Últimas indefectivações

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sempre com Eusébio

"Escrevo esta crónica num momento em que ainda se desconhece quando estará Eusébio em condições de abandonar o Hospital, já recuperado da pneumonia que lhe veio ensombrar o Natal e o da família. Sei apenas que a situação está controlada e irá ser superada com êxito. Já é uma boa notícia. Tudo o que afecta Eusébio não pode deixar os portugueses indiferentes, sejam ou não benfiquistas, porque o seu estatuto é o de mito. De um mito vivo que nos mobiliza e congrega. É por isso que Eusébio é embaixador vitalício da Selecção Nacional e, naturalmente, do Benfica. Quando o vemos na tribuna, nos jogos decisivos, sentimos que o nosso coração também está ali a bater e que a sua presença é uma constante fonte de inspiração para quem está em campo a lutar por um bom resultado. Eusébio é isso mesmo: um símbolo sempre presente de uma vontade colectiva. Como ele, em Portugal, depois de ter desaparecido Amália Rodrigues, a verdade é que não existe outro.

Eusébio tornou-se uma referência do Futebol mundial numa época em que tudo era muito diferente do que é hoje. O Futebol já era um espectáculo de raro poder de atracção, mas ainda não era a indústria poderosa que é actualmente, sobretudo por força da omnipresente cobertura mediática e da sua projecção à escala global.

Tendo sido grande entre os grandes na época em que se tornou ídolo internacional, Eusébio gozou da fama mas não da fortuna que hoje premeia as vedetas mundiais, designadamente porque a televisão ainda não era o que é agora. Também por isso, todos imaginamos o que seria Eusébio se jogasse hoje e não há mais de quatro décadas. Se esse exercício de ficção se pudesse materializar, ele estaria no topo ou sempre muito perto dele. Por isso se tornou herói e mito e todos nos afligimos quando a sua saúde claudica e momentaneamente o derrota. Mas Eusébio vai recuperar, porque, tal como acontece com países como Portugal, depois dos momentos sombrios e amargos, outros mais luminosos hão-de chegar."


José Jorge Letria, in O Benfica

Natal com Eusébio

"Telefonemas há que não gostamos de receber. 'O Eusébio foi internado', ouvi do outro lado da linha. Dois dias depois, as televisões deram a notícia com alvoroço, suscitando enorme alarme. Durante horas, os meus telefones não pararam de tocar. Amigo e biógrafo de Eusébio, por esse motivo reiteradamente solicitado, vi-me compelido a fazer as despesas de comunicação sobre o estado da maior referência da história do Benfica e do Futebol português.

Se dúvidas tivesse sobre a importância do grande Eusébio na vida nacional tê-las-ia dissipado naquele momento e nos dias subsequentes. A Comunicação Social, ávida de notícias, continuou a questionar-me amiúde, na expectativa de ouvir os meus comentários no rescaldo dos contactos que, dia a dia, fui estabelecendo com o meu ídolo da infância e da adolescência. Falar sobre o Eusébio às TV's, rádios, jornais, revistas e sites, a despeito da razão, foi algo que me gratificou.

Digo-o imodestamente. Digo-o, também, com a fortuna de saber que o problema foi debelado. Digo-o, ainda, com a convicção de saber que o trono do Futebol nacional continua e continuará ocupado na sua melhor expressão.

Para além de jornalistas, é irreproduzível, mercê da sua amplitude, a lista daqueles que me abordaram com o fito de se inteirarem do estado de saúde do Eusébio. António Simões, Manuel José, António Oliveira, Artur Jorge, Fernando Gomes, Manuel Fernandes, João Alves, Jaime Magalhães, Bernardino Pedroto, tantos e tantos mais. Também personalidades de outras áreas da sociedade, exemplos de Manuel Alegre, Paulo de Carvalho, Fernando Mendes, tantos e tantos mais.

Numa quadra específica, senti (ou será que aprendi?) que o Eusébio é mais importante para mim do que o Natal. Esta será, talvez, a homenagem que me faltava fazer-lhe."


João Malheiro, in O Benfica

O grande líder

"Estes dias de trégua servem para arrumarmos as despedidas, para pacificarmos as lembranças e para listarmos os desejos para o que aí vem. A mim, por exemplo, deu-me para recordar uma noite quente de junho de 2009 em que, com surpresa, vi o dirigente de um grande clube desportivo, homem tido como poderoso, sagaz, irónico e implacável, atravessar toda a sala de um restaurante – adequadamente chamado Líder –, da mesa em que jantava até à minha, estender-me a mão, sentar-se diante de mim e ficar à conversa comigo e com os meus (seletos) parceiros de circunstância.

O meu espanto era ainda mais compreensível quanto, nas semanas anteriores, tinha havido um bate-boca público entre mim e esse agente desportivo, hoje cada vez mais próximo do estatuto “vitalício”. Tivemos, de resto, um rápido diálogo a respeito desses “confrontos”. Começou ele: “O senhor chamou-me obtuso”. Respondi eu: “E o senhor, presidente, chamou-me obeso”. Rematou ele: “Não se preocupe. A maioria das pessoas que nos ouviu ou leu não sabe o que nenhuma delas quer dizer…”.

Julguei que o assunto estava encerrado e o machado de guerra enterrado. Afinal, tudo se passara na mesa do grande Líder, o restaurante, que, na circunstância, era a minha casa. Puro engano: no final do jogo FC Porto-Marítimo, o homem que até há pouco olhava para um árbitro e via um herói, quis crucificar Duarte Gomes (e não só), por causa de um penálti não assinalado sobre Belluschi. No seu estilo gongórico, pediu que as imagens desse lance e de outros presenciados pelo juiz em questão fossem exibidos para essa espécie terrível dos comentadores, em especial “o senhor obeso da RTP Informação” – eu. Acontece que eu, que me orgulho de não usar palas nos olhos, tinha acabado de dizer que Duarte Gomes deixara por marcar um penálti evidente. Mais: o senhor obtuso do Estádio do Dragão ainda voltaria a dirigir-se a mim, mencionando a imagem que usei relativamente a Vítor Pereira, que deveria ter-se apresentado aos sócios e adeptos do FC Porto “de corda ao pescoço” (as aspas já lá estavam) e assim assumir a responsabilidade pela queda dos campeões nacionais na Champions. Qual é a dúvida, se pararmos de vez com as hipocrisias? Houve ou não falhanço, para o qual contribuiu o demérito do técnico? A exigente massa associativa do FC Porto está com Pereira? E este ainda estaria na cadeira dos sonhos de outrem se não resultasse de uma aposta pessoal (de emergência, é certo) do presidente?

Quando fui informado, dias depois, do novo raid do senhor obtuso, lamentei que, num mundo em mudança, haja quem já nada aprende... Sei, isso sim, é que tenho saudades do querido Líder – o restaurante, claro. E aproveito para desejar Bom Ano a todos. Até a Jorge Nuno Pinto da Costa."


João Gobern, in Record


PS: A última frase era escusada, mas...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Acreditar num Maio Campeão

"Perguntei a um amigo que tal lhe corriam as festas e ele respondeu-me;

-Isto de estar 18 dias sem ver o Benfica não é fácil, de resto tudo bem.

A verdade é que o organismo de um benfiquista suporta melhor um exagero de rabanadas com muito queijo da serra que a ausência de jogos durante tanto tempo.

Bem sei que temos o 'Boxing Day' recheado e, ainda o inigualável 'Old Firm' para entreter, mas sem o Benfica não é a mesma coisa, falta adrenalina.

Regresso marcado para terça-feira, num jogo em Guimarães com o objectivo de defender um titulo que vencemos por três vezes consecutivas.

Gostava de ganhar pela quarta vez. O Benfica nunca ganhou uma prova nacional quatro vezes seguidas. Jesus e os seus rapazes podem continuar a acrescentar historia ao clube.

Será difícil, até porque o treinador do vitória é especialista em grandes Taças da Liga, no último ano levou o sensacional Paços de Ferreira à final de Coimbra.

O jogo de Guimarães não é para ganhar ritmo antes da deslocação a Leiria, é para ganhar o jogo e assumir mais um objectivo.

Entretanto o Manchester United, que muitos diziam ser fraco por não ter vencido um jogo ao Benfica e ter ficado apeado na Liga dos Campeões às mãos dos rapazes de Jorge Jesus, assumiu a liderança do campeonato Inglês. Incapazes de valorizar qualquer vitória do Benfica, os nossos detractores relativizam o valor dos nossos adversários. Resta-nos continuar a vencer e conseguir títulos.

Que 2012 seja um ano com muitas conquistas encarnadas e cheio de êxitos no futebol e nas modalidades de alta competição. Não podendo ganhar sempre e ganhar tudo, que se ganhe muitas vezes e em muitas modalidades a começar pelo futebol.

Há razões para acreditar que em Maio pode haver novamente um Benfica campeão."


Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O melhor do ano? Futre, o desopilante da nação

"O aparato entre árbitros no activo, polícias no activo e polícias fora do activo, em Alvalade, no intervalo do Sporting - Marítimo, sugerem que, finalmente, o Sporting terá o seu guarda Abel


A personalidade do ano do futebol português não joga à bola desde 1998. Em Março de 2011, por outras artes e obra de um acaso feliz, redescobriu-se não o jogador que foi mas a personalidade que é.

Naquele que foi o melhor momento de stand-up comedy em Portugal, o sonho de qualquer humorista, bastou-lhe uma frase - «Se vier o melhor chinês, vai vir charters todas as semanas.» - para que Paulo Futre se transformasse, pela segunda vez na sua vida, num ídolo.

E um ídolo pelas melhores razões. Porque nos fez rir e porque, como grande artista e grande pessoa, assumiu a responsabilidade que logo lhe foi confiada por uma geração que, provavelmente, nunca o viu jogar futebol mas que o elegeu como o maior desopilante da nação e que o reclama de norte a sul do país.

Futre teve, como jogador, todas as honras da sua profissão. Foi campeão, foi uma grande estrela, foi uma fenómeno graças ao seu pé esquerdo.

Mas apenas um bom pé esquerdo não chegaria para conferir a Futre o seu estatuto actual. Futre dá conferências em universidades sobre a disciplina da motivação, Futre vai ao Pavilhão do Conhecimento falar sobre Física para explicar como o futebol e a ciência andam de mãos dadas. Futre tem uma legião de fãs para quem é absolutamente indiferente se Futre é do Sporting, do FC Porto, do Benfica, do Carcavelinhos ou do Mira-Coelhos Futebol Clube.

Futre é de todos.

Futre rocks. Montijo rules.

Bom ano a todos.


ELIAS é um bom jogador. Tem qualidade internacional que tem sido convenientemente aproveitada em Alvalade e não está nada arrependido de ter trocado o Atlético de Madrid, de grossas riscas vermelhas verticais pelo Sporting, de grossas riscas verdes horizontais.

Enfim, toldos de praia, dirão sempre maldosamente os rivais dos dois emblemas em equação.

Elias está contente com a vida, está à espera de um filho que vai nascer lisboeta, gosta da cidade, da comida, dos colegas, tudo lhe tem sabido bem nestes seus primeiros meses de experiência portuguesa.

Apenas com uma excepção. Elias ainda não digeriu a derrota do Sporting no Estádio da Luz e garante que «quem ganhou o derby não foi o Benfica, foi o Artur».

Elias refere-se, certamente, à extraordinário defesa com que o guarda-redes do Benfica o impediu de empatar a partida, já na segunda parte, até porque, de resto, Artur pouco ou mais nada teve que fazer durante o jogo.

Elias é bom jogador mas, com a devida consideração e respeito, não tem razão no seu desabafo. Compreende-se porque chegou agora mesmo ao futebol português.

Artur é excelente mas não foi só por causa do guarda-redes que o Benfica venceu pela sexta vez consecutiva o seu rival.

Enfim, como diz um amigo meu, João Gonçalves, benfiquista com certeza: «Olha-me bem para este Elias, então ainda ninguém lhe explicou que com o Quim, com o Moreira, com o Júlio César e até com o Roberto, tem sido sempre a mesma coisa.»


FOI já há mais de uma década que o Benfica teve o seu momento FC Porto. Foi quando, à míngua de sucessos, se entendeu que o melhor caminho para os ditos sucessivos era levar para a Luz o maior número possível de ex-jogadores ou de ex-funcionários do rival nortenho.

Foi, sem dúvida, uma grande parvoíce, um atraso de vida, uma enorme perda de tempo.

Por razões que são suas, o Sporting vive esse momento e já o vive há algum tempo. Por isso mesmo não causa grande espanto que os jornais insistam na possibilidade de Bruno Alves trocar o Zenit de São Petersburgo por Alvalade nesta abertura do mercado de Inverno.

O próprio pai do jogador já falou sobre o assunto e veria com bons o regresso do filho ao futebol português.

Bruno Alves no Sporting, na verdade, parece a coisa mais natural deste mundo. Nem sequer seria uma proeza política ou desportiva.

Menos natural, no entanto, seria o Sporting, sempre à imagem do FC Porto, cometer a proeza de ter, finalmente, o seu guarda Abel para todo o serviço.

E desse ponto de vista, as imagens e as notícias que deram conta do aparato entre árbitros no activo, polícias no activo e polícias fora do activo, à entrada do túnel de Alvalade, no intervalo do Sporting - Marítimo, sugerem que, finalmente, o Sporting terá o seu guarda Abel.

Na verdade, estava a fazer falta.


Tenho amigos portistas que, de repente, passaram a adorar o David Luíz pelas piores razões. Incansáveis detractores do central brasileiro quando jogava no Benfica, encontram-lhe agora nesses defeitos um rol de virtualidades.

É no que dá o fanatismo. Também no ano passado adoravam o André Villas Boas e agora...

-O vosso David Luíz está em grande!

-O vosso David Luíz anda-nos a vingar!

Mas que coisa tão estranha, ouvir isto de amigos portistas. Onde é que eles quererão chegar? Até que se fez luz:

-O vosso David Luíz anda a enterrar o André Villas Boas!

Ah, pronto, já percebi.

Referiam-se ao lapso do nosso David Luíz que, por ter chegado um bocadinho atrasado ao lance, permitiu que Dempsey assinasse o golo do empate do Fulham no jogo que o Chelsea empatou em casa e que o pôs a milhas da discussão do título de Inglaterra.

Nestas conversas de bola nada é por amor. É tudo por interesse.


DE férias no seu país, Kaká aproveitou a época festiva para dar ânimo ao seu colega de equipa Cristiano Ronaldo. Numa entrevista à revista brasileira Band Sport, Kaká disse preferir o português ao argentino porque «sendo diferentes, Ronaldo é muito mais completo, joga muito com a perna direita, joga muito com a perna esquerda e joga muito bem de cabeça», o que é verdade.

Ronaldo é mais completo mas Messi tem outras virtudes que o tornam num objecto ainda mais raro.

Qualquer jogador que se quiser comparar a Ronaldo tem de ter pé esquerdo, pé direito e cabeça. E alguns têm. Qualquer jogador que se quiser comparar a Messi tem de possuir virtudes mecânicas e poéticas, com um não-sei-quê de irreal e, por isso mesmo, virtudes de um modo geral inalcançáveis.

Por tudo isto, é dever de quem dá apreço à juventude saudar efusivamente a entrevista concedida por Ricardo Viegas, de 19 anos, que está a viver o seu primeiro ano como sénior do Belenenses e que sonha jogar no Barcelona.

«Tenho coisas parecidas com Messi», diz o jovem Viegas, exemplo de alguém que acredita em si próprio.

Se Ricardo Viegas falhar como novo Messi pode sempre vir a ser um excelente diplomata de carreira. Vejam como o miúdo foi cuidadoso para não ofender (com a sua comparação com Messi) o seu compatriota Cristiano Ronaldo (sempre muito susceptível quando há comparações com Messi):

«Gosto muito do Ronaldo, mas identifico-me mais com o argentino a jogar», acrescentou com grande tacto.

Força Ricardo Viegas!


ALGUÉM se deve ter distraído destes pormenores importantíssimos do panorama geográfico e político do futebol português. E, por isso mesmo, este ano termina com uma agradável e surpreendente demonstração de força competitiva dos clubes de Lisboa nas divisões secundárias.

Na Liga Orangina, o Estoril e o Atlético ocupam os dois primeiros lugares da tabela e na Zona Sul da 2.ª Divisão é o Oriental quem lidera com dois pontos de vantagem sobre o Pinhalnovense e o Torreense.

Será da crise? Será para continuar?

Ficam as respostas em suspenso até ao final da Primavera, quando tudo se decide e aí se verá que promessas que foram cumpridas e que promessas não passaram disso mesmo, de promessas vãs sem sustentação válida.

Para esta abertura do mercado de Inverno, fica a curiosidade de sabermos se o Benfica e o Sporting, os maiores da capital, decidem apostar no sucesso dos seus vizinhos mais pequeninos presenteando-os, por exemplo, com excedentários dos seus valiosos plantéis.

Ou se, pelo contrário, não estão minimamente focados nestas questões do panorama geográfico e político do futebol português.

E, se assim foi, é caso para se dizer que também eles andam distraídos, o que é uma pena.


JOSÉ MOURINHO disse que irá voltar ao futebol inglês que é a sua grande paixão e Fábio Coentrão disse que um dia regressará ao Benfica que é a sua grande paixão.

Disseram, está dito."


Leonor Pinhão, in A Bola

Tróicas 2011

"Na despedida de cada ano, é um clássico eleger o melhor, o pior ou outra qualquer coisa de uma qualquer actividade ou ocupação.

Não quero fugir a essa regra. Mas, adaptando-me aos condicionalismos em que vivemos, opto pelas tróicas em vez das individualidades. Não das tróicas de distintos credores, mas dos trios que, em competição, melhor exprimem o seu ofício futebolístico em consonância com a etimologia da palavra russa troika que - recorde-se - começou por significar um carro ou um trenó conduzido por três cavalos alinhados lado a lado.

Nesta coluna, e tendo em conta todo o ano e não apenas a presente época, espaço para alguns desses pódios com a inevitável subjectividade e a finitude, da memória:

A nível mundial:

Campeonatos - Inglaterra, Espanha, Alemanha. Equipas - Barcelona, Real Madrid, Bayern. Jogadores - Messi, Ronaldo, Van Persie. Guarda-redes - Casillas, Stekelenburg, Neuer. Defesas - Dani Alves, Piqué, Coentrão. Médios - Xavi, Iniesta, Sneijder. Atacantes - Messi, Ronaldo, Van Persie. Treinadores - Guardiola, Mourinho, Del Bosque.

A nível das competições nacionais:

Equipa - Porto, Benfica, Braga. Jogadores - Hulk, Aimar, Falcao. Jogadores (fora dos grandes) - Moisés, Peiser, Babá. Guarda-redes - Artur, Helton, Rui Patrício. Defesas - Coentrão, Álvaro Pereira, Luisão. Médios - Aimar, Moutinho, Rinaudo. Atacantes - Hulk, Falcao, Saviola. Treinadores - Villas Boas, Jorge Jesus, Domingos.

E quanto ao meu clube:

Jogadores - Aimar, Coentrão, Gaitán. Aquisições - Artur, Garay, Witsel. Revelações - Nolito, Rodrigo, Nélson Oliveira. Decepções - Roberto, Capdevila, Sidnei. Expectativas - David Simão, Melagrejo, Mika. Saudades - Coentrão, Ramires, Di Maria."


Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Expectativas 2012

"Fechado que está 2011, importa olhar para 2012, e para aquilo que dele podemos esperar.

Como o presidente Luís Filipe Vieira muito bem diz, 2012 será um ano-chave para o Benfica. Nos próximos doze meses serão fechados alguns dos mais importantes dossiers que estão sobre a mesa, e é provável que daqui por um ano estejamos num quadro contextual bastante distinto do de hoje, designadamente no que respeita à composição das nossas receitas. É no cruzamento entre a consumação de negócios absolutamente vitais, e a evolução da crise económica - que nos transcende, mas que também nos afecta -, que se escreverá o futuro próximo do Benfica. É também nesse campo, o financeiro, que se joga a dimensão das nossas ambições para os anos vindouros. Um grande Clube europeu, crescendo no sentido de se aproximar dos principais colossos do 'Velho Continente', e de se reencontrar com o seu passado glorioso, é aquilo que queremos. É nesse comboio que viajamos, e não nos iremos certamente deixar apear.

No plano estritamente desportivo, o grande objectivo de 2012 será a reconquista do título nacional. Afastados da Taça de Portugal; com uma Taça da Liga de prestígio ainda insípido; com legítimos sonhos, mas poucas possibilidades concretas de ir até ao fim na luxuosa Champions o Campeonato é, e será, o critério principal, para não dizer único, de sucesso ou insucesso na temporada que corre. Se formos Campeões Nacionais, 2012 será, seguramente, um excelente ano de benfiquismo. Se não formos, muito dificilmente escaparemos à angústia de uma época perdida. É um desafio de tudo ou nada que deveremos saber assumir, com responsabilidades, e com a confiança e a autoridade de quem trabalha nos limites.

Na Europa temos história, temos nome, e também temos esperança. Mas não creio que possamos exigir demasiado de uma prova onde está a nata do Futebol mundial. Chegar aos quartos-de-final é o objectivo realista que podemos hoje colocar. O resto se verá, sendo que o pássaro doméstico jamais poderá ser largado da mão."


Luís Fialho, in O Benfica

Um óptimo fim-de-semana

"1. Foi, finalmente, uma vitória com alta nota artística e, no dia seguinte, enfim, a notícia por que todos há vários meses aguardávamos: a renovação do 'nosso' Maxi.

Na sexta-feira, apanhámos um pequeno susto, mas a equipa reagiu bem e resolveu a questão em breves minutos, deixando-nos a todos descansados e prontos para esperar pelos resultados dos nossos rivais nos dias a seguir. Há muito que não tínhamos um fim-de-semana tão descansado. Sexta-feira, Nolito estava endiabrado e as coisas saíram-nos bem (finalmente!) no capítulo da finalização. Começamos felizes as férias (futebolísticas) do Natal, esperando por boas novidades no reatamento, no início de Janeiro...

Logo no dia seguinte, uma boa notícia: Maxi Pereira renovara. Ele não é dos nossos melhores jogadores em termos técnicos, mas dá gosto vê-lo jogar, sempre 'prego a fundo', atrás e à frente, com uma entrega inigualável. Um verdadeiro jogador 'à Benfica'. Há muito que se falava na renovação, o jogador sempre disse que queria continuar mas não nos saía da ideia o facto de o seu empresário ser o mesmo do de Cristian Rodriguez, que nos trocou pelo FC Porto (e ainda bem, dizemo-lo agora!). Empresário cá, empresário lá, negociações agora e mais logo, o certo é que os meses passavam e não havia fumo branco. Até que, finalmente, o nosso presidente deu a boa nova na inauguração das novas instalações da nossa Casa de Évora. O Maxi continuará a ser nosso e/ou me engano muito, ou por cá ficará até final da carreira. Foi a segunda alegria do fim-de-semana.

2. Os sportinguistas festejaram na semana passada os 25 anos sobre o seu célebre triunfo, por 7-1 frente ao Benfica. Sinceramente: não me importava nada de os ver novamente felizes com outro 7-1 na 2.ª volta deste Campeonato. Com uma condição: a classificação final ser a mesma de há 25 anos: Benfica Campeão, Sporting em 4.º...

3. Eduardo Barroso, presidente da Assembleia Geral do Sporting, contou, na sua crónica semanal n'A Bola, que esteve em Madrid, a assistir ao Real-Barcelona. Espero que tenha visto a rede (ou caixa) de protecção onde estiveram (bem comportados) os milhares de adeptos do Barcelona. Tudo normal, sem lamentações (dos responsáveis) nem incêndios (dos adeptos)..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Em alta com Nolito

"Num momento em que tudo está previsto, revisto e concretizado em baixa, o Benfica termina o ano de 2011 em alta, com um resultado robusto (adjectivo que o poder político pôs na moda) e sobretudo com uma imagem de vitalidade e confiança de um percurso de ouro em 2012, dentro e fora de portas.

Depois de um golo enervante e em contra-ciclo, o Benfica conseguiu uma recuperação notável e partiu para uma exibição criativa, pujante e concretizadora.

Foi uma noite em grande, daquelas que enchem os olhos e a alma aos benfiquistas, e não só.

Do jogo e da fase actual do Benfica, que já tem o Zenit de São Petersburgo na agenda, muito se pode dizer. Mas o cronista, com toda a subjectividade que existe no acto de falar do que gosta da forma que mais lhe apraz, sente-se inclinado a falar de Nolito, com dois golos no activo neste jogo e sempre com a promessa de, cada vez que entra em campo, dar o melhor de si para que o Benfica seja ainda melhor.

Manuel, Manolo, Manolito, Nolito.

Assim se transforma um nome comum em Espanha e também em Portugal num diminutivo que fica no ouvido e que pode fazer história, pelo menos nesta temporada. O rapaz, com a sua figura inconfundível, com a sua obstinação, com o seu invejável domínio de bola e com a sua fixação na baliza, pertence ao número das pessoas que, vistas de perto ou de longe, não deixam dúvidas quanto à paixão que põem naquilo que fazem. Essa 'garra' e essa 'raça' é muito espanhola, muito latina, muito deste sul da Europa que a Europa rica tanto gosta de amesquinhar, assacando-lhe as culpas de todas as dívidas e de todas as crises. O pior é que depois têm de rumar a Sul para se lembrarem de que há na vida coisas boas e únicas que o Norte nunca lhes dará, por mais poder e riqueza que possuam.

Nolito entra e leva consigo a equipa inteira, coesa, criativa e competente, rumo às redes do adversário. São jogadores como este que fazem a diferença, que enriquecem o espectáculo e fortalecem a confiança de quem nunca desiste de acreditar na vitória."


José Jorge Letria, in O Benfica

Norte vermelho

"Criado e crescido em Vila do Conde, natural só poderia ser a minha grande afeição ao Rio Ave, o emblema desportivo mais representativo daquela cidade nortenha. Foram muitos anos de ligação sentimental e física ao clube, que sempre coloquei, de forma indestronável, no segundo patamar das minhas preferências, logo a seguir ao nosso Benfica.

Por imperativos familiares, na última ronda da Liga, não estive na Luz a presenciar o despique entre o Benfica e o Rio Ave. Acompanhei o jogo pela TV, justamente em Vila do Conde, no restaurante de um amigo portista. O Benfica ganhou. Ganhou bem, ganhou categoricamente. Ganhou ainda melhor, porque o Rio Ave se bateu sem complexos e com galhardia.

Qual era a atmosfera no local onde assisti ao jogo? De predominância benfiquista, mesmo tratando-se da cidade que sedia o antagonista da equipa 'encarnada'. Eram mais benfiquistas do que simpatizantes do Rio Ave. Eram mais benfiquistas do que simpatizantes de outras cores. Eram mais benfiquistas do que todos os outros juntos.

No dia seguinte, por mero acaso, ainda encontrei-me com o presidente do Rio Ave. Conversámos uns minutos e registei uma frase de grande significado, proferida pelo meu interlocutor: 'É sempre com o Benfica que o Rio Ave consegue, em casa, as suas melhores receitas, a grande distância do Sporting e do FC Porto'. Mesmo sabendo-se que Vila do Conde dista somente vinte quilómetros da capital nortenha.

Qual é, afinal, o maior clube do Norte? Custe a quem custar, a reposta é inevitável e merece ser escrita de forma maiúscula.

O BENFICA É O MAIOR CLUBE DO NORTE."


João Malheiro, in O Benfica

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz e Glorioso Natal



O vídeo está um pouco 'atrasado', mas vale a pena...!!! Um Natal de 'sonho' para todos os Gloriosos, principalmente para os fiéis e indefectíveis seguidores do blog!!!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Quero voltar a Valença do Douro

"Se dúvidas houvessem de que estamos na época de Natal bastava ver que na televisão já passou o filme Sozinho em Casa e que o Sporting ficou longe do título. É quase tão tradicional como o bacalhau na ceia de dia 24.

O Benfica goleou, por 5-1, o Rio Ave num jogo mais difícil do que aquilo que parece pelo resultado.

O jogo será lembrado pelo passe de Aimar para o terceiro golo, um poema, uma obra de arte.

Este campeonato será ganho com 76/78 pontos, quem perder pontos em jogos proibidos dirá adeus ao título.

A verdade é que o FC Porto, mesmo sem jogar bem, apenas perdeu 6 pontos, 3 empates em 13 jogos, o que significa que se começar a jogar melhor não irá perder muitos mais.

O Benfica tem o mesmo desempenho que o FC Porto, embora tenha realizado saídas teoricamente mais difíceis.

Temos de continuar com esta regularidade para conquistar o 33.º título nacional. Será um campeonato decidido nos detalhes. Um deslize poderá ser fatal e Jorge Jesus está atento.

No último domingo participei numa bonita homenagem a Luís Martins, na sua terra natal, Valença do Douro.

Aos 19 anos, o jovem talento do Benfica te tudo para ser feliz e fazer feliz as boas gentes da sua terra.

Prometi que se o Benfica fosse campeão lá voltava para festejar o título no Bar 36 (número da camisola do Luís) com o pai António.

Vejam lá se fazem a vossa parte para eu cumprir a minha promessa. Quero voltar a Valença do Douro, passou a ser um desejo de ano novo. Esperemos as melhoras de Eusébio, que não passe de um susto e volte a sentar-se ao nosso lado nos jogos de Benfica e Selecção. Vi ao lado dele o último, contra os romenos do Otelul, e testemunhei que sofre a valer.

Boas rabanadas, bom bacalhau e um Santo Natal a todos os leitores de A BOLA, antes que a troika nos tribute este hábito."


Sílvio Cervan, in A Bola

Boas Festas

"Nesta quadra festiva que, apesar de todas as dificuldades que o País atravessa, deve ser vivida em total harmonia e solidariedade com os outros, cumpre-me desejar a todos os benfiquistas, e em especial aos nossos leitores, votos de um Feliz Natal e um ano novo cheio de saúde, esperança e, se possível, recheado de sucessos desportivos.

Estamos prestes a iniciar um novo ano e uma nova caminhada desportiva. O Benfica vê-se envolvido em três frentes importantes, duas de cariz nacional e uma outra que, como todos sabemos, é a Prova Rainha do Futebol Europeu, a Liga dos Campeões.

Relativamente aos dois objectivos nacionais o nosso Clube tem legitimas aspirações a vencer ambos. Por tradição a Taça da Liga costuma sorrir às cores encarnadas. O Benfica tem um especial carinho por este troféu que conquistou por três vezes consecutivas.

Quanto ao Campeonato Nacional, as semanas que se aproximam são absolutamente fundamentais. É muito importante que nos próximos jogos consigamos descolar definitivamente do FC Porto de modo a poder ganhar uma margem pontual na tabela classificativa que nos permita respirar melhor, com confiança redobrada e deixar a pressão para os nossos adversários. Porque como diz o ditado, 'candeia que vai à frente alumia duas vezes'. Estou em crer que o Benfica sairá reforçado destas mini-férias.

Jogadores essenciais para a estabilidade do grupo vão recuperar das suas lesões e o descanso para outros será providencial. Jesus saberá voltar a reunir as 'tropas' e motivá-las a ultrapassar novos obstáculos e novas dificuldades. Mas não podemos falhar nos próximos 3 ou 4 jogos pois serão eles que nos manterão a chama acesa, a chama da nossa imensa alegria que será voltar a ver o nosso Benfica Campeão de Portugal. Por fim, resta-nos a 'Champions'. Também aqui acredito que saberemos ultrapassar os russos. Bons a defender, perigosos no contra ataque, com Danny sempre em destaque, o Zenit constituirá osso duro de roer."


Luís Lemos, in O Benfica

Futebol de rua

"Noite de sexta-feira, Estádio da Luz, durante a partida Benfica-Rio Ave, minuto 36. Nolito recebe a bola, caminha para a área – passa a bola, penso eu. Ultrapassa o primeiro adversário, caminha para a linha de fundo – passa a bola, penso eu. Enfia-se literalmente na linha de fundo, passa o segundo adversário, fica sem ângulo para marcar, aparentemente perde a noção do tempo e do espaço. Dali é impossível marcar, a física e a geometria provam-no – passa a bola, grito eu da bancada. Golo. Todo Estádio festeja o golo e a decisão do Nolito de não ter passado a bola. Nolito enfiara-se numa cabine telefónica, fintou dois defesas, iludiu o guarda-redes, e saiu pela porta.

Festejava-se o futebol irreverente, o futebol de rua, o futebol em que o puto malandro se entretém a provar que isso dos impossíveis é preocupação de adultos cinzentos com medo da ousadia. O Nolito é essencialmente isto: o miúdo feito homem que se diverte no mundo profissional com a mesma ‘reguilice’ com que um puto enfrenta a baliza demarcada por duas mochilas da escola. Para trás ficam os aborrecimentos de quem pensa o futebol parametrizado em “basculações”, “transições ofensivas e defensivas” e “movimentos de rotura”. Ali, em Nolito, o futebol é um espaço que existe em função da localização da baliza. O tempo mede-se em adversários que têm de ser ultrapassados até chegar à baliza. O modo vive-se pelo gozo do momento. O resto são meros aborrecimentos de gente grande que se esqueceu de que a génese do futebol é a rua.

Feito o golo e festejado o momento, levanta-se a questão: como conciliar a irreverência do futebol de rua com as obrigações do futebol profissional? Haverá lugar para ‘Garrinchas’ no futebol actual? Verdadeiramente preocupante é tentar perceber que futebol é este em que se questiona se há nele lugar para os que acreditam que se podem marcar golos impossíveis."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

2.ª carta ao menino (Jorge) Jesus

"Caro Menino (Jorge) Jesus, volto a escrever-lhe pelo Natal.

Não sabendo aramaico, faço-o em português, embora imagine que é em castelhano que fala com a maioria dos seus discípulos. O povo precisa da chama imensa da sua luz. Não por causa das falhas de energia na Bracara Augusta ou dos fogos dos bárbaros no templo. Mas porque anda amargurado com o corte sobre o subsídio do seu Natal e com os mandamentos de uma tal Ângela teutónica (ainda dizem que os anjos não têm sexo...). Não lhe peço milagres de denários, sestércios ou moeda única. Nem que expulse a troika da catedral até porque nos basta a sua trindade (a técnica, a táctica e a nota artística). Não lhe peço o milagre de converter o Emerson em Fábio. Apenas peço que no princípio do Verão nos dê taças e ânforas. Mas cuidado com os zelotas a fariseus que vêm tomando conta do sinédrio. Prefira o ar puro da margem esquerda do Jordão para os sermões e evite túneis nas pedreiras e distracções nos caldeirões. Permita-me que lhe confesse uma angústia. A fazer fé no que leio na Galileia e Judeia, receio que os vários Herodes que a globalização fez enriquecer tentem a matança do seu grupo. Não há dia que saxões, romanos e celtiberos não ofereçam mirra, incenso e ouro pelo Gaitan, Javi, Luisão, Aimar, Saviola, Garay, etc. Também, consta nas margens do Mar Morto, que a ovelha transviada Capdevila vai para a Samaria. Perturbado ainda mais fiquei quando soube que o Imperador César quer levar o Rei Artur para o seu território. A propósito, que é feito de um tal César que vive no tempo de Diana? Faço votos para que não perca o zénite, e não seja obrigado a fugir para o Egipto... perdão, para (o Atlético de) Madrid.

Grato abraço deste crente encarnado."


Bagão Félix, in A Bola

Segundas e terceiras intenções

"Se Vítor Pereira ganhar a Taça da Liga não faltarão os portistas anti-Vítor Pereira a chamar incompetente a esse treinador de vitoriazinhas no capítulo das não-prioridades


O último sorteio das competições europeias da UEFA causou muito e especial impacto em Portugal. Foi um sorteio que ultrapassou largamente as expectativas porque para além de cumprir com a primeira intenção de qualquer tirar à sorte desta natureza - que é emparelhar adversários -, provou ser um sorteio riquíssimo em segundas e terceiras intenções, para não falar das ligações emocionais, familiares, entre todas as equipas em concurso.

Por exemplo, o Sporting de Braga vai ter de defrontar a equipa mais portuguesa da Europa, o popular Besiktas de Istambul, comandado pelo nosso compatriotas nossos, os jogadores Ricardo Quaresma, Manuel Fernandes, Simão Sabrosa, Hugo Almeida, Bebé e Júlio Alves.

O Besiktas é uma raridade, está visto. Uma equipa que luta na Europa com tantos portugueses é praticamente um achado arqueológico.

Apesar de não se defrontarem entre si, o Besiktas de Istambul que vai jogar com o Braga tem uma afinidade familiar de cariz lusitano com o Zenit de São Petersburgo. Trata-se dos Alves. Os irmãos Júlio e Bruno Alves. O primeiro joga no Besiktas, o segundo joga no Zenit, clube que afastou o FC Porto e que agora calhou em sorte ao Benfica.

Vigorando o bom senso, não houve reacções de euforia no campo benfiquista quando se conheceu o nome do adversário, que é um adversário forte numa fase já adiantada da competição.

As incertezas quanto ao desfecho desta eliminatória são muitas.

A única certeza é que o Estádio da Luz vai receber Danny. Da última vez que Danny esteve em Portugal foi ao Estádio do Dragão e saiu de lá absolutamente convicto de que soube educar os seus filhos com esmero e primor, ao contrário de muita gente. Aliás, o próprio o vincou assim que o jogo acabou.

Curiosamente, diz muito ao FC Porto, e suscita grande expectativas entre os adeptos dos campeões nacionais, este confronto que se aproxima e vai colocar frente a frente o Benfica e o Zenit.

Todos o desejam, mas poucos portistas acreditam que Danny festeje caninamente qualquer golo que marque ao Benfica.

(...Ainda se fosse o Bruno Alves a marcar um golo ao Benfica... isso sim, poderia dar uma comemoração engraçada, que ajudasse a lavar as mágoas de festejos passados, junto à bandeirola de canto, como se a bandeirola fosse algum poste, caramba...)

Bruno Alves está optimista para os dois jogos que vai disputar com o Benfica, se ainda for jogador do Zenit em Fevereiro.

Alguma imprensa tem ventilado a hipótese de Bruno Alves se transferir para o Sporting de Lisboa na abertura do mercado de Inverno e, assim sendo, o defesa central só encontrará o Benfica pelo caminho mais tarde, quando o Benfica for a Alvalade na segunda volta do campeonato ou se, porventura, Benfica e Sporting se encontrarem na final da Taça da Liga, o que não seria a primeira vez.

Pela primeira vez, no entanto, o FC Porto e o Sporting podem encontrar-se numa eliminatória internacional porque o sorteio, o tal sorteio das segundas e terceiras intenções, coloca-os frente a frente dando-se o caso de o FC Porto afastar o internacionalmente inexperiente Manchester City e de o Sporting triunfar sobre o internacionalmente inexistente Légia de Varsóvia.

É assim uma forte probabilidade de termos em 2011/2012 na Liga Europa uma eliminatória entre portugueses, tal como já aconteceu em 2010/2011, na meia-final entre o Sporting de Braga e o Benfica.

Então a vitória sorriu à equipa que melhor vem representando o Minho e que vai agora ter de jogar o seu futuro europeu com a equipa que melhor vem representando o futebol português, que é o Besiktas de Istambul, como já ficou explicado.

Voltemos ao Zenit e a Bruno Alves, os próximos adversários do Benfica na Liga dos Campeões. Os russos ficaram satisfeitíssimos com o sorteio, o que se compreende, porque entre os cabeças-de-série havia nomes mais complicados, muito mais complicados, do que o Benfica.

O médio Evgeny Bashkirov disse logo que o Benfica era «uma equipa acessível» e que acreditava poder «resolver logo a questão em São Petersburgo», como, de certa maneira, aconteceu com o FC Porto. Bruno Alves comunga deste espírito optimista e, como bom profissional, também acredita no sucesso do Zenit.

Aliás, Bruno Alves, neste momento só tem uma dúvida: «Não sei como vou ver recebido. Espero, isso sim, ser bem recebido. Se alguma vez ultrapassei os limites contra o Benfica? Não. E a prova disso é que nunca fui expulso contra o Benfica», disse.

Lá que nunca foi expulso contra o Benfica é uma grande verdade.

Mas é uma fraca prova, fraquíssima.

A final da Taça da Liga de 2010, com Bruno Alves a despachar lenha a torto e a direito sem que o árbitro Jorge Sousa considerasse excessivo o seu empenho na luta em prol de Dragões ficou como um super marco histórico da impunidade no futebol português.

Fevereiro promete grandes emoções europeias. Essa é que é essa.


O resultado do Santos no jogo com o Barcelona deixou os adeptos do Peixe em estado catatónico.

Ao contrário, e porque são todos da mesma cidade, provocou grande alegria entre os adeptos do Corinthians e do São Paulo que viram o rival soçobrar sem um pingo de resistência perante a armada de Pep Guardiola.

Rivalidades são rivalidades e não é por se mudar de continente ou de hemisfério ou de fuso horário que as coisas passam a ser diferentes. São iguaizinhos em toda a parte do mundo os ódios de estimação entre os vizinhos das mesmas cidades.

E hoje se um terço dos paulistas chora pelo Santos, os outros dois terços encontraram no massacre de Yokohama vastos motivos de celebração.

E a Neymar, o desconsolado melhor jogador brasileiro da actualidade, os adeptos do Corinthians e do São Paulo já atribuíram uma alcunha cruel. Neymar passou a ser o Neymorto.

E porquê?

Porque no decorre do jogo, com a goleada a avolumar-se, o treinador do Santos pediu ao jogador:

-Neymar, bora fazer golo no Barça!

Ao que ele respondeu:

-Neymorto, mister.

É uma anedota. Daquelas que doem e é precisamente essa a intenção com que nascem do vasto campo da sabedoria e do humor populares.

Os adeptos do Santos, no entanto, não têm sido menos castigadores com a sua equipa. Acusam de tudo e de mais alguma coisa os jogadores que idolatravam até ao domingo fatal no Japão.

E quando o tema da posse de bola vem à baila, lamentam amargamente que os jogadores do Santos tenham viajado até tão longe apenas para pedir autógrafos aos seus supersónicos adversários.

Que excelente notícia para José Mourinho e para o Real Madrid esta de ser o Santos a mais recente vítima do poderoso rival catalão.

A curiosidade mórbida nacional e internacional que sempre vasculha o palco de qualquer tragédia vira-se agora, com todos os holofotes, do Estádio Santiago Bernabéu para a Vila Belmiro, lá longe, muito longe no Brasil.

Um merecido descanso para Mourinho.


QUE excelente notícia para o Benfica, a renovação de Maxi Pereira, o nosso adorado Cantinflas.

Grande malha, senhor Vieira. Até que enfim.


O FC Porto jogou ontem com o Paços de Ferreira. Quanto ao resultado, francamente, não interessa para nada estar aqui a discuti-lo porque para o treinador Vítor Pereira a Taça da Liga «não é prioridade».

Fica registado.

É preciso ter cuidado com o que de diz. É que se Vítor Pereira porventura ganhar a Taça da Liga não faltarão os portistas anti-Vítor Pereira a chamar incompetente a esse treinador de vitoriazinhas no capítulo das não-prioridades."


Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

2ª parte demolidora

O poder corrompe

"Em Outubro último, Julio Grondona foi eleito pela nona vez consecutiva presidente da federação argentina. Significa isto que Don Julio como é conhecido em Buenos Aires, está no cadeirão da AFA há 32 anos e, se vier a cumprir integralmente o novo mandato, acabará por lá permanecer 36! Pelo menos. Com 80 anos, tem passado os últimos meses na Suíça para se tratar de um tumor a que foi operado e para se dedicar à FIFA, de que também é vice-presidente há muitos anos. Uma hegemonia assim tão prolongada, no futebol não tem precedentes. O diário El Gráfico escreveu na altura que os 25 anos de Alex Fergunson no banco do Manchester United parecem uma anedota em confronto com a longevidade de Grondona. Esqueceu-se, porém, de referir que nós, portugueses, nesta matéria não estamos distantes de poder pedir meças aos argentinos. Então, não é verdade que temos Pinto da Costa bem perto dos 30?

Fenómenos destes são mais frequentes na política. Os 50 anos de Fidel Castro em Cuba, os 35 de Stroessner no Paraguai e os 32 de José Eduardo dos Santos em Angola são alguns dos muitos exemplos que existiram por esse mundo fora. Nós cá, mais uma vez, não fugimos à regra: Mesquita Machado na Câmara de Braga há 35 anos é um bom paradigma. O que leva toda esta gente a ficar agarrada ao poder por tanto tempo? A resposta vem na imprensa mundial independente: a corrupção, o tráfico de influências, as falcatruas. No caso de Grondona (que dirige as finanças da FIFA e manipula milhares de milhões!), atolado até ao pescoço (com o compadre Blatter) em escândalos, acrescem razões políticas. A presidente Kirchner, para retirar os direitos televisivos ao império mediático do Clarin, hostil à sua governação, e assim fragilizá-lo, precisa de Don Julio."


Manuel Martins de Sá, in A Bola

Fitas e Fintas

"O António Simões fez anos. Não é que é quase septuagenário? Convidou-me para o jantar de aniversário, regressado há dias do Irão, onde tem coadjuvado Carlos Queiroz. A cerimónia foi muito íntima e não menos tocante. O António gosta de sentir verdade, gosta de sentir certeza nos seus amigos. A meio do repasto, liguei à minha mãe, que já dobrou a barreira dos oitenta. “Nos anos do Simões? Aquele pequenino das fintas que jogava com o Eusébio?”. Esse mesmo.

Simões foi um futebolista genial. Na esteira de Rogério, Bentes, Albano, deliciou o mundo da bola nas décadas de 60 e 70. Um dia, comparei-o a algumas figuras da Banda Desenhada. Foi assim: “Ele era o Rato Mickey, na sua principal alcunha, expressão de agilidade em corpo minguado. Ele poderia ser o Speedy Gonzalez, conceito de rapidez, de velocidade. Ele poderia ser também o Astérix, noção de combatente, de indomável. Ele poderia ser ainda o Lucky Luck, ideal de oportunidade, de precisão. E porque parecia driblar mais rápido do que a própria sombra, ele só poderia ser o nosso Simões. Que ao poema chamava finta”.

Ele tinha a graça dos mais gráceis. Ele tinha a subtileza dos mais subtis. Ele tinha o engenho dos mais engenhosos. Ele tinha tudo o que os outros não tinham. Depois dele, também tiveram o Chalana, o Futre, o Figo, agora o Ronaldo. Gente de fintas como fitas? Ou será que gente de fitas como fintas? Sempre gente das mais belas fitas com as mais belas fintas.

O futebol português tem parido alguns dos melhores filhos da melhor bola. O Simões ainda hoje é o mais jovem campeão europeu de toda a história. Dizer Simões, dizer também Chalana, Futre, Figo ou Ronaldo é dizer acato, é dizer mercê, é dizer honra. Mais ainda, é dizer presente a um passado com sabor a futuro."