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terça-feira, 5 de junho de 2018

"Nos juniores, Vale e Azevedo prometeu-nos 300 contos de prémio caso fôssemos campeões. Fomos e não recebemos nada"

"Aos 37 anos, o médio que conquistou um título de juniores e de seniores pelo Benfica, assume que continua a aproveitar a reforma dos relvados e que o bichinho do futebol não voltou a atacar. Vai todos os dias ao ginásio, dorme a sesta, anda a descobrir o mundo dos vinhos e continua a preferir um noite de poker, em casa com os amigos, a saídas para discotecas. Das passagens pela Escócia e pelo Chipre, recorda sobretudo os adeptos, por razões distintas, e sobre assuntos "cor de rosa", recusa falar.

Fale-me das suas origens, onde cresceu, quem é a sua família…
Nasci em Lisboa, cresci no bairro Bairro do Grilo nos Fetais, Camarate. O meu pai trabalhava com móveis mas depois passou para o táxi e ainda hoje continua a ser motorista de táxi. A minha mãe sempre foi empregada de balcão. Tenho duas irmãs, sou o irmão do meio.

Quais as vantagens e desvantagens de ser o irmão do meio?
A minha irmã mais velha não vivia muito connosco, porque é filha de uma outra relação que o meu pai teve. Ele é mais velho 11 anos do que a minha mãe. Por isso estive mais tempo com a minha irmã mais nova, mas sempre tivemos uma boa relação.

Da escola, gostava?
Até ao 7º ano era um dos melhores da minha turma mas o futebol começou a ficar sério e dispersei um bocadinho.

Já havia alguém na família ligado ao futebol?
Não.

O futebol começa quase sempre na rua. E depois?
Sim, como cresci num bairro passava o dia todo a jogar futebol na rua. Com 7 anos já jogava com os mais velhos de 12, 13 anos e safava-me. Tudo começou no dia em que o meu pai como prenda de anos levou-me a treinar ao Benfica, em Novembro de 1989 se não me falha a memória.

Fazia quantos anos?
9.

Foi a prenda de anos que pediu ou foi iniciativa do seu pai?
Foi dele, se calhar viu que eu tinha qualidades e que gostava de jogar à bola. Desde pequenino que ia ao estádio ver a bola com o meu pai.

Quem eram os seus ídolos?
Nessa idade não me recordo, mas mais para a frente, em 1993/94 começou a ser o Rui Costa.

Qual é a primeira recordação que tem de um estádio de futebol?
É no Benfica, aquelas tardes de domingo. Lembro-me de ver jogar o Isaías... . Em 1990/91, ano em que o Benfica foi campeão, eu já estava no relvado, sou um dos que estava de mão dada com os jogadores, porque as Escolinhas entraram com eles. Lembro-me do Vítor Paneira também... Mas o meu ídolo era, e ainda é, o Rui Costa.

Vamos voltar ao dia em que o seu pai o levou à Luz.
Não me recordo muito bem. Lembro-me de ir primeiro à loja do Benfica para o meu pai comprar-me o equipamento que era obrigatório levar, mas do treino propriamente não me recordo.

Do que é que se lembra?
Lembro-me de treinar no Benfica com as aulas pagas pelo meu pai, lembro-me de treinar no pelado. Lembro-me do meu primeiro treinador que se chamava André, nunca mais o vi. Depois mais à frente, nos infantis já começo a lembrar mais coisas.

Fez a formação toda no Benfica.
Sim, até ser emprestado ao Gil Vicente. É a primeira vez que saio porque ia ter o Torneio de Toulon e o Agostinho Oliveira veio ter comigo e disse que era importante eu jogar na primeira liga.
Isso com quantos anos?
18 ou 19.

Desses 10 anos de formação quais as memórias mais fortes que tem?
Lembro-me que adorava ver o treino dos seniores, às vezes nem tinha treino mas ia para lá só para os ver. Com 12,13 anos já ia sozinho para o estádio, ia duas horas antes e muitas vezes ficava debaixo do placar electrónico a sonhar um dia poder estar lá em baixo. Lembro-me de dizerem que eu era bom jogador mas que era muito pequenino e com 14, 15 anos o Benfica decide emprestar-me. O treinador que lá estava na altura, já não me lembro quem era, gostava de jogadores mais altos. Eu tinha sido campeão nesse ano, nos iniciados, e fui emprestado ao Alverca. Passei uns tempos em que pensei “pronto, acaba aqui”. Mas não.

Jogou sempre como médio?
Não, comecei como avançado, depois passei para médio esquerdo e foi o mister Bastos Lopes que me meteu a médio centro.

É a posição em que se sente mais confortável?
É, porque gosto de ler o jogo, de ter bola e de organizar o jogo. Gostava (risos). Mas aí foi uma fase complicada, pensei que tinha acabado. Tinha que ir para a escola, o treino acabava às 11 da noite, no Alverca, e nessa altura vivia em Massamá, mas tive força suficiente e consegui dar a volta por cima. 

Regressou ao Benfica.
Sim. Voltei a fazer treinos de captação porque quem era emprestado tinha que fazer jogos de captação. As coisas correram super bem, eu tinha qualidade, não tinha era altura. Mas por acaso ainda nesse ano dei um salto e fiquei. Fui campeão de juniores, já não o éramos há 11 anos. Na altura um dirigente do Benfica, veio ao balneário dizer que o Vale e Azevedo prometia um prémio de 300 contos caso fossemos campeões. Fomos campeões e não recebemos nada. (risos)

Quando assina o primeiro contrato?
Assinei um contrato com o Benfica, nos juvenis, ganhava 25 contos, mas era um contrato de formação. O primeiro contrato profissional assino aos 17 anos, nos juniores onde fico 3,4 anos. O contrato a seguir já foi com o José Mourinho. Ele foi ver-me jogar contra o Sporting B, as coisas correram-me bem e no treino a seguir disse-me “Vi o teu jogo e gostei muito do que vi” e depois deu indicações para me renovarem o contrato. E renovei por 5 anos. Nessa altura comecei a treinar com a equipa sénior e a jogar pela B.
É chamado pela primeira vez à equipa principal pelo Mourinho?
A primeira vez que fui chamado a treinar com os seniores ainda foi pelo Heynckes, mas convocado para um jogo foi pelo Mourinho, fiquei no banco, não cheguei a jogar porque o Miguel foi expulso e o Mourinho teve de meter um defesa. No final do jogo o Mourinho agarrou-se a mim “Tiveste azar”, mas pronto, valeu a intenção.

Lembra-se da sensação que teve quando foi chamado pela primeira vez para treinar com os seniores? 
Lembro que foi para um treino à porta fechada porque o João Pinto tinha-se desentendido com um jogador do Estrela da Amadora, houve ali qualquer coisa. Foi o concretizar de um sonho. Sempre foi um sonho estar ao pé dos seniores. Eu delirava quando os via. Fui, fiquei caladinho, muito no meu canto.

Quem são os amigos que fez durante a formação?
No Benfica tinha um grande amigo que andava comigo na escola, era da mesma turma, o Arménio, só que ele nos juniores foi dispensado. Tenho mais dois, o Hélder Ramos e o Jorge Ribeiro, irmão do Maniche, que me acompanharam. Esses foram os mais importantes nessa altura.

Como se dá a ida para o Gil Vicente?
Entretanto o Mourinho sai, íamos ter selecção, Torneio de Toulon ou Europeu, já não me recordo e o Agostinho Oliveira ligou-me, disse que era importante que eu jogasse e que o mister Vítor Oliveira tinha perguntado por mim. Queria levar-me para o Gil Vicente e fui emprestado durante quatro meses.

Foi a primeira vez que saiu da casa dos pais.
E não foi fácil. Parece que fui para 300 mil quilómetros fora de Portugal (risos). Foi tudo muito rápido. Falei de manhã e à noite estava a viajar. Enchi o carro com as coisas mais importantes. Vou para cima, fico num hotel dois dias e depois encontrei uma casa num condomínio.

Como foi a experiência?
A primeira semana foi muito difícil. Ia comer fora. Mas depois a minha mãe foi lá passar um tempo. 

Nessa altura já havia namoros?
Não, estava solteiro. 

Foram só 4 meses. Gostou?
Infelizmente não correu muito bem porque lesionei-me no isquiotibial e não tive muitas oportunidades de jogar. Só no último mês é que comecei a jogar.

Com que opinião ficou do Vítor Oliveira?
Foi muito importante, foi com ele que me estreei na 1ª Liga, foi ele o meu “padrinho”. Mas já não recordo contra quem jogamos. É um treinador muito organizado, sabe o que faz e todos os jogadores percebem o que quer de cada um. Muita disciplina, mas para mim fundamental foi a organização que ele tinha, os métodos de trabalho, já naquela altura, estamos a falar de há quase 20 anos. E tem provas dadas, é o rei das subidas.
Entretanto vem para baixo outra vez.
Sim, entretanto volto e sou emprestado ao Alverca.

Ficou chateado por ser emprestado novamente?
Não, a selecção tinha corrido bem e sabia que ia ter equipas interessadas em mim. Também sabia que não ia ser titular no Benfica, optei por sair e jogar. Fiz duas boas épocas no Alverca. Na última o Benfica começa a observar-me mais e o Luís Filipe Vieira liga-me e diz para preparar-me que no ano seguinte iria regressar a casa.

Quando regressa de Barcelos para Lisboa, volta a casa dos pais?
Não, já tinha um apartamento em Massamá, perto dos meus pais. Antes de ir para Barcelos, já lá vivia, só que como era a 100 metros dos meus pais, ia lá comer, levava a roupa para lavar ( risos) era como se estivesse em casa, só que tinha o meu espaço.

Ainda o tem o seu primeiro apartamento?
Tenho, está alugado.

No Alverca onde esteve dois anos, quem é que apanhou como treinador?
O José Couceiro que foi muito importante para mim. Principalmente pela maneira como me motivava. Ele sabia que eu era emprestado do Benfica. Estava ali para valorizar-me, para ajudar a equipa, mas sabia que tinha que jogar bem para poder concretizar o sonho de regressar ao Benfica e ele foi fundamental para que isso acontecesse.

Em que aspecto?
Nas conversas que tínhamos, na maneira como ele me metia a jogar, da liberdade que me dava. Tudo isso foi importante. E depois voltei a renovar com o Benfica. Já tinha feito aquele contrato de dois anos com o Mourinho e depois renova mais três.

Nessa altura já tinha largado a escola?
Já. Penso que larguei aos 17 anos, quando vou com a selecção 15 dias para a África do Sul. As coisas começam a ficar sérias no futebol, comecei a perceber que não dava para conciliar. Desisti no 11º ano.
Regressa ao Benfica em 2004/05, e é logo campeão. Isso é que foi sorte.
Eu tenho essa estrelinha. Já nos juniores foi a mesma coisa.

Com quem disputava o lugar na equipa?
Petit e Manuel Fernandes. O Manuel Fernandes estava numa forma monstra, aliás, ele ainda hoje está, mas eu não fiquei resignado. Eu fazia o meu trabalho, tentava dar o meu melhor. Tínhamos um bom espírito de grupo.

Quando começa a sair à noite?
Por volta dos 19. Eu tinha na cabeça que tinha de ser jogador profissional, lembro-me de aos 17 anos sair com os meus colegas juniores do Benfica e eles beberem álcool e eu ficava a beber Coca-Cola. Eles ficavam “cegos” comigo (risos), só que eu era completamente focado. Não fazia por obrigação, era uma coisa minha. Era de bairro, mas beber álcool e sair à noite nunca me chamou muito à atenção. Conheço pessoas que começaram a sair aos 15, 16 anos, eu não, não ligava a isso. Preferia ir para casa ver futebol, estava muito focado naquilo que queria e felizmente, não sei se foi por causa desses sacrifícios, as coisas correram bem. Claro que com os anos, de vez em quando bebia um copo com os amigos, faz parte da vida. Mas tentei saber fazer as coisas. Por exemplo a seguir a um jogo gostava de ir jantar, beber o meu copo de vinho.

Começa a ser mais reconhecido e abordado na rua quando?
Em 2004/2005, a jogar nos seniores. Cada vez que ia a um restaurante ou shopping era muito abordado, para fotos ou autógrafos, porque jogar nos seniores do Benfica, acho que é a visão máxima que se pode ter em Portugal.
Qual é a sensação de ganhar o primeiro título sénior e ainda por cima pelo clube do coração?
É algo indescritível. Só quem lá está. Por tudo aquilo que vivi, porque comecei no Benfica com 9 anos, ia sozinho para o estádio, acompanhava o treino dos séniores, aquele sonho de criança, e passados uns anos estar ali a jogar, não há palavras, é a felicidade máxima mesmo.

Quando conquista o título já namorava?
Namorava com a minha ex mulher. Andamos juntos na mesma turma. Mas não quero falar disso.

A seguir as coisas não correm bem no Benfica.
Depois vem o Koeman e fiz uma fractura de stress no pé, só comecei a treinar em Outubro e em novembro aparece o Hearts, da Escócia, interessado em mim. Em Janeiro de 2006 saio para ir para o Hearts.

Tinha empresário?
Tinha, o Paulo Barbosa desde os 15 ou 16 anos.
Quando há o interesse do Hearts queria ir? Era já um objectivo sair do país?
Sim. Apesar de ter participado em 21 jogos, não fui titular absoluto na época em que fui campeão e quando entra o Koeman estava lesionado e apanhei o comboio tarde. Entretanto o Benfica quer trocar-me pelo Manduca, para o Marítimo. O meu empresário já me tinha dito que caso eu conseguisse sair livre do Benfica tinha aquele contrato à minha espera. Fiz para que pudesse sair em Janeiro de 2006 só que como o Benfica queria trocar-me e como o Paulo Barbosa não se dava muito bem com o Benfica na altura, o clube colocou uns entraves e tive que pagar uma parte ao Benfica para poder sair. Em Janeiro vou para a Escócia.

Foram três épocas e meia na Escócia. Foi sozinho ou levou a sua ex mulher Vanessa Rebelo?
Nas duas primeiras semanas vou sozinho e depois ela foi ter comigo. Quando cheguei não sabia falar inglês (risos). Tive a sorte de apanhar o Fyssas e o Jankauskas, que também estavam lá. À tarde, no estádio, porque havia muitos estrangeiros, tínhamos aulas de inglês e foi assim que comecei a falar. 

Quando chegou já tinha casa à sua espera ou teve de ir à procura?
Quando cheguei houve uma situação caricata, porque quando o director desportivo me viu quis que eu treinasse primeiro. Na altura o Paulo Madeira era o braço direito do Paulo Barbosa e ainda estivemos lá quase duas semanas, porque eu não ia treinar, sem assinar. Estava livre e era o que estava acordado, mas passado uma semana chegamos a acordo e pude ir à procura de casa. Encontrei um apartamento no centro da cidade.

Gostou da Escócia?
Adorei. A única coisa menos boa é o clima, de resto é fantástico, adorei.

Qual a melhor recordação que tem de lá?
Os adeptos. O carinho que têm por nós. Era muito acarinhado e isso é o que mais recordo. Os estádios cheios, o ambiente. Se há sítio de onde tenho saudades de jogar futebol é ali. Gostava de voltar.

E a nível de futebol, muito diferente do português?
A mentalidade do Reino Unido é totalmente diferente. Em Portugal, Grécia, Chipre, Turquia há uma mentalidade muito fervorosa, em que liga-se muito ao que os jogadores ganham e há um pouco de inveja, e isso às vezes, torna-se não é em ódio, mas numa frustração das pessoas, parece-me. Por exemplo, o que aconteceu com o Sporting recentemente, faz-me parecer isso, é inveja de os jogadores ganharem muito dinheiro e de não ganharem em campo. Lá as pessoas vêem que somos profissionais, cada um fez o seu contrato e dá o seu melhor. Quando perdíamos eles assobiavam 10 segundos e passava. Saiamos do estádio e já nos estavam a dar palmadinhas nas costas “Vá para o próximo jogo é que é”. É isso que eu acho que deve ser o futebol. A não ser que se vá para a discoteca até às tantas, mas aí estamos a falar de situações diferentes.

O que é que fazia nos seus tempos livres?
Tinha televisão portuguesa o que era uma boa ajuda, mas estava com os amigos, tinha acabado de chegar o Pinilla e juntávamo-nos muito em casa, a jogar poker, playstation, ia passando assim o tempo. Íamos comer fora, visitar os castelos, é um país bonito. A comida não é nada de especial. Como tinham outro tipos de restaurantes ia muito ao italiano. Mas provei de tudo, aquele folhado com carne por dentro que eles comem nos intervalos dos jogos, etc., mas da comida não tenho muitas saudades, até porque em casa cozinhava comida portuguesa. Levava daqui bacalhau e outras coisas que não havia lá.

Qual foi a situação mais caricata que viveu na Escócia?
Um dia perdemos um jogo e o treinador que era o Valdas, da Lituânia, mandou-nos treinar às sete e meia da manhã. Estava a nevar, o relvado era pedra e ele mandou-nos correr à volta do campo tipo castigo. Recordo-me dessa. Às vezes quando perdíamos, a cena era “Vá, vão correr”.
Entretanto teve uma lesão feia.
Tenho uma lesão gravíssima lá. Isso é uma história engraçada. Em 2007 /2008 levei uma porrada de um colega num treino. Não sei se foi de propósito ou se foi sem querer...

De quem?
De um francês que lá estava. Pensava-se que era uma entorse. Estive um mês parado, tinha o pé todo negro e voltei a treinar mas sentia como se tivesse uma faca espetada. Fiz muitos exames, vim a Portugal, fui operado pelo Dr. António Martins, voltei, fiz a pré-época e continuava com as mesmas dores. Felizmente o Hearts tinha um fisioterapeuta novo e que conhecia um doutor em Londres que era especialista em tornozelos. Fiz uma biópsia e tinha um tumor no pé, mas era benigno e fui operado. Ele tirou-me osso aqui de cima, da zona da anca, preenche lá em baixo e no final da operação vira-se para mim e diz: “Olha, a operação correu muito bem, mas não te garantimos que possas continuar a jogar futebol”. E eu com 28 anos. Caiu-me tudo.

O que fez?
Disse “Seja o que Deus quiser. Vou treinar, pode ser que não seja nada. Vai tudo correr bem.” Pensei que se calhar ele também estava a dizer aquilo para o caso de correr mal ele tinha avisado. Voltei aos treinos e coincidência no primeiro jogo depois da lesão, faço um golo de livre directo num derbi equivalente ao Benfica-Sporting e empatamos 1-1, o que é histórico. Acabei por fazer nesse ano, o melhor ano da minha carreira, fiz 7 golos.

É por isso que surge o interesse do Omónia, do Chipre?
Não. Acabei o contrato e como o Hearts estava a passar dificuldades financeiras, eu com 28 anos queria fazer um contrato que fosse vantajoso para mim. Até gostava de ter lá ficado, só que os valores que ganhava na altura eles já não podiam pagar. Entretanto e porque tinha feito uma boa época, ainda recebi feedback do Celtic e do Rangers. O Rangers queria mesmo mas eu tinha que esperar que eles vendessem o Ferguson, que era o capitão, que foi para o Birmingham City. Só que ele só foi vendido em Agosto. Entretanto depois de falar com eles no final de maio, recebi uma proposta do Chipre.

Não hesitou?
Tive que jogar pelo seguro. Ainda recusei a primeira oferta do Omónia, e estamos a falar de bons valores, porque estava seguro da boa época que tinha feito na Escócia e que o Rangers me queria, mas o Omónia voltou à carga e pronto, tinha que decidir. Estávamos no início de Junho, assinei. 

Essas decisões foram tomadas sozinho?
Não, quando se recebe uma proposta de um país diferente têm que se por várias coisas na balança. Eu pus na balança a questão financeira, não há aqui dúvidas.
Não tinha propostas de Portugal?
Tinha, mas os clubes que me abordaram não tinham hipótese de chegar àqueles valores.

Quais foram os clubes que o abordaram?
Lembro-me de ter ligado o presidente do Marítimo. Aliás já me tinha ligado antes de ter ido para a Escócia. Ainda falei com ele por telefone a agradecer o contacto, mas disse-lhe que não me passava pela cabeça ficar em Portugal. Penso que foi só o Marítimo porque nas entrevistas que dei na altura, dizia que queria continuar fora.

Quando vai para o Chipre a sua ex mulher já vai grávida.
Sim.

Vai consigo ou fica em Portugal?
Vai comigo.

Como foi o impacto no Chipre?
A primeira vez que lá fui, foi para assinar o contrato, cheguei às duas e meia da manhã e estavam 27 graus. Tinha vindo de um país que nem no verão havia essas temperatura. E se às vezes estavam 25 graus, havia pessoas que morriam (risos).
Gosta mais de calor do que de frio?
No Chipre também era demasiado. Por vezes tinha que dormir com o ar condicionado ligado. Ligava uma hora antes nos 16 graus, chegava ao quarto e estava frio, mas tapava-me com o edredão e dormia com os 16 graus. Só assim é que conseguia dormir, detesto dormir a transpirar e com calor. Mas era um país diferente, com praias. Percebi que ia conseguir conciliar o futebol com um tipo de vida que poderia ter em Portugal. O sol trás alegria, dá-nos outro espírito para encarar o dia a dia.

Esteve lá quatro anos e meio. Do que é que se recorda mais?
Que não foi fácil no início mas que depois consegui dar a volta por cima. Também conseguimos ser campeões logo no primeiro ano. O Omónia já não era campeão há 7 anos. E ainda ganhamos mais duas taças.

A passagem do futebol inglês para o que se joga no Chipre, foi complicado?
Foi difícil sobretudo nos primeiros jogos. Por causa do clima, da humidade. Custava-me a respirar ao início. Jogava com 0 graus na Escócia, chego ali a jogar com 35. Não foi fácil ao início. Depois acabei por habituar-me e já era natural.

Estavam lá outros portugueses?
No primeiro ano não, passados 2, 3 anos é que vai o Moreira, o Nuno Assis, o Margaça... . E tinha ido um colega grego que tinha jogado no Hearts e que estava na equipa comigo. Foi muito importante. 

Ficou a viver onde?
Aluguei uma vivenda com piscina. Tinha estado três anos e meio na Escócia com aquele clima e quis disfrutar. Felizmente tinha condições para isso.

Foi pai lá do Rodrigo. Assistiu ao parto?
Assisti. Não vi directamente, estava ao lado dela, mas ver o beber a sair é uma sensação esquisita. Ser pai é único. É a melhor coisa do mundo.

Passou por alguma situação menos boa?
Passei lá uma situação má. Os resultados não estavam a aparecer e os adeptos foram ao treino. Entretanto nós estamos a correr à volta do campo e eles invadem o campo, com tochas, a pedir justificações. Comigo por acaso veio falar um cipriota que falava português, disse que nós tínhamos de correr mais. Foi uma situação um bocado...

Sentiu medo?
Senti. Tinham tochas e eram mais de 100.

Qualquer um pode assistir ao treino?
Não. Eles pediam autorização para ir dar apoio à equipa só que entretanto as coisas descambaram e eles intimidaram-nos, tínhamos que ganhar, tínhamos que correr.

Foram violentos?
Não. Acho que houve só um miúdo que levou um estalo, um cipriota, mas não foi mais do que isso. Mas fiquei um pouco traumatizado, não gosto disso.

Veio embora por causa disso?
Não, isso foi no 2º ano. Nesses 4 anos passei por muita coisa. Esse clube, quando não se ganha, é um bocado instável, há sempre problemas, reuniões e chegou uma altura que já estava cansado, já tinha quase com 34 anos e o meu filho e a minha família estava toda cá.

Estavam cá?
Sim eu separei-me em 2012 e a minha ex mulher vem para cá com o Rodrigo. Ainda aguentei dois anos só que o clube estava a passar por problemas, eu já estava saturado de lá estar e decidi vir embora. Não tinha clube e só depois é que surge o Oriental porque o Paulo Sérgio, que eu conhecia, é lá treinador dos guarda redes e surgiu a oportunidade. Como estava perto de Lisboa e do meu filho, fui para o Oriental.
O facto de ter saído do Benfica e de ter regressado para o Oriental, não lhe fez confusão?
Não porque quando rescindi com o Omónia estava consciente daquilo que poderia acontecer. Até podia ter terminado a minha carreira ali, ia fazer 34. Sabia que isso poderia acontecer, por isso tudo o que pudesse encontrar seria melhor do que não ter nada. Foi com todo o gosto que joguei no Oriental. Estava em Lisboa, estava ao pé da minha família, estava em Portugal, estava ao pé do meu filho e fazia o que gostava e as pessoas também me receberam muito bem lá, por isso não me custou nada. 

Quando voltou veio viver para onde?
Para esta minha casa do Estoril. Já a tinha comprado há uns anos.

Voltou a ser pai.
Sim, entretanto conheci a Lúcia, através de amigos, em 2015 e há um ano nasceu a nossa filha, a Maria Clara. A Lúcia também já tinha uma filha de um casamento anterior.

Duas épocas no Oriental, 2014/15 e 2015/16. Como é que foi terminar a carreira? Foi uma decisão difícil?
Eu sempre fui um bocado massacrado por problemas físicos. O problema no isquiotibial acho que é genético porque quase todos os anos obrigava-me a fazer uma paragem. Inflamava quando os terrenos estavam mais pesados, felizmente consegui ser jogador, mas tive esse problema. O campo do Oriental também não era um campo fácil e depois não queria acabar a arrastar-me e as pessoas a dizer “Este já está fora da idade”. Acho que acabei bem porque ainda fiz muito jogos na última época. Achei que já chegava.

Nessa altura já sabia o que é que queria fazer da sua vida?
Não. E não estou a fazer nada relacionado com o futebol, estou mais ligado ao sector imobiliário. Fiz investimentos e gosto do sector imobiliário. Para já não me vejo ligado ao futebol mas vamos ver. Se o bichinho começar a mexer...

Não se vê como treinador?
Por enquanto não.
Qual foi a maior loucura que fez com dinheiro?
Foi um relógio. E eu que sempre pensei que mesmo que ganhasse muito dinheiro nunca ia gastar tanto num relógio, mas pronto.

Qual o melhor carro que teve?
Um Range Rover e para mim é o melhor carro. Gosto, mas não sou maluco por carros.

Quais são os seus hóbis?
Gosto de jogar poker de cartas com os amigos.

A dinheiro?
Às vezes, só para “adoçar” porque senão não tem piada nenhuma (risos). Adoro ir ao ginásio, vou todos os dias. E adoro estar com o meu grupo de amigos, agora gostamos muito de fazer provas de vinhos. Estou a começar a fazer uma garrafeira. Tenho pouco mais de 100 garrafas. Ando virado para o Dão. Sou muito influenciado pelo meu melhor amigo, Ricardo Soares, costumo ir às provas com ele.

Como é hoje o seu dia-a-dia?
Muito tranquilo. Levo a Matilde, a filha da minha mulher, à escola todos os dias, vou para o ginásio, almoço, depois normalmente durmo a sesta. Entretanto há coisas que aparecem para fazer, depois vou buscar a Matilde à escola ou levo o Rodrigo aos treinos, o meu filho está a jogar no Estoril. E é assim.

Tem ou teve alguma alcunha?
Quando era puto, tinha uns 6 anos, chamavam-me Pepito lá no bairro. Nem sei porque que é que surgiu. Se calhar era por ser rápido.

Qual foi o treinador que mais o marcou?
Tive vários, mas o Chalana nos juniores marcou-me pela pessoa que era. Depois do Eusébio ele era a imagem do Benfica. E a postura dele, ensinou-me certas coisas. Uma delas é sermos humildes, porque no futebol tão depressa estamos lá em cima como no dia seguinte estamos em baixo. Ele era uma pessoa muito humilde, criou um espírito de grupo fantástico e conseguimos ser campeões. Depois o Mourinho, foi pouco tempo mas acabou por marcar pela maneira como falou comigo, como me abordou, como incentivava e treinava. O Couceiro marcou-me imenso numa fase onde às vezes tudo se perde, ele foi muito importante para que eu conseguisse o equilíbrio e não me deixar levar. E motivou-me para conseguir voltar um dia ao Benfica. E o Trapattoni, que apesar de não ter sido titular absoluto com ele, conversávamos muito e ele gostava muito de mim. Foi uma pena ele ter saído da maneira como saiu porque se calhar as coisas tinham corrido de outra maneira no Benfica para mim.

Há alguma coisa que lhe tenham dito que o tenha marcado e que ainda hoje se lembre?
Não foi ninguém que me disse, mas o facto de ser pequenino aos 15 anos, de toda a gente dizer que jogava bem com os dois pés, mas que era baixinho, senti que era uma injustiça. Estar a sair do Benfica por não ter altura marcou-me um bocadinho e deu-me uma certa força, e uma raiva para poder dar a volta e dizer “Não, o futebol joga-se com os pés, não com a altura”. Acabei por estar certo e consegui fazer carreira.
Resuma o seu percurso na selecção.
Fiz as camadas jovens, desde os sub-16 até ao Europeu de sub 21, ganhamos o Torneio de Toulon, fiz a qualificação nos Sub 21 para os Jogos Olímpicos de 2004, onde já não íamos há muitos anos. Eu acabei por não ir porque o Benfica tinha jogo da pré-eliminatória da Liga dos Campeões e não me libertou. E depois ainda fui chamado à selecção B, mas nunca fui chamado à selecção A.

Essa é a maior frustração que tem no futebol?
Não porque eu sabia que para chegar a esse patamar tinha que ser titular absoluto do Benfica. E quando não és, isso nem passa pela cabeça. É óbvio que quando estava nos sub 21 pensei que esse dia podia chegar, mas com o passar do tempo, o não ter sido titular indiscutível do Benfica percebi que não ia ser fácil. Não foi portanto uma coisa em que eu pensasse.

Qual foi a maior asneira que fez enquanto jogador e que hoje tenha a noção de que pisou um pouco o risco?
Foi um vez no Alverca em que fui directo para o treino. Não havia jogo essa semana, tinha havido um aniversário, a noite prolongou-se e fui direto para o treino. Foi a única vez e jurei para nunca mais, porque a seguir ao treino ao vir para casa ia adormecendo.

A amizade com Simão Sabrosa surge quando?
Em 2004/05. Mas eu não vou falar mais sobre esse assunto. Não vale a pena perguntar.

Não quer falar sobre o Simão Sabrosa e o facto dele ter casado com a sua ex-mulher?
Não. É assunto completamente encerrado.

Ficou uma grande mágoa?
Não. É o que é. É a vida.

Não se falam?
Não, é um assunto encerrado. O único assunto é o meu filho ser feliz. O resto é um assunto encerrado, cada um seguiu a sua vida.
Quanto à selecção neste Mundial da Rússia que está à porta. Vai ser mais complicado do que o Europeu?
Sim, porque as pessoas estão com outra perspectiva. Depois de sermos campeões europeus há uma outra exigência, mas é um erro, porque toda a gente sabe que Mundial é Mundial. Acho que a selecção deve ir naquela de passar o grupo e depois é ver o que dá. O principal objectivo é passar o grupo, depois no mata, mata temos 50% de hipóteses e tudo pode acontecer. Agora, dizer que temos hipótese de ser campeões do mundo acho que é muito pesado.

Aquilo que se está a viver no Sporting surpreendeu-o?
Vou ser sincero, com o clima que se está a viver no futebol pensei que pudesse acontecer qualquer coisa, mas nunca que pudesse acontecer nada tão grave. Também tive adeptos descontentes comigo, até no Benfica, aliás, quando perdemos 3-0 com o Anderlecht foram ao aeroporto esperar-nos e ainda levei com um bocado de cerveja na cara. O sermos criticados faz parte, mas não pode acontecer o que aconteceu em Alcochete, é inacreditável, nem num país de terceiro mundo, foi mau de mais, e não é o meu clube, mas senti como se fosse o meu clube.

Foi ouvido no processo da Operação Jogo Duplo...
...Fui ouvido porque fazia parte da equipa do Oriental. Só isso.

Nunca foi aliciado?
Não. Nem no Chipre, onde eles são malucos por apostas.

Não se admira que haja corrupção no futebol?
Não sei. Se formos a ver há em todo o lado na sociedade, é triste. Mas há mais meios, há mais pessoas a tratar desses casos e espero que termine de vez.

Qual a sua maior ambição?
Ser feliz, viver um dia de cada vez, estar com os meus filhos, com a minha família, os meus amigos. Estou bem. Enquanto estiver bem vou estar assim. Se para o ano tiver saudades de estar no futebol, tiro o curso de treinador e hei-de ter a minha oportunidade porque felizmente tive grandes treinadores, grande experiência e nunca se sabe o dia de amanhã. Mas se me perguntarem hoje se é isso que quero, não."

Circus Lagartus - XVII episódio

Nicolás Castillo

Demorou alguns dias, mas finalmente foi oficializado o ponta-de-lança Chileno, Castillo.

É um jogador com características muito interessantes. Não é muito alto, mas é bastante forte fisicamente. Tem um remate bastante fácil, principalmente com o pé direito. É um lutador, estilo Jiménez, mas até me parece mais inteligente na forma como pressiona as defesas contrárias!

Foi um jogador que começou a dar nas vistas nas camadas jovens, veio para a Europa muito cedo, até marcou golos... mas acabou por ser traído por uma lesão grave! Voltou para o Chile e voltou a emigrar, desta vez para o México...
Quando jogava nas camadas jovens da sua Selecção chegou a ser notícia, um potencial interesse do Benfica!!! Curiosamente, com a idade, acabou por mudar a sua forma de jogar... a lesão grave, muito provavelmente, obrigou a muito trabalho de ginásio, e acabou por perder alguma agilidade e ganhar músculo!!!

Tem outra arma importante: Livres Directos... Sendo que é um jogador que ganha facilmente faltas, tendo em conta a forma como sabe proteger a bola... Vamos ver quantas faltas serão marcadas em zonas de perigo com o Castillo em campo!!!

É uma aposta com algum risco, o jogador chega com fama de 'mauzão' e sabendo como as coisas são tratadas no Tugão, já estou a prever o 'ambiente' que vai rodear o Castillo...!!!

Ainda esta semana, no jogo da sua Selecção, acabou expulso, numa jogada que a televisão não conseguiu mostrar nada, mas os comentadores 'viram' uma agressão grave, imediatamente...!!!

Chama Imensa... Castillo e o lamaçal...!!!

À revelia da lei e ao arrepio dos estatutos

"Ao relatar, nos últimos meses, a crise do Sporting, a comunicação social pecou. Por defeito. Basta ler as cartas de Patrício e Podence.

Nas cartas com os pedidos de rescisão de Rui Patrício e Daniel Podence é contada de forma pormenorizada a história recente do Sporting, particularmente no que concerne à relação entre Bruno de Carvalho, o plantel e o treinador.
Quantas vezes ouvimos, nos últimos meses, a propósito de notícias publicadas por nós e pelos outros jornais, desmentidos veementes e acusações de desestabilização, vindos de Alvalade? Quantas vezes foi imputada à comunicação social a culpa da agitação que envolvia os leões, dizendo-se, inclusivamente, que as mentiras propagadas visavam apenas beneficiar a concorrência do outro lado da Segunda Circular? Afinal, perante aquilo que agora se sabe, a única coisa de que jornais, rádios, televisões e sites podem ser acusados é de terem pecado por defeito, porque aquilo que foram sabendo e revelando ficou muito aquém da realidade.
Aqui chegados, perante a magnitude da crise e as consequências catastróficas que são facilmente antecipáveis (a CMVM, ao que tudo indica, não vai dar luz verde ao empréstimo obrigacionista de 15 milhões enquanto a situação do Sporting não conhecer clarificação...), seria de esperar algum bom sendo por parte de quem devia zelar pelos superiores interesses do Sporting. Porém, aquilo a que se assiste é uma escalada da agressão psicológica sobre o futebol verde e branco, que teve no esquecimento de Bruno de Carvalho da vitória na Taça da Liga, ao elencar os sucessos desportivos do clube na presente temporada, o mais recente episódio.
Neste momento, o Sporting está refém de sete dirigentes, que à revelia da lei e ao arrepio dos estatutos, querem tomar conta do clube. O despedimento da Mesa da Assembleia Geral, será, inevitavelmente, revertido pelos tribunais, só não se sabe exactamente quanto tempo demorará o processo. E uma coisa é certa: o tempo corre contra o Sporting, até para além da preparação da próxima época desportiva; e a radicalização de posições em curso tornará mais difícil sarar as feridas desta verdadeira guerra civil. Bruno de Carvalho, que para a esmagadora maioria dos sportinguistas foi, um dia, do maior problema que o clube enfrentará desde a fundação, em 1906. Porque está a pôr em perigo o futuro da instituição.

(...)
Ás
Fernando Santos
Em Bruxelas viu-se uma Selecção Nacional que se mostrou à altura do símbolo de campeã da Europa que os jogadores ostentam na camisola. Fernando Santos precedeu a alguns acertos importantes, faltando ainda a piéce de résistence: criar o melhor enquadramento para que Cristiano Ronaldo possa soltar o génio...

Ás
Miguel Oliveira
Ninguém, no mundo das duas rodas motorizadas, questiona o talento do piloto de Almada, que depois de uma carreira no Moto 3, está a afirmar uma veia ganhadora no Moto 2 que justifica plenamente que já tenha sido chamado ao MotoGP. A última volta, electrizante, que lhe deu a vitória em Itália, foi obra de autor.

Daqui não saio, daqui ninguém me tira...
«Nunca representarei mais ninguém na vida, agora retirem as vossas conclusões...»
Bruno de Carvalho, presidente do Sporting
Da carta de Rui Patrício consta uma afirmação de Bruno de Carvalho, proferida após o jogo caseiro do Sporting com o Paços de Ferreira, que ajuda bastante a explicar o estado de espírito do presidente leonino. Estamos - e é o próprio que o reconhece - perante alguém disposto a agarrar-se ao lugar que ocupa de todas as maneiras e feitios, sem tempo, sem modo, sem limite.

Jorge Jesus, até já
É preciso recuar ao milénio passado para tirar Jorge Jesus da equação do Campeonato Nacional. Perante o iminente adeus às armas do treinador ao Sporting, fica, desde já, em antecipação, um vazio por preencher, feito de muita sabedoria futebolística, alguma atracção pela polémica e uns quantos pontapés na gramática, tudo ingredientes do charme de Jesus. Uma coisa parece certa, não será fácil para nenhum treinador ocupar o lugar que tem sido de JJ nos últimos três anos. É uma pesada herança, num clube à beira de um ataque de nervos.

Castres, ou o sonho que comanda a vida
O Castres, décimo primeiro orçamento no top-14, o melhor campeonato de râguebi do hemisfério Norte, sagrou-se campeão de França ao bater, em Paris, o Montpellier, onde joga o português Julien Bardy. No hexágono, a oval continua em grande. Infelizmente, por cá é o que se sabe. Até quando?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Olá, o meu nome é Cubillas. Esta é a trivela

"A estrela peruana (que passou pelo FC Porto) marcou um dos livres mais famosos da história do Mundial em 1978, com um gesto técnico pouco habitual nas bolas paradas.


"Ainda me arrepio quando ouço o nome de Cubillas. Era um jogador fantástico e colocou-nos entre a espada e a parede, nesse dia", lembra o então capitão escocês, Bruce Rioch. O então é 1978 e o palco é o Mundial da Argentina, onde "El Nene" (o menino), Teófilo Cubillas, inscreveu firmemente o seu nome no panteão das grandes estrelas de sempre da prova rainha da FIFA.
Para uma certa geração de adeptos portugueses, aquele que é considerado o melhor jogador da história do Perú é um nome muito familiar, sobretudo pelas três épocas que passou no FC Porto, em meados dos anos 70. Ao serviço dos dragões, apontou 65 golos em 108 jogos oficiais e, apesar de não ter conquistado nenhum título, é recordado como uma das primeiras estrelas mundiais a passar pelo futebol português, o que só foi possível com uma subscrição pública junto dos portistas.
Não falamos de um talento qualquer: juntamente com os alemães Miroslav Klose e Thomas Muller, é único que se pode orgulhar de marcar pelo menos cinco golos em mais que uma edição do Mundial (fê-lo em duas) e nenhum golo será mais icónico que o que apontou a 3 de Junho de 1978 na cidade argentina de Córdoba frente à Escócia.
A equipa do Perú já tinha algum pedigree, chegando à competição após só terem caído aos pés do Brasil de Pelé e comparsas nos quartos de final do Mundial 1970 e como vencedores da Copa América 1975. Sempre com Cubillas no centro das atenções e com um estilo de futebol atacante que recolheu muitos adeptos. 
Créditos que se confirmaram logo no primeiro jogo, quando o craque sul-americano mostrou ao que vinha com um golpe que o mundo nunca tinha visto tão in loco. O adversário inaugural era a Escócia, que chegava à Argentina convicta que tinha tudo para ser campeã do mundo. O que parecia confirmado com o primeiro golo da partida, logo aos 14 minutos por Joe Jordan. O Perú só empataria perto do final da primeira parte e, já após os escoceses terem falhado um penálti, teríamos que esperar até aos 20 minutos finais de jogo para o "Eu Show Cubillas."
E que espectáculo. Aos 71 minutos, numa espécie de aquecimento para o livre que correu mundo, deu vantagem ao Perú com um remate de longe com a parte exterior do pé. Seis minutos mais tarde, faria história. Uns metros mais à frente de onde tinha rematado para o golo anterior, beneficiou de um livre direto do lado esquerdo do ataque. Juan Munante enganou a equipa adversária ao passar por cima da bola que ficou à mercê de novo remate com a parte exterior do pé direito de Cubillas. 3-1 e "pesadelos para o resto da vida" como afirmou o guardião Alan Rough.
O gesto ainda não se chamava trivela, mas pode encontrar a sua popularidade no livre inesperado de "El Nene." Que ficou para sempre com o seu nome gravado na história."

segunda-feira, 4 de junho de 2018

O mundo de BdC

"«Não terá qualquer credibilidade uma decisão de tribunal que se pronuncie a favor da destituição de uma Direcção e Administração, por causa de processos de rescisão sem sentido e pro chantagens de que, se sairmos, voltam a ter condições psicológicas para ficar ou ser negociados». A frase, lida em mais um (extenso como todos) comunicado do Conselho Directivo, mostra bem o estado a que chegou o Sporting, um clube neste momento preso num mundo à parte: o mundo de Bruno de Carvalho. Um mundo que está acima de tudo, até da própria lei e dos tribunais. Um mundo onde só têm credibilidade as palavras do seu todo-poderoso presidente - mesmo que constantemente desmentidas -, que se assume também como único legislador e juiz. Um mundo em que tudo é tão maravilhoso que todos os dias aparecem notícias, plantadas por invejosos, a dizer que as coisas não são, afinal, tão maravilhosas assim. É assim o mundo de Bruno de Carvalho. Um mundo à parte do qual o Sporting, infelizmente, passou a fazer parte. E do qual não parece encontrar forma de fugir, porque por incrível que pareça há sportinguistas nele dispostos a viver. Estão no seu direito.
Quem não teve dúvidas em dele afastar-se fora, para já, Rui Patrício e Podence. E outros se seguirão, seja através de rescisões unilaterais ou de transferências que servirão para disfarçar as coisas. Até Jorge Jesus parece disposto a abdicar de um ano de contrato (e de alguns milhões de euros) para vê-lo pelas costas. Nada disto parece, contudo, suficiente para fazer pensar quem continua a segurar Bruno de Carvalho que nem vale a pena perguntar aos sócios se continuam a rever-se neste modelo de governação. E quem, mesmo assim, vai dizendo que não ou é inimigo ou é traidor. Simples. Como simples são sempre as coisas nos estados totalitários. Como o mundo de Bruno de Carvalho."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Denúncia caluniosa

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa que avançará com uma queixa-crime por grave difamação e denúncia caluniosa contra a Sporting Clube de Portugal – Futebol, SAD, a propósito de um suposto aliciamento e assédio ilegal feito a jogadores daquele clube e cujo fundamento resulta de um simples comentário de um ex-quadro do SCP num programa desportivo.
A inusitada situação só se pode explicar pelo conjunto de ocorrências que são do conhecimento público, mas não iliba os seus responsáveis pelas levianas e graves difamações."

Alhos e bugalhos

"O contexto torna os casos da invasão violenta de um treino do Guimarães e do ataque a Alcochete incomparáveis

O Conselho Directivo (CD) e a Comissão Executiva (CE) da SAD do Sporting ou, em menos palavras, Bruno de Carvalho emitiu ontem mais um comunicado em que comparava a invasão violenta de um treino do Vitória de Guimarães por um grupo de adeptos com o ataque à Academia de Alcochete. Tudo para louvar a atitude dos atletas vitorianos que, ao contrário do que aconteceu com alguns jogadores do Sporting, não rescindiram os respectivos contratos. Um nítido caso de mistura de alhos com bugalhos ou de como é possível escrever torto por linhas direitas. Os dois casos, igualmente graves, são incomparáveis, desde logo pelas circunstâncias que os envolvem. No caso do Vitória, não há qualquer notícia de que Júlio Mendes tenha passado as semanas que antecederam os incidentes a enviar mensagens com ralhetes aos jogadores e técnicos, que os tenha censurado de forma pública e notória em entrevistas publicadas na véspera de jogos decisivos ou ainda que tivesse recorrido ao Facebook para os classificar de "meninos mimados", criticando o respectivo profissionalismo e alimentando a animosidade dos adeptos em relação à equipa. Aliás, não consta que Júlio Mendes tenha conta no Facebook e muito menos que, tendo, a use para abordar temas da gestão do clube. Serve esta explicação para concluir o óbvio: os jogadores do Vitória não rescindiram com o clube, da mesma forma como Rui Patrício e Podence não rescindiram com o Sporting; rescindiram com Bruno de Carvalho. Isso mesmo fica claro pelo facto de admitirem voltar atrás caso o presidente se demita. Simplesmente porque, ao contrário do que parece acontecer com o próprio e os restantes membros do CD e da CE, os jogadores do Sporting não confundem o clube com Bruno de Carvalho."

As Regras dos Jogos... Justas Causas !!!

Alvorada... do Bernardo

É vital acordar cedo

"O Benfica falhou o ‘penta’ e com isso ficou por alcançar um feito inédito na história centenária do clube da Luz. A época passada foi desastrosa e na SAD encarnada o tema foi debatido. Mas apesar das muitas pressões, Vieira soube manter a calma, segurou o treinador, está a trabalhar no reforço da equipa e mantém o rumo, apesar das inúmeras questões que rodeiam o clube.
Para não perder a hegemonia do futebol português, que parecia ter recuperado ao FC Porto, o Benfica está a trabalhar cedo. Porque no futebol como na vida, por vezes é mesmo vital acordar cedo. A SAD encarnada percebeu-o e revela um ataque ao mercado na tentativa de dar mais armas a Rui Vitória na próxima temporada, sendo certo que o clube da Luz ainda perderá algumas das suas jóias. Afinal, o Mundial está aí à porta, ainda haverá muitas movimentações de jogadores e empresários.
Ferreyra e Castillo são dois jogadores com talento, ainda que com comportamentos desportivos diferentes, mas mostram, juntamente com os nomes já contratados durante a época passada, que há vontade de inverter o rumo desportivo. Só com melhores jogadores Rui Vitória poderá fazer melhor. Mas há algo que tem tido, que por exemplo Jesus não se pode gabar: tranquilidade no trabalho. Deve agradecê-lo a Vieira."

Os Donald de Carvalho

"Este não é um texto sobre Bruno de Carvalho. E muito menos sobre Donald Trump. Este não é um texto sobre sportinguistas, nem tão-pouco sobre os americanos. Este é um texto sobre fanáticos, trolls e pessoas doentes que se movem pela demagogia e pelo populismo. Este é um texto que pretende reflectir sobre todos aqueles que usam duas palas nos olhos e que por isso acham que o mundo é monocromático.
No outro dia comentava com um grande amigo, que vive nos Estados Unidos há muitos anos, que permanece um mistério para mim como é que os americanos entregaram a presidência a Donald Trump. Depois de terem eleito por duas vezes Barack Obama - e sendo quase certo que voltariam a reelegê-lo se ele pudesse candidatar-se -, como é que se passa de Obama para Trump? A manipulação eleitoral explica muita coisa, mas não explica tudo. Houve, apesar de tudo, uma votação maciça em Trump e isso aconteceu por alguma razão.
A explicação do meu amigo tem tanto de simples como de assustadora: Trump ressuscitou muito eleitorado abstencionista, aquilo que se acreditava serem franjas da sociedade que há anos que não iam votar e que voltaram a identificar-se com o discurso de um político, depois de décadas a dizer mal de tudo e todos sem meter os pés numa urna de voto. Os racistas, os xenófobos, os nacionalistas envergonhados, todos eles foram votar em Trump porque finalmente apareceu um político que diz o que eles pensam e faz o que eles gostavam de fazer. O mais assustador não é ainda existirem estas pessoas, é percebermos, de repente, que elas existem em número suficiente nos Estados Unidos para eleger um louco para a Casa Branca.
A comunicação social americana fez o resto. Ao contrário do que se possa pensar, não foi só a Fox, a One America News, a Trump TV ou a Infowars que ajudaram Trump a ser eleito. Foram estações de referência como a CNN, ou jornais de nomeada como o The New York Times e o The Washington Post, que decidiram transformar-se numa espécie de oposição política e, com isso, ajudaram Trump a ser eleito. Quando mais de 90% das notícias publicadas pelas televisões americanas sobre Donald Trump são negativas, isso é apenas campanha gratuita para o presidente e combustível para os seus apoiantes.
O futebol é um fenómeno em tudo idêntico à política, mas para pior. E, nos dias que correm, Donald Trump está para alguns americanos como Bruno de Carvalho está para alguns sportinguistas. Sublinho alguns. Também o presidente do Sporting parece ter conseguido ressuscitar uma franja de sportinguistas que viviam escondidos pelos cafés deste país e na escuridão das redes sociais. Adeptos que, apesar de toda a loucura instalada, continuam cegos e alapados a um líder que consegue mobilizar um exército acéfalo, mas comprometido.
No outro dia, no elevador, cruzei-me com um sportinguista enquanto eu, por dever profissional, ouvia um comício de Bruno de Carvalho, disfarçado de conferência de imprensa. "Estão a tentar fazer-lhe a folha, mas ele tem toda a razão", atirou este adepto para meu grande espanto. Ainda tentei argumentar - não sendo eu sportinguista - com factos. "Repare, como é possível o presidente de um clube escrever o que escreveu nas redes sociais sobre a sua própria equipa? Que líder é este que vem publicamente desfazer os seus? E, já agora, como é que o presidente de um clube deixa que que um grupo de vândalos entre pela Academia de Alcochete para agredir a equipa futebol e não retira daí consequências?" Tempo perdido. Dois minutos de conversa (o tempo que o elevador demorou a subir quatro andares) e desisti. É impossível vencer a tese da cabala, da vitimização, do herói que resiste aos poderes instalados.
Essa é uma das principais características dos fanáticos e dos trolls: eles são, por norma, lapas daquelas difíceis de descolar. O que lhes falta em pensamento próprio e informado, sobra-lhes em verborreia sempre em defesa do líder mais populista que lhes apareça pela frente. Confundem combatividade com educação e racionalidade com demagogia. Os fanáticos e os trolls são, normalmente, cobardes que têm nas redes sociais o ecossistema perfeito para sobreviverem.
O futebol, percebi eu há muitos anos, é do domínio da irracionalidade. A todos os níveis. Dos dirigentes aos treinadores, jogadores e adeptos, é como se existisse um chip dentro de cada pessoa que a faz perder todo o discernimento, toda a razoabilidade. O Sporting é o exemplo mais recente, mas o Benfica e o Porto também o são e, neste campeonato da loucura total, ninguém pode atirar pedras.
E aqui, como nos Estados Unidos, a comunicação social não está isenta de culpas. O que se passa no Sporting é notícia e não pode ser ignorado, mesmo que se corra o risco de se estar a alimentar um "monstro". Mas há uma diferença entre informar e ser-se apenas oportunista. Montar debates estéreis, com painéis de comentadores que ora repetem lugares-comuns ora inventam "notícias" em primeira mão, é apenas uma forma básica de tentar conquistar audiências. Dar voz a quem "diz tudo sem papas na língua", ainda que nada diga, porque nada pensa, nem nada sabe, é apenas abdicar de qualquer critério editorial e só serve para alimentar um clima de ódio. E no caso de Bruno de Carvalho, como no caso de Donald Trump, não são apenas os tablóides a entrar neste terreno lamacento, são também, muitas vezes, os órgãos de comunicação social de referência. Fazê-lo, desta forma, é ajudar a alimentar um "exército" de adeptos que são atiçados a cada debate, a cada directo à porta do estádio, a cada editorial disfarçado de notícia.
Quero acreditar, ainda assim, que a maioria dos adeptos do Sporting, ou de outro clube qualquer, apenas se dá ao luxo de perder a racionalidade na emoção de um jogo de futebol. Mesmo que isso implique embirrar com o árbitro, atirar um impropério ou outro ao adversário ou ficar triste com a sua própria equipa. Porque os outros, os fanáticos, os trolls e os doentes, estão todos a mais no futebol. E, já agora, na política."

A defesa está óptima, o pior é o manicómio

"Grande foi a demonstração de capacidade da Selecção, superando claramente uma Bélgica fortíssima, a atuar em casa e a não lograr o que raramente falha: golos. Fernando Santos parece ter acertado no quarteto defensivo titular – não por acaso, o da final do Europeu – que se exibiu a alto nível, permanecendo, todavia, um velho problema. É que com a carga de jogos do Mundial vai ser preciso rodar e as quatro alternativas não estão no mesmo patamar – por experiência a mais ou experiência a menos. Recordo o erro da utilização consecutiva, há dois anos, do já veteraníssimo Ricardo Carvalho, nos três desafios iniciais do Europeu, disputados em apenas nove dias. À terceira partida, contra a Hungria, sofremos três golos, o central, de 38 anos, "rebentou" e assim fez a sua despedida da Selecção – nunca mais jogou.
Mas para mim o melhor do encontro de Bruxelas foi o último quarto de hora da primeira parte, com Gelson, Guedes e Bernardo à solta e a darem uma noção do que poderá ser a Selecção do futuro. Houvesse um "matador" de talento aproximado e ninguém teria pena de nós. Como não há, ou muito me engano – talvez André Silva esteja a um passo de nos surpreender – ou voltaremos, dentro de dias, às lamúrias habituais pela falta de um "9"...
Depois do "assédio" a Marco Silva, no final de 2017, que conduziria à baixa de rendimento do Watford e ao despedimento do então seu treinador, em Janeiro último, o Everton contratou finalmente o ex-técnico do Sporting. Conheci-o na redacção do Record, quando viu connosco vários jogos da Selecção, deixando sinais de determinação e um rasto de modéstia e simpatia. Espero, por isso, que alcance em Liverpool a estabilidade que lhe recusaram em Alvalade – foi a primeira vítima do que não se sonhava ser o desvario – mas igualmente no Olympiacos, onde não cumpriu a segunda época do contrato, no Hull City, que não conseguiu manter na divisão principal, e no Watford. Se a competência de Marco é inegável, o tempo agora é o da confirmação: tem de fechar normalmente um ciclo.
Devemos olhar para a crise do Sporting, relativizando o problema dentro do espaço reservado às necessidades de tratamento psiquiátrico: é que vivemos num pais que entrou em transe com os incêndios do ano passado mas onde mais de dois mil (!) proprietários foram agora alvo de contraordenações por não limparem os seus terrenos. Ou seja, preferem perder os bens, e até morrer, a cortar as árvores encostadas às casas, a afastar as pilhas de lenha e a retirar os montes de tralha. Sugeria até a Jaime Marta Soares, presidente da Liga dos Bombeiros, que nos tempos livres entre as asneiras que protagoniza, com os outros artistas, em Alvalade, perguntasse ao Governo – e para isso ele tem o jeito que falta a quem devia – se no que toca às propriedades do Estado, às matas das grandes empresas e às beiras das estradas o trabalho está feito. Desconfio que não. Por isso, tenhamos calma e integremos o manicómio de Alvalade na vasta rede nacional de cuidados de saúde mental. Até à hora do colete de forças, há sempre esperança."

Benfiquismo (DCCCXLVIII)

Sol...

Iniciados - 9.ª jornada - Fase Final

Benfica 9 - 0 Académica

Obrigação cumprida, e agora é jogar para o título na última jornada em Alcochete. Aquele empate em Santarém impediu os festejos esta manhã...!!! O empate chega, mas temos que jogar para ganhar, como sempre...

Juvenis - 6.º jornada - Fase Final

Benfica 5 - 0 Belenenses

O 1-0 ao intervalo foi curto... mas na 2.ª parte, as bolas começaram a entrar!
Deu novamente para rodar o plantel... até porque na próxima jornada vamos a Alcochete. Não será m jogo decisivo, mas uma vitória será um passo muito importante...

Negra na Luz...

Corruptos 91 - 74 Benfica
21-9, 18-23, 21-25, 31-17

Mais uma entrada horrível em jogo... Ainda recuperámos, estivemos a 3 pontos, mas no 4.º período voltámos a 'bloquear'!!!
Continuamos a perder a luta dos ressaltos! Hoje, atingimos números absurdos: 51/30 !!! Assim não dá...

Vamos ter a negra na Luz, na Quarta. Como se viu nos primeiros dois jogos, o factor casa, pouco importa... portanto, é melhor pensar em ter atitude defensiva forte!

Vitória...

Infante Sagres 5 - 12 Benfica

Com a desilusão da semana passada, nem reparei que jogámos ontem!!!!
Vitória normal... Com a derrota dos Corruptos, vamos provavelmente terminar em segundo lugar no campeonato!
Independentemente de tudo o resto, os empates com a Oliveirense, o Valongo e os Corruptos foram todos consequência de várias decisões apitadeiras surreais... seria suficiente para sermos Campeões!!!

“O Shéu tinha quatro dedos e o Álvaro seis. Percebi logo que o Benfica ia ser uma experiência incrível”

"Deixou o vício do álcool, está a preparar uma mudança definitiva para Lisboa e pelo caminho ainda recorda os melhores momentos da carreira. Leia a entrevista do sueco goleador à 4MEN.

Mats, o temível sueco que era alto e nada tosco, marcou uma geração de benfiquistas. Nem todos se lembrarão dos seus feitos durante os cinco anos em que representou o Benfica, entre 1987 e 1992. Marcou 87 golos em 134 jogos – só em 89/90 fez 40 golos –, ganhou dois campeonatos nacionais, uma Supertaça e esteve presente em duas finais da Taça dos Clubes Campeões Europeus perdidas frente ao PSV Eindhoven e ao AC Milan de Rijkaard, Gullit e Van Basten.
Não foram apenas os golos que deixaram o sueco na memória de todos os adeptos portugueses, benfiquistas, portistas, sportinguistas e de muitos outros clubes. A humildade e boa disposição eram contagiantes e são qualidades que se mantiveram, mesmo depois dos últimos anos atribulados do antigo jogador.
No final de 2017 lançou a sua auto-biografia – “Hell and Back” (Ir ao Inferno e voltar, em tradução livre) – onde revelou os problemas com o álcool que enfrentou depois de abandonar o futebol profissional. A partir de 1994, a vida desmoronou-se: perdeu tudo, afastou-se da família e chegou a dormir nas instalações do Högaborg, clube onde trabalhava. E quem não se recorda do célebre regresso à luz para uma partida amigável, onde Mats entrou a cambalear em campo?
“Aquele jogo contra Zidane… é terrível pensar nisso. Foi demasiado. Estava bêbedo no relvado e a primeira coisa que fiz quando entrei foi cair. Foi uma viagem de um fim de semana e eu comecei a beber logo no avião. Não estava muito bêbedo, só um pouco. Lembro-me de cair quando estava a entrar no autocarro que nos levava do avião ao terminal. Fiz uma grande ferida na perna e demorou muito a cicatrizar”, revelou no livro.
A 4MEN ligou directamente para a Suécia para falar com Magnusson que é hoje um homem diferente. Confessa que está reabilitado e que está a planear mudar-se definitivamente para Lisboa. Pelo caminho, recorda alguns dos momentos mais importantes da carreira que aconteceram precisamente no Benfica.

O que ainda guarda consigo dos tempos do Benfica?
Foram cinco anos maravilhosos, tive muito orgulho em representar o Benfica e posso dizer que, hoje em dia, ainda sou 100 por cento benfiquista. Nem imagina as saudades que tenho de Portugal e de viver em Cascais. Tenho o sonho de voltar a Portugal para viver ainda este ano.

Os adeptos ainda se lembram de si?
Uau, é incrível a festa que fazem. Sou muito bem tratado por todos em Portugal e não só por benfiquistas. Os sportinguistas e os portistas que encontro dizem-me: “Olha, o Magnusson. Gostamos muito de ti.”

Porque é que os portugueses gostam tanto de si?
Os benfiquistas porque marquei muitos golos (risos). Os sportinguistas e os portistas porque reconhecem que sempre fui muito humilde, nunca me neguei a falar com as pessoas. Por exemplo no antigo estádio da Luz eu nunca punha o carro na garagem e no fim dos jogos e dos treinos ficava sempre a falar com os adeptos. Tinha uma postura humilde. Nunca me queixava quando não jogava e nunca falava mal de ninguém. Lembro-me que uma vez o Schwarz me disse: “Mats, todos os benfiquistas te amam, é incrível” e eu respondi-lhe que “não são só os benfiquistas, os portistas e os sportinguistas também me amam”. E eu posso dizer que também amo os portugueses.

Curiosamente, marcou vários golos ao Sporting, mas nunca conseguiu fazê-lo frente ao FC Porto. Era difícil ultrapassar os defesas portistas?
É verdade. Não me lembro dos nomes deles, mas os defesas do FC Porto eram muito duros. Gosto dos portistas mas não gosto do FC Porto por causa disso (risos). Por outro lado, adoro o Sporting, porque lhes marquei vários golos.
Publicou há poucos meses a sua autobiografia. Certamente que um ou vários capítulos importantes são dedicados à passagem pelo Benfica?
Claro, algumas das partes mais importantes são sobre o Benfica. Os suecos não tinham a noção do nome que eu tenho em Portugal e ficaram espantados. Agora estou a trabalhar na forma de traduzir a autobiografia para português.

Ainda se lembra do primeiro dia no Benfica?
Lembro-me que segui do aeroporto de Lisboa para Cascais, onde tinha à minha espera o Skovdhal [Ebbe Skovdhal, treinador do Benfica na altura]. Ele deu-me as boas vindas e explicou-me o que pretendia de mim. A minha estreia foi na Luz algumas semanas depois e foi horrível. Perdemos 0-1 com o Marítimo. O Skovdhal mal sabia que umas semanas depois ia ser despedido. Os meus primeiros dias foram de adaptação a uma nova realidade e era o Carlos Manuel quem me dava boleia para os treinos. Lembro-me que o primeiro jogador que vi no balneário foi o Shéu. Fiquei espantado quando ele me cumprimentou porque só tinha quatro dedos numa mão. A segunda pessoa que cumprimentei foi o Álvaro [Magalhães], que tinha seis dedos. Nunca tinha visto ninguém que não tivesse os cinco dedos numa mão e chegado ao Benfica vi logo duas. Percebi imediatamente que a minha experiência no Benfica iria ser incrível (risos).

Que outras memórias tem desses tempos?
Posso contar-lhe o que o Mozer me fez, ele era terrível. Estava sempre em cima de mim nos treinos, tinha entradas muito duras, como se fosse um adversário num jogo. Eu nem dizia nada, tinha medo dele. Um ou dois meses depois de ter chegado ele disse-me “passaste no teste, bem-vindo ao Benfica”.
Qual foi o treinador que mais o marcou no Benfica? O seu compatriota Eriksson?
Não, não, foi o Toni. Bom, primeiro que tudo, não me posso esquecer do Skovdhal, pois foi ele que me foi buscar e se não fosse ele não teria escrito a minha história no Benfica. Mas sem dúvida que foi com o Toni que joguei melhor, ele ensinou-me muito e para além de um grande treinador era uma excelente pessoa. Fora do Benfica, o melhor treinador que tive foi o Roy Hodgson, no Malmö.

Como era jogar no antigo Estádio da Luz perante 120 mil pessoas?
Era incrível. Naquele estádio sentia-se a mística do Benfica e quando estava cheio era muito difícil alguma equipa parar-nos, lembro-me do ambiente das noites grandes europeias, por exemplo nas duas meias finais da Taça dos Campeões, com o Steaua Bucareste e com o Marselha. Para quem não é do Benfica não é fácil de explicar essa mística. É como as pessoas que não têm filhos, só vão perceber como é essa sensação depois de os terem.

Jogou duas finais da antiga Taça dos Clubes Campeões Europeus, que terminaram com duas derrotas, primeiro diante do PSV Eindhoven, em 1987/88 e depois com o AC Milan, em 1989/90. Que recordações tem dessas partidas?
Lembro-me principalmente da final com o PSV. Foi incrível chegar a esse jogo logo no meu ano de estreia no Benfica. E, claro, recordo-me do penálti falhado pelo Veloso, que acabou por ditar a nossa derrota. Ainda hoje quando falamos digo-lhe que não percebo como é que ele marcou tão mal e ele fica furioso comigo, não gosta nada de recordar esse lance. Quanto à final com o AC Milan, foi uma pena não termos ganho, mas eles tinham uma equipa que assustava, com os três holandeses, o Rijkaard, o Gullit e o Van Basten. Nessa altura eu era um dos melhores pontas de lança da Europa e foi pena não ter marcado na final, mas também tive pela frente o Costacurta e o Baresi, uma das melhores duplas de centrais da história do futebol.

No percurso até à final da Taça dos Campeões de 1990/91 houve o célebre golo com a mão do Vata, no jogo das meias finais com o Marselha, na Luz. Viu logo que tinha sido com a mão?
Eu estava ao primeiro poste, tapado por um defesa. Mas o Vata não admitia, disse-nos que tinha sido tudo legal. Como naquela altura não havia tantas câmaras, conseguiu enganar algumas pessoas, mas depois todos vimos que foi com a mão (risos).

Gostaria de voltar ao Benfica?
Penso muito nisso, aliás tenho muitos amigos no Benfica, mas não está nada certo. No entanto, posso dizer que tenho a porta aberta no clube.

Veio festejar o tetra campeonato a Lisboa?
Foi lindo, principalmente a parte em que fui para o Marquês de Pombal festejar com todos os adeptos. Foi uma loucura, com milhares de pessoas nas ruas. Lisboa nessa noite estava vermelha. Também gostei muito de assistir ao jogo da consagração no Estádio da Luz e de estar perto dos jogadores.

O que acha de Jonas, o grande ponta de lança deste Benfica?
É um jogador magnífico, talvez melhor ponta de lança do que eu fui. É muito inteligente e movimenta-se bem na frente, fazendo bons passes para os colegas, isto além de marcar muitos golos, como se pede a um ponta de lança.

Deixou o futebol e foi para a Suécia. O que é que faz actualmente?
Trabalho numa empresa que faz trabalhos de ventilação. Acho que vou continuar nesse trabalho até ir para Portugal.

E entretanto, foi pai aos 49 anos.
Sim, algumas pessoas quando me vêem com o meu filho Waldenice, que tem 5 anos, pensam que eu sou o avô. Foi um milagre, porque os médicos tinham dito à minha mulher que ela não podia ter filhos. Estou numa fase muito boa da minha vida. "