Últimas indefectivações

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O Benfica não pára !!!

Este fim-de-semana foi pródigo em resultados positivos em várias modalidades. Não houve títulos importantes em disputa, mas mesmo assim os bons resultados merecem destaque:
No Atletismo, vitória do Rui Pedro Silva no crosse da Amora, vitória também para a Marta Pen nos sub-23 femininos... destaque ainda para o 13.º lugar no regresso da Vanessa Fernandes. Na Holanda a Dulce Félix, ficou em 2.º lugar num crosse internacional, Tilburg, ficando atrás de uma Holandesa nascida na Etiópia!!!
A convocatória para os Europeus de Corta-Mato foi hoje anunciada, com 10 Benfiquistas presentes: Luís Borges, Miguel Marques, Rúben Pessoa, Emanuel Rolim, Rui Pinto, Rui Pedro Silva, Diana Almeida, Jéssica Matos, Susana Godinho e Dulce Félix.
O Rugby masculino, esta época na 2.ª divisão, onde têm conseguido bons resultados, até agora só com uma derrota, contra os principais favoritos à subida: Caldas, com um investimento de 1.ª divisão!!! Mas neste fim-de-semana o jogo foi para a Taça Portugal, na deslocação a Famalicão vencemos por 19-41.
No Judo a Telma Monteiro regressou às provas da Taça do Mundo, em Abu Dhabi, e conseguiu uma das medalhas de Bronze.
Na Formação destaque para as vitórias nas três categorias principais no Futebol, e também para os bons resultados no Ténis de Mesa, que após a re-organização da secção, parece que no futuro próximo, teremos jovens do clube, a chegar à equipa principal, a lutar pelos títulos principais.

domingo, 24 de novembro de 2013

Festa da Taça, sem surpresa

Benfica 3 - 0 Guimarães
25-19, 25-20, 25-14

Parciais claros, que escondem uma má entrada no 2.º Set. Só perto do 2.º tempo técnico, é que conseguimos passar para a frente...
Gostei da aposta no Miguel e no Ché... é bom para o plantel, ter todos os jogadores 'activos'!!!
E agora venha o próximo adversário na Taça...

Tranquilo

Maia 55 - 82 Benfica
15-22, 16-28, 12-18, 12-14

Vitória tranquila, com mais um show de triplos do Jobey Thomas (6/7), aliás hoje, tivemos os 4 norte-americanos em grande!!!

Justiça por acordo

"Nada como um caso mediático – isto é, um caso envolvendo um clube grande – para descobrir os meandros da “lei desportiva” e desvelar as novidades. Por experiência própria o redijo: só um processo de um grande ou de um grande jogo pode chamar a atenção para aquilo que existe e – se for essa a circunstância – sempre se aplicou antes com o mesmo critério e com igual método a dezenas de outros casos. Nesta época, noutras épocas ou em todas as épocas.
Vem isto a propósito do “processo Jorge Jesus”. Depois de se perceber que a decisão sairia muito antes do Verão de 2014 (ao invés do augúrio dos especialistas), surgiu na imprensa e nos painéis televisivos que o castigo seria 30 dias. Para um jurista conhecedor do Regulamento Disciplinar da Liga, isso não significava (com esse detalhe) qualquer futurologia “instruída” sobre a decisão do Conselho de Disciplina (CD) da FPF. Isso só poderia significar uma “informação privilegiada” da documentação chegada ao edifício da FPF: o “acordo” entre o arguido Jorge Jesus e a Comissão de Instrução e Inquéritos (CII) da Liga (o “Ministério Público” do futebol profissional) sobre a infracção e a sanção a aplicar aos factos constantes do processo, dependente ulteriormente da apreciação final do CD. Ilegal? Não. Desde 2011 que esta possibilidade de o destino dos processos ser objecto de um “consenso” entre arguidos e a CII está prevista, sob a forma de requerimento conjunto que o CD “ratificará”. Corrente? Cada vez mais se verifica os arguidos desportivos optarem pelo caminho do “menor risco”, ainda que prescindindo de lutar pela absolvição junto do CD ou do direito de recurso. Ilimitado? Não, pois o CD tem que respeitar pressupostos para a “homologação” – por ex., recusa o acordo se não concordar que foi cometida a infracção disciplinar que nele se indica ou se foi outra a cometida.
Entre agressão (punível a partir de 3 meses), conduta “grosseira” (que, havendo “acordo”, tinha entre 8 dias a 3 meses como moldura da suspensão) e lutar juridicamente por uma exclusão da sua culpa em julgamento, Jesus optou pelo caminho intermédio: reconheceu a “grosseria” e propôs ser castigado em 30 dias; a CII concordou; o CD aceitou esse ilícito (requisito imprescindível) e considerou adequada a pena. Assim fez Jesus, tantos outros já fizeram e assim farão muitos outros no futuro. Não se trata agora de prever o “verão” dos castigos; antes o de prever o tempo e o modo das “cooperações” na justiça desportiva. Um novo paradigma, portanto. Que ainda escapa a alguns especialistas."

sábado, 23 de novembro de 2013

Matic !!!

Benfica 1 - 0 Braga

Estava com muito medo deste jogo: jornadas após paragens para as Selecções são sempre complicadas; jornadas antes de jogos da Champions têm um elevado potencial para as distracções; podem apresentar todas as teorias possíveis, mas o treinador no banco, faz sempre falta, ainda por cima um treinador com o estilo do Jesus, que raramente se cala...; o apitadeiro, na época anterior marcou, bem, um penalty decisivo a favor do Benfica, no último minuto dos descontos, no jogo contra a Académica na Luz, sendo posteriormente linchado publicamente... nestas circunstâncias, existe sempre a tendência para 'limpar a imagem'; ainda por cima o Cardozo ficou de fora por lesão e o Maxi desgastado das viagens intercontinentais também não foi opção...; e até a série negativa do Braga com 4 derrotas para o Campeonato me deixava apreensivo, escaldado com situações anteriores!!! Tudo isto - e é muita coisa!!! - deixou-me receoso, e o jogo deu-me razão...
A estratégia do Juju é sempre a mesma: povoar o meio-campo, jogar com as linhas juntas, e ficar à espera de um erro do adversário. O ponto fraco do esquema do Braga eram as costas dos Centrais (sempre muito subidos), mas hoje, tivemos desastrados no passe (e nos cruzamentos): Enzo, Matic, Gaitán, Sílvio... uma desgraça, quase sempre com força a mais!!! E como espaço para jogar era pouco, e as coisas não estavam a sair bem, começamos a ver as cavalgadas inconsequentes do Enzo e do Gaitán, com linhas de passe abertas, mas optando quase sempre por agarrarem-se em demasia à bola!!!
O jogo ia-se desenrolando, com poucas oportunidades... o Lima continua afastado dos golos, quase sempre com más decisões, os Sérvios igualmente - Djuricic e Markovic -, além disso demonstram pouca intensidade no jogo... é verdade que o Braga mandou duas bolas aos ferros - e uma defesa difícil do Artur a remate do Alan -, mas jogando sempre no nosso erro, em remates de longe,  com o Éder muito sozinho... O Cavaleiro conseguiu dar mais velocidade ao Benfica, obrigou o Eduardo à defesa da noite, mas tudo parecia encravado e a paciência dos adeptos ia-se esgotando!!!
E quando tudo parecia que ia caminhar para mais um desgraçado empate, apareceu o Matic... que literalmente sozinho, resolveu a partida: primeiro numa recuperação alta, e depois num remate rasteiro cruzado fora da área. Algo que nem é a sua especialidade!!! E nem estava a ser um grande jogo por parte do Sérvio!!!

Mais um festival de golos (nas duas balizas)!!!

Benfica B 4 - 3 Oliveirense

Já começa a chatear, eu sei que os golos são o sal do Futebol, mas também tudo o que é demais, cansa... e este Benfica, principalmente no Seixal, sofre golos em demasia!!!
A juventude explica alguma coisa, mas não faz sentido nestes jogos, onde a diferença de valor entre as equipas é enorme, passar vários minutos a massacrar o adversário, com o cheiro a goleada no ar... e depois, relaxar, e imediatamente sofrer golos infantis. Hoje, mais do que a exibição, depois de vários resultados negativos, era muito importante conseguir a vitória, e estivemos quase a desperdiça-la!!!

Hoje gostei da entrada do João Teixeira, pareceu-me mais móvel... O Rúben Pinto a '6' esteve bem, é verdade que defensivamente não foi obrigado a muito trabalho, mas foi um bom regresso, numa posição diferente, e onde poderá fazer carreira numa equipa com menos ambições, porque no Benfica não tem cabedal para ser '6'!!! O Bruno Varela continua a evoluir, apesar dos muitos golos sofridos, a culpa não foi dele... parece que vamos ter mesmo guarda-redes com nível para um Benfica.
O Bernardo voltou a confirmar todos os elogios que recebeu esta semana. Em oposição, o Cancelo, continua a defender mal, e a 'inventar' no ataque, quando saí bem é um espectáculo, mas a maior parte das vezes saí mal...
Não sei como está o processo do Dino, mas hoje voltou à competição (já tinha sido convocado: não utilizado), após um longo período, e marcou o golo decisivo. Por acaso até entrou mal na partida, mas foi oportuno e não falhou... Espero que o juízo tenha finalmente aparecido naquela cabecinha!!!

Uma nota para senhor Hugo Pacheco, que depois de expulsar um jogador da Oliveirense conseguiu expulsar o Hélder Costa, com dois amarelos, num minuto, por duas bolas na mão, completamente não deliberadas... Sendo a segunda, grande penalidade, que para nossa sorte, foi superiormente defendida pelo Varela...

PS: Também não sei o que se passa com o Clésio!!! Está lesionado?!!! Tem algum problema contratual?!!!

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Final dramático, mas muito saboroso !!!

Quévert 4 - 5 Benfica

Grande vitória, é verdade que esperava-se um resultado mais largo, mas quem viu o jogo percebeu que a cabazada só não aconteceu porque os apitadeiros não quiseram!!!
Durante todo o jogo, só houve faltas contra o Benfica, e quando o Benfica chegou aos 2-5 foi um 'festival'... mais uma vez, só com um grande Traball (defendeu 2 livres directos na parte final) foi possível conquistar os 3 pontos!!!

Coelho 'duracell' !!!

Benfica 5 - 2 Oliviais

Para ser sincero, estava à espera de um jogo mais folgado... a equipa parece ter dificuldade em 'matar' as partidas, principalmente nestes jogos onde a superioridade é claramente nossa.
Continuamos a beneficiar da veia goleadora do Bruno Coelho, que continua a facturar, e raramente fica por 1 golo!!! Pela positiva, continuamos a melhorar quando somos obrigados a defender o 5x4 dos adversários.

Boa vitória

Benfica 3 - 0 Castêlo da Maia
26-24, 25-21, 25-16

Muitas dificuldades no 1.º Set, desta vez fomos nós que conseguimos recuperar uma desvantagem no final do Set... A partir daqui, o Castêlo nunca mais voltou ao jogo... e aquilo que teoricamente seria um jogo complicado, tornou-se mais fácil...
Amanhã, na Luz, novo jogo com grau dificuldade médio-alto: Vitória de Guimarães.

Já se sabia...

Benfica 24 - 25 Pick Szeged

Os Húngaros são fortes, já se sabia, lideram o seu Campeonato só com vitórias, são uma equipa com muita experiência da Champions... já se sabia que o sorteio tinha sido madrasto!!! É verdade que nada está perdido, mas o factor casa na Hungria deverá selar a eliminatória... hoje tivemos quase sempre em desvantagem, mas uma boa reacção no últimos minutos, deixou a esperança aberta para a 2.ª mão.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

SC Braga: jogo de todos os perigos

"Este apuramento de Portugal tem mais mérito que outros anteriores, porque é conseguido com um grupo de jogadores de valor inferior. Certo que temos um jogador de outro mundo, e só por isso não é eleito o melhor (deste) mundo, mas a verdade é que a Selecção não transborda de qualidade e há até jogadores muito abaixo do suficiente para uma Selecção Nacional. Este facto só valoriza o papel do principal vencedor desta qualificação, Paulo Bento.
Paulo Bento acredita no trabalho e na disciplina, e por isso num país como Portugal é apelidado de teimoso. Em Portugal a competência e seriedade tem muitas vezes nomes estranhos. Parabéns ao seleccionador, nele congratulo todos os que tornaram este feito possível. Fernando Santos é também credor de elogios pela qualificação grega.
Este fim de semana regressa a primeira Liga com um jogo de elevada dificuldade para o Benfica. A recepção ao SC Braga no ano passado custou o campeonato. Tradicionalmente difícil e frequentemente mal arbitrado este é um jogo de todos os perigos. Sem Jorge Jesus no banco e com um treinador de larga experiência do lado arsenalista, resta ao Benfica ser muito forte para vencer um jogo que é mais que importante, é determinante no futuro da época do Benfica. Em Bruxelas na quarta-feira, desejo... ganhar ao SC Braga. Até ao Natal não pode haver tropeços se queremos lutar pelo título. Esgotámos cedo demais o stock de descuidos da primeira volta. Ora por culpa própria, ora por erros grosseiros de arbitragem a verdade é que já deixámos sete pontos difíceis de explicar.
Parabéns por fim, ao hóquei em patins encarnado que continua a bater recordes e a conquistar troféus únicos para as cores do clube e do país. Tantos títulos internacionais (Taça CERS, uma Liga dos Campeões, duas Taças Continentais e uma Taça Intercontinental) em tão pouco tempo é impressionante e motivo de orgulho."

Sílvio Cervan, in A Bola

De novo o Gil...

Depois do emocionante jogo do Campeonato na Luz no início da época, com uma gloriosa remontada nos descontos, os sorteios desta semana, voltaram a colocar na Luz o Gil Vicente: primeiro tinha sido para a Taça da Liga, e hoje para a Taça de Portugal...
Nota importante, este jogo da Taça de Portugal, será imediatamente antes do jogo com os Corruptos... todos os cuidados são poucos!!!

Obras de Arte

"Estádio da Luz, Fevereiro de 2013: canto a favor do Benfica do lado esquerdo do ataque; Enzo Pérez marca, curto, para Melgarejo que cruza, a sobrevoar a área, para o segundo poste; Óscar Cardozo eleva-se e dá de cabeça para Lima, no centro da área; Lima também de cabeça, serve Nemanja Matic, para a entrada da área, e o sérvio, sem deixar cair, fuzila de pé esquerdo, a meia altura, para o fundo da rede, deixando Helton pregado ao chão. Este golo foi  seleccionado e nomeado pela FIFA e pela France Football para Golo do Ano, Prémio Puskas. Está à votação na Internet.
Mas outra obra de arte, de jogadores do actual plantel do Benfica, neste ano civil, mas no Campeonato transacto, merecia ser igualmente distinguida. Nuno Matos, relator da Antena 1, descreveu esse golo, marcado por Lima, após brilhante trabalho de Nico Gaitán, no Benfica 2 - Sporting 0 em Abril deste ano: 'Meus amigos, isto não é balet. É futebol. Artístico. Nota 10.' O tento é um primor de perfeição e brilhantismo de execução. Mas a jogada é de Gaitán. Aliás, a equipa celebrou o golo à volta do argentino, que deve ter fintado mais de meia equipa do Sporting, algumas 'vítimas' por mais de uma vez, antes de sevrvir Lima, sem apelo, para a estocada rápida e final.
O malogrado relator Jorge Perestrelo dizia: 'É disto que o povo gosta'. E tinha toda a razão, aliás, há quem lhe cite a frase. São obras de arte deste quilate que fazem o fascínio e a magia do Futebol e a alegria do povo. Neste caso do povo Benfiquista.

Em tempo: a equipa de Hóquei em Patins do Benfica fez o pleno dos títulos internacionais do ano: Champions, Taça Continental e Taça Intercontinental. Uma equipa para a História da modalidade, do Sport Lisboa e Benfica e do Desporto português."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Urticárias

"1. Parece que a ideia de erigir uma estátua a Cosme Damião, o grande ideólogo do Benfica, provocou uma crise de urticária a Oeste de Pecos. Habituados a ser favorecidos pela Câmara de Gaia, os seguidores do Madaleno insurgem-se quanto à despesa que possa ser levada a cabo pela Câmara de Lisboa. Possivelmente, e pela sua forma de estar na vida, esperariam que fosse a Câmara de Almada a pagar a obra. Mas registe-se a evolução: para quem sempre desejou ver «Lisboa a arder» (imagine-se o gasto que seria para o erário público) revelar esse tipo de preocupação é de louvar. Esperamos agora que se levante em Gaia uma estátua ao fundador do FC Porto. Se até lá se decidirem por um.

2. Defour é um excelente entrevistado. Depois de ter confessado que mal chegou a Portugal foi proibido pelos dirigentes do seu clube de manter a amizade que trazia da Bélgica com o benfiquista Witsel, vem agora dizer que no «FC Porto se divertem imenso». Acredito. Mas não tanto, com certeza, como no tempo de Hulk e Sapunaru, aqueles moços gaiatos que rebentavam com os túneis e os «stewards» a pontapé. Isso, por mais que o Copiador-de-Livros-Alheios, do alto da sua grande honestidade intlectual, teime em desmentir, é que eram tempo felizes!

3. O presidente do Sporting também é um rapazinho feliz, à sua maneira. Viaja no autocarro da equipa, dá uns pontapés na bola com os profissionais, senta-se no banco de suplentes e embaraça o treinador, já é mais popular do que o Paulinho, essa jóia de menino que não merecia tal desfeita. A sua última tirada foi de estalo, Consta que se dirigiu ao árbitro, Duarte Gomes, dizendo: «Temos de falar, nós os dois!» É de homem! Só posso entender tal frase de duas maneiras: ou como uma ameaça, ou como um convite para tomar um cafézinho. Vai longe..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Música de fundo

"Sem querer viajar até ao tempo dos penáltis à Jardel, e ignorando as incidências do empate de Setembro em Alvalade, as três únicas derrotas do Benfica ante o Sporting em oito anos, tiveram, todas elas, um ponto em comum: ficou sempre um penálti por marcar a nosso favor. Foi assim em 2008, com Jorge Sousa (3-5); foi assim em 2009, com Olegário Benquerença (2-3); e a história repetiu-se em 2012, com Artur Soares Dias (0-1). No primeiro caso ficou por sancionar um derrube a Luisão, no segundo um agarrão a Aimar, e no terceiro uma rasteira a Gaitán.
Não obstante tudo isto, o nosso vizinho continua a vitimizar-se, à medida que as vitórias benfiquistas se vão sucedendo. Já não há dérbi que não venha acompanhado da habitual música dos dias seguintes - salvo quando o Sporting ganha, o que apenas aconteceu nas ocasiões mencionadas.
Nessas, não houve “música”. Houve festa, do lado de lá, resignação do lado de cá, e silêncio generalizado nos media. Quando somos nós a vencer, pelo contrário, é o que se vê, e o que se ouve.
A Taça da Liga de 2009 foi talvez o momento mais ilustrativo desta realidade. Um só lance, um só erro (que na altura permitiu apenas o empate), e logo um escândalo de que ainda hoje falam com a indignação de uma virgem ofendida. Os factos remetem-nos para um simples penálti mal assinalado. A lenda, para um roubo premeditado e aparatoso que subtraiu um troféu às vitrinas de Alvalade.
Na época passada…mais do mesmo. Uma arbitragem que não marcou faltas a ninguém, em nenhum local do campo, foi o que bastou para descobrirem 2, 3, ou 4 penáltis, mais todos os que fossem necessários para justificar nova derrota. Com triunfo benfiquista, o último dérbi não poderia escapar ao folclore. No estádio ninguém viu nada. Algumas horas mais tarde, a narrativa estava já composta, com o ruído do costume. Passado tanto tempo, ainda perdura.
As arbitragens portuguesas têm muito que se lhes diga. Mas para o Sporting, aconteça o que acontecer, se o Benfica ganha, a culpa é do árbitro."

Luís Fialho, in O Benfica

Histórico Estádio

"1. Lotação esgotada e grande festa nas bancadas do nosso Estádio no 'paly-off' Portugal-Suécia. Tantos espectadores e tanto entusiasmo só seriam possíveis ali. Como aconteceu nas grandes noites europeias e na célebre Final do Mundial de Juniores no antigo Estádio e a Final do Campeonato da Europa, já no novo. Um Estádio histórico, como o anterior. Embora (nunca me canso de o referir), no tempo da 'outra senhora', o nosso Estádio, de longe o maior, só tivesse começado a ser utilizado pela Selecção Nacional 17 anos depois da inauguração, em 1971, ao invés dos estádios do Sporting, FC Porto e Belenenses, clubes com muito menos jogadores nas equipas nacionais.

2. Ano após ano é assim. Já não é novidade. Desta feita, começou bem cedo, o que também não é novo. Com nove jornadas do Campeonato realizadas, o FC Porto segue com três pontos de vantagem sobre o Benfica e Sporting. Mas, segundo a Liga da Verdade, do Record, que 'acerta' as pontuações das equipas consoante os erros dos árbitros, o Benfica deveria estar à frente e com dois pontos de vantagem sobre o FC Porto e três sobre o Sporting. A nossa equipa já foi prejudicada em quatro pontos, enquanto o FC Porto beneficiado em um ponto. Assim se vão fazendo (mais uma vez...) as contas do Campeonato. É bom recordar isso, numa altura em que o Sporting faz o habitual alarido quando se julga prejudicado, esquecendo, por exemplo, o que se passou no recente Sporting-Benfica para o Campeonato.

3. Respeito, naturalmente, o estado de saúde do presidente do FC Porto, Pinto da Costa. Mas não consigo aceitar as falsidades que o clube difundiu na sexta-feira, quando foi tornado público o internamento do presidente, tentando fazer crer às pessoas que fora um internamento previamente previsto e apenas para exames clínicos. Faz lembrar antigas (e actuais) ditaduras e ditadores...

4. O nosso Hóquei em Patins soma e segue. Depois do título europeu, a Supertaça (neste caso Taça Continental) e a Taça Intercontinental. Era a que faltava, num palmarés com 21 títulos nacionais... que são 22, pois o campeonato de 1962/63 (tal como o da época seguinte), disputado nos mesmíssimos moldes dos anteriores e posteriores, em 'poule', se chamou... Taça de Portugal, competição que só viria a iniciar-se em 1976. O Benfica deveria solicitar à Federação a emenda desse erro histórico."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Glorioso hóquei em patins

"Durante anos, mais de uma década, vimos como a Federação de Patinagem de Portugal fechou os olhos a roubos em cima de roubos e calcados com mais roubos que impediram que o Benfica lutasse em pé de igualdade com o rival que somou títulos alicerçados nos ditos roubos.
Tivemos de ser de uma competência imaculada para conseguir vencer o campeonato nacional de 2011/12 (o nosso 22º, sim, porque o troféu de 1961/62 é, na sua concepção, um campeonato a que deram outro nome). Toda a Glória internacional que agora vivemos começou aí, com essa conquista caseira, arrancada a ferros, contra tudo e todos. Nestes momentos sucessivos de conquistas europeias e mundiais é importante não esquecer aquela 29ª jornada do campeonato nacional de 2011/12, em que Sérgio Silva liderou o nosso Benfica para a antecâmera do campeonato que se confirmaria em Almeirim. Bastou uma vez, uma única vez em que derrotámos o “sistema” (e que “sistema”!) em Portugal, para podermos mostrar ao Mundo que a sua melhor equipa de hóquei joga com a nossa camisola e com o nosso emblema. As conquistas da Liga Europeia, Taça Continental e Taça Intercontinental decorrem daquele campeonato de nacional de 2011/12. 
Assim, neste momento de merecida celebração da equipa que mais alto subiu na história do hóquei em patins português é de extrema importância recordar que a consolidação deste estatuto internacional é um imperativo, mas que, para que estas vitórias gloriosas tenham sequência, é essencial interiorizar que é dentro de portas, na mesquinhez de um hóquei ainda carregado de viciação, que temos de recomeçar a ganhar, contra tudo e contra todos."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

CR Álvares Cabral

"Não conhecendo uma palavra de sueco foi um prazer tentar decifrar os minutos-a-minutos dos jornais suecos a partir do momento em que a Suécia estava a ganhar 2-1 a Portugal.
Não há melhor vitória nem vingança do que aquela que se obtém depois de dar esperança ao adversário. Cristiano Ronaldo (CR) já tinha tirado a esperança marcando o primeiro golo e marcando o trabalho de casa da Suécia: "Agora, se quiseres ir ao Brasil, marca três golos e não nos deixes marcar mais nenhum". 
Com cruel paciência CR esperou que a Suécia marcasse dois desses três golos. Deu-lhes uns escassos minutos de esperança – não fosse ela tornar-se contagiosa – e marcou o 2-2. Deu um novo trabalho de casa aos suecos: "Agora têm de marcar mais dois golos, para além dos dois que já marcaram. Desculpem eu vos ter dado a impressão que poderiam ir ao Brasil marcando apenas três golos. Afinal são quatro".
Enquanto os suecos ainda estavam a cismar como é que iriam marcar mais dois golos, CR marcou mais um, dando a vitória do jogo a Portugal, por um previsível golo de diferença, tal como tinha acontecido em Lisboa.
Nem deu trabalho de casa. A Suécia só tinha marcado dois golos. Agora teria de marcar mais três nos poucos minutos que lhe faltavam. Não é tarefa que se possa pedir a alguém.
CR ainda sofreu imenso o facto de não ter marcado um quarto golo. E ainda há quem diga que ele não se esforça quando joga por Portugal. Pois não. Esforçamo-nos nós. Para acompanhá-lo."

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Toni. "Ser campeão e voltar a adjunto não é dar um tiro no pé, é ficar sem pés"

"Há 20 anos, os futuros campeões nacionais saíram goleados de Setúbal (5-2). Para Toni não foi um momento encarado como um drama.
Domingo, 21 de Novembro de 1993. Benfica, Boavista e Sporting partilham a liderança do campeonato com 15 pontos, com o FC Porto a dois de diferença. Na décima jornada do campeonato, as águias têm uma deslocação aparentemente simples ao terreno do último classificado. Em Setúbal, o Vitória tem apenas três pontos e precisa urgentemente de começar a vencer. O Sporting-FC Porto é o jogo da jornada (Domingos marca o único golo aos seis minutos), mas o escândalo do dia é a goleada que o Benfica sofre - 5-2 na primeira derrota da equipa de Toni na temporada (desde então os encarnados só sofreram cinco golos num jogo do campeonato no 5-0 do Dragão em 2010/2011). O encontro serve de lição e a partir daí os futuros campeões partem para uma época inesquecível que é coroada com o 6-3 ao Sporting em Alvalade no jogo do título. O i falou com Toni e recordou os principais momentos.
- Como foi saber que Paulo Sousa e Pacheco iam abandonar o Benfica?
- É um período difícil na vida do Benfica, económico e financeiro, em que o clube ficou vulnerável a estes ataques. Houve jogadores que saíram porque puderam rescindir por justa causa. Saiu o Paulo Sousa, o Pacheco, e poderia ter saído o João Pinto, que ficou fundamentalmente devido ao senhor Jorge de Brito e a Valentim Loureiro, que também foi uma peça importante na recuperação do jogador. Houve ainda ali uns ameaços do Rui Costa?
- Para o Sporting também?
- Sim. Os estragos ficaram limitados ao Paulo Sousa e ao Pacheco. Depois houve que reformular a equipa, que ainda ficou com uma base muito importante e boa para poder discutir os desafios que tinha pela frente: campeonato, Taça de Portugal e ir o mais longe possível na Taça das Taças. Não se pôs a cabeça na areia, porque o que conta são aqueles que ficam, e houve um compromisso e uma cumplicidade muito grande entre todos. Mesmo nos dias que antecederam a pré-época, a situação do treinador também não estava consolidada, a minha continuidade não estava definida?
- Do seu lado ou do da direcção?
- Do lado da direcção. As coisas ficaram na mesma, a equipa técnica continuou e partimos com ambição e com a vontade de ser campeões.
- Do ponto de vista anímico e mental, o arranque foi um bocado sofrido?
- Sim. Aquilo que queríamos era arrancar com três vitórias em vez dos três empates. Mais do que aquele 3-3 no Porto, houve dois jogos em que empatámos [1-1 na Luz com o Estoril e 1-1 em Aveiro com o Beira-Mar] o que tornou o começo periclitante. Não foi brilhante, não foi um começo em que o Benfica foi mandão como depois acabou por ser.
- Sentiam que estavam mal?
- Sim, mas isto não interessa como começa mas sim como acaba. Há realmente um começo hesitante do Benfica, mas a equipa recupera, as vitórias trazem confiança e, se houver dúvidas, ficam dissipadas com os triunfos.
- Depois dos três empates há seis vitórias consecutivas e é nesse momento que vão a Setúbal jogar contra uma equipa que estava em último com apenas três pontos. Houve excesso de confiança?
- Não. Lembro-me perfeitamente desse jogo e lembro-me até que nessa semana há um jogo da selecção [Itália-Portugal, 1-0, com Veloso, Rui Costa, João Pinto e Vítor Paneira no onze e ainda Neno e Rui Águas no banco] e praticamente só tive os jogadores comigo na sexta-feira. Mas, mais do que escudar-me com isso, lembro-me de o Vitória de Setúbal ter dois jogadores muito importantes. Sobre a direita tinha um brasileiro muito rápido que era o Sérgio Araújo e depois um ponta-de-lança nigeriano, que infelizmente que já morreu, que era o Yekini. Não era um jogador muito dotado do ponto de vista técnico, mas fisicamente era impressionante.
...
O Vitória de Setúbal chega de forma muito fácil ao 3-0 [Yekini 29', Sérgio Araújo 39' e Paulo Gomes 52'], depois houve uma reacção e chegamos ao 3-2 [Vítor Paneira 55' e Aílton 66'] e estamos perto do 3-3, mas aparece o 4-2 [Yekini 73'] que sentencia o jogo [Chiquinho Conde faz o último aos 82']. Realmente, houve Vitória de Setúbal a mais para Benfica a menos.
- Foi muito mau?
- As derrotas nunca devem ser encaradas como um drama. São sempre pontos perdidos para que possamos corrigir coisas que possam não ter estado tão bem e que nos levem a prosseguir o nosso caminho. Depois dessa derrota só vai aparecer outra uns meses depois [Abril, com o Salgueiros]. Isto reflecte que foi mais um acidente do que outra coisa qualquer. Se a equipa estivesse mal, iria estar mal mais vezes. Não acusa a derrota, só perde com o Salgueiros meses mais tarde e depois na última jornada com o Boavista, quando faço algumas alterações para alguns jogadores serem campeões. Podia lembrar-me também do 7-1, em que é a única derrota do Benfica no campeonato e que é um acidente. Gostaria de perder sempre 7-1 com o Sporting e 5-2 com o FC Porto ou o Vitória de Setúbal e ser campeão. Nunca fiz das derrotas um drama, mas pontos de partida para trilhar outros caminhos sem cometer os erros.
- No final do jogo disse que "quando a justiça do resultado não deixa dúvidas só se pode dar os parabéns ao adversário e ao futebol". Houve alguma reacção negativa durante a semana dos adeptos?
- Quando se perde 5-2 num clube como o Benfica é natural que não se fique insensível. Mas a pressão é inerente à profissão que se escolhe, não existe só no jogador e no treinador. Quando se chega ao final de um jogo que se perde por 5-2, não se pode invocar que só se teve os jogadores à sexta, porque se tivéssemos marcado sete golos tínhamos vencido 7-5. Como não marquei, perdi. Perdi e tenho de reconhecer o mérito ao adversário, não posso arranjar desculpas esfarrapadas. Quando é assim tenho de dar os parabéns à outra equipa e ao mesmo tempo fazer o meu discurso para os jogadores?
- E qual é que foi?
- Nada está perdido. Isto não põe em xeque todo o trabalho que fizemos nem deixa de nos desviar minimamente do nosso objectivo. Temos é de saber as razões objectivas que nos levaram a este desaire e tirar ilações. E não podemos abdicar dos nosso princípios. O importante é que a confiança não seja abalada. Nesse jogo há um jogador que acabo por tirar da equipa, não como bode expiatório, porque quem assume a derrota é o treinador?
- Está a falar do Abel Xavier?
- Sim. Começou por sair logo ao intervalo, para entrar o Aílton? Sim, mas aí temos de arriscar e tentar inverter a situação. O Abel Xavier foi um jogador que nunca perdeu a minha confiança mas era importante ter uma conversa com ele. Depois acaba por ser uma peça muito importante no decurso da época, mas há um período em que para salvaguardar o jogador temos de tomar decisões que deixem a equipa sempre acima de todos. E o Abel Xavier percebeu a minha conversa e acabou por fazer um resto de campeonato forte.
- Há uma mudança depois desse jogo. Kulkov ainda não tinha jogado e depois passa a ser titular indiscutível, entra no jogo seguinte e só falha três jogos até ao final.
- Vamos associar o Mostovoi e o Yuran ao Kulkov. O Benfica teve três grandes jogadores ao seu serviço, mas tiveram dificuldades em se afirmar e os dois últimos nem no FC Porto se afirmaram, com o clube a dar-lhes logo a corda aos sapatos ao fim de um ano. Se lermos uma entrevista que o Yuran já deu, ficamos a perceber muito daquilo que foi a sua passagem. Disse que enquanto treinador não gostava de ter jogadores com o carácter dele. Aí está a resposta para aqueles que na altura foram meus críticos.
- Mas centremo-nos no Kulkov. 
- De todos era o mais cerebral. Mas tal como Yuran era um amante da noite e estava fora até às cinco, seis da manhã. Era espectacular no último passe e se tivesse encarado o futebol de uma forma profissional teria sido o que quisesse. Tinha uns pés, uma inteligência, um sentido posicional espectacular.
- Na recepção ao Sporting houve alguma conversa diferente por ser o regresso de Paulo Sousa e Pacheco?
- Não, as pessoas tomaram as suas decisões e seguiram o seu caminho. O importante é que se seja um profissional íntegro na defesa do clube em que se está. Nunca deixei de ser amigo deles. Eles fizeram uma opção, não sei se se arrependeram ou se para eles a decisão que tomaram foi certa. Foi um problema deles, não tinha sequer de questionar. É natural que o adepto assobiasse, eles não estavam à espera de receber palmas. Eu compreendi as posições que tomaram, mais nada.
- A meio da época, Manuel Damásio é eleito. Há alguma consequência? 
- Quando as mudanças acontecem a meio de uma época nunca são muito boas. O nosso objectivo desde o primeiro dia era o campeonato, e disso ninguém nos desviava. Continuámos a desenvolver o nosso trabalho dentro das dificuldades financeiras que o clube vivia porque os meses passaram a ter muito mais de 60 dias. Aliás, 59, porque 60 já dava direito a rescisão, mas os jogadores sabiam que estavam num clube sério que não ficava a dever um escudo a ninguém. O nosso compromisso não podia ser afectado porque tínhamos era de cumprir com as nossas responsabilidades. Sabíamos que do outro lado ia acontecer o mesmo. Foi por isso que conseguimos manter sempre a chama viva, apesar dos problemas financeiros.
- Já falou no Yekini e no Sérgio Araújo. Que mais jogadores se destacavam?
- Havia um jogador brasileiro do Marítimo que se chamava Heitor. Não havia explicação para aqueles livres directos, de "três dedos", como os brasileiros lhes chamam. Depois havia um outro brasileiro no Beira-Mar que molhava sempre o bico contra nós?
- O Dino? Que marcou ao Benfica em Aveiro nessa época?
- Sim, é esse. Era rápido. Depois o Boavista também tinha sempre bons jogadores e há equipas que são historicamente complicadas. No meu tempo havia a CUF, o Vitória de Setúbal, o Vitória de Guimarães, a Académica, o Varzim, com um estádio em que o vento era difícil...
- Pedro Barbosa, Ziad??
- Sim, esses. Havia outro no Gil Vicente, um careca, o Caccioli.
- Se lhe falar no 8-0 ao Famalicão, qual é a primeira memória que tem?
- É a de um rapaz chamado Celestino, que faz dois golos na própria baliza. Até acho que foi a maior goleada dessa época. Foi num jogo à noite na Luz?
- Neste 8-0, o plano geral do estádio mostra as bancadas quase desertas.
- No meu tempo de jogador, os jogos eram sempre à tarde e a média de espectadores era 45 mil. Quando os jogos eram à noite e passaram a ser transmitidos, ficou mais complicado. Nesse jogo não notei um divórcio entre adeptos e equipa mas pode ser um sinal de que seria um jogo mais fácil. Mas não posso explicar com certeza.
- A segunda derrota da época, com o Salgueiros, fica a meio dos encontros com o Parma. A campanha europeia afectou o campeonato?
- O objectivo sempre foi ser campeão, mas depois chega o momento das decisões, ali em Abril e Maio. É quando se conjugam alguns jogos que têm carácter decisivo para as diferentes competições. Aí não nos divorciámos da prova europeia. Aliás, fizemos um jogo de grande qualidade contra o Parma na Luz, tivemos oportunidade para golear, mas o que fica para a história é o 2-1. Depois em Itália, jogamos com dez a partir dos 20 minutos e só a 15 minutos do fim é que somos eliminados com um golo do Sensini.
- O empate com o Estrela antes do dérbi foi duro?
- Nunca projectei os dérbis em função do que se fez para trás. É sempre emoção, incerteza no resultado. Os dérbis são feitos de outras coisas, há-de ser sempre assim. Não sabemos quem vai ganhar nem o que vai acontecer. Mas é certo que se ficaria mais reforçado psicologicamente se tivéssemos vencido o Estrela. 
- Houve algo de diferente antes desse dérbi?
- Não. É uma semana muito especial para todos, mas não se treina mais do que nas outras. Há detalhes em que nos prendemos mais na abordagem, mas é mais uma semana especial para os adeptos e para a imprensa do que para aqueles que se envolvem nele. A única carga que traz é o detalhe, especialmente nas bolas paradas?
- O 3-2 no dérbi, num livre estudado, é resultado disso?
- O futebol não é basquetebol, não há a jogada um, dois e três. No momento, são os intérpretes que decidem tudo. A marcação de um livre lateral é sempre resultado da leitura que o jogador faz do leque de opções que tem e para haver essa sintonia e sincronização de movimentos tem de haver uma enorme capacidade de leitura. Naquele momento tudo se conjugou.
- O Queiroz disse numa entrevista recente ao i que só faltou o Neno entrar pelo lado direito. Houve alguma indicação durante o jogo para explorar esse flanco?
- Os próprios jogadores conseguem aperceber-se disso, através da sua cultura táctica. Não foi o Toni que mandou as tropas atacarem pelo lado direito. E o Neno também pagou para esse peditório, porque os dois golos que sofremos foram num ponto que não era forte nele, em bolas paradas. Mas não tinha lido essa do Neno?
- Queiroz também disse que o Veloso parecia um miúdo de 17 anos ao pé do Pacheco.
- O Veloso ainda hoje continua a ter o mesmo corpo que quando jogava. Já não tem é a força que tinha. Mas era daqueles jogadores que todos os treinadores gostavam de ter. Era uma máquina. Tivesse o filho a raça que o pai tem?
- O título aparece em Braga, contra o Gil Vicente.
- Sabíamos que estávamos perto e não o deixámos fugir. Não deixámos para outro dia. Entrámos determinados, o adversário também não estava a jogar em casa e soubemos ultrapassar esse obstáculo. 
- Quando é que sabe exactamente que não vai continuar?
- Antes do jogo de Alvalade já sabia que estava tudo tratado.
- E os jogadores sabiam?
- Não sei, talvez alguns. Para mim nunca teve importância, embora tivesse mais um ano de contrato, porque tinha era de ser profissional até ao fim. E sabendo disso já há uns tempos, desde Março (já não era propriamente o corno, que é o último a saber), nunca me desviei do objectivo. No fundo, foi só a forma como conduziram as coisas. Quem dirige um clube como o Benfica procura sempre o melhor e se achavam que outro treinador [Artur Jorge] era o homem com o perfil ideal, era muito simples. A forma é que me deixou magoado. Antes, Mortimore já tinha sido despedido depois de ganhar o campeonato e a Taça. Eu tinha ganho um e depois fiquei como adjunto de Eriksson. Se calhar era algo que não voltaria a fazer, ser campeão e voltar a adjunto. Não é dar tiros nos pés, é ficar sem pés mesmo.
...
Esse tempo já não volta mas orgulho-me dos 34 anos que estive no clube, como jogador, como treinador-adjunto, como director, como treinador. A história não apaga isso, mas não vivo agarrado ao passado. Vivo com o trajecto que o Benfica faz, com os seus êxitos, vivendo e sofrendo com isso.
- Foi por causa disso que nunca mais treinou outra equipa em Portugal?
- É uma decisão que tomei há muito tempo. Há razões que me levaram a que o fizesse.
- Pessoais, profissionais, sentimentais?
- Há uma mistura de muita coisa. Fica assim, fica no ar..."

Felizmente não passou a bola a ninguém

"Assim entrou para a lenda Cristiano Ronaldo - que já há muito tinha entrado para a história - com aqueles três golos iguaizinhos

DIFICILMENTE esquecerei aquele golo marcado por Karel Poborsky ao Sporting de Braga, em 1988, no Estádio da Luz.
Foi assim:
O checo pegou na bola à saída da área do Benfica e desatou a correr. Foi correndo e fintando todos os adversários e quando chegou à área adversária ainda se deu ao luxo de pregar uns quantos nós cegos em quem lhe apareceu pela frente antes de concluir a jogada com um remate certeiro que deu golo.
Vi esse jogo no estádio. Lembro-me do entusiasmo nas bancadas enquanto Poborsky avançava pelo campo sempre em grande velocidade e com a bola colada aos pés. Confiávamos todos no talento do checo e, em boa verdade, não confiávamos muito no talento da maioria dos seus colegas.
E, por isso mesmo, das bancadas gritava-se para Poborsky:
- Vai! Vai!
- Não passes a ninguém!
- Karel, não passes a bola!
E ele não passou a bola a ninguém e fez um golo inesquecível.
Na noite de terça-feira, muito me lembrei de Poborsky e dos incentivos dos adeptos do Benfica em prol da cavalgada solitária - não lhe fosse um colega estragar a jogada - ao ver Cristiano Ronaldo fazer precisamente a mesma coisa, e por três vezes, na Suécia.
Confesso-vos que ao ver Cristiano Ronaldo a receber a bola ainda longe da baliza sueca, transportei-me até aquele jogo de 1998 e dei comigo a gritar:
- Vai! Vai! Não passes a bola a ninguém!
E, felizmente, não passou. Assim entrou para a lenda Cristiano Ronaldo - que já há muito tinha entrado para a história - com aqueles três golos iguaizinhos, depois de três cavalgadas solitárias sem que o prodígio se tentasse com tabelinhas ou com outras menoridades do futebol colectivo.
Portugal está no Mundial de 2014.
Mas que grande artista.

JORGE JESUS foi suspenso por 30 dias pela justiça desportiva e só voltará ao banco do Benfica no fim de 2013. Deliberou rápido, em função dos padrões correntes, o Conselho de Disciplina da Liga e, quanto a mim, deliberou bem.
Não podia passar sem consequências o ataque de filoxera que acometeu o nosso treinador nos instantes que se seguiram à saborosa vitória do Benfica em Guimarães.
A justiça desportiva entendeu que o treinador do Benfica interpretou gestos grosseiros, à vista de todos, e que proferiu injúrias ao alcance de quem as ouviu e, neste particular, já não foram todos, apenas os circundantes.
Por sua vez, o CD da Liga, depois de ouvir os implicados, decidiu que Jorge Jesus não agrediu nem stewards, nem polícias, nem escuteiros e que também não atropelou nenhum fotógrafo numa eventual fuga para a frente. E mais uma vez vejo-me a concordar com a justiça desportiva. O treinador do Benfica, pelo que as imagens mostram, não bateu em ninguém,
Trinta dias de suspensão parece-me castigo suficiente para que Jorge Jesus, na próxima ocasião em que sinta a percorrê-lo as urgências do motim, pense duas vezes no assunto antes de avançar de peito feito contra as injustiças do mundo.
Admito que os adversários, especialmente os rivais do Benfica, considerem curto o castigo e não demorem a pôr cá fora que o Benfica domina isto tudo não só desde o tempo do Salazar como também do tempo do nosso rei D. Carlos I e último. É deixá-los falar. Ou, à laia de ponto final, digam-lhes que nós sabemos muito bem quem é que manda nisto tudo desde os últimos treze primeiro-ministros.
Voltando às coisas sérias, perdoem-me o interlúdio.
Também na justiça comum, e por causa dos mesmos desacatos, é Jorge Jesus alvo de um processo que já corre no Tribunal de Guimarães. Saúde-se, portanto, a celeridade da justiça, quantas vezes infamada por ser lenta, melhor dito, lentíssima. O treinador do Benfica, que arrisca pena de prisão, foi ouvido na passada segunda-feira no DIAP e saiu pelo seu pé.
É bem provável que Jorge Jesus vá malhar com os ossos nos calabouços primeiro do que o quarteto de jogadores do FC Porto acusados, também com suporte de imagem, de terem batido em dois stewards de serviço no Estádio da Luz, já lá vão quatro muito bem passados anos.
Quatro anos, é verdade. Como o tempo voa. Pelos jornais, ficou-se a saber que o treinador do Benfica se defendeu em sede de inquérito judicial descrevendo pormenorizadamente o incidente de Guimarães. Foi há tão pouco tempo que Jesus, já não sendo propriamente um jovem, lembra-se de tudo.
Já o incidente da Luz, por ter sido há quatro anos, não pode estar tão fresco na cabeça dos envolvidos. Helton, por exemplo, apesar de ser um homem razoavelmente novo não se lembra de nada do que se passou com os stewards na Luz. E foi precisamente isto que afirmou em tribunal o guarda-redes do FC Porto.
Alguém lhe pode levar a mal?

NAS selecções de Portugal dos pequeninos, os sub-21 e os sub-19, também a vida é bela. Esta semana despacharam os seus oponentes com grande pinta. Nas suas jovens selecções que estiveram em acção destacaram-se as exibições e os golos de um conjunto de jogadores do Benfica made in Seixal.
Não lhes vou escrever os nomes porque tudo o que contribua para cultos de personalidade em idades tão juvenis pode revelar-se nefasto. Mas que jogaram e marcaram como uns valentes, é indesmentível. Esta é uma boa notícia para os benfiquistas. A formação começa a dar frutos e é razoável pensar que, um dia destes, vamos começar a ter jogadores portugueses da casa na primeira equipa.
Já no jogo da Taça, com o Sporting, jogaram cinco portugueses de encarnado: André Almeida, Sílvio, Rúben Amorim, André Gomes e Ivan Cavaleiro. Nem todos foram titulares, é certo, mas todos deram o seu contributo numa noite muito especial e muito vibrante.
Estou quase tentado a pensar que, finalmente, temos berçário.

A Câmara Municipal de Lisboa vai comparticipar na edificação de um estátua a Cosme Damião, fundador do Benfica, através de um programa de apoio a propostas de cidadãos. Discutível? Sim, como tudo na vida.
Por uma questão de feitio, preferia uma estátua a Cosme Damião inteiramente paga por benfiquistas, cidadãos anónimos ou não tão anónimos, de modo a não ficar a dever nada aos poderes instituídos.
Se nos anos 50 do século passado, liderados por um presidente extraordinário, Joaquim Ferreira Bogalho, os benfiquistas construíram o Estádio da Luz à força de trabalho e de generosidade sem pedir um tostão ao Estado nem à Banca, não seria certamente impossível para tão alta gente, no século XXI, erguer uma estátua ao seu fundador sem recurso ao erário público.
O FC Porto, por exemplo, manifestou-se em comunicado contra esta sinergia Câmara Municipal de Lisboa - Sport Lisboa e Benfica que considerou «um luxo» e, utilizando uma linguagem muito articulada com os tempos de penúria em que o país vive, defendeu o rigor nas «contas públicas».
Estou cem por cento de acordo com o comunicado do FC Porto.
Tal como esta ideia da estátua ao fundador do Benfica nasceu de uma petição pública enquadrada em termos legais, é agora de esperar que o FC Porto das causas justas lance imediatamente uma petição pública, não para a edificação de uma estátua ao fundador do clube - visto que António Nicolau de Almeida foi destituído dessa honra -, mas no sentido da devolução à Câmara Municipal de Gaia e aos seus munícipes do centro de treinos do Olival.
A bem do erário público, naturalmente.
É que o Diário de Notícias ainda há pouco tempo noticiava que pagando o FC Porto à depauperada edilidade gaiense uma renda simbólica de 500 euros mensais, o referido centro de treinos do Olival só estará pago no longínquo ano de 2666. Nenhum de nós estará cá para ver.
Se ninguém fizer nada para obstar a esta situação, daqui a 653 anos, quando a Câmara Municipal de Gaia recuperar o seu investimento, acredito que a estátua a Cosme Damião ainda estará de pé porque sete séculos não serão suficientes para fazer aparecer um arqueólogo que se atreva a mudar a história do clube.
Gosto de Cosme Damião, naturalmente, porque sou do Benfica. E gosto do nome do nosso fundador. Tem nome de dois santos, São Cosme e São Damião, os santos da medicina.
Votos de boa saúde, para todos!"

Leonor Pinhão, in A Bola