Últimas indefectivações

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Lixívia 24

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.........64 (-6 ) = 70
Corruptos......60 (+4 ) = 56
Braga...........43 ( +1 ) = 42
Sporting.........30 (+8 ) = 22


Na Luz voltámos a ter que aguentar, uma daquelas arbitragens manhosas 'douradinhas', totalmente premeditadas... Enquanto o resultado do jogo ainda estava 'aberto', não expulsou o Nivaldo - nem falta marcou -, numa tentativa de 'homicídio' ao Salvio... aliás durante todo o jogo a atitude dos jogadores do Rio Ave, foi sempre de extrema agressividade, qualquer jogador do Benfica que se agarrava uns segundos a mais à bola, levava sempre pancada. Sendo o Enzo o mais castigado. A pega de cernelha que o Tarantini fez ao Enzo é disso o maior exemplo, com total impunidade... Se também é verdade que o auxiliar errou ao marcar um fora-de-jogo ao ataque do Rio Ave, logo no início do jogo; segundos após o 1.º golo do Benfica, deixou-se enganar por uma simulação descarada do Bebé, num livre que até foi à barra!!!
Mas quando o apitador, verificou que o jogo estava decidido, mudou de estratégia, apanhando os Vila-condenses de surpresa!!! Já que não podia condicionar este jogo, optou por condicionar os próximos!!! As duas expulsões do Rio Ave, são claras - aliás o Wires até podia ter sido expulso por protestos, quando levou o 1.º amarelo!!! -, e assim beneficiou o clube do seu coração - e do seu bolso!!! -, retirando estes dois jogadores da Meia-final da Taça da Liga com os Corruptos!!! Não satisfeito, decidiu carregar de amarelos os jogadores do Benfica, na esperança que nas últimas, e decisivas jornadas, o Benfica tenha jogadores suspensos por acumulação de amarelos, conseguindo mesmo expulsar o Melga com dois amarelos, após duas simulações descaradas do Ukra - o Melga não fez qualquer falta nos dois lances!!! Enquanto o Melga é um dos jogadores mais utilizados, e com um substituto, que nem sempre se tem mostrado à altura... o Rodrigo tem sido pouco utilizado - no Campeonato muito pouco... -, e talvez por isso tenha perdoado o vermelho directo ao nosso avançado!!!

Não vi os outros dois jogos, analisando os resumos: sou obrigado a considerar que os Lagartos foram beneficiados, isto apesar de vários Benfiquistas terem-me dito que o Jorge Sousa, nas faltas e faltinhas menos graves, fez tudo para beneficiar o Braga!!! Mas nos lances de penalty, ficou um por marcar contra o Sporting (repito: que pessoalmente considero que este tipo de Bolas na Mão não são penalty, mas o critério em Portugal é outro...), no lance do Capel, o Elderson corta a bola, não existem dois movimentos, portanto o choque é inevitável, finalmente no lance do Joãozinho o 2.º amarelo foi bem mostrado, pois existe uma clara simulação.
O mais significativo dos jogo dos Corruptos em Coimbra, até não foi a arbitragem do Bruno Esteves: foi a vergonhosa lavagem feita pelas televisões aos erros de arbitragem!!! O Mangala dá uma chapada no Edinho - quando este podia-se isolar -, 3 minutos antes de levar um amarelo; o Lucho faz um penalty, empurrando um adversário, e nos programas de paineleiros: nada!!! Só mostraram um suposto penalty contra a Académica!!! Que não existe. O braço está levantado, mas para quem faz um carrinho, é a posição normal, acaba por ser o Fernando com um toque na bola, a menos de 1 metro de distância, que acaba por levar a bola na direcção do braço do João Real.


Anexos:
Benfica
1ª-Braga(c) E(2-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
2ª-Setúbal(f) V(0-5), Jorge Sousa, Nada a assinalar
3ª-Nacional(c) V(3-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
4ª-Académica(f) E(2-2), Xistra, Prejudicados, (0-3), (-2 pontos)
5ª-Paços de Ferreira(f) V(1-2), Marco Ferreira, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
6ª-Beira-Mar(c) V(2-1), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
7ª-Gil Vicente(f) V(0-3), Vasco Santos, Nada a assinalar
8ª-Guimarães(c) V(3-0), João Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
9ª-Rio Ave(f) V(0-1), Bruno Esteves, Nada a assinalar
10ª-Olhanense(c) V(2-0), Rui Silva, Nada a assinalar
11ª-Sporting(f) V(1-3), Marco Ferreira, Nada a assinalar
12ª-Marítimo(c) V(4-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
13ª-Estoril(f) V(1-3), Duarte Pacheco, Nada a assinalar
14ª-Corruptos(c) E(2-2), João Ferreira, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado
15ª-Moreirense(f) V(0-2), Capela, Nada a assinalar
16ª-Braga(f) V(1-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
17ª-Setúbal(c) V(3-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
18ª-Nacional(f) E(2-2), Proença, Prejudicados, (2-4), (-2 pontos)
19ª-Académica(c) V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
20ª-Paços de Ferreira(c) V(3-0), Capela, Nada a assinalar
21ª-Beira-Mar(f) V(0-1), Manuel Mota, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
22ª-Gil Vicente(c) V(5-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
23ª-Guimarães(f) V(4-0), Paulo Baptista, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
24ª-Rio Ave(c) V(6-1), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado

Sporting
1ª-Guimarães(f) E(0-0), Capela, Nada a assinalar
2ª-Rio Ave(c) D(0-1), Marco Ferreira, Nada a assinalar
-Marítimo(f) E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Gil Vicente(c) V(2-1), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, (2-2), (+2 pontos)
5ª-Estoril(c) E(2-2), Nuno Almeida, Beneficiados, (2-3), (+1 ponto)
6ª-Corruptos(f) D(2-0), Jorge Sousa, Prejudicados, (1-0), Sem influência no resultado
7ª-Académica(c) E(0-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
8ª-Setúbal(f) D(2-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
9ª-Braga(c) V(1-0), Proença, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
10ª-Moreirense(f) E(2-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
11ª-Benfica(c) D(1-3), Marco Ferreira, Nada a assinalar
12ª-Nacional(f) E(1-1), Soares Dias, Nada a assinalar
13ª-Paços de Ferreira(c) D(0-1), Rui Silva, Nada a assinalar
14ª-Olhanense(f) V(0-2), Hugo Pacheco, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
15ª-Beira-Mar(c) V(1-0), Cosme, Nada a assinalar
16ª-Guimarães(c) E(1-1), Xistra, Beneficiados, (1-2), (+1 ponto)
17ª-Rio Ave(f), D(2-1), Capela, Beneficiados, Sem influência no resultado
18ª-Marítimo(c) D(0-1), Duarte Gomes, Nada a assinalar
19ª-Gil Vicente(f) V(2-3), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, (3-4), Sem influência no resultado
20ª-Estoril(f) D(3-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
21ª-Corruptos(c) E(0-0), Paulo Baptista, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado
22ª-Académica(f) E(1-1), Hugo Pacheco, Nada a assinalar
23ª-Setubal(c) V(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
24ª-Braga(f) V(2-3), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)

Corruptos
1ª-Gil Vicente(f) E(0-0), Duarte Gomes, Beneficiado, Prejudicados, (1-1), Sem influência no resultado
2ª-Guimarães(c) V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Sem influência no resultado
3ª-Olhanense(f) V(2-3), João Ferreira, Nada a assinalar
-Beira-Mar(c) V(4-0), Manuel Mota, Nada a assinalar
5ª-Rio Ave(f) E(2-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
6ª-Sporting(c) V(2-0), Jorge Sousa, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
7ª-Estoril(f) V(1-2), Capela, Nada a assinalar
8ª-Marítimo(c) V(5-0), Cosme, Nada a assinalar
9ª-Académica(c) V(2-1), Hugo Pacheco, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
10ª-Braga(f), V(0-2), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
11ª-Moreirense(c) V(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
12ª-Setúbal(f) V(-3), Proença, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
13ª-Nacional(c) V(1-0), Rui Costa, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
14ª-Benfica(f) E(2-2), João Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
15ª-Paços de Ferreira(c) V(2-0), Jorge Sousa, Nada a assinalar
16ª-Gil Vicente(c) V(5-0), Paulo Baptista, Beneficiados, Sem influência no resultado
17ª-Guimarães(f) V(0-4), Marco Ferreira, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado
18ª-Olhanense(c) E(1-1), Cosme Machado, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
19ª-Beira-Mar(f) V(0-2), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
20ª-Rio Ave(c) V(2-1), Soares Dias, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
21ª-Sporting(f) E(0-0), Paulo Baptista, Beneficiados, Impossível contabilizar no resultado
22ª-Estoril(c) V(2-0), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
23ª-Marítimo(f) E(1-1), João Capela, Beneficiados, Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
24ª-Académica(f), V(0-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Impossível contabilizar

Braga
1ª-Benfica(f) E(2-2), Soares Dias, Beneficiado, Prejudicados, (3-2), (+ 1 ponto)
2ª-Beira-Mar(c) V(3-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
3ª-Paços de Ferreira(f) D(2-0), Pedro Proença, Nada assinalar
4ª-Rio Ave(c), V(4-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
6ª-Olhanense(c), E(4-4), Jorge Tavares, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7ª-Marítimo(f), V(0-2), Benquerença, Nada a assinalar
8ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
9ª-Sporting(f) D(1-0), Proença, Prejudicados, (1-1), (-1 ponto)
10ª-Corrutpos(c) D(0-2), Xistra, Prejudicados, Impossível contabilizar no resultado
11ª-Académica(f) V(1-4), Soares Dias, Nada a assinalar
12ª-Estoril,(c) V(3-0), Nuno Almeida, Beneficiados, (3-1),Sem influência no resultado
13ª-Moreirense(c) V(1-0), Jorge Sousa, Nada a assinalar
14ª-Nacional(f) D(3-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
15ª-Setúbal(c) V(4-1), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
16ª-Benfica(c) D(1-2), Bruno Esteves, Nada a assinalar
17ª-Beira-Mar(f) E(3-3), Hugo Pacheco, Beneficiados, Prejudicados, (4-2), (+1 ponto)
18ª-Paços de Ferreira(c) D(2-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
19ª-Rio Ave(f) E(1-1), João Ferreira, Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
20ª-Guimarães(c) V(3-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
21ª-Olhanense(f) V(0-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
22ª-Marítimo(c) V(2-0), Bruno Esteves, Nada a assinalar
23ª-Gil Vicente(f), V(1-3), Xistra, Nada a assinalar
24ª-Sporting(c), D(2-3), Jorge Sousa, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)

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terça-feira, 2 de abril de 2013

Recordar é viver !!!

Do Jesus Clough

"Em Inglaterra houve um José Mourinho antes de José Mourinho? Houve: Brian Clough, que fez de uma equipa de província bicampeã da Europa, o Nottingham Forest. Pois, mas o que eu acho é que há também esse Brian Clough em Jorge Jesus, não nos seus traços excêntricos e polémicos, mas nos outros, nos imprevisíveis e instintivos. Viu-se, sábado, naquele golo de Melgarejo ao Rio Ave (mas não só...), lembrando-me de Martin O'Neill, que fora treinado por ele, ter contado que, certa vez, um dos seus rapazes lhe foi perguntar, muito tímido, o que poderia fazer para o tornar melhor lateral. Fechado no seu rosto luminoso, Clough respondeu-lhe que não sabia, o pupilo murmurou-lhe:
- Se não sabe isso, como é que pode continuar a treinar-me?
e recebeu em contra-ataque:
- Aprende então: não sou eu que tenho de te ensinar a seres melhor jogador, tens de ser tu. Eu só tenho de estar demasiado ocupado a ganhar jogos.
Sim, este ano mais do que em qualquer outro, Jorge Jesus descobriu a quadratura deste círculo, o segredo de estar apenas demasiado ocupado a ganhar jogos - e com isso conseguiu tudo o resto: ensinar um lateral a ser o que não se imaginava que pudesse ser, o Melgarejo - produção sua como já fora Coentrão; inventar um novo Enzo Pérez; ou fazer de Matic, Ola John, Lima, Gaitán jogadores bem melhores do que eram...
Foi por acaso? Não, não foi. Nem foi só. No futebol, inventar uma ideia é tão eficaz como transmitir uma emoção - e, mesmo que, às vezes, fosse pelos caminhos trocados das palavras, Jesus fez, como Clough fazia, o que precisava de ser feito: ter o sonho no infinito, o impossível no possível. Com esse poder de convicção, que chegou a parecer quase delírio, ganhou jogos - e deixou o Benfica no ponto em que está. E, continuando a jogar como jogou contra o Rio Ave, vai acabar por ser o que eu suspeito que será: campeão. 
(O que a acontecer terá o mérito maior que pode haver: o ganho ser por mérito dele, do Jesus - e não por demérito doutro, do Vítor Pereira...)"

António Simões, in A Bola

A recta final...

"1. Vamos entrar na recta final da época. Dois meses decisivos em Portugal e na Europa. Nos próximos 13 dias teremos já quatro jogos importantíssimos, a começar já amanhã, com o sempre complicado Rio Ave, mesmo em casa. Agora, não pode haver distracções. Na Liga, é ganhar jogo a jogo, de forma a chegar ao Dragão já com o título praticamente garantido. Teoricamente, temos um calendário mais favorável.
Mas um simples percalço, qualquer empate inesperado, pode virar tudo ao contrário. A equipa lá dentro e nós todos cá fora, teremos que ser muito fortes. Vem-me sempre à memória a caminhada triunfal para o título de há quatro anos. A onda vermelha que nas últimas jornadas ajudou a equipa a chegar aos triunfos. Vamos a isto!

2. O Sporting inaugurou nas eleições que realizou no sábado passado um sistema electrónico de votação. Mas apenas centralizado em lisboa, o que deu origem aos votos por correspondência... e uma (mais uma...) grande confusão na sua contagem, que se prolongou noite dentro. Gostaria de recordar que o Benfica já realizou duas votações (2009 e 2012) com meios electrónicos, em Lisboa e em vários ponto do País, e com a possibilidade de os sócios no estrangeiro votarem através da internet, mediante um código. As urnas fecharam então às 22.00 horas e, pouco depois, sabiam-se os resultados da votação. Foram quase 24 mil os votantes, contra os 15 mil do Sporting, numa eleição bem mais decisiva e renhida...

3. A demissionária Direcção do Sporting vendeu o seu avançado, Wolfswinkel, ao Norwich, clube britânico de segundo plano. O problema é do clube. O que me leva a salientar o facto é a profusão de notícias quase diárias que davam o referido jogador como pretendido por todos os grandes clubes europeus, por verbas que, claro, nada têm a ver com aquilo por que foi vendido na realidade (cerca de 10 milhões de euros). Chegaram a ser ridículas as notícias dando conta do interesse dos Manchesters, dos Bayerns e de outros grandes da Europa por um jogador que, claro, só interessava a clubes de segunda linha.

4. O Record começou a contar 31 histórias a propósito dos 31 anos de Pinto da Costa como presidente do FC Porto. Espero bem que as conte todas...

5. Lamentavelmente, a nossa claque No Name Boys continua a somar multas... pagas pelo Clube. Na 23.ª jornada, em Guimarães, bateram mais um (infeliz) recorde: 12.750 euros, o equivalente às quotas mensais de 1062 sócios. Contas feitas às 23 jornadas decorridas até agora, já vai em 102.078 euros, ou seja, as quotas de 8506 sócios. Sem falar naquilo que nos espera da UEFA... Até quando?"

Arons de Carvalho, in O Benfica

Falta de vergonha é o que está a dar

"Perdoem-me a crueza das palavras mas o controlo dos salários levado a cabo pela Liga de Clubes é uma verdadeira palhaçada...

O futebol profissional em Portugal não passa de uma brincadeira de mau gosto. Por culpa dos clubes e do laxismo do Governo. Culpa dos clubes porque não estão preocupados com a viabilidade da competição; laxismo do Governo porque faz vista grossa a uma área que devia tutelar.
Alegadamente, os clubes não devem nada aos jogadores, a certificação entregue e aceite pela liga assim o diz. Enganem-me que eu deixo, é a mensagem que chega aos emblemas do futebol profissional, numa conivência com várias tonalidades, cada uma com justificação própria, mas todas a colocarem pregos no caixão da viabilidade da competição.
O esquema usado por muitos clubes é simples mas eficaz, tanto mais que ninguém está interessado em confirmar a veracidade das declarações entregues. Periodicamente, os futebolistas, amiúde sob coação dos clubes, assinam documentos dizendo que têm os salários em dia. Tenham ou não, os jogadores - que são o elo mais fraco - sem alternativa laboral a meio da época, preferem acreditar no Pai Natal dos clubes, contribuindo para faz de conta que também conhece o beneplácito do seu Sindicato. Ou seja, é uma teia de cumplicidades - liga, Clubes e jogadores - que perpetua a mentira e leva a situações aberrantes como a que é vivida atualmente no Olhanense. E parece que ninguém se importa realmente com o caso...
Na próxima jornada, o Olhanense recebe o Benfica, numa partida importantíssima para o título e para a manutenção. Não se sabe se os algarvios vão usar os jogadores profissionais ou se recorrerão aos juniores porque, entretanto, os profissionais entregaram um pré-aviso de greve por falta de pagamento dos salários, algo que entra em contradição com as declarações depositadas na liga. Uma mentira, uma vergonha, um despautério. O rei vai nu. A I liga, com 16 equipas, é uma mentira e estar a falar em passar para 18 concorrentes (se o Boavista vier a ser reintegrado...) é o cúmulo do disparate. Meus senhores, acordem! Portugal, já com muita boa vontade, não tem capacidade para sustentar uma Liga profissional com mais de 12 clubes. E se esses 12 clubes disputarem duas fases, uma entre todos e outra para os seis melhores e seis piores (o que perfará 32 jogos) talvez se encontrem meios para sustentar uma competição a sério, verdadeira e, ao contrário do que hoje acontece, honesta. Porque a mentira chegou ao auge. Na Liga portuguesa há clubes que não pagam aos jogadores e estão bem classificados e outros que têm tudo em dia e arriscam-se a descer de divisão. Pior não pode ser e anda tudo a assobiar para o lado como se não fosse nada.
A pergunta de um milhão de dólares é a seguinte: Há alguém interessado em colocar tudo isto no são ou é mesmo para continuarmos no reino da pouca vergonha?

SETE semanas depois, onde para a Polícia?
«O computador portátil de Vítor Pereira, presidência do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, também foi furtado no assalto à sede do organismo»
A BOLA, 14 de Fevereiro de 2013

RECAPITULEMOS: há mais de SETE semanas a sede da FPF foi assaltada, pensava-se que só tinham sido roubados dois computadores, do oitavo andar, mas o portátil do presidente dos árbitros, no sexto andar, também desapareceu. O ladrão, de cara destapada, foi caçado pela videovigilância. Deixou um rasto de sangue e impressões digitais. E nada?

(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

Objectivamente (Selecções, Sporting e AFP)

"Esta semana fica marcada pela Selecção Nacional, pelas eleições no Sporting e pelo regresso à competição interna com os habitantes testes no desgaste dos jogadores entregues às respectivas federações há 10 dias atrás.
Esta é, aliás, uma polémica que vai durar muito até se resolver, uma vez que os clubes reclamam muito sempre que os jogadores têm de ir às selecções mas também é bom saber que o retorno não é mau. Quer como valorização do 'activo', como agora lhe chamam, quer pelo retorno financeiro que as federações são obrigadas a entregar aos clubes por cada um dos seleccionados.
O Benfica teve um grande contratempo com o seu goleador-mor, Cardozo, quando este teve de regressar mais cedo depois de uma lesão frente ao Uruguai de Maxi Pereira. Mas ao mesmo tempo ficou salvaguardado da hipótese de agravar a situação no jogo seguinte com o Equador e talvez a recuperação se faça mais rápida... para além de evitar mais desgaste em longas viagens, etc.
Quanto a Maxi, castigado, regressou a casa mais cedo e poderá assim recuperar mais rápido para os confrontos que se seguem no seu Clube. Quer isto dizer que há compensações para tudo na vida.
Do Sporting, depois de um conturbado período eleitoral, eis que finalmente Bruno Carvalho assume a presidência. Os nossos rivais esperam recuperar o clube da moléstia mas, já agora, a ver se curam também a língua de tanto dizerem mal de quem os tem ignorado.
Gostaria também de destacar a gala da Associação de Futebol do Porto de Lourenço Pinto, essa figura turbulenta do dirigismo que aproveita para distinguir e homenagear clubes e pessoas que se distinguiram na AFP. Leixões, FCP, Boavista, Salgueiros e Progresso serão distinguidos, bem como Pinto da Costa, Valentim Loureiro, Luís Filipe Meneses e outros que tanto deram ao Futebol do distrito.
Que o digam Boavista, Salgueiros e Progresso que quase desapareceram..."

João Diogo, in O Benfica

Protecções

"Há duas semanas, neste mesmo espaço, recordei que o FC Porto, nas temporadas de 39/40 e de 41/42 deveria ter disputado o Campeonato da II Divisão, não fosse a generosidade da Federação Portuguesa de Futebol, que procedeu a dois cirúrgicos alargamentos apenas com o intuito de beneficiar o clube do Norte. Ainda assim, é daquela latitude que mais se ouvem recorrentes acusações ao Benfica, sobretudo no período que antecedeu o 25 de abril, só possível em mentes perversas e demagógicas, já que a vida demonstrou à saciedade quão falaciosas são as acusações portistas.
Outro exemplo? No dia imediato ao da conquista da primeira Taça dos Clubes Campeões Europeus, ganha ao Barcelona, foi a equipa de reservas que se viu obrigada a disputar, em Setúbal, os quartos-de-final da Taça de Portugal, após inacreditável sentença do mais importante órgão institucional do Futebol português. O Benfica, que havia ganho 3-1, na Luz, foi batido, por 4-1, em Setúbal, com a inevitável eliminação da prova. Foi o segundo jogo oficial de Eusébio, que marcou o golo e desperdiçou um penálti, defendido pelo guardião Mourinho (pai do técnico do Real Madrid). Quem mais jogou? Ramalho, Sidónio, Pinto, Maximiano, Amândio, Humberto Fernandes, Nartanga, Jorge, Espírito Santo e Inácio. Enquanto isso, entre outros, Costa Pereira, Germano, Coluna, José Augusto, Santana, Águas e Cavém viajavam de Berna.
Essa edição da Taça de Portugal só teve um pormenor pitoresco. Disputada nas Antas (na Luz nunca na história se realizou nenhuma), permitiu ver o Leixões conquistar o troféu no covil dos dragões-que-nessa-altura-ainda-não-eram-dragões. Como aconteceria, vinte anos mais tarde, quando um golo de Carlos Manuel deixou o anfiteatro portista em silêncio e concedeu ao Benfica o direito de exibir mais uma Taça de Portugal nos seus ricos escaparates."

João Malheiro, in O Benfica

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Futuras Páscoas Felizes !!!

Algumas das nossas equipas de formação, aproveitaram as férias da Páscoa para participar em torneios internacionais.
O destaque tem que ir para os nossos Infantis A, que na Pontinha revalidaram o título, numa final dantesca!!! Ainda na fase de grupos, perdemos com os Lagartinhos por 0-3, mas mesmo assim garantimos acesso à final, onde voltámos a encontrar o Sporting. E foi no meio de um temporal de chuva e vento, com o Proença a apitar, com muito chute para a frente, e com muita, mas mesmo muita garra, que vencemos por 2-0, com um 1.º golo monumental do André Ricardo...


Na Holanda os nossos Juvenis A terminaram em 3.º no Torneio AEGON Future Cup, depois de na 1.ª fase terem vencido o Bayern (1-0) e o Barcelona (2-1), e empatarem com o Anderlecht (0-0)(creio que os Belgas jogaram com uma equipa de um escalão etário superior!), nas meias-finais calhou-nos em sorte a equipa da casa, o Ajax, e o resultado e a exibição foram muito más (0-5)!!! Não sei se foi devido à vitória contra o Barcelona no dia anterior (com remontada!!!), ou se foi somente um dia mau. Nesta equipa existem vários jogadores com potencial, mas ainda existe um excesso de individualismo, e contra equipas totalmente mecanizadas como o Ajax, a falta de disciplina táctica é fatal... Eu até acho que nos escalões mais 'baixos' deve-se incentivar o talento individual dos miúdos, nas nos Juvenis já tem que existir outro tipo de colectivismo... Na partida para encontrar o 3.º classificado, o Benfica derrotou  São Paulo, nos penalty's por 3-0, após o 0-0 no tempo regulamentar. O resultado final acaba por ser positivo, até o mau jogo com o Ajax pode ser aproveitado, para ensinar um pouquinho de humildade... Com a cabecinha no lugar, temos neste plantel vários futuros jogadores seniores!!!


Os Infantis B, no Seixal, venceram o torneio Jaime Graça (merecida homenagem), o grau de dificuldade dos adversários não era muito alto, mas sabe sempre bem vencer... Espero que esta iniciativa não seja esquecida...

Multi-Benfica

"Quem tiver lido aquilo que escrevi, nesta mesma coluna, há uma semana, percebeu ser minha convicção que cinco vitórias, nas próximas cinco jornadas da Liga de Futebol, representarão (com o devido respeito ao Moreirense) a conquista do respectivo título.
Para além dessa minha convicção - que acredito, seja partilhada pela maioria dos benfiquistas, e também por muitos não benfiquistas -, está a matemática. Esta, mesmo com a implacável frieza dos seus cálculos, acrescenta apenas um número aos cinco triunfos que 'pedi' aos jogadores 'encarnados'. Ou seja, cinco vitórias mais uma, valem matematicamente o título, e aí não haverá Moreirenses que nos atrapalhem a vida.
As seis vitórias de que o nosso Futebol necessita para fazer a festa estendem-se, numa curiosa similitude, àquilo que se passa noutras modalidades.
Seis triunfos consecutivos garantem, também, a revalidação do título nacional de Hóquei em Patins, sendo que cinco deixarão as coisas praticamente à nossa mercê (tal como no Desporto-rei).
Seis vitórias asseguram, igualmente, o título nacional de Andebol, que nos escapa há já alguns anos.
Seis vitórias serão igualmente suficientes para erguer o ceptro de Voleibol, contando com os jogos que faltam da Segunda Fase, e com as duas primeiras partidas do Play-off final.
Só o Basquetebol e o Futsal, dada a especificidade do formato dos respectivos Campeonatos, carecem de mais tempo, e mais vitórias, para renovar as conquistas do ano passado.
À semelhança do que sucede nos relvados, também nos pavilhões as próximas semanas serão decisivas. Elas determinarão até que ponto será possível repetir, ou (porque não?) superar, o feito histórico de 2011/2012, quando fomos vencendo sucessivamente Hóquei Patins, Basquetebol e Futsal, acrescentando-lhes o Atletismo - que, também ele, tem somado títulos nos últimos tempos.
Isto sim, é Ecletismo com E grande. Não de palavreado (como se vê em alguns vizinhos invejosos), mas de competições, de vitórias, e de títulos."

Luís Fialho, in O Benfica

Navegar... para o Rio !!!

O projecto Olímpico do Benfica, reforçou-se com dois velejadores nacionais: o Miguel Nunes é já um veterano, após 4 participações Olímpicas (sempre com bons resultados); o Gonçalo Pires é um estreante nestas andanças... Vão tentar a qualificação na classe 470. Bem-vindos ao Glorioso.

Tribunal à portuguesa (3)

"Uma lei também serve para elucidar de uma vez por todas o que as outras leis deixaram para trás no rol das dúvidas e incertezas. Algo que nem sempre anima os “legisladores”: parece ter-se enraizado a comodidade de se legislar sem indicações claras sobre os conceitos, os conteúdos e as estatuições – enfim, algo de muito português.
Seguindo a tendência, a nova lei do TAD não aproveitou para pacificar o conceito de “caso julgado desportivo”, agora em relação aos efeitos desportivos consolidados pela última decisão do TAD (que seja impugnada). O que se lamenta, uma vez mais.
Contra a tendência, porém, a nova lei do TAD andou bem no esclarecimento das “questões estritamente desportivas” decididas pelas federações. O conceito animou e anima diversos litígios judiciais, como a discutida ilicitude do Gil Vicente no “caso Mateus”. A Lei de Bases de 2007 não permite que as deliberações dos órgãos federativos sobre tais questões sejam apreciadas nos tribunais administrativos e diz que tais matérias são “as que tenham por fundamento normas de natureza técnica ou de carácter disciplinar, enquanto questões emergentes da aplicação das leis do jogo, dos regulamentos e das regras de organização das respectivas competições”.
Ou seja, poderia admitir-se que (na senda da Lei de Bases de 2004) se quis alargar a proibição de recorrer à jurisdição estadual a todas as decisões que versem sobre a interpretação e aplicação das regulamentações das provas, decisões essas que não poderiam passar dos “conselhos de justiça” das federações; se passassem, tal actuação poderia levar a castigos desportivos graves para os agentes que o fizessem.
Com a substituição da competência dos tribunais administrativos pela “arbitragem necessária” do TAD, este não pode na mesma apreciar “questões estritamente desportivas”. Mas estas passam a ter um conteúdo inequivocamente restrito: “questões emergentes da aplicação das normas técnicas e disciplinares directamente respeitantes à prática da competição desportiva”.
Isto é, questões suscitadas pelas normas que traduzem e velam pelo respeito das regras técnicas da modalidade e das leis do jogo (por ex., os ilícitos disciplinares por comportamentos vedados nessas leis e sancionados por ocasião dos jogos). Tudo o que diga respeito aos regulamentos de organização e participação nas competições pode ser suscetível de recurso para o TAD, pois não estamos perante regulamentação desportiva que possa ficar só na “reserva” das federações. Em suma: finalmente a paz, trazida por um legislador atento. Pelo menos aqui..."

Benfica arrasou na Luz

"Compromissos europeus não condicionam encarnados na Liga.
Sem história, é o que se poderá dizer deste jogo em que o Benfica não deu a mínima hipótese ao seu adversário, um candidato à Europa, é verdade, mas a revelar sinais de maior irregularidade, que já o fizeram sair do "top 5" de que fez parte durante largo tempo neste campeonato. Se à quebra vilacondense juntarmos a excelente dinâmica da equipa de Jorge Jesus encontraremos a resposta para os 6-1 com que terminou o encontro.
Tentou o Rio Ave surpreender o Benfica, apresentando-se com uma linha defensiva reforçada com três centrais, de forma a suster o ímpeto atacante contrário. Mas tal expediente cedo deu mostras de inapropriado, já que a consequente inferioridade e fragilidade no miolo nunca chegou a ser compensada. A ideia do técnico visitante até era bastante razoável se da parte dos laterais de Vila do Conde tivesse havido maior participação e interacção com os outros sectores mais avançados. Mas não houve.
Desta forma, ao Benfica deparou-se maior espaço para a construção dos lances ofensivos e, portanto, um maior convite para toda a equipa jogar abertamente ao ataque. Não foi por acaso que, ao quarto de hora, o marcador já acusava 2-0, com dois golos de homens mais recuados (Melgarejo e Matic), a gozarem de amplas liberdades no terreno, e outras ocasiões ficassem por concretizar.
Um remate de Ukra à barra, numa das raras vezes em que o Rio Ave foi lá à frente com algum perigo, ainda podia ter posto água na fervura, mas, falhada a surtida, a ebulição foi inevitável, com Lima a fazer de acendalha e a contribuir para o elevar da temperatura no confronto. Três-a-zero ao intervalo era, pois, o resultado de um jogo já sentenciado e em que, lesão de Salvio à parte - incrível como Nivaldo não foi expulso -, tudo correra bem aos encarnados.
Perante o descalabro, o técnico Espírito Santo deu a mão à palmatória e rectificou o dispositivo à retaguarda, tirando o defesa Nivaldo e fazendo entrar Braga. O que ele não previu - já depois de um golo para cada lado, por Lima e Hassan - foi que a sua equipa ficasse reduzida a nove elementos, por expulsão de Wires e Edimar, o que, desde logo, reduziu, ou retirou mesmo, as probabilidades de discutir o jogo (embora uma autêntica agressão de Rodrigo também justificasse a exclusão).
Daí até final, só "deu" Benfica, naturalmente, se bem que, com Bebé em campo, o Rio Ave não tenha deixado de causar problemas. Mas, substituído este, o jogo passou a tender apenas para a baliza de Oblak, até chegar aos 6-1, com mais um golo de Lima, um "hat-trick", e outro de Enzo Perez. Uma fartura que se justificou pela maneira como o Benfica encarou desde o início o encontro, em contraste com o emperrar da máquina vilacondense, sobretudo na 1.ª parte."

O voo da águia

"O treinador diz que o Benfica está melhor do que o FC Porto.
Jesus antes do jogo afirmou: «O que é preciso é ganhar, nem que seja por meio a zero». À afirmação do treinador do Benfica faltou-lhe acrescentar que, regularmente, para se vencer, é fundamental jogar bem. 
Vítor Pereira antes da visita a Coimbra anunciou: «O jogo com a Académica é decisivo». Esta frase do técnico do Porto é ilógica por derrotista, pois o jogo só seria decisivo se o Porto perdesse.
Nesta fase, o Benfica apresenta um futebol muito superior ao do Porto. As águias continuam seguras no poleiro. Nesta jornada manteve a distância de 4 pontos e aumentou a diferença de golos para 7.
O Porto - com James, João Moutinho e Izmaylov - dominou a seu belo prazer os cábulas estudantes, os quais há seis provas que não acertam uma resposta positiva. A Académica na primeira parte só por uma vez rematou. Os Dragões voltaram a apresentar a sua filosofia de circulação de bola e mesmo numa toada lenta marcaram 3 golos e poderiam ter feito mais três. Mas o nível exibicional nada tem a ver com o seu período áureo, no qual se dizia «que o Porto era colectivamente a melhor equipa».
A quebra dos Dragões vem confirmar que em futebol tudo se altera num ápice. Contudo, neste momento a realidade é que o Benfica lidera o campeonato com uma cómoda vantagem. O Benfica nem sequer olha para trás, vai em frente. Ontem, praticou um futebol de qualidade, digno de um verdadeiro líder. Como é habitual, apresentou-se com a sua vocação ofensiva, muito difícil de travar. Apesar de continuar a carrilar o seu jogo pelos corredores laterais, também o corredor central está mais interventivo. Matic já não faz de central, joga ao lado de Enzo e desta forma ambos defendem e municiam os aríetes e eles mesmos marcam golos.
O Rio Ave apareceu na luz com uma estratégia que visava anular o poder atacante das Águias. Nuno Espírito Santo, ao predispor a equipa num 5x3x2 defensivo, o qual se transformava num 3x4x3 atacante, arriscou demasiado. Este modelo tem de ser muito trabalhado e não se pode preparar de uma semana para a outra. Esta forma de jogar até pode surtir efeito frente a equipas inferiores, mas frente ao Benfica? Não foi uma boa ideia.
O Benfica é uma equipa de preponderância atacante à qual não se podem dar facilidades. O Rio Ave defendeu mal. A barafunda e a confusão foi uma constância na defesa dos de Vila do Conde. Melgarejo, Matic e Lima marcaram os golos completamente sem marcação. Antes de o paraguaio inaugurar o marcador já Lima isolado tinha falhado por pouco. Defender desta forma exige muita concentração e um grande entendimento. O que não aconteceu.
Os jogadores encarnados ao imporem uma intensidade forte e dinâmica, aliada a uma mobilidade atacante contínua e sincronizada, com constantes e complexas permutas entre os médios alas e os laterais, baralharam totalmente a impreparada e desorganizada defensiva vila-condense. Não é por acaso que Maxi e Melgarejo marcam golos em zonas interiores.
A mecanização entre os jogadores do Benfica funcionou quase em pleno e quando o adversário não responde com uma oposição eficaz é aquilo que se vê. Um espectáculo de futebol e de golos. Quase em pleno porque à dupla Lima e Rodrigo faltam jogadas de entendimento. Ontem as águias voltaram a voar alto e geraram confusão com a sua variabilidade de acções."

domingo, 31 de março de 2013

A morte desceu do céu

"Ficou para a história como «O Desastre de Superga». Regressado de Lisboa, o avião que transportava o «Grande Torino» despenhou-se quando se aproximava de Turim. Tinha acabado de perder com o Benfica num jogo extraordinário. Recorde-se a viagem...

Quando fez o avião correr pela pista da Portela e elevar-se molemente como uma gaivota preguiçosa nos céus de Lisboa, o comandante, Pier Luigi Meroni, estava longe de pensar que esse poderia vir a tornar-se num voo complicado. Aliás, Meroni era um piloto com experiência e conhecia amplamente o trimotor G.212 I-ELCE que comandava, bem como o percurso que previa uma escala técnica em Barcelona.
E estava um dia bonito, ainda por cima. Tanto assim que a primeira etapa da viagem decorreu de forma agradável e absolutamente sem incidentes. É claro que os tempos eram outros. Em 1949 não se ia de Lisboa a Turim nas pouco mais de duas horas de hoje. Às 9h45, o controlador aéreo do aeroporto de Lisboa registou, muito provavelmente, a partida do aparelho da companhia Avio-Lire-Italiane com a satisfação de mais um dever cumprido. A chegada a Turim estava programada para cerca das 17h15. O voo não cumpriria o seu destino.
Convenhamos que Pier Luigi Merino já não saiu de Barcelona com a mesma tranquilidade com que tinha iniciado a sua manhã portuguesa. Sobre o norte da Itália chovia há três dias. Na véspera, uma intempérie terrível abatera-se sobre a Ligúria e o Piemonte cortando estradas, danificando edifícios, deixando gente sem abrigo. Razões mais do que suficientes para um redobrar lógico de todas as atenções.
Superga dista meia-dúzia de quilómetros de Turim. É um local aprazível, de passeios domingueiros em redor de uma colina onde se ergue a basílica e o cemitério onde repousam os velhos Reis italianos da casa de Savóia. Mas talvez sejam precisamente os sossegos as atracções milenares das tragédias.

Os dias de Maio
Em Maio os dias já são longos. Todavia, nessa tarde escurecera cedo por causa das nuvens negras que se acastelaram nos horizontes e foram descendo do céu como um prenúncio de morte. Por volta das cinco horas da tarde um nevoeiro espesso atravessou-se no caminho da aeronave que já deixara Lisboa há tanto tempo. Pier Luigi Merino e os seus coadjuvantes, o co-piloto Cesare Bianciardi, o telegrafista Antonio Tangrazi, iam fazendo os possíveis e impossíveis para se orientarem dentro de um cokpit no qual o altímetro deixara pura e simplesmente de funcionar. Diria mais tarde o relatório do inquérito levado a cabo pelo Governo italiano que as fortíssimas rajadas de vento terão provocado a deslocação do aparelho para uma rota diferente da habitual. Merino continuou a descida de aproximação ao aeroporto, tudo indica que convencido de já ter ultrapassado os montes de Superga e a colina da basílica que se ergue até praticamente setecentos metros de altura. Seria um erro terrível e irremediável. Quando os recortes da igreja surgiram, aterradores, na frente de uma tripulação ansiosa, era já demasiado tarde. A máquina choca contra a cúpula do templo e despenha-se em chamas pelo derredor. Tudo será sido, porventura, demasiado rápido para o drama colectivo dos pânicos, das preces e das certezas inequívocas do fim. Exactamente às 17h20 a notícia caiu, taxativa e crua, nas redacções dos jornais italianos: «O avião-especial - um trimotor da companhia Avio-Lire-Italiane - no qual viajava de regresso a equipa do Torino caiu perto de Superga. Morreram todas as pessoas que seguiam a bordo da aeronave - 31, incluindo a tripulação.» Os adjectivos tinham ainda de esperar mais um pouco. Aliás, os próprios jornais sentiram na intimidade a extensão dessa noite de desgraça. Renato Casalbore, director do Tuttosport, Renato Tosatti e Luigi Cavallero, redactores da Gazzetta del Popolo e do La Stampa eram três dos cadáveres carbonizados que se espalhavam por entre uma amálgama de ferros entortecidos. Como se o infortúnio fizesse questão de abraçar a todos.
Chamavam-lhe em Itália, Il Grande Torino. E os jornais e jornalistas sempre dispostos a promover heróis, refiram-se-lhe como «uma das mais poderosas e maravilhosas equipas que o Futebol italiano jamais soube exprimir».

A equipa que fez nascer a lenda
Falava-se, ao tempo, das extraordinárias proezas de uma squadra capaz de marcar 125 golos no campeonato de 1947/48 e de golear o Alessandria, por 10-0, na mesma época. E ninguém punha em causa que tal obra de arquitectura futebolística tinha sido obra de um industrial turinense, Ferrucio Novo, conhecido por commendatore Novo, chegado à presidência do Torino aos 42 anos, em 1939, com vontade de transformar o clube num exemplo de organização à... inglesa. Ferrucio Novo rodeou-se de sábios. Sobretudo dois: Roberto Copernico e Ernst Egri-Erbstein, um trânsfuga húngaro que chegou a ser por mais de uma vez treinador da equipa. Foram eles os responsáveis pelo reforço de um conjunto que sonhava com o título italiano. E a obra foi ganhando corpo com a aquisição, a pouco e pouco, daquela que seria a sua constelação de estrelas: o médio de ataque Ossola, do Varese; o ponta-de-lança Gabetto, da Juventus; os alas Menti, da Fiorentina, e Ferraris, do Inter. Mas o passo decisivo deu-se no momento em que Novo garantiu o concurso da dupla de centro-campistas do Veneza, Ezio Loik e Valentino Mazzola. E Mazzola rapidamente de transformou na grande figura do Torino, capitão e símbolo de uma squadra que venceria nada menos de cinco scudetos consecutivos, embora interrompidos pelas épocas de 43-44 e 44-45 durante as quais as sequelas da II Grande Guerra impediram a disputa do campeonato italiano.
O Torino era um clube de ideias futuristas e de uma dinâmica imparável. Pretendia formar dois conjuntos de igual qualidade, um para disputar as competições internas, outro com nomes mais sonantes para viajar pelo Mundo globetrotters, recebendo os cachets elevados que esses nomes garantiam. Seria o Torino Esportazione. E a curiosidade do Mundo para ver esta squadra da sognare ia-se fermentando na maneira como ela se passeava no calcio onde conseguira manter-se invencível em casa durante nada menos de 88 jogos consecutivos.
Quando a mecânica da morte, da forma brutal como geralmente funciona, pôs um fim a esta sede insaciável de vitórias do Grande Torino, a equipa então treinada pelo inglês Leslei Lievesley seguia na frente da classificação e, no domingo anterior à sua viagem a Lisboa, empatara 0-0 no campo do Inter, obtendo dois novos recordes para a época: 19 jogos seguidos sem perder no campeonato e dando 10 jogadores titulares à selecção italiana.

Homenagem
Seria esse empate, que lhe garantia praticamente o título de 48/49, que faria o presidente Novo dar a autorização definitiva para a deslocação a Portugal onde o Torino defrontou o Benfica num jogo de homenagem a Francisco Ferreira, «capitão» dos encarnados e da selecção portuguesa.
O Benfica venceria, por 4-3, num confronto espectacular. Para o Torino seria a última derrota antes daqueloutra, dolorosa e irrevogável. A Federação Italiana, com o acordo expresso de todos os outros clubes, declarou o Torino campeão a título póstumo. A squadra granata respeitou os seus derradeiros compromissos apresentando a equipa júnior. Os adversários, cavalheirescamente, jogaram contra eles com jogadores da mesma idade. Seriam precisos vinte e sete anos para que o Torino voltasse a ser campeão de Itália. A calamidade de Superga pusera fim ao que o L'Equipe chamava «orgulho do desporto latino». A morte destruíra a técnica e a beleza plástica de um grupo de futebolista extraordinários mas dera-lhes, em troca, um lugar único na lenda e no catálogo dos heróis. Porque, como toda a gente sabe, só a morte nos dá a eternidade."

Afonso de Melo, in O Benfica

Definição de imoralidade !!!

"Ontem - n' A Bola TV - e hoje - n' A Bola - Miguel Sousa Tavares afirma - e cito: "Rui Gomes da Silva espirra ódio contra o FC Porto".
Para ser franco, tomo a afirmação como elogio.
Porque se ter ódio ... é insurgir-me contra o que ouvi, no "Apito Dourado", contra o que vejo fazer, aos árbitros, favorecendo, sempre, o clube dele e prejudicando, invariavelmente, o Benfica, então, sim, tenho ódio...
Não ao Porto, mas a quem age como age!
Tenho, de facto, ódio à falsificação de resultados, aos "roubos" orquestrados, aos resultados preparados, aos castigos negociados e reduzidos, aos conselhos matrimoniais a árbitros nas vésperas de jogos, a árbitros que se enganam sempre no mesmo sentido (a favor dos dele e contra os meus), a "fruta" oferecida como prémio de arbitragens inacreditáveis, a ameaças físicas a quem ousa apitar sem falsear a verdade, a tudo o que acontece num Estádio que ele tanto gosta.
Ódio a tudo o que nos últimos anos foi acontecendo, contra a verdade desportiva, sim, tenho!
Porque não acredito que ele ache que "espirro ódio" porque quero - sempre - que o Porto perca (tal como ele, em relação ao Benfica, quando afirma "Não torço pelo Benfica em nenhuma ocasião").
Só não percebo a sua preocupação, sobre as minhas atitudes, quando afirma que - acha ele - "... causo danos terríveis ao Benfica".
Compreendo o recado, mas sinto que o desiludiria se lhe fizesse chegar as centenas de mensagens semanais de apoio, por aquilo que digo... contra aquilo que ele diz gostar...
Não estou onde estou - Caro Miguel - para agradar a quem quer que seja.
E muito menos a quem manda no seu clube ou na empresa ligada ao futebol que tenta manietar a liberdade no futuro das transmissões televisivas da 1ª Liga, em Portugal!
Estou onde estou para defender o que o meu Pai me ensinou, sobre o que deve ser o comportamento público de alguém que tem a responsabilidade - mesmo que não seja oficial - de defender o Benfica.
Contra tudo aquilo que eu sei que você condena, mas não pode dizer.
Tenho, nesse aspecto, também, mais sorte: é que, para além de ser do Benfica, sou livre de dizer o que penso, de falar contra o que ambos sabemos ser imoral (pelo menos para pessoas de bem, de acordo, com a definição de imoralidade de Kant). Por isso, e apesar disso, ... Boa Páscoa!"

6 golos, que só valem 3 pontos !!!


Benfica 6 - 1 Rio Ave

O treinador pediu, e a equipa cumpriu, desta vez não foi preciso um festival de oportunidades perdidas para marcar muitos golos, e matar o jogo... foi um Benfica pragmático de entrada, que só depois de resolver a partida, resolveu 'poupar' alguns golos, para os próximos jogos!!!
Quando vi o Rio Ave com 3 centrais fiquei descansado, pois o Benfica de Jesus, sempre gostou de jogar contra este sistema, aliás todos os outros treinadores portugueses já desistiram de tentar contrariar o Benfica desta forma... aleluia que ainda temos o Espírito Santo!!!
O jogo só não foi perfeito, porque o apitadeiro, depois de ver frustradas as suas expectativas de ajudar o Benfica a perder pontos, resolveu carregar nos amarelos!!! Tendo direito até a um brinde com expulsão do Melga, nos últimos minutos!!! Um verdadeiro artista...!!! Também 'apreciei' a forma agressiva como os jogadores do Rio Ave disputaram todas as bolas, deixando sempre as 'marcas' nas pernas e tornozelos dos nossos jogadores, havendo inclusive uma tentativa de homicídio ao Salvio, que nem falta foi...!!!

Estou na expectativa para ver se o Jesus vai continuar a efectuar a rotação... Entre o jogo desta noite, e o jogo Quinta-feira, existe muito tempo para recuperar, mas depois para Olhão as coisas podem ser mais complicadas, ainda por cima vamos ter o Luisinho em Olhão (recordo que a última 'não vitória', foi na Choupana com o Luisinho)!!!

PS1: O Cardozo entrou, e falhou algumas oportunidades, e ouviu-se logo um burburinho nas bancadas!!! Quero deixar as almas inquietas um pouco mais descansadas, o Tacuara teve só a afinar a pontaria para Quinta-feira!!!

PS2: Lanço um desafio: com o critério que hoje serviu para expulsar o Melga, quantos minutos o Mangala ficaria em campo?!!! Opção a) 10m; b) 15m; c) 20m; d)25m !!! E o Otamendi?!!! E o Fernando?!!!

PS3: Porque será que o Bebé não é convocado pelo Paulo Bento?!!!


Vitória Gloriosa, na estreia do 'Azevedo' esverdeado...!!!


Sporting B 1 - 3 Benfica B

Como não vi o jogo, não posso comentar as queixas Lagartas... mas se o primeiro vermelho por protestos pode ter sido exagerado, o 2.º com o Cavaleiro isolado, não me parece deixar muitas dúvidas. E já agora não devemos esquecer o vergonhoso início de Campeonato, onde esta equipa Lagarta foi levada ao colo, com penalty's em catadupa...!!! E se alguém pensar usar um jogo de equipas B, com um interesse competitivo, quase nulo, para inventar histórias sobre o domínio da arbitragem, pode tirar o cavalinho da chuva...!!!

Esta equipa do Benfica, tem demonstrado, que sempre que joga com alguns 'reforços', normalmente o Miguel Vìtor (Jardel no início da época, os Andrés, o Urreta, ou o Kardec...), transfigura-se, e consegue bons resultados. Hoje, até parece que jogando contra 9, cerca de uma hora, podíamos ter jogado melhor, e podíamos ter marcado mais golos... mas vencemos, e logo numa das poucas localidades onde existe mais Lagartos do que Benfiquistas (Rio Maior)!!!

Agora, espero que o novíssimo presidente Lagarto tenha aproveitado este jogo, para ir treinando o discurso, após cada jogo do Sporting...!!!

Vitória (intermitente!!!)


Física  56 - 70 Benfica
17-28, 13-13, 16-23, 10-6

Vitória fácil... agora marcar 6 pontos no último período, denota, mais uma vez, terem desligado completamente do jogo, valeu os 18 pontos de vantagem no início do 4.º período!!!

Parece que o Doliboa não irá jogar mais esta época (e não irá ser substituído), temos alguns jogadores a jogar condicionados: Heshimu, Carreira, Fonseca... Dito isto, a diferença entre os plantéis, é tão grande, que mesmo com todos estes contratempos, temos a obrigação de vencer todos os jogos, agora, se continuarem a demonstrar pouca aplicação nos jogos, ou em partes de jogos, arriscamos, ter mais algumas desilusões!!!

Juniores - 7.ª jornada - Fase Final

Bernardo Silva

Benfica 1 - 0 Rio Ave

Mais um triunfo suado, mais um festival de oportunidades falhadas... Só vi a primeira parte, mas as crónicas da segunda parte, não são muito diferentes...

Com a grave lesão do João Gomes, perdemos o nosso ponta de lança, não temos nenhum jogador com as mesmas característica, mas não creio que o Bernardo seja a melhor opção para ponta-de-lança... Eu sei que até foi ele que marcou o golo, mas por exemplo: o Dino tem muito mais potencial para jogar a ponta-de-lança, aliás creio que o futuro do Dino é a ponta-de-lança, porque a extremo dificilmente triunfará, toma demasiadas decisões erradas. Além disso, ainda temos o Clésio e o Elton...

Sporting..........14
Corruptos........11
Benfica..........11
Setúbal............8
Guimarães........8
Nacional..........4
Rio Ave...........3

sexta-feira, 29 de março de 2013

Acordar a tempo...


Benfica 3 - 2 Castêlo da Maia
25-23, 19-25, 19-25, 25-18, 15-10

Só no 4.º Set com a equipa a perder por 1-2 (em Set's) é que o Benfica jogou ao nível exigido, com intensidade, ganhando blocos e recuperando bolas 'impossíveis' na defesa baixa, até lá, muitos erros defensivos (estranho tantas más recepções do Roberto...), e pouca criatividade na distribuição. A entrada do Kibinho acabou por ser decisiva.
A equipa não jogou bem, os árbitros como é habitual tiveram uma daquelas actuações cheias de anti-caseirismo, como é característico nos Pavilhões da Luz: toques na rede, fomos só nós; dois toques, fomos só nós; erros na formação, fomos só nós; reverter decisões dos fiscais de linha, só contra nós; transporte ao passador contrário, nunca... um festival, a equipa já escaldada, tentou não perder a cabeça, mas sentiu-se o nervosismo, bem notório nas bolas que iam claramente para fora, e os nossos jogadores mesmo assim iam atrás delas, não fosse o árbitro marcar dentro!!! O trauma das lesões também anda a pairar sobre esta equipa, todos os contactos - ou apoios mal dados - são motivos de preocupação e de 'entrada' do spray milagroso!!!

Antes deste jogo ficámos a saber, que o Reffatti não deverá jogar mais esta época. Uma baixa de vulto, a defesa baixa do Benfica já é um problema, com o Chino em campo, sabemos que os adversários vão tentar aproveitar os erros do nosso Cubano... por mim fazia mesmo a substituição, sempre que o Chino fique em zona defensiva!!!

Prescrever

"Prescrever é um verbo muito nosso, usado a preceito e abusado com mais rigor ainda. Prescrever está no ‘antes’ – no tempo do que é de regular, de estabelecer, de preceituar – e também no ‘depois’ – no tempo do que cessou de existir com o decorrer do tempo. Prescrever nunca é do tempo útil do agir.
Assim, no Portugal da bola e da Federação e da Liga e da Nau Catrineta e das verdades relativas, tudo se pré-escreve na lei e tudo, na mesma lei, se prescreveu. Só assim se compreende que os dirigentes do Boavista exijam que a mesma justiça que condenou o clube os ressacie agora, porque essa mesma justiça exerceu a atitude muito lusitana do ‘deixar prescrever’ com a mesma competência com que se exerce o ‘deixar andar’. Aliás, de uma deriva a outra e das duas deriva esta podre sensação de impunidade que transforma a justiça desportiva portuguesa numa anedota de prostíbulo rasca.
No mesmo âmbito, foi-nos comunicado que a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional decidiu arquivar um processo a um ex-dirigente do Sporting, por prescrição. Afinal, umas famosas imagens de alguém a depositar dinheiro na conta de um fiscal de linha não existem porque a realidade das mesmas prescreveu, deixou de existir. Da mesma forma, aquela célebre lista com informações pessoais sobre os árbitros, também não deve ter existido, ou, se existiu, deixou de o ser porque prescreveu. Ainda nesta semana, o Sr. Costa recebeu um prémio da Associação de Futebol do Porto. Algures no tempo deve ter prescrito uma realidade chamada Apito Dourado. Porque isto de prescrever acontece sempre em desencontro com o tempo da Justiça é que o Torga dizia que “a História é morosa e nunca chega a tempo. Mesmo quando condena, é sempre fora de horas, depois dos crimes prescritos, numa altura em que já nenhum dos culpados pode cumprir a penitência.” "

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Conflito latente

"Há um conflito latente entre os clubes e as selecções a quem emprestam os jogadores. A questão não é nova e não acabará por aqui. Algum benfiquista gosta de saber que ficou sem Cardozo, Maxi Pereira e Melgarejo ao serviço das suas selecções? É um orgulho para os atletas representarem os seus países e um problema para os clubes ficarem sem os seus melhores (são os melhores que vão às selecções) em alturas decisivas das provas.
Com estes calendários tipo entremeada será sempre inevitável esta questão.
As eleições do Sporting mostraram com muita precisão o que é hoje o grande emblema de Alvalade. Pouco mais de 30.000 sócios com capacidade eleitoral activa, o que é manifestamente pouco para a grandeza e história do clube, mas por outro lado quase 15 mil votantes, o que é excelente atendendo ao pequeno universo que podia votar. O Sporting pode e deve voltar a crescer para não ficar apenas um gueto radicalizado.
A parte mais irónica nas declarações genuínas do novo presidente do Sporting foi ter exclamado: «O Sporting voltou a ser nosso» quando se sabe que com os VMOC está prestes a deixar de ser.
Amanhã regressa o campeonato, o jogo contra o Rio Ave lembra o último título nacional pois foi obtido precisamente contra os de Vila do Conde.
Basta lembrar o jogo da primeira mão, ou recordar que no último mês o nosso adversário precisou de dois penalties para derrotar o Rio Ave por 2-1 no Dragão. Vai ser muito difícil vencer uma das melhores equipas deste campeonato.
Estou em Madrid, onde o tema é quase exclusivamente Mourinho. Mou como é aqui tratado tem manifestações de adeptos para que não saia e programas de horas na TV para debater os seus méritos e deméritos. Punto y pelota transforma todas as discussões portuguesas em coisas de meninos de coro.
No Adeptos do Real ninguém acredita que fique e poucos querem que abandone. Sara Carbonero já é por aqui mais culpada que Casillas e Sérgio Ramos."

Sílvio Cervan, in A Bola

quinta-feira, 28 de março de 2013

Juntos... até à vitória final !!!

Sempre muito bem acompanhados

"Bento massacrou Moutinho na Selecção, crime de lesa-FC Porto, ou Bento está a recuperar Moutinho na Selecção, crime lesa-Benfica? Depende do ponto de vista clubista.

NA semana passada foi notícia a vontade do Olhanense em receber o Benfica no Estádio do Algarve e não no seu reduto próprio, o Estádio José Arcanjo, cujo relvado não se encontra nas melhores condições, foi essa a razão apresentada.
Os jornais acrescentaram ainda mais uma razão, muito simples, a acrescentar ao interesse dos algarvios na alteração do local do jogo: a receita.
A lotação do Estádio do Algarve, construído de raiz para o Europeu de 2004, é bastante superior à do histórico José Arcanjo e permitiria ao Olhanense um encaixe significativamente mais farto, tanto mais que o Benfica anda empenhado na luta pelo título e é de prever casa cheia.
Trata-se de um assunto do interesse do Olhanense, está visto.
Tal como foi, na época de 1997/98, do interesse do Vitória de Setúbal deslocar uma recepção ao Benfica para o Estádio das Antas por indisponibilidade do Estádio do Bonfim.
Se de Setúbal ao Porto são 358 quilómetros de distância, já do centro de Olhão até as bilheteiras do Estádio do Algarve, em Faro, serão os 15 quilómetros bem contados. Nada que meta medo, portanto.
Jogando-se ou não o Olhanense-Benfica no Estádio do Algarve, não faltará aos nossos rivais ensejo para criticar a hipotética mudança de palco em nome da verdade desportiva e das facilidades ao Benfica.
É injusto que o façam. É verdade que, nesta edição do campeonato, o Sporting jogou com o Olhanense no José Arcanjo e ganhou por 2-0 apesar do estado da sua equipa e do estado do relvado que também não estava na melhor das condições.
Já o FC Porto, jogo na 3.ª jornada da prova, jogou com o Olhanense e ganhou por 3-2 precisamente no Estádio do Algarve porque o José Arcanjo estava impraticável por motivo de obras de beneficiação e sobre o assunto não houve conversa alguma.
O certo é que onde quer que o Benfica jogue com o Olhanense não deixará, certamente, de se sentir muito bem acompanhado. O resto é conversa.

RICARDO SÁ PINTO é o novo treinador do Estrela Vermelha de Belgrado, um histórico clube sérvio com um palmarés notável: 22 campeonatos da Jugoslávia, 3 campeonatos sérvios, 1 Liga dos Campeões e 1 Taça Intercontinental.
Sá Pinto é um treinador português com um currículum profissional de principiante e sem títulos averbados. Nada disto impediu o Estrela Vermelha de Belgrado de o contratar numa semana em que quer José Mourinho quer Jorge Jesus vieram a público dizer a mesma coisa: os treinadores portugueses são os melhores do mundo.
Lá que têm bom nome na praça, têm. E isso muito se deve a José Mourinho, o primeiro a galgar fronteiras para um patamar de glórias ao mais alto nível nunca antes ao alcance de um treinador compatriota.
Sá Pinto contará em Belgrado com a ajuda de um tradutor meio sérvio meio português: Nemanja Filipovic, filho de Zoran Filipovic, antigo jogador do Benfica.
Está bem entregue o Sá Pinto.

O clubismo turva a vista. Todos o sabemos e devemos admitir que é assim que as coisas se passam em função da paixão bruta que informa e deformar o ponto de vista de cada um.
Tomemos o exemplo recente de João Moutinho, o dínamo do FC Porto e da Selecção Nacional, que, para variar, se lesionou. Para variar porque é muito difícil recordar qualquer outra lesão de João Moutinho, ele que vende saúde e é o mais imparável dos jogadores portugueses da sua geração.
Moutinho lesionou-se, falhou o jogo do FC Porto com o Sporting, saiu a meio do jogo do FC Porto em Málaga e nem alinhou no jogo do FC Porto com o Marítimo, no Funchal. Foi convocado por Paulo Bento e alinhou os 90 minutos do jogo de Portugal em Israel o que logo motivou um remoque público de Pinto da Costa dirigido ao seleccionador nacional.
Bento afirmara antes do compromisso de sexta-feira passada que Moutinho só jogaria se lhe dissesse que estava a 100 por cento e o presidente do FC Porto, depois do 3-3, não escondeu o seu espanto sobre a matéria: «Agora é o João Moutinho que decide se joga ou não joga?»
Convenhamos, amigos benfiquistas, que a reacção de Pinto da Costa é ajustada e que, provavelmente, um outro Pinto da Costa, mais dinâmico, ter-se-ia esticado noutro tipo de comentários explosivos e imortais.
De uma maneira geral, para os adeptos do FC Porto a situação de Moutinho na selecção é um caso de lesa-FC Porto porque o jogador, não se encontrando bem, está a ser massacrado com minutos e mais minutos de jogo em paragens longínquas quando devia de estar na enfermaria do Dragão a sopas e a descanso.
Também de uma maneira geral, os benfiquistas vêem a situação de um modo completamente diferente. Trata-se de um caso de lesa-Benfica porque Paulo Bento está a dar rodagem a um Moutinho diminuído de modo ao jogador poder ter os motores a funcionar no regresso do campeonato, já neste fim-de-semana.
É o tal clubismo que nos faz ver as coisas com olhos e suspeições diferentes conforme os afectos.
Outro exemplo recente do modo como o clubismo informa e deforma o ponto de vista é o da porventura excessiva divulgação pelas estações de televisão da gravação da aula dada por Jorge Jesus na Faculdade de Motricidade Humana. Isto para não falar das consultas on line à referida palestra do treinador do Benfica a uma multidão de estudantes candidatos à profissão de treinador.
De uma maneira geral, para os adeptos dos nossos rivais esta promoção de Jorge Jesus a catedrático oficial das televisões nacionais é um manifesto exagero, um questionável endeusamento do treinador do Benfica, uma ostensiva manobra de propaganda pró-benfiquista num momento escaldante do campeonato.
Já para alguns adeptos do Benfica, não todas, trata-se precisamente do contrário. De uma manobra antibenfiquista flagrante porque passar e repassar a aula de Jesus nos nossos canais da TV não é mais do que partilhar a «ciência» que nos move com os adversários e, na pior das hipóteses, oferecer-lhes até a possibilidade de aprenderem alguma coisa com o mestre quando já só faltam sete jornadas para o fim do campeonato.
Se até lá virmos e ouvirmos o recentemente tão desconsiderado Vítor Pereira citar um filósofo francês ou dar um provérbio popular uma organização linguística toda ela logicamente surpreendente, teremos a certeza de que a aula de Jesus chegou a todo o lado e que até ao rival aproveitou.
Isto são raciocínios de pessoas desconfiadas, obviamente.

O nosso futebol tem sempre as suas graças. Um dia destes o Inácio treinador do Moreirense vai a Alvalade jogar com o Inácio director do Sporting. É uma situação cómica, por certo invulgar a que o próprio Augusto Inácio já dedicou algumas sábias palavras recordando o «profissionalismo» com que se entregou no passado, com honras e distinções, aos clubes por onde passou e recusando fazer da visita do Moreirense a Alvalade um caso assombroso.
Tem razão o Inácio. O próximo Sporting-Moreirense, pela parte que lhe toca, é apenas uma curiosidade. No entanto, para o profissionalismo de Inácio viver um momento de verdadeira consagração, o jogo terá de acabar forçosamente empatado entre o Moreirense do treinador e o Sporting do dirigente. 50% de eficácia para cada lado. Assim é bonito.

O mundo está a mudar? Parece. Nunca se ouvira um presidente de um clube desfazer a exibição de um jogador seu ao serviço da Selecção. O vetusto estreante nesta arte foi Pinto da Costa para quem João Moutinho foi igual a zero no jogo com Israel. E disse-o. Paulo Bento respondeu-lhe com grande desrespeito e Moutinho respondeu-lhe com mais 90 minutos em gozo de saúde no jogo com o Azerbaijão."

Leonor Pinhão, in A Bola  

quarta-feira, 27 de março de 2013

Respirar Benfiquismo

Narigudos

Zangam-se as comadres

"1. Finalmente, Sepp Blatter converteu-se às novas tecnologias e agora acusa Platini de ser o único a estar contra. Federações, ligas, árbitros e jogadores já se decidiram a favor. O patrão da FIFA aponta o dedo ao roi: «Não é a UEFA que não quer a tecnologia, é só ele». E prosseguiu em tom recriminatório: «Os árbitros de baliza que Platini quis não servem para nada e muito menos como solução para o problema do golo-não golo, tanto assim que só são utilizados nas competições europeias e no campeonato italiano, neste caso graças à intervenção de Collina que trabalha para a UEFA». Mas o boss suíço não se fica por aqui. Dois dias antes, na revista Kicker, havia estigmatizado a decisão do Euro-20 a 13 países. «É um erro crasso, uma coisa sem pés nem cabeça, que nem pode ser classificada como campeonato da Europa, pois falta-lhe coração e a alma do país organizador». Aguarda-se a réplica de Platini, que não costuma ficar calado. Um e outro chegaram à fase dos ferros curtos e estes ataques frontais inserem-se na estratégia para as próximas eleições à presidência da FIFA em 2015, quando Blatter terá 80 anos e 17 no cadeirão de Zurique. A questão de fundo é que Blatter, que ainda controla os votos de meio mundo, não quer Platini como sucessor. Se não se candidatar ele próprio.

2. Aos 36 anos, Francesco Totti é quem carrega a Roma às costas cuja (única) camisola veste há 21 anos. Não só a orientar os colegas como a marcar golos. Com a doppietta infligida ao Parma na última jornada, a sua conta pesoal atingiu a bola soma de 226. É o vice-rei dos marcadores na história do calcio, só 2.º para Piola, o fabuloso goleador dos anos 30 e 40, bicampeão do Mundo. Já o baptizaram de Francisco II. Famosos artilheiros do passado como Meazza, Altafini, Paolo Rossi, Batistuta, Signori ficam a perder de vista. Mas Totti é também o mais empenhado em que no seio da equipa prevaleça a amizade e o companheirismo, promovendo e pagando almoços de convívio."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

terça-feira, 26 de março de 2013

O mecânico de automóveis, guarda-redes infalível...

"Mário Rosa Gomes: em Marrocos era um guarda-redes marcador de penáltis; em Lisboa passou oito épocas no Benfica apesar da vontade do tio que o levou a treinar no Sporting.

HOJE vamos à baliza. Isto é: vamos falar de Mário Rosa Gomes. Há muita gente que lhe rouba o Gomes do nome, mas parece não haver motivo para tal injustiça.
Mário Rosa não foi um dos históricos, mas teve história. E uma história curiosa por sinal. Primeiro porque veio de Marrocos directo a Lisboa; depois porque foi logo disputado por Benfica e Sporting.
Veio a bordo do «Formese», proveniente de Casablanca.
Sabem-se algumas coisas sobre a sua carreira, sobre como representou o Benfica, de 1938 a 1959, sempre com interrupções, sempre sem verdadeiramente se conseguir impor, não indo além de 47 jogos com a camisola 'encarnada' que, no caso dos guarda-redes, até costuma ser tudo menos encarnada, como mandam as regras. 1944/45 foi a sua melhor época: assumiu-se como titular.
Também se sabe, na generalidade, que nasceu em Vila Real de Santo António, lá nos confins do Algarve, raia de Espanha, de onde viria também um dos grandes jogadores que passou pela Luz, Domiciano Cavém.
Tinha 11 anos quando a família embarcou para Casablanca. Por necessidade e espírito de aventura.
Mário foi, desde logo, um amante do Desporto, da cultura física. Foi nadador, apaixonou-se pelo Futebol. Era ágil, corajoso: o posto de guarda-redes ficava-lhe bem.

Do Roches Noires ao Benfica
AOS 17 anos, Mário Rosa Gomes chegou às primeiras categorias do seu «team» marroquino, o Roches Noires. E era mecânico de automóveis.
Vivia-se o tempo do que se chamava, por toda a parte, o Marrocos Francês. Um tratado assinado em Fez, no dia 30 de Março de 1912, entre franceses e marroquinos, proclamou naquele território um protectorado francês. Durou até 1956. Algo que valeu, por exemplo, com que Larbi Ben Barek, a primeira grande estrela do Futebol africano, conhecido pela «Pérola Negra», viesse a ser internacional pela França.
Roches Noires de Casablanca francesíssimo sem surpresa. Um dos bairros coloniais de Casablanca, a meias com o Belvèdére um dos mais elegantes da cidade. Quando Mário chegou à baliza do Club des Roches Noires, o clube atravessava uma fase de penúria de títulos. O português foi arauto da fortuna e a sua equipa ganhou o Campeonato.
Foi escolhido para a selecção regional de Casablanca: defrontou Oran e Tânger.
Não chegou: vieram as desavenças. Mário Rosa Gomes troca o Roche Noires por um dos rivais deste, o Union Sportive Athlétique, campeão em 1927 e 1929, entretanto desaparecido. Estávamos em 1934. A vida não tardaria a empurrá-lo na direcção da foz do Tejo e da luz transparente de Lisboa.
Não veio por gosto, no entanto. Veio forçado, contrariado. Os pais não renegavam nem a pátria nem os sacrifícios que por ela se fazem. No dia 13 de Abril, ao cumprir 21 anos, marcha (com toda a propriedade do termo) para Portugal e para a incorporação no serviço militar. Mas não esquece o Futebol nem as balizas.
Dizem os repórteres da época que não era nem muito alto nem muito baixo, aí metro e setenta e dois, exibindo boa estampa e parecendo vender saúde.
Falava um português «retorcido», dizem outros. Assim com laivos afrancesados.
Um amigo de Casablanca põe-lhe nas mãos uma carta de recomendação para alguém ligado ao Benfica. Só que, pelo caminho, Mário Rosa Gomes, treina-se no Sporting. Estranho? Ele próprio explicava: «O meu tio, em casa de quem estou, é adepto do Sporting. Perguntou-me se tinha preferência pelo Benfica e disse-lhe que não. Perante a minha resposta afirmou que gostaria de me ver nos 'leões'. Para mim, repito, é indiferente. E fui a dois treinos no Sporting».
Em Casablanca jogava no mais puro dos amadorismos. Em Portugal, Mário procura a melhor proposta possível. «Em caso de igualdade visto ser agradável ao meu tio, escolherei o Sporting», diz.
Marcador oficial de penáltis nos seus clubes marroquinos, vangloriava-se de ser, todas as épocas, um dos melhores goleadores. «Era infalível!», exclamava.
Os jornais estranhavam: «Um guardião ganhador de castigos máximos? Entre nós nunca tal houve. Mário é, pois, uma novidade digna de atenção...» Em Portugal iria esquecer os golos.
Mário Rosa, apesar de indiferente, jogou no Benfica. Estreou-se contra a Académica, nas Amoreiras, para o Campeonato Nacional. O Benfica venceu, por 3-1. Hpuve um penalti contra a Académica. Mário não marcou. Marcou Rogério «Pipi»: e falhou.
Ter-lhe-á arrancado um sorrido... Continuou a ser o único infalível."

Afonso de Melo, in O Benfica 

História....

Ser...

Benfica 3 - 2 Barcelona, 1961, Berna

segunda-feira, 25 de março de 2013

Memória...

Rei...

Porque gosto eu do Jorge Jesus

"Não consigo deixar de celebrar um homem que ganha 2,4 milhões de euros por ano e continua a gostar de comer uma boa cabeça de garoupa.

quem tenha a opinião de que, nos tempos modernos, um bom treinador de futebol tem de ser conhecedor do jogo e dos jogadores, culto, preocupado com a imagem, capaz de comunicar em várias línguas, capaz de lidar com facilidade com as novas tecnologias às quais deverá chamar ferramentas e ainda saber escolher as equipas multidisciplinares necessárias à preparação da equipa.
Não contrario a ideia de que o treinador de futebol tenha de ter cada vez mais conhecimento e, por isso, tenha óbvias vantagens em ter uma base de sustentação escolar que melhor o capacite de lidar com as mais diversas e complexas competências necessárias ao entendimento do jogo e ao relacionamento com os jogadores.
Mas, como em tudo na vida, há excepções à regra. Uma delas, talvez, mesmo, uma das mais exuberantes, é Jorge Jesus.
Eu, confesso, sou fã do treinador e do homem. Não consigo deixar de gostar de um ser humano que despreza a moda e se está nas tintas para os padrões sociais em voga. Percebe-se que não o faz de uma forma estudada e hipócrita, mas por modo de ser, por personalidade, por privilegiar uma forma genuína de viver, como se nada verdadeiramente o tivesse mudado, lá por se tornar rico e famoso.
Ouve-se Jorge Jesus numa conferência de imprensa e pode-se assinalar as frases de muito duvidosa pureza sintáctica  mas o que não se pode é deixar de reconhecer uma vivacidade e uma naturalidade no discurso, que não resiste a esquemas de comunicação traçados a régua e esquadro por uns quantos comissionários de serviço.
Claro que há sempre quem aproveite o impacto da clareza nua e crua para atingir, numa única canelada, o homem e o treinador. Ainda assim, não o vejo espumar de raiva. Às vezes inquieta-se e irrita-se, mas passa-lhe, como se a vida fosse também como um jogo de futebol, onde as coisas que acontecem lá dentro, não devem passar cá para fora.
E, lá fora, é o mundo, onde Jorge Jesus se sente, visivelmente, menos confortável.
Não deixo de pensar muitas vezes no caso de Jorge Jesus para tentar entender o sucesso da excepção que ele representa. Pergunto-me se será, apenas e só, uma imensa intuição. Uma capacidade quase sobrenatural para entender, no jogo, o que quase ninguém entende ou vê. Um dom inimitável pata formar jogadores, fazê-los crescer, criá-los e moldá-los no que têm de melhor.
É difícil dizer, aliás, que Jorge Jesus seja o protótipo do autodidacta. Claro que é atento em quem confia, como tem vindo a ser o caso curioso e especialmente interessante do professor Manuel Sérgio, um dos raríssimos filósofos mundiais do futebol e da vida. Mas isso não faz de Jorge Jesus um autodidacta  a não ser no sentido em que ouve para aprender e para melhor conhecer. Mas não há, em Jesus, uma prática de auto-formação  de estudo bibliotecário, de procura própria da investigação do novo. Há, isso sim, uma paixão vivida, sem intervalos, pelo futebol. Ver jogos, ver jogadores, ver lances, estudar as pedras no tabuleiro da relva real dos estádios de todo o mundo, o que a televisão lhe proporciona a cada momento, é o ponto essencial de estudo e de evolução do treinador.
E isso basta? - perguntará, legitimamente, o académico de pestanas queimadas por anos e anos de leituras de compêndios.
Que outras provas teremos para dar que não sejam as dos resultados desportivos? E por essas, basta. Pode ser estranho, pode ser quase inexplicável, mas tem bastado. Pode não bastar para o Manchester United, para o Real Madrid, para o Bayern de Munique, agora, do cultíssimo e antimourinhista Guardiola, não se sabe se sim ou se não, mas o que se sabe é que tem bastado para a realidade concreta do futebol português. E não é uma realidade menor, por muito que alguns dela mal digam. É uma realidade ímpar e, reconheça-se, emergente no contexto internacional, sobretudo ao nível dos grandes clubes, como é obviamente o caso do Benfica.
«Last but not least» como diriam os britânicos, a verdade é que não consigo deixar de celebrar um homem que ganha 2,4 milhões de euros por ano e continua a gostar de comer uma boa cabeça de garoupa..."

Vítor Serpa, in A Bola

Tribunal à portuguesa (2)

"A lei que aprovou o Tribunal Arbitral do Desporto pode ser vista ainda como uma oportunidade: nela estará a forma como se compõe a lista dos juízes-árbitros que decidirão os recursos e os conflitos.
Ainda será sempre isso que se discute: o estofo e a independência de quem decide, de forma que possamos ter garantias de salubridade na resolução dos litígios; de forma, portanto, que deixemos de ter aberrações (sob a forma de “acórdãos” de “conselhos de justiça”) sobre insultos a jornalistas acreditados, assistentes de recinto desportivo, prescrições e suspensões de processos, proibições temporais, entre outros temas, a entrar sucessivamente no lote das ininteligibilidades metódicas.
A lei desenha um esquema curioso para o número máximo de 40 árbitros, que terão de ser “juristas de reconhecida idoneidade e competência” e “personalidades de comprovada qualificação científica, profissional ou técnica na área do desporto”. Primeiro propõem-se nomes a cargo de várias entidades: 5 para as federações olímpicas, 5 para as federações não olímpicas, 5 para a Confederação do Desporto de Portugal, 2 para as federações com provas profissionais e mais 2 para a liga respectiva  1 árbitro para cada uma das associações de jogadores, treinadores e árbitros das provas profissionais, 2 para a Comissão de Atletas Olímpicos, 2 para a Confederação Portuguesa das Associações dos Treinadores, 2 para outras associações de classe reconhecidas, 1 para a Associação Portuguesa de Direito Desportivo e 5 para o Comité Olímpico de Portugal. Depois, os nomes vão ao crivo do “Conselho de Arbitragem Desportiva” (CAD), que assume justamente a função de receber essas propostas e aprovar uma lista final, na qual indica ainda o número restante de árbitros. A este CAD assiste o poder de recusar árbitros e de devolver, nesse caso, as propostas à procedência. E, depois de estar a funcionar o TAD, o CAD pode até excluir árbitros por “incapacidade”. Um órgão, portanto, que fiscalizará a qualidade dos árbitros e que, nessa tarefa, não deverá ter em conta a norma mais absurda da lei: “Pelo menos metade dos árbitros designados devem ser licenciados em Direito” (!!!).
Para que este procedimento de escolha correspondesse a um novo ciclo, falta o óbvio: instituir na(s) lei(s) a possibilidade de recrutar, nomeadamente através de comissão de serviço ou requisição, professores universitários e magistrados, sem prejuízo para a sua carreira. Assim elevaríamos (pelo menos em princípio) o nível desejado e faríamos ingressar (com limpidez) no TAD os juízes dos tribunais. Ainda vamos a tempo?"

Não é que não acredito nisto?

"1. Quinta-feira, o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei que estabelece o regime jurídico do combate à violência, ao racismo, à xenofobia e à intolerância nos espectáculos desportivos, de forma a possibilitar a realização dos mesmos com segurança. Reza o comunicado oficial, entre outros aspectos, que a proposta promove uma maior responsabilização dos promotores dos espectáculos desportivos, agravando-se o regime sancionatório, nomeadamente pela possibilidade de recurso à punição directa, solução que é decalcada das melhores práticas internacionais. Revêem-se as responsabilidades individuais dos adeptos e as regras relativas à possibilidade da interdição de acesso a recintos, bem como o regime aplicável aos grupos organizados de adeptos e à sua relação com os clubes, associações e sociedades desportivas.

2. Na mesma reunião aprovou-se, na generalidade, uma alteração ao regime de policiamento de espectáculos desportivos realizados em recinto desportivo e de satisfação dos encargos com o policiamento de espectáculos desportivos em geral. Esta alteração determina que os espectáculos desportivos integrados em competições desportivas de natureza profissional, como tal reconhecidas nos termos da lei, devam sempre, obrigatoriamente, ser objecto de policiamento. Quanto a este último texto ele representa mais um acto de uma trágico-comédia normativa do Governo e insere-se, por outro lado, num beco sem saída a que tinha chegado a segurança nas competições profissionais de futebol. A ver vamos se desta o Governo acerta e não repete o espectáculo que iniciou com a publicação do “novo diploma” sobre o policiamento, em parte afastado posteriormente por “instruções administrativas”.

3. No que respeita à “lei da violência”, ainda a aprovar pela Assembleia da República, conseguimos fazer um prognóstico antes do fim do jogo, quanto à sua ineficácia. Como é possível adiantá-lo sem conhecer o texto da proposta? Eis, no essencial, a minha explicação.

4. Coube ao Decreto-Lei nº 339/80, de 30 de Agosto, concretizar as primeiras medidas tendentes a conter “a curto prazo” (como afirmava) a violência nos recintos desportivos. Esse diploma veio a ser alterado pela Lei n.º 16/81, de 31 de Julho e, mais tarde, pelo Decreto-lei n.º 61/85, de 12 de Março. Sucede-lhes o Decreto-Lei n.º 270/89, de 18 de Agosto. Depois veio a Lei n.º 38/98, de 4 de Agosto. Depois (II) a Lei n.º 16/2004, de 11 de Maio. Depois (III) a Lei n.º 39/2009, de 30 de Julho. Agora, algures no tempo próximo, uma lei “nova” em 2013.

5. Todas as leis anteriores foram apresentadas, em manifesta propaganda política, como encerrando um ponto final miraculoso nesta matéria. Sempre de acordo com as melhores práticas internacionais. Todavia, sempre “morrendo”, alguns anos depois, por não lograrem atingir os objectivos a que se propunham. É desta? Não, claro que não. Enquanto não se cortar a seiva negra que liga os clubes às claques, bem podem fazer periodicamente novos diplomas. Enquanto o Estado – e toda a Administração Pública – não fiscalizar rigorosamente o cumprimento da lei – de qualquer lei, velha ou nova – e omitir-se do exercício dos seus poderes/deveres, eu acertarei sempre."