Últimas indefectivações

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Três pontos

"Heródoto, considerado o pai da história enquanto disciplina, descreveu o povo persa como sendo peculiar nos seus hábitos. Revelou, por exemplo, a forma como as decisões eram tomadas na Pérsia. Conta o grego que os persas se reuniam e discutiam os problemas enquanto bebiam. Quando estavam bêbados, tomavam decisões. Se, no dia seguinte, a decisão continuasse a parecer fazer sentido, era considerada tomada. É assim que imagino a definição de comunicação do Sporting.
Jorge Sousa passou de excelente árbitro após uma vitória leonina em Alvalade frente ao Benfica, apesar de ter perdoado uma grande penalidade ao Sporting num lance que afastou Luisão quatro meses do relvado. Após a recente derrota na Luz, afinal não está à altura do dérbi. As bolas que foram às mãos de jogadores sportinguistas no embate frente ao Porto da terceira jornada passaram a ser tocadas deliberadamente por benfiquistas no dérbi recente sem que se descortinem diferenças nos lances evocados em ambos os jogos.
E após uma longa discussão sobre cuspo ou vapor de Bruno de Carvalho na cara do presidente do Arouca, cai o Carmo e a Trindade por causa de umas cartolinas arremessadas, alegadamente, a Jorge Jesus. Regresso ao grego e recordo uma das suas afirmações mais conhecidas: 'É sem dúvida mais fácil enganar uma multidão que um só homem'. Ele a mim não me 'engana', já aos sportinguistas espero que continue a 'enganar'. Feitas as contas à sua agressividade dirigida a tudo o que é vermelho, somos tricampeões desde que foi eleito...
Quanto ao jogo, o Sporting jogou aquilo que o Benfica quis que o seu adversário jogasse. A estratégia resultou, parabéns a toda a equipa!"

João Tomaz, in O Benfica

Salgueirização

"Lembram-se de quando António Oliveira, antigo jogador e seleccionador nacional, acusou um canal de televisão português de tentativa de homicídio por meio audiovisual? Sim, todos nos rimos com o exagero e com o disparate e pensámos que absurdo semelhante não voltaria a acontecer. Mas aconteceu. No passado domingo, um dirigente desportivo visivelmente transtornado, e sem qualquer luz ao fundo do túnel, resolveu criar a acusação de ter sido agredido por uma cartolina voadora. Deu-se até ao trabalho de a dobrar umas quantas vezes e colá-la para mostrar aos senhores da comunicação social o perigo de vida que tinha corrido. E depois fugiu para o Facebook para mostrar a sua indignação.
Já que estamos a lembrar outros tempos, vou falar-vos também do histórico Sport Comércio e Salgueiros, um dos mais antigos de Portugal. Lembram-se? Deu grandes jogadores e treinadores ao futebol nacional e, em 2004, foi impedido de inscrever jogadores. Devido a má gestão e perda de património depois de uma liderança desastrosa, teve de mudar de nome em 2008 para Sport Clube Salgueiros 08. Só em 2015 reconquistou o direito em tribunal de voltar a ser o velho Salgueiros. Esta potência do polo aquático tenta agora recuperar de um período negro no que diz respeito ao futebol. Teve de abandonar a modalidade em termos profissionais durante algumas épocas, ficou-se pela formação e disputa agora o Campeonato de Portugal - está em segundo no Grupo C. Era um histórico, com uma massa associativa efusiva que nunca deixou de apoiar o clube e elevar a Alma Salgueirista. Nenhum desses adeptos deve ter imaginado a dimensão da queda, mas aconteceu."

Ricardo Santos, in O Benfica

Na Raça!

"Há várias formas de analisar um jogo de futebol. Podemos fazê-lo à luz das estatísticas (sempre relativas, e condicionadas ao evoluir do resultado), pela eficácia, ou quanto à garra demonstrada pelas equipas.
Aquilo, que verdadeiramente importa são os golos. Mas quando vejo o Benfica jogar com a atitude competitiva que demonstrou no 'dérbi', com a concentração e combatividade que colocou em cada lance com aquele espírito de luta que define os campeões, fico com a certeza de que dificilmente alguém nos conseguirá bater. A vitória começou, pois, a desenhar-se na coragem e bravura dos nossos homens, que correram mais, lutaram mais, e foram mais fortes nos duelos físicos, durante a maior parte do tempo.
Em desvantagem, cabia ao adversário assumir as despesas ofensivas da partida. Muito mal estaria o nosso rival se, a perder por 2-0, não mostrasse qualquer reacção. Mostrou-a, e aí soubemos agarrar com unhas e dentes os preciosos pontos, contando com o acerto da linha defensiva, e com a qualidade de Ederson, sem nunca perder de vista o contra-ataque.
As habituais desculpas de mau perdedor apenas procuram desviar a atenção dos dois desaires consecutivos (externo e interno), daquele que é o mais bem pago treinador da história do futebol português.
Se quiserem falar da arbitragem, que falem dos cartões perdoados a jogadores do Sporting: são os únicos casos em que as opiniões dos especialistas não se dividem, e foram também os únicos bem visíveis em todo o estádio. Como visíveis foram as inqualificáveis provocações do presidente de um clube que merecia alguém com outro nível a dirigi-lo."

Luís Fialho, in A Bola

Nulo

Benfica B 0 - 0 Sporting B


Empate, em jogo equilibrado, mas onde o André Ferreira, com decisivo com algumas grandes defesas... com o Benfica a definir mal no último terço.
7 jogos sem vencer, confirma aquilo que eu tenho dito: estamos a jogar mal, depois de um início bom, a equipa baixou de rendimento... Pode ter sido coincidência, mas a 'quebra' acentuou-se quando começou a Premier League International Cup, e quando alguns jogadores 'baixaram' à UEFA Youth League!

Tudo maluco!

"Por cá, não vemos o futebol a cores; vemos o futebol a três cores. E, no fim, queremos que ela tenha apenas uma. A nossa.

Mais coisa menos coisa, todos contribuímos para este clima de tensão permanente no futebol português e para a visão meio alucinada como observamos e analisamos o jogo e nos deixamos condicionar pelas rivalidades e pela atmosfera de conflituosa competição.
Um dia destes, exigiremos que os jogadores não possam tocar uns nos outros e que todos sejam obrigados a amarrar os braços de preferência atrás das costas, para evitar, do mal ou menos, que tenham, simplesmente, de os cortar.
Também passaremos a querer que o esférico (redondo, lembrem-se!...) não possa, em nenhuma circunstância, raspar sequer nutra qualquer parte do corpo que não seja as pernas ou a cabeça.
Para o tribunal do vídeo, e sobretudo para os especializados comentadores da classe dos doutores e engenheiros, o movimento dos jogadores, a velocidade da bola, os ressaltos, o capricho dos desvios, a escorregadela, nada disso conta, nada disso faz parte do mais bonito jogo do mundo.
O que interessa não é entender o jogo ou a clareza e intenção com que por exemplo se comete uma falta; o que interessa é fintar a ilusão de óptica e dissecar o pormenor, o raspão, ínfimo toque, o milímetro a mais ou a menos, à luz de centenas de repetições de imagens televisivas que apenas servem, na maioria dos casos, para azedar a discussão e confundir ainda mais o estimado ouvinte.
O que interessa não é discutir com serenidade e aceitar a dúvida dos outros como aceitamos a nossa; o que interessa não é ajudar a compreender-se quem deve ser punido por rasteirar, por agarrar, por intencional e claramente jogar a bola com a mão.
O que interessa é fazer ruído com o centímetro em fora de jogo, o último terço do pé dentro da área, o dedo mindinho da mão direita mais para a esquerda ou mais para a direita ou o toque da bola no fio do cabelo ou no pelo da barba.
O que interessa é esmiuçar o detalhe da imagem televisiva (sempre a imagem televisiva, como se ela fosse infalível e desfizesse todas as dúvidas!...), o que interessa, dizia, é esmiuçar o detalhe como se estivéssemos num laboratório a dissecar o organismo de um qualquer pequeno animal.
O jogo já não é para ser apreciado enquanto jogo mas para ser cortado à fatia com as afiadas lâminas da má-língua.
É a realidade, e saibamos aceitá-la: estamos todos a ficar um bocadinho malucos!
Ainda agora, num dos jogos do pomposamente designado Campeonato do Mundo de Clubes, e recorrendo precisamente ao tribunal do vídeo, a tecnologia que tanto se apregoa, como se ela fosse capaz de resolver tudo, levou um árbitro a assinalar, e bem, uma grande penalidade, mas a ignorar, e mal, o fora de jogo que a precedeu.
É incrível, não é?!
A verdade, infelizmente, é que já vamos tarde para nos educarmos, porque este vírus das emoções disfuncionais está no sangue destes latinos incontroláveis que somos nós, tendenciosamente capazes de passar a vida a ver a árvore sem conseguir ver a floresta.
Gostamos de conviver com esta raiva e com esta confrangedora obsessão por acusar os outros, julgar os outros, difamar os outros, condenar os outros, iludir e enganar os outros, como se fossem os outros, só os outros, os culpados dos nossos erros e insucessos.
Não vemos o futebol a cores; vemos o futebol a três cores! E, no fim, queremos que ele tenha apenas uma. A nossa.
Não há paciência!

Não é muito fácil compreender o que se passará com André Carrillo, o jovem avançado peruano que trocou o Sporting pelo Benfica. Um ano sem jogar foi suficiente para lhe sugar todo o talento que se pensava que tinha? A verdade é que ao cabo de seis meses na Luz, não há meio de Carrillo fazer qualquer diferença no futebol do Benfica. Até ao momento, e respeitando a dedicação e o profissionalismo de Carrillo, ganha o prémio de maior flop da Liga, como os italianos tanto gostam de chamar aos reforços que... não reforçam!

Gonçalo Guedes vai ser ainda melhor jogador do que é; ganhará dimensão, controlo e domínio do jogo. Mas espero que a maturidade não lhe tire o lado imprevisível e espontâneo. Ele é, de momento, essencial no jogo das águias. Sempre que sai, a equipa afunda-se; sempre que entra, a equipa cresce! Em Istambul, quando Vitória o tirou do jogo, o Benfica sofreu 2 golos e cedeu o empate; com o Nápoles, mais 2 golos, e perdeu; com o Sporting, sofreu um golo e abanou.
Apenas coincidência?

Não se vê nenhum outro guarda-redes na Europa capaz de colocar a bola (ao pé ou à mão) como o benfiquista Ederson; e também não se vê na Europa guarda-redes em melhor forma do que Rui Patrício, recentemente designados 2.º melhor guarda-redes de 2016 - e devia ter sido o primeiro -, atrás do italiano Buffon. Ederson e Patrício são dois ilustres craques da nossa Liga e isso ficou bem claro no último derby.
Afinal, ainda temos algumas coisas boas!

PS: Alguém tinha dúvidas de que CR7 ganharia a 4.ª Bola de Ouro? E alguém tem dúvidas de que vá ganhar o prémio da FIFA para melhor do mundo? Ronaldo merece tudo isso e muito mais!
(...)"

João Bonzinho, in A Bola

PS1: Inacreditável como até agora nenhum jornaleiro tenha tido a coragem de denunciar a 'fraude' dos votos em Rui Patrício na Bola de Ouro, do France Football 2016.
Dos 6 pontos que ele conseguiu, 5 foram atribuídos por um jornalista em representação de Cabo Verde (avençado, que na sua página de Facebook pessoal, não esconder o seu sportinguismo); e 1 ponto foi atribuído por outro jornalista Macaense!!!!
Onde está o reconhecimento internacional?!!!!

PS2: Em relação ao video-árbitro no Campeonato do Mundo de Clubes, é óbvio que ainda estamos numa fase experimental, e portanto é o momento para cometer erros e desenvolver protocolos para no futuro, errar menos!!!
Mas realmente, a forma como os erros foram cometidos, até parece que estão a tentar sabotar o vídeo-árbitro, à nascença!!!

Carrillo: quando talento não chega

"Carrillo não é caso único. Como o peruano já houve muitos e muitos continuarão a aparecer. Os que nasceram com tudo para entrarem na galeria dos grandes mas que por uma ou outra razão - ou muitas juntas, se quisermos - não chegam sequer lá perto. O extremo do Benfica ainda vai a tempo (não convém, ainda assim, demorar muito, porque já tem 25 anos...), mas a verdade é que tem sido incapaz de mostrar de forma consistente as qualidades que muitos lhe apontam - e por isso viram nele um craque, estatuto que Carrillo ainda não fez por merecer.
Tem talento? Claro que sim. É unânime. Tem o que é preciso para singrar num clube grande? Aí começam as minhas dúvidas. Porque à excepção de alguns jogos de grande nível no Sporting - em especial no período em que estava para renovar e que culminou no Benfica a ir buscá-lo a Alvalade -, nunca o peruano se conseguiu assumir como um jogador realmente regular. E se nesta nova experiência na Luz teve, durante algum tempo, a desculpa de ter estado mais de meio ano parado, os meses vão passando e Carrillo continua a mandar para as nuvens as oportunidades que Rui Vitória lhe vai concedendo. No Restelo foi só mais uma: substituído ao intervalo depois de 45 minutos para esquecer frente ao Real Massamá... E com tantas opções para os flancos - Rafa, Salvio, Cervi e Zivkovic estão, percebe-se, muito à frente -, é natural que as aparições no onze comecem a escassear.
Não se trata (ou pelo menos não é disso que quero falar hoje) de a aposta do Benfica ter sido acertada ou não. O clube da Luz viu nele (suponho) aquilo que milhões de outros viram. A questão é saber se Carrillo pode ser o jogador que prometeu ser - ou se quer sê-lo. Porque, como em tudo na vida, há quem queira e não possa e há quem possa e não queira..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Lanças... à volta da azia dos outros!!!

Aquecimento... semana preenchida!

Benfiquismo (CCCIXX)

Isto é um Álbum musical...
do Benfica!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Ninguém os pára a perder

"Todos os dias, antes de se preocuparem com eles, só pensam no Benfica.

O mundo (para os dois...) não chega

Em 1999, ... 007 reapareceu, com 'The worls is not enough'. Apesar da violência crescente, de filme para filme, continuo a gostar do espião com ordem para matar. Uma aventura que me veio à memória por a história se parecer com o que se passa com um determinado clube. Onde coabitam (ou melhor, se toleram... até um dia...) dois egos do tamanho do mundo!
Tal como o 'vilão' no filme do 007 - que acaba como terminam todos os maus da fita - para eles, para os dois, para a ideia que fazem de si... o mundo não chega! Um presidente e um treinador com egos do tamanho do mundo...


Denominador comum: um ódio imenso ao Benfica
Um dia - talvez mais depressa do que possamos imaginar  eles estarão um contra o outro. Aí, zangar-se-ão as comadres e saber-se-ão as verdades!
Até lá... têm - os dois - um denominador comum. Não suportam a ideia de alguém que lhes possa ser superior. Superior e ganhar! O que nem sempre é a mesma coisa! Como, aqui, por acaso, acontece. Mas esse ódio, embora se traduza nos mesmos tiques, tem origens diferentes.
Um, o primeiro, porque o não deixaram continuar naquela que era a sua cadeira de sonho!
Ao outro, o segundo, por esse ódio ter, pela além de um hipotético sentimento, uma preocupação estratégica bem definida.
Porque esse é o lema que encontro no seu mandato: sem o antagonismo ao Benfica já não existiria. Pois é: um e outro não gostam do maior de Portugal.
Um porque lá não o deixaram continuar, ... o outro porque precisa desse mesmo ódio como de pão para a boca... para continuar onde está.
Por isso, todos os dias, antes de se preocuparem com eles, só pensam no Benfica. Desde o malabarismo financeiro ou a contabilidade criativa, no âmbito de um artigo seu intitulado de 'O curso da incompetência' - para falar, pasme-se, sobre... negócios relativos a vendas de jogadores - ao caso dos vouchers, entretanto arquivado...
Para já não falar dos processos intentados contra comentadores do Benfica, por terem revelado a existência de distúrbios numa assembleia-geral da SAD do Sporting, uma revelação porventura não destituída de sentido, uma vez que estava em causa a apresentação de resultados negativos da SAD, do ponto de vista económico-financeiro (porque se fosse falar do desporto...).

«Não é o Benfica que vai parar o Sporting»
Mas - confesso - do que eu gostei mais, nos últimos tempos, foi a afirmação do Presidente da Assembleia Geral do Sporting. Companheiro de percurso político, com quem partilhei solidariedades, mesmo que, circunstancialmente, em campos opostos... Posso mesmo dizer... meu amigo (possivelmente, a central de comunicação que por lá existe vai obrigá-lo a dizer que nunca foi, mas isso pouca importará ao caso, nem será por isso que eu me aborrecerei com ele). E gostei, porque, em vésperas de mais um Benfica - Sporting, ouvi-o dizer.. que «não é o Benfica que vai parar o Sporting»...
Sabemos todos, hoje, que o Benfica parou o Sporting. Sim, parou, segundo aquela velha piada (tão velha quanto a superioridade do Benfica perante o Sporting) que... «jogaram como nunca, perderam como sempre».
Pois, espantado com aquele declaração (não é o Benfica que vai parar o Sporting), dei-me ao trabalho de procurar a razão da mesma.
E conclui ser pura publicidade enganosa!!!
Sim, enganosa, claro...
Porquê?
Porque dessa declaração, concluir-se-ia que ninguém, esta época, pelo menos, tinha conseguido parar o Sporting... já que, para usar as palavras do próprio Jaime Marta Soares, o Sporting estava «embalado». Embalados ficaríamos nós, nestes cantos de sereia, se não lhes lembrássemos que isso não é verdade.
Então não é que, para o campeonato, a equipa com o melhor treinador do mundo já perdeu 2 jogos (com o Rio Ave, em Vila do Conde, por 3-1, e frente ao Benfica, na última jornada, por 2-1)?
Isto para não falar que o clube com o melhor presidente do mundo, já conta com 3 empates, também para o campeonato (Nacional, Tondela e Guimarães).
E não falemos das quase históricas cinco derrotas, em seis jogos de Jorge Jesus na Liga dos Campeões (só superado, recordaram-me a semana passada, por Augusto Inácio, também... imaginem em que clube...). Uma campanha... à... (podem preencher)!
De facto, perdeu cinco dos seis jogos da fase de grupos!
Perdeu 1-0 com o Legia.
Perdeu 1-2 com o Real Madrid.
Foi a Dortmund perder por 1-0.
Perdeu com o Dortmund, em casa, por 1-2.
Perdeu em Madrid, com o Real, por 2-1.
E ganhou ao Legia, em casa, por 2-0 (também muito mau seria...).
Ou seja, num total de 22 jogos realizados (13 para o campeonato, 1 para a Taça CTT, 2 para a Taça de Portugal e 6 para a Liga dos Campeões) perderam 7 e empataram 3 (menos de 55% de vitórias... é obra!!!). Ninguém os pára... a perder! Ainda bem que continuam imparáveis. De facto, ninguém os pára.
Excepto o Benfica, o Rio Ave, o Tondela, o Nacional, o Guimarães, o Real Madrid, o Borussia Dortmund, o Legia... Há dias, meu caro Jaime Marta Soares, que não podemos sair de casa... e muito menos dizer o que nos vem à cabeça (e muito menos o que nos pedem para dizer, sem antes ver se tem a mínima relação coma verdade).
Porque, onde este ano já ninguém vos pára... é na Europa.
Não pára porque... já lá não estão!!!

O clube onde a culpa morre solteira... ou a dupla 55%

Sei, por experiência própria, que, por um dos vértices daquela famosa dupla, a culpa das derrotas morre sempre solteira! Parece-me que pelo outro lado, ela não morre solteira, porque nem sequer chega a nascer!
A comprovar isso mesmo, veja-se as desculpas invocadas para tanta derrota e empate. Começando pelo fim... No último jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões, que coincidiu com o último jogo nas competições europeias (para o ano há mais...) que, por acaso, voltaram a perder, a desculpa foi a que o Legia (embora confundido com o Dortmund ou com o Liège) «soube jogar com o momento e o resultado e teve mérito». Pergunto eu: mas não será esse o objectivo? Já na recepção ao Real, e não obstante a derrota, podiam ter «criado mais problemas com os jogadores que têm», ... como quem contabiliza uma vitória moral.

Depois da derrota em Dortmund, ouvimos dizer que a estratégia que montaram «na prática deu resultados». E perderam... Nem quero imaginar se, na prática, não tivesse dado resultados.
Após a derrota, em casa, com o Borussia, o ponto alto da conferência de imprensa foi o assumir da falta de experiência em jogos europeus... Em Madrid só não ganhou porque - imagine-se! - não esteve no banco. Como se a expulsão fosse determinada pelo lançar de dados ou por perseguição dos árbitros... Um exemplo, pois então!!! Porque, citando o próprio, «só não ganhámos pontos e jogos porque é preciso andar uns aninhos aqui para perceber o que é a Champions». Ou seja, ... e pelo andar da carruagem, para o ano há mais... competições europeias para ir treinando! A culpa morre solteira ou nunca chega a existir?
No País das Maravilhas em que o clube se tornou, a verdade é que o mundo (para os dois) não é suficiente!!! Só espero é que as eleições não nos tragam nenhuma surpresa... E os dois possam continuar a dar alegrias cá pelo nosso campeonato e a aprender na Europa. Para a dupla 55% (em cada dez jogos perdem ou empatam quase metade deles), ... pela continuidade, pois então!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Muito para lá do barulho

"Estes novos tempos são estranhos. As televisões enchem-se de gente paga para fomentar o ódio e as questões que realmente interessam ficam para segundo plano.
Eis algumas: houve dois penalties contra o Benfica, sim, mas os erros de análise de Jorge Sousa são tão graves quanto a má marcação de João Pereira a Jiménez ou a incapacidade dos avançados do Sporting de marcar mais que um golo; o Sporting tem um problema na lateral-esquerda, tal como Benfica: um é estrutural (já se viu que Jefferson não caiu no goto de Jorge Jesus e Marvin deixa muito a desejar, pelo que deverá chegar alguém em Janeiro), o outro é circunstancial (Grimaldo é bom mas frágil fisicamente, Eliseu está lesionado e André Almeida não dá profundidade; Hermes vem aí mas precisará de tempo para se adaptar depois de meses sem jogar devido ao conflito com o Grémio de Porto Alegre); a diferença de qualidade entre os médios centro de Benfica (Fejsa e Pizzi) e Sporting (William Carvalho e Adrien) para os respectivos suplentes (Samaris e Danilo/Celis; Petrovic e Elias) é grande, o que os obriga a jogar sempre e no limite; Jorge Jesus tarda em conseguir que o segundo avançado ligue a equipa com Bas Dost (poderá o técnico fazer de Campbell o que fez com Rodrigo no Benfica ou o costa-riquenho é apenas um El Tren indomável?; Rui Vitória arriscou em convidar o Sporting a cair-lhe em cima com a entrada de um pouco rotinado Danilo; o fantástico jogo de pés e visão de Ederson, capaz de criar um contra-ataque perigoso com um passe de primeira (não há na Europa outro guarda-redes assim); o regresso de um extraordinário executante como Rafa; o monstro que é Adrien.
Mas não é deles de quem se fala. Confesso: se fosse jogador, ficaria ofendido por perder protagonismo para tipos para quem a bola é quadrada. Mas é o que temos."

Fernando Urbano, in A Bola

PS: Mais uma vez, um jornalista com fama de ser Benfiquista, sente-se obrigado a repetir a mentira que ficaram dois penalty's por marcar contra o Benfica, mesmo após 80% dos ex-árbitros com opinião publicada afirmaram o contrário (e todos eles, conhecidos anti-Benfiquistas)!!!
E já agora, a grande revelação do início da época, André Horta, já não entra nas análises?!!!

Escolhas e critérios

"De novo, a excitação à volta dos galardões FIFA a atribuir no início do próximo ano. De novo, a dupla Ronaldo/Messi, com um 'jogador de honor' um intruso terceiro para fingir que pode ganhar e compor o ramalhete. E, de novo, os excitados defensores do português e do argentino a clamar pela justiça do seu e a reclamar pela injustiça do outro.
Já aqui o escrevi, mas volto ao assunto. O troféu é quase sempre entregue a um jogador atacante, que marque golos. Os outros fazem parte do colectivo, os atacantes beneficiam do colectivo. As individualidades só quase existem no chamado 'último terço'. O guarda-redes que evita o golo tem menos peso mediático que o ponta-de-lança que o marca. Os defesas centrais e laterais, os médios, sobretudo os defensivos, fazem o 'trabalho sujo',
A história dos 'heróis' premiados assim o evidencia à saciedade. Desde 1956, dos 60 títulos para o melhor jogador do ano (sob diferentes designações, iniciativas e regras) só por uma vez um guarda-redes - o inesquecível Yashin - saiu na frente. Defesas e 'trincos', muito poucos: o indiscutível Franz Beckenbauer (duas vezes), os também germânicos Matthias Sammer e Lothar Mattaus e, há 10 anos, o italiano Fábio Cannavaro. Em suma, em 60 títulos individuais, só 6 (10%), foram atribuídos para 'trás do meio-campo'.
Uma curiosidade: Maradona nunca foi o vencedor, apesar de ter jogado 11 anos na Europa (Barcelona, Napoli e Sevilha)!
Depois da bola de ouro desta semana (tantos troféus existem que, confesso, já os confundo) Cristiano Ronaldo vai vencer, com mérito o da FIFA, ainda que, curiosamente, me pareça que nem ele, nem Messi tenham feito uma época notável."

Bagão Felix, in A Bola

Como é que isto pode ser pior com vídeo-árbitro

"América.
Há coisas que só mesmo lá acontecem.
Na Florida, imagine-se, não é permitido lançar anões.
Os donos de estabelecimentos em que se pratique o lançamento do anão serão multados em mil dólares. A lei é de 1989 e, acredite-se, ou não, alguém tentou alterá-la em 2011. Sem sucesso.
Mas a América também nos deu a Lua. Deu-nos Hollywood. Histórias de cowboys.
E o vídeo-árbitro.
A América, em 2012.
Árbitros e National Football League (NFL) entram numa disputa laboral e a liga decide-se por um lockout. Os juízes profissionais estão proibidos de apitar. A NFL desata a contratar substitutos. 
Seatlle, Washington. Os Seahawks recebem os Green Bay Packers na jornada 3 da época regular. Perdem por cinco pontos a poucos segundos do final. Um touchdown vale seis pontos. E é isso que a equipa procura, com o relógio a esgotar-se. Michael Jordan sempre disse: «Nunca perdi um jogo, apenas fiquei sem tempo…»
Os Seahawks têm a bola e Russel Wilson faz um lançamento longo, em desespero, um Hail Mary, para a zona de pontuação…
É futebol americano, mas não desista já…

Algumas coisas complicadas, mas que se simplifica aqui e que deve saber:
A bola é de quem a apanha; passe completo se for o ataque, intercepção se for a defesa.
Se um defesa e um atacante apanharem a bola ao mesmo tempo, beneficia-se quem ataca, ou seja, o passe é completo e conta como ponto, se estiver na zona de pontuação.
Quando no ar, os jogadores têm de manter a bola até tocarem no chão.
Agora já consegue formar uma opinião sobre o lance. Mas numa daquelas coisas que só acontecem na América, veja bem o que fazem os dois (sim, dois!) árbitros que estão em cima do lance: um marca touchdown, o outro não.
Os americanos têm coisas estranhas, fazem leis esquisitas, usam o sistema imperial de medição, comem em porções de Gulliver, mas também assumiram que qualquer jogada de pontuação tem de ser revista. Um bom princípio, algo que eles também têm por lá.
Prevaleceu em campo que foi touchdown dos Seahwaks. O que iniciou a revisão na TV. Para se reverter a decisão tem sempre de «haver prova irrefutável de que o se decidiu em campo foi errado». 
Como já percebeu, os juízes, que eram substitutos, consideraram não haver evidência suficiente de que o defesa agarrou a bola primeiro do que o atacante ou de qualquer outra irregularidade.
E a vitória foi para os Seattle Seahawks.
Um momento, ainda. Outra coisa complicada que se simplifica. Pass interference. Com a bola no ar, não se pode interferir com o receptor. Não se pode agarrar, não se pode puxar. E o atacante não pode fazer o mesmo para ganhar espaço ao defensor.
Mais simples ainda: veja o que faz o 81 dos azuis ao 37 dos brancos.


É falta, claro. Mas ninguém deu conta. Nem no campo, nem no vídeo. Como ninguém percebeu o fora de jogo aqui.
Na América foi um ex-árbitro, com anos de experiência profissional, que entrou em directo e falou na infiltração.
Dois dias depois do caso, o lockout acabou. Os árbitros profissionais voltaram. Mas nem com vídeo, nem com os melhores juízes terminaram as polémicas.
O replay vai ajudar, certamente, em muita coisa o futebol nascido em Inglaterra. Pode até seguir alguns dos princípios da NFL (sempre que há golo a jogada é revista parece-me um bom). Porém, lá não acabou nem com os casos, nem com as discussões. E eles têm anos e anos de vídeo-árbitro.
Por cá, lê-se e ouve-se ex-árbitros a analisar jogadas, com recurso a vídeo. Raramente há consenso. Melhor dizendo, ninguém se entende! A discussão continuará. Só vai ser diferente.
Com vídeo-árbitro, os casos serão menores em número, deseja-se isso, mas o discurso insinuoso pode ser ainda pior. O juiz em campo tem a desculpa de não ter replay, o da cabine não. Nem a mãe deste, já agora...
«O árbitro viu no replay, toda a gente vê que é penálti/golo/fora de jogo/mão (escolha um) mas ele diz o contrário! Só pode estar comprado, porque ele viu!»
Sou defensor absoluto do vídeo-árbitro. Mas ele tem sempre este pós-hífen. O que significa que há a interpretação de alguém. Portanto, as decisões do vídeo-árbitro serão tão melhores quanto o for...imagine-se, o árbitro.
Julgar que as polémicas e as comunicações inflamadas vão acabar por cá é absurdo.
Tão absurdo como lançar anões."

Benfiquismo (CCCXVIII)

Pelas Américas...!!!

Para ti...

Vermelhão: a caminho do Jamor !!!

Real Massamá 0 - 3 Benfica


Uma segunda parte goleadora, foi suficiente, para chegar aos Quartos-de-final da Taça de Portugal, num jogo que 'facilmente' poderia ter-se tornado complicado...
A diferença de valor individual é substancial, mas a estes jogadores do Benfica, faltam essencialmente rotinas colectivas, porque praticamente todos os jogadores que iniciaram a partida, têm tido poucos minutos.
Dos titulares do último domingo, só Ederson e André Almeida, jogaram... além destes dois, só o Cervi tem ritmo de jogo... Todos os outros não têm sido utilizados, por razões diversas. E isso notou-se... principalmente no 1.º tempo.
A 1.ª parte foi lenta, só o Cervi e as subidas do André deram alguma velocidade ao jogo, o Real at  fez um jogo corajoso, com bola tentaram jogar, não ficaram à espera do nosso erro, e não recorreram ao jogo violento (como por exemplo o 1.º de Dezembro tinha feito...). O Zivkovic quando mudou para a Direita melhorou bastante... e foi visível que o sérvio estava com vontade de mostrar serviço!
Na 2.ª parte, com a entrada do Guedes e o golo logo de entrada, o comportamento da equipa mudou. Ficámos mais agressivos, o Guedes contagiou os colegas... é verdade que o 2.º golo, demorou, o Real começou a acreditar, até criou uma ou outra oportunidade... mas 'cheirava' a golo do Benfica!!! Este foi um daqueles jogos, onde fiquei com a sensação, que se o Real marcasse, o Benfica responderia rapidamente...!!! Algo que nem sempre acontece!!!

Com a lesão do Júlio o Ederson foi obrigado a ser titular, e esteve bem no pouco trabalho que teve.
Lisandro e Jardel estiveram bem, o Lisandro provavelmente já merecia mais minutos e o Jardel estava mesmo a precisar de minutos... é de longe o nosso melhor Central a jogar pelo lado esquerdo!!!
O Almeida regressou à direita, onde se sente mais à vontade... O Yuri mostrou-se, cumpriu, não fez nada de especial, mas também não comprometeu... Com o Grimaldo, com a 'falada' contratação do Hermes, creio que o Yuri precisa de ser emprestado a uma equipa de I Liga...
A dupla Samaris/Danilo nas coberturas esteve sempre bem, mas nota-se falta de ritmo... e no caso do Danilo falta de confiança para arriscar... Continuo a pensar que o Danilo será importante naquilo que resta do Campeonato (espero que fique no plantel...).
Com a lesão do Salvio, abre-se uma 'vaga' nas Alas do Benfica! Com Cervi na esquerda, parece que o Rafa tem prioridade para a direita, mas o Zivkovic merece ser equacionado... Talento enorme, e apesar de ser canhoto, é na direita que joga melhor. Mesmo com o Cervi e Rafa no 11, o Ziv merece ser a 3.ª opção no banco!!!
O Carrillo voltou a desperdiçar uma oportunidade. Para mim, a aparente falta de vontade, é uma das coisas mais irritantes, num jogador do Benfica, e o Carrillo (por muito que seja defendido pelo Vitória) parece que não quer...!!! A estratégia de comunicação até pode ser 'outra', mas é claramente um jogador para ser 'vendido'... rapidamente, antes que desvalorize mais!!!
O Cervi foi provavelmente o melhor em campo. Jogou no meio, como é óbvio não é um segundo ponta de lança, noutro modelo de jogo, seria um '10', mas além do talento, tem garra, raça (algo que é raro para jogadores desta posição...), e portanto acaba por disfarçar a falta de 'peso', com muita vontade... e velocidade!!!
Parece estranho, mas o Mitro apesar de ter marcado 2 golos, não está a jogar bem...
Com Jonas quase de volta, com o Rafa disponível e com o Cervi a jogar assim no 'meio', o Guedes não pode adormecer... A entrada da nossa 'carraça' mudou o jogo, continua a definir mal no remate, mas acaba por contagiar os colegas com a sua entrega...
Jiménez está 'on fire'...
A entrada do Pizzi, na minha opinião, foi um risco desnecessário!!!
Mesmo num jogo correcto, com os jogadores a respeitarem-se e a respeitarem o árbitro, alguns erros do Jorge Ferreira! Um daqueles árbitros com fama de ser Benfiquista e por isso mesmo tem dificuldade em apitar as faltas a favor do Benfica:
- a melhor oportunidade do Real, nasce numa falta claríssima sobre o Danilo... com 0-0 !!!
- só marcou penalty sobre o Guedes à segunda, no primeiro lance, esqueceu-se!!!
Numa altura da época, com um calendário sobrecarregado, o descanso dado a quase todos os titulares foi muito importante. O Estoril, o nosso adversário no sábado, foi obrigado a jogar um prolongamento hoje... Espero que o Benfica saiba aproveitar a vantagem, mas para isso é preciso não nos deixar embalar por eventuais facilidades devido à troca de treinador para o lado do Estoril...!!!

Vamos esperar pelo sorteio dos Quartos-de-final da Taça, mas este ano (como todos os outros) é claramente para regressar ao Jamor!!!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Lesão decisiva... até no Andebol !!!

Benfica 21 - 26 Corruptos
(9-11)

Para quem desconhece é bom recordar que os orçamentos dos Corruptos e do Sporting no Andebol, são cerca de 3 a 4 vezes maiores do que o Benfica. Não estamos a falar de uma pequena diferença... a obrigação dos nossos adversários era de ganhar os jogos todos por goleada!!! Sendo que os Corruptos ainda têm a 'esperteza saloia' do protocolo Cubano, que lhes permite ter bons jogadores com ordenados baixos (o número de jogadores nascidos em Portugal, que realmente 'contam' neste plantel dos Corrutpos é absurdo: Rui Silva e pouco mais...!!!):
O Benfica com os recursos que tem, está a fazer uma boa época...

Hoje, até à lesão do Terzic estávamos a discutir o resultado e na frente do marcador... mas depois, com todas aquelas faltinhas mal assinaladas (faltas ofensivas transformadas em 7 metros contra o Benfica, por exemplo...), com toda a aquela impunidade dos Centrais na defesa dos Corruptos (se o Ales está sempre a ser excluído, o Salina não devia acabar um único jogo...), é impossível o Benfica discutir o resultado!

A nossa 1.ª parte até foi abaixo do nosso potencial, mas estávamos de facto bem no 2.º tempo... e estávamos a ser uma 'ameaça' da 1.ª linha, mas todo mudou com a lesão...

O ano passado com o play-off tudo era possível, mas este ano, com a alteração do modelo competitivo... os orçamentos vão ganhar! Depois do muito excitante e mediático final de época, do ano passado, com grandes jogos e resultados inesperados, e pavilhões cheios, a FPA conseguiu voltar a transformar o campeonato numa pasmaceira...!!!

Benfica 2 - 'Vouchers' 1

"O dérbi dos dérbies foi um grande jogo. Com velocidade, três golos magníficos, oportunidades repartidas, sem tácticas sonolentas, com plena entrega dos jogadores. Até compreendo a frustração leonina perante o desaire, mas ganhou o Benfica e isso é o que, afinal, conta para as contas. O resto vai ser uma semana de miudezas em jeito de imagens paradas, ampliadas e repetidas cem (ou sem) vezes. Pela minha parte, agradeço antecipadamente as lições de reputados especialistas sobre a anatomia dos membros superiores, em particular sobre o mastóideo, perdão sobre o 'ombróideo'.
O Sporting, por autorizadas vozes, 'voltou a jogar melhor e a perder'. É a vida. Mais uma vitória moral, a juntar às que teve com Real Madrid e Dortmund. Ou em Braga, para a Taça do ano passado. Não esquecendo que foi 'a melhor equipa' do campeonato transacto, com o mero detalhe de o terminar com menos pontos do que o tricampeão Benfica.
Muito se falou de súbitas doenças causadas pelo gelo de Varsóvia. Mas Adrien e Gelson recuperaram milagrosamente de uma tão benigna gripe. Marvin, sem gripe, fez mais faltas do que toda a equipa benfiquista, antes de levar um mísero cartão ao minuto 81!
Faltava o estado sólido. Depois do estado líquido (cuspo) e gasoso (bafo), eis, do lado oposto da 2.ª Circular, a terrifica cartolina (impediu um contra-ataque perigoso do Benfica) que foi exibido como uma 'arma de arremesso' (sic) quase letal. Curioso é que nunca se viu a tal arma com adesivo clínico (certamente um achado), apenas 'origanis' amassados. Comovente e pacífico foi o beijo que o presidente do SCP enviou para a bancada no fim do jogo."

Bagão Félix, in A Bola

MacGyver

"1. Quando olho para o percurso de Rui Vitória no Benfica, há um nome que me vem imediatamente à cabeça: MacGyver. Para aqueles que possam não se recordar dessa série dos já longínquos anos 80/90, MacGyver era o mestre das engenhocas, da capacidade de resolver problemas complexos com soluções simples, com aquilo que tinha à disposição a cada momento, com muita acção e pouco lamento. É isto que Rui Vitória tem feito (e não apenas ao serviço das águias), perante tantos contratempos e obstáculos na época passada e nesta (a lesão de Salvio é apenas mais um).
2. O Benfica de Rui Vitória, com todos os defeitos e virtudes que tem, é uma máquina de competição que sabe claramente a diferença entre jogar bonito e jogar bem, entre jogar à bola e jogar futebol, entre viver e sobreviver, entre dominar e sofrer. Tentar reduzir a qualidade do trabalho do treinador do Benfica à sorte ou à força da psicologia (ou até do mentalismo, quem sabe até da astrologia...) é meio caminho andado para o Benfica continuar a ganhar mais vezes do que os outros.
3. A relação dos clubes portugueses (todos, sem excepção) com os casos de arbitragem é doentia, esquizofrénica e de uma hipocrisia sem limites. A frequência e dimensão das queixas é tanto maior quanto o tempo que um clube está sem ganhar, sem que os seus responsáveis percebam que esse refúgio só os afasta do caminho do sucesso. O Sporting tem sido o exemplo máximo desta realidade, mas Benfica e FC Porto recorrem ao expediente nas horas más.
4. Bruno de Carvalho tem sido um formidável presidente para o Sporting em quase todas as áreas, mas continua a falhar na comunicação e na capacidade de perceber a diferença entre adepto-presidente e o presidente-adepto (o primeiro é, por exemplo, o que manda beijinhos para as bancadas da Luz). Já era tempo."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

PS: Em discurso directo para o meu 'vizinho', Gonçalo:
- Não acredito, naquilo que escreveste no ponto 4. Não sei quais as razões que te levam a escrever o adjectivo 'formidável' para descrever Bruno de Carvalho!!! Como 'representante' da nossa terrinha no mundo do jornalismo desportivo, espero que escrevas com convicção... esta coisa de andar a fazer fretes fica mal...!!!

Desenhos animados

"1. 'Era uma vez o espaço' foi uma série que animou manhãs domingueiras infindáveis na década de 80, quando o mundo para qualquer criança já era a cores mas em poucos canais. A canção do genérico, interpretada por Paulo de Carvalho, dizia que lá em cima havia planícies sem fim, estrelas que pareciam correr, um céu de cetim, uma sinfonia de estrelas, uma casa em portas nem janelas, era só estender o braço para se tocar no espaço. Não sei se Cristiano Ronaldo alguma vez ouviu esta música. Sei é que, por múltiplas razões associadas a um miúdo de um bairro pobre da Madeira que hoje está confortavelmente sentado no altar dos heróis, me lembro dela cada vez que CR7 ganha mais um prémio, como aconteceu na segunda-feira, quando a 'France Football' lhe entregou a quarta Bola de Ouro.

2. 'Penalties', cartolinas, 'very-lights', beijinhos, abraços, cadeiras e moedas. Estes foram alguns dos ingredientes que caíram no prato dos espectadores de futebol após o derby de domingo. Retirando a questão das grandes penalidades, que é intrínseco ao que decorreu dentro das quatro linhas, tudo o resto pode entrar no campo do acessório. O essencial da receita ficou de fora da discussão e dos intermináveis debates sobre tudo e quase coisa nenhuma: o espectáculo gourmet protagonizado pelos 28 jogadores que estiveram em campo no domingo. A continuar por este caminho, no qual a qualidade do produto-futebol é sempre relegado para segundo plano, o futuro pode não ser brilhante. Há uma música dos Azeitonas na qual, numa das estrofes finais, é dito que nos desenhos animados nunca, mas quase nunca, acaba mal. Mas, pelos menos até ver, é só nos desenhos animados. Na vida real é diferente.
A não ser que seja CR7 o protagonista do enredo."

Hugo Forte, in A Bola