Últimas indefectivações

sábado, 14 de outubro de 2017

Sem complacências

"O Benfica até poderá não ser o clube mais poderoso do mundo - só um demente, em evidente estado delirante e sob o efeito de psicotrópicos, poderia afirmá-lo - mas é, indubitavelmente, o maior e melhor clube português.
Assim o dizem todos os estudos de mercado sobre adeptos de futebol aquém e além-fronteiras, o número de sócios, as receitas de quotização, patrocínios, bilheteira e merchandsing e o palmarés conquistado no conjunto das modalidades, nomeadamente o do futebol, mas não só. Só não é um axioma porque o futuro é incerto e talvez daqui a uns mil anos seja outra a realidade, embora me pareça bastante improvável.
Todos os portugueses atentos ao desporto o sabem. Só por fanatismo ou por um mecanismo psicológico de auto-defesa alguém poderá convencer-se do contrário. E, como tal, todos os que representam o Benfica sabem que, para os benfiquistas, as vitórias do clube são uma mera consequência da sua grandeza. A competência e o empenho até poderão ser exaltados quando se justifica, sendo, no entanto, considerados o mínimo exigível a quem tem a honra de envergar a camisola do glorioso.
Trocando miúdos, triunfar é normal, perder é desonroso. Tudo isto é pernicioso. Os nossos adversários invejam-nos, detractam-nos e cobiçam o tanto que conquistámos e conquistaremos. Parecem estar dispostos a tudo, sem olharem a meios, logo têm de ser denunciados e combatidos. 
Ignorá-los até poderá parecer salutar, mas fortalece-os. Não lhes poderemos dar descanso. Como, por exemplo, em meados dos anos 60, quando Paulino Gomes Júnior, então director do jornal, não poupou um presidente leonino durante semanas a fio por nos ter acusado, no Brasil, de sermos um clube xenófobo."

João Tomaz, in O Benfica

Não me esqueço do gel de banho

"Este fim-de-semana, o Benfica está de regresso à Taça de Portugal. É uma competição especialmente acarinhada pela larga maioria dos adeptos. São vários os aspectos que embelezam a Taça: a imprevisibilidade do sorteio, a história da prova e, sobretudo, o sempre animado convívio no Jamor.
Na época passada estive presente pela primeira vez. Foi uma experiência incrível, mas podia ter sido ainda melhor - que pena o senhor da bilheteira se ter esquecido de me avisar de que devia levar apetrechos para me lavar! Como se recordam, enquanto se desenrolavam a final da prova rainha no relvado, nas bancadas decorria um geladíssimo banho público, qual ice bucket challenge. Eu sabia que havia um convívio espectacular nas matas do Jamor, no entanto nunca me tinham falado desde banho de conjunto. Por um lado até pode prejudicar a saúde, mas por outro promove o companheirismo. Ao meu lado, por exemplo, estava um casal idoso que se auxiliava a passar esfoliante nas costas um ao outro. Juro que até houve quem me oferecesse shampoo emprestado, mas tive de recusar porque não era anticaspa - não imito o Ronaldo apenas no voz. O futebol é festa - e também camaradagem.
Este ano, o primeiro obstáculo no caminho para o Jamor é o Olhanense. Tenho péssimas recordações do último confronto com os algarvios. Tudo bem que ganhámos 2-0 com um bis do Lima. Esse jogo até garantiu a conquista do 33, é certo. Mas desafio qualquer um de vós a explicar à minha avó que um jogo onde o Benfica tem a possibilidade de ser campeão é pretexto suficiente para passar o Domingo de Páscoa fora de casa dela. Rumo ao Jamor!
Desta vez, prometo que não me esqueço do gel de banho."

Pedro Soares, in O Benfica

Mais títulos

"A onda vitoriosa não pára. Na semana passada, no curto espaço de três dias, mais cinco títulos conquistados.
As nossas duas equipas de hóquei em patins 'limparam' dois troféus com a habitual classe, entrega e empenho. Pedro Nunes e Paulo Almeida lideram duas das melhores formações da história do Clube. Em Coimbra, provou-se que o SL Benfica tem a melhor equipa nacional masculina e que o título que nos foi retirado foi uma das mais graves e lamentáveis injustiças a que assistimos em lata competição. O triunfo sobre o Sporting são é garantia dos objectivos traçados para a presente temporada. Quando analisamos as perfomances da equipa liderada por Paulo Almeida, esgotamos os adjectivos. Em 22 títulos nacionais disputados, o nosso 'dream team' conquistou 20. Ser 'penta' no Campeonato e na Supertaça, 'tetra' na Taça de Portugal e 'hexa' no Torneio de Abertura é obra! 
Também merecedoras de destaque são as nossas fantásticas atletas do Râguebi feminino, que bateram o Sporting na Supertaça de Sevens.
Ainda no feminino, o que dizer mais acerca da nossa equipa de futsal? Depois da brilhante época em 2016/17, iniciaram a presente temporada com mais uma conquista - Taça de Honra da AF Lisboa - e com uma vitória, no Campeonato, em casa do eterno rival.
A equipa de basquetebol masculino bateu, de forma categórica, o CAB Madeira, e mais uma Supertaça para o Museu Benfica - Cosme Damião. Ansiamos por mais uma temporada mágica. Uma palavra para o andebol. Os dois triunfos na semana passada, no Restelo para o Campeonato, e na Luz para a Taça EHF, são sinais bem claros de que Carlos Resende não brinca em serviço."

Pedro Guerra, in O Benfica

Do lado do Benfica. Como sempre.

"A opinião editorialmente expressa e a primeira página do jornal na semana passada criaram algum reboliço nas redes sociais e na blogosfera benfiquista. Fizemos o que devíamos fazer: precisamente, por um lado, recentrar a verdade dos factos e, por outro, expressar de modo muito claro que estamos do lado certo.
Do lado do Benfica, como sempre!
Estamos a viver um dos períodos mais exaltantes da história centenária do Benfica. Conquistámos a insofismável hegemonia desportiva do país nos campos e nos pavilhões de Portugal inteiro, época depois de época, semana a semana, jogo a jogo. Vencemos, enfraquecemos e desbaratámos todos os nossos adversários, um a um - os mais escorados, os mais frágeis e os mais bufões. O nosso património continua a desenvolver-se, com novos atletas, novos técnicos, novos parceiros comerciais e novas infraestruturas.
O sentido único do projecto definido por Luís Filipe Vieira e aqueles que ele escolhe, sob reiterada ratificação dos Sócios e Adeptos do Benfica - aqui e ali humanamente pontuado por um ou outro insucesso que serve para confirmar a excepção de qualquer regra - é um mágico feixe que tomámos do Passado para confirmar o Presente e consolidar o nosso Futuro... e o quê? Quereria essa meia dúzia de tontos que atiram cadeiras e garrafas de água aos seus próprios pares, que rebentam petardos no seu próprio estádio e que, frustrados na margem e ignorantes das verdades, parece que querem sempre mais do que a decência e a tolerância dos restantes Benfiquistas lhes permitem, impor a asneira?
Não! A esses e aos outros que, mais de fala-mansa, ou mais histérica, de gravata vermelha e agenda intima, também vão na 'conversa' ínvia daqueles poucos, nós continuaremos, no jornal O Benfica, a dizer que estão errados. Profundamente errados."

José Nuno Martins, in O Benfica

Novas tecnologias nas organizações desportivas

"As federações desportivas (FD’s) são o elemento central da organização desportiva passando por elas o essencial da atividade quanto à regulamentação e organização competitiva. No âmbito do ordenamento jurídico o estado delegou competências de natureza pública nas federações de utilidade pública desportiva (UPD) porque considera que o desporto é uma actividade propícia ao exercício de cidadania através da dimensão associativa e um importante factor de inclusão, coesão social e territorial.
Devem, por isso, as FD’s no ordenamento jurídico do sistema desportivo nacional ser consideradas como os principais parceiros do estado na garantia do direito ao desporto, com insubstituíveis funções de interesse público com vantagens excepcionais para os cidadãos, qualidade da vida comunitária e imagem do País em termos internacionais.
Depois de um período de um grande investimento estatal, via IPDJ, nas sedes das FD’s com UPD, na 1ª parte da década do novo milénio assistiu-se a uma redução drástica de financiamento (2012-2016) com consequências na trajectória, até então crescente, de aumento dos índices de prática desportiva, sem o necessário investimento na formação dos recursos humanos não técnicos das OD’s. Na fase actual justifica-se repensar o modelo de organização do desporto e, na estrutura de organização actual, os desafios da contemporaneidade que se colocam às OD’s.
O desporto exige estruturas organizacionais flexíveis capazes de responder aos desafios de uma sociedade em contínua e rápida mudança, num ambiente de responsabilidade social, de observância de elevados valores éticos, de partilha, de prestação de contas e de envolvimento numa governação orientada para a transparência, a eficiência e a eficácia.
Este pressuposto vai ao encontro de duas realidades actuais incontestáveis:
i) necessidade de readequação dos procedimentos organizacionais aumentando, num período de reduzido financiamento público, a eficiência organizacional e a resposta à missão institucional;
ii) a necessidade de aumentar a atractividade de novos praticantes e espectadores num País com uma das taxas mais baixas de federados desportivos e de prática sistemática.
É neste contexto que o Desporto e as suas organizações devem encarar a premência de uma revolução tecnológica, com desafios e oportunidades em todos os seus pilares organizacionais, em áreas tão sensíveis como o marketing e comunicação, a gestão dos recursos humanos e documental, tudo inserido num plano de sustentabilidade que torne cada vez mais competitiva e eficaz a tomada de decisão.
A renovação tecnológica pode ser adoptada em, pelo menos, três diferentes níveis de decisão:
i) reorganização estrutural e funcional;
ii) procedimentos de informação e comunicação;
iii) ferramentas de apoio à tomada de decisão dos agentes desportivos.
No nível 1: Reorganização estrutural e funcional das OD’s, pela implementação da (re) estruturação interna e departamental e fluxo de interacção entre os diferentes sectores, articulando as estruturas de liderança com as estruturas intermédias de governação, envolvendo as pessoas nas decisões; adequando o modelo funcional e adoptando práticas organizativas flexíveis, facilitando a estratégia de diversificação de fontes de financiamento, privilegiando cenários de match funding.
No nível 2: Centralização da comunicação institucional, gestão interna de informação e comunicação unificada entre todos os departamentos e actividades, pela implementação de uma mensagem institucional unificada entre os diferentes agentes desportivos, promovendo a atractividade das OD’s e a captação de novos e diferenciados públicos, praticantes e espectadores, com dinâmicas mais próximas dos jovens, integradas num plano de comunicação “amigo” e de fácil percepção para o exterior. Este processo deverá passar pela afirmação da marca e imagem das OD’s; de renovação de páginas web e criação de páginas específicas de notícias e eventos; e o aumento de menções nas redes sociais.
No nível 3: Aumentar a capacidade de resposta às exigências, por um lado, e necessidades da prática por outro, garantindo aos agentes desportivos uma estrutura de suporte que lhes garanta condições para cumprir o seu trabalho, com planos estruturados e duradouros onde expõem todos os seus processos e contextos e nos quais são evidenciadas as condições, ferramentas e instrumentos de trabalho ao dispor, mediante o desenvolvimento de sistema de informação, de suporte à decisão.
O meio envolvente dos clubes e federações está cada vez mais complexo e evoluído e o desporto é mais competitivo e estudado, existindo várias fontes de informação. A filtragem da informação útil e pertinente e a análise das mesmas para a tomada de decisão são ferramentas imprescindíveis para o output final.
Nos três níveis de intervenção os diferentes agentes desportivos são os principais actores e responsáveis pela implementação tecnológica que deverá passar pelo aproveitamento de soluções existentes e acessíveis no mercado, adaptando-as:
i) na implementação de programas de modernização e de desmaterialização optimizando e simplificando a utilização de plataformas digitais de gestão correte;
ii) no aumento do uso de soluções digitais na gestão e nas práticas do quotidiano;
iii) e no estímulo à utilização de soluções tecnológicas com uma visão de racionalização de custos e capacitação do conhecimento.
Como sensibilizar as OD’s a utilizar estas novas ferramentas e o estado a financiar?
Por um lado, pela disponibilização, numa estratégia de Benchmarking, dos recursos/plataformas tecnológicas de suporte à gestão organizacional das instituições desportivas já existentes, valorizando em sede de financiamento o seu uso.
Por outro lado, numa segunda fase se implementação, a obrigatoriedade da existência da certificação de qualidade institucional (que passa muito pela adopção de procedimentos certificados de gestão centralizada e unificada da informação) como condição sine qua non para o financiamento público. Esta aposta tecnológica por parte das OD’s com UPD, devidamente regulada e financiada pelo estado, poderia estimular um nicho de mercado que se abre em termos de empreendedorismo tecnológico desportivo com as soluções que se colocam para a resolução de problemas concretos no âmbito do desporto em geral e algumas modalidades em particular.
O desenvolvimento de novos equipamentos; alimentos naturais e energéticos; wearables, soluções tecnológicas e de bioengenharia (sensores e microsensores; smart shoes, Indicadores 3D do movimento; Indicadores salivares, etc.); plataformas tecnológicas de apoio e consultoria técnico-científica à decisão; mecanismos de popularização do acesso à prática de eventos desportivos (eventos populares); desenvolvimento e canais de Streamming e apostas online, entre outros."

Democracia, Olimpismo e Liberdade de expressão

"Na qualidade de diplomado pelo Instituto Nacional de Educação Física (INEF) tomei parte na maior revolução de que o desporto alguma foi objecto no País.
Estávamos em 1974/1975 pelo que, naturalmente, me vi envolvido no confronto de ideias e na troca de argumentos, bem como em contraditórios de projectos que, muitas vezes, assumiam aspectos de violência verbal que fazia parte do entusiasmo com que cada um defendia os novos caminhos que entendia serem os melhores para um desporto novo num Portugal democrático. Então, a par das grandes transformações que ocorriam no País, o desporto, primeiro com Melo de Carvalho de quem fui colega de curso e com quem colaborei na Câmara Municipal de Lisboa na formação de técnicos e, depois, com Joaquim de Sousa e Rodolfo Begonha, foi objecto de um processo de desenvolvimento cujos aspectos principais, ainda hoje, se fazem sentir. E tudo aconteceu na maior das liberdades, numa livre troca de ideias e confronto de opiniões sem que alguma vez, que eu saiba, alguém tenha sido incomodado ou perseguido pelas suas opiniões por muito que elas pudessem melindrar os poderes públicos e privados instituídos.
Nos últimos cerca de quarenta e três anos, como bom observador que me prezo ser, assisti, com complacência e algum divertimento, a transformações ideológicas pessoais em que alguns protagonistas da extrema-esquerda se adaptaram às conveniências do tempo político, ao discurso vigente e aos comportamentos de acordo com as pessoas e as instituições que, em cada momento, lideravam os novos tempos políticos. E, recordo que, alguns deles, até tinham tido comportamentos e expressado opiniões de grande agressividade como foram as que envolveram os lamentáveis saneamentos políticos de professores como Abano Estrela, Mário Moniz Pereira e Nelson Correia Mendes que leccionavam no INEF. Apesar destes excessos, que eu saiba, nunca ninguém foi perseguido pelas posições que tomou por muito conflituais que fossem porque a livre expressão de cada um prevalecia como um dos princípios mais sagrados de Abril.
Chegados ao novo século, constato que a livre expressão de opiniões está debaixo de inacreditáveis ameaças que se consubstanciam na participação ao Ministério Público daqueles que, pelas suas críticas, afrontam as políticas desenvolvidas pelo poder vigente que, fugindo ao contraditório e, à custa dos recursos das organizações que lideram, utilizam a denúncia como forma de cortar pela raiz a leviandade das críticas. Acredito que este tipo de denúncias, pela sua inconsistência e irrelevância, estejam destinadas a serem arquivadas, contudo, a maldade fica feita uma vez que os acusados são obrigados a gastar tempo e dinheiro, para além de serem submetidos a uma coação que não é própria de culturas democráticas.
Se o 25 de Abril nos ensinou alguma coisa foi que, se não existe desporto sem confronto de vontades na disputa física e psíquica de um objectivo desportivo, também não existe desenvolvimento do desporto sem um livre e salutar confronto de ideias no sentido da organização de um desporto melhor. Por isso, considero inadmissível que o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) que, de acordo com os princípios do Olimpismo, devia ser o primeiro a defender a liberdade de opinião e livre crítica, tenha apresentado uma queixa no Ministério Público (MP) contra Gustavo Pires que, há dezenas de anos, de uma forma didáctica, pedagógica, social e fundamentada, expressa as suas opiniões em matéria de desenvolvimento do desporto em órgãos de comunicação social escrita como o jornal “A Bola”. Por vezes, nem estou de acordo com as suas posições, o seu estilo ou, até, com os adjectivos que utiliza. Todavia, não se trata de estar ou não de acordo mas sim do directo de cada um, na mais plena liberdade, expressar as suas opiniões relativamente a uma instituição como o COP que presta um serviço público. Por isso, como considero a liberdade de expressão e a livre crítica entre as conquistas mais significativas do 25 de Abril, não posso deixar de manifestar a minha discordância pela atitude do presidente do COP ao tentar condicionar e, eventualmente, calar uma pessoa que, nos últimos quarenta anos, no país, foi uma das que mais investigou, reflectiu, leccionou e publicou, tanto a nível nacional como internacional, no âmbito do Olimpismo, do desenvolvimento do desporto e da sua gestão.
Sou daqueles que continua a pensar que este tipo de atitudes não se coaduna nem com espírito de Abril nem com o espírito olímpico. Por isso, sendo amigo tanto de José Manuel Constantino como de Gustavo Pires, lamento que o presidente do COP se sirva do poder que tem para tentar resolver uma questão que, na minha opinião, por muito que o possa incomodar, não é mais do que o exercício da liberdade de expressão e livre crítica."

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Alvorada... do José Nuno

O caminho para a excelência

"Nos dias de hoje, em que as curvas do tempo aguçam um sentido de grande exigência para as funções que nos são requeridas, atingir o estatuto de bom no cumprimento das tarefas, será suficiente para qualificar o resultado conseguido?
No Desporto como na vida Empresarial ou Comunitária os índices que qualificam esse módulo referencial “obrigam” a um exigente conjunto de pressupostos em que se tornam indispensáveis a capacidade de autocrítica, pela avaliação de comportamentos com base duma humanização por via do elogio e a capacidade de resiliência no sentido de ver superadas as adversidades existenciais, fazendo das fraquezas forças, convertendo as adversidades em oportunidades, fazendo duma situação de crise um fenómeno de adaptação enriquecida pelos atributos ministrados.
A humilhação pública por um resultado consequentemente negativo, podem gerar uma insatisfação momentânea sem dúvida, mas também poderá também servir de “arma de arremesso” para a criação de atitudes arrebatadoras com vínculo de sucesso garantido, pois as experiências negativas vividas podem ajudar a reencontrar esse caminho com a generosidade de quem lhe assiste de forma até mais segura, porque melhor estruturada.
Outra vertente a ter em atenção para trilhar o caminheiro para a excelência, pudemos defini-la como o altruísmo, expressão de generosidade por aqueles que nos rodeiam, respeitando o valor da diferença pela descoberta solidária e tolerante dos valores da sua identidade marcada pela personalidade individual, reconstruindo por uma renovação de comportamentos todo um potencial que possa garantir sucesso.
Uma outra constante em apreço é o valor do carisma associado à gestão da emoção, sendo capaz de ver ultrapassados os medos, inseguranças, angústias, pessimismos depressões, não se exigindo o que não é possível de momento atingir, fazendo, contudo, do exercício, do treino e do trabalho, a arte contemplativa e ilustrada dos valores onde reside o habitáculo para o êxito.
Para a obtenção destes objectivos difíceis, porque encorajadores, termos que contar com gente, cuja diferença seja justificada pela definição entre ser simplesmente bom, ou ser potencialmente excelente profissional:
Um bom profissional executa a tarefa solicitada pelo respeito, ética e disciplina pelo plano traçado, enquanto um excelente profissional é capaz de ultrapassar essas premissas com ousadia, coragem na descoberta de novos caminhos, tentando ir ao encontro do imprevisível, influenciando os seus companheiros de grupo/equipa.
Um bom profissional corrige os erros, tratando os sintomas das anomalias detectadas. O excelente profissional tudo faz para evitar o conflito, prevenindo-o, manipulando a arte de questionar as razões e tratar de ver no sucesso obtido uma importante fórmula de reiniciar um novo processo, reinventando situações que permitam confirmar essa arte de fazer bem feito, conectado com a intuição para atingir a excelência. Para estes, as crises começam a ser concebidas no auge do sucesso e a gestão dos fracassos inicia-se sob os aplausos do pódio, retirando a sabedoria dos erros, alegria das dores, a força das decepções (Cury, A. 2008).
Bons profissionais, geralmente gastam muito tempo a olharem-se ao espelho da sua imagem de glória. Os excelentes profissionais valorizam com frequência a força do colectivo, promovem o código do altruísmo, arrebatando com a generosidade do conhecimento a arte da dúvida, fazendo do sucesso o princípio de toda a causalidade.
A título de exemplo e dada a fundamental importância, pelo rendimento e resultados dos jogos da nossa selecção no sentido do recente apuramento para o Mundial da Rússia 2018, creio mesmo, que estamos perante excelentes profissionais.
A acrescentar o capital de magistratura de liderança do nosso seleccionador Engº Fernando Santos que manipula a arte de ser, por um código de valores onde habita uma sólida estabilidade emocional, que permite encorajar e estimular, e através duma generosa convicção para o êxito, é capaz de fazer reunir em cada gota de suor dos nossos campeões, paixão, rebeldia, consciência, amor e razão. Como temos vindo a confirmar, transformar a crença num desejo que faz renascer a convicção para a conquista do êxito, tem sido uma estratégia pessoal de forte aplicabilidade, consagrada numa narrativa de ambições que a história sempre fará recordar. Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente um excelente profissional.
Também na figura do nosso capitão Cristiano Ronaldo, (máximo representante de toda uma equipa coesa e dinâmica), como por vezes tenho repetido, parece que revela com o jogo uma linguagem de amor e raiva no toque da bola, coroado por um semblante onde se vislumbra felicidade. De um momento para o outro a virilidade, o talento, a agressividade se transforma em gestos de harmonia e com uma eficácia emocionalmente excitante, transferindo para o grupo uma renovação de estímulo para a conquista do sucesso. Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente, um excelente profissional.
Outro nome que importa fazer realçar, o Prof. Doutor José Carlos Noronha na liderança da Unidade de Saúde e Performance das nossas Selecções. Articula e cultiva como ninguém a nobreza do seu silêncio como expressão de esplendor. Habita no Professor Noronha a arte de fazer reacender a chama do sucesso daqueles que lhe “passam pelas mãos” e também pelo coração. Na certeza das suas convicções, reside a sabedoria na arte da medicina e traumatologia desportiva, logo meio caminho andado para produzir o êxito. Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente um excelente profissional. Sem dúvida, e por inteira justiça devo referir o nosso Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Campeão dos Campeões, Dr Fernando Gomes. Simboliza a imagem que bem retrata uma serena tranquilidade, na forma inteligente como gere a liderança, responsavelmente partilhada.
Como magistratura de influência, indicia uma autêntica fonte mobilizadora onde a perseverança, civilidade, astúcia tem marca registada, e que a imagem do tempo tem vindo a consagrar e nós portugueses, tanto aplaudimos. Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente, um excelente profissional.
Uma referência especial para o Director Geral da Federação Portuguesa de Futebol, Dr Tiago Craveiro, um autêntico desmultiplicador por excelência das competências que lhe são atribuídas.
A Football School, ou Academia da F.P.F. recentemente criada com o objectivo de qualificar de forma mais profícua e competente as funções dos agentes desportivos, na promoção e o desenvolvimento do Futebol em Portugal, quer na formação de Treinadores, Arbitragem, Dirigismo, Saúde e Performance, Investigação e Desenvolvimento, implementando parcerias com instituições do ensino superior, para formação contínua e pós graduada, é um dos muitos exemplos da mestria do Dr Tiago Craveiro, que importa fazer realçar e também aplaudir, mas de pé!... Por isso, não simplesmente bom, mas potencialmente, um excelente profissional.
A nossa Federação também aqui assume categoria mundial no seu míster.
Este apuramento para o mundial na Rússia 2018, é prova inequívoca que a Federação Portuguesa de Futebol está a rasgar com estilete de aço os traços duma exemplar identidade nacional, que a história do tempo vai convertendo numa organização em regras, as regras em disciplina, a disciplina em resultados e os resultados em sucesso.
Viva Portugal"

Lanças... Recomeço!!!

Benfiquismo (DCXXIV)

Não correu bem... mas...!!!

Redirectas LI - Ederson Santana de Moraes


Ederson vai fazendo as delícias dos adeptos do Manchester City. Jogo após jogo mostra toda a sua categoria. Impressiona o modo como tão afirmativamente se tem imposto numa equipa e num campeonato de exigência máxima. Nas declarações que vamos lendo e ouvindo percebe-se todo o respeito que já conseguiu conquistar entre os seus pares. É um gigante crescendo a cada dia. Falta saber onde esse crescimento o irá ainda levar.
Diz-se por aí que se os citizens estão encantados da vida nós benfiquistas estamos com uma grande indigestão tal a saudade daquele que foi "provavelmente, o jogador mais valioso que passou pelo Benfica nos últimos largos anos" (Leonor Pinhão, Dixit).
Eu não poderia estar mais de acordo. E a indigestão que vou sentindo agudiza-se a cada dia que passa. Fico perplexo com o modo como tudo o que está relacionado com Ederson e a sua substituição foi e está a ser conduzido.
Se para mim era evidente que Ederson era um jogador de elite destinado a grandes voos nunca me passou pela cabeça ver o Benfica deixar partir tão grandioso valor sem o mínimo sinal de planeamento por mais elementar que seja.
Quando Oblak fugiu para Madrid fiquei completamente descansado assim que vi Ederson na baliza pela primeira vez. Fiquei com a ideia que a formação e a famosa estrutura do Benfica sabiam muito bem o que estavam a fazer. Depois fiquei com bastantes reticências quanto à sapiência atribuída por antecipação quando tomei conhecimento que 50% do passe de Ederson já não pertenciam mais ao Benfica. Como era possível que um jogador da formação desde os 15 anos com o potencial enorme que Ederson apresenta estivesse agora colocado nessa situação. Uma série de questões surgiram em minha mente mas sempre esperei que a SAD tivesse a capacidade de reverter a situação de uma forma atempada. A espera desaguou numa notícia insistentemente triste e numa lacónica declaração do presidente: "tivemos que os deixar ir".
O modo como a questão vai sendo abordada pelos ilustres fazedores de opinião não difere muito do apresentado então como um grandioso negócio só ao alcance dos grandes clubes mundiais. Se Leonor Pinhão fala da nossa azia outros existem que se vão valendo do "somos tetra", "não é como começa é como acaba", "são fases" e do não menos incisivo "Janeiro". O que aconteceu ao famoso "jogo a jogo"?
Nós indefectíveis só gostaríamos de poder voltar a cantar o incomparável: "Ninguém pára o Benfica!"

Pelo Benfica Sempre!

Redheart

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Campeonato entre parêntesis

"Discordo do modo como são constituídos os grupos para apurar os eleitos para um Mundial de futebol.

Selecção e selecções
1. Campeonato interrompido pelos jogos entre selecções, tempo ideal para vaguear entre os interstícios que as eliminatórias para o Mundial de 2018 nos permitem. Sem o nervosismo inerente à paixão clubista, mas com a ansiedade imanente ao amor pátrio. Mandaria a correcção política escrever que a sensação é a mesma, mas é meu dever escrever o que sinto, mais do que aquilo que racionalmente deveria pensar. Porque no pensamento a racionalidade leva-me a pôr Benfica e Portugal (ou Portugal e Benfica) no mesmíssimo plano. Já o coração é mais incontrolável, deambulando ardilosamente entre os neurónios. E aí o Benfica torna a dianteira. Por ele me transformo, por ele usufruo de alegrias quase infinitas, por ele sofro até ao tutano da alma. E isto não significa que não me sinta orgulhosamente e exuberante, como português, quando a nossa bandeira sobe bem alto e quando ultrapassamos barreiras de um país pequeno face a países, mais ou menos arrogantemente, auto-intitulados fortes. Que me desculpem os mais puristas patriotas (e alguns de pacotilha), mas só quem tem uma verdadeira paixão clubista perceberá o que escrevo. Seja benfiquistas, portista ou sportinguista. Assim como compreendo muito bem os que são apenas sócios da selecção. Falo com muitos e, sobretudo muitas. E o que constato? Que, salvo raras excepções, não têm clube ou, não têm paixão e militância emocional.
2. Discordo do modo como são constituídos os grupos para apurar os eleitos para um Mundial de futebol. Não que ponha em causa o carácter universal da competição. Referindo-me mais concretamente à Europa, entendo que deveriam ser preservados alguns pontos, tais como:
a) evitar os jogos entre tão díspares divisões que nada acrescentam e são ridículos;
b) em vez disso, acho que deveriam ser organizadas diferentes divisões, segundo o ranking oficial, digamos o primeiro, segundo e terceiro escalões, em que haveria o aliciante de os jogos serem mais equilibrados e havendo sempre selecções apuradas destes diferentes escalões, maioritariamente do primeiro, menos do segundo e um representante da 3.ª divisão. Um pouco, aliás, como já se faz para o apuramento na Champions em que há um APOEL, um Qarabag ou um Astana que, de outro modo, seriam esmagados nas eliminatórias.
Gosto particularmente da lógica de apuramento na América do Sul, disputando-se um verdadeiro campeonato, todos contra todos e alcançados o apuramento os primeiros 4 ou 5 classificados. Bem sei que lá - tirando a Venezuela e, quiça, a Bolívia - há mais homogeneidade futebolística, mas não me pareceria mal que as 16 melhores selecções europeias fossem divididas em dois grupos com apuramento das melhores três ou quatro.
Luxemburgo, Bielorrúsia, São Marino, Moldávia, Arménia, Cazaquistão, Malta, Lituânia, Macedónia, Liechtenstein, Gibraltar, Kosovo, Ilhas Féroe, Letónia e Andorra são selecções que deveriam jogador o seu campeonato para uma delas ser premiada com a ida ao Mundial. Bem sei quão são importantes, para as eleições da FIFA, os votos destas federações secundárias. Daí que nada mude ou se finja que muda.
No seu conjunto, a triste figura que fizeram no actual modelo resume-se a um deplorável quadro (não considerando a última jornada): em 144 jogos, 12 vitórias, 23 empates e 109 derrotas (vitórias, e empates, quase só entre eles, quando no mesmo grupo). Marcaram 82 golos e sofreram 392 golos! Se, porém, retirarmos os encontros entre estas duas selecções quando jogaram entre si, quando no mesmo grupo, teríamos, por exemplo: Gibraltar só com derrotas, 3 golos marcados e 43 sofridos; Liechtenstein só com derrotas, 1 golo marcado e 35 sofridos; São Marino só com derrotas, 2 golos marcados e 46 sofridos; Malta só com derrotas, 3 golos marcados e 22 sofridos, etc., etc. Enfim, uma fartura, à custa de um franganotes que, em alguns casos nem países são (Gibraltar) e noutros nem estádios têm em condições, como Andorra, Kosovo e, claro, Gibraltar que jogo em... Faro! Assim se vão acumulando internacionalizações a rodo para todos os gajos, que até os passarões de intermediação futebolística agradecem pois a um qualquer banal jogador sempre é possível apor o carimbo de internacional e inflacionar o passe.
3. Escrevo antes do decisivo Portugal-Suíça na Luz. Temos tudo para não precisar do habitual play-off. E assim continuar um itinerário de apuramentos ininterrupto neste século, ou seja, atingir o 10.º entre 5 Mundiais e 4 Europeus. Brilhante!

Taça de Portugal
A propósito de condições mínimas dos estádios (ou mais rigorosamente dos campos de futebol), em que a UEFA é tão intransigente nas competições europeias de clubes e a FIFA tão negligente nas competições mundiais de selecções, passo para a Taça de Portugal, que, agora, já é disputada pelos clubes da divisão principal. Com uma regra que aplaudo: equipas de escalões inferiores jogam sempre em casa quando o sorteio lhes dita uma equipa de escalão superior. Por duas boas razões: a possibilidade de aumentar a surpresa do que se convencionou chamar tombas-gigantes e a obrigatoriedade de as equipas mais cotadas irem jogar por esse Portugal fora. Enfim, dois factores que tornam ou deveriam tornar, a Taça de Portugal como a competição mais democrática do futebol português.
Acontece que nem sempre as regras são regras e a sua excepção toma conta da regra. O Benfica iria a Olhão, contra uma equipa com tradições primodivisionárias, mas que agora anda pela 3.ª divisão, pomposamente chamada de 'Campeonato de Portugal' (então as 1.ª e 2.ª divisões são de onde?). Parece que o relvado de Olhão está uma miséria e vai daí o jogo será no estádio do Algarve. Gostaria de saber se o tal relvado está mais impraticável que o dos Barreiros no Funchal onde o Benfica se viu obrigado a jogar num simulacro de relva misturada com abundante terra e outras ervas. O Benfica joga do mal o menos - perto de Olhão. Já o FC Porto, a quem calhou em sorteio do Lusitano Ginásio Clube, mais conhecido por Lusitano de Évora, clube com 106 anos e com a sua camisola de riscas verticais estreitas, não vai jogar no velhinho campo Estrela. Sinto um especial carinho por este clube, não só porque é uma bela cidade de Portugal, mas porque me lembro dos tempos em que disputava a primeira divisão e de alguns dos seus jogadores que moíam a cabeça aos grandes do nosso futebol (Vital, Falé, Polido, José Pedro e tantos outros). Pois, lá está, o campo não terá condições e o jogo será em... Lisboa (Restelo). Lá se vai o fascínio do sorteio que Évora bem merecia acolher. Pergunto: se ao Olhanense e ao Lusitano tivessem calhado outros clubes da primeira divisão que não um dos grandes, onde se disputariam os encontros?

Contraluz
- Número: 26 milhões
É o que Neymar exige ao Barcelona que, se não pagar, deveria - segundo ele - ser expulso da Champions. Ah, ia-me esquecendo: €26 M de prémio de renovação de contrato que foi... interrompido por vontade do próprio, que até já havia recebido antecipadamente €8,5 M! A ignomínia insaciável de um atleta que sabe muito de bola, que nunca está satisfeito nas suas contas por mais zeros que estas tenham à direita, mas que de ética é um zero à esquerda. Uma desfaçatez sem limites. Ele e outros também são especialistas em fugir aos impostos e dizem, com um ar angélico, que disso nada percebem porque alguém, que não eles, trata do assunto. E o mundo futebolístico ajoelha-se perante monstros aldrabões e fiteiros. Fosse com um comum cidadão e por uns patacos, o que aconteceria?
- Bom exemplo: Andrés Iniesta
Não me refiro à sua sageza em não misturar futebol com política ao contrário do seu colega Piqué que resolveu ser independentista jogando pelo adversário (Espanha). Refiro-me antes ao seu carácter discreto, sereno e anti-vedeta e, obviamente, ao seu futebol de eleição (que saudades tenho do par Iniesta-Xavi, único na história do futebol), e também porque foi notícia a sua renovação vitalícia pelo seu único clube, o Barcelona, onde está há 19 anos!
- Péssimo exemplo: a falta de respeito por um minuto de silêncio
Sporting, Porto e Benfica multados pela javardice do costume de grupelhos de adeptos. Uma multa que deveria directamente ser paga pelos javardos. Talvez assim se calassem. Quando não se respeita uma morte, não se respeita a própria vida. A começar pela dos próprios."

Bagão Félix, in A Bola

Pormenores

"Há vários aspectos que marcam o rumo e definição de um jogo de futebol, surgindo à cabeça a qualidade dos jogadores e a organização colectiva e estratégia traçada pelo treinador, mas quando a bola começa a rolar, por mais apurado que tenha sido o trabalho até aí, do ponto de vista táctico e emocional, a história de cada encontro ganha vida própria, não há qualquer controlo remoto capaz de dominar e concentração e inspiração (ou falta dela) de cada protagonista naquele dia, naqueles 90 minutos, o que se reflecte na eficácia das acções defensivas e ofensivas (tendo como consequência directa golos sofridos ou golos marcados). Há, depois, uma série de questões mais voláteis: um ressalto, uma lesão, um erro individual, um equivoco de arbitragem. Fazem parte do jogo e, normalmente, os benefícios vão-se dividindo. A estrelinha hoje pode ser o galo de amanhã ou vice-versa. Não há mal que sempre dure, nem bem que nunca acabe. Mas há ainda, outro tipo de detalhes. Vou dar-vos um exemplo.
Na segunda-feira, a República da Irlanda conseguiu uma vitória decisiva em casa do País de Gales, que lhe permitiu, por troca com os galeses, precisamente, ficar no segundo lugar do grupo D, atrás da Sérvia, e assim garantir presença no play-off de acesso ao Mundial. Para a história do jogo ficará o golo solitário de James McClean, jogador do WBA, aos 57 minutos, e daqui a 1, 5, 10, 15 ou 20 anos ninguém vai lembrar-se, provavelmente, do pormenor: a forma como Jeff Hendrick,médio de 25 anos do Burnley, numa jogada que foi tudo menos um hino à elegância, pressionou o defesa Ashley Williams, reagiu rápido ao ressalto, evitou que a bola saísse e acreditou mais que todos os outros que aquele esforço poderia dar em algo, fazendo a assistência para o golo.
Ontem, ao assistir ao Portugal-Suíça, lembrei-me muito de Jeff Hendrick, de como nos estava a faltar um detalhe assim, daqueles que não estão nos livros, para desbloquear o jogo. E não é que ele apareceu? Obrigado, Djourou!"

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Uma odisseia na Luz

"Odisseas Vlachodimos chegou ontem a Lisboa e nem precisou de um cartaz luminoso para ser mais um exemplo da incoerência que o Benfica revelou no último defeso e que parece não ter acabado. 
Com a saída de Ederson anunciada largos meses antes, ninguém percebeu muito bem qual o plano das águias para a baliza. Era confiar em Bruno Varela, Júlio César e Svilar? Então porquê tantos movimentos no mercado, em especial pelo finlandês Lukas Hradecky? Era assegurar uma alternativa sólida, directa ao onze? Então porque... não foi contratado ninguém?
Em Outubro, numa altura em que o mercado está fechado, aterra em Lisboa um guarda-redes de 23 anos, internacional sub-21 pela Alemanha e titular de um dos grandes da Grécia. Se fosse em Agosto, seria visto como o principal candidato ao onze. Como é agora, é impossível saber o que espera o Benfica de Vlachodimos. Virá com o estatuto de número 1? E em que pé fica a aposta em Svilar, considerado no Seixal como um diamante em bruto? Virá para ser alternativa? E Bruno Varela não serve nem para isso? Então... porque foi titular no arranque da época?
São demasiadas coisas que parecem fazer pouco sentido e que, numa altura que tudo corre mal dentro de campo, ficam mais expostas ao julgamento dos adeptos e opinião pública. Após ganhar quatro campeonatos seguidos, talvez se tenha pensado que a mítica frase de Mário Wilson fosse de novo verdade. Mas o "risco" de ser campeão - no Benfica ou em qualquer outro clube - exige muito trabalho."

O Mundial 2018 tem um vencedor (e já foi eliminado)

"Ainda nos devem dois campeonatos do mundo e vários anos de interregno por altura das grandes guerras. Devem-nos vários jogadores atirados para as fileiras de combate, onde destruir adversários era muito mais do que deixá-los para trás com a bola nos pés.
A guerra deve-nos, provavelmente, a hipótese de ver a melhor Jugoslávia de sempre, numa fase final. Deve uma presença no CAN ao Togo; uma casa a sério, a Paulo Fonseca e ao seu Shakhtar.
Conflitos e situações políticas internas, mesmo que diferentes de um estado de guerra, também tiraram um Mundial a Johan Cruijff, outro à União Soviética e a vida ao colombiano Escobar.
A guerra roubou palco à Wunderteam austríaca, privou o mundo de Sindelar, fez de sérvios, kosovares, albaneses ou croatas refugiados ou nómadas. Trouxe muitos a Portugal, roubou a real identidade a outros tantos.
Não é difícil concluir que a guerra já teve protagonismo a mais no futebol e quando se pensa que é coisa do passado convém lembrar que a Síria fez toda a campanha de apuramento para o Mundial da Rússia sem jogar em casa. Fez da Malásia a Síria que já não tem. Existe, mas não como deveria. 
Chegar mais longe do que nunca, nestas condições, é a primeira grande vitória do Mundial. Sejamos francos: há muito pouco interesse numa fase de apuramento, quando comparado com toda a magia da fase final. Por isso, acompanhar a saga da Síria foi do melhor que este período deu.
Mesmo sabendo que a própria selecção não é consensual no país. Não se pode falar de um povo unido em torno de um campo de futebol porque há quem veja a selecção da Síria como um produto do regime de Bashar Al-Assad. Omar Al Somah, por exemplo, o homem que levou o narrador sírio à loucura com o golo em Teerão que apurou o país para o play-off com a Austrália, esteve cinco anos afastado da selecção por apoio aos opositores do regime. Firas al-Khati, talvez o melhor jogador, esteve fora pelo mesmo período.
Não nos enganemos, portanto. Há muito de político por trás da actual selecção síria, mas é tentador escolher só o futebol e tentar separá-lo do resto. Para quem gosta deste mundo, não é difícil torcer pelo sucesso de um país sem casa, devastado pela guerra e que, a somar a tudo isso, nunca teve visibilidade suficiente num desporto que até é democrático o suficiente para projectar jogadores dos quatro continentes e de países sem expressão, como a Libéria de Weah, o Togo de Adebayor, a Arménia de Mkhytaryan ou Trinidad de Dwight Yorke.
Da Síria, nada.
Provavelmente, porque o remate de Al Somah, desta vez, foi uns centímetros mais para a direita do que o previsto, também não será desta que um sírio entrará para a história do futebol. E se aquele pontapé tivesse entrado, nada garantia que assim fosse. Havia um playoff para disputar e não são poucas as equipas que passaram pelo Mundial sem deixar pegada. Alguém sabe dizer o nome de um chinês do Mundial 2002? De um zairense de 74? Um salvadorenho de 82?
Mas, como quando os marfinenses paravam a guerra civil para ver os jogos de 2006 ou o Shakhtar festeja um título em Lviv, ver a Síria ficar tão perto, mesmo que caindo em lágrimas, não pode deixar de ser visto como uma vitória do futebol sobre a guerra.
Tudo somando, ainda estamos a perder. Este é pouco mais do que um golo de honra. Mas é também um raro caso em que é bem melhor que não haja oportunidade para empatar."

Palco talismã da selecção

"Depois de uma exibição algo cinzenta em Andorra, o jogo da Luz chegou para sossegar alguns espíritos.

Cumprida a obrigação de ganhar em Andorra, faltava outra vitória para ganhar o direito de comparecer pela quinta vez consecutiva na fase final do Campeonato do Mundo de Futebol.
E o estádio da Luz foi, mais uma vez, o palco talismã da selecção portuguesa, defrontando e vencendo a Suíça, num jogo para o qual entrámos em situação de desvantagem.
Os suíços chegaram a Lisboa com um registo invejável, depois de terem ganho nove jogos consecutivamente. Bastar-lhes-ia, pois, terminar o jogo com Portugal como o iam iniciar, ou seja, um empate a zero. E, mesmo sabendo que a qualidade do adversário dava para assustar, a verdade é que não se trata de uma tarefa impossível.
A primeira parte da selecção portuguesa não foi verdadeiramente convincente, mas também não levou ao desespero. E, no pós-intervalo, a nossa melhor condição permitiu materializar a vantagem que era necessária para poder respirar fundo e confirmar uma superioridade que nunca foi colocada em causa.
Depois de uma exibição algo cinzenta em Andorra, o jogo da Luz chegou para sossegar alguns espíritos.
Por isso, lá estaremos na Rússia no próximo ano para tomar parte na festa maior do futebol mundial, na companhia de mais 31 selecções de todos os continentes.
Até lá há ainda algum caminho a percorrer: serão vários os jogos particulares, o primeiro dos quais com a Espanha, que permitirão a Fernando Santos descobrir novas pistas, para que no Mundial seja possível apresentar a melhor e mais competitiva selecção.
O que se conseguiu até aqui é mérito de um triângulo que merece destaque: a começar pelos jogadores, passando pelo seleccionador, e sem esquecer a Federação, com Fernando Gomes à frente. 
É ao excelente trabalho deste corpo que se fica a dever mais este sucesso agora alcançado.
Os portugueses estão-lhes gratos."

Novos embaixadores do “mar português”: que desafios?

"Frederico Morais (actualmente, o mais bem posicionado atleta no ranking mundial), Joana Schenker (acabada de se sagrar campeã mundial de bodyboard), Teresa Bonvalot, Miguel Blanco, Vasco Ribeiro, Camila Kemp (entre tantas, tantos outros talentos confirmados e promessas futuras), têm elevado a qualidade dos atletas portugueses em contexto nacional e mundial.
De facto, 2017 está a ser um ano onde novos "embaixadores" do talento português têm ganho uma nova e maior visibilidade.
Por certo que, esta nova geração de atletas não surge por obra do "mero acaso" nem por um fenómeno de "geração espontânea".
O Surf, em Portugal, tem-se afirmado nos últimos anos como uma modalidade em franca progressão, seja em termos da qualidade dos seus atletas/treinadores, das ferramentas de especialização disponíveis para estes últimos (como é o caso, a título de exemplo, da pós-graduação em High Performance Surf Coach, da FMH) ou, inclusive, dos modelos de treino cada vez mais multidisciplinares, integrando preparadores físicos, nutricionistas, fisioterapeutas e psicólogos, no corpo de especialistas que suportam algumas escolas.
Por esta razão, e até do ponto de vista económico, tem-se revelado uma "apetecível" fonte de aposta para algumas empresas que, cada vez mais, procuram associar-se a atletas e eventos, valendo, o negócio do surf, em todas as suas vertentes, mais de 400 milhões de euros em Portugal.
À semelhança de outras modalidades, e da Formação à Alta Competição, muitos talentos se perdem ou não se afirmam, de forma consolidada.
De facto, quando se começa a "avistar a alta competição", muito em particular numa modalidade individual, o principal adversário começa a ser... a sua PRÓPRIA CABEÇA (em boa verdade, o mesmo acontece na vida de cada um de nós!).
Actividades como o surf e o bodyboard, para além da exigência comum a todas as outras modalidades, no que compreende a mestria de competências técnico-tácticas (em contexto de treino e performance) e das competências psico-emocionais que irão suportar a exibição de uma performance de excelência, de forma consolidada, compreendem ainda uma componente de 'risk -taking', muitas vezes experenciada em situações percepcionadas como "quase-morte" (entenda-se "ameaços" de afogamento ou "face-to-face"... com tubarões).
Por esta razão, a partir de um dado n~ivel de performance, a diferenciação em termos de tabela classificativa, começa a manifestar-se em função dos traços de personalidade dos atletas, do seu talento e da sua capacidade em produzir uma espécie de "never ending" esforço de superação (que se encontra bem espelhado na entrevista a Frederico Morais . http://tribunaexpresso.pt/surf/2017-10-05-O-bom-rapaz-).
Na realidade, a busca incessante de optimização de todas as variáveis que possam estar associadas ao sucesso desportivo (desde o lifestyle, à nutrição ou ao treino de competências psicológicas), acaba por ser um denominador comum a todos os Top Performers, independentemente da sua área de actuação (desporto, empresas ou artes).
Para o "comum dos mortais", possivelmente, este cenário faz antecipar uma Vida recheada de stress e um "overload" de responsabilidades mas, na realidade, este tipo de performers desenvolve uma relação de desafio com a actividade escolhida, referindo, muitos deles, que a constante superação se traduz, frequentemente numa espécie de "adição positiva" (com uma boa dose de adrenalina e reforço constante da confiança, associados).
Kelly Slater, neste enquadramento, espelha actualmente um ideal de longevidade e sucesso, associado a 42 anos de vida e 11 títulos mundiais, transformando-o, por certo, numa inspiração para muitos atletas.
Curiosamente, e como o próprio reconhece, ele conseguiu um sucesso sem igual devido à sua forte estratégia e resistência mental.
Reconhecido pelos seus oponentes como um concorrente feroz (que não se inibe de tentar manipular, durante o heat, o equilíbrio psicológico dos seus adversários), este atleta usa seu talento (surf) como pré-requisito para o sucesso, mas confia na sua capacidade estratégica para se superar e superar os seus adversários a 200% - só isso lhe garante a possibilidade de ganhar a jovens extraordinariamente dotados, com metade da sua idade.
A performance de excelência que reflecte a imagem de marca deste atleta, curiosamente, mais não é do que um fortíssimo compromisso com a modalidade que abraçou, que se tem traduzido, ao longo dos anos, numa procura de expertise em áreas tão distintas como o funcionamento do seu corpo e mente, o domínio sobre as condições climatéricas e de mar e, muito provavelmente, até num "profiling" que já possui dos seus adversários...
Enfim, numa busca incessante (e infindável) de mestria sob todas as variáveis que possam estar associadas ao Sucesso...
Este sim, será o verdadeiro "campeonato" em que os nossos atletas terão que competir: o do compromisso com uma busca incessante de excelência."

Alvorada... com Manteigas

Benfiquismo (DCXXIII)

Vamos a eles...

105x68.... Selecção, Taça...

O problema do futebol português

"Muitos leitores terão visto imagens da lesão do jogador de voleibol do Benfica. Durante o derby, Ary Neto deslocou o ombro, estando a sua carreira em risco. De imediato, a equipa médica do Sporting prestou auxílio e enquanto o brasileiro abandonava o pavilhão, os adeptos do Sporting ovacionaram-no. Sucederam-se trocas de agradecimento nas contas oficiais de twitter dos dois clubes. Um ambiente que contrasta de forma radical com o que se passa no futebol.
Não por acaso, o presidente da Federação tem alertado para a degradação do clima em redor do futebol e para a "apologia do ódio" que se instalou para "esconder insucessos", e que tem nos ataques sistemáticos às arbitragens o seu triste corolário. Faz sentido a preocupação de Fernando Gomes: se este ambiente ainda não contaminou o sucesso das selecções, o risco de tal acontecer é real.
Por que razão este clima de urbanidade que se vislumbrou, por momentos, numa partida de voleibol se encontra tão distante do dia-a-dia do futebol português?
Não sou adepto de um futebol higienizado. Pelo contrário, o sucesso do futebol explica-se por se tratar de um último reduto de irracionalidade, que precisa da dose justa de paixões exacerbadas. Há, contudo, limites e em Portugal estes têm sido ultrapassados demasiadas vezes.
Existem explicações para a degradação do ambiente em torno do futebol e muitas delas estão no espaço mediático.
Com o surgimento dos canais de cabo o ritmo noticioso intensificou-se e o espaço para análise aumentou. Ora não foi preciso muito tempo para os vários canais perceberem que não há minuto de televisão tão barato e que dê tanta audiência como pôr uns quantos adeptos a falar de futebol. Sei do que falo, pois eu próprio participo num desses programas, onde, justiça seja feita, mantemos uma bonomia relativamente incomum.
O problema é que nos programas de futebol fala-se, num tom exaltado e intragável, de tudo menos de futebol: 95% do tempo é consumido em discussões infindáveis em torno de erros das arbitragens – que cresceram exponencialmente com a qualidade das realizações que tornam possíveis repetições de todos os ângulos – e por comentários aos devaneios dos directores de comunicação dos clubes.
A degradação do clima mediático tem na falta de acesso aos protagonistas do jogo outro dos problemas. É difícil encontrar uma entrevista a um treinador ou jogador onde estes falem de futebol. Os clubes não deixam os atletas e responsáveis técnicos falarem ou, quando deixam, estes não têm nada para dizer. Também a discussão sobre futebol tem horror ao vazio e há excesso de tempo de comentário e falta de assunto para comentar.
Claro que nem tudo é explicável pela dinâmica comunicacional. Pode bem dar-se o caso de o essencial da degradação do ambiente resultar da senda vitoriosa de um clube, num contexto de constrangimentos financeiros. Se o Benfica não vencer este ano, vão ver como vai melhorar o ambiente do futebol português."

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Carne para canhão a em dos escudos nacionais

"O belga Fellaini lesionou-se e pode parar algumas semanas – é notícia dos jornais. Notícia muito desagradável para o jogador, para o clube e, naturalmente, para o seu treinador. É um caso, mas infelizmente não é único e levanta muitas questões.
A primeira é por que razão os jogadores não têm problemas nos clubes e nas selecções se lesionam uns quantos? A segunda é saber por que – como neste caso – há seleccionadores que, com as equipas qualificadas, não apostam nos menos utilizados nos clubes e insistem em ‘castigar’ os mais desgastados?
A razão principal para as lesões tem a ver com o treino. Nas selecções não são respeitados os devidos tempos de recuperação para que o jogador fique nas melhores condições. Ora, é impensável separar o processo de treino das selecções com o dos clubes. É impensável não se ter em consideração os tempos de paragem forçada, como com Fellaini, que por ter problemas físicos não jogou na Rússia para a Champions. Mas como voltou para a Premier… vá de atirá-lo lá para dentro num jogo a feijões.
Com a devida vénia às excepções – que as há! – a verdade é que várias selecções agem como se fossem ‘donas’ dos jogadores e desrespeitam os clubes, que é quem lhes paga. O pensamento é: se voltar ao clube lesionado, o problema não é meu. Importante é regressar depois bem.
Não é de admirar, por conseguinte, que cada vez mais haja jogadores ‘espertos’ – os que usam estratégias para não jogar – e haja menos ‘patriotas’ – os que continuam a ser carne para canhão. A bem dos escudos nacionais, pois claro!"

Alvorada... de Guerra!!!

Os príncipes vermelhos da elegância

"A vitória pode ser, como dizia Mário Filho, uma doença que só a derrota cura. Mas, acreditem, por cima das derrotas e até por sobre as vitórias haverá sempre a forma inconfundível como cada homem aceita os ditames do Destino.

Mário Filho foi um dos maiores jornalistas da história do Brasil. O seu nome baptizou o Maracanã: Estádio Mário Filho.
Escreveu uma vez: 'A vitória é uma doença que só a derrota cura!'.
Tinha tanta razão.
A vitória é viciante, leva-nos ao topo do mundo, à visão idílica de que um deus qualquer, por mais pequeno e anónimo que seja, mandou que um anjo da fortuna pousasse no nosso ombro para não mais levantar voo.
Ah! Mas se Mário Filho tinha razão, e como a tinha!, se a vitória é mesmo uma doença que só a derrota cura, a derrota também pode ser uma doença que só a vitória cura.
Porque a derrota deprime, diminui, faz-nos ver os erros e os defeitos aumentados por uma lupa maligna que esconde as virtudes e as bondades.
Ser jornalista obriga a deixar de lado a paixão no momento de tentar perceber os acontecimentos, analisa-los pelo prisma de uma segurança que pode ser efémera mas nunca deve ser esquecida.
Tive a sorte de aprender com os grandes mestres do jornalismo em Portugal: Vítor Santos, Carlos Pinhão, Carlos Miranda, Alfredo Farinha, Aurélio Márcio. Estes foram os maiores de todos, e orgulho-me de ter trabalhado com eles na mesma antiga redacção da Travessa da Queimada, ali no Bairro Alto, e tentar perceber o seu rumo, os seus propósitos, a forma como se entregavam aos momentos parar tirar deles o que verdadeiramente importa para os leitores, porque é disso que trata o jornalismo, afinal!
Alfredo Farinha escreveu certa vez esta prosa magnífica: 'Quando comecei a escrever em jornais, o meu propósito, a minha ambição, o meu sonho, era ser jornalista da Grande Imprensa. Ir à procura da vida no meio da vida, ir ao encontro dos acontecimentos onde eles acontecessem, conhecer os problemas dos homens, devassar o segredo das coisas desconhecidas, saber as razões dos êxitos e dos fracassos da grande sociedade, ouvir os políticos falarem da política, os economistas de economia, os artistas de arte, descrever os contrastes entre os dramas da fome e os esplendores da opulência, contar as histórias verídicas da paz e da guerra - e analisar, comentar, criticar tudo o que visse e ouvisse, com lealdade, com verdade, com o desejo de esclarecer e de ser útil'.
Nunca li, em qualquer outro lado, uma tão bela declaração de amor a uma profissão que merecia não ter sido abastardada vilipendiada por dentro, suicidária.

A elegância
A elegância da prosa: eis algo a que dou valor.
O Carlos Pinhão dizia: 'O Benfica não ganha! O Benfica nunca ganha! O Benfica vence!'
E a gente entendia que 'caganha' era a pior das cacofonias.
O Benfica vence, portanto.
E também perde.
Vitórias e derrotas, doentias ou não fazem parte da vida dos grandes clubes, daqueles que vêm lá no fundo das brumas da memória.
O Benfica tem derrotas dolorisíssimas: cinco finais perdidas da Taça dos Campeões, por exemplo. Três finais perdidas da Taça UEFA/Liga Europa.
Tivesse, nessas noites que deveriam ter sido mágicas para os encarnados, a vitória substituído as derrotas, e o Museu Benfica - Cosme Damião teria quase tantas taças europeias como o do Real Madrid.
Mas a vitória pode depender muito da vontade de quem luta por ela, mas depende também do adversário, das contingências, até mesmo do humor desse anjo da fortuna que por vezes pousa no ombro daqueles que são abençoados por um qualquer deus menor.
Só que, acima da derrota - e mesmo por sobre a vitória -, há a elegância.
Elegância será, para sempre, a figura maior do Benfica, e o Benfica teve de aprender a vencer sem Eusébio como tinha sabido vencer sem ele a Taça Latina ou a primeira Taça dos Campeões.
Eusébio tinha com ele a elegância dos príncipes vermelhos.
E, como ele, Coluna e José Águas, Simões e José Augusto, Torres (que não venceu nenhuma Taça dos Campeões), Francisco Ferreira e Rogério Lantres de Carvalho. E depois ou outros, de Humberto Coelho e Chalana, de Nené a Shéu e mais e mais e mais.
Todos eles viveram o entusiasmo de vitórias inesquecíveis e a tristeza, profunda como o mar, de derrotas inesperadas.
Mas, para todo o sempre, haverá a verdade da elegância.
Acreditem: a grandeza dos homens está na elegância com que aceitam os ditames do Destino.
Mesmo que, no dia seguinte, pela manhã, se levantem como Hércules dispostos a mudar esse Destino."

Afonso de Melo, in O Benfica

"Nada contra o Ajax da Holanda! Mas gosto mais do Ajax de cá!"

"Semelhanças entre um clube de futebol e um detergente? Sim! SL Benfica e AFC Ajax tem no seu acervo taças que são prova disso.

O que é que a Holanda tem no futebol que Portugal tem em detergente? Isso mesmo, o Ajax! Nos dias 12 e 19 de Fevereiro de 1969, SL Benfica e AFC Ajax encontraram-se para disputar os quartos de final da Taça dos Clubes Campeões Europeus e a marca de detergentes não perdeu a oportunidade. A coincidência entre o seu nome e o do clube holandês revelou-se uma excelente ocasião para promover a sua autodenominada acção imbatível na lavagem da roupa, e não só.
O anúncio surgiu pela primeira vez no jornal A Bola dias antes do jogo da 1.ª mão e, em letras garrafais, informava: 'O Ajax «torce» pelo Benfica mas dá 2 Taças!'. Eram elas a Taça 'Cavaleiro Branco', popular personagem do seu anúncio televisivo, e a Taça 'O Mais Poderoso', slogan da marca. A primeira deveria ser entregue ao clube que marcasse mais golos no somatório dos dois encontros, e a segunda àquele que ficasse em segundo lugar no marcador. A dar a cara à campanha surgia Costa Pereira que, com uma Taça em cada mão, afirmava: 'Não tenho nada contra o Ajax da Holanda! Mas gosto mais do Ajax de cá!'.
Na 1.ª mão, no Estádio Olímpico de Amesterdão, os portugueses venceram por 3-1. Na 2.ª mão, no Estádio da Luz, como referiu o jornal O Benfica, o encontro 'foi uma autêntica chapa fotográfica em negativo (...) do jogo de Amesterdão, sob todos os aspectos, desde o rigor exacto dos números à paradoxal exibição das duas equipas'. Ao terminar com o resultado de 3-1 a favor dos visitantes, a decisão da eliminatória foi adiada para um terceiro jogo, que viria a realizar-se em Paris a 5 de Março.
O que não foi adiado foi a entrega das taças 'oferta do Super Detergente Ajax', até porque o Ajax de cá pensou em tudo e, em caso de empate, dizia o anúncio, 'a Taça «Cavaleiro Branco» será entregue ao que sofrer menos cantos e a Taça «O Mais Poderoso» ao que sofrer mais cantos'. No final do jogo, 'na impossibilidade de competência de Costa Pereira', foi o campeão europeu Mário João que desceu ao relvado da Luz para entregar as taças aos capitães de ambas as equipas. A Coluna coube a 'Cavaleiro Branco' e a Bals a 'O Mais Poderoso'.
A Taça 'Cavaleiro Branco' é um dos muitos objectos que constituem o acervo do Sport Lisboa e Benfica que, não integrando a exposição permanente do Museu Benfica - Cosme Damião, se encontram em reserva no Departamento de Reserva, Conservação e Restauro."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Benfiquismo (DCXXII)

Stromberg, Anfield Road

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Douglas na BTV...

As Regras dos Jogos... FIFA &...

Razão ou resultados?

"A coisa mais espectacular sobre o futuro é que podemos sempre escolher o que fazer com ele. Existe uma grande diferença entre viver a vida que queremos e viver a vida que os outros desenham para nós. Perceber o que faz a diferença entre uma coisa e outra nem sempre é fácil, mas é comum chegar ao final da carreira e sentir que tivemos a carreira possível. Os atletas que buscam a máxima performance sabem que não só têm o poder de influenciar o contexto à sua volta como de definir que tipo de carreira querem ter e que objectivos esperam alcançar. Por isso chegam muitas vezes mais longe e fazem carreiras extraordinárias.
A atitude de um jogador define os seus resultados. Existem dois tipos de atitudes bem diferentes que separam aqueles que chegam a construir uma carreira brilhante dos que ficam pelo caminho. Por norma, aqueles jogadores que não conseguem alcançar resultados, aos quais as coisas não acontecem, possuem sempre uma boa justificação. Ou seja, há "razões" para a minha falta de sucesso, há motivos que me levam a não estar no máximo das minhas potencialidades – focam-se nos problemas. Também têm um culpado para tudo aquilo que não acontece nas suas vidas – e claro, esse culpado nunca é o próprio. O que significa que existe alguém que lhes está a "fazer a vida negra". Ora, se existem justificações que suportam a minha falta de performance, bem como alguém que é responsável por eu não estar a alcançar os meus resultados, então não existe muito que possa fazer. Torno-me vítima da situação, deixo o meu futuro está nas mãos de outros. Não controlo a minha vida e entro em negação.
Outros pensam de forma diferente e obedecem a três princípios. Têm uma grande clareza quanto à sua responsabilidade, sabem que o que lhes acontece é da sua responsabilidade, há sempre algo que poderiam ter feito diferente e, no limite, cada resultado tem origem numa decisão sua. Também sabem que no final da carreira vão coleccionar resultados, bons e maus, e que estes resultados lhes pertencem – têm uma grande clareza também no que respeita à propriedade dos resultados: são seus e de mais ninguém. Por fim, têm uma grande noção de que estão a ser pagos para desempenhar uma determinada função. É o princípio da prestação de contas, independentemente dos resultados, o rigor, a entrega e o profissionalismo nunca poderão estar em causa.
Existe uma pergunta cuja resposta determina a qualidade das tuas acções: queres ter razão ou queres ter resultados?"

Benfiquismo (DCXXI)

Viena...

Muito bom...

Benfica 106 - 82 Guimarães
27-18, 24-16, 36-31, 19-17

Sem o Carlos Morais e sem o José Silva, o Benfica não perdoa!!! Depois da Supertaça, mais um jogo acima da centena, e logo contra uma das equipas mais reforçadas, que na pré-época nos deu muitos problemas...!!!
As diferenças são evidentes, o Benfica está a jogar bem, com uma fluidez ofensiva que à muito não existia na Luz!!! O melhor indicador são as 27 Assistências...!!!

Nesta 1.ª jornada a grande surpresa foi a derrota dos Corruptos em casa com o Illiabum. Arrisco especular que a época regular, com o Benfica a jogar a este nível, será relativamente fácil... Será muito importante manter os níveis de ambição na Europa elevados, e ao mesmo tempo não 'facilitar' demasiado nas competições internas!!!

Lesões atrás de lesões !!!

Sporting 3 - 1 Benfica
25-23, 17-25, 30-28, 25-18

Pior que a derrota de hoje, foram as lesões: o Zelão e o Ary que saiu de maca, com uma lesão que pode 'acabar' com esta época ou mesmo a carreira!!!
Isto quando tínhamos o Vinhedo e o Honoré a regressar após lesão!!! O André Lopes a jogar condicionado!!! E com o Dusan e o Mrdak na bancada...!!!

O início de época não está a ser bom, mas no Voleibol o mais importante é o final da época, com estas lesões todas, é obrigatório ir novamente ao 'mercado', temos dois Zonas 4 de fora... e temos o 'problema' Gradinorov (um dos melhores atacantes, mas mal na defesa...)!!! Pessoalmente, aproveitava este 'problema' para meter o búlgaro a rodar com o Gaspar a Oposto, e ia buscar Zonas 4...!!!

O jogo foi bastante equilibrado nos três primeiros Set's (novamente, com algumas decisões da arbitragem verdadeiramente incríveis...), mas com a sucessão de lesões, o Benfica acabou por ceder no 4.º Set...