldades de quem gere uma estrutura de desporto profissional, para mais em jogos colectivos. Não há sucesso exclusivamente com bons jogadores, é necessário uma excelente equipa.
Construir uma equipa, que necessita de bons jogadores, de excelentes profissionais e de melhores pessoas, implica estabelecer uma tela de relações que reaja à adversidade de forma uniforme, mesmo que as análises não sejam coincidentes. O interesse colectivo terá que ser sempre maior do que o individual. O torneio Lopes da Silva inicia o processo para se atingir o degrau mais alto: saber trabalhar como equipa."

José Couceiro, in A Bola

Belenenses tem o que não se compra

"O Clube de Futebol Os Belenenses, escudado em sentença judicial, fez um ultimato à Liga de Clubes, no sentido da proibição da utilização da sua marca por entidades terceiras. Ou seja, para simplificar, o Belenenses, com o apoio de duas sentenças, uma do Tribunal de Propriedades Intelectual, e outra do Tribunal da Relação, não quer uma equipa chamada Belenenses, SAD a participar na Liga. Poderá, quanto muito, ser BSAD, de acordo com o registo vigente.
Numa coisa o Belenenses tem razão: a Liga de Clubes não pode continuar a assobiar para o lado como se nada tivesse, entretanto, acontecido.
Este caso, que mostra como foi pouco cuidadosa e avisada a chamada Lei das SAD, irá conhecer novo agravamento quando o Belenenses alienar os dez por centro que ainda tem da SAD. Logo que isso aconteça, haverá uma equipa a disputar o principal escalão do futebol português sem vínculo físico (abandonou o Restelo), material (o Belenenses não é accionista), ou imaterial (não pode usar a marca, ou seja, nome, símbolo e lema) ao clube de onde derivou.
Quem olhar para esta situação, independentemente do lado da barricada que ocupar, ou mesmo se estiver numa posição de neutralidade, não pode deixar de sentir um profundo desencanto. À beira de celebrar o centenário, vale ao Clube de Futebol Os Belenenses uma implantação social que, ao contrário das acções da SAD, não se compra, e que lhe permitiu reinventar-se, apostando nas modalidades e no futebol de formação, como elementos aglutinadores de sócios e adeptos nestes anos de travessia do deserto. O Belenenses é um grande clube."

José Manuel Delgado, in A Bola

Desportivização do sexo e sexualização desportiva

"Apesar dos progressos registados ao longo das últimas décadas em matéria de investimento no desporto pelas mulheres, este continua a ser um local de diferenças e um espaço de desigualdade entre os homens e as mulheres. Em matéria de desporto feminino, é preciso ter em consideração a cultura desportiva das mulheres e a cultura feminina no geral. Esta cultura deve ser também colocada no seu contexto, sobretudo numa sociedade patriarcal, como é o caso da sociedade portuguesa.
No caso do desporto de alto rendimento, a prática de certos desportos pelas mulheres ainda está longe de ser “admitida” pela sociedade. E quanto mais estes desportos se afastam do estereótipo hegemónico, mais a recusa social é significativa. Se as mulheres são cada vez mais desportistas, elas não se entregam às mesmas actividades que os homens nem o fazem nas mesmas condições. As mulheres valorizam “as modalidades não competitivas” e as “práticas de melhoramento estético”, confirmando o peso dos estereótipos (Marivoet, 1998)
Braunstein & Pépin (2001) observam algumas das razões que mantiveram as mulheres afastadas durante muito tempo dos desportos de competição: em primeiro lugar, o argumento médico que dizia que o corpo feminino não podia suportar o esforço, e a que a sua principal função era a procriação. Em segundo lugar, o argumento social e moral: a mulher tem um lugar a ocupar no seio do seu lar, e toda a prática desportiva é concebida como exibicionismo.
Os homens estão mais voltados para a competição, a agressividade e a autoafirmação no desafio e no confronto com os outros. Ao invés das raparigas, os rapazes lutam e provocam-se entre si, estabelecem hierarquias com base no critério do mais forte, temendo ser tratados de “medricas”. Nos adolescentes, a pressão do grupo de pares e a prática de desportos colectivos convergem para a criação de um clima de emulação, de competição e de superação dos outros. A fim de serem reconhecidos, atrair a atenção das raparigas e afirmar o seu valor, os jovens procuram medir-se uns aos outros, provando a sua força, a sua excelência e a sua virilidade. Para as mulheres, a vitória sobre os outros surge como menos importante do que a actividade física em si mesma, enquanto para os homens é a própria competição que é objecto de paixão; rivalizar com os outros, vencer, ser o melhor representa uma finalidade ou um valor em si mesmo.
Nesta análise, importa referir a questão da virilidade. Bourdieu (1999, pp. 43-44) entende-a como “a capacidade reprodutiva, sexual e social, mas também como a aptidão para o combate e para o exercício da violência, com destaque para a vingança”. Por oposição à mulher, “o verdadeiramente homem” é aquele que se sente vinculado a estar à altura da possibilidade que lhe é oferecida de aumentar a sua honra, procurando valores como a glória e a distinção na esfera pública. A exaltação dos valores masculinos tem a sua contrapartida tenebrosa nos medos e nas angústias suscitadas pela feminilidade: princípios de fraqueza enquanto incarnações da vulnerabilidade da honra. Tudo concorre, assim, para fazer do ideal impossível de virilidade o princípio de uma imensa vulnerabilidade. É ela que conduz, paradoxalmente, ao investimento, por vezes exacerbado, de todos os jogos de violência masculinos, nomeadamente os desportos de combate.
O espaço desportivo (re)produz esta relação de dominação, ao socializar as gerações mais novas nos valores dominantes da cultura masculina, que privilegiam a força física e a competição como símbolos de virilidade."

O apelo de (...): querem ganhar o defeso? Gastem uns milhões no passe da Matilde

"Os jornais, os programas de comentário desportivo, os grupos de Whatsapp, o Twitter e a taberna rejubilam com o tema que faltava. Esta manhã seguia na direcção do café a tropecei numa pedra. Saiu de lá um especialista em factoring, um analista financeiro e um alcoólico que não conseguiria contar até 126. Todos juntos reuniram-se à volta de um pão de deus com fiambre, uma meia de leite morna, um café pingado e um moscatel, respectivamente, para elaborarem as mais diversas teorias sobre como é que o Benfica irá receber o dinheiro, se irá receber, o que fazer com este autêntico Euromilhões.
Há teorias para todos os gostos e quantificações de toda a espécie. Eu não percebo bem o que fazer a esta fortuna. O meu pessimismo diz-me que devíamos guardar a maioria para um dia chuvoso. O optimista fala em gastar tudo em reforços. O desiludido não se contenta com a comissão de 10%, por ele o Benfica ainda acaba a pagar a Jorge Mendes. O humorista com a tabuada decorada pergunta quantos daqueles reforços-que-não-são-bem-reforços poderemos nós adquirir para depois colocar a rodar por esse mundo fora. Rapidamente se chega a um consenso na taberna: vamos avançar para a compra de 40 Cádiz.
Sinto-me no mesmo espírito dessa discussão, mas com uma preocupação diferente. Surgiu assim que ouvi falar da Matilde, uma bebé de dois meses. É aqui que o assunto se torna sério. A Matilde é um bebé muito especial. Sofre de um problema de saúde chamado atrofia muscular espinhal de tipo I que ameaça a sua vida a uma velocidade assustadoramente galopante. Existe uma terapêutica que poderá salvar a Matilde. Custa cerca de 2 milhões de euros. A sua história apareceu um pouco por todo o lado nos media portugueses, bem como numa página de Facebook criada pelos pais, cujas publicações me deixaram com um nó na garganta, a mim e de certeza a muitos milhares de portugueses que não têm meios para, sozinhos, salvar a Matilde. Os donativos têm chegado tão depressa quanto é permitido aos portugueses, ou seja, muito depressa. É uma gente como poucas. Infelizmente, o objectivo a alcançar ainda está distante. Ontem a conta bancária criada para receber os donativos destinados a ajudar a Matilde tinha cerca de 395 mil euros.
Vai daí eu lembrei-me de uma engenharia financeira muito simples, uma daquelas de que nos lembramos sempre que nos imaginamos a tropeçar numa quantia de dinheiro obscena. Nunca sabemos bem por onde começar e damos por nós a gastar dinheiro em coisas inúteis. É provável que boa parte deste dinheiro acabe a ser utilizada em cruzamentos que saem pela linha lateral, remates para a bancada, ou empréstimos intermináveis ao Famalicão. Portanto, a minha ideia é muito mais simples: o Benfica chega-se à frente e gasta uns milhões no passe da Matilde. É agora que ela precisa de ajuda. Não sabemos quanto mais tempo ela tem. A seguir pode fazer o factoring que bem entender, a engenharia financeira que lhe aprouver, organizar jogos que reúnam a receita necessária para cobrir essa despesa. Mas a despesa, a acontecer, tem de ser feita agora.
Quem diz o Benfica diz todos os outros clubes, a federação, a liga, etc. Aquilo que sugiro está a uma ordem bancária de distância dos maiores clubes de futebol portugueses. Foi deles que eu me lembrei porque, pois bem, não se fala de outra coisa neste país. Assim sendo, que os programas de comentário desportivo e as redes sociais sejam inundadas com este repto. Depois logo se vê como será apresentado no relatório e contas. Que se danem os direitos desportivos. Esqueçam qualquer percentagem do passe da Matilde. Se tudo correr bem, a dívida dos pais será eterna e nós não quereremos aceitar um centavo de volta.
O futebol português passa tanto tempo na lama que às vezes se esquece da muita felicidade que nos pode trazer. Pois bem, está aqui uma baliza escancarada. Pediram-me um texto sobre o defeso e esta foi a única coisa que me ocorreu. Garantir a renovação da Matilde por muitas décadas. Não me custa nada tentar. E, sim, isto não tem nada a ver com futebol. Pois não. É muito mais importante. Se é demagógico? Que seja. Quero lá saber. Vale muito menos do que um Cádiz, mas valeria muito mais a pena. Se nada disto persuadir uma alminha que seja, cá estarão os outros portugueses todos para ajudar: PT50 0035 0685 00008068 130 56. Espero que a ajuda chegue a tempo."

Orgulho e amor (um treinador “amalucado” a defender as suas medalhadas)

"Para mim, não há nada que se compare a representar Portugal. Não encontro sentimento maior em relação a algo que não é palpável, tangível, algo que não é amor a uma pessoa, mas que é muito mais que um conceito, uma tribo, um lugar ou uma geografia. Representar Portugal é o expoente máximo do orgulho bom. E que dizer de representar Portugal competindo na Ginástica? Orgulho e Amor! É andar nas nuvens. Mas isso sou eu. Para muitos (alguns lusos patetas e muitos estrangeiros), Portugal será eternamente um underdog. Aquele rectângulo periférico cheio de gente que “não se governa nem se deixa governar” e de que muitos, por isso, se aproveitam.
Ah, mas como eu adoro os underdogs. Adoro treinar os underdogs. Aqueles que treinam enquanto outros ainda dormem, aqueles que trabalham quando ninguém está a olhar, aqueles que treinam quando o professor da faculdade lhes massacra a cabeça e não os deixa fazer exame “porque não podem faltar para ir a prova nenhuma!”, mas, mesmo assim, eles treinam! Adoro aqueles que treinam, ponto!
Escrevo no rescaldo dos II Jogos Europeus que foram, por isto e muito mais, um momento mágico. Quatro anos passaram desde que a Joana Patrocínio, a Susana Leal Pinto e a Jessica Leite se estrearam em Baku, nos I European Games, com um 7º lugar e uma experiência incrível, uma jornada em que foi impossível tirar-nos os sorrisos da cara. Mas que mais se pode pedir a quem dá o máximo? Só podemos andar felizes, sempre!
Este ano, com outras perspectivas, este grupo amalucado de treinadores do Acro Clube da Maia sonhou com algo mais. Aos poucos, dia-a-dia, com o passar do tempo, o sonho foi passando a objectivo para estes “loucos” e começou, aos poucos, a desenhar-se o sonho nas ginastas. E depois de muito trabalho (nosso e delas), os underdogs, a Bárbara e as duas Franciscas, foram a Minsk e fizeram três exercícios no máximo das suas capacidades, com a maior nota de dificuldade de toda a prova em cada um desses exercícios (what?, eu escrevi mesmo isto de três portuguesas?) e não deixaram dúvidas a ninguém: 3 medalhas – Bronze – Prata – Prata nos European Games! 
Três exercícios e três pódios (arrepio-me de pensar nisso e, como ainda não chorei, sei que ainda me há-de “cair a ficha” em relação ao que estas miúdas conseguiram)! Eu já disse que gosto dos underdogs, não disse? Gosto muito! Especialmente porque da próxima vez estes underdogs já não o serão... O Ouro escapou-nos do Dinâmico por 0,09 pontos... Se pensarmos que o mínimo de penalização que um juiz pode dar é de 0,10, temos aqui a real dimensão deste feito e de quão perto estivemos, realmente, do Ouro. Dezassete mortais em oito elementos! Underdogs?!
Com três medalhas ao peito, pesadas como o quanto nos custou alcançá-las, é impossível não sentir o Orgulho por Portugal e o Amor pela Ginástica. (Só não são os Toronto Raptors da Ginástica Acrobática porque não ganharam... mas calma... passo-a-passo!)
Foram as primeiras medalhas na Ginástica Acrobática, foram a primeira medalha nestes Jogos Europeus. Fomos nós! Foi a Bárbara Sequeira, a Francisca Maia, a Francisca Sampaio Maia, a Ana Úrsula, o João Ferreira, o Nelson Araújo, eu, o nosso fisioterapeuta Frederico Silva e todos os colegas de treino: porque ninguém faz nada sozinho! Conseguimos, cambada! Crer, querer e trabalhar como se não houvesse amanhã. Porque na realidade, no treino como na vida, só o que fazemos “hoje” interessa! O presente é a nossa dádiva diária!
E foi fácil? Não! Foi duro!!! Irra, se foi! Valeu a pena? Meu Deus, claro que valeu! Faríamos tudo outra vez! Se calhar faríamos mais ou diferente, mas não fugiríamos de nada que foi difícil, duro ou doloroso. O desporto é assim. Tal como a vida também o é. E quem se lembra do início? Quem se lembra de como foi feito este Trio? Quem se lembra de haver outros planos e expectativas individuais, quem se lembra das críticas à constituição destas equipas seniores vencedoras? Ah, gente de pouca fé! Mas eu lembro-me! (é aqui que eu semicerro os olhos e sorrio...)
E com tantas dificuldades inerentes ao desporto, às dores (porque vai doer!), às lesões, à conciliação de vidas académicas e desportivas exigentes (Medicina e Psicologia não são escolhas que se façam “com uma perna às costas” mesmo para ginastas flexíveis), não seria possível ajudar e facilitar um pouco? Não seria possível que o Professor que não deixou a Bárbara fazer um exame porque iria estar em Minsk (e por isso se arriscar a chumbar de ano por causa das precedências dessa cadeira), lhe fizesse o exame a que ela tem, legalmente, direito? Não seria possível que a Faculdade de Medicina onde anda a Francisca acreditasse que as declarações do IPDJ já tinham sido, realmente, pedidas há muito e que estavam apenas atrasadas, conforme documento a prová-lo?
Não dava para ajudar um pouco estas (e outros) ginastas e atletas? Gostamos tanto de ver as notícias sobre os sucessos nacionais! Mas depois, quando é possível ajudar a fazer a diferença que permite que se treine, verdadeiramente, para chegar ao pódio, porquê tantas pedrinhas dentro das sapatilhas? É este o “dark side”, infelizmente, do nosso sistema desportivo.
Mas depois, graças a Deus, temos o lado brilhante! O lado das instituições que se esfalfam para ajudar.
Estes dias passados em Minsk, tal como em Baku em 2015, a equipa do Comité Olímpico de Portugal – o grande chefe Marco Alves, a Catarina Monteiro, o Filipe Jesus, o Ricardo Bendito, o Pedro Roque, o António Varela, a Ana Ramires, o Dr. Jaime Milheiro e toda a equipa de fisioterapia, em especial o incansável André Ruivo (e, claro, o seu quase-omnipresente Presidente José Manuel Constantino que fez questão de acompanhar a Ginástica Acrobática na Minsk Arena – muito obrigado pela confiança), foram uma família para nós! Estas medalhas são vossas!! São mesmo! Esta é a equipa que tudo faz, que tudo disponibiliza; são os Ronaldos do nosso COP – são os que resolvem! Obrigado! Como já vos disse: Obrigado do fundo do coração. (nunca esqueceremos aquela Cerimónia de Abertura e o quanto vocês ajudaram a proporcioná-la a quem tinha prova no dia seguinte).
E depois temos esta família alargada de atletas e treinadores de todos os desportos que vibra com os sucessos e sofre com as perdas. Que quer saber como funciona o desporto “do outro”, que quer perceber as regras da modalidade do seu colega de refeição enquanto almoçamos juntos na cantina e que quer saber as coisas porque há um interesse genuíno no que faz o seu “companheiro de luta”. Obrigado a todos! Boa sorte para o resto dos Jogos! Estamos juntos!!!
Este capítulo não ficaria completo sem o Acro Clube da Maia, a nossa casa, o nosso abrigo e a nossa força. Aos companheiros de treino, aos companheiros que gerem o clube, aos companheiros que, todos os dias, zelam para que este possa continuar a ser o melhor clube do mundo, um enorme Obrigado.
E, obviamente, à Federação de Ginástica de Portugal que cria as possibilidades para que eu possa estar dedicado ao clube e ao treino, no máximo das minhas capacidades; um agradecimento muito especial pelo que tem feito pelo crescimento da Ginástica Acrobática, por sinal. a modalidade gímnica com mais praticantes em Portugal.
Duas últimas coisas breves: - No outro dia li, num jornal, algo do género: “O trio do Acro Clube da Maia já tinha amealhado uma medalha de prata e uma de bronze, pelo que a sua passagem pela Bielorrússia se cifra por três pódios, um número recorde, melhor do que o que foi obtido pelo canoísta Fernando Pimenta em Baku 2015”. É preciso explicar uma coisa: é que há atletas normais, depois há atletas incríveis e depois há o Fernando Pimenta. Mais nada! É mesmo assim. Um atleta incrível, determinado e humilde, daqueles que compete para ganhar, mais, que treina para ganhar! É preciso pôr estas coisas em perspectiva. O Fernando Pimenta é um Gigante! Tal como a Telma: 32 anos e 15 medalhas em 13 provas europeias! Não é para qualquer um. Aliás é só mesmo para um: ela própria! Para nós foi uma honra enorme “lutar” ao vosso lado pelo verde e vermelho da nossa Bandeira. Obrigado. Espero que haja mais oportunidades porque vocês são uma inspiração.
Depois da prova, um jornalista perguntou-me o que diria eu a alguém, com poder de decisão, para incluir a Ginástica Acrobática nos Jogos Olímpicos. Respondi que não lhe diria nada: levaria essa pessoa até às bancadas da Minsk Arena e sentar-nos-íamos lado a lado bem em frente ao praticável a ver estes ginastas espectaculares nos European Games e não eu teria qualquer dúvida, pela emoção que essa pessoa sentiria, que incluiria a modalidade nos próximos Jogos Olímpicos. “In an heart beat”, como dizem os americanos. Sem hesitar! Quem viu Acrobática na televisão e nunca tinha visto que me corrija se não for verdade. 8000 pessoas a vibrar com os exercícios destes campeões não deixam ninguém indiferente. Este é o poder da Ginástica Acrobática.
Pronto! Obrigado Úrsula, João e Nelson! Obrigado! Agora está na altura de por o “Where is my mind?” dos Pixies, bem alto nas colunas! E tentar perceber onde é que estava, realmente, a nossa cabeça quando sonhámos com isto."

Benfiquismo (MCCXX)

Novinho...

Com muito dinheiro grandes responsabilidades

"O Benfica terá feito um negócio notável com a venda do passe de João Félix. Escrevo no condicional pois há apenas uma declaração de intenção do Atlético de Madrid e, até à comunicação oficial, há alguma informação incerta e, por vezes, contraditória. Mas, se se confirmar uma venda pela cláusula de rescisão de , estamos perante um dos 120 milhões de euros, estamos perante um dos melhores negócios da história do futebol.
João Félix jogou uns breves 3.022 minutos com a camisola da equipa A do Benfica. Em 43 jogos, confirmou que é um jogador diferenciado, com golo, muita qualidade na decisão e um potencial imenso. Só que, sendo óbvio que um Benfica europeu precisa de ser capaz de reter talento da formação, há também limites para a capacidade de resistência de um clube de um campeonato periférico como o nosso: 120 milhões por um jogador que ainda há oito meses tinha uma cláusula de 60 milhões está bem para além desses limites. Aliás, vender jogadores por valores exorbitantes (é mesmo disso que estamos a falar) é coerente com a aposta estratégica na formação.
No entanto, com muito dinheiro vem também grandes responsabilidades. E o negócio da venda de João Félix, pelo valor, pelo clube de destino e pela intermediação de Jorge Mendes precisa de todo o escrutínio e atenção dos sócios do Benfica.
Um bom princípio é, por exemplo, olhar para o que aconteceu com os nossos adversários depois de se encontrarem em situações como a que hoje vive o Benfica. Se recuarmos década e meia, o FC Porto, pela mão do mesmo empresário, acumulava vendas exorbitantes, juntando ao sucesso desportivo receitas financeiras com poucos paralelos. Hoje, está intervencionado pela UEFA e com dificuldade em financiar o investimento.
É disparatado criticar à partida um negócio com os contornos do que o Benfica vai fazer com o Atlético de Madrid, esquecendo, por exemplo, que foi também desde que Jorge Mendes passou a ser parceiro estratégico do clube que iniciou uma senda vitoriosa mas é igualmente um erro ter postura acrítica.
Há perguntas que têm de ter respostas e, no essencial, temos de estar alerta em relação ao futuro próximo. Desde logo, há que seguir o dinheiro,. O Benfica não só pode como deve continuar a fazer negócios com a intermediação de Jorge Mendes, o que não devia é, por força da receita que vai fazer com João Félix, adquirir jogadores sem currículo, apenas porque são agenciados pela Gestifute. Se o fizer, fica sugerido que o que entra como receita, logo sai como despesa.
Há momentos em que é prudente e avisado seguir a máxima de que não basta ser sério, é preciso parecer. Depois do que se tem passado no último par de anos com o Benfica, este é um desses momentos."

Caio Lucas

Depois de vários meses, foi hoje apresentado oficialmente o Caio Lucas.
Sem surpresa, oficiosamente, já era conhecido o destino do brasileiro. O jogador chega em fim de contrato... e diga-se, o Caio era o alvo prioritário dos Corruptos para o lugar do Brahimi!!!!

Jogador que saiu do Brasil, muito jovem, mas com cartel, preferiu os cheques da Ásia, primeiro na China e depois nos Emiratos... Por aquilo que vi no Campeonato do Mundo de Clubes, onde a sua ex-equipa chegou à Final com o Real Madrid, temos reforço... Jogador claramente diferenciado, principalmente no drible...

Agora existem alguns potenciais 'problemas': a intensidade de jogo em campeonatos 'secundários' não é igual às exigências do Benfica; segundo a questão do posicionamento: por aquilo que vi nos vídeos é um jogador habituado a jogar em 433, sendo ele o extremo da frente que mais se aproxima do ponta de lança... Num 442, não sei se irá adaptar-se a jogar mais junto da linha, muito sinceramente, parece-me mais um 2.º avançado!!!

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Mais uma Prata...

Fernando Pimenta com a 2.ª Prata nestes Europeus, integrados nos Jogos Europeus de Minsk, desta vez no K1 5000m.
Foi pena o Pimenta não ter chegado na melhor forma a estes campeonatos, esteve dominar a maior parte do ano... Mesmo assim, quando não está a 100% 'saca' Prata!!! Nada mau...!!!

No K4 500m, com os nossos João Ribeiro e Messias Baptista, além do Emanuel Silva e o David Varela, ficámos em 4.ª lugar

No K2 200m feminino, com as nossas Teresa Portela e a Joana Vasconcelos, não fomos além do 6.ª lugar.

Juvenis - 10.ª jornada - Fase Final

Benfica 1 - 0 Corruptos


Os já Campeões, terminaram (finalmente) a época, com mais uma vitória, mesmo com várias alterações...

Durante a semana, o Paulo Bernardo, lesionou-se com alguma gravidade. Já foi operado ao menisco... Estas lesões são sempre chatas, e nestas idades, às vezes, são um empecilho complicado de ultrapassar na evolução dos jogadores...

As 4 soluções para o lugar de Gedson

"Foi aposta forte de Rui Vitória no sistema de 4x3x3 empregado pelo ex-treinador do SL Benfica, perdeu espaço no 4x4x2 de Bruno Lage, foi importante em momentos específicos da temporada (na lateral direita, na ala do mesmo lado ou mesmo no ataque à profundidade, de que é exemplo o jogo frente ao Eintracht Frankfurt, no Estádio da Luz), sagrou-se campeão nacional, esteve no Mundial de Sub-20 (titular nos três jogos de Portugal, sem brilhar) e lesionou-se durante o plano de férias de preparação para a nova época.
Tudo somado, a temporada 2018/2019 foi atribulada para o jovem nascido em São Tomé e Príncipe, mas terminou com nota positiva, enquanto a época 2019/2020 começa de forma negativa … e mais tarde. A lesão no quinto metatarso do pé direito vai deixar fora de combate um dos melhores produtos Made in Seixal durante dois meses … pelo menos. Azar para o médio de 20 anos. Mas, diz o povo, azar de uns, sorte de outros. A ausência de Gedson Fernandes dos trabalhos de pré-epoca pode abrir vaga para outro jogador. Quiçá, outro jovem oriundo do Caixa Futebol Campus. Num exercício de análise, elenco quatro opções (três nomes) para tomar o lugar do internacional português pelas camadas jovens.
Chiquinho – Fez grande parte da sua formação no Leixões SC, brilhou na Segunda Liga pela Académica de Coimbra (tendo-se revelado um médio goleador, ao apontar nove golos em 41 jogos), foi contratado pelo SL Benfica e emprestado ao Moreirense FC, a equipa sensação do último campeonato (muito graças ao seu contributo), onde voltou a brilhar (pela equipa minhota marcou dez golos em 38 jogos) e prepara-se para ser recomprado pelo campeão nacional.
Trata-se de um médio criativo, com futebol na cabeça e nos pés (sobretudo o direito, o seu predilecto), que joga e faz jogar e que tem uma apetência quase incomum para o golo. Aparece bem e com facilidade nas zonas de finalização, ligando com mestria e qualidade o segundo e terceiro terços do campo. Pela capacidade de controlo de bola que possui, executa tranquilamente movimentos da esquerda para dentro, caindo, por vezes, na ala esquerda.
Dadas as características referidas acima, não será o substituto natural de Gedson Fernandes. Ainda que possa alinhar na direita do meio-campo encarnado, como fez o jovem formado no Benfica em algumas ocasiões, sendo uma solução de banco a Pizzi, ou como médio interior num sistema de 4x3x3 (a que o SL Benfica não deve voltar de forma definitiva), à semelhança de Gedson com Rui Vitória, creio que Bruno Lage poderá ver Chiquinho como solução para segundo avançado.
O mais provável é que o jogador de São Martinho do Campo seja um polivalente, podendo actuar pela direita, pela esquerda, como médio criativo em parelha com Samaris ou Florentino Luís ou como segundo avançado. Mas creio (e assumo que poderei estar a ver em Chiquinho o que ele não é) que assentaria que nem uma luva “nas costas” de um avançado dito fixo. Poderá, acredito, estar aqui uma das soluções para o lugar de João Félix.
É um candidato ao lugar de Gedson, mas, até pela sua contratação ser noticiada desde muito antes do infortúnio do jovem formado no Seixal, não acredito que seja o favorito à vaga do luso-são-tomense. 
P.S: A contratação de Chiquinho não está consumada, sendo, consequentemente, esta hipótese condicional. Ainda assim, o princípio é o de que Chiquinho fará parte do plantel.
Contratação – A ideia, publicitada, vincada e reiterada pelos responsáveis máximos do clube (incluindo, recentemente numa entrevista à Rádio Renascença, pelo presidente), passa por olhar primeiro para o Seixal e depois, e só depois e em caso de necessidade, avançará o SL Benfica para contratações. Médios temos, assevera Vieira. Estaria a contar com Gedson? Se estava, os planos podem ter que mudar.
Não lanço nomes (como escrevi, considerei Chiquinho como membro do plantel). Apenas deixo a opção (vaga e em aberto) de se contratar um médio para o lugar de Gedson Fernandes. No entanto, e apesar de me parecer uma alternativa mais provável do que Chiquinho, fazer ingressar no plantel mais um médio pode ser problemático. O jovem formado no SL Benfica vai parar alguns meses, é certo, mas voltará. E se, quando regressar, tiver o seu espaço totalmente ocupado, voltar à melhor forma física e recuperar o ritmo de jogo tornar-se-á bastante difícil.
Contratar poderá redundar numa de duas situações quando Gedson Fernandes regressar de lesão: ou o SL Benfica fica com excesso de médios, ou o jovem português será emprestado para voltar a ser o que era mais rápida e facilmente, saindo no mercado de inverno. Não equaciono, sequer, a hipótese de Gedson voltar à equipa B, ainda que temporariamente. Seria, creio, um retrocesso para um dos expoentes da geração de 99. E por falar na geração de 99…
David Tavares – O médio lisboeta – formado entre Tojal, Loures, Alcochete e Seixal – impressiona (que o diga o Liverpool FC) pela estatura elevada (1,90m), pelo físico possante (83kg), pela entrega, pela resistência – física e mental – pela recuperação de bola, pela capacidade de pressão sobre os adversários e pela grande qualidade técnica. É um motor de meio-campo, encaixando muito bem no papel de box-to-box, sendo capaz de executar com qualidade, muitas vezes por jogo, os três gestos técnicos que se pede a quem desempenha tal papel: recuperação de bola, transporte e passe.
Rui Vitória queria vê-lo na pré-temporada passada. Desejo negado por uma rotura do ligamento cruzado do joelho esquerdo que lhe roubou grande parte da época. No entanto, voltou a jogar pela equipa B (sete jogos) e pela equipa de sub-23 (dois jogos) na recta final da época, mostrando estar apto a ser chamado por Bruno Lage (e acredito que o vai ser, seja com que intuito for). Este ano, o azar de um colega pode ser a sua sorte.
Contudo, tenho dúvidas que David Tavares seja visto como substituto de Gedson. Apesar das muitas similitudes, há diferenças – como o físico de Tavares e a polivalência de Gedson – que os tornam compatíveis e não concorrentes directos um do outro. David deverá subir para ser alternativa a Gabriel, enquanto Gedson, quando regressado, será opção, sobretudo, para substituir Pizzi. De resto, a subida de Tavares já estava planeada antes da lesão do colega.
Não obstante, a melhor solução, para mim, está mesmo na geração de 99.
Nuno Santos – É, dos jogadores à porta da equipa principal, o mais parecido com Gedson Fernandes. Atua como médio interior direito ou esquerdo ou até nas alas, em particular a direita. Pisa, sensivelmente, os mesmos terrenos do colega de formação e de selecção (onde, no Mundial de Sub-20, atuaram em simultâneo frente à África do Sul, fazendo meio-campo a três com Florentino). 
Comparativamente com Gedson, Nuno Santos apresenta uma maior qualidade técnica, mas uma menor capacidade física. De resto, são bastante similares: são polivalentes, leem bem o jogo, demonstram conhecimento táctico, são destros, podendo cair em qualquer zona do meio-campo, são fortes no transporte (por serem dotados no respeitante ao controlo de bola), pressionam alto e bem, recuperam bolas com alguma facilidade, têm qualidade de passe, decidem bem no último terço e apresentam uma meia distância razoável.
Nuno Santos, a meu ver, precisa de ser mais constante – em termos de exibições -, acreditando eu que, treinando e jogando com jogadores de um calibre superior ao daqueles com quem partilha balneário na equipa B, esse desígnio será alcançado. Sob pena de ver o seu crescimento travado, o portuense precisa de dar o salto, até porque pouco mais tem a fazer nas equipas secundárias das águias: na época que agora finda, Nuno Santos fez 41 jogos (32 na equipa B, 2 nos sub-23 e 7 nos juniores) e apontou 13 golos (8 na equipa B e 5 nos juniores).
Pela semelhança futebolística com Gedson, pela necessidade de crescer e aparecer a espaços (o que acontecerá, pois não vai ser titular), pela qualidade e vontade que tem mostrado – ainda que de forma algo intermitente – e por ser “prata da casa”, Nuno Santos parece-me ser o melhor candidato à vaga de Gedson Fernandes. No entanto, claro, a decisão final será de Bruno Lage."


PS: Não destacar o Dantas, só pode ter sido um descuido...!!!

O “estranho” DNA e o verdadeiro DNA

"Para começarmos a falar dos Jogos Europeus de Minsk, comecemos por falar das performances portuguesas. Portugal foi até às meias-finais dos Jogos, tendo ficado a apenas dois segundos do apuramento para a final. É verdade que as grandes potências não trouxeram os seus “atletas de gala” (a Grã-Bretanha nem quis marcar presença…), mas ainda assim foi um importante resultado para Portugal, que não se apresentava tão bem cotado nas previsões de entrada para esta competição.
A nível individual, Carlos Nascimento voltou a mostrar estar numa boa forma nos 100 metros, muito consistente na casa dos 10.2, correndo no último dia em 10.26, igualando o seu melhor da temporada. Antes (sim, este formato é mesmo assim…) tinha um alcançado uma medalha de Ouro com menos (10.35).
Se falamos de consistência, devemos também falar de Evelise Veiga no Comprimento, sempre na casa dos 6.4/6.5 metros (igualou o melhor da temporada com 6.58) e quando um(a) atleta está nesta forma, já se sabe que não será de admirar que chegue o dia inspirado que salte 6.7 ou 6.8 e é isso que ela busca, à procura dos mínimos de qualificação para Doha (já lá está, mas no Triplo). 
Individualmente há também a destacar a muito agradável surpresa de Cláudia Ferreira no Dardo, que chegou aos 52.34 metros, um novo máximo pessoal para a atleta de apenas 20 anos que já é a 4ª melhor da história nacional. Nas provas de estafetas mistas, Portugal também teve boas prestações, sendo de destacar a medalha de Bronze alcançada pela equipa de 4×400, composta por Rivinilda Mentai, João Coelho, Cátia Azevedo e Ricardo dos Santos.
Já no que diz respeito ao modelo da competição, nos permitam aqueles que tais responsabilidades decisórias têm, mas este não é o futuro do Atletismo e concordamos com alguns atletas, como Carlos Nascimento, que disse que é um modelo “estranho”.
O modelo competitivo DNA até pode trazer alguma emoção – tal como trazem corridas com sacos nas escolas – mas não é um modelo que faça justiça ao que o Atletismo deve ser: mais rápido, mais alto, mais forte. A excessiva pressão deste modelo competitivo e o facto dos atletas nem sequer terem tempo para se apresentarem no máximo do que podem alcançar não permite a existência de grandes marcas, pois – e nos concursos a situação ainda é pior – os atletas sabem que têm apenas uma única oportunidade e aquela fracção de segundos decide tudo, sem terem sequer qualquer possibilidade de se ambientar ao cenário que encontram, preferindo jogar pelo seguro e garantir os “mínimos” do que tentarem-se aventurar.
De salientar ainda outras aberrações, como o modelo escolhido para o Salto em Altura, que tornou o concurso penoso, lento e constantemente interrompido, havendo várias situações em que se coroou não o melhor, mas sim o que menos corajoso foi. Desculpem, mas isto não é o que se pretende do desporto.
Percebe-se que o Atletismo procure novas ideias, novas formas de atrair os mais novos. Não creio que a solução passe por este DNA – um trocadilho entre o nome oficial “Dinamic New Athletics” e o termo científico que em português se denomina ADN. Mais do que mudar o Atletismo, urge mudar as formas de divulgação do Atletismo e como este se apresenta (onde estão os gráficos estatísticos, os multicanais simultâneos na televisão, a integração com as escolas?). Não há qualquer mal em existirem desportos com mais fãs do que o Atletismo.
Sempre assim foi e, provavelmente, assim será e não há muito tempo ouvimos Coe congratular-se por sermos o desporto que é o mais escolhido no mundo como o “2º favorito”. E isso é, de facto, positivo e pode ser bem utilizado, não se transformando numa obsessão para se ser mais a qualquer custo. Acharmos que o desporto está errado só porque os nossos vizinhos conversam no café sobre o Messi e o Ronaldo e não sobre a Elaine Thompson é perigoso e, isso sim, pode destruir o desporto. Nada contra experimentalismos, nada contra tentarmos coisas novas, mas atenção aos palcos em que fazemos esses experimentalismos e muita, muita atenção às tentativas de impor mudanças só por serem mudanças, roubando a identidade, o verdadeiro DNA do Atletismo.
O que se viu em Minsk foi “engraçado”, mas ninguém vê horas e horas do seu desporto favorito por ser “engraçado”. Não permitam que a chama do Atletismo se apague.

O DNA do Atletismo
O verdadeiro DNA do Atletismo esteve presente no passado fim-de-semana um pouco por todo o mundo. Esteve presente em França onde, em Talence, Nafi Thiam fez uma prestação do outro mundo até à 5ª prova e em que apenas uma lesão (correu os 800 metros com o braço ligado) impediu que batesse o seu recorde pessoal. Ainda assim, os 6819 pontos são a melhor marca mundial do ano e deixam-nos a pensar que os britânicos talvez tenham exagerado um pouco na suposta rivalidade entre Katarina Johnson-Thompson e Nafi Thiam para este ano.
Na Jamaica também se assistiu a uns muito interessantes Campeonatos Nacionais. É um atletismo diferente, o jamaicano sem Usain Bolt. Claro que o interesse dos jamaicanos e do mundo abrandou um pouco em relação a esses campeonatos, mas boas marcas, surpresas e polémica não faltaram por Kingston.
O grande destaque foi a velocidade feminina, a melhor prova do ano nos 100 metros (uma das melhores dos últimos anos), com Elaine Thompson a vencer em 10.73, a mesma marca que Shelly-Ann Fraser-Pryce fez, com Briana Williams a chegar em 3º com 10.94 segundos. Elaine, que é a campeã olímpica, regressa ao seu melhor e próxima do seu melhor de sempre, assim como Fraser-Pryce, depois de ter estado 1 ano e meio parada devido à gravidez do seu primeiro filho. Fraser-Pryce alcançou mesmo a sua melhor marca desde 2013!
Williams, de apenas 17 anos, bateu o recorde mundial juvenil e o recorde júnior jamaicano. Nos 200, Elaine correu a marca líder mundial do ano em 22.00 e Fraser-Pryce correu em 22.22, apurando-se ambas para Doha. Nesta prova não deverão ter a companhia de Briana Williams, uma vez que a jovem não participou nos 200, alegando estar doente e ter corrido os 100 metros com forte febre.
Foi pedida uma excepção médica, mas dificilmente a federação médica irá chamar a jovem para compor a equipa, uma vez que outras atletas correram nos Trials com marca de qualificação. Nos homens, o destaque foi para a vitória de Yohann Blake nos 100 metros (9.96), tendo também conseguido qualificação para os Mundiais nos 200 metros onde foi 2º (20.27).
Polémica foi a prova dos 100 metros barreiras femininos, com a grande favorita e ex-campeã mundial, Danielle Williams a fazer uma clara falsa partida e a recusar-se a sair da pista por cerca de 20 minutos. Depois foi dado um tiro de partida, houve atletas a fazer a prova completa, outros aperceberam-se que os atletas haviam sido chamados para recomeçar a prova e…a organização decidiu-se pela anulação da prova! Agora, usarão um critério interno para definir quem vai a Doha. Incrível!

Eugene que é Stanford
O meeting Prefontaine Classic continua com a designação de meeting de Eugene, apesar deste ano ser em…Stanford, que dista a 900km de Eugene! O mítico Hayward Field está a ser remodelado para receber os Mundiais de 2021 e por isso este ano não receberá a etapa norte-americana da Liga Diamante.
O elenco, esse é, como habitual, de luxo. Até é difícil de identificar os principais atractivos de um meeting que todo ele parece um mini-Mundial, mas certamente que o regresso às pistas de Faith Kipyegon (nos 1.500, onde é campeã olímpica e mundial) e Almaz Ayana (nos 3.000 – ela que é a campeã olímpica, mundial e recordista mundial dos 10.000) estão entre eles. Apesar das atletas estarem a regressar de longos períodos de ausência, a organização não as irá poupar.
Kipyegon até estará numa prova que não é evento Diamond League, mas não parece nada, com a presença de Laura Muir ou Shelby Houlihan. Já Ayana enfrentará, nos 3.000, Genzebe Dibaba (a campeã mundial indoor da distância), Sifan Hassan (medalhada de prata mundial indoor nesta distância) e Hellen Obiri (a campeã mundial dos 5.000)! Nos 800 existe também o atractivo de vermos o regresso de Caster Semenya, depois de um tribunal suíço ter suspenso (pelo menos, temporariamente) a nova regulação da IAAF.
Também no masculino, a meia e longa distância apresentam os melhores do mundo. Fazendo uso das distâncias norte-americanas, teremos uma prova de 1 Milha e uma de 2 Milhas. Na Milha, o campeão olímpico dos 1.500, Matthew Centrowitz regressa, mas terá que bater nomes como Yomif Kejelcha, Elijah Manangoi, Timothy Cheruiyot, Samuel Tefera ou Jakob Ingebrigtsen (ufff!). Já no dobro da distância, Selemon Barega, Hagos Gebrhiwet, Joshua Cheptegei, Jacob Kiplimo e Paul Chelimo dominarão as atenções.
Nas distâncias mais curtas, teremos uma prova de 100 metros, no feminino, com 9 atletas com melhores pessoais abaixo dos 11 segundos, incluindo Sha’Carri Richardson (a sensação norte-americana de 19 anos que correu em 10.75 há duas semanas, que se estreia aqui como profissional), Shelly-Ann Fraser-Pryce ou a campeã mundial Tori Bowie. No masculino, os norte-americanos dominam todas as atenções com os dois primeiros classificados dos Mundiais de Londres, Justin Gatlin e Christian Coleman a serem os destaques. Nos 200 há uma prova feminina que terá Elaine Thompson, Dina Asher-Smith, Dafne Schippers e…Salwa Eid Naser (sim, nos 200!) e os 400 masculinos terão um interessante embate entre Michael Norman e Fred Kerley. Com barreiras, a luta será entre Rai Benjamin e Kyron McMaster nos 400 e entre Omar McLeod e Sergey Shubenkov na distância mais curta.
Destacar ainda nos concursos o Salto em Altura no feminino que terá Mariya Lasitskene à procura de algo mais (e algo mais para ela é…o recorde mundial) depois de já ter passado os 2.06 metros este ano. Enfrentará Yuliya Levchenko ou Vashti Cunningham, mas isso não deverá ser problema para a russa. Por último, é incontornável falarmos do Salto com Vara masculino, que terá a presença de Mondo Duplantis, Sam Kendricks, Renaud Lavillenie (de regresso, sim!), Thiago Braz da Silva e Piotr Lisek!
O meeting será já neste domingo, com início às 21 horas e transmissão em direto para Portugal na SportTv 2. "

Benfica está rico!

"Garantiu €200 milhões! (comissões já abatidas). Logo, pode comprar bem... FC Porto e Sporting: como vai a carruagem de perspectivas...

Mais de 2 meses até que os plantéis fiquem, enfim!, definidos. Porém, a temporada oficial do nosso futebol arrancará 3 semanas antes - e há pré-eliminatórias na Champions (FC Porto) e na Liga Europa (V. Guimarães e SC Braga). Férias, agora, é o que não têm dirigentes e empresários. Mesmo para treinadores e vários futebolistas, ainda que na praia, os telemóveis não param... Alvoroço na preparação (exigente e... crucial) da próxima época. Realidades e sonhos: tempo de esboçar perspectivas (podem mudar pouco depois deste texto estar escrito...).

Benfica. Está rico! (à escala lusitana). Fabulosa transferência do miúdo João Félix: €120 milhões!!! (a receber em quantas parcelas/quanto tempo?). Mais os 38 milhões vindos do Wolverhampton, por Jiménez, os 19, do Guangzhou, por Talisca, e os 12 do Frankfurt, por Jovic se mudar para o Real Madrid. Abata-se comissões; ainda assim, e com exagero nelas!, o encaixe atinge, pelo menos, 150 milhões! Mais entrada directa na Champions: garantia de 40/50 milhões, com mínimo (na época anterior, a carreira do FC Porto valeu 80 milhões!).
Portanto, receitas extraordinárias do Benfica já estão nos 200 milhões! E pode não ficar por aqui... se Carrillo sair definitivamente (10/15 milhões?) e/ou se algum clube se interessar a sério pelo talento (competitivamente adiado) de Zivkovic, por exemplo. Previsto adeus a Fejsa não terá significativa contrapartida financeira.
Benfica campeão e, de súbita, rico! Tem, pois, condições, muito superiores às habituais, para segurar continuidade de Rúben Dias, Grimaldo, Rafa, Pizzi, Ferro, Florentino... - e a de Cervi, se sobre ele não tiver dúvidas...
Claro que necessita de reforços: 2, ou 3, pontas de lança a sério (adeus a João Félix e, quase de certeza, a Jonas...); quiça defesas laterais (parece evidente!; mas Vieira garantiu que não!) e um defesa central. E tanto se tem falado de o Benfica querer outro guarda-redes...
Salvio decidiu deixar saudades da sua classe, tão fustigada por lesões - e não faço nem leve ideia do extremo já contratado, vindo do Al Ain: Caio Lucas. Sobre outro extremo (a confirmar), o menino Pedro Neto, internacional esperança (há 2 anos, saiu do SC Braga para a Lazio, dizem que por 17 milhões!), tenho ideia de possuir bom potencial.
Por muto forte investimento que faça, não creio que  Benfica despenda sequer metade dos tais 120 milhões que já garantiu encaixar. Se, para além de forte, o investimento será bom, isso só o tempo dirá (há um ano, de 9 aquisições, apenas 2 se impuseram: Odysseas e Gabriel).

FC Porto. Saídas de Mlitão e de Felipe valeram entrada de €70 milhões (50+20). E a conta bancária portista já inchara com os 80 milhões conquistados na Champions. Portanto, mau grado mais um ano sob alçada financeira da UEFA, dinheiro disponível não é escasso. Problemão está nisto: para além do adeus à, quanto a mim, melhor dupla de defesas centrais em Portugal, também deixará de haver Casillas; tal como, ao que tudo indica, a enorme capacidade competitiva de Herrera (em todas as posições do meio campo!) e o invulgar talento de Brahimi. Meia equipa titular! Nada tendo da improvável a perda de outra chave-mestra no possante futebol à Sérgio Conceição: Marega, desde há um ano híper desejoso de rumar a Inglaterra. Aquisições? Até ver, apenas Saraiva, defesa direito argentino (duro falhanço em última hora: Bruma, avançado no qual vejo pujante talento). Regressam o médio Sérgio Oliveira (Herrera...), o extremo Galeno (Brahimi...) e o central Osorio - este para discutir com os jovens (muito prometedores) Diogo Leite e Diogo Queirós a importantíssima dupla com Pepe; e regresso de Marcano estará na calha? Continua a não se vislumbrar alternativa ao precioso Alex Telles.... Gritante: SOS por guarda-redes!

Sporting. Crucial: quantos milhões pela, tão dolorosa quanto inevitável/necessária, perda do líder Bruno Fernandes? Emprestado Gudelj (foi importante) também parte - mas Battaglia deverá recuperar de grave lesão e Doumbia deu indicações de mais-valia. Aquisições feitas: defesa direito (Rosier), experiente defesa central (Luís Neto), avançado (Vietto). Decerto regressará outro avançado, a grande promessa Gelson Dala. Por definir: Acuña e Bas Dost ficam? Resposta importantíssima..."

Santos Neves, in A Bola

PS: Elucidativa, a forma como o somatório da vendas do Benfica, é 'reduzido' devido a comissões e supostas prestações... e quando o mesmo exercício é feito sobre as vendas dos Corruptos, já não existem comissões, prestações e nem sequer percentagens de passes...!!!
O mais extraordinário, é que isto é feito por todos os órgãos de comunicação social desportivos deste país...!!!

Milhões de vantagens

"A grande novela do defeso teve ontem um novo, e importantíssimo episódio, com o Benfica a assumir que tem em mãos a proposta que queria por João Félix. Desde que o jovem tinha estado em Madrid, toda a gente sabia que este momento iria chegar, mas poucos sabiam quando e como. Pois bem, foi ontem, sob a forma de 6 milhões extra para suportar os custos que permitirão aos encarnados receber os 120 milhões a pronto. Visto sob que perspectiva for, é um negócio incrível do Benfica. Mas, como escreveu anteontem Pedro Adão e Silva nas páginas deste jornal, "com muito dinheiro, vêm também grandes responsabilidades". O Benfica, já por si o clube que mais receitas ordinárias gera em Portugal, é o único que tem os milhões da Champions garantidos e conseguiu mais uma receita extraordinária elevadíssima. Por isso, as águias partem para 2019/20 com uma enorme vantagem sobre a concorrência interna. A tolerância para falhar é cada vez menor.
Não muito longe da Luz, em Alvalade, o Sporting começa hoje a trabalhar. Marcel Keizer fez questão de nos lembrar a todos que é holandês: muito prático e directo. O normal, num treinador que chega para a nova época, é prometer tudo para dar aos adeptos aquilo que eles querem. Mas Keizer preferiu dar-lhes a realidade. Título? Vamos ver o que diz o mercado. E Bruno Fernandes? Sim, por favor."

João Félix e Bruno Fernandes

"A indústria do futebol tem por principal característica, que, aliás, a distingue de outras indústrias, a ausência de critérios claros e objectivos, a falência do rigor empresarial, a natureza volátil dos seus valores.
Vejamos o que se passa com a curiosa questão das transferências dos jogadores portugueses. Basta-nos dois exemplos: João Félix e Bruno Fernandes. São, ambos, excelentes futebolistas, mas é difícil entender que, no ranking das cotações internacionais, João Félix valha menos de metade de Bruno Fernandes. Porque será?
Pela diferença de idades - dirão alguns. Bom, mas ter 19 anos e ser um fora de série é, de facto, um forte argumento, que poderia, aliás, justificar os 120 milhões que o Atlético Madrid irá pagar. Porém, João Félix é uma extraordinária promessa de fora de série, espera-se que venha a ser uma das mais brilhantes estrelas do firmamento futebolístico, mas é - que me perdoem a franqueza - uma estrela em crescimento, um projecto de fora de série, uma assinalável proposta de excelência. Ora, Bruno Fernandes é mais do que isso, porque já provou ser mais do que isso. É, ainda, um jovem, mas tem uma maturidade própria da sua firmeza de líder. Tem mais cinco anos do que João Félix, mas ainda tem tempo para se valorizar mais.
Mas João é avançado e isso conta muito - sustentarão, também, alguns. Sim, mas Bruno foi um jogador que, durante uma época, levou o Sporting às costas e ainda conseguiu ser um dos goleadores do campeonato.
Que resta? Um é do Benfica e outro é do Sporting. Um tem o carimbo de Jorge Mendes e o outro não. Um foi pela cláusula e o outro irá... por leilão."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Se tivéssemos critérios rigorosos para medir a Azia, a do Serpa, estaria a bater no céu!!!!

O quarto maior negócio do futebol mundial e o futuro do Benfica

"O Benfica anunciou ontem que recebeu uma proposta de 126.000.000€ pelos direitos desportivos de João Félix. É explicado que a proposta do Atlético Madrid é feita em prestações e que o Benfica e/ou o Atlético se juntaram a um grupo financeiro para adiantar 120.000.000€ ao Benfica, sendo que depois esse grupo receberia 126.000.000€ do Atlético. Desta maneira, no dia que o Benfica aceitar a proposta, vão entrar 120.000.000€ na conta bancária do clube. Desse valor ainda devem sair 10-12M para Jorge Mendes e o valor do mecanismo de solidariedade da FIFA. Mas continua a ser um negócio abismal. É o quarto maior negócio do futebol mundial. É uma proposta completamente irrecusável. Agora interessa é o futuro do Benfica.
1. O Único Erro Neste Processo Todo. As negociações pelo Félix não começaram ontem à noite. Estão nos jornais há semanas e estão a ser faladas seriamente há ainda mais tempo. O Benfica já tinha buracos no plantel por resolver e agora tem mais um. O único erro no meio disto tudo foi deixar que esses buracos se arrastassem até agora. A partir deste momento, todos os jogadores que formos contratar vão ter um premium. Vamos ter que pagar mais pelo mesmo jogador porque os vendedores sabem que nós temos dinheiro e vão explorar isso nas negociações. Não se percebe porque é que estão a demorar tanto tempo. É que nem podem alegar que não tinham dinheiro porque já fizeram 65M em vendas neste verão antes de João Félix.
2. Está Tudo Por Fazer. Os maiores buracos que eram precisos fechar neste mercado era a questão do Guarda-redes para competir com Vlachodimos, um avançado para o plantel principal e outro avançado para a formação. Entretanto vamos vender João Félix e Jonas parece que se vai reformar. Faltam 3/4 avançados ao Benfica e 1 guarda-redes. Estes 120M têm que servir para resolver esses buracos. Não no Seixal soluções para essas posições. Quando o Sporting vendeu Slimani, bateu imediatamente o valor da sua maior transferência e contratou o Bas Dost. Nós não podemos andar a brincar aos Castillos e aos Ferreyras. Temos dinheiro. É para ir buscar um jogador que comece a marcar golos logo na Supertaça.
3. O Futebol Português Vai Mudar. Depois disto, o futebol português tem agora uma oportunidade para ser visto como um viveiro de talentos. O mundo já sabia que havia talento por cá. Mas agora o patamar subiu. Por consequência, as audiências vão aumentar e muito provavelmente o valor das transferência deve aumentar um pouco também. Para nós e para os nossos adversários. Quem também vai mudar é a atenção no Seixal. Já era grande, mas agora vai ser muito maior. Preparem-se para ter olheiros em todos os jogos da formação. Por outro lado, os incentivos para os miúdos quererem vir para cá também aumentaram. Há que saber aproveitar bem isso. O João Félix passou de dispensado do Porto a 4º maior transferência do mundo em 4 anos.
4. A Estratégia Não Pode Mudar. O Benfica não pode utilizar este dinheiro para abater o passivo. Já aqui expliquei que o passivo relevante é muito menos que aquele que temos actualmente. Podemos reservar uma parte do dinheiro para que no próximo empréstimo obrigacionista que vencer, não tenhamos que fazer um roll-over tão grande, mas essa não deve ser a prioridade agora. A situação financeira está controlada. O importante é manter a estratégia oleada. Apostar em jogadores da formação, aumentar-lhes os contratos para que não saiam, garantir que formamos os melhores jogadores de Portugal e da Europa, e nas situações que o Seixal não garantir talento, ir ao mercado. Acho que devemos também mudar a approach em certas transferências. Todos já ouvimos José Boto a dizer que tinha descoberto Hazard e Dembelé há vários anos mas que eram muito caros. A partir de agora já não podem ser muito caros. Se o Benfica descobrir um jogador de 17-18 anos que ache que vai ser uma estrela mundial no futuro e custa 10M, o Benfica tem de o contratar.
É uma grande venda. Luís Filipe Vieira está de parabéns mais uma vez. Mas ainda só fez metade do trabalho. O importante é ver como é que vai utilizar toda esta liquidez que tem neste momento. São 120M de João Félix, 38M de Jimenez, 22M de Jovic, uns trocos por Lisandro López, André Gomes e Salvio, e ainda deve vender Carrillo. É importante utilizar este dinheiro para segurar os “Joões Félix” que estão no Seixal, garantir que outros “Joões Félix” continuam a entrar e ir buscar os melhores reforços que o Benfica já tenham contratado na sua história. Só está metade do trabalho feito."

Imprescindíveis...!!!

"É facto comprovado que não há jogadores imprescindíveis no Sport Lisboa e Benfica. Só houve um que quase atingiu tal desiderato e como tal, tem uma estátua à frente da Catedral. Existiram contudo jogadores, que na despedida me deixaram com a voz descarrilada, como acredito, à maioria dos Benfiquistas. A traição interna que nos chutou os ídolos de juventude Isaías e Paneira porta fora ou o ignóbil e injusto pontapé no cú do Menino de Ouro JVP, tiveram em mim o amargo sentimento de ver do limite do pontão, um filho partir embarcado para a guerra, que nem a euforia de ver Paulo Pereira e Derley escorraçados do Maior do Mundo conseguiu mitigar.
Seria de esperar que a transferência de João Félix me deixasse, ora triste pela perda de um talento ora em folia pelo valor da transacção. Mas na verdade este negócio apenas me provoca depressão e aguda, tanta que de há uma semana a esta parte que tento escrever sobre ela e não consigo. Tento, à força toda entrar em vagões de infelicidade ou em carruagens de festa e não consigo. Deprime-me saber que o Benfica não tem capacidade para segurar um jogador em primeiro ano de sénior, com 5 meses a titular, 74 minutos de Liga dos Campeões e cláusula de rescisão de 120 milhões.
Que bem se entenda, já nem quero saber se o jogador fará falta na próxima temporada. O que realmente importa aqui é que desde ontem ficamos condenados a ser um clube periférico na Europa. Não há como segurar talento. Qualquer magarefe que dê dois pontapés na bola bem medidos, evapora-se das nossas vistas em meio ano, deixando camisola vaga para um outro aprendiz ou já sénior menos dotado. E que se desenganem os mais incautos: o dinheiro pode jorrar das pias do futebol europeu em direcção ao Estádio da Luz, que isso pouca influência terá nos nossos plantéis que se pretendem de olhos postos na Europa. Os que aceitam vir para Portugal, são os que contratamos agora por 5 ou 10 milhões. Os que estariam ao alcance com grandes entradas de dinheiro, afastam-se pelo baixo nível do campeonato que ninguém parece interessado em valorizar. 
Há 10 anos, ganhar campeonatos em Portugal era o principal objectivo. Entretanto com uma hegemonia que parece claramente ganha (são 10 anos sem sair dos 2 lugares do topo da classificação), seria tempo de dar o salto qualitativo além fronteiras. Futurologia é sempre um risco, mas não o vamos dar. Quando Rúben estiver em ponto rebuçado vai embora, quando Ferro for o patrão defensivo sai, quando Florentino for Florentino alguém o compra, quando Jota se afirmar vai de viola. João Félix explica: "não há cláusulas algumas que os segurem por cá"."

A ilusão Félix

"Como ponto prévio, muito por causa daqueles que veem teorias da conspiração em todo o lado e fazem da mania da perseguição o seu argumento primeiro, devo dizer que considero João Félix um bom jogador que pode aspirar a ser um grande jogador se continuar a evoluir da forma como o tem feito até aqui.
Dito isto importa referir que após meia época de sucesso, num campeonato em que há goleadas de 10-0 e jogando num clube em que tudo é menos difícil do que noutros do mesmo patamar (porque daí para baixo estamos conversados...), é um brutal exagero o endeusamento que se está a fazer em volta de um jovem jogador que o que mais precisa nesta fase da sua carreira é tranquilidade para se concentrar na sua profissão.
Não me vou referir sequer aos valores da sua propalada, mas ainda não confirmada, transferência para um clube espanhol porque há muito que deixei de acreditar na chuva de milhões que anda em volta do futebol, e de alguns dos seus clubes e jogadores, porque essas verbas envolvem sempre aspectos muito mal explicados e dos quais nunca se consegue apurar a verdadeira realidade dos factos.
Direi apenas que o jovem João Félix, um talento natural que ainda precisa de evoluir muito para chegar ao patamar dos grandes jogadores europeus, pago por metade dessa verba de cento e vinte milhões já era muito bem pago e, ainda assim, esse pagamento significaria um sinal de visível optimismo por parte do comprador.
Ponto!
Mas, mais do que às verbas do negócio, refiro-me ao carnaval mediático montado em torno do jogador pelos jornais desportivos de Lisboa e por um diário que faz do sensacionalismo profissão, com sucessivas primeiras páginas com o jogador e dando livre curso a uma imaginação “jornalística” que parece sem limites.
Até o preço que pagou num almoço, para que convidou alguns amigos, foi notícia de primeira página, imagine-se.
Já para nem falar daquele pitoresco e despropositado episódio de ser nomeado “embaixador” da terra onde nasceu, com direito a recepção na câmara municipal e tudo como se tivesse algum feito relevante no seu ainda curtíssimo currículo.
A História do nosso futebol, e destes órgãos de comunicação social, já agora, está cheia de exageros deste género em volta de jogadores que, por demonstrarem algum talento e alguma capacidade nos seus primeiros passos na primeira equipa de dois ou três clubes, se tornam desde logo nos novos “Eusébios” ou novos “Figos” ou “Futres” ou coisa do género porque se mistura uma ânsia em torno do sensacionalismo que vende com paixões clubísticas que muito não conseguem deixar à porta das redacções.
Quem não se lembra de Dani? Ou de Freire? Ou de Hugo Leal? Ou de Cavungi?
Para citar apenas alguns dos muitos a quem foram vaticinados futuros extraordinários, mas que nunca passaram de carreiras medianas ou nem sequer isso.
E se alguns dos leitores, até por questões de idade, não recordam os nomes citados, darei um exemplo muito mais recente e que todos terão facilidade em recordar.
Renato Sanches.
Como Félix fez meia época de sucesso no mesmo clube, foi chamado à selecção (aí com excelente prestação no Euro 2016) e protagonizou uma grande, mas prematura transferência para o Bayern de Munique.
Resultado?
Passou os três últimos anos a marcar passo, dividido entre um empréstimo mal sucedido ao Swansea e longas permanências no banco do clube alemão, e está agora ansioso por sair da Alemanha e reatar a sua carreira consciente de que ela já podia estar noutro patamar se as opções tivessem sido mais sensatas e o endeusamento menor.
Receio que João Félix vá pelo mesmo caminho, com esta possível saída para um clube e um campeonato onde as exigências e a competitividade são brutalmente maiores que no “bem bom” da Liga portuguesa, repetindo assim o que foi no seu tempo a triste experiência de João Vieira Pinto no mesmíssimo Atlético de Madrid.
Esperemos que não.
E que Félix consiga ser o grande jogador, que em potência já é e de que o futebol nacional tanto necessita agora que na ainda algo distante linha do horizonte já se vê ao longe o fim da carreira de Ronaldo, mas que o consiga ser no seu tempo sem precipitações e “folclores” como os que se tem visto na comunicação social e não só.
Acredito que o conseguirá.
Pelo seu valor e apesar destes profissionais da bajulação que apenas o prejudicam."