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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Um Benfica em penitência pôs os extremos meia-leca a sacrificarem-se frente ao Rio Ave


"Como que se desculpabilizando por ter sido eliminado das taças, o Benfica fez em Vila do Conde (2-0) o tipo de exibição que precisava de ter realizado mais vezes no passado para não deixar fugir a liderança do campeonato. O alvo dos encarnados no mercado de inverno, André Luiz, já vai com a equipa para Lisboa no bolso de Dahl. Prestianni e Schjelderup acicataram

Por vezes, há um estorvo mental que trava a fruição. Neste momento, o Benfica joga sem nada a perder, porque praticamente já perdeu tudo o que podia e viu-se livre desse empecilho chamado pressão.
Descontextualizada, a exibição dos encarnados em Vila do Conde foi digna de um candidato ao título. As chuteiras dos jogadores de José Mourinho cravaram-se quase sempre no meio-campo ofensivo. Só não saturaram a relva, porque ao intervalo as peças giraram.
A bola andou a ritmos diabólicos no último terço, incentivada a escorrer de pé para pé pelos extremos meia-leca, Schjelderup e Prestianni. Dedic foi o lateral infiltrador que demonstrou ser antes da lesão e Sudakov fez por se proteger das pauladas morais que o treinador constantemente lhe dá.
Mas se o Benfica tivesse sido isto nas 17 jornadas anteriores, o primeiro lugar do campeonato era seu. Mesmo noutros cenários, uma exibição semelhante teria ajudado à sobrevivência na Taça da Liga e na Taça de Portugal, competições que recentemente escaparam em definitivo à agenda do clube da Luz.
José Mourinho mostrou-se despreocupado com a proximidade do jogo com a Juventus para a Liga dos Campeões, onde o Benfica ainda pode fazer uns trocos. Talvez esta fosse uma sensação confirmada na véspera se o Special One não tivesse feito a antevisão da viagem a Vila do Conde apenas ao canal do Estado, a Benfica TV. Das soluções disponíveis, Barrenechea era o único jogador sentado no banco que podia ter dado outra força ao lote de titulares.
O meio-campo teve que se aguentar com Aursnes e Leandro Barreiro. O vértice mais adiantado, Sudakov, imaginou uma solução que pôs em prática ao picar para Prestianni. A defesa rio avista entrou em pânico e Nelson Abbey entregou a bola ao inimigo. Cezary Miszta abrandou a força do remate de Pavlidis para que os colegas pudessem aliviar.
Os extremos de roda baixa entenderam-se quando Prestianni fez um cruzamento chegar a Schjelderup e este atirou ao poste. O Benfica estava um passo mais próximo do golo que veio logo de seguida. Sudakov levantou e Leandro Barreiro, por esquecimento da quinta pior defesa do campeonato, cabeceou sem oposição.
Onde havia bola, havia Prestianni, um ansioso argentino sem retrovisores. Porém, na ala direita, não absorvia todo o protagonismo. Dedic cruzou para a área e Andreas Ntoi equivocou-se, marcando na própria baliza.
Na primeira volta, na Luz, André Luiz até foi suplente. Desta vez, esteve escarrapachado no onze inicial do Rio Ave mesmo para melindrar o Benfica com aquilo que tanto quer. O desacordo quanto à quantidade de milhões a transferir fez com que o brasileiro tenha jogado este encontro pelo Rio Ave e não pelos encarnados.
O extremo foi mais bem controlado por Dahl do que Clayton pelos centrais. O homem com ordens de Sotiris Silaidopoulos para ir mais além no posicionamento libertou-se dos defesas e, na segunda vaga, Ntoi aproveitou a para demonstrar que, afinal, consegue distinguir os alvos.
Inicialmente, Clayton pôs os defesas em trabalhos. Depois, colocou a cabine do VAR a fazer um exercício de geometria descritiva em cima da posição em que marcou. O resultado foi: anular.
O Benfica feria menos. Sudakov arriscava de meia distância, mas a equipa não retomou a capacidade ofensiva da primeira parte. Sidny Cabral entrou para ressuscitar esse espírito e penalizar um Rio Ave decidido a tentar dividir o jogo. Sem sucesso.
A I Liga parece para o Benfica um daqueles campeonatos que chega a uma fase em que há equipas a seguirem para o apuramento de campeão e outras a disputarem um torneio de encerramento. Os encarnados assemelham-se aos clubes que ficam na fronteira entre avançar para um grupo, mas acabam por ficar no conjunto de relegados. Por ser o melhor dos restantes, convence a jogar de maneira descomplexada num nível abaixo."

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