Últimas indefectivações

terça-feira, 15 de julho de 2025

Kokcu de saída do Benfica


"UMA PASSAGEM AGRIDOCE

1. Chegou para a época 23-24 como o jogador mais caro de sempre do futebol português e como MVP da Eredivisie em 22-23. As expectativas criadas com a sua contratação foram altíssimas.

2. Com feitio difícil, personalidade complicada, um ego lá em cima, sobrevalorizou-se a si próprio, criou problemas aos treinadores. O último episódio protagonizado com Lage nos Estados Unidos foi, digamos, a sua sentença de morte no Benfica.

3. Em duas épocas connosco, jogando a oito, mais atrás do que queria, fez 98 jogos, marcou 19 golos, alguns deles de belo efeito com bonitos remates de longa distância, fez 22 assistências, foi várias vezes considerado o MVP para os jornais desportivos e os sites de registos estatísticos. A sua passagem não foi assim tão má como muitos quiseram pintar.

4. Isto tudo ponderado, pode concluir-se que vender Kokcu ao Besitkas pelo valor que nele se investiu para o ir buscar ao Feyenoord não foi um negócio excelente, mas também não foi o desastre que tantos apregoam (vários deles fazem parte dos que diziam que Kokcu era um barrete).

5. Só o futuro esclarecerá a falta que ele nos fará. Depende muito da forma como o Benfica souber investir o dinheiro da sua venda ao Besitkas, reforçando o meio campo com um jogador de valor, jogador esse que já devia ter aterrado em Lisboa - a pré-época, ainda por cima de pouco mais de duas semanas, começa amanhã!

6. Na hora da partida, o balanço é agridoce: nem foi tão bom como ele se julga e como as expectativas que trouxe indicavam, nem tão mau como muitos o quiseram pintar. Não deixa especiais saudades, como muitos que por aqui passaram, ignoro se leva o Benfica no coração, como acontece com a esmagadora maioria dos que nos deixam."

EuroFut: Minha Seleção do Mundial...

VSR: Final Mundial...

ESPN: Futebol no Mundo #469 - Mundial de Clubes: Chelsea campeão!

Rabona: Chelsea EMBARRASS PSG and are CLUB WORLD CUP CHAMPIONS

UOL: Final do Mundial...

EuroFut: Final do Mundial...

TNT - Melhor Futebol do Mundo... - Pré e Pós Final de Mundial...

BolaTV: Hoje Jogo Eu... - Pascoal Sousa...

SportTV: MotoGP Alemanha...

segunda-feira, 14 de julho de 2025

'Como o VAR impediu o Benfica de ganhar a Taça de Portugal'

Matheus Reis levou 4 (+1) jogos, cadê os CASTIGOS PARA OS ÁRBITROS?


"1. Inventaram argumentos sem fim, doutor Varandas incluído, para tentar branquear a atitude antidesportiva sem perdão de Matheus Reis, que, com aquele pisão intencional na cabeça de Belotti, mais o vídeo que se seguiu, publicado até no site do clube, mostrou o sentimento de impunidade de que gozaram os jogadores do Sporting ao longo de toda a época 2024-25.
2. Até hoje, passados dois meses, não se ouviu um pedido de desculpas do clube ou do jogador pela barbaridade cometida na final da Taça, mais um sinal de que se sentem - e são! - os donos disto tudo.
3. O castigo aplicado a Matheus Reis pelo Conselho de Disciplina é prova inequívoca de que houve agressão intencional por parte do jogador. É, portanto, inadmissível que o fiscal de linha, ali com o lance nas suas barbas, nada tenha assinalado, que o árbitro Luís Godinho tenha entendido que nada daquilo se havia passado e, muito especialmente, que o VAR Tiago Martins, com 33 câmaras à disposição, não tenha conseguido ver o que todos nós vimos com as imagens de apenas uma dessas câmaras. Por mais que tentem, isto não se consegue justificar com incompetência, isto foi dolo!
4. Foi, entretanto, esta semana, colocada em marcha uma operação Omo - lava mais branco - para tentar livrar os senhores do apito dos castigos que têm que lhes ser aplicados: diz-se que Tiago Martins considerou violenta a conduta de Matheus Reis e quis chamar Godinho ao monitor e diz-se que os assistentes de Tiago Martins lhe terão dito que não podia fazê-lo porque o jogo já tinha recomeçado: mas querem fazer de nós parvos ou atrasados mentais? Então não sabemos todos que os VAR têm que interromper os jogos a tempo e pelo tempo necessário para analisar devidamente os lances?
5. O Benfica não pode deixar de ser consequente com o que reclama nos comunicados que publica: se exige, e exige bem, que vários membros da equipa de arbitragem sejam exemplarmente castigados pela forma como fecharam os olhos a um lance - houve vários outros - que jamais podia ter-lhes passado ao lado, não pode participar na Supertaça de dia 31 se esses castigos não forem entretanto decididos - e exemplarmente decididos! - e depois tornados públicos. Gostam muito de dar o exemplo de Inglaterra: pois em Inglaterra por muito menos já mandaram árbitros e VAR definitivamente para a jarra, corridos da arbitragem, portanto.
6. Uma última nota para dizer que o Sporting, dono disto tudo, da mesma forma descarada como garantiu que Palhinha nunca cumprisse o castigo correspondente a uma série de 5 (depois 6, 7 e 😎 cartões amarelos, da mesma forma como conseguiu que fosse anulado o castigo aplicado a Nuno Santos pelas tristes figuras feitas em Aveiro na Supertaça de há um ano, vai agora tratar de fazer com que os seus jogadores vejam os castigos anulados por uma qualquer providência cautelar, a que se seguirá um qualquer TAD desta vida."

Kanal - Tamos Juntos...

Quezada: O antidoto contra o pior veneno da temporada!

Betano - Pre-Bet Show - Live - Final do Mundial...

Visão: Enzo Barrenechea...

Terceiro Anel: Obrador...

Zero: Ligados à Ficha - S01E01 - Jorge Gabriel - Treinar o FC Arouca, FIFA e Diogo Jota

VAR no Jamor: um silêncio que destrói


"Os clubes gritam demais, os árbitros calam-se em demasia. Todos pensam só nos seus interesses e quem sai prejudicado é o futebol. Direitos de TV e videoarbitragem? Está tudo ligado

O acórdão que sustentou os cinco jogos de castigo a Matheus Reis deveria ser emoldurado: tudo o que não deve acontecer numa sala de videoárbitros aconteceu. O Benfica foi o principal prejudicado, mas também todos os adeptos de bom senso (e mesmo os da equipa do infrator, depois de assente a poeira do fanatismo), a quem custa aceitar que uma ação com esta violência passe em claro.
Mas façamos o exercício: uma situação que inicialmente parece dúbia, depois deixa de o ser, mas entretanto o jogo recomeça e o protocolo manda seguir se não for detetado o erro a tempo. Isto não é qualquer tentativa de justificar a omissão da equipa de videoarbitragem liderada por Tiago Martins, mas serve para contextualizar um conjunto de outros erros (e até mais graves) que ocorrem com o VAR noutras ligas.
A diferença está justamente no que se seguiu: em Portugal continua a ser um tabu a assunção do erro que não dos jogadores e treinadores. Na tentativa de proteger os árbitros, desprotege-se o futebol. Os anos passam e a opacidade mantém-se. São facadas na credibilidade.
É esta falta de transparência que cria o chão para os discursos mais populistas. Hoje é o Benfica que se queixa, mas podemos andar com a cassete para trás e muda a apenas a cor do texto. Todos eles com as suas razões, mas fundamentalmente com as suas paixões.
Agora imaginemos que pouco depois do erro do Jamor tivesse havido um pedido de desculpas público, como ocorreu em Inglaterra na época passada ao Arsenal e ao Brighton. Não devolveria a verdade do jogo, mas trazia para a mesa uma transparência de que o futebol português continua a precisar como de pão para a boca. Algum dia isso terá de acontecer, até para fazer escola e responsabilizar ainda mais os intervenientes.
Mas também não sejamos ingénuos. Essa possibilidade é uma utopia porque hoje ainda vivemos num grande sectarismo, o mesmo que tem marcado décadas em Portugal: os clubes pensam no que é melhor para si, os árbitros pensam no que é melhor para si, as associações de classe seguem o melhor que é para si.
É este caldo cultural que impede, por exemplo, em 2025 haver uma Direção da Liga porque os clubes não se entendem ou que o Benfica se afaste da negociação da centralização dos direitos televisivos (mal no timing, mas com razão nos argumentos apresentados). Uns gritam demais, outros calam-se em demasia. Não há ponto de equilíbrio."

Benfica, Sporting e FC Porto: desafios e oportunidades


"O ano futebolístico acabou de terminar, com a presença de Benfica e FC Porto no Mundial de Clubes, e já estamos a entrar numa nova temporada. O tempo de transição entre épocas é cada vez mais reduzido obrigando a uma melhor preparação, atenção ao detalhe e profissionalismo. A época de 2025/2026 terá muitos motivos de interesse, alguns deles estarão fora das quatro linhas. Benfica, Sporting e FC Porto terão desafios diferentes pela frente, mas terão todos possibilidades de ter êxito, com o SC Braga à espreita.

Benfica: um ano de decisões
O Benfica está a passar um momento conturbado. A ausência de títulos no futebol é sempre um trauma para um clube com a dimensão do Benfica. Os últimos anos não têm sido fáceis. Investimentos avultados não tiveram o resultado pretendido. Em termos organizacionais percebe-se que não existe coesão, compromisso e cumplicidade entre quem lidera o clube. O maior exemplo são as constantes saídas de pessoas de várias áreas do clube, desde a administração (Luís Mendes, Lourenço Pereira Coelho ou Jaime Antunes), passando pela área jurídica ou no scouting onde a razia foi incrível. Naturalmente que esta forma de gerir e liderar acaba por ter reflexo no relvado, onde surgem constantes notícias sobre o desejo de jogadores de saírem do clube. Num ano de eleições será determinante que todos os candidatos consigam responder a duas questões: num clube ou organização como a do Benfica, que tem as melhores condições de trabalho, que tem notoriedade, que remunera bem os seus trabalhadores, que lhes dá condições para continuarem a evoluir, por que razão é que tantas pessoas saem e querem sair da organização Benfica? O que se passa internamente para o Benfica não ter a capacidade de convencer os seus quadros (jogadores ou gestores) a permanecerem no clube? Para os candidatos, muito mais do que tentarem convencer os sócios com jogadores ou treinadores de nomeada, o mais importante será perceberem o que terão de fazer para tornar o Benfica num clube mais transparente, eficiente e com uma cultura que motive os seus colaboradores e saiba premiar o mérito. Se todos estiverem unidos e focados no mesmo objetivo, a probabilidade de ter sucesso será muito superior…

Sporting: dossiê Gyokeres
O Sporting vem de um ano desgastante em que foram cometidos muitos erros. Mesmo assim, conseguiu sair por cima com a vitória no Liga e na Taça de Portugal. Apesar da época ter tido um bom desfecho, é importante que a administração do Sporting perceba que a diferença entre o sucesso alcançado e uma época de insucesso foram duas bolas que bateram nos postes nos jogos contra o Benfica. Perceber que não está tudo bem quando se ganha, assim como não está tudo mal quando se perde, é fundamental para manter o rumo bem definido. Depois da saída de Ruben Amorim, no início de uma nova época, o Sporting debate-se com uma questão que tem de saber resolver. A gestão do dossiê de Gyokeres pode ser fundamental para o sucesso desportivo na época do Sporting. Por um lado, será muito benéfico que o avançado sueco e o Sporting consigam encontrar uma solução com elevação. É importante respeitarem-se os acordos, as palavras e fazer com que os adeptos fiquem com uma imagem positiva de um dos melhores jogadores dos últimos 30 anos. Paralelamente, será fundamental para o Sporting conseguir encontrar alternativas ao jogador sueco. Estas alternativas deverão passar pela capacidade de acrescentar valor individual ao plantel e, em simultâneo, pela capacidade de criar uma dinâmica coletiva que consiga superar a ausência de Gyokeres.

FC Porto: saber gerir expetativas
Depois de um ano muito duro, que foi positivo na vertente financeira e negativo no campo desportivo, é determinante que André Villas-Boas perceba os erros que cometeu. Um dos erros que me parece bem evidente foi a forma como o presidente do FC Porto elevou em demasia a fasquia relativamente à qualidade do plantel que tinha à disposição. Parece-me que seria importante ter uma comunicação mais comedida. Não elevar as expetativas em demasia. Todos sabemos que, pela história, o FC Porto será sempre um candidato ao título. Analisando o contexto atual, também percebemos que o clube azul e branco parte atrás dos rivais de Lisboa. Como tal, até para retirar pressão aos jogadores, seria importante moderar o discurso. Se tiver este cuidado (ao contrário do que fez no Mundial de Clubes), ao longo da época pode ter a possibilidade de ser mais contundente em caso de resultados positivos, ou aproximar-se da realidade em caso de insucesso.

SC Braga: consistência
O SC Braga deverá continuar o seu crescimento. Para tal, é importante ser cada vez mais consistente. A consistência irá permitir ao clube bracarense solidificar as bases necessárias para se ir aproximando dos três crónicos candidatos. Em simultâneo, se o SC Braga for uma equipa consistente e segura, tem sempre a possibilidade de poder aproveitar as oscilações que os três grandes podem ter a qualquer momento. Por outras palavras, o SC Braga tem de estar preparado para aproveitar as oportunidades. Analisando a última temporada, o SC Braga teve uma oportunidade que não soube aproveitar.

Liverpool
O comportamento do clube inglês na tragédia que sucedeu a Diogo Jota demonstra que o Liverpool é um clube muito especial, que respeita, admira, reconhece e nunca deixa cair os seus.

Luis Enrique
Teve a capacidade de fazer com que muitos sejam, hoje, adeptos do PSG. Uma verdadeira equipa que faz sobressair a qualidade individual dos seus executantes.

Kokçu
Não confirmou a expetativa que foi gerada com a sua contratação. Sai do Benfica pela porta pequena."

Loucuras de mercado


"Finais de época refletem problema

As movimentações dos três maiores clubes portugueses no mercado de transferências, este verão, ilustram bem o futebol nacional, como ele é vivido e sobretudo gerido, com mais paixão e menos razão do que seria desejável.
«Trocaram-se presidente, treinadores, diretores, cargos intermédios em vários departamentos, além de jogadores — e o verão ainda vai a meio.»
Também são reveladoras, mais uma vez, da incapacidade para reter talento e de pouca paciência para potenciar outro. Invariavelmente, janelas de mercado são sinónimo de revoluções nos plantéis, com muita gente a sair, mais ainda a desejar sair e outra a chegar. Na última época e arranque desta nova, a vontade ou necessidade de transformação foi e é ainda mais profunda. Trocaram-se presidente, treinadores, diretores, cargos intermédios em vários departamentos, além de jogadores — e o verão ainda vai a meio. Não estão em causa as ideias, boas ou más, mas tanta mudança reflete exatamente a ausência daquilo que os clubes se apressam sempre a dizer que têm: projeto desportivo.
Um projeto não pode, ou não deve, ser colocado em causa no final de todas as épocas, não pode estar dependente do jogador A ou B, daquele ou de outro diretor ou assessor e até de um campeonato ganho ou perdido, por vezes à distância de três pontos, de uma bola no poste ou na baliza, como sucedeu na última temporada, em que o Sporting venceu e o Benfica perdeu. Acredito mesmo que se parta com essa intenção e até ilusão, mas, por muito que custe, não vejo que estejam a ser seguidos ou cumpridos projetos, que, sendo projetos, deveriam ter como meta o médio e o longo prazo.
«Se os clubes não conseguem seguir um plano próprio, dificilmente será possível chegar a entendimento sobre um projeto para fazer crescer e rentabilizar o futebol português na globalidade.»
Esta sensação não é exclusiva para Benfica, Sporting e FC Porto, estende-se à maioria dos clubes da Liga e tudo isto, a cada época, ou a cada final de época, resulta na conclusão que se os clubes não conseguem seguir um plano próprio, dificilmente será possível chegar a entendimento para um projeto para fazer crescer e rentabilizar o futebol português na globalidade.
Naturalmente que falta capacidade e independência financeira para trilhar caminho, não é fácil fazer omoletas sem ovos, mas talvez, apenas talvez, nos tenhamos, clubes e adeptos, habituado a viver (ou sobreviver) acima das possibilidades. Projetos mais sustentados e firmes, além de uma época, de um campeonato, de uma entrada ou não na liga dos campeões, podem ser solução."

Tony: Richard Rios no Benfica ??

Zero: Mercado - Félix diz «Sim» e Almada tem concorrência

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Varandas a agradar, Gyökeres só pensa no divórcio

Não se passa nada!

Obrigado, Orkun Kökcü! 🦅

Costas quentes!


"Eu se me chamasse Frederico Varandas ainda tinha o peito mais inchado e não diria apenas aquilo…diria logo, “ou pela cláusula ou não sai!, assim como assim quando há problemas financeiros para as bandas de Alvalade quem acaba a bancar são sempre os mesmos!"

Branqueamento...


"Está em andamento o processo de branqueamento de um dos maiores escândalos de arbitragem do futebol nacional, para que o fanático lagarto Tiago Martins continue a oferecer vitórias ao seu clube tranquilamente e sem qualquer tipo de pudor.
Surpresa zero também o facto desta capa ter sido cagada pelo Bernardo Ribeiro, fica tudo entre lagartos doentes.
A próxima a ser lançada é que António Nobre, Fábio Veríssimo e Luis Godinho este ano vão fazer os jogos todos do Sporting Clube de Portugal, por deliberação unânime do CA do Luciano Gonçalves Lagarto, os 50% de jogos do Sporting arbitrados por estes 3 árbitros não foi suficiente no ano passado.
E isto tudo se passa dentro da Federação do maior burlão do futebol Português, que se fez passar por Benfiquista durante toda uma vida desportiva, tentando com isso cobrir e esconder a sua lagartice e anti-benfiquismo inato. Falamos claro do brilhantinas, um dos indivíduos mais falsos e asquerosos à face da terra. Aquele a quem o actual Presidente do Benfica deu sempre apoio, enquanto este o comia por trás com o Varandas. E nem precisaram de o fazer às escondidas, porque as coisas estão tão claras e tão óbvias que eles já nem sequer se preocupam em esconder, tal a inação total que tem vindo do Estádio da Luz nos últimos 4 anos. E ainda temos que levar com o actual Presidente do Benfica a candidatar-se com frases como "Vamos fazer o que ainda não foi feito", depois de estar no Benfica há mais de 20 anos. Haja paciência...e muita falta de vergonha na cara!
Se Deus quiser, a partir de Outubro muita coisa vai mudar no futebol Português, porque nós vamos para a guerra, seja com Noronha ou Manteigas, estamos completamente tranquilos de que qualquer um destes dois senhores vai fazer a defesa incondicional do nosso clube, algo que nós sócios e adeptos do Benfica desconhecemos há anos!"

Um leão a fazer burrices, eis Gyokeres


"O sueco mostra ter pouca cabeça. Em campo, porque até ele admite que o cabeceamento é ponto fraco; e fora dele, ao dar falta de comparência no regresso ao trabalho no Sporting.

Viktor Gyokeres come à mesa dos melhores avançados da história do futebol português quando constatamos o rendimento que exibiu ao longo das duas temporadas em que representou — tempo verbal não é inocente — o Sporting.
Por aquilo que mostrou no caminho que conduziu ao bicampeonato conquistado pelos verdes e brancos, opinião baseada nos números desse par de épocas, pode ser comparado a Fernando Gomes, Rui Jordão, Manuel Fernandes, Tamagnini Nené, Rui Águas, Mário Jardel, Radamel Falcao, Óscar Cardozo, Kostas Mitroglou, Bas Dost, Jonas, Jackson Martínez ou outros que me possam ter escapado e que o leitor fará o favor de acrescentar à lista.
Em 102 encontros, contas feitas a todas as competições, o goleador da máscara contabiliza 97 golos e 27 assistências. Pontos fracos? Só se for o jogo aéreo.
«O problema não é a minha cabeça. São os nossos alas, os cruzamentos deles são péssimos!», disse, numa entrevista ao L’Équipe e à France Football agora tornada pública.
Em campo, mesmo que brinque ao remeter as culpas para os companheiros, não consegue rentabilizar a arte do cabeceamento que imortalizou tantos pontas de lança. Fora dos relvados, a avaliar pela forma como está a gerir o desejo de sair de Alvalade, Gyokeres revela igualmente pouca… cabeça.
Com contrato até 2028 e cláusula de rescisão de €100 milhões, enquadramento que lhe deixa pouca margem de manobra para esticar a corda sem que esta parta do lado dele e lhe faça mossa, o internacional sueco faltou, ontem, à apresentação ao trabalho inicialmente prevista para a última segunda-feira.
Uma atitude evidente de escassez de profissionalismo — que dirá o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol sobre isto? A bola está do lado de Joaquim Evangelista… — e pouca cabeça, lá está, porque, mesmo que considere ter razão por promessas feitas e não cumpridas, a falta de comparência em Alcochete será mais um duro obstáculo a ultrapassar para chegar a Londres com destino ao Arsenal e à Premier League.
Em suspenso fica, pois, o futuro. Se Frederico Varandas continua a acreditar que o fim do mercado de transferências, a 2 de setembro, curará todos os males, se está com fé de que Gyokeres voltará a vestir a camisola do Sporting se ninguém descodificar a equação 70+10 que o presidente quer ver resolvida, louvo-lhe o otimismo.
«Estamos tranquilos. Tudo se resolve com o fecho de mercado, uma multa pesada e um pedido de desculpas ao grupo», assim reagiu o líder leonino, ontem, sem ameaças de processo disciplinar, por exemplo, declarações que não fecham a porta a entendimentos futuros.
No campo minado em que se movimentam tanto Gyokeres como Sporting e Arsenal, onde cada passo — ou ausência dele — desencadeia uma explosão, que pensarão os adeptos? Uns sentir-se-ão traídos, outros, mais realistas, percebem que os negócios à volta do futebol atual são um jogo de tabuleiro em que a gratidão raramente sobrevive às jogadas de milhões.
Moral da história, para já, à medida que se quebra o encanto de uma relação que parecia à prova de bala: o leão Gyokeres está a ser capaz de fazer muitas burrices."

domingo, 13 de julho de 2025

Comunicado


"Em face do recente acórdão do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, fica claro que a verdade desportiva foi gravemente adulterada na final da Taça de Portugal 2024/25.
O conteúdo da decisão confirma, de forma inequívoca, que os erros cometidos pelo VAR Tiago Martins e pelos AVAR Vasco Santos e Sérgio Jesus tiveram impacto direto no resultado da partida e colocaram em causa a integridade da competição.
Sem meias-palavras: esses erros privaram o Benfica de um título que era seu por mérito e desempenho estritamente desportivo.
Estes factos não podem ser relativizados, ignorados ou branqueados. O Sport Lisboa e Benfica exige a suspensão imediata dos quadros da arbitragem de todos os elementos envolvidos neste colossal erro de avaliação e julgamento.
Quem demonstra tamanha incompetência e falta de critério não pode continuar a intervir em jogos profissionais. A sua continuidade em funções seria um insulto ao futebol português e à sua credibilidade.
O Clube informa ainda que, com o apoio da sua equipa jurídica, está já a trabalhar noutras ações no âmbito da justiça desportiva, tanto em território nacional como internacional, para garantir que este caso não fica sem consequências exemplares.
O Sport Lisboa e Benfica tudo fará – dentro dos canais legais e institucionais – para defender os interesses do Clube, os princípios da competição e o respeito pelos seus adeptos.
A verdade desportiva não se contorna nem se arquiva. Defende-se, sem hesitações.
Em face do exposto, perante tudo o que sucedeu no final da época passada e o arranque de uma nova temporada, o Sport Lisboa e Benfica exige esclarecimentos urgentes e que se assumam responsabilidades.
Nesse sentido, o Clube dirige publicamente as seguintes questões às entidades que tutelam o futebol português:
- Para quando uma pronúncia pública por parte do Conselho de Arbitragem sobre os acontecimentos que marcaram a final da Taça de Portugal?
- Que consequências concretas retiram os responsáveis do futebol português face à gravidade deste caso?
- Que conclusões tira a Federação Portuguesa de Futebol de uma reforma da arbitragem apresentada como resposta à exigência de mudança, mas que se revela claramente insuficiente perante os desafios do futebol moderno?
- Para quando a divulgação pública dos áudios do VAR relativos à final da Taça de Portugal, formalmente requerida pelo Sport Lisboa e Benfica no passado dia 26 de maio?
- Haverá, de facto, consequências para erros que não se limitam à negligência, mas que podem revelar indícios de dolo?
O Sport Lisboa e Benfica continuará a exigir respostas, transparência e responsabilização. O silêncio e a inação não servem o futebol português. A verdade desportiva exige compromisso, coragem e consequências."

Noronha...

Obrigado, Orkun Kökçü!

Benfica e Besiktas: princípio de acordo por Kökcü


"Num comunicado enviado neste sábado, 12 de julho, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa que alcançou um princípio de acordo com o Besiktas, da Turquia, para o empréstimo, com opção de compra obrigatória, de Orkun Kökcü.
Leia aqui, na íntegra, o comunicado: "A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa que chegou a um princípio de acordo com o Besiktas para o empréstimo do jogador Orkun Kökcü durante a época desportiva 2025/26.
O referido princípio de acordo inclui a opção obrigatória de transferência a título definitivo dos direitos desportivos do jogador, pelo montante de € 25 000 000 (vinte cinco milhões de euros) acrescido de uma remuneração variável associada a objetivos, pelo que o valor global da transferência poderá atingir o montante de € 30 000 000 (trinta milhões de euros).
Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD
Lisboa, 12 de julho de 2025.""

Sou do tempo em que de Alvalade se liam coisas destas...

Dois meses depois:

Gyokeres não apareceu!! Como ficaram os lagartos?

Eleições no Benfica: querer não é poder


"Rui Costa foi um jogador de eleição, o que não quer dizer que seja um presidente ou um candidato para eleição. Sobre Vieira é difícil encontrar palavras certas para definir a vontade de poder

O lugar é apetecível, em face da dimensão nacional e internacional do emblema, do legado desportivo de largas décadas, da elevada implantação humana, com base de apoio pelas quatro partidas do Mundo, pela influência produzida junto de instâncias decisoras do futebol, em particular, e do desporto português, em geral, pela indesmentível projeção da cobertura mediática permanente e, como é lógico, pela condição de mega-empresa que o nome do Sport Lisboa e Benfica encerra, na sua gestão do dia-a-dia e nas suas valências mais salientes, como o futebol profissional.
Só neste longo parágrafo terei sublinhado a maioria dos aspetos que tornam a presidência do grande clube da Luz um alvo extraordinário e um objetivo de carreira para muitos adeptos que tenham, também, as devidas competências de gestão. Que, atenção, estão longe de ser as únicas requeridas para ocupar o lugar. Conhecimento do fenómeno desportivo, dos seus bastidores, capacidade de lobbying, noção integrada dos modelos a seguir e dos meios necessários para tornar uma empresa de dimensão muito apreciável numa máquina exemplar para todos os seus adeptos.
E não estou, evidentemente, a ater-me ao aspecto puramente resultadista, da mera soma de títulos ou troféus. Um clube com esta dimensão terá, fatalmente, de ser e de motivar muito mais do que isso. Terá de falar para dentro e para fora. A comunicação, hoje democratizada pelo fácil acesso e interação, e transversalizada pela rápida propagação e imediato conhecimento dos factos, com muitos mais fontes (é verdade de algumas menos fiáveis, mas compete a cada um, e em cada momento, separar o trigo do joio…), e com muito mais horizontes, obrigará sempre o titular do cargo mais alto da hierarquia encarnada a um cuidado redobrado e ao exercício de competências muito bem trabalhadas, em cada minuto e para cada decisão.
Rui Costa foi — já nesta página o escrevi — um jogador de eleição, o que não quer dizer que seja um presidente ou um candidato para eleição. O que foi como futebolista profissional confere-lhe ferramentas muito importantes (até porque andou pelo estrangeiro e tem obrigação de valorizar uma visão mais ampla, mais global e integrada do fenómeno futebolístico), mas o universo benfiquista veste-se de particularidades que Costa, tendo percebido enquanto atleta, não conseguiu, até agora, contornar em pleno enquanto líder.
Porém, reconheça-se ao atual número um da estrutura da Luz e do Seixal um atributo essencial: inultrapassável dedicação e benfiquismo, essa aura de que tanto se fala mas que, muito mais importante do que se explicar o que é, se deve demonstrar em cada ato, para que o adepto nele se reveja. E isto, obviamente, é válido para qualquer clube da dimensão do SLB, portanto, para qualquer emblema grande, português ou estrangeiro.
A ligação entre líder e adepto sente-se, por exemplo, no Real Madrid, com Florentino Perez a ultrapassar sucessivas dificuldades, falta de êxitos desportivos, problemas de tesouraria, algumas contratações falhadas, com uma excecional ligação aos adeptos, quase umbilical, o que o salva de convulsões internas à velocidade da luz. Nos clubes latinos, de resto, esta dependência é muito mais notória do que em emblemas de outras paragens europeias, como os blocos anglo-saxónico ou escandinavo, onde dificilmente identificamos, a uma distância razoável, o presidente ou o diretor geral de um clube de topo. Outras sensibilidades, outras personalidades…
Retornemos ao Benfica. Tempo de eleições é tempo de balanços. E, neste particular (também por força da lucidez e saúde democrática do emblema em causa), sempre surgem interessados na cadeira do poder. Que, como sublinhei atrás, no caso vertente, é mesmo um assento poderoso. Alguns nomes recorrentes, como Noronha Lopes, alguns jovens credenciados mas a quem, talvez, falte alguma maturidade no dirigismo para assumir a posição, e outros dois nomes que, por razões distintas, não surpreendem: o próprio Rui Costa e Luís Filipe Vieira, outrora aliados do mesmo lado da barricada, agora queridos inimigos pretendentes ao mesmo lugar.
Escrevi-o há semanas: creio que Rui Costa deveria afastar-se. A recente investida contra tudo e contra todos, após a final da Taça de Portugal, visando arbitragens, dirigentes, decisores e regulamentos, e a ainda mais recente posição de força em relação à muito necessária (imprescindível, mesmo) centralização dos direitos televisivos revelam um dirigente demasiado acossado no espaço e no tempo, sabendo que este escasseia até ao ato eleitoral de outubro e apostado num populismo que, definitivamente, não me parece a solução para um Benfica que se pretende, na geografia do futebol português, parceiro e não opositor, a procurar soluções e a não ser parte de problemas.
Mesmo assim, Costa continua com base de apoio entre os associados, e será sempre candidato a levar em consideração, quanto mais não seja pelo inegável esforço dos últimos anos.
Já quanto a Luís Filipe Vieira, parece-me difícil, por agora, encontrar palavras certas para definir a indomável vontade de poder, de voltar a dirigir, sobretudo depois do modo como saiu do clube.
A ele e às eleições na Luz voltarei após a silly season, tendo embora a certeza de que ela produzirá, como sempre, algumas gargalhadas e muitas surpresas…

Cartão branco
Já tinha escrito História, ao ser a primeira senhora a dirigir um jogo da principal liga portuguesa de futebol.Mas Catarina Campos vai chegar mais longe, e só um problema físico a impedirá de estar presente na fase de eliminação direta do Euro 2025, na Suíça. Campos garante que a arbitragem portuguesa, tão vilipendiada entre portas, continua a merecer confiança, elogios e oportunidades quando sujeita a verdadeiras provas de fogo no estrangeiro.

Cartão vermelho
Odeio funerais. Como cidadão, não vou, não quero e talvez só seja mesmo obrigado a ir ao meu...Cristiano Ronaldo tem toda a razão, neste aspeto. Não há local menos aconselhável que um velório ou um cemitério, sobretudo se a despedida for a de alguém amigo, com quem se tem relação próxima. Porém, o futebolista que é capitão da seleção portuguesa não esta autorizado a pensar apenas com os seus botões. Tem uma acessória responsabilidade solidária que não se limita ao balneário ou ao festejo gutural e incisivo quando marca golos e persegue recordes.
O capitão da Seleção tem de estar no funeral do internacional e companheiro de Seleção Nacional Diogo Jota. Não há nenhuma justificação plausível para a ausência, e é ainda menos razoável a razão entretanto aventada. Porque CR7 acabou por estar mais nas bocas do mundo pela ausência do que decerto estaria pela presença. Não foi digno da braçadeira."

Está tudo nas mãos dos clubes


"Centralizar é justo. Centralizar sem que o produto melhore, é tonto. Pensar que a internacionalização é possível com o que temos para oferecer, é viver numa realidade virtual. Os clubes dirão se o futebol português tem um grande futuro atrás de si...

No dia 25 de fevereiro de 2021, o Governo de António Costa decidiu que a venda dos direitos televisivos dos jogos dos clubes do futebol profissional tinha de ser feita de forma centralizada, e deu um prazo, até 30 de junho de 2026, para ser apresentado (responsabilidade da FPF e da Liga) um modelo, aprovado pela Autoridade da Concorrência, que deverá entrar em vigor a partir da época de 2028. Se tal não suceder no prazo previsto, será o Governo, (presumivelmente de Luís Montenegro), a decidir sobre o novo formato de distribuição do dinheiro televisivo no futebol profissional.
Esta intervenção musculada do executivo socialista terá sido uma forma enviesada, e provavelmente destinada ao fracasso, de tentativa de correção de uma distorção gritante na distribuição do dinheiro: em Portugal a diferença entre quem recebe mais e quem recebe menos na I Liga é de 15 vezes, enquanto que em Espanha e Itália é de 3, na Alemanha de 2,5 e em Inglaterra de 1,3.

OS 300 MILHÕES
Em nome de uma maior competitividade (apesar de, ao contrário do que sucede nos outros países, entre nós haver três clubes que absorvem mais de 90 por cento do mercado), o princípio da centralização é justo e adequado, mas será estultícia sonhar que terá condições (sociais, políticas e económicas) de ser atingindo através de uma imposição legal que estabeleça a divisão do vil metal.
Mas este processo, depois de ter nascido torto por intervenção governamental, partiu do pressuposto, que nunca foi cabalmente provado que, qual pedra filosofal, a centralização transformaria 185 milhões de euros (valor atual) em 300 milhões (valor previsto para 2028). Ora o que tem sucedido, um pouco por toda a parte, é uma estagnação, e em alguns casos recuo, das verbas disponíveis para pagar os direitos televisivos dos jogos. Como honrar, então a promessa feita pelo Governo e pela Liga, de que nenhum clube, após a centralização, receberia um euro que fosse a menos, relativamente ao que tem no modelo atual? Esta é uma verdadeira quadratura do círculo, uma bota que o governo terá de descalçar a partir de 30 de junho de 2026 (se não houver acordo entre os clubes, e tudo aponta nesse sentido), podendo sempre refugiar-se no argumento da alteração de condições, que justificaria um novo desenho legal.
Mas como se chegou ao número mágico dos 300 milhões, que daria, à imagem do que sucedeu em Espanha, para que os que recebem mais passassem a receber um pouquinho mais, e os restante vissem entrar nos cofres muito mais? Francamente, nunca houve uma explicação convincente, agravando-se exponencialmente a situação com a recessão no mercado televisivo. Parece hoje claro, para a Liga e para os operadores, que numa visão benévola seria possível chegar aos 200 milhões, e numa perspetiva mais conservadora não seriam sequer atingidos os 185 milhões. O que fazer, então?
Um dos argumentos usados para justificar a verba de 300 milhões foi a putativa venda dos jogos da I Liga para os mercados internacionais, algo que não se perspetiva que venha a acontecer, tanto mais que aquilo que se viu foi o abandono, por alguns operadores, da I Liga. Pode pensar-se que estamos perante uma questão menor, mas não é disso que se trata: ou, de facto, são criadas condições para aumentar receitas, ou entraremos numa crise profunda, da qual o governo (este ou qualquer outro) fugirá como o Diabo da Cruz.

INTERNACIONALIZAÇÃO
Falemos então da internacionalização. Porque é que a I Liga suscita tão escasso interesse? A resposta não podia ser mais fácil de dar: poucos são os jogos competitivos, capazes de ombrear com outras Ligas, nomeadamente as dos Big Five, mais a da Bélgica e a dos Países Baixos, a que acresce o Brasileirão, a Major League Soccer e o Campeonato da Arábia Saudita, umas porque fornecem melhores espetáculos, outras porque permitem ver em ações nomes míticos do futebol mundial.
O que fazer, então? Ao contrário do que tem sido feito até hoje, é tempo dos clubes deixarem de ser avestruzes e tirarem a cabeça da areia, encarando a realidade e encontrando soluções em conformidade com a mesma. Poder-se-á dizer, com propriedade, que a Liga é a principal culpada do que está a acontecer, por cobardia, ao não tomar as medidas impopulares e difíceis que se impõem. Mas quem é a Liga? A Liga são os Clubes, apesar da tendência constante para confundir o Presidente desse organismo, que executa as deliberações dos seus membros, com quem detém o poder da mudança. Pouco importa se Reinaldo Teixeira, ou, antes, Pedro Proença, pensavam desta ou daquela maneira, preferiam ir por este ou por aquele caminho. No fim do dia, exercido o seu magistério de influência, tinham (e têm) de seguir os ditames dos clubes. E estes não têm querido, uns por egoísmo, outros por calculismo e outros ainda por falta de visão estratégica para a indústria do futebol, criar condições para que o nível competitivo aumente e os nossos jogos passem a ter um valor diferente no mercado internacional.

QUADROS COMPETITIVOS
Não é possível tapar por mais tempo o sol com a peneira, uma I Liga com 18 clubes é uma irracionalidade desportiva e económica, face ao País que somos. Enquanto não houver, entre os clubes da Liga, a coragem de alterar os quadros competitivos (algo que a FPF fez, com tremendo sucesso, nas competições não profissionais, que passaram a ser mais interessantes e subiram de nível futebolístico - e estou a falar sobretudo do Campeonato de Portugal e de forma ainda mais acentuada da Liga 3), não haverá centralização que lhes valha porque o produto que têm para vender não é, simplesmente, televisivamente apelativo. Ninguém paga para ver jogos medíocres com os estádios às moscas, e é isso que sucede, tirando da equação os três grandes, o SC Braga e o Vitória Sport Clube, de Guimarães.
Será, então, que estamos perante um problema insolúvel? Só se os clubes assim decidirem. Se a I Liga tiver 12 clubes, que joguem entre si, casa e fora, numa primeira fase (22 jogos) e terminem a competição numa fase final, a disputar por dois grupos, o dos seis primeiros, a jogar para o título e para a Europa, e o dos últimos seis, a lutar pela permanência (10 jogos, o que daria um total de 32, menos dois do que atualmente, o ajudaria a que o calendário não estivesse tão sobrecarregado), o caminho do sucesso estará encontrado. E se a este modelo juntarmos uma II Liga dividida em duas zonas de 12 clubes a funcionar com um modelo idêntico, teremos 36 clubes a disputar competições profissionais de futebol em Portugal.
Como se vê, só vale a pena centralizar se houver, através da alteração dos quadros competitivos, um aumento real do valor do produto que é posto à venda. São duas realidades indissociáveis, que têm de ser decididas com urgência. Os clubes fariam bem se, em vez de se dispersarem em acusações estéreis com cheiro a mofo, metessem mãos ao trabalho e tratassem de salvar a indústria a que pertencem. É minha opinião que se tivessem começado ontem, nesta senda, já iriam muito atrasados. Assim, haverá que pensar que mais vale tarde do que nunca. Se a opção for pelo ‘nunca’, o futebol profissional português terá um grande futuro atrás de si."

Inevitável: Francisco Neto e Rui Jorge chegaram ao fim da linha


"Num ano 2025 que já rendeu a Portugal uma Liga das Nações e o título europeu Sub-17, não há como destacar pela negativa as prestações dos Sub-21 e das Navegadoras

Sim, houve duplo ouro na Liga das Nações, conquistada pela Seleção orientada por Roberto Martínez, e no Euro sub-17, com Portugal brilhantemente comandado por Bino Maçães. Mas a verdade é que também houve enormes desilusões, em particular nos Sub-21, em junho, e agora com as Navegadoras, que esta sexta-feira deixaram o Euro 2025 sem glória e sem brilho, a par do que sucedera, um mês antes, na Liga das Nações feminina.
É certo que, à luz do que era o futebol feminino há 15 anos, a evolução é brutal e deve-se em grande parte ao fantástico trabalho do selecionador Francisco Neto desde 2014. Não há, porém, lugares vitalícios, nem sequer na Federação Portuguesa de Futebol (FPF), onde vários treinadores protagonizam longas carreiras, nem sempre com os resultados mais desejados (e raramente com consequências). Há, contudo e inevitavelmente, ciclos que terminam e o de Neto, a par do de Rui Jorge nos Sub-21 (já lá iremos...), parece ter chegado ao fim.
O salto qualitativo que se esperava, quando hoje as futebolistas portuguesas jogam num nível cada vez mais elevado, representando emblemas de topo, quer em Portugal, quer, sobretudo, em Espanha, nos EUA e no México, não aconteceu. Aliás, ao terceiro Europeu da história lusa, o que se viu foi uma equipa fraca em ideias, com um fio de jogo ineficaz e sem capacidade concretizadora.
Resultado: apenas um ponto na fase de grupos e somente dois golos marcados e oito sofridos, num registo pior do que em 2017, quando se registou uma vitória e 3-5 em golos, e do que em 2022, quando conseguiu, igualmente, apenas um empate, mas marcou quatro golos, encaixando 10.
Juntando a estes dados o facto de, nos 10 jogos realizados em 2025, Portugal ter apontado só 7 golos e sofrido 29 (!) torna-se claro que há uma necessidade de mudança rumo ao tal salto para o patamar seguinte que, decerto, a FPF, agora liderada por Pedro Proença, deseja.
Também no fim da linha tem de estar Rui Jorge depois de 15 anos como timoneiro dos Sub-21, com os quais conquistou... zero títulos. Defensor da ideia (a meu ver, errada) de que o escalão serve, acima de tudo, para formar jogadores que estão à porta da Seleção A, Rui Jorge acabou por mostrar-se incapaz de formar para ganhar — esquecendo, quiçá, que, com jogadores de 21, 22 e, até, 23 anos, vencer e conquistar troféus tem de obrigatoriamente fazer parte da formação do ADN que se pretende na transição para os AA."

Zero: Mercado - Kökçü rende; Samu é o mais caro

Zero: Mercado - Live - Agitação no Dragão

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Gyökeres? Tem de ser homenzinho e aparecer

A maldição da camisola 0 na NBA


"Esta temporada de NBA registou um recorde assustador de lesões graves e reacendeu o debate sobre a redução de quantidade de jogos por ano

A camisola número 0 na National Basketball Association (NBA) não tem uma origem específica atribuída a um único evento ou jogador, mas a sua definição ao longo do tempo reflete a evolução da cultura do basquetebol e da identidade dos jogadores. Historicamente, a NBA (e o basquetebol em geral) permite números entre 0 e 99. O número 0 passou a ser usado por jogadores que queriam destacar-se ou atribuir um significado pessoal a esse dígito.
Os play-off desta época desportiva trouxeram outra simbologia associada à camisola 0. Três estrelas da NBA, todas com o mesmo número, sofreram roturas no tendão de Aquiles durante este período. Tyrese Haliburton (Indiana Pacers), rompeu o tendão de Aquiles no início do jogo 7 das finais. Jayson Tatum (Boston Celtics), rompeu o tendão de Aquiles no jogo 4 da 2ª ronda dos play-off e Damian Lillard (Milwaukee Bucks) sofreu a mesma lesão no jogo 4 da 1ª ronda da decisão a eliminar.
O tendão de Aquiles é o maior e mais forte tendão do corpo. Os tendões normais são uma matriz composta por tenócitos, colagénio e principalmente pequenos proteoglicanos, juntamente com outros elementos complementares. Estão dispostos hierarquicamente, com fascículos rodeados por tecido conjuntivo, que suporta as estruturas vasculares, linfáticas e neurais do tendão. Tanto a subcarga como a sobrecarga significativa do tendão podem perturbar este equilíbrio e conduzir a alterações patológicas na matriz do tendão. É muito provável que a carga esteja implicada na patogénese da patologia tendinosa, com uma subcarga significativa ou uma sobrecarga que pode levar a alterações na matriz do tendão. As roturas agudas geralmente apresentam-se com início súbito de dor associada a um estalo no local da lesão. A lesão causa dor severa e incapacidade significativa.
Tem sido dramático assistir ao aumento exponencial deste tipo de lesão. Um estudo de epidemiologia e análise de vídeo de lesões do tendão de Aquiles na NBA realizado pela American Orthopaedic Society for Sports Medicine (AOSSM) identificou 44 roturas de tendão de Aquiles de jogadores da NBA no período compreendido entre 1970 a 2018. O cenário de lesão (jogo vs treino) foi identificado para 37 (84,1%) das lesões. Das 37 lesões, 29 (78,3%) ocorreram durante o jogo, enquanto 8 ocorreram durante o treino (21,7%). Durante o período do estudo, a frequência de roturas de tendão de Aquiles atingiu o pico no início da temporada, com 12 das 44 roturas de tendão de Aquiles observadas (27,3%) ocorrendo durante este segmento de cada temporada. Aumentos semelhantes foram observados, embora em menor grau, no final das temporadas (últimos 27 jogos de cada temporada). Quarenta e três (97,7%) lesões foram tratadas cirurgicamente.
O tempo médio para retorno ao desporto foi de 10,5 meses e 35 jogadores (79,5%) voltaram a jogar após a lesão.
Nessa altura já havia uma preocupação clara para este tipo de lesão, apesar de o registo ser inferior a 1 lesão deste tipo por ano.
Novas perspetivas de treino e jogo foram incluídas e com isto a incorporação de novos pensamentos foi registado. Vale notar que entre 1990 e 2023 houve 45 lesões, aumentando a média para um valor superior a 1 lesão por ano.
No entanto, apenas na temporada 2024-2025 foram registadas 7 lesões no tendão de Aquiles. Esta temporada de NBA registou um recorde assustador de lesões graves e reacendeu o debate sobre a redução de quantidade de jogos por ano. Para além de Haliburton, Lillard e Tatum, James Wiseman e Isaiah Jackson (Indiana Pacers), Dru Smith (Miami Heat) e Dejounte Murray (New Orleans Pelicans) tiveram uma rotura total do tendão de Aquiles. Se considerarmos a pré-época, este registo acresce para 8 lesões, já que DaRon Holmes II, jogador dos Denver Nuggets, rompeu o tendão de Aquiles durante a Summer League, antes mesmo de a temporada regular começar, tendo-o impedido de jogar durante a época 2024/2025.
Haliburton foi um dos 3 jogadores dos Pacers a ter a lesão este ano. No jogo que atribuía o título, quis arriscar ir a jogo após ter tido um estiramento muscular na região posterior da perna e pouco conseguiu contribuir. O estiramento prévio do tricípete sural é um fator de risco e pode ser o fator comum na maldição da camisola 0. Os três astros que envergam o número que se fala tiveram essa lesão antes da rotura completa. Inevitavelmente, alteraram padrões de movimento para fugir à dor e com isso forçaram ainda mais o tendão. O facto de estar muita coisa em jogo pode ter contribuído para o risco de querer jogar sem estar a 100%, mas vão acabar por estar impedidos do retorno ao desporto por muito mais tempo.
Outros astros da modalidade tiveram esta lesão, como Kobe Bryant ou Kevin Durant. Por Portugal, também tem havido um aumento deste tipo de lesão. Esta lesão pode até influenciar a decisão de acabar a carreira cedo demais para a expetativa criada no público. É o caso da base internacional portuguesa Inês Viana, um exemplo de perseverança, que decidiu colocar um ponto final na sua carreira de jogadora profissional com apenas 30 anos. Ao serviço da Seleção Nacional foi internacional regular e fez parte do grupo que fez história ao qualificar-se e disputar pela primeira vez uma fase final do EuroBasket, este ano. Passou por lesões complexas, nomeadamente a rotura do tendão de Aquiles. A recuperação não foi linear e após uma infeção no tendão teve de voltar a ser operada. Espera-se que continue a conciliar a paixão do basquetebol com outras funções.
Metaforicamente há algumas razões comuns para a introdução do número 0, que incluem o recomeço de algo, sendo que muitos jogadores escolhem o número 0 para simbolizar o início de uma nova fase na carreira ou vida pessoal.
A reintrodução ao jogo bem precisa disso por quem passa por esta lesão e projeta uma nova versão. Uma versão melhor, se possível."

Tancredi ganhou o Mundial


"Em 1887, o Aston Villa, detentor da FA Cup, venceu o Hibernian, titular da Scottish Cup, e sagrou-se o primeiro «campeão do mundo de clubes», de acordo com a denominação dada pela imprensa britânica da época.
O troféu Sir Thomas Lipton Trophy, em 1909 e 1911, com representantes suíços, italianos, ingleses e alemães, também pretendeu consagrar «o melhor clube do mundo» — que foi, após vencer ambas as edições frente à Juventus e a outros futuros gigantes, o West Auckland Town, hoje na nona divisão inglesa.
Ainda a ressacar do Maracanazo, a confederação brasileira, sem a chancela da FIFA, organizou um Mundial em 1951 com oito participantes, incluindo o Sporting, de cuja comitiva dirigentes do Benfica, do FC Porto e do Belenenses se despediram com votos de boa sorte no aeroporto da Portela, lê-se nos jornais de então. Hoje todos os clubes brasileiros renegam a prova, à exceção do Palmeiras, o vencedor.
A Venezuela sediou a Pequeña Copa del Mundo, ganha duas vezes pelo São Paulo e pelo Real Madrid e uma pelo Millonarios, pelo Corinthians e pelo Barcelona, entre 1952 e 1957, ano em que o Racing Paris convidou Real Madrid, Rot-Weiss Essen e Vasco da Gama para o primeiro Torneio de Paris, visto pelos historiadores como o tubo de ensaio definitivo da Taça Intercontinental, que duraria 44 anos, de 1960 a 2004, com duas memoráveis conquistas portistas, até ser substituída pelo Mundial de Clubes.
Entretanto, o Mundial de Clubes, como a Intercontinental, começou por ser equilibrado entre Europa e América do Sul até o dinheiro, a Lei Bosman e a desorganização sul-americana tombarem a balança para o lado europeu: 11 taças seguidas, de 2013 a 2024, rumaram a clubes da UEFA.
A FIFA decidiu então virar aquele torneio, que um dia já foi só do Villa e do Hibs, de cabeça para baixo: chamou 32 clubes, mais do quádruplo da edição anterior, americanizou o jogo, irritou os esgotados atletas europeus e iludiu os representantes brasileiros que, fruto de boas exibições e importantes vitórias, chegaram a sonhar com a taça.
Em vão: no domingo, após o PSG-Chelsea, passaremos a contabilizar 12 títulos seguidos da Europa, razão pela qual é recordado no título deste texto o jovem aristocrata Tancredi, que, além de homónimo de um antigo guarda-redes da Roma, é o autor da célebre frase «tudo precisa mudar para que tudo fique na mesma», no livro O Leopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa.
Para Tancredi — Alain Delon na versão cinematográfica — a elite deveria parecer aderir às mudanças apenas para, no fim das contas, manter os privilégios. Como naquela Itália do século XIX, nada mudou no futebol do século XXI: 63 jogos de Mundial de Clubes depois, o poder permanecerá nas mesmas mãos."

O fracasso da FIFA no Mundial de Clubes


"«Não estou nada preocupado em encher um estádio quando as equipas vêm jogar um Mundial, vêm competir por algo a sério, e não apenas um particular em que às vezes jogam com a segunda ou terceira equipa.»
Gianni Infantino, presidente da FIFA, em abril, sobre as assistências do Mundial de Clubes

Muita gente viu, em Portugal, o ar desolador do Estádio Inter & Co, em Orlando, que recebeu o Benfica-Auckland City da fase de grupos do Mundial de Clubes.
Um dos estádios mais pequenos deste Mundial — lotação para 25.500 espectadores, quando no Mundial de seleções cada estádio tem de ter no mínimo 40.000 — estava mesmo assim quase vazio, apenas 6.730 pessoas nas bancadas, ocupação inferior a 26 por cento. Na prática, estavam três cadeiras vazias a cada quatro.
O que muita gente não viu foi que ainda houve pior: no mesmo estádio, três dias antes, apenas 3.412 pessoas assistiram ao Ulsan-Mamelodi Sundowns (13 por cento de ocupação).
A FIFA acreditou que, por se tratar de um Mundial, as pessoas iriam querer estar nas bancadas. Mas nem os preços dinâmicos (prática comum nos EUA, que neste caso, devido à falta de procura, significou que foram caindo quanto mais se aproximavam os jogos) evitaram que houvesse estádios às moscas.
E o problema vai repetir-se no Mundial de seleções, em 2026: com 48 equipas, algumas delas nada entusiasmantes para o público em geral, 104 jogos e um organizador que barra sem critério pessoas à entrada no país e cria um sentimento de insegurança em quem pensa ir à bola, haverá jogos em que nem que com bilhetes de graça a lotação esgotaria."

Rakitic: o maestro silencioso que marcou uma Era


"Ivan Rakitic, de 37 anos, anunciou esta semana o fim da sua carreira como futebolista profissional, encerrando um percurso de 21 anos marcado por inúmeros sucessos, tanto ao serviço dos clubes por onde passou como da seleção nacional da Croácia – país que escolheu representar com o coração, apesar de ter nascido e crescido na Suíça.

A despedida foi feita com a serenidade e a classe que sempre o definiram: através de uma carta lida por si próprio e partilhada nas redes sociais, com palavras que tocaram o coração dos adeptos - Dear football, I have a special letter for you…
Na mensagem, Rakitic revisitou os momentos mais marcantes da sua trajetória, expressando profunda gratidão por todas as experiências vividas e pelos muitos sonhos que, ao longo das últimas duas décadas, transformou em realidade.
Há jogadores cuja despedida nos custa. Rakitic nunca precisou de luzes nem de capas de super-heróis para mudar o rumo de um jogo – necessitava apenas de ter a bola nos pés. O seu futebol enchia o campo de inteligência, visão e classe. Fora dele foi sempre aquilo que todos gostamos de encontrar num atleta de topo: um exemplo. Uma referência. Um senhor do jogo e da vida.
Despede-se com uma carreira plena. Com mais de 850 jogos oficiais, mais de 100 internacionalizações, golos em finais, passes que construíram histórias e uma forma de estar que o tornou admirado tanto dentro como fora das quatro linhas. Mas acima de tudo, conquistou o coração dos que sabem ver para além do golo e do aplauso fácil. A forma de jogar - com sobriedade, eficácia e uma elegância natural - refletia o que era e é como pessoa: equilibrado, confiável, profundamente humano.
Nascido na Suíça, filho de emigrantes croatas, Rakitic começou por brilhar no Basileia. Foi lá que o futebol europeu percebeu que estava a nascer um médio diferente - sereno, tecnicista, com leitura de jogo rara para a idade. Seguiu-se o Schalke 04, na Alemanha, onde cresceu taticamente e se afirmou num futebol mais exigente fisicamente. Mas seria em Espanha, ao serviço do Sevilha, que o mundo se renderia ao seu talento - e ao seu caráter. Em Sevilha, tornou-se ídolo. Capitão. Líder. Ganhou a Liga Europa em 2014, sendo eleito o melhor jogador da final. Recordo-me bem que levantou o troféu com a braçadeira no braço e lágrimas nos olhos. Ainda hoje, Sevilha é casa. A cidade que o adotou. A cidade que o aplaude de pé, sempre. A cidade que no verão de 2011, conheceu a sua esposa Raquel Mauri, com quem casou dois anos depois. Juntos têm duas filhas: Althea e Adara.
Depois do Sevilha, chegou o Barcelona. E com ele, o desafio de suceder a lendas como Xavi. Mas Rakitic não tremeu. Fez parte de um dos trios de meio-campo mais eficientes e memoráveis da história recente do clube e do futebol mundial: Busquets, Iniesta e Rakitić. Em 2015, conquistou a Liga dos Campeões, marcando na final frente à Juventus. Um golo que abriu o caminho para o troféu. Nesse ano, o Barça de Messi, Neymar e Suárez encantava o mundo - mas era Rakitic quem segurava o equilíbrio, quem dava ordem ao talento.
No plano internacional, viveu o momento mais mágico com a camisola da Croácia no Mundial de 2018, na Rússia. Juntamente com Modric, levou a seleção até à final, com exibições sublimes e nervos de aço - como nos penáltis contra a Dinamarca e a Rússia, onde converteu os remates decisivos. Não ergueu o troféu, mas ganhou o coração de milhões. O seu nome ficou para sempre gravado entre os maiores da história do futebol croata. 
Regressou onde o coração bate mais forte: Sevilha. Ainda a tempo para mais um momento de glória: a conquista da Liga Europa de 2023 – como se o futebol, num gesto de gratidão, lhe tivesse oferecido um último troféu – uma espécie de justiça poética. Depois, teve ainda tempo para uma passagem pelo Al-Shabab, na Arábia Saudita, e por fim, vestiu a camisola do Hajduk Split. Um regresso simbólico às origens, uma reconexão com as suas raízes e ter a oportunidade de jogar, pela primeira vez, no seu país.
No futebol moderno, há quem brilhe pelos golos, outros pelas assistências, e depois há os que influenciam o jogo de forma tão subtil quanto determinante. Ivan Rakitic pertence a esta última categoria. O médio croata nunca precisou de estatísticas vistosas para provar a sua importância - bastava vê-lo em campo para perceber que a sua influência ia muito além dos números. Destacou-se pela forma como resistia à pressão, encontrava soluções rápidas e distribuía o jogo com uma fluidez que dava vida ao meio-campo. Era raro vê-lo tomar uma má decisão. Considero o Ivan um verdadeiro influencer do futebol – não nas redes sociais, mas dentro das quatro linhas. Influenciava com o seu toque de bola refinado, com recuperações essenciais, passes teleguiados como se a bola tivesse olhos, remates decisivos e um entendimento tático excecional. Era um maestro do meio-campo. Unia criatividade a agressividade, intensidade a serenidade. Sabia pausar e acelerar. Desarmar e construir. Pausar quando era preciso respirar, acelerar quando a equipa precisava daquele impulso. Jogou em todas as posições do meio-campo e até nas alas. Era o equilíbrio. O pêndulo da equipa. O elo de ligação. O cérebro.
Para os colegas, era sempre uma saída segura. Um facilitador, um maestro sem batuta, um artista do coletivo. Em cada jogo, lembrava-nos que a verdadeira influência mede-se na capacidade de elevar todos os que o rodeiam. Um desses outros foi Fernando Reges, que, esta semana, partilhou comigo uma história que diz muito sobre Rakitic:
Sabemos que todos os grandes acabam por pendurar as botas, mas é uma perda enorme deixar de ver alguém como o Rakitic em campo. Foi dos jogadores com quem tive mais prazer em partilhar o campo. Tecnicamente, brilhante. Um verdadeiro líder, com uma sensatez invulgar e uma humildade rara. Tratava todos por igual, sem exceções. Fora do campo, era igual. Sempre bem-disposto, sempre com um sorriso. Uma pessoa genuína, que valorizava os pequenos gestos. Lembro-me de um episódio em Sevilha: um dia, comentou que gostava muito das minhas Havaianas, dizia que todos os brasileiros as usavam. Eu disse-lhe que lhe ia oferecer um par. Ele riu-se e respondeu: 'Mas tu agora não vais ao Brasil, como é que me vais dar isso?' E eu: 'Consigo arranjar em Portugal.' Quando fui a Portugal, comprei-as e ofereci-lhas. Ele ficou mesmo feliz. Valorizou aquele gesto de forma sincera. E eu também.
Aquelas Havaianas não foram apenas um presente. Foi respeito e amizade entre dois colegas. Há carreiras que se medem em títulos, outras em estatísticas, mas a de Rakitic mede-se sobretudo em respeito. O respeito dos adeptos, dos colegas, dos treinadores e dos adversários. Aquele respeito que não se compra, que não se pede nem se exige - conquista-se. Esse respeito é transversal. Basta ouvir o que dizem os que com ele jogaram e treinaram:
Luka Modric: Com o Rakitic ao lado, tudo era mais fácil. Sabia sempre onde estar, o que fazer, como ajudar. Mas mais do que isso: sabia ouvir, sabia unir. Foi um pilar da nossa seleção e um irmão no balneário.
Julen Lopetegui: Treinar o Rakitic é ter um treinador dentro de campo. Taticamente perfeito, emocionalmente estável, e sempre pronto a pôr o coletivo à frente do individual. São jogadores assim que constroem equipas campeãs.
Lionel Messi: O Ivan foi essencial para o que conquistámos. Era daqueles com quem sabias que podias contar em qualquer jogo, em qualquer momento. Um verdadeiro companheiro de equipa.
Unai Emery: Ele não precisava de falar alto para liderar. Bastava vê-lo treinar. Era o primeiro a chegar, o último a sair, sempre com um sorriso e um respeito inabalável por tudo o que envolve o futebol.
Cristiano Ronaldo: Enfrentá-lo nunca foi fácil. Sabia como anular espaços, como temporizar, como ferir quando era preciso. Sempre o respeitei muito.
Gerard Piqué: Dentro do balneário era um dos mais respeitados. Sempre equilibrado, sempre presente. Quando perdíamos, era ele quem chamava à razão. Quando ganhávamos, era o primeiro a lembrar que o trabalho continua.
Zlatko Dalic: Sem o Rakitic, não teríamos chegado à final do Mundial. Era o cimento invisível que colava tudo. Taticamente perfeito, emocionalmente estável, mentalmente fortíssimo.
Jorge Sampaoli: Ele era o relógio da equipa. Quando tudo parecia caótico, ele punha ordem. Não gritava. Não fazia gestos teatrais. Mas todos o seguiam.
Andrés Iniesta: O Ivan foi dos jogadores mais completos com quem partilhei o campo. Sabia o que fazer antes de a bola lhe chegar. E sabia também quando calar e ouvir. O que ele deu ao futebol não se mede só em títulos.
José Mourinho: É fantástico em todos os aspetos: defende, compensa, corre, e é inteligente com a bola nos pés.
O futebol despede-se de um maestro. E os adeptos, de um símbolo - um exemplo de profissionalismo, elegância e caráter. A sua ausência nos relvados será, paradoxalmente, uma presença constante na memória de quem verdadeiramente ama o jogo. Agora, inicia-se um novo capítulo: o tempo de estar com os seus familiares, de retribuir com proximidade todo o apoio, força e motivação que, em silêncio, o acompanhou ao longo de uma carreira brilhante. Chegou o momento de viver a vida noutro ritmo - saboreá-la com leveza, explorar novos caminhos e abraçar futuros projetos com a mesma paixão, classe e humildade com que sempre honrou cada camisola que vestiu.
Agora, a camisola fica pendurada, as chuteiras repousam. Mas o nome, esse fica. Fica nas bancadas do Sánchez Pizjuán, nas noites de Camp Nou, nas ruas de Split, nos relvados onde ainda hoje os jovens sonham. Fica em cada treinador que sonha com um médio assim. Fica em cada adepto que percebe que jogar bem é, antes de tudo, entender o jogo.
É por tudo isto que, agora que se despede, o mundo do futebol – mesmo em silêncio – se levanta para o aplaudir.
Ivan Rakitic despede-se. Mas não parte. Fica connosco, onde vivem os eternos.
Obrigado Ivan. O futebol foi melhor contigo."