Últimas indefectivações

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

E a liberdade soprava do lado direito

"O Zé Augusto é um bom amigo. Tenho por ele o respeito profundo que se deve não simplesmente aos mais velhos mas, sobretudo, àqueles mais velhos que fazem o favor de nos ensinar. Muitas vezes o encontro, quase sempre no Estádio da Luz, e a conversa dele faz bem.

José Augusto Pinto de Almeida foi um jogador enorme. Um dos poucos portugueses que se podem gabar de ter ganho duas Taças dos Campeões consecutivas. Mas, como futebolista, está para além dos prémios, dos troféus, dos títulos: havia o estilo e uma certa liberdade que soprava lá do lado direito.
Nos anos 60, toda a gente que escrevia nos maiores jornais desportivos da Europa inventava comparações entre os jogadores do Santos e os do Benfica. Eusébio não gostava, ia aos azeites. Quantas vezes o ouvi dizer: «Não sei porque me chamam o Pelé da Europa. Respeito muito o Pelé mas eu sou Eusébio. Por que não lhe chama Eusébio da América do Sul?» Era isto que eu queria dizer. Gabriel Hanot foi um dos nomes ímpares do jornalismo. Jogou futebol, foi seleccionador francês, foi director do L'Equipe e foi o mentor da Taça dos Campeões Europeus, ainda sem UEFA que não era precisa para nada, sobretudo quando existia coração e empreendedorismo.
Gabriel Hanot merecia só por si uma crónica: fica para outro dia.
«Sacré Benfica!!!», exclamou uma vez nas páginas do seu jornal. «Eis o que é um verdadeiro clube de Taça dos Campeões»: estava em Praga e vira os encarnados eliminar o Dukla do imenso Masopust. Foi ele que também não escapou à maldita mania das comparações: «José Augusto é o melhor extremo-direito da Europa. É o Garrincha português». De acordo: o Zé foi o melhor extremo-direito da Europa. Pelo contrário: não tinha nada de Garrincha.
Mané Garrincha era o futebol entortado, desconcertado, inadmissível. Uma vez, Nelson Rodrigues disse ele: «Isso aí não existe!»
Podia muito bem ser um fantasma: passava por entre os adversários. Atravessava-os.
José Augusto bailava sobre um traço de cal. Era a direito, súbito, intolerante. Não perdoava um defesa que chegasse um segundo atrasado: era golo.
Uma sombra como Peter Pan
Havia no seu futebol uma certeza em vez de uma incerteza. Lá está o que disse há pouco: uma liberdade. Uma liberdade que se soltava pelo lado direito e que ia ao encontro de Águas, de Eusébio, de Torres. A liberdade do vento, talvez. Não exagero se disser que o seu futebol era soprado: em rajadas. De repente estava e já não estava. Percebem? Não era um fantasma como Garrincha, eram uma sombra descosida como a de Peter Pan. A extrema-direita era sua mas não completava: sentia uma necessidade súbita de aparecer na área, a cabecear para o golo, ele era bom a cabecear para golos.
Ainda hoje olho para o Zé e percebo que ele só poderia ter sido um extremo. Dir-me-ão que também foi avançado-centro. Muito bem. Eu sei. Mas também sou eu que escrevo estas linhas desta sua página e arrogo-me ao direito de certas teimosias próprias de quem está à frente de um teclado. É como extremo-direito que o vejo, que o recordo. Às vezes leve como uma pena empurrada pela brisa; outras vezes correndo como um comboio sobre a linha branca de cal como se fossem carris.
Que me desculpe Hanot, lá na sua merecida eternidade, mas José Augusto não era Garrincha, nunca foi Garrincha. Garrincha, o rapazinho de Pau Grande que tinha nome de passarinho, era um apaixonado do drible: driblava por prazer, se fosse preciso saía de um drible e voltava atrás para fintar outra vez o infeliz. José Augusto usava o drible como um propósito, como uma necessidade: não era um divertimento, era uma construção, uma inevitabilidade. Depois vinha a consequência: para Garrincha, a consequência era mais um drible, se possível mais outro e outro; para José Augusto a consequência era o golo.
Gosto de escrever sobre amigos e sobre aqueles que foram a excelência do futebol. Por isso agradeço ao Zé: pelas duas coisas. Um dia gostaria de escrever um livro sobre ele. Embora saiba que jamais as curvas da prosa possam sequer atingir o brilho de tal liberdade que soprava do lado direito..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Comemoração em alto-mar

"Em dia de conquista do 10.º título de campeão nacional 'tudo foi euforia, tudo foi festa sem limites, a bordo do «Timor»'.

Pelo oceano Atlântico, no dia 14 de Maio de 1960, centenas de benfiquistas rumaram a norte para assistir ao Leixões-Benfica. Até o presidente, Maurício Vieira de Brito, apanhou boleia do paquete Timor para assistir à penúltima jornada do Campeonato Nacional, que teria lugar no dia seguinte. Vencer ou empatar significaria a conquista do título. Perder representaria 'o adiamento, por mais uma semana da resolução do assunto'.
Os adeptos 'encarnados' não quiseram deixar de apoiar de perto a equipa e acolheram, de imediato, a ideia de rumar a norte no transatlântico da Companhia Nacional de Navegação. Já habituados a utilizar o avião, o comboio e o automóvel, não quiseram perder a oportunidade de inovar. Era 'um acontecimento sem precedentes'!
A lotação do Timor esgotou por completo e, além dos '416 «navegadores»', foram muitas as centenas de benfiquistas que chegaram a Matosinhos pelos meios de transporte mais tradicionais nestas ocasiões.
No campo de Santana, que 'esgotou a lotação e bateu todos os «records» de receita', a vitória foi 'encarnada'. O Benfica conquistava o seu 10.º Campeonato Nacional, o primeiro na presidência de Maurício Vieira de Brito.
A festa do título começou ainda no campo do adversário e, no porto de Leixões, 'atingiu raias de verdadeira apoteose'. E se na viagem de ida, apesar dos enjoos, 'se viveram, a bordo, momentos de extraordinário entusiasmo e fervor clubista', a de retorno prometia 'festa sem limites', E assim foi.
'Houve de tudo a bordo'. 'A vibração chegou a pontos quase inenarráveis'. Alguns passageiros 'estreantes em tais andanças', voltaram a acusar 'os efeitos do enjoo', mas nem isso impediu o regozijo a bordo. E a festa fez-se viagem fora, 'até ao romper do dia'. 'Poucos foram os que se deitaram durante a viagem de regresso'. Como se vê na fotografia de Roland Oliveira, nem o presidente resistiu a um pezinho de dança.
Eram oito da manhã de dia 16 quando o paquete atracou em Lisboa. 'A maior parte dos benfiquistas seguiu directamente para o trabalho, (...) fatigados, sem dormir, mas radiantes porque ganhou o Benfica!...'.
Pode ver esta e outras fotografias na exposição Roland Oliveira, em exibição na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Cota na Taça...

Benfiquismo (CCXCIV)

Pairando...!!!

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

UEFA: queda iminente

"Semana europeia e de importantes decisões para os quatro clubes portugueses em competição, dando-se a feliz particularidade de todos eles entrarem na penúltima jornada (5.ª) de fase de grupos com legítimas ambições de continuarem em prova: Benfica, FC Porto e Sporting na Liga dos Campeões e SC Braga na Liga Europa.
Na Champions, cabe ao Sporting a empreitada mais complexa, não só pelo peso do Real Madrid, nada menos do que o campeão em título, mas ainda por causa da desvantagem pontual no grupo que o obriga a ganhar, grau de exigência que não se coloca ao FC Porto, também amanhã, na Dinamarca, diante do Copenhaga, em que um empate, embora escondendo perigos, mantém aberta a porta do apuramento. Idêntica situação se depara ao Benfica no dia seguinte, em Istambul, quando defrontar o Besiktas.
Certo, certo é que, caso vençam os três, o leão tem de esperar pelas contas das sexta jornada, enquanto dragão e águia saltam logo para os oitavos de final.
Na quinta-feira, e na Liga Europa, convém ao SC Braga ir ao campo do Gent somar três pontos ou arrisca-se a sair de cena, porque na última ronda recebe o Shakhtar de Paulo Fonseca, se superior nível futebolístico.
Por outro lado, é bom recordar que começamos a corrente época no quinto lugar do ranking da UEFA e já conseguimos baixar para o sétimo, enquanto França (5.º) e Rússia (6.º) subiram, consequência directa dos resultados: piores os nossos, melhores os deles. Saibam, pois, os senhores treinadores que, a manter-se este cenário, as seis vaga lusas na UEFA, três na Champions (duas na fase de grupos e uma no play-off) e três na Liga Europa (uma na fase de grupos e duas na 3.ª pré-eliminatória), em 2018/2019 serão reduzidos a suas na Champions (uma na fase de grupos e outra na 3.ª pré-eliminatória) e três na Liga Europa (uma na fase de grupos e duas na 3.ª pré-eliminatória). O tombo é grande e devolve-nos ao patamar de baixo, que se calhar é o nosso..."

Fernando Guerra, in A Bola

PS: Sim, o problema do ranking da UEFA é real! Mas, neste momento, as probabilidades de mantermos as 3 equipas na Champions é elevado!!!
Explico: a Rússia, corre o risco de ficar só com 1 equipa na Europa em Fevereiro: o Rostov tem tudo para ficar em 4.º no Grupo D da Champions; o CSKA vai ficar em 4.º no Grupo E da Champions; na Liga Europa o Zenit vai passar, mas o Krasnador ainda vai ter que lutar pelo 2.º lugar...
Comparando com Portugal, que tem a possibilidade de ter 2 equipas na Champions em Fevereiro e 1 na Liga Europa (não acredito no Braga) e que no pior dos cenários terá 3 equipas na Liga Europa...
Resumindo, temos tudo para recuperar os 0.883 pontos de desvantagem... isto traduzido para os pontos normais (2 p. pela vitória; 1 p. pelo empate), obriga Portugal a fazer mais 5 pontos do que a Rússia... basta uma das equipas qualificar-se para os Oitavos da Champions, e com os pontos bónus, ultrapassamos a Rússia!

Benfiquismo (CCXCIII)

Sai da frente...

Vitória... mesmo com 'tiro ao boneco'!!!

Benfica 4 - 0 Burinhosa

Bom jogo do Benfica, onde falhámos muitos golos, mas onde o Bebé foi praticamente um espectador!!!
O 2-0 até chegou relativamente cedo, mas depois entre a nossa ineficácia, e as já habituais defesas impossíveis do guarda-redes da Burinhosa, o resultado não queria mudar... até que a equipa de Alcobaça decidiu arriscar o 5x4... e o Patias aproveitou!!!

Voltei a gostar muito dos minutos do Mário Freitas... sendo que o Chaguinha está de volta à grande forma!
O Elisandro continua lesionado... e o Ré cumpriu o último jogo de castigo!

Uma nota: a Burinhosa com a mudança de treinador, não ficou a ganhar!

A Bola noticiou hoje a contratação do André Coelho (Braga) pelo Benfica. Ainda não existe confirmação, nem se sabe se é para já... ou se é para a próxima época. Independentemente das dúvidas, a confirmar-se, será uma excelente notícia...

PS: A nossa equipa feminina continua a fazer uma excelente época, hoje vencemos o derby por 2-0, com mais uma excelente exibição... e com muita azia do outro lado!!!

domingo, 20 de novembro de 2016

Um monólogo futebolístico

"Mesmo a ganhar 3-0 e vindo aí a Champions, o Benfica continuou a derramar prazer

Jogo muito sério até ao fim
1. Assistiu-se a um jogo muito sério do Benfica, até ao fim. E vinco este ponto porque, mesmo sabendo que tem um jogo importante na próxima semana, na Turquia, para a Liga dos Campeões, e mesmo estando a vencer, e mesmo estando a vencer por 3-0 ao intervalo, o Benfica continuou a jogar da mesma forma, derramando prazer no campo e acabando por tornar fácil um jogo no qual, a priori, poderia ter algumas dificuldades. Ora as dificuldades foram nulas.

Autêntico compressor
2. O Benfica teve a felicidade de fazer o primeiro golo ao minuto e meio e isso foi o acender de uma fogueira que queimou completamente o Marítimo. Os encarnados foram melhores em tudo. Digamos que o Benfica foi um verdadeiro compressor, de tal forma que conseguiu fazer um monólogo futebolístico. Só uma equipa é que falou e não cansou vê-la até ao fim. A equipa de Rui Vitória mandou sempre, e acima de tudo mandou da forma que quis mandar. Esteve bem em todos os aspectos, a amplitude geométrica da equipa foi total, jogando na direita, no centro e na esquerda, e terminando com quase 70 por cento da posse de bola. O Marítimo na primeira parte chutou uma vez à baliza e no final do jogo tinha talvez três remates. O Benfica transformou as dificuldades em constantes facilidades, com circulação de bola rápida e eficiente. Funcionou estruturalmente como uma verdadeira equipa, com exibições individuais que pareciam apenas somar à qualidade colectiva. E é por isso que deste vez, em vez do esquema táctico habitual, coloco apenas uma frase: o valor do colectivo. Foi um jogo que o Benfica tornou simples e belo, porque tudo o que é simples é belo.

Guedes foi enorme
3. Nos jogos colectivos, o importante é sempre o valor que a equipa alcança, mas ainda assim, dentro desses parâmetros há sempre quem se destaque, E o Gonçalo Guedes destaca-se neste jogo de uma forma enorme pelo que jogou, pela alegria com que jogou, pela intensidade que colocou nessa alegria, pelos golos que ofereceu e pelo golo que marcou."

Manuel Cajuda, in A Bola

AF Porto, como resolver a quadratura do círculo?

"O caso que opõe doze clubes da Divisão de Elite da AF Porto (AFP) ao Canelas chegou a um nó difícil de desatar. Do ponto de vista estritamente legal, os órgãos jurisdicionais da maior associação do País, que deliberam mediante o relatórios que lhes chegam, não têm muita margem de manobra. Porque os árbitros e os jogadores alegadamente coagidos não querem ser associados a queixas contra o clube de Gaia. Do ponto de vista da decisão executiva, a direcção liderada por Lourenço Pinto propôs, para que fosse retomada a normalidade da competição, aquilo que podem ser consideradas medidas sólidas e de bom senso, que não receberam, contudo, acolhimento por parte do «grupo dos doze». e que medidas são essas? Ter, em cada jogo em que intervenha o Canelas, um dirigente da AFP presente, bem como três delegados da Associação, que se encarregariam da verificação da normalidade dentro do campo e não só, no túnel e na zona dos balneários também; nomear especificamente para estes jogos um árbitro do Nacional, em princípio mais apetrechado do que os juízes de campo dos Distritais; triplicar o aparato policial no anfiteatro, ficando ainda disponível uma brigada do Corpo de Intervenção. A todas estas medidas providenciadas pela AFP acresceria ainda uma outra, da iniciativa da Câmara Municipal de Gaia, que se propunha encontrar meios para que todos os jogos fossem gravados em vídeo. Estas medidas, que até seriam suficientes para um jogo entre Israel e a Palestina, a disputar na faixa de Gaza, não terão sido, porém, consideradas suficientes pelo «grupo dos doze», que invoca a coação que é feita dentro do campo pelos jogadores do Canelas, e que não se vê do exterior, como factor impeditivo do normal andamento das partidas.
Como se vê, estamos perante um caso bicudo, que está a testar a capacidade e a imaginação da equipa de Lourenço Pinto. A AFP, a maior do País, com 30 mil atletas inscritos, 14 mil dirigentes envolvidos e mil árbitros em funções, que dão corpo a 35 competições distintas, debate-se com um problema de imagem provocado por este imbróglio, susceptível de desfocar atenções de todo o notável trabalho que tem realizado ao longo dos anos, nomeadamente no âmbito da formação.
E que poderá fazer Lourenço Pinto? usar a bomba atómica e suspender a competição (afectando 28 clubes)? Ou esperar que as medidas extraordinárias que estão sobre a mesa acabem por contentar o «grupo dos doze»? Entre a necessidade de preservar a Divisão de Elite e a obrigação de serem criadas condições de normalidade para a realização dos jogos que envolvem o Canelas, permanecendo fiel ao quadro legal vigente, está-se perante uma espécie de quadratura do círculo. O que fazer, então?
Será que alguém terá já pensado em marcar os jogos do Canelas para a mesma hora dos jogos do FC Porto?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Impossível? Difícil sim...

"Em Portugal, nunca estamos dispostos a elevar as expectativas com medo de colocar pressão nos atletas mas, contrariamente ao que vulgarmente se pensa, a pressão competitiva, o foco e a calma de construir um percurso etapa a etapa, são os ingredientes necessários para se conseguirem impossíveis. Qualquer atleta de alta competição, tem de saber lidar com a pressão e ambicionar o impossível para lutar por isso, senão fica quase sempre pelo rame rame de se contentar com pequenas melhorias que, no fim ao cabo, não o catapulta para a Elite.
Mas Frederico Morais conseguiu... lutou mano a mano e superiorizou-se ao campeão do mundo, John John Florence, na sua praia. Sem se deixar intimidar, não deu tréguas até ao último segundo, mostrando que, mesmo não sendo ainda um surfista da World Surf League, é feito da mesma massa: competência técnica, táctica exemplar, atitude vencedora e muita crença em doses infinitas. A classe que demonstrou em toda a prova revelou-se numa das finais desportivas mais emotivas a que assisti... os dois primeiros empatados em pontos! O êxtase destes 30 minutos sobressaíram quando Kikas utilizou, brilhantemente, no último minuto, a prioridade que tinha. Soube esperar e escolheu a onda certa para, sem arriscar, fazer o suficiente para conseguir os 7,34 que desempatavam a final. Com a praia em silêncio e os comentadores a acreditar que a vitória não fugia ao surfista português, eis que surge a nota 7,33 que o deixaram a 0,01 da vitória.
Nunca uma centésima teve tanto peso para fazer a diferença na quantificação do desempenho de um atleta. Correr um segundo mais rápido é fácil de compreender, mas o que significa uma centésima a mais um desempenho avaliado qualitativamente? Para a modalidade que agora está num caminho olímpico, necessariamente a globalizar-se, é recomendável uma reflexão sobre a exactidão dos critérios que tornam transparente, a quem assiste, a compreensão destas diferenças. Este enorme feito colocou o atleta português nos 10 primeiros lugares do ranking de qualificação que dá acesso à participação na World Surf League, mas não chega. Agora terá de manter os desempenhos de excelência para conseguir preservar a posição."

Tomaz Morais, in A Bola

PS: O regresso do 'Benfica' (com um nascido vermelho, porque o Jordy é um 'convertido'!!!) ao World Tour, está perto...
Assisti em directo, os critérios de avaliação nas competições de surf são sempre discutíveis, mas muito sinceramente, a vitória do John John foi justa... nada a dizer.

Cadomblé do Vata

"1. Uma vitória do SLB é a coisa mais linda do Mundo... uma vitória do SLB a dar recital de futebol é cante alentejano ao vivo numa galeria da Minas de Aljustrel.
2. Nesta eliminatória da Taça, em relação à última jornada do campeonato, os que deram "banho de bola" foram de boca e os que empataram "cheios de mija" golearam... é a diferença entre uma equipa grande que não menospreza os pequenos e uma equipa pequena que se moraliza quando defronta a grande.
3. A evolução de Nelson Semedo no espaço de 1 mês foi qualquer coisa de fascinante e confirmou que Maxi estava certo quando disse que o FCP o valorizava mais... lá valorizam-no como titular, cá já só ia ser valorizado como suplente.
4. Gonçalo Guedes só tem 19 anos,,, vou repetir isto, só para aqueles que não repararam no sorriso que faço quando digo isto "Gonçalo Guedes só tem 19 anos".
5. Raul Jimenez é o melhor marcador de grandes penalidades que me lembro de ver no SLB... é tão bom que se fosse para o Sporting era o principal candidato ao troféu de melhor marcador do campeonato."

Benfiquismo (CCXCII)

Recital à chuva...!!!

Vermelhão: Taça repleta de bom futebol...

Benfica 6 - 0 Marítimo


Um dos melhores jogos da época, com  um ataque dominador e demolidor... e com um pouquinho mais de eficácia na 1.ª parte, teríamos uma goleada épica!!! Isto contra uma equipa, que com a mudança de treinador, tem feito alguns bons jogos... vencendo por exemplo o Braga na última jornada!
Rui Vitória não arriscou, entrámos com o mesmo onze, do Dragay (a excepção foi mesmo o Júlio em vez do Ederson)...!!!! Com as selecções a paragem foi longa, alguns dos nossos internacionais acabaram por não jogar, se não tivessem jogado hoje, iriam chegar a Istambul com pouca 'rodagem'!!! O único perigo, eram mesmo as lesões... e o Marítimo, com a colaboração do apitadeiro, bem tentou...!!!
Temos vários jogadores em grande forma: Semedo, Pizzi, Guedes... Luisão... e até o Eliseu está a jogar bem!!! Gostei do regresso do Mitro aos golos... da entrada cheia de vontade do Jiménez e do Carrillo...
E claro, da estreia na Luz, do Rafa, após tantos meses!!!

Com um resultado destes, não se devia falar do arbitragem, mas o Xistra é demasiado mau... Critérios disciplinares inacreditáveis...!!!
Só uma nota, o Benfica vai jogar aos Barreiros para o Campeonato, ainda este mês. Que este resultado não deixe embalar as facilidades, porque tenho a certeza que o jogo no Funchal, antes do jogo com o Nápoles, será muito mais complicado...!!!

Depois do bom, o mau...!!!

Oliveirense 78 - 75 Benfica
18-23, 16-10, 21-16, 23-26

Foi pena, depois dos Corruptos terem perdido ao final da tarde em Guimarães, podiamos ter alargado a vantagem na Liga... mas tal como os outros, o 'desgaste' Europeu, começou a ter consequências.

Com mais rotação, os jogadores menos utilizados como o Nuno Oliveira, o Lonkovic, o Mário Fernandes... seriam suficientes para estes jogos, mas chegados aqui, sem ritmo e sem confiança, acaba-se por apostar tudo, nos do costume...

Numero ridículo de Turnovers 11/27... mesmo com a colaboração dos apitadeiros, não podemos perder tantas bolas...

sábado, 19 de novembro de 2016

Dezena...

Benfica 10 - 1 Valença

Bom jogo, a equipa parece estar a ganhar equilíbrio defensivo e principalmente 'inteligência'!!! É verdade que o adversário 'ajudou', mas nota-se algumas melhorias... não podemos atacar à maluca durante o jogo todo!!!

Na próxima semana, temos jogo Europeu, na Suíça, com o Diessbach... com muitos Benfiquistas nas bancadas seguramente!

Treino

Benfica 3 - 0 Madalena
25-14, 25-15, 25-14


O Madalena baixou o orçamento, e é o principal candidato à descida de divisão. Jogo tranquilo, demasiado tranquilo...!!!

Muito complicado...

Azoty-Pulawy 34 - 29 Benfica
(16-12)

Quando eliminámos estes Polacos na Challenge, fiquei com a clara impressão que tínhamos passado, porque os nossos adversários no primeiro jogo (também na Polónia), não nos tinham respeitado, pensaram que era favas contadas... e acabámos por ganhar o jogo (na segunda mão em Lisboa, acabámos mesmo por perder o jogo... mas deu para passar)!!!

Hoje, o factor surpresa, já não iria existir... E apesar de o actual plantel do Benfica ser superior (mesmo com a recente lesão do Tiago Pereira...), acabámos por sair derrotados...
A meio da segunda parte, a desvantagem foi mesmo assustadora, nos últimos minutos conseguimos reduzir (mesmo com aquele golo sofrido nos últimos segundos), e se em teoria 5 golos são recuperáveis... muito sinceramente não acredito!!!

Olhando para os outros embates nesta eliminatória, tenho que reconhecer que tivemos muito azar no sorteio: esta equipa é a actualmente a 3.ª equipa da Liga Polaca, sendo que o actual Campeão Europeu é uma equipa Polaca!!!! Teremos que ser perfeitos na Luz... e mesmo assim, será complicado!!!

O povo adora os artistas do caos

"O zé-povinho diz que odeia ver na TV as discussões alarves e que ama de paixão gente séria e bem-intencionada. Grave é acreditar nisso...

Está a tornar-se moda, no futebol, a discussão alarve. Para todos aqueles que são realmente alarves, a notícia é óptima. Para aqueles que têm dois planos de testa, a notícia não é boa, mas também não surpreende, porque vivemos num país em que a maior angústia é não se poder nivelar tudo por baixo. Os rendimentos, claro, mas também a inteligência das pessoas, coisa que apesar de muitos esforços e tentativas, a natureza faz questão de não deixar.
A discussão no e do futebol português está em saldo em qualquer banca cigana de uma televisão perto de si. São programas legítimos de entretenimento, verdadeiras produções de ficção nacional, com a vantagem dos actores saírem muito mais baratos.
Assim vista, a coisa nem sequer seria malévola. Na lamentável ausência de novo fôlego de gatos fedorentos, ou, pelo menos, de novo assomo de energia do Ricardo Araújo Pereira, o povo, que continua, como nunca, a precisar de pão e de circo, vai-se divertindo com as grotescas cenas dos túneis filmados em 'reality shows' com o ridículo dos 'bonecos' de supostos adeptos de clubes e com toda a sorte de arte de novos palhaços.
Também há excepções à regra, é verdade. Há gente 'limpinha, limpinha' a falar e a analisar o futebol, gente que tenta e até muito se esforça por respeitar o jogo e os seus intérpretes, que procura valorizar o espectáculo e o mundo do futebol, mas o problema é que mal se ouvem no meio do ruído ensurdecedor que os outros fazem.
Claro que o nosso inefável Zé Povinho diz que odeia os artistas do caos e ama de paixão a gente séria e bem intencionada que tenta puxar o futebol para cima. Desgraçadamente, são os primeiros que vêem e não os outros.
Esta estranha incongruência entre o que as pessoas fazem que gostam e o que as pessoas verdadeiramente consomem é o que faz abalar a credibilidade das sondagens e das estatísticas com base nos inquéritos de rua feitos a gente anónima. Há muitos anos que sei de experiência feita que muita dessa gente, ao ser questionada sobre consumo, sexo, cultura, jornais, televisão, o que quer que lhe seja perguntado, responde como acha que gostaria de ser e não como é, na realidade.
Recordo um tempo em que A Bola fez um inquérito nacional sobre o que as pessoas gostariam de ler no jornal e a grande maioria respondeu 'mais modalidades desportivas', que é coisa que, de facto, comprovadamente não desejavam ler.
Ora esta diferença entre o que as pessoas querem e o que as pessoas dizem que querem responde à dúvida que alguns mantêm por não saberem a razão pela qual tanta gente critica esses programas que os próprios consumidores consideram rascas e terem, afinal, esses programas altas ausências comprovadas. Muitas vezes encontramos pessoas que juram já não suportar ver esses programas de tanta guerra e tanto alarido no futebol e logo discorrerem, ao pormenor, sobre o que por lá se disse.
Será, pois, na realidade cultural média dos povos em países ditos desenvolvidos (poderíamos voltar ao fenómeno da eleição de Trump) que temos de encontrar a explicação para fenómenos de gosto popular pelo populismo de dirigentes, quer sejam eles candidatos à presidência de um país, quer sejam candidatos à presidência de um clube de futebol.
Ninguém consegue compreender verdadeiramente a razão das coisas limitando-se à crítica, por séria e persistente que seja, sem entender as verdadeiras causas. É preciso conhecê-las e compreendê-las sem preconceito e sem o receio de descobrirmos que os perigos que há uns anos pareciam tão longe de se concretizarem estão agora aqui tão perto.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

O melhor e o pior dos tempos

"O que seria de Marlene Dietrich sem o poder da sedução do seu cigarro? Que teria sido da musa alemã do cinema sem aqueles planos enfumarados? Que seria daquela eterna atitude de charme e sedução? Uma baforada de Dietrich na cara nunca seria, imagino, vista como ofensa e muito menos agressão. Nunca saberemos. Só podemos imaginar.
Discutir o fumo importa, claro que sim. Desde logo porque não o há sem fogo, como sabemos, mas também porque na rixa Carvalho-Pinto, os presidentes de Sporting e Arouca contribuíram para redimensionar a discussão, levando o futebol nacional para o debate dos estados físicos da matéria. O que, naquilo tudo, será sólido, líquido ou gasoso? Ou não será um sortilégio, uma mistura mágica de tudo, talvez Smoke on the Water, como viram os Deep Purple? Permito-me, em alternativa resumir a questão com o poema de Augusto Gil, porque encaixa na métrica:
«Batem leve, levemente
como quem chama por mim.
Será fumo? Será gente?
Gente não é certamente
e o cuspo não bate assim.»
E, já agora, mesmo em tempos de redes sociais, na vivência da terceira revolução industrial, estas questões que nos devolvem à importância da mera discussão do vapor, como as máquinas por ele movidas no século XIX, levam-nos também, se quisermos, à própria obra de Charles Dickens. (E porque não? Afinal se discutimos delirantemente tudo isto e todos os analistas têm levantado a mesma voz crítica da moral e bons costumes, talvez eu possa ser menos razoável. Quando tudo se mistura de modo enfermo, convém procurar para lá da fumaça, para lá dos sapatos engraxados como o brilho do cuspo). Começava assim Dickens em Conto de Duas Cidades, de forma ainda actual, aqueles tempos difíceis, dominados pelo vapor: «Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos»."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Antecâmara das irradiações

"Foi justamente castigado com dois meses de suspensão o presidente do Benfica por ter dito, a cores e ao vivo, a um dirigente da arbitragem nacional 'é uma vergonha, como é que nomeiam este tipo?' referindo-se à actuação, mais do que à nomeação, de um determinado árbitro, cujo nome não vem para o caso, no jogo entre o Benfica e Vitória de Setúbal a contar para a segunda jornada do campeonato nacional em curso.
O Benfica tinha acabado de empatar na Luz com a valorosa equipa sadina - sobre isso não há dúvidas - e Luís Filipe Vieira, porventura agastado com o facto de o golo dos visitantes de ter sido irregular, entendeu pedir satisfações ao responsável da arbitragem que estava mais à mão de semear. Fez mal o presidente do Benfica em dizer o que disse porque sendo presidente não é um adepto comum a quem, como postulou um famosíssimo filosofo cubano, tudo se admite porque o futebol é o ópio do povo.
Estes dois meses de suspensão, decretados em boa a rápida hora pelo Conselho de Disciplina da Federação de Futebol, vão impedir o presidente do Benfica de sentar-se no 'banco' (o que não é seu hábito), de interferir publicamente com opiniões sobre as ocorrências da bola (o que não é seu hábito) e de representar oficialmente o Benfica em cerimónias civis e religiosas (o que também não é seu hábito, graças a Deus).
Assim sendo, está visto que este merecido castigo ao presidente do Benfica - porque se trata de uma punição que nenhum benfiquista com dois dedos de testa se atreverá a contestar - não passa da iminente antecâmara das irradiações que o mesmo fulminante Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol se prepara para decretar em função dos gravíssimos desacatos públicos que responsáveis de agremiações como o popular Canelas, o popular Arouca e ainda bem menos populares e bem mais eminentes têm protagonizado em prol da verdade desportiva.
Dizem os jornais que o Benfica vai recorrer da decisão disciplinar que atingiu o seu presidente por ter dito, repita-se as vezes que forem necessárias até fazer jurisprudência, 'é uma vergonha, como é que nomeiam este tipo?'. Mas recorrer para quê? Respeitando todas as opiniões, é enorme erro do Benfica contestar a suspensão de Luís Filipe Vieira. São só dois meses, caramba, não é vergonha nenhuma! É apenas o mote para o que vem aí. Ou não é?"

Benfiquismo (CCXCI)

Hoje é dia de recordar... Jamor !!!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Futebol de sarjeta

"Pode ser que o regresso da competição tire o futebol da sarjeta onde alguns dos seus protagonistas insistem em colocá-lo. Não tenho qualquer visão moralista sobre os incidentes, nem sobre os actos ou ditos que a quente possam surgir, mas é verdadeiramente um escarro aquilo que se sucedeu de seguida.
As mentirolas pueris de alguns protagonistas sem noção do ridículo ou mesmo o papel de almocreve de petas a que alguns comentadores se prestam em troco de umas moedas são deploráveis. Quando comparado, os debates Clinton/Trump foram uma luta de donzelas e cavalheiros. Venha o futebol e a festa da Taça de Portugal para nos refrescar.
Espero que a recepção ao Marítimo não seja tubo de ensaio de muitas alquimias, a Taça é um objectivo e muitas alterações fariam perigar a sua conquista logo no início da prova. Devem jogar os melhores, os que estiverem em forma e aqueles que puderem mais facilmente ganhar um jogo que só tem um objectivo: vencer. Normalmente, quem roda muito na Taça, roda para fora da taça. O Benfica joga em Istambul na quarta-feira para a Liga dos Campeões mas, querendo sempre ganhar, o jogo não tem o carácter decisivo de sábado.
O espaço mediático inverte um pouco a realidade das coisas. O FC Porto vive nos últimos dez dias em depressão colectiva porque empatou com o Benfica, o Sporting está em euforia porque eliminou o Praiense. Temos que relativizar - nem o FC Porto é assim tão grande que entre em depressão por empatar connosco, nem o Sporting é assim tão pequeno como querem fazer crer os seus responsáveis. Como no Mito da Caverna de Platão, há revelações que expõem a alienação humana e desvirtuam a realidade. Pode não ser fumo como alguns querem fazer querer, mas são apenas sombras de personagens sombrias.
Amanhã, na Luz, é entrar para ganhar e marcar presença no próximo sorteio da Taça."

Sílvio Cervan, in A Bola

Derrota em Inglaterra

Sunderland 2 - 1 Benfica B
Heri


Depois da vitória no 1.º jogo, uma derrota na segunda visita a Inglaterra... com algumas alterações ao onze habitual... Esta mania de jogar sem ponta-de-lança, deixa-me confuso!!!!!!!

O que disse Klopp e ainda algo mais

"Jurgen Klopp, o alemão de 49 anos que treina o mítico Liverpool, teve recentemente uma intervenção, a propósito de uma noite de copos que envolveu Wayne Rooney, que merece atenção. Numa conferência de imprensa (e assim se prova que estas sessões não são sempre enfadonhas), o técnico germânico desvalorizou o pifo do capitão dos Três Leões, lembrando uma coisa que a maior parte das pessoas desvaloriza: «Esta geração é a mais profissional que alguma vez tivemos». Na verdade, antigamente as coisas fluíam de forma diferente - daí Klopp ter referido que «as lendas bebiam como diabos e fumavam como loucos» - por questões que têm a ver com uma censurabilidade social relativamente ao álcool e ao tabaco que nada tem a ver com os dias de hoje.
E não só. Embora correndo o risco próprio das generalizações, creio que os profissionais de futebol da actualidade levam de forma mais empenhada o seu trabalho, cuidam-se mais e possuem uma mentalidade mais compatível com as exigências. Antigamente (e joguei com muitos profissionais irrepreensíveis!) em muitas situações era a lógica do «ganha-se pouco mas é divertido» a estar presente.
Tenha-se em conta, porém, uma coisa: nas décadas de cinquenta a oitenta do século passado, quase toda a gente fumava (até durante debates em directos televisivos...) e não era atribuído ao consumo de álcool a carga negativa de hoje. E os jogadores alinhavam por este padrão. Era a esse facto, incontornável e indesmentível, mas que deve ser lido à luz da época, que Klopp se referia. Porque, com as condições naturais que Deus lhe deu, se Eusébio fosse profissional nos dia de hoje..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Túneis

"Lamentável mas infelizmente nada inédito o que se passou no túnel do Estádio de Alvalade.

Em Portugal, a malta realmente não se dá lá muito bem com os túneis. É uma relação quase sempre polémica, controversa, muito agitada e até acidentada. Foi assim com o túnel do Marquês, em Lisboa, lembram-se?, foi assim com o túnel do Marão, oh lá se foi... e é assim até com o túnel do Grilo, onde frequentemente a malta se envolve em incidentes. E é assim com os túneis do futebol. Túneis, na verdade, não é com a gente. Fazem-nos mal ao ego!
Por estes dias, um dos túneis do Estádio de Alvalade tornou-se fortíssimo concorrente das mais seguidas telenovelas portuguesas, e não sei mesmo se as audiências do espectáculo do túnel não foram as maiores da semana.
A polémica a que assistimos em torno da novela do túnel de Alvalade, perfeitamente comparável À dos túneis do Marquês e do Marão, por exemplo, ultrapassou, porém, a decência de uma mera discussão mais intensa, e mostrou um bocadinho aquele lado menos aceitável da natureza humana, que tem a ver com a agressividade física e intencional a que alguns, infelizmente, ainda se dedicam, quando, pelos vistos, não conseguem manter (pelas mais diversas razões) sensatas e civilizadas conversas.
Mesmo que fossem conversas da treta.
Não é aliás muito difícil reconhecer que é sempre preferível uma boa discussão a qualquer triste episódio como o que se viu no túnel de Alvalade.

Novelas nos túneis, caro leitor, é mesmo coisa que daria pano para mangas no que diz respeito ao futebol. A grande diferença não é o que lá se continua a passar; a grande diferença é que hoje vemos o que lá se passa. Durante décadas não foi assim.
E se hoje ainda se passa o que se passa nos túneis do futebol quando todos podemos vê-lo pelas imagens das abençoadas câmaras de vigilância, imagine-se o que se foi passando nos famigerados túneis no tempo em que ninguém podia ver o que se passava.

Genericamente, e ainda antes de se apurarem as exactas responsabilidades no sucedido - o que não será exactamente uma tarefa simples... - só há um maneira de olhar para o que se passou no túnel de Alvalade: com condenação e tristeza.
Primeiro, nenhum dos protagonistas ficaria nada bem no filme fosse em que circunstância fosse, e muito menos, está bom de ver, por se tratarem de quem se trata: dois presidentes do clubes desportivos.
Segundo, e pelo que é possível concluir das imagens, se é verdade que a iniciativa do conflito, e portanto o tom de maior agressividade, parece realmente ter partido do presidente do Arouca, não é menos verdade que a misteriosa resposta do presidente do Sporting não pode deixar de merecer também condenação. Além disso, e por muito que as versões oficiais o desmintam, aquilo teve todo o ar de... ajuste de contas!
Já sei que nem sempre o que parece, é. Mas é o que parece!
Ou não é?!

Foram quatro os momentos particularmente perturbantes do que foi possível ver nesta verdadeira telenovela em que se transformou o incidente do túnel de Alvalade:
- a forma, realmente, agressiva e condenável como o presidente do Arouca, já de dedo em riste e certamente empolgado no tom de voz... se dirige ao presidente do Sporting;
- o acto de de cuspir do presidente do Sporting para a cara do presidente do Arouca, tenha sido vapor de cigarro electrónico... ou vapor de cigarro electrónico com perdigotos... ou perdigotos sem vapor... ou seja o que tenha sido...;
- O modo muito inconveniente para não dizer mesmo inaceitável - como um solícito, e muito empenhado, assistente em funções no estádio agarra o presidente do Arouca, prendendo energicamente o homem, é o termo, provocando-lhe o aumento da fúria...;
- e, por fim, mas não menos perturbante, a inqualificável atitude de um dos delegados da Liga, que parecendo assistir ao deflagrar do conflito (como se observa pelas imagens divulgadas...) em vez de acudir, resolveu entrar e esconder-se numa sala à sua esquerda, supostamente a sala do controlo anti-doping, de onde, entretanto, acabou por sair outro delegado da Liga, esse sim, imediatamente decidido a intervir na zona do disparatado incidente.

Depois do túnel do Marquês, do Marão e até do Grilo, depois do túnel do velhinho Estádio das Antas e do mais recente túnel da Luz, é agora a vez do túnel de Alvalade marcar presença no mapa dos agitados túneis deste país. Lamentável, mas infelizmente, como se sabe, nada inédito o que lá se passou no final do Sporting-Arouca.
A malta, realmente, tem azar aos túneis. É o que é!"

João Bonzinho, in A Bola

Uma cena da vida real

"O problema não é que uma imagem valha por mil palavras; é que, em cada mil palavras, 999 sejam escusadas

Com ou sem cuspo, no futebol discute-se e insulta-se. De pouco adianta pormos cara de diáconos Remédios, no dia a seguir, para ralhar aos participantes (as televisões pareciam o Concílio Vaticano II ontem e anteontem), até por nenhum de nós estar livre de perder o juízo por um minuto ou dois.
Mas, se nem sempre é possível impedir que uma discussão comece, porque se está nervoso ou porque se tem "a doença do pavio curto", não há razão para que um adulto racional decida prolongar uma cena triste no dia seguinte ou dois dias depois. Nenhum grande bovino obrigou Bruno de Carvalho, já sentado ao balcão da sala de Imprensa, a comparar o presidente do Arouca a um búfalo ou a considerá-lo tão digno de atenção como um rebanho de ovelhas.
Jorge Jesus quase acertava quando disse que uma imagem vale por mil palavras. O problema de Bruno de Carvalho, enquanto presidente de um gigante como o Sporting, é que, em cada mil palavras que pronuncia, 999 são escusadas, não originam nada que seja necessário nem positivo. Não têm nenhuma utilidade que não seja satisfazer uma ânsia qualquer que só lhe diz respeito a ele. Estas últimas mil palavras tiveram a arte de produzir outras mil, ontem publicadas na página do Facebook do Arouca, ainda mais lastimáveis, numa espiral de inutilidades que já não se explicam com feitios, nem humores, nem ressacas, nem doenças do pavio curto.
A única vantagem destes últimos dois dias foi mostrar-nos que aquelas imagens não foram lapsos, nem momentos de descontrolo."

Uma luz, lá muito ao fundo...

"Sempre gostei de túneis. Fascina-me, desde criança, estar na escuridão com a certeza ed que lá ao fundo, mesmo que muito lá ao fundo, há sempre uma luzinha que brilha e nos trará de volta a realidade que, por instantes, nos surgira transformada num vazio, por vezes tão silencioso, muitas outras ruidoso.
Durante toda a minha infância na linha de Sintra, e porque lá em casa não havia automóveis, ir a Lisboa significava atravessar o túnel do Rossio. Assistir àquele espectáculo de luzes intermitentes, a humidade a escorregar das paredes envelhecidas, o perigo sempre constante (pelo menos na imaginação de uma criança) de que tudo aquilo que vivia por cima de estrutura poderia a qualquer instante ruir e esmagar-nos. Sempre com aquela luzinha lá no fundo, o Rossio.
Como nas longas viagens rumo a Trás-os-Montes, primeiro na linha do Norte, entre Santa Apolónia e Campanhã, madrugada fora, quando os túneis se diferenciam da noite pelo som único que produzem; e depois até ao início da tarde, entre São Bento e o Pocinho, ali já perto do final da magnífica linha do Douro, o rio mágico e serpenteante que corta montanhas e rochas. E que, de quando em vez, desaparecia do nosso olhar, substituído pela escuridão, para logo depois nos surgir, de novo, resplandecente.
São esses os túneis mágicos que, desde sempre, me fascinam. Os outros, os que nos últimos tempos ganharam notoriedade pelos piores motivos, onde perante câmaras de segurança se cometem crimes sem castigo, esses apenas enjoam. São lixo. Do mais reles e putrefacto. E, portanto, o lugar deles não pode ser no mais belo jogo do mundo nas antes na lixeira ou numa qualquer incineradora que os deixe feitos em pó. Castigue-se, pois, e sem clemência, quem tem de ser castigado. Para que, lá ao fundo, volte a ver-se, enfim, alguma luz."

João Pimpim, in A Bola

Perigeu

"1. Esta foi a semana do perigeu ou, como o povo prefere dizer, da Supertaça, enfim, aquele fenómeno que sucede quando o nosso satélite, devido à natureza elíptica da sua órbita, se situa no ponto mais próximo da Terra. Talvez seja por isso mesmo que não faltaram situações em que nos confrontámos com gente de cabeça enfiada nas estrelas, quer dizer, gente aluada.
2. Certamente que por mera coincidência, esta foi também a semana em que no desporto se conheceram mais representações de uma nova mania colectiva, nascida, crescida e multiplicada na e pela internet, isto é, de modo vital, para usar a nomenclatura cibernética. A coisa atende pelo nome de Manequim Challenge (basicamente, fotos tiradas como se toda a gente tivesse ficado paralisada) e já afectou igualmente a própria selecção nacional de futebol. A nossa e outras também. Que o digam os ingleses que, por causa de tal brincadeira, fizeram com que os três jornais mais lidos no país tenham convergido num único título: «Burros».
Entretanto, indiferentes àqueles breves instantes em que tudo parece congelado, ou petrificado em estátuas de sal, noutro distante canto do mundo, conhecido como Coreia do Sul, suspenderam-se aterragens e descolagens de aviões, estradas foram cortadas, camiões proibidos de circular, obras de construção interrompidas, lojas abriram mais tarde e pais encheram os templos rogando pelo sucesso dos filhos. Para quê tudo isto? Para que durante 30 minutos, e em 1183 locais disseminados por todo o País, o nível de ruído não interferisse com a atenção e concentração de 600 mil estudantes submetidos à prova de acesso à universidade. Jogava-se o futuro."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Ainda sobre o revisionismo...

"Quando Bruno de Carvalho empreendeu a sua demanda revisionista acerca dos títulos do futebol português, assisti perplexo à demissão da comunicação social do seu dever de informar e, também, da FPF em esclarecer o assunto. A contagem dos títulos do futebol português é clara e sem margem para interpretações. Disse-o a própria FPF, no seu relatório de actividade publicado no final da temporada em que procedeu à reformulação das competições: '(...) os Campeonatos das Ligas e de Portugal passaram a designar-se, respectivamente, Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal'.
Já por diversas vezes referi este assunto e devo enaltecer o empenho de Alberto Miguéns e Manuel Arons de Carvalho, ambos benfiquistas atentos e dedicados, que há muito combatem incansavelmente o desleixo e, sobretudo, a má-fé, no tratamento da história do desporto português. Passo a passo, os seus contributos são inestimáveis e merecem o nosso imenso apreço. Este tema é só mais um exemplo.
Entretanto, a imprensa 'acordou'. Uma palavra para o DN, que tímida, mas acertadamente, o primeiro levantou questões importantes sobre a validade das tais pretensões revisionistas, através do testemunho de dois historiadores do futebol português: Francisco Pinheiro e João Nuno Coelho. E, finalmente, para o jornal A Bola, que, num excelente artigo da autoria de António Simões, desmontou e desmentiu cabalmente a tese de Bruno de Carvalho. Falta a FPF pronunciar-se, como já o deveria ter feito há muito tempo.
Não deixa, no entanto, de ser interessante que o presidente sportinguista tanto se dedique ao assunto dos títulos. É que, desde que foi eleito, somos tricampeões. Que continue a falar por muitos e bons anos..."

João Tomaz, in O Benfica

Fumo e fogo

"Foi uma semana engraçada. O futebol nos relvados limitou-se ao da selecção nacional, mas fora dele foi uma semana intensa. Começou logo na segunda-feira com a divulgação das imagens de videovigilância da confusão entre os presidentes do FC Arouca e do Sporting CP. Uma vergonha, diga-se. Dois dirigentes desportivos de equipas da primeira liga engalfinhados num corredor de um estádio, trocando - alegadamente - insultos, empurrões e saliva. Perderam-se horas em televisão a decidir quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha, o cuspo ou o insulto, o empurrão ou o desaforo. Depressa os acólitos de um e outro lado de barracada - não é gralha, foi mesmo uma barracada - se apressaram a defender os seus dirigentes. Do lado do Arouca fala-se em cuspo da cara. Do lado do Sporting, defende-se com fumo de cigarro electrónico. Será fumo, será gente? Gente não é certamente. E o fumo não sai assim.
Mais um caso, mais uma distracção para um princípio de época que está longe de ser aquilo que os adeptos de um e outro clube esperariam - um está na zona de descida, outro está a lutar pelo terceiro lugar.
Enquanto o fumo - ou o cuspo - não se dissipa, a paragem no campeonato continua por mais uma semana. E até lá, o Tricampeão continua sereno e líder. É tempo de recuperar lesionados, preparar a Taça de Portugal e a Liga dos Campeões, não responder a provocações e assistir de camarote à chegada da época natalícia e dos muitos espectáculos de circo que para aí vêm. Com animais exóticos, malabaristas e palhaços, claro."

Ricardo Santos, in O Benfica

Nojo

"Uma imagem vale por mil palavras. E quando a imagem é nítida, não há palavras que lhe reisitam, nem areia ou vapor que nos tapem os olhos.
Todo o pais viu o presidente de um clube cuspir ostensivamente na cara de outro. Só isso basta para concluir estarmos perante uma situação gravíssima, e inédita na história do dirigismo desportivo. Impõe-se que as instituições jurisdicionais sejam implacáveis. Mas é preciso que também a comunicação social assuma as suas responsabilidades, e deixe de compactuar com comportamentos que, a prazo, matam o próprio negócio, e têm efeitos nefastos a outros níveis.
Estamos a falar de um fenómeno de massas, seguido por milhões de crianças e jovens. Os exemplos que nos entram em casa via TV transcendem o universo desportivo, atingindo uma dimensão social não negligenciável. Os jornais e as televisões não podem, com paninhos quentes, debaixo da hipocrisia do politicamente correcto, tolhidos pelo receio de ferir susceptibilidades clubistas, sustentar, branquear ou promover figuras que usam este tipo de conduta, que fomentam guerrilhas, e deles se servem para, em bicos de pés, conquistar protagonismo e poder junto de falanges de adeptos fanatizados.
Não é de Benficas, de Sportingues, ou de Aroucas que se trata. Aliás, com todo o clima de ódio que nos tem sido particularmente dirigido, somos Tricampeões, e estamos no rumo do Tetra. O problema aqui é já de sociedade. Este episódio passa todas as marcas. E no dia em que alguém me convencer de que é normal presidentes andarem a escarrar na cara uns dos outros nos túneis dos estádios, deixarei de ir ao futebol."

Luís Fialho, in O Benfica

Benfica’s youth-centric plan to rule Portugal and challenge in Europe

"There is no doubting that FC Porto have been the most dominant Portuguese side of this century. Shrewd signings and high-profit sales fuelled a staggering 11-year period in which Porto won 26 domestic, European and international titles between 2002 and 2013. In the same timeframe, perennial rival SL Benfica could only manage eight – of which just two were league titles.
While Porto earned plaudits for the development of a long list of talents under a long list of brilliant managers, with the most noteworthy being current Manchester United boss José Mourinho, Benfica struggled due to crippling debt and years of mismanagement of the club from top to bottom.
The seeds of revival, however, were planted in 2009 when Benfica welcomed enigmatic manager Jorge Jesus to the club. At the time, Benfica could boast a squad containing David Luiz, Ramires and Angel Di Maria. They won the league in the 2009-10 season but a fire sale was imminent and sustainable and reliable streams through which Benfica could replace these players were not yet clear.
Jesus provided an unusual stability for Benfica and many of the club’s problems were deflected by the absurd nature of their manager, whose personality reflects a Portuguese version of legendary Czech coach Zdeněk Zeman.
Meanwhile, Benfica’s state-of-the-art Seixal academy was beginning to bear its first fruits. André Gomes and Bernardo Silva were the first notable graduates of the academy. However, in the fledgling years of the academy, a disconnect emerged between the youth division and the first team. Jesus was not prepared to give academy graduates the opportunity to stake a claim for consistent first-team football – undermining the existence of the academy itself.
Benfica’s re-emergence would not be complete without the interference of Portuguese football’s third most influential player, Sporting CP. On 5 June 2015, Jorge Jesus announced he would not be renewing his contract at Benfica and would instead join Sporting, their bitter crosstown rivals. At the time, it was not yet known that this would be next step in Benfica’s evolution.
Former Benfica youth team coach Rui Vitória was signed after a wonderful season at Vitória de Guimarães and immediately set about implementing a familiar policy at Benfica which had served him so well there. That policy would involve maximising the use of the academy.
Now, Benfica top the pile in Portugal. They have won three consecutive league titles, including a nail-biting victory against Jorge Jesus’ Sporting in last year’s domestic campaign. But that is only the start of the good news emanating from Lisbon.
The first-team is bursting at the seams with academy graduates, even without the sales of Gomes, Silva, Renato Sanches, Ivan Cavaleiro and João Cancelo, which have cumulatively earned the club over €100 million (not including potentially massive add-ons from Sanches’ Bayern Munich move). Since Rui Vitória’s arrival, young players like Viktor Lindelöf, Gonçalo Guedes, Ederson Santana and Zé Gomes have all made contributions to the first team, with Lindelöf and Santana being notably influential.
These academy graduates have been joined by an extensive list of clever, cheap and young recruits, headlined by the majestic 19-year-old left-back Alex Grimaldo who was signed for just €1.5 million from Barcelona in January. Joining Grimaldo are Franco Cervi (€4.1 million), André Horta (€400,000), Nelson Semedo (free), Andrija Zivkovic (free), Danilo Barbosa (loan) and Rafa Silva at a slightly more expensive €16.4 million.
This introduction of youth is not slowing Benfica down either. Still dominant in Portugal, they even enjoyed their best start to a league season in 2016-17 – no mean feat considering the greats of yesteryear.
Furthermore, Vitória has implemented an exciting, fast-paced brand of football that takes advantage of the incredible depth of quality the club possesses in wide areas. This is also the most efficient way of utilising his veteran core through the centre of midfield and defence, which sits deeper and offers the younger creative players the chance to be expressive and to press higher.
The experienced Serbian Ljubomir Fejsa is at the heart of this. He fills a number of defensive gaps vacated by the attacking wing-back pair of Grimaldo and Semedo. In addition, Lisandro Lopez has become an increasingly clever and composed centre-back and, when paired with the menacing Giorgio Chiellini-like Lindelöf, the two complement each other wonderfully well. As a partnership, they are yet to truly be thwarted.
The solidity of that duo has contributed to the incredible attacking output of Grimaldo and Semedo at wing-back, who frequently chip in with goals and assists. The former, with his La Masia-nurtured impeccable technical quality, has taken Portugal by storm this season and is establishing himself in a similar way to Héctor Bellerín at Arsenal last season. The latter, despite a serious knee injury that hampered his 2015-16 season, has cemented his place at Benfica and is now challenging for a starting spot at international level with Portugal. His pace and willingness to run both ways is elite.
Further up the pitch, André Horta has become one of the shrewdest signings in all of Europe as he accustomed himself to the attacking midfield position in Benfica’s 4-2-3-1 seamlessly. Not only that, Horta’s style of play is great to watch. His touch is immaculate and his ability to break the lines with a perfectly weighted pass is similarly eye-catching.
In attack, Franco Cervi and Gonçalo Guedes are not yet providing massive attacking outputs. Despite this, they have made strong contributions in the early stages of their career and Guedes looks as though he could become a high-volume goalscorer in the future. Out wide, Cervi is a pocket-rocket; he is constantly bouncing around in the final third chasing loose balls, pressing and making a general nuisance of himself.
It makes for a feel of general good will around the club. Benfica sit atop not only their domestic league table but are also excelling in Europe again. Debt is being drawn down, and a new TV rights deal will see Benfica earn €40 million per season for the next decade. They even posted a €20 million profit in the 2015-16 year.
The club faces an enormous task to reduce their debt burden in the long-term – believed to be in excess of €300 million – but the foundations are perfectly laid for the club to minimise this debt over the coming decade. This is important because, with greater financial security, Benfica will hold more leverage in their attempts to keep their best talents. This has the potential to elevate the Portuguese champions from elite talent producers to a truly elite European team.
Eventually, most of the wonderful talents will leave the club, and likely for large sums of money. More will replace them and they too will leave. But during these neo-formative years, Benfica are still asserting a dominance that fans will be undoubtedly excited by. All the while, Champions League knock-out round adventures, domestic titles and great football are becoming the norm in at the Estádio da Luz."

Benfiquismo (CCXC)

Um dos grandes duelos...!!!