Últimas indefectivações

quinta-feira, 17 de maio de 2018

A sementeira de ventos e a colheita de tempestades

"Os acontecimentos de Alcochete são o epílogo expectável de meses de sucessivas sementeiras de ódio, de uma lógica de vale-tudo e de uma incomensurável passividade da tutela

A fama de país de “brandos costumes” faz com se abuse da sorte em demasiadas situações do funcionamento da nossa sociedade. É uma espécie de transe colectivo de confiança ou de resignação com o improviso, o acaso e os estereótipos. Ignoram-se os sinais, as tendências e as evidências para, depois de confrontados com a realidade, encetarmos laboriosas construções de narrativas desculpabilizantes e de justificações para o ocorrido.
Os acontecimentos de Alcochete são o epílogo expectável de meses de sucessivas sementeiras de ódio, de uma lógica de vale-tudo e de uma incomensurável passividade das entidades com responsabilidades de tutela de um dos maiores activos da economia nacional, a indústria do futebol, num país com a escala de Portugal. Era uma evidência que numa época em que a truculência verbal, o crime informático e a sucessão de casos no limiar das linhas vermelhas das mais elementares regras do funcionamento do Estado de direito democrático foram uma constante, o resultado só poderia ser a inaceitável violência. O inusitado é que a violência, inicialmente esboçada na invasão de um centro de estágio de árbitros, ao que se sabe sem consequências, tenha sido materializada por adeptos de um clube contra os seus próprios técnicos e atletas, num espaço de trabalho do clube desportivo em causa. É um invulgar caso de bumerangue do ódio destilado, neste caso suscitado por uma sucessão de induções de comportamento modeladas por quase duas dezenas de ausência de vitórias numa competição.
A verdade é que, no futebol como noutras actividades humanas, os estados de alma, as emoções e as circunstâncias determinam muitos comportamentos individuais e comunitários e as correspondentes consequências. Se se semeiam expectativas, colhem-se reivindicações ou frustrações. Se se semeiam ventos, a probabilidade de colherem tempestades, mesmo com as alterações climáticas, é grande. Entre a sementeira e os resultados existem factores que dominamos e outros que nos são alheios, mas a lucidez de aprender com os erros ou de simplesmente reconhecer a realidade nunca deve ser alienada. O que se passou em Alcochete é uma consequência de ensaios e de induções que foram sendo geradas ao longo de um determinado tempo. Pode ser um caso de polícia, mas é parte integrante de um processo e de um caminho que por vontade própria foi percorrido. Um caminho articulado com companheiros de viagem, integrado e sustentado, de dispersão de ódios que acabaram por ser destilados contra a própria casa. Houve interesse estratégico em induzir o caos e o vale-tudo, amiúde com conivência passiva ou activa com pontos nas autoridades judiciais e na comunicação social, tendo o bumerangue regressado à casa de partida. Não ao Hotel Altis, mas a outras dependências da convergência na dispersão do ódio destilado e da divulgação dos produtos receptados.
Chegados a este despertar tardio, mais do que revisitar frustrações de anos sem vitórias ou euforias de conquistas sucessivas, importa perceber se há vontade de mudar ou se é para persistir numa espiral que, podendo alternar o mote ou caldo de emoções, terá sempre a propensão para acabar em disparate. Os resultados estão à vista e existem sinais de que, mesmo nos mais empedernidos, há neurónios suficientes para se sobreporem ao coração ou aos ódios induzidos.
É verdade ou não que as mais radicais manifestações de adeptos nos estádios através de fumos, flashes ou petardos têm modelações em função das competições? Contidos nas provas da UEFA em que as sanções são a sério, efusivos e irresponsáveis nas provas nacionais em que as penalizações são do domínio da gargalhada?
É verdade ou não que os mecanismos jurisdicionais desportivos conseguem agregar o que de pior existe na justiça em Portugal, sendo ainda mais de geometria variável em função dos protagonistas em causa, independentemente do que é dito e feito?
O drama geral é que existem demasiadas sementeiras de ventos a serem feitas em Portugal para que não acabem em algumas tempestades, muito além de efémeras precipitações. Mesmo com um clima geral de confiança, são muitos os sinais de preocupação no PIB, que abranda no 1.o trimestre, no crédito ao consumo, que atinge o valor mais alto desde 2012, na carga fiscal, que subiu para o valor mais alto dos últimos 22 anos, e na sucessão de casos nos mais diversos sectores da actividade humana e do funcionamento do Estado. É uma sobrecarga de casos para um Estado de direito democrático, com evidentes sinais de fragilização do seu funcionamento. É uma sobredose de despudor, suspeita de ilegalidades e falta de sentido cívico e comunitário para a capacidade de processamento do cidadão que cumpre, paga impostos e contribui com o seu trabalho para o país.
Se não estamos preparados para os fenómenos meteorológicos extremos, como poderemos ser resilientes perante esta sucessão de escândalos, de chico-espertices e de esbaforidas expressões de sobrevivência, sem que se intervenha em tempo útil e no sentido adequado?
A grande questão está em saber, além do funcionamento da justiça e dos casos de polícia no estrito quadro do Estado de direito, se se nivela por cima ou se vamos continuar a permitir que nivelem por baixo o espetáculo do futebol, com os inevitáveis resultados negativos. Como sempre, está nas mãos de todos, mas sobretudo na cabeça, na voz e na iniciativa de alguns. Relativizar é meio caminho andado para mais Alcochetes. E não “foi chato”, foi mau demais.
(...)"

Isto não é futebol

"Há imagens da chegada em turba dos hooligans. Uns escassos segundos, subitamente terminados. Depois, imagens da destruição e dos jogadores atarantados, de um gigante incompreensivelmente ferido. Pelo meio, o silêncio imposto aos jornalistas.
O início da ameaça foi a exigência dessa mordaça: "Desliga isso", "se filmas alguma coisa ficas sem máquina", "se tiras fotos, parto-te a cara". A violência gratuita em estado puro, que se julga inimputável, que procura instilar o medo. Como chegámos aqui? E como sairemos desta encruzilhada?
O problema começa por ser desportivo. Quando um grupo de adeptos tenta espancar os jogadores e a equipa técnica do clube que diz apoiar ultrapassaram-se todos os limites. O repúdio do que aconteceu tem de ser consequente: a justiça deve ser exemplar. Quem tem estas práticas deve ser irradiado dos recintos desportivos.
E o que se fará quando se provar que estes hooligans fazem parte de grupos organizados de adeptos? Continuar-se-á a considerar normal que os clubes concedam privilégios a estes grupos organizados (descontos de bilhetes, autorização de revenda, utilização dos direitos de imagem, etc.) e não assumam nenhum tipo de responsabilidade pelas suas acções? Será aceitável que estes grupos de adeptos se portem como braço armado de presidentes ou direcções de clubes para criar um clima de coação sobre as equipas? E os discursos de ódio de dirigentes desportivos continuarão a ser tolerados?
Neste caso concreto, haverá alguma multa ao Sporting? Algum jogo à porta fechada? Existirá alguma consequência para o clube? A Liga ou a Federação Portuguesa de Futebol irão continuar a assobiar para o lado enquanto o clima de ódio vai alastrando?
É certo que o futebol não é apenas um desporto. Transformou-se num negócio de milhares de milhões de euros. Por isso mesmo a sua organização foi cada vez mais fechada na autorregulação dos clubes, afastando a acção e a intervenção públicas. O caminho trilhado não foi o da actividade desportiva, mas o da actividade comercial. É um negócio para os clubes, para meios de comunicação e patrocinadores. A visão da Liga Portugal traduz isso com clareza: "Mudar o paradigma actual, com a criação de um modelo de negócio mais rentável, com capacidade de despertar mais interesse dos media e atrair mais investidores." Apenas os adeptos ainda pensam este desporto com o coração.
Um jogo de futebol já não são apenas 90 minutos de bola corrida, com mais ou menos tempo de compensação. Transformou-se em horas de antecipação nos meios de comunicação, das imagens em direto dos insultos entre claques à chegada ao estádio, dos programas que se transformam em arenas de circo onde os argumentos se resumem a ofensas, das apostas ao minuto e dos milhões que precisam da corrupção para viciar os resultados.
O aumento do discurso de ódio, em que agora o alvo até pode ser a equipa de quem se gosta ou da qual se é presidente, é o ingrediente final que permite uma conclusão óbvia: o mundo do futebol português está em autofagia e, nesse processo, a atingir muito negativamente o país. Considerar que o negócio de futebol se tornou intocável é inaceitável perante os acontecimentos recentes. É essa a coragem que o governo tem de mostrar num momento tão delicado.
Os clubes parece que deixaram para trás as genuínas preocupações com o futebol no plano desportivo. Contudo, têm de perceber que o ódio e a violência são um mau negócio. Um dos poucos estudos sobre os efeitos económicos da violência no mundo do futebol analisou a década 1984-1994 no Reino Unido. Uma primeira conclusão é intrigante e até desconcertante, mas ajuda a compreender algumas motivações a que por vezes assistimos: no curto prazo, a violência até pode ter um efeito positivo no desempenho económico das equipas. Empiricamente podemos concluir que, por um lado, isso resulta numa pressão (ameaça) à equipa para responder às expectativas criadas pelos adeptos violentos. Por outro lado, é também motivo de ameaça a equipas adversárias ou a equipas de arbitragem que, mesmo que inconscientemente, podem sentir-se inibidas na sua liberdade.
A segunda conclusão do estudo é lapidar: no médio e longo prazo, a violência no desporto afasta as pessoas e leva o negócio à agonia. Desvia os adeptos, que temem pela sua segurança, ou as famílias, que não colocam as suas crianças em perigo, diminui as receitas publicitárias e cria uma conotação negativa sobre o desporto em causa.
Se o futebol quer ter um futuro, é indispensável mudar drasticamente o presente."

Bruno de Carvalho, o primeiro dos jagunços

"Se o caldo em que o desporto se foi movendo em Portugal abriu caminho à ascensão de Bruno de Carvalho, Bruno de Carvalho abriu caminho aos crimes de Alcochete. Eu não sei se, judicialmente, ele é passível de ser responsabilizado.

Uma das coisas mais penosas no futebol é a total ausência de racionalidade e isso não começou com Bruno de Carvalho.
O futebol é a coisa mais parecida com uma paixão cega e basta assistir, por dez minutos que seja, aos intragáveis programas de comentário desportivo para se entender isto. No passado, o “Domingo Desportivo” era um clássico de referência, um programa onde o jornalismo procurava introduzir alguma racionalidade na paixão. Agora, o jornalismo, ou espécie de, alimenta-se da irracionalidade. Um espectáculo televisivo em que casais desavindos lavassem a roupa suja em público seria mais ou menos igual aos programas que ocupam em permanência os três canais de informação.
Talvez o terreno estivesse há muito a ser preparado para a ascensão de um jagunço chamado Bruno de Carvalho, cujas intervenções públicas têm revelado, ao longo do tempo, total ausência de princípios – a comparação com o tio Pinheiro de Azevedo dá-lhe jeito, mas Pinheiro de Azevedo, honra seja feita à sua memória, nunca atingiu a baixaria do sobrinho.
Se o caldo em que o desporto se foi movendo em Portugal abriu caminho à ascensão de Bruno de Carvalho, Bruno de Carvalho abriu caminho aos crimes de Alcochete. Eu não sei se, judicialmente, ele é passível de ser responsabilizado.
Mas, em termos de prática desportiva, seguramente é corresponsável.
Agora é o tempo da justiça, mas também o tempo da sociedade e da política. Os criminosos devem ser julgados e punidos, mas toda a sociedade tem de reflectir sobre o estado de hooliganismo alargado que permitiu a eleição e reeleição de Bruno de Carvalho, dando força aos criminosos.
A autoridade para o desporto proposta ontem pelo primeiro-ministro pode ser uma boa ideia, se não se tratar de mais “uma comissão”, aquela coisa que recorrentemente se anuncia cada vez que há um problema. A demissão de Bruno de Carvalho é o primeiro passo para a desintoxicação social. Os sportinguistas, a quem cabe a decisão, vão ter de estar à altura."

Pancada e jogos de futebol

"Visto de fora, o futebol em Portugal não é um desporto, é uma doença. E é uma doença crónica e antiga. No início do milénio, em imagens que me ficaram na memória pelo seu absurdo, todos os três canais de televisão nacionais abriam com directos em frente a um restaurante. Lá dentro, a jantar, estariam - na altura os jornalistas ainda não tinham a con- firmação - o presidente do FC Porto com um treinador de futebol. A "notícia" era que o treinador poderia estar a negociar a sua entrada no clube do norte. Como era possível dar tanto e tão doentio destaque ao futebol? Como era possível toda a comunicação social pôr o futebol, uma contratação de um clube de futebol, à frente de tudo o resto que acontecia no país e no mundo?
Muitos anos depois, no início desta semana, outra grande "notícia" a abrir os principais blocos noticiosos nacionais - louvável excepção a RTP. Desta vez o presidente do Sporting estaria prestes a suspender, ou não, o treinador do clube.
Foi no dia em que morreram mais de meia centena de civis na Faixa de Gaza, Israel celebrava os seus 70 anos de existência, os EUA incendiavam o Médio Oriente com a inauguração da sua embaixada em Jerusalém, o Irão estabelecia um prazo de 60 dias para preservar o acordo nuclear, a Catalunha (com metade dos dirigentes independentistas na prisão) elegia finalmente um novo presidente. Mas as notícias em Portugal abriam com a notícia de um presidente de clube de futebol aborrecido com a vida.
Nesse dia, em frente à Assembleia da República em Lisboa, manifestavam-se centenas de imigrantes contra a prepotência do Estado português, no ensino público anunciava-se a redução de vagas para estudantes e mais um caso de burla de militares ao Estado marcava a agenda noticiosa. Mas para os editores de notícias nacionais o evento mais importante do planeta eram os achaques mentais de um dirigente desportivo da Segunda Circular.
Depois, anteontem, terça-feira, a derradeira notícia: hooligans portugueses atacam jogadores e um treinador, com a particularidade de não atacarem uma equipa adversária, mas a própria equipa do clube a que pertencem. A distinção é tão importante como a velha máxima do jornalismo: notícia não é o cão que morde o homem, mas o homem que morde o cão. Agora sim, havia mesmo matéria noticiosa. Só que, em qualquer país onde o futebol é um desporto e não uma obsessão, seria uma notícia para o final de um telejornal, não para a abertura.
Apesar de a Alemanha ser um país onde o futebol é o desporto-rei e um antigo jogador ser conhecido como Kaiser, "o Imperador" (Franz Becken-bauer), no dia em que os telejornais abrissem com o estado de alma de um presidente de um clube de futebol, os directores dos canais teriam de se demitir. O futebol é um tema habitualmente presente nos últimos minutos ou segundos dos noticiários. Em Portugal não. Se um canal de televisão passa mais de meia dúzia de dias sem dar destaque em primeiro plano ao futebol, aí sim, poderão rolar cabeças.
Em Portugal, muito mais do que no resto da Europa, o futebol funciona como distracção permanente da população. Enquanto os portugueses olham fixamente para os homens a correr atrás da bola no relvado, e para os negócios nos bastidores, ninguém liga realmente aos parlamentares nas bancadas da Assembleia da República e para os negócios dos deputados. Enquanto as pessoas se preocupam com os problemas de tesouraria de um clube de futebol, com os árbitros comprados e com os valores das transferências de jogadores, ninguém exige que se tirem consequências da venda ruinosa de sectores estratégicos da economia, da perda de nove mil milhões de euros de dinheiro do Estado no BPN ou dos outros negócios escuros do Estado que enriquecem ex-governantes.
Na época em que há menos futebol, as televisões concentram as suas atenções nos incêndios, nos crimes de caçadeira, nos directos das praias e nos festivais de música pelo país fora. O problema não é a saúde mental deste ou daquele presidente de clube de futebol ou treinador. Preocupante é a apatia e letargia de um país anestesiado pela clássica fórmula "pão e circo"."

Crónica sobre dois silêncios vergonhosos

"Na senda da expiação estratégica do antes distraído PS, há muitos mais intervenientes que gostaríamos de ouvir. Mas o caso de silêncio do presidente do Sporting é, porventura, ainda mais ensurdecedor e faz temer o pior

O surto de “vergonhites” várias que varreu Portugal nos últimos dias – aliado às notícias recentes de mais governantes a serem investigados por actuações absolutamente condenáveis e que já eram, para quem quisesse ver, evidentemente lesivas dos interesses públicos, ligadas à proliferação indiscriminada e economicamente ruinosa de PPP contratadas pelo governo PS, e outras especialidades cá do burgo – convida a reflexões várias sobre alguns dos personagens deste enredo e a forma como chegámos onde chegámos.
Nesta parte, Maria João Marques, no “Observador”, relembra, e muito bem, que apesar do momento introspectivo a que o PS de uma maneira geral passou a dedicar-se, ainda não ouvimos de Jorge Sampaio a expiação da sua grande culpa por se ter farto do “gajo” que os portugueses haviam eleito e ter escancarado as portas de São Bento ao agora mal-amado e “envergonhante” ex-primeiro-ministro. 
Na senda de uma expiação estratégica que antevê o provável desastre do julgamento que passou de tema da justiça a óbvio engulho político do antes distraído PS, há muitos mais intervenientes a quem se gostaria de ouvir uma palavra sobre a criação da criatura da qual foram os criadores.
Sampaio é só um, mas há muitos mais.
Aliás, quem será que hoje, pondo em perspectiva casos tão semelhantes quanto díspares como Manuela Moura Guedes e a compra da TVI, ou o ataque ao jornal “Sol”, para falarmos um pouco de imprensa; da OPA da PT às rendas da EDP, Tagus Park, da REN e CP e outras no Face Oculta; da instrumentalização da Caixa e do BCP, da Parque Escolar e das PPP, da Cova da Beira, da licenciatura ao domingo e das interacções do governo e governantes com empresas privadas e seus grupos, consegue, sem dúvidas razoáveis, não acreditar agora naquilo que o MP de Aveiro deslindara já em 2009 e onde vislumbrara indícios do “crime de atentado ao Estado de direito”.
Quem se tenha dado ao trabalho de ler a entrevista do também ex-procurador- -geral da República conselheiro Pinto Monteiro não consegue deixar igualmente de se espantar com a candura com que este exibe o seu alegado desconhecimento e não pode deixar de perguntar-se de que forma o que o senhor magistrado de Aveiro já via, e hoje é cruelmente claro, lhe pode ter passado tão inacreditavelmente ao lado.
Mesmo que fosse só incompetência ou falta de jeito, de intuição ou de perspicácia, os factos, se vemos bem, aconselhariam o senhor ex-PGR a alguma vergonha também pelo resultado ou, no mínimo, pela falta de atenção.
Neste rol de notáveis que nos devem uma explicação ou um acto de contrição também cabe o conselheiro Noronha do Nascimento, celebrizado, muito mais do que pela argúcia e inteligência dos seus arestos, pela decisão de mandar destruir as escutas das intersecções em que o procurador de Aveiro encontrava já os fundamentos do que é hoje, em parte, a vasta acusação já conhecida do então primeiro-ministro, José Sócrates.
É difícil de acreditar, partindo do que se sabe hoje, e atendendo ao que o referido procurador logo intuiu, que as referidas escutas não contivessem, pelo menos, indícios mínimos, que um julgador avisado e experiente não vislumbrasse já, daquilo que hoje é claro e abundantemente vertido factualmente para a acusação da Operação Marquês.
Fica por explicar também – veremos o que os novos processos nos trarão – de que forma, de repente, naquele governo, só Sócrates, Pinho e parece que mais três podiam gerir, sem suspeitas, desconfianças, críticas ou cumplicidades, todos estes (muitos) assuntos.
O processo de expiação parece estar ainda pela rama, e é difícil conceber a catarse do nosso sistema político sem a expiação da culpa por acção ou omissão, mais ou menos negligente ou apenas incompetente, das pessoas que, podendo, nada fizeram para travar em tempo o que os seus deveres funcionais lhes impunham.
Pelo mau serviço que fizeram à nação, muitos pedidos de desculpas e uma admissão de culpa e vergonha estariam, se vejo bem, perfeitamente alinhados com a ordem do dia e, portanto, manifestamente em falta.
Mas não só.
O novo caso de silêncio, porventura mais ensurdecedor pelo imediatismo e histórico conhecidos, é o que se nota da parte do conselho directivo do Sporting Clube de Portugal e da administração da Sporting Futebol SAD na pessoa do seu presidente.
Depois de um enfadonho e, esse sim, “chato” monólogo que o presidente ofereceu aos sportinguistas na Sporting TV, onde falou sobre a “chatice” de Alcochete, e a enorme bondade dos avisos todos que deu aqui e ali – como quem nunca nada instigou nem incendiou o rastilho de que este fim era inevitável – relativamente ao estado do futebol português, uma parte muito importante dos valores que os sportinguistas identificavam como matriz da sua diferença relativamente a outros emblemas está a ser consumida no imediatismo da voragem das sucessivas notícias sobre corrupções, detenções e buscas.
Tudo sob o desaparecimento suspeito, cúmplice e ensurdecedor do aprendiz de feiticeiro, antigo costumado incendiário e paladino das virtudes, que entretanto emudeceu e desapareceu, remetendo-se ao estranho e invulgar silêncio das últimas horas e que só pode fazer temer o pior.
De notar, não obstante, que no meio da sua última comunicação pública à Sporting TV (onde se esqueceu de uma palavra de conforto aos trabalhadores do clube que não defendeu e de quem se esqueceu, para falar apenas das virtudes das suas anteriores intervenções em vários fóruns), Bruno de Carvalho profere a estranha afirmação de que o crime veio para ficar na vida dos sportinguistas, que a ele devem habituar-se. Esperam os sportinguistas que não fosse isto aquilo a que se referia…"

Querem acabar com a violência no desporto? É fácil

"Qualquer incidente com claques nos estádios ou nas proximidades deveria custar a perda de pontos aos clubes, fosse em que modalidade fosse.

Este é o momento de travar a escalada”, afirmou, e bem, o Presidente da República sobre o incidente grave na Academia do Sporting, acrescentando que “não pode haver um estado dentro do Estado”.
A acção criminosa grave de Alcochete levada a cabo supostamente por adeptos de uma claque do Sporting é mais um dos muitos nesta época desportiva 2017/18 e nas anteriores. Recordo que, no ano passado, foi morto um adepto do Sporting praticamente à porta do estádio da Luz, supostamente por elementos de uma claque do Benfica. Para já não falar de outros incidentes gravíssimos que se repetiram semana atrás de semana.
Após o crime de Alcochete, como em outras ocasiões, agentes políticos e desportivos, no quente da polémica, rasgaram vestes; prometeram alterações de lei; garantiram lei e ordem no desporto no futuro e castigos “doa a quem doer”. Dizem-nos os casos do passado que nada de sério vai ser feito e que, muito em breve, presidentes de clubes e ministros vão continuar a conviver alegremente em almoços e jantaradas antes e depois de partidas de futebol que muitos assistem com bilhetes cravados.
Fora e dentro dos estádios vão continuar as agressões gratuitas, a entrada de material pirotécnico nos estádios, o cânticos a saudar a morte, a utilização das claques por organizações nazis e fascistas, o tráfico de droga, a violação de mulheres, os roubos em bombas de gasolina, e todo o tipo de criminalidade que todos sabem existir e a que todos, políticos e agentes desportivos, fecham os olhos de forma cúmplice. Até que aconteça outro caso mais grave e todos voltem a rasgar as vestes com conversa fiada.
Mas havia uma forma muito fácil de resolver a violência no desporto, assim houvesse vontade. Bastava que o Governo e os partidos políticos se sentassem a uma mesa e acordassem que qualquer incidente com claques nos estádios ou nas proximidades custasse a perda de pontos aos clubes, fosse em que modalidade fosse.
Por exemplo, entrada de material pirotécnico nos estádios, cânticos a apelar à morte ou à violência, perda imediata de um ponto. Incidentes graves, como confrontos entre claques, ataque a agentes da autoridade, crimes contra o património ou algo parecido como o que aconteceu em Alcochete, perda imediata de três pontos. Qualquer cidadão envolvido nesses incidentes e identificado pelas autoridades ficaria proibido de entrar em qualquer competição desportiva para o resto da vida. Repito, perda imediata de pontos e proibição de entrar em recintos desportivos estabelecida por lei de forma clara e sem contemplações, discussões ou criação de comissões de investigação.
Alguém tem dúvidas que, ao cabo de meia dúzia de casos de perdas de pontos efectivas e imediatas, os clubes tratariam eles próprios de afastar os criminosos dos estádios e do desporto e terminar de vez a violência? Querem acabar com a violência no futebol? Parem com a conversa fiada e ajam a sério."

O Sporting na Netflix

"Nunca escrevi neste espaço sobre futebol, salvo nos textos do final de ano, em que invariavelmente desejava a conquista do campeonato pelo clube do meu coração e que tive a honra de representar. 
Nem tenciono escrever mas, face à novela que tem sido o futebol português nos últimos anos, durante os quais conseguimos o feito de ser campeões europeus, desta vez não me contive.
Ontem, em amena cavaqueira com um amigo com o qual partilho várias afinidades, entre as quais não sermos adeptos de séries televisivas, descobrimos porque existe tanta gente viciada nesse fenómeno. Sim, séries televisivas como “A Guerra dos Tronos”, “A Casa de Papel”, “24 Horas” e por aí fora. E a razão é simples, muito embora não estivesse ao nosso alcance. É que mesmo quando tudo aponta para que as coisas estabilizem, o enredo amoleça e se torne enfadonho, aparece sempre algo que nos agarra ao televisor e nos faz ficar viciados.
E é esta a sensação que eu tenho em relação ao que vem acontecendo no Sporting! É uma série! Uma série que vai na quarta temporada e, seguindo à letra os moldes em que as séries são escritas, os últimos episódios desta temporada deixam-nos já com água na boca para o início da nova.
Seria hilariante se não fosse dramático tudo o que se está a passar. Qualquer desporto é para ser vivido com paixão! Com fervor e até, eventualmente, de forma irracional! Mas dentro do campo! Aquilo a que se vem assistindo nos últimos anos em torno das modalidades desportivas (não apenas no futebol) é deprimente e totalmente inaceitável.
E sejamos claros: nos últimos anos houve um foco de grande instabilidade no ecossistema desportivo nacional. Esse foco foi o presidente do Sporting que, em virtude das incompreensíveis atitudes que foi tendo em catadupa, acabou por arrastar consigo outros dirigentes e pessoas ligadas ao mundo do desporto.
Se fizermos a analogia do Sporting a uma série televisiva, Bruno de Carvalho é o ator principal e os fiéis seguidores da série já sabem que podem contar com a personagem para desencadear novos e inesperados acontecimentos.
O que se passou em Alcochete está ao nível das melhores séries televisivas, mas o problema é que aconteceu na vida real! Foram pessoas e não atores que foram lesadas e que levaram a cabo toda aquela barbárie.
E o mais aberrante e preocupante em todo este enredo é que ainda se levantam vozes apontando o dedo aos governantes. Aos responsáveis políticos, como se tivessem sido eles que, ao longo dos últimos anos, acicataram, extremaram e agudizaram as rivalidades entre clubes, dirigentes e, mais grave, adeptos e atletas.
E das duas uma: ou está tudo cego ou a loucura é um estado permanente em todo este ecossistema. Vivemos numa democracia e, como tal, todos podem e têm o direito de se manifestar livremente, mas quando o resultado das suas manifestações e atitudes desafiantes sai fora de controlo, não podemos vir a correr apontar o dedo ao Estado!
Tal como nas séries televisivas, os episódios dos últimos tempos no Sporting alimentam toda uma máquina mediática e económica em seu torno mas, neste caso concreto, desconfio que apenas o Sporting não lucra com nada disto.
Qualquer responsável máximo de qualquer instituição deve ter bem presentes as suas responsabilidades e, sobretudo, o alcance das suas decisões e intervenções. No caso concreto do Sporting, acho sinceramente que se perdeu essa noção. A sensação que agora transparece é a de total desnorte e incapacidade de controlar os danos que, temo, sejam bem mais severos do que aqueles a que assistimos nos últimos dias!
Perdoem-me o sarcasmo, mas registar e realizar a série “Sporting” e vendê-la à Netflix pode bem ser a tábua de salvação para um clube que, no curto prazo, pode ver-se a braços com um prejuízo financeiro incalculável. Aguardemos a próxima temporada!"

De que é nome Bruno de Carvalho?

"É indispensável que se intervenha no modo como a indústria do futebol em geral se governa, sendo um dos objectivos de tal intervenção simples de enunciar: é preciso dar mais poder aos futebolistas. 

Parece ser hoje consensual que é preciso pôr termo às crescentes manifestações de ódio protagonizadas pelos principais dirigentes desportivos portugueses, mais o seu cortejo de adeptos ultras e outros tantos assessores de comunicação. E, todavia, a possibilidade de empreendermos mais mecanismos policiais e judiciais de combate a essas mesmas manifestações não é ilimitada. Num estado de direito democrático, não é simplesmente possível eliminarmos a liberdade de expressão de personagens como Pedro Guerra, interditarmos o direito de associação que assiste à formação de uma claque como os Superdragões ou destituirmos Bruno de Carvalho do lugar em que os sócios do Sporting em má hora o colocaram. Por sua vez, medidas preventivas tributárias do princípio do “Estado de excepção” – às quais, por exemplo, o governo grego recentemente recorreu, suspendendo o campeonato profissional por algum tempo, em nome da segurança pública – têm, por definição, uma duração limitada.
Entretanto, há seguramente iniciativas importantes que um governo pode e deve tomar em resposta aos acontecimentos que tiveram lugar na Academia do Sporting, em Alcochete. O que se passou nessa ocasião deixou à vista de todos nós qual é o elo mais fraco da cadeia de poderes que hoje comanda e por que se governa o futebol profissional em Portugal: o jogador de futebol. E o facto de o conflito em questão ser interno a um clube sugere-nos que o problema que temos pela frente é mais do que o resultado de um simples exacerbamento de rivalidades clubísticas, não bastando ao governo intervir no modo como os dirigentes dos diferentes clubes entre si se relacionam. É indispensável que se intervenha, também, no modo como a indústria do futebol se governa e que tal intervenção cumpra um objectivo simples: dar mais poder aos futebolistas.
A concretização de tal objectivo implicará medidas de fundo que garantam aos futebolistas os mesmos direitos que assistem à generalidade dos trabalhadores, nomeadamente o direito à liberdade de mudar de emprego. É na negação deste direito que radica o despotismo e violência que os dirigentes reservam aos jogadores. Com efeito, na história e na actualidade do futebol português, abundam os exemplos do autoritarismo que os presidentes exercem sobre os “seus” jogadores. Exemplos que vão desde o condicionamento da liberdade de expressão, forçando os atletas a um silêncio ou a um laconismo que contrasta com a verborreia dirigente, até ao recurso à coerção física, praticada por claques milicianas que ora se dedicam à vigilância do comportamento pós-laboral dos jogadores ora tratam de prescrever “correctivos” que penalizem a sua performance laboral.
Ou seja, o que se passou no Sporting ao longo destas últimas semanas, desde a censura que se abateu sobre os jogadores quando estes redigiram um texto colectivo até às agressões da passada terça-feira, na sequência da derrota com o Marítimo, é senão um exemplo extremo de uma cultura de poder vigente em boa parte do sistema futebolístico profissional português e que um Estado democrático não pode admitir. Bruno de Carvalho é, seguramente, um caso monstruoso, mas melhor faremos em intervir igualmente sobre a realidade que o tornou possível.
A favor de uma tal intervenção é possível contarmos com a argumentação sustentada de não poucos juristas que têm questionado a legalidade de mecanismos como as célebres “cláusulas de rescisão” ou o próprio princípio do “passe do jogador”. De resto, em Portugal, o consenso político para uma mudança destas pode ser garantido a partir de perspectivas jurídicas inspiradas tanto no quadro constitucional português, e de pendor mais social-democratizante, como em concepções de inclinação mais liberal, ancoradas no direito europeu. Mais do que palavras pueris sobre a putativa amabilidade do desporto e a sua “essência” pacífica ou do que medidas repressivas que punam este e aquele comportamento criminal e outros tantos “excessos”, uma mudança na cultura futebolística em Portugal ou passará por intervenções nas relações de poder que fazem a sua economia ou não acontecerá."

Uma estranha paixão

"Foi preciso um grupo de bárbaros agredir os jogadores do Sporting, no interior da Academia de Alcochete, para centrar a atenção na pobreza do mundo da bola em Portugal. Não bastava o discurso de ódio que os representantes dos clubes destilam no espaço público; não chegava a percepção de que o futebol, enfim, não é bem o que se passa dentro das quatro linhas. Não chegava vislumbrar o perigo que muitos jogos constituem para quem ainda acredita poder assistir, em família, a uma festa do desporto.
Parecia imagem pouco forte ver os jogos de futebol serem preparados como uma batalha, com muitos efectivos policiais plantados, de escudo, viseira e bastão, como se os estádios não fossem lugar onde se pratica desporto. Mas um território de violência, onde os espectadores são revistados à entrada, porque alguns podem levar armas, explosivos, no propósito de atacar o outro.
Ano após ano, as autoridades vão tolerando, não raro branqueando, as indecências das claques. O rasto de destruição atrás de si, em viagens escoltadas por batalhões policiais, os insultos, a falta de respeito pelo adversário. Como se o futebol fosse um mundo à parte, e os adeptos e dirigentes uma casta intocável, diferente de nós, tocada por uma irracionalidade que dizem ser paixão - "paixão clubística".
Não há, pois, motivo de espanto perante a vergonha que o país sentiu ao conhecer os relatos do assalto à Academia de Alcochete, e o presidente da República deu rosto. "Tive o sentimento de alguém que se sente vexado pela imagem projectada por Portugal no Mundo. Vexado porque Portugal é uma potência, nomeadamente no futebol profissional, e vexado pela gravidade do que aconteceu". Sem dúvida, uma vergonha, independentemente do impacto na imagem internacional, a poucos dias do início do Mundial da Rússia. Vergonha, antes de tudo, pelo que se está a passar cá dentro.
Como de costume, as medidas chegaram de forma reactiva e devagar. Após a patética conferência de imprensa conjunta dos secretários de Estado do Desporto e da Administração Interna, que nada acrescentou, foram as palavras do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, de repúdio pela banalização do crime, a imprimir urgência de actuar. E a resposta aí está. O primeiro-ministro, António Costa, anuncia a criação da Autoridade Nacional para a Violência no Desporto. Veremos se a tempo de apagar as chamas ateadas no mundo do futebol, alimentadas por um culto quase fascista a alguns dos presidentes dos clubes."

Sporting Clube de Pyongyang. Já acredita?

"O Governo sabe bem que, querendo, já tem como punir os clubes que passem a linha. E não tenha dúvidas: ainda há mais fundo do que isto.

uns anos, um presidente de um clube grande contou-me isto com evidente orgulho: “Quando a equipa perdeu na Madeira eu pus um grupo de gente à espera dela no aeroporto para exigir a saída do treinador. Era ele ou era eu.” Tenho-me lembrado muitas vezes disto nos últimos anos, à medida que o futebol português caminhava para o degredo. Agora, bateu mesmo no fundo. E a verdade é que se estava mesmo a ver.
Há três meses escrevi aqui mesmo um texto a alertar para isso: que havia um dirigente desportivo, em particular, a desafiar todas as autoridades do país — desportivas e políticas — com uma espécie de autoritarismo de vão de escada, nem por isso menos perigoso do que os autoritarismos de regime. Chamei-lhe “Sporting Clube de Pyongyang” e causou-me os dissabores esperados, entre centenas de insultos e uma morada a circular na internet, com indicações muito específicas para quem me quisesse bater. Digo-lhe isto só porque, agora, perceberá melhor o tipo de fenómeno com que estamos a lidar.
O caso de Bruno de Carvalho é um tratado. Ele diz-se presidente/adepto e é assim que comanda o clube: como se jogasse um jogo de computador — com a diferença que é na vida real e tem consequências. Bruno é o presidente que interfere em tudo, que comenta no Facebook, que manda calar comentadores, que “proíbe” a leitura de outros jornais, que insulta os jogadores, que põe uma equipa inteira na rua, que humilha adversários e jornalistas, que comanda a claque — pondo fogo num ambiente já por si explosivo. Só não dava para adivinhar as suspeitas de compra de resultados. Com tudo isto, não pode surpreender o que aconteceu esta semana na Academia do Sporting, ou antes dentro do Estádio. O presidente pode não ser autor do crime, mas é o seu inspirador.
Naquele artigo, eu avisava que Bruno de Carvalho queria transformar o Sporting Clube de Portugal no clube dele. E que isso “podia ser um problema dos sócios”, mas que “um líder obscuro é um problema de toda a gente”. E sublinhava que era inadmissível, face à escalada, que ninguém - do Governo ao Parlamento, passando pela FPF — se dignasse a dizer uma palavra.
Parece que o que aconteceu incomodou, agora, os políticos. Que o Governo quer mudar as leis, que já admite punir quem tiver comportamentos inadequados no desporto. É só medo. O Governo sabe bem que, querendo, já tem como punir os clubes que passem a linha. E não tenha dúvidas: ainda há mais fundo do que isto.

P.S. — Infelizmente quase tudo do que está acima descrito pode aplicar-se a outros dirigentes de outros clubes. Na economia dir-se-ia que é um problema “sistémico”. No desporto, não é?"

Um ataque terrorista, foi isto que aconteceu na academia do Sporting

"Um grupo de homens armados com objectos que causam danos concretos entraram num local onde estão homens sem os mesmos objectos. Foi isto, não foi? Chama-se terrorismo. E não vale a pena dourar a pílula. O infeliz episódio na academia do Sporting não tem outra classificação.

A minha avó, que tem 85 anos e sempre foi leoa no seu coração, não merecia isto. Nenhum adepto merecia. Mas sobretudo a equipa técnica e os jogadores, de que clube forem, não merecem nada disto, porque ninguém merece um acto de terrorismo.
Não faço ideia se a equipa terá condições psicológicas para jogar este fim-de-semana, um jogo importante que, afinal, será assombrado por esta violência e pela controvérsia em volta do presidente. Mesmo que o dito cujo presidente seja uma espécie de ditador – há quem lhe chame o Kim Jon-un-Carvalho – o clube não tem condições para manter esta situação e polémica.
O clube não é apenas um clube, é uma instituição, são mais de cem anos de história. Isso exige respeito de qualquer um. Podem dizer-me que o senhor foi eleito, que ninguém pode garantir que os terroristas tenham sido mandatados para aquele ataque, sim, sim, ataque, leram bem, mas continua a ser insustentável ter um presidente que diz e faz o que diz e faz.
Sou insuspeita nesta matéria, quem me conhece sabe que não aprecio futebol, digo que sou do Belenenses por me parecer um clube simpático, ter um estádio bonito e um logótipo invencível. Dito isto, não sou imune aos ataques de terrorismo e não consigo dizer que a minha vida seja isenta de futebol, tenho marido, filhos, amigos e uma avó adepta do desporto-rei.
O que aconteceu deve ser denunciado, deve ser punido e alvo de muita reflexão. O futebol, como outros desportos, serve muitas vezes de exemplo aos mais novos. Estes terroristas podem dizer às famílias que fizeram o que fizeram pelo clube, pelo amor à camisola, para mim será o mesmo que o Estado Islâmico dizer que fazem o que fazem porque têm uma religião que sustenta as suas acções."

Também ninguém viu quem Bruno de Carvalho era?

"Sócrates e Bruno de Carvalho têm isto em comum: são ambos fruto da nossa complacência, da nossa cegueira e da nossa passividade.

José Gil criou o conceito de “não-inscrição” para definir uma característica singular da sociedade portuguesa: a incapacidade de aprender e evoluir a partir dos erros cometidos. É como se os acontecimentos históricos, mesmo os mais traumáticos, fossem arranhões que nunca se transformam em cicatrizes. Ao não deixarem uma verdadeira marca, também não deixam a memória que impede a repetição do erro e a sua superação a partir de uma falha colectivamente admitida. Boa parte dos portugueses não admite nada. Não admite a ferida, não enfrenta o corte, não reconhece o erro, preferindo suspirar (exemplo de José Gil): “É a vida.”
Nas suas declarações após a tragédia de Alcochete, Bruno de Carvalho não utilizou a expressão “é a vida”, mas utilizou outras que querem dizer o mesmo: “Isto foi chato, mas o crime faz parte do dia-a-dia.” Ou seja, é a vida. É um exemplo perfeito de não-inscrição, de uma máquina mental que está em permanência a diminuir a gravidade daquilo que é evidentemente gravíssimo, para que possa continuar o seu caminho com um nível mínimo de perturbação. O edifício desta não-inscrição está escorado em vários pilares, e um deles (que José Gil infelizmente não desenvolve) é este: a recusa constante em ver aquilo que está à frente do nosso nariz. Quando a tragédia finalmente acontece, o absolutamente óbvio é mascarado como totalmente inesperado. Fingimos apanhar sustos com monstros que todos os dias sentámos à nossa mesa.
Na terça-feira à noite, Daniel Oliveira foi à SIC Notícias comentar o caso de Alcochete, e quando foi referido o apoio público que deu a Bruno de Carvalho nas últimas eleições, ele argumentou que não tinha “capacidade de prever” aquilo que agora veio a acontecer. Sim, é certo que há um ano não seria possível prever que em Maio de 2018 meia centena de encapuzados em marcha militar iriam invadir o centro de estágios do Sporting para agredir jogadores e equipa técnica. Mas será que há um ano era mesmo impossível prever que um dia um presidente com a personalidade de Bruno de Carvalho iria instalar o caos no Sporting? Não, não era. Era até bastante provável que isso viesse acontecer — tal como era muito provável que um dia se viesse a descobrir o dark side de José Sócrates. Por uma razão simples: os seus lados negros não estavam escondidos numa cave húmida e sombria. Eram exibidos diariamente em prime-time.
Por que é que ninguém os via? Toda a gente os via. Só que aqueles que os admiravam fingiam não ver. Aquilo que Sócrates dava aos socialistas, tal como aquilo que Bruno de Carvalho dava aos sportinguistas, era tão valioso, que os impulsos autoritários, a obsessão com o “eu” ou a sede absurda de poder eram desvalorizados como idiossincrasias mansas ou meros traços de “carisma”. Immanuel Kant nunca teria arranjado emprego em Portugal — o esforço que ele recomenda que façamos para que os princípios da nossa acção se elevem acima das paixões particulares e da identidade dos sujeitos é demasiado pesado para a alma lusitana. Nós tapamos voluntariamente os nossos olhos desde que estejamos a escutar música para os nossos ouvidos. Da próxima vez que alguém se espantar como engolimos 40 anos de ditadura, é olhar à volta. A nossa ridícula tolerância para com as várias espécies de animais ferozes continua igualzinha ao que sempre foi. Sócrates e Bruno de Carvalho têm isto em comum: são ambos fruto da nossa complacência, da nossa cegueira e da nossa passividade."

Benfiquismo (DCCCXXX)

Glen...

Lanças... Orgasmo de Lagartismo !!!

Circus Alvaladus - III Episódio

O Arrependido - aparentemente prometeram-lhe tacho, e depois negaram-se...!!!

Alguns croquetes...!!!

Augusto Baganha: uma revolução moral

"Augusto Fontes Baganha (mais conhecido por Augusto Baganha) actual presidente do Instituto Português do Desporto e da Juventude (IPDJ), nasceu em Coimbra, em 4 de Janeiro de 1951. Em 1975, ainda na Lusa Atenas, licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Faculdade de Ciências e, em 1999, completou o mestrado, em Gestão do Desporto, pela Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa. Como reforço dos conhecimentos, participou em 30 acções de formação, sendo de salientar as que se referem às áreas da gestão do desporto, da gestão da administração pública e da gestão orçamental pública. Foi um dos mais completos basquetebolistas da sua geração. Era um praticante de destra pontaria e de uma superior cultura táctica. Perfila-se, na história do basquetebol português, ao lado dos atletas de indiscutível grandeza. Vestiu 116 vezes o equipamento próprio da selecção nacional. E ainda treinou, no Clube Atlético de Queluz, os juniores e os seniores. Por fim, ao findar da década de 80, assumiu as funções, no Sporting Clube de Portugal, de director responsável, pela coordenação da actividade das modalidades de andebol, de atletismo, de basquetebol, de hóquei em patins. Vi-o jogar muitas vezes e transmitia ao gesto desportivo aquela beleza que é sinal de talento, numa palavra só: de classe! Por isso, hoje, quando fala de desporto, poda as palavras com o rigor de quem sabe do que fala. No entanto, a sua informação exaustiva, a sua destreza de raciocínio, o seu poder de penetração psicológica radicam numa longa experiência, que não teme cotejo, na direcção e gestão do desporto. Exímio praticante de uma conhecida modalidade desportiva, não é menos exímio no conhecimento que tem da gestão do desporto nacional e, acrescento sem receio, do desporto na “sociedade pós-capitalista” ou, na “sociedade do conhecimento”.
De facto, no tempo em que vivemos, o recurso económico básico deixou de ser o capital, ou o trabalho, ou os recursos naturais – o recurso económico básico é o conhecimento! Ficou célebre a fórmula de Nietzsche: “Não existem factos, apenas interpretações”. Não existem factos, apenas o que me permite perceber, principalmente, a minha história de vida. Lêem-se os pareceres do Dr. Augusto Baganha, escutam-se os seus discursos e cresce em nós a sensação que tudo o que faz, tudo o que diz constituem documentos de um desportista de admirável formação, de conhecimento original e seguro. Sem a dialéctica do jurista? Sem o economicismo do banqueiro, ou do homem de negócios? Sem a mentalidade dogmática dos grandes chefes políticos? Sem a verborreia dos oportunistas?... Mas com a mentalidade dos matemáticos: mentalidade silogística, precisa, lógica. E tão clara, tão retilínea que dispensa os lugares de relevo, nos “media” e nas redes sociais. Para ele, 2+2=4 e não lhe venham explicar, com uma hipertrofia pretensamente crítica, o que a matemática já concluiu. O Dr. Augusto Baganha, pelo rigor do seu método matemático e porque domina os temas que exigem a sua atenção, não diz o mesmo muitas vezes, não é pessoa para dar muitas respostas, mas para seleccionar e discutir tão-só as principais ideias. Aliás, quem fala demais é porque não tem nada para dizer. Creio que foi o Nietzsche que declarou que quem perde demasiado tempo a contar e a realçar aquilo que fez é porque, de facto, não fez grande coisa! Deste pecado de mediocridade ninguém pode acusá-lo: o presidente do IPDJ segue o modelo socrático (refiro-me ao Sócrates de Platão, o Sócrates do processo maiêutico) e não o modelo campanudo dos sofistas. Para o Dr. Augusto Baganha, as palavras são meios, não são fins…
Integrou com o Prof. Pedro Nolasco, com o Prof. Gustavo Pires, com um médico fisiatra (o Dr. Lourenço) e comigo um gabinete de estudos, na Direcção-Geral dos Desportos. Nesta mesma Direcção-Geral, foi Chefe de Divisão do Desporto Federado, foi Chefe de Divisão de Apoio às Actividades Desportivas, foi Vice-Presidente do ex-Instituto do Desporto, foi adjunto e chefe do gabinete de vários Secretários de Estado, foi Presidente do ex-Instituto do Desporto de Portugal, foi Secretário Executivo da Conferência de Ministros Responsáveis pela Juventude e pelo Desporto da CPLP. Foi Presidente do Comité Organizador dos VIII Jogos Desportivos da CPLP, foi Membro do Conselho Nacional do Desporto e é Presidente do Conselho Directivo do Instituto Português do Desporto e da Juventude. Manifestando, sem exibicionismos, as mais altas virtudes cívicas e desportivas, mais do que a lição do que já fez e fará, vai legar a quem lhe suceder o exemplo da sua vida. Toda a experiência que guardou da sua juventude e de praticante de um desporto altamente competitivo; os seus primeiros anos de técnico superior da Direcção-Geral dos Desportos e os que leva de alto dirigente, na Administração Pública – em tudo, muito aprendeu e muito quis aprender. A Sociedade do Conhecimento ensina, acima de tudo, a aprender, ensina-nos ao conhecimento e reconhecimento mútuos. Nos anos já distantes em que trabalhei ao seu lado e sempre que podemos conversar com alguma demora, torna-se evidente que, em Augusto Baganha, a sua vontade de aprender mais, de saber mais, de ser mais permanece intacta e ebuliente. De “ser mais”? Assim é, de facto, porque à concretização de um sonho ele se entrega, com diligência e denodo, com razões da razão e razões do coração: é preciso repensar a ética desportiva, no desporto nacional!
José María Cagigal, director do INEF de Madrid e um intelectual isento do pecado da mediocridade, respondeu-me assim a uma pergunta insistente: “Ao desporto, tanto em Portugal, como em Espanha, falta mais teoria do que prática”. E continuou: “A prática resolve-se com vontade política. Mas aos nossos países falta a teoria que é indispensável ao desenvolvimento. Nos nossos países, no desporto, há mais voluntarismo do que lucidez”. Esta minha conversa, que tem mais de 40 anos, com um mestre que foi um sangue novo, na teorização do desporto, na Europa, ganhou novo alento, quando li, anos depois, o livro do neurologista e psiquiatra, Boris Cyrulnik, L’homme, la science et la société (Éditions de l’Aube, Paris, 2000, p. 52): “O facto de ser médico neurologista e com muitos anos de investigação, na área da biologia, permite-me dizer que a condição humana é, em primeiro lugar, biológica, mas é como cultura que pode resolver os seus problemas, os mais complexos e os mais instantes”. Eu já me empolgara, anos antes, com o livro clássico de Arnold Gehlen, El Hombre (tradução e edição das Ediciones Sígueme, de Salamanca): “El hombre es un campo de investigación, en el que aun hoy día puede observarse un número indeterminado de fenómenos antes nunca vistos y a los que todavia no se há dado nombre” (p. 11). Porque o homem é tanto (ou mais) qualidade invisível do que quantidade visível; porque a ética é pessoal, antes de tudo, e reflecte portanto as nossas crenças, os nossos hábitos, os nossos projectos de vida - Augusto Baganha sabe que a ética desportiva surge sempre como reflexo da pessoa que o desportista é. E deixou-me portanto este desabafo: “O nosso desporto precisa de uma urgente e visível reforma ética. E não sei se a reforma ética, em que me encontro empenhado, com o apoio inestimável do PNED, não é, quase sempre, subalternizada pelo sensacionalismo de mentiras solenes, pelo ruído delirante de certas notícias e pelo vedetismo de alguns atletas e dirigentes”…
Deflagram casos sucessivos, na alta competição desportiva nacional, manifestando que uma oligarquia da mediocridade a manipula, a dirige, a corrompe. Ninguém, de sólida formação moral (como o Dr. Augusto Baganha), deseja um síncrono afã de “caça às bruxas”. Aliás, relembro o que já, há um bom par de anos, aprendi em Bergson: “o real é demasiado rico, para poder ser conhecido e previsto, com exactidão”. Mas, se com o 25 de Abril se procedeu a uma revolução política e a uma revolução económica e a uma revolução cultural, há necessidade de uma revolução moral, para que uma caravana de malefícios não se perpetue, no nosso país, já que continua ainda por aí acampada. E Augusto Baganha alerta, com emoção: “Falta-nos uma revolução moral. De que Portugal necessita, incluindo o nosso desporto, para que seja possível criar-se um consenso, entre pessoas de boa vontade. Sem ela, as outras revoluções não se concretizam”. E, sem disfarce, acentuou: “Não nos falta conhecimento científico. Mas falta-nos ética, por vezes. Na nossa democracia, as indecisões, as mistificações, as confusões, tão intensamente vividas pelos portugueses de todos os quadrantes ideológicos, são demasiadas vezes de ordem ética”. E, depois de um gesto mudo de desagrado, aduziu: “Fiz desporto altamente competitivo, durante tantos anos; joguei com tantos desportistas de irrepreensível conduta - que me dói, como uma dor física, que haja casos de violência, como o que se passou na Academia de Alcochete, e suspeitas de corrupção, no nosso desporto. Apetece-me dizer: O desporto não merece esta conexão com a corrupção e a violência”. É verdade que Virgílio quis destruir a “Eneida” e Cervantes por pouco não queimou o “Dom Quixote”, mas os motivos eram outros. Erradicar a violência e a corrupção de um espectáculo desportivo, onde os seus melhores intérpretes auferem milhões e milhões de euros, onde o dinheiro salta, em catadupas, é um sonho difícil. Mas saudemos este anúncio, esta promessa de um desportista, como o Dr. Augusto Baganha: é que ele entende, como uma missão a cumprir, a luta em prol de uma revolução moral, no futebol e no desporto nacionais. Saudemos portanto o Presidente do IPDJ."

Manuel Sérgio, in A Bola

A última jornada

"O Benfica mereceu ser vice-campeão, sobretudo se atendermos à circunstância de ter jogado melhor nos dois dérbis lisboetas

1. A fazer fé nas muitas análises que ouvi e li, só com a minha fezada de amor clubístico, poderia enxergar o Benfica no segundo lugar do campeonato. É que nos tais comentários, a última jornada seria quase uma formalidade e o vice-campeão seria lá para a outra banda da Segunda Circular. O 'bailinho de 65 milhões' de que aqui, há dias, escrevia André Pipa era isso mesmo: jogava-se sobretudo na Madeira em euros, somando em módulo, no mínimo, 40 mais 25 milhões, ainda que sob condição - não fácil - de serem ultrapassadas duas eliminatórias no mês de Agosto. Nunca um 2.º lugar teve tanto interesse... financeiro!
O Benfica mereceu ser vice-campeão, sobretudo se atendermos à circunstância de ter jogado melhor nos dois dérbies lisboetas, que só não ganhou por falta de eficácia e alguma infelicidade. Também para grande tristeza dos... portistas, o Sporting não venceu no sempre difícil estádio maritimista e o Benfica, jogando pouco, lá conseguiu vencer um esforçado Moreirense.
Desde que os treinadores do SLB foram Jorge Jesus e Rui Vitória, ou seja, nas últimas nove épocas, o Benfica foi campeão (5 vezes) ou vice-campeão (3 vezes). Situação só superada nos anos gloriosos entre 1962/63 e 1978/79 (12 vezes campeão e 5 vezes vice-campeão).

2. Afinal o jovem central Rúben Dias jogou na última partida. Num assomo de fulgurante e inédita atitude, o presidente do Conselho de Disciplina (CD) da FPF espoletou um processo sumário relativo a uma alegada agressão do jogador, apesar de quer os árbitros de campo (um deles bem perto, o árbitro assistente), que o VAR e o seu assistente não terem assinalado falta. Vai daí entrou em acção uma zelosa Comissão de Instrutores (nome curioso..). Tudo rápido, tudo barato, tudo sumariamente sumário, toma lá dois jogos de suspensão para Rúben. Assim é que é! Nem sequer se achou prudente (e justo) ouvir a opinião dos intervenientes, já não digo do atleta e do opositor na jogada, mas sobretudo dos árbitros em causa. Para quê, afinal? Manda quem pode, obedece quem deve. Pois se é o presidente do CD que toma a iniciativa do processo, está tudo dito. Pena que não tenha havido tal vertigem decisória e fúria punitiva com tantos casos que se passaram nos nossos estádios, para os quais precisaria de todo este meu espaço para, ao menos, exemplificar as situações bem mais gravosas que aconteceram. Bem sei que José Manuel Meirim tem sido, inadequada e injustamente, alvo de mimos bem deselegantes do presidente do SCP, mas que diabo, não se justificava tão súbito furor contra o opositor dos leões...
Paradoxal e curiosa foi a também rápida decisão do CD em anular o castigo, passando - e bem - da acusação de uma agressão para uma acção negligente, depois de ouvidos os árbitros e o VAR. Em suma, o presidente de um órgão decide um sumaríssimo, a tal Comissão de Instrutores decide pela punição, e o órgão do presidente anula a decisão. Assim vai a consistência dos órgãos jurisdicionais do nosso futebol. Já nem sequer falo da gritante falta de equidade que, não é demais recordar, consiste em tratar de modo igual o que é semelhante e de maneira diferente o que é desigual, na justa proporção dessa desigualdade. Coisa de somenos para tão doutos instrutores...

3. Rui Vitória foi bastante criticado pela refulgente expressão do politicamente correcto porque, como dizem os brasileiros, não parabenizou o campeão FC Porto. De repente, os próceres da elegância e da urbanidade, acharam que ali estava um crime de lesa-futebol e lesa-educação. No domingo, o treinador do Benfica respondeu à letra: «não dou parabéns a quem me trata mal». Não me recordo de, por exemplo, há dois anos Lopetegui ter felicitado o Benfica e não ouvi suspiros ofendidos sobre isso. Já me recordo, porém, de Nuno Espírito Santo ter dado os parabéns ao tetracampeão, assim como me lembro das críticas e insinuações que, no seio do seu clube, logo se fizeram ouvir sobre tão inapropriada atitude do técnico. Na minha opinião, Rui Vitória fez bem. Quem não se sente não é filho de boa gente. Dar os parabéns a um clube que não tem relações formais e que, directa ou indirectamente, passou o ano a violar preceitos éticos fundamentais, a praticar alegados crimes de violação de documentação roubada, a ter um canal e um funcionário dedicados à insinuação torpe constante, a fazer comparações ignóbeis entre colegas de profissão? Basta de hipocrisia. Não lhes chegarão os parabéns tão afectuosos e sinceros de outros clubes em relação matrimonial, ainda que, com separação de vitórias, ou pelo menos não comunhão de adquiridos?
Outra coisa, porém, é dar felicitações a pessoas e amigos que com o seu amor a um clube bem as merecem. Foi o que fiz com portistas vencedores e é o que eles fazem enquanto benfiquista vencedor. E aqui permito-me endereçar as minhas felicitações a Paulo Teixeira Pinto que, certamente, estará a saborear a vitória do seu FC Porto. Nunca esquecerei o modo elegante, culto e sereno com que, no primeiro ano em que fomos colegas na 'Tribuna de Honra' de A Bola TV, ele - vencedor - soube perceber a minha tristeza naquela segunda-feira do programa que se seguiu ao golo de Kelvin. Ali o saber ganhar e o saber perder uniram-se. Como alguém disse, é preciso saber aceitar o fracasso como um homem e o sucesso como um senhor.

4. Ironia do destino, Rui Patrício marcou a sua estreia jogando no Funchal em Novembro de 2006 e logo defendeu um penálti e garantido a vitória ao seu clube. Quase 12 anos depois, no mesmo Estádio e contra o mesmo Marítimo, teve uma infelicidade que só damos conta quando falamos de grandes guarda-redes, como é o seu caso. É assim o futebol, por mais cientificidade que se lhe queria dar. Ainda uma semana antes, havia salvado o SCP de uma derrota contra o Benfica e viu caírem sobre ele mimos luminosos misteriosos. No último jogo do campeonato, foi vaiado por muitos daqueles que, ao longo de tantos anos, o aplaudiram justamente e a ele lhe devem, também, alegrias. Entretanto, nessa altura o presidente do seu clube estava a festejar a notável vitória na Taça de Portugal em futsal contra o Fabril... Ao Rui Patrício, desejo-lhe um notável campeonato do Mundo.

5. Nas próximas semanas, vou procurar fazer uma resenha de alguns aspectos que caracterizaram este campeonato, assim como dar a minha opinião sobre a época do meu clube. Por agora, gostaria de saudar a subida do Santa Clara, lídimo representante dos Açores e do Nacional da Madeira, habitué do 1.º escalão e da oferta meteorológica de nevoeiro. Fiquei muito satisfeito pela manutenção de um símbolo do nosso desporto, o Vitória Sport Clube, de Setúbal que tem 69 presenças em 83 campeonatos (o sexto mais assíduo), em significativa parte devido a José Couceiro, um técnico competente, um homem diferente e um carácter exemplar no meio de tanta erva daninha. Lamento as descidas do Paços de Ferreira que, há largos anos, nos habituámos a ver na 1.ª Divisão e do Estoril. No caso dos canarinhos fica um sabor amargo de uma boa equipa cujo desmoronamento, por coincidência ou não, começou ao intervalo do jogo com o FCP e numa segunda parte abolutamente indigente. Daí para a frente, foi o que se viu.

Contraluz
- Taça de Portugal: 'Prova Rainha',
... assim se convencionou chamar. Donde, se poder dizer que o campeonato é a 'competição-rei', encontrando-se rei e rainha na Supertaça. Do casamento nasceu, há poucos anos, um principezinho que finalmente começa a ser estimado: a Taça da Liga.
- Atitude: a de Alex Telles,
... dos melhores jogadores do plantel portista. Teve a seriedade e a humildade de pedir desculpas por ter exibido um cachecol com insultos ao Benfica. Há os seus colegas Paciência, Sérgio Oliveira, Corona e outros mantiveram-se superlativamente rascas.
- Juniores: Benfica
... quase campeão a 3 jornadas do fim. Magnífica equipa e jogadores muito promissores. João Félix brilha  e - espero - que esteja na equipa principal na próxima temporada.
- Basquetebol: Benfica,
... que depois de ter perdido a Taça de Portugal vai caminhando na fase de play-off com algumas dificuldades, às vezes a roçar alguma displicência. Espero que, apesar das lesões, mostre categoricamente que é a melhor equipa nacional.
- Citação: «É um exagero falar-se de crise» 
(Jaime Marta Soares, presidente da mesa da AG do SCP, anteontem)."

Bagão Félix, in A Bola

Derrota que garante o 2.º lugar!!!

Corruptos 31 - 26 Benfica
(19-12)

Derrota, com uma diferença inferior aos 7 golos, e assim garantimos matematicamente o 2.º lugar, a uma jornada do final do campeonato...
Agora, tendo em conta a Taça de Portugal, a única competição ainda em aberto esta época, este resultado e principalmente esta exibição, não deixou indicações positivas!

PS: Apesar de todo o tempo de antena na CMTV, como árbitros corrompidos, lá levámos com a dupla Nicolau/Caçador mais uma vez...!!!

Rúben Dias não pode distrair-se

"A avaliação de um defesa-central não pode ser descontextualizada da especificidade da função que desempenha. Poucos agregam a esses princípios básicos a excelência técnica imperiosa para entrar na elite. Rúben Dias, por ser jovem e ter muita qualidade, alimenta a ilusão de uma grandeza que, porventura, nunca atingirá nesses moldes grandiloquentes – e não pode perder de vista que muitos se perderam quando aspiraram à glória desprezando o essencial. Ser defesa obriga a abdicar de muitas ilusões, direccionando a paixão pelo futebol ao cumprimento de um talento menos reconhecido: não deixar os outros criar. Essa é a grande arte de quem está obrigado a depurar virtudes técnicas, tácticas, físicas e emocionais, para depois as diluir num colectivo que deve articular as diversas contribuições individuais.
Rúben Dias nasceu, cresceu e amadureceu como futebolista guiado por conceitos de eficácia e não de expressão artística na relação com a bola; relativizou a ilusão de um dia ser levado em ombros por truques magistrais e outros devaneios criativos em nome da inteligência com que retira aos outros a hipótese de brilharem. O tempo desempenha papel determinante na calibragem dos mais variados elementos da tarefa, nomeadamente as obrigações assumidas com a equipa e o jogo: tem de crescer depressa e bem, aprimorando os posicionamentos e a entrada aos lances; de influenciar o mais possível a acção dos parceiros que pisam terrenos próximos; de preservar conceitos globais de segurança e equilíbrio; e ainda está obrigado a melhorar a intervenção longe da bola e a depurar as decisões em momentos limite.
Aos 21 anos, porém, precisa de focar-se na moderação dos ímpetos, na correta detecção do perigo e na perfeita gestão da chegada aos lances. Esse, de resto, costuma ser o ponto mais difícil de cumprir na íntegra, embora dele dependa boa parte do seu futuro como jogador. A par da imposição segura como um dos melhores centrais portugueses da última década e meia, Rúben Dias tem cometido exageros nas descargas de agressividade sobre adversários directos. É excessivo pedir a um adolescente que seja responsável numa actividade interdita a menores mas é legítimo confrontá-lo com a necessidade de rectificar a intervenção, sob risco de prejudicar a equipa e transformar-se, ele próprio, num grande projecto incumprido.
Conta Jorge Valdano, génio ideológico de modalidade em que foi campeão como jogador, treinador e dirigente, que Daniel Passarella, central e capitão da Argentina campeã mundial em 1978, se lastimava ao ver defesas bater indiscriminadamente, sem clemência mas também sem sentido. Valdano estranhou a referência e retorquiu: "É preciso ter lata: fala sobre violência um tipo que até escolhia o osso que ia partir aos adversários." Passarella levou a mal e enquadrou a questão, como se reclamasse autoridade moral para falar sobre o assunto: "Queres comparar? Ao contrário destes medíocres que batem por necessidade, eu batia por prazer."
O central benfiquista terá de relativizar o prestígio que atribui ao choque, à intervenção agressiva, à delimitação do espaço e à defesa do estatuto pela via da picardia e da contundência gratuita. Não pode alimentar para sempre o sentimento de impunidade perante algumas grosserias, mesmo que assente a construção como defesa-central nos pressupostos de maturidade precoce, inteligência, liderança, carisma e ampla visão. Num futebol ao qual vão faltando centrais de qualidade superior, tem um papel extraordinário a desempenhar a partir de agora: oferecer futuro à Selecção Nacional. Só atingirá expressão planetária se souber interpretar o que a carreira lhe der; se escutar os mestres e nunca der por concluído o processo de assimilação de competências; se olhar em frente e perceber que, por ora, não há limites ao nível expectável como um dos melhores centrais portugueses de sempre.

Rui Patrício foi bode expiatório 
Para garantir a Champions, o Sporting tinha de derrotar o Marítimo
O erro de Rui Patrício nos Barreiros, mais grave pela raridade do que propriamente pelo peso relativo nas contas finais da Liga, será a referência eterna do 3º lugar. É justo porque já ninguém se lembra de erro tão clamoroso do melhor guarda-redes português; mas não pode servir de bode expiatório de uma actuação que concentrou desgaste físico acumulado e uma falta de atitude desesperante.

Sérgio Oliveira acima de todos
A lista dos 23 jogadores para o Mundial poderá conter algumas surpresas
Fernando Santos afirmou que há mais do que um jogador sem internacionalizações A no lote dos 35. Rúben Dias será um deles – perante o cenário actual, poucas dúvidas de que assim será. E que outros poderão estar nas mesmas circunstâncias? Um acima de todos: Sérgio Oliveira, cuja época superou os campeões europeus Renato Sanches, André Gomes, Adrien, João Mário, William e até Moutinho.

A grande época de Cláudio Ramos
O Tondela superou em larga medida as expectativas para a presente época
Cláudio Ramos foi considerado pelos jornalistas de Record o melhor guarda-redes da Liga. Aos 26 anos, importa esclarecer que não se trata de uma proeza avulsa, de um reconhecimento passageiro, de uma felicidade transitória. Há alguns anos que o guardião do templo tondelense está no topo da lista dos melhores guarda-redes portugueses. O sucesso da formação de Pepa começou nele. Sem dúvidas."


PS: Uma suposta convocatória de Sérgio Oliveira, seria uma ofensa ao futebol português!

Sporting em 'burnout'

"O inqualificável episódio de ontem deixa Bruno de Carvalho numa posição insustentável. Ele perdeu o controlo da situação e está a levar o clube para o abismo. É tempo de alguém lhe dizer: basta!

O psicólogo alemão Herbert Freudenberger definiu a síndrome de burnout como um «distúrbio psíquico de carácter depressivo, precedido de esgotamento físico e mental intenso cuja causa está intimamente ligada à vida profissional». Há pouco mais de um mês, o dr. Eduardo Barroso sugeriu ser esse o mal que afectava Bruno de Carvalho e que explicaria o comportamento dele. Julgo que neste momento é justo dizer que, por causa de Bruno, todo o futebol do Sporting se encontra em burnout: o presidente, o treinador e os jogadores encontram-se em guerra aberta e nem os adeptos escapam à espiral de loucura - muitos deles atiram as culpas para os jogadores e tem descarregado neles toda a frustração da perda para o Benfica do 2.º lugar e dos possíveis milhões da Champions. Ontem, cerca de 50 delinquentes de cara tapada, alguns armados com barras de ferro e armas brancas, invadiram a Academia de Alcochete e, não encontrando qualquer obstáculo (?!?), avançaram para a ala profissional onde ameaçaram e agrediram vários jogadores e o próprio treinador Jorge Jesus (!). Um acto absolutamente intolerável que culmina uma semana de crescente hostilidade das franjas mais radicais relativamente aos profissionais do Sporting e deixa Bruno de Carvalho numa posição insustentável. Ele perdeu o controlo da situação e está a levar o Sporting para o abismo. É tempo de alguém com autoridade no universo leonino se chegar à frente e dizer-lhe: Basta!!!!
O guarda-redes Rui Patrício, um dos melhores jogadores da história do Sporting e o herói mais decisivo do Euro-2016 (o título mais importante da história do futebol português) já tinha sido alvo de um acto miserável por parte de uns quantos energúmenos em pleno Alvalade XXI. A chuva de tochas «casualmente» lançada por cima da baliza do guarda-redes no derby foi uma vergonha e teve seguimento nos insultos e ameaças dirigidas à equipa de futebol no final do jogo da Madeira. O estado de desvario em que se encontra o clube presidido por BdC conheceu ontem uma degradação inaceitável, que soa a toque de finados. Depois disto, é muito difícil defender que Bruno tem objectivamente condições para continuar a liderar uma instituição com a dimensão e as responsabilidades do Sporting.
Não vou lembrar os sucessivos psicodramas que têm caracterizado dia a dia sporinguista nos últimos tempos. Creio que toda a gente está saturada deles. Apenas gostaria de lembrar que esta última crise foi desencadeada pelo incendiário-mor BdC em vésperas da final da Taça de Portugal, que pode (podia?) proporcionar ao futebol do leões, por estranho que pareça!, a melhor época nos últimos 16 anos (para os mais distraídos, a última vez que o Sporting ganhou dois títulos na mesma época foi em 2001-2002, com Lazlo Boloni à frente de uma equipa de luxo - Mário Jardel, João Vieira Pinto, Niculae, Ricardo Quaresma, Sá Pinto, Pedro Barbosa, André Cruz, Rui Jorge, Hugo Viana, Paulo Bento, Rui Bento. É evidente que Jorge Jesus tem todas as responsabilidades no 3.º lugar final - um fracasso! - e na forma como a equipa se apresentou perante Benfica e Marítimo; como é evidente que BdC tem todas as responsabilidades no clima doentio de permanente fricção que acompanhou a equipa na recta decisiva da época. Foi ele o principal destabilizador do grupo, percebendo-se agora que nunca perdoou a Jorge Jesus o facto de o treinador ter emergido (para larga franja de adeptos) como o líder adulto e responsável que salvou a equipa na enorme confusão que se seguiu à derrota em Madrid.
O futebol profissional do Sporting está à beira da implosão. Na sequência do escândalo de ontem há vários futebolistas que querem rescindir contrato. Alguns já nem suportam olhar para BdC. Uma das consequências mais perversas desta crise é a desvalorização do plantel - os interessados nas várias jóias sportinguistas não deixarão de aproveitar a conjuntura a seu favor... - e da própria imagem do clube. Sendo certo que Jorge Jesus não vai continuar, a possibilidade de Bruno de Carvalho sair incólume e continuar a liderar o clube como se não fosse o principal responsável por este descalabro é algo que, em minha opinião, devia perturbar qualquer sportinguista sensato.
Para piorar a situação, uma notícia publicada ontem pelo Correio da Manhã aponta para existência de graves irregularidades imputáveis ao Sporting na conquista do título de andebol da época passada - aparentemente, houve um esquema de corrupção de árbitros destinada a favorecer os leões na luta com o FC Porto. O Sporting repudiou em comunicado a notícia do Correio da Manhã e declarou «não se rever em qualquer prática que desvirtue a verdade desportiva ou que seja ética, moral e socialmente censurável». Sem prejuízo de novas revelações e aguardando pelo resultado da investigação em curso (já conformada pela Procuradoria-Geral da República), a nossa posição aqui é rigorosamente igual à do caso dos e-mails: não há na competição lugar para os batoteiros. Seja no futebol, seja no andebol. Investigue-se - e a fundo!
(...)"

André Pipa, in A Bola

PS: És mesmo Lagarto Pipa: em todo o caso dos e-mails, aonde é que estão os indícios de crimes desportivos?!!!
Não existe um único indício de crime com impacto nos resultados das competições...!
O único crime mais ou menos 'provável' está ligado ao segredo de justiça, nos tribunais civis, num contexto de acesso a informação... e não num contexto de condicionar decisões dos magistrados!
Comparar aquilo que nos últimos dias foi tornado público em relação aos Lagartos, no Andebol e no Futebol, com os e-mails é somente uma tentativa desesperada de confundir a carneirada!!!

Loucura

"Se a estratégia de Bruno de Carvalho enquanto presidente do Sporting passava por criar a fama de ser maluco (segundo o próprio), interpretando um papel, então este é claramente um daqueles casos em que, a dada altura, a ficção se confunde com a realidade, o actor se confunde com a personagem, o Óscar se confunde com o internamento. A verdade é que, depois dos acontecimentos dos últimos dias, que superaram o que parecia impossível de superar (o surrealismo pós-Madrid) e culminaram, ontem, com  a mais vergonhosa página da história do Sporting, e uma das mais lamentáveis do futebol português, já não importa muito se Bruno de Carvalho é louco ou não. O problema é dele, da família e dos amigos. O que importa, isto sim, é que Bruno de Carvalho lançou, em definitivo, a loucura no clube de Alvalade. E chegados aqui, independentemente do que acontecer até ao Jamor e no Jamor, só dirigentes e sócios verdadeiramente doidos o podem manter no poder (a troco de umas quantas vitórias na modalidades, as mesmas que ele destruirá no dia em que não ganharem...), ao invés de salvarem definitivamente o Sporting, antes que perca ainda mais o respeito por si próprio e pelos valores que o tornaram numa das maiores instituições deste país, na vitória e na derrota. É evidente que, apesar da relação de Bruno de Carvalho com as claques, não sou tresloucado ao ponto de pensar que o presidente verde e branco tem alguma coisa a ver com o arsenal pirotécnico enviado na direcção de Rui Patrício no derby, muito menos com os acessos privilegiados à garagem de Alvalade e ao balneário de Alcochete para ameaças e agressões aos jogadores e equipa técnica, mas se eu fosse Bruno de Carvalho poderia sempre fingir-me de louco e acreditar que sim. É um pensamento «chato», eu sei, mas amanhã é um «novo dia»."

Gonçalo Guimarães, in A Bola