Últimas indefectivações

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Lama negra sobre o azul

"Não faltarão agora aqueles que, de costume, após uma derrota realmente difícil de engolir, sobretudo quando sentimos de certa forma nascida de estranhos erros próprios, vêm exigir cabeças para o cadafalso.
Nada de mais injusto. Nada de mais disparatado.
Se é certo que é nos próprios desaires - e às vezes, nos mais dilatados e mais inconvenientes - que devemos procurar as alavancas dos maiores triunfos futuros, 'a quente' jamais sabemos usar do discernimento suficiente para avaliar as razões e causas, e ainda menos, as terríveis consequências de uma derrota pesada.
Diria, aliás, como recomendava o prudente Wellington - grande general britânico de todas as guerras da primeira metade do séc- XIX - que o mais adequado é que a serena avaliação acerca do real estado das nossas capacidades perante um adversário, seja oportunamente feita, com prudência, sensatez e frieza, antes do confronto se realizar. E não depois. Ou durante.
Mas o que não é aceitável, muito menos no que se refere directamente aos verdadeiros generais em expedição, é que, por causa de uma batalha perdida no terreno (mesmo que por muitos...), logo o povo ponha em causa a capacidade de raciocínio ou o próprio espírito competitivo dos cabos de guerra. Sobretudo quando não há terceiros a influir nas decisões.
Os historiadores que se referem às estrondosas vitórias de Arthur Wellesley, o 1º. Duque de Wellington (ou às suas sucessivas derrotas políticas como tory, nos gabinetes de Londres), não tiveram que recensear ao tempo, quaisquer árbitros ou juízes, desses que, em Portugal e no futebol dos nossos dias, vivendo às custas dos seus artistas, tantas vezes ditam inapelavelmente as leis das vitórias e das derrotas, segundo as ordens de patrões inatingíveis e impunes...
E a verdade é que quando, no contexto da luta (em que ainda somos nós os Campeões) chegámos a esta última batalha que viemos a perder com estupor, já estes 'rapazes de preto' tinham cumprido há muito os serviços sujos que o nosso adversário lhes encomendara: apesar dos números inusitados do domingo passado, a lama negra manchará indelevelmente, para sempre, o azul deste campeonato de 2010/11.
Não o podemos perder de vista. E não seja o melindre por que passamos momentaneamente, que degenere em qualquer desespero, tipo 'noites de cristal'. Em vez de fragilizarmos os nossos, saibamos não esquecer que a maior vergonha, afinal, é a da cabazada que surdamente já se desenhara com a deferência da justiça e da política, muito antes dos jogos e fora de qualquer campo de torneio."

José Nuno Martins, in O Benfica

A noite de Gaitán

"Esta semana muitas pessoas me perguntaram se tinha deixado de gostar do mister, dado o fim do namoro que aqui ditei no rescaldo do Dragão. Gosto muito do mister, e acho muito bem que Luís Filipe Vieira afirme que JJ “não está a prazo”. Para mim, apesar da emotividade com que vivo o meu Glorioso, ninguém passa de bestial a besta assim. E vice-versa. Mas o mister errou.

Ontem foi uma noite de constatações. Há algumas verdades populares incontornáveis e uma delas é que em equipa vencedora não se mexe. Sem capitão mas com quase toda a gente no lugar, vencemos a Naval por 4-0. Não sem esforço de Roberto que, mais de 600 minutos depois, acho finalmente bestial. Mas o ponto de interrogação foi-me perseguindo partida afora. Saviola fez o que só ele sabe e na 5.ª assistência para golo serviu Kardec aos 10’: mister, por que raio ficou El Conejito no banco, há uma semana? 5’ depois Gaitán assiste Aimar, e lá vem a interrogação: mister, por que é que no Porto o Gaitán só entrou após o intervalo? E a questão ganhou força aos 47’ e aos 62’, com dois belos golos do argentino.

A Naval nunca se resignou, mas se no Dragão metemos água ontem nem a vencer por 3 pusemos água no jogo. O nosso meio-campo recuado ressentiu-se da falta de Javi e mostrou pouca consistência, e o contra-ataque trouxe-nos perigo. Airton não ocupa espaço, não trava ou recupera como Javi. Confirmaram-se as parcas competências de Sidnei e David Luiz ainda está de cabeça perdida. Mas, como dizia o meu amigo António Machado, velha glória do Benfica de Castelo Branco, a noite era de Gaitán. Provou-se que o flanco esquerdo, com a dupla

Coentrão/Gaitán, faz bonito e não vale a pena inventar. Nuno Gomes entrou, marcou e chorou. Aos 89’ chorei com o 21. A noite acabou em festa grande. Até Aveiro."


Marta Rebelo, in Record

PS: Aqui está o post numero 1000 d'O Indefectível !!!

SOS

"Era um daqueles jogos que só poderiam roçar a perfeição. Sabia-se que o FC Porto estava forte, consistente, empolgado. Sabia-se que o Benfica, em franca desvantagem pontual, teria que se aproximar do líder ou, no mínimo, não permitir que se acentuasse a diferença. Exigia-se um Benfica no limite da competência, do esforço, da ambição.
O jogo até nem começou mal, pautado pelo equilíbrio. Só que um quarto de hora bastou para que o adversário sentenciasse o despique.
Sorte? Sorte, também.
Que dizer a três oportunidades e outros tantos golos?
Ainda assim, surpreendentes e fatais fragilidades defensivas do conjunto 'encarnado', hipotecando a discussão da partida.
Depois, conta pouco.
Do ponto de vista emocional, o Benfica como que se entregou à desventura, nem valerá a pena protestar um penálti falso ou o desigual critério disciplinar do árbitro, que as contas, essas, já estavam há muitos encerradas.
E agora?
Agora é que se vai perceber o peso real do benfiquismo, o valor efectivo dos adeptos. Não pode haver renúncia no mês de Novembro, quando a temporada termina em Junho.
SOS vermelho?
Para levar a sério, para cumprir sem indecisões."

João Malheiro, in O Benfica

Culpa própria

"Sou benfiquista para o melhor e para o pior, para as alegrias e para as tristezas. E, portanto, foi como benfiquista - habituado a ganhar mas que também aprendi a perder - que me entristeceu a pesada derrota no Porto porque, desta vez, merecemos perder. Não foram os erros do árbitro - que os houve - nem a brutalidade ou faltas arrancadas a ferros pelo adversário - que foram muitas e algumas decisivas - que justificaram a pesada derrota de domingo passado. O Benfica perdeu por culpa própria- Há que dizê-lo, pois de nada serve enterrar a cabeça na areia. E a única maneira do Benfica ser forte é reconhecer as suas fraquezas, aprender com os erros, emendar a mão quando falha.
Uma derrota no Porto não é nada que afaste o Benfica dos seus objectivos, como se viu no ano passado. Mas o Benfica saiu do campo com uma equipa condicionada por castigos para as próximas jornadas. Ou seja, o Benfica poderá ter perdido mais do que um simples jogo num desafio em que entrou mal e - depois de um período de algum equilíbrio - saiu ainda pior.
Apesar de considerar que desta vez o árbitro não teve influência no resultado, há uma atitude de Pedro Proença que não pode passar sem referência. Falo da benevolência e até dos sorrisinhos, que as câmaras de TV registaram, com que o árbitro tomou conhecimento da saraivada de bolas de golfe que atingiu a zona da baliza - e algumas o guarda-redes Roberto - antes do início da segunda parte. E aqui estarei para ver o que acontece, face à apreciação do árbitro e do delegado da Liga, ao estádio do clube onde agressões desse tipo a uma equipa adversária se sucedem impunemente.
Quando ao Benfica, a mais urgente e necessária vitória será longe da nossa vista, no balneário."
João Paulo Guerra, in O Benfica

A 'guerra' está por vencer

"Depois de um fim-de-semana aziago será necessário um momento de reflexão e bom senso entre as hostes benfiquistas. De facto, o jogo do Dragão não nos correu bem. Perdemos, porque naquele jogo o adversário foi superior e porque teve uma margem de aproveitamento muito grande, o que nos custou um resultado negativo e profundamente doloroso. Quero antes de mais deixar um reparo. Fui dos primeiros, entre amigos que comigo assistiam à partida, a partilhar e a aceitar o 'onze' de Jorge Jesus para a partida. Seria fácil estar aqui a crucificar - depois do jogo terminar - A ou B pelas opções. Não o quero fazer porque não sou ingrato a quem me deu já tanta alegria. Para mim, fazia sentido colocar o nosso melhor defesa a 'tapar' as investidas de Hulk, avançando Coentrão para o meio. Com esta opção o Benfica podia ganhar maior elasticidade no ataque e Coentrão ficaria mais vezes perto da baliza adversária. Por outro lado, a inclusão de Carlos Martins ao lado de Javi Garcia com Aimar mais avançado era outra opção com sentido. O Benfica preenchia com três unidades (que sabem circular bem a bola) uma zona nevrálgica do terreno e equilibrava aquele sector que via no lado oposto Moutinho, Belluschi e Guarin a alimentar o jogo ofensivo adversário. A inclusão de Salvio, no lado direito, compreende-se pelo factor surpresa e, acima de tudo, pela exibição positiva que tinha registado uns dias antes frente ao Lyon. Mas a equipa não se conseguiu soltar, raramente criou oportunidades e nunca agarrou o domínio da partida.
Teremos de levantar a cabeça e continuar a lutar pelos objectivos, nunca deitando a toalha ao chão. A história gloriosa deste Clube fez-se, também, nos momentos de adversidade, e a sua imensa massa adepta sempre soube reagir. Quando perdemos por 7-1 em Alvalade demos a volta por cima a acabámos campeões. O Campeonato, à 10ª- jornada, apesar de difícil, está longe de estar entregue e temos de continuar a acreditar. Ao contrário de outros que se 'pelam' por um resultado negativo para sair da toca e criticar tudo e todos, eu prefiro dar a cara, assumir os erros que foram cometidos, e partir para uma nova batalha de cabeça bem erguida e a pensar que a guerra está ainda por vencer.
Nota final: Profundamente lamentáveis as declarações do presidente da Assembleia Geral do Sporting, Rogério Alves, na segunda feira ao almoço à Rádio Renascença sobre o resultado do 'clássico' de domingo, mostrando uma atitude de gozo e brejeirice no discurso, pouco consentâneo com as responsabilidades do cargo que ocupa. Chegou ao ponto lastimável de apelidar o nosso clube de fanfarrão. Esqueceu-se porém de um pormenor. Faltava ao Sporting jogar e vencer o V. Guimarães. Lá diz o ditado que quem ri por último, costuma rir melhor."
Luís Lemos, in O Benfica

Tiro ao Roberto

"From: Domingos Amaral

To: Comissão de Disciplina da Liga

Caros Comissários de Disciplina,

Pelos vistos, os senhores nunca pegaram numa bola de golfe, mas eu explico-lhes o que é uma bola de golfe: um objeto pesado e duro, que atirado a alta velocidade e a uma curta distância, se pode tornar numa arma mortífera. Pelos vistos, os senhores nunca levaram com uma nas costas, ou na cabeça, e portanto não acham isso muito grave. Contudo, o que se passou no passado domingo no estádio do Freixo foi um ato gravíssimo de violência, um atentado ao desporto.

Não viram? Eu conto: a claque dos Super Dragões, um bando de energúmenos e cobardes, atirou uma saraivada de bolas de golfe na direção do guarda-redes do Benfica. Esses perigosos projéteis não só perturbaram o Roberto, como o atingiram nas costas, tendo o jogo sido interrompido e ele assistido. A sua integridade física foi posta em causa, e só por acaso os danos não foram mais graves. Caso os senhores não saibam, se uma das bolas lhe tem acertado na cabeça, o guarda-redes do Benfica poderia estar hoje ferido gravemente, incapacitado para a sua profissão, ou até pior. Mas, é óbvio que para os senhores nada disto é grave e não merece mais que uma mísera multa.

Noutro país, o estádio do Freixo ficaria interdito uns jogos, mas os senhores voltaram a ser um órgão manso, cobarde, e nas mãos do FC Porto. E é graças a pessoas como vocês que a onda de violência azul e branco não vai parar.

PS: Srs. Miguel Sousa Tavares e Rui Moreira, têm coragem para se colocarem a 20 metros de mim, para eu vos atirar bolas de golfe? Pois, bem me parecia..."

Domingos Amaral, in Record

A extraordinária história da sobrevivência dos Prosegur's !!!

RAP final

Grande Ricardo !!!

domingo, 14 de novembro de 2010

Enganador




Vitória preciosa, com 5 titulares ausentes, com uma entrada nervosa que o golo do Kardec ajudou a amenizar. Mostrando bastantes fragilidades a defender (principalmente no meio-campo, e a culpa não foi do Airton), mas para compensar uma excelente produção ofensiva, desta vez com alguma eficácia (os golos apareceram nos momentos certos), isto apesar de muitas oportunidades falhadas. Se a Naval fosse mais eficaz, podíamos ter tido uma noite muito complicada, até porque o Frutado de serviço fez tudo para inclinar a balança contra o Benfica, com uma dualidade de critérios absurda, mas esperada...

Excelente jogo do Aimar, Salvio, Gaitán, Roberto, e do Airton. Boa entrada do Jara. Saviola continua fora de forma. Coentrão não sabe jogar mal, Amorim a ganhar ritmo, Sidnei com um inicio horrível mas com o tempo melhorou. O Kardec continua evoluir, parece mais entrosado com as movimentações da equipa...
Obrigado Nuno, por mais um momento de felecidade...

Os assobios aquando da entrada do Peixoto foram vergonhosos, não sou um fã do jogador, mas em alguns jogos tem sido muito útil, não merece este tratamento.
Estamos em crise, mas continuo a pensar que as assistências na Catedral deixam muito a desejar. Eu não gosto da frase: 'somos o maior clube do mundo'!!! É uma opinião pessoal, mesmo no dia em que chegarmos aos 300 000 sócios, prefiro que sejam feitos apelos à humildade. Agora com médias de 30 000 nos jogos em casa, não podemos continuar a apregoar grandeza.

Impossível ganhar




Não vamos ser campeões. É impossível. Aquilo que se passou hoje, não é muito diferente, do que se tem passado em quase todas as jornadas. O Benfica raramente joga em superioridade numérica, os jogadores do Benfica são excluídos repetidamente jogo após jogo. O nosso Pivot é 'carne para canhão', vale tudo, e quando marcam falta, normalmente é ofensiva!!!


Se no futebol pode-se discutir a importância do Benfica no 'negócio', nas modalidades não há dúvidas, sem o Benfica os Campeonatos 'acabam'.

Como defendo para o Hóquei (bastante tempo), o Benfica deve fazer todos os esforços para poder participar nos Campeonatos Espanhóis, em Andebol, no Hóquei, em Futsal, no Volei, e até no Basket (mesmo na segunda divisão), a falta de vergonha é geral, não acredito em milagres.

Hoje chegámos a jogar com 3 jogadores de campo, e o guarda-redes!!! Voltamos a ter 10 exclusões contra 7 do adversário, sendo que os Osgas foram quase sempre excluídos em simultâneo com os Benfiquistas, jogando o Benfica praticamente durante todo o jogo em inferioridade numérica...

Rectificar o desaire da primeira volta


sábado, 13 de novembro de 2010

Nada fácil !!!



O Benfica teve muitas dificuldades em adaptar-se ao estilo jogo do adversário, com uma excelente defesa 'baixa', e uma distribuição muito rápida, atacando sempre no primeiro 'tempo', não dando tempo ao Benfica para 'montar' o bloco, uma das nossas principais armas. Seria difícil aos homens de Vila do Conde manterem o ritmo durante o jogo todo, e mesmo apesar dos 'chouriços' caírem sempre para o adversário, o Benfica acabou ir ganhando os Set's com alguma 'folga'.
Uma nota para a péssima arbitragem, enganaram-se vezes sem conta, bolas fora eram consideradas dentro e vice-versa, toques no bloco que nunca aconteceram e vice-versa!!! Só o facto de terem distribuído os erros a favor das duas equipas, iliba alguma da culpa!!! Por exemplo os dois primeiros pontos do jogo, um para cada lado, foram ambos atribuídos ao contrário...!!!

Mais uma...




Uma nota para expulsão do Joel Queirós, que poderá fazer muita falta na próxima Terça-feira no jogo contra o sempre difícil Instituto D. João V...
adenda: Vi o jogo dos Lagartos em Vizela, um pavilhão sempre difícil para os visitantes, normalmente com um ambiente que costuma dar origem a arbitragens caseiras. Curiosamente este fim-de-semana isso não aconteceu, bem pelo contrário!!! Um critério na marcação de faltas completamente absurdo, sempre em beneficio das Osgas 'mergulhadoras'!!! Que além da vaca descomunal, pois os dois primeiros golos foram auto-golos da Fundação, só marcaram o terceiro golo num livre de 10 metros, assim será muito difícil alguém derrotar os Lagartos...!!!

Regresso à normalidade...




Depois da derrota da semana passada, foi importante voltar a ganhar.

Relembrar que no jogo com os Corruptos na jornada anterior, existiram erros técnicos graves por parte da equipa de arbitragem, que em condições 'normais' (bastava o beneficiado ter sido o Benfica) obrigaria a Federação a tomar medidas 'extremas', mas...!!!

Grito de serenidade

"Não nego que os primeiros três golos me custaram horrores. A partir daí, assisti ao avolumar da goleada com outra dignidade e valentia: é incrível como se torna suportável ver a nossa equipa ser humilhada, quando o fazemos ao colo da nossa mãe.

É, por sinal, muito mais difícil confrontarmo-nos com o facto de este ter sido o terceiro banho de bola consecutivo que o Benfica levou do FC Porto (Dragão, Aveiro, Dragão), sem que se vislumbre uma superioridade técnico-tática que o justifique.

Não é que, pessoalmente, não tenha também muito receio dos remates do Hulk. Mas isso sou eu, que, quando vou ver os jogos ao estádio, fico sentado na bancada. Ali, mesmo a pedi-las.

É possível que a chave da superioridade do FC Porto nos embates com o Benfica esteja no tão propalado “grito de revolta” – e o campeonato da revolta é um que o clube da Luz nunca ganhará. A revolta é a marca dos pequeninos. São sempre os pequenos que se revoltam contra os grandes, e não o contrário. O Benfica é o que os outros querem ser, quando crescerem: vai-se revoltar contra quem, se não tem ninguém em cima? Contra o Norte? O Norte nunca nos fez mal nenhum, para além de estar pejado de bons benfiquistas. É certo que a Beira Alta sempre me enervou um bocadinho, mas é uma coisa mais minha…

Dito isto, esta semana, só encontrei consolo no Almanaque do Benfica – Edição Centenário, especificamente no testemunho de Rui Águas sobre a época de 1986/87: “É curioso dizer que essas duas derrotas [contra FC Porto e Sporting], com incidência para a do Sporting [por 7-1] acabaram por nos lançar para a vitória no campeonato e para a Taça. Ainda por cima, na Taça, voltámos a encontrar o Sporting. Aí, com a humilhação bem fresca na nossa memória, ganhámos” (pág. 409). Pelo sim, pelo não, é melhor os benfiquistas encherem o Estádio da Luz amanhã."

A ex-Bola


Não resisti a 'copiar' estas duas 'imagens' do Boloposte, via BnrB. Mais uma prova de como a brincar se diz as verdades...!!!

Mau 'começo', numa semana Europeia !!!


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O Benfica perdeu e perdeu bem no Dragão

"SE o Benfica persistir nas comparações com a última época, em vez de melhorar o seu desempenho nesta, vai ter dificuldades em atingir os objectivos que ainda tem nesta temporada, e são muitos e importantes.

Embora a reconquista do título já tenha ficado comprometida na fruta servida na sobremesa da homenagem a Olegário que antecedeu a deslocação a Guimarães, a verdade é que o Porto tem sido uma equipa tacticamente evoluída e o seu treinador é merecedor de elogios. Já aqui escrevi, na altura contra a corrente, que no último ano a Académica nos jogos contra o Benfica jogou do futebol mais positivo e conseguido que tinha visto. Tenho pena que haja quem prefira elogiar aqueles que conseguem um pontinho com o autocarro em frente da baliza, muito antijogo e muita sorte em vez daqueles que arriscam a praticar bom futebol. Eu quero uma vez mais reiterar o apreço por Villas Boas como treinador.

Jorge Jesus não esteve feliz nas opções tomadas no último jogo, mas foi Jorge Jesus quem nos deu o melhor Benfica dos últimos 10 anos e será ele que ainda esta época nos trará vitórias e títulos. Evitar a sportinguização do Benfica parece prioritário para quem leu os jornais desta semana. Urgente por agora é ganhar à Naval.

Não são capas panfletárias, nem psis de pacotilha que farão o clube chegar aos seus objectivos. Vinte jogos de campeonato, uma Taça de Portugal, uma Taça da Liga e a mais importante competição europeia de clubes parece suficiente como caderno de encargos.

Compro e leio todos os dias A BOLA, a partir de amanhã sem a crónica de Ricardo Araújo Pereira tiraram-me o meu garantido sorriso de sábado, fiquei privado de ler um amigo que admiro, mas sobretudo perdeu o Benfica e os nossos leitores um dos seus mais brilhantes e talentosos advogados. Que seja um parêntesis, que volte o sorriso da leitura e as vitórias com brevidade que nós merecemos."

Sílvio Cervan, in A Bola

Segredo está na coesão interna

"QUANDO o Benfica decidiu estar presente nas celebrações do 35.º aniversário da Independência de Angola, muitos torceram o nariz a um jogo que ia obrigar a equipa de Jorge Jesus, entre duas jornadas da Liga Zon-Sagres, a uma viagem-relâmpago a Luanda.
Porém, na ressaca da derrota no Dragão, poucas coisas poderiam ter um efeito tão regenerador como uma mudança de ares. Os encarnados recuperaram a auto-estima em Angola, onde foram embaixadores de excelência de Portugal, ao mesmo tempo que carregaram baterias para o resto da temporada.
Há uma semana, no Dragão, a Lei de Murphy aplicou-se ao Benfica: tudo o que podia correr mal, correu pior. Depois de um início de época atribulado, entre exibições menos conseguidas e arbitragens penalizadoras, a goleada sofrida frente ao FC Porto representou o ‘bater no fundo’ do Benfica. Agora, na Luz, é tempo de cerrar fileiras e atacar todas as competições com a convicção de que, depois da tempestade, vem sempre a bonança.
Os 20 jogos que faltam disputar na Liga, a Taça de Portugal, a Champions e a Bwin Cup constituem um desafio global que nunca será superado com êxito só por jogadores, ou técnicos, ou dirigentes, ou sócios ou adeptos… Só um clube unido, sem brechas nas fileiras, estará à altura de tão exigente demanda.

PS – Em 1986/87, a 16 jornadas do fim, o Benfica foi goleado por 7-1 em Alvalade. Os encarnados sobreviveram à humilhação e sagraram-se campeões. E nem as vicissitudes de um acto eleitoral (João Santos derrotou Fernando Martins)que teve lugar na recta final do Campeonato corromperam a coesão do clube ou minaram o balneário."
José Manuel Delgado, in A Bola

E agora Benfica?

"Os dados estavam lançados, a margem de erro para o Benfica era mínima ou mesmo inexistente. Mais do que isso, exigia-se um Benfica competente, afoito, resoluto. Só um Benfica na posse dos seus melhores atributos poderia levar de vencida um FC Porto forte, coeso, estimulado. O cenário do Dragão constituía, desde logo, mais uma adversidade para as pretensões rubras.

Que Benfica se viu? O melhor Benfica, tal como era exigido? Ao contrário, um Benfica débil, insuficiente, desmoralizado. O triunfo do adversário foi inquestionável, ainda que os números da vitória sejam tão cruéis quanto injustos. A verdade é que no mais decisivo encontro da temporada, o Benfica não soube puxar os galões de campeão e até sugeriu passar o testemunho ao rival.

Discutem-se as opções do treinador. Com razão? Se calhar, sim. Todavia, também se afigura irrecusável, no final dos jogos todos ganham, todos estão na posse da receita certa. Jesus falhou? Se calhar, sim. E quantas vezes acertou em inúmeras circunstâncias? O pior é que este era o tal jogo em que a falha estava absolutamente interdita.

E agora? Há muito campeonato, há mais Ligas, há outras competições. Uma coisa é certa: o desempenho do Dragão não pode repetir-se. A época não está perdida, está comprometida. Ainda assim, acredite-se que o desastre no Porto até pode ser pedagógico, até pode devolver aos adeptos encarnados o melhor Benfica. É que só esse Benfica traz o suplemento de alma que os aficionados exigem até ao termo da temporada futebolística."
Luís Seara Cardoso, in Record

Superlativos

"Quando eu andava na escola e a Gramática ainda não era uma “arma de arremesso” para causar traumas aos alunos, estudávamos com atenção os Comparativos e os Superlativos. Mais: éramos prevenidos para a circunstância de estes últimos deverem ser utilizados com parcimónia, sob pena de se desvalorizarem e banalizarem. O que tem isto a ver com o futebol e, concretamente, com o clássico – pouco clássico – do último domingo? Simples: Jorge Jesus está agora a pagar (e parece cada vez mais certo que o fará com juros elevados) a fatura tresloucada dos encómios superlativos que, por causa de uma época meritória e categórica como o Benfica há muito não vivia, foram depositando na sua conta. Sempre que o faziam, subiam a fasquia. A cada nova palmada nas costas, o técnico – um respeitável “self made man”, que subiu a pulso e chegou onde merecia – era empurrado para maiores responsabilidades. Embevecido, a vingar os anos de penumbra, deixava-se empurrar e discursava em conformidade com o que nele queriam ver. Agora, com a humilhação de domingo (que vale tanto pelo resultado como pela exibição, ou falta dela), Jesus é despojado dos Superlativos e atirado para o odioso terreno dos Comparativos. Eis a imagem perfeita do futebol contemporâneo, célere a criar ídolos, veloz a destruí-los.

Começam as exigências de “serviços mínimos”. Revelam-se azias, até agora insuspeitas, no balneário. Contestam-se as escolhas, nem por isso diferentes de outras ocasiões críticas (Liverpool, claro). Ridicularizam-se as palavras. Ora, o que se passou no Dragão é, afinal, muito simples e ultrapassa as colocações suicidas de David Luiz e Fábio Coentrão ou as exclusões de Saviola e Airton: o campeão entrou a jogar exclusivamente em função do adversário. Tanto assim que se contam pelos dedos de uma só mão (não é ironia…) os remates que fez. Ao proceder desta forma, ressuscitou o fantasma que viveu instalado por mais de uma década para os lados da Luz – chama-se FC Porto. Quantas vezes se viu o Benfica entrar já em perda psicológica (leia-se “medo”) para os jogos com o rival do Norte? E quantos anos foram precisos para que esse complexo se desvanecesse? Agora, nem era preciso dar mais esse trunfo a uma equipa que se mostrava poderosa e compacta. Mas o Benfica ainda ofereceu mais essa vantagem de mão dada. Falta apurar se voltou à estaca zero e à tremideira.

Daqui em diante, pede-se mais trabalho e menos garganta. Mesmo sem título, ainda há muita margem para minorar os estragos.
Já agora, superlativo no domingo, só mesmo o FC Porto. E André Villas-Boas.

NOTA – Rogério Alves praticou, fora de horas, um dos seus desportos favoritos: a verborreia. Mas há quem não durma: nem Deus, nem Maniche, nem Targino"
João Gobern, in Record