Últimas indefectivações

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Contas Benfica SAD (parte II)

"No artigo anterior reproduzimos os activos correntes e não-correntes da Benfica SAD. Vejamos (...) a evolução dos activos correntes consolidados da Benfica SAD.

Chegámos à conclusão de que, perante os valores apresentados nas contas, o grupo Benfica SAD tem muita disponibilidade financeira. Se cobrar os valores que tem a receber de clientes, pode realizar duas de três operações possíveis - pagar mais passivo corrente e tentar ficar compassivo não-corrente, reforçar a sua equipa de futebol, ou investir em outras áreas, ou tudo junto!
Mas o valor do passivo total tem vindo efectivamente a baixar?

Vejamos (...) o passivo corrente do grupo Benfica SAD.
E quanto ao não-corrente, (...)
Está perfeitamente identificada a situação que caracteriza o passivo do grupo Benfica SAD. São os empréstimos obtidos.
Como primeira nota, a substituição de empréstimos obtidos de passivo corrente para não-corrente equivale ao prolongamento no tempo do seu pagamento,  que possibilita o aumento da percepção de rendimentos que permitam o seu pagamento de forma mais faseada.
Depois, os empréstimos obtidos caracterizam-se agora essencialmente por operações de obrigações.
Essas operações de obrigações têm uma média de durabilidade de três anos, e convém um destes dias dar uma olhada pelo valor que a Benfica Estádio ainda deve ao seu Estádio da Luz. A contracção do naming permitiria acelerar o pagamento integral do Estádio.
Ora, o encaixe de valores significativos de vendas de jogadores permite que se reduza o passivo de empréstimos obtidos de forma considerável, mas há que ter atenção aos custos.
Um clube, hoje em dia, é uma mistura de património e campo. O poder pode vir do campo, mas, se não for acompanhado de uma gestão superavitária, vai acabar por mergulhar nas águas frias do mar do Norte.
É inquestionável que a exigência da formação continua a ser muito grande, pois só se podem substituir com rentabilidade as saídas com a produção de matéria-prima com baixo custo. E aqui, há que olhar e focar.
Há um momento em que se deve partir para horizontes maiores, mas primeiro há que arrumar a casa e criar estabilidade, patrimonial, financeira e desportiva. E, sem estabilidade humana, o que se obtém é zero!
Investir em activos tangíveis de infra-estruturas tem de ser acompanhado num investimento a sério que permita obter rentabilidade, um bocado à imagem do que agora está na moda - contrair créditos à habituação para arrendar em alojamento local e com essa renda pagar o empréstimo.
O Benfica não precisa de ficar neste 'limbo' de mercado, pode perfeitamente arranjar um investimento que não dependa das variáveis do mercado. É tudo uma questão de estudo. Mas que tem uma situação financeira invejável face à sua dimensão, isso tem.
Uma operação pública de venda das suas acções permitiria um encaixe brutal de dinheiro, mas a contrapartida era perder o controlo da SAD. Isso é impossível no quadro cultural actual. Por isso, tem de se reforçar e voltar à ribalta desportiva, com cabeça, tronco e membros. Não é fácil, mas é possível!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Alvorada... com o Pinheiro

Até Janeiro, rapazes?

"Quando ficar no plantel é tudo menos um prémio para um jovem

Muito promovida no verão, a aposta na prata da casa acaba por revelar-se, não raras vezes, uma ilusão prejudicial para jovens talentos do futebol português.
Entre Junho e Julho tudo é um sonho: o telefonema a “convocar” para a pré-época, o arranque dos trabalhos, a vontade de agarrar um lugar. Pelo início de Agosto já muitos chocaram de frente com a realidade: as oportunidades resumiram-se aos minutos finais de um ou dois jogos e a esperança de conquistar um lugar no plantel é falaciosa.
Alguns jovens integram os trabalhos de pré-época apenas para “fazer número”, enquanto não chegam os jogadores que estiveram ao serviço das selecções, ou os reforços ainda por contratar. O espaço para afirmação vai diminuindo de semana para semana. O empréstimo surge nos últimos dias de mercado, o que dificulta a conquista de espaço no clube de acolhimento.
Mas ficar no plantel pode ser um presente envenenado, sobretudo quando há quase trinta colegas no balneário, o que logo à partida subverte a lógica das equipas B.
Estes jovens ficam no plantel principal, mas são terceira ou quarta escolha para a posição que ocupam. É o caso de Diogo Gonçalves, tapado no Benfica por Salvio, Cervi, Zivkovic e Rafa. Ou João Carvalho, um «10» sem espaço próprio no modelo de Rui Vitória e até aqui ignorado como opção para «8» ou ala. Ou João Palhinha, recuperado em Janeiro pelo Sporting mas agora atrás de William, Petrovic ou Battaglia nas opções de Jorge Jesus para a posição «6».
Ainda que tenha tirado menos proveito da formação nos últimos anos, o FC Porto tem feito melhor esta gestão. A prova disso é o empréstimo ao Estoril de Fernando Fonseca (20 anos), um lateral que já pedia outro patamar, o que permitiu também abrir espaço para Diogo Dalot (18 anos), que treina com a equipa principal mas continua a ter competição regular na equipa B e nos juniores (onze jogos já disputados).
Estamos já em Outubro e Diogo Gonçalves tem três jogos disputados (dois pela equipa principal e um pela B), João Carvalho fez um (pela B) e João Palhinha ainda nem alinhou em nenhum. Talvez a terceira eliminatória da Taça de Portugal lhes dê uma oportunidade (vamos lá ver), mas a verdade é que o espaço na equipa principal está vedado e ir à B já é de menos, até porque vão tapar outros valores emergentes.
Salvo qualquer alteração de estatuto – que pareceu pouco provável nesta altura-, resta esperar por Janeiro, então, para que acelerem a evolução.
Até lá, rapazes!"

Os atalhos da crença

"No passado dia 4 de Outubro aconteceu história para um modesto clube com o mesmo nome da cidade que o acolhe, Londrina, e que, pertencendo embora ao Estado do Paraná, dista da capital, Curitiba, cerca de quatrocentos quilómetros (380, mais precisamente), parecendo as suas gentes mais afectadas pelos temperos do Estado vizinho, Minas Gerais, do que pela agrura e frialdade do sul: o Londrina, actual nono classificado na Série B do campeonato brasileiro, sacando imprevistas forças lá dos fundos misteriosos de uma secreta crença, arrosta o poderoso Atlético Mineiro, O Galo, (com Robinho, Elias, Fred e companhia) e, segurando heroicamente o zera-a-zero durante os noventa minutos, acabaria, nos penalties, por sagrar-se campeão da Taça da Primeira Liga, a mais jovem competição do quadro competitivo brasileiro (esta é apenas a sua segunda edição) – uma verdadeira aparição que deixou as bancadas, vestidas de azul do céu e branco de candura, literalmente em estado de êxtase.
Mas nem é a singularidade do feito que me motiva à escrita, que nós bem sabemos todos como os jogos “mata-mata” têm o condão de nivelar as forças em contenda.
• Um episódio, aliás, bem à brasileira, despertou a minha atenção: por detrás da baliza de todas as decisões, uma mulher, de branco vestida e de joelhos, com mãos ora erguidas em sinal de imploração ora tecendo gestos sincréticos de sinal da cruz e outras bênçãos (o brasileiro gosta de misturar os antropomórficos ingredientes de sua fé) e implorando ao Alto, sabe-se lá a quantas entidades, os favores de uma vitória, ardentemente anelada por estas gentes cansadas do jejum de glória.
• Vamos lá saber porquê, mas o certo é que algo de estranho aconteceu: o Atlético Mineiro falhou dois dos remates da marca de grande penalidade, enquanto o Londrina convertia os quatro: 4– 2, no final! Onde, porém, a estranheza?
• Nisto: enquanto o César, o jovem guarda-redes do Londrina, defendeu, com destreza, aparato e sorte, dois dos quatro remates efectuados, o Vítor, guardião do Atlético, quase defendia dois dos quatro. Sim, quase. E é neste “quase”, que se encerram motivos sobejos de estranheza: esses dois remates foram adivinhados e ambos bateram, inclusive, no corpo do desafortunado Vítor que, pese embora o nome de vencedor, nada conseguiu fazer para impedir o destino fatal do chuto: a bola anichando-se no fundo das redes – enquanto a fervorosa aliada dos deuses celebrava, com vénias de gratidão dirigidas ao Alto: “gloria in excelsis...”
• Vamos, então, à reflexão: nexo de causalidade entre as preces da devota “torcedora” e o desfecho vitorioso para o seu clube? Resposta: sim e não – ou, não e sim.
• Não, no sentido de que não há um limbo intermédio, gravitando algures sobre as cabeças aflitas dos habitantes da Terra, alegadamente povoado de forças contrárias, por entidades falângicas pertencentes a exércitos opostos, como se o Universo e a Vida fossem regidos por dois princípios irreconciliáveis e equivalentes em poderio, numa popular ressonância da doutrina maniqueísta. Não: Deus não sofre dos caprichos do humor.
• Sim, neste sentido: a crença, potenciada pela emoção e pelo desejo, converte-se em intencionalidade operante que, através de um processo conhecido como “processo de interferência’, transformou aquilo que era uma mera possibilidade de sucesso do Londrina em realidade experiencial.
• Aquela mulher, vestida de sacerdotisa e implorando os favores do céu em acenos de esperança, ali exposta à contemplação de todos, em especial dos jogadores, a todos convocou ao exercício intensificador da crença, ou seja, ela constituiu ostensivamente um sinal desencadeante de um colectivo reforço mental, acreditando no desfecho favorável, tão nitidamente visualizado – por todos. A unidade na fé – eis a chave para o enigma. E, quando antes dos penalties, jogadores e equipa técnica, em círculo e abraçados, ensaiaram, de olhos fechados, aquilo que pareceu ser uma fervorosa oração, disse para comigo: o Londrina já ganhou!
• Por isso, a bola, porque impelida por estado de firme crença, em vez de travar a sua marcha ao embater no corpo do guarda-redes, nada a deteve – como se guiada pelo invisível impulso de uma demiúrgica intenção de todos – e do próprio jogador que chuta.
• É por estas e por outras que advogo de há muito, sobretudo nos clubes de maior dimensão, a criação de um gabinete transdisciplinar de inteligência competitiva, uma espécie de laboratório do sucesso.
• Mas os clubes continuam a preferir pagar ordenados astronómicos a atletas lesionados meses a fio e pagar obscenas comissões a agentes gulosos.
• Até aparecer quem se adiante e antecipe o futuro.
• Que conste: não estou à procura de emprego, embora tenha sido despedido desse sonho num clube que precisa como nunca de remédio para a sua astenia."

Ainda vale a pena verificar os factos?

"Conseguir a ‘cacha’, dar primeiro a notícia e em exclusivo, é uma ambição de qualquer jornalista e uma mais-valia para o meio de comunicação social onde trabalha. O tempo sempre condicionou o trabalho jornalístico. Nas redacções, vive-se o dia-a-dia em função do deadline
 Num diário esse ‘limite de morte’ tem no máximo 24 horas, nas rádios e televisões decompõe-se nos horários dos noticiários. E no digital? A informação online rege-se por regras diferentes. A qualquer instante é possível dar uma notícia. O prazo de entrega é o agora, não há que esperar pela impressão do jornal ou o início do alinhamento.
Este admirável mundo (já não tão) novo representa uma pressão suplementar sobre o trabalho jornalístico. Aboliu as balizas temporais que, de alguma forma, organizavam a investigação e a redacção das peças. Por mais curto que esse intervalo fosse, existia. Agora, pode-se dar já a informação e desenvolver ou alterar depois. E assim nasce a ‘notícia corrigida’.
Este quotidiano do jornalismo digital encerra a perversidade de reduzir a importância dada à verificação dos factos. Cruzar dados, ouvir fontes, reler, confirmar, são tudo operações que levam tempo e deixam o agora à espera. Para quê verificar? Publique-se e, se for necessário, emende-se depois.
Os erros num jornal em papel perpetuam-se em arquivo na Biblioteca Nacional. Talvez seja de pensar duas vezes antes de optar por não verificar uma informação… Agora, no digital? Sem problema, avance-se!
Esta prática muito tentadora põe em causa a credibilidade de quem assina a notícia. Como confiar num jornalista que emenda e volta a emendar o trabalho realizado? Afinal, o que era facto deixou de o ser 15 minutos mais tarde?
Mas será que o profissional dos média deve preocupar-se? Se a correcção foi rápida, terá alguém dado por isso? Quando se entrega a uma plataforma digital aberta um texto, som ou imagem nunca se sabe o que vai acontecer. No segundo seguinte, do outro lado do mundo, alguém pode gostar do que acabou de entrar ‘no ar’. Faz download, guarda, e cristaliza o erro num ficheiro que pode ser partilhado.
Se o disparate é grande, rapidamente chega às redes sociais. Não interessa que já tenha sido emendado. Nada impede o original por corrigir de circular e ser alvo de ridículo. Perde o autor da obra? Sim, claro. Mas perde também o jornalismo. Numa profissão sob permanente escrutínio público, os actos de um contaminam a imagem dos outros. E como da qualidade do jornalismo depende a qualidade da democracia, perdemos todos."

Benfiquismo (DCXVIII)

Em Paris, contra o Bayern, em 1972 !!!

Aquecimento... Obstáculos!

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

14.ª Supertaça

Benfica 104 - 74 CAB Madeira
20-22, 33-12, 27-25, 24-15

Primeiro título da época, num jogo nem sempre bem jogado, mas com uma clara superioridade do Benfica... mesmo com alguns jogadores abaixo do potencial! E sem o José Silva...
Final do 1.ª período e início do 4.º período foram os momentos negativos, mas os indicadores positivos foram muitos e diversos: destaco as 22 Assistências! Nas épocas anteriores foi raro o Benfica ultrapassar as 10 Assistências!!!
Já agora, este é o 111.ª título da secção de Basquetebol do Sport Lisboa e Benfica.

Tudo isto contra uma equipa bem orientada, que parece-me ter mais soluções do que o ano passado!

PS1: Parabéns às nossas meninas do Futsal, pelo primeiro troféu da época: Taça de Honra da AFL, com uma vitória por 2-1 sobre o Sporting.
PS2: O Futsal masculino, fez um jogo positivo, mas não conseguiu vencer os Lagartos (1-2). Estamos melhores no controle da bola, mas 'falta' presença na finalização... No fim-de-semana temos jogo do Campeonato com os mesmos adversários.

PS3: O Hóquei em Patins, venceu nos penalty's o Valongo, na Elite Cup (a principal competição da pré-época). 3-3 no tempo regulamentar e 3-2 nas penalidades. O Hóquei tradicionalmente tem-nos brincado com más pré-épocas, portanto já me deixei de preocupar com estes resultados... mas amanhã temos jogo com a Oliveirense, nas meias-finais deste torneio...!!!

Jonas: génio e... problema táctico

"(...)
Benfica: muita coisa mal e nada fácil de superar rapidamente. Substituições de 3 pilares defensivos incrivelmente descuradas! Face a excessiva veterania dos centrais e do guarda-redes (também este com défice de rapidez na reacção a adversários que se isolam rumo à baliza), mais a debilidade física de Fejsa, bloco defensivo muito recuado - o que agrava problemas do meio campo.
Velho problemão... Vem de outras épocas, nítido perante rivais a sério, e agora sobe de tom, escandalosamente!, porque o fosso para a retaguarda obriga Pizzi a recuar (milagroso, na época anterior, foi ele ter resistido a 54 jogos quase sempre em grande de batuta em punho); e agora Pizzi em má forma...
Óbvio: amiúde, para melhor atacar, ou para controlar o jogo (e vão 4 marcando primeiro e não vencendo...), necessiadde de 4-3-3. Como? Para além de fracas opções no lote de médios (Krovinovic poderá ser excepção), há... Jonas (repito-me, algumas semanas depois). Simultaneamente, o grande talento da equipa (genial!) e problema... táctico. Não pode sair do onze. Não pode avançar para puro ponta de lança (não o é). E extremo também não. É precioso 2.º ponta de lança. Aos 33 anos, não pode é ter resistência para alto ritmo desce-sobe como o tal 3.ª médio em árduas batalhas no meio campo (vide Herrera e Bruno Fernandes).
Acresce,na debilidade do 4-4-2 benfiquista: insuficiente apoio dos flancos à linha média. Adeus ao altíssimo ritmo (e talento) de Nélson Semedo. Os jovens Grimaldo, Cervi e Zivkovic muito têm de crescer em robustez/consistência competitiva, Rafa sente imenso o peso da transferência... E a classe de Salvio amiúde suporta problemas físicos.
Finalmente: o presidente afirmou que poderia ter transferido Jiménez por €25 milhões e preferiu saída de Mitroglou. Pela diferença de idades? Desconheço se o treinador concordou. Nunca fui grande admirador de Mitroglou. Porém, evidente: foi-se o único puro ponta de lança de grande área (é óptimo ter Bas Dost, ou Aboubakar e Soares). Chegou Seferovic, entrando de rompante, apagando-se depois. O excelente avançado no seu arranque benfiquista surpreendeu-me face ao que lhe vira fazer na selecção suíça e no Frankfurt... Reservei e reservo clara opinião."

Santos Neves, in A Bola

Pontaria de Jonas funciona em contraciclo

"Já muito se disse ( e escreveu) sobre o cinzento arranque de temporada do Benfica. Os problemas, aliás, são inúmeros, destacando-se a tremenda dificuldade que a equipa revela para ganhar, nomeadamente nos jogos fora. Nos Barreiros, diante do Marítimo – quarta deslocação do campeonato –as águias somaram o terceiro tropeção (1-1), depois do empate em Vila do Conde (1-1) e da derrota no Bessa (1-2). A única vitória como visitante aconteceu em Chaves, com o golo solitário de Seferovic a aparecer já nos últimos instantes. Mas marcar, curiosamente, não tem sido o maior problema, pois as águias até são a única equipa que fez golos em todas as jornadas. De resto, Jonas soma 9, lidera a lista dos ‘artilheiros’ e só não deixou a sua marca precisamente no sucesso em Trás-os-Montes. A partir daí facturou sempre, pelo que vai numa sequência de seis jogos a acertar nas redes.
Pode mesmo dizer-se que o brasileiro segue em contraciclo com o rendimento global da equipa. Mantendo este ritmo – e admitindo ainda que o desempenho colectivo possa melhorar – não é de excluir que o futebolista caminhe para a temporada mais concretizadora em Portugal. Em 2015/16, na sua melhor época entre nós, o dianteiro fechou a Liga com 32 golos, sendo que à passagem da oitava ronda (a sétima foi realizada fora da ordem habitual) tinha 7.
Certo, para já, é que Jonas entrou na lista dos 10 brasileiros com mais golos (74) na principal divisão nacional. À sua frente seguem Jardel (186 golos... em 186 jogos!), Edmilson (112), Gaúcho (103), Isaías (98), Duda (89), Lima (86), Paulinho Cascavel (84), Mirobaldo e Jorge Andrade (78). De todos, o atacante encarnado é o único que não soma 100 partidas (tem 88), muito por culpa da lesão que o afastou dos relvados vários meses na temporada anterior.
Mas, com excepção de Jardel, que apresenta a sensacional média de um golo por partida, Jonas tem a segunda mais alta (0,84). E como já se disse, face aos números actuais... a tendência é para melhorar.

Sabia que...
- O Tondela foi a segunda equipa a ter duas expulsões no mesmo jogo? Tal aconteceu em Chaves, onde os visitantes, mesmo assim, lograram empatar (1-1). Antes, na 2.ª jornada, na derrota (0-3) no Estoril, o V. Guimarães também teve dois vermelhos.
- Para além de FC Porto e Benfica há um terceiro clube com mais de 20 remates num só jogo? O Chaves, na partida em que alinhou vários minutos com duas unidades a mais, ‘disparou’ 24 vezes à baliza, o mesmo registo que as águias tiveram na jornada 7, na recepção ao P. Ferreira. O FC Porto, com 27 tentativas, em casa, contra o Moreirense (3.ª ronda), tem o recorde da época.
- O P. Ferreira é a equipa que sofreu mais remates dos adversários? Com 102, os castores são até a única formação que já viu mais de uma centena de remates à sua rede. Logo atrás seguem Aves (99) e Chaves (97). O Benfica ainda só permitiu 60."

A culpa é do Varela

"Ver talento desperdiçado é algo que custa muito. Principalmente quando o talento se explana em áreas de grande valor financeiro, com forte potencial para multiplicação da riqueza para quem tem tal dom, e elevados benefícios para todos os que com ele interagem profissionalmente. Estas linhas chegam a propósito da situação de Bruno Varela. O jovem guarda-redes do Benfica está numa esquina da sua ainda curta carreira. E não parece já possível que seja na Luz o palco para demonstração da sua grande valia.
A vida é feita muitas vezes de acasos. Se, como muito bem eternizam os nossos Comandos, a sorte protege os audazes, por vezes audácia e valor não chegam para se ter sorte.
Vejamos as diferenças entre o lançamento de Ederson e de Varela: Ederson teve a sua oportunidade quando a equipa estava sólida, saudável, com vontade de vencer. Ederson é um excelente guarda-redes e, naquela conjuntura favorável, foi-lhe fácil agarrar o lugar, depois brilhar muito, dar o seu natural franguito, tudo até protagonizar uma transferência milionária.
Varela entrou para a baliza numa equipa sem polos positivos. Um onze sem explosão, sem soluções fluídas pelas alas, incapaz de ser mandão no jogo, ganhar ressaltos e bolas de ninguém. Em vários jogos, Varela fez excelentes defesas, segurou pontos. Depois, deu um frango e logo foi retirado da baliza. O melhor que Luís Filipe Vieira terá a decidir será emprestar Varela em Janeiro, de preferência colocando-o no mercado internacional. Para futura venda.
Só fora da Luz poderá continuar a evoluir como merece um atleta que tem potencial para ser um dos melhores guarda-redes portugueses da próxima década. Mas a forma como foram geridas as últimas semanas deste felino, seguro e corajoso guardião, estão longe de recomendar a célebre estrutura do Benfica, como valorizadora de activos relevantes. Rui Vitória continua a apostar em jogadores que parecem tomados pela fadiga de ganhar, não há laterais que defendam e ataquem bem, foi vendido o único ponta-de-lança com presença na área. Pois bem, os resultados não surgem, queima-se o Varela na fogueira da opinião clubística e siga a crise. Como se tem visto nos jogos posteriores à decisão de queimar este jovem talento, o problema não estava no guarda-redes. Lamentável. Parece óbvio que Varela deu um grande trambolhão na sua carreira. Que não perca a fé, pois tem imensa qualidade!

P.S.- Em Alvalade estoirou a guerra de palavras entre as gentes do atual presidente e um ex-vice-presidente. Os mísseis entre Bruno de Carvalho e o ex-dirigente podem estilhaçar a actual estrutura. Pereira Cristóvão parece estar na posse de vasta informação sobre factos relevantes e tem muito pouco a perder. Aguardamos com expectativa os próximos capítulos das denúncias do ex-inspector da Judiciária."

Festa da Taça? Onde?

"Quando a FPF alterou o regulamento da competição Taça de Portugal (em 2015/16), colocando as equipas da 1.ª Liga a competir na 3.ª eliminatória frente a formações de escalão inferior, na condição de visitantes, fê-lo com o propósito de garantir o que durante décadas ficou conhecido como ‘a festa da Taça’. Uma boa ideia que na prática ainda não está a atingir o objectivo proposto. Porque a ‘boa vontade’ federativa esbarra de frente com a realidade: há inúmeros campos no país sem condições mínimas para receber jogos de adversários como Benfica, FC Porto ou Sporting.
A segurança de jogadores e adeptos tem de estar sempre em primeiro lugar, factor que excluí logo uma série de campos de equipas dos distritais e do 3.º escalão. Depois, há ‘pequenos’ que olham mais para a receita e menos para a ‘festa’, deslocalizando o palco do espectáculo, hipotecando as poucas possibilidades de êxito desportivo (há um ano, o Real defrontou o Arouca em Massamá e ganhou; depois ‘recebeu’ o Benfica no Restelo e perdeu 0-3).
Este ano as coisas não serão diferentes. Évora não terá a ‘festa da Taça’ frente ao FC Porto porque o campo do Lusitano foi chumbado (irá realizar-se no Restelo); Oleiros saberá amanhã se pode ou não viver a ‘noite de gala’ na próxima quinta-feira frente ao Sporting. Como há um ano o 1.º de Dezembro não deu a Sintra uma noite diferente, porque jogou com o Benfica no Estoril; nem Gafanha teve honras de ver o FC Porto no seu campo, porque defrontou os dragões no Municipal de Aveiro. A Taça de Portugal ainda não consegue garantir a festa prometida. E é pena."

Lanças... dar a volta!

Benfiquismo (DCXVII)

Vítor Silva

Redirectas L - Omeletes Sem Ovos

Caros indefectíveis, faça-se um teste: O cozinheiro mais conceituado perante o desafio de fazer uma simples omelete. Pode escolher quaisquer 11 ingredientes de uma lista extensa onde se incluem todos os vegetais, frutas, legumes, laticínios bem como gorduras, óleos e produtos ricos em proteínas como carnes, peixes ou crustáceos. Contudo para surpresa geral, da lista não constam ovos. 

Qual o resultado da empreitada? Que omelete apresentará o chefe cozinheiro à mesa do repasto proveniente da genialidade de toda a sua criatividade e mestria?

Por certo, se compreenderá que existem desafios que são em si mesmo difíceis provas a empreender.

Sim, caros companheiros, um treinador de futebol pode ser comparado a um cozinheiro que tem como principal missão preparar uma omelete a partir de um número de ingredientes distintos. Para isso escolhe jogadores de determinadas características consoante a sua ideia de jogo (receita). Os jogadores podem assim ser equiparados aos ingredientes. De todos os ingredientes os ovos são o ingrediente mais importante.

A consistência da omelete depende do número de ovos a utilizar. Ao serem retirados ovos dificilmente se consegue manter a mesma qualidade de omelete em termos de forma, textura e sabor.

A SAD do futebol do Sport Lisboa e Benfica quando tem como base da sua estratégia do modelo de negócio a venda de bens alimentícios tem de compreender que se vender os ovos sem ter outros para repor o stock deixa de conseguir produzir  as omeletes que são o seu ganha pão e sustento vital.

Ovos são assim jogadores raros de perfil único essenciais a uma equipa de futebol que se deseja campeã. Para o Benfica são jogadores como Jonas, Ederson, Renato Sanches, Nelson Semedo. Não se vendem porque: "tivemos que os deixar ir". Vendem-se quando outros ovos surgem caso contrário deixam de existir omeletes. Trocar carne por peixe não vem mal ao mundo. Salsa por coentros é quase indiferente. Agora, Ovos são ovos. Não se troca. Não tem como. 

Certo Sr. Presidente? Certo companheiros?

Querem fazer omeletes sem ovos?

Pelo Benfica Sempre!

Redheart

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Invictos !!!

Belenenses 23 - 37 Benfica
(13-20)

Mais um jogo avassalador... contra uma equipa que está a fazer um excelente campeonato.
Defesa intratável... com o Figueira em grande; contra-ataques demolidores e excelente eficácia...; ataques diversificados com combinações 'fáceis'; com todos a contribuírem...
E até a arbitragem absolutamente inacreditável (no inicio), teve que se render às evidências, e quando o resultado ficou 'decidido', 'desistiram' de inclinar o pavilhão!!!

O Terzic voltou a ter alguns minutos... e o Cavalcanti também... Destaco a confiança dos jogadores no momento do remate: uma diferença da noite para o dia, comparando com épocas recentes!!!

Na próxima jornada, recebemos os Lagartos, será uma boa oportunidade para observar o que é que esta equipa pode fazer com os 'milionários' do BESA!!!

O meu Benfica

"Importa que sejamos capazes de não anular o passado numas semanas de uma exageradamente chamada crise

Caminho da pedras
Têm sido, de facto, penosas as últimas semanas do futebol apresentado pelo Benfica. Não há como negá-lo. Ainda que com uma defesa enfraquecida face à temporada passada, custa a compreender a constante falta de controlo de jogo no meio-campo e o distanciamento incompreensível entre linhas. Agora não há lesionados, mas parece haver cansados. Mistérios que são difíceis de decifrar. No jogo em Basileia, a copiosa derrota até poderia ser uma daquelas noites em que tudo corre absolutamente mal e que, afinal, todas as equipas têm, mesmo as maiores. No ano passado, o Barcelona perdeu por 4-0 em Paris e o PSG retribuiu com um impensável desaire por 6-1. Nesta mesma jornada de agora, o Bayern só não apanhou mais de 3 golos por muita sorte. Porém receio que a noite negra na Suíça não tenha sido um mero acaso em que o futebol é pródigo. Neste campeonato, está a ser custoso ver o meu clube desperdiçar pontos com exibições muito vulgares, senão mesmo muito deficitárias. Há um pormenor do jogo da Champions que vale a pena ser retido. A equipa só fez 5 faltas (segundo o quadro da transmissão televisiva, embora 8 segunda A Bola)! Qualquer destes algarismos parece evidenciar uma equipa de insustentável leveza. Não me lembro de alguma vez o Benfica ter feito tão poucas faltas. E, neste domínio, é caso para dizer nem 8 nem 80, ou seja, nem poucas faltas, nem excesso de faltas. Um outro aspecto que me entristeceu foi o de observar a frustração imerecida de tantos portugueses que lá estiveram e que, imagino, no dia seguinte de trabalho se sentiram vexados.
Contra o Marítimo - equipa bem organizada - um batatal travestido de relvado pseudo composto nas vésperas do jogo, o Benfica, uma vez mais, foi incapaz de segurar um resultado positivo depois de um golaço de Jonas. E já lá vão quatro (CSKA, Boavista, Braga e Marítimo). Um jogo em que poderíamos ter vencido, mas que também poderíamos ter perdido. Houve vontade, empenho, mas tal não foi suficiente. Houve excessivas perdas de bola no epicentro do campo. Há um aspecto que eu - treinador de redpass - não compreendo de todo e que foi bem visível no jogo do Funchal. Onde está o ponta-de-lança? Mitroglou já cá não está, ele que, mais tosco ou mais habilidoso, fixava estabelecimento na grande área e por ali andava para marcar uns golinhos. Jonas tem sido (e bem) um jogador que ocupa e cria espaços para fora da área. Jiménez é muito esforçado e trabalhador, mas joga quase a extremo, numa posição para mim incompreensível! Houve uma série de jogadas em que os alas olhavam para a área e não morava lá ninguém!
Fazendo-se, porém, a comparação com o que aconteceu, no ano passado, com as equipas que o Benfica já defrontou, nesta temporada o resultado não é muito diferente: menos dois pontos. Mas a jogar muito menos.
Este fim-de-semana, afinal tudo na mesma na classificação, o que é uma má notícia.

Ser do Benfica
Nos momentos difíceis é necessário que a emoção descontrolada não tolde a razão. O que se passou na Assembleia-geral do Benfica da passada semana é, a todos os títulos, deplorável. Sem perdermos a capacidade crítica e o dever de escrutinar as decisões dos órgãos eleitos (e estes perceberem que os nossos estados de alma devem ser tomados me conta), importa que sejamos capazes de não anular o passado numas semanas de uma exageradamente chamada crise.
Ser benfiquista só quando se ganha é fácil, mas é uma ligação interesseira, conjuntural que não resiste à mínima brisa perdedora. Ao longo da minha vida, já passei por momentos gloriosos e por acontecimentos desoladores. É assim o desporto. Não se ganha sempre e não se perde sempre. No fim, o que para mim sempre contou, conta e contará são três palavras mágicas unidas no nome do meu clube - Sport Lisboa e Benfica - essa identidade trinitária consagrada no lema E pluribus unum. O seu espírito fundacional, a sua história, os seus sucessos são a imagem indelével de um clube tão português e ecléctico quanto saboroso.
Às vezes me pergunto porque sou do Benfica. Sou e chega. Sou amante, até ao tutano da minha alma. E, como bom amante clubista, em regime de monogamia absoluta. Cega, mesmo. Porque nenhum outro me interessa, para além do Benfica.
Um desaire do meu Benfica perfura-me o ânimo, sem cuidar da anestesia. Uma vitória do meu Benfica alimenta-me mais do que o mais calórico dos alimentos e anima-me mais do que uma mão cheia de antidepressivos. Na vitória, o amor ao clube é partilhado, mas na derrota a solidão dá-lhe uma expressão infinita e incondicional. Como acontece com a pessoa amada, o verdadeiro teste do afecto concretiza-se nos momentos difíceis.
O Benfica é, para mim, afecto e privilégio, coração e razão, vitamina e analgésico, fermento e adocicante, saudade e desafio, cumplicidade e aconchego.
O Benfica acontece em mim. E nesse acontecer, funde-se a minha personalidade, com o sentimento de pertença. De paixão. Onde tudo o resto do clube se apaga, excepto isso mesmo: a ideia de ser Benfica. Sem personagens, sem fronteiras, sem referências. Apenas a imanência de o Benfica estar dentro de mim e eu dentro do Benfica. Ganhando ou perdendo. Com papoilas saltitantes. E sonhos dentro do sonho.

Eusébio Cup
aqui falei da inoportunidade de o Benfica ter acordado o desafio correspondente à Eusébio Cup no início de Outubro, no Canadá. Fiquei, pois, satisfeito com o seu cancelamento, independentemente das razões que possam ser invocadas.
No entanto, entristece-me a desvalorização a que vem sendo submetido este troféu criado para homenagear eternamente o grande Eusébio da Silva Ferreira. Começou por ser um jogo com grandes clubes (Inter, Milan, Arsenal e Real Madrid), passou depois para clubes medianos (Tottenham, São Paulo, Ajax) e, nos últimos anos, desembocou em partidas pouco apelativas como, por exemplo, contra o Monterrey (no México!) e o Torino. Aparentemente, deixou de ser o verdadeiro jogo de apresentação da equipa no Estádio da Luz. Este ano, depois da tentativa falhada com o Chapecoense (aqui até se percebe o efeito emocional depois do trágico acidente que vitimou a equipa brasileira), ajustou-se o jogo com o novo Glasgow Rangers (não confundir com o consagrado e velho Glasgow Rangers...), agora anulado. Ainda haverá a 10.º edição. da Eusébio Cup? Tenho pena, embora compreenda quão difícil é encontrar datas e equipas que valorizem o troféu.

Contraluz
- Número I: 1601
Os dias desde o último de campeão (tricampeão) do FC Porto (18 de Maio de 2013).
- Número II: 5624
Os dias desde o último título de campeão do Sporting (12 de Maio de 2002).
-Número III: 136
Os dias desde o último título de campeão (tetracampeão) do Benfica (20 de Maio de 2017)
- Palavra: Crise
Deriva do grego Krisis que significa decisão. Já para os chineses, crise=perigo+oportunidade. A palavra que na vida, na política, na economia, no futebol mais se ouve e repete. A nossa idossincrasia ciclotímica mais parece um registo de um sismógrafo. Da euforia à crise num ápice e, de regresso, da crise ao seu esquecimento à distância de um nada. Agora, que já não temos cá a troika, é a vez do Benfica alimentar convulsivamente o diário nacional das crises... até parecendo que não ganhou 12 dos 16 títulos nacionais das últimas 4 temporadas!
- Pensamento:
«A verdadeira crise, é a crise da incompetência. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo»
(Albert Einstein, 1879-1955)"

Bagão Félix, in A Bola

O futebol visto por Albert Camus

"Benfica, Sporting, FC Porto, Belenenses e V. Guimarães foram multados em 765 euros pelo CD da FPF pelo facto dos seus adeptos terem desrespeitado o minuto de silêncio em memória do antigo árbitro José Pratas. Há alguns aferidores do estado civilizacional dos povos e o respeito perante a morte é um deles. E obviamente, por estes exemplos. Portugal fica mal colocado no ranking.
Nos três estádios onde os cinco clubes multados, jogaram, estiveram 58.086 espectadores e não andarei muito longe da verdade se disser que os energúmenos que assobiaram o minuto de silêncio não terão sido mais do que um por cento. Poucos, é certo, mas em número suficiente para dar do futebol e de quem vai ao futebol uma imagem, perdoem-me o termo, rasca.
Infelizmente, não dei conta de que algum dos clubes agora multados tenha lamentado o comportamento daqueles adeptos e dele se tenha demarcado. Lembrei-me das palavras de Fernando Gomes e da necessidade de batalhar contra a cultura de ódio instalada e contras as agressões verbais que são prática corrente entre as franjas mais radicais, fazendo pedagogia e ensinando, a quem não recebeu, nem em casa nem na escola, os princípios básicos da civilização, o exemplo de Albert Camus, que disse que tudo o que sabia de moralidade e dever era graças de moralidade e dever era graças ao futebol. Aos 99 por cento de espectadores respeitadores e civilizados que estiveram em Alvalade, nos Barreiros e no Restelo, lanço um repto, que já não perco tempo a fazer aos dirigentes: mostrem aos hooligans dos vossos próprios clubes que não são bem-vindos aos estádios. Não sei deixem nivelar por baixo..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Conversa entre BdC e PC

"O impensável aconteceu. Bruno de Carvalho e Pinto da Costa lado a lado na tribuna de Alvalade. Num mero exercício de bem-disposta imaginação, mas baseado em factos reais (ou, neste caso, bocas reais), o diálogo poderá ter sido mais ou menos assim - depois de um longo período de silêncio, e já com o jogo a decorrer há algum tempo, foi Bruno de Carvalho, o anfitrião, a quebrar o gelo.
BdC - Jorge, desculpa ter dito que estás senil e és um rufia e um labrego, que nem a idade te dá vergonha...
PC - Ok, Bruno. Desculpa também ter dito que não sabia quem eras e ter-te chamado adjunto do Jorge Jesus. E aquilo da venda do Moutinho para o Mónaco...
BdC - O que lá vai lá vai, interessa agora é o presente. Temos de estar unidos. É como aquele clássico dos Starship, não sei se conheces, Nothing's Gonna Stop Us Now... Se o Sporting não ganhar o campeonato, que seja o FC Porto. Mas Jorge, já imaginaste se o título for decidido entre nós?
PC - Bruno, com o banho de bola que estás a levar, em principio não precisas de te preocupar com isso... Quando ao resto, vamos viver um dia de cada vez, espero que a nossa amizade dure ate fazermos uma daquelas trocas em que eu acabo com o Bas Dost e o Gelson e tu com o Vaná e o Reyes...
BdC - És um brincalhão, Jorge! Olha, vou fazer um churrasco lá em casa para a semana e estava a pensar...
PC - Vamos com calma, Bruno. É tudo muito recente. O importante é que continuem a voar cadeiras do outro lado da Segunda Circular.
BdC - Bom, o jogo acabou, gostei muito deste bocadinho, Jorge.
PC - Obrigado pelo convite, Bruno. Se eu soubesse como ia ser o jogo, o Casillas tinha-se sentado aqui connosco.
BdC - Lá estás tu na galhofa, Jorge!
(Já com Pinto da Costa a abandonar a tribuna, Bruno de Carvalho chama-o de longe e grita?
- Jorge, tens Facebook? Adiciona-me!"

Gonçalo Guimarães, in A Bola

​Évora? Oleiros? Que horror…

"O futebol maior do nosso país raramente sai da zona litoral, a sua zona da conforto, e, quando o faz, é por via da Taça de Portugal.

Primeiro fazem-se as regras. Na primeira oportunidade, contrariam-se essas regras. Esclarecendo: em tempos, foi decidido que na primeira eliminatória da Taça de Portugal em que entrem as equipas grandes, leia-se Liga NOS, é obrigatório que os jogos que sejam encontrados no sorteio se realizem sempre no terreno dos tidos por mais pequenos.
Por força desse sorteio realizado recentemente, ao Sporting coube a deslocação a Oleiros, ao Futebol Clube do Porto uma saída até Évora, tendo o Benfica como adversário o Olhanense na cidade do sotavento algarvio.
De imediato, surgiram as primeiras reacções negativas: tanto em Oleiros como na cidade museu não há condições satisfatórias para que os jogos sorteados ali se disputem.
No caso do Lusitano foram até adiantadas alternativas, no caso Campo Maior, Setúbal e até, imagine-se, o Estádio do Restelo.
O Lusitano de Évora foi um clube dos mais prestigiados nos anos 50, com equipas que fizeram a delícia dos adeptos do futebol e conquistaram posições de grande relevo.
Oleiros tem uma história muito mais recente, mas merece louvor o esforço que tem vindo a ser desenvolvido numa vila da zona do pinhal interior, recentemente devastada por incêndios inclementes, que ainda povoam as nossas memórias.
O futebol maior do nosso país raramente sai da zona litoral, a sua zona da conforto, e, quando o faz, é por via da Taça de Portugal. E quando tal acontece a festa ultrapassa os limites dos resultados do jogo, e fica a constituir um marco na história das pequenas colectividades.
Exige-se, pois, que seja feito um esforço por parte de todas as entidades abrangidas por esta situação, com a Federação Portuguesa de Futebol à cabeça, para que a festa da Taça não sofra um rombo incalculavelmente pesado.
A história de Évora merece esse esforço, e o entusiasmo de Oleiros também.
Portanto, não os desiludam."

A 'ciência' do sucesso

"Os factores associados à determinação do sucesso encontram, desde há muito tempo, grande receptividade nas mais diferentes áreas que estudam o comportamento humano.
De facto, uma rápida consulta às livrarias nacionais (online) revela uma montra de quase 1000 títulos - e, internacionalmente, acima de 200.000 - sobre o tema.
A atracção pelo sucesso que o ser humano aparenta ter, torna este assunto alvo de contínuas investigações e um êxito (quase) garantido de um top 3, num qualquer ranking de vendas.
Não considerando a bibliografia de inspiração quase "mágica", onde a aparente "mentalização do sucesso" se apresenta como uma ferramenta para o alcançar, vendida quase sempre como algo materializável a "curto prazo", de facto, observa-se uma tendência claríssima na constatação de que o sucesso resulta de uma construção sistematizada, maioritariamente, a médio-longo (às vezes, longuíssimo) prazo.
Senão, vejamos (a título de exemplo):
No livro Outliers, de Malcolm Gladwell, o autor discute, fundamentando, como a prática continuada e sistematizada de uma qualquer competência (ex: violino), pode conduzir à manifestação de talento acima da média. A partir deste exemplo, brinda-nos com um conjunto de outros exemplos, onde este tipo de fenómeno pode ser observado (como foi o caso dos Beatles, que tocavam ininterruptamente, anos a fio sem sequer fazerem pausas...).
Na realidade, este autor defende que o principal indicador de excelência, não é aquilo que é comummente reconhecido como talento inato mas antes, o que resulta de esforço continuado (no caso, o autor refere 10.000h de prática, como exemplo).
Corroborando esta tendência, o próprio Einstein defendeu que a Genialidade derivaria de 1% de talento e 99% de trabalho árduo.
Angela Duckworth, no seu livro GRIT (best seller), defende a mesmíssima ideia de que a Determinação (activada através da paixão e resiliência) seria a principal "culpada" pelo sucesso consolidado que pode ser observado em determinados indivíduos, independentemente do seu contexto de performance.
Para esta última autora, o SUCESSO (estudado pela sua equipa de investigação em variadíssimos cenários de top-performance) resultaria de uma fortíssima autodisciplina, combinada com a paixão dirigida a um propósito específico a longo termo, independentemente dos reveses que tenham que ser ultrapassados.
Por esta razão, seja pelo relato (ou exemplo) directo de grandes performers ou pelo resultado da investigação científica dirigida para este âmbito, o Sucesso, enquanto resultado consistente e consolidado, aparenta derivar de um esforço continuado, durante um período consideravelmente alargado e independentemente dos contratempos que possam surgir.
A superação das lesões e o retorno à top performance por parte do Nelson Évora ou da Telma Monteiro, são um bom espelho deste tipo de fenómeno.
Curiosamente, e apesar de toda a evidência científica, continuamos a lidar muito mal com a percepção de insucesso, invariavelmente enquadrada num time-line de curto prazo, inevitavelmente contaminado pelas emoções associadas à frustração resultante de um qualquer resultado pontual - frequentemente experenciado como um produto definitivo do nosso esforço.
Demasiadas vezes, é vivido como fonte de humilhação e de incompetência e, por essa razão, também demasiadas vezes se observa a adopção de um comportamento de evitamento (do "risco")... e assim, se "treina" a Motivação para Evitar o Fracasso e não o que se deveria de facto "treinar" - a Motivação para o Sucesso.
A gestão (emocional) do insucesso e do erro, emerge assim, estejamos a falar de contexto desportivo, empresarial ou académico, como um ponto fulcral que deve ser trabalhado... quando pretendemos, mesmo... ser bem-sucedidos(as).
Efectivamente, a única possibilidade de nos mantermos focados e motivados, face aos diferentes e inúmeros contratempos que irão surgir, resulta da integração do erro/insucesso como fonte de informação e aprendizagem, num percurso que se pretende de superação e especialização a longo-termo.
Por esta razão, o erro e o fracasso, se devidamente enquadrados, não são apenas um "mal-necessário", como um claro "laboratório" que alavanca o sucesso desejado.
Urge, assim, uma mudança de perspectiva, enquadrando o sucesso como o produto de uma "Maratona" e não de um "Sprint de 100m".
Urge "treinar" desafio (continuado) e não Medo."

Segurança rodoviária e desporto

"Em relação aos condutores era preciso que a disciplina de Actividade Gímnica e Desportiva funcionasse

Max Cunha dizia que, quando jovem, “afirmava coisas sem lógica, era repreendido pelos pais e professores; mais tarde, quando passou a dizer coisas com lógica, era ‘agredido’ pela sociedade”...
1 – Vem isto a propósito da segurança rodoviária, ou melhor, da falta dela, já que há da parte de certas “autoridades”, ligadas ao assunto, uma enorme hipocrisia, uma grande falta de lógica e também algum cinismo, mas acima de tudo uma enorme desonestidade intelectual que está na base de tudo isto.
Ora vejamos: há “autoridades” (só de nome) que entendem que se deve desprezar a tecnologia e que os carros, independentemente do ano de fabrico, devem poder andar todos à mesma velocidade.
Será que a tecnologia automóvel não evoluiu nada em 50 anos?
É aqui nesta “apreciação”, em que o legislador demonstra a sua profunda arrogância e ignorância, já que as condições de segurança são completamente diferentes do que eram há 50 anos, que das duas uma: ou um Fiat 500 não poderá ultrapassar os 60 km/h numa autoestrada, ou então um Mercedes poderá andar, na mesma autoestrada, a 150 km/h. A não ser assim, não há lógica, e quando isso é reconhecido pelos condutores, eles próprios corrigem esse lapso.
Mas há muito mais: é que o próprio Estado usa de má-fé e dá-se ao “luxo” de mandar cobrar altas taxas para os carros de alta potência, que dão velocidades superiores a 200 km/h, e depois manda multá-los porque ultrapassaram os 120 km/h!
Pensamos que o Estado, então, não deveria autorizar a venda de carros que possam atingir mais de 120 km/h. Isto é que seria lógico, sério e decente – só que o Estado perderia milhões de euros em impostos e em multas!
Mas, meus amigos, se querem um raciocínio lógico e querem dar um exemplo de seriedade, têm de mudar de práxis, ou então ficam com o odioso da falta de honestidade, como no AIMI para casados em comunhão de bens!
2 – Mas falemos de segurança rodoviária. Há três vetores a considerar: as estradas, as viaturas e os condutores.
a) As estradas, por vezes, não são cuidadas com rigor, e inclusive não são eliminados pontos negros onde se verificam repetidos acidentes, com mortos e feridos, sem que nada mude.
b) Em relação às viaturas, não há uma política séria de análise de viaturas que, como já foi dito, não tem qualquer lógica, ou seja, deixam um carro com 50 anos de idade e de pequena cilindrada circular a 120 km/h numa autoestrada, enquanto impõem a mesma velocidade (120 km/h) a um Mercedes, a um Audi, ou um Jaguar, etc., etc., novos, com uma tecnologia moderna e com sistemas avançados de segurança.
É que, de facto, não tem lógica e não é sério!
c) Em relação aos condutores era preciso que a disciplina de Atividade Gímnica e Desportiva, nas escolas, funcionasse de modo eficaz, o que não acontece, já que a maioria dos condutores não sabe o que é o estereótipo motor-dinâmico, não tem coordenação óculo-manual nem espácio-temporal, não sabe gerir uma sinergia muscular e também não faz ideia para que lado deve virar o volante quando, com chuva, o carro derrapa para a direita ou esquerda.
O A.C.P. e a Faculdade de Motricidade Humana, da ex-Universidade Técnica de Lisboa, poderiam ter um protocolo, permanente, para estudar e propor às autoridades responsáveis como fazer para evitar esta mortandade nas estradas. Mas será que alguém estará mesmo preocupado com o assunto? Então porque continua tudo na mesma?"

Benfiquismo (DCXVI)

Samua !!!

105x68... rescaldo

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Para onde vais Benfica?

"1.O Benfica encontra-se num daqueles ciclos viciosos em que uma equipa de futebol vai acumulando maus resultados (e piores exibições), em parte, por vir de maus resultados. Esta espiral depressiva está a afectar o comportamento colectivo, levando a que os mesmos jogadores que ergueram vários troféus aparentem ser, agora, banais. Mas está bem longe de explicar tudo.
Temos assistido à revelação de problemas larvares, presentes no jogar do Benfica há demasiado tempo. Neste sentido, permanece um mistério perceber a razão porque contra equipas mais fortes (ou até face a equipas assim-assim – que é o que são Basileia e Marítimo), o Benfica teima num 4-4-2 com Jonas a nove e meio. Este sistema, que funciona quando a equipa está bem e quando tem o jogador da posição oito em forma, revela-se curto em partidas mais exigentes e, ainda mais, quando é preciso gerir vantagens no marcador.
Continua a ser difícil compreender a razão para o Benfica insistir, apenas e só, num sistema que está condenado a não funcionar demasiadas vezes, que exige muito dos jogadores, enquanto coloca o meio-campo frequentemente em inferioridade numérica e sem rasgo na organização ofensiva.
É manifesto que o Benfica perdeu demasiados jogadores de grande qualidade na defesa e não encontrou substitutos. Como já aqui escrevi repetidamente, esta lacuna tem mais consequências na participação dos defesas no ataque do que na forma como a equipa defende. Mas o que dizer da pizzidependência do Benfica? Não só não existe um substituto claro para o bragantino (é Chrien? é Krovinovic?), como, pior, não se vislumbra um sistema alternativo que permita encaixar outros jogadores e até proteger as baixas de forma de Pizzi.
Para além de questões conjunturais, o problema do Benfica é, ao mesmo tempo, falta de arrojo táctico e ausência de flexibilidade estratégica na forma como aborda os jogos. É isso que se quer nos maus momentos, em lugar de se insistir na mesma tecla. Se nada fizer, Rui Vitória será vítima das suas próprias hesitações.
2. Em Basileia, e, sintomaticamente, também na Madeira, o Benfica entrou em campo de pijama. Não no sentido figurado, como se a explicação para os maus resultados fosse a atitude competitiva. A equipa jogou de pijama porque utilizou um equipamento inenarrável, de um cinzento que nada tem a ver com as cores do Glorioso. A uma das noites europeias mais negras da história do Benfica fica, por isso, associada uma imagem carregada de simbolismo negativo. Pior mesmo só o símbolo do clube estampado a preto e branco. A menos que os regulamentos tenham sido alterados, o Benfica está obrigado a ostentar um símbolo com cores, que "corresponde ao respeito e à dignidade do próprio Clube". A nossa História deveria levar a que, entre as necessidades comerciais da ADIDAS e a fidelidade à identidade do Benfica, não se hesitasse por um momento na defesa do Clube."

E a bola pedia-me: 'Chutem-me, por favor!'

"Albert Stubbins: muita gente nunca terá ouvido falar de Albert Stubbins..
Gosto de nomes. Os nomes desenham personalidades. Vamos lá ver: Eusébio não seria Eusébio se se chamasse Ernesto. E Pelé? Seria o quê se não lhe tivessem dado essa alcunha mágica que se confunde com futebol?
Não são perguntas fáceis de responder.
Eu não sei responder a elas.
Mas sei que não há ninguém mais napoleónico do que Napoleão ou mais garboso do que Greta Garbo.
Ou mais salazarento do que Salazar.
Há nomes que se adjectivam. Albert Stubbins não é um deles.
Bob Spitz escreveu um livro extraordinário sobre os Beatles: verdadeira enciclopédia.
Refere, a determinada altura, que John Lennon era, basicamente, desligado do desporto. E do futebol em particular.
Talvez não fosse bem assim.
Albert Stubbins foi um avançado-centro do Newcastle United e do Liverpool dos anos-40 e 50. John Lennon usou-o para aporrinhar Paul McCartney e, de facto, eles eram especialistas em aporrinharem-se mutuamente.
A brincadeira surgiu durante a escolha de personagens históricas que haveriam de compor aquela capa inesquecivelmente psicadélica de Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band Hearts Club Band.
O facto é este e já o contei por mais de uma vez: no meio de Fred Astaire, Groucho Marx, Alistair Crowley, Aldous Houxley e outros quejandos, Paul decidiu incluir um rapaz que cometera a proeza de marcar 60 golos num campeonato com a camisola do Everton. John não quis ficar atrás: Gandhi, Nietzsche, H.G. Wells, o Marquês de Sade e Albert Stubbins figuravam na sua lista.
Bem, mas eu quero é falar de George Robledo: Jorge Robledo Oliver, nascido no dia 14 de Abril de 1926, em Iquique, no Chile, filho de pai chileno e mãe inglesa.
Aos 5 anos já estava na Europa. Em Inglaterra, pois claro! Em Brampton, que não é dos lugares mais cosmopolitas da Grã-Bretanha mas que tem minas de carvão nas quais o jovem Robledo começou cedo a escarafunchar.
Nos intervalos da fuligem, jogava como avançado no Huddersfield. Em 1946 assinou um contrato profissional com o Barnsley e mandou às malvas o chapéu com a lanterninha na pala.
Dir-me-ão: a que propósito aparece aqui este tal de Robledo, vindo de parte nenhuma com o Che?
E eu respondo: por causa de John Lennon.
Em 1951, Jorge Robledo tornou-se no primeiro sul americano a disputar a final da Taça de Inglaterra. Ah! A Taça de Inglaterra!!! Quem não gostaria de jogar uma final da Taça de Inglaterra?
Robledo jogou duas. E venceu ambas. Com a camisola do Newcastle United, derrotou o Blackpool na primeira e o Arsenal na segunda, logo no ano seguinte. E aí ficou para a história.
Minuto 84: uma bola vem lá de um lado qualquer pedindo - «chutem-me! Chutem-me por favor!». 
Jorge Robledo era um cavalheiro. Não ficava imune aos desejos de uma dama, sobretudo quando essa dama era a mágica senhora das paixões: a bola.
Por isso não pediu licença nem fez uma vénia: simplesmente chutou.
Foi golo.
E Jorge, que nessa altura já era George, ficou congelado numa fotografia no momento do remate, preso ao golo indefensável e irretocável.
Em 1974, John Lennon editou Walls and Bridges. Vivia uma fase conturbada da relação com Yoko Ono e aproveitou para se escapulir para a Califórnia com a assistente pessoal de Yoko, May Pang. Talvez tenha sido uma certa influência oriental a conduzi-lo para um disco com muito de saudosismo. Nobody Loves You /When You-re Down and Out, Scared ou Old Dirty Road, revelam um Lennon muito entregue aos seus próprios fantasmas.
Talvez por isso tenha decidido ilustrar o álbum com desenhos seus de infância. Entre eles há um que fica particularmente bem emoldurado na parede branca de uma crónica: é de John Winston Lennon com apenas 11 anos; representa o golo de Jorge Robledo ao Arsenal na final da Taça de Inglaterra. 
Difícil seria, apesar do que dizem os compêndios, que um rapazinho de Liverpool não gostasse de futebol.
Um fascínio como o que sentia por uns olhos verdes. E cantava: The green eyed goddamn straight from your heart.
Isso! Direito ao coração. Como o golo de Robledo."

Alvorada... do Guerra

Como se o mar se lembrasse do nome dos seus afogados

"Os Benfica-Sporting ou Sporting-Benfica são sempre motivo infalível para uma crónica. Ou, então, falar de muitos deles. Tenho tantos e tantos na memória, que seria impossível recordá-los a todos. Mas relembro o ritmo do romance do dérbi.

Não tenhamos dúvidas. Eu, pelo menos, não tenho. O Benfica-Sporting ou Sporting-Benfica é, em Portugal, o jogo-de-todos-os-jogos.
Tantos e tantos Benfica-Sporting-Benfica tenho na minha memória, que recordá-los seria como se o mar soubesse de cor o nome de todos os seus afogados.
Mais de 100 anos de nomes e de números, de lugares e acontecimentos.
Mais de 100 anos de páginas de jornais plenas de paixão.
Mais de 100 anos de fintas que mereceriam sonetos. De defesas que mereceriam sonatas. De golos que mereceriam bibliotecas ou óperas inteiras.
'Houve uma vez...'
Haverá sempre 'Houve uma vez...'
Houve uma vez, em 14 de Julho de 1919, no Campo de Benfica, na finalíssima do Campeonato de Lisboa, que o Sporting entrou em campo apenas com dez jogadores, porque não tinha mais para disputar o encontro.
Diria alguém, com requintes de ironia: 'O Sporting estava em inferioridade numérica, mas o Benfica estava em inferioridade psicológica'.
Nada seria mais verdadeiro.
O Sporting venceu por 1-0, golo de Perdigão.
Venceu igualmente a segunda mão da finalíssima, por 2-1. E foi campeão de Lisboa.
Em ambos os jogos houve violência e luta corpo a corpo por entre o público.
E aí ninguém sabe onde acabou a inferioridade psicológica e começou a superioridade numérica.

Quando os benfiquistas faziam barulho a mais
Houve na véspera daquele Benfica-Sporting, nas Amoreiras, de 3 de Março de 1940, que Peyroteo conta no seu livro de memória. Manuel Marques gostava de irritar o treinador Szabo, que falava um português atrapalhado. E interrompia-lhe a prelecção, dizendo: 'Isto está tudo muito bem, mas o senhor não está a contar com os adeptos deles que fazem muito barulho e influem no resultado'.
Szabo zangava-se: 'Sinhor! Carágo! Dar uma cabêçada para si. Não brincar e não rir que não ter graça nênhum!'
E Manuel Marques insistia: 'Eles fazem muito barulho. A gente não vê a bola, não vê nada. Só houve gritar Benfica, Benfica, Benfica. É horrível!'
E Szabo, então, dava táctica definitiva: 'Passar bola bons condições e Fernando fazer calar tudos, gajos não piar mais...'
E Fernando Peyroteo faz calar todos. Com golos: um, dois e três. 'Caréga Maria!'
Houve aquele outro jogo de 17 de Outubro de 1965, no Estádio da Luz, com Lourenço, que viera de Académica e a quem, por piçarra, chamavam a 'Vaca', a fazer quatro golos, dois deles de chapéu a Melo.
'Não foi uma questão de o guarda-redes ser pequeno, foi uma questão de ter ângulo para marcar os golos assim', diria Lourenço, mais tarde, defendendo-se da troça dos que diziam que tinha marcado quatro golos a um guarda-redes anão. E Melo sofrendo o 'síndroma de Persónio' e nunca mais jogando outro derby.
O imarcescível Nelson Rodrigues costumava escrever: 'Tudo é Fla-Flu e o resto é paisagem'.
Pois era mesmo isso que me apetecia escrever.
Mais de 100 anos de nomes. A dimensão dos grandes nomes.
As imensas madrugadas das vitórias as longas noites das derrotas.
'Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...'
Poemas de noventa minutos.
Domingos transformados em catástrofes.
Alfama e Madragoa; a ponte e o Cristo-Rei; e leão do Marquês.
O Chiado e o Rossio. A Estrela e Campolide.
As noites inquietas do Bairro Alto.
As ruínas do Carmo e o sino da Igreja da Trindade.
Da Travessa do Guarda-Jóias ao elevador da Bica.
Da Penha de França à Pampulha.
Do Largo do Conde Barão à Rua do Sol ao Rato.
Tudo isso é também Benfica e Sporting.
Equipas inteiras lidas ao ritmo dos poemas.
Azevedo, Cardoso e Marques; Barrosa, Canário e Veríssimo; Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travaços e Albano.
Costa Pereira, Mário João e Ângelo; Cavém, Germano e Cruz; José Augusto, Eusébio, Torres, Coluna e Simões.
Carvalho, Pedro Gomes e Hilário; Fernando Mendes, Alexandre Baptista e José Carlos; Figueiredo, Osvaldo Silva, Mascarenas, Geo e Morais.
José Henrique; Artur, Humberto Coelho, Messias e Adolfo; Toni e Jaime Graça; Eusébio, Artur Jorge, Nené e Jordão.
'Tirem-me daqui a metafísica!'
Fados canalhas; homens bêbados; montras de leituras; lençóis dependurados nas janelas.
O rio ao fundo.
'Macio Tejo, ancestral e mudo'.
O transistor pousado sobre o balcão de mármore da taberna: 'Goooolooooooo!'
O grito fugindo ao longo das ruelas estreitas.
Fitas coloridas de plástico nas portas dos talhos.
Miúdos dependurados nas boleias dos eléctricos.
Prazeres e Gomes Freire.
'Houve uma vez': poderia continuar assim e nunca mais acabar.
O romance dos Benfica-Sporting é um poema interminável.
Com Lisboa e Tejo e tudo.
Não me digam que já não têm saudades de um Benfica-Sporting, porque eu não acredito..."

Afonso de Melo, in O Benfica

O golo adversário que a Luz aplaudiu

"De regresso ao Estádio da Luz, Rui Costa, após ter marcado ao Benfica, não conseguiu conter as lágrimas.

Para o jogo de apresentação da época 199/97 do Benfica, o adversário escolhido foi a Fiorentina. A expectativa era imensa, tanto pela oportunidade de ver os novos jogadores, como pelas vitórias na digressão por Itália e Inglaterra. Assim, a 13 de Agosto de 1996, o Estádio da Luz lotou.
Havia ainda uma outra atracção que mexia com o público, o regresso de Rui Costa. O menino que se estreou, de 'águia ao peito', nos infantis na época 1980/81, voltava a um recinto que bem conhecia, no qual conquistou o Mundial em 1991, com as cores de Portugal. Porém, desta vez - pela primeira vez - como adversário do Benfica. Os muitos anos no Clube tinham criado um elo, que se foi tornando cada vez mais forte. O sentimento era partilhado pelos adeptos, neste reencontro 'emocionaram-se (...) os benfiquistas com a recepção a Rui Costa. A saudade que os estrangeiros não sabem traduzir, bateu no coração encarnado'.
O encontro começou de feição para os benfiquistas, que marcaram logo nos primeiros minutos, por intermédio de Valdo, 'na transformação de um livre (superiormente executado)'. A Fiorentina tentava procurar o empate através de uma pressão alta e rápidas transições, e o sector que mais se evidenciava era precisamente o meio-campo, com 'Rui Costa em grande, pois claro, oferecendo lances de eleição a Batistuta'. Os futebolistas profissionais têm, entre outras qualidades, a de se conseguirem abstrair do ambiente à sua volta e suportar as suas emoções durante os 90 minutos, traçar as jogadas na cabeça e executarem-nas com os pés, como se se tratasse de algo puramente mecânico.
Contudo, a um minuto do fim partida, o 'maestro' não se conseguiu conter. 'Após passe de Batistuta, entrou na área e rematou com toda a sua técnica, para belíssimo golo'. De imediato, 'deitou as mãos à cara, como menino que, subitamente deseja esconder as lágrimas de uma multidão que o ovaciona e que, revelando grande sensibilidade, grita o seu nome em coro'. Nem o árbitro da partida, Vítor Pereira, ficou indiferente à situação e 'foi o primeiro a ir ao seu encontro'.
Pode ficar a saber mais sobre este sensacional jogador na área 23 - Inesquecíveis do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Benfiquismo (DCXV)

Minervino voando no Brasil !!!