Últimas indefectivações
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026
Vitória clara
"O Benfica ganhou por 0-2 na deslocação ao reduto do Rio Ave. Este é o tema em destaque na BNews.
1. Triunfo justo
Na opinião de José Mourinho, "foi uma vitória expressiva". O treinador do Benfica desenvolve a ideia: "Com gente obviamente fatigada conseguir chegar aqui e ganhar de maneira... O resultado não é expressivo, mas acho que o modo como eles jogaram e dominaram e controlaram o jogo, acho que é expressivo."
2. Man of the Match
Autor do primeiro golo benfiquista e considerado o Homem do Jogo, Leandro Barreiro destaca a abordagem à partida por parte da equipa do Benfica: "Sabíamos que tínhamos de entrar forte no jogo, e foi isso que fizemos. Tivemos logo muitas oportunidades para marcar o golo, demorou um pouco, mas, sim, essa era a ideia para a entrada no jogo."
3. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, os dois golos marcados pelo Benfica ao Rio Ave.
4. Comunicado
Leia o desmentido oficial sobre o conteúdo de uma peça publicada no Maisfutebol.
5. Outros resultados
No futebol de formação, a equipa B do Benfica ganhou ao Chaves por 1-0. Os Sub-17 foram derrotados pelo Casa Pia por 1-2. Nesta manhã, os Iniciados golearam o Barreirense por 6-0.
Em hóquei em patins, o Benfica ganhou por 5-1 ao OC Barcelos. Em voleibol, vitória, por 3-0, ante o SC Espinho. Em râguebi, derrota com o Belenenses por 12-24.
Quanto a equipas femininas, triunfos em andebol no reduto do Colgaia (18-35), em futsal ante a UD Os Pinhelenses (13-0), hóquei em patins frente à Académica (0-11) e voleibol em Guimarães (0-3).
6. Jogos do dia
A equipa feminina de futebol visita o Torreense nos quartos de final da Taça de Portugal (16h00). A equipa feminina de voleibol recebe o Vitória SC, às 15h00, na Luz.
7. Contributos internacionais
Acompanhe o desempenho dos jogadores do Benfica no europeu de andebol.
8. Campeonato Nacional de Estrada
Etson Barros e Samuel Barata, atletas do Sport Lisboa e Benfica, foram 2.º e 3.º classificados no Campeonato Nacional de Estrada de 10 km."
Neemias Queta: mais do que um pioneiro, um espelho para o desporto português
"Durante décadas, o desporto português olhou para a NBA como quem olha para um continente distante: admirável, quase mítico, reservado quase exclusivamente a outros. Neemias Queta mudou esse enquadramento. Mas a grandeza do seu percurso não reside apenas no facto de ter sido o primeiro português a lá chegar. Está, sobretudo, na forma como chegou, como se manteve e no que hoje simboliza para o futuro do desporto nacional
Num país habituado a histórias rápidas de sucesso, muitas vezes inflacionadas pela expectativa e empobrecidas pela paciência, Neemias construiu o seu caminho no sentido oposto ao ruído. Sem fazer corta-mato. Sem protagonismos excessivos. Com trabalho silencioso, leitura do contexto e uma rara capacidade de compreender o tempo das coisas. No alto rendimento, essa maturidade é tão determinante quanto a competência técnica, a condição física ou a força/resistência mental.
A narrativa fácil seria a do sonho americano: o rapaz do Vale da Amoreira que chega à NBA e se sagra campeão pelos Boston Celtics. Mas essa leitura é curta. Muito curta. Entre o sonho e o título houve G League, contratos two-way, minutos escassos, dispensas, espera, adaptação e, acima de tudo, humildade competitiva. Neemias percebeu cedo uma das verdades mais duras do desporto de elite: nem todos chegam para ser estrelas; muitos chegam para ser solução. E é precisamente aí que se torna verdadeiramente especial.
Queta nunca foi o jogador dos highlights fáceis. Foi, e continua a ser, o jogador de impacto invisível. Bloqueia, ressalta, protege o aro, cumpre o papel. Aprende. Evolui. Ganha a confiança dos treinadores. E isso explica por que razão, num dos franchises mais exigentes da NBA, passou de aposta de profundidade a campeão… e, depois, a titular.
Porque em 2025/26, Neemias deixou definitivamente de ser o português na NBA. Tornou-se, simplesmente, um jogador NBA. Ponto final.
A titularidade assumida nos Boston Celtics, uma das organizações mais exigentes e competitivas da liga, é o reflexo de um processo longo, silencioso e altamente profissional. Mas é nos dados em jogo que essa afirmação ganha corpo, transformando-se em performance regular.
Na presente época, já não falamos de um jogador em fase experimental ou de rotação ocasional. Falamos de um atleta plenamente integrado no modelo dos Celtics, com responsabilidades defensivas claras e contributo direto para os resultados da equipa. Em minutos ainda geridos, mas consistentes, Neemias apresenta números que dizem muito mais do que aparentam:
· Performances de 19 pontos e 18 ressaltos, com oito ofensivos, em jogos de elevada exigência física;
· Vários duplos-duplos sempre que o tempo em campo aumenta;
· Eficiência superior a 60% no lançamento, reflexo de critério e inteligência ofensiva;
· Impacto defensivo regular, expresso em blocos, desarmes, contenção no pick-and-roll e proteção do aro, muitas vezes invisíveis na estatística tradicional.
É precisamente neste contexto que surge um feito que transcende a estatística comum e entra diretamente na história da NBA. Neemias Queta tornou-se o primeiro jogador de sempre na liga a registar 20 ressaltos, 10 ofensivos e 10 defensivos, num único jogo em menos de 25 minutos. Um dado raríssimo, que ganha verdadeira dimensão quando comparado com a elite dos postes históricos da competição. Jogadores como Shaquille O’Neal, Dwight Howard, Tim Duncan, Hakeem Olajuwon ou Rudy Gobert precisaram de mais tempo em campo para atingir patamares semelhantes. Mesmo em contextos dominantes, raramente o impacto no ressalto se distribuiu de forma tão equilibrada entre ataque e defesa num espaço temporal tão curto.
Este registo não fala apenas de força física ou estatura. Fala de posicionamento, inteligência, leitura de trajetórias, sentido de oportunidade, resistência mental e compromisso com cada posse de bola. Não é um recorde de espetáculo, é antes um recorde de eficiência competitiva. Impacto máximo no menor tempo possível. A essência do jogador que Neemias se tornou.
Estes números não são artificiais. Não resultam de volume nem de liberdade excessiva. Resultam da confiança do treinador, do respeito do balneário e da clareza do papel. Neemias não joga para mostrar. Joga para acrescentar valor.
Numa equipa candidata ao título, onde a margem de erro é mínima, Queta construiu o seu espaço através daquilo que nunca sai de moda: defesa, compromisso, atitude, inteligência emocional e ética de trabalho. E quando um jogador com este perfil começa a somar minutos, estatuto e confiança interna, o sinal é inequívoco: não está lá por exceção; está lá por competência.
Em Boston, essa valorização tem sido pública e consistente. Joe Mazzulla, treinador principal dos Celtics, tem sublinhado repetidamente a disciplina defensiva, a leitura de jogo e a fiabilidade tática de Neemias. Num franchise de exigência onde nada é concedido por simpatia, esses sinais dizem muito.
Dentro do balneário, o reconhecimento é igualmente claro. Colegas com estatuto consolidado identificam nele aquilo que a NBA mais valoriza nos jogadores que crescem de rotação para titulares: consistência diária, impacto sem ego e total disponibilidade para o coletivo. Neemias não precisa da bola para ser útil e isso torna-o particularmente valioso na NBA.
Também os analistas da liga o descrevem como um center funcional moderno: protege o aro, executa bloqueios eficazes, finaliza com eficiência e aceita plenamente o papel coletivo. Num contexto obcecado com a rápida tomada de decisão, Neemias encontrou a sua identidade sem tentar ser aquilo que não é.
E esse reconhecimento externo é tão relevante quanto as estatísticas. É aqui que o seu impacto extravasa a NBA e toca diretamente o basquetebol português. Neemias Queta é hoje mais do que um caso de sucesso individual: é um modelo de desenvolvimento. Mostra aos jovens que o caminho não passa pelos atalhos da exposição precoce, mas pela atitude certa e pela construção paciente dos fundamentos. Mostra aos treinadores que o detalhe defensivo e o compromisso coletivo continuam a ser algo que se deve valorizar. Mostra aos dirigentes que o talento só floresce quando acompanhado por estrutura, exigência e tempo.
Na seleção nacional, o reflexo é evidente. Portugal passou a acreditar, liderar momentos e reclamar respeito. Não apenas porque tem um jogador da NBA, mas porque esse jogador lidera com rendimento e exemplo, não com estatuto.
O mais relevante no percurso de Neemias Queta não é o facto de ter sido campeão da NBA. É tê-lo sido sem nunca trair o processo que o levou até lá.
O Neemias não é apenas um pioneiro. É um espelho. E, hoje, é também uma referência e um exemplo."
A final: onde todos querem chegar
"O peso do jogo de atribuição do terceiro e quarto lugares na visão de Acácio Santos, ex-adjunto de José Peseiro na seleção da Nigéria
Antes de mais, uma nota que não é consensual, mas é real: o 3.º lugar é competitivamente mais honroso do que o 4.º. Num mundo de performance, o objetivo tem de ser sempre atingir o máximo rendimento possível. Nunca disputei um jogo de 3.º lugar, mas imagino a dificuldade emocional que é, após a frustração de falhar uma final, voltar a ativar os jogadores para competir. Ainda mais numa seleção nacional, onde a motivação não é financeira. É egóica, identitária, ligada ao país, à família, ao respeito e ao desejo de ficar na história.
Respeito total pela Nigéria e pelo Egito pelo jogo realizado nessa disputa.
Mas o que é, afinal, estar numa final de uma competição de seleções?
Não é fácil lá chegar. Muito poucos o conseguem. Apenas três treinadores portugueses atingiram uma final da CAN: Carlos Queiroz, José Peseiro e Nelo Vingada. Tive o privilégio de fazer parte da última final da AFCON 2024, ao serviço da Nigéria. E isso marca-nos para sempre.
Jogámos contra a Costa do Marfim, uma seleção que protagonizou uma recuperação notável. Esteve praticamente fora nos oitavos-de-final, conseguiu o apuramento, mudou de treinador e alterou completamente o enquadramento competitivo. A responsabilidade passou claramente para os jogadores, com protagonismo forte do adjunto, e o efeito foi imediato. Resultou. Acabaram campeões.
Minutos antes de entrarmos em campo para a final, em Abidjan, o que mais me impressionou foi a moldura humana no estádio. Algo verdadeiramente esmagador. A determinada altura do jogo, sentia dores de cabeça com o barulho constante do apoio costa-marfinense. Foi uma final emotiva, intensa, bem jogada, com oportunidades de parte a parte. Como uma final deve ser.
Depois de termos vencido a África do Sul nas meias-finais, pairava no ar uma sensação clara de dever cumprido: chegámos à final. Mas isso não basta. O maior desafio passou a ser este: transformar o “chegámos” em “vamos ganhar”. Não permitir que os níveis de ativação baixassem, não aceitar a ideia inconsciente de missão cumprida.
Para além da estratégia de jogo, tivemos de gerir tudo o que rodeia uma final: media, adeptos, figuras do governo a quererem proximidade com os “heróis”, impacto das famílias, solicitações constantes. A nossa preocupação passou a ser reduzir ruído, proteger os jogadores e recentrar tudo na missão. Nada tinha sido conquistado ainda.
É exatamente essa sensação que Marrocos e Senegal irão sentir hoje. Muito ruído, enorme pressão, dificuldade em manter foco e concentração, e a consciência clara de que ainda não há nada ganho.
Comecei a caminhada na Seleção da Nigéria com um sonho simples: ser campeão da CAN. Chegámos à final. Saí melhor treinador. Melhor líder de contextos. E, acima de tudo, conheci-me melhor a mim próprio.
No futebol — e na vida — tudo é possível."
SOUBE A POUCO ESTA BELA JOGATANA!
"Rio Ave 0 - 2 BENFICA
15 minutos de luxo: futebol rápido, intenso, combinado, muitas oportunidades para um golo que soube a justiça, mas, ainda assim, a pouco.
20 penálti claro, jogador, mesmo que em queda, joga a bola intencionalmente com a mão. Surpreendentemente o VAR chama o árbitro e - um escândalo - o penálti é revertido. Porque é que só ao Benfica os VAR revertem decisões que nos são favoráveis?
Um defesa do Rio Ave fez involuntária justiça com um autogolo em forma de chapéu para o dois-zero. Mais do que justo, justíssimo!
45 o jogo manteve a toada, talvez os melhores 45 minutos da era Mourinho, futebol ofensivo, variado, rápido, o Rio Ave encostado às cordas, redes deles em evidência, ferros a ajudarem-nos, mais um penálti, este nem precisou de ser revertido porque nem foi assinalado, árbitro e VAR a brincar aos cowboys. Gostei destes 45+5 minutos, gostei muito!
50 o descanso não fez mal, fez bem à equipa, reentrou a todo o gás, pressão alta, avalancha ofensiva, jogadas de perigo. O jogo do Benfica parece um treino em que não se pide dar mais que dois toques na bola.
65 não é humanamente possível manter o ritmo da primeira parte e do início da segunda nos 90 minutos. O Rio Ave já vai aparecendo no nosso terço defensivo. Mas o perigo maior continua a ser nosso.
69 não gosto de ver golos anulados por 7 centímetros. Mas as imagens não deixaram dúvidas do fora de jogo, as dúvidas é como foram só 7 centímetros.
90+5 boa gestão da vantagem, jogo controlado, equipa solidária e sólida, as alterações a correrem bem. Bela jogatana! Gostei muito de Aursnes no meio, de Sudakov no meio, dos alas Prestianni e Schjelderup, gostei de tudos, todos estiveram muito bem."
Um Benfica em penitência pôs os extremos meia-leca a sacrificarem-se frente ao Rio Ave
"Como que se desculpabilizando por ter sido eliminado das taças, o Benfica fez em Vila do Conde (2-0) o tipo de exibição que precisava de ter realizado mais vezes no passado para não deixar fugir a liderança do campeonato. O alvo dos encarnados no mercado de inverno, André Luiz, já vai com a equipa para Lisboa no bolso de Dahl. Prestianni e Schjelderup acicataram
Por vezes, há um estorvo mental que trava a fruição. Neste momento, o Benfica joga sem nada a perder, porque praticamente já perdeu tudo o que podia e viu-se livre desse empecilho chamado pressão.
Descontextualizada, a exibição dos encarnados em Vila do Conde foi digna de um candidato ao título. As chuteiras dos jogadores de José Mourinho cravaram-se quase sempre no meio-campo ofensivo. Só não saturaram a relva, porque ao intervalo as peças giraram.
A bola andou a ritmos diabólicos no último terço, incentivada a escorrer de pé para pé pelos extremos meia-leca, Schjelderup e Prestianni. Dedic foi o lateral infiltrador que demonstrou ser antes da lesão e Sudakov fez por se proteger das pauladas morais que o treinador constantemente lhe dá.
Mas se o Benfica tivesse sido isto nas 17 jornadas anteriores, o primeiro lugar do campeonato era seu. Mesmo noutros cenários, uma exibição semelhante teria ajudado à sobrevivência na Taça da Liga e na Taça de Portugal, competições que recentemente escaparam em definitivo à agenda do clube da Luz.
José Mourinho mostrou-se despreocupado com a proximidade do jogo com a Juventus para a Liga dos Campeões, onde o Benfica ainda pode fazer uns trocos. Talvez esta fosse uma sensação confirmada na véspera se o Special One não tivesse feito a antevisão da viagem a Vila do Conde apenas ao canal do Estado, a Benfica TV. Das soluções disponíveis, Barrenechea era o único jogador sentado no banco que podia ter dado outra força ao lote de titulares.
O meio-campo teve que se aguentar com Aursnes e Leandro Barreiro. O vértice mais adiantado, Sudakov, imaginou uma solução que pôs em prática ao picar para Prestianni. A defesa rio avista entrou em pânico e Nelson Abbey entregou a bola ao inimigo. Cezary Miszta abrandou a força do remate de Pavlidis para que os colegas pudessem aliviar.
Os extremos de roda baixa entenderam-se quando Prestianni fez um cruzamento chegar a Schjelderup e este atirou ao poste. O Benfica estava um passo mais próximo do golo que veio logo de seguida. Sudakov levantou e Leandro Barreiro, por esquecimento da quinta pior defesa do campeonato, cabeceou sem oposição.
Onde havia bola, havia Prestianni, um ansioso argentino sem retrovisores. Porém, na ala direita, não absorvia todo o protagonismo. Dedic cruzou para a área e Andreas Ntoi equivocou-se, marcando na própria baliza.
Na primeira volta, na Luz, André Luiz até foi suplente. Desta vez, esteve escarrapachado no onze inicial do Rio Ave mesmo para melindrar o Benfica com aquilo que tanto quer. O desacordo quanto à quantidade de milhões a transferir fez com que o brasileiro tenha jogado este encontro pelo Rio Ave e não pelos encarnados.
O extremo foi mais bem controlado por Dahl do que Clayton pelos centrais. O homem com ordens de Sotiris Silaidopoulos para ir mais além no posicionamento libertou-se dos defesas e, na segunda vaga, Ntoi aproveitou a para demonstrar que, afinal, consegue distinguir os alvos.
Inicialmente, Clayton pôs os defesas em trabalhos. Depois, colocou a cabine do VAR a fazer um exercício de geometria descritiva em cima da posição em que marcou. O resultado foi: anular.
O Benfica feria menos. Sudakov arriscava de meia distância, mas a equipa não retomou a capacidade ofensiva da primeira parte. Sidny Cabral entrou para ressuscitar esse espírito e penalizar um Rio Ave decidido a tentar dividir o jogo. Sem sucesso.
A I Liga parece para o Benfica um daqueles campeonatos que chega a uma fase em que há equipas a seguirem para o apuramento de campeão e outras a disputarem um torneio de encerramento. Os encarnados assemelham-se aos clubes que ficam na fronteira entre avançar para um grupo, mas acabam por ficar no conjunto de relegados. Por ser o melhor dos restantes, convence a jogar de maneira descomplexada num nível abaixo."
Benfica com muitos caçadores a disparar a tudo o que mexe
"Mourinho disse que a equipa daria caça a Sporting e FC Porto e a equipa começou a cumprir a promessa. Fez das melhores primeiras partes da época. Na segunda acabou por guardar pólvora para novas montarias
Num contexto em que os portugueses, por força de campanha para a presidência da República, já estarão cansados de promessas, talvez ainda mais os benfiquistas cujas recentes eleições no clube ainda estarão frescas na memória, o anúncio de José Mourinho, na véspera do jogo com o Rio Ave, de que a equipa iria «dar caça» a FC Porto e Sporting, após duas derrotas seguidas que custaram eliminações na Taça da Liga e na Taça de Portugal, poderia muito bem ser interpretado como mais uma promessa que o vento levaria. Especialmente em Vila do Conde, onde sopra forte. Mas, não, pelo que se viu contra o Rio Ave — uma das melhores e mais afirmativas primeiras partes desde que Mourinho voltou à Luz, enquanto a segunda já sem o mesmo espírito sanguinário mas com a confiança e segurança de quem tem as coisas controladas — será mesmo para levar a sério.
Na montaria, se nos é permitida a expressão, de Vila do Conde, o Benfica foi, então, à caça sem o peso negativo do passado recente, da pressão acrescida de não poder voltar a falhar, até da desconfiança de muitos que lhe são próximos, sim, os próprios adeptos. Viu-se, então, um batalhão de caçadores com dedo leve no gatilho, a disparar a tudo o que mexia. De tal forma que quando marcou pela primeira vez, ou seja, quando fez a primeira vítima aos 16' — cabeceamento de Barreiro após centro de Sudakov — já tinha rematado nove vezes, três das quais com muito perigo. Aos 20’ só não caiu mais uma presa porque o VAR reverteu um penálti assinalado por mão de Athanasiou na área. Cinco minutos depois o Benfica aumentou mesmo a vantagem, num autogolo de Ntoi, depois de nova ação de Dedic na área vila-condense.
O Benfica produziu, pois, um futebol atrativo, rápido, vertical, com exploração dos corredores e combinações tão simples quanto eficazes — chegou muitas vezes à baliza do Rio Ave, fartou-se de rematar. Sudakov sentiu-se como peixe na água atrás de Pavlidis, mais soltinho, Schjelderup e Prestianni ofereceram soluções por fora e por dentro e abriram caminho às correrias de Dahl e Dedic.
O Benfica chegou ao intervalo a ganhar por 2-0, mas com a sensação de que tantos disparos (15) justificariam outro resultado mais gordo. Essa vocação ofensiva, de afirmação, também só funcionou porque muitos bateram o mato — faziam o trabalho mais difícil de pressionar e recuperar depressa a bola — para outros apanhar a caça. Na primeira parte, viu-se apenas Trubin duas vezes, a primeira a agarrar um cabeceamento fraco de Clayton, a segunda a voar para a direita depois de um remate perigoso de Ntoi.
Com três remates e dois pontapés de canto nos primeiros cinco minutos da segunda parte, percebeu-se que o Benfica sentiu que não tinha acabado o trabalho. Mas, com os minutos a passar, já sem a mesma facilidade na capacidade de pressionar a saída de bola do Rio Ave e na reorganização defensiva, e também com menos utilização de munições, permitiu que algumas presas pudessem respirar. Aos 69’ Clayton marcou, mas o golo foi anulado por fora de jogo. Pode alguém ter pensado, naquela altura, que a cauda — neste caso a segunda parte — é a mais difícil de esfolar.
O Benfica continuou, porém, muito mais ofensivo que o Rio Ave, rematou mais, teve mais bola e, no fundo, controlou o jogo com maturidade de quem sabe que tem de guardar pólvora para outros dias e que a caça que levou para casa o deixava satisfeito. Não se poderá esquecer, como a época já provou, que um dia é do caçador e outro da caça."
Bola no pé de Dedic era bola sempre perigosa
"A maioria das jogadas perigosas do Benfica foram iniciadas/construídas pelo bósnio. Barreiro marcou golo importante, Sudakov esteve muito bem e não houve ninguém abaixo de um nível médio-alto
Melhor em jogo:
(7) Dedic
Bola no pé era bola em busca de perigo na área vilacondense. Deu o primeiro sinal de maior perigo aos 20’, obrigando Athanasiou, na queda, a meter mão à bola na área. O árbitro assinalou penálti, o VAR sugeriu-lhe rever o lance e Cláudio Pereira voltou atrás com a decisão. O segundo momento de grande perigo por parte do bósnio foi insólito. Voltou a entrar aos repelões pelo meio, queria abrir na esquerda para Barreiro, mas apareceu Ntoi a cortar o lance, com a bola a entrar na baliza de Miszta.
(6) Trubin – A pulsação do ucraniano só acelerou ao minuto 40, quando Ntoi, de muito longe, rematou forte e a bola passou a milímetros do poste direito. Antes e depois, quase completa bradicardia.
(6) Tomás Araújo – Jogo muito sossegado em termos defensivos e relativamente ousado a atacar a baliza do Rio Ave. O melhor momento aconteceu aos 12’, na sequência de canto de Sudakov, mas o desvio de cabeça saiu-lhe fraco e sem o melhor enquadramento. Remate forte, a abrir a segunda parte, para defesa segura de Miszta e, aos 69’, deixou fugir Clayton para o remate do brasileiro que acabou no fundo da baliza de Trubin. Porém, o 9 do Rio Ave estava fora de jogo.
(6) Otamendi – Não foi sujeito a momentos de muita aflição e não teve oportunidade de criar perigo junto de Miszta. Noite tranquila para o capitão encarnado.
(7) Dahl – Impotente na marcação, em cima ou não, ao perigoso André Luiz. Uma das melhores exibições esta época do sueco, a defender e a atacar.
(7) Leandro Barreiro – Não é alto e, talvez por isso, apareceu despercebido a desviar de cabeça, para o fundo da baliza, o cruzamento largo de Sudakov. Muito bom corte sobre André Luiz, já na segunda parte, quando o brasileiro partia com muito perigo do meio-campo encarnado. Aquele que é visto por muitos como uma espécie de patinho feito foi em Vila do Conde um pequenino cisne.
(7) Aursnes – A época vai a meio e o norueguês soma 35 jogos e 2988 minutos. Ou seja, entrou em todos os jogos e a média de minutos é absurda: 85. Não admira, pois, que aqui e ali o número 8 tenha quebras de rendimento. Não a teve frente ao Rio Ave. Voltou ao jogo a médio centro, desta vez ao lado de Barreiro, depois de o ter feito no Dragão, primeiro com Ríos, depois com Sudakov. Mostrou-se irrepreensível a fechar o miolo.
(7) Prestianni – No Dragão, há escassos dias, arrancara 15 minutos de bom nível. Desta vez, a pilha durou muito mais tempo. Raides sucessivos pela direita, imensos cruzamentos rasteiros para potenciais entradas de Pavlidis, Schjelderup ou Sudakov e alguns remates de perigo relativo. Ao minuto 15, o ponto alto. Passe atrasado para o remate de Schjelderup, o qual, sem marcação, arrancou o primeiro momento de grande perigo, com a bola a ser desviada por Miszta para o poste. Continuou a trabalhar muito e ainda a tentar criar perigo, até que, como se antevia, saiu aos 78’ para entrar João Rego.
(7) Sudakov – Começa a confirmar-se que, de facto, uma coisa é jogar na ala, outra é fazê-lo no meio. Sabe-se que o ucraniano gosta de ter bola e que não gosta muito de não ter espaço para com ela progredir. Em Vila do Conde teve bola e espaço e, por isso, brilhou. Foi o marcador de cantos de serviço e, na sequência de um deles, levantou a bola para a cabeça de Leandro Barreiro, que a desviou para o fundo da baliza de Miszta.
(7) Schjelderup – Não era titular em jogos de Liga desde a receção ao Gil Vicente, a 26 de setembro, aparecendo solto, veloz e incisivo no regresso ao onze inicial. Teve aos 15’ oportunidade de criar perigo e o remate poderia ter dado golo, não fosse a intervenção de Miszta a desviar para o poste esquerdo. Saiu aos 62’, após uma série de jogadas a …
(6) Pavlidis – Terminou um jogo do Dragão com falhanço incrível e agora, nos Arcos, poderia ter feito melhor logo aos 7’, quando tinha a baliza quase aberta após corte defeituoso de Nelson Abbey. O remate do grego foi na direção da baliza, mas o inglês recolocou-se e cortou a bola. Chegou atrasado ao cruzamento de Sidny Cabral, aos 72’, na jogada em que esteve mais perto do golo. Depois, como sempre, mostrou-se incansável a lutar pela bola e a ajudar a defender, quando tal era necessário. Quando um ponta de lança não marca golos, surge sempre uma pequena deceção, mas o possante grego, sem arrancar exibição brilhante, esteve bem.
(5) Sidny Cabral – Grande cruzamento aos 72’ para a potencial entrada de Pavlidis, que chegou atrasado
(-) João Rego – Algumas tentativas para criar perigo pelo lado direito, mas sem sucesso
(-) Manu – Canto de Sidny e desvio de cabeça de Manu, já na compensação, embora sem a melhor direção."
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