Últimas indefectivações

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Direitos televisivos

"Num momento em que o Benfica domina o campeonato, o nosso Estádio enche e se perspectivam tempos de algum apaziguamento, há um assunto que nos tem preocupado nestes, aparentemente, plácidos tempos de benfiquismo: a anunciada renegociação dos direitos televisivos.

Há quem defenda que se deve fazer o melhor negócio possível, independentemente do interlocutor da negociação; há quem defenda que nem se deveria levantar a possibilidade de renegociar com a Olivedesportos; há quem defenda que a Benfica TV, com outro enquadramento, é a melhor solução; há quem defenda que se está a precipitar o tempo da decisão relativamente a este assunto… O tema está longe de ser pacífico e, no meio de tudo isto, surge uma nova personagem na presidência da Liga que defende e promete, demagogicamente e servindo interesses que não me parecem os do Benfica, a negociação colectiva dos ditos direitos.

A informação acerca do assunto é quase diária e nem sempre é credível. Há muito ruído e pouco esclarecimento. Deste modo, defendo que, neste momento, Luís Filipe Vieira deverá encontrar uma solução que permita, dentro da família benfiquista, discutir a situação, esclarecer os sócios acerca das suas intenções e ficar esclarecido acerca das intenções dos associados.

Nem sempre as emoções das massas são o melhor conselheiro na condução racional dos negócios do nosso Clube. Ainda assim, o assunto em apreço é de tal ordem sensível que uma decisão tomada apenas na solidão de um gabinete e indiferente à vontade dos sócios pode colocar em causa a própria decisão."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Triste Fado...

O calvário das lesões graves não 'larga' o nosso Campeão Olímpico e Mundial do Triplo Salto. A alta competição não faz bem à saúde dos atletas, o triplo salto especificamente provoca um esforço sobre-humano, principalmente no 2º e 3º apoio... os grandes saltadores dos últimos tempos, a nível mundial, têm sido vitimas de lesões constantemente, infelizmente o Nelson não conseguiu fugir à regra. Como grande admirador do Nelson, tanto do atleta e da sua filosofia de treino, como da maneira como se comporta publicamente, só posso desejar as melhoras o mais rapidamente possível. Já não será a tempo dos Jogos de Londres, mas haverá outras competições...

Carlos Pereira, um sogro do pior?

"MÁRIO FIGUEIREDO é o novo presidente da Liga de Clubes e há quem acredite ter tido peso determinante nesta surpreendente eleição a entrevista concedida recentemente por António Oliveira à RTP. Ao seu jeito de sempre, de admirável anarquista por conta própria, António Oliveira apontou para a Olivedesportos como o berço e o caixão do futebol português e do seu cortejo das mais variadas ruínas.

No entanto parece abusivo concluir que a vitória de Mário Figueiredo resultou da expressão da revolta dos clubes contra a empresa de Joaquim Oliveira que distribui entre todos, em função das respectivas grandezas e pequenezas, os proventos das transmissões televisivas de cujos direitos é proprietária há duas décadas.

Foram os clubes pequenos que elegeram Figueiredo e sobre isso não restam dúvidas. Benfica, FC Porto e Sporting apoiaram formalmente a candidatura do candidato derrotado. António Laranjo, cujo currículo nestas andanças é bem superior e mais impressionante do que o do candidato vencedor.

O Know-how de Laranjo é inquestionável. Foi ele o responsável máximo pela organização do Europeu de 2004, em Portugal. Se alguma coisa correu mal, como, por exemplo, o resultado da grandiosa final com a Grécia, Laranjo está isento de culpas porque não foi ele quem autorizou ou organizou aquele cortejo triunfal, um verdadeiro arraial campino, que acompanhou patrioticamente o percurso do autocarro da selecção nacional entre Alcochete e o Estádio da Luz. E depois foi o que se viu.

O currículo de Mário Figueiredo, em comparação, é bem mais curto. Profissionalmente, fez carreira num famosíssimo escritório de advocacia portuense, o que lhe poderia até valer uma maior consideração e estima por parte de quem, neste processo eleitoral, insistiu em menosprezar a sua candidatura.

Como se Figueiredo, em termos de futebol, não tivesse nada de mais sonante para apresentar do que o facto de ser genro de Carlos Pereira, presidente do Marítimo, um clube muito rebelde como é do conhecimento público.

Carlos Pereira? Já viram o filme, não viram? Valha-nos, um sogro do pior!

A vitória pelo voto dos pequenos contra os grandes é sempre uma alegria, nos tais termos de futebol e nos outros termos também. Os três grandes tinham declarado o seu apoio ao candidato Laranjo e nada fazia prever que esta inesperada troika de interesses muito reais sucumbisse nas urnas como sucedeu.

Laranjo, certamente, não iria ter uma vida fácil porque gerir no terreno os conflitos entre os maiores deve ser uma incomensurável dor de que já se livrou.

Mas o que terá levado os três grandes, por regra sempre desavindos, a apoiar em conjunto uma candidatura de um homem sem telhados de vidro à presidência da Liga de Clubes?

Terá o Benfica apoiado António Laranjo na convicção de que o seu presidente da Liga obrigaria, por exemplo, o Sporting a pagar os trabalhos de recuperação da área vandalizada do Estádio da Luz, tal como os regulamentos da Liga recomendam?

Terá o Sporting apoiado António Laranjo certo de que, por exemplo, jamais seria obrigado a pagar ao Benfica as ditas obras e mais certo ainda de que jamais o seu presidente da Liga mexeria uma palha para que fossem retiradas as polémicas imagens que tão exaltadamente decoram o corredor de acesso aos balneários da equipa visitante no Estádio de Alvalade?

E o FC Porto? Que encantos viu o FC Porto na candidatura de Laranjo para além de poder ufanar-se de que o seu presidente da Liga quase, quase, quase que tinha nome de fruta?

Mas Laranjo perdeu e Figueiredo ganhou. Agora vai ter de ser ele a dirimir estas e outras questões da actualidade sempre conturbada do futebol nacional.

E algumas dessas questões nasceram precisamente com a vitória de Mário Figueiredo no passado dia 12. Como a eminência do alargamento da divisão principal de 16 para 18 clubes, bandeira eleitoral da sua campanha. Foi com esta bandeira que o candidato dos pequenos deu o xito nos grandes.

Não é uma bandeira boa. O alargamento não vai trazer riqueza aos pequenos porque o bolo é o mesmo ainda que o número de convivas possa aumentar.

Com o alargamento irá haver uma nova distribuição da pobreza e, de modo nenhum, uma nova distribuição da riqueza. E cá estaremos todos para ver acontecer.

As maiores felicidades ao novo presidente da Liga são, no entanto, os votos de todos os bons desportistas e de todos os democratas, que ainda são alguns.


O Benfica fez um belo jogo com o Vitória de Setúbal. Sem Aimar, Javi Garcia, Garay e Gaitán no onze titular e com sete jogadores que só chegaram à Luz no Verão passado - Artur, Emerson, Matic, Witsel, Nolito, Bruno César e Rodrigo -, a equipa produziu um espectáculo de qualidade e ganhou expressivamente depois de ter começado o jogo a perder graças a uma bola que, embatendo na aresta errada do crânio do nosso Luisão, traiu o nosso guarda-redes, poker face Artur.

O lance foi infeliz, pois foi. Mas não houve choraminguices. O Benfica reagiu com um espírito adulto, com um futebol que dá gosto ver e voltou a golear.


PESSOALMENTE, assaltam-me grandes dúvidas sobre este Benfica de 2011/2012.

É que não sei se gosto mais de Rodrigo ou se gosto mais do Cardozo. Sim, são dúvidas luxuosas, reconheço. E acho que vou andar nesta feliz indecisão até ao final da temporada.

Peço perdão aos assobiadores do paraguaio se os ofendi.

Mas, olhem, foi de propósito.


POR falar em choraminguices, ontem Domingos Paciência ultrapassou-se a si próprio, o que é muito difícil. Um treinador de uma equipa grande, vir fazer queixas de dois jogadores do Braga porque lhe disseram «toma!» no túnel, no fim do jogo, é francamente de mais.

Toma?! É que nem «toma lá e vai almoçar» ou «...embrulha» ou «enxerga-te». Apenas «toma!» e deu logo direito a choradeira e a discurso sentido sobre a ingratidão de Hugo Viana e de Mossoró, jogadores que já teriam acabado as respectivas carreiras se Domingos não os tivesse feito ressuscitar do limbo em que penavam.

No seu vale de lágrimas, o treinador do Sporting ainda teve discernimento para se insurgir contra os «médicos, fadistas e carpinteiros» da casa que lhe moem a paciência todos os dias com os seus comentários na comunicação social.

Tomem!


«QUEM me dera escrever como o Messi joga», disse António Lobo Antunes um dia destes.

O nosso maior escritor é um esteta. A sua ambição é puramente literária, não provoca celeumas entre os seus pares e foi facilmente entendida pelos literatos do mundo inteiro. Lobo Antunes tem como émulo um futebolista excepcional, provavelmente o melhor de todos os tempos.

E qual o sarilho? Nenhum.

Bom, pensando melhor, há sarilho, sim senhores. Mas apenas com Cristiano Ronaldo que não deve ter achado lá muita graça à declaração de António Lobo Antunes. E todo o mundo literário, e não só, sabe bem como Cristiano Ronaldo é suscetível quando se trata de Lionel Messi.


E ontem a coisa ainda ficou pior. Embora Cristiano Ronaldo tenha marcado o golo do Real Madrid que pode não ser suficiente para a decisão da eliminatória da Taça do Rei visto que o Barcelona foi outra vez ao Santiago Bernabéu fazer aquela coisa do costume...

O Javi Garcia e o Rodrigo fazem muita falta ao Real Madrid.

E bonito bonito, foi ver o Fábio Coentrão aos 70 minutos desarmar o Messi.

Entretanto, praticamente à mesma hora no Estádio da Luz, o Benfica venceu o Santa Clara para a Taça da Liga. O jogo foi sensaborão. Só quando Nolito entrou em campo é que a coisa animou e de que maneira.

O Nolito poderá não fazer muita falta ao Barcelona. Mas faz sempre falta ao Benfica quando não joga ou quando jogo menos bem."


Leonor Pinhão, in A Bola

Gestão e indigestão

"No fecho da primeira volta, em que os pontos ultrapassam os conquistados em igual período na época do último título (em 2009-2010) e em que os desempenhos começam a aproximar-se dos alcançados pela máquina de ataque concebida por Jorge Jesus e municiada por Luís Filipe Vieira para essa temporada, o Benfica começou a partida com o Vitória de Setúbal com sete recrutas de primeiro ano. Ou seja, com sete jogadores que foram chegando à Luz por volta das últimas férias de verão. A saber: Artur, Emerson, Matic, Witsel, Nolito, Bruno César e Rodrigo. As quatro exceções foram Maxi Pereira, Luisão, Jardel e Oscar Cardozo. Dir-me-ão alguns que, em circunstâncias normais, estariam em campo Javi García, Aimar, Gaitán, até Saviola, todos com mais vasta quilometragem de Benfica nas pernas. É verdade, mas também não podemos esquecer Garay, reforço que pegou de estaca até à lesão.

Arredondando, para cima ou para baixo, é louvável a capacidade de integração e aproveitamento que o técnico do Benfica consegue num plantel que aguenta sem sobressaltos de maior a rotação dos avançados, que resiste às lesões de uma estrela como Gaitán e de um verdadeiro maestro como Pablo Aimar, que sobrevive às ausências de Luisão e Garay, hoje a melhor dupla de centrais a jogar em Portugal. Mais: que ainda dispõe de margem de crescimento interna, bastando para tanto que Enzo Pérez tenha regressado com disposição de mostrar que é um homem e um profissional, sem recaídas depressivas. Neste quadro dinâmico – e de valorização dos atletas, como vai ficando provado pelas vendas alcançadas, se pensarmos em Di María, Ramires, David Luiz, Fábio Coentrão – só custa entender como ainda há gente que não compreende que a titularidade é um bem escasso e a utilização um prémio pelo qual é preciso lutar, treino após treino. Não haverá quem explique a Ruben Amorim que mais vale integrar um elenco destes, mais vale um jogo na montra da Champions ou num clássico da Liga, do que a utilização regular numa equipa mediana e sem ambições? É que estamos a falar de um daqueles casos em que o jogador precisa mais do clube do que o contrário.

Depois da gestão, a indigestão sportinguista. Depois da Luz, de Coimbra, da receção ao FC Porto e da viagem a Braga, é vital rever os objetivos, com o terceiro lugar na Liga e a Taça de Portugal à cabeça. Não cerrar fileiras desde já pode significar um naufrágio semelhante ao da última época. Com duas diferenças essenciais: uma tem a ver com as expectativas que se alimentaram. Quanto maior a queda, mais séria a zanga. A outra prende-se com o investimento. Tantos milhões sem retorno são um estado transitório que não augura nada de bom para o que vem a seguir."


O Sporting vai jogar à porta fechada com o Beira-Mar

"1. Depois de tornadas públicas imagens criteriosamente colocadas no corredor de acesso aos balneários da equipa visitante, no Estádio José Alvalade, que retratam adeptos das claques em poses agressivas, desafiando os seguranças, outros de cara tapada e com tochas na mão e ainda poses que sugerem uma saudação fascista ou tatuagens com a cruz de ferro, um símbolo que está muito associado a movimentos da extrema-direita, teve lugar uma oportuna e urgente reunião do Conselho para a Ética e Segurança no Desporto.

2. Tal órgão, presidido pelo insubstituível presidente do Comité Olímpico de Portugal, é composto, ainda, entre outros, por Fernando Seara, Augusto Baganha, ex-presidente do defunto IDP, Carlos Cardoso, presidente da Confederação do Desporto de Portugal, Fernando Gomes, Joaquim Evangelista, Mário Saldanha, Nuno Delgado, Rosa Mota e Salomé Marivoet.
3. Vicente Moura, que convocou essa reunião, relembrou palavras proferidas ao PÚBLICO: “Tenho dificuldades em acreditar que as fotografias que me enviou tenham sido colocadas nos corredores de acesso aos balneários onde se equipam as equipas visitantes no estádio do Sporting. (...) Estou convicto que a direcção do SCP, na senda das tradições do clube as mande retirar.” Falou ainda em “formas de pressão dispensáveis”.
4. Mais longe foi Salomé Marivoet, especialista em violência no desporto: “As imagens falam por si. O painel de fotos veicula uma imagem dura de adeptos, seguramente uma minoria dos adeptos do Sporting, expressando uma hostilidade violenta para com as equipas visitantes, que contrasta com a mensagem escrita de ‘bem-vindos’. Trata-se de um painel numa zona de acesso reservado e, por isso, certamente sujeita a uma decisão dos órgãos directivos. Não posso deixar de concluir, como socióloga, que esta enfatiza a sublimação de uma subcultura de adeptos hostil e violenta por parte dos responsáveis do clube comprometidos com tal escolha, denotando conivência e exaltação da mesma. O caso assume ainda maior gravidade, dada a selecção de fotos veicular símbolos nacionalistas de extrema-direita.”
5. Perante tão firmes posições, os membros do CESD deliberaram, de acordo com o disposto no artigo 14.º, n.ºs 4, 6 e 7, da Lei n.º 39/2009, propor ao IPDJ a aplicação da sanção de realização de espectáculos desportivos à porta fechada, enquanto a situação se mantiver, sem prejuízo da aplicação de outras sanções, disciplinares ou outras, que venham a ter lugar.
6. O IPDJ agiu em conformidade.
7. Também o conselho de disciplina da FPF se apressou a instaurar um processo disciplinar. Declarações de vivo repúdio foram proferidas pelo presidente da FPF e pela LPFP.
8. Tudo, aliás, na linha, das declarações de viva censura proferidas no próprio dia do conhecimento público, pelo ministro Relvas e pelo seu secretário Alexandre Mestre. Outra coisa não podia deixar de ser, ou não tivesse o secretário pré-lançado, a 2 de Dezembro, as Linhas Gerais do Plano Nacional de Ética no Desporto (PNED).
9. Ineficaz, a UEFA pediu ao Sporting que removesse ou tapasse as imagens de cariz violento. Parece que “as imagens contrariam os valores de respeito e tolerância que a UEFA promove. A UEFA tem uma política de tolerância zero em relação à violência e as imagens mostram, no mínimo, uma posição ambígua quanto à violência provocada por adeptos”.
10. Em 2007, numa comunicação que tive a honra de apresentar em Espanha, iniciei o meu texto dando conta que o combate à violência no desporto e o posicionamento das entidades nacionais, face à lei portuguesa e às directrizes da UEFA/FIFA, fazia-me lembrar o tempo em que eu ia à bola. Quando os jogos eram nacionais, os bares serviam cerveja com álcool, mas, aquando de competições europeias, a cerveja era sem álcool.
11. Infeliz país. Pura ficção."




Javi Garcia: Touro e toureiro

"Javi Garcia divide os aficionados do futebol e há quem o considere violento, apesar do baixo recurso ao jogo faltoso.
Aficionados da bola, adversários ou adeptos, comparam Javi Garcia a um Miura espanhol, pela força e pela combatividade no jogo. Mas o trabalho dele é à frente das trincheiras como a lida de um toureiro, com ocupação precisa dos espaços, intervenções calculadas e estocadas certeiras.
E a estatística, cada vez melhor interpretada pelos treinadores, contraria a ideia empírica e confirma que o espanhol do Benfica é mais «diestro» do que besta, mais cirúrgico do que genérico.
O primeiro papel dele em campo é o de recuperador de bolas e base da circulação no meio-campo, revolucionando o início da armação do ataque com o seu posicionamento entre os centrais, para libertar os laterais. Está entre os principais recuperadores da Liga.
Mas o estilo agressivo, com resposta rápida e em força a provocações ou emergências, tem contribuído para a construção de uma imagem de jogador brutal, às vezes violento, e protegido por negligência dos árbitros. No entanto, as estatísticas contrariam a opinião que se tem formado, em particular após os seus despiques com Porto, Braga e Guimarães, os adversários que menos o apreciam.
Surpreendentemente, o autor do golo decisivo do último derbi lisboeta é, de todos os clubes da Liga, quem menos faltas comete naquela posição, embora seja dos mais penalizados com cartões - eventualmente por as suas infracções serem mais duras.
Comparando com os principais adversários, Javi Garcia vê um amarelo a cada três faltas cometidas, enquanto Rinaudo (Sporting) leva um cartão por 4 infracções e Fernando (Porto) apenas por cada cinco.
Na terceira temporada no Benfica, apresenta um rendimento uniforme. Tudo indica que esta época, agora a meio, não andará longe dos 46 jogos e 14 cartões no final, repetindo os dois primeiros anos.
RANKING DAS FALTAS
Adrien, médio do Sporting emprestado à Académica, é nesta altura o mais faltoso da Liga, à frente dos brasileiros Wires (Rio Ave) e Michel (Paços de Ferreira). No ranking absoluto, há 78 jogadores com mais faltas cometidas do que Javi Garcia.
MAIS GOLOS NA TAÇA DA LIGA
Na Taça da Liga da época passada, Javi Garcia teve um papel preponderante na concretização, a ponto de no global somar mais golos (4) do que cartões amarelos (3) em 9 partidas disputadas até agora.
MENOS CASTIGOS NA UEFA
Nas provas europeias, vê um cartão amarelo a cada seis partidas, o dobro em comparação com a Liga portuguesa (um a cada 3 jogos). Na Liga dos Campeões cometeu 12 faltas em cinco partidas, sem qualquer cartão.
O TRINCO MENOS FALTOSO DA LIGA
Surpresa: de todos os médios defensivos titulares dos 16 clubes da Liga, Javi Garcia é aquele que cometeu menos faltas, embora esteja entre os cinco mais penalizados com cartões.
UM PROCESSO E UMA EXPULSÃO
Alvo do último sumaríssimo

Javi Garcia foi um dos últimos jogadores punido (2 jogos de suspensão) em consequência de um «processo sumaríssimo». Aconteceu a meio da época de 2009-10, após uma agressão a pontapé ao jogador Valdomiro, do Guimarães, não sancionada em campo pelo árbitro Elmano Santos. Actualmente é investigado por alegações de racismo, em Braga.
Rivalidade acesa com Alan
Em 114 jogos oficiais, Javi Garcia foi expulso apenas um vez, no Braga-Benfica da época passada, na sequência de um lance mal avaliado pelo árbitro Carlos Xistra. A expulsão foi provocada por Alan, do Braga, o mesmo que agora o acusa de provocações racistas na partida desta temporada, dirigida por Pedro Proença."
João Querido Manha, in Correio da Manhã

Speedy Nolito !!!


Benfica 2 - 0 Santa Clara
Nelson Oliveira, Witsel


Rotação quase total da equipa, dos actuais titulares só o Javi e o Bruno jogaram de início. Jogo tranquilo, demasiado tranquilo talvez... adversário ofensivamente fraquinho.

Acabou por ser a intensidade de jogo do Nolito a decidir o jogo com duas assistências - neste momento Rodrigo e Nolito jogam a uma velocidade completamente diferente do resto dos jogadores!!!

Provavelmente o pior jogo da carreira do Gaitán!!! Eu sei que existe uma grande obsessão de muitos Benfiquistas em relação ao lugar de defesa esquerdo, mas eu muito sinceramente, espero que as notícias vindas do Chile em relação a um polivalente defesa direito sejam reais, pois o Maxi precisa de uma alternativa...



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não é Distância, É Benfica!

Não é Distância, É Benfica! - Escrito por Ricardo Caldas (Edição de Guilherme Cabral) by user1746932

Alargamento

"A surpreendente eleição de um presidente da Liga sem apoio dos clubes grandes trouxe à ribalta alguns nostálgicos do antigo grupo da sueca, com xitos e tudo. A ideia campeã foi a do alargamento da 1.ª Liga, à revelia da lei e do Conselho Nacional de Desporto.

O absurdo é um lugar-comum no pândego mundo do futebol português, mas nada poderia ser mais desprovido de fundamentos do que negar a evolução positiva desencadeada pela redução de 2006, precisamente na semana em que, pela primeira vez na história, a Liga portuguesa foi considerada a quarta melhor do Mundo e terceira da Europa, apenas atrás da espanhola, inglesa e brasileira.

As variáveis da equação são óbvias. Por um lado, qual o interesse desportivo, comercial e mediático da junção de mais dois emblemas de dimensão reduzida, audiências televisivas residuais e incapacidade orçamental para fixar jogadores portugueses? Por outro, a introdução de mais quatro jornadas de baixa competitividade no calendário dos clubes principais ser-lhes-ia benéfica ou acabaria por devolvê-los às enormes dificuldades em competir a nível internacional, sentidas durante os anos 90.

Esta questão do alargamento surge, ciclicamente, por dois motivos empíricos, a necessidade de proteger um emblema importante em risco de despromoção e a melancolia de alguns agentes em períodos de menor actividade. Por isso, também são agora fáceis de esvaziar e ultrapassar, se a experiência nos diz que os campeonatos não morrem pelo ocaso conjuntural de um Boavista ou de um Belenenses e que, de facto, não existe público nem clima para jogos de futebol no Natal.

A imposição reguladora de reduzir as Ligas profissionais para 16 clubes visou torná-las mais competitivas e melhorar-lhes os resultados financeiros – e foi bem sucedida. Assim, para voltar à estaca anterior, seria necessário demonstrar que os campeonatos se tornaram menos interessantes, quando toda a gente reconhece um valor desportivo crescente na actual Liga de Honra, a ponto de ter passado a ser patrocinada e televisionada em directo, e quando a 1.ª divisão aumentou a média de espectadores e tem representantes permanentemente em grande destaque nas provas da UEFA.

Objetivamente, não se vislumbra qualquer pressuposto favorável ao alargamento de uma Liga em que a assistência total de mais de metade dos participantes, apesar da evolução, não daria para encher um estádio da Luz. Muito menos que o bolo dos direitos de televisão possa ser distribuído, em conjunto, por ainda mais gente, quando a tendência é a da pulverização das audiências nacionais, num contexto de concorrência global com as transmissões das ligas europeias, a que apenas o Benfica e o Porto conseguem resistir.

Só havia uma reivindicação interessante para os novos dirigentes da Liga, agora que o eixo do poder regressou à Federação, que passava pela atribuição de um lugar europeu ao vencedor da Taça da Liga, mas ninguém a colocou porque não oferecia votos nem perspetivas de mais dinheiro do que cada um justifica e merece."


terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mais um 'golo' para o Benfica !!!


Lixívia Extra-Forte XV

Tabela Anti-Lixívia Extra-Forte:
Benfica.......39 ( -2)...42
Corruptos..37 (+1)...36

Sporting......28 (0)...28
Braga........31 ( +4)...27


Na Luz tivemos o 'afilhado' do Proença!!! (recordo uma fotos mútuas tiradas nas bancadas da Luz!!!) E pela amostra o puto tem futuro!!! Com um critério larguíssimo, perdoando amarelos atrás de amarelos aos Setubalenses, permitindo muita porrada, a Ney, a Andersson do Ó, a Ricardo Silva, Bruno Amaro... e a 5 minutos do fim resolve expulsar o Cardozo, com um duplo-amarelo absurdo. Pois o Tacuara não 'pediu' penalty (curiosamente hoje soube-se que o Cardozo está lesionado com um traumatismo, tenho quase a certeza que a cacetada que lesionou o Tacuara, foi uma entrada do Ney, ainda na primeira parte, que nem sequer foi assinalado falta...!!!!)...


Não vi mais nenhum jogo, e no caso dos Corruptos nem sequer resumos vi!!! Em Braga o Capela parece que perdoou alguns cartões aos Lagartos (com o critério apertado do Cardozo, metade da equipa ia para rua!!!), tirou um fora-de-jogo erradamente ao Sporting, e foi enganado pela aselhice do Evaldo nos últimos minutos!!! No jogo 'tranquilo' dos Corruptos, ouvi o relato durante alguns minutos, e tirando alguns foras-de-jogo mal assinalados, nada de especial se passou!!!



Anexos:

Benfica
1ª-Gil Vicente(f) E(2-2), João Ferreira, Nada a assinalar
2ª-Feirense(c) V(3-1), Hugo Pacheco, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Nacional(f) V(0-2), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4º-Guimarães(c) V(2-1), Duarte Gomes, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Académica(c) E(4-1), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
6ª-Corruptos(f) V(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Paços de Ferreira(c) V(4-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
8ª-Beira-Mar(f) V(0-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
9ª-Olhanense(c) V(2-1), Marco Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
10ª-Braga(f) E(1-1), Proença, Prejudicados, (0-2), -2 pontos
11ª-Sporting(c) V(1-0), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Marítimo(f) V(0-1), Sousa, Nada a assinalar
13ª-Rio Ave(c) V(5-1), Bruno Esteves, Nada a assinalar
14ª-Leiria(f) V(0-4), Cosme, Nada a assinalar
15ª-Setúbal(c) V(4-1), Malheiro, Prejudicados, Sem influência no resultado


Corruptos
1º-Guimarães(f) V(0-1), Olegário, Beneficiados, (0-0), +2 pontos
2ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Silva, Beneficiados, Impossível contabilizar
3ª-Leiria(f) V(1-4), Capela, Prejudicados, Sem influência no resultado
4ª-Setúbal(c) V(3-0), Marco Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
5ª-Feirense(f) E(0-0), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
6ª-Benfica(c) E(2-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
7ª-Académica(f) V(0-3), Paulo Baptista, Nada a assinalar
8ª-Nacional(c) V(5-0), Cosme Machado, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
9ª-Paços de Ferreira(c) V(3-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Sem influência no resultado
10ª-Olhanense(f) E(0-0), Capela, Prejudicados, (0-1), -2 pontos
11ª-Braga(c) V(3-2), Soares Dias, Prejudicados, Sem influência no resultado
12ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
13ª-Marítimo(c) V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, Sem influência no resultado
14ª-Sporting(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Rio Ave(c), V(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar


Sporting
1ª-Olhanense(c) E(1-1), Xistra, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
2ª-Beira-Mar(f) E(0-0), Fernando Martins, Nada a assinalar
3ª-Marítimo(c) D(2-3), Proença, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
4ª-Paços Ferreira(f) V(2-3), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
5ª-Rio Ave(f) V(2-3), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6ª-Setúbal(c) V(3-0), Cosme Machado, Nada a assinalar
7ª-Guimarães(f) V(0-1), Bruno Paixão, Nada a assinalar
8ª-Gil Vicente(c) V(6-1), João Capela, Beneficiados, Sem influência no resultado
9ª-Feirense(f) V(0-2, Gralha, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10ª-Leiria(c) V(3-1), Manuel Mota, Beneficiados, Impossível contabilizar
11ª-Benfica(f) D(1-0), Capela, Beneficiados, Sem influência do resultado
12ª-Nacional(c) V(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
13ª-Académica(f) E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
14ª-Corruptos(c) E(0-0), Proença, Nada a assinalar
15ª-Braga(f) D(2-1), Capela, Nada a assinalar


Braga
1ª-Rio Ave(f) E(0-0), Duarte Gomes, Beneficiados, (1-0), +1 ponto
2ª-Marítimo(c) V(2-0), Soares Dias, Beneficiados (1-0), Sem influência
3ª-Setúbal(f) V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados (0-0), +2 pontos
4ª-Gil Vicente(c) V(3-1), Rui Costa, Nada a assinalar
5ª-Guimarães(f) E(1-1), Pedro Proença, Nada a assinalar
6ª-Nacional(c) V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
7ª-Leiria(f) D(1-o), Marco Ferreira, Nada a assinalar
8ª-Feirense(c) V(3-0), João Ferreira, Nada a assinalar
9ª-Académica(f) E(0-0), Jorge Sousa, Nada a assinalar
10ª-Benfica(c) E(1-1), Proença, Beneficiados, (0-2), +1 ponto
11ª-Corruptos(f) D(3-2), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
12ª-Paços de Ferreira(c) V(5-2), Marco Ferreira, Nada a assinalar
13ª-Olhanense(f) V(3-4), João Ferreira, Nada a assinalar
14ª-Beira-Mar(f) V(1-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15ª-Sporting(c) V(2-1), Capela, Nada a assinalar

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

O Gnu

"De tempos a tempos, geralmente mais sobre o final do ano, as televisões fazem umas reportagens sobre o bicho. E os jornais, por simpatia, publicam-lhe os mugidos entaramelados. Por isso, de repente, vemo-nos frente a frente com o seu olhar de carneiro mal-morto, as pálpebras desencontradas, tapando meia córnea, deixando-nos da dúvida se o animal dorme ou se já se debate nas vascas da agonia. Por esse olhar semicerrado é possível traçar-lhe a obtusidade do raciocínio. Visceralmente bronco, naturalmente lorpa, o gnu baba-se. Por entre a espuma dessa baba bovina, soltam-se insinuações e mentiras canalhas. Relho, decrépito, já não tem pêlo: meia-dúzia de repas espalham-se em redor dos chavelhos.

Felizes, submissos, os repórteres de pacotilha rastejam em frente ao chefe da manada, tirando fotografias, captando imagens, desfazendo-se em elogios, lambendo-lhe os cascos. A história mete nojo, mas repete-se do princípio ao fim dos tempos. O velho gnu rebola-se de gozo na lama fétida desses dejectos humanos. Para sobreviver, precisa que lhe afaguem o ego descomunal. O seu cérebro caliginoso não o deixa tomar noção da sua tão grande pequenez. Vive num mundo só dele e da sua súcia. Há quem garanta que tem a língua bífida das cascavéis, mas não saberia dizê-lo. Os documentários que de vez em quando o retratam, mostram-no em murmúrios, em resmoneios, em rosnidos, em mugidos. A língua mantém-se dentro da boca, segurando a placa e o falso palato. Há quem se entretenha estudar o espécime em todo o esplendor da sua estupidez. Outros, ao ver imagens tão cruas da imbecilidade do gnu, agoniam-se, são acometidos por vómitos e diarreias. É assim a National Geographic: mostra-nos os seres mais repelentes da natureza sem subterfúgios. O que faz que muitos de nós duvidem que bichos como o velho gnu tenham sido sequer concebidos por Deus."


Afonso de Melo, in O Benfica

Sem Vergonha

"Factos são factos, e, uma vez provados, tornam-se irrefutáveis, podendo, quando muito, ser explicados. Refiro-me àquilo que li, numa excelente peça jornalística publicada pelo 'Público', na edição do passado dia 6, que dá conta da forma como o corredor das equipas visitantes, no Estádio de Alvalade, foi redecorado com imagens hostis e agressivas que incitam ao ódio, ao confronto e que fazem mesmo uso de símbolos que nos remetem para a memória mais trágica do século XX, com cruzes de ferro e saudações fascistas.

O texto assinado por Hugo Daniel Sousa é construído com grande objectividade e indiscutível suporte factual, o que torna inaceitável por parte dos dirigentes sportinguistas.

Opções como esta, ou seja a de fazer da sala de visitas para quem vem de fora, um espaço de crispação e violência anunciada, nunca surgem por acaso, ainda que nos queiram fazer crer o contrário. A escolha dos símbolos e do clima que eles geram e dos sentimentos que induzem nunca pode resultar apenas da opção estética de uma equipa de decoradores e 'designers'.

Comprovada esta situação, é bom que se recorde que isto acontece num momento em que, no Mundo do Futebol, na Europa e noutros continentes, decorrem campanhas contra o racismo, contra violência e contra qualquer forma de discriminação ou confronto que possa tornar os estádios perigosos e infrequentáveis.

Imagine-se que é uma pessoa receber visitas em casa e decorar o quarto onde pernoitam com fotografias que as intimidam.

As opiniões de Ricardo Costa, presidente da Comissão Disciplinar da Liga, e do prestigiado jurista José Manuel Meirim, inseridas na peça jornalística citada, têm de ser lidas e levadas à letra, pois não deve haver passividade cúmplice perante aquilo que as fotos que ilustram o artigo eloquentemente documentam. Já agora, o que têm a dizer sobre o assunto ex-presidente do clube como o Pedro Santana Lopes, agora a dirigir a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. É que um caso como este nada tem de misericordioso."


José Jorge Letria, in O Benfica

Mais campeão

"A uma ronda da primeira volta da Liga, o Benfica garantiu a liderança isolada na prova. A equipa continua invicta, numa trajectória excelente, que até já passou pelos testes exigentes, que se saldaram em duas igualdades, nas deslocações ao Porto e a Braga.

Este Benfica, versão 2011/2012, tem mais três pontos, na mesma altura da competição, do que aquele Benfica que, há dois anos, se sagrou Campeão Nacional. O registo é sensacional e auspicioso. A equipa está firme, vende saúde, exibe ideias, carrega talento, transporta emoção.

Nas duas próximas jornadas da Liga, a Luz vai ser o palco dos embates frente ao Vitória de Setúbal e ao Gil Vicente. Está desenhado um excelente ensejo para o Benfica reforçar a condição de guia na pauta do Campeonato e acrescentar mais dois degraus ao seu percurso ascendente.

Afinal, a que se deve este Benfica tão exclamativo? A uma liderança técnica competente? Sem dúvida. Ao melhor guarda-redes da Liga? Também. À mais competente dupla de centrais que actua em Portugal? Também ainda. A uma intermediária sagaz e desequilibrante? Igualmente. A um ataque explosivo e certeiro? Sem dúvida.

O Benfica está bem e recomenda-se. Os adeptos estão bem e emocionam-se. Todo o Universo Vermelho está mergulhado numa atmosfera positiva e não menos entusiástia. Ainda assim, este Benfica-mais-Campeão não pode distrair-se. Se conseguir manter o rigor competitivo que vem patenteando, só pode haver uma certeza. E qual é? 2012 vai ser mesmo um ano vermelho."


João Malheiro, in O Benfica

domingo, 15 de janeiro de 2012

Três secos... em frente na Taça

Benfica 3 - 0 Guimarães
25-13, 25-14, 25-21


Contra um adversário que nas últimas semanas tem conseguido excelentes resultados, esperava-se mais dificuldades... mas não foi isso que aconteceu: nos dois primeiros Set's demos 'baile', no terceiro relaxamos um pouco, demos confiança ao opositor, mas mesmo assim, vencemos...

Estou curioso para saber qual será o nosso adversário nos Quartos-de-final da Taça, depois do Sp. Espinho e do Vitória de Guimarães, começam a faltar opositores difíceis!!!

4.º melhor? Hã?

"Pior que acharem a liga portuguesa a 4.ª melhor do Mundo é alguém acreditar


A Federação Internacional de História e Estatística do Futebol, além de ter um nome extraordinário, faz distinções extraordinárias, a última a eleição da liga portuguesa como a quarta melhor do Mundo, à frente de França, Alemanha e Itália. Mesmo considerando o desempenho internacional recente na segunda divisão europeia, não vejo como, ainda que a classificação tenha sido sublinhada até pelo presidente da FPF, ex da Liga.

Comparemo-nos com a liga alemã, 6.ª na lista. Na Alemanha há 36 clubes profissionais e só três tiveram dificuldades financeiras nos últimos quatro anos. Na Bundesliga o volume de negócios cresce há anos e em 2010 atingiu o valor recorde de 700 milhões de euros. As receitas de publicidade crescem na casa dos 20 por cento desde 2007 e com a dependência dos direitos televisivos que é metade dos espanhóis e um terço da dos italianos. A diferença pontua média entre o vencedor e o quinto classificado na Alemanha na última década é de 16,4 pontos. Em Portugal é de 24, ilustrador da competitividade. A média de golos nos últimos anos foi de 2,83 por jogo, acima de Inglaterra, Espanha, Itália ou Portugal. A de assistências nos jogos é de 42790. Em Portugal é de 10894. E concentrada em três, enquanto na Alemanha há sete com lugar nos vinte europeus com mais gente nos estádios: Dortmund, Bayern, Schalke, Hamburgo, Monchengladbach, Colónia e E. Frankfurt (mesmo na segunda!), todos acima dos 46 mil. Os alemães têm mais dinheiro para bilhetes? Têm. E têm bilhetes mais baratos. Rondam os 15 euros e incluem transporte público. Quando se admitiu a possibilidade de aumentá-los os patrocinadores impediram-no; preferem estádios cheios. Quarta melhor do Mundo? Hã?

E, já agora, quando se iludirem com o poder da formação e a supremacia dos nossos orientadores, olhem para Espanha, que tem, realmente, campeões do Mundo em qualquer modalidade. É cinco vezes maior e tem cinco vezes mais gente, sim. E faz quantas vezes mais? Tenham juízo. Ou pelo menos vergonha."


Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

A surfar a onda !!!



Benfica 4 - 1 Setúbal



Jogo tranquilo, nova goleada, após começar a perder, só faltou mais um golo para este jogo ter sido um copy/paste do jogo com o Rio Ave... talvez só a absurda expulsão do Cardozo impediu o 5º golo!!! (num jogo onde os visitantes fartaram-se de dar porrada impunemente... onde praticamente no intervalo o árbitro ainda andava a avisar, que para a próxima é que dava amarelo... num daqueles jogos onde os comentadores para desculparem a incompetência - ou más intenções - dos apitadores, dizem que foi uma arbitragem à Inglesa!!! Como é que num jogo destes, o Cardozo é expulso com duplo amarelo, sem efectuar uma única falta?!!!)

Entre lesões e castigos a equipa continua a 'rodar' jogadores e a verdade é que o rendimento tem sido sempre o mesmo... Apesar de não ter marcado, Rodrigo fez talvez o seu melhor jogo ao serviço do Benfica (tem melhorado muito nas recepções de bola a meio-campo de costas para a baliza).

Os Benfiquistas fizeram a vontade aos jogadores, e num momento economicamente difícil, quase encheram a Luz, num ambiente festivo, só não gostei da 'onda': porque a equipa entrou na festa, e naqueles minutos que se seguiram ao 4º golo tiveram algumas perdas de bola, imperdoáveis (não compreendo porque é que o Benfica, a ganhar, arrisca sair a jogar nos pontapés de baliza!!!). Mas é preciso continuar a apoiar, porque este Campeonato só vai ser decidido no fim...


sábado, 14 de janeiro de 2012

A ferros !!!

Benfica 78 - 75 CAB Madeira

17-24, 20-8, 19-23, 22-20



Começa a ser preocupante a quantidade de jogadores ausentes: Sérgio, Ben, Elvis e o Barroso!!! Hoje jogámos praticamente só com 6 jogadores, o Ferreirinho acabou por ser pouco utilizado, os restantes nem 1 segundo, incluindo o Carreira!!! Só com o habitual 'mau perder', que esta equipa já demonstrou noutras ocasiões, foi possível vencer, com um triplo do Doliboa no último segundo!!!


Muito suor...



Oliveirense 6 - 8 Benfica



O melhor jogo do Benfica o ano passado foi provavelmente neste Pavilhão, hoje isso não aconteceu... hoje voltámos a permitir muito espaço ao adversário, que com os 'empurrões' do costume ganhou uma vantagem larga... foi já com o Sénica 'fora' do banco que o Benfica conseguiu a reviravolta!!! Não tenho coragem de pedir ao treinador do Benfica para ter mais 'calma' no banco, porque no lugar dele, neste campeonato, com estas arbitragens, é humanamente impossível, muita calma tem ele...!!!

Vitória... com o Mágico em campo!!!



AMSAC 2 - 7 Benfica



A saída do capitão Arnaldo para a Letónia, acaba por ser a notícia mais significativa da secção esta semana. O Benfica nunca 'cortou' as pernas aos seus jogadores, neste caso houve de certeza boa proposta para o jogador... portanto a melhor sorte do mundo para o Arnaldo. É verdade que o Benfica neste momento tem muitas opções, é verdade que o Arnaldo já tem muitos quilómetros nas pernas, mas também é verdade que o 'nosso' Trasmontano tem caracteristicas de jogo, que mais nenhum jogador do Benfica tem... Fico obviamente à espera de um regresso num futuro próximo...

E já agora, o novo capitão, Gonçalo Alves, começou o jogo de hoje, com os dois golos inaugurais!!!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Onda... (apesar de tudo, é preciso apoiar...)




Vencer o V. Setúbal e festejar no Bonfim

"Como se pode avaliar do muito que já disse publicamente e escrevi sou genericamente crítico do comportamento selvático das claques. Não gosto de ver associado ao desporto comportamentos que em nada abona quem os pratica. Esta razão redobra a minha alegria pelo elogio que agora faço.

Mas no passado domingo os adeptos do Benfica em geral, e a claque (No Name) em particular, deram um festival daquilo que pode e deve ser o apoio a uma equipa. 93 minutos de apoio constante, na Marinha Grande não houve um minuto de silêncio, foi absolutamente impressionante o recital de músicas e coreografias no apoio à equipa.

Já vi a Curva Norte da Lazio, Old Trafford ou Celtic Park, Anfield Road ou Nou Camp e os seus ambientes festivos, mas num jogo de baixa intensidade nunca tinha assistido a uma partida sem um segundo de silêncio.

Foi um festival benfiquista a começar na claque e acabar nos grandes golos de Bruno César, Cardozo e Rodrigo.

Mesmo sem jogadores importantes como Aimar ou Gaitán o Benfica chegou novamente à liderança mais de 500 dias depois. O Benfica tem uma vantagem pontual que se espera não seja... pontual. A liderança do Benfica tem mais valor porque o FC Porto está a fazer um óptimo Campeonato, sem derrotas e com poucos pontos perdidos. O resultado do FC Porto em Alvalade parece mais fraco depois de ver o do Nacional. Este Sporting pinta a relva mas ainda não é capaz de pintar a manta futebolísticamente falando. Disfarça a areia do relvado mas não consegue tirar a areia da engrenagem.

Amanhã contra o V. Setúbal não poderá haver deslizes se queremos festejar no Bonfim, contra este mesmo Setúbal o título nacional na última jornada.

Enquanto os jogadores e treinador do Barça passeiam para receber prémios e dar entrevistas, Mourinho ganha jogos, vence eliminatórias e consolida a liderança. No fim do ano não sei quem festejará mais, mas arrisco em Mourinho.

..."


Sílvio Cervan, in A Bola

Ninguém à nossa frente

"Escrevo na noite de domingo, o Benfica acabou de brindar os seus adeptos com uma exibição... à Benfica: golos e espectáculo, nota artística para o passe de Bruno César, antes do cruzamento que deu a Rodrigo o 4.º golo do 'Glorioso', nota técnica para os tiraços do 'Chuta-Chuta' e do 'Tacuara', nos primeiro e segundo golos, para a segurança de Artur, a solidez de Luisão, Garay e Javi García, a entrega de Maxi, de Witsel e de Nolito. Com pleno merecimento e inteira justiça, o Benfica isolou-se na classificação do Campeonato. Foi o final de um fim-de-semana em cheio. O Benfica triunfou folgadamente em Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, Futsal lidera três destes campeonatos, está a dois pontos da liderança no outro.

É um enorme orgulho pertencer a esta imensa Família Benfiquista. Num País e num momento histórico dominados pelo derrotismo, a descrença, a depressão, as vitórias do Benfica alegram milhões de portugueses. É que as vitórias do Benfica representam alegria, ao contrário dos vencedores raivosos que triunfam à custa da mentira e por conta de interesses particulares e frustrações colectivas. O Benfica ganha e o País anima-se, adquire algum ânimo para enfrentar as crises e ultrapassar as dificuldades.

Em outro tipo de domínios, para além das vitórias desportivas, o Benfica afirma a sua imensa implantação em Portugal e entre os portugueses: um milhão de fãs na página oficial do Benfica na rede social Facebook dão a ideia da dimensão desta sociedade que é muito mais do que um Clube. Como dizia recentemente Ricardinho, o português que é o Melhor do Mundo em Futsal, ao regressar ao Benfica: «Sabe muito bem estar aqui: é como chegar a casa.»

São muitos à nossa volta. Mas, para já, ninguém à nossa frente."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Goleadas e liderança

"1. O ano começou bem, com duas vitórias folgadas em Guimarães e Marinha Grande, onde os benfiquistas 'golearam' dentro e também fora do campo, tantos os adeptos presentes, largamente maioritários. Finalmente, atingimos o primeiro lugar, isolados. Agora, haverá que mantê-lo até ao final. Mas não contemos com facilidades...

2. Sapunaru a um jornal romeno ('Prosport'), falando do célebre caso do túnel da Luz: 'Os adeptos gostaram da nossa atitude guerreira, devido à rivalidade entre os dois clubes. Porém, apesar de não ter sido acusado de nada, sei que não devia ter reagido daquela forma. É um gesto que fica mal a qualquer atleta.' Afinal...

3. O Sporting colocou imagens com adeptos em posses agressivas (e até a fazer saudações fascistas) no corredor de acesso aos balneários das equipas visitantes. Mas, pior que isso: reagindo à notícia do jornal Público, o clube mentiu, afirmando em comunicado que a Liga de Clubes e a UEFA haviam aprovado e até elogiado essas imagens, o que ambos desmentiram. O curioso é a forma como os três jornais desportivos falaram do assunto, dando grande relevo à resposta do Sporting e 'escondendo' a notícia original e os desmentidos. Subserviência completa...

Já agora: o director responsável pelas instalações do Sporting é o mesmo vice-presidente (Paulo Pereira Cristovão) que tanto se queixou no final do Benfica-Sporting no nosso Estádio...

4. Há algumas semanas era o Standart de Liège a queixar-se devido a dívidas relacionadas com as transferências de Defour e Mangala. Agora foi a vez do Santos reclamar dívidas relacionadas com Alex Sandro. Entretanto, os atletas das modalidades queixavam-se (e se calhar ainda se queixam...) de ordenados em atraso. Nós já cá tivemos disso mas corremos com o responsável na primeira oportunidade. Por lá, tecem-se loas ao presidente...

5. Curiosa a entrevista de António Oliveira, ex-dono da Olivedesportos e ex-seleccionador nacional, à RTP. Há ali muita matéria para investigação..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Objectivamente (Oliveiras)

" 'A Olivedesportos é o FMI do Futebol português'! Esta foi uma das frases mais fortes da surpreendente entrevista do antigo seleccionador de Portugal, António Oliveira à RTP no início da semana e que passou ao lado de toda a comunicação social não merecendo mais que uma das páginas interiores do especulativo 'Correio da Manhã'!

Numa longa entrevista à RTP o antigo capitão do FC Porto e irmão de Joaquim Oliveira, confessou o domínio absoluto da Olivedesportos sobre os órgãos dirigentes do Futebol português - Federação, Liga e Arbitragem, denunciando o poder sufocante da empresa da qual foi fundador e de qual se afastou há anos, explicando claramente como funciona esse monopólio com afirmações arrepiantes fazendo mesmo autocrítica à forma como entrou para Seleccionador Nacional. Disse que foi escolhido por Madaíl por ser da Olivedesportos...

Há muita gente que duvida da frontalidade de A. Oliveira dizendo que ele já devia ter falado antes. Mais vale tarde que nunca! Mas grave é a atitude daqueles que têm agora aqui uma boa oportunidade de esclarecerem muitas dúvidas acumuladas durante anos e anos. Que duvidavam daquilo que eu e alguns outros escrevíamos e dizíamos nos jornais e nas rádios e que não o fazendo passam mais uma vez pelo SILÊNCIO comprometedor como se nada se passasse, assobiando para o ar! Afinal, de que é que precisam mais para perceber o que se anda a passar no Futebol português nos últimos 30 anos?

Aqui está 'A CONFISSÃO'!

Por fim uma palavra sobre a liderança do SLB. Era mais que esperada esta arrancada. A jogar muito melhor que os rivais directos e com a vantagem de receber as ofertas de dois pontos logo na primeira jornada do ano, o Glorioso fez o que se esperava e agora é seguir este rumo até à vitória final.

A jogar assim nada derrubará o Benfica!"



João Diogo, in O Benfica

O Silêncio

"António Oliveira disse e repetiu, para que não houvesse dúvidas, que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol é um títere que tem como função servir os interesses de uma empresa privada, a Olivedesportos. Disse que o anterior presidente também cumpria diligentemente esse trabalho e que o mesmo acontece na Liga de Clubes. Disse que ninguém é eleito para esse cargo sem o beneplácito do seu irmão e sócio maioritário da Olivedesportos.

Disse-o convictamente, num canal público de televisão, disse-o sem gaguejar e repetiu-o. A personagem que o disse é antigo sócio da dita empresa. Em seguida ficou o silêncio. Um silêncio quase total por parte da comunicação social. Um silêncio total dos visados. Um silêncio absoluto do poder político. Um silêncio que procura apenas uma coisa: o esquecimento, para que se possa perpetuar a mentira e a farsa em que se foi transformando isto. Os dias passam e toda a gente finge que nada se passou. Com que cara, com que legitimidade, com que dignidade alguém pode dirigir uma instituição quando sobre ele está lançada a acusação séria de que há quem mande em quem finge mandar? A cara com que esta gente se apresenta aos clubes e seus dirigentes por todos é conhecida. Mas com que cara é que esta gente se pretende apresentar perante os adeptos? Como é que ainda há quem ouse pensar que com o seu silêncio se pode limpar a nódoa em que se transformou o dirigismo desportivo em Portugal? No silêncio de todos está a conivência com a vergonha. No silêncio de todos está bem à vista a etiqueta e o respectivo preço. Não é o futebol português que está à venda, são os seus agentes que se venderam. É a vergonha que ficou penhorada algures por Penafiel.

Lamento, mas não pode haver silêncio quando se impõe um grito de indignação justa."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Superstições...

Grande reforço

A melhor canoísta portuguesa (masculinos e femininos) da actualidade Teresa Portela, reforça o Benfica Olímpico... excelente notícia.

Os Oliveira

"O poder da Olivedesportos no futebol é enorme, tem décadas, e cresceu por razões financeiras. A empresa fundada nos anos 80 pelos irmãos Joaquim e António foi o banco dos clubes, aumentando o domínio à medida que estes clubes se afundavam. E assim estabeleceram um monopólio e negociaram contratos incríveis, por exemplo nos direitos de televisão.

O que há de novo é uma entrevista explosiva de António à RTP, denunciando que Joaquim será o mandarete de todo o país futebolístico, dos árbitros aos selecionadores e presidentes de clubes.

As lutas entre irmãos, se tornadas públicas, são confrangedoras. Esta não é exceção. E é preciso perguntar o que passou na cabeça de António para este assomo de transparência, confissão e denúncia sobre uma empresa que ele próprio fundou com o irmão, numa proporção de 50%/50%, paridade que se desfez há uma década, depois da zanga.

Eis uma pista: Joaquim comprou a António a sua metade da Olivedesportos em 2002, num acordo que foi pago durante uma década. António Oliveira terá recebido dezenas de milhões de euros pela sua participação, é hoje um homem rico, e recebeu o último pagamento do negócio há alguns meses. Talvez seja coincidência, mas parece vingança tardia: calado enquanto recebeu os pagamentos de Joaquim, António falou quando o contrato acabou.

As denúncias de António Oliveira são medonhas, confirmando suspeitas e até notícias de muitos anos. Acontecerá alguma coisa? O futebol português é habitado por gente que vive de comissões clandestinas e que prospera em cima de clubes esfalfados. Se tudo o que António disse é verdade (e, como aqui escreveu Octávio Ribeiro num texto esclarecido, “Joaquim Oliveira é mais um negociador do que um ditador”), são muitos os nomes desta triste decadência; Joaquim é um desses nomes; António é outro."


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Quem foi o Cézanne de Alvalade?

"Expostos os segredos da maçonaria e da Olivedesportos - grandes novidades... -, só resta descobrir o mistério impressionista da pintura da relva em Alvalade


NA Marinha Grande, o Benfica cumpriu a sua obrigação. Ganhou o jogo com uma exibição tão expressiva quanto o resultado e, beneficiando do empate no clássico, isolou-se no comando da Liga com dois pontos de avanço sobre o seu agora perseguidor, FC Porto.

Sem dúvida que é uma situação agradável para o Benfica e para os benfiquistas. Aquela expressão consagrada e popular, 'olho para o lado e não vejo ninguém', tem tido grande saída nestes primeiros dias da semana.

Calma aí, são apenas dois pontinhos. E dois pontinhos em janeiro não é a mesma coisa do que dois pontinhos em maio, como todos saberemos. E falta muito para maio. O bom senso e o decoro aconselham a pôr a fanfarronice de lado.

Foi por fanfarronice que o Benfica se espalhou ao comprido na última temporada.

Entretanto alguma coisa se há de ter aprendido.


VÍTOR PEREIRA tem razão. O clássico foi um jogo intenso mas não foi bem jogado. Terá tido até alguns momentos de casados e solteiros com charutadas, bolas à toa e outros instantes pouco ortodoxos. Mas houve emoção porque o resultado esteve incerto até ao final e de tão incerto deixou-se ficar como estava no princípio do jogo, empatado sem golos.

De um lado e de outro houve grossas críticas à arbitragem de Pedro Proença. Tendo em conta de que nem uma equipa nem a outra fizeram muito para ganhar o jogo, também me parece de mais pretender que fosse o árbitro a decidir o resultado a favor de uma das duas equipas.

Os erros de foram dois ou três. Um fora de jogo mal assinalado ao ataque do Sporting, em benefício do FC Porto, e um segundo cartão amarelo por mostrar a Polga, que resultou nem benefício do Sporting.

Nem sequer assistimos a um clássico quezilento, conflituoso. Os jogadores saíram abraçados, o que é sempre bonito de se ver. No regresso aos balneários não se registaram ocorrências nem danos. Hulk, mansinho lamentou ter estado «90 minutos a apanhar porrada», o que não é nada próprio de um super-herói com pergaminhos.

A verdade é que Hulk e também Sapunaru não repetiram em Alvalade o comportamento que tiveram no túnel da Luz. Sapunaru, ainda há poucos dias, reconheceu numa entrevista a um jornal romeno que esteve mal nessa ocasião e que a sua atitude não foi digna de um desportista.

Provavelmente, os dois jogadores perderam toda a apetência para o desacato no momento em que se viram a apreciar a decoração fotográfica do corredor de acesso ao balneário da equipa visitante.

Terão ficado intimidados? A UEFA acha que sim.

Imagine-se só que a UEFA depois de ter dado os parabéns ao Sporting pela beleza do papel de parede, veio agora dar o dito por não dito, exigindo que o Sporting retire as imagens porque «são claramente contrárias aos valores de respeito e tolerância».

Estes tipos da UEFA são uns grandes aldrabões.

Aldrabões, aldrabões, aldrabões.


O nosso país anda assim um bocado para o deprimido. Toda a gente sabe porquê, é por causa da austeridade. Os portugueses andam tristonhos e têm bastas razões para tal porque nada têm para celebrar.

Por tudo isto, causou grande comoção no país, que bem precisa de quem o alegre, a notícia de que Cristiano Ronaldo, o mais célebre de nós todos, o único português com estatuto hollyoodesco, um rapaz que tem tantas razões para andar muito bem-disposto, ande também ele tristonho e sem vontade de celebrar.

Não pode ser, Cristiano Ronaldo. Não pode andar por aí o português que é maioral na sua profissão a lamentar-se pelos cantos, a fazer beicinho como se o mundo inteiro estivesse contra ele.

O mundo não está contra si, Cristiano Ronaldo. São apenas coisas do futebol. Os adeptos do Real Madrid ainda não digeriram a última derrota com o Barcelona e elegeram-no a si, porque é o melhor jogador e porque falhou duas ocasiões, para embirrar um bocadinho.

E isto passa, como saberá muito bem. Portanto, quando voltar a marcar um golo faça-nos o favor de o celebrar condignamente. Lembre-se de nós, os que por cá estamos a vê-lo através da televisão, à espera dos seus golos que, patrioticamente, também são um bocadinho nossos. E isso dá alento à malta.

E não se zangue com os madrilistas. A questão é de somenos. No entanto, se persistir nessa sua birra ainda se arrisca a ter ouvir o Santiago Bernabéu em coro a chamar pelo Messi. E isso é que seria uma grande chatice. E chatices, já temos nós e muitas.


MAS quem terá sido o Cézanne de Alvalade? Aquela conceção efémera da Natureza, tão ao gosto da escola impressionista, não foi, o entanto, explicada pelos seus autores. Está mal.

É que nem uma palavra sobre a obra plástica, conforme se podia ler na segunda-feira neste jornal. «Relva pintada sem explicações», «leões não divulgam o motivo pelo qual decidiram ornamentar o tapete verde», « a directora de comunicação do Sporting escusou-se a revelar qual o motivo da pintura». Está-se literalmente nas tintas o Sporting para a curiosidade pública nesta matéria.

Numa semana em que milhões de ingénuos viram desvendados os dois segredos estruturais mais mal guardados da nossa sociedade - quem manda nisto tudo, política e futebol, imagine-se, é a Maçonaria e a Olivedesportos! -, ficou lamentavelmente por desvendar o terceiro segredo. O da tinta em Alvalade.

E houve também prejuízo para o FC Porto. O defesa-central Otamendi, por exemplo, de tão esverdeado que estava, convenceu-se a determinada altura do jogo de que era jogador do Sporting e doí vê-lo na área dos donos da casa a oferecer o corpo à bola, com galhardia, impedindo assim o golo mais do que certo de James.

E se o importante era impressionar positivamente os visitantes e o país inteiro com a efémera verdura impressionista do seu relvado, nem assim o Sporting conseguiu fazer valer a noite porque cedo a obra desbotou. E tal não devia acontecer. Ficou o quadro estragado porque transformar uma natureza-morta numa natureza-viva e verdejante que se volta a transformar numa natureza-morta é, de facto, muita areia, areia a mais para qualquer camioneta.

Ainda bem que o sistema de rega não disparou acidentalmente durante o jogo. Por estar ligada, certamente, a uma central de diluente, a rega em Alvalade poderia causar danos aos que estavam em campo. E se a ideia era diluir o FC Porto, também não houve oportunidade para testar a experiência.

Refira-se, em abono da verdade, que esta ideia de pintar a desfavorecida Natureza em prol das aparências não é nova. Na Roménia, no tempo de Ceasescu, fosse qual fosse a estação do ano, era costume pintar de verde tudo o que estivesse a descambar para o amarelado, campos, prados, relvados, e isto para impressionar positivamente os Estadistas estrangeiros que visitassem o país.

Impressionar, impressionismo, está visto.

Mas digam lá, a sério, quem foi o Cézanne de Alvalade?


O futebol pode ser visto de muitas maneiras diferentes. E há quem garanta, em Alvalade, que os árbitros até quando beneficiam o Sporting é com o único intuito de o prejudicar. Como? Isso mesmo.

Veja-se como Pedro Proença ao perdoar a expulsão a Polga no jogo com o FC Porto acabou por prejudicar o Sporting no jogo seguinte, o de ontem, com o Nacional a contar para a Taça.

Com Polga sem castigo em campo, foi o próprio Polga quem lançou os madeirenses para o segundo golo depois de uma falha infantil que os sócios do Sporting levaram o resto do jogo a recordar, como se ouvia sempre que o brasileiro tocava na bola.

Se Proença tivesse expulso Polga nada disto tinha acontecido.

Ontem, Paulo Baptista perdoou a Onyewu a expulsão quando o Nacional jogava já com dez e o Sporting conseguiu o empate no cair do pano. Assim sendo, Onyewu vai estar em campo no próximo jogo. Vamos lá ver o que vai acontecer ao americano."


Leonor Pinhão, in A Bola

Djaniny... destabilizar!!!

É oficial o jovem cabo-verdiano Djaniny vai ser jogador do Benfica na próxima época. Um jogador com talento, com alguma ingenuidade, mas com muito potencial. Espero que tenha a oportunidade na primeira equipa do Benfica... Sinceramente penso que não é jogador para equipa B, isso seria um passo atrás na evolução do jogador, se não ficar no plantel, creio que o empréstimo a outra equipa da 1ª divisão será o mais natural... Toda a destabilização tentada nas últimas semanas teve duas origens:
Criar 'casos' nos jogos do Benfica, tal como o famoso jogo do Estoril no Algarve por exemplo... o que por um lado até é um bom indicador, porque é sinal que o Benfica está à frente e os nossos adversários estão com medo; como o Benfica se adiantou aos adversários, houve uma última tentativa por parte dos nossos concorrentes em boicotar a contratação, oferecendo mais dinheiro aos comissionistas... que desta vez parece que ficaram a ver navios!!!

As acusações por parte dos Corruptos e dos respectivos Submissos, a esta contratação do Benfica, são absolutamente hipócritas e ridículas. O Djaniny foi somente o melhor jogador do Leiria no jogo contra o Benfica, não jogou minimamente condicionado, bem pelo contrário... A atitude do Benfica neste negócio foi exemplar... Foi negociado, foi contratado, e foi anunciado.

PS: Nelson Semedo (18 anos) e Manuel Liz (22 anos) também foram contratados pelo Benfica ao Sintrense. Nestes casos parece-me claramente duas contratações para a futura equipa B...

Coerências e incoerências

"No desporto em geral e no futebol em particular, há uma regra consuetudinária: na incoerência, sê o mais coerente possível.

O curioso (mais estranho) é que haja quem queira ser o contrário: na aparência da coerência, acabar por ser da mais infeliz incoerência.

Hoje critica-se o árbitro por uma penalidade mal assinalada. Amanhã, se a favor da equipa apoiada, o silêncio é ensurdecedor. Hoje fala-se asperamente de um fora-de-jogo errado. Amanhã, a mesmíssima jogada é julgada com bonomia e compreensão. Hoje, com a equipa a ganhar, quatro minutos de tempo extra são uma eternidade inusitada. Amanhã com a equipa a perder, os tais quatro minutos adicionais são uma escassez manipulada pelo árbitro. Hoje o jogador é o mais violento de todos. Amanhã, se estiver na equipa que se apoia, já é u tecnicista por excelência ou um diamante quase polido. Hoje a mão foi na bola. Amanhã é a bola que vai ser na mão. E vice-versa. Hoje é uma falta para vermelho. Amanhã a mesma infracção é amistosa e nem amarelo justifica. Hoje a arbitragem foi calabótica. Amanhã, com os mesmos erros, passa a humana e pedagógica. Hoje dizer que uma tal caixa de segurança no estádio de um adversário foi aprovada pela FPF e UEFA é irrelevante e não absolve o clube. Amanhã dizer-se que estas entidades aprovaram(?) o décor de uma passagem para os balneários é respeitável justificação de sentença com trânsito em julgado.

O que me custa ver é pessoas inteligentes a levarem-se a sério nesta incoerência de falsa e puritana coerência. Prefiro quem não se leva tanto a sério (e se divirta até) na coerência da incoerência...

..."


Bagão Félix, in A Bola

Ecos e silêncios

"Ganhámos e praticamos, neste Portugal cheio de temores e reverências, mais carregado de oportunistas do que de oportunidades, uma mania cobarde: quando alguma conversa, algumas ideias ou revelações nos desagradam e podem agitar as águas podres e paradas em que tantos sectores se deixaram mergulhar, em vez de partirmos para a discussão e para a investigação, preferimos simplesmente matar o mensageiro. Tem passado? Ataca-se por aí. Tem interesses? Faz-se disso o alvo. Foi agente no sector que agora questiona? Denuncia-se o seu caráter de “arrependido”. Está aparentemente isolado e longe dos centros do poder corrente? Torna-se mais fácil mastigá-lo, digeri-lo e esquecê-lo.

O resultado é quase sempre semelhante: aumenta-se a lista das vítimas e nem se passa à abordagem dos assuntos. Acontece na política, na economia, nas questões sociais. Mas, com o devido respeito pelos justos e interessados (conheço muitos, felizmente) e lamentando que se possa resvalar para uma generalização descabida, acontece muito mais no terreno do Desporto.

Vem tudo isto a propósito da contundente entrevista que António Oliveira deu no sábado passado, à RTPi, num programa conduzido por Hugo Gilberto e no qual tive a sorte de estar presente. Confesso que nunca, em mais de trinta anos de profissão, tinha visto alguém disponível para distribuir os nomes pelas histórias, alguém aberto a expor e a defender os seus raciocínios (sabendo ainda por cima que se expunha), alguém que não se perdesse em recados cifrados e em episódios enigmáticos. Quem ouviu António Oliveira falar da Olivedesportos – que fundou – como o FMI dos clubes portugueses de futebol, quem o viu reconhecer, em prejuízo do orgulho e dos méritos, que só tinha sido selecionador por causa da referida empresa, quem constatou a sua convicção de que presidentes da Federação e da Liga não passam de homens de mão de um poder muito mais real e concreto, não consegue ficar indiferente.

No mínimo, mesmo que desconfie do alcance ou da intensidade das suas declarações, só pode desejar que as mesmas se tornem objeto de posteriores clarificações. Também por isso é confrangedor – e muito significativo – que, na sequência dessa entrevista, tenham agido os voluntários do costume, mas que sobre ela se abatam meia dúzia de ecos aflitos e um mar de ensurdecedores silêncios, que deixam no ar um desagradável odor de compromissos, de dependências e de tráfico de influências que também mereciam ser exibidos à luz do dia. Tenho pena que se perca uma oportunidade como esta de pegar nas declarações viscerais de António Oliveira e perceber onde e como elas se cruzam com a intrincada verdade. Mas já percebi que ainda não é desta que lá vamos."


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

De avental

Com a decadente classe política em pânico pelas revelações do tráfico de influências no seio de ridículas organizações secretas, a confirmação da importância do lóbi que controla o futebol há mais de 20 anos, pela voz de um dos protagonistas, foi apenas uma coincidência. Os portugueses há muito se habituaram aos critérios de seleção, promoção e apadrinhamento, num país que inventou o provérbio secular de que mais vale cair em graça do que ser engraçado.

António Oliveira não fez qualquer revelação, apesar do espanto de algumas virgens. Limitou-se a confirmar com 20 anos de atraso o que alguns denunciaram insistentemente no tempo devido, em particular neste jornal, malhando a sua coragem em indignos processos judiciais em que figuraram como réus da defesa da verdade.

Dirigentes, treinadores, jogadores e, até, jornalistas convivem há muito com a espiral de dependência que sustenta o sistema – o famoso nome próprio desta extraordinária família. Ser escolhido ou sentir a injustiça do ostracismo, estar na berra ou passar à marginalidade são as consequências evidentes do “modus operandi” a que se referiu o ex-devoto do S. Martinho de Penafiel.

Sob o lema “quem não está por nós é contra nós”, este poder avassalador da indústria da comunicação e do espetáculo futebolístico em nada diferiria do jogo de cadeiras de uma loja maçónica, se os aspirantes também usassem um aventalzinho bordado. Mas quando alguém procura resposta para determinados enigmas, carreiras fulgurantes, sucessos improváveis, milagres de competência, não é difícil descobrir de quem é a mão que segura a ponta da meada.

Noutro contexto e uns bons milhões de euros antes da epifania de sábado à noite, tinha a mesma figura reclamado ao país uma estátua para aquele santo, pela capacidade benemerente de manter vivos vários clubes moribundos que só chegaram ao século 21 porque os direitos de televisão lhes foram generosamente pagos antecipadamente, em troca de participações e controlo societário, desafiando os preceitos da FIFA e do Fair Play.

Tudo isto é conhecido há anos e historiado nos momentos oportunos, mas apenas resultou no afastamento de muita gente de bem do associativismo desportivo, a que António Oliveira agora se junta de baraço ao pescoço. Desse tempo de denúncias improfícuas e batalhas quixotescas subsistiu a crença popular numa “máfia” virtual que está sempre por detrás das derrotas, mas à qual também muitos se comprazem em vangloriar os poderes quando os resultados são positivos.

Colocar um irmão a selecionador nacional ou um amigo a ministro é privilégio de poder, eventualmente abusador da coisa pública e do interesse social, mas não é crime. Criminoso é tirar da boca, da própria e dos filhos, para comprar a ilusão efémera de uma vitória limpa sobre a relva. Criminoso é assistir impávido e resignado ao tráfico de benesses entre a casta dos eleitos. E concluir que não há nada a fazer: com avental à cinta ou charuto nas beiças, este país e este futebol não precisam que lhes digam quem são os donos."


Azeite a ferver

"Os fantasmas que António Oliveira lançou para a arena mediática são graves e merecem ser investigados. Jornalisticamente e talvez judicialmente. Mas o que me move aqui hoje é a essência para lá da substância: irmão ataca irmão quando o sente mais fraco física e negocialmente. Dói.

Se Joaquim Oliveira cerziu a teia que António agora denuncia, este António foi coautor e dos que mais beneficiaram dela. Se os primeiros investimentos vieram do que ganhava como jogador, depois, durante décadas, António viveu do que a teia caçou, enquanto técnico de futebol e sócio.

Quando, no início da década passada, os irmãos se separaram, António recebeu o que acertaram justo. E terá investido onde e como entendeu. Desde então guardou silêncio, que agora quebra em trovoada bíblica.

A Joaquim Oliveira nunca ouvi uma palavra depreciativa sobre o irmão mais novo. Profusamente testemunhei a amargura de Joaquim pelo afastamento afetivo de António, para que ia encontrando desculpas de circunstância.

Na ressaca do Mundial de 2002, quando procurei aprofundar as causas da vergonhosa campanha, encontrei em Joaquim um feroz defensor do irmão enquanto selecionador.

Claro que o monopólio de Joaquim Oliveira não é saudável para o futebol português. Claro que este monopólio dá a Joaquim poderes fácticos, que poderão ir muito para além das denúncias do seu irmão: se Joaquim Oliveira decide mesmo quem é quem na FPF e Liga; logo, poderá decidir carreiras de árbitros, jogos e o desenrolar de campeonatos.

Porém, Joaquim Oliveira é mais um negociador do que um ditador. Pode não ter atribuições para patrão de media, o trajeto do seu grupo de jornais para tal aponta, mas não merece ser credor de tanto ódio fraternal vindo de António. Irmão que deixou financeiramente confortável num amargo virar de página."


Por falar de 2012

"Mesmo sem fazer referências às profecias catastrofistas que apontam todas as desgraças para o final de 2012, é importante que não se perca de vista esta verdade: o ano que começou não podia assentar em previsões mais sombrias e em tão angustiantes incertezas. As coisas são como são e não vale a pena tentar dourar a pílula.

Perante um cenário como este, costuma haver dois tipos de atitudes: a dos pessimistas, que acrescentam sempre sombras às sombras e medos aos medos, e a do optimistas incuráveis que teimam em acreditar que os outros são uns exagerados e que tudo irá correr muito melhor do que se espera. Nesta como noutras áreas da vida humana, não tenho dúvidas de que a virtude é no meio que deve ser encontrada.

Seja como for, embalados nos ciclos tantas vezes inexplicáveis da moda, talvez se possa pedir aos 'chefs' cozinheiros que actualmente infestam o nosso espaço mediático que ajudem a 'cozinhar' algumas soluções e saídas para esta tremenda encruzilhada, já que os economistas falharam rotundamente e os comentadores, grandes especialistas em generalidades, ainda mais. Restam-nos, pois os 'chefs', nas suas batas imaculadamente brancas para, paradoxalmente, gerirem os nossos apetites num tempo de vacas magras, o que significa que as soluções terão de passar em grande parte pelo modelo da 'nouvelle cuisine', que se obstina em encher os olhos com aquilo que não chega nem para encher um terço do estômago. Mas modas são modas e por alguma razão elas pegam de estaca, com a gulosa ajuda dos 'media'.

Por falar de modas, e deixando de lado a das tatuagens (cada um vai cartografando o que muito bem entende, e o pior é que depois não tem borracha para apagar!), convém que não se abuse da que leva a falar do valor das 'compras' e 'vendas' de jogadores com tantos zeros que até a 'troika' deve sentir vertigens. É que a realidade é uma coisa e sua ostentação outra bem pior. E há números que até se tornam obscenos e podem virar o feitiço contra o feiticeiro."


José Jorge Letria, in O Benfica