Últimas indefectivações

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Era uma vez...

"Era uma vez um turista norte-americano, que visitava Israel. Era um homem de espírito, um observador e deixou o que viu, em rápidos apontamentos. Subiu serras talhadas a pique sobre o deserto; percorreu quilómetros, para compreender o ódio de cinza e crepúsculo, que divide os árabes e israelitas; passeou por jardins com flores vermelhas como lábios húmidos; e, por fim, numa hora doirada de fim da tarde, visitou um sábio que lhe disseram ser pessoa de simpatia e fraternidade inigualáveis e com uma rara intuição para descobrir a solução dos mais graves problemas da vida. Entrou na casa do sábio e nem um móvel, nem um quadro, nem uma cadeira, nem uma garrafa de água lobrigou. O sábio, para além do que vestia, parecia viver sem mais nada. “Mestre, como consegue viver só com a túnica que o cobre?”. Solenemente, exclamou o sábio: “Mas você também está diante de mim, sem mais nada, para além da roupa que o veste”.
E o turista insistiu: “Assim é, mas eu sou um turista, estou aqui de passagem”. E o sábio, com energia e com ritmo: “E eu também”. De facto, todos estamos, neste mundo, como o turista norte-americano – de passagem. Albert Camus, saciado, fatigado de pensar concluiu que a vida era um absurdo e que o absurdo se vencia, como Sìsifo, num trabalho inútil e cansativo. Nietzsche e Gide atribuíram à “morte de Deus” a plena realização do ser humano. Sartre e Camus (que não dispensava o seu futebol, entre amigos) não se imobilizaram nos valores de Gide e Nietzsche e duvidaram da “plena realização”, neste mundo, do ser humano, com ou sem Deus. Não lhe resta senão a ingénua sinceridade de dar sentido ao sem sentido da vida, de se imaginar afinal um Sísifo feliz. Recordo o Edgar Morin de O Paradigma Perdido: o ser humano é fundamentalmente um ser imaginante…
Mas que a função imaginante do sujeito não nos leve a uma realidade ficcionalizada. A presença de Alireza Rabbani, iraniano de 34 anos, “que irá reforçar a Unidade de Performance Desportiva, que está a ser introduzida, por Frederico Varandas, presidente do Sporting” é de uma actualidade indiscutível, desde que se não pense que o futebolista é um “homem-máquina”. O melhor futebolista não é o que corre mais, mas o que verdadeiramente sabe jogar futebol. O pianista, antes de um concerto, toca piano, não anda às voltas ao piano, sob pena de não preparar adequadamente o concerto. Também o ingresso, no Sporting, do Dr. João Pedro Araújo, especialista em Medicina Física e Reabilitação, como novo médico de equipa do Sporting Clube de Portugal, significa que há indiscutível rigor científico no departamento médico dos “leões”.
O Dr. João Pedro Araújo apresenta uma bem fundamentada experiência profissional, que nunca é demais realçar. Mas que não se esqueça o seguinte: “se tomarmos como exemplo a Medicina, verificamos que, nos últimos cem anos, se passou do estudo da anatomia descritiva ao da biologia celular e à imunologia. Ao querermos estudar o saber actual da Medicina e as regras epistemológicas que lhe dão sentido, não iremos analisar as metodologias da investigação anatómica do século XIX, mas sim debruçarmo-nos sobre a estrutura do pensar na actual investigação do nosso sistema imunológico. O objecto central da medicina mantém-se inalterado (prevenir, tratar as doenças e prolongar a vida) mas mudou radicalmente o núcleo central do estudo, que pode contribuir para que a sua finalidade se cumpra” (José Gameiro, Voando sobre a Psiquiatria, Edições Afrontamento, Porto, 1992, pp. 31/32). Na Medicina, hoje (se bem penso) não há doenças, há doentes. E o doente é corpo-mente-sentimentos-emoções -desejos-natureza-sociedade-cultura (e muito mais que o mistério, que o ser humano é, não permite que ainda se veja). E é sistémica a metodologia que pode observá-lo e estudá-lo.
Da leitura do Dr. José Gameiro se infere (o Dr. José Gameiro é um prestigiado médico psiquiatra e pessoa de amplo e arejado civismo) que são vários os analisadores epistémicos que atravessam a psiquiatria. Não serão tantos, nas outras especialidades médicas, onde é mais fácil o consenso, mas qualquer modesto epistemologista, como eu, que não sou médico, nem portanto algum dia beneficiei de qualquer prática clínica, depressa chegará à conclusão que, para um sistema complexo, deve corresponder uma metodologia complexa. Quando escrevo (há meio século) que “o Desporto é o fenómeno cultural de maior magia no mundo contemporâneo”, veja-se como é complexo o trabalho do especialista em Medicina do Desporto, tendo em conta a complexidade humana, onde cabe a contextualização do Desporto de Altos Rendimentos, tantas vezes inquinada de uma irracionalidade assustadora e do mais exagerado economicismo. Sem dispensar a ciência, mas só com ela, não há progresso desportivo, sem um epistema sistémico, onde o que é mais autenticamente humano se pesquise, se organize e se respeite.
Dizia o Adorno, no Minima Moralia, que “hoje a tarefa da arte é trazer o caos para a ordem”. Ora, se o “potencial crítico” da Arte é grande, não é menor o “potencial crítico” do Desporto e da Dança e do Jogo Desportivo (três exemplos, entre outros). Miguel de Unamuno (1864-1936), no seu livro Del Sentimiento Trágico de la Vida, adianta que é um “homem de carne e osso” que faz a História. E isto sem a necessidade de submeter-se a princípios envelhecidos, ou a metafísicas do tempo do “Teorema de Pitágoras” ou do “Princípio de Arquimedes”. Para Unamuno, este era o princípio básico, bem anti-cartesiano: “Penso, logo não existo”. Mas próximo, bem próximo da frase cortante de Kierkegaard: “A existência é uma rocha contra a qual naufraga o pensamento puro”.
É um “homem de carne e osso” que faz a História? O Desporto assim o prova. Com vontade, porém, de transcendência, que o mesmo é dizer: sentindo o “ainda não” de Ernst Bloch, e portanto com inquietude, insatisfação e esperança. Faço um parêntese, para lembrar que as ideias de Bloch, para além de reduzidos círculos intelectuais, são poucos os estudiosos que as conhecem, no nosso País. De facto, nenhum ser humano se sente plenamente realizado, no “aqui e agora” que vive. Pessoas, com a alegria de viver a estourar-lhes das bochechas, são cada vez menos. E, com uma jovialidade hospitaleira, menos ainda são. Em ruas coalhadas de letreiros luminosos, não faltam os embuçados que se destacam de um desvão. Há que fazer um mundo novo, que me permita que eu seja novo também. Perguntaram a Ernst Bloch: “Quem és tu’”. E ele: “Sou, mas ainda não me possuo”. Não resta a cada um de nós senão sermos um “não” que busca realizar-se. Vou tentar, agora, traduzir, para o senso comum, as tarefas em que Foucault tentou realizar-se, como pensador: Que práticas discursivas posso dizer, no mundo que me rodeia? Posso estabelecer alguma relação entre o que digo e o que faço? Depois de mim, o mundo ficará inalteravelmente o mesmo?... Que pode o Dr. Frederico Varandas dizer, no meio das ruínas em que alguns, que se autoproclamam sportinguistas, deixaram o Sporting? Por muito que me pese neste ponto, não acompanho muito à letra os que não descobrem graves descuidos em antigos dirigentes deste grande clube, que eu aprendi a admirar, quando, rapaz ainda, via jogar os “cinco violinos”. Era uma vez um Clube que, durante a década de 40, podia apresentar uma das melhores equipas de futebol europeias. O futebol ainda não conhecera nem Rinus Michels, nem Cruyff, nem Rijkaard, nem Van Gaal, nem Guardiola, nem José Mourinho, treinadores inapagáveis, na história do futebol. Mas conheceu, depois. outros deuses que, nas Academias, foram cuspidos e agredidos. Onde está o progresso no futebol? O ser humano é aquele animal louco, cuja loucura inventou um certo futebol…"

Benfiquismo (MXIV)

Sorriso de volta...!!!

domingo, 18 de novembro de 2018

Liderança...

Benfica 3 - 0 Leixões
25-20, 25-13, 25-17

Mais um jogo agradável...
Com uma nota visível: com a lesão do Gaspar, com o Théo a jogar praticamente todos os pontos, é perceptível a melhoria do Oposto Brasileiro...

Vale tudo...

Benfica 1 - 1 Sporting

Vergonhoso, tudo vergonhoso: começou com a UEFA a 'premiar' as equipas que terminaram a 1.ª fase em segundo lugar, ao dar-lhes a organização da Ronda Elite sem qualquer 'limitação'!!! Tivemos bilhetes pornográficos, tivemos jogos às 14h durante a semana... fomos obrigados a jogar em primeiro lugar nas duas primeiras jornadas, dando vantagem ao adversário que jogava depois e podia controlar melhor a diferença de golos, que acabou por ser decisiva para a qualificação (os Lagartos ainda tiveram a 'sorte' dos russos terem jogadores castigados na 1.ª jornada!)...
E não satisfeitos, levámos com uma arbitragem digna do asqueroso Tugão!!! Mais de metade das faltas assinaladas ao Benfica, na 1.ª parte não existiram, inclusive a 6.ª falta que deu o único golos dos Lagartos... logo no início do jogo, o Robinho foi agredido - para vermelho directo - e nem sequer foi marcada falta!!! E depois ainda tivemos penalty's a nosso favor que ficaram por marcar... Nem com o canal de clube que transmitiu o jogo, a esconder todas as repetições a 'favor' do Benfica (todas), tudo isto foi visível...

Fomos melhores, somos melhores... e vamos ganhar o Campeonato.

Imparáveis...

Damaeinse 0 - 17 Benfica


Sem afrouxar...


Na final

"O tempo da justiça (...) é cada vez mais um tempo em que a avaliação popular está para lá da devida deliberação judicial

1. Foi um empate saboroso. Estamos na final da nova Liga das Nações e vamos organizar essa final. Ontem tivemos uma primeira parte pouco conseguida e conseguimos em momentos da segunda parte perturbar uma Itália bem diferente - para melhor - daquela que perdeu no Estádio da Luz. Estamos uma vez mais numa fase final de uma competição de selecções. A nossa Federação está de parabéns. E Fernando Santos e todos os jogadores merecem um aplauso e um cumprimento especiais. Agora só falta saber os outros três difíceis adversários. E sonhar. E agarrar a sorte. Já que a excelência e a competência fazem parte do ADN desta Selecção de Portugal! Da Selecção de todos nós!

2. Nesta primeira edição da Liga das Nações, e na Liga A, - ou seja, na liga das principais selecções! - há, para já, uma grande surpresa: a Alemanha desce à Liga B e entra, assim, para o Pote 2 do próximo sorteio do Europeu de futebol. O que significa que nos poderá calhar em sorte já que Portugal estará no Pote 1. E amanhã a Holanda frente a esta Alemanha despromovida poderá, no caso de vitória, ultrapassar a campeã mundial em título, a França, e ambicionar regressar aos grandes palcos do futebol mundial. Ela, Holanda, que esteve ausente do Mundial da Rússia. Tal como hoje a Espanha estará com os olhos e ouvidos no Inglaterra - Cróacia fazendo votos para um empate, o único resultado que lhe permitirá manter o primeiro lugar do grupo. E a Suíça lutará com a Bélgica a liderança do denominado Grupo 2 da Liga A. E na Liga B já há promoções. A Dinamarca, a Ucrânia e a Bósnia já subiram ao principal escalão desta Liga das Nações. Uma última nota nesta nova Liga. Gibraltar venceu dois jogos. Andorra e Liechtenstein um. Só San Marino não conquistou qualquer ponto e não marcou qualquer golo. Tudo isto na Liga D, na liga das Federações menos cotadas! Mas na Liga A, Alemanha e Islândia apenas marcaram um golo. Singularidades de uma competição que já provocou surpresas - e grandes - nesta sua primeira edição!

3. A justiça comum tem preenchido as nossas atenções. Ficamos a saber que o legítimo direito à greve pode perturbar o sagrado direito à liberdade e ficamos a conhecer imagens e mensagens que levam alguns a profundas ponderações acerca da justeza de decisões judiciais face aos indícios publicamente evidenciados. O tempo da justiça, e também a leitura ponderada de todos os dados constantes de um determinado processo, é cada vez mais um tempo em que a avaliação popular está para lá da devida deliberação judicial. E mesmo alguns que já sofreram na pele esse tipo de rápido julgamento em vez de optarem pelo devido silêncio resolvem enunciar palpites e proclamar opiniões. Na verdade vivemos, entre nós, tempos curiosos. As televisões recebem em bruto imagens constantes de um processo e não precisam de as editar. São repetidas em bruto, abundantemente discutidas e, até, quase que cientificamente analisadas. O tribunal de júri reúne-se quase que ao mesmo tempo que a telenovela passa em outra televisão ou em outro canal. É a justiça bem aberta, vista por todos. Agora todos sabem os limites da detenção para primeiro interrogatório, que os indícios do crime de terrorismo permitem buscas excepcionais e que os tribunais, em certas situações - não explicadas - fazem «informações à comunicação social». E até as numeram. Informação seis, informaram sete, porventura um dia destes informação oito. E numa singularidade singular a justiça comum quase se despe perante actos e factos que o futebol suscita e provoca. E nem estas situações levam à redução do IVA para o futebol! E sem que o poder da justiça, e naturalmente o próprio poder político, se pareçam preocupar com tudo a que assistimos e tudo o que vimos. Mas importa não esquecer Confúcio quando disse que «ultrapassar os limites não é um erro menor do que ficar aquém deles»!

4. Quatro notas bem especiais. Em sub-21 estamos a um pequeno passo do Europeu. A vitória na Polónia foi estimulante e é moralizante. Chaves vai empurrar esta jovem Selecção e vamos chegar, cheios de esperança, a um Europeu que poderemos conquistar. A segunda nota para sublnhar a entrevista que Jorge Jesus concedeu a este grupo de comunicação. Na sua edição em papel e na Bola TV vimos o cidadão e o homem, o treinador e o amigo, o emigrante e a sua imensa alma. E o que disse, e como disse, merece ser apreciado e sentido, diria que vivido. São momentos de uma vida vivida. Bem vivida como se pressente das imagens de Alcochete! A terceira nota para cumprimentar o Jorge Viegas pela sua conquista da liderança da Federação Internacional de Motociclismo. É mais um português no topo de uma das grandes e motivantes federações internacionais. E de uma modalidade que nos apaixona, nos faz vibrar e que tem jovens e talentosos praticantes portuguesas e que levam a nossa bandeira e o nosso hino a diferentes palcos do Mundo. A quarta nota para vivamente cumprimentar este jornal pelo regresso de Jorge Valdano às suas páginas. Valdano é um dos grandes nomes do futebol contemporâneo. Do futebol que jogou e do futebol que comentou. Do futebol que percebe e do futebol que conhece. Do futebol que é um jogo e, logo, um jogo infinito! Ontem já tivemos o privilégio da sua primeira e deliciosa crónica. São reflexões que nos preenchem e neste tempo em que o instantâneo nos domina é reconfortante ler - e reler - uma serena e profunda análise acerca do futebol e dos seus reais protagonistas. E por vezes, e como nos ensinou Alain, «reflectir é negar aquilo em que se acredita»! É mesmo!

5. (...)"

Fernando Seara, in A Bola

O 'fair play' financeiro

"A UEFA referiu esta semana que, no contexto das revelações feitas pelo Football Leaks, admite voltar a estudar a situação financeira dos clubes europeus, caso se demonstre que os casos não foram correctamente tratados. É aberta, assim, a possibilidade de reabrir processos e de os avaliar novamente.
Esta possibilidade de reavaliar casos relativos ao fair play financeiro foi também confirmada recentemente pelo Tribunal Arbitral do Desporto de Lausanne (CAS) no âmbito da decisão proferida no caso do AC Milan contra a UEFA, cuja decisão integral foi conhecida recentemente.
Recorde-se que a UEFA excluiu o clube de participação na próxima competição de clubes da UEFA para a qual, de outra forma, se qualificaria nas próximas duas temporadas (ou seja, em 2018/19 ou 2019/20), por incumprimento das regras do fair play financeiro, decisão que foi revertida pelo CAS.
O Colégio Arbitral do CAS entendeu que o caso deve baixar à UEFA para que seja proferida uma nova decisão de acordo com as regras da proporcionalidade, poquanto alguns elementos relevantes não foram devidamente avaliados pela UEFA, ou não puderam ser devidamente avaliados no momento em que a decisão foi proferida, em 19 de Junho, em particular que a actual situação financeira do clube está melhor neste momento.
Atente-se que a avaliação feita pela UEFA para efeitos de fair play financeiro é feita com base nos anos anteriores e não com base em situação actual ou futura do clube. Portanto, esta decisão do CAS introduz uma alteração significativa no que diz respeito ao processo estabelecido ao nível do futebol europeu para avaliação do cumprimento das regras impostas."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Portugal, sim, e esta doce normalidade

"Quando conseguir resultados se torna um hábito

A Selecção Nacional garantiu o primeiro lugar do grupo e apurou-se para a final four da Liga das Nações. Foi até a primeira selecção a fazê-lo.
A notícia já é antiga, tem no momento em que escrevo pelo menos umas duas horas, a sensação é completamente inovadora. Muito moderna, aliás.
Ainda não há muitos anos, Portugal fartava-se de fazer contas, de projectar hipóteses, de avançar conjecturas. O sofrimento durava muitas vezes até ao último suspiro, até ao derradeiro apito.
Por isso o que se passa agora, o que se passou nesta Liga das Nações, no apuramento para o último Mundial ou na qualificação para o último Europeu, é uma saborosa novidade, que nos habitua a esta doce normalidade. Portugal nunca precisou de play-offs, nunca teve de fazer contas. Só no apuramento para o Mundial, aliás, necessitou do último jogo para se qualificar. De resto fê-lo sempre antes, com tempo, sem sobressaltos e sem fazer uso da especialização em matemática.
A Selecção Nacional está, portanto, a habituar-se a ganhar. Nem sempre joga bem, muitas vezes, como esta noite em Milão, fica até muito longe de o fazer, mas consegue resultados.
A cultura de vitória está a interiorizar-se no seio da Federação. Desconfio que foi por isso que não se viram festejos exuberantes na cara dos portugueses. Foi apenas mais um dever cumprido. Curiosamente em Milão, no lar de uma das selecções mais tituladas do futebol mundial.
Não teve brilho? Não teve, não senhor. Mas teve sucesso.
Mesmo sem Ronaldo, que não fez um único jogo nesta competição, Portugal soube ser maduro e mostrar que pode sobreviver ao fim daquele que será o melhor português de todos os tempos.
Por isso nesta altura, mais do que este, aquele ou outro jogador, mais do que aquela promessa de 19 anos ou a outra de 17, é esta cultura de vitória que garante o futuro da Selecção Nacional.
Esta doce normalidade."

Outra vez, Alemanha?

"2018 atirou a quatro vezes campeã mundial ao chão

Em quatro anos, a Alemanha foi do céu ao inferno.
Campeã do mundo no Brasil, última classificada do grupo na Rússia. Afinal, porém, havia mais. Num ano absolutamente trágico, a selecção germânica ficou também no último lugar na respectiva poule da Liga das Nações e já sabe que foi despromovida à segunda divisão da competição.
Daqui por dois anos vai estar a defrontar o País de Gales, a Áustria, a República Checa ou a Eslováquia. Muito longe, portanto, daquele que é o seu habitat natural.
A selecção alemã está em crise? É arriscado dizê-lo. A verdade é que tem sido vítima de uma série de acasos. Na Rússia, por exemplo, esteve até ao fim a lutar pelo apuramento. Dois golos coreanos nos descontos empurraram-na para o último lugar.
Nesta Liga das Nações, foi de facto inferior na derrota em Amesterdão, embora tenha tido mais bola, e jogou sempre taco a taco com a França. Os golos de Griezmann, em Paris, de Depay e Wijnaldum, em Amesterdão, todos eles sobre o fim do jogo, atiraram-na ao chão.
Antes disso, esteve nas meias-finais do Euro 2016, no qual só foi eliminada por uma França que até foi inferior no jogo, com menos posse de bola e menos remates, e fez uma fase de apuramento para o Mundial 2018 absolutamente irrepreensível: dez vitórias em dez jogos.
A verdade, porém, é que a grande Alemanha, a velha Alemanha, não permitia que jogos como os mais recentes lhe acontecessem. Era demasiado forte para isso. Esta Alemanha, parece nunca ter sido capaz de se recompor daquela partida em Moscovo, em que foi atropelada pelo México.
Desde então tem andado errática, insegura, pouca... alemã.
É verdade que em dois anos perdeu Schweinsteiger, Mario Gomez e Mesut Ozil, abdicou de Khedira, viu-se mergulhada numa série de polémicas xenófobas e parece ter ficado mais pobre em referências. Mas isso não explica tudo. Até porque o país continua a ser uma fonte de talentos.
Pode ser apenas um ano mau. Mas que é estranho, é. E até desonroso."

O “caso da academia do Sporting”, as greves e a melancolia da Justiça

"Tendo em conta o comportamento processual do agora arguido Bruno de Carvalho, não se justificava – com os dados conhecidos – a detenção a um domingo à noite, com o espectáculo de saber onde dormiria o indivíduo.

Agora que está mais calmo o circo mediático em torno dos acontecimentos na academia do Sporting, julgo importante reflectir sobre algumas questões. Obviamente que não conheço o processo e o que sei resulta das notícias publicadas.
Comecemos pela competência delegada pela procuradora-adjunta responsável pelo inquérito na GNR e não na PJ. A Lei de Organização da Investigação Criminal (LOIC: Lei n.º 49/2008, de 27/8) foi criada exactamente para evitar conflitos, neste caso positivos, de competência entre órgãos de polícia criminal (OPC), reservando de modo absoluto à PJ a investigação de um catálogo de crimes, de entre os quais se acha o terrorismo (art. 7.º, n.º 1, al. l)).
De modo incompreensível, o art. 8.º da mesma Lei permite que esse quadro possa ser alterado, pelo que não é inválida a decisão da procuradora deferir a competência à GNR. Simplesmente, lendo o citado art. 8.º, pelo que se sabe, não há qualquer razão objectiva para se afastar a competência da PJ, nos estritos condicionalismos que a norma consagra.
Daí existirem decisões de tribunais superiores que entendem que a LOIC é meramente indicativa, o que tecnicamente está certo, mas político-criminalmente e enquanto teleologia da Lei, é um erro crasso. Erro que cabe ao legislador corrigir e não aos aplicadores do Direito, pelo que me parece urgente revisitar esta “coisa esquizofrénica” de estabelecer um quadro de competências aparentemente exclusivo, mas depois conceder ao Ministério Público (MP) a faculdade de o alterar. 
Claro que é a ele que compete a condução do inquérito, mas mesmo o art. 8.º hoje vigente, pelo que conhecemos, nunca – ou muito dificilmente – poderia conduzir ao afastamento da PJ. Tanto mais que, quem conhece a prática sabe – o caso da PJM está aí para o demonstrar – que são diárias as disputas entre OPC quanto à investigação criminal, a falta de circulação de informação e mesmo a sua sonegação. Ainda esta semana integrei um júri de mestrado em que este era o fulcro da discussão. 
Estou também seguro, com todo o respeito sincero que me merece a GNR – onde tenho vários amigos –, que se a PJ – como devia – tivesse conduzido as investigações desde o início, não teríamos assistido a uma intervenção tão musculada, de claro exagero, digna de um país de terceiro mundo e que revela a natureza militar da GNR. O excesso de exibição da força enfraquece a força dos argumentos.
Por outro lado, tendo em conta o comportamento processual do agora arguido Bruno de Carvalho, não se justificava – com os dados conhecidos – a detenção a um domingo à noite, com o espectáculo de saber onde dormiria o indivíduo. Nem se diga que os eventuais receios fundados contra “Mustafá” conduziram a que a detenção fora de flagrante delito tivesse de ser lançada ao mesmo tempo. Não é assim, uma vez que uma simples vigilância policial impediria qualquer tentativa de fuga do arguido Bruno. Dispensável, portanto, esta actuação, sendo certo que todo o processo penal é perpassado pelo princípio da proporcionalidade e pela garantia de defesa da dignidade humana.
Do que se conhece, tem-se ainda debatido se este caso configura ou não uma hipótese de terrorismo. Estamos todos – empiricamente – habituados a que este tipo legal tenha motivações religiosas, ideológicas ou políticas, mas o modo como os artigos 4.º e 2.º, n.º 1, da Lei n.º 52/2003, de 22/8, redigiram o ilícito não o exigem: “(…) agrupamento de duas ou mais pessoas que, actuando concertadamente, visem (…) intimidar certas pessoas, grupos de pessoas (…) mediante: a) Crime contra a vida, a integridade física ou a liberdade das pessoas;” e “c) Crime de produção dolosa de perigo comum, através de incêndio, explosão (…)”.
A mera leitura do tipo objectivo, numa fase processual como esta em que se acha encerrado o inquérito com o despacho de acusação pública, não permite dúvidas quanto a concluir que, efectivamente, existem, na perspectiva do magistrado do MP, indícios suficientes da prática deste crime. E bem se compreende, uma vez que o bem jurídico protegido é a paz e segurança públicas, que, pelo que se sabe, foram efectivamente lesados, sendo certo que este é um delito de perigo, em que nem sequer se exige que o interesse tutelado seja efectivamente posto em causa.
Uma última nota: veio a público que o MP e o OPC que o coadjuvou no inquérito não têm acesso a um software de desencriptação de mensagens escritas, o que é simplesmente caricato. Pelos vistos, temos de recorrer a entidades estrangeiras, com as naturais delongas. Se não fosse trágico, seria cómico.
Por estas e por outras se compreende a greve dos funcionários de justiça e a anunciada dos juízes, não cuidando aqui da discussão de saber se estes, enquanto titulares de órgão de soberania, são ou não portadores desse direito. Isso seria matéria para outro artigo, mas, de forma apertada, a minha resposta é afirmativa, como aliás o próprio Conselho Superior da Magistratura já o reconheceu. As especificidades dos Tribunais como órgãos de soberania, a forma como a carreira dos juízes está organizada, não permitem compará-los ao Presidente da República, à Assembleia ou ao Governo, estes claramente impedidos do direito à greve.
Bastará conhecer o dia-a-dia dos tribunais, o profundo desrespeito pelos juízes com uma reforma do seu Estatuto que se vai atirando para as calendas, com uma Ministra da Justiça que na parte remuneratória nem se arrisca a discutir, chutando para Costa e Centeno, para compreender que os magistrados judiciais tenham de dizer “basta”. Por eles, pela qualidade do sistema público de justiça e, em última instância, por todos os cidadãos. Claro que esta greve não é popular e o Governo sabe muito bem disso – pelas complicações práticas que traz à vida de quem contacta com os tribunais, a que sempre se acopla os “luxos e mordomias” dos magistrados judiciais. Vejam bem quanto eles ganham – os valores são públicos – para pessoas a quem se exige uma enorme formação técnica, que têm de ser independentes e imparciais e que não podem ter – e bem – qualquer outra fonte de rendimento. Não se embarque em considerações demagógicas e populistas quanto à questão remuneratória, pois só se pode comparar o que é comparável.
Enfim, tempos de alguma tristeza na justiça, talvez a condizer com o tom cinzento do tempo (meteorológico)."

O improvável encontro entre Hannah Arendt e Bruno de Carvalho

"Pensei sobre a inusitada ligação acima referida a propósito de uma reflexão para responder a uma questão que me foi colocada sobre a liderança de Bruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting. Com base na conjugação de alguns factos do domínio público como a sua eleição com cerca de 90% dos votos, com a maior participação de sempre dos sócios do Sporting nas eleições; por se definir como um presidente-adepto; por assumir que criou a fama de maluco, por conselho do seu tio-avô Pinheiro de Azevedo; pela sua relação próxima com a claque; por ter nos seus corpos sociais individualidades distintas da vida social portuguesa, abordei o assunto com recurso a Hannah Arendt.
Mas quem é Hannah Arendt?
Hannah Arendt foi uma judia alemã, que viveu no século passado (1906-1975), exactamente na altura em que Hitler e Estaline emergiram como líderes totalitaristas. O pensamento original e independente de Arendt contribuiu para a compreensão de como estes processos estudados na psicologia social podem ocorrer e ter impactos tão dramáticos na existência humana. A sua filosofia existencialista não caiu na facilidade de incidir apenas no “sujeito pensante”, mas sobretudo nas acções, percepções, sentimentos e vivências do “ser humano completo”.
Das suas notáveis obras destaco para o presente assunto “As origens do totalitarismo”, publicado em 1951, onde discute o paralelismo das ideologias totalitárias do Bolchevismo e do Nazismo. Nesta análise, Hannah Arendt apresenta uma explicação da sociedade e também da vida individual, mostrando como a via totalitária depende da “banalização do mal”, da manipulação das massas, da ausência de crítica face à mensagem dos líderes. Os líderes totalitaristas aparentemente com teorizações sociais tão distintas como de extrema-esquerda (Estaline) e de extrema-direita (Hitler) seguem, segundo Arendt, as mesmas vias e alcançam o poder por explorarem susceptibilidades particulares das massas.
Será que a teoria da liderança totalitarista de Arendt pode ajudar a perceber a liderança em organizações desportivas?
Comparar o Nazismo ou o Bolchevismo que provêm de uma escala mundial a uma dimensão local como o funcionamento de uma organização desportiva é claramente abusivo. Não é o que pretendo fazer. Proponho somente reflectir sobre liderança, cujos processos psicossociais são relativamente independentes da escala. Além disso, estou ciente que nenhuma liderança incorpora um “estilo puro”, mas recorre à interacção única entre as características do líder, as circunstâncias sociais em que a liderança é exercida, os aspectos particulares de cada plano estratégico e de acção, entre outros factores. Mesmo assim, reler Hannan Arendt pode ser estimulante.
Para Arendt, os líderes totalitários não são distinguíveis das massas. Eles são a personificação, a representação visível, a voz das massas. Porém, as massas susceptíveis ao totalitarismo têm características especiais. Ocorrem em sociedades onde há descrença no poder político, onde as classes sociais estão dissolvidas, onde a responsabilidade social dos cidadãos está diminuída e está generalizada a indiferença.
Os líderes totalitaristas surgem das sombras da sociedade, emergem do anonimato, de dentro das massas, e aparecem como aqueles que podem impedir a catástrofe do “não se fazer nada”. Apresentam-se como prontos para se sacrificar para o bem comum que é a organização, ao mesmo tempo que tratam com distinção as massas que representam. Assumem uma ambição global, muito para além dos limites da organização. Mais do que um posto, ambicionam criar um movimento e gerar influência social. Para isso, cultivam a instabilidade, pois a estabilidade não traz a força-motriz necessária ao movimento.
Os seus associados seguem-no, não porque o achem infalível, mas porque são convencidos que quem lidera essa organização tem os meios para se tornar infalível.
Como são os líderes totalitaristas?
Estes líderes têm uma comunicação interpessoal muito eficaz, causando um certo fascínio junto dos que o rodeiam. Mas esta fascinação não advém de nenhuma qualidade cativante, “quase mágica”, capaz de retirar o discernimento dos que o ouvem (sendo, portanto, distintos dos líderes carismáticos). A fascinação ocorre devido às propensões sociais da audiência para quem ele se dirige. Para estas massas o líder é directo e claro. O discurso é peremptório e reduz a incerteza de pessoas que querem ter certezas.
Outra característica é a sua extraordinária autoconfiança, que inspira os outros a terem confiança nele. Também a sagacidade que insinuam ter, cria convicções nos ouvintes de que se é sagaz.
São líderes que vão desenvolvendo uma lógica quase ficcional ou distorcida quanto ao que vão atingir ou ao que explica o estado das coisas. Mas essa lógica é apoiada pelas massas. É este dogmatismo ficcional coerente que legitima o líder: as massas são cativadas pelo discurso e envolvem-se no processo. E quanto mais se envolvem, mais se tornam cúmplices do discurso e actuam de forma a legitimá-lo.
Um importante aspecto do líder totalitarista, referido por Arendt, e que contrasta com o líder carismático, é ter a sua credibilidade muito mais assente na organização que lidera do que nas suas características pessoais. E isso reforça ainda mais a proximidade com aqueles que o elegeram.
E como se explica que figuras ilustres se mantenham no processo?
O líder totalitarista não aparece como totalitarista. Inicia a sua ascensão com base na sua habilidade de negociação, nas alianças variadas, na divisão entre os membros. É depois de consolidada a liderança que emerge uma acção centrada no exercício de poder.
Nesta segunda fase o líder sustenta o seu poder pela convicção junto dos seus membros de que sem ele tudo ficará perdido. A partir desse estádio, segundo a análise de Arendt, o líder impõe-se como necessário muito mais pela função que pela pessoa que é. O seu afastamento colocaria em causa todo o estado das coisas. É nesta fase de liderança consolidada que o discurso dogmático tende a atingir maiores proporções quer por parte do líder como dos liderados.
Por um lado, porque o líder totalitarista percebe que a realidade pode ser fabricada para ir ao encontro das suas previsões. Por outro lado, os observadores que estão fora desse domínio totalitário reduzem as defesas e o estado de alerta, por percepcionarem o seu discurso como demagógico e até algo inofensivo, tal a distorção da realidade.
No intuito de ampliar o poder e a força do movimento o líder totalitarista investe na identificação de inimigos. E, perante as massas, justifica a inequívoca necessidade daqueles serem derrotados, ainda que a custo da própria lei vigente. E assim acentua-se a fabricação da realidade que interessa ao totalitarismo.
E o controlo das claques?
É neste exercício de poder que se impõe uma força interventiva, que por analogia poderá ser a claque. Este grupo funciona como uma força que nunca questiona o líder, que é quem lhes permite o acesso a recursos vários, patrocina as suas mobilizações e legitima o seu funcionamento e existência. Neste sentido, reforçam a acção do líder, cientes que estão de não conseguirem sobreviver à queda do eleito.
A intrincada ligação entre massas, membros, forças interventivas e líder não exclui o “culto à personalidade” organizacional. Este culto narcísico dificulta o afastamento da organização, mesmo em situações limite. Mas esta foi a análise de Hannah Arendt sobre a liderança totalitarista de Adolf Hitler e Josef Estaline. Qualquer semelhança com Bruno de Carvalho será provavelmente coincidência."

Benfiquismo (MXIII)

Em directo...!!!

Jonas... ao vivo

Liderança isolada...

Benfica 83 - 75 Oliveirense
24-18, 27-16, 20-24, 12-17

Ainda sem o Xavi, com o Suarez a lesionar-se ainda na 1.ª parte (parece que já estava condicionado!), e vencer o nosso principal rival nesta Liga, com esta limpeza, é moralizador...
Grande 1.ª parte, com menos opções na rotação, seria normal baixar o rendimento na parte final, mas acabámos por vencer o jogo na luta!!!

sábado, 17 de novembro de 2018

Vitória na Suíça...

Montreux 3 - 8 Benfica

Com o habitual apoio dos emigrantes, vitória normal do Benfica em Montreux... e liderança isolada, só com vitórias...

Estamos vivos...

Hannover 41 - 36 Benfica
(26-18)

Péssima 1.ª parte. Praticamente não defendemos... cada tiro, cada melro!!!
Melhorámos no 2.º tempo, recuperámos, e com um pouquinho mais de 'paciência' até podiamos ter recuperado mais...
A eliminatória está difícil, mas não é impossível...

Vitória nas Caldas...

Sp. Caldas 1 - 3 Benfica
23-25, 25-20, 18-25, 22-25

Não foi um grande jogo, ambas as equipas tiveram desafios europeus a meio da semana, mas apesar das oscilações conseguimos os 3 pontos...

Pânico existencial em San Siro

"Há jogadores que gritam os golos como se cumprissem um dever, outros como se fossem os reis, outros ainda como se se vingassem do mundo

Em perigo de extinção
Era eu jogador e estava em Bogotá concentrado com a selecção argentina. No lóbi do hotel conservava animadamente com um amigo que, de repente, emudeceu com a vista fixada numas escadas. «Olha o Daniel», disse-me, «ninguém desce as escadas como ele». Capitão da primeira selecção argentina campeã do Mundo, Daniel Passarella transmitia a autoridade de um capo da máfia. Restam muito poucos desta espécie, nenhum como Sérgio Ramos. Os grandes líderes têm uma segurança que, de um modo que desconheço, a mente transmite ao corpo. Sérgio entra no balneário como se o Real Madrid lhe pertencesse e no relvado como se tivesse inventado o futebol. O clube acusa-o de mandar em demasia e os rivais de ser arrogante. Mas, quando os normais se escondem, ele desafia o mundo com um penálti à Panenka. É a sua maneira de nos dizer que o líder, esse ideal remoto como um animal mitológico, ainda existe.

Futebol tóxico
jogadores que gritam os golos como se cumprissem um dever, outros como se fossem os reis, outros ainda como se se vingassem do Mundo. Neste último grupo entre Gonzalo Higuaín, que joga com o peso de ter falhado golos em partidas que duram toda a vida: as finais. Gonzalo elevou o medo cénico ao pânico existencial em San Siro. A Juve cedeu-o ao Milan para encontrar espaço para Cristiano, de modo que o Milan - Juve era a ocasião perfeita para vingar a afronta. Gonzalo falhou um penálti, sofreu um golo de Cristiano e quando o árbitro lhe deu um cartão amarelo nos últimos minutos enlouqueceu até ver um vermelho. Não sabemos quanta tensão, humilhação em forma de memes e desejo de vingança pela frustração havia nessa reacção. Mas tendo chegado onde sempre sonhou, há que perguntar «de que precisa para sentir-se feliz?»

Quando ganhar não chega
Ganham jogos equipas com menos posse de bola e, como a França ganhou o Mundial, fala-se de tendência. A França foi campeã legítima pela qualidade e pelo imponente talento físico dos seus jogadores. Também pela táctica ao serviço do mínimo risco. Não tenho como prová-lo, mas creio que sendo mais ousados teriam conseguido o mesmo com mais reconhecimento público. O Barça de Guardiola foi contagiante. Tivesse ou não os jogadores, dessem-se ou não as condições, havia que sair a trocar a bola e chegar trocando a bola. Um movimento paralelo buscou antídotos contra semelhante máquina de jogar. Mourinho foi o seu profeta com um futebol especulativo e sacrificado que necessitava de um exército que não abrisse brechas. Esta semana defrontaram-se na Premier com uma clara diferença na abordagem. Mourinho precisava de ganhar para ter razão. Guardiola, de ganhar e jogar muito bem. Uma questão de expectativas.

Mais ou menos
Diverte-me Klopp, proveniente de um país que chegou a potência através da disciplina e da ordem; gosto de Sarri, que vem de um futebol amigo do calculismo; interessa-me Guardiola, que cresceu vendo que futebol se escrevia com F de fúria. Encanta-me comprovar, no final, que em todos os lados surge gente que não ignora a coragem e a beleza. Honra e Menotti, a Sacchi, a Cruyff, pioneiros de um jogo que aspira à grandeza (ao trinufo cultural acima de um simples triunfo) e que nunca morrerá. Respeito também o futebol com menos posse, mais sistematização, mais bola parada. Mais contenção do sentido natural de aventura que têm todas os futebolistas. Mais bolas longas, mais recuperação, mais contra-ataques. Mais área, menos campo. Dizem que mais interessante. Creio que, tratando-se de um jogo, e menos interessante o que é mais aborrecido."

Jorge Valdano, in A Bola

Benfiquismo (MXII)

Sombras molhadas !!!

Jogo Limpo... com o Seara, Fanha e o Diogo !!!

Uma Semana do Melhor... com a Mariana

Melhor plantel


"Aguardamos que no iPad do professor Arnaldo Teixeira estejam soluções que nos mantenham na rota dos títulos

O Benfica venceu em Tondela garantindo os três pontos, o que, na actual conjuntura encarnada, não é coisa pouca. Mas não tenhamos dúvidas de que há muito melhorar para poder disputar as três provas que queremos vencer. Se sofrer um golo aos 41 segundos e vencer 3-1 pode ser encarado como positivo, deixar o Tondela criar seis oportunidades de golo (algumas já em superioridade numérica) não pode ser aceitável num Benfica candidato ao título nacional.
Temos o melhor plantel e condições para vencer, mas não há dúvidas que de a solidez defensiva e eficácia de concretização serão preocupações naturais de Rui Vitória. Aguardamos que no iPad do professor Arnaldo Teixeira, do qual já saíram muitas soluções, estejam também em laboração aquelas que nos vão manter na rota dos títulos.
Em Tondela, mesmo com condições climatéricas adversas (embora a drenagem do estádio seja exemplar), houve sempre uma atitude e compromisso integrais com o jogo e com a vitória de todos os que envergaram o manto sagrado. Mesmo quando não houver qualidade de jogo, houve profissionalismo e entrega.
O jogo assinalável de André Almeida só demonstra o quão injustas são muitas das críticas que se fazem a um dos melhores profissionais do Benfica. Rafa é um caso patológico de estudo, ninguém desequilibra tanto, acelera tanto, causa tanto dano nas defesas contrárias no campeonato português, mas também ninguém desperdiça tantos golos como o internacional português. Com eficácia de 50 por cento das oportunidades que dispõe, tinha a Europa do futebol aos seus pés. Comeste desperdício, não raras vezes, tem os seus adeptos em desespero, Rafa é um jogador capaz de impossíveis, e esses jogadores têm sempre lugar nas equipas com enormes ambições.
Paragem para afinar a máquina, mas também paragem para redobrar o compromisso e ambição.
Quando se assiste ao FC Porto - SC Braga, percebe-se que o Benfica tem tudo para vencer o título nacional. Porque se há uma sorte de campeão, também há uma sorte que não dura sempre, e o Benfica já mostrou, esta época, ser superior e ter mais soluções."

Sílvio Cervan, in A Bola

Temos Final para ganhar no Domingo !!!

Sibiryak 2 - 4 Benfica

Foi pena os golos sofridos, os Russos apostaram no 5x4 muito cedo, falhámos alguns golos sem guarda-redes na baliza, e além disso tínhamos alguns jogadores condicionados com Amarelos do 1.º jogo, e não valia a pena 'arriscar' falhar o jogo decisivo de Domingo!
Toda esta 'construção' da Ronda de Elite, com os vencedores da 1.ª Fase, a ficarem em desvantagem para a Ronda de Elite, a jogarem fora de casa, e ainda por cima, a jogarem 'primeiro' do que aqueles que ficaram em 2.º lugar na 1.ª fase, facilitando a gestão das 'goleadas' com as equipas mais fáceis, para chegarem à 3.ª jornada, a precisarem somente do empate, é simplesmente ridícula!!!
Sendo que no nosso caso, ainda levámos com os Lagartos a marcarem jogos para horas impróprias em dias de semana, com preços pornográficos dos bilhetes... com o silêncio das autoridades competentes!!!

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Alvorada... do Antunes

VAR dourado

"Sou desde sempre um entusiasta da implementação de meios auxiliares à arbitragem. As vantagens são evidentes quanto ao aperfeiçoamento da verdade desportiva, e a comprová-lo há inúmeros exemplos em cada temporada dos mais diversos desportos. Não sou, no entanto, ingénuo e, por isso, conhecedor do lastro de incompetência e, sobretudo, da permeabilidade da arbitragem do futebol português a movimentos de pressão, coacção e outros que tais que, no passado, quando por uma única vez se viram expostos, encontraram em Vigo o refúgio adequado, foi com cautela na mesma medida que acolhi a inovação.
Como tal, logo deixei registada uma graçola mais séria do que poderá ter parecido a quem a leu ou ouviu: o VAR, como o berbequim, é uma excelente ferramenta. Mas é preciso cuidado porque, se eu tiver um berbequim na mão, o mais certo é escavacar a parede e, com algum azar, furar um cano. Acresce que os operários do VAR, alguns deles parciais, respondem a um capataz cada vez mais evidentemente incompetente para lidar com os agentes do futebol. E, para agravar o estado da arbitragem portuguesa, Fontelas Gomes aparenta ser selectivo quando estende que se deve justificar. Sorria, por favor, pois é melhor que desatar às cabeçadas contra uma parede: entre tantas e tantas decisões incompreensíveis, Fontelas entendeu que uma boa decisão a favor do Benfica (Portimonense na Luz) justificava uma explicação, no fundo uma espécie de pedido de desculpa por ter prevalecido a verdade desportiva. Passado demasiado tempo, estende-se a extensão e a metodologia do permanente pedido de desculpa, pergunte-se como ao Chaves e ao Feirense, algumas das vítimas mais recentes, em prol já se sabe de quem..."

João Tomaz, in O Benfica

566 puxões por assinalar em Tondela

"Sou sincero: assisti, em directo, ao penálti sobre o Bas Dost no jogo do Sporting frente ao Chaves, e para mim não há qualquer margem para dúvidas: é penálti claríssimo. Não compreendo sequer como é possível alguém ousar afirmar o contrário. Estranhei, isso, sim, a carência de apreciações negativas à vergonhosa arbitragem de João Pinheiro que, a meu ver, deixou muito a desejar no Tondela-Benfica. Contei 327 grandes penalidades por assinalar por puxões na área, 150 tentativas de furto à camisola do Rúben Dias e 89 tentativas de homicídio por estrangulamento ao Jonas - ao serem arrastadas, a camisolas devem aleijar e bem no pescoço. Quando este tipo de comportamento extremamente violento não é devidamente ajuizado, torna-se muito complicado dar a volta, mas felizmente o Benfica conseguiu. Talvez o problema seja a falta de informação. Provavelmente, alguns jogadores não sabem que o momento para a troca de camisola é no final dos jogos e não no decorrer dos mesmos. Até compreendo: se eu jogasse contra o Benfica, também teria alguma dificuldade em aguardar pelo apito final para ficar com a camisola do Jonas.
Pese embora o jorro de críticas, também ouvi algumas vozes mais isentas e ponderadas a defenderem que Tiago Martins, o árbitro desse jogo do Sporting, se limitou a cumprir as regras, corroborada pelo VAR. Ora nem mais. Limito-me a acrescentar que todos os árbitros deveriam seguir este critério nos puxões de camisolas e assinalar sempre falta. Assim, era da maneira que os jogos passariam a durar cinco a seis horas, e os 35€ que os benfiquistas gastam em média nos bilhetes para os encontros fora de casa seriam devidamente justificados."

Pedro Soares, in O Benfica

Marcou, com o número 10...

"A frase é-nos familiar. Muito familiar.
Tão familiar como as vezes que o nosso camisola dez marca golos no Estádio da Luz. E marca muitos.
Não só na Luz. Marca em todo o lado e de todas as maneiras. Marca com os dois pés, com a cabeça, de bola parada, de bola corrida, ao sol, à chuva, de dia, de noite. Se as minhas conta não falham, já lá vão 126. 126 golos de águia ao peito, em pouco mais de quatro temporadas completas, mesmo com problemas físicos pelo meio. Uma média de golos por época que só perde para Eusébio e José Águas. Notável!
Resgatado ao Valência a custo zero, terá personificado, porventura, o mais feliz negócio da história do clube. Mas não se trata apenas de um goleador. Trata-se de um grande jogador. Com os pés de veludo e uma inteligência ímpar, é dele que parte, ou por quem passa, quase todo o futebol ofensivo da nossa equipa. Uma mistura radiosa entre Pablo Aimar e Óscar Tacuara Cardozo. Um 'nove e meio' da excelência que merecia música sempre que toca na bola. Na minha opinião, e não hesito em dizê-lo, é o melhor jogador do Benfica deste século.
Jonas Gonçalves Oliveira.
É como se chama. 'Pistolas', o nome de guerra. Dentro de campo, foi ele o nome do tetra. E um dia - esperemos que daqui a muito tempo - ainda vai deixar fortes saudades. Um dia, quem estiver vivo, ao recordar esta década, falará certamente dos 'tempos do Jonas', e do 'Benfica de Jonas'.
Cada vez que me delicio a vê-lo jogar, só uma dúvida me assalta o espírito: por onde andou este craque até cá chegar? Como foi possível passar ao lado dos grandes tubarões do futebol europeu?
Sorte a nossa."

Luís Fialho, in O Benfica

Rui Mourinha

"Dedico este espaço todo a uma grande dirigente do Sport Lisboa e Benfica que acaba de partir. Partiu de forma discreta, como sempre esteve no Clube do seu coração. Provavelmente, muitos desconhecerão o trabalho desenvolvido por esta extraordinária figura do Voleibol nacional. Graças a ele aprendi a gostar ainda mais desta modalidade espectacular. Perdi a conta aos jogos que assisti a seu lado e às explicações que sempre me foi dando quando tinha dúvidas acerca das regras ou regulamentos. Jamais esquecerei os 21 títulos conquistados. Primeiro como seccionista, depois como Presidente, Rui Mourinha liderava o nosso Voleibol de forma competente e muito dedicada. Formou, juntamente com José Jardim e Nuno Brites, um trio-maravilha. Este trio tinha a fórmula do êxito e graças a eles e a excelentes plantéis festejámos a conquista de cinco Campeonatos, oito Taças de Portugal e outras tantas Supertaças. Recordo, particularmente, a época 2014/15, uma temporada de sonho. Limámos tudo - Campeonato, Taça de Portugal e Supertaça. E, como se tal não bastasse, sagramo-nos vice-campeões da Taça Challenge. Na final, só fomos superados pelos poderosos sérvios do Vojvodina. Era um homem muito exigente, mas uma pessoa afável e com uma confiança inesgotável. Nos momentos mais difíceis, Rui Mourinha conseguia sempre encontrar o lado positivo. Recordo-me de algumas derrotas, poucas é verdade, que nos impediram de conquistar um ou outro título. Aprendi com ele que é na hora da derrota que se vêem os verdadeiros desportistas. Fica o exemplo de um benfiquista de primeiro e de um homem integro."

Pedro Guerra, in O Benfica

O nome diz tudo

"'Para ti Se não faltares!' parecia um nome estranho a algumas pessoas quando iniciámos este projecto da Fundação centrado no combate ao absentismo e ao abandono escolar. Mas era tão óbvia, simples e directa e comunicação com os jovens, que se tornou consensual desde a primeira hora.
Por vezes perguntavam-nos, e perguntam ainda, se não seria melhor uma abordagem mais politicamente correcta, dita 'pela positiva' centrada num conceito do género 'tu és capaz' e um projecto focado na promoção do sucesso educativo.
Sim e não! Sim, o foco do projecto é a capacitação dos jovens para atingirem o sucesso educativo, esse verdadeiramente importante, dado que a educação é o principal elevador social na nossa democracia. Não, no sentido em que não podemos passar a vida a mascarar os problemas ou a dar-hes contornos mais fáceis de aceitar. Precisamos de identificar bem e com toda a clareza os problemas que afectam a nossa sociedade e de, perante a frieza da nua realidade, enfrentá-los sem contemplações e com todas as nossas energias e capacidades.
O 'Para ti Se não faltares!' faz exactamente isso, envolve os jovens, as famílias e a comunidade escolar na tomada de consciência do problema, aponta um caminho a responsabiliza os jovens ajudando-os a encontrar as melhores estratégias para o sucesso.
Desde logo, aponta o primeiro passo ao premiar a comparência nas aulas e a diminuição do número de faltas. Depois, ajudando os jovens a tirar o máximo partido das suas capacidades demonstrando-lhes e premiando os níveis de comportamento e atenção nas aulas. Finalmente, os jovens começam a ver o resultado dos seus esforços, porque da ausência sistemática às aulas passam à frequência interessada e, portanto, os incentivos e reconhecimento dos professores surge muitas vezes pela primeira vez na sua vida escolar e sabe-lhes bem. A eles e às famílias. E vem acompanhado de uma melhoria visível nos resultados que é incentivada pelo projecto através da fórmula 'mais trabalho - mais resultado'. Tudo isto gera um ciclo virtuoso em que os jovens se identificam como protagonistas de uma força positiva capaz de gerar bem-estar na família e na comunidade, aumentando a sua autoestima e autoconfiança. Atingido este ponto, os jovens incentivos e correm cada vez mais por si próprios e pelo sabor das vitórias que conquistam.
Nos nove anos decorridos desde o início passaram pelo projecto mais de 4000 alunos, e 85% tiveram sucesso aplicando a receita que um dos ex-alunos de Marvila descreveu numa frase emblemática: 'Foi fácil: fui às aulas, tive atenção, e depois a inteligência fez o resto!'"

Jorge Miranda, in O Benfica

O tempo de um fósforo

"A serenidade é, de facto, um bem precioso. O homem que, mesmo nas conjunturas mais adversas, se mantém sereno pode observar melhor o ambiente em que se insere e, a cada momento, analisar com maior sagacidade os factores causadores da eventual perturbação para extrair as conclusões mais equilibradas e mais convenientes que logo lhe permitam reajustar-se um qualquer inesperado contexto, no sentido da superação da crise. Além disso, conseguir transmitir, através das adequadas escolhas de comunicação simples e eficazes, uma imagem de serenidade pessoal na situação envolvente não só permite credibilizar todas as decisões estratégicas que em tais circunstâncias seja necessário assumir como propicia o progressivo apaziguamento da comunidade inquieta. E é nessas conjunturas que os verdadeiros líderes surgem, se afirmam e vêm a prevalecer posteriormente. Seja como for, o exercício da serenidade é realmente, um factor absolutamente decisivo para definir a personalidade, o carácter e a dimensão dos verdadeiros chefes. Numa empresa, numa instituição (seja ela de que natureza for) ou até mesmo num país.
As comunidades às quais, em momentos difíceis, não seja dado reconhecer a temperança, a contenção ou o sangue-frio dos dirigentes podem, porventura, transitoriamente deixar-se iludir e conduzir numa, em dez ou em vinte ocasiões, em face de expeditas soluções dos seus governantes, ditadas na circunstância do confronto, pelo desempenho formal, pela incontinência ou pela mera conflitualidade pessoal.
Mas esses, no curso da história das instituições, duram apenas o tempo de um fósforo. Não subsistem.
E, desses, chega a haver os que até fogem da serenidade; a falta de um qualquer combustível para o confronto desespera-os; não conseguem viver sem as provocações e insultos que lançam constantemente para o ar; não morrem em nenhuma guerra, morrem, sim, para entrar em qualquer guerra e em todas as guerras que puderem inventar para si próprios.
O que se tem visto nas televisões (até à náusea) durante esta semana não é outra coisa senão em volta de um exemplo destes. Talvez o mais patético exemplo de um pretenso líder que, afinal nunca passou de palhaço. O problema é que o miserável bufão levou ao engano demasiadas vezes, durante demasiado tempo, demasiada gente: Tudo gente que nunca quis saber de serenidade.
(A mesmíssima gente que, agora, também despudoradamente, anda por aí a dizer que nunca votou nele..)"

José Nuno Martins, in O Benfica

Ecléctico 4

Conversas à Benfica - episódio 43

As Campeãs - Marlene Sousa

As Campeãs - Ana Arsénio

Um partiu a louça o outro cola cacos

"O juiz de Instrução Criminal do Tribunal do Barreiro fez com Bruno de Carvalho e Mustafá exactamente o mesmo que tinha feito com os restantes indiciados pela invasão a Alcochete: ouviu o Ministério Público, ouviu os arguidos, fez a interpretação legal das conclusões a que chegou e aplicou medidas de coacção. Nuns casos optou pela prisão preventiva, noutros, mais precisamente nos do ex-presidente e do líder da Juve Leo, entendeu que uma caução de setenta mil euros, complementada com apresentações diárias nos órgãos de polícia criminal das áreas de residência, seria suficiente. Em todas as situações a justiça foi servida, não foi má nuns casos e boa outros, parou-se exactamente pela medida entendida como certa por quem de direito. O que é certo é que 38 dos 40 arguidos na sequência da invasão a Alcochete estão presos preventivamente e os outros dois foram sujeitos a medidas de coacção severas. E estando o ex-presidente do Sporting colocado na posição ingrata de ter de apresentar-se diariamente às autoridades, daí não decorrerá nenhum benefício para o clube na batalha jurídica que o opõe a quatro dos jogadores que rescindiram contrato. Frederico Varandas, que tem dado uma imagem de ponderação neste âmbito específico, deve, creio, prosseguir na senda do diálogo, parecendo evidente que um mau acordo poderá vir a mostrar-se melhor do que uma boa demanda. O pecúlio final poderá não ser o mais interessante para o Sporting, mas disso não tem Varandas quaisquer culpas. Houve quem, em Alvalade, partisse a loiça e a missão do actual presidente neste início do mandato passa por colar os cacos..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Bruno de Carvalho, novamente

"Bruno de Carvalho (ainda) suscita o interesse do público. Por isso, os jornalistas montaram um circo mediático à porta do Tribunal do Barreiro desde domingo, mesmo não havendo nada de relevante para aí noticiar para além da detenção e dos crimes pelos quais está indiciado.

Se seguimos tão acriticamente tudo isso, não deveríamos olhar com surpresa para o ataque à Academia do Sporting em Alcochete no passado dia 15 de Maio. Hoje permite-se dizer e fazer (quase) tudo fora das quatro linhas. As fronteiras entre comportamentos reprováveis e criminosos são cada vez mais curtas.
Não terá sido inesperada a detenção de Bruno de Carvalho. É verdade que ele e o seu advogado tinham tomado algumas precauções para que tal acontecesse em forma de notificação, mostrando disponibilidade para prestar depoimento a 11 de Outubro. De nada valeu o voluntarismo. A proximidade do prazo limite para manter detidos 23 suspeitos deste processo poderá ter acelerado a decisão. Falamos de um complexo dédalo que o campo judicial sabe, como nenhum outro, construir para nele ficar irremediavelmente atado... Enquanto a investigação vai fazendo o seu (lento) caminho e os especialistas se dividem na apreciação das medidas de coação, façamos outras reflexões. 
Atendamos ao registo disruptivo, muitas vezes salpicado por termos indecorosos, que os dirigentes desportivos adoptam para falar dos outros clubes, dos árbitros, dos órgãos representativos do futebol, dos jornalistas... Bruno de Carvalho permitiu-se acrescentar treinador e jogadores da própria equipa, abrindo nas redes sociais canais de comunicação que foi inundado com uma surpreendente verborreia para a qual encontrou sempre fieis leitores.
Destaquemos também as temidas claques que, em jogos de maior tensão, vão adensando o medo de confrontos incontroláveis. Várias investigações vêm provando que essas tribos, apoiadas sub-repticiamente por alguns dirigentes, estão muitas vezes associadas a práticas criminosas. Tenhamos coragem para responder a isto: para que serve uma claque? As respostas envergonhar-nos-iam, decerto.
Nesta abordagem genérica aos problemas do futebol, impõe-se também ponderar a respectiva cobertura jornalística, principalmente dos canais de TV e dos jornais desportivos. A súbita popularidade dos debates com adeptos notáveis que o já longínquo "Donos da Bola", que a SIC colocava no ar nas noites de sexta-feira, inaugurou um modo inflamado de falar do futebol. A passagem do tempo deu mais músculo a esse modo rude de discutir jogos e clubes. E, por meio desses acesos debates, foi fazendo caminho um grupo de dirigentes que chamou a si uma espécie de poder absoluto. Que se colocava também em cena nas páginas intermináveis que a Imprensa desportiva assegura aos maiores clubes.
Bruno de Carvalho e o líder da Juventude Leonina saíram ontem em liberdade do Tribunal do Criminal do Barreiro, sujeitos a apresentações diárias às autoridades na zona de residência. O juiz de instrução criminal não aplicou a medida de coação mais gravosa, porque, como explicou em comunicado, "apenas em relação à prática do crime de tráfico de estupefacientes imputado ao arguido Nuno Mendes se verificam fortes indícios resultantes dos elementos de prova". Todavia, as autoridades judiciais não parecem seguras de que o recato necessário para que as investigações prossigam com a normalidade possível esteja salvaguardo. Bruno de Carvalho está novamente no centro do espaço público (mediático) e isso pode ser muito arriscado."

O desporto tem a paixão que as marcas procuram

"As marcas procuram formas inovadoras de envolvimento e fidelização com o seu consumidor, cada dia mais exigente e conhecedor dos seus produtos e serviços. Mas mais do que a implementação da visão e missão, as marcas hoje necessitam de um propósito para a sua existência, pois já não basta uma comunicação próxima e emotiva, precisam de encontrar o seu papel de utilidade na sociedade e apostar nos valores que sejam úteis para o bem comum.
O desporto, desde a sua vertente formativa ao alto rendimento, desempenha na sociedade um papel cada vez mais relevante, que pode ser enquadrado nos desafios actuais das marcas, pelos valores que representa, pelo que ensina aos jovens e na capacidade de agregar as pessoas no apoio aos atletas e a uma equipa que represente Portugal.
As organizações desportivas têm hoje uma excelente oportunidade de se organizarem numa estratégia de valorização do desporto e aposta em iniciativas estruturadas de marketing, relevantes para o mercado no seu objectivo e dimensão (produtos de marketing como um evento multidesportivo nacional), projectos inovadores que possam acompanhar a transformação digital da sociedade (plataforma agregadora de conteúdos desportivos que permitam o desenvolvimento de comunidades, agregação e activação das marcas com programas que consigam a sua monetização), preparados de forma profissional (com aposta em profissionais de marketing que garantam a consistência das estratégias de marketing nas organizações desportivas), e alinhados com os objectivos das marcas para que se desenvolvam oportunidades de parcerias comerciais e de marketing duradouras.
O sucesso da integração do sector da música em Portugal com as marcas deve servir de exemplo e inspiração para que desporto alcance o tão desejado reconhecimento, investimento privado e mobilização das pessoas para o seu propósito, garantindo um desenvolvimento sustentável do sector do desporto com as marcas.

Oportunidade de associação à marca Olímpica, equipa Olímpica de Portugal aos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020
A marca olímpica é reconhecida por mais de 95% da população mundial, e é uma das marcas mais bem cotada entre as marcas comerciais de nível global. A marca Comité Olímpico de Portugal que integra os anéis olímpicos, que representa os valores nacionais de coragem e determinação inspirados na época dos descobrimentos com o homem e a nação que vence obstáculos, faz a ligação com o esforço dos atletas olímpicos.
A participação de Portugal nos últimos Jogos Olímpicos do Rio 2016 foi acompanhada por três milhões de portugueses, de acordo com estudo realizado pela consultora Nielsen, que concluiu ainda que depois da selecção nacional de futebol a Equipa Olímpica de Portugal é a equipa que desperta mais empatia com os portugueses, alcançando níveis elevados de credibilidade.
O Comité Olímpico de Portugal tem desenvolvido nos últimos anos um trabalho de reforço de credibilidade e inovação, que gerou resultados na área de marketing com um aumento superior a 1000% nas receitas de marketing no Ciclo Olímpico Rio 2016 face ao ciclo olímpico anterior, por via da implementação de um plano de marketing e programas de patrocinadores, licenciamento e hospitalidade, que mobilizou e activou com 33 marcas.
A participação da Equipa Olímpica de Portugal nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 constitui uma excelente oportunidade de consolidar e aprofundar o trabalho desenvolvido, e criar as condições para que as marcas possam mais cedo garantir a sua associação ao Comité Olímpico de Portugal e activar os seus directos de marketing, comunicando a sua marca já a partir de 2019 com o percurso de preparação e qualificação olímpica de atletas extraordinários que nos enchem de orgulho e emoção por Portugal.
A paixão por Portugal e pelos atletas da Equipa Olímpica de Portugal à disposição das marcas."

Aquecimento... Memória... e o resto...

Benfiquismo (MXI)

Reis !!!