Últimas indefectivações

domingo, 24 de março de 2024

Equipa ou Seleção?


"Discussão semântica sobre as escolhas de Dorival Junior (liberais a mais e conservadoras a menos) que se estreia este sábado à frente do Brasil

A reflexão que aí vem pode ser vista por muitos como mais semântica do que futebolística — e talvez seja mesmo. Mas aqui vai ela mesmo assim. A seleção francesa autodenomina-se Équipe de France, a italiana é conhecida como Squadra Azzurra, a inglesa chama-se English Team e a alemã é a National Mannschaft. Ou seja, todas elas são nomeadas, nas respetivas línguas, de equipa (équipe, squadra, team, mannschaft) e não de seleção, como é tradição nos países de língua espanhola ou portuguesa.
Não há nada de errado nisso, claro. São só palavras. Mas, sobretudo no caso brasileiro, pode ir além e tornar-se um conceito, uma ideia.
Como o Brasil foi abençoado — ou amaldiçoado? — com 60 ou 70 atletas de ótimo nível, as novidades nas convocações da seleção nacional são sempre vistas como um elogiável ato de coragem do selecionador. Já quando uma convocação inclui muitos jogadores do costume, chamam-na, na imprensa, de burocrática e, no boteco, de viciada. Como o Brasil foi abençoado — ou amaldiçoado? — com 60 ou 70 atletas de ótimo nível, os jogadores nucleares por aqui não são tão nucleares assim. Por isso, usa-se muito a expressão, na imprensa e no boteco, futebol é momento, que serve para contestar a presença de um atleta nuclear em má forma e exigir a presença de outro, ainda que inexperiente.
No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia de Ciência de Lisboa, seleção é «a ação de escolher objetos ou indivíduos». Já uma equipa é «um conjunto de pessoas unidas na realização de uma tarefa comum».
Ao chamar um generoso grupo de oito estreantes mas apenas oito sobreviventes do Mundial de há um ano e meio, Dorival Júnior preferiu reunir uma seleção do momento a começar a construir uma equipa com bases sólidas e conhecimento mútuo.
E as seleções costumam perder para as equipas, como no Catar a seleção brasileira perdeu para a equipa croata, construída pacientemente por Zlatko Dalic, um treinador que, como não tem um lote de 60 ou 70 jogadores de ótimo nível, não está nem aí para essa frescura do futebol é momento – vão sempre estes, em forma ou não, e acabou.
Aliás: na última vez que foi campeão do mundo, o Brasil abdicou de uma seleção com o craque Romário, em ótimo momento, em benefício da construção de uma equipa. Mais: em benefício da construção de uma família, a famosa por aqui família Scolari."

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Uma Semana do Melhor, excerto...

Total, excerto...

Central, excerto...

Ataque, excerto...

Total, excerto...

O Futebol é Momento, excerto...

Sagrado, excerto...

sábado, 23 de março de 2024

Bem...

Ferreira do Zêzere 4 - 6 Benfica

Boa vitória, com alguns golos bem trabalhados coletivamente, mas com demasiados golos sofridos...

Terceiro Anel: Bar do Cosme #8 - A Polemica está servida! A Incrível entrevista de Kokçu e as suas consequêcias

BI: Megafone #16 - "A estatística abona muito em favor do treinador"

BI: Bancada Jovem #11 - Vitórias pequenas, sonhos grandes

Benfica, o que queres ser quando fores grande (novamente)?


"Tenho uma relação amor-ódio com o Vietname Benfiquista.
Por um lado é evidente que será sempre forçosamente recordada como uma das épocas mais negras na nossa história, se não a mais negra.
Por outro, incrivelmente é das épocas das quais guardo mais carinho e saudades, já que foi quando comecei a ter autonomia para frequentar a Luz e dedicar uma atenção mais associativa ao nosso Sport Lisboa e Benfica.
De todas as camisolas que tenho em casa, as únicas expostas são as camisolas da Telecel/Netc e emociono-me quando penso nas tardes que vivi naquele Estádio, ao perceber fora do contexto dos relatos da TSF o que era e a magnitude que representava ser adepto do Sport Lisboa e Benfica.
Vivíamos atordoados ainda pelo rumo recente que o clube começava a seguir, apesar dos variadíssimos sinais que assim o indicavam já no início dos anos 90, e estávamos sempre plenamente convencidos que na época seguinte haveria um reset emocional e tudo seria como dantes. Este sentimento acompanhou-nos todas as épocas sem excepção, inclusive depois do famoso 6º lugar. "Para o ano é que é!", dizia-se. E se tivesse sido, tudo teria sido perdoado. Seríamos enormes de novo!
Viviamos iludidos, afinal em tempos não muito longínquos o Sport Lisboa e Benfica tinha tido equipas de futebol que podiam, com algo mais de sorte, ter tido uma carreira distinta na Europa, e o regresso dos êxitos seguramente estaria ali ao virar da esquina.
Sonhávamos com os troféus que iríamos conquistar quando chegassem as remessas de dinheiro enviadas pelos sócios residentes nos U.S.A. e com os craques que aterravam na Portela, com as promessas dos Presidentes e dos candidatos a Presidente. Caniggia, Paulo Nunes, Amaral, Gamarra, fora os outros que frequentemente apareciam na capa da Bola estando "Na rota da Luz". Não havia outras fontes de informação, agarrávamo-nos aquilo.
Lembro-me um dia de aproveitar o intervalo de um jogo de rua, daqueles que duravam 5 horas, para lanchar enquanto via as ultimas noticias no Teletexto da RTP. Lá vinha em maiúsculas "POBORSKY NO BENFICA". Desci à rua ansioso por esfregar aquela bomba na cara dos meus amigos sportinguistas.
Caramba, éramos enormes. Passaram-se mais de 25 anos. E continuamos a viver no pensamento e ilusao de achar que ainda somos um monstro adormecido.
Um Hércules que a qualquer instante despertará deste pesadelo que é não sermos capazes de reinar confortavelmente a nível interno e fazer frequentes brilharetes lá fora, tendo em conta os recursos de que dispomos.
E, sobretudo, um recurso que todos no Mundo invejam e poucos podem igualar: a dimensão da sua massa adepta.
Nunca devemos perder o respeito e o reconhecimento aos nosso principais adversários no futebol, Sporting Clube de Portugal (SCP) e Futebol Clube do Porto (FCP). Nem nunca devemos confundir pessoas com instituições.
Dito isto, resulta-me difícil compreender a dificuldade crónica que o Sport Lisboa e Benfica tem para conseguir uma presença mais dominante na paisagem dos títulos em Portugal. Se, de uma forma natural, deveria ser algo recorrente a conquista de Taças e Ligas, mais ainda o deveria ser tendo em conta os momentos que os referidos rivais têm atravessado.
O SCP continua a ser um saco de gatos onde ninguém se entende e ainda anda a apanhar cacos derivados de décadas de más gestões financeiras e desportivas. Já o FCP, e apesar das suas recentes conquistas inclusive internacionais, só não anda a navegar do 3º lugar para baixo porque insistentemente e de forma absolutamente incompreensível continuamos a lançar-lhes bóias de salvação em pleno alto-mar.
Depois eles sobem ao barco, tentam empurrar-nos borda fora, tropeçam sozinhos e voltam a cair ao mar, e lá vai outra bóia. É assim há anos.
E no meio deste convés, nós os adeptos, impotentes a observar tudo, com uma raiva que nos consome e sem percebermos muito bem o porquê de não ser possível ter um rumo que saiba honrar e defender os valores, orientações e ambições do nosso clube.
Não é problema desta Direcção, nem das anteriores, é estrutural. É um problema de todos.
Não discuto nem por um segundo que Rui Costa queira e deseje o melhor para o Sport Lisboa e Benfica, mais faltaria questioná-lo sobre isso.
O que quero trazer à discussão é se de facto continuamos a ser o tal monstro.
Talvez fosse positivo dar um ou dois passos atrás na escadaria da ambição e reflectir bem sobre que Clube queremos ser e onde queremos estar dentro de 5, 10 e 20 anos.
Reflectir sobre os valores que queremos ver aplicados.
Reflectir no respeito que os sócios do clube merecem e que muitas vezes nao o têm, por parte de sucessivas Direcções que insistem em considerar-nos como meros adeptos anónimos cujo único propósito é gastar o máximo de dinheiro possível em merchandising.
Reflectir porque não temos um Departamento de Comunicação que sirva precisamente os sócios.
Reflectir porque estamos constantemente a ser associados a prácticas menos positivas.
Reflectir sobre o que verdadeiramente é o Sport Lisboa e Benfica.
Daqui por 10/15 anos quando no Benfica Independente quiserem fazer programas com antigas glorias, conseguirão eventualmente trazer à conversa Diamantino, Joao Vieira Pinto ou Mozer, mas poucos mais! Porque a partir daí, então, não vão conseguir ninguém. As futuras velhas glorias não existem.
Vai sendo hora de tentar obter uma outra perspectiva daquilo que somos e do que queremos ser. Cavar, a partir daí, a senda dos êxitos. Com um rumo. Com organização de ideas. Deixar a conversa da ambição Europeia de parte, perceber como é que queremos lá chegar, aprender com os erros. Com os nossos erros e com os erros dos outros (AJAX estou a olhar para ti). Perceber porque continuamos na fanfarronice de apresentar Di Maria daquela maneira, só faltou a volta olímpica ao Marquês.
Não significa isto que devemos deixar de lutar por títulos. O Benfica nunca pode deixar de lutar. Significa lutar por eles com outros óculos. Com óculos de seriedade, de pragmatismo, de passos acertados. De varrer de uma vez por todas com tudo e todos os que prejudicam o Clube. Óculos que permitam blindar o Benfica a tudo o que é prejudicial, interno e externo, com pessoas competentes em rigorosamente todas as secções e departamentos. Encarar de frente esse medo cénico que é o FCP e tratá-lo. Sao muitos anos, 40 anos é demasiado tempo para ter medo do que quer que seja. Perceber que para eles nunca será só mais um jogo, que vivem para nos ver desaparecer nas Distritais, e que cada jogo é uma guerra e pode ser o ultimo dia da vida deles.
Arrumar de vez os óculos saudosistas de épocas passadas. Temos ganho coisas, sim. Foram feitas coisas boas, também. Agora imaginar como teria sido com o Penta mais fácil da história do Futebol Mundial, com gestões cuidadas e pensadas. Com critério e rigor. Seríamos o tal monstro que, à imagem de uma ou outra Liga, seria capaz de vencer 8 campeonatos em 10. Quero lá saber se a Liga Portuguesa ficaria menos interessante do que já é. Eu quero é ver o meu clube ganhar. Sempre.
Viva o Sport Lisboa e Benfica!"

Kokçu ajudou Roger Schmidt


"Se a razão estivesse toda de um lado, nenhuma discussão durava mais do que cinco minutos... Mais uma página do Livro do Desassossego

No mar revolto em que se podem transformar os meus pensamentos, dou por mim a pensar que ainda vamos chegar à conclusão que Kokçu prestou um favor a Schmidt com a entrevista que deu à publicação holandesa De Telegraaf. Num ápice, o treinador deixou de ser o foco principal da contestação e viu o seu estatuto reforçado. Se Kokçu entendeu que o ambiente de crispação entre os adeptos e o treinador lhe conferiam terreno fértil para plantar o desabafo e colher solidariedade dos benfiquistas, já chegou à conclusão que, em termos de futebol, Portugal sempre foi um país de direita: o adepto põem-sempre ao lado do patronato, no caso, o Benfica e a sua imagem. Ironia das ironias: os adeptos que condenam Kokçu por ter discordado publicamente de Schmidt são os mesmíssimos que brindaram o treinador com uma assobiadela nunca ouvida e lhe arremessaram objetos por uma simples substituição!
Pensemos um pouco na nossa vida profissional: quem não sentiu já que não estava a ser valorizado pelo seu superior? Ou que o chefe foi injusto? Engolir em seco faz de si melhor profissional? Se engolimos em seco é por medo das represálias, não é por entendermos que é o mais correto em prol da empresa e do espírito de grupo. E é aqui que me coloco ao lado de Kokçu antes mesmo de avaliar se tem ou não razão: ele deu uma entrevista que foi meticulosamente pensada; deu a cara e não mandou recados por ‘fontes ligadas ao jogador’; foi ponderado no tom; assumiu as consequências. Respeito-o por não ter pedido desculpa, neste tipo de situações, por norma cheiram a falsidade e rabinho metido entre as pernas. Mostra personalidade. Tenha ou não razão.

A febre é um aliado do corpo
Deslealdade não é assumir publicamente discordâncias. Deslealdade é ser hipócrita e boicotar o esforço de uma equipa. Não são as declarações de Kokçu que podem provocar um efeito negativo no balneário. O mensageiro não criou um problema, o mensageiro revelou que existe um problema. Pessoal. E não é por a mensagem ser pública, privada ou guardada apenas para si que Kokçu está mais ou menos comprometido. Comparo o desabafo de Kokçu com um sintoma febril. A febre é forma que o corpo tem de comunicar e passar a mensagem de que algo está mal e nos obriga a ir em busca da causa e da solução para o problema. E é neste diagnóstico, e não na febre, que o Benfica tem de se preocupar.
Numa liderança forte não há melindres, apenas argumentos. O Benfica deveria estar menos preocupado em fazer ver ao médio turco que errou ao assumir a sua opinião publicamente e mais em explicar-lhe que está errado na análise. Se Kokçu for um caso isolado, fica a falar sozinho. Mas se não for o único a pensar assim, entre dois limites é mais útil ao Benfica uma crítica assumida que permite o combate ao problema do que um descontentamento escondido. Kokçu tem é de ser avaliado pela qualidade do treino, pelo comprometimento, pelo cumprimento das instruções do treinador, goste ou não delas. Se for aprovado nestes critérios e chumbar apenas no embrulho de uma entrevista, Kokçu só será um problema se o Benfica quiser que seja.

Três conselhos a Kokçu
Kokçu garante que, antes de falar publicamente, expôs os seus argumentos a Schmidt. É um exercício interpretativo, mas não concluo da entrevista que foi egoísta e pensou apenas em si. Acho que foi mais um exercício de defesa e explicação perante quem, em Portugal, o considera um flop e questiona os 25 milhões pagos pelo Benfica; e perante quem, nos Países Baixos, não entende a razão de não estar a brilhar ao nível que o levou a ser considerado o melhor jogador do campeonato na mais unânime votação de sempre. Passou de menino bonito e idolatrado para um clube e um país onde era um perfeito desconhecido. E sentiu isso.
Eu entendo que Kokçu se sinta confuso. Schmidt nem sempre foi linear. Em apenas um mês foi médio centro ao lado de João Neves, médio ofensivo no apoio ao avançado, médio esquerdo e… suplente. Mas mesmo entendendo tudo, três conselhos deixo a Kokçu:
1 - Não se menospreze, assumindo, ainda que sem o perceber, que só pode render onde se sente mais confortável em função das suas características.
2 - Leia a brilhante entrevista que Bruno Fernandes concedeu a A BOLA, mormente na parte em que ele explica como a necessidade de se ajustar a diversas posições o obrigou a evoluir e a tirar partido de outras características – e a cooperar melhor com os companheiros em campo – e como se pode partir de uma posição mais fixa e recuada para se ser mais livre do que nunca;
3 - Peça conselhos a Aursnes, o segundo melhor jogador do último campeonato – para muitos o melhor – numa posição que deixou de ocupar esta época. Ainda assim, se não é o melhor anda lá perto como melhor lateral-direito do campeonato e um dos mais competentes laterais-esquerdos. Kokçu tem de respirar fundo. Não tem de responder pelo preço que o Benfica pagou para o contratar. Mas tem uma palavra a dizer quanto ao preço que o Benfica vai pedir por ele."

Portugal, o Manchester City das seleções nacionais


"Um Europeu apenas começa a ser curto para tanto talento numa Seleção que não só pode ambicionar a grandes conquistas como a deixar marca pela forma de jogar

Tak, Jon! Obrigado! Embora com diferente pronúncia, vale tanto para dinamarqueses como para suecos. Já os noruegueses precisam de mais um k para dizer o mesmo, um erro que faria com que nos levasse a pedir ao técnico para olhar para o teto. E o bom do Tomasson, antigo goleador de uma das equipas com mais refinado gosto em equipamentos de que há memória e hoje selecionador do diabólico Gyokeres, lá teria ainda mais razões para achar que é Portugal o Tibete das seleções e está no teto do mundo no que à qualidade diz respeito. «É o Manchester City!» Pronto! Olhando para a lógica dos suecos, e mesmo que se trate de um adotado e não original, que chamam mor e far respetivamente a pai e mãe e depois mormor e farfar a avó e avô, não será difícil encontrar alguma linearidade no raciocínio.
Há, contudo, uma grande diferença, Jon. No lado azul de Manchester, o dinheiro dos Emirados deu para tudo. Para comprar talento, mas também para plantá-lo e nutri-lo. Há Haaland, Álvarez, Bernardo, Rodri, entre tantos outros, porém também Foden, Lewis e Bobb. Enquanto formos pobres, vivermos sob a ameaça de troikas e populismos oportunistas e extremistas que ainda mais nos empobrecem, sobretudo a nível de espírito, e não encontrarmos petróleo na Lourinhã ou em qualquer outro lugar, teremos de ser o que temos sido: verdadeiros MacGyver na formação, por vezes até contra a nossa própria natureza. Só assim pudemos preencher os 30 metros que nos faltavam, moldar o guarda-redes que não tínhamos, construir os laterais que só víamos nos outros e alargar as fronteiras de um pequeno país periférico, onde as novas ideias chegam mais tarde, já trocadas e digeridas, e o talento estrangeiro se apresenta demasiado verde ou para lá do maduro, até se tornar uma potência do jogo.
É para o fruto dessa dedicação, primeiro por carolice, depois integrada numa visão mais global, que as gerações mais novas olham sem questionar os rótulos que lhe colam. Como o de um Manchester City das seleções, em que há dois ou mais jogadores de altíssimo nível por cada posição, e que leva a que depositemos hoje mais expetativas numa consagração que começa a não andar a par com o potencial que se leva para o campo. Um Europeu apenas é agora curto quando antes já foi tudo. No entanto, é preciso não esquecermos o que somos, de onde viemos, e que por cada Blue Moon que nos oriente o caminho há também um Liverpool algures escondido na seleção francesa, um Arsenal na espanhola ou um Chelsea na alemã. E todos na inglesa.
Além disso, mais do que os troféus será sempre importante o caminho que nos conduzirá à glória. Apaixonei-me em 2000 naquele frenético 3-2 à Inglaterra e nunca mais esqueci essa seleção, apesar de todos os seus defeitos. A culpa foi do túnel de vento criado pelas pernas de Tony Adams no tomahawk Ipiranga de Figo, do cruzamento de Rui Costa para o voo de JVP depois de inúmeros passes em cadeia, da délicatesse que um Nuno Gomes acrescentava sempre que usava as quinas ao peito e da força de vontade de um Conceição disposto a colar o selo de obsoleta a uma sempre beligerante Alemanha, que lá teve de renascer uma vez mais das próprias cinzas. E era, sobretudo, uma Seleção que bailava e inspirava. Era o Brasil da Europa mesmo que, apesar da arrogância capilar de Abel Xavier, andasse cheio de dúvidas quanto ao lateral-direito e trocasse a geometria quase infalível de il regista Paulo Sousa pela consistência de Vidigal, Paulo Bento ou Costinha, dois dos quais em simultâneo. Porque depois, em campo, tudo fazia sentido. Portugal disse adeus ao sonho nas meias-finais e nunca mais teremos visto um futebol como aquele. Foi a nossa vez de sermos Áustria, Hungria ou Holanda. A uma medida muito nossa.
Já em 2016, quando ganhámos, fizemo-lo em losango, com Adrien, um 6, na posição 10 para que anulasse as grandes figuras dos outros, os médios-centro Renato Sanches e João Mário a fechar direita e esquerda, à frente de William ou Danilo, e Nani a vaguear nas costas de Cristiano Ronaldo. Ricardo Quaresma e a sua trivela tinham de ficar à espera, só havia lugar para dois criativos no plano A. Em 11. Apurámo-nos a empatar, um islandês marcou um golo de que não precisava, ganhámos a outros underdogs para lá dos 90 ou nos penáltis, apenas nos soltámos diante do País de Gales e acabámos a plantar um Maracanazo em plena Paris, graças a uma dupla fezada. A de Fernando Santos no último dos anti-heróis e a de este, de Éder, num remate que não parecia seu, empurrado por todos os que gritaram chuta!, em uníssono e para si próprios, de todos os sítios de onde se falava português no Stade de France. Para lá disso, orações, suor, concentração, rigor e... sorte. Claro que lembraremos essa conquista por ter sido a primeira, porém a história recordará contos mais belos, se os conseguirmos escrever. E temos de conseguir.
Ainda faltam uns meses e acredito que Roberto Martínez já tenha a lista praticamente fechada. Até me parece que deverá ser, habituais birrinhas à parte, a mais consensual de que me lembre se, como esperamos, nenhum azar surgir. E, caso surja, também será seguro afirmar que há vida para lá desta. Bastante, aliás. No entanto, mais importante do que quem esteja ou não na convocatória final, desde que o núcleo duro esteja garantido, é sabermos que há fundamentos para podemos vestir a nossa verdadeira pele, uma pele de gente grande. Então, nessa altura, as palavras de Jon Dahl Tomasson, fossem ou não de circunstância ou motivadas por Portugal ser o próximo adversário em campo, podem ser tão proféticas quanto possível.
A seleção portuguesa não deve ver-se a si mesma como um Manchester City apenas enquanto aglomeradora de talento, mas também como este quando joga de acordo com a sua identidade, não condicionada pelos rivais."

Futebol feminino: um espaço seguro


"Deem condições ao futebol feminino e este agarrará mais público e novos públicos

O Estádio da Luz recebeu, na terça-feira, 19.736 adeptos para um jogo dos quartos de final da Liga dos Campeões feminina. No mesmo dia, o Ajax recebia o Chelsea e os Países Baixos batiam o recorde de maior assistência num jogo de futebol feminino: foram mais de 35 mil nas bancadas.
No caso do Benfica-Lyon, o jogo era transmitido em direto na TVI, mas isso não demoveu os quase 20 mil espectadores de irem ao estádio. Porquê? Muitos, suspeito que por ser na Luz. Quanto mais oportunidades o futebol feminino tiver de criar a sua ligação com o público num palco à altura, mais essa relação se vai desenvolver, evoluir e tornar-se um hábito. Os adeptos de futebol não são propriamente um público difícil: deem-lhes o seu estádio, a sua cadeira, o seu cachecol e a sua equipa e, normalmente, está feito.
Mas o segredo não está só aqui. Quem esteve na terça-feira no Estádio da Luz não precisou de olhar muito à sua volta para notar o óbvio: o futebol feminino começa não só a convencer o público do masculino (até as claques), como, e sobretudo, está a adicionar novos públicos ao futebol. Várias famílias, muitas mulheres, imensas meninas e aquele brilho no olhar de quem finalmente se pode identificar com alguém no relvado. O futebol feminino pode ser, se lhe derem as condições para isso, o espaço seguro que tanta gente deixou de ter ou nunca teve no masculino. Não percamos tempo a analisar as diferenças entre os dois, admitamos só que em algo falhámos num para que alguém agora pense que só pode levar os filhos (ou as filhas) a outro.
O espaço também é seguro porque é mais autêntico. As jogadoras são mais reais, estão mais próximas, falam a mesma linguagem. Não cresceram em centros de treino que formam futebolistas para não falarem, raramente se aproximarem ou dizerem aos microfones que têm de pensar jogo a jogo. Antes da partida começar, ouviu-se uma mensagem durante o espetáculo de luzes no estádio. Não é novidade nos jogos do Benfica em casa, mas as palavras soavam mais acertadas, mais verdadeiras. Sim, estava ali um grupo de guerreiras que ia levar o nome do clube mais alto. Em campo, foi isso mesmo que aconteceu e, apesar da derrota, frente à equipa que mais vezes venceu esta prova, a equipa feminina do Benfica mostrou que já avançou muito em pouco tempo e que, daqui a uns anos, continuando esta aposta, poderá ter outros trunfos para ganhar este tipo de jogos.

Promessas no FC Porto
No mesmo dia, a candidatura de Pinto da Costa à presidência do FC Porto prometeu que terá uma equipa sénior de futebol feminino no próximo mandato. Depois de um atraso inexplicável de anos, os portistas - e sobretudo as portistas - poderão finalmente começar a construir este espaço seguro com as suas cores. Nem tudo tem sido agradável na campanha azul e branca e o tom tem azedado, mas pelo menos nisto a concorrência está a trazer evolução."

Dixit:

Jéssica Silva não está lesionada e não somos todas vacas


"Filipa Patão está em rota de colisão com Jéssica Silva e A BOLA noticiou isso mesmo em primeira mão na quarta-feira, dia 20 de março, depois de a avançado ter sido excluída do jogo da Liga dos Campeões com o Lyon. Nesse dia assinei uma notícia a contar a história, depois de confirmar a verdade, ouvindo várias partes envolvidas.
Demos conta de uma reunião que existiu entre a treinadora e a internacional portuguesa, promovida pelo Benfica, para tentar acalmar o impacto que teve no grupo a decisão de afastar Jéssica Silva de um jogo importante, que as águias acabaram por perder. No dia seguinte o Benfica fez sair uma nota informativa no site, dizendo que a jogadora, de 29 anos, estava a realizar tratamento. Não disse que estava lesionada, porque não está. O Benfica sabe que não está e nunca disse que estava.
A verdade é que esta decisão do Benfica de justificar a ausência de Jéssica Silva com um tratamento motivou comportamentos vergonhosos que só refletem que há adeptos a olhar para o futebol feminino com os mesmos olhos errados com que olham para o masculino. Tenho sido inundada com mensagem insultuosas a chamarem-me de «vaca mentirosa» por noticiar que a ausência de Jéssica Silva da competição se deve a opção técnica de Filipa Patão e tenho a certeza de que a treinadora do Benfica e a própria jogadora recebem muitas mais mensagens semelhantes nas suas redes sociais.
Só me entristece, e certamente também entristece ambas (que conheço e com as quais já falei sobre a projeção que pretendem que o futebol feminino tenha), é que se ofenda desta forma mulheres que só estão a fazer o seu trabalho. O meu é, apenas e só, o de cumprir o meu dever como jornalista: informar com verdade. E sim, Jéssica Silva não está lesionada. Está a treinar com as restantes jogadoras do Benfica e, para além de não ter jogado com o Lyon, também não vai jogar este sábado com o SC Braga porque Filipa Patão não quer e excluiu-a, uma vez mais, das convocadas. Não o pode fazer? Claro que pode!
Como treinadora, Filipa Patão tem todo o direito de convocar quem entende que está em condições de dar o melhor pelo Benfica. Jéssica Silva tem todo o direito de ficar magoada com as atitudes da treinadora, porque também ela quer dar o melhor pelo Benfica. Não há é necessidade de não o assumir, porque isso só faz com que nos ofendam, a todas, e nos carreguem com mensagens vergonhosas. Isto é só futebol!"

Prioridades...


""𝐀 𝐩𝐫𝐨𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬ã𝐨 𝐝𝐨𝐬 𝐜𝐥𝐮𝐛𝐞𝐬 𝐟𝐫𝐚𝐧𝐜𝐞𝐬𝐞𝐬 𝐧𝐚𝐬 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐞𝐭𝐢çõ𝐞𝐬 𝐞𝐮𝐫𝐨𝐩𝐞𝐢𝐚𝐬 é 𝐮𝐦𝐚 𝐩𝐫𝐢𝐨𝐫𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐚𝐛𝐬𝐨𝐥𝐮𝐭𝐚" - Liga Francesa, em comunicado.
Por cá, o Sport Lisboa e Benfica , no período em que tem a eliminatória contra o Marselha, ainda tem os jogos que podem decidir uma época, contra o Sporting.
E a Liga o que faz? Nada!! Assobia para o lado e fica à espera que sejam os clubes a mendigar um adiamento. Uma Liga que vive do mesmo jeito que a burguesia.
Que aprendam alguma coisa com a Liga Francesa. Aprendam com se defende os interesses dos seus clubes e o seu prestígio.
Entre o dia 11 e o dia 18 o Marselha apenas joga contra o SL Benfica. Já o SL Benfica ainda tem um jogo pelo meio, para a Liga."

Contrastes...

Pontos Bónus...

Fim de semana preenchido


"Esta edição da BNews é dedicada a diversos temas da atualidade benfiquista.

1. Atividade nas seleções
Foram vários os futebolistas dos plantéis das equipas A e B do Benfica em ação pelas seleções nacionais.

2. Forte presença
São 10 os jovens futebolistas do Benfica na Seleção Sub-18.

3. Jantar dos nomeados
Rui Costa esteve acompanhado, em jantar na tribuna presidencial, pelos 64 nomeados, de oito categorias, para os Galardões Cosme Damião.

4. Sempre em evolução
A nova APP Benfica já está disponível.

5. Jogos do dia
Em futsal, o Benfica desloca-se a Ferreira do Zêzere (20h00). A equipa feminina de voleibol joga com o Vitória de Guimarães, às 18h00, em Viana do Castelo, a contar para as meias-finais da final four da Taça de Portugal.

6. Agenda do fim de semana
No sábado, há os seguintes jogos: a equipa feminina de futebol recebe o Braga, no Benfica Campus, às 14h00; em voleibol, Benfica-Sporting, às 15h00, relativo às meias-finais da final four da Taça de Portugal; à mesma hora, visita à Ovarense em basquetebol; também às 15h00, em Torres Novas, a equipa feminina de basquetebol discute a passagem à final da Taça de Portugal com o Quinta dos Lombos; às 17h00, receção, na Luz, ao CH Carvalhos em hóquei em patins; e, às 18h00, deslocação ao recinto do Marítimo em andebol.
No domingo, os Sub-15 recebem o Marítimo às 11h00. A equipa feminina de andebol é visitada pelo Madeira SAD às 16h00. À mesma hora, a equipa feminina de futsal tem encontro marcado, na condição de visitante, com o Atlético. E, às 17h00, desafio de hóquei em patins, no feminino, no rinque do Escola Livre."

Aquecimento....

História Agora

Dia Mundial da Poesia. ❤️

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cinco ilações do Portugal x Suécia

A Verdade do Tadeia #2024/145 - Seleção de goleada

ESPN: Futebol no Mundo #322 - A estreia de Dorival com a seleção brasileira e tudo sobre a Data FIFA

O pequenote que se tornou no grande ‘Monstro de Trieste’


"A História da luta-livre guardou aquela tarde em que Raicevich destruiu o sérvio Antonich, de 210 cm.

Os irmãos Raicevich eram danados para a porrada. Tinham tamanho para isso, é preciso dizê-lo, sobretudo, com perdão desta misturada frase, quando começaram a ter tamanho para andar à bofetada nas ruas e pracetas de Trieste, ainda antes de esta magnífica cidade do Adriático ter passado para as mãos do Império Austro-Húngaro. Falo dos últimos anos do século XVIII, mesmo à beirinha do XIX. Roberto Massimo e Emilio Ruggerio eram os mais dados a lutar só por lutar, aquilo que nós começámos por chamar de luta-livre e os britânicos de ‘wrestling’ (expressão que os norte-americanos utilizariam mais tarde para aquela espécie de palhaçada em cima de um ringue), sendo que os franceses patrioticamente trataram de apelidar de luta francesa, um termo utilizado para o que é a também tida como luta greco-romana, sendo que os especialistas se rebelaram maioritariamente contra esta última designação. Mas, não percamos o fio à meada, e voltemos aos irmãos Raicevich e, principalmente, àquele do qual ainda não falei e que foi o mais conhecido de todos eles: Giovanni Raicevich.
Aposto que já olharam para a fotografia do bom Giovanni, aí ao lado, e já o terão classificado com vários adjetivos, do ridículo ao grotesco. Eram assim os lutadores do seu tempo, muitos outros até com figuras muito mais atarracadas. Neste caso sou muito a favor do domador de leões do Circo Areola Paramés. Farto de um fulano que, no sossego do exterior da jaula, resolveu apepiná-lo à custa de frases como «isso é tudo uma aldrabice!», «o leão foi drogado, está meio a dormir!», «isso é só para enganar a malta!» e por aí fora, se limitou a responder: «Anda dizer isso cá para dentro». Pois… Acham o nosso mano Raicevich mais novo um bocado bizarro? Gostava de vos ver dizerem isso em voz alta com o sujeito pela frente.
A família Raicevich sempre esteve ligada ao exercício físico pois o pai abriu um ginásio num tempo em que os ginásios eram coisa rara, sobretudo em Trieste. Pobretes mas alegretes, fomentavam rivalidades de bairro ou mesmo de rua para cobrarem uns tostões aos que estavam dispostos a desembolsá-los para ver dois calmeirões em cima de um ringue, agarrando-se um ao outro, torcendo braços, amarrotando cotovelos, amachucando rótulas e pingando suor até que um deles desse as tais três palmadas no chão que tinham o peso das pancadas de Moliére mas ao contrário: serviam para indicar desistência e acabar com o espetáculo em vez de anunciarem que estava prestes a começar.
Em 1902, os manos Raicevich meteram-se num barco rumo a Alexandria, no Egito, para o seu primeiro grande debute internacional, tendo todos eles regressado com medalhas espetadas nas volumosas peitaças. Foi um ano particularmente especial para Giovanni que se tornou profissional e começou a ser convidado para combater com os grandes lutadores do seu tempo, como foi o caso do sérvio Simon Antonich, um bicho de imponentes 210 centímetros de altura e 130 quilos de peso, que prometera esmagar os seus 172 centímetros e os seus apenas 110 quilos. Pobre Simon. Não sabia com quem se estava a meter. Raicevich chegou-lhe a roupa ao pelo (embora combatessem sem roupa e praticamente em pelo), vitória essa que teve um expressão internacional intensa. Nos anos que se seguiram, além de campeão da Europa, conquistou o primeiro lugar nos torneios sonantes de Liège, Krefeld e da Vestefália. Em 1906 percorreu a América do Sul colecionando vitórias atrás de vitórias. No ano seguinte, espancou sem piedade o francês Paul Pons, não por acaso alcunhado de ‘Le Colosse’, tal como o fizera uns meses antes ao seu compatriota Laurent le Beaucairois, garantindo dois títulos de campeão do mundo. Depois, já na fase em que Trieste voltou a ser italiana, manteve-se por casa e foi campeão de Itália ininterruptamente desde 1907 a 1929. Um tédio! No entretanto vestiu a farda e cumpriu o seu dever no Exército Italiano nas batalhas de Piave e Isonzo, durante a IGrande Guerra. Ah! Sim. O povo tinha uma paixão assoberbada por Giovanni Raicevich! Se alguns viam nele uma personagem digna de comédia, outros olhos o contemplavam sob a aura de herói. Um checo, Hans Kavan, desafiou-o para lutarem. Giovanni aceitou mas avisou desde logo que seria a última luta da sua vida. Como é óbvio, ganhou-a. Em seguida entregou-se à disposição do realizador Ubaldo Maria Del Colle que o transportou para o cinema fazendo de Maciste, a hercúlea invenção dos livros de Gabriele d’Annunzio e Giovanni Pastrone. Continuava remediado. Nem o sucesso de bilheteira de L’uomo della Foresta lhe garantiu a existência. O Comité Olímpico Italiano entregou-lhe 5000 liras por mês até morrer. Aguentou-se até aos 75: o ano de 1957 levou de vez ‘O Monstro de Trieste’."

sexta-feira, 22 de março de 2024

BI: Modalidades #149 - Semanada...

RND - 45 minutos...

Terceiro Anel: Bola ao Centro #42 - Batalha de Glasgow, dúvidas de Jogo e uma Cabeça de Turco!

António Pacheco 1966 - 2024 🤍 Descansa em paz, sabendo que por mim, estás perdoado... 🔴⚪🦅


Lanças...

Entender o ‘caso’ Kokçu


"Kokçu pensa no Benfica como um entreposto e que após um ano sairia com contrato milionário

O caso da entrevista de Kokçu é de simples compreensão. Alguém convenceu o jogador turco, durante a abordagem negocial para a sua contratação no verão passado, que o Benfica não seria uma regressão ao Feyenoord, mas ótimo clube, com condições de trabalho ímpares, infraestruturas e meios tecnológicos ao nível das dos melhores do Mundo, que Portugal é um país lindo para se viver com muito dinheiro e, acima de tudo, que o Benfica competiria este ano na Champions e que tem garantido rápida projeção de jovens jogadores para os clubes ricos e bem pagantes das principais ligas europeias.
Ou seja, que não iria ficar muito tempo num campeonato pobre, pouco competitivo e a ganhar cinco a dez vezes menos do que pretende e crê que merece pelo talento a si reconhece e que outros (talvez) também.
Não se sabe se o médio, então com 22 anos (23 completados em dezembro), lá nos Países Baixos, onde fizera toda a carreira, terá ficado satisfeito, mas bastava-lhe uma breve investigação às transferências do Benfica nos anos mais recentes. No caso de jogadores estrangeiros, Enzo Fernandez (após meia temporada,121 milhões de euros) Darwin Nuñez (duas temporadas, 85 M€), Grimaldo (custo zero); ou os produtos da formação, Gonçalo Ramos (65 M€), Ruben Dias (71,6 M€) e João Félix (127 M€). Afinal, aquilo que o Benfica tem sido há quase década e meia, desde os idos de 2010/11, quando as equipas de Jorge Jesus começaram a lançar fornadas de jogadores para os maiores palcos da Europa e para a… riqueza.
Kokçu vê o Benfica como um entreposto. Mas com a temporada a aproximar-se do fim, apesar de ser apenas a primeira, o turco está a ver que nada se valorizou, que nenhum tubarão está a rondá-lo e que o telefone dourado certamente não tocará no verão."

Benfica: Schmidt 'vs' Kokçu, o engano


"O maior perigo para o Benfica é Schmidt ter perdido os jogadores. E, nessa circunstância, o problema já é de Rui Costa

Se está cansado de ouvir falar de Kokçu, se já lhe encheram os ouvidos sobre o que devem treinador e Benfica fazer, sobre anunciadas consequências negativas deste episódio, sobre o castigo que deve ser aplicado, se está cansado de opiniões sobre o médio, então aqui vai mais uma.
Não encontrará aqui o arco-íris de quem considera que vai acabar tudo bem ou as conclusões óbvias e preguiçosas de que deve ser defendida a liberdade de expressão do jogador ou que a equipa está acima de qualquer individualidade. O assunto é demasiado complexo para ser branco ou preto, errado ou certo. E, nesta complexidade, não serão os raios de luz das declarações de Kokçu e Schmidt, sob a obscuridade do silêncio do clube, que nos ajudarão a compreendê-lo.
Kokçu perdeu a paciência, disparou contra o treinador e o clube, será castigado, voltará a jogar e, espera o Benfica, o problema irá desaparecer ao ritmo de novas notícias mastigadas e deitadas fora como pastilhas elásticas. E, no entanto, o problema, tratado pelo Benfica sob o eufemismo de assunto interno, poderá não desaparecer, mesmo que escondido debaixo do tapete, mesmo que escondido dos sócios e adeptos. Porque Kokçu, não é difícil imaginar, não será o único insatisfeito.
Sempre houve e haverá jogadores insatisfeitos nas equipas. Faz parte do que agora é uma indústria. E essa insatisfação terá mais ou menos significado ser for partilhada e reconhecida pelo grupo. Um jogador poderá enganar adeptos, jornalistas e até treinadores com algumas habilidades no jogo, um golo bonito, uma finta de deixar a boca aberta ao espectador, uma arrancada sensacional, mas nunca enganará outro jogador com quem treina todos os dias. Eles conhecem-se uns aos outros, sabem o que uns e outros valem, não há volta a dar. É como nos nossos empregos, todos nos conhecemos demasiadamente bem.
Quem anda nisto do Desporto e conhece a vida das equipas sabe que todos os jogadores são iguais, mas há sempre alguns mais iguais que outros. Há sempre alguém que sabe que tem de fazer mais para que alguns que não fazem tanto poderem resolver jogos. Quem lá dentro anda sabe que isto tem de andar tudo muito bem equilibrado. O treinador deveria ser o primeiro a sabê-lo.
Se vários jogadores reconhecerem os motivos de queixa de Kokçu, pouco importa aquilo que pensam os adeptos ou aquilo que poderão fazer treinador e estrutura do futebol. Se, como Kokçu, outros sentirem que o treinador não está a tirar deles o melhor proveito (é fácil o leitor chegar à conclusão de que isso poderá acontecer com vários, basta calçar algumas chuteiras), que há privilégios não justificados e se esses sentimentos forem partilhados pelo plantel, então aí o problema não é só Kokçu. O problema será mesmo outro, será o de um treinador que perdeu os jogadores.
O maior perigo para o Benfica é mesmo Schmidt ter perdido os jogadores. Que ninguém se engane. E, nessa circunstância, o problema passará a ser de Rui Costa. Que só poderá fazer uma coisa."

João Félix, o eterno incompreendido


"João Félix pode não ter quem o queira, mas em grandes jogos mostra que é importante e não vacila.
João Félix é um jogador especial, com talento, que precisa de mimo, carinho e compreensão.
Fico com a ideia que João Félix gosta de ser provocado e ter os adeptos contra ele. Recordo-me de um jogo no Dragão contra o FC Porto, o João brilhou em enormes jogadas desequilibradoras.
Este Domingo não fugiu à regra, parece que precisa dessa carga para explodir. Ajudou a vencer o Barcelona, com um golo contra o Atlético de Madrid.
João Félix é um jogador com muita qualidade, no controle de bola e visão de jogo com passes a rasgar a defesa. Em Barcelona, no início, adaptou-se muito bem ao seu jogo, em que gosta de ter a bola ao contrário do Atlético de Madrid, que é mais defensivo e joga em contra-ataque.
Perdeu a titularidade, por que segundo Xavi não faz pressão e não defende. Um jogador deste nível tem que pressionar e ser tudo um bocadinho: avançado, médio e defesa.
João Félix não é regular, mas é muito importante pelo menos contra o seu antigo clube, o Atlético de Madrid. Na 1.ª volta com o seu golo deu a vitória (1-0) e neste 2.º jogo deu início a outra vitória(3-0). Pelo menos, no campeonato já valeu 6 pontos.
João Félix tem que ser compreendido e não o tirar da equipa, se tem um jogo menos bom, por vezes é displicente e parece alheado do jogo, mas num ápice marca um golo ou faz um passe fatal. Lewandowski andou a arrastar-se e jogava sempre. No Barcelona não pode haver primas-donnas.
O Atlético de Madrid acusou a grande batalha na Liga dos Campeões com o Inter de Milão.
João Félix num ambiente muito complicado como o foi no Metropolitano, demonstrou estaleca para aguentar a pressão e marcar.
João Félix pode não ficar no Barcelona ou no Atlético, mas não faltarão equipas depois do Europeu, assim ele faça coisas interessantes nos jogos.
No final do jogo, vi João Félix a falar com os seus antigos companheiros, Samuel e Lemar e todos o abraçaram.
Simeone para mim é o maior culpado da saída de João Félix, argentinos com portugueses nunca deu boa coisa, Di Maria é uma excepção.
João Félix, na selecção nacional, tem o seu porto de abrigo com o inteligente Roberto Martínez e depois vai voar para outro sítio.
As suas performances como jogador são intermitentes, mas determinantes. Pode não ser um jogador constante, mas que é um enorme jogador ninguém tenha dúvidas.
A sua situação de cedido não é boa para ele, no final de cada época nunca sabe para onde vai. João Félix precisa de estabilidade num clube para evoluir e crescer na sua carreira, tem apenas 24 anos."

Argumentos 'ad Valeum'


"Qualquer dirigente que já despediu um treinador sabe que há contratos que devem ser rasgados

"[André Villas-Boas] diz, um dia, ‘os contratos que o FC Porto fez vou rasgá-los todos’. Só houve uma pessoa que me recorde que tenha dito isso, que foi o Vale e Azevedo. Portanto, nesse aspeto, está a copiar um estilo do Vale e Azevedo"
João Rafael Koehler, rosto da candidatura de Pinto da Costa, em entrevista a A Bola

João Rafael Koehler concedeu uma entrevista a A BOLA e, da hora de conversa, o que fica de destaque não são as propostas de Pinto da Costa para o FC Porto - poucas novas, algumas em andamento, como o acordo com a Legends ou a polémica academia na Maia -, mas as críticas a Villas-Boas e à sua campanha, que, segundo o homem forte da recandidatura do atual presidente, quer «destruir tudo» para poder vencer e está a «partir o clube ao meio».
Diz o roto ao nu... O tom das críticas de Koehler a AVB e seus pares é de uma dureza raramente vista numa campanha eleitoral, de clubes e não só. Koehler chega a recorrer a comparações ad Valeum, que é o equivalente no futebol português aos argumentos ad Hitlerum - comparar alguém com Hitler, ou neste caso com Vale e Azevedo, de forma redutora, e muitas vezes exagerada. Neste caso, o exagero é manifesto. Villas-Boas nunca disse, como Koehler diz que ele disse, que rasgaria todos os contratos do FC Porto - falava especificamente da questão da academia na Maia, e admitia até que isso poderia não fazer sentido, caso as cláusulas penalizadoras fossem demasiado graves.
Mas mais: todo o dirigente desportivo sabe que há contratos que devem ser rasgados, como qualquer presidente, incluindo Pinto da Costa, que já despediu um treinador reconhecerá. A questão é fazê-lo de forma responsável, conhecendo bem, e assumindo, as consequências, financeiras e outras, o que Vale e Azevedo nunca fez..."

Galeno: o que não se perguntou


"Não se deve permitir que as seleções se transformem em clubes sob disfarce

Nunca fui, por questão de princípio, a favor da naturalização de futebolistas e não se trata de sensibilidade patriótica, com a qual dificilmente me identificaria. Admito que haja situações na fronteira e ainda que a prática vem de muito antes de ter nascido.
Alfredo di Stéfano era argentino e representou ainda Espanha e Colômbia. Sem grande sorte, acrescente-se. Também os oriundi fortaleceram a Itália de Vittorio Pozzo e de Mussolini no bicampeonato mundial de 1934 e 1938, e por aí fora. Por cá, há muito que se abriu a porta e é uma batalha perdida - que agora não irei retomar -, contudo não deixo de torcer o nariz sempre que se fala de mais um nome, tantas vezes só porque sim. Galeno foi o último e parece que só não está nesta convocatória porque, entretanto, o Brasil se antecipou. Naturalmente.
Não está em causa a qualidade do jogador, que tem feito percurso interessante em Portugal, ou a ambição do próprio e do seu clube numa valorização no palco Seleção, se possível com a presença na fase final de uma grande competição, como o Europeu ou o Campeonato do Mundo. No entanto, se me leem há já algum tempo, sabem que sempre defendi que estar numa equipa nacional não deveria ser encarado como um prémio pelas boas exibições, mas sim o resultado de um cenário bem mais abrangente: um projeto autónomo de construção de um conjunto competitivo para o imediato e para o futuro. Ou seja, para lá da qualidade é preciso olhar para a utilidade e funcionalidade. Como é que o novo elemento se enquadra no grupo de 23? O que acrescenta e o que subtrai em relação ao colega que substitui?
O bom jogador que é Galeno resolveria a Martínez algum problema persistente na Seleção? Se mesmo Rafael Leão sente dificuldades no ataque posicional, que tipo de impacto poderia causar o extremo portista? E, mesmo tendo esse impacto, continuaria a ser solução a médio e longo prazo?
Não há aqui qualquer tipo de ingenuidade: se Galeno vestisse a camisola de Portugal num jogo oficial não poderia fazer o mesmo depois pelo Brasil. No entanto, será que é esse o exercício a ser feito? Prejudicar ou restringir a carreira de alguém só para não dar mais opções aos rivais? Se é, não posso concordar. Uma chamada a este nível teria sempre de significar mais do que o momento individual.
Se Galeno resolvesse um problema estrutural como, por exemplo, a escassez de extremos desequilibradores que aflige o futebol português - e não só -, não passaria de um remendo. A solução definitiva teria de ser encontrada na formação, com um plano específico. Tal como deveriam já estar a ser trabalhadas as lacunas que se preveem para os próximos tempos.
Temos muito a agradecer a Pepe, a Deco e a outros que se dedicaram à causa. Sem eles, os tempos teriam sido, sem dúvida, mais difíceis. Todavia, também é dos obstáculos que nasce o engenho. E se a porta está aberta que não a deixem escancarada. Para que não se perca a identidade e as Seleções não passem a ser clubes, recheados de nacionalidades diferentes, sob disfarce."

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Cada um deita-se na cama que faz!!




"Se bem que neste caso (Manuel Serrão), durante os últimos 8 anos, ele nem a cama fazia...
O que a CMTV contrata, a Justiça despede!😏"

O Valor de Mercado dos Jogadores de Futebol: cinco fatores chave


"No mundo do futebol profissional, o valor de mercado de um jogador é uma métrica crucial, determinando o quão atrativo ele é para os clubes interessados na sua contratação. Este valor, no entanto, não é fixo e está sujeito a uma série de fatores que podem aumentá-lo ou diminuí-lo. Explorando esses elementos, podemos compreender melhor como os jogadores podem maximizar o seu potencial no mercado.

Desempenho Consistente:
O desempenho em campo é, sem dúvida, um dos principais impulsionadores do valor de mercado de um jogador. Destacando a importância de manter uma performance consistente ao longo das temporadas, observamos que golos, assistências e participações em jogos de destaque são elementos que não apenas destacam o jogador, mas também contribuem para elevar o seu valor no mercado.

Idade e Potencial de Desenvolvimento:
A idade de um jogador é um fator estratégico a ser considerado. Jovens promessas com potencial de desenvolvimento tendem a ter os seus valores calculados de maneira diferente daqueles que estão no fim das suas carreiras. A análise do potencial de crescimento de um jogador é essencial para os clubes, influenciando as suas estratégias de contratação.

Saúde e Histórico de Lesões:
A saúde física de um jogador é outro ponto crítico. Um histórico extenso de lesões pode impactar negativamente o seu valor de mercado, especialmente se forem recorrentes ou localizadas em áreas específicas. Os exames médicos detalhados desempenham um papel fundamental na avaliação da condição física geral do jogador, fornecendo insights importantes para os clubes interessados.

Multas Contratuais:
As multas contratuais são um aspeto frequentemente negligenciado, mas significativo, no cálculo do valor de mercado de um jogador. O valor da multa de transferência de um jogador do seu clube atual para um novo pode ser um fator determinante na viabilidade da sua contratação. Uma multa substancial pode dificultar ou mesmo impedir uma transferência, destacando a importância de cláusulas contratuais claras e justas.

Reputação Fora do Campo:
Além das habilidades demonstradas em campo, a reputação fora das quatro linhas está se tornando cada vez mais relevante. A imagem pública de um jogador, a sua presença nas redes sociais e o seu apelo comercial são aspetos que contribuem significativamente para a sua marca pessoal. Jogadores com uma reputação positiva e forte presença nas esferas fora do jogo são vistos como ativos valiosos tanto para clubes como para marcas.

Em resumo, o valor de mercado de um jogador de futebol é influenciado por uma série de fatores interconectados. Desde o desempenho consistente até à reputação fora do campo, cada elemento desempenha um papel crucial na determinação de quão valioso um jogador é para potenciais interessados. Ao compreender e gerir esses fatores, os jogadores podem posicionar-se de forma mais eficaz no mercado, maximizando as suas oportunidades de sucesso e progresso na carreira."

Zero: Saudade - S02E29 - O chapéu mais famoso de Sven-Goran Eriksson

Cantona, Bellingham ou Capucho: as modas que viram lenda


"O equipamento está para um jogador de futebol como as receitas para os cozinheiros: não podes alterar a base, mas podes acrescentar a tua criatividade.
Não era preciso muito para ser extravagante noutros tempos. Bastava levantar a gola para homenagear Cantona, usar camisola presa à frente e solta atrás Beckham style ou, por respeito a Capucho, uma combinação entre meia pelo meio da canela e a - reduzida - proteção da mesma de tamanho a lembrar o mindinho.
Isto já era quase considerado marginal, porque toda a caneleira que não fosse do tamanho da tíbia era uma excentricidade. Mas tudo isto era sinal de personalidade, era um Statement de jogadores que queriam sair da caixa.
No futebol moderno, as modas foram evoluindo, até ao IFAB incluir regras nas leis de jogo que obrigam muitos jogadores alterarem hábitos (se leram «manias» não me culpem).
Um exemplo? A vulgarmente chamada tape, aquela fita branca usada, por exemplo, por Cristiano Ronaldo nos primórdios do Manchester United, que servia para aguentar a caneleira e que foi agora limitada. A usar, terá que ser da mesma cor da meia do equipamento.
Convenhamos, tira todo o estilo. Pelo menos aquele tal impacto visual para marcar a diferença.
O que decidiram inventar agora?
A nova moda é cortar as meias. Começou apenas pelo corte da zona do pé, que permite que os atletas joguem sempre com a planta antiderrapante e evitem o escorregadio próprio de material novo. Sim, os grandes clubes estreiam um equipamento todos os jogos.
Agora, evoluiu para o corte da meia na zona do gémeo, na parte de trás da perna.
Bellingham, Darwin, Gyökeres, são dezenas os craques que o fazem.
Antigamente, a meia com “foguete” era para o suplente não utilizado, ou para o júnior acabado de chegar. Código de honra: jogador bom não joga com meia rasgada.
Hoje em dia, inverteu-se a lógica: jogador bom rasga a meia. E serve para quê? A teoria de quem o faz é que isso permite que alivie a pressão na zona do gémeo e dá mais conforto aos atletas.
Também há outras teorias (não, não estou a dizer que é a minha) que é só para ser diferente. Ou até por superstição.
Seja qual for a razão, quem não deve ficar muito agradado são os patrocinadores de equipamentos dos clubes. Imagino a guerra que travam sobre o tema. «Mas como assim não são confortáveis? Está-me a dizer que eles precisam de estragar um equipamento topo de gama para não apertar a perna?».
O argumento é fácil de desmontar: «Meu amigo, se ele render assim… meias há muitas»."

Vencer ‘vs.’ comer: qual o preço para alcançar o pódio?


"As perturbações alimentares representam um desafio significativo para os atletas de elite

No mundo da alta competição, o controlo sobre a dieta é essencial, mas a fronteira entre saúde e patologia alimentar é delicada. O controlo sobre a dieta dos atletas é visto como normal, adequado e até desejável, contudo a linha que separa a relação normal com a alimentação de uma relação patológica é demasiado ténue e fácil de ultrapassar no contexto de alta competição. Alguns atletas de elite como Simone Biles ou Michael Phelps abordaram publicamente o tema.
As perturbações alimentares são caracterizadas por uma disfunção persistente na alimentação ou no comportamento alimentar que compromete significativamente a saúde física ou o funcionamento psicossocial. De entre as perturbações alimentares destacam-se a perturbação de ruminação, perturbação de evitamento ou restrição, anorexia, bulimia ou compulsão alimentar. Os números apresentados pelos estudos mais recentes são alarmantes e apontam para uma prevalência de cerca de 70% dos atletas com manifestações clínicas ou subclínicas de perturbação alimentar. É verdade que a prevalência é maior em atletas femininas, contudo este está longe de ser um problema de género. E, apesar de existirem modalidades classificadas como de risco elevado, por exemplo, modalidades de categoria de peso, resistência e de foco na estética, o risco de desenvolver perturbações alimentares é elevado e está presente de forma transversal nas diferentes modalidades, incluindo nas modalidades de grupo, como por exemplo no futebol. As restrições alimentares, o controlo do peso e o cuidado da imagem corporal são questões diárias nos atletas de elite, independentemente da sua modalidade, contudo, as perturbações alimentares e os seus sintomas não devem ser vistas e aceites como um não-problema ou uma parte funcional da alta competição. Para além do culto da imagem corporal no desporto, são as pressões a que os atletas estão submetidos que os tornam mais suscetíveis a transtornos de ansiedade, tornando o alto rendimento um terreno fértil para as perturbações alimentares. Adicionalmente, atletas com perturbação alimentar apresentam uma maior prevalência de sintomatologia ansiosa e depressiva; além disso, as perturbações alimentares provocam alterações bioquímicas no organismo que podem conduzir à própria autodestruição.
As perturbações alimentares representam um desafio significativo para os atletas de elite, ameaçam não só a saúde do atleta, mas também, a médio-longo prazo, o seu desempenho e o seu bem-estar geral."

Atypical: Overseas I

Lanças, excerto...

6, excerto...

Central, excerto...

Total, excerto...

Central, excerto...

Abi: Boavista...