Últimas indefectivações

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Calha a todos

"Na noite de terça-feira lembrei-me do «para cá vai dando» de Jesus, vendo na Champions um ou dois jogadores do FC Porto. E pensei com os meus botões: calha a todos.

JORGE JESUS,  no fim do jogo em Cinfães para a Taça de Portugal, empurrou um jogador do Benfica! Vieram-me aborrecer com esta história - mais uma do género - alguns amigos de clubes rivais.
É verdade que empurrou. Não consegui descortinar quem foi o empurrado desta vez embora, pelas imagens, se perceba a intenção do treinador, aparentemente inocente ainda que à má-fila.
Com uma exibição sofrível, uma equipa maioritariamente composto por reservistas e jovens da equipa B conseguiu vencer o Cinfães por 1-0 e Jorge Jesus, terminado o desafio, mandou o pessoal todo agradecer  apoio prestado pela bancada pejada de benfiquistas.
Nada de anormal, até aqui. O empurrão ao dito jogador do Benfica também não foi assim tão grande anormalidade, para quem conhece as maneiras pouco diplomáticas do nosso treinador.
É apenas caso para se dizer que, fiel a si próprio, Jorge Jesus lá deu mais um encosto num dos seus pupilos. Até hoje, o empurrado não se queixou.
O árbitro do jogo foi Rui Costa, da Associação de Futebol do Porto. E este, sim, esteve muito infiel a si próprio, ao contrário do treinador do Benfica.
E porquê?
Porque o mesmo Rui Costa que validou o golo de Jackson Martínez que permitiu ao FC Porto trazer 3 pontos da viagem a Paços de Ferreira, invalidou o golo com que Steven Vitória teria aberto o marcador em Cinfães. A decisão de Cinfães seria sempre difícil de aceitar porque, na verdade, o jogador do Benfica fez um salto limpo e cabeceou com maior limpeza ainda para a baliza cinfanense.
Mas ainda mais difícil se torna de aceitar a invalidação do golo de Steven Vitória quando se recorda o golo de Jackson Martínez ao Paços de Ferreira. O colombiano empurrou descaradamente um adversário pelas costas, atirou-o ao chão e nem teve de saltar para, de cabeça, mandar com a bola para dentro da baliza pacense.
Na verdade, esteve das duas vezes mal o árbitro do Porto. Portanto, talvez seja incorrecto dizer que não foi fiel a si próprio.
Lá que foi fiel, foi. Há empurrados e empurrados, essa é que é essa.

GOSTO do Simeone e não gosto do Spaletti. Na verdade, não gosto nem desgosto de nenhum porque não os conheço. Referia-me, como compreendem, ao jogo-jogado das suas respectivas equipas. Gosto do jogo do Atlético de Madrid e no que diz respeito ao do Zenit, por muito que tente, já não posso dizer a mesma coisa. Não gosto, nunca gostei.
Na noite de terça-feira no Porto, o Zenit, que é da Rússia, parecia uma equipa italiana das mais rasteiras a defender o precioso empate - sim, porque o empate também era precioso -, contra um adversário com menos um jogador em campo durante, praticamente, 90 minutos do jogo. O sul-americano Herrera foi expulso aos 6 minutos mas como o árbitro deu 6 minutos de tempo de compensação, fica ela por ela.
Spaletti sabia, como todos nós, que, perante a campanha avassaladora do Atlético de Madrid no mesmo grupo, o empate era um excelente resultado para o Zenit. Empatando anteontem no Dragão, a 6 de Novembro os russos disporiam da oportunidade de, em São Petersburgo, trocar de posição com os campeões portugueses, caso lhes ganhassem. Encantadora perspectiva para quem ao cabo das suas primeiras jornadas só levava um solitário pontinho.
E foi esse o jogo que o Zenit fez na terça-feira. Imagine-se, se possível, a carrada de nervos com que os adeptos do Zenit ficaram a ver a sua equipa a jogar descaradamente para o 0-0 perante um adversário em inferioridade numérica. Spaletti só pode ter ficado com as orelhas a arder.
Mas, pronto, acabou por ter sorte e ganhou o jogo ao Porto à beira do fim, tal como Simeone tinha feito no mesmo palco e à beira do fim com o seu Atlético de Madrid, ainda que com grande brilho.
Somada a segunda derrota em casa, fica o FC Porto, apesar de ter jogado muito bem, atrás do Zenit na tabela do grupo e vê-se obrigado a ir ganhar a São Petersburgo, isto se não contar com as ajudas dos madrilenos e dos declaradamente inaptos do Áustria de Viena.
«Para cá vão dando...», lembram-se? Foi uma frase, chocante, pois claro, com que Jorge Jesus, na temporada passada, definiu a utilidade de alguns jogadores do plantel do Benfica. Mas Jorge Jesus, impiedoso, tinha razão.
Na noite de terça-feira lembrei-me do «para cá vai dando» de Jorge Jesus vendo em acção, num jogo da Liga dos Campeões, um ou dois jogadores do actual plantel do FC Porto. E pensei com os meus botões: calha a todos.

CALHOU-NOS a Suécia. Preferia a França, por uma questão estatística. Já foram tantas as vezes que os franceses nos deram cabo da vida em Europeus e em Mundiais que, para fazer funcionar a estatística, estava na altura de os surpreendermos com uma vingança ao nosso melhor estilo. Isto é, com um final feliz para as nossas cores contra todas as apostas, incluindo as nossas.
Com a Suécia, passa-se exactamente o contrário. Em confrontos directos, temos sido nós, os portugueses, os sistematicamente felizes no historial com os suecos. E rezam as estatísticas que, por essa mesma razão, está na altura de acontecer o inverso, o que não dava jeito nenhum.
No final de Maio, parti para a final da Taça de Portugal com o Vitória de Guimarães exactamente neste estado de espírito estatístico. Precisamente por ter lido num jornal na manhã do jogo que o Vitória de Guimarães nunca tinha conquistado o troféu e que, por meia dúzia de vezes, tinha sido o finalista vencido da Taça de Portugal.
Está na altura, pensei eu. E estava mesmo.
Conclusão: todos os cuidados são poucos nos dois jogos com os suecos.
Nos seus últimos com compromissos a Selecção Nacional não esteve nada bem. Não é, propriamente, num ambiente de euforia que a equipa de Paulo Bento vai partir para este tudo ou nada. Convém que seja assim e não é por causa da maldita estatística. É por uma questão intrinsecamente nossa, mais do tipo fadista.
Explico-me melhor. Os rapazes precisam de ser espicaçados no brio ou nada feito. Em termos de brio foi zero a nossa Selecção nestes últimos jogos do torneio de qualificação para o Mundial.
O único remédio para a questão sueca é desatarmos todos a dizer mal da Selecção. Muito mal mesmo. Do treinador, dos jogadores, dos dirigentes, enfim, de todos. A ver se acordam. Eu acredito que vai ser assim que vamos eliminar a Suécia. E que estaremos presentes no Mundial do Brasil. «Contra tudo e contra todos», como dirá Paulo Bento no momento oportuno.

1-1 com o Olympiakos e muitos assobios no fim do jogo para a equipa do Benfica que, ontem, só começou a correr quando Cardozo, sempre ele, aproveitou uma má saída de Roberto, sempre ele, para empatar. Resumindo, foi um jogo sem qualquer espécie de novidade. O paraguaio marcou um golo e o espanhol ofereceu outro golo. Onde é que já vimos isto? Cardozo viria à flash interview dizer que o resultado foi positivo atendendo às circunstâncias. Concordo inteiramente. Com o empate de ontem o Benfica pode ter ficado mais longe da Liga dos Campeões mas ficou mais perto da Liga Europa, prova para a qual, atendendo às circunstâncias, estamos mais calhados. E sem drama."

Leonor Pinhão, in A Bola

PS: Hoje discordo da Leonor em alguns pontos:
- A estatística de Portugal com a Suécia, é extremamente negativa para Portugal, é uma ilusão pensar que quando jogamos com os altos, louros e toscos vencemos facilmente!!!
- Ontem, o Benfica não começou a correr com o golo do Cardozo... foi evidente que durante toda a 2.ª parte, a equipa, com pouca cabeça é verdade, deu tudo o que tinha... Aliás, acho mesmo que após o golo do Cardozo, não voltámos a criar tanto perigo... mais por falta de frieza, do que de vontade.
- Houve assobios no fim, é verdade... mas a nota de maior destaque, foi o apoio incondicional principalmente durante a 2.ª parte, de todo o público Benfiquista presente.
- A Leonor também não evitou, infelizmente, uma graça, com o Roberto. Este post do Antitripa, explica bem o como, e o porquê, da existência destas campanhas...

Oxímoros

"Um oxímoro é uma figura de estilo literário que junta duas palavras ou expressões que, em termos lógicos, se contradizem ou excluem, formando um paradoxo. Camões usou muito esta forma, sendo que o seu mais conhecido oxímoro é o contentamento descontente. Na linguagem corrente há outros exemplos interessantes. Como um ilustre desconhecido, um silêncio ensurdecedor, uma obscura claridade, uma lúcida loucura. Ou, ainda, um eterno instante, tal qual o golo de Kelvin ao minuto 92 que para uns, é eterna alegria e para outros, eterno desgosto.
Gosto desta figura literária que junta opostos para exprimir a turbulência dos paradoxos da vida. Como disse Agostinho da Silva, «não sou do ortodoxo nem do heterodoxo; cada um deles só exprime metade da vida; sou do paradoxo que a contém no total».
Pus-me a pensar em oximoros (ou quase oxímoros) que se possam aplicar ao futebol. E logo me lembrei do primeiro e mais provocativo jogo de duas palavras que têm dificuldade em coexistência neste meio: ética futebolística.
Há outras expressões paradoxais muito curiosas no jargão futebolístico. É o caso dos golos de bola parada, hoje tão ou mais decisivos dos que os de bola corrida. Ou a táctica de que, afinal, a melhor defesa é o ataque. Ou que aquele jogador ataca de costas para a baliza. Por vezes, ouço também dizer que se joga futebol aéreo quando não há espaço (o que dirão os pilotos de aviação?). Ou que o guarda-redes não sabe jogar fora dos postes. Ás vezes há um aparente oxímoro horário quando, à noite, se diz que foi a defesa da tarde! Finalmente, um que agora está muito na moda: descansar com a bola..."

Bagão Félix, in A Bola

Produção salivar

"Josué foi suspenso um jogo por uma alegada cuspidela num adversário. Um castigo (em função da volumetria salivar?), tal qual o que resulta de um 2.º cartão amarelo por se festejar um golo sem camisola. Josué - recorde-se - tem dois clubes, o Porto e o anti-Benfica, e duas certezas na carreira: a primeira é a de que um dia iria voltar ao FC Porto e outra é de que nunca jogaria no Benfica, «Sou do FC Porto e toda a gente que é deste clube não gosta do Benfica».
Brilhante foi a coincidência de ter sido pela primeira vez titular na Selecção Nacional na semana do castigo! O que evidencia a plenitude ética do nosso futebol. E quem sabe a diferença epistemológica entre cuspidela e salivação.
Tudo se explica por uma razão mais ou menos científica: é que 99,42% da saliva é água, pura e cristalina. O resto do fluido é formado por proteínas e sais minerais, certamente saudáveis. Além disso, a produção diária varia entre 1 e 1,5 litros pelo que há necessidade de, por vezes, a escoar mais depressa.
Também é sabido que as glândulas salivares recebem ordem do cérebro, o que para alguns faz crescer a água na boca em certas situações. Neste caso, só gostaria de saber se o cérebro actuou por excesso de zelo portista ou antibenfiquista. Como diz a adivinha: sem ser comida ou bebida, entro na digestão, sem ser dada nem pedida, cumpro a minha obrigação. E como bem diz o adágio sul-americano é tudo uma questão de tempo: el que escupe para arriba, le cae la saliva en la cara.
Afinal em que ficamos: é o futebol um jogo impróprio para cardíacos ou será mais próprio para jogadores salivosos e escolhas salivantes?"

Bagão Félix, in A Bola

No comments...


Acham que lá no fundo há mais a dizer?!?

Água azeda...!!!

Benfica 1 - 1 Olympiakos

Jogo complicado de analisar: o empate antes do jogo começar, era sempre um cenário negativo... as incidências do jogo - primeira parte frouxa, com um golo oferecido pelo Matic, e terreno quase impraticável na 2.ª parte... -, acabaram por alterar a perspectiva...
Mas penso que a segunda parte - mais 'pólo-aquático' do que futebol, principalmente no meio-campo para onde o Benfica atacava... -, feita com muito coração, merecia a remontada... que só não aconteceu porque o Mallenco (árbitro da partida), foi somente o melhor defesa dos Gregos!!! A quantidade de bolas que salvou da boca do golo, fazem com que mereça o título de MVP da partida!!! É verdade que a partir do minuto 75 (altura em que pediu calma ao banco do Benfica!!!), até ao golo do Benfica (83min), resolveu apitar a 'favor' do Benfica em alguns lances de dúvida, mas nos restantes 82 minutos...
Até posso admitir que todas as faltas ofensivas marcadas ao Benfica eram mesmo falta, mas então quando os defesas do Olympiakos fizeram a mesma coisa, ou pior, também tinha que marcar as faltas, dentro ou fora da área, e não o fez...!!!

Tacticamente a eterna questão dos dois avançados, e respectiva inferioridade numérica no meio-campo, será mais uma vez recordada... a verdade é que o Benfica não tem rotinas de 3 centro-campistas, e quando tentamos, o nosso ponta-de-lança fica muito sozinho na área... e na Luz, precisamos de presença na área. Mas após estes jogos fica sempre a impressão que com mais um jogador no meio-campo a história do jogo (neste caso da 1.ª parte) seria outra... Daqui a 15 dias em Atenas, provavelmente vamos jogos com 3 jogadores do meio-campo, vamos ver como será!!!
Quando os jogos correm mal, seja lá porque razão, inclusive pelo encaixe táctico ser desfavorável ao Benfica, os adeptos automaticamente acusam os jogadores de falta de atitude. Este jogo é o perfeito exemplo, de como isso é falso. É verdade que os Gregos tiveram a bola demasiado tempo na 1.ª parte, e nós demorávamos a recuperar, mas isso deu-se essencialmente devido ao nosso posicionamento táctico, e grande parte dessa posse de bola, foi em zonas recuadas sem perigo... sendo que as jogadas de perigo do Olympiakos na 1.ª parte, foram quase sempre perdas de bola infantis (erros individuais) dos nossos jogadores, com especial relevância para o Matic.
Além da inferioridade no centro do terreno, o Benfica continua a demonstrar intranquilidade, falta de confiança, e o Matic a 8 ou 6 está a léguas do que jogou o ano passado, desequilibrando a equipa. Sendo que a ausência de um desequilibrador - Salvio - ofensivo pelas faixas mantém-se... Hoje, ainda por cima ficámos em desvantagem, contra uma equipa que está construída para o contra-ataque, não foi por acaso que venceram em Bruxelas por 0-3, e apesar dos 3 golos do Mitroglou, o melhor em campo nesse jogo foi o Roberto!!!

A desvalorização que foi feita a esta equipa do Olympiakos, desde do sorteio é vergonhosa: para qualquer pessoa minimamente atenta sabe que esta equipa é forte: internamente, na Grécia, são equivalentes aos Corruptos Tugas... frutando tudo e todos (as parecenças são tantas que aqui no Olympiakos, qualquer treinador que chega, tem sucesso. É garantido... até o extremamente mal-educado Michel, que como treinador não tem metade da classe que tinha como jogador!!!), o que lhes tem dado a oportunidade de montar um plantel fortíssimo, com muitas opções... e com o domínio interno consolidado - e seguro -, vão apostando cada vez com mais força na Europa. Todos sabíamos que a qualificação para os Oitavos iria ser decidida entre o Benfica e Olympiakos, na minha antevisão só errei ao pensar que o Anderlecht estaria mais perto...!!!

Esta noite, empurrados pelos adeptos que resolveram aparecer, o Benfica em condições muito adversas - resultado e terreno -, 'salvou' 1 ponto que soube a pouco... matematicamente está tudo em aberto, mas todos nós sabemos que não será fácil pontuar em Atenas, até porque nós não teremos nenhum Mallenco para nos ajudar!!! Bem pelo contrário...

Já me ia esquecendo... o Cardozo marcou. Mais uma vez. Neste momento na Liga dos Campeões (incluindo TCCE) só o King, o Zé Augusto, o Torres, o Águas, e o Nené têm mais golos!!!

Sorte? Calha a todos !!!

Santa Clara 0 - 2 Benfica

Como não vi o jogo, e dando como verdade as palavras daqueles que o viram, incluindo o nosso treinador, vencemos com sorte, ao Benfica de São Miguel... com um grande golo do Rúben Pinto!!!
O Futebol é muitas vezes injusto, como não somos menos que os outros, de vez enquanto, também merecemos uma ajuda divina, desde que não seja frutada, não me importo...!!!
Aqui está um resumo.

3.ª jornada - UEFA Youth League

Benfica 0 - 0 Olympiakos

Primeiros pontos perdidos nesta competição, num jogo onde dominámos praticamente todo o jogo, com algumas oportunidades perdidas verdadeiramente escandalosas... os Gregos, no final da 1.ª parte, mais por culpa nossa, subiram um pouco no terreno, ainda safámos uma bola em cima da nossa linha de golo, mas com um aproveitamento normal, teríamos vencido largamente... a chuva também não ajudou. Apesar de mau jogado em alguns momentos, houve entrega e raça de ambas equipas.
Compreendo que o João Gomes, após a lesão, não tem mostrado a mesma destreza, que anteriormente demonstrava, mas mesmo sem estar na sua melhor forma, creio ser preferível jogar com um ponta-de-lança feito, na posição 9, do que jogar com um extremo adaptado... que tecnicamente até pode ser bom, mas a arte de encostar a bola para dentro da baliza, só escolhe alguns!!!
Continuamos na liderança, e com boas perspectivas para atingirmos a qualificação.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

A nossa Champions

 "Depois de uma eliminatória da Taça de Portugal diante do Cinfães, que se prevê tão tranquila quanto festiva, regressa, já na próxima semana, a sumptuosa Champions League, com todo o seu encanto, e grau de dificuldade máximo.
Com um vitória em casa, e uma derrota fora, pode dizer-se que o Benfica está perfeitamente dentro dos carris do apuramento, sendo provável que os próximos dois jogos, diante do Olympiakos, venham a determinar quem acompanha o PSG rumo à Fase seguinte da competição. Ou seja, uma vitória na Luz frente aos gregos afigura-se fundamental nesta corrida, pois qualquer outro resultado, mesmo não nos eliminando sumariamente, deixará contas demasiado complicadas por fazer.
Muito se tem discutido a hipótese de o nosso Clube apostar mais ou menos na competição, e ter mais ou menos possibilidades de atingir a respectiva Final. Muitas vozes extrapolaram palavras do nosso presidente, subvertendo-as, e transformando um sonho legítimo e saudável, numa exigência que jamais foi feita aos jogadores ou ao técnico. Há que dizer, com toda a clareza, que chegar à Final da Champions, no contexto actual do Futebol português e europeu, pode obviamente ser um sonho (quem não o tem?), mas não poderá constituir um objectivo concreto, e muito menos uma exigência. As diferenças de orçamento face a 'tubarões' como Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Chelsea, Juventus, Dortumind ou Bayern de Munique não deixam margem para grandes expectativas, seja onde for que se dispute a última partida da prova. O objectivo do Benfica para a Liga dos Campeões terá de ser, por enquanto, a passagem à Fase seguinte. Isto sim, está de acordo com o poder financeiro e desportivo de que dispomos. Em termos realistas, as nossas exigências não deverão ir muito mais além, e o que vier a mais, bem-vindo será.
É com esta humildade que devemos enfrentar os difíceis adversários que temos pela frente. E é com esta atitude que podemos, eventualmente, vir a superar aquilo que neste momento é expectável."

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

As sombras tristes de Nartanga e Juju

"Depois de Eusébio, tantos Eusébios se prometeram ao Benfica. Tantos foram «o novo Eusébio»... Mas o destino não se compadece com a vontade. Ninguém se compara ao incomparável.

EUSÉBIO só houve um! Ninguém tem dúvidas desta verdade, deixada aí em cima em forma de parágrafo com ponto de exclamação. Mas a verdade é que depois de Eusébio, houve um nunca mais de esperanças de Eusébio. Chegava um jogador de África, das ex-colónias, e dizia-se: «vai ser o novo Eusébio!» E não era. É impossível ser Eusébio. Só Eusébio sabe ser Eusébio!
Lembro-me de vários. Vocês também se lembrarão, certamente. Houve o Cavungi, o Mário Wilson (filho, pois claro), o Reinaldo, o Akwá, até o Mantorras.
É demasiado pesado para os ombros de um jogador quererem compará-lo ao incomparável.
Hoje, neste espaço, vou recordar dois candidatos a Eusébio. Nomes que o Futebol esqueceu, quem sabe se injustamente.
Um era João Lopes Cardoso. Mas ninguém o conhecia por João Lopes Cardoso: era o Nartanga.
Nartanga. João Lopes Cardoso: o Nartanga. Porquê Nartanga? Segundo sei, nem ele sabia. Era Nartanga e chegava.
Quando Eusébio desembarcou em Lisboa, Nartanga foi-se introduzindo lentamente na sua sombra. Quero dizer: de Eusébio todos diziam que viria a ser um novo Matateu, mas melhor ainda; de Nartanga se dizia que podia ser outro Yaúca. Não foi.
Mas depois de Eusébio já começar a ser Eusébio, Nartanga não deveria ter-lhe ficado atrás. As suas qualidades prometiam glória e sucesso e golos e mais golos. Promessas por cumprir.
Cinco meses esteve Eusébio em Lisboa sem poder estrear-se pelo Benfica. No dia em que se estreou, a 23 de Maio de 1961, frente ao Atlético, pelas Reservas, Nartanga também já lá estava. Jogava a ponta-direita, mas já tinha sido experimentado a avançado-centro. Era como se houvesse um fio transparente de destino a ligar os dois jovens que tinham vindo de África.
Três meses esteve Nartanga em Lisboa sem poder estrear-se pelo Benfica. A burocracia ia arrasando com a carreira de Eusébio; Nartanga era alto, magro, e trouxera de Bissau um ar esfomeado: foi chumbado no Centro de Medicina Desportiva.
Enquanto Eusébio se treinava, à espera que o movimento lento do seu processo encaixasse nas rodas dentadas das expectativas, Nartanga engordava. A natureza foi mais célere do que a justiça: Eusébio, ainda que já fosse Eusébio, só marcou finalmente golos pelo Benfica nessa noite de Maio em que chovia; Nartanga, nas reservas, marcava golos na Azinhaga dos Alfinetes, ao Oriental, em Alvalade, ao Sporting, na serra, ao Guarda. Muitos golos.
Havia quem escrevesse: Eusébio e Nartanga! E ambos, juntos, sorriso cúmplice de um brilho adivinhando. Havia quem fotografasse: Nartanga e Eusébio. Com legenda: «As pérolas ultramarinas do Benfica».
Depois, na fotografia da vida, Eusébio ficou sozinho. Na memória de Nartanga, apenas a maçaneta de uma porta pela qual não chegou a entrar.

Sangue de Eusébio
MAS houve outro, e dele falo hoje também, este talvez ainda mais Eusébio, porque o sangue era o mesmo. Gilberto. Irmão de Eusébio. Aquele que também ficou ligado ao Futebol. Em Portugal a Imprensa não tardou a chamar-lhe «Eusébio n.º2».
Em Moçambique, na Mafalala, jogava n'«Os Brasileiros», a mesma equipa de pé descalço de Eusébio seu irmão. Um dia Eusébio foi de férias a Moçambique. Já era Eusébio de corpo inteiro. E trouxe consigo Gilberto. Eusébio e Gilberto; Gilberto e Eusébio: as comparações rebentaram por toda a parte. Gilberto mais cerebral do que Eusébio, talhado para outras funções, mais distribuidor de jogo, mais organizador, mais lento, menos rematador, menos possante. Gilberto tinha apenas 15 anos. «Jeito ele tem, mas é cedo para se saber o que dá!», ia Eusébio acalmando os entusiasmos.
Gilberto da Silva Ferreira: em Lourenço Marques, tinha a alcunha de Juju. No dia 9 de Agosto de 1963, no Estádio da Luz, «A Bola» fotografa Eusébio a entregar a camisola do Benfica ao irmão: «Veste-a e honra-a!... Não chega ter habilidade», vai alertando Eusébio. «Ele é muito novo. E se mesmo alguns jogadores já feitos não consenguem triunfar na Metrópole, onde tudo é diferente, que fará ele, que nem jogador é ainda? Gostava imenso que ele se transformasse num grande jogador, que pudesse atingir as mesmas coisas que eu já atingi, porque é muito bom rapazinho e um bom irmão». Gilberto dizia: «Sei marcar golos, lá em Moçambique marcava muitos, mas não quero ser avançado, quero ser médio...». Gilberto da Silva Ferreira não vingou.
Era Silva Ferreira mas não era Eusébio. Não foi capaz sequer de medrar à sombra gigantesca do irmão. Porque não basta querer ser Eusébio. Não basta sequer repartir com ele o sangue e a mãe. Eusébio é Eusébio e ponto final."

Afonso de Melo, in O Benfica

domingo, 20 de outubro de 2013

Confirmação...

Haukar 22 - 34 Benfica

Nova vitória, desta vez na Islândia. Marcámos os mesmos 34 golos - em relação ao jogo da Luz -, mas sofremos mais 3 !!! Esta eliminatória acabou por ser mais fácil do que estávamos à espera. Deu inclusive para dar minutos a jogadores menos utilizados, e dar descanso aos mais fatigados.
Agora vamos esperar pelo sorteio na próxima Terça-feira. O ano passado caímos na 3.ª ronda, com um fortíssimo Nantes - que acabou por ser finalista vencido nesta prova... -, e assim ficámos fora da Fase de Grupos da Taça EHF, este ano, com a subida de forma da equipa nos últimos jogos, com um sorteio 'amigo' temos tudo para passar...!!!
O Carneiro hoje, levou com um cartão vermelho aos 34 minutos (desqualificação directa!!!), desconheço as circunstâncias, e desconheço se será suspenso com algum jogo... partindo do pressuposto que o próximo adversário será difícil, a possível ausência do Carneiro será sempre uma dificuldade extra...

Benfica and 'the curse of Bela Guttmann'

"(CNN) -- Vienna, Austria. 1990. A man weeps by a grave. He lowers his head and murmurs a few quiet words. 
He sits awhile, glances intently at the writing on the headstone, he uses the palm of his hand to wipe away the dirt. His eyes glaze over with a look of hopelessness, almost pleading for something to happen. Nothing happens.
The man rises, turns and leaves. That night he gets his answer -- the curse lives on.
Despite being finalists on seven occasions in various major European finals -- in 1963, 1965, 1968, 1983, 1988, 1990 and in 2013 -- each time Benfica have been unable to bury the famous curse. Bela Guttmann's curse.
A condemnation that even the prayers of his famous protege Eusebio could not lift that day in Vienna.
"Every year when Benfica plays in the Europe they try to get rid of the curse", Portuguese journalist Jose Carlos Soares told CNN.
"Any time that Benfica play near Guttmann's grave, somebody will take flowers. It hasn't worked".
The way Benfica were beaten by Chelsea in Wednesday's Europa League final in Amsterdam -- Branislav Ivanovic's injury-time header securing the English side's 2-1 win -- if you were fan of the Portuguese side you could have been forgiven for thinking some other powerful force was at work.
Even in death, Guttmann is determined to have his own way -- much to the anguish of a club he left in anger after taking it to the peak of European football in the early 1960s.
A charismatic and sometimes eccentric genius, Guttmann revolutionized football during a coaching career which spanned 25 jobs in 13 different countries before he passed away in 1981, aged 82.

Holocaust
Born into a Jewish family in Budapest in 1899, Guttmann, like his parents, became a trained dance instructor before switching his focus to football.
After becoming part of the MTK Hungaria side which won the league title in 1920 and 1921, Guttmann left for Vienna following the rise of anti-Semitism under Miklos Horthy's regime.
It was here, among the Austrian intelligentsia, that he flourished, taking in the political and literary debates in Vienna's coffee-house society.
There he joined the exclusively Jewish football club Hakoah Wien, where he won the league title in 1925 as well as winning four caps for Hungary.
After traveling on a tour to the U.S. with Hakoah, Guttmann decided to stay put in New York only to lose a considerable amount of money in the Wall Street crash.
That forced the nomadic traveler to move on once again, first back to Vienna where he took on a coaching role with Hakoah before joining Dutch side SC Enschede.
But Guttmann's life, like those of so many other Jews, was turned on its head during the rise of Hitler in Europe and the Holocaust which killed six million people.
"Guttmann was hugely talented", says leading football writer Jonathan Wilson, author of the book "Outsider: A History of the Goalkeeper."
"He was tactically very astute but also very awkward and difficult", Wilson told CNN. "He was very quick to take offense.
The central theme with Guttmann is the war. We don't know how he survived it, and the fact he skips over it in his book could mean one of two things.
Did he feel guilty for surviving or did he compromise himself to stay alive?
Or, perhaps it was that the memories were just too painful to share and that the loss of so many of his loved ones meant he didn't speak about it.
He was hugely successful but there was something tragic about him, which probably comes from that time"

Famine
While family members, including a brother, perished in concentration camps, Guttmann escaped to Switzerland where he was held in internment.
It wasn't until the end of the war in 1945 that he returned to football, this time in Romania.
It was here, in 1946 with club side Ciokanul, that he demanded to be paid in vegetables at a time when famine was a growing problem.
While parsnips and carrots were gratefully received, Guttmann's relationship with the board was never a particularly healthy one. When a club director began to interfere in team selection, Guttmann finally lost patience.
His fiery temper and attitude of "my way or the highway" earned him plenty of attention, especially from the media.
Following spells with Padova and Triestina in Italy, Boca Juniors and Quilmes in Argentina and Apoel Nicosia in Cyprus, Guttmann hit the big time with AC Milan in 1953.
His team led the Serie A table after 19 games in his second season, only for another run-in with the board to curtail his tenure.
"I have been sacked, even though I am neither a criminal nor a homosexual". he told a shocked press conference. "Goodbye".

Nomadic career
Years later, on his first day as the manager of Benfica, he fired 20 players before leading the club to the Portuguese title.
"He was an incredible man", Wilson said. "Did he become a parody of himself? Did he do those kind of things because people expected it?
I don't know. But it was clear that he never wanted to stay in one place for long, he was always moving. 
That could have been because of the war, but also because he was looking for the next pay check".
It was in Portugal, after a successful spell in South America, that Guttmann really secured his legacy, securing back-to-back European Cups with Benfica in 1961 and 1962.
It was the first time that any club other than Real Madrid had won the competition.
During his time in Brazil with Sao Paulo between 1957 and 1958, where he won the league title before moving to Porto, Guttmann introduced the 4-2-4 system which Brazil used at the 1958 World Cup. 

Inspiration
It was a system that laid the groundwork for the great Brazil sides to establish themselves as masters of the beautiful game.
Guttmann had taken some inspiration from the great Gustav Sebes, the man who coached the "Magnificent Magyars" in the 1950s.
Under Sebes, also of Jewish descent, Hungary became the first nation to defeat England on its home soil, winning 6-3 in 1953 before reaching the World Cup final the following year.
From 1950 until the Hungarian Revolution in 1956, the national team won 42 games, drew seven and lost just once --- in the World Cup final against West Germany.
Sebes preferred a 3-2-1-4 formation which allowed Ferenc Puskas, the great Hungarian striker, to thrive alongside the precociously talented Nandor Hidekuti.
That slowly changed to the 4-2-4 formation which would inspire Benfica to European and domestic glory.
"I never minded if the opposition scored, because I always thought we could score another", Guttmann once said.
His thirst for innovation and his psychology degree, which he earned in his younger days, helped him become a leading figure in man-management and a master tactician.
At Benfica, it was the arrival of Eusebio which allowed Guttmann to play Mario Coluna in a deeper position and unleash one of the most attacking teams of the era.
Benfica defeated Barcelona 3-2 in Berne in the 1961 European Cup final before coming from behind to beat then five-time winners Real Madrid 5-3 the following year.
But where there was triumph, disaster was never far away.
"From the moment he arrived in Portugal, Bela Guttman's relationship with Benfica was destined to be complex", says Portuguese football expert Ben Shave.
"After the second European Cup victory, Guttman approached the recently-elected president Antonio Carlos Cabral Fezas Vital with what seemed an eminently reasonable request -- a pay rise.
Vital chose to turn Guttman down, whereupon the Hungarian departed with what has become a well-worn parting shot: a simple declaration that Benfica would not win another European Cup.
Guttman's curse has proved painfully prophetic -- the Aguias have lost five European Cup finals in 1963, 1965, 1968, 1988, 1990, the 1983 Uefa Cup final and now the Europa League final".

Mourinho comparison
Remembered for his uncompromising attitude, his innovation on the field and his nomadic existence, Guttmann's story gained further resonance following the emergence of Portuguese coach Jose Mourinho, a European champion with Porto in 2004 and Inter Milan in 2010 after beginning his career with a brief spell at Benfica.
"Guttman's prickly personality and relentless pursuit of success have led to comparisons with Mourinho in some quarters", Shave told CNN.
"What is certainly true is that both left Benfica in unfortunate fashion, and both departures became matters of considerable regret for the club.
The results of Guttman's 'curse' have been well documented, whilst presidential candidate Manuel Vilarinho's stated wish to replace Mourinho with club legend Toni following the 2000 elections led to 'the Special One' taking his talents elsewhere.
In a similar scenario to that which led to Guttman's tenure coming to an end, Mourinho approached Vilarinho with a contract extension request shortly after his election (and a 3-0 win over Sporting), which was denied.
Vilarinho's opponents have dined out on that mistake since".
As for the Benfica's players the task of finally closing the book on Guttmann's curse continues."

Toneladas de areia para os nossos olhos

"A profissionalização da arbitragem não vai resolver nenhum dos seus problemas: a opacidade e a falta de lógica no processo de nomeações e os erros grosseiros protagonizados pelos árbitros. O sistema faliu e querem atirar-nos poeira para os olhos.
O futebol, pela dimensão que a respectiva indústria alcançou, em vez de se livrar das suas imparidades e de expulsar os batoteiros, continua a arranjar esquemas para albergar gente sem escrúpulos, que se desdobra em expedientes para condicionar a verdade desportiva. É preciso combater a proliferação dos resultados combinados que já é mais do que uma ameaça. Não são apenas os mecanismos que tornam os árbitros mais ou menos favoritos deste ou daquele presidente ou dirigente; deste ou daquele clube. Eram os árbitros, depois passaram a ser os "fiscais de linha" (hoje denominados árbitros assistentes), e a certa altura já se viam jogadores a entrar no carrossel.
Quer dizer: é através do controlo do sector da arbitragem que se chega muitas vezes à vitória quando, em campo, as equipas não são capazes de se superiorizar através de argumentos técnicos, tácticos e físicos, mas hoje em dia a "sofisticação da batota" alcança outros mecanismos a partir dos quais é possível retirar importantes benefícios. Na realidade, há já um caudal de notícias que nos alertam para o que pode estar por detrás dos fundos de jogadores. A não identificação dos nomes relacionada com a titularidade desses fundos e a suspeita de envolvimento de paraísos fiscais em todo o processo, com a cada vez maior certeza de que há gente nos clubes a servir os interesses dos fundos (com benefícios directos e indirectos), torna tudo mais nebuloso e os futebolistas não são mais do que marionetas, convencidos de que os seus créditos também são grandes e compensatórios. Se juntarmos a tudo isto o impacto das apostas online e dos seus "circuitos paralelos", perceberemos que está cada vez mais difícil acreditar no que vemos acontecer dentro das quatro linhas: "Se as pessoas perceberem que os jogos são combinados, vão preferir ver novelas", sentenciou esta semana Maradona.
O controlo da arbitragem foi sempre a maior das preocupações de alguns dirigentes do futebol português, porque era a maneira mais fácil de obter um penálti, uma expulsão, uma falta à entrada da área, um fora-de-jogo numa situação não muito fácil de descortinar ou validar um golo conseguido de forma irregular.
A preocupação continua válida, porque a natureza de certas decisões, sobretudo em lances de dúvida, pode valer muitos pontos (no começo dos campeonatos, ganhar vantagem é muito importante...), mas a industrialização do futebol e as largas somas de dinheiro que movimenta apurou outros mecanismos que colocam em causa a verdade desportiva.
A discussão que, neste momento, domina a actualidade do futebol nacional- a profissionalização da arbitragem - corresponde a uma perda de tempo. São toneladas de areia atiradas para os olhos dos portugueses.
Não é que a profissionalização não encerre algumas coisas positivas, mas o actual regime paraprofissional já oferece às equipas de arbitragem condições muito razoáveis. Condições financeiras, administrativas, logísticas e, também, de treino.
O aumento do número de jogos e, para os internacionais o maior número de jogos no exterior torna mais difícil a dispensa nos respectivos locais de trabalho. A profissionalização apenas agiliza a vida dos árbitros. Quando deveria estar em causa a melhoria do sector, isto é, gerar condições para que o erro de arbitragem não tivesse tanta influência nas finanças dos clubes. Um golo mal (in)validado ou uma decisão errada pode corresponder, em certas situações, a prejuízos de milhões de euros. E é isto que ninguém parece querer discutir...
Quantas toneladas mais vão ter de nos atirar para os olhos para evitar que se compreenda que o rei vai nu e que esta é mais uma forma de perpetuar um sistema que está anquilosado e é falso como Judas?...
O futebol é um jogo maravilhoso. Só não pode ser compaginável com a batotice. Para isso, o input tecnológico é crucial e decisivo. É a partir dele que se pode travar esta sensação de perda. Porque o futebol só conservará a sua dimensão de desporto universal se conseguir expulsar aqueles que colocam em causa a sua credibilidade e integridade."

Às portas do céu - João Ribeiro, Campeão do Mundo...

sábado, 19 de outubro de 2013

11.ª Supertaça

Benfica 86 - 82 Guimarães
26-20, 17-14, 26-16, 17-32

Logo após os primeiros minutos, e apesar do Vitória ter começado com 4-0, fiquei logo com a certeza que o Benfica iria vencer a Supertaça, pois a atitude da equipa, foi totalmente diferente, em relação ao jogo da semana passada com o Sampaense.
Até aos 10 pontos, ainda houve alguma emoção, mas partir daí o Benfica afastou-se, e sempre que o Vitória ameaçava aproximar-se, o Benfica pedia um desconto de tempo, e voltava a repor a diferença, entre os 15 e os 20 pontos. Isto tudo sempre com um critério na marcação de faltas completamente torto, durante todo o jogo, em prejuízo do Benfica.
Mas chegados ao 4.ª período tudo mudou. Durante cinco minutos valeu tudo, o roubo suave, passou a roubo pornográfico!!! Os jogadores do Benfica eram agredidos, quando penetravam, e os árbitros marcavam faltas ofensivas, em pouco tempo a diferença de 20, passou para 10...!!! Os jogadores do Benfica enervaram-se, e deixaram de atacar com cabeça... como as faltas no jogo interior não eram assinaladas, começamos lançar em demasia de 3 pontos, e o Vitória chegou mesmo aos 2 pontos de diferença... Felizmente o Carlos Andrade esteve inspirado na linha de lance-livre, e conseguimos segurar a vitória, com toda a justiça.
Sem a influência arbitral teríamos vencido o jogo facilmente, na casa dos 20 pontos de diferença!!! Não tive acesso à estatística, mas não estou a mentir quando afirmo, que fomos mais vezes para a linha de lance livre nos últimos 30 segundos (8 vezes), quando o Vitória começou a fazer faltas tácticas, do que nos restantes 39,30 minutos!!! Uma equipa com o Betinho, com o Carlos Andrade, com o Mário Fernandes e com o Jobey Thomas, tudo jogadores que até exageram nas penetrações, e nos lançamentos sobre pressão, em condições normais tem mais de 20 lances livres por jogo, hoje foram praticamente inexistentes... isto contra um adversário super-agressivo, e ainda foram os nossos jogadores a serem excluídos com excesso de faltas!!!

Além da atitude, ofensivamente melhorámos muito. Desta vez, houve ataque de posição, com a bola a circular, a entrar no poste... jogadas com cabeça, tronco e membros!!! E por isso mesmo o Weaver foi o melhor marcador - claramente o seu melhor jogo no Benfica -, mas quando deixámos de jogar colectivamente, o Weaver deixou de marcar, e o Vitória aproximou-se...

Não compensa a derrota com o Sampaense no Troféu António Pratas, mas uma derrota hoje teria sido demasiado mau... apesar de reconhecer que o adversário de hoje, se reforçou muito bem, e será uma das equipas favoritas a disputar a Final da Liga com o Benfica. Para o curriculum fica a 11.ª Supertaça para o Benfica... mais uma para o Museu!!!

Risco, desnecessário...

Cinfães 0 - 1 Benfica

A convocatória do Jesus foi um enorme risco, que o nosso treinador decidiu tomar... no final da partida o Jesus, disfarçou, mas caso tivesse corrido mal, as consequências podiam ter sido mais graves, do que ele anteviu!!!
A lista dos lesionados, ou a recuperar de lesão é grande (Salvio, Fejsa, Markovic, André Gomes, Rodrigo, Sulejmani...), a lista dos jogadores que tiveram ocupados nas Selecções também é comprida (Garay, Maxi, Matic, Cardozo, André Almeida...) - mesmo assim o Djuricic, o Cavaleiro e o Bernardo que tiveram nos sub-21 foram convocados!!! -, assim dos habituais titulares sobraram o Artur, o Luisão, o Siqueira, o Enzo, o Gaitán e o Lima. Se a troca na baliza é uma decisão natural, a ausência dos outros foi um enorme risco... Juntando a tudo isto, a nomeação de Rui Costa, e a natural motivação extra do nosso adversário - que com certeza cresceu, após saberem das muitas ausências do nosso lado... -, corremos um sério risco, de apanharmos uma enorme desilusão.
Pode-se argumentar que os nossos suplentes tinham a obrigação de golear o Cinfães, mas a experiência do passado, explica que no futebol 2+2 muitas vezes não são 4 !!! A falta de ritmo e a falta de rotinas entre os jogadores que foram chamados, acaba por tornar este tipo de decisões, muitas vezes, em suicídios assistidos!!! Felizmente temos equipa B, e muitos destes jogadores têm mantido a forma na II Liga, e assim a 'coisa' não foi tão grave como podia ter sido!!! Apesar de se esperar uma maior vontade dos menos utilizados da equipa A, em mostrarem-se ao treinador...

O jogo acabou por ser enfadonho, com o Benfica a entrar bem na partida, mas bastante perdulário. Com o tempo a passar o Cinfães foi acreditando na surpresa, mas fisicamente o Benfica foi ganhando superioridade, mesmo sem criar muitas oportunidades. Dito isto, com o golo mal anulado ao Steven, com o absurdo amarelo ao Cavaleiro, e mais algumas decisões tipicamente frutadas do Rui Costa - por exemplo: o amarelo que ficou no bolso, logo no primeiro ataque do Benfica, com o Cavaleiro a falhar em frente do guarda-redes, sendo que no início da jogada o Funes Mori foi agredido violentamente, com total impunidade... mesmo dando a lei da vantagem, na próxima paragem, o amarelo tinha que ser mostrado -, este Benfica a meio-gás, teria vencido com um resultado largo e sossegado... algo que não aconteceu.

O Cavaleiro provou hoje poder ser uma opção válida para o plantel principal. Esteve perdulário, mas fez a assistência para o golo, e é daqueles jogadores que não sendo um ponta-de-lança  - jogando a extremo ou a 2.º ponta-de-lança -, aparece com facilidade na grande área... com velocidade e força, algo que às vezes falta ao ataque do Benfica. O Ola John marcou o golo, mas continua a ter decisões irritantes... é capaz do melhor e do pior, mas é claramente melhor à esquerda do que na direita. A evolução do Lindelof a trinco - o ano passado era lateral-direito - continua a grande velocidade. O Funes esteve esforçado, mas o caudal ofensivo do Benfica foi pouco... continuo à espera de um jogo, com a equipa habitual no apoio, para tirar a prova dos nove ao Argentino!!! Este jogo foi bom também, para dar minutos ao Amorim e ao Sílvio, após as respectivas lesões. O Djuricic confirmou, mais uma vez - até agora -, ser a maior desilusão da época.

No final, o mais importante foi a passagem à próxima eliminatória da Taça de Portugal.



PS: Hoje foi também dia de derby nos Juniores no Seixal. Não vi o jogo todo, foi fazendo zapping com o jogo de Cinfães. Mas deu para ver um Benfica mal na 1.ª parte, e bem na 2.ª parte, que conseguiu fazer uma grande remontada de 0-2 para 3-2 !!! Permitindo o empate, mesmo no final...
Pelo meio, ficou um penalty por marcar a favor do Benfica, e uma descarada Mão na Bola no 3.º golo Lagarto!!! Além de um critério torto no resto das faltas... Não é a primeira vez que assisto a arbitragens destas na Formação, provavelmente não será a última... Tudo isto é muito estranho, não sei se isto é feito para promover carreiras de árbitros, se é devido a Fruta e afins, ou se é pura má vontade com contra o Benfica...!!!

Vitória na Catalunha...

Vendrell 3 - 5 Benfica

Grande vitória, que começou a ser construída na baliza, com o nosso grande reforço Trabal em grande. Também ajudou a eficácia nos LD, algo que tantas vezes nos escapa!!! O resultado até podia ter sido mais expressivo não fosse a tradicional arbitragem caseira... mesmo assim, no final os Catalães fartaram-se de protestar, se calhar acharam o beneficio curto!!!
Estamos no intervalo da competição - Taça Continental (Supertaça Europeia) -, mas na Luz temos todas as condições para confirmar a nosso superioridade. Exige-se uma boa casa... 

Este foi o primeiro jogo oficial da época, após uma pré-época atribulada, com os Mundiais - seniores, e sub-20 - a atrapalharem a vida ao nosso novo treinador. A recente derrota com o Paços de Arcos deixou-me preocupado, admito. Apesar de defender à muito a integração de jovens da formação na equipa principal, a decisão de não contratar nenhum substituto directo para o lugar do Luís Viana, é perigosa. Hoje, com uma equipa espanhola, que jogou o jogo pelo jogo, não se notou a falta de um matador - a eficácia nas bolas paradas ajudou a esquecer o Viana... -, mas nos jogos 'apertados' do nosso Campeonato, contra os 'autocarros' e 'habilidades' que estamos habituados a defrontar, podemos vir a sentir saudades do Zorro... é um risco.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Sofrido, desnecessariamente...

Benfica 5 - 3 Vila Verde

O jogo menos conseguido desta época, valeu pela vitória, mas contra o último classificado esperava-se mais... é verdade que o Vila Verde fez provavelmente o seu melhor jogo, mas entrar a perder por 0-2, não é aceitável, denota desconcentração.
Além dos 3 pontos, a outra nota positiva da partida, foi o regresso do Gonçalo Alves. Fazia falta, ainda por cima agora, com a lesão do Ricardo Fernandes.

O descrédito

"O número de espectadores por jogo, nos jogos das competições futebolísticas nacionais, é escandalosamente baixo. Os espectadores estão a deixar de ir ao futebol e os motivos são vários: desde a crise profunda em que estamos mergulhados até ao descrédito completo em que caiu o futebol português. As pessoas que gostam de futebol recusam-se a pagar e a fazer sacrifícios para assistir a farsas. Sobram os que pagam o bilhete levados pela paixão clubística. Os erros de arbitragem grosseiros e sistemáticos já não se conseguem travestir de qualquer inocência. Assumiu-se, vencidos pelo cansaço e pela boçal impunidade, que a corrupção no futebol português é uma espécie de fenómeno atmosférico com o qual temos de conviver. Habituamo-nos, resignamo-nos, encolhemos os ombros e deixamos de acreditar que aquele jogo não está viciado. Logo, deixamos de ir ao estádio.
Que não se duvide de que esta é uma (talvez mesmo a maior) das causas para o número confrangedor de espectadores que temos nos estádios portugueses. Os dirigentes dos clubes sabem que assim é e os dirigentes dos órgãos de gestão do futebol português também o sabem. Lemos, ouvimos e vemos declarações de circunstância, outras de pompa, umas quantas de ocasião e uns recados disfarçados de ironia mais ou menos fina oriundos de vários dirigentes de clubes, mas nada, absolutamente nada que sirva realmente para alterar esta triste realidade. Por parte de quem dirige a Liga ouve-se o eco do silêncio. Por parte de quem dirige a Federação ouvem-se umas banalidades perfeitamente inconsequentes e, pontualmente, um desabafo sobre aquilo que realmente o preocupa nos dias que correm: o papel da Benfica TV como entrave à sua cruzada de centralizar (controlar) os direitos de transmissão televisiva.
Esvaziam-se os estádios, mas preenche-se o ego dos verbos de encher que dirigem os órgãos de gestão do futebol luso."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Engenho e laboratório

"O interregno da Liga não pode secundarizar o Benfica. A Comunicação Social vive de Benfica, vende Benfica. A bola não corre? Correm notícias, comentários, previsões, cenários. Corre sempre Benfica numa corrida desigual. Ganha o Benfica? Ganham, seguramente, os jornais, as rádios, as televisões.
Com o balneário reduzido à expressão mínima, tantos são os jogadores envolvidos nas respectivas selecções nacionais, importa acautelar assunto vermelho, que a família consumidora é numerosa e condiciona tiragens e audiências como nenhuma outra na nossa congregação desportiva. Que tema? Que temas? o convite é à inventiva, às vezes também à invenção.
Há dias, cinco jovens da equipa B faziam a manchete de uma prestigiada publicação. Falava-se de talento e de retoma. De rejuvenescimento e de renova. Aos futebolistas em causa eram atribuídos predicados susceptíveis de os conduzirem, a breve trecho, à equipa principal. A pesquisa encerrava alguma precipitação? Verdade. A pesquisa encerrava alguma motivação? Verdade também.
Sem embargo do objectivo do texto, avaliado em termos conjunturais, verdade ainda que permitiu, involuntariamente ou não, destacar o excelente trabalho que o Benfica tem desenvolvido no sector da Formação. Na actualidade, raro é o combinado nacional cujo contingente não tenha uma acentuada matriz benfiquista, por norma maioritária em relação aos emblemas rivais.
Conclusão? Há um Benfica-bebé, há um Benfica-adolescente, há mais Benficas, Benficas com muito engenho e distinto laboratório, que só podem carrear um Benfica de maior qualidade e com maiores soluções, técnicas e afectivas, no futuro imediato."

João Malheiro, in O Benfica

Encomendas

"1. Há as encomendas - de entrevistas, de faixas de Campeão, de árbitros amigalhaços para fazerem os fretes do costume, e há as comendas das ditas encomendas. O presidente da Major República de Gondomar aplicou ao presidente do Porto uma comenda de bem comer ou uma bebenda de bem beber, para o caso pouco importa. Foi bonito. Primeiro porque os personagens se merecem amplamente um ao outro; depois porque foi na comarca de Gondomar que o presidente do Porto se tornou no «Campeão Nacional dos arguidos do Futebol português». O único título, ao que sei, que recusa generosamente e pelo qual, também generosamente, resolveu chamar-me a tribunal.
2. E é através dos tribunais, geralmente situados a Oeste de Pecos, que me vou apercebendo da refinadíssima sensibilidade do presidente do Porto. Aborrecido, amachucado, angustiado (segundo testemunhas suas) por uma frase vaga de um artigo meu, que referia haver gente que continua a meter medo nas redacções dos jornais, seguro de que era o alvo único de tão arrasadora pilhéria, avançou de novo para o colo dos juízos à procura de conforto. Acho que ainda vou ter de afirmar na barra que, na verdade, ele não mete é medo a ninguém.
3. Fico a saber - sim, porque não faço tenções de lá pôr os pés - que o museu do Porto, que já foi inaugurado mas estranhamente ainda não abriu, tem um carro pendurado num dos tectos. A imagem trouxe-me à lembrança uma velha viagem de finalistas a Torremolinos. Havia uma discoteca, chamada Piper's, que tinha uma moto pendurada sobre a pista de dança. Para a canalha com pouco mais de 16 anos era um sucesso. Depois crescemos e a ideia que fica é que é simplesmente parolo. Muito parolo!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Ganhar a Taça é obrigatório

"Para Eurípedes, poeta grego que tão bem descrevia o desassossego da alma humana, «a coragem era a prudência». Também para mim este deve ser o espírito da abordagem do Benfica de Jorge Jesus ao jogo da Taça de Portugal em Cinfães.
Ganhar a Taça de Portugal é um objectivo que deixou de ser prioritário e passou a obrigatório desde que saímos do Jamor no último ano. Ganhar no Jamor não acontece há 10 anos. Perdemos duas finais contra os Vitórias de Setúbal e de Guimarães de forma inacreditável e todos sabemos que se o FC Porto teve o seu Torriense e o seu Atlético nós conhecemos bem demais o Varzim e o Gondomar.
Não quero mais que haja Taça, quero é ganhar a Taça.
Quando o treinador do Cinfães diz que no subconsciente dos jogadores está o eliminar o Benfica, diz aquilo que todos sabem. Espero que no consciente dos jogadores do Benfica esteja o perigo de ser eliminado pelo Cinfães. Só haverá uma vitória fácil se o Benfica assumir o jogo como difícil. O jogo contra o Cinfães é mais importante do que o jogo contra o Olympiakos.
Se na Taça de Portugal apenas se aceita como positivo vencê-la, já na Liga dos Campeões a obrigação esgota-se numa prova europeia de prestígio. Assim descrito é fácil verque por mim haveria um 11, no sábado, de garantia total para a eliminatória.
Portugal, com a sua pior Selecção dos últimos 40 anos, não pode exigir a Paulo Bento que faça aquilo que outras bem melhores não fizeram, Cristiano Ronaldo, João Moutinho e pouco mais terão um nível internacional incontestado. O play-off é a nossa realidade e chegar ao Brasil seria um feito a agradecer ao navegador Paulo Bento. Não é fácil, nunca foi, o achamento do Brasil e mesmo há 500 anos foi conseguido com sorte, a fazer fé na história. Venha a Islândia se é possível escolher."

Sílvio Cervan, in A Bola

Formação

"1. A semana foi da Selecção Nacional e, embora haja quem se alegre com as suas falhas pois não goste do seleccionador (primeiro Scolari, agora Paulo Bento...), todos temos que fazer força para que ela consiga atingir a Fase Final do Mundial. Foi justamente festejada a estreia internacional de André Almeida, produto da nossa 'fábrica' do Seixal. É certo que têm sido raros os jogadores ali produzidos a chegar à nossa equipa principal e à Selecção. Mas há que recordar que aquele Centro tem apenas sete anos, que se começou do zero e que um jogador não se faz de um momento para o outro. Há mais jovens a dar nas vistas (fala-se agora muito bem em Ivan Cavaleiro), mas há que saber aguardar a melhor altura para o seu lançamento. Também gostaria de ver a primeira equipa com muitos portugueses (sou do tempo em que eram todos!...), mas a realidade obriga-me a não ter muitas ilusões e, neste aspecto, estou menos confiante que o nosso presidente: dificilmente os portugueses deixarão de ser uma minoria na equipa principal, embora seja desejável que neles se aposte cada vez mais.
2. Parece que foi um grande feito: o FC Porto apresentou lucro nas contas da sua SAD. Depois de um saldo negativo de quase 36 milhões de euros no ano anterior, teve agora 20 milhões de saldo positivo. Mas só em vendas de jogadores (Hulk, Álvaro Pereira, João Moutinho, James), receberam 76 milhões. A juntar a isso, o clube teve um ano positivo em termos de receitas da UEFA: mais de 20 milhões. Pois, mesmo assim, o passivo do clube apenas decresceu pouco mais de 3 milhões de euros. Mais: excluindo as receitas com a venda de jogadores, o FC Porto teve um saldo negativo de 18 milhões de euros de resultados operacionais, enquanto o Benfica teve no mesmo período (2012/13) um saldo positivo de 7 milhões. E as receitas de bilheteira do FC Porto caíram quase 40 por cento.
A situação financeira do Benfica não é brilhante mas a do FC Porto, que não teve de pagar centro de estágio e foi altamente ajudado (e de forma até pouco clara...) na construção do seu estádio, também não é brilhante. Apesar destes 'fogachos'...
3. Valentim Loureiro vai deixar a presidência da Câmara de Gondomar e homenageou... Pinto da Costa. Estava ali reunido, em pleno, o Apito Dourado."

Arons de Carvalho, in O Benfica   

Orgulho Benfiquista

"Um estudo da agência Euromericas Sport Mark coloca o Benfica como terceiro clube mundial com mais sócios (outras notícias davam o segundo lugar). No entanto, os números contabilizados pela agência - 198 mil sócios - pecam por defeito. O Benfica corrigiu de imediato, esclarecendo que tem actualmente um pouco mais que 232 mil sócios, o que lhe dá o primeiro lugar, à frente do Barcelona (223 mil sócios), Bayern (217 mil) e Manchester United (189 mil).

MODALIDADES
É certamente motivo de grande orgulho para todos os benfiquistas o prémio atribuído pela Associação dos Jornalistas de Desporto/CNID à equipa de Hóquei em Patins do Benfica como Equipa do Ano. O prémio consagra não só o Campeão Europeu de Hóquei em Patins - título conquistado numa final com outra equipa portuguesa, na casa do adversário, com árbitros internacionais - mas também presta homenagem a uma modalidade de pavilhão que assim disputa um título com o mediatismo todo-poderoso do Futebol. O capitão, Valter Neves, recebeu o troféu e tinha a Nação benfiquista consigo.

O REI
Uma essencial e abissal diferença entre Eusébio e Cristiano Ronaldo é que o Pantera Negra nunca viveu obcecado com a pretensão de ser o maior, o melhor, o Rei do Futebol. É também por essa humildade que Eusébio foi e continua a ser o Rei. Mas a principal razão reside no facto de Eusébio ter sido melhor e ter mais currículo que qualquer outro futebolista português, por muitos golos que tal futebolista tenha marcado ao Azerbeijão. Poderá argumentar-se que, no seu tempo, Eusébio não tinha um Messi a disputar-lhe  trono. Pois não, tinha um Pelé."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Manifestamente pouco

"Também há benfiquistas desagradados com Paulo Bento. Por causa do Josué. Jogador que cospe num adversário numa semana não pode ser recompensado com a titularidade na Selecção

DEVE ser mesmo muito difícil. Que tarefa hercúlea para Paulo Bento. A tarefa de moralizar os jogadores da selecção para o duplo confronto que vem aí ainda não se sabe contra quem, sentindo-se ele próprio, impossível não se sentir, tão desmoralizado com o que tem ouvido dizer sobre si nos últimos tempos.
Por exemplo, mal Rui Patrício falhou aquele pontapé que deu origem ao golo do empate de Israel, à beira do fim do jogo em Alvalade, desatou logo o presidente do FC Porto que estava longe, em Toronto, a desancar no homem com quem está zangado desde que Paulo Bento veio à baila com a história das «postas de pescada».
Não foi assim há tanto tempo. Provavelmente, as relações entre os dois já não seriam as melhores, desconheço. Adiante.
A verdade é que o segundo de infelicidade de Rui Patrício fez a felicidade de alguma gente. Especialmente, atrevo-me a dizer sem generalizar, entre portistas, sempre solidários com o seu presidente como manda o protocolo, e entre sportinguistas para quem Paulo Bento é sinónimo de quatro segundos lugares consecutivos em quatro Ligas, o que foi considerado manifestamente pouco.
Paulo Bento tem dado argumentos aos seus anti. É o responsável por uma equipa nacional muito bem pontuada em todos os rankings da especialidade e que não conseguiu ganhar nenhum dos dois jogos que fez com Israel na caminhada para o Brasil. Perdeu um e empatou outro. Também é manifestamente pouco, convenhamos.
- Posso jurar que Paulo Bento nunca será treinador do FC Porto! – gritou lá de Toronto, aguçado pelo infortúnio da selecção, o presidente do, precisamente, FC Porto.
- Ah, valente! – respondeu o séquito.
Mas, atenção, também há entre os benfiquistas, mais uma vez sem generalizar, muita gente desagradada com o seleccionador nacional pelas opções que tomou nesta fase final de definição do nosso grupo de qualificação para o Mundial.
E porquê? Ora. por causa do Josué. Pois, para os puristas que estão a par de tudo através dos jornais e da televisão, um jogador que cospe num adversário numa semana não pode, jamais, ser recompensado na semana seguinte com a titularidade na selecção nacional.
- Isto numa Inglaterra nunca acontecia! – dizem em bom português.
E, por esta razão, acusam Paulo Bento de estar a lavar a imagem de um jogador de um clube rival.
É muito difícil contentar esta gente toda.
No que diz respeito à sopa, já lá vamos.

É verdade que a nossa selecção não está a jogar grande coisa. Mas também não está a jogar assim tão mal que leve a França, nossa possível adversária do play-off de acesso ao Mundial de 2014, a desejar calhar connosco no sorteio da próxima segunda-feira. São, portanto, infundados os patrióticos receios de Cristiano Ronaldo. No fim do jogo com Israel, o madeirense de ouro expressou em voz alta o que lhe ia na alma. Não quer jogar com a França porque «pode haver outros interesses». Poder, pode.
Embarcando alegremente na teoria da conspiração, também se pode concluir que aos franceses interessa muito mais jogar com a Islândia, ou mesmo com a Roménia, do que com os portugueses, seus tradicionais fregueses, é verdade, mas sempre capazes, por serem portugueses, de surpreenderem o mundo com uma qualquer originalidade.
Confiemos no sorteio e no Platini, esse grande malandro. A França não vai jogar com Portugal porque não quer. Podermos todos ficar descansados. Os «interesses» deles são iguais aos nossos.
Se, no entanto, sair um França-Portugal, ou vice-versa, lave-se imediatamente a honra do presidente francês da UEFA. Será a prova de que não houve bolas quentes nem bolas frias no sorteio dos play-offs. Ou isso ou a nossa cotação está mesmo muito por baixo.

A Bósnia qualificou-se directamente para o Mundial. Foi a nossa adversária por duas vezes, nos play-offs para o Mundial da África do Sul, em 2010, e para o Europeu da Polónia-Ucrânia, ou vice-versa, em 2012. O crescimento da Bósnia como selecção pertinente parece sustentado. Nos últimos três torneios de qualificação em que participou ficou por duas vezes em segundo lugar e por uma vez em primeiro lugar, esta, a mais recente.
Tal como a Bósnia exibe um padrão de crescimento, é de desejar que o padrão da selecção portuguesa não seja o diametralmente oposto. Depois de uma série de qualificações directas consecutivas, dois play´-offs e… e… e o que for soará.

OS sócios do Olhanense não aceitam ir ver os jogos da sua equipa em casa ao Estádio do Algarve, esse mono em terra de ninguém, uma das inutilidades saídas do erário público para alimentar o festim de construção do Euro 2004. Perdoem-me o moralismo.
Olhão é uma cidade especial, múltipla, orgulhosa, cheia de raça e de História. Olhão é tudo menos banal. Filhos de quem são, os sócios do Olhanense optaram por uma muito expressiva iniciativa de protesto contra a marcação do jogo com o Arouca, o próximo compromisso dos algarvios, no tal estádio que pouco serviu para o Euro’2004 e que, depois disso, para quase nada serviu ou serve.
Leio na edição de sábado deste jornal que, à hora do Olhanense-Arouca «duas mil pessoas ficarão no Estádio José Arcanjo a ouvir o relato do jogo que se disputa no Estádio do Algarve» à beira da A22, trata-se de uma autoestrada.
O Estádio José Arcanjo é a casa do Olhanense em Olhão, desde 1984, é o digno sucessor do mítico Estádio Padinha e é, naturalmente, o lugar onde os olhanenses se sentem bem e em casa. Alguém de bom senso lhes poderá levar a mal recusarem-se a uma deslocação forçada com o mesquinho intuito de pintalgar de seres vivos as quase virgens bancadas, em plástico japonês, do mono?
Claro que não. Desejo o maior sucesso ao protesto dos olhanenses.

DEPREENDE-SE de uma notícia da edição de A BOLA de segunda-feira que o Gaitán está amuado porque ambicionava a camisola 10 de Aimar. Para desconsolo seu, a dita camisola foi parar ao cacifo do sérvio Djuricic. É este o teor da notícia, resumidamente, como se exige a todos os teores.
Nico Gaitán é, porventura, um dos jogadores mais talentosos actualmente ao serviço do Benfica. Mas, sinceramente, não vejo diferença alguma, no capítulo da qualidade e da entrega ao jogo, entre o Gaitán pré-camisola-10-para-Djuricic e o Gaitán pós-camisola-10-para-Djuricic. Diria até que é exactamente a mesma coisa.
É uma pena, um pecado, que um jogador como Gaitán, jogando ou não na posição que prefere, nos tenha habituado a olhá-lo com a complacência com que se olha para um jogador sazonal. Ou seja, para aquele tipo de jogador que em cada estação do ano assina uma maravilhosa exibição. É pouco. É pena.

NÃO me importa se a sopa estava a ferver, ou morna, ou fria. Não me importa se o basquetebolista Marçal do Maia Basket é o mesmo basquetebolista Marçal do FC Porto que tanto se enervou quando o Benfica foi ganhar o campeonato da modalidade na casa do Dragão. Já passou, já lá vai.
O que se passou no restaurante Terceiro Anel, para além do pecado do desperdício, foi mau. Mau para o Benfica que, alheio ao incidente como ninguém duvida, vê o seu bom nome envolvido numa cena a todos os títulos lamentável.
Pela parte que me toca, e eu não estava lá, peço desculpa ao basquetebolista Marçal. Faço-o com toda a franqueza. Não sou nem mais nem menos benfiquista do que os discóbolos da sopa. Sou apenas pelo Benfica e pela civilização. As duas coisas ao mesmo tempo, de preferência."

Leonor Pinhão, in A Bola

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Maximus !!!

Sucesso no futebol

"O futebol é o desporto que, em teoria, menos deveria conduzir ao sucesso. Ao contrário de outras modalidades, joga-se com os pés e não com as mãos. Ora os ditos pés são, creio, a parte mais tosca para o homem se exprimir. Quase todos os outros desportos precisam das mãos - parte do corpo bem mais artística e habilidosa - para se jogar. No futebol, a mão é até pecaminosa.
Certo é que a primeira medida do sucesso no futebol é ter bons pés. Se possível, ser destro e canhoto. Bons pés significam força, direcção, capacidade de finta para , em futebolês, o chuto ter conta, peso e medida com o discernimento de se poder para jogar com o pé que se tem mais à mão, como dizia o saudoso Alves dos Santos.
Curiosamente, no guarda-redes o que é essencial é ter boas tenazes, embora o pé seja uma das medidas dos seus erros.
Passando ao lado das pernas e músculos (determinantes para a velocidade, salto e capacidade de reacção), chegamos à cabeça. E se por cabeça pensamos nas cabeçadas, tivemo-las ao longo do tempo, para todos os gostos. Até cabeças em forma de quilha podem ser um decisivo factor de sucesso porque provocam o efeito bilhar (o caso de Vata, embora ironicamente mais recordado pela mão).
Porém, se por cabeça pensarmos no juízo, as coisas mudam de perspectiva. Um bom jogador deve ter os pés bem assentes no chão. No duplo sentido. Maradona por ser baixo tinha um centro de gravidade tal que raramente caia, mas o juízo (ou falta dele) tem-lhe sido adverso.
Curioso é verificar que, no mundo do futebol, há quem tenha sucesso construindo, mas também o há quem lá chegue, destruindo. Daí a cotação aumentada das chamados trincos."

Bagão Félix, in A Bola

Vencer e convencer

Benfica 29 - 23 ABC

Mais um jogo convincente do Benfica. Depois do início de época tremido, parece que o Benfica está a acertar o passo... os erros na gestão das substituições que existiram nos primeiros jogos, deixaram de existir, é verdade que os adversários são um pouco mais fáceis, mas parece-me que os responsáveis aprenderam com os erros...
Excelente primeira parte, chegámos ao intervalo com 6 golos de vantagem. O ABC reagiu, aproximou-se - e tendo em conta a habitual irregularidade desta equipa fiquei preocupado, admito... -, com alguma culpa nossa, chegou a 2 golos de distância, mas na parte final o Benfica voltou a distanciar-se.
O ABC recentemente venceu o Sporting, e perdeu por um golo com os Corruptos, hoje em ataque planeado o Benfica defendeu muito bem (9 golos sofridos), mais de metade dos golos do ABC foram em contra-ataque (12), muito por culpa do Humberto Gomes (um dos melhores guarda-redes portugueses)...
Uma nota final, para mais uma excelente exibição do Álamo, que por ser tão 'normal', já nem é notícia, mas é sempre bom lembrar!!!
Agora vamos ter uma série de jogos para o Campeonato, com os adversários supostamente mais fáceis, não podemos facilitar...

PS: Continuo sem perceber os critérios que estes senhores apitadeiros - supostamente os melhores do País!!! -, tanto nos livres de 7 metros, como nas exclusões!!!

Derby com vitória do Benfica !!!

Pois é, até no Surf !!! Hoje, o 'nosso' Jordy Smith, venceu em Peniche, sem apelo nem agravo, o Frederico Morais (creio que o seu Clube é mesmo o Sporting... assim como o seu pai...!!!). Foi na 3.ª ronda... amanhã de manhã, na 4.ª ronda com o Josh Kerr e o Nat Young, o Jordy tem tudo para seguir directamente para para os Quartos-de-final... 
Força Jordy, com o mar nestas condições 'anormais' para os Supertubos, tem tudo para levar o Caneco!!!


PS: Espero que a piada seja entendida, como uma piada!!! Neste momento existem vários jovens surfistas portugueses com condições de entrarem no World Tour (Vasco Ribeiro, Francisco Alves, Nico Van Rupp, José Ferreira...), mas por acaso até acho que o Frederico Morais é aquele que psicologicamente (espírito competitivo) tem mais hipóteses, de 'substituir' o também 'nosso' (Benfiquista) Tiago Pires na alta roda do Surf...!!! Não estou a antecipar a 'reforma' do Tiago, mas com a lesão deste ano, as probabilidades do Tiago receber o Injury Wild Card são baixas, e não sei se o Tiago tem motivação para voltar ao WQS e tentar novamente a qualificação, era bom que assim fosse...!!!

ADENDA: Afinal o Kikas (Frederico Morais) apesar da descendência, demonstrou um extremo bom gosto, e contrariou a corrente familiar, juntando-se à família Benfiquista!