Últimas indefectivações

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

No bom caminho...



As nossas 'meninas' Teresa Portela e Joana Vasconcelos, acompanhadas pela Helena Rodrigues e a Beatriz Gomes, conseguiram qualificar-se directamente para a Final do K4 500m, sem ter que passar pelas respescagens. Nas duas eliminatórias os vencedores tinham acesso directo à Final, Portugal ficou em 2º, mas como foi dos 'não qualificados' a equipa mais rápida, teve acesso directo, à Final.
Depois do mau início dos Jogos para Portugal, antevi que a Canoagem seria a nossa melhor hipótese para conseguir Medalhas... para já as coisas estão a correr bem, mas é preciso lembrar que a Alemanha e a Hungria são as grandes favoritas (quase impossível derrotar estas duas equipas), e que nas repescagens (meias-finais) que se seguiram... que qualificaram a Polónia, a Bielorússia, a Rússia, a Grã-Bretanha e a França para a Final, só as Franceses fizeram pior tempo que as Portuguesas (na Canoagem o vento condiciona muito as marcas, portanto pode não ser significativo...), isto pode dizer que as equipas que foram às repescagens, sabendo que a Hungria e a Alemanha são muito fortes, resolveram poupar-se nas eliminatórias... portanto o '3º lugar' de Portugal no dia de hoje, não faz da tripulação Portuguesa favorita ao Bronze... será muito duro, mas é possível, nesta final Olímpica totalmente Europeia (recordo que recentemente esta equipa ficou em 5º lugar no Europeu, nesta prova, atrás da Alemanha, Bielorússia, Hungria, e Grã-Bretanha).

Amanhã a Teresa Portela vai competir no K1 500m, onde é uma das favoritas à final (recentemente ficou em 3º lugar no Europeu no K1 200m), e a Joana Vasconcelos (com a Beatriz Gomes) também vão competir no K2 500m, onde também são favoritas para chegar à final (recentemente ficaram em 3º lugar nos Europeus no K2 200)... A Canoagem de velocidade ao contrário por exemplo do Remo, é um desporto dominado normalmente pelos Europeus, portanto estes resultados recentes das nossas canoístas dão-nos esperanças...

PS1: No K2 1000m a dupla Portuguesa, Emanuel Silva, Fernando Pimenta, também conseguiu a qualificação para a Final, mas tiveram que ir às repescagens (meias-finais), depois de na elminatória terem sido ultrapassados nos metros finais pela Hungria, depois de um erro infantil do Pimenta!!! E o esforço extra das eliminatórias, podia ter sido fatal nas repescagens (1 hora depois), onde conseguiram o 3º lugar, o último que dava a qualificação!!! Também aqui a Hungria e a Alemanha são as grandes favoritas seguidas da Eslováquia...

PS2: Depois do início desastroso da comitiva Portuguesa nos Jogos, os resultados 'estabilizaram'!!! A Natação (com excepção do recorde nacional do Pedro Oliveira) e o Judo, colocaram uma carga muito negativa em cima da missão Portuguesa (além da derrota do João Monteiro no torneio dos singulares de Ténis de Mesa, a prova do Marcos Chuva no Comprimento e do Ganchinho nos trampolins, e ainda alguns resultados da Vela...), a verdade é que também temos tido vários resultados satisfatórios, com várias classificações nos 16 primeiros (meias-finais), e até nos 8 primeiros (finalistas), com direito a diploma Olímpico... 

Um olhar sobre os Jogos

"Os primeiros dias de competição nos Jogos Olímpicos de Londres não têm trazido boas notícias para o Desporto português. Para além da derrota daquela que era, à partida, a principal estrela da companhia lusa (...), as eliminações têm-se sucedido a ritmo acelerado, e - oxalá me engane - não é expectável que no momento em que o leitor tiver este Jornal em suas mãos, o panorama se tenha alterado substancialmente.
O Futebol, e os seus sucessos relativos (Selecção no Euro 2012, Ronaldo, Mourinho, Benfica na Champions), distraem-nos muitas vezes de um dado objectivo, que competições como as Olimpíadas revelam de forma avassaladora: a nossa pequenez desportiva e não só.
Nem falo das superpotências China, Estados Unidos ou Rússia. Quando vemos países como Quénia, Etiópia, Jamaica, Coreia do Norte, Cazaquistão, ou Geórgia passarem-nos destacadamente à frente, percebemos que algo vai mal por aqui. E creio que tudo começa no praticamente inexistente Desporto Escolar, e nas inultrapassáveis barreiras que um jovem encontra para conciliar os estudos com a prática, a sério, de uma modalidade desportiva. A falta de infra-estruturas, e a hegemonia cultural e mediática do Futebol, fazem o resto. O resultado está à vista.
Noutro plano, os Jogos têm trazido alguns resultados surpreendentes. Phelps, Kitajima, ou Federica Pellegrini mostraram, na Natação, que os seus melhores dias talvez já não sejam estes. Em contrapartida, o veteraníssimo Alexandre Vinokourov - que anunciara o fim de carreira após grave lesão em 2011 -, arrecadou o Ouro no Ciclismo, numa prova cujo perfil fora desenhado à medida do britânico Mark Cavendish. Destaque ainda para a armada chinesa, que não pára de conquistar medalhas; e para a eliminação da Espanha no Futebol.
Em termos televisivos, há que saudar a ampla cobertura da RTP (que tantas vezes tenho criticado a outros propósitos), e lamentar a total inexistência da Sport TV (que tão bem estivera no Europeu), canal desportivo que nem parece sê-lo."

Luís Fialho, in O Benfica

domingo, 5 de agosto de 2012

Um satisfatório 13º !!!


Boa maratona da Marisa Barros, melhorou bastante em relação às últimas Olimpíadas (32ª), não conseguiu melhorar o 9º lugar do ano passado no Campeonato do Mundo, onde tinha sido a 2º Europeia. Desta vez foi 13º, sendo a 6ª Europeia. Quando as Quenianas e as Etíopes atacaram, teve algumas dificuldades, por esta altura chegou a 'correr' no 17º lugar, mas acabou por conseguir recuperar algumas posições, terminando numa posição satisfatória... talvez se tivesse tido uma atitude mais prudente no início, colocando-se mais protegida no meio do grupo, pudesse ter chegado ao final mais folgada... mas as medalhas eram impossíveis...

PS: Prova muito inteligente da Jessica Augusto, que conseguiu um excelente 7º lugar... A Ana Dulce Félix, depois do Ouro, nos 10000m, dos Europeus, acabou por terminar a Maratona em muitas dificuldades, no 21º lugar, mais uma evidência, para a minha teoria, que os Europeus de Helsínquia, não fizeram nada bem aos atletas, que participam nestes Jogos Olímpicos!!!

Objectivamente (Telma)

"Foram muitas as lágrimas que se juntaram às de Telma Monteiro na desilusão que na manhã de segunda-feira as Olimpíadas de Londres trouxeram aos portugueses!
A nossa Telma, Bicampeã do Mundo e Campeã da Europa não conseguiu passar a primeira fase dos Jogos Olímpicos de Londres. Ficou triste e chorou connosco, mas não deixa de ser a judoca mais medalhada e com mais títulos nos últimos cinco anos em todo o Mundo! Por isso não vamos soçobrar perante uma tristeza - que acontece muitas vezes a quem compete ao mais alto nível - e vamos dar todo o apoio à Telma Monteiro para que o «luto» (como ela disse) passe rapidamente e volte às suas grandes actuações nas provas internacionais onde sempre está tão bem a representar o País e o Glorioso SLB!
Parece-me que Telma Monteiro, à semelhança de todos os atletas que vão às Olimpíadas, são demasiado pressionados à conquista de medalhas como se o Mundo acabasse logo ali! Não vale a pena tanto desespero, tantas visitas protocolares aos presidentes de tudo e mais alguma coisa antes da partida e durante os Jogos! Tantas presenças de políticos para se valerem do mediatismo da competição para falarem daquilo que mais lhes interessa! Enfim, vamos tirar o ar do balão, nas calmas, regressemos à Terra e continuemos a nossa vida, nas calmas, como se pede a qualquer atleta que se treina todos os dias de forma intensa para objectivos bem definidos e não pelos objectivos que o mediatismo dos Jogos Olímpicos exige!
Vá lá, calma, que a Campeã do Mundo e da Europa ainda é Telma Monteiro!
Campeã Olímpica este ano ainda não foi, mas daqui a quatro anos ele lá estará de novo para com mais experiência e mais desconcentração (sobretudo isso) possa tentar então o ouro olímpico!"

João Diogo, in O Benfica

Foi injusto e era legítimo sonhar...

"A primeira medalha destes Jogos foi conquistada no Ciclismo de Estrada, para o Cazaquistão e, nos dias seguintes, a queda de alguns gigantes do Desporto mundial, foi a nota principal de toda a Imprensa. Entre eles estão os super favoritos Michael Phelps, na Natação, que foi apurado no limite e terminou em quarto na final dos 400 metros estilos e a nossa Telma Monteiro, segunda no ranking mundial, e que no tatami não conseguiu ultrapassar a primeira adversária. O currículo e momento da carreira de ambos é, sem dúvida, diferente, mas a expectativa e a esperança de todos, relativamente ao ouro olímpico, era a mesma.
Outra diferença, é que na prova de Phelps - apesar do desaire do mesmo - o ouro acabou por ser ganho por outro americano, tendo assim agregado no medalheiro de Obama mais uma medalha. Relativamente a Telma - Capitã de uma Nação - a carga de um País de apenas 11 milhões de habitantes estava toda sobre a atleta benfiquista. Realidades diferentes, atletas diferentes mas, sem dúvida, a mesma desilusão e, no caso de Telma, a queda de um sonho construído em mais de seis anos, onde o talento, trabalho, dedicação, construção de uma carreira de sucesso, nunca foi dúvida para ninguém.
Ainda antes de Telma sair do tatami, o silêncio entre todos que a acompanharam, na esperança de Portugal no Excel London, era geral e as primeiras palavras que surgiram foram de espanto e do quão injusto para Telma estava a ser aquele momento. Telma Monteiro estava indescritivelmente triste e surpreendida e nada nem ninguém, naquele momento, conseguiu encontrar as palavras certas de consolo para que aquele fosse um dos dias mais felizes da sua vida.
Foi injusto, muito injusto e era legítimo sonhar."

Ana Oliveira, in O Benfica

sábado, 4 de agosto de 2012

Cuidado! Armadilhas!

"Tal como tem acontecido ao longo dos últimos trinta anos, o Campeonato desta época está naturalmente armadilhado. Talvez mesmo mais armadilhado do que nunca, visto que há nítida falta de dinheiro para os arredores da Madalena e Contumil e, assim sendo, é preciso não correr riscos desnecessários. Significa isto que nenhum optimismo é válido. Ser melhor não basta, ser mais forte não conta. Do lado de lá da fronteira da seriedade preparam-se as tranquibérnias.
Valerá tudo! Mas tudo mesmo! E os homenzinhos-de-cócoras, anões morais neste circo governado por um palhaço, farão alegremente o seu papel submisso e desequilibrador. Quem tomou as oligofrénicas declarações do Cabeça-de-Unto por mera bazófia de alguém que se sentiu de repente no centro do Mundo, desengane-se. Estava lá tudo. Sobretudo as ameaças. A figurinha acha-se acima da lei e assume-se como um regulador do Universo. Fará justiça pelas próprias mãos, castigará aqueles que se atreveram a negar a sua competência, fará o favor aos adeptos de arrastar com Direcções de clubes que investem mais do que aquilo que ele entende proporcionado, voltará a beneficiar escandalosamente aqueles que são responsáveis pela sua tão súbita quanto bacoca ascensão. Que fazer?, perguntarão aqueles que têm paciência para me ler. A resposta não é fácil, é mesmo quase impossível. Talvez exija medidas muito drásticas. É fundamental denunciar. Apontar a dedo os ladrões na rua. A grande virtude deles é a absoluta falta de vergonha!

P.S. - Parece que o cúmulo da fina ironia é uma messalina levar o seu machão para casar numa terra chamada Touros..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Chamam-lhe justiça

"A notícia surgiu na semana passada, o Presidente do Benfica foi castigado pelo Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol, na sequência de incidentes ocorridos no final do jogo com o Sporting, no passado dia 26 de Novembro de 2011. O Castigo implica uma suspensão de 45 dias e uma multa no valor de 2500 euros.
Quem tem obrigação de fazer justiça levou oito meses para ditar uma sentença contra o Presidente do Benfica. Sentença que surge na sequência de um jogo em que adeptos do Sporting deliberadamente incendiaram uma bancada do Estádio da Luz, depois de mais uma derrota e após declarações deliberadamente incendiárias por parte de dirigentes do Sporting.
Um provérbio latino dizia “Quod licet Jovi non licet bovi” – o que é permitido a Júpiter não é permitido ao boi. Ou seja, o que é permitido a uns não é permitido a outros, daqui decorre que muitas coisas são permitidas ao boi que não são permitidas a Júpiter. Longe de mim estar a comparar um presidente do Benfica (seja ele qual for) a Júpiter, mas não posso ignorar que a uns foi permitido tudo – incendiar ânimos, incendiar um estádio, colocar em risco a vida de terceiros, agredir bombeiros e impedir a prestação de auxílio – e a outros não foi permitido protestar contra uma arbitragem vergonhosa (mais uma). Com esta espécie de justiça da lavra da Federação Portuguesa de Futebol do senhor Fernando Gomes, o que se conseguiu foi colocar uma ignomínia em cima de um acto criminoso. Ou seja, deliberaram uma ignomínia em cima de outra. Nenhuma das duas é inocente.
Perante isto, resta recusar. Recusar e não transigir. Recusar qualquer apoio pedido por cristãos-novos da verdade desportiva. Não transigir, em nome de desculpa alguma, para com aqueles que, independentemente dos sorrisos com que nos pedem apoio, escondem na agenda o desejo de nos derrotar."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Carlos 'renovado' Martins !!!



A renovação do Carlos Martins era uma notícia esperada, as indicações têm sido as melhores dentro do campo, as lesões chatas não têm aparecido... a 'cabeça' do Carlos está de certeza mais 'leve' depois de todos os problemas familiares resolvidos... e a identificação dos Benfiquistas com a garra do Carlos saiu ainda reforçada nos últimos tempos...
Critiquei algumas actuações do Carlos no passado, mas sempre achei que com a cabeça no lugar é um jogador bastante útil...

Aquém do potencial...



Com a estreia do Atletismo nos Jogos, o Benfica teve 4 atletas no Estádio Olímpico.
A época do Marco Fortes, após ter batido o recorde nacional do lançamento do peso, acima dos 21 metros, tem sido relativamente fraca, com poucas marcas superiores dos 20 metros... Com a forma do ano passado (sempre com marcas entre os 20,60m e os 20,80m) o Marco hoje tinha ido à final, e teria inclusive um lugar entre os 8 primeiros, mas as marcas dos últimos tempos já indicavam que chegar à final seria difícil... Assim o 15º lugar, com um lançamento de 20,06m acabou por ser o esperado, ficando a 19cm da qualificação para a final!!!

A grande vitoria do Jorge Paula foi a qualificação, com a forma que demonstrou o ano passado (49s altos), poderia ter algumas ambições em passar a 1ª eliminatória e em bater o recorde nacional, mas as lesões esta época, não permitiram ao Jorge boas marcas, assim esta participação foi essencialmente um prémio, a um atleta de 27 anos, que pode não 'chegar' ao Rio!!! Fez 51,40s nos 400m barreiras, teve 'ainda' o azar de participar na eliminatória mais rápida... as repescagens ficaram pelos 49,39s, mas até houve atletas qualificados com 50,13s!!!

O Alberto Paulo é outro atleta que esta época, não tem conseguido repetir as marcas do ano passado, tem feito quase toda a época a 20s do seu melhor!!! Hoje, ainda teve o azar/azelhice de cair numa barreira nos 3000 obstáculos, por sua culpa!!! A qualificação para a final já era difícil, com queda ficou impossível, levantou-se, terminou a corrida... a marca de 8m40s74 acabou por ser um resultado esperado, a cerca de 18s da qualificação, algo que o ano passado teria sido possível!!!

O Marcos Chuva, no salto em comprimento, também nunca conseguiu esta época aproximar-se das marcas que fez o ano passado, é importante o Marcos resolver de vez, o problema com as lesões (creio que é uma chata pubalgia)... Mesmo assim, esta época o Marcos já se aproximou dos 8m (nos Europeus), mas hoje esteve muito mal: 7,55m é um resultado muito difícil de 'engolir'!!! A qualificação para a final ficou nos 7,92m (parecida com o Europeu), marca perfeitamente ao alcance do Marcos...

PS: Neste primeiro dia de competições na pista, tanto com as participações dos atletas Portugueses, como com as participações de outros atletas Europeus, chego à conclusão, que quem não participou nos Europeus de Helsínquia está em melhor forma...

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A aposta em Melgarejo

"Quando todos esperam que o Benfica vendesse, o Benfica comprou. Salvio regressa e acrescenta valor, embora não fosse a posição em que se reclama maior carência.
Melgarejo deverá ser portanto o nosso defesa esquerdo. Aposta clara da administração e treinador vejamos até onde chega o paraguaio. Jogou muito bem contra o Real Madrid, parece forte e tecnicamente superior a atacar, percebendo-se que não está habituado a defender e por isso terá ainda longo caminho de melhoria. Contra equipas mais modestas, nos jogos em que o Benfica ataca quase sempre, não vejo problemas, mas aguardo para ver até onde conseguirá ir em jogos da Liga dos Campeões e contra as melhores equipas do nosso campeonato. Verdade que nunca pensei que Coentrão chegasse ao lateral que é hoje.
Este Benfica contra o Real Madrid, Gil Vicente e Juventus mostrou estar quase afinado. Há Benfica.
Espero que corra bem o empréstimo do Nélson Oliveira. Primeiro porque gosto do jogador e das suas características, velocidade e poder de choque, depois é português. Um dia ainda será ponta de lança titular do Benfica e ficará por muitos anos.
Os jogos Olímpicos mostram que os campeões são outra coisa diferente de bons atletas. Os campeões superam-se, transcendem-se não se justificam nem se desculpam. Na delegação Portuguesa, verdadeiramente campeã, é Rosa Mota, mas infelizmente já não participa.
Federer multimilionário leva ao limite a ambição de dar uma medalha à Suíça. Vinokurov aos 38 anos, depois de anunciar a sua retirada, mostra a fibra de ouro de um supercampeão. Phelps despede-se, mostrando que não há mesmo limites para o sonho de um super homem. Wiggins, depois de vencer o Tour, feito único para um britânico, não se pôs a dar entrevistas, optou por fazer duas provas de sacrifício e vencer o ouro do contra relógio.
Será destes o Olimpo, a imortalidade e o respeito do mundo do desporto."

Sílvio Cervan, in A Bola

Juntos... a cantar...

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

100% confiante no vice-versa

"Salvio regressou por uma pequena fortuna e veio preencher uma lacuna. É verdade que sim. Se o Benfica quiser chegar à dúzia de extremos, ainda faltam alguns. Não serão muitos, no entanto

NÃO houve medalha. Não houve telegrama do presidente da República. Não houve nenhum ministro à sua espera. Para as fotografias. Nem secretário de Estado. Com ramo de flores e garantia de posteridade. Não houve emissões televisivas em directo do aeroporto. Ninguém se colou à derrota de Telma Monteiro em Londres.
A judoca portuguesa foi afastada pela norte-americana Marti Malloy e reagiu à derrota com sensibilidade e bom senso: «Já ganhei muitas coisas por Portugal. É o fim de um ciclo que foi espetacular.»
Que não fique triste a Telma. Não foi a primeira vez nem será a última que campeões da Europa e do Mundo soçobram nos Jogos. Mal comparado, repare no que aconteceu à super-vaidosa selecção espanhola no torneio olímpico de futebol, vinha toda engalanada e espalhou-se ao comprido.
Telma Monteiro, pelo contrário, nunca foi vaidosa e não se espalhou ao comprido. Limitou-se a perder um combate que tinha de ganhar. Acontece. Continuam intocáveis os créditos com que chegou a Londres. Mas nem tudo podem ser coisas boas.
E, por outro lado, nem tudo podem ser coisas más. A judoca do Benfica até se safou de boa. Sem telegramas, sem ministros, sem fotografias, ninguém dirá mais tarde que a Telma Monteiro foi uma atleta do regime.

O empresário de Gaitán chama-se José Iribarrem e esta semana disse o seguinte: «O Gaitán vai continuar no Benfica.»
Posta a coisa assim, a seco, mais parece uma ameaça.
Na temporada passada, o jovem argentino começou muito bem. Jogando a fazendo jogar. Marcou um golo no estádio do Dragão que até poderia ter sido muito importante para o desfecho do campeonato isto se, no jogo da segunda volta, não acabasse por valer mais para o tal desfecho o golo marcado por Maicon à beirinha do fim em posição irregular.
O futebol tem destas coisas e não há que chorá-las. Garantem os estudiosos na matéria que, feitas as contas, fica tudo muito equilibrado lá para o fim. Porque sofrer beneficiar com os lapsos involuntários dos árbitros toca a todos e democraticamente.
E assim, cientes, vamos vivendo na convicção de que não há maior injustiça no mundo do que o vento a soprar forte numa tarde de praia. Para reforçar o paradigma dizem também que há uma lei geral da compensação pelo que, mais cedo ou mais tarde, quem sofeu contem, ri-se amanhã e vice-versa.
É precisamente por este conjunto fortíssimo de razões que, para a temporada, que se avizinha devo confessar que estou 100% confiante na parte específica do vice-versa. Se toca a todos, então toca mesmo a todos...
Voltemos a Gaitán que, em 2011, do Verão até ao Natal é bem capaz de ter sido o melhor e mais profícuo jogador do Benfica. Nos dois jogos com o Manchester United ainda na fase de grupos da Liga dos Campeões, Nicolas Gaitán jogou que se fartou, literalmente.
Depois desapareceu e, com muita pena, constatei que nunca mais o vi até Maio. Não é que não tivesse jogado, não, nada disso. Jorge Jesus bem apostou nos seus serviços na esperança vã de que o primeiro-Gaitán da época regressasse e mandasse recolher o segundo-Gaitán da época. Aquele que, com toda a franqueza, bem merecia o epíteto de «o alheado» de tal forma parecia suspenso numa realidade que não era a mesma onde se encontrava.
Coincidentemente ou não, diga-se que foi a nossa baixa do mercado de Inverno. Uma baixa, enfim, espírito ausente e de corpo presente mas uma baixa séria.
Como no futebol, tal como em outros espectáculos, as derradeiras impressões são as que ficam, é por isso que esta coisa de empresário do Gaitán vir agora dizer que o jogador vai continuar no Benfica quase soa a ameaça o que não faz sentido porque o argentino é um artista de altíssimo valor.
Gostava muito que o primeiro-Gaitán da época passada ficasse mais um ano no Benfica. Quanto ao segundo-Gaitán da época passada, francamente, não sei, não conheço.

O presidente da Câmara de Lisboa deu uma entrevista ao Correio da Manhã. Foi-lhe colocada a questão de uma sua eventual candidatura ao cargo de secretário-geral do Partido Socialista e António Costa respondeu desta maneira: «Se me perguntarem se eu posso ser guarda-redes do Benfica, digo-lhe claramente que não posso ser guarda-redes do Benfica. Ser secretário-geral do PS é diferente...»
Não cometendo nenhuma inconfidência, acrescentando à frase do autarca o seu cartão de adepto do SLB - o  próprio António Costa nunca teve problema em assim se afirmar, tal como é -, constata-se com acuidade que, à partida para a nova época, o Benfica tem o problema do guarda-redes muito bem resolvido.
Jamais António Costa se atreveria a enveredar pela analogia com o guarda-redes do Benfica se o dito fosse ainda o infeliz Roberto espanhol.
Ou, então, optando pelo humor negro, o presidente da Câmara de Lisboa exporia a imagem numa perspectiva diferente. Assim: «Se me perguntarem se eu posso  ser guarda-redes do Benfica, digo-lhe claramente que sim, até eu posso ser guarda-redes do Benfica. Ser secretário-geral do PS é diferente...»
Vem isto a propósito de como é bom para o Benfica, e para qualquer outro clube, conseguir resolver situações difíceis.
Pelo andar da carruagem, temo, no entanto, que se no próximo ano algum jornalista se lembrar de perguntar a António Costa se encara a possibilidade de se candidatar a secretário-geral do seu partido, o autarca resolva, com toda a legitimidade, responder assim: «Se me perguntarem se eu posso ser lateral-esquerdo do Benfica, digo-lhe claramente que sim, que se foi adaptado até eu posso ser lateral-esquerdo do Benfica. Ser secretário-geral do PS é que já é uma coisa diferente, implica outras responsabilidades, como se compreende...»
Sobre o assunto, tenho dito.

NA última sexta-feira, na Luz, o Benfica ganhou por 5-2 a um Real Madrid desfalcado. Tratava-se da Eusébio Cup, tradicional evento de Verão. De uma maneira geral ficou tudo muito admirado com a expressividade do score, ainda que os campeões espanhóis não se tenham apresentado com a galáxia completa.
Não se compreende tanto pasmo. Sempre que se encontra com o Real Madrid, fora de Espanha, o Benfica exibe uma regularidade assinalável. É sempre aos 5. Em Amesterdão, na final da Taça dos Campeões de 1963 foram 5-3. Dois anos depois, na Luz, numa eliminatória da mesma competição foram 5-1. E na sexta-feira foram 5-2.
José Mourinho, naturalmente, não achou graça nenhuma à manita da semana passada. E a imprensa de Madrid também não. O Real Madrid levar 5 é sempre inaceitável. Precisamente por essa razão, já a imprensa de Barcelona achou um piadão à Eusébio Cup.
Compreendem-se bem a aceitam-se estas emoções tão díspares mesmo num jogo de carácter amigável. No fundo, cada um puxa a brasa à sua sardinha.
Em 2008, quando Mourinho veio a Lisboa com o seu Inter de Milão vencer a mesma Cup no desempate por grandes penalidades já o jogo e o troféu lhe pareceram, certamente, muito menos a brincar.

SALVIO regressou à Luz por uma pequena fortuna e veio preencher uma lacuna. É verdade que sim. Se o Benfica quiser chegar à dúzia de extremos, ainda faltam alguns. Não serão muitos, no entanto.
Do meio campo para trás já, aparentemente, não falta mais ninguém. Tudo e todos são adaptáveis, ao que parece.
Depois chora-se, claro está.

ONTEM, em Genéve, aos 90 minutos do jogo, o Benfica vencia a Juventus por 1-0 com um golo do inevitável Óscar Cardozo. Era caso para se dizer que na pré-temporada o Benfica tinha arrumado com o campeão espanhol e com o campeão italiano. Mas o caso mudou de figura já no tempo de descontos com o golo do empate da Juventus. Nem vou perder tempo a constatar que o lance nascer de um lapso no lado esquerdo da defesa do Benfica. Presumo, no entanto, que vá ser essa ladainha do ano."

Leonor Pinhão, in A Bola

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Salvio



O regresso do Toto à casa de onde nunca devia ter saído, deixa-me muito satisfeito. Não só pelas suas qualidades futebolisticas, que são inegáveis, mas também pelo seu comportamento fora do campo, onde nunca negou a sua ligação sentimental ao Benfica, mesmo após o regresso a Madrid. Não tenho informações confidenciais, mas tenho quase a certeza que o Salvio só não foi para os Corruptos, porque recusou!!!
Estranhamente (ou não!!!) muitos Benfiquistas não ficaram contentes!!! Ou porque foi caro, ou porque já tínhamos muitos extremos:
-Primeiro, a partir deste momento o Salvio é somente o nosso melhor flanqueador, melhor que todos os outros...!!! E tal como para as duas posições de avançado, o Jesus tem exigido 5 opções, também sou da opinião que para os extremos também devemos ter no mínimo 5 opções válidas (sem adaptações). Aliás nas últimas épocas, as lesões, ou a fadiga dos nossos alas, tem sido fundamental para as nossas quebras físicas nos finais de época...!!! 
-Em relação aos Euros, não vou comentar notícias de jornaleiros avençados... são os mesmos que quando os Lagartos vendem jogadores, incluem no preço, os ordenados que o clube ainda tinha que pagar, caso o jogador ficasse nas Osgas até ao fim do contrato, ou então os outros que se 'esquecem', convenientemente, de quando custou a compra das diversas tranches do passe do Givanildo, entre outros exemplos ridículos como a recente venda do Matias para a Fiorentina... Estes mesmos animais quando se trata de negócios envolvendo o Benfica, utilizam critérios completamente diferentes: quando o Benfica vende, os números são 'puxados' para baixo, e quando o Benfica compra são 'puxados' para cima!!!

Empate


Benfica 1 - 1 Juventus

Mais um teste interessante, contra um adversário que é o actual Campeão Italiano - sem derrotas -, que tem a 'base' da selecção Italiana - vice-campeã Europeia -, que tem um estilo de jogo tipicamente Italiano - com muita pressão sobre a bola, e muitos jogadores atrás da 'bola'!!! -, por tudo isto o resultado foi agradável, mas podia ter sido melhor... É verdade que a Juve está com a preparação ligeiramente mais atrasada, mas isso nem se notou, tal a postura das duas equipas, com muita entrega, em muitos momentos até parecia um jogo a sério.
Com a ausência do Aimar, o Carlos Martins tem sido o 'patrão' da equipa, com a habitual substituição do Carlos, têm-se notado alguma dificuldade da equipa em manter a posse de bola em ataque continuado... Apesar das melhorias do Melga, continuo a pensar que é fundamental contratar um defesa-esquerdo de raiz. Alguns jogadores têm efectuado quase sempre os 90 minutos nestes jogos de preparação, se no caso do Javi isso deve-se claramente à lesão do Matic, noutras posições isso acontece ou por falta de opções, ou por falta de confiança nas opções disponíveis, algo que deveria ser resolvido... Não gostei da opção Michel 'sozinho' na frente, creio que o Brasileiro deve jogar sempre no apoio ao ponta-de-lança...


Mourinho não viu o Benfica!

"Embora a opinião sobre um treinador seja sempre matéria discutível e com um elevado grau de subjectividade, é insofismável que José Mourinho estará sempre entre os melhores. Os seus resultados objectivam essa posição. Nos treinadores, apreciamos certas características que outros desconsideram a vice-versa. Mourinho será, por certo, um dos que mais controvérsia suscita. Homem determinado, competente e, ao mesmo tempo, polémico e de uma ironia abrasiva.
Vem isto a propósito das suas declarações após o jogo na Luz para a Taça Eusébio (expressão que prefiro a essa modernices de qualquer coisa Cup...). Entre outras frases algo enigmáticas de quem a custo tentou tornear a manita encarnada, disse: «Não estive atento nem preocupado com o Benfica.»
E ainda: «Espero que o resultado sirva para aumentar a auto-estima do Benfica, mas de forma equilibrada, porque se aumenta demasiado por ganhar 5-2 a esta equipa pode ser complicado.»
Além de descortês para com o Benfica (manda a memória e a gratidão referir que foi o clube que o lançou como treinador...) e com Eusébio através de uma taça com o seu nome, foi também infeliz. Levou 5 com a mesma equipa que, dias antes, deu 5 ao Oviedo. A que displicentemente chamou «esta equipa» (certamente baratucha) que, assim ouvindo, deve ter ficado motivadíssima...
Não é só com os melhores entre os melhores que um treinador é o melhor. Também o deve ser com os «candidatos a melhores» que, mesmo assim, se juntaram a Di Maria, Kaká, Higuain, Benzema, Diarra, Calléjon... «Esta equipa» não deixou Mourinho ver o Benfica... Nem sequer um tal belga Witsel?"

Bagão Félix, in A Bola

O 'polvo' é global

"Os terramotos em Itália sabe-se quando começam mas não quando acabam. Foi assim nas regiões de Emília e Veneza onde nos meses de Maio e Junho houve sismos durante semanas e é assim no processo Calciocommesse, o escândalo que abala o futebol do país e que avança a passo de caracol sem fim à vista. Com o risco de não ficar concluído antes de 26 de Agosto, data do início do campeonato. Neste caso, porém, há uma justificação: foi necessário solicitar a colaboração das polícias de vários países da Europa, Ásia, África e América do Sul, o que mostra até que ponto o polvo é global. Embora, estranhamente, só se dê por ele no bel paese de Berlusconi. Em Junho foram conhecidos os arguidos do Ministério Público de Cremona e na passada quinta-feira os de Bari mas, pelas minhas contas, ainda faltam os de Nápoles.
Desta vez, os réus são 58: 13 clubes (entre os quais Bolonha, Siena, Torino, Sampdoria e Udinese, da Série A, que provavelmente começarão a prova com pontos negativos) e 45 filiados (entre os quais o treinador da Juventus campeã, Antonio Conte, e os jogadores Simone Pepe, ambos por omissão de denúncia, e Leonardo Bonucci por ilícito desportivo, ou seja, ter participado na combinação de resultados a troco de dinheiro). Nas divisões inferiores haverá várias despromoções. Conte tem a defendê-lo uma equipa de príncipes do foro, que já escolheram o pattegiamento (pacto, concertação), previsto no direito desportivo caseiro, como estratégia a seguir. Vai propor uma pena de 4 meses de suspensão e uma pesada multa. Se o procurador federal aceitar a sugestão, o assunto fica arrumado. Se não, terá que sofrer os constrangimentos e incertezas do julgamento."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Empréstimos

"O Benfica tem em Nélson Oliveira e Roderick Miranda dois jovens futebolistas de elevado potencial. Nesta fase da carreira, um e outro precisam, acima de tudo, de competição, de minutos a doer, de desafios que os façam evoluir e os levem ao patamar que o talento que Deus lhes deu justifica.
Os encarnados, na presente temporada, no que respeita a Nélson e Roderick, tinham quatro possibilidades. A primeira, mantê-los no plantel, onde não seriam primeira opção (só por demagogia ou má fé se dirá o contrário...) era a que por um lado criaria menos celeuma, mas aquela que, a prazo, mais penalizaria os jogadores, atrasando a sua evolução. A segunda seria colocá-los na equipa B, fazendo-os jogar no segundo escalão, mantendo aberta, a qualquer momento, a porta da equipa principal. Esta opção levaria não só à desmotivação como ainda à estagnação. A terceira passaria pelo empréstimo a um clube da Liga Zon Sagres, situação conhecida de Nélson Oliveira que já teve passagens por Vila do Conde e Paços de Ferreira. Seria uma saída airosa, aceitável e positiva. A quarta levaria ao empréstimo dos jogadores a um clube de uma liga estrangeira, à imagem do que aconteceu, em 2011/12 com Roderick Miranda, que representou o Servette, do principal escalão suíço.
Foi por aí que o Benfica decidiu ir, abrindo a dois dos mais promissores jogadores portugueses da actualidade a possibilidade de darem um salto qualitativo no Desportivo da Corunha, que milita em La Liga. É uma boa notícia para o Benfica (que mantém com ambos vínculos de longa duração) e também para Paulo Bento que terá, com a mais do que previsível titularidade de ambos, soluções renovadas para posições que necessitam de reforço na equipa de todos nós.
É obrigação dos clubes a valorização dos seus activos. E quando eles têm a qualidade destes dois jovens futebolistas, a responsabilidade aumenta bastante. Por isso, uma decisão lúcida e corajosa, a do Benfica."
José Manuel Delgado, in A Bola

terça-feira, 31 de julho de 2012

O homem da brilhantina (III)

"É preciso dizer, antes de prosseguir a saga do homem que um dia afirmou ser benfiquista, que a sua acção não se circunscreveu ao Campeonato, nem a jogos do próprio Benfica. Recordemos-nos, por exemplo, da meia-final da Taça da Liga em 2010, e de um penálti evidente perdoado ao PC Porto, frente à Académica, no Estádio do Dragão. Nessa ocasião, acabou por fazer o favor de nos colocar o nosso maior rival por diante,na Final do Algarve, de onde saiu vergado a uma expressiva derrota (3-0).
Na mesma prova, apanhámos com o cavalheiro na Final seguinte. Foi em Coimbra, na Primavera de 2011, num jogo que - entalado entre derrotas com o FC Porto para a Taça de Portugal, e com o SC Braga para a Liga Europa - tinha enorme importância para a estabilidade da equipa e do Clube. Jogávamos com o Paços de Ferreira, e o homem fez uma vez mais questão de exibir os seus predicados. Assobiou para o ar a um penálti do tamanho do estádio a favor do Benfica, ao passo que, na outra área, foi lesto a assinalar uma grande penalidade, que todavia Moreira defendeu. Os 'encarnados' venceram mas, uma vez mais, este árbitro cumpriu aquela que parece ser a sua grande missão: prejudicar o Benfica.

Dois jogos, dois escândalos
Chegamos então a 2011/12. Não será preciso puxar muito pela memória dos leitores, pois todos estarão lembrados daquele que foi o detalhe decisivo da temporada futebolística portuguesa: um golo marcado em duplo fora-de-jogo atribuiu o título nacional a uns (os mesmos de sempre), e retirou-o a outros (igualmente, os mesmo de sempre). Não é de estranhar que o árbitro dessa partida fosse, também ele, o mesmo que esteve em todos os momentos mencionados, desde há três semanas, nestas páginas, e que o seu ajudante tenha tido, também ele, direito a prémio, viajando de pendura até à final da Liga dos Campeões, depois ao Europeu, e depois, à final do Europeu. Quem tanto prejudica o Benfica o Benfica, arrisca-se a tudo isto, e a sabe-se lá que mais.
Esse inesquecível lance (numa bola parada, sem ninguém a tapar a visão) não foi, porém, caso único na época. Aliás, o fulano apitou apenas dois jogos do Benfica no Campeonato, e em ambos fez questão de deixar o seu inconfundível dedo. O primeiro havia sido à 10.ª jornada, em Braga (cidade de Arcebispos e de apagões), onde ele muito fez pela vida. Ainda com zero a zero, deixou passar um penálti claro, quando Luisão foi agarrado e derrubado dentro da área bracarense. Depois, um lance perfeitamente acidental originou um daqueles penáltis que só os predestinados, aqueles que chegam às finais dos Europeus, conseguem descortinar. Emerson estava de costas, não movimentou os braços nem viu a bola partir, mas o Benfica não podia ganhar. A um minuto do intervalo, ora aí estava mais um erro grosseiro de sua alteza árbitro da Final do Euro. Mais um erro grosseiro a prejudicar o Benfica. Mais um resultado subvertido. Como sempre. A apitar desde 2002.
Em apenas dois jogos, três pontos retirados ao Benfica (dois em Braga, mais um no clássico), e três pontos acrescentados ao FC Porto (dois na Luz, e um em Alvalade, onde um fora-de-jogo incrivelmente tirado a Wolfswinkel ajudou os portistas a evitar a derrota). A diferença entre 1.º e 2.º classificados ficou pois, inteiramente, por sua conta. Outros ajudaram (lembro-me particularmente do novo internacional Hugo Miguel, em Coimbra, e também de João Capela, Soares Dias, para além do eterno Benquerença), mas ninguém como o juiz da Final do Europeu conseguiu ser tão decisivo.

Aplausos? Não!
Não me peçam pois para aplaudir. Ser português não é um valor em si mesmo, e até me choca ouvir ou ler benfiquistas a passar por cima de tudo o que aqui me lembrei, concedendo-lhe os elogios que não merece, e ajudando a branquear uma realidade obscura. Não tenho qualquer orgulho na carreira internacional deste indivíduo. Pelo contrário, enquanto português, adepto do Desporto e da seriedade, sinto-me envergonhado, e mesmo revoltado. Não consigo, por exemplo, explicar ao meu filho como pode alguém errar tanto, e ser tão bem sucedido na vida. É o Mundo virado de pernas para o ar.
A escolha deste árbitro para tão importantes eventos deixa-me inquieto quanto ao futuro do Futebol. Quando o vejo decidir Campeonatos com erros grosseiros (sempre a penalizar os mesmos), e ser premiado desta forma, ninguém me impedirá de desconfiar que exista algo por detrás a ligar os factos. E, por isso mesmo, temo que daqui por um ano haja matéria para um quarto capítulo."

Luís Fialho, in O Benfica

Algumas constatações de factos

"Por todo o mundo os adeptos dividem-se, confrontam-se, esgrimem argumentos em defesa das suas opiniões, tão bem fundamentadas, sobre a questão de quem é o melhor jogador da actualidade. Ronaldo ou Messi? Messi ou Ronaldo? Nem nós, portugueses, escapamos a esta discussão apesar de Ronaldo ser um dos nossos.
Para a maioria dos adeptos nacionais, os dois tristes jogos de preparação da selecção antes do Europeu resultaram numa fortíssima corrente de opinião a favor de Messi. A derrota com a Alemanha veio reforçar a ideia de que Ronaldo não era, de todo, o melhor do mundo. Depois vieram as vitórias sobre a Dinamarca, a Holanda e a República Checa e Ronaldo voltou logo a ser o melhor do mundo.
Maradona veio acrescentar uns pozinhos teóricos à discussão. Quando a selecção portuguesa se qualificou para a meia-final com a Espanha, Maradona afirmou numa coluna de opinião que assinava no jornal "Times of India" que Ronaldo "é o melhor jogador do mundo a par de Messi". E disse mais: "Ele mostrou aos seus contemporâneos que merece uma estátua em Lisboa."
Duas semanas mais tarde, entrevistado por uma estação de televisão argentina, o mesmo Maradona afirmou que Ronaldo "jamais igualará Messi" e que o português quando faz um golo e o festeja "como se estivesse a vender champôs". No nosso país, Maradona foi acusado de ser um troca-tintas que hoje diz uma coisa e amanhã diz outra. Parecem-me injustas estas opiniões anti-Maradona porque não vejo contradições nos seus dois discursos sobre o assunto. Que Ronaldo está "a par de Messi" é uma verdade incontestável, no mundo inteiro não se fala noutra coisa. Que Ronaldo carregou com a selecção portuguesa às costas no Europeu é outra evidência. A questão da "estátua" é metafórica pelo que se aceita. Que Ronaldo "jamais igualará Messi" não deixa de ser verdade e o contrário também se aplica: Messi jamais igualará Ronaldo porque ambos são artistas com reportórios diferentes. Que Ronaldo celebra os seus golos com poses de cariz publicitário nem se discute. Conclui-se, portanto, que as contradições de Maradona não são contradições, são constatações de factos. Deem graças aos céus os adeptos do futebol por terem artistas destes com que se entreter.

ERRAR É HUMANO
Uma questão muito impertinente
A época oficial ainda não começou e já a arbitragem anda metida ao barulho. Oito meses depois do espectacular sinistro, o Conselho de Disciplina da FPF ainda não conseguiu deliberar sobre a responsabilidade a atribuir ao Sporting pelo incêndio de uma bancada do Estádio da Luz. A ocorrência foi transmitida em directo por umas quantas estações de televisão, sensíveis à espectacularidade das imagens. Toda a gente viu. Mas para o Conselho de Disciplina da FPF ver é uma coisa, não ouvir é outra.
No final do 'dérbi, não teve transmissão em directo, nem nas televisões nem nas rádios, o encontro azedo entre Luís Filipe Vieira e Luís Duque na área de acesso aos balneários. Vieira estaria aborrecido por lhe estarem a incendiar a casa e por ter visto o Benfica a jogar meia hora com 10 elementos graças à expulsão, sem dúvida polémica, de Cardozo, facto que o terá levado a perguntar a Duque se era "para isto" que o Sporting queria "controlar a arbitragem". Grave suposição do presidente do Benfica que foi agora castigado e multado pelo Conselho de Disciplina da FPF por se atrever a colocar questões impertinentes no rescaldo, não do incêndio, mas da futebolada que antecedeu as inocentes labaredas. As coisas importantes em primeiro lugar, sempre.

POSITIVO
Cancelo afirma-se
O Benfica desistiu de procurar uma alternativa a Maxi Pereira para o lado direito da defesa porque descobriu lá por casa um miúdo português chamado João Cancelo que parece poder dar conta do recado.

Atsu valoriza-se
Até se diz que André Villas Boas já o quer no Tottenham. A verdade é que Christian Atsu tem vindo a ser a grande surpresa desta pré-temporada dos campeões nacionais. Corre e marca golos, promete.

Agra andaluz
Salvador Agra fez uma boa temporada no Olhanense e foi recompensado com uma transferência para o Bétis de Sevilha. Nestes aprontos de pré-época, Agrajá fez dois golos e tem agradado aos andaluzes.

PÉROLA
"A MINHA VINDA PARA O BENFICA DEPENDEU DE UMA PESSOA. GOSTAVA QUE TIVESSE SIDO MAIS VERDADEIRA", Eduardo
O guarda-redes Eduardo vai agora jogar para a Turquia depois de uma época no Benfica sentado no banco a ver o brasileiro Artur na baliza que julgava ser sua. Eduardo está magoado com Jorge Jesus. Mas a culpa não foi do treinador. Foi Artur quem não deu hipóteses à concorrência."

Leonor Pinhão, in Correio da Manhã

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Grande desilusão




O trauma Olímpico voltou a atacar, a nossa Campeã Telma Monteiro. As expectativas estavam altas, demasiado altas, os títulos dos jornais da véspera foram na minha opinião ridículos... o facto dos Jogos estarem a correr mal à missão Portuguesa, ainda atirou para cima da Telma mais pressão... Ao assistir aos 2 primeiros dias do torneio Olímpico de Judo, com quase todos os favoritos a serem eliminados precocemente, temi que o mesmo fosse acontecer à Telma, infelizmente os meus receios foram confirmados.
Não vi o combate, mas no Judo um erro, uma distracção, é fatal, não existe margem...
A Telma é provavelmente a melhor Judoca Portuguesa de todos os tempos (femininos e masculinos), os resultados consistentes em Campeonatos da Europa e do Mundo, as vitórias nas etapas da Taça do Mundo, a sua longevidade, tudo isto confirma que a Telma é uma enorme atleta, não tem sido feliz nos Jogos... agora é tempo de reflexão, o Rio de Janeiro é só em 2016, será que a Telma tem motivação para lá chegar? Espero que sim...

No geral a participação Portuguesa nestes Jogos, até agora, tem sido medíocre, alguns (poucos) a fazerem o esperado (Tiro, Remo, Badminton...), mas vários com participações absurdas: a Natação 'lidera' esta 'classificação'!!! (aliás, apesar do discurso sempre ambicioso dos dirigentes, a Natação Portuguesa normalmente tem sempre participações muito más!!!). Na minha opinião o problema é acima de tudo mental. Os Portugueses, por norma, não são competitivos. Aliás ter mau perder, é socialmente negativo. Enquanto a mentalidade dos Portugueses não for alterada vamos continuar a ter participações ridículas nos Jogos. O facto de até hoje, Portugal ter somente 4 medalhas de Ouro é significativo (Lopes, Mota, Ribeiro, Évora)... Curiosamente acho que a Telma, é uma das excepções, reconheço nela um enorme espírito competitivo, por tudo isso, a desilusão de hoje, foi ainda maior...

Não quero enguiçar ninguém, mas agora, creio que medalhas, só na Canoagem, vamos a eles!!!

Paixão Olímpica

"Falei aqui, na passada semana, do Tour de France. Falarei hoje dos não menos empolgantes Jogos Olímpicos (JO) - que esta noite têm início em Londres.
De quatro em quatro anos, o Mundo é chamado a fazer do Desporto um momento de união entre os povos. Sem deixar de se adaptar aos novos tempos, os JO têm sabido manter a essência do espírito com que foram criados por Pierre de Coubertin. Um ou outro caso de doping, os famosos boicotes (de que, enfim, parecemos livres), e até um atentado terrorista, não foram agressões suficientes para derrubar o Olimpismo. Passado mais de um século, aí temos duas semanas de emoção, de recordes, de conquistas, de duelos, de espectáculo, e de desportivismo.
Desde sempre os JO me fascinaram. A primeira prova que recordo é a dos 5000 metros de Montreal, em 1976, quando Carlos Lopes alcançou a Medalha de Prata. O vencedor doi Lasse Viren (o finlandês voador versão seventies), que mais tarde se viu acusado de ser um dos percursores das transfusões sanguíneas como meio para melhorar o rendimento desportivo. Carlos Lopes foi naturalmente um dos heróis da minha infância, sobretudo quando deixava em casa uma feia camisola às riscas, e vestia as cores de Portugal. Mais tarde, já com 14 anos, fiquei acordado noite dentro para ver a sua consagração na Maratona de Los Angeles, depois de mais de duas horas de sofrimento, como se de um jogo do Benfica se tratasse.
Nesses mesmo Jogos, o inesquecível António Leitão trouxe, também ele, uma medalha, se não estou em erro a primeira alguma vez alcançada por um atleta do Benfica. Mais recentemente, Nélson Évora (este ano lamentavelmente impossibilitado de defender o título) tornou-se o segundo homem a trazer 'Ouro' para Portugal, e os seus saltos irão de igual modo ficar gravados na memória dos que com eles vibraram.
Este ano, as maiores expectativas estarão porventura depositadas na nossa Telma Monteiro (2.ª do ranking mundial). Veremos se ela, e/ou outros, conseguem trazer-nos alegrias como as aqui evocadas."

Luís Fialho, in O Benfica

13 'boladas' certeiras !!!


Foram 13 os títulos nacionais que a secção de Bilhar conquistou esta época... A aposta no Pool está a dar resultados... Parabéns a toda a secção.

Pessoalmente, e devido ao 'espectáculo' televisivo, acho que o Snooker, na Europa, é o futuro da modalidade, inclusive com possibilidade de se tornar modalidade Olímpica, podendo o Benfica 'antecipar' o futuro...

Juniores Hóquei Campeões

Depois da desilusão nos Iniciados e nos Juvenis, depois de uma longa espera devido à polémica entre os Corruptos e o Valongo, finalmente os Juniores do Benfica puderam jogar e vencer o título nacional...
Parabéns para os jogadores, para os treinadores e para os seccionistas...

domingo, 29 de julho de 2012

Caiu o Abade

"Abades, bispos, priores e outros senhores costumam ser mais dados aos silêncios do que às palavras. Muitas vezes, acrescente-se, silêncios que escondem graves porcarias humanas capazes de deixar Papas de cabelo arrepiado. Portugal tem um Abade engraçado: fala muito. Traça maldições sobre diabos negros. Perguntem ao nosso Abade o que é um corrupto e ele, de imediato, aponta dois, três, uma grosa. Palavra de Abade!
Mas o Abade de Portugal, como muitos outros seus colegas de sotaina, é selectivo. Para ele, existem corruptos e corruptos-que-não-são-corruptos. Por isso, às terças e quartas abre a boca para acusar os responsáveis pela desgraça do País, por via da sua corrupção intrínseca e avassaladora, e às quintas e sextas cala-se na companhia do Gaseificado e da sua flausina.
Aos sábados e domingos dá missa e comunhão, presume-se. O Abade de Portugal é amigo do peito do Gaseificado de Portugal. São vistos juntos nas mais diversas situações, nos mais díspares lugares: são fotografados de sorriso nos lábios e flausina no meio. Tudo como convém a um membro distinto da Santa Madre Igreja. Parte-se do princípio que, atendendo à amizade, o Abade não admite a corrupção evidente do Gaseificado. Ou benze-se logo pela manhã, tirando-lhe da casca rija a penugem do pecado. E, assim sendo, todos esses encontros sorridentes se passam na paz dos anjos. Há quem estranhe, claro. A começar pelos corruptos apontadas a dedo pelo Abade, que talvez não soubessem que há corruptos que sendo evidentemente corruptos não o são perante o mestre da abadia. E a acabar naqueles para os quais a hipocrisia teima em ser um pecado. Neste País-de-faz-de-conta pouco importa. O Gaseificado passeia-se impune nas barbas de Deus com a sua flausina. Se ouvirem um barulho, não se assustem: caiu o Abade."

Afonso de Melo, in O Benfica

Na razão da certeza

"A pré-temporada está em curso e adensam-se as expectativas dos benfiquistas. O saldo, por ora, é positivo, a despeito da derrota frente ao PSV, numa partida de características muito singulares, já que o colectivo esteve em vantagem e muito próximo, em plena metade complementar, de resolver a contenda a seu favor.
Destaque para o regresso de Carlos Martins, entusiasmante e prenunciador de uma época em pleno. Boas indicações de Ola John e também de Melgarejo e Luisinho, ainda que seja manifesta a necessidade de um lateral-esquerdo de créditos firmados para dar maior e melhor consistência ao compartimento recuado.
Ao invés de outros anos, o treinador Jorge Jesus conseguiu partir para a nova temporada com o elenco quase na sua totalidade, excepção feita ao atraso de Nélson Oliveira e à ausência de Rodrigo, para além, eventualmente, de algum jogador que ainda possa integrar o plantel. Só por si, essa circunstância dá maiores garantias quando a competição tiver cariz oficial.
Este é um novo Benfica? Não é, longe disso. É quase o mesmo Benfica. Mas é, também, um Benfica que inicia as lides no ritmo certo. Os jogadores não começaram o trabalho a conta-gotas, a formação não foi crescendo de forma descoordenada. O que pode resultar daí? Só mesmo um conjunto mais sólido, mais organizado, mais empreendedor.
Ainda faltam alguns embates de carácter particular. Em todo o caso, este Benfica parece bem melhor apetrechado. Tecnicamente? Tecnicamente e não só. Mais um ano de vida competitiva a uma turma quase inalterada vai conferir-lhe maior competência, melhor argumentação, outra certeza."

João Malheiro, in O Benfica

Por exemplo...

"Escrevo ao cair do domingo passado, dia da primeira derrota do Benfica na época que está a começar, e este facto provocou-me uma intensa acidez de estômago, geralmente conhecida por azia. Efeitos psicossomáticos. Os pacientes, por influência da parte psíquica, sofrem todos os sintomas de um mal físico. A mim, os efeitos psicossomáticos da tristeza e depressão por um infortúnio do Benfica sobem-me do estômago pelo esófago com acentuada dose de azedume. Mas note-se que não é sempre assim. Há maus resultados e resultados maus. Por exemplo: perder um jogo com uma equipa acessível ao Benfica com golos sofridos na segunda parte pelo mesmo lado da defesa é dos tais resultados maus que me dá azia.
A demanda de um defesa esquerdo - e também de uma alternativa para o lado direito da defesa - é uma velha questão do Benfica. Já vem de longe. E nos últimos tempos, que me lembre, desde Leo que o Benfica não tem um jogador de raiz e de elevado nível para a posição, excluindo o caso de Joan Capdevila, um campeão do Mundo e da Europa provavelmente contratado fora do prazo. O que a equipa fez durante algum tempo, aliás com brilhante resultado, foi adaptar Fábio Coentrão à posição. Resultou em cheio. Aliás, o Benfica fez outro tanto do lado direito com Maximiliano Pereira, como antes fizera com Miguel. Mas não sei se insistir na receita não será abusar da sorte e do cálculo de probabilidades e também do futuro do atleta assim posto à prova.
Com o plantel aberto o Benfica segue a preparação para a nova época de Futebol. E eu daqui deixo um apelo aos dirigentes e técnicos do meu querido e glorioso Benfica: por favor tenham em conta os estômagos delicados dos sócios e adeptos."

João Paulo Guerra, in O Benfica 

A sério e a treinar

"1. Tirando a segunda parte do jogo com o PSV, tenho gostado das exibições e da atitude da equipa nestes primeiros jogos da época. Claro que são jogos-treino, claro que, muito provavelmente, não serão todos aqueles os jogadores com que o Benfica contará no início da época (já estou mentalizado para perdermos dois ou três deles), claro que, nas competições a sério, a réplica será bem maior. Mas, à parte a tal segunda parte de domingo (creio que a equipa se ressentiu de tantos jogos e treinos), fiquei esperançado numa boa época e muito agradado com o regresso de Carlos Martins em grande plano. Confesso que não me entusiasmou o seu ingresso no Clube, há uns anos, mas cedo mudei de opinião e não esqueço a forma como vibrou, no banco de suplentes, aquando do nosso último jogo do título, frente ao Rio Ave. Lamentei a sua saída na época passada (gosto de portugueses no 'onze') e creio que iremos ter um grande Carlos Martins esta época. Mas, como disse, daqui a algumas semanas, quando o Campeonato começar, é que será a sério. Teremos mais um ou outro jogador para lugares em falta (não gostei de ver os mesmos defesas a terem que jogar o tempo todo...) mas, tal como nós (ou até mais que nós...), os outros precisam de vender e fá-lo-ão certamente bem abaixo daquilo que apregoam. Tanto os do Norte, como os nossos vizinhos de Alvalade, cujas aquisições (a custo zero ou nem por isso...) são sempre muito elogiadas. A ver vamos...

2. Como era inevitável, aquela ideia do Nacional, que o Sporting logo apadrinhou, tentando 'colar-se' aos pequenos, não deu em nada. A proibição de empréstimos de jogadores a clubes da mesma Divisão pode ser, teoricamente, muito válida mas, na prática, nem é boa para os jogadores portugueses - que teriam que emigrar o 'descer' à Liga de Honra - nem para os pequenos clubes, que não têm meios para contratar equipas inteiras. Claro que há desconfianças quanto ao empenho dos jogadores emprestados perante os seus clubes (alguns até se lesionam naquela semana). Por isso, admitiria a possibilidade de os jogadores emprestados não jogarem contra os clubes que lhes pagam. E tamb´m seria de estudar uma limitação no número de emprestados ao mesmo clube. Mas tudo planeado com tempo e não de um momento para o outro. A Liga de Clubes descredibiliza-se cada vez mais..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

sábado, 28 de julho de 2012

'Bisar' na Goleada !!!



Gil Vicente 2 - 5 Benfica

Só vi a 2ª parte... Excelente resultado, contra a equipa 'surpresa' da época passada, que muito trabalho nos deu, nos 3 jogos que efectuamos contra eles...!!!
Fazer dois jogos em dois dias, com equipas bastante diferentes, com algumas ausências por lesão, e vencer os dois jogos confortavelmente, é bom sinal... apesar dos problemas em algumas posições, este é um dos plantéis com mais soluções do Benfica, e pelo menos até agora, todos parecem motivados...
De referir a utilização de alguns jogadores da equipa B, que pela matina derrotaram o Carregado por 3-0 !!!

Nós, os da bancada

"Nós, os da bancada, servimos para viver o Clube, para sofrer e rir, para nos irmanarmos apenas no momento do festejo do golo. Servimos para comprar o bilhete, aplaudir, gritar pela equipa, acompanhar o Clube e sermos o próprio Benfica.
Nós, os da bancada, raramente estamos de acordo. Discutimos entre nós, ofendemo-nos e defendemo-nos, tentando defender o que consideramos ser o melhor para o Benfica. Nós, os da bancada, por vezes até acenamos lenços brancos, os mesmos que, enquanto são acenados, enxugam lágrimas feitas de mágoa. Nós, os da bancada, não percebemos nada de futebol. Perdão, nós, os bancada, não percebemos nada de futebol sem paixão. Não sabemos como potenciar um jogador (agora chamam-lhe activo) e não sabemos como tornar dinâmico um conceito táctico que se traduz em números estáticos. Para nós, os da bancada, um 4x3x3 e um 4x2x3x1 ou um 4x4x2 são processos que sabemos ler, mas não sabemos implementar. Nós, os da bancada, ouvimos “basculação” e “transição ofensiva”, “pressão alta” ou “jogar entre linhas” como chavões que os entendidos dominam para nos mostrar que nós, os da bancada, nada dominamos da arte de bem interpretar o texto de um jogo. Nós, os da bancada, não sabemos como transformar o sofrível em bom, não sabemos como fazer melhor do que os profissionais do futebol, nem sabemos como os profissionais do futebol conseguem fazer tão bem aquilo que nos parece tão bem feito.
No entanto, nós, os da bancada, sabemos quando algo não está bem. E nós, os da bancada, que nada sabemos de futebol, sabemos que nem tudo está bem no equilíbrio do nosso plantel ao nível das alas defensivas. Nem sempre, mas ouvir a voz preocupada dos leigos das bancadas, por vezes, não faz mal."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Golos para o Eusébio...


Benfica 5 - 2 Real Madrid

Bom jogo, ainda com falhas, mas com momentos muito bons... A vitória vai ser desvalorizada devido às ausências do Real (mas uma segunda derrota consecutiva teria sido um 'petisco' para alguns!!!): é verdade dos 'europeus' só jogou um bocadinho o Coentrão e o Benzema, mas o Kaka, o Higuain, o Di Maria, o Granero, o Calejon, o Lass e mesmo o Varene não jogadores de equipa B, são suplentes, que muitas vezes são titulares... Mais do que a ausências, na 2ª parte, depois do quarto golo do Benfica notou-se, uma quebra física dos Espanhóis, devido ao menor tempo de preparação. Mas até agora, todos os nossos adversários tinham tido mais tempo de preparação do que o Benfica, e esse facto nunca foi relevado: nas vitórias e na derrota...!!! A azia no final  da partida, do Mourinho, também soube bem!!! É óbvio que este jogo foi um treino, é óbvio que os títulos importantes não são jogados na pré-época, mas a maneira como o Mourinho festejou o 2º golo da sua equipa, parecia que o jogo era a sério!!!

O Melga falhou no 1º golo do Real, mas esteve muito bem a atacar... o Carlos continua a marcar, e dar golos, principalmente na sequência de livres, algo que a época passada, falhou!!! Espero que o Enzo, finalmente, meta na cabeça, que quer triunfar no Benfica, creio que é só uma questão de vontade!!!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Rei é Rei

"Estará aberta uma nova discussão no futebol português? Se Ronaldo é ou não o novo rei? Não se perca tempo...

Há muito que venho esperando ver os portugueses sentirem orgulho na carreira, prestígio, valor e talento de Cristiano Ronaldo. Um futebolista verdadeiramente ímpar num universo competitivo como nunca, um atleta excepcional num meio tão feroz e exigente como se tornou o meio do futebol de alta competição e um dos poucos portugueses vivos com prestígio realmente à escala mundial deveriam ser razões mais do que suficientes para todos reconheceram o mérito, o peso e o impacto de Cristiano Ronaldo e, sobretudo, sentirem orgulho num jovem nascido numa modesta família madeirense, que as circunstâncias obrigaram a vir para Lisboa muito só e a lutar determinadamente por um lugar ao mais alto nível no futebol.
Talvez Cristiano Ronaldo não imaginasse na altura em que chegou à academia do Sporting poder vir a ser um dia o melhor jogador do mundo, mas acredito que lá no fundo, como milhares de outros jovens, já sonhasse com isso. A diferença é que Cristiano chegou lá. Mesmo.
E imagino o muito que Cristiano deve ter andado para lá chegar...
A verdade é que apesar de já ter sido oficialmente considerado o melhor do mundo (com direito a distinção da FIFA) Cristiano Ronaldo pareceu sempre não ser consensual entre os adeptos portugueses.
Uma espécie de embirração que os portugueses costumam ter com alguns outros portugueses, e normalmente com portugueses de sucesso.
Acontece que o último Europeu parece ter levado muitos adeptos a fazer, finalmente, as pazes com o que significa realmente Cristiano Ronaldo.
Depois das exibições do nosso 7 pela Selecção na Polónia e na Ucrânia, os hesitantes, os mais cépticos e os menos fiéis podem ter-se rendido e resignado por fim à dimensão daquele que é, sem sombra de dúvida, um dos dois melhores futebolistas de actualidade.
Para mim o melhor. Mas isso é para mim.
O que Ronaldo fez pela Selecção no Europeu despertou, porém, muitos de nós para uma nova discussão, já não a de saber se Ronaldo é ou não melhor do que Messi, mas de Ronaldo já fez o suficiente para destronar Eusébio do lugar de rei do futebol português.
Pois bem, vamos com calma.
O que Ronaldo já fez e o que Ronaldo já vale no mundo chega para vir a entrar na história como melhor futebolista português de todos os tempos? Provavelmente sim, porque a dimensão de Ronaldo será dentro de alguns anos seguramente acompanhada por uma carreira inigualável.
Cristiano Ronaldo vai ser, na verdade, o mais internacional jogador de sempre em Portugal (já tem, aos 27 anos, 95 jogos, contra 127 de Luís Figo e 110 de Fernando Couta), não é muito difícil apostar mesmo que vai ser o melhor marcador de sempre pela Selecção Nacional (leva já 35 golos contra 47 de Pauleta e 41 de Eusébio) e será também o mais vencedor de sempre, quer em números de troféus conquistados pelas equipas que representa, quer nas distinções individuais.
Além disso, talvez seja já o português mais famoso do momento - com José Mourinho ali a par... sem esquecer Eusébio, sempre, e também Luís Figo, o outro futebolista português merecidamente considerado, por uma vez, o melhor do planeta.
Mas dará tudo isso a Cristiano Ronaldo direito a ultrapassar Eusébio no trono português? Não!
Por uma razão simples: Eusébio conseguiu o que conseguiu (e conseguiu tanto, deus do céu!!!) jogando sempre em Portugal, sempre na mesma equipa, numa década, a de 60, em que se contavam ainda pelos dedos o número de televisões e num tempo em que as comunicações para o estrangeiro quase se faziam por pombo correio...
Eusébio não é rei apenas pelo muito talento que tinha. Eusébio é o rei porque levou o mundo a reconhecê-lo quando o mundo era ainda demasiado grande e Portugal demasiado pequeno.
É o rei porque se tornou naquele tempo bem maior do que a língua portuguesa quando a língua portuguesa parecia naquele tempo o único património inultrapassável e é o nosso rei porque os portugueses o adoram.
É o rei e, por tudo aquilo, será sempre o rei!
O tempo de Cristiano Ronaldo é outro e nem vale a pena explicá-lo. E acredito que nem Cristiano Ronaldo discutirá o trono de Eusébio, hoje mais uma vez homenageado em plena Luz, justamente, com um Benfica-Real Madrid que reedita no espírito e nas recordações o Benfica-Real Madrid de há 50 anos, em Amesterdão, que mostrou definitivamente ao mundo o supertalento do Pantera Negra.
Eusébio é o rei e Ronaldo o seu magnífico príncipe.
E assim é perfeito!"

João Bonzinho, in A Bola

Benfica e Jogos Olímpicos

"As derrotas nunca são boas, mas nesta fase ajudam a detectar fragilidades. Só sabendo quais as deficiências, se podem colmatá-las. O Benfica não tem suplente para Maxi Pereira, que não seja um júnior com talento, e tem na lateral-esquerda um problema que remonta à saída de Coentrão. A isto acresce a excelência da dupla de centrais, que prejudica muito a comparação com quem os substitui. Em tudo o resto há qualidade e nalguns casos abundância. Este Benfica poderá e deverá ser forte. Logo, contra o Real Madrid, há mais um teste de dificuldade para aquilatar o aprumo de forma encarnado.
Hoje começam os Jogos Olímpicos, desde miúdo que são para mim sinónimo de clausura. De que gosto? De tudo, ou quase tudo. Um Paquistão-Holanda em hóquei em campo, um chinês em luta com um coreano no tiro com arco, um jogo de voleibol feminino entre Cuba e Itália são tudo petiscos a não perder. Uma camisola nacional em luta pelo 34 lugar de uma qualquer prova é uma iguaria, e a prova de ciclismo em pista perseguição por equipas, ou double scull de remo põe-me a vibrar pela Inglaterra como se tivesse nascido em Oxford. Jogos Olímpicos é sinal de intensidade desportiva, é tudo para degustar até ao limite. Frigorífico preparado para maratonas, jornal A BOLA com as grelhas de eventos do dia e o ranking das medalhas, uma opção clara daqueles que queremos que ganhem contra aqueles que não queremos e estamos no paraíso. Estes Jogos Olímpicos até facilitam, não têm fuso de Sidney, da Coreia, de Atlanta ou de Los Angeles, que nos obrigavam a mudar o sono para viver convenientemente o acontecimento. Em Londres será uma miragem ouvir tocar A Portuguesa, e muito dificilmente veremos subir a nossa bandeira. Nelson Évora, Vanessa Fernandes e Naide Gomes traíram essa ambição e agora só uma Telma superlativa ou uma grande surpresa nos podem ajudar a fazer história."

Sílvio Cervan, in A Bola

Sofrer por antecipação, telegramas olímpicos e um café à beira da estrada

"Antecipo-me, assim à má notícia que não tardará a chegar e não quero ver mais Axel Witsel a jogar à bola com a camisola do Benfica porque me parte o coração

NESTE arranque de época ver jogar Axel Witsel tem sido uma dor de alma. Não porque jogue mal mas, precisamente, pela razão contrária.
Joga bem, joga muitíssima bem e a ideia, tão verosímil, de o poder-mos perder, e antes ainda da coisa a sério começar, deixa-nos num desalento sem concerto.
No jogo do Benfica com o Slask Wroclow passou-se comigo o caso ridículo, desesperado, de ter desligado a televisão à segunda repetição (em câmara lenta) do triplete de nós cegos aplicados por Axel Witsel a uma quantidade idêntica de polacos, antes de servir Óscar Cardozo para que o paraguaio assinasse o primeiro golo do encontro.
Jogo à defesa, como estão a ver.
A quase certeza de poder perder a qualquer momento o melhor DJ belga que alguma vez conheci, aquele que põe a equipa a dançar, leva-me a não o querer ver mais. Prefiro não saber.
É um daqueles momentos em que temos de nos resguardar e traçar, sem demora, o parâmetro acima do qual só por masoquismo se sofre.
Uma pessoa tem de estar preparado para os quinhentos estados de nervos que cada nova temporada carrega. A vida é assim e o futebol também. Mas há limites, caramba. E nenhuma pessoa deve deixar-se resvalar, languidamente, para essa coisa indigna que é sofrer por antecipação.
Antecipo-me, assim, à má notícia que não tardará a chegar e não quero ver mais Axel Witsel a jogar à bola com a camisola do Benfica porque me parte o coração. Pela minha parte o assunto está resolvido e à maneira estóica, pois claro.
Pela parte do Benfica parece que não está.
Lendo o jornal ficamos todos a saber que o AC Milan e o Real Madrid continuam na perseguição ao jogador, que os italianos oferecem 20 milhões de euros pelos seus serviços e que o presidente do Benfica, ainda no princípio desta semana, afirmou publicamente que não aceita negociar Axel Witsel abaixo da cláusula de rescisão, no montante de 40 milhões de euros.
Sendo o belga um quase desconhecido quando chegou à Luz, aceita-se como realista o valor da cláusula de rescisão imposta no contrato assinado no Verão do ano passado entre o Benfica e o jogador.
Para o Benfica era bom que ninguém lá chegasse até porque, por estas bandas, continua-se a acreditar na palavra do presidente.

ESTÃO a chegar os Jogos Olímpicos. A Telma Monteiro vai ser a nossa porta-bandeira. Não há grandes esperanças em medalhas. E no entanto nunca se sabe. Que bom. O Benfica tem lá o Rodrigo e o FC Porto tem lá o Hulk. O Romário foi mauzinho com o Hulk. Disse que no Brasil há dez jogadores melhores do que o Hulk ocupa no escrete-olímpico. Mal-educado e arrogante, o Romário. Apesar de um jogar e o outro não, são colegas de profissão. Devia haver mais respeito. Também o presidente quando falou do Mantorras. Estava em Viseu a discursar nos paços do conselho. Ouviu um estrondo e disse: «Foi o Mantorras que caiu». Só para provar que ainda não está surdo. Uma falta de nível. Agora faz-se pouco do infortúnio alheio e ainda se ouvem palmas. E elogios. Voltemos aos Jogos Olímpicos, por favor. Gosto do atletismo. Gosto de ouvir os comentários do Luís Lopes. Enriquece-nos como espectadores emprestando-nos o seu saber. Assim é que devia ser sempre. Também gostava muito de ouvir o Jorge Lopes. Já morreu, uma tristeza. Nos Jogos também há ciclismo. Espero que seja o Marco Chagas a comentar. Foi um antigo ciclista e era bom. Também tem a capacidade rara de nos transmitir informação qualificada. Sem ser maçador. Antes pelo contrário, é um encanto. Reconheço que gosto de ouvir os comentadores de atletismo e de ciclismo. Já os comentadores de futebol frequentemente me irritam. Porque será? Tenho pensado nisto muitas vezes. Será aquela estupidez do clubismo? Que a todos assola quando mete bola? Provavelmente. Então quando não mete bola todas as opiniões são válidas? Não pode ser. É básico demais. Vou pensar melhor. Pronto, já descobri. É por causa dos árbitros. Os comentadores do ciclismo e do atletismo não têm árbitros com que se ocupar. Os do futebol têm, daí o busílis. Instala-se o desencontro de opiniões. Estala a polémica, tudo apita. Desportos sem árbitros são um descanso para as emoções mais primárias. E para as mais parvas. A propósito: o Pedro Proença também vai aos Jogos Olímpicos? Se for, boa sorte. Não se esqueçam de o ir esperar ao aeroporto. Estão a ver? Lá está a parvoíce.

-ENTÃO, este ano estamos entregues ao Carlos Martins não é verdade?
Foi assim que fui recebida, de chofre, num café à beira da estrada numa tarde muito quente deste Verão. O proprietário, pelo menos parecia ser o proprietário pelo à-vontade com que se movia entra a cozinha, o balcão e a salinha acanhada que mal dava para duas mesas e para meia-dúzia de clientes atónitos de calor... o proprietário, dizia eu, saiu de trás do balcão, de braços cruzados, em passo ligeiro para se encostar ao frigorífico das sobremesas e fazer uso da sua veemência, insistindo na mesma questão:
-Estamos entregues ao Carlos Martins, não é?
Pelo tom que empregou percebi que não estava a pedir explicações, o que muito sinceramente lhe agradeci em silêncio porque estas coisas cansam. Também me pareceu óbvio que ao proprietário não desagradava a ideia de este ano estarmos entregues ao Carlos Martins, tal como já me tinha dito duas vezes sem esboçar o menor aborrecimento pelo facto.
Era um homem novo, impossível não reparar, assemelhava-se até um pouco ao dito Carlos Martins, o que tornava a situação muito curiosa e vagamente cómica. Talvez fosse mais alto, supor meu que nunca conheci o original a não ser pela televisão que engana muito. Vestia uns calções curtos, trazia umas sandálias enfiadas nos pés e exibia uma tatuagem na barriga da perna direita. O tosco estava semi-coberto por uma dessas camisas de alças a que vulgarmente se chamam de «fiambre» em alguns círculos mais cosmopolitas da Capital.
Respondi-lhe o que me veio à cabeça:
-E estamos muito bem entregues...
-Concordo a cem por cento - disse o proprietário com grande precisão percentual continuando de braços cruzados encostado ao frigorífico.
-A cem por cento, não direi, mas aí a uns setenta, setenta e cinco por cento...
A conversa teve de ficar por aqui porque uma pequena cabeça de mulher com cabelos louros apanhados em carrapito fez a sua inopinada aparição pela janelinha que dava acesso à cozinha. E dirigindo-se directamente ao meu interlocutor, abriu-lhe os olhos num grito que se ouviu do meio da estrada:
-Ó Celso, olha que há aqui muita louça para lavar e tu só sabes falar com os clientes!
Não era o proprietário!
Esta revelação, contudo, em nada o desmereceu perante mim. Nem a ele nem à sua opinião, que me pareceu justa e bem ponderada, sobre as virtudes de Carlos Martins com quem era, como já o disse, extraordinariamente parecido.
Confundi-o com um patrão porque, num primeiro relance, vendo-o tão bem encostado ao balcão e, num segundo relance, vendo-o tão bem encostado ao frigorífico das sobremesas, precipitei-me a julgá-lo como um indivíduo que não recebe ordens de ninguém. Mas mesmo não sendo o patrão continuava a ser muito parecido com o Carlos Martins embora eu nunca tenha visto o Carlos Martins de braços cruzados ou encostado a nada. Nem eu, nem ninguém.
O futebol é como a vida, engana muito. E também dá lições. Podemos encontrar num qualquer café à beira de uma estrada um tipo, patrão ou não, semelhante ao Carlos Martins. Mas no Benfica, que é muito maior do que o cafezinho à beira da estrada onde parei numa tarde deste Verão, não há ninguém que se assemelhe ao nosso peregrino de Granada. Foi isso que também nos fez falta na última temporada.
E o Celso lá foi lavar a louça. Sem protestar. E nós muito bem entregues ao Carlos Martins."

Leonor Pinhão, in A Bola