Últimas indefectivações

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O último «aliado»

"Rui Rangel, em vez de se apresentar como autêntico representante da mudança, prefere assumir-se como líder de uma extensão do chamado «Grupo da Valenciana»

Desde há uma semana, data da minha última crónica neste espaço, em que defendi que a única solução para o Benfica deve passar por Luís Filipe Vieira, nada de novo se registou na frente de campanha que mereça relevância, além de algumas entrevistas tecnicamente bem trabalhadas. Aquilo que se esperava, afinal, frases dispersas, reparos deselegantes e acusações ocas, o normal num período eleitoral. Verificou-se também uma escusada aproveitação de nome de Rui Costa, como se residisse nele a panaceira para aliviar as dores da águia. No resto, uma oposição sem a capacidade de surpreender, ao jeito das equipas que, À míngua de argumentos para se imporem no terreiro da competição, investem no erro alheio, como na fábula trazida à colação pelo Ministro Miguel Macedo, em que a cigarra, sem nada para partilhar de significativo, espreita o árduo trabalho da formiga e dos seus sofrimentos se aproveita para, fresquinha e mentirosa, aparecer em cena a propagandear virtudes que não possui. Uma tentação irreprimível, aliás, quando transportada para os homens, de aí sugerir-se a conveniente prudência na interpretação mais da palavra dita, que voa, do que da palavra escrita, que fica.
Não ouço duvidar das boas intenções do juiz Rui Rangel. Porém, somente lhe temos escutado vulgaridades. em dito o que, afinal, todos diriam no lugar dele, sem se dar conta que em vez de se apresentar como autêntico representante da mudança, de dar a cara por uma alternativa forte e credível,com visão de futuro, prefere assumir-se como líder de uma extensão do chamado 'Grupo da Valenciana', por ser nesse conhecido restaurante da zona de Campolide, que desde há anos os descontentes se reúnem em jantaradas para chatearem o regime a alinhavarem estratégias eleitoralistas.

Os dois pretendentes ao trono merecem o mesmo respeito. A escolha cabe aos sócios, a mais ninguém. De Vieira depara-se nos a sua obra, a parte já erguida, que é imensa, e a que está em fase de construção. A ele se deve, e aos seus colaboradores, a tarefa gigantesca de, como é reconhecido, ter devolvido a credibilidade à instituição, de lhe ter limpado a cara e ter recolocado o Benfica no lugar que a sua valiosa história futebolística reservou no estrito clube de nobres do futebol mundial. Se fácil e rápido é destruir, complexo e demorado é reconstruir, e engrandecer até, o que outros arrasaram. Na minha opinião, como há uma semana, a solução continua a ser Vieira.

De Rangel pouco se sabe da sua experiência na área da gestão desportiva. Será, provavelmente, um bom presidente dentro de quatro anos, tempo suficiente para o adversário concluir a sua empreitada e que, paralelamente, lhe permitirá amadurecer ideias, definir caminhos, preparar uma equipa para receber e valorizar a importante herança que Vieira deixar. Neste momento, é a imagem de um candidato que foi empurrado para esta aventura, ou que se auto empurrou, o que, em qualquer dos casos, não se recomenda. Com as eleições marcadas para a próxima sexta-feira, é curiosa a circunstância de, até lá, o seu último «aliado» ser Jorge Jesus, dada a influência que os resultados desportivos exercem no sentido de voto dos menos esclarecidos. É assim agora, foi assim no passado e sê-lo-á sempre. Uma ironia do destino esta: Rangel estar a fazer força para que o treinador de Vieira erre na táctica do jogo de logo, em Moscovo, e lhe reforce a sua base de apoio. O juiz pode dizer que não senhor, que os interesses do clube estão acima de tudo, mas será que alguém acredita?... Se as coisas correrem mal ao Benfica, são votos para ele; se correrem bem... assunto resolvido.

Nota - Entre os avanços e recuos de Godinho Lopes e a falta de paciência de Eduardo Barroso, alguma coisa aconteceu no Sporting: Luís Duque e Carlos Freitas para a rua, o primeiro sem surpresa, o segundo por arrasto..."

Fernando Guerra, in A Bola 

O tabu dos direitos televisivos

"Apesar do limitado e quase ignorado espaço de que disponho, não conheço ninguém que se tenha batido com o empenho e desde há tanto tempo como eu pela centralização dos direitos televisivos dos clubes de futebol. Retomo o tema porque, na semana passada, houve n'A BOLA TV um debate sobre esta matéria em que intervieram os presidentes da Federação, da Liga e do Sindicato e no qual foram feitas duas afirmações que me intrigaram. A primeira de Fernando Gomes: «A centralização nunca deverá ser uma decisão por decreto, como em Itália. Aqui não funcionaria.» Acrescento e pergunto: também em França, foi uma decisão tomada por decreto, assinado pela então ministra Marie-George Buffet, e se nestes dois países e negociação colectiva é um êxito, porque não o haveria de ser em Portugal?
A segunda de Mário Figueiredo: «Há leis suficientes para punir os clubes que não cumprem as suas obrigações salariais e fiscais mas, na prática, não podem ser aplicadas.» Não podem ser aplicadas, porquê? Por falta de coragem ou algum impedimento real? Em Itália, sempre que a CO.VI.CO.C (Comissão de Vigilância para as sociedades de calcio), conclui que os clubes não têm condições materiais para honrar os seus compromissos, das duas uma: ou são despromovidos ou são impedidos de participar nas provas. E todos os anos acontece com vários clubes profissionais.
O futebol rege-se pela cartilha da máfia ou camorra. Simone Farina, defensor do Gubbio (Série B), que em 2011, denunciou a trama do Calciocommesse, foi durante meses um herói nacional, um símbolo do desporto limpo, Bola de Ouro da Honestidade da FIFA. Hoje não tem clube, é perseguido e vê-se obrigado a emigrar."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

E agora?

"«Vejam-se os últimos cinco anos de arbitragem. Pedro Proença, Olegário Benquerença, Carlos Xistra, Soares Dias, João Capela, Hugo Miguel e Rui Silva. Perguntem se é tudo por mero acaso. Nunca se enganam contra determinado clube, o FC Porto». A frase é da lavra de quem? Rui Gomes da Silva, vice-presidente do nosso Clube. Declaração que suscitou uma queixa dos visados em sede de justiça federativa.
Rui Gomes da Silva tem razão. Só lhe faltou dizer que esses árbitros, se alguma vez se equivocaram em jogos do FC Porto, foi quando os azuis do Norte já os venciam por margem confortável, ou seja, insusceptível de ser revertida. Tem sido uma constante nos últimos anos, uma espécie de reserva mental em relação ao Benfica e uma generosidade gritante relativamente ao FC Porto que maltrata a verdade desportiva.
A queixa apresentada é grotesca. Na sequência do famigerado processo Apito Dourado, com fortes razões substantivas, o que fizeram esses e outros homens do apito? Nada, nada mesmo. A situação foi branqueada, os dirigentes portistas poupados, até houve o desplante de acusar aqueles (benfiquistas e não só) que se insurgiram contra a pouca-vergonha instalada no Futebol indígena.
E agora? Em contencioso contra Rui Gomes da Silva, que o mesmo só pode significar contra o Benfica, que condições têm esses árbitros para dirigirem partidas com o nosso Clube a intervir? Uma questão elementar, absolutamente elementar. Os responsáveis federativos não podem nomear esses juízes, pelo menos enquanto decorrer o processo, sob pena de avolumarem a suspeição.
Melhor ainda seria que os próprios anunciassem recusa. Por uma atitude de honradez. E era mesmo de bola honrada que nós precisávamos."

João Malheiro, in O Benfica

Regresso às vitórias...


Benfica B 2 - 1 Guimarães B

Desta vez, tivemos alguma sorte, notou-se a falta dos 'Andrés' - em Moscovo na Champions - principalmente na construção de jogo ofensivo, também demos demasiados espaços, mas o Mika e a azelhice adversária, safaram-nos... É necessário continuar a trabalhar para anular as ingenuidades que ainda persistem nos nossos jovens (sofrer um golo num contra-ataque, após um canto a nosso favor, quando se está vencer por 2-0, não deve acontecer)...
Vínhamos de uma série de empates, o que reforça ainda mais a importância da vitória... e se às vezes jogando bem, não conseguimos ganhar, noutras alturas - esta noite -, jogando menos bem, conseguimos os 3 pontos!!!

Alcatraz

"O que leva o comum dos mortais a preferir um clube em relação a todos os outros? O que o leva a escolher um emblema, a seguir uma equipa? Por que razão sofre ou rebenta de alegria? Que motivo há para que chore ou se desfaça em beijos e abraços? Que o leva ao desespero ou à beatitude? Não há uma razão única; vale tudo um pouco. Mas regressemos aos primórdios de cada um. Há quem se torne adepto de um clube por ser o clube da terra onde nasceu. A ligação é familiar, nesse clube terão jogado pais ou tios.
Como também pode ser familiar a ligação de quem escolhe o clube do pai ou do avô. E mesmo até por embirração, talvez contra o pai ou contra o irmão mais velho. Depois há a opção prosaica: gosta-se de um clube pela cor das camisolas.
Ou ainda mais filosoficamente: pelo estilo de jogo da equipa, ofensivo ou defensivo. E até personificado: porque nela jogo um astro, um jogador de carisma e qualidade.
Podia encher um jornal com motivos, mas existem alguns que de tão estranhos cairiam no descrédito. Imaginem alguém que opta por ser de um clube porque se identifica com a sua política de corrupção, roubo e violência... E alguém capaz de vibrar com vitórias falsas à custa de árbitros solícitos e vergados. E outro alguém, ainda, delirando com os prejuízos feitos aos adversários por via do trabalho soez de dirigentes criminosos.
Vocês perguntarão: há adeptos que, deliberadamente, assumem com gosto a sua condição de sócios de corporações de malfeitores travestidas de clubes de futebol? E eu respondo: há! Acreditem que há! E marcham em legiões para os estádios envergando orgulhosamente as suas camisolas às riscas que fazem lembrar as fardas dos prisioneiros da sinistra ilha de Alcatraz."

Afonso de Melo, in O Benfica

Futebol a sério

"1. Agora é a sério: a Liga de Futebol Profissional denunciou as ilegalidades dos contratos de transmissão televisiva da PPTV/Olivedesportos/Sport TV junto da Autoridade da Concorrência. Este é o passo que nunca ninguém quis dar e que só a eleição de Mário Figueiredo permitiu: colocar em causa o monopólio do produto televisivo. Um passo (de que muitos duvidaram e que muitos tentaram evitar) que obrigou Fernando Gomes, esta semana, a engrossar o pelotão dos que se colocam a favor da centralização da venda dos direitos televisivos e da melhor redistribuição das receitas entre pequenos, médios e grandes clubes; ver-se-á daqui a pouco a razão para este lance de xadrez do presidente da FPF... Jogadas à parte, agora cabe a palavra à Autoridade da Concorrência, com um processo que seja claro e transparente e decisões fundamentadas e explicadas sem quaisquer constrangimentos. Se atender às pretensões da Liga e dos clubes (a hipótese mais provável, visto o argumentário jurídico), os contratos deixarão de produzir efeitos e/ou só produzirão efeitos durante mais 2 ou 3 anos. Se assim for, nunca mais o futebol profissional será igual por cá.
2. Agora é a sério: as três grandes SAD do futebol têm de mudar de vida. Os tempos do país e do Mundo obrigam; os excessos e os abusos do passado deixaram de ter tantos aliados; os negócios de ocasião são mais esporádicos. No Benfica, anunciou-se há não muito tempo a austeridade, com implícito ato de contrição quanto à irracionalidade da gestão. No Sporting, consegue-se anunciar muito pouco, pois a situação financeira parece ser apenas a administração da iminência do precipício. No Porto, anunciou-se a “redução transversal da despesa” e a adaptação do “modelo de negócio ao mercado”; entretanto, faz-se mais dívida (mais um empréstimo obrigacionista, no esquema habitual) para pagar a que está a vencer, concentrando-a no futuro menos próximo. Para compreender tudo isto era bom que se alcançassem algumas daquelas “rubricas” das contas das SAD. Naquele labirinto de entradas e saídas de dinheiro avultam as transmissões de direitos dos jogadores; decifrar quem é quem e quem recebe e paga o quê seria a verdadeira pedrada neste charco. E se todos percebêssemos quem ganhou e perdeu naquela montanha-russa de comissões (exemplo: 18 milhões só num ano para intermediários...) e fundos com nomes indecifráveis, se houvesse interesse em investigar a legalidade de tudo isso, então talvez o futebol profissional nunca mais fosse o mesmo por cá. Isto, claro está, se estivéssemos num país a sério e... sem medo."

A hora dos delfins está a chegar

"Considerações sobre as questões de sucessão nos nossos “grandes”

Tal como está a sociedade, as finanças, os humores e o mundo, os clubes de futebol vêm-se forçados a adaptar-se à inóspita situação. Não se trata aqui da questãozinha dos resultados desportivos.
Nesse aspecto não estão previstas alterações bombásticas ao paradigma em vigor, basta olhar para a tabela do campeonato. A revolução é na questão financeira e na liderança. Dificilmente os grandes clubes de futebol em Portugal consentirão que os seus poderes mudem para as mãos de desconhecidos ou de arrivistas ou para as mãos de meros apaixonados.
Os clubes transformaram-se em enormes grupos empresariais com dependências fortíssimas à banca e exibindo passivos astronómicos, um conjunto letal de realidades que, forçosamente, vai baralhar aquela arcaica obrigação estatutária de ter de haver eleições para os “corpos gerentes” de uns quantos em quantos anos.
A democracia não foi erradicada dos clubes, longe disso, mas estamos a assistir, e continuaremos a assistir pelo andar da carruagem, a uma preocupação crescente em promover ou abrir o campo para “sucessões” no lugar de eleições.
Fernando Tavares, que concorre contra a lista de Vieira na lista de Rangel, insinuou esta semana, com malícia, que José Eduardo Moniz tinha conseguido ganhar as eleições ao actual presidente sem ter de recorrer aos trâmites sempre incómodos do sufrágio popular. A imagem é forte e, podendo ou não corresponder à realidade, a verdade é que não há benfiquista, de uma ou de outra lista, que não olhe para Moniz, que já lá está dentro, como um putativo sucessor de Vieira.
No Sporting, por exemplo, a actual direcção nasceu da necessidade de juntar no mesmo saco de gatos uma quantidade significativa de velhos e novos opositores de modo a construir uma opção de poder tão abrangente e com tantas soluções que, neste momento, ninguém se entende em questões tão simples e pragmáticas como a do treinador.
Mas a grande novidade disto tudo, aconteceu no FC Porto onde o poder não se discute há décadas porque não tem sido preciso. Esta semana, Antero Henrique concedeu uma entrevista ao “France-Football” e explicou detalhadamente, mostrando saber do que está a falar as razões do sucesso desportivo do clube. Soltou-se um delfim na casa do Dragão. O mundo está mesmo a mudar.

ERRAR É HUMANO
Quatro anos para a casa vir abaixo
Os benfiquistas, por natureza optimistas e confiando na sua fervorosa História de 108 anos, esperam que José Eduardo Moniz, candidato a vice-presidente na lista liderada por Luís Filipe Vieira, faça aos “poderes instalados” e aos “grandes conluios” que, utilizando as suas próprias palavras, comandam o futebol português, exactamente o mesmo que fez quando chegou à direcção da TVI e, no espaço curto de um “reality-show”, deu cabo da liderança da SIC de Emídio Rangel no campeonato das audiências, do sucesso e da glória. É pedir muito, convenhamos.
Luís Filipe Vieira, que não é tolo, tem noção de que a notícia forte da sua recandidatura é a inclusão do seu antigo opositor na lista. Ninguém pode censurar a Vieira, que já leva dez anos de Benfica, de alguma vez se ter acobardado de ir à luta, bem ou mal, contra os tais poderes instalados e os conluios. É verdade que não foi feliz como o provam os resultados desportivos, de que é responsável, e os resultados judiciais, de que não é, nem poderia ser, responsável.
Moniz “estreou-se” num jantar da Bairrada como orador-benfiquista, soldado no activo, prometendo luta contra “os truques da arbitragem” e a casa, naturalmente, veio abaixo. Veremos se vem mais alguma coisa abaixo nos próximos quatro anos.

POSITIVO
Postiga bem bom
A titularidade de Hélder Postiga no “onze” de Paulo Bento está longe de ser indiscutível entre os adeptos. Mas a verdade é que em dois jogos de pobreza extrema da selecção, só Postiga cumpriu. Um golinho, bem bom.

Queiroz avança
O Irão de Carlos Queiroz venceu a Coreia do Sul em Teerão e segurou-se no segundo lugar do grupo A asiático que confere a qualificação directa para o Mundial de 2014. Está quase lá, professor.

NEGATIVO
Bento recua
Dupla jornada para a selecção de Paulo Bento e dupla depressão. Uma derrota em Moscovo e um empate pindérico com os irlandeses do Norte no Dragão não acabam com o sonho português mas a coisa complicou-se.

PÉROLA
“Oceano é intocável.”
GODINHO LOPES
É interino mas é intocável. Enquanto for interino, obviamente. Fará também “parte da estrutura” técnica do futuro mesmo que o treinador a contratar não queira. Oceano “forever”, sendo que, em Alvalde”, o “para sempre” é o que é. Muito confusos se devem sentir os jogadores do Sporting, não é?"

domingo, 21 de outubro de 2012

Domingos Soares Oliveira...


"Uma das criticas mais fortes que se tem feito neste período pré-eleitoral tem a ver com os números do passivo do Benfica. Na realidade, qual é o passivo neste momento?
Se falarmos no passivo consolidado, que é que interessa aos benfiquistas, existem duas vertentes: o passivo financeiro, que se situa em 237 milhões no final do último exercício, portanto muito muito abaixo dos 500 milhões falados por alguns, e o passivo não financeiro, que tem a ver com dívidas a parceiros e que se situa nos 119 milhões. Portanto, estamos a falar de um total que não chega a 400 milhões.
Elementos da lista de Rui Rangel insistem no passivo não bancário. O que é isso em concreto?
É aquilo que normalmente tem a ver com compras que se fazem e cuja parte essencial se refere a compra de jogadores. A maioria dos nossos parceiros aceita que o Benfica possa fazer esses pagamentos ao longo de determinado período.
Há alguma razão especial para o passivo ter atingido estes números?
O passivo tem estado razoavelmente estável e tem crescido em consonância com os activos. Aquilo que temos feito desde o investimento no estádio, Caixa Futebol Campus, Benfica TV... Não temos parado de investir, ainda recentemente comprámos o Campo do Bravo para a equipa B, o museu também é um investimento. Quando se fazem estes investimentos, é natural que o passivo e os activos subam. Algumas pessoas estão muito preocupadas com o passivo e ainda não ouvi ninguém falar no aumento de activos cujo valor anda sempre muito próximo do passivo. Para além disso, continuamos a apostar na capacidade do Benfica em gerar receitas. Para lhe dar uma ideia, quando Luís Filipe Vieira chegou, a facturação total do Benfica situava-se nos 42/43 milhões e, neste momento, a facturação é de 140 milhões. Trata-se de um investimento estruturado que vai tendo cada vez mais capacidade de gerar receitas. Talvez as pessoas se esqueçam (e tenho relatórios desde 1994) que o Benfica já estava com capitais próprios negativos, não tinha riqueza própria e o único caminho era recorrer ao endividamento.
Há uma ideia do valor dos activos neste momento?
Há, estão valorizados em 361 milhões, naquilo que é possível reconhecer o valor dos activos. Eu falo sempre na questão dos jogadores porque os jogadores só podem ser avaliados pelo valor pelo qual foram adquiridos deduzindo as amortizações. O Witsel estava reconhecido nos activos como um valor próximo dos 6 milhões e foi vendido por 40. Isto significa que os nossos crivos estão de acordo com as normas locais, mas não estão de acordo com o real valor de mercado.
Rui Rangel tem falado com insistência na necessidade de uma auditoria às contas do Benfica.
(interrompe) Nós somos uma empresa auditada pelas maiores empresas internacionais. O que se pode fazer agora é auditar os auditores. Porque se as contas do Benfica são controladas pela CMVM, o que podem querer é auditar os auditores e a CMVM, e essa prática desconheço.
De que forma é que a crise económica mundial influi nestes números negativos?
No ano passado continuamos a crescer e do ponto de vista de receitas da componente operacional crescemos 10%. Mas temos plena consciência de que o Benfica esta inserido num determinado conceito socioeconómico. Felizmente a maioria dos contratos que temos são de longa duração e as empresas têm estado satisfeitas e até agora nenhuma pediu qualquer tipo de renegociação de contrato. Do ponto de vista dos consumidores sentimos maior dificuldade das pessoas em pagar as quotas e os seus bilhetes, embora este jogo com o Barcelona tenha sido um dos cinco melhores jogos desde que o estádio foi inaugurado.
A SAD tem conseguido cumprir escrupulosamente as obrigações com todos os funcionários?
A SAD cumpre com todos os funcionários e nunca incumpriu, nestes nove anos, com nenhum jogador, nenhum treinador, nenhum funcionário, com parceiros financeiros ou fornecedores e nunca tivemos nenhum processo. Não há um único jogador que possa vir reclamar que p Benfica lhe ficou a dever alguma coisa.
Tem noção que essa é uma realidade pouco vista no futebol português?
Tenho noção, pois temos alguns dados relativos a outros clubes portugueses e sei que há clubes a passar dificuldades. É negativo para o sector.
Qual é o valor da marca Benfica actualmente?
Já vi estudos de 50 entidades distintas, desde superior a 100 milhões a outros que dizem que vale mais de 300 milhões. Mas tenho de reconhecer que não há sitio a que o Benfica se desloque onde não seja reconhecido, reconhecido e diria quase idolatrado. Não há nenhuma marca portuguesa que seja mais valiosa do que o Benfica.
Rui Rangel acusa a actual direcção de transformar o Benfica num entreposto de jogadores.
É verdade que hoje o Benfica tem uma política distinta daquela que era a politica relativa a jogadores há dez anos. O dr. Rui Rangel não saberá, mas uma parte significativa dos contratos que hoje existem são miúdos oriundos da nossa formação e estamos a falar de dezenas de contratos profissionais. Depois, não temos 95 jogadores, esse dado é falso.
Então quantos tem?
Não lhe vou precisar quantos são, mas é um número muito mais baixo do que esse. Uma parte significativa dos jogadores que temos são jogadores que estão emprestados, no sentido de serem valorizados e, temos vários exemplos de sucesso nesse campo como foi o caso de Fábio Coentrão. E, portanto, a política que existe é que esses jogadores são colocados no campeonato português ou no estrangeiro (como o Nelson Oliveira) e esses clubes pagam o salário do jogador na totalidade e ainda uma verba pelo empréstimo. Dentro de casa, entre equipa A, B e juniores temos 40 a 50 jogadores e os que estão emprestados não significam qualquer custo para o Benfica.
Em que mercados é que o Benfica está a apostar em termos de expansão?
Na expansão internacional a grande aposta é claramente na Lusofonia. Abrimos escolas em Angola em Moçambique, estivemos com futebol de formação em todos os PALOP e é aí que está o grande potencial de crescimento do Benfica. Dos 14 milhões de adeptos, grande parte está nestes países e tem tido um crescimento muito interessante.
Termina esta época o contrato de patrocínio com a PT. Uma multinacional como a Emirates era o sponsor ideal?
A Emirates investe no futebol 180 milhões por ano e faz este investimento nos grandes clubes de cada país. Naturalmente que a Emirates seria um parceiro comercial interessante.
A PT patrocina igualmente FC Porto e Sporting. Isso é prejudicial?
Não conheço os números de FC Porto e Sporting, mas tenho uma pequena ideia por aquilo que se ouve no mercado. Lembro que o estudo da Liga, que é isento, diz que a quantidade dos adeptos do Benfica em Portugal é igual a soma de adeptos de FC Porto e Sporting.
Por que é que ainda não se fechou o negocio do naming do estádio?
Porque ainda não conseguimos encontrar o parceiro certo, quer do ponto de vista financeiro quer da marca. Hoje em dia, com esta crise mundial, não é em Portugal que vamos encontrar um parceiro para o naming do estádio nem penso que este dossier se possa fechar a curto prazo.
0 Benfica está presente em reuniões com os grandes clubes da Europa através da ECA (European Club Association). 0 que é que se discute aí?
Estou na componente de "marketing e comunication" e temos como objectivo encontrar dados para a indústria se continuar a desenvolver. É uma associação e clubes, mas não é por isso que não trabalha com a UEFA.
Este grupo tem mais força que o G14?
Tem maior abrangência e creio que mais força também. É ali que se encontram os grandes decisores dos clubes como Sandro Rosell (Barcelona), David Gill (Man. United) ou Jean-Michel Aulas (Lyon). É ali que nos encontramos e abrimos portas para futuros negócios.

«Vamos ter de baixar preços»
O presidente admitiu recentemente baixar o valor das quotas, tendo em conta a recessão que atravessa o país. Esta medida será uma realidade em breve?
Esse assunto não foi ainda tratado como tal dentro de uma reunião de direcção, porque é a direcção que tem poderes para isso. Como lhe disse, com esta crise fizemos uma analise e o Benfica, como toda a sociedade, vai ter de se adaptar às novas regras do jogo, já que as pessoas têm menos dinheiro, as empresas menos capacidade de financiamento. Queremos ter o maior número de sócios e queremos continuar a ter o estádio com afluências significativas. Para isso vamos ter de baixar pregos e reduzir custos para manter o equilíbrio.
As receitas de quotização e bilheteira têm vindo a baixar?
Não, até agora não, e isso tem sido uma das boas surpresas. Mas teremos de ver o impacto a partir de Janeiro, altura em que a maioria dos sócios como eu paga a quota anual.
O objectivo dos 300 mil sócios ainda é concretizável?
Chegaremos aos 300 mil sócios, não sei exactamente quando. Há um ano e meio tive um filho que fiz sócio desde o dia que nasceu e era o 237 mil e qualquer coisa, portanto em determinado momento haverá o sócio 300 mil. Aquilo que será a nossa luta quando chegar a essa altura, é que exista a capacidade de os sócios honrarem os compromissos de quotização.

«Direitos televisivos serão decididos até final do ano»
Estamos a meses do final do contrato com a Olivedesportos para os direitos televisivos. O Benfica já decidiu o que vai fazer?
Não houve nenhuma evolução. Recebemos uma proposta, tornamo-la pública e não aceitámos por várias razões. Existem alternativas identificadas, mas não há decisões tomadas e não seria sensato tomar essa decisão antes das eleições.
Mas para quando uma decisão?
Não quero antecipar datas, até final do ano teremos de ter decisões.
Há quem pague mais que a Olivedesportos?
Sem revelar muito nos tivemos um acordo com o engenheiro Paes do Amaral em relação a uma suposta proposta que ele iria fazer e acabou por não fazer. E não existem em Portugal entidades disponíveis para apresentar um programa concorrente à Sport TV, até porque os únicos direitos televisivos que estão disponíveis de imediato, entre clubes da I Liga, são os direitos do Benfica. Se quisermos avançar para uma alternativa ou conseguimos arranjar um parceiro internacional e ainda assim a Olivedesportos terá sempre um direito de preferência para exercer, ou, como já foi falado, exploramos os direitos dentro da própria Benfica TV. A não ser que a Liga arranje outra solução, entretanto.
Portanto bastará a Olivedesportos igualar o valor?
A Olivedesportos tem direito de preferência, são condições negociadas em 2002 e que eram as condições possíveis na altura e vale a pena elucidar esse tema. Fui dos primeiros a denunciar que o valor que o Benfica recebia era extremamente baixo sem paralelo em termos internacionais. Questionei-me porque é que este acordo tinha sido assumido em 2003 mas como toda a gente sabe o contrato foi rasgado nos tempos de Vale e Azevedo, o que originou um enorme imbróglio jurídico. As pessoas que estiveram por detrás do rasgar de contrato com a Olivedesportos, na altura, deveriam pensar que isso terá custado qualquer coisa como 70 milhões de receitas que o Benfica não foi buscar, e isto tem implicações no passivo. Ouvir agora algumas pessoas que estiveram associadas a Vale e Azevedo virem falar do passivos... As pessoas deviam ter mais decoro na forma como abordam o assunto.
A maioria dos clubes europeus recebe mais de 40% do total das receitas. É possível lá chegar?
Os clubes recebem em média, 40% e o Benfica gera receitas internacionais, sem direitos televisivos, de mais de 100 milhões, portanto estaríamos a falar de um valor superior a 40 milhões.
Mas admite fechar contrato abaixo dos 40 milhões?
Nós não temos nenhuma proposta em cima da mesa. Ou essa proposta aparecerá, ou se não aparecer a alternativa é a Benfica TV.
Não acha que a renovação do contrato com a Olivedesportos iria criar mal-estar junto dos sócios? Até actuais dirigentes já se manifestaram contra.
Existem duas questões diferentes. Uma é corporativa e trata-se de uma relação que tem corrido bem com a Olivedesportos, outra é a percepção que os sócios têm em relação ao papel desempenhado pela Olivedesportos. E basta ver aquilo que é dito nas assembleias gerais onde este assunto é sempre posto em cima da mesa. Não é possível tomar uma decisão sem ter isso em consideração. Se isso nos condiciona numa eventual negociação? Não vou tão longe.
Os resultados da Benfica TV estão a corresponder às expectativas?
Estão. Sabíamos que tínhamos o problema de não ter os jogos em directo o que havia muito em termos de share. Dou-lhe um exemplo: o jogo que fizemos no Algarve, com o Betis, teve um share altíssimo, de 17 ou 18%.
Por que é que a Benfica TV não faz a cobertura das eleições?
Tomámos essa decisão em 2009 e não temos os meios de um canal generalista para fazer a cobertura total. O dr. Rui Rangel declarou que é mau sinal a Benfica TV não ter estado no lançamento da sua candidatura, mas também não esteve na de Luís Filipe Vieira. Queremos continuar de forma isenta.

«Nunca recebi um dragão de ouro»
Uma das críticas que lhe fazem frequentemente é o facto de não ser benfiquista. É verdade que torcia pelo Sporting?
Sempre defendi o Benfica com a mesma tenacidade que qualquer benfiquista defende. Estou de consciência tranquila. É interessante ouvir críticas de pessoas que se dizem benfiquistas. Eu nunca recebi um dragão de ouro, nunca fui presidente de uma casa do FC Porto no Luxemburgo, nunca fui condenado por processos fiscais a favor do Sporting e nunca tive qualquer processo por fraude fiscal. Portanto, ouvir algumas pessoas a falar de benfiquismo quando se tem por perto pessoas assim...

«Encontro muitos adeptos na rua e ninguém me diz que estou a fazer um mau trabalho ou sou lagarto (...)»
Mas essa é das maiores críticas que lhe fazem...
(interrompe) As pessoas que hoje me criticam são as mesmas pessoas que me contrataram, sabendo quais eras as minhas características profissionais e pessoais. Isso é pura demagogia. O meu trabalho avalia-se por quem cá está. Nestes nove anos, fui a mais jogos do Benfica do que essas pessoas e tenho números de quantas vezes eles vieram ao estádio. Encontro muitos adeptos na rua, convivo com eles e ninguém me diz que estou a fazer mau trabalho ou sou lagarto, sportinguista, ou qualquer outra coisa.
Acha que o cargo de presidente deveria ser remunerado?
Isso é uma questão quase pessoal. O presidente defende uma linha dura que, reconheço, é cada vez menos frequente no plano internacional.
E no plano nacional também.
Sim, também, mas não comparo o Benfica com nenhum clube nacional. O presidente do FC Porto é remunerado, o do Sporting não é mas desde José Eduardo Bettencourt que pode ser. O presidente sempre entendeu que quem está nos órgãos sociais não deve ser remunerado, porque está ao serviço do Benfica. Já nem falo do presidente que passa aqui 12 a 15 horas por dia, mas de outros como o Rui Gomes da Silva, que prejudica a vida pessoal e profissional pelo Benfica. Não me canso de elogiar estes orgãos sociais que se mantiveram coesos até ao fim e respeito a 100% a vontade do presidente e dos sócios.

«Realizamos encaixes e o jogador fica aqui»
O Benfica Stars Fund tem tido os resultados esperados?
Fazemos vendas de parte do passe dos jogadores, mas temos 15% do fundo. As operações já realizadas trouxeram resultados muito interessantes, a maioria com resultados positivos e dois ou três em linha com o que estava perspectivado. Vamos ver agora o que acontece aos outros jogadores que estão no fundo. Conseguimos encontrar uma solução inovadora em que vendemos pequenas percentagens, o que nos permite realizar encaixes e o jogador ainda fica aqui.
O valor das acções do Benfica estão muito abaixo do preço de lançamento. Faz sentido continuar na Bolsa?
É uma pergunta difícil, porque qualquer resposta que lhe desse teria de a justificar perante a CMVM, mas posso dizer-lhe que não temos qualquer intenção de retirar a Benfica SAD da Bolsa. É verdade que quem investiu 5 euros e vê hoje as acções a 50/60 cêntimos sente que é um rombo significativo, mas quem investiu na SAD não procurou dividendos, agiu mais numa perspectiva emocional. Haverá excepções como o caso do presidente e do sr. José Guilherme, porque naquela altura era fundamental investir para salvar o Benfica.

«Se não valesse a pena Jesus já não estaria cá»
O Benfica vendeu Javi Garcia e Witsel em cima do fecho do mercado. Estava obrigado a realizar receitas extraordinarias?
Nós teríamos sempre de encontrar, para este ano, formas de financiamento. Desenvolvemos um modelo diferente em que é fundamental que a equipa seja extremamente competitiva e para isto é preciso ter os melhores jogadores e isso não se faz retendo-os aqui dentro. Neste caso não era essencial vender os dois jogadores, pois tínhamos financiamento alternativo. Se do ponto de vista desportivo nos coloca um desafio, do ponto de vista financeiro deixa-nos com uma margem muito boa para 2012 e 2013.

«Há que deixar de ser hipócritas. O Benfica não pode recusar ofertas de 20, 30, ou 40 milhões»
«Daqui a 2/3 anos, haverá qualidade vinda da formação que nos levará a investir menos no mercado»
Não era possível antecipar estas vendas e garantir substitutos à altura em tempo útil?
Já vi vários treinadores dizerem que a partir do momento em que aparece uma proposta entre 20 a 30 milhões, os clubes portugueses não devem hesitar em vender. E o futebol é o momento e já houve situações em que tivemos oportunidades para vender e não vendemos, e quando apareceu uma nova proposta o jogador foi vendido por um valor mais baixo. Em termos internacionais, os clubes vão ter menos capacidade de investimento mas quando nos aparece uma proposta de 20, 30 ou 40 milhões há que deixar de ser hipócritas e dizer que o Benfica, e até o país, não se pode dar ao luxo de recusar este dinheiro. As duas situações, quer do Javi quer do Witsel, são diferentes. Para o Javi havia a percepção que podia chegar uma proposta e da parte da equipa técnica sempre houve uma mensagem de confiança em relação às alternativas que existiam. O caso do Witsel foi diferente, foi uma situação de última hora que não esperávamos, mas há que reconhecer que Jorge Jesus, quando confrontado com a situação, sempre disse que arranjaria soluções.
Os adeptos devem estar preparados para mais vendas em Janeiro?
Não creio, ainda não chegamos la, mas não precisamos de vender em Janeiro. Nessa altura acontecem apenas alguns ajustes pontuais de compras e vendas.
Mas há excepções como o caso de David Luiz, vendido em Janeiro.
Sim, mas esse é daqueles exemplos em que lhe posso dizer que perdemos a oportunidade de vender no momento certo e Janeiro não foi o momento certo. O David revelava vontade em sair e naqueles seis meses todos percebemos que tínhamos perdido o momento certo de vender.
A curto prazo o Benfica poderá voltar a fazer investimentos superiores a 30 milhões em jogadores?
Nós temos investido todos os anos verbas significativas, e esse investimento dividiu-se numa primeira fase em infraestruturas e numa segunda fase em atletas, e aí foi feito o grosso do investimento, e que não nos arrependemos. Todos os jogadores que estão a chegar do futebol de formação dão-nos garantias de poderem estar na equipa principal dentro de muito pouco tempo. As pessoas queixam-se muito de que não termos portugueses na equipa principal, mas têm de entender que este processo demora anos. Se nos lembrarmos da decisão de Vale e Azevedo em acabar com o futebol de formação, não era, de certeza, em 2003 ou 2004 que iriam surgir putos e alguns dos miúdos que estão a aparecer hoje na equipa B estão connosco há 10 anos. Isso é primeiro factor positivo: haver qualidade que nos permite pensar que dentro de 2/3 anos, com estes bons resultados, vamos ter menor necessidade de investimento. Temos também feito um excelente trabalho na prospecção liderado pelo Rui Costa, que considero ser das pessoas que mais percebe de futebol em Portugal.
Existe um tecto salarial estipulado para o plantel profissional?
Não, não existe nenhum tecto salarial. Aquilo que temos são escalões, com excepção dos jogadores que vêm da formação que têm (...) por onde podem evoluir, mas não creio que haja dois jogadores dentro do Benfica que tenham salários iguais. No entanto, é diferente comprar um jogador por 10 milhões e trazer outro a custo zero. Se o trago por 10 milhões com um contrato de cinco anos, a capacidade é limitada mas se ele vem a zero tenho mais capacidade de lhe pagar determinado salário durante os anos de contrato. Não defendo tectos salariais, o tecto principal é o da razoabilidade.
O Benfica tem vindo a descer a massa salarial?
Não, a massa salarial tem crescido muito por força de factores variáveis que são introduzidos, um que têm a ver com aquilo que se passa a nível nacional, outros com o que se passa a nível internacional. O facto de os jogadores terem conseguido chegar aos quartos-de-final da Champions fez com que se subisse ligeiramente a massa salarial.
Jorge Jesus é um dos treinadores mais bem pagos de sempre do futebol português. É um esforço financeiro que tem valido a pena?
Se não valesse a pena, Jorge Jesus já não estaria cá e está há quatro anos connosco. Não sou a pessoa mais indicada para elencar todos os méritos de Jorge Jesus, mas tudo o que conseguimos nestes três anos quer ao nível de de títulos, quer do ponto de vista de performance desportiva, quer da valorização de jogadores, merecia que alguém escrevesse a história de Jorge Jesus. É um elemento determinante na estrutura do futebol, que tem também António Carraça, Rui Costa e o presidente.
Hoje em dia para para ser treinador do Benfica a capacidade de potenciar jogadores é tão importante como a conquista de títulos?
Nós trabalhamos para os adeptos, nunca podemos esquecer para quem trabalhamos. Toda a estrutura trabalha para o sucesso desportivo. É muito interessante sermos o maior clube do Mundo, termos resultados financeiros positivos, museu, infraestruturas, mas na realidade a essência do Benfica é ganhar títulos. Portanto, tudo o que é feito nesta casa tem como ponto de referência a conquista de títulos. Já tivemos anos com 30 milhões de euros de prejuízo e as pessoas estavam contentes porque ganhámos o campeonato e outras com lucro em que as pessoas estavam claramente descontentes porque não ganhámos.

PERFIL
Nome: DOMINGOS Cunha Mota SOARES de OLIVEIRA
Nascido em Lisboa, a 4 de junho de 1960 (52 anos). Casado, 4 filhos
Licenciado em Informática e Gestão pela Universidade Paris XI em 1983
Advanced Management Program pelo Insead em 1998

1993-1984
- Analista-programador da Union Française des Banques – Locabail, em Paris

1984-1988
- Director de Organização e Informática da Locapor

1988-1992
- Director-geral da Unisoft

1992-1996
- Administrador delegado da Geslógica

1997-2000
- Country manager para Portugal da Cap Gemini
- Administrador Delegado da Cap Gemini Portugal

2000-2001
- Country Manager para Portugal na nova empresa Cap Gemini Ernst & Young
- Administrador delegado da Cap Gemini Ernst & Young Portugal

2001-2003
- CEO da Cap Gemini Ernst & Young Ibéria
- Presidente e consejero delegado da Cap Gemini Ernst & Young España
- Presidente não executivo da Cap Gemini Ernst & Young Portugal
- Administrador não executivo da Sogeti España

- Maio de 2004 até à data
- Presidente da comissão executiva do Grupo Benfica
- Administrador das seguintes empresas:
- Benfica Futebol SAD
- Benfica Estádio
- Benfica Multimédia
- Benfica SGPS
- Benfica Comercial
- Benfica Seguros
- Clínica do Benfica
- Benfica TV
- É responsável pelas seguintes áreas do Grupo Benfica
- Direcção Comercial & Marketing
- Direcção Financeira
- Futebol Formação
- Direcção Técnica e de Sistemas de Informação
- Benfica Multimédia
- Benfica TV
- Direcção de Recursos Humanos
- Organização de jogos
- Segurança"

Domingos Soares Oliveira, entrevistado por João Rui Rodrigues, in Record

Eleições

"Aproximam-se as eleições do Benfica, algo que é sempre motivo de orgulho benfiquista, pois já se realizavam - em liberdade e com larga participação - bem antes da queda da ditadura e quando não eram ainda habituais noutros clubes.
Mais uma vez haverá luta eleitoral, desta vez com um candidato da 'oposição' bem mais credível. Não tenho, no entanto, dúvidas quanto ao largo favoritismo do actual presidente, cujo trabalho no Clube, na última década, o coloca, é minha convicção, entre os melhores presidentes de sempre do Benfica, ao nível do outro grande homem do Estádio, Ferreira Bogalho, há 60 anos. E os benfiquistas reconhecem-no, mesmo com poucos títulos de Futebol conquistados. Há que não esquecer que houve, primeiro, que salvar o Clube (e, neste aspecto, Manuel Vilarinho nunca será esquecido), depois erguer o Estádio (e também - convém recordar! - Pavilhões, piscinas, área comercial), a seguir construir o Centro de Estágio no Seixal, finalmente investir na equipa de Futebol.
Por isso, não é justo dizer-se que o presidente 'só ganhou' dois Campeonatos em dez anos. Ganhou o primeiro 'antes do tempo', venceu o segundo na altura devida, faltou depois voltar a ganhar, por culpas próprias... mas não só. E, entretanto, foram-se formando equipas ganhadoras nas modalidades - não apenas numa ou outra mas em todas as principais! - e os resultados estão à vista. Pelo meio, houve um aumento exponencial do número de Sócios, nas fontes de receita (e ainda faltam os direitos televisivos!), criou-se a Benfica TV, o Museu está quase aí. Nem sempre estive de acordo com a Direcção e o presidente. Preocupa-me o passivo, embora a prudência de vários anos em que pouco investimos no Futebol me leve a confiar que tudo esteja controlado. Mas, afinal, para estarmos todos cem por cento satisfeitos, falta 'apenas' começarmos a ser campeões no Futebol com regularidade. O problema é que um presidente não mete golos... e o nosso (felizmente!) não recebe árbitros em casa.

PS: Já tive oportunidade de defender esta como a data ideal para a realização de eleições. Isso irá certamente confirmar-se agora: discutir-se-ão (espero...) os problemas do Clube e não termos promessas de compra deste ou daquele 'craque' ou de contratação deste ou daquele treinador, como aconteceria se as eleições fossem perto do final da época."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Democracia

"O processo eleitoral do Sport Lisboa e Benfica deixa-me duplamente satisfeito.
Em primeiro lugar porque, ao contrário daquilo que os mais cépticos temiam, os novos estatutos - que, tal como na altura da sua aprovação, continuo a achar serem os que melhor protegem o Clube de eventuais derivas aventureiras - não impediam a apresentação de candidaturas alternativas. Temos duas listas, e a nossa proverbial Democracia está uma vez mais assegurada, com os Sócios a poderem escolher livremente, nas urnas, o caminho que pretendem para o Benfica.
Em segundo lugar, porque um dos caminhos propostos é justamente aquele em que eu acredito. A recandidatura de Luís Filipe Vieira traz com ela a esperança de que todo o processo de recuperação e crescimento do nosso Clube, encetado há cerca de uma década,não fique por aqui, nem inverta substancialmente a sua rota. Não há presidentes perfeitos, nem mandatos perfeitos. Não há memória de qualquer líder, de qualquer instituição, ter feito o seu trabalho sem, pontualmente, ter cometido alguns erros. O que tem sempre de prevalecer é o balanço global.
No caso concreto de Luís Filipe Vieira, terão faltado apenas mais um ou dois Campeonatos Nacionais de Futebol para que esse balanço (repleto de realizações no âmbito das infra-estruturas, da profissionalização, da credibilização institucional, do ecletismo ou da comercialização da marca) se aproximasse mais da perfeição.
Sabemos bem como perdemos, por exemplo, o Campeonato da temporada passada. Mas há também que lembrar, por ser verdade, que nunca na sua história o Benfica terá tido pela frente um adversário tão forte (dentro e fora dos campos) como o FC Porto dos anos mais recentes. Temos hoje de nos bater com um rival que venceu três taças europeias em dez anos, e está no primeiro pote dos sorteios da UEFA. E não fossem as interferências de terceiros, teríamos, ainda assim, entrado já num ciclo de vitórias 'ano sim - ano não', bem diferente da negra realidade com que convivíamos há dez anos atrás."

Luís Fialho, in O Benfica

sábado, 20 de outubro de 2012

15-0 !!!

"Grande Entrevista - Luís Filipe Vieira
«O Benfica tal como hoje o conhecemos pode acabar»
O Presidente das águias concorre ao quarto mandato. Diz que Rui Rangel, adversário nas eleições, lidera uma lista de “interesses pouco transparentes”

Em nove anos na presidência do Benfica, ganhou apenas 2 campeonatos. O FC Porto foi sempre melhor?
Não, simplesmente foi o clube mais ajudado. Se quiser, houve uma conjugação de dois factores: por um lado, um Benfica ferido em estado terminal e desacreditado nacional e internacionalmente, financeiramente de rastos e sem infra-estruturas, e do outro lado, um sistema dominado e comandado por quem todos sabemos e que ficou à vista de todos no processo "Apito Dourado".

Que papel tiveram as arbitragens nas vitórias do FC Porto e nas derrotas do Benfica?
A resposta a essa pergunta está em várias gravações de conversas entre árbitros e dirigentes que a nossa justiça preferiu ignorar. Também por isso, pela impunidade que algumas pessoas parecem gozar, é que o nosso país chegou onde chegou.

Quais os árbitros que não gostaria de ver nos jogos do Benfica?
Apenas aqueles que se sintam condicionados. Errar todos erram, mas errar sempre em prejuízo do Benfica é que nos faz pensar que afinal de contas o dito "sistema" do futebol nacional ainda não acabou. Não sou dos que acham que todos erram de propósito, mas registo que alguns erram efectivamente mais do que outros e sempre contra nós e isso deve ser objecto de reflexão.

Que tipo de relações vai privilegiar com o FC Porto e Sporting?
A única relação que verdadeiramente me preocupa e vou continuar a privilegiar é a relação com os nossos sócios e adeptos.

A uma semana das eleições (26 de Outubro), que mensagem deixa aos sócios?
Que votem. O Benfica tal como hoje o conhecemos pode acabar. Não há qualquer projecto alternativo do outro lado, mas sim um conjunto de interesses pouco transparentes. Está muita coisa em causa e o voto dos benfiquistas é fundamental.

Qual o seu projecto para os próximos quatro anos, se vencer as eleições?
Basicamente, consolidar tudo o que até aqui temos feito. Temos das melhores infra-estruturas a nível mundial, uma estrutura profissional altamente competente que tem sabido incorporar inovação em tudo em tudo o que fazemos, um canal de televisão, um museu que vai deixar os portugueses, e não apenas os benfiquistas, orgulhosos do trabalho realizado. Temos de consolidar tudo o que fizemos nestes anos e reforçar a aposta no sucesso desportivo, nomeadamente a nível da equipa de futebol profissional.

O que pode prometer?
Apenas trabalho e total dedicação. Quem prometer mais do que isto está a ser demagógico.

Jorge Jesus tem contrato até Junho de 2013. Vai renovar?
O nosso treinador trouxe estabilidade, com ele ganhámos 1 campeonato, fizemos sempre boas campanhas a nível das competições europeias, ganhamos outros títulos a nível nacional, passámos a praticar um futebol que o Benfica já não conhecia há muito tempo, valorizando muitos jogadores. Mas ainda é cedo para dizer o que vai acontecer no final da época.

Por que motivo incluiu José Eduardo Moniz na sua lista?
Porque mesmo quando estivemos em lados opostos sempre disse que José Eduardo Moniz era uma pessoa válida. Quando há três anos disse que teria a minha porta aberta para quem quisesse contribuir e apresentar propostas não estava a ser demagógico. José Eduardo Moniz apresentou ideias, discutiu comigo durante meses alguns dossiers portanto, foi com agrado que vi a sua disponibilidade para poder vir ajudar-nos. Vai ser uma mais-valia para o futuro do Benfica.

Em Abril de 2003 disse que Moniz era um "mau exemplo" por não pagar quotas há 31 anos...
As razões de uma suposta candidatura do José Eduardo Moniz, naquela altura, não eram claras e algumas das pessoas que supostamente o rodeavam não eram sérias. Aliás, tive oportunidade de saber posteriormente que houve algumas pessoas que enganaram Moniz naquele período, que quiseram aparecer ao pé dele para se credibilizar e dar uma ideia de uma proximidade de que de facto não havia. Esses continuam aí, agora com outras pessoas, mas com os mesmos interesses. É verdade que, em relação à frase que refere, reagi de forma emotiva, nada mais que isso.

Em Junho de 2009, Moniz não avançou, mas frisou que "seria fácil" ganhar-lhe as eleições, devido a sondagens que tinha...
É um período da história que não vale a pena desenterrar. Sei que não seria fácil ganhar-me e ele também sabe disso risos), mas o importante é o presente e tudo aquilo que vamos poder construir no futuro.

José Eduardo Moniz vai ser remunerado?
Há muita gente que ainda não descobriu que ser presidente do Benfica não é uma profissão, nem um cargo remunerado. Ser membro da direcção do Benfica deve ser honra suficiente para quem merecer a confiança dos benfiquistas. Enquanto for presidente do Benfica, esta é uma regra que se vai manter - os órgãos sociais do Benfica não serão remunerados. Já agora, gostava de perguntar ao juiz Rui Rangel, se ele eventualmente viesse a ser presidente do Benfica e uma vez que não poderia continuar a exercer a profissão, vai viver de quê? Isso sim é algo de que os benfiquistas devem ser informados.

José Eduardo Moniz pode ser o seu sucessor?
Primeiro vamos falar de 26 de Outubro. 2016 ainda vem longe, creio que são dois perfis válidos mas diferentes, mas estou seguro de que haverá mais pessoas com capacidade para servirem o Benfica.

É verdade que Rui Rangel só avançou depois de saber que não iria na sua lista?
Não sou eu que devo responder. Ele decidiu avançar e é candidato à presidência do Benfica, é o que interessa. Não vou entrar por um tipo de campanha negativa que espero poder evitar.

Rui Rangel já confirmou que teve uma reunião consigo. De que falaram?
De tudo menos daquilo que alguém entendeu divulgar, mas a verdade é como o azeite, vem sempre ao de cima, mais cedo ou mais tarde. E já agora não foi uma reunião, mas sim um encontro.

Se Rui Rangel vencer as eleições, que futuro prevê para o Benfica?
Garantidamente mais difícil e muito mais conturbado. Não conheço nenhuma instituição anterior em que ele tenha tido responsabilidades de gestão, a não ser a Associação Sindical de Juízes, o que aos 63 anos é manifestamente pouco. Mas já não posso dizer o mesmo de algumas das pessoas que o rodeiam e, seguramente, que as instituições financeiras que hoje trabalham de forma regular connosco vão olhar para isso.

Acha que a Banca não irá trabalhar com Rui Rangel?
Acho que tiveram oportunidade de perguntar, de verificar onde estamos e qual é o rumo que temos definido para o futuro. Se não falaram com as instituições financeiras, se não lhes apresentaram as suas ideias, é porque efectivamente não acreditam ter condições para poder assumir os destinos do clube. Formar uma lista com interesses tão variados e tão diferentes como aqueles que as pessoas que integram a lista do juiz Rui Rangel protagonizam não é seguramente um bom cartão-de-visita para nenhum banco. Um projecto estruturado não se apresenta a 10 dias do acto eleitoral.

Equaciona colaborar com Rui Rangel se perder as eleições?
É um cenário que não equaciono. Lidero o meu projecto, não colaboro em projectos em que não acredito, e muito menos com pessoas que já provaram não ter capacidade de gestão.

Falou recentemente de um regresso ao passado. Acha verdadeiramente que esse risco existe no Benfica?
Claramente, no próximo dia 26 está em causa o futuro do Benfica, que ninguém pense que a eleição está ganha. Tudo o que construímos ao longo de 11 anos pode ficar comprometido dia 26. Vale e Azevedo também era doutor e bem falante e fez o que fez. Eu só tenho a 4ª classe, mas orgulho-me da obra feita.

Como reage quando ouve Rui Rangel dizer que nunca foi sócio do Sporting e do FC Porto?
Com a indiferença de quem sabe que é um argumento gasto, baixo, e não é propriamente uma declaração de quem se diz querer um debate sério e elevado. Mais, ao contrário dele tenho uma excelente equipa de profissionais, que são tão ou mais benfiquistas do que muitos dos que o rodeiam. E é bom quando ele fala com tanto entusiasmo de "devolver o Benfica aos benfiquistas" que olhe à sua volta e perceba quem é que o rodeia.

Está disponível para fazer uma auditoria às contas do Benfica, como é proposta do candidato Rui Rangel?
O Benfica tem duas auditorias por ano feitas por uma das quatro maiores empresas mundiais da área, a KPMG. Aliás, quando fui desafiado a assumir a presidência do Benfica essa foi uma das minhas únicas exigências, uma auditoria completa. E ela foi feita. A partir daí, somos auditados duas vezes por ano.

Se ganhar as eleições, será o presidente que mais tempo esteve no cargo...
Não é seguramente isso que me move. Vou apresentar-me aos sócios no próximo dia 26 porque considero que continuo a ser útil e que o projecto que começou com o presidente Manuel Vilarinho ainda não está terminado.

Vai cumprir o mandato?
Claro que sim. E que fique bem claro: no dia 26 não vai haver vencedores, nem vencidos, e eu serei presidente de todos os benfiquistas. A campanha e o ruído têm de acabar após as eleições.

As contas consolidadas da SAD revelam um passivo de 426,1 milhões de euros. Contudo, estes números são incluem os valores do passivo de outras empresas do grupo Benfica, como, por exemplo, o clube e a Benfica SGPS. Qual é o passivo total do grupo Benfica?
O passivo exigível consolidado é inferior a 370 milhões de euros, e destes 237 milhões correspondem ao passivo financeiro. Por muito que alguns pensem o contrário, uma mentira muitas vezes repetida não deixa de ser uma mentira.

Rui Rangel falou em 500 milhões...
Continuem a falar de 500 milhões do desnorte e da pouca credibilidade que têm e depois não se admirem de não serem levados a sério na Banca. Já agora, para que fique registado, mais de 80 milhões desse passivo são fruto da irresponsabilidade de um senhor chamado Vale e Azevedo e que a direcção de Manuel Vilarinho e as minhas tiveram de assumir. Gostaria de reforçar que aquilo que é relevante é o nosso passivo exigível, ou seja, a nossa dívida a fornecedores, bancos, etc. E nesse caso, só para citar o exemplo do clube, e deixando de lado as dívidas entre empresas do grupo Benfica, esse valor é de cerca de 12 milhões de euros, menos de metade das receitas que o clube gera. O nosso passivo não é um problema.

As vendas de Witsel e Javi Garcia asseguram um resultado positivo nas contas da SAD para a actual época?
Não, mas permitem-nos olhar com confiança para o que temos pela frente. Se não houver sobressaltos na participação das competições europeias, ou seja, se mantivermos a mesma competitividade que tivemos nos últimos 3 anos em que estivemos sempre entre os quartos-de-final e as meias-finais, posso assegurar que a SAD terá resultados positivos muito interessantes.

Witsel foi vendido por 40 milhões ao Zenit. Qual é a mais-valia da transferência para a SAD?
Existe um pedido de esclarecimentos em curso por parte da CMVM e, portanto, apenas posso repetir a informação que já foi tornada pública. O Benfica recebeu pela venda de Witsel 40 milhões de euros e os custos relacionados com o mecanismo de solidariedade são da responsabilidade do Zenit.

Quando será possível à SAD ter lucro sem necessidade de vender jogadores?
No último exercício, a SAD do Benfica apresentou um prejuízo de cerca de 11,7 milhões de euros. Caso tivéssemos aceite a proposta do sr. Joaquim Oliveira, já estaríamos com lucros significativos. Mas, como é sabido, entendi que esse não era o caminho que o Benfica deveria seguir.

A Benfica SAD registou custos de pessoal de 37,7 milhões nos primeiros 9 meses da época passada, o que significa perto dos 50 milhões no total da temporada. Tendo em conta que a grande parte dos seus atletas ganha mais do que 80 mil euros anuais, o novo tecto máximo de IRS imposto pelo Orçamento de Estado para 2013, qual será o impacto nas contas do Benfica da subida dos escalões?
Nenhum impacto. Já no passado houve mexidas nos escalões de IRS e o Benfica não procedeu a qualquer ajuste salarial dos seus atletas e funcionários.

O clube vai suportar o aumento de IRS ou os jogadores vão ter um corte substancial no seu ordenado líquido?
O clube e a SAD não se substituem aos seus profissionais no cumprimento das suas obrigações fiscais. O Benfica não vive isolado da sociedade. A actual crise tem implicações para todos e os jogadores não são excepção.

Como está o processo dos direitos televisivos?
Continuamos a desenvolver os trabalhos necessários para que em Julho de 2013 esteja encontrada e implementada a solução mais adequada e que vai de encontro aos interesses do Benfica e dos benfiquistas.

O contrato com a Olivedesportos termina no final desta temporada. O Benfica está disponível para voltar a negociar com Joaquim Oliveira?
O Benfica recebeu uma proposta do sr. Joaquim Oliveira há mais de seis meses. Como se sabe, essa proposta foi recusada e posso garantir que desde então são houve novos contactos entre a SAD e a Olivedesportos. Neste momento, não é crível que o Benfica e o sr. Joaquim Oliveira possam chegar a acordo.

A Olivedesportos ofereceu 22,5 milhões por ano (111 milhões num contrato de 5 anos), o triplo dos cerca de 7,5 milhões que o Benfica actualmente recebe. Espera obter mais dinheiro, sobretudo em época de crise?
Como é sabido, a decisão sobre os direitos televisivos não é apenas uma decisão económica. É também uma decisão política, como aliás ficou evidente nas últimas assembleias gerais do clube. Ainda assim, não tenho dúvidas de que será possível obter um valor mais próximo das nossas ambições, mesmo numa fase tão difícil da vida dos portugueses.

Junto de outro parceiro?
Está tudo em aberto.

Ou com a exploração dos próprios jogos?
Como disse, todos os cenários foram estudados.

O que falhou na negociação dos direitos televisivos dos jogos do Benfica com Pais do Amaral?
Falhou o facto do eng. Pais do Amaral não ter entendido a dimensão do Benfica. Mas são águas passadas e não me quero alongar sobre esse processo.

Caso o Benfica opte pela exploração dos seus próprios jogos, como será feito? No sistema pay-per-view ou podem fechar o canal apenas a assinantes? Porque valor?
A pergunta é interessante porque me permite, desde já, desmistificar uma ideia peregrina que por aí circula nesta última semana: o sistema pay-per-view não funciona em qualquer parte do Mundo, pelo menos num modelo que se pretenda capaz de maximizar as receitas de direitos televisivos. Só pode ter sido anunciado por quem se preocupou com o assunto pela primeira vez esta semana. Quanto ao resto, insisto que tudo está estudado, mas ainda não é altura indicada para revelar os resultados obtidos.

Como se sente quando vê actuar a Selecção sem jogadores do Benfica?
Com a certeza de que vamos inverter essa situação. Estivemos anos em que tudo foi canalizado na recuperação do clube e a nossa situação não é inédita a nível de grandes clubes europeus. Conseguimos recuperar a nossa competitividade, é certo que muito à custa do mercado sul-americano. Agora, de forma realista e gradual, vamos ter de voltar a incorporar jogadores portugueses no plantel.

O que está fazer para inverter essa situação?
Os nossos escalões de formação têm jovens de enorme talento, só no ano passado houve 42 atletas do Benfica a serem convocados para as selecções nacionais jovens. Algo inédito, nunca antes nenhum outro clube tinha contribuído com tantos jogadores, sinal de que o trabalho que estamos a realizar está a dar frutos.

Quantos atletas tem o Benfica na formação e quantos são estrangeiros?
Temos 309, apenas quatro são estrangeiros. Depois há ainda a equipa B, onde vários jogadores portugueses estão a destacar-se e a ganhar competitividade. Mas há uma coisa que muitas vezes os nossos sócios e adeptos não têm, que é paciência. Não podemos lançar um jogador português na equipa principal e esperar que ele faça tudo bem à primeira, que não falhe.

Se vencer as eleições, o Benfica vai continuar a apostar no mercado sul-americano? Porquê?
Com as limitações económicas que estamos a viver e vamos continuar a viver nos próximos anos, vamos apostar onde houver bons jogadores a preços acessíveis. Se for em Portugal, será em Portugal.

E em relação a Angola, Moçambique e outros países de expressão portuguesa? O que está a ser feito?
Estamos a chegar a esses países pela formação. Em Cabo Verde tive oportunidade de inaugurar uma escola do Benfica há menos de um mês. Em Angola e Moçambique estão em estudo projectos semelhantes, queremos ter uma ligação mais efectiva a países que evidentemente nos dizem muito e este é o caminho que escolhemos.

O Brasil vai ser um mercado prioritário, tanto na contratação de jogadores como em relação a outros negócios? Se sim, quais?
A economia brasileira está bem mais forte do que a nossa, portanto hoje em dia é mais difícil contratar no Brasil, não apenas pelo valor que os clubes pedem, mas igualmente pela massa salarial que os jogadores querem ganhar. Aliás, temos vindo a assistir, pela primeira vez em muitos anos, ao regresso de jogadores brasileiros que actuavam na Europa e isso tem a ver com a capacidade financeira que os clubes brasileiros têm nesta altura.

A entrada da PT - parceira do Benfica no lançamento do seu canal e patrocinadora do estádio e das camisolas - na Sport TV pode alterar a relação do Benfica com esta empresa?
Já tive oportunidade de debater esse hipotético negócio com quase todos os hipotéticos intervenientes do mesmo. Se quer que lhe dê a minha opinião, não acredito que o mesmo passe de outra coisa que não seja uma notícia de jornal. E não quero nem pensar que esse notícia possas ter sido colocada por alguém com interesse em proteger-se das decisões do Benfica nesta matéria. Ainda que as partes quisessem trilhar por esse caminho, duvido que a Autoridade da Concorrência tolerasse essa situação. Estamos muito satisfeitos como parceira com a PT e sei que o inverso também é verdade.

Já se falou com eventuais investidores sobre a venda do "naming" do Estádio da Luz, como o Benfica fez, por exemplo, com o Centro de Estágios do Seixal? Já recebeu alguma proposta? Está disponível para vender o nome do Estádio?
Estou disponível para em cada momento estudar qualquer negócio que permita ao Benfica aumentar as suas receitas. E o "naming" é um desses projectos. Caso a proposta seja interessante, como foram o "naming" das bancadas, Do Caixa Futebol Campus, ou dos pavilhões, não hesitarei em apoiá-lo.

Domingos Soares Oliveira já disse que a venda do "naming" do estádio terá de ser feita por um valor superior ao do patrocínio das camisolas, mais de cinco milhões de euros...
Não quero entrar em detalhes, mas entendemos que um contrato de "naming" do estádio deverá ser feito por valores significativos. E não digo mais.

O que ganhou o Benfica com a deslocação a Abu Dhabi há poucos dias?
Além do jogo amigável com o Baniyas, que vencemos por 4-0, ganhámos prestígio internacional, posicionamento de marca, proximidade com os adeptos naquela região e um conjunto de contactos de enorme valor. Acredito que em breve poderemos anunciar um reforço das nossas parcerias internacioanis, e o mercado dos Emirados é naturalmente estratégico para o Benfica e para qualquer clube que tenha as nossas ambições.

Qual foi o seu melhor acto de gestão?
A recuperação da credibilidade do clube, mas também o facto de termos conseguido trazer de volta a auto-estima dos benfiquistas é algo de que me orgulho. Parece que tudo foi fácil, mas deu muito trabalho. Houve um primeiro momento em que tivemos de travar a destruição que ameaçava a existência do próprio clube para, depois, iniciarmos o processo de recuperação.

E o pior?
Há sempre coisas que gostaríamos de ter feito de forma diferente. Já o disse em várias ocasiões, a saída do Fernando Santos foi precipitada. Às vezes não podemos ceder e agir por impulso."

Demolidores

Benfica 39 - 25 Sp. Horta

Apesar do festival ofensivo - principalmente no contra-ataque através do Dario... -, o Álamo voltou a fazer uma exibição fantástica!!!
Tanto na 1ª parte, como na 2ª parte, começamos 'perros', mas com os motores quentes, fomos imparáveis...

Invictos...

Benfica 3 - 1 Sp. Espinho
25-13, 23-25, 25-21, 25-18

Boa vitória, num jogo mais disputado do que a recente Supertaça, contra o mesmo adversário.
Depois do 1º Set demolidor, a equipa não conseguiu manter o mesmo nível, o Espinho também melhorou... e as 'estranhas' decisões dos árbitros, acabaram por desconcentrar o Benfica. Só a meio do 3º Set, voltámos a ter o controle da partida.
Mais uma vitória indiscutível...
No próximo fim-de-semana vamos ter a jornada dupla Açoriana!!! No Sábado em São Miguel com o Clube K (no Pavilhão Coriscolândia!!!), e no Domingo na Terceira, com o Fonte Bastardo - provavelmente a deslocação mais difícil deste Campeonato...

Aviso...


CAB Madeira 66 - 68 Benfica
20-20, 19-22, 12-13, 15-13

Mais difícil do que seria esperado... Tivemos uma miserável percentagem nos lances livre - 67% -, e perdemos incrivelmente a luta nos ressaltos - 30 contra 35!!!
O Gentry continua de fora, o Dunn continua a recuperar no banco, o Minhava nem no banco... o Elvis regressou...
Para quem pensava que este Campeonato seria um passeio - aqueles adeptos que até defendiam, que o investimento era exagerado, tendo em conta o nível dos adversários -, creio que este resultado apertado, pode ter sido um bom aviso... Se alguém dentro da estrutura da secção, pensava que este Campeonato seria um passeio, espero que tenham mudado de ideias!!!

2 pontos perdidos, nos últimos segundos...!!!

Valongo 5 - 5 Benfica

Empate ao cair do pano: o ano passado no mesmo pavilhão os apitadores inventaram um livre directo contra o Benfica a 2 segundos do fim - com o Benfica a vencer pela margem mínima -, que o Ricardo defendeu... Hoje, novamente com uma vantagem mínima no marcador, os apitadores voltaram a inventar um livre directo a poucos segundos do fim do jogo, desta vez o Ricardo não conseguiu defender!!!
O Benfica ainda não atingiu os mesmos níveis exibicionais em relação ao ano passado, este empate não é decisivo - porque os Corruptos também já tinham empatado -, mas deve ser encarado como um aviso...
Já o escrevi anteriormente, as visitas do Benfica a Valongo são sempre 'especiais'!!! Não me incomoda a entrega quase sobrenatural dos jogadores do Valongo, quando defrontam o Benfica, aquilo que me deixa preocupado é quando os Corruptos jogam no mesmo pavilhão, os da casa parecem uns 'passarinhos'!!! Na época anterior foram só 8 secos!!!