Últimas indefectivações

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Não existe campeonato da pré-época

"Mais importante que os resultados imediatos é a preparação para os jogos a sério. O Sporting te pressa e o Benfica precisa de mais meios.

Para que servem os jogos de preparação? De que valem as vitórias e as derrotas na pré-temporada? Estas perguntas, na vertigem do imediato, ficam demasiadas vezes por responder e, no fim de contas, são muito relevantes...
A única coisa realmente importante, de facto, é que cada equipa chegue à competição oficial na melhor condição possível. Porém, pelo caminho, há circunstâncias a considerar, que têm a ver, essencialmente, com a reputação dos clubes e o estado de espírito com que os adeptos vão encarar a época. Benfica e Sporting, por exemplo, estão em acção e não têm obtido resultados positivos; o que não quer dizer que a preparação não esteja a ser boa. Desde que as devidas ilações sejam retiradas...
No Sporting vê-se uma tremenda necessidade, de Jorge Jesus, de acelerar todos os processos de integração, mesmo que à custa de alguma razoabilidade. Os leões têm dois jogos determinantes para o todo da temporada, na Champions, em meados de Agosto, e precisam de criar automatismos tão cedo quanto possível. Esbarram, contudo, na dúvida sistemática que afecta quase todas as equipas de top: com quem vão poder contar (e, no caso dos leões, Patrício, William, Adrien e Gelson, ficam ou saem?), qual será o desenho final do plantel?
Já Rui Vitória, que não está tão pressionado pelo tempo, enfrenta uma magna questão. Perdeu Ederson, Nélson Semedo e Victor Lindelof, como vai recompor a defesa? E será que ainda vai ter de abdicar de mais unidades? Para já, a goleada sofrida frente ao Young Boys (o jogo valia o que valia mas para os emigrantes era importante!) só confirmou o que aqui escrevi há precisamente uma semana. O Benfica precisa de, pelo menos, contratar um defesa central de créditos firmados, se não quiser andar no fio da navalha numa época que pode ser histórica. Os encarnados, nesta altura já de cofres bem recheados, podem chegar a um penta inédito e, ao mesmo tempo (e quiça de igual importância), podem calar as vozes que lhes têm infligido danos reputacionais. Nenhum argumento falará mais alto, nem produzirá efeitos mais interessantes na óptica do Benfica, do que uma época de sucesso desportivo. E, por melhor que seja a formação do Seixal, por mais méritos que Rui Vitória possua, tal desiderato não será alcançado sem os meios necessários...

ÁS
Lewis Hamilton
A correr em casa, o piloto britânico teve um dia bom e aproximou-se de Vettel, deixando o campeonato de F1 ao rubro. Creio que este é um bom momento para reflectir sobre a importância da rivalidade na história do desporto. De Fischer a Spassky, de Borg a McEnroe, de Prost a Senna, de Cristiano Ronaldo a Messi.

ÁS
Fernando Pimenta

O canoísta português saiu do Campeonato da Europa com uma medalha de ouro (K1 1000) e outra de prata (K1 5000), o que confirma o nível altíssimo a que continua a competir. Já a dupla Francisca laia/Joana Vasconcelos (K2 200) garantiu a prata. Constatação imediata: vale a pena apostar na canoagem nacional!


ÁS
Nélson Semedo
dois anos, quando Maxi Pereira saiu do Benfica e assinou pelo FC Porto, quem conhecia Nélson Semedo? A afirmação do lateral-direito foi meteórica e levou-o a entrar pela porta grande no Barcelona, numa transferência estratosférica, que pode ir bem além dos €30 milhões. No futebol, o céu é o limite do sonho...

A idade, a falta de filtros e os espíritos livres
«Ronaldo é um excelente atleta, tem imenso mérito, mas é um estupor moral, não pode ser exemplo para ninguém...»
Gentil Martins, médico, in Público
Senti isso nos últimos anos de Mário Soares e sempre achei desprezível o aproveitamento que fizeram da sua derradeira fase pública. A idade avançada, mesmo quando não retira lucidez, por vezes leva os filtros, o que faz com que espíritos livres fiquem à mercê do que deles que se quer trazer à estampa. Matéria de reflexão, seguramente, para a classe dos jornalistas.

Roger Federer
muitos anos, quase vinte, João Lagos disse-me: «Toma atenção, o Federer vai ser o maior tenista da história». Registei. Ontem, perante o 19.º 'Grand Slam' do tenista, coincidindo com a oitava vitória em Wimbledon, recordei quem me falou do suíço, com conhecimento de causa. De férias no Alvor, foi aí que assisti ao feito de Federer. A televisão do Restinga estava ligada, sem som, e parecia que ninguém estava a ligar à final. Porém, quando Roger Federer concretizou o 'match point', ouviu-se um aplauso espontâneo, que demonstrou a universalidade do veterano tenista (e creio que não havia nem um suíço no restaurante da praia...).

Espanha, tão perto e cada vez mais longe!
Garbiñe Muguruza, vencedora em Wimbledon, é a mais recente heroína do desporto espanhol. Mais uma vez constato: Espanha, tão perto e tão longe... 'Nuestros hermanos' são um país de desporto, enquanto nós não passamos de uns amadores, meros coleccionadores de boas vontades. E não há quem queira mudar isto?"

José Manuel Delgado, in A Bola

O viajante Adu, o cepo Karadas e Fabrice Alcebiades Maieco (?) - assim, de repente, os maiores flops do Benfica (...)

"Freddy Adu
Até hoje continuamos a tentar perceber se a culpa foi do championship manager, de vários olheiros com cataratas, da internet, ou se tudo não passou de uma brilhante jogada de marketing que nos enganou a todos. Sim, a você também. O ano é 2006. O Youtube existe há cerca de 1 ano. Os primeiros vídeos de gatos começam a ser carregados para a plataforma e tudo corre bem. Ouvimos falar de um jogador norte-americano, muito novinho mas incrivelmente talentoso. Os vídeos não mentem. Freddy Adu é o nome. Bola coladinha ao pé, dono de um sprint muito respeitável, e tão novinho que até assusta. O céu é o limite.
Era ver aquele talento prodigioso a ultrapassar adversários como se fossem pinos, desde relvados de futebol semi-amador a campos de futebol americano. 11 anos mais tarde, o mundo questiona-se: seriam de facto pinos? O que sabemos hoje é que Freddy Adu passou pelas instalações do Benfica numa fase da sua carreira em que, sinceramente, já fazia lembrar os Guano Apes a tocarem numa semana académica. Notável para alguém que chegou a Portugal com apenas 19 anos. Desta feita via-se ali talento, não para o futebol mas para constar de um texto como este. 11 jogos miseráveis e 2 golos depois, ainda contratualmente ligado ao Benfica, Freddy Adu terá descoberto a sua verdadeira paixão: viajar. Foi assim que ao longo dos 9 anos seguintes o nosso Freddy passou por França, Grécia, Turquia, regressou aos EUA, esteve no Brasil, na Sérvia e na Finlândia. E isto se falarmos apenas de contratos de trabalho. Fez tudo isto antes dos 30 anos de idade e antes de voltar aos EUA, onde infelizmente a modalidade evoluiu ao ponto de tornar evidente que Freddy Adu não é nem nunca foi grande futebolista. Moral da história? Não acreditem em tudo o que vêem na internet.

Mostovoi
Anos houve no Benfica em que, por muito bom que se fosse, nem o talento poderia salvar os jogadores (e os adeptos) da desilusão. Aleksandr Mostovoi chegou ao Benfica para prolongar a linhagem russa no Benfica. Não que esta tenha produzido resultados épicos, mas Yuran e Kulkov chegaram a ser importantes. Ora, Aleksandr Mostovoi chegara com fama de ser tão bom ou melhor que estes dois. 9 jogos e uma época depois, a presença de Mostovoi no plantel fazia tanto sentido quanto chamarmos russa a uma pilha de batatas, cenouras e ervilhas coberta de maionese.
Pior contratação porque não deu em nada, melhor porque, de todos os flops benfiquistas, quase nenhum outro foi tão bem sucedido após sair do clube - excepção feita a Mario Stanic, que também se veio a descobrir, depois de abandonar o clube, ser um bom jogador de futebol. Mostovoi é hoje conhecido em Espanha como o Príncipe de Vigo, um jogador cerebral e aguerrido como como poucos que voltaria a aparecer no radar do Benfica, desta vez como um dos principais autores de uma goleada histórica, o 7-1 do Celta ao Benfica. Fez um golo e três assistências, e só não fez mais porque felizmente um jogo de futebol dura 90 minutos.

Karadas
Cepos houve muitos, mas só um poderia ter competido com Ivica Kralj pelo nome da nossa página de Facebook. Azar Karadas. A tentação da piada fácil poderia levar-nos a resumir este cromo simplesmente ao seu primeiro e último nome, mas seria injusto, não apenas porque diminuiria o jogador, mas ainda porque não nos daria pretexto para nomear o seu tio e empresário: Jack Karadas. Azar foi contratado pelo Benfica após uma alegada exibição vistosa ao serviço do Rosenborg, numa noite gélida quase tão difícil de explicar quanto o caso Camarate. Treinado por Giovanni Trapatonni, Azar Karadas viria a marcar 4 golos importantes num dos campeonatos mais atípicos da história do futebol, que terminaria com Bruno Aguiar e Simão Sabrosa em cuecas num balneário do Bessa a ouvir música num iPod.
Anos mais tarde, encontrou a felicidade no centro da defesa do Kasimpasa, clube turco em que alguns de nós teriam lugar como avançados. Em 2010, já refeito da sua carreira, Karadas confessou à imprensa portuguesa que nunca devia ter jogado como avançado, uma afirmação que faria mais sentido se lhe retirássemos as palavras "como" e "avançado".

Felipe Menezes / Djuricic
Um brasileiro, o outro sérvio, o mesmo talento desperdiçado, a mesma irritação causada aos adeptos. Infelizmente nunca jogaram juntos. Teria sido uma espécie de acontecimento científico desse ano, um abrandamento de partículas nunca antes visto. Em comum têm duas coisas. Chegaram ambos ao Benfica rotulados de craques. Um chegou como craque brasileiro, aquele selo de qualidade que nunca nos desiludiu. O outro chegou como craque sérvio numa altura em que qualquer pessoa natural desse país seria bem recebida na Luz, eventualmente até com um contrato de trabalho à sua espera (vide irmãos de Matic e Markovic). Para além disso, jogavam ambos com aquele ar de enjoadinho, como se ninguém desde os infantis lhes tivesse explicado que é preciso correr ou que a bola não é só para eles. Desculpem lá, amiguinhos.

Fabrice Alcebiades Maieco
Não tem nome de futebolista, o que talvez explique os contornos da sua passagem pelo Benfica. Fabrica Alcebiades Maieco é Akwá, o segundo maior equívoco em que julgámos ter encontrado um novo Eusébio. Akwá tem no entanto uma enorme vantagem face a Pedro Mantorras: dois joelhos operacionais. Tirando isso, os talentos de um e outro nunca foram comparáveis. Mantorras era repentino. Akwá dava pena. Mantorras era veloz. Akwá era atroz. Mantorras irradiava alegria em campo. Akwá devia ter sido irradiado. Mantorras era fortíssimo nos lances individuais, Akwá era fraquíssimo em qualquer colectivo. Mantorras foi avaliado em 18 milhões de contos, Akwá foi avaliado em 18 milhões de kwanzas. Enfim. Akwá mal jogou no Benfica, felizmente, e a grande verdade é que nenhum deles foi o novo Eusébio, até porque o Rei era moçambicano e estes dois são angolanos, o que acaba por ser um bocadinho racista da vossa parte."

A “vingança” de Pizzi

"O leitor vai achar-me narcisista, mas quando o Witsel deixou a Luz respondi espontaneamente a um amigo benfiquista que me perguntou, aflito, quem o poderia substituir: 'O Enzo Pérez.'.

Embora este jogasse a extremo, vi nele qualidades para jogar mais no miolo do campo: era muito batalhador, nunca se dava por vencido, segurava bem a bola e corria com ela dominada.
Mas, tempo depois, Enzo também saiu - e o problema voltou a colocar-se. Não havia, aparentemente, no plantel do Benfica ninguém para o substituir. Sucede que, num jogo da Taça de Portugal contra o Braga, na Luz, Jorge Jesus fez um onze alternativo e colocou Pizzi na posição 8. E foi para mim uma revelação, mostrando capacidade para ter bola e visão de jogo para fazer passes a rasgar - daqueles que, como por magia, deixam para trás os defesas adversários e isolam os companheiros. Mas, depois deste jogo, Pizzi não voltou a actuar nessa posição.
Tempo mais tarde, em conversa com Jesus, este mostrava-se preocupado com a falta de um número 8, e eu alvitrei, a medo: ‘’Tem o Pizzi...’’ Mas apesar de ter sido ele a experimentá-lo no lugar, não se mostrou convencido: “Ao Pizzi falta intensidade, não mete o pé, não mete a cabeça…’’ De facto, nesse jogo com o Braga, ele fora parcialmente responsável pelo golo que derrotara o Benfica, deixando Pardo correr sozinho durante 30 metros.
A verdade é que, no jogo a seguir à nossa conversa, Jorge Jesus meteu mesmo Pizzi a titular na posição 8. E ele saiu-se bem. E a partir daí não mais largou o lugar. Aquele que nunca passaria de um número 7 mediano tornou-se um excelente número 8.
Quando Jorge Jesus saiu, porém, o tempo de Pizzi parecia ter acabado. Fora uma “invenção” de Jesus e este já não riscava nada na Luz. No seu lugar passou a jogar - e bem - André Horta. Pizzi começou então a sentar-se no banco, e quando entrava era para jogar a extremo direito, na sua antiga posição. 
Mas Horta lesionou-se, Rui Vitória ainda tentou outras experiências - tais como meter Samaris a jogar ali -, mas acabou mesmo por render-se a Pizzi. E este fez tão bem ou tão mal o lugar que nunca mais o largou. Passou a ser tão insubstituível… que nunca era substituído. Tornou-se um dos jogadores com mais minutos. Quando parecia esgotado, ia buscar sempre novas energias a uma reserva escondida. Nunca parava, como as pilhas Duracell.
E acabou por ser considerado, este ano, o melhor jogador do campeonato.
Depois de ter vencido o cepticismo de Jorge Jesus, depois de ter obrigado Rui Vitória a render-se, depois de ter conseguido ser convocado para a selecção, só falta mesmo a Pizzi convencer Fernando Santos a dar-lhe a titularidade na equipa nacional. Já faltou mais. Até porque, sempre que foi chamado a actuar, nunca desiludiu."

Alvorada... pré-Algarve...

Benfiquismo (DXXXII)

Nas cartas, o King, não devia ser rei...!!!

Joana de Prata

Medalha de Prata, para a Joana Vasconcelos e a Francisca Laia, no K2 200m, nos Campeonatos da Europa de Canoagem de Velocidade que decorreram este fim-de-semana na Bulgária.
Após a 'não-qualificação' Olímpica a Joana precisava de uma resultado deste tipo...

A Teresa Portela está numa fase 'complicada'! Pessoalmente, acho que a Teresa no K1 dificilmente chegará às medalhas nas grandes competições... pessoalmente gostaria de ver o K2 com a Teresa e a Joana na distância Olímpica, eu sei que até agora nunca tiveram grandes resultados sempre que competiram em conjunto, mas tudo é uma questão de prioridades...

O João Ribeiro teve um Campeonato discreto, sendo que a Final B no K2 foi inesperada... deve ter acontecido um erro grave, seguramente...

No K2 200m (J. Vasconcelos, F. Laia), conquistaram o 2.º lugar na Final A
No K4 500m (J. Vasconcelos, T. Portela, F. Laia, M. Cabrita), ficaram em 9.º lugar na Final A
No K2 500m (J. Vasconcelos, T. Portela), ficaram em 9.º lugar na Final A
No K1 200m a Teresa Portela, ficou-se pelo 8.º lugar na Final A

No K4 500m (E. Silva, J. Ribeiro, J. Varela, D. Fernandes), conseguiram o 6.º lugar na Final A
No K2 500m (E. Silva, J. Ribeiro), ficaram-se pelo 2.º lugar na Final B



PS: Este fim-de-semana na Polónia decorreu o Europeu de Atletismo de sub-23, com vários atletas do Benfica.
O destaque vai para a estafeta de 4x100m, com três Benfiquistas (José Lopes, Rafael Jorge e Ricardo Pereira, além do Ricardo Ribeiro atleta do Sporting), que ficaram em 5.º lugar na Final, com um bom 39.55s.
Neste último dia, o André Pereira, acabou por fazer uma grande prova nos 3000m obstáculos, em 8:52.10m, com um 8.º lugar, batendo o seu recorde pessoal, e depois acabou por ser desclassificado...!!!!
Destaque também para as melhores marcas pessoais, do José Lopes nos 100m e do Miguel Rodrigues nos 20Km Marcha...

domingo, 16 de julho de 2017

Luz e sombras

"Sejam (os) transparentes: há uma disputa, mesmo que surda, e entre nós, entre Federação e Liga, entre clubes relevantes e Liga.

1. O Benfica fez até ao momento cento e doze milhões e meio de euros em venda de jogadores. Números que impressionam. Luzes de milhões. Três dos titulares da sua defesa na última época e da sua equipa legitimamente ganhadora da última liga - ou seja do merecido tetra! - vão jogar na riquíssima liga inglesa e na linda cidade de Manchester e, também, na fortíssima e emblemática cidade de Barcelona e no seu clube de referência. E em relação a Nélson Semedo com uma imensa alegria financeira para Sintra e para o Sintrense. Recordo bem que o Nelsinho vestiu a bonita camisola do Sintrense em 2008/2009 com 15 anos. Há cinco anos foi transferido para o Benfica, tornou-se um defesa direito de excelência, chegou à Selecção Nacional e, agora, salta para Barcelona e vai conviver num balneário singular com Messi, Neymar e companhia. Vamos ter saudades da sua raça e das suas arrancadas. Dos seus centros e dos seus remates. Vamos recordar o seu percurso de Sintra ao Seixal com paragens de sonho no Estádio da Luz e em muitos estádios desta Europa do futebol. Mas a vida, esta nossa vida, é feita de constantes mudanças. E o Nelsinho que vi jogar a médio direito é, agora, um defesa direito que chama a atenção da Europa. É um exemplo para muitos jovens. Com trabalho e paciência, força e fé, perseverança e dedicação deixa um grande clube europeu e chega a um clube grande da Europa. Toda a sorte do mundo Nelsinho! Força! E sabemos bem que «a força sem inteligência é como o movimento sem direcção»!

2. Cada pré-época é um misto de surpresas impensáveis e de alegrias imprevistas. Ontem, na Suíça, o Benfica sofreu porventura golos a mais. Foi uma sombra de Benfica. Ontem frente ao pré Liga dos Campeões, o Young Boys, o Benfica sofreu cinco golos e mostrou que há que ter tempo para (re)construir uma nova defesa. Rui Vitória vai agarrar, vitoriosamente, mais este desafio. Com que se confronta, com uma naturalidade que perturba e uma segurança que impressiona, cada arranque de época. Ele sabe que o paradigma do Benfica, deste concreto Benfica, implica e determina em cada final de época - ou no seu meio em Janeiro! - que haja vendas impressionantes e aquisições motivantes. Ele sabe que tem de recompor a equipa e constata até finais de Agosto que tem de estar preparado para partidas e chegadas ditas quase inesperadas. Mas programadas como viáveis possibilidades. Mas que para ele, para Rui Vitória, as saídas e as entradas são sempre possíveis e assumidas com a naturalidade de ser um dos vértices relevantes do paradigma que o Benfica assumiu nos últimos anos e que tem na Academia do Seixal - veja-se Diogo Gonçalves! - o eixo motivante desta roda. Roda de um eixo que está para além de tantos e-mails, de perturbações e de condicionalismos que tornam singulares este futebol português. E da sua dita indústria. E Rui Vitória sabe que a reconstrução exige tempo e determina muita paciência. Acima de tudo para os adeptos. Mas o Benfica, este Benfica, também sabe que é na defesa que se constroem as conquistas das ligas. E a conquista do penta, nas actuais circunstâncias e como o ambiente condicionante, tem de ser um desígnio estratégico. Vivemos tempos de adaptação e de experiências. Vivemos momentos de novas companhias e de outras rotinas pessoais. E mesmo com a dor dos golos sofridos ontem na Suíça continuamos a acreditar nesta equipa e no conjunto das suas opções e a ter a convicção que ainda haverá outras saídas e novas entradas. Algumas ainda nesta quinzena de Julho e outras até ao final desde período fantástico de intermediação mundial de jogadores, ou seja, até final de Agosto. Já que «a única forma de prever o futuro é ter poder para formar o futuro»! Futuro que é também luz!

3. No desporto acredito que há consensos possíveis e compromissos improváveis. Neste desporto, e no seu concreto ambiente, há propostas que surgem e que, de repente, desaparecem. No desporto, nas suas actuais circunstâncias, há uma disputa oculta que determina que haja actores políticos responsabilizados e outros, os motivantes, ignorados. Escondidos nas traseiras de um palco em que o silêncio é cativante. O que ocorreu acerca de uma proposta de alteração legislativa no que concerne a poderes disciplinares e de arbitragem não tem uma cor de responsabilidade. Pode ter intervenientes com saudável ingenuidade face aos tempos que correm. E lemos opiniões, acrescento que legítimas, ao longo da semana - em, particular sexta e sábado - que se esquecem que o poder é uma realidade tridimensional e envolve poder, influência e autoridade. E no futebol o poder não está concentrado. Está distribuído. Muito distribuído. E na situação e ambiente que vivemos qualquer mudança perturba e arrepia. Se para uns é gula para outros é guerra. Se para uns é força para outros é fraqueza. Se para uns é necessidade para outros é fatalidade. Se para uns é realização para outros é imaginação. Sejam(os) transparentes. Há uma disputa, mesmo que oculta, e entre nós, entre Federação e Liga. Entre órgãos federativos e a Liga. Entre clubes relevantes e a Liga. Entre a angústia do situacionismo do Porto, não da luta pela sede da agência europeia do medicamento, e o sempre referenciado centralismo de Lisboa. Ou, agora, em rigor, e em termos do futebol lusitano, de Oeiras e do seu palco desportivo de excelência. Sei, desde que li Luc de Clapiers Vanvenargues que «quem é capaz de suportar tudo pode atrever-se a tudo». Mas sei também com Gandhi que «a força não provém da capacidade física, mas da vontade férrea». E esta força e esta vontade determinam muita lucidez. Já que desde Goethe sabemos que «a claridade é uma justa repartição de sombras e luz!» Digo bem: sombras e luz!"

Fernando Seara, in A Bola

Nem todos andam a dormir

"A última AG da Liga foi o exemplo da real capacidade dos clubes para se autorregularem. Pelos vistos a maioria já se esqueceu dela.

Ponto prévio: sou, e já o escrevi muitas vezes, a favor de ver fora das mãos dos clubes o poder de escolherem os regulamentos por que se regem as competições profissionais. Não me chocou, por isso, que dois grupos parlamentares (no caso do PSD e CDS-PP) tenham tentado introduzir proposta de alteração legislativa que previa a passagem desse poder para a esfera da Federação Portuguesa de Futebol. Sim, deu muito barulho. E deu gritaria. E houve gente que ficou muito ofendida, como se dali tivesse saído um ataque mortal aos poderes da Liga e ao futuro do futebol português. E porque em Portugal se tem a ideia de que gritar muito é o mesmo que ter razão, logo houve quem se congratulasse por a iniciativa ter morrido à nascença. Tenho dúvidas se é razão para nos congratularmos. E tenho dúvidas que a ideia tenha morrido, de facto, à nascença.
Vamos por partes. Entendo a reacção de Pedro Proença e da Liga. Se é como diz, que a proposta foi introduzida à má fila, sem sobre ela se ouvir as partes interessadas quando todas foram chamadas para debater outros assuntos, tem razões para se sentir atacado. E tem motivos para responder, passando ao ataque, ou para congratular-se ao saber que a proposta fora retirada. Foi, para a Direcção da I Liga, uma vitória. Nada, pois, a dizer quanto a isso. O pior foram mesmo as reacções de outros quadrantes (oficiais, não oficiais e mais-ou-menos-oficiais), que num instante deram cor - neste caso vermelha - a uma iniciativa de deputados da Nação e a transformaram em vil tentativa de um clube para tentar controlar o futebol português. Por isso repito as palavras com que iniciei este mesmo espaço há uma semana: «Não há qualquer medida séria que se tome (acrescento agora que se tente tomar) no futebol português que não seja de imediato atacada pela clubite». É assim há anos. E talvez continue a ser assim por mais alguns, pelos vistos para alegria de muitos. Não venham é depois queixar-se e dizer, que está tudo mal.

Quanto à medida em si. Repito: sou a favor. Posso até estar errado, mas não digam que a proposta não merece, pelo menos, ser discutida. Que tem de ir para o fundo de uma gaveta, ficar lá fechada a sete chaves e nunca mais ver a luz do dia. Que tudo tem funcionado às mil maravilhas, que os clubes são uns santos e que sabem o que é melhor para o futebol português. Que se podem autorregular de uma forma tão brilhante que não merece sequer contestação. Não é verdade, como de resto de percebeu (ou pelos menos percebeu quem quis) na última Assembleia Geral da Liga, destinada precisamente a debater o novo Regulamento Disciplinar para o futebol profissional. Sim, aquela de onde saiu a decisão de considerar comportamento indigno o facto de «fumar ou usar cigarro electrónico nas zonas técnicas ou expelir fumo ou quaisquer outras substâncias, tais como saliva, na direcção de dirigentes, jogadores ou quaisquer outros agentes desportivos». «Isto é uma palhaçada, uma indignidade», reagiu então o Sporting. E bem, porque se tratava de um ataque evidente a Bruno de Carvalho. E quem anulou tamanho disparate? A Federação Portuguesa de Futebol, a quem os tais deputados queriam (aparentemente com interesses ocultos...) dar o poder regulamentar, suscitando um tsumani de indignação, desde o Dragão até Alvalade.
Já se esqueceram todos? Têm memoria de peixe? Afinal aquela Assembleia Geral para aprovar o Regulamento Disciplinar foi, ou não, uma palhaçada?
Com tão triste exemplo do real poder de autorregulação dos clubes, é normal que alguém com um pouco de tino (e poder para isso) tenha entendido ser hora de mudar as coisas. Não foi agora, mas as bases estão lançadas. E aos clubes, e sociedades desportivas, fica o aviso: nem todos estão a dormir, há quem esteja atento. Ou atinam, ou passam a jogar com regras decididas por outros. Como acontece em todos os sectores da sociedade."

Ricardo Quaresma, in A Bola

PS: O jornalista aparentemente também se esqueceu que o ano passado a AG da Liga aprovou um medida, especifica, para impedir a presença de Rui Gomes da Silva num programa de televisão!!! Não me recordo de ouvir ou ler alguma 'indignação'...!!!

Simples...



Se quiserem ler toda a entrevista do João Gabriel, vão ao Gauchos, está lá tudo.

Sempre Federer

"Graças a jogadores como Federer e Cilic o ténis está muito mais civilizado, tendo voltado as boas maneiras de outros tempos, que se julgavam perdidas para sempre.

Roger Federer pode ser o homem perfeito, até pelas imperfeições dele. Claro que chorei quando ele chorou, depois de ter sido o primeiro a ganhar Wimbledon oito vezes. E outra vez quando vi chorar Marin Cilic. Até parece que a lesão de Cilic tornou mais aceitável a derrota dele. Por causa da lesão e da valentia que ele demonstrou, o público de Wimbledon que adora Federer teve o fair play de torcer por Cilic. Graças a jogadores como Federer e Cilic o ténis está muito mais civilizado, tendo voltado as boas maneiras de outros tempos, que se julgavam perdidas para sempre. Federer ganha Wimbledon pela oitava vez Federer perto do objectivo de voltar a ganhar em Wimbledon
O jogo em si foi necessariamente desequilibrado mas Federer não se poupou para tirar partido da fraqueza do adversário. Pelo contrário, aproveitou e foi impiedoso. É essencial para ganhar mas também é um sinal de respeito pelo outro jogador. Federer faz 36 anos no dia 8 de Agosto e é fascinante como o jogo dele incorpora a longa experiência que ele tem. Apesar de estar em forma Federer joga como se não estivesse, empregando truques de velhotes que jogam contra principiantes cheios de genica: efeitos mirabolantes, fintas, bolas improváveis e imprevisíveis.
É este o lado negro de Federer, a velha raposa. É incrível que Federer tenha jogado tão bem contra Cilic magoado como teria jogado caso Cilic estivesse impecável. Mas jogou. Também deu tudo o que tinha. Por isso é que o jogo foi tão curto. Não foi só contra Cilic: ganhou todos os sets que jogou. Não é só o melhor tenista de sempre. Melhorou o próprio ténis."

Benfiquismo (DXXXI)

Lá para dentro...

Que caça às bruxas?

"O futebol português é um mistério insondável: resultados desportivos de clubes e selecções, nos vários escalões, que nos orgulham e são bem melhores do que a dimensão do país prometia e o número de atletas federados previa e um modelo de negócio de sucesso, que coloca Benfica e FC Porto no topo da lista dos clubes que mais facturam com a venda de jogadores. Mas, depois, estes indicadores de sucesso coexistem com um ambiente degradado entre agentes e com instâncias que gerem e regulam tolhidas pela passividade. Como é que, apesar de tudo, o futebol português vai funcionando torna-se difícil de compreender.
A este propósito, a última magna questão que se tem colocado é a de saber se alguém com preferências clubísticas pode ter responsabilidades em órgãos dirigentes. De facto, num mundo perfeito, teríamos a chefiar a Liga, a Federação ou as estruturas da arbitragem adeptos de futebol devidamente higienizados e sem clube. Mas, felizmente, não existe esse mundo perfeito: quem gosta de futebol gosta, acima de tudo, do seu clube e o futebol não existiria sem paixões clubísticas. Alternativamente, o futebol português, de forma a não beneficiar os três grandes, seria dirigido, apenas, por adeptos do Belenenses, da Académica e do Boavista. Infelizmente, não há adeptos suficientes destes clubes para ocupar todos os lugares. Estamos condenados a ter o futebol português dirigido por benfiquistas, portistas e sportinguistas. Em si, não vem daí mal ao mundo: não vejo por que razão não é possível ter paixão clubística e exercer funções de direcção no futebol português com isenção e qualidade.
O mal-estar que se vive hoje no futebol português pouco tem a ver com um eventual fervor clubístico de quem o dirige, manifestado, há anos, em redes sociais. Prende-se, sim, com a passividade com que as estruturas dirigentes assistem à degradação do ambiente em torno do futebol. É possível a um clube redenominar, de forma abjecta, a Liga NOS (patrocinador oficial) como Liga Salazar e nada acontecer? Pode o presidente de um clube afirmar, em entrevista à imprensa económica internacional, que "há fraude e corrupção no mercado de transferência de jogadores" e que "é muito fácil roubar dinheiro a um clube" e a Liga assobiar para o lado ou, ainda, é permitido a alguém com responsabilidades num clube prometer "revelar", supõe-se, transcrições de conversas privadas de um presidente de outro clube e a Liga ficar à espera que isso aconteça para, só depois, agir?
Há de facto uma "caça às bruxas" que a Liga devia fazer: zelar pela imagem do futebol português, preservando-o de comportamentos indecorosos e promíscuos. Mas, para isso, era necessário que demonstrasse metade do vigor e da rapidez que revelou para defender, imagine-se, uma sua directora-executiva por causa de um post no Facebook em 2012."

Os milhões de Rui Vitória

"A terceira venda do Benfica no defeso eleva a soma para um valor que já ultrapassa bem o orçamento das águias para a temporada que agora se inicia. Primeiro foram os 40 milhões por Ederson. Depois os 35 por Lindelöf. E agora os 30 por Nélson Semedo. Os compradores são três gigantes (Manchester City, Manchester United e Barcelona) e aos 105 milhões já garantidos na Luz podem somar-se mais alguns em função de determinados objectivos. Ou seja, do ponto de vista financeiro, a época está ganha.
Esta dinâmica de sucesso desportivo e financeiro já existe há muito, mas é indiscutível que foi reforçada com a chegada de Rui Vitória. O Benfica tinha feito recentemente outros 3 super negócios com outras 3 super potências já sob influência do actual treinador: Gaitán por 25 milhões para o At. Madrid; Renato Sanches por 35 para o Bayern; e Guedes por 30 para o PSG. Conclusão: com Rui Vitória, o Benfica facturou perto de 200 milhões em apenas duas temporadas.
Há uma combinação de circunstâncias a determinar que as coisas sejam assim: os jogadores têm muito talento (em primeiro lugar), mas Vieira também é um negociador nato. É preciso dizer, por fim, que a qualidade de jogo da equipa também ajuda. Confirmando-se aqui a velha máxima: quem joga melhor está sempre mais perto de ganhar. Campeonatos e dinheiro. Muito dinheiro."

Vermelhão: avisos !!!

Benfica 1 - 5 Young Boys


Tal como o Cervi afirmou, estes tipo de resultados, não podem acontecer, nem a feijões (os emigrantes presentes mereciam muito mais)... mas o jogo, não se resumiu aos golos!
Até ao 1-3 (74 minutos) tivemos um jogo equilibrado, com o Benfica a jogar bem em algumas fases, e já na 2.ª parte, um penalty falhado logo seguido de uma grande oportunidade do Cervi, podia e devia ter dado o empate (2-2), mas não deu...
Vi o jogo num local público, e cometei com alguns 'desconhecidos' Benfiquistas, que até estava positivamente surpreendido com a intensidade do jogo do Benfica, logo no 2.º treino 'público' da época, com muita velocidade, num jogo durinho... Mas também avisei, que o 2.º tempo, com as substituições, e com o adversário mais adiantado na preparação, iria ser muito complicado...!!!

O cansaço, a falta de rotinas e a falta de experiência de muitos dos que entraram, acabaram por resultar nuns minutos finais pavorosos... Também houve por ali, algumas experiências tácticas que não ajudaram...!!!
O Young Boys tem na próxima o primeiro jogo oficial, e daqui a 10 dias, tem a 3.ª pré-eliminatória da Champions, onde vai disputar com o Dinamo de Kiev o acesso ao Play-off... Está claramente melhor fisicamente, e encarou o jogo, como fosse um jogo oficial, com muito poucas substituições, gerindo toda a partida como se fosse um jogo a 'sério'... e isso ajuda a explicar muito do que se passou no final...

Nos próximos dias, o Grimaldo, o Samaris e o Mitro vão regressar... No próximo jogo, no Algarve, com o Bétis, já vamos ter mais jogadores disponíveis... e hoje, por exemplo, o 'descalabro' deu-se após a saída do Fejsa... e sem o Samaris tudo fica mais difícil!!!

Não tenho nada de pessoal contra o rapaz, e também não sou demasiado teimoso, mas muito sinceramente o Pedro Pereira, não pode fazer parte do plantel do Benfica! Não pode ser 1.ª opção, nem 2.ª, nem 3.ª... Praticamente todos os golos sofridos na 2.ª parte, tiveram interferência do jovem... alguns, após erros infantis... e até podiam ter sido mais, porque os erros sucederam-se!!! O Buta é muito melhor jogador... e mesmo sem o ter visto jogar, tenho a certeza que o Alex Pinto é melhor!!!
Nunca entendi a re-contratação do Pedro Pereira... talvez uma qualquer 'compensação' com os empresários, talvez não sei... mas não acredito que o Boto tenha 'pedido' o Pedro Pereira!!!

Outro motivo de preocupação: o Jardel! Eu sei que o Jardel precisa de minutos, mas voltou a falhar no posicionamento, parece que perdeu velocidade... em resumo, estou muito preocupado! Se o Luisão manter a titularidade, o parceiro terá que ser muito rápido... 

Noutro sentido, o Filipe Augusto terá feito hoje provavelmente, na 1.ª parte, o seu melhor jogo pelo Benfica! O Seferovic voltou a dar boas indicações, mas também mostrou que é bastante diferente do Mitro... em ataque organizado, não é o típico finalizador de área, acaba sempre por 'descair' ao estilo do Jiménez.

Estes maus resultados na pré-época servem exactamente para isto: analisar, reconhecer as lacunas e corrigir os erros...
Fala-se nos 'corredores' que o Benfica está a tentar contratar um Guarda-redes (Karius, quem sabe!!!) e caso apareça uma boa oportunidade, um Central de qualidade indiscutível... Pessoalmente, acrescento a obrigatoriedade de contratar um Defesa-Direito... Neste momento, no plantel principal, a única opção válida é o André Almeida!!!!



PS1: Parabéns aos nossos jovens: Gedson, Jota, Florentino e Dju que se sagraram Vice-Campeões Europeus de sub-19. Foi pena a Final perdida, mas a Inglaterra tem mesmo melhor equipa... e os erros que cometemos neste jogo, somado aos erros na gestão das convocatórias das Selecções neste Verão, foram demasiado graves!!!

PS2: Parabéns aos nossos jovens Hoquistas, pelo título de Campeão Nacional de Sub-20.

sábado, 15 de julho de 2017

Vender e ficar contente

"O campeão voltou para o seu primeiro joguinho da pré-temporada depois de duas semanas de trabalhos no Seixal. O campeão apresentou-se num campo suíço e venceu tranquilamente o Neuchâtel Xamax por duas bolas a zero. O resultado tal como a exibição, a exibição possível nesta fase mais do que prematura, terão agradado ao público benfiquista sem causar, no entanto, qualquer espécie de sobrexcitação no que respeita às expectativas para 2017/2018.
O campeão voltou mas vamos com calma até porque o campeão que voltou não é o mesmo que se viu festejado num sábado de Maio por todas as rotundas do país e, uma semana depois, no Vale do Jamor num final de tarde chuvoso e alegre. Entretanto já saíram, a peso de ouro, o guarda-redes, o lateral direito e um central. Se isto é para continuar – e é – ainda vão sair mais um central, mais um defesa-esquerdo, mais um médio ou dois e ainda uns quantos alas e mais um ou dois pontas-de-lança. O Benfica também é "uma casa portuguesa com certeza", como a que rezava uma velha canção. "A alegria da pobreza é esta grande riqueza de dar e ficar contente…", lembram-se? No caso em apreço é só substituir "dar e ficar contente" por "vender e ficar contente" e logo se nos apresenta, sem distorção, o retrato fiel da realidade financeira dos nossos clubes de primeiríssima água.
Haja alegria! Desde que se mantenham o bruxo, o Fejsa e o Jonas não é de crer que o desmembrar da equipa que foi tetracampeã afecte o espírito indomável da nação benfiquista. Mas importante mesmo é não perder o sérvio, que já vai no seu 9.º título internacional consecutivo, e o grisalho Jonas, esse artista fabuloso que é o nosso Sol da Primavera, ou não é?
Por tudo isto, o jogo na Suíça, para os adeptos benfiquistas, não passou disso mesmo: um jogo na Suíça com suíços que terminou em vitória e simpática invasão de campo. Porém, para os adversários internos do Benfica o desafio com o Xamax foi um escândalo, o primeiro da temporada a anunciar todos os que se avizinham mantendo-se este infame estado das coisas. Vejam bem: no 2.º minuto de jogo, o árbitro, um suíço infecto, anulou um golo ao Xamax. Não é que o jogador que fez chegar a bola ao fundo das redes à guarda de Júlio César não estivesse em posição irregular mas, com franqueza, sendo todo o lance de desenho milimétrico bem poderia o fiscal-de-linha não ter dado pelo adiantamento do fulano.
Como se esta atrocidade não bastasse, o mesmo árbitro decidiu no minuto seguinte, o 3.º minuto do jogo, apontar para a marca de penálti quando viu o guarda-redes do Xamax abalroar o velho Jonas. Não é que não tenha havido falta para castigo máximo. Mas, com franqueza, haveria necessidade de vir um sacana de um árbitro suíço fazer cumprir a Lei só pelo prazer de oferecer a Jonas a autoria do primeiro golo do Benfica no curso de 2017/2018?"

A liberdade de inexpressão

"O futebol julga-se um estado dentro do estado, com os seus tribunais próprios.

O nosso futebol conta com a desajuda de uma regulamentação disciplinar frequentemente idiota que, na sua essência, afronta a própria Constituição.
O futebol julga-se um Estado dentro do Estado com os seus tribunais próprios e não deixa de ser verdade que ao longo de décadas, de regimes e de modas, tem-se imposto imperialmente num patamar de excepções que ninguém se atreve a colocar em causa. Até um dia…
Tomemos os casos das "suspensões" do presidente e do director de comunicação do Sporting e do director de comunicação do FC Porto por força de um uso torrencial de palavreado considerado difamatório para uns quantos "agentes" da indústria.
Um qualquer dos muitos órgãos disciplinares da Liga ou da FPF entendeu suspender os referidos palestrantes das suas funções considerando, abusivamente, que a função de falar em público ou para o público se encontra abrangida pela penalização.
Ora não foi para isto que se fez o 25 de Abril. Os órgãos disciplinares do futebol português têm o dever de salvaguardar o bom-nome da sua tropa mas não podem, em caso algum, mandar calar as vozes e as nozes que, mesmo passando das marcas, se atrevem a atirar para o lamaçal os costumes diários das suas gentes.
O que significa, em termos práticos, a "suspensão" de um dirigente ou de um funcionário de um clube? Basicamente, é ficar calado por lei tal como nos tempos do Estado Novo se silenciavam as vozes discordantes. Nada disto faz sentido no século XXI.
Se há matéria impura nas alocuções dos homens do futebol existem os tribunais civis para se resolverem essas questões. Já terão dado conta, certamente, que a partir do momento em que Bruno de Carvalho e Nuno Saraiva foram "suspensos" e mandados calar todas as notícias nos três jornais desportivos sobre a vida política e desportiva do Sporting se iniciam com uma frase-truque – "segundo fonte oficial de Alvalade…" – e que é também um insulto à liberdade de expressão em geral, à ética profissional dos jornalistas e à inteligência dos seus leitores.
O director-suspenso de comunicação do FC Porto lamentou há dias no Twitter este estado das coisas citando a Constituição no que diz respeito à expressão livre do pensamento consagrada na lei. Tem razão Francisco J. Marques. À Constituição não escapa nada e ainda bem.
Até dispõe de um artigo dedicado à "violação de correspondência ou de telecomunicações" em que aponta uma "pena até um ano de prisão" para "quem, sem consentimento, divulgar o conteúdo de cartas, encomendas, escritos fechados ou telecomunicações". À bola o que é da bola, à justiça o que é da justiça.

Outras Histórias
Investida castelhana por mar
Resta agora a Ronaldo contratar a padeira de Aljubarrota
As autoridades fiscais espanholas avançaram até ao iate onde Cristiano Ronaldo passa férias com a corte que sempre o acompanha nestas ocasiões estivais e procederam a "buscas" na embarcação.
O jogador e "capitão" do Real Madrid tem vindo a ser acusado de beneficiar de um ardiloso esquema de fuga ao fisco e está sob a mira de uma investigação judicial.
No mesmo dia em que viu a polícia entrar-lhe pelo barquinho, Cristiano Ronaldo publicou uma fotografia dele próprio com toda a sua alegre trupe escalonados numa piscina suficientemente grande para caberem todos. Não se sabe o que o fisco espanhol encontrou no iate.
Sabe-se apenas que as relações diplomáticas entre os dois países peninsulares podem vir a ser abaladas por este incidente que põe em causa uma paz de séculos.
Resta a Cristiano Ronaldo continuar a marcar golos e contratar a padeira de Aljubarrota para que, de pá na mão, impeça a progressão castelhana como o fez há 7 séculos em Aljubarrota. Invejosos."

O fabuloso mercado da Luz

"É sempre mais fácil trabalhar em cima de vitórias. A frase consta naquele manual de instruções básicas que parece acompanhar muitos dos nossos treinadores mas também se pode aplicar a outros níveis deste magnífico espectáculo/negócio que é o futebol. Veja-se o caso do Benfica. Em cima do sucesso desportivo, o clube da Luz soma triunfos no capítulo financeiro, facilitados, lá está, pela tranquilidade dos últimos quatro títulos consecutivos. Não nos deixemos enganar, claro que Luís Filipe Vieira quer ganhar o penta. Mas o tetra dá-lhe créditos suficientes para olhar/encarar o mercado sem medo de deixar sair, supervalorizados, os seus principais activos. Até agora tem-se dado bem com essa estratégia e não há motivos para fazer diferente. Assim se explica que na Luz tenham já entrado mais de 110 milhões de euros, recorde absoluto na história da águia, que até tem fama de vender caro. E o mercado ainda agora está a começar.
Claro que há riscos numa política deste género. O FC Porto já viveu tempos igualmente áureos e agora é o que se vê. Daí que este mercado de transferências estivesse, percebe-se, a preocupar os benfiquistas, que têm visto os rivais (bem, em especial o Sporting) a reforçar-se com nomes de peso, numa espécie de tudo ou nada pela conquista do título. Nesse capítulo, a notícia ontem dada por A Bola de que o Benfica quer fazer regressar Renato Sanches foi recebido com natural entusiasmo. Não porque Rui Vitória ganharia um reforço de peso - veremos se a vontade de clube e jogador chegam para concretizar o negócio -, mas por ter mostrado que na Luz estão atentos ao mercado. Que as vitórias não são sonolência, só tranquilidade. Isto ainda vai mexer muito..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Os políticos, os clubes e o futebol

"Muitos políticos entendem que o futebol é demasiado importante para ser entregue à insanidade de alguns dirigentes desportivos

No final da segunda guerra mundial, quando já não havia dúvidas para que lado iria pender a vitória, a oposição portuguesa, dispersa e pouco respeitada pela lembrança viva da desorganização da Primeira República, acreditava que os aliados não iriam deixar que Salazar continuasse no poder em Portugal e que Franco continuasse no poder, em Espanha. Assim, a ideia quase generalizada era a de que Portugal e Espanha beneficiariam da oferta de um regime democrático, com eleições livres e escolha popular.
A verdade é que, como bem se sabe, tal não aconteceu. Salazar e Franco continuariam, segundo alguns testemunhos históricos, precisamente porque, em Portugal, ausência de uma oposição organizada, que não fosse a do Partido Comunista Português, tal, como em Espanha, o medo de vingança de um republicanismo esquerdista levaram os aliados, em especial os ingleses, a tomarem a decisão estratégica de deixar sobreviver as duas ditaduras, porque poderia ser o mal menor para a Europa.
Também em Portugal, já depois da certeza de que o regime unipartidário iria resistir, Salazar achou por bem justificá-lo em pequenas e confiáveis audiências. Para o chefe do governo da ditadura nacional, as democracias só faziam sentido nos países onde os povos estavam preparados para ela, como era o caso da Inglaterra. Porém, na Europa do Sul, seria demasiado arriscado pedir a um povo inculto e ignorante que decidisse sobre si e sobre os seus países.
Vem esta pequena revisão histórica a propósito da ideia que passou (e passa) por boa parte dos partidos que compõem a nossa Assembleia da República, que passa por propor uma intervenção directa no supostamente autónomo movimento associativo, mudando regras e alterando responsabilidades estatutárias dos organismos que dirigem e organizam o futebol nacional, a Federação e a Liga.
O amplo movimento de deputados que defende uma intervenção directa na regulação do futebol profissional, impondo a passagem das áreas disciplinares e de arbitragem da Liga, ou seja, dos clubes, para a Federação, tem como ideia central que os clubes não sabem autorregular-se. Pensam, mesmo, que não só não se regulam, como desregulam o futebol profissional.
Entende, assim, um número muito significativo de políticos com funções e responsabilidades legislativas que o futebol é demasiado importante para ser entregue à insanidade que alguns dirigentes de clubes têm vindo a exibir.
A questão, porém, é melindrosa. Na verdade, será muito difícil, para não dizer, mesmo, impossível que haja qualquer regulação do futebol nacional sem os clubes profissionais ou, o que vem dar ao mesmo, contra os clubes de futebol profissional.
Podemos, no entanto, estar perante um daqueles impasses em que o país, na sua parte medíocre e mesquinha, é fértil, porque, de facto, e pelo que demonstraram com exuberante desfaçatez, os clubes, como diziam os romanos dos lusitanos, não se regulam nem se deixam regular.
Entre as fórmulas da imposição política e a da bagunça das assembleias da Liga, tem de haver um modo mais inteligente e racional de resolver o futuro do futebol em Portugal. Como sempre, em matérias sensíveis e de dimensão nacional, a melhor solução passa pela responsabilidade política do Estado, que deve trabalhar no sentido de encontrar pontos de convergência para consensos essenciais e por isso deve encontrar um eficaz modelo de discussão, ouvindo e discutindo primeiro, para decidir depois. Uma solução como essa obriga, naturalmente, clubes e outra entidades e assumirem responsabilidades. Coisa a que, aliás, não estão habituados.

Ninguém quer comprar o Luisão?
O Benfica está perto de vender toda a sua defesa. Sejamos rigorosos, toda a sua defesa, menos Luisão. É injusto para o elogiável capitão do Benfica. Luisão tem tantos anos como o Benfica tem títulos de campeão nacional. Pode parecer antigo, mas a longevidade de hoje, não é a mesma de há cinquenta anos. É um jogador experiente e isso tem um valor. Se não em Bayern, ou Barcelona, num clube da China ou das arábias. Assim, o Benfica ficaria no Guiness como o clube que, num ano, vendeu toda a sua defesa. Guarda-redes incluído.

(...)"


Vítor Serpa, in A Bola

PS: Tanta conversa, e bastava recordar a última intervenção directa do Governo nos regulamentos: a redução da I Liga para 16 clubes!
O que aconteceu depois?! Até se criou a Taça da Liga, para 'esticar' a época, mas pouco depois, aproveitando o 'caso Boavista', a I Liga voltou aos 18 clubes, com a promessa que mais tarde iria 'regressar' aos 16, mas isso nunca aconteceu... bem pelo contrário, com o 'caso Gil Vicente' ainda vamos ter a I Liga com 20 clubes!!!
Por estas, e por outras, é que os clubes não tem 'competência' para se auto-regularem...!!!

Proença cada vez mais isolado

"No caso dos emails acordou quando a conversa do bruxo já estava estafada.

O PSD retirou uma proposta de alteração legislativa que visava atribuir às Federações com provas profissionais a regulamentação da arbitragem e da disciplina.
Em teoria, com uma mão dava-se mais poder à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e com a outra tirava-se o pouco que a Liga de Clubes tem.
A proposta social-democrata, doutrinariamente falando, fazia sentido, porque a Liga deve concentrar-se, tão-só, na gestão dos quadros competitivos e na defesa da indústria, por sinal muito maltratada, precisamente por aqueles a quem compete cativar público para encher os estádios.
Em termos substantivos, era igual ao litro, pois a Assembleia Geral da FPF já tem poder de veto sobre os regulamentos disciplinar e de arbitragem da Liga – um exemplo paradigmático é o do ‘chumbo’ da polémica norma para proibir o fumo (do cigarro de Bruno de Carvalho) na chamada zona técnica.
O que também não faz sentido é o cada vez mais isolado Pedro Proença – desta vez, célere nas reacções à abortada proposta do PSD, ao contrário do que sucedeu no caso dos queridos emails, acordando quando a conversa do bruxo já tinha passado à reserva – argumentar com um golpe à autorregulação, pois, com estes dirigentes, ela é impossível.
Por isso, é fácil perceber a razão de as receitas dos clubes portugueses serem quase 13 vezes menores do que as dos ingleses."

Benfiquismo (DXXX)

Ser Benfiquista...
Luís Piçarra e Paulino Gomes Junior

Uma Semana do Melhor... com o 'inimigo'!!!

Atacar o penta com a defesa do tri

"Sem mais de metade dos titulares e com a ferrugem do primeiro jogo-treino, vencemos adversário esforçado. Sporting empatou 0-3.

Ontem já houve bola, começou a pré-época com um bom indicador - um advogado chega seis minutos atrasado a casa e perde logo o primeiro golo da época. Jonas mostrou-se impiedoso com adeptos que se atrasam a chegar ao sofá. Foi merecido. Sem mais de metade dos titulares e com a ferrugem do primeiro jogo-treino, vencemos um adversário esforçado, com a preparação mais adiantada, mas que não resistiu ao perfume de Jonas e a bons indicadores de Diogo Gonçalves.
Há notícias da venda de Nélson Semedo e a maioria dos adeptos não fica satisfeita com negócios porque o negócio dos adeptos é ter os melhores e ganhar títulos. É a parte emocional, sempre difícil de conjugar com a parte racional de quem tem que manter uma gestão equilibrada.
Os adeptos sabem que dos cinco titulares da defesa do tetra teremos vendido três. Podem ter sido €100 milhoes, muito dinheiro, mas deixam saudades. Não tendo a defesa do tetra, teremos de atacar o penta com a defesa do tri. Todos conhecemos a máxima importada do basquetebol, que um bom ataque ganha jogos e uma boa defesa ganha campeonatos.
O sorteio da Liga ditou um caderno de encargos muito duro logo de inicio (Braga, Chaves) e o tempo é pouco.
A pré-época também se joga muita na gestão da expectativas. O FC Porto, com o anúncio mediático do descalabro, com as sanções e condições da UEFA e com as anunciadas dificuldades financeiras , ficou numa situação de muito baixa expectativa. Há um bom aproveitamento de activos, as duas maiores vendas (Rúben Neves e André Silva) são negócios indiscutivelmente bons. Casillas e Maxi são problemas que vêem de trás, tudo que vejo na pré-época deste ano no rival azul e branco me parece fruto de decisão ponderada e de critério (Aboubakar, por exemplo). Teremos um FC Porto a lutar por títulos e pela sua sustentabilidade. Este FC Porto parece menos panfletário e mais eficaz e será candidato. No caso do Sporting vivemos a situação inversa. A expectativa vendida é máxima, as compras, os anúncios e as dispensas fazem com que a única classificação possível aos olhos dos seus adeptos seja ser campeão. Qualquer outro cenário faz com que estes adeptos, dedicados e fieis, não tolerem mais a semântica dos seus responsáveis. Ontem, num treino mais a sério, empataram 0-3 com o Valência, mas também serão fortes candidatos aos mesmos objectivos.
Quase todos, porque dia 5 de Agosto jogo o Benfica e o Vitória de Guimarães."

Sìlvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sempre o mesmo querido

"Num país como Portugal, em que o clubismo é distribuído assimetricamente e concentrado em três clubes, seria impensável que a maioria dos dirigentes das diversas entidades que tutelam e gerem o futebol e as suas competições não fossem adeptos de Benfica, Porto ou Sporting. Impensável seria também que esses dirigentes não se tratassem de adeptos militantes, ou não seriam, de facto, verdadeiros adeptos. Logo, parece-me natural que, anteriormente ao exercício de funções com responsabilidade na gestão do futebol, esses dirigentes, então meros adeptos, tenham exteriorizado o seu amor clubístico sob as mais diversas formas, incluindo a antipatia pelos rivais.
Daí até ao acinte com que Sónia Carneiro, a directora executiva da Liga, se terá referido ao Benfica vai alguma distância. O seu pedido de demissão seria a atitude mais honrada, mas essa não é, do meu ponto de vista, a principal questão.
Preocupa-me muito mais que a Liga e o seu presidente Pedro Proença, um antigo árbitro com uma carreira previsivelmente bem-sucedida na arbitragem - as inúmeras actuações desastrosas em desfavor do Benfica assim o indicavam - tenham saído a terreiro para defender a portista e antibenfiquista Sónia Carneiro quando, há poucos meses, deixou cair o benfiquista João Pinheiro devido, de acordo com o jurista demissionário, à pressão exercida pelo Sporting e, subsequentemente, por não ter sentido, da parte de Pedro Proença, o apoio que entendia merecer.
Estes dois pesos e duas medidas são um claro exemplo de quem é o dono de Pedro Proença. Antes ladrava com um apito, agora fá-lo engravatado. Um querido! E a caravana do tetra vai passando, desejavelmente a caminho do penta."

João Tomaz, in O Benfica

Demitam-se, já!

"Quando foram despachados pelo B. Munique com 12 golos, fiz um post no Facebook sobre isso. E voltei a repetir quando o Ruiz safou uma bola de golo para a bancada e nos deu o campeonato. Ou quando o Tondela os fez voltar à terra, mais uma vez, como sempre nos últimos 15 anos. No momento a seguir aos rabiscos num cavalete, também fui às redes sociais deixar a minha opinião sobre as qualidades artísticas do actual treinador do Wolverhampton.
E sempre que posso, recordo aos adeptos das Antas, o passado de alternadeiras, aconselhamentos matrimoniais, férias pagas no Brasil, fugas para Vigo, associações criminosas - e por aí adiante - dos seus dirigentes. Quando comento alguma coisa na net sobre outros clubes, deixo-me ficar pelos factos. É a melhor forma de ficarem sem reposta. Porque eles sabem o que fizeram nos Verões passados, da década de 80 até agora. É nossa altura que as virgens ofendidas põem a cabeça de fora da toca para escrever sobre mitos como 'clube do Estado Novo', 'Calabote', 'e-mails' e 'vouchers'. Coitados, deve ser tão miserável não encontrar uma única prova de qualquer crime e ter de recorrer à insinuação e à mentira para disfarçar os fracassos desportivos e financeiros. Sou livre para fazer piadas com os meus adversários e pôr o dedo nas suas feridas. Sabem porquê? Porque não sou director-executivo da Liga. E muito menos presidente do organismo. Ninguém me obriga a ser isento em relação a outras equipas, não tenho responsabilidades - nem o desejo - de representar o futebol português. Eu sou um adepto, posso fazê-lo. Já a antibenfiquista que está na Direcção da Liga que engloba todos os clubes que disputam os campeonatos profissionais de futebol deveria saber o que é um cargo institucional. E o seu superior, que correu em desespero para tentar salvá-la, também."

Ricardo Santos, in O Benfica

O calendário

"Sorteio é sorteio. E a menos que duvidemos da temperatura das bolas, há que aceitar o desenlace, tal como diariamente temos de aceitar a meteorologia.
No caso do Campeonato, a relevância da roda da fortuna não é a mesma que numa competição por eliminatórias ou por grupos. Todos jogam contra todos, pelo que a única coisa verdadeiramente sorteada é a ordenação do calendário ao longo do ano. Independentemente daquilo que cada jornada nos reserva (e a primeira é logo a doer), há que questionar alguns aspectos dúbios da calendarização futebolística que teimam em manter-se, e outros que são novidade sem que se perceba bem porquê.
O início do Campeonato a meio da semana é uma excentricidade que carece de explicação. Assim como o facto de, entre dia 2 de Outubro e dia 24 de Novembro, se realizarem apenas três jornadas, para mais tarde encavalitar uma outra (por sinal, com um Benfica-Sporting) a meio da semana que antecede o Natal. Também seria lógico que a mudança do ano civil coincidisse com a passagem da primeira para a segunda volta, mas pedir critério nestas questões seria como bater com a cabeça numa parede.
Quanto às jornadas propriamente ditas, além do Benfica-SC Braga a abrir a competição, e do dérbi natalício (com a penúltima jornada a jogar-se em Alvalade), há que destacar um FC Porto-Benfica a poucos dias do último jogo da fase de grupos da Champions, com tudo o que isso pode significar para cada uma das equipas - o apuramento resolvido poderá fazer a diferença.
Mas primeiro há Supertaça. Começar a temporada com um troféu nas mãos seria o melhor tónico para o que se segue."

Luís Fialho, in O Benfica

Duas finais

"Os tetracampeões começam a Liga NOS 2017/18 na Luz e terminam a prova em casa. Será um Campeonato muito disputado, com o Sport Lisboa e Benfica a querer alcançar um novo desígnio histórico - a conquista do pentacampeonato. Serão 34 batalhas duríssimas, nove meses com imenso sangue, suor e lágrimas para derramar. Vamos ser todos desafiados a dar o melhor de nós próprios, e estou convicto de que nos tem caracterizado nas últimas quatro temporadas, teremos todas as condições para festejarmos no dia 13 de Maio de 2018. O primeiro jogo será muito difícil, frente ao SC Braga, quinto classificado da Liga 2016/17 e que é, neste momento, o terceiro melhor clube português no ranking da UEFA. É verdade!
O SL Benfica volta a ser o melhor clube nacional no prestigiado ranking europeu, figurando no Top 10 (9.º lugar). O FC Porto é o 13.º, e a melhor equipa portuguesa, logo a seguir, é o Sporting... de Braga. Leu bem!
Os minhotos estão dois lugares à frente do nosso eterno rival. O que diz muito acerca da qualidade do trabalho que vem sendo realizado em Braga desde a altura em que o presidente António Salvador assumiu o comando dos bracarenses. Será um início de época frente aos dois poderosos clubes do Minho. V. Guimarães e SC Braga fizeram uma época notável e merecem todo o nosso respeito. Serão duas verdadeiras finais em apenas cinco dias. Quer na Supertaça, em Aveiro, quer na Liga, na Luz, teremos de marcar presença e apoiar os nossos heróis do primeiro ao último minuto. As recentes notícias devem animar-nos, pois já passámos a barreira dos 200 mil sócios. Desde que dizemos a remuneração, entraram mais de 45 mil novos sócios."

Pedro Guerra, in O Benfica

Ei-los que partem

"A música de Manuel Freire transformou-se numa ode à coragem dos imensos portugueses que decidiram procurar sustento noutras paragens nos anos 60, fugindo muitas vezes à miséria rural da ditadura. Nos últimos tempos, quando a troika laborava em pleno em Portugal, foram muitos os que tiveram de voltar a fazer-se ao caminho da vida longe de casa. Entre as muitas reportagens que li, talvez a mais tocante tenha sido a de uma filha única que, ao despedir-se da mãe, lhe deixou uma jura para a vida: «Nunca de deixarei morrer longe de mim».
É costume considerar que o futebol é um mundo à parte na sociedade. Não, não é. É verdade que tem regras e idiossincrasias próprias, gera imenso dinheiro, cria ídolos e destrói-os mas, na prática, os futebolistas quando procuram uma vida (ainda) melhor têm de sair do país. Cá no burgo, os futebolistas ganham muito bem para a média dos trabalhadores - sem qualquer dúvida. No entanto, quando vão para o estrangeiro vão auferir salários duas ou três vezes superiores e é quase impossível segurá-los.
O último é Nélson Semedo, que tem o Barcelona como destino. Dos 23 jogadores convocados por Fernando Santos para a Taça dos Confederações, excluindo o já ex-benfiquista, só três ainda não jogaram, já profissionais, no estrangeiro: Rui Patrício, José Sá e Adrien... o leitor pode não se lembrar, mas William Carvalho esteve no Cercle Brugge e Danilo no Parma.
O sucesso dos jogadores portugueses no estrangeiro, aliado aos dos treinadores, tem sido indiscutível, óbvio. Para equilibrar a balança comercial do país, Portugal tem de exportar. Vendemos muita coisa, mas talvez o negócio mais rentável seja a comercialização do talento. Pena que nas outras áreas, quem acolhe os portugueses, não pague a quem os deixa sair. Certamente, estaríamos bem melhor."

Hugo Forte, in A Bola

'Justiça' por sondagem !!!

"Durante várias semanas, o Expresso substituiu o director de comunicação do Porto como denunciante dos famosos emails que estão sob investigação do Ministério Público. Amanhã, o semanário vai prosseguir a sua sanha inquisitória, tentando antecipar-se aos resultados dessa investigação policial. Desta vez, vai publicar uma sondagem que apresentará um resultado que convenientemente serve a narrativa do Apito Furado. Considera essa sondagem que 58 por cento dos inquiridos acreditam que os e-mails apresentados configuram os crimes de corrupção e tráfico de influências.
Mais curioso ainda é que a sondagem foi realizada pela empresa de Rui Oliveira e Costa, conhecido adepto do Sporting e um dos comentadores televisivos que mais tem alinhado pela cartilha portista e do seu director de comunicação. Digam lá que não há coincidências giras no futebol português...."


PS: O Benfica sempre a inovar: agora temos 'justiça' por sondagem!!! Extraordinário...!!!
É preciso ter mesmo muita lata, depois de semanas e semanas de uma campanha de propaganda vergonhosa, com participação activa do Expresso e principalmente do seu funcionário Pedro Candeias, agora com a 'fonte' a secar, e com a 'narrativa' a ruir, temos direito a uma sondagem...!!! Se calhar para aferir o impacto da narrativa mentirosa!!!!

NetPress... pós-jogo

Alvorada... 'problemas' na defesa!

Precisamos do Renato de volta e, sobretudo, precisamos que o Bayern pague parte do salário. “Portanto, vê lá isso”

"Olá, Renato. Não nos conhecemos. Sou apenas um entre milhões de adeptos que amam o Benfica tal como tu. Não nos conhecemos, mas acho que sei algumas coisas acerca de ti.
O Renato que eu conheço é uma força da natureza capaz de levar tudo à frente e deixar qualquer dia mau para trás.
O Renato que eu conheço é uma improbabilidade estatística, mais uma de tantas produzidas pelo nosso futebol, pelo trabalho associado a um talento que não se antecipa mas estava escrito.
Dizem que o Renato que eu conheço faz lembrar o Davids em campo. Eu cá não sei quem é que me fazes lembrar. Não me ocorre o nome de outro jogador exactamente como tu. E isso é bom. Escreve a tua história e marimba-te no resto.
O Renato que eu conheço não se deixa intimidar pela adversidade nem se esconde do adversário. Finta, pressiona, insiste e resiste até a bola ser sua e a derrota dos outros.
Dizem que o Renato que eu conheço foi apaparicado pela imprensa e levado ao colo pelo hype. Chegaram a dizer que o Renato que eu conheço é trintão como eu. Quem dera aos trintões, eu incluído, terem um décimo da tua fúria. Nós trintões não conduzimos as nossas vidas como tu conduzes a bola. Por isso não, não preciso de ver o BI. És um jogador de outro tempo, isso sim, à antiga. À Benfica.
Ainda assim, o Renato que eu conheço nunca deixou de jogar como se fosse apenas mais um. Mais um dos que jogam, um dos que juram pelo manto sagrado. O Renato que eu conheço talvez não chegue a ler isto, mas decidi tentar na mesma. Se eu pudesse pedia ao Chief Keef, ao Future ou ao K-Dot para te passarem este repto em forma de verso, mas nenhum deles me atende o telefone, portanto segue nesta prosa humilde.
O Renato que eu conheço é um miúdo ligeiramente irresponsável que falha os passes do modo mais enternecedor que já vi. Ainda bem. Não é um jogador feito, mas tem tudo para se fazer.
Dizem os especialistas mais despojados que, para sermos felizes, basta o amor e uma cabana. Para um futebolista não é bem assim. A carreira é curta, a pressão mais que muita, e os contratos nem sempre abundam. É aí que entram a estratégia e o planeamento, Renato, essas malditas convenções dos seres pensantes que nunca falharam um passe e teimam em querer saber onde é que nos vemos daqui a 5 anos. Eu sei lá.
O saber acumulado pela estratégia dir-nos-á que um futebolista emigrado aos 19 anos de idade não tem nada que regressar ao clube que o formou um ano depois. Tem que continuar a ganhar mundo, músculo e milhões em ligas mais competitivas. A minha discordância em relação a este ponto é profunda e romântica.
O Renato que eu conheço deve obedecer, antes de mais, ao imperativo emocional. O Renato que eu conheço tem uma oportunidade única de ser o primeiro vencedor do prémio Golden Boy a dar meia volta para regressar ao local onde foi feliz. Tem uma oportunidade de, mais uma vez, fazer aquilo que dele não se espera em campo e ganhar metros ao adversário fazendo um caminho cada vez menos percorrido: o do amor à camisola. É esse que nos traz de volta.
Precisamos do Renato destemido que quase deitou a Luz abaixo com aquele remate fora da área. Precisamos do Renato trabalhador. Precisamos do Renato carismático. Precisamos do Renato impiedoso. Precisamos do Renato no Marquês. Não precisamos do Renato salvador. Como sabes, o Benfica está bem e recomenda-se. Precisamos do Renato temido pelos adversários, que joga sempre um contra onze, acompanhado de pelo menos mais dez futuros pentacampeões. E bom, em nome do realismo, precisamos que o Bayern pague uma parte do salário desse Renato. Vê lá isso com eles.
O teu patrão Rummenigge disse ontem que precisas de mais minutos em campo. Eu concordo. Tu e nós, benfiquistas. Depois foi a tua vez. Disseste nas redes sociais que fica mais difícil se não acreditares em ti. Concordo. Mas olha: fica muito mais fácil quando tens milhões que acreditam em ti. Quero acreditar que o Renato que eu conheço sabe isto. Cá te esperamos, miúdo."


PS: Por acaso, neste momento, o Renato precisa mais do Benfica, do que o Benfica precisa do Renato! Temos vários opções para o meio-campo, alguns vão mesmo ser emprestados... o Renato em boas condições seria sempre uma mais-valia, mas neste momento existem outras posições mais carenciadas...!!!

Benfiquismo (DXXIX)

Saudades...

Aquecimento... Estreia