Últimas indefectivações

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

A prova rainha

"O que valeu no jogo de sexta-feita, para além do colinho dos adeptos, foi a raça e a vontade, a fé e a alma «até Almeida»

1. Esta jornada teve na passada sexta-feira três jogos antecipados em razão da realização entre terça e quinta-feira próximas dos quartos-de-final da Taça de Portugal. Benfica, Futebol Clube do Porto, Rio Ave, Varzim e Académico de Viseu jogaram na sexta. Os outros apurados, Famalicão, Paços de Ferreira e Canelas 2010, também irão lutar por uma presença emblemática e empolgante nas meias-finais desta prova rainha do futebol português. Mas na sexta-feira Benfica e Futebol Clube do Porto sofreram para ultrapassarem os seus adversários. O Benfica, rematando muito, só suspirou de alívio nos instantes finais com um remate vitorioso do André Almeida. O Desportivo das Aves, bem organizado e sob a liderança de um treinador sabedor e motivador, mostrou qualidade e evidenciou que tem muitos pontos a conquistar. E o Benfica sentiu dificuldades e até algumas debilidades que importa corrigir. O Benfica, este Benfica de Bruno Lage, sabe que cada jogo é uma final. Que cada adversário, e os respectivos jogadores, merecem respeito e cada um deles tem qualidades que os levaram a estar na principal competição do futebol português. Mas o que valeu no jogo de sexta-feira, para além do colinho dos adeptos, foi a raça e a vontade, a fé e a alma «até Almeida»! Não houve nota artística e houve rotação de jogadores tendo em conta estes dois meses bem difíceis - mas muito estimulantes - que vamos viver. Para já, e de novo numa sexta-feira, teremos um Sporting - Benfica em Alvalade. Com a consciência que é mais um derby, mais uma final e mais uma partida que tem de ser encarada com todo o cuidado e com a certeza que o Sporting tem talento valores individuais que são capazes de instantes de sublime talento. Como na sexta-feira aquele extraordinário momento iraniano - de Mohammadi - e os múltiplos instantes do guarda-redes Beunardeau que, respectivamente, «gelou a Luz» e «perturbaram a Catedral». Agora na próxima terça-feira será o Rio Ave. Não sabemos se ainda sob a astuta liderança de Carlos Carvalhal. Também ele seduzido por esta nova descoberta do Brasil impulsionada pela extraordinária façanha de Jorge Jesus. Que mostra que há homens que, pela sua excelência, ajudam, e muito, a engrandecer o nome de Portugal, e também por isso, merecem ser reconhecidos e homenageados pela República!

2. Já escrevi, em outros momentos nesta coluna que no mesmo berço se nasce e se morre. A nossa terra é a nossa luz e a nossa âncora, a nossa referência e a nossa essência, o nosso refúgio e a nossa memória. Viseu, minha cidade natal, terra de Viriato e de D. Duarte, do Bispo Alves Martins e de Almeida Moreira, de Carlos Lopes e de João Félix, entre tantos e tantas outras, vai assistir na noite da próxima quinta-feira aos quartos-de-final da Taça de Portugal. O Académico disputará, no bonito estádio do Fontelo, o acesso às meias-finais com o Canelas. Será um jogo renhido e em que a transmissão televisiva decerto levará todos os intervenientes a momentos de superação e as instantes de talento futebolístico. Permitam-me que a minha memória regresse a 1979, ou seja, há quase quarenta e um anos. Nesse ano o Académico disputava o campeonato da I Divisão - ficou em último lugar! - e chegou aos quartos-de-final da Taça e defrontou o Sporting de Braga que, aliás, eliminara o Benfica nos dezasseis avos por duas bolas a uma. No mesmo Estádio do Fontelo o Braga venceu por dois a zero um Académico que nem tinha Direcção nem treinador! Na verdade o Académico vivia tempos bem complexos, naquilo que um grande jornalista de Viseu - Fernando Abreu - identificou como «completamente ao Deus dará». Mas o que sei é que a massa associativa estava e esteve com a equipa, apoiou-a a estimulou-a até que Chico Gordo aos 66 minutos marcou o segundo golo do Braga e sentenciou o jogo. Recordo, num misto de saudade e de alegria, jogadores do Académico coo Vinagre ou Penteado, Basto ou Ranhão, Pedro Paulo ou Orivaldo, Chico Santos ou Albasini, Vaz ou Teixirinha, Lemos ou Alberto. E jogadores do Sporting de Braga com Conhé ou Quinito, João Cardoso ou Nelinho, José Artur ou Paulo Rocha, entre outros. Agora com Direcção - António Albino, entrou outros, como António Gomes ou José Monteiro - e treinador - Força Rui Borges! - o Académico pode fazer história. Pode chegar, respeitando o seu adversário, às meias-finais desta prova rainha do futebol português. A cidade de Viseu decerto estará com a equipa na próxima quinta-feira. Mesmo que esteja frio - ou chova! - Viseu ambiciona voltar a estar no topo do futebol português. E este interior que resiste e sonha, esta cidade que tem história e tem muita memória, que viu nascer um Rei - D. Duarte - e que quer ver o seu principal clube em mais um determinante degrau da prova rainha do futebol português. Força Académico.

3. O andebol português entrou em grande no Europeu de 2020. Que de forma inédita tem 24 equipas e em que a selecção vencedora conquista o passaporte para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Portugal ganhou, com raça e mérito, no seu primeiro jogo a uma das grandes selecções da modalidade, a França. Que só é tricampeã europeia, penta campeã mundial e bicampeã olímpica! Hoje defronta a Bósnia e se vencer torna-se uma das surpresas nesta primeira fase do Europeu que a Noruega -que defrontaremos no dia 14 - organiza. O que importa é realçar esta vitória, o trabalho da Federação, a liderança de Paulo Pereira e a qualidade indiscutível de jogadores que jogam, na sua grande maioria, nos grandes clubes do andebol português. Mas com jogadores a marcarem presença em grandes marcas da Europa, seja em França ou na Suíça. O andebol português após um período vitorioso entre 1994 e 2006 regressa, com realce, aos grandes palcos da modalidade e tem feito ressaltar e realçar, e bem alto, o nome de Portugal. Tal como aconteceu, ao nível de relevante organização, com o Europeu de 1994 e o Mundial de 2003 que acompanhámos, aliás, bem de perto em razão de responsabilidades desportivas que, no momento, assumíamos. Agora com alguns jogadores naturalizados - como os três nascidos em Cuba - e depois desta estimulante vitória, podemos ser uma das duas selecções apuradas,e, logo, fazer história.

4. Deixo a nota de um livro que vale a pena lei. Sei bem que em língua inglesa mas ajuda a perceber a indústria do futebol de hoje. Aqui fica a capa (The Billionaires Club - the unstoppable rise of football's super-rich owners). O título é sugestivo. O conteúdo bem interessante. E ficamos a saber mais. O que é bem importante nestes tempos e nestas concretas circunstâncias. Ler mais é saber mais!"

Fernando Seara, in A Bola

En mode Bistrot 🅱️ - les dialogues de comptoir.

"Épisode 2
Parité oblige, on se retrouve cette fois-ci avec Claudia alias « viciada pelo Benfica » sur Twitter. On s’est connu comme ça par hasard en parlant de stickers, je lui ai proposé de nous rencontrer pour parler de sa passion n1, le SLB !
Bistrot 🅱️: Hello Claudia ! Comment ça va ?
Viciada pelo Benfica : Bien merci !
Bistrot 🅱️ : victoire difficile ce soir 2-1 contre le dernier …
Viciada pelo Benfica : oui en effet comme je dis dès que l’on joue les équipes du bas de tableau, j’ai l’impression que Benfica perd son jeu. En tout cas le match de Guimaraes a déjà été plutôt compliqué et ce match contre Aves m’a fait souffrir mais les 3 points sont là !
Bistrot 🅱️ : Présente toi à nous !
Viciada pelo Benfica : Claudia , 18 ans, sócia n224989 , je vis à Alfortville et au Portugal je suis de Arcos de Valdevez.
Bistrot 🅱️ : et ton joueur préféré ?
Viciada pelo Benfica : Pizzi vraiment je l’adore. Toutes générations confondues je n’oublies pas Eusébio bien sur.
Bistrot 🅱️ : ok ok , et ton premier match à la Luz ?
Viciada pelo Benfica : Août 2018, le derby de Lisbonne contre sporting 1-1 but de Joao Félix.
Bistrot 🅱️ : Ah uai c’est plutôt récent. Du coup la passion Benfica ça remonte à quand ?
Viciada pelo Benfica : Je dirais, ça a fait son chemin depuis mon adolescence … j’ai plutôt suivi l’influence de mon père lui aussi benfiquista même si au départ ce fut difficile …
Bistrot 🅱️ : Ah oui et pourquoi ?
Viciada pelo Benfica : ma mère et mon frère supportent Porto ainsi que la majorité de ma famille, du coup, étant enfant on a plutôt essayé de me faire pencher vers les bleus mais c’est difficile à expliquer car mon cœur avait comme déjà fait son choix, et à mes 13-14 ans j’ai vraiment commencé à assumer ouvertement ma passion démesurée pour o Glorioso ! Dès que j’ai réussi à avoir une certaine autonomie financière je me suis faite sócia.
Bistrot 🅱️ : Carrément difficile d’assumer sa passion quand « l’ennemi » est présent dans son entourage le plus proche (rires) ?
Viciada pelo Benfica : non pas vraiment, l’ambiance est plutôt raisonnable lors des matchs, j’ai un papa plutôt tranquille même s’il exige beaucoup de nôtre équipe, moi pour ma part j’ai toujours aimé voir le football et le bon football en général, du coup je reste assez pragmatique dans mes analyses et les faits de matchs. Ma mère peut parfois me charrier et se sert de Benfica pour me confronter aux exigences du quotidien. En résumé tout le monde respecte ma passion à la maison et j’arrive à suivre Benfica sans trop de difficultés.
Bistrot 🅱️ : Du coup ton premier match à la Luz tu as géré ça comment ?
Viciada pelo Benfica : j’ai tout organisé, réservations d’hôtels ( et pas n’importe lequel puisque j’étais bien en face du stade dans cet hôtel au rooftop légendaire avec piscine, je ne me suis pas lassée de la vue), achats des billets et toute la famille m’a suivie pour ce first game à la maison dans mon stade ! Un derby c’est plutôt pas mal comme premier match n’est-ce pas ?
Bistrot 🅱️ : j’avoue il y a pire ! Je comprends bien que vu ton âge et la distance, il est plutôt difficile de suivre le Benfica dans les stades ?
Viciada pelo Benfica : En effet oui, mais je ne vis pas cela comme une frustration bien au contraire ! On ne doit pas précipiter les choses, je vis ma passion pleinement malgré tout. J’aurai très certainement plein d’autres occasions à l’avenir !
Bistrot 🅱️ : Oui en effet ! Du coup je voulais aborder avec toi le match de la journée 17 (même si on joue en coupe ce mardi) , ton onze pour le derby ?
Viciada pelo Benfica : Ody,André Almeida, Ruben et Ferro,grimaldo, adel, Gabriel,Pizzi et cervi, chiquinho et Vini !
Bistrot 🅱️ : Et le mercato ? Tu suis un peu ?
Viciada pelo Benfica : totalement ! Je pense qu’il nous manque un attaquant. Seferovic est le joueur « moins » pour moi et je trouve que Samaris devrait avoir une place plus importante dans le groupe! 
Bistrot 🅱️ : Merci pour cet échange avec Bistrot Benfica ! On se croise bientôt dans les stades? (rires)
Viciada pelo Benfica : Avec plaisir !"

Fala-se muito de arbitragens

"Nas últimas semanas o espaço mediático dedicado ao desporto encheu-se de críticas aos árbitros. Nada de novo. Mas às vezes as palavras são tantas e tão recorrentes que enjoam.
Houve tweets, comunicados, newsletters e editoriais, houve Benfica, FC Porto e Rio Ave, houve até – meu Deus!! – Pinto da Costa a condenar as arbitragens de outros. 
O barulho tornou-se ensurdecedor.
Quem segue o futebol português, acabou por ser habituar a isto. O que é mau. Não se pode pactuar com este tipo de discurso, que intoxica, menospreza e polui o futebol português.
Antes de mais, o que os dirigentes nos estão a passar é que é possível pressionar os árbitros. Faz parte da estratégia deles há anos: contratar um treinador, formar um plantel, pressionar os árbitros.
A determinada altura da época, e sem precisarem de razões para isso, lá vêm eles queixar-se dos árbitros e fazer barulho: importante é não ficar calado porque isso, imaginam, é dar um tiro no pé. 
Pelo caminho, carregam o jogo de negatividade e cinzentismo. O futebol português não é um local divertido. E não o é por isso, porque há sempre mais uma acusação, uma suspeita, uma ameaça. 
Todas as semanas vemos erros de árbitros por toda a Europa, inclusivamente em todos os grandes campeonatos, mas só aqui é que por detrás de um erro de arbitragem há uma suspeita de corrupção.
E porque é que isso acontece? Por um razão: porque o futebol português está entregue a péssimos dirigentes. Pessoas sem formação, sem espírito desportivo e, pior que tudo, sem visão estratégica.
Há anos que é assim e, pela amostra, não vai mudar tão cedo. Vai ser necessário esperar por uma ou duas gerações para ambicionar ter uma classe dirigente que nos possa orgulhar e satisfazer.
Até lá, o jogo vai definhando, neste tom pardacento. Porque continua entregue a gente que não lhe quer bem: gente que tomou o futebol de assalto e que legisla em benefício próprio na Liga de Clubes.  
PS: Tudo isto seria evitável se a Federação quisesse: basicamente a Liga de Clubes, hoje, não serve para nada. Não serve o futebol. No máximo deveria serve para tratar da parte do negócio: patrocínios, publicidade, parcerias. Tudo o resto está lá a mais. Impõe-se, por isso, uma revolução. Ontem já é tarde."

A Manta de Nuno que nos devia aquecer a todos

"Tenho 33 anos de vida e quase 12 de jornalismo. Contam-se pelos dedos de uma mão as fotografias que pedi para tirar com protagonistas da bola. Antes e depois de ser jornalista. Um desses dedos foi contado com Nuno Manta Santos, em Santa Maria da Feira, há coisa de três anos. Já era noite e o homem saía do Marcolino de Castro depois de um jogo do Feirense. Não resisti. Pedi-lhe, e ele aceitou.
Aquilo que Nuno Manta Santos fez na sexta-feira, na sala de imprensa do estádio da Luz, é genuíno. Porque conheço o país e a forma sui generis (para ser simpático) como tantas vezes se vê o mal onde ele não está, quero esclarecer isto. O treinador do Desportivo das Aves não cumprimentou os jornalistas, um a um, porque sabia que estava num palco maior, que talvez lhe desse a visibilidade que acabou por ter.
Não. Nuno Manta Santos cumprimentou os jornalistas, no final do jogo, porque sempre o fez, pelo menos desde que eu o sigo profissionalmente. Nuno Manta Santos não disse, e passo a citá-lo: «Mesmo perdendo, não vale a pena vir para aqui irritado e descarregar. Não muda nada», com uma agenda escondida, porque tinha acabado de perder de forma inglória frente ao campeão nacional. 
Não. Nuno Manta Santos disse aquilo porque é assim que ele é. Cordial, respeitoso, elevado e profundamente genuíno. Aquilo que fez na sexta-feira já o tinha feito longe dos “holofotes” do estádio da Luz. Já me tinha cumprimentado, e a todos os meus colegas, na sala de imprensa do Marcolino de Castro depois desse Feirense x Nacional, algures em 2017. Na altura não o aplaudimos, mas devíamos.
Marcou-me. Simpatizei de imediato com o homem, muito para lá do treinador. Nuno Manta Santos fez – e tem feito – o seu caminho. De altos e baixos, de elogios e críticas, de promoções e despedimentos. Já teve dias em que a frustração lhe devia estar atravessada na garganta. Mas ao contrário de tantos outros, nunca se deixou dominar por esses sentimentos. E é isso que me cai bem. A coerência e a retidão, independentemente das circunstâncias.
Gostava de ver mais como ele. Gostava mesmo. Num país e num futebol em que passamos o tempo aos gritos, quase sempre histéricos e sem ponta por onde se lhe pegar, o equilíbrio e o lado humanista de Nuno Manta Santos são virtudes que não podem passar pelos pingos da chuva. Foi aplaudido, e muito bem."

Jogar ou não jogar: eis a excepção

"Primeiro é bom que gostem deste artigo.
O trabalho que deu escolher este título vale esforço e compreensão extra.
É o assunto do dia.
Não tinha como não escrever sobre ele.
E tenho amigos dos dois lados, logo estou completamente à vontade como em qualquer outro assunto. 
Os jogadores do Vitória estão doentes.
É real.
Eu a início também duvidei.
Mas é verdade verdadeira.
E quando digo doentes é de cama com febre e dores no corpo.
Não treinaram e muitos deles enquanto eu escrevo estão a tomar o primeiro medicamento da manhã. 
O Vitória para salvaguardar os seus interesses pediu o adiamento do jogo.
Já repararam que em momento algum escrevi Setúbal?
É que já chateia malta que vive disto chamar Setúbal ao Vitória.
Guimarães ao Vitória.
E Belenenses ao B-SAD.
Se nós nem sabemos os nomes das coisas como podemos escrever sobre elas?
Calma, dispersei, mas já vou voltar ao assunto.
Então o Sporting não aceitou nova data para o jogo e treinou normalmente.
Jogando assim contra uma equipa debilitada.
Tive o cuidado de ver a equipa mais utilizada do Vitória (viram? Voltei a não dizer Setúbal, é fácil e não dói nada) e não jogaram oito ou nove elementos.
E como sei que vocês são chatos e depois chamam-me nomes.
Tipo estes.
Makaridze, Sílvio, Artur Jorge, Jubal, Nuno Pinto, Semedo, Nuno Valente, Ghilas...
Parece-me óbvio que o espectáculo sai fragilizado.
Que o jogo é desvirtuado.
E acima de tudo.
Não se defendem aqueles que são os principais artistas do espectáculo.
Os Jogadores.
Agora a posição do Sporting.
Pouca gente falou da real razão para o Sporting não aceitar jogar noutra altura.
Mas eu falo.
Parece-me óbvia.
Então o Sporting ia jogar contra o Benfica em Alvalade sem ritmo competitivo?!
Com 15 dias de inactividade.
Depois de jogar contra outro rival em Alvalade vindo de Férias Natalícias.
Então isto está bom para os lados do Leão para facilitar.
Obviamente que não.
Mas mais.
O Sporting até disfarçou esta situação.
E aceitava jogar noutra data.
Mas nunca a mesma que o Vitória quisesse.
Percebem?
Ia dar ao mesmo.
E chegamos ao centro da questão.
Quem tem que adiar o jogo é a Liga.
Quem tem que enviar um médico externo para analisar e avaliar a situação é a Liga.
E quem tem que defender os jogadores é a Liga.
Agora, o famoso ataque a Alcochete.
Acontece na semana antes da final da Taça.
O Sporting viveu o seu dia mais negro.
Os seus jogadores viveram momentos de terror.
Temeram pela sua vida.
E parecendo que não.
Pessoalmente, prefiro uma gripe do que levar com um bastão nos cornos.
Esses jogadores tinham muito menos condições de pisar o Jamor.
Que os de ontem que estavam em estado febril.
Mas foram.
E jogaram muito mais limitados.
Perderam e foram humilhados.
Mais um jogo desvirtuado e mais uma competição sem honra.
E mais uma vez.
Não era o Sporting que tinha que adiar.
Nem o Aves que tinha que aceitar outra data.
Era, neste caso, a Federação que tinha que perceber que o jogo não se podia realizar.
Existem organismos que tutelam e organizam as competições.
São eles que mandam.
São eles que dão as ordens quando ninguém se entende.
E protegem primeiro e sempre os Atletas.
E com isto estão a proteger o espectáculo.
E nós adeptos.
Portanto.
Não são os jogadores do Vitória que estão doentes.
É o Futebol Português."

As novidades e os tolos (sobre o que se pensa a cada chegada de um novo atleta ou de um novo treinador)

"Pode não ser uma grande novidade, mas se ficar pouquíssimo tempo, tudo bem. Até a dor breve é suportável

Sobre a novidade
1. - Acabou de chegar e já é magnífico.
- Isso, sem dúvida.
- Pois.
- O problema é que ao dia de hoje, normalmente, pelas minhas contas, segue-se o dia de amanhã.
- É isso. Sempre foi.
- Sabe o que digo?
- Diga.
 - A novidade e a brevidade muito agradam.
- Sim, o que é novo, o que acabou de chegar é decididamente o mais extraordinário de sempre.
- O problema para a novidade é que existe aquela coisa antiga a que chamamos...
- Tempo?
- Tempo, exactamente.
- E a novidade com o tempo deixa de o ser.
- Pois.
- Se o mundo se suspendesse e uma novidade ficasse novidade para sempre, seria uma maravilha... para a novidade. Para o mundo não, claro.
- Pois sim.
- Todos ficariam para sempre de boca aberta em redor da novidade, fascinados.
- Isso.
- Mas há, então, essa coisa tramada chamada tempo. Que chatice!
- De qualquer maneira, uma novidade não tem sempre a mesma duração.
- É verdade.
- Uma novidade por vezes demora uma ano, por vezes só um mês, outras vezes semanas ou apenas dias.
- E no pior dos casos...
- Sim?
- Em poucas horas, ou minutos, a novidade deixa de o ser e rapidamente entra noutros estados e fases.
- Quais?
- As fases são as seguintes, passo a enumerar.
- Vamos.
- Primeiro, novidade. Dias, semanas ou meses depois, já é familiar, transforma-se em algo que já nos habituamos, e depois, em pouco tempo, fica algo insuportável: aquilo que já não podemos ver à frente.
- É novidade entusiasmante, depois é familiar, depois: já não a posso ver à frente.
- Pobres novidades!
- Sim, pobres novidades que existem no mundo em que existe também o desenrolar do tempo.
- Mas há também a brevidade.
- Outra qualidade dos atletas, dos treinadores ou das coisas em geral. Pode não ser uma grande novidade, mas se ficar pouquíssimo tempo, tudo bem.
- Sim, por exemplo, até a dor breve é suportável.
- Isso.
- Tudo o que é breve é quase adorável.
- Uma visita que vai lá a casa: se for breve, tudo bem.
- A brevidade e a novidade, duas características essenciais para provocar o entusiasmo dos outros.
- Se quer um conselho meu, excelência: seja novidade e seja breve.
- Sê novidade e apressa-te a ir para outro lado.
- Apressa-te, portanto, a ser novidade noutro lado.
- Se circular muito, vossa excelência, será novidade em sítios diferentes. Duas qualidades que, juntas, são indestrutíveis: aparecer de surpresa e ser breve.
- Uma novidade nómada, e não uma novidade sedentária.
- Uma novidade sedentária que não se mexe vai rapidamente aborrecer.
- Pelo contrário, uma novidade com o bicho carpinteiro, que não páre de circular, não vai deixar de surpreender.
- Novidade e brevidade, as duas irmãs que juntas são brilhantes.
- A mais bela dupla.

Sobre os tolos
2. - Nada impõe tanto respeito ao tolo como o silêncio; nada o anima como o responder-lhe.
- Ups.
- Que me tem a dizer a isto?
- Não lhe respondo.
- Isso não se faz.
Silêncio absoluto.
- Está morto ou é mudo. Ou está diante de um tolo.
- Isso mesmo. Diante de um tolo faz-te surdo e mudo.
- Não ouves e não respondes.
- Isso. Estratégia infalível.
- Quando um tolo te dirige a palavra, poderemos dizer: desculpe, poderemos dizer: desculpe, estou morto e, além disso, não consigo falar.
- Resultará? Ele ficará convencido?
- Sim, sempre."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

É o que temos

"O Sporting voltou ontem às vitórias no campeonato, derrotando uma versão C do Vitória, obrigado a entrar em campo com um onze muito (mas mesmo muito) diferente daquele que, há uma semana, entrou de início em Famalicão. Os motivos são conhecidos. Não vale a pena estar, agora, a criticar a atitude do Sporting ao recusar adiar o jogo (sabendo, hoje, que perdeu Coates e, quem sabe, Vietto para o dérbi, se calhar, mais valia ter adiado...) ou a intransigência dos responsáveis sadinos ao negarem que médicos exteriores ao clube comprovassem a virose que impediu o seu plantel de se apresentar nas condições mínimas exigidas. As atitudes ficam, sempre, para quem as pratica. A questão principal é que, numa liga a sério, nunca o encontro do Bonfim se teria iniciado. E se começou a culpa não é dos clubes, mas de quem devia, mas não consegue zelar pelos interesses da competição.
Dizer que o Vitória tem 36 jogadores inscritos é, convenhamos, ridículo. Recorrer, apenas, aos regulamentos - aprovados pelos clubes, convém não esquecer - é, apenas, o lavar de mãos típico de quem não tem coragem de assumir que há situações excepcionais que, por serem-no, deveriam ser tratadas de forma excepcional. O que aconteceu ontem (e nos últimos dias) em Setúbal foi uma vergonha. Ganhou o Sporting mas perdeu, mais uma vez, o futebol português, infectado por um vírus muito mais grave do que aquele que afectou o balneário do Vitória.
Uma palavra para os futebolistas sadinos, a mostrarem, mais uma vez, que o melhor do futebol são, mesmo os jogadores. Quase tudo o resto é aquilo que Julio Velázquez temia que a sua equipa fosse - e que não foi mesmo..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Fragilidades

"O Sporting enfrentou surpreendentes dificuldades no Bonfim, mas lá cumpriu a obrigação mínima de vencer em Setúbal uma equipa muitíssimo debilitada, sem vários dos habituais titulares, em mais um daqueles momentos reveladores das fragilidades de todo o edifício do futebol em Portugal. O Vitória pediu o adiamento do jogo sem apresentar à Liga um único atestado médico que pudesse justificar um adiamento por motivos de "força maior"; o Sporting rejeitou imediatamente a mudança da data, alegando apertos de calendário, mesmo tendo livres os dias das meias-finais da Taça de Portugal; a Liga, ao abrigo do que está nos regulamentos aprovados pelos clubes, pouco mais pôde fazer que não fosse tentar uma solução de consenso. Quando o normal seria que a entidade organizadora da prova pudesse decidir, de forma livre e independente, uma situação como esta. Sem dramas, nem desconfianças.
A ironia suprema é que o Regulamento de Competições prevê multas que podem ultrapassar os 10 mil euros, caso um clube apresente uma equipa "notoriamente inferior" sem motivo justificado; no entanto, nada refere relativamente à possibilidade de um clube apresentar uma equipa "notoriamente inferior" devido a motivos justificados. Vá-se lá entender."

Para o Sporting o 'fair play' é uma treta

"O Sporting tem todo o direito de não querer ser a madre Teresa de Calcutá do futebol português. Só não pode vir dizer que é eticamente diferente...

duas únicas maneiras de encarar a decisão do Sporting, que entendeu não aceitar o compreensível pedido de adiamento do jogo com o Vitória em Setúbal: a maneira legal e a maneira sentimental. A primeira, diz respeito ao cumprimento escrupuloso e integral dos regulamentos, em benefício de objectivos e interesses directos do Sporting; o segundo, diria respeito a uma louvável atitude solidária, parindo da compreensão dos motivos apresentados pelo adversário e provando que, para a actual Direcção do Sporting, ao contrário do que alguns praticam, o fair play não é uma treta.
O Sporting optou pela primeira via. Pode ser criticado, pode sempre dizer-se que Varandas, afinal, é igual a todos os outros, que segue a cartilha de Jesus, que considera que, no futebol profissional, o fair play é uma treta.
Varandas é médico, mas não se impressionou com o relato do seu colega de profissão. Pelo contrário, o Sporting achou que teria o direito de verificar a situação clínica dos jogadores setubalenses ou, numa versão mais popular, achou que podia meter bedelho.
A verdade é que o Sporting, que tem o direito regulamentar de, pura e simplesmente, não ser a madre Teresa de Calcutá do futebol português e não aceitar o adiamento, querendo jogar em condições desportivamente mais favoráveis e objectivamente mais fáceis de lhe permitir a conquista dos três pontos, tem vindo a acumular erros sobre erros na tentativa de justificar o que está justificando pelo seu interesse particular no caso.
O Sporting zela pelos seus interesses. Quer ganhar, e se o adversário tiver de jogar muito debilitado, isso não o impressiona, é o azar da vida. Se ganhar aos juniores, aos suplentes, aos coxos que não acertam na bola, nem de bico, à «equipa de m...» de que pouco simpaticamente falava o treinador vitoriano, tanto faz, vale os mesmos três pontos, como se ganhasse à melhor equipa sadina.
Nos tempos que correm, e, em especial no perturbador ambiente do futebol português, a decisão do Sporting nem sequer tem carácter excepcional. É própria da natureza da selva e o Sporting tem por símbolo o leão.
Não devemos ficar surpreendidos, nem, de repente, sentirmos-nos moralmente intolerantes apontando o dedo a quem coloca os seus interesses particulares acima dos interesses da competição e acima dos valores da solidariedade e do espírito de entreajuda.
Podemos, isso sim, dizer que todas as decisões devem ser assumidas com frontalidade e sem hipocrisias. O Sporting tomou a decisão de não querer adiar o jogo, de não aceitar qualquer solução que o coloque mais longe das melhores condições para o vencer e isso não faz do Sporting um clube detestável, nem faz dos seus gente abominável. O que também não faz é do Sporting um clube diferente de outros, nem oferece aos seus dirigentes o estatuto eticamente diferenciador, que, por vezes, parece querer fazer crer que merece.
Quanto à Liga, devemos admitir, terá feito o possível por ajudar a resolver o problema e será de elogiar que não se tivesse mantido numa versão Pôncio Pilatos e limitar-se a lavrar as mãos do problema. Não foi possível o acordo, porque o que o Sporting exigia era, de facto, muito pouco abonatório da competência dos profissionais de saúde ligados ao Vitória.
Fica para o fim o essencial do problema e do qual raramente alguém se lembra: o interesse do espectador, do cliente do jogo, enfim, da razão básica da existência do futebol. O espectador será o principal lesado por acontecer um jogo sem critério de equidade e o mínimo que se deveria fazer era abrir as portas do estádio e não vender bilhetes.

Dentro da Área
Andebol com vitória histórica
Vitória de Portugal, frente à França, na estreia do Europeu de andebol. Uma vitória histórica do desporto português que merece ser celebrada e percebida na dimensão maior de todo o seu significado. O crescimento do andebol português é absolutamente notável e esta vitória, frente a uma das melhores selecções do mundo, só não encontrará forte entusiasmo nacional porque, infelizmente,o país é desportivamente inculto e, por isso, incapaz de perceber o que este sucesso significa no contexto do desporto nacional e mundial.

(...)"


Vítor Serpa, in A Bola

Síndrome gripal

"Com o plantel dizimado por um surto de gripe, o Vitória de Setúbal solicitou ao Sporting o adiamento do jogo da Liga marcado para amanhã, no Bonfim. E propôs que a partida se realizasse em Fevereiro, na janela dos quartos de final da Taça de Portugal, prova de que os sadinos e leões já foram arredados. Argumentando com a falta de datas, o Sporting estimou as melhoras e recusou a pretensão dos setubalenses, que têm 14 jogadores indisponíveis. A Liga, à falta de regulamentos imperativos, lavou as mãos como Pôncios Pilatos, escusou-se na ausência de consenso entre os clubes e a partida vai realizar-se na data e na hora previstas.
Ainda há duas semanas, em Espanha, um caso semelhante redundou em adiamento do Saragoça-Gijón; mas já depois disso a FPF não impediu que se jogasse o Marítimo B, 2 - Fafe, 1, apesar do surto gripal que afectou os minhotos...
Esta é uma matéria sensível, que deveria ser decidida pelo organizador da competição, no caso vertente a Liga de Clubes, escudado em normas claras. Remeter a questão para a boa vontade de clube saudável, é uma roleta-russa que tem a ver, mais do que com a ética ou mesmo a estética, com a circunstância. E a do Sporting não é a mais serena e tranquila, o clube vive sobre brasas e a margem para, mesmo com um presidente-médico, diagnosticar doenças alheias, é reduzida...

PS - O Tribunal de Primeira Instância recusou a providência cautelar da B-SAD - que pretendia impedir a venda, pelo Belenenses, dos dez por cento de acções que ainda detém naquela sociedade anónima; e decretou que não houve, por parte do Belenenses, litigância de má-fé. Já o Tribunal da Relação confirmou a proibição da B-SAD utilizar marcas, símbolos e sinais distintivos do Belenenses. Belenenses só há um, foi fundado em 1919 e joga no Restelo. E, dizem os tribunais, não deve ser confundido com a B-SAD, que disputa a I Liga."

José Manuel Delgado, in A Bola

Noite de ensinamentos

"Na primeira parte, Aves defendeu o espaço entre linhas de que o Benfica tanto gosta

Paciência sem intensidade
1. Previa-se um jogo de paciência do Benfica. No entanto, paciência sem intensidade sem acções normalmente não resulta. Num onze com quatro alterações, o Benfica entrou no jogo com circulação de bola lenta e sem movimentação no espaço onde a equipa de Bruno Lage costuma ser forte, através das recepções orientadas de Chiquinho ou de Pizzi, entre linhas. Aliado à má entrada do Benfica, houve também mérito na estratégia de Nuno Manta: adaptou Dzwigala a lateral-direito e Banjaqui e Yamga a funções não muito habituais, a fechar os corredores, funcionando Reko como elemento que tanto transformava o Aves em 4x4x2 ou a defender (Reko junto a Mohammadi), como transformava em 4x5x1, assim que o Benfica entrava no seu meio-campo. Ofensivamente estava bem presente o plano, que passava por aproveitar o balanceamento de Grimaldo e, após a recuperação da posse, lançar rápido Mohammadi, que procurava sistematicamente jogar 1x1 no lado de Ferro. Após duas ameaças, a terceira viria a resultar em golo. Gelou o Estádio da Luz! Após o minuto 25  começou a reacção encarnada, embora de forma pouco esclarecida. Mesmo assim, o Benfica criava situações suficientes para evitar a desvantagem - as intervenções de Beunardeau e, em três ocasiões, dos defesas davam vantagem ao Aves, num misto de mérito mas também de uma primeira parte muito amorfa do Benfica.

Weigl e Lage
2. Como seria de esperar, Bruno Lage tinha de mexer no jogo e não esperou para lançar Carlos Vinícius, abdicando de Jota. No entanto, sofreu um susto com a expulsão de André Almeida, que viria a ser anulada pelo VAR mas que poderia ter complicado ainda mais as coisas. Notava-se um Benfica mais dominante e intenso, encostando o Aves às cordas, mas o golo não surgia. Mérito de um Bernardeau simplesmente fenomenal, aliado à falta de pontaria dos encarnados noutras situações. Não aparecia o golo e Bruno Lage voltou a mexer, com a entrada de Cervi de forma a dar mais profundidade, abdicando do reforço Weigl - a estria do internacional alemão não foi brilhante, à semelhança do comportamento da equipa, mas teve apontamentos que confirmam a sua inequívoca qualidade.

Pressão sufocante
3. Se já não estava fácil para o Aves, a partir dessa substituição passou a ficar sufocante a pressão exercida junto à sua baliza. As oportunidades do Benfica sucediam-se e o golo chegaria apenas de penálti, num lance em que Falcão comete falta, apesar de ter Carlos Vinícius completamente controlado. Pizzi não perdoou e permitia ao Benfica ter quinze minutos para confirmar a reviravolta, o que se viria a confirmar aos 89', com Vinícius a assistir André Almeida e a fazer respirar de alívio os adeptos benfiquistas.
Seguramente uma noite para tirar ensinamentos ao Benfica, mas também há que realçar a primeira parte do Aves, pela forma como defendeu o espaço entre linhas de que o Benfica tanto gosta, obrigando quase sempre o líder da Liga a procurar o jogo exterior."

Filipe Martins, in A Bola

Benfica x Desp. Aves - O reerguer do jogador expulso

"O relógio indica-nos as 19 horas. Para muitos, a hora de saída do trabalho, para outros, um período de tempo infinito passado num engarrafamento e para a Liga Portugal, um jogo do Benfica. A Liga, que pede que os estádios portugueses tenham mais adeptos, é a primeira a marcar jogos para horas que pedem aos adeptos para não marcarem presença.
Indo ao que realmente interessa, o campeão Benfica contra o atual lanterna vermelha Desportivo das Aves. Um lanterna vermelha que, apesar de para muitos enterrado, tem vindo a melhorar a olhos vistos o seu futebol desde que os salários em atraso do plantel foram pagos. Do lado do Benfica, os adeptos esperavam o 11 de Guimarães, com a entrada de Weigl para o lugar do suspenso Taarabt. No entanto, visto que o Benfica na próxima semana terá 2 jogos importantíssimos para o desfecho da época, Rio Ave em casa para a Taça e Sporting em Alvalade para o campeonato, Bruno Lage decidiu dar uso à rotatividade disponível e fez alinhar, além do reforço sonante alemão no miolo, André Almeida por Tomás Tavares, Jota no lugar de Cervi e Seferovic na posição de Vinícius.
A Luz estava confiante num duelo ao género de David e Golias, com uma vitória fácil do Benfica, mas nada do que aí vinha estava previsto. O jogo começou com um plano de jogo fácil de identificar de ambas as partes: o Benfica queria marcar cedo e gerir o jogo a seu ritmo de modo a não desgastar a equipa. O Aves, por sua vez, defendia com um bloco baixo e tentava atacar através de contra-ataques, recuperando a bola e fazendo passes de ruptura, maioritariamente pelos pés de Estrela ou de Zidane Banjaqui, ambos com o selo Seixal, sendo que este último fez-nos questionar se era este o filho de Zidane que jogava no Aves. Os adeptos também desenvolveram o seu plano de jogo que consistia em observar Julian Weigl enquanto tentavam pronunciar bem o seu nome.
Aos 20 minutos, numa abordagem falhada de Ferro, o Aves chegou ao golo. O Benfica, até ao intervalo, tentou chegar ao empate mas sem sucesso. A 2ª parte conta-nos uma história diferente. Se por um lado o VAR veio trazer a dita verdade desportiva, por outro veio trazer algumas marcas inéditas. Hoje, por exemplo, trouxe-nos o golo de um jogador expulso, um conceito que até há alguns anos era inexistente. O árbitro Carlos Xistra decidiu mostrar o vermelho directo a André Almeida, deixando por alguns segundos o Benfica com 9 unidades o que tornava a situação ainda mais delicada. A verdade é que se para quem está no estádio a entrada de André Almeida parece muito dura, através das repetições a dúvida muda para se é falta ou não. Parece-me que actualmente os árbitros sentem as costas quentes por causa do VAR e que os isenta de qualquer responsabilidade. É como se pudessem tomar qualquer decisão mesmo que esta não faça sentido pois o VAR pode corrigir. Pondo noutro contexto, é como se um médico fizesse um diagnóstico errado mas este fosse corrigido a posteriori por uma entidade superior que isentasse o médico do erro. É algo inexistente, menos para os árbitros. O árbitro acabou por corrigir a decisão, permitindo à equipa do Benfica voltar a jogar com 10 unidades devido à utilização de Seferovic.
O Benfica foi crescendo, encostando o Aves às cordas e aos 76 minutos acabaria por chegar o inevitável golo do empate. Passe de Grimaldo, que até ao momento fazia uma exibição à Yuri Ribeiro, para a desmarcação de Vinícius que conquistaria assim o penálti. Na conversão, Pizzi empatou. A partir daí, todos sentimos que a vitória não ia escapar, mas, provavelmente nenhum de nós acertou no herói.
Quando Caio se preparava para entrar, a equipa do Benfica decidiu que não ia deixar Bruno Lage cometer o mesmo erro de Leipzig e, numa jogada de insistência, Vinícius domina a bola de costas para a baliza e serve o número 34 do Benfica que no trigésimo-quarto remate caseiro do jogo completaria a reviravolta. André Almeida, o jogador que esteve expulso durante o jogo. Não vale a pena tentar descrever o sentimento que nos correu nas veias no momento do golo. Um golo que, no fundo, todos sabíamos que ia acontecer mesmo sendo a esperança diminuta. Um que golo que provocou a euforia total, tanto no relvado como fora dele. Se nas bancadas 50,760 benfiquistas abraçaram desconhecidos como se fossem amigos de longa data, no relvado Samaris e Weigl juntaram-se a uma equipa feita de garra que nunca desistiu de procurar a vitória. É também importante referir que o Benfica acabou o jogo com 11 jogadores pois Lage fez entrar o grego, que teve de interromper os festejos do golo, para o lugar de Seferovic.
Foi uma vitória muito difícil, um jogo em que a inspiração não esteve particularmente presente, os golos demoraram a aparecer mas a justiça do resultado é inquestionável. Sentiu-se a ausência de Taarabt na equipa, nota-se que é essencial. Mais uma vitória importante para o Benfica em vésperas de derbí em Alvalade em que o objectivo é ganhar.

Notas individuais
Odysseas Vlachodimos - 6
Não teve culpas no golo sofrido, apesar de pequenas hesitações esteve bem.

André Almeida - 7
A exibição não foi das melhores mas também não foi cinzenta. Está a voltar. Inesperadamente decisivo na vitória.

Rúben Dias - 8
O melhor em campo, irrepreensível! Tem evoluído muito este ano, está mais seguro de jogo para jogo. Mesmo assim, podia ter fechado mais o meio no golo sofrido. 

Ferro - 5
Tem culpas no golo sofrido, a abordagem não foi mais correta, fazer contenção seria mais indicado. Ficou afectado com o golo sofrido e teve mais abordagens erradas.

Grimaldo - 5
Não sabe defender. Não esteve de todo inspirado, nem a defender, nem a atacar, onde costuma mostrar um bom nível.

Weigl - 7
Nota-se que ainda não está totalmente entrosado na equipa mas é uma grande mais-valia para o plantel. Muito bom na construção de jogo. Saiu aos 61 minutos mas voltou ao relvado para festejar aos 90.

Gabriel - 6
Fez uma segunda parte muito boa, mas a primeira foi assustadora. Muitos passes falhados, pareceu ter perdido o critério. Acumulou um total de 33 perdas de bola e 69% de passes acertados, exibição cinzenta.

Jota - 6
Não desgostei da sua exibição. Prefiro Jota a Cervi, parece-me um jogador muito melhor. Saiu aos 45 minutos, a meu ver, injustamente, tendo em conta que Seferovic ficou em campo.

Pizzi - 7
Boa segunda parte de Pizzi. O Benfica precisa de Pizzi para jogar bem, foi fundamental para a reviravolta.

Chiquinho - 6
Teve várias oportunidades de golo mas não conseguiu faturar. Melhorou na segunda parte mas parece ter o mesmo síndrome de Rafa na primeira época, o anti-golo.

Seferovic - 3
Mais uma vez viu-se que não tem qualidade para o Benfica. Não domina uma bola, falha muito, atrapalha bastante. Não dá para comparar com Vinícius.

Vinicius - 8
Importantíssimo para a reviravolta. Conquista o penálti do empate e assiste Almeida para o segundo golo. Muito bom.

Cervi - 7
Entrou bem e mexeu com o jogo, foi dele o cruzamento para Vinícius que viria a dar o segundo golo."

domingo, 12 de janeiro de 2020

Benfica x Desp. Aves - Vitória da alma benfiquista

"Foram 23 dias sem vermos o Benfica na nossa casa, uma verdadeira eternidade para quem vive intensamente o nosso clube.
Tudo apontava para um jogo tranquilo, contra um Desportivo das Aves que tem vindo a mostrar muito pouco futebol justificando dessa forma o lugar que ocupa na Primeira Liga. Posto isto, acho que foi o jogo mais enervante da época. Talvez a começar pela hora do apito inicial, que não é nada amigável do adepto de estádio, mas isso são outras histórias.
O Sr. Carlos Xistra também costuma ter o condão de dar sempre nas vistas e apimentar os jogos da Luz. No final do dia, sinto que lhe devo agradecer por ter acordado o Inferno da Luz que empurrou o Benfica para mais uma vitória. Mas, sem dúvida que foram as oportunidades claras, clarinhas de golo que nos iam levando a um ataque de nervos. Todos nós suspiramos com os falhanços do Seferovic, Pizzi, Chiquinho e até do Rúben Dias!
Em jeito de brincadeira recordei com alguns amigos um jogo épico com o Boavista em 2007 ou 2006. Se tiverem oportunidade pesquisem no Youtube. No fim, e como sempre, o que contam são 3 pontos. 

Notas individuais:
Vlachodimos – 6
Mais uma exibição do grego com pouco trabalho. No golo do Aves não podia fazer mais. Destaque para o bom controlo da profundidade, aspecto que melhorou bastante em relação ao ano passado. Esteve bem a sair a jogar, apenas terá de melhorar nos cruzamentos. Aquelas luvas podem e devem agarrar mais bolas. Notei no estádio que era um dos 50 mil que estavam nas bancadas a desesperar com as oportunidades falhadas.
André Almeida - 7
Sem jogar desde 30 de Novembro, o capitão Almeidinhos regressou com uma exibição poética. Depois da não expulsão que acordou o Estádio da Luz, é o homem que marca o golo da vitória. Não foi nenhum Puskas como vem sendo hábito, mas soube tão bem! O que torna isto ainda mais poético é que antes da jogada do golo, o Caio Lucas estava pronto para entrar e provavelmente para o seu lugar. Nota ainda para a falta de frescura física que se nota. Tem sido uma época complicada, mas acredito numa grande 2ª volta do nosso capitão.
Rúben Dias - 7
Exibição segura e corajosa do Ruben. Excelente no controlo da profundidade e na antecipação. Hoje até o vimos a assistir e quase fazer golo em jogadas de bola corrida. Empurrou o nosso Benfica com mais uma grande demonstração do seu carácter, é sem dúvida um jogador à Benfica!
Ferro - 5
Erro crasso no lance do golo consentido que revelou uma das poucas lacunas no seu jogo, a falta de agressividade. Esteve bem no processo de construção de jogo como de costume, mas foi perdendo algumas divididas ao longo do jogo.
Grimaldo - 6
Seguro a defender, audaz na construção de jogo, mas pouco objectivo no último terço. Perdeu-se em alguns dribles e tabelinhas contra uma defesa bastante povoada. Podia e devia aproveitar melhor a sua capacidade para cruzar na segunda parte com 2 homens fixos na área.
Pizzi -7
Desta vez não pudemos contar com a eficácia do melhor marcador do campeonato. Há que dar mérito à frieza demonstrada no penalty, num jogo onde a carga emotiva já tinha tomado conta de nós.
Weigl – 5
A expectativa era grande para vermos em acção o craque alemão. Vimos bons pormenores, mas andou perdido no campo a maior parte do tempo. Há que lhe dar tempo, treino e trabalho. Alguém diga ao speaker que ele não se chama Vigl!
Gabriel – 8
MVP! Esteve insaciável na recuperação, disputando e ganhando vários duelos. Na construção foi o maior municiador de jogadas de ataque. Foi sem dúvida o patrão do meio campo e carregou o Benfica até estoirar fisicamente. Vai ser complicado definir a dupla para o meio campo… Dor de cabeça das boas para o Bruno Lage.
Jota – 6
Saiu demasiado cedo no jogo. Notou-se alguma inquietação e o querer fazer tudo, mas quando se concentrou conseguiu produzir algumas jogadas de perigo. Ora com desmarcações, ora com cruzamentos e passes. Faltou alguma calma na hora de finalizar, mas foi sempre uma ameaça para o adversário. Há que continuar a dar oportunidades como a de hoje para que possa crescer. 
Chiquinho – 6
Teve movimentos muito interessantes ao longo do jogo como habitual, mas faltou-lhe novamente o killer Instinct. Na hora de finalizar e até no último passe nem sempre definiu bem. Contudo há que valorizar o espírito de sacrifício e a capacidade para jogar em varias posições, hoje foram 3…
Seferovic – 4
Exibição fraca, com várias ocasiões de golo que um ponta de lança do Benfica não pode falhar. Deu pouca profundidade e deu-se pouco ao jogo. De positivo hoje, apenas a sua capacidade para pressionar. Esperemos que volte a aproximar-se dos níveis exibicionais da época passado. Com exibições destas ficamos mal servidos de pontas de lança para o que resta da época.
Vinicius – 7
Apesar de ter jogado apenas 45 minutos, foi dos mais inconformados e trabalhou muito para dar a volta aos acontecimentos. Conquistou o penalty atacando a profundidade e assistiu o Almeida com um belo apoio frontal à semelhança do que tinha feito com Pizzi na última jornada na Luz.
Cervi – 6
Trouxe dinâmica e devolveu o Pizzi ao seu lugar. Acelerou o jogo cada vez que pegou na bola e partiu dele o cruzamento que deu o golo do Almeida.
Samaris – N/A
Viram o festejo dele?! Jogador comprometido com o Benfica, quer jogue 90 ou 3 minutos. Bem haja! 
Bruno Lage – 6
O 11 que vinha jogando desde Leipzig estava a dar boa conta do recado, mas em Guimarães notou-se algum cansaço e não nos podemos esquecer do ciclo complicado que aí vem. O raciocínio de Lage passou por Taarabt a folgar com gestão disciplinar, Vinicius e Cervi a terem também direito algum repouso, Almeida a ganhar ritmo e Weigl a entrosar-se. À primeira vista tudo bem planeado, ainda para mais o adversário era o lanterna vermelha. Mas o jogo foi-se complicando com o golo cedo do Aves e com as oportunidades a serem desperdiçadas. O jogo pedia Vinicius, mas penso que devia ter saído o Weigl recuando Chiquinho. Com a substituição que fez acabou por mexer em 3 posições e a equipa andou um pouco aos soluços até à entrada de Cervi. A partir daqui, acabou por colocar as peças nos seus devidos lugares. Bruno Lage normalmente mexe tarde, mas hoje teve a audácia de mexer logo ao intervalo. Nota para mais um record conquistado hoje. Tornou-se no treinador mais rápido da história do nosso campeonato a atingir a meta dos 100 pontos. Enorme Bruno Lage!"

Benfica x Desp. Aves - Une victoire arrachée dans les dernières minutes

"La soirée s’annonçait plutôt tranquille pour Benfica, meilleure attaque du championnat, qui reçoit la lanterne rouge et l’équipe avec le plus de buts encaissés, le Club Desportivo das Aves. Mais il n’en a pas été ainsi, rien ne s’est passé comme nous aurions pu le croire.
Pour l’occasion, Bruno Lage avait décidé de faire tourner l’effectif. Alors que les supporters s’attendaient principalement à la titularisation de Weigl, qui a récemment rejoint les rangs benfiquistes, le 11 de départ (4-4-2 classique) a finalement révélé bien d’autres surprises. L’entrée d’Almeida sur le côté droit de la défense, au détriment du jeune Tomas Tavares, et surtout la paire Jota / Seferovic à la pointe de l’attaque avec Carlos Vinicius débutant la rencontre sur le banc.
Dès les premières minutes de jeu, le ton était donné avec un rythme assez fort imposé par les joueurs du SLB. Mais rapidement, on se rend compte que la soirée ne se passera pas aussi sereinement qu’initialement envisagée. En effet, Benfica a dominé toute la première mi-temps mais les contres et les attaques d’Aves s’annonçaient dangereuses pour Benfica. Autant les attaquants d’Aves montraient une rapidité dans les mouvements et une forte efficacité pour se rapprocher et inquiéter Vlachodimos, autant Benfica semblait très fébrile défensivement en multipliant les erreurs défensives.
Et c’est justement sur une grossière erreur défensive de Ferro qui se fait chiper le ballon par l’Iranien Mohammadi que ce dernier s’en va battre Vlachodimos et ouvre le score pour la lanterne rouge du classement à la 20ème minute de jeu. On a pourtant vu aussi des choses très intéressantes et prometteuses côté Benfica, comme Jota qui s’est montré très vif sur les mouvements offensifs et de plus en plus à l’aise techniquement, en réalisant notamment un joli coup du sombrero à la fin du premier quart d’heure de jeu, ou les très bons premiers signes d’une entente prometteuse entre Pizzi et Weigl, ce dernier se retrouvant en situation de débordement à la 15ème minute mais son centre ne trouve pas preneur.
Le but d’Aves ne semble pas affecter Benfica qui, même s’il n’arrive pas à augmenter son rythme de jeu, parvient facilement au sein de la défense adverse mais sans parvenir à égaliser. Chiquinho déclenche une belle frappe à la 24ème minute mais sans succès et Pizzi frappe sur la barre à la 28ème minute mais se révèle finalement être en position de hors-jeu. Et cela va durer jusqu’à la mi-temps, avec une très belle action à la 40ème minute, Gabriel lance Grimaldo en profondeur qui centre immédiatement vers le point de pénalty où est positionné Pizzi, mais celui-ci frappe à côté des buts de l’équipe d’Aves. Enfin, avant la mi-temps (47ème minute), Jota se met de nouveau en évidence en réalisant une jolie passe vers Seferovic qui butte sur le gardien d’Aves à deux reprises.
L’arbitre siffle la fin de la première période et c’est la stupéfaction pour les supporters de Benfica qui s’attendaient à tout sauf à ce résultat. L’équipe domine largement le match et la possession de balle, mais n’arrive pas à conclure et se montre très limitée défensivement avec des erreurs incompréhensibles pour la meilleure défense du championnat. La réaction de Lage ne s’est pas fait attendre et dès le début de la 2ème mi-temps, l’entraineur du SLB lance Vinicius au détriment de Jota qui sort alors qu’il a montré de belles choses en première mi-temps. Vinicius rejoint alors Seferovic, assez maladroit devant les buts, à la pointe de l’attaque.
Benfica presse mais ne trouve toujours pas le chemin des filets et on sent que les supporters commencent à s’impatienter.
Mais, c’est à la 51ème minute que l’on assiste à un fait de match qui aurait pu se révéler être une tragédie pour le club de la Luz. Sur une entrée dure d’Almeida, l’arbitre sort immédiatement le carton rouge puis décide d’interroger la VAR. Certes, le tacle d’Almeida doit être sanctionné mais en visionnant de nouveau les images, on s’aperçoit vite que le capitaine du SLB ne touche finalement pas l’adversaire. L’arbitre annule le carton rouge au profit d’un carton jaune pour André Almeida. 
S’ensuit une nouvelle série de frappes aux buts mais sans succès. Que ce soit Chiquinho à la 60ème minute, Seferovic à la 65ème minute en plaçant une tête à côté, ou Pizzi à la 68ème minute qui frappe au-dessus de la cage d’Aves. Benfica pousse mais n’y parvient toujours pas. On notera également la sortie de Weigl à la 61ème, qui a d’ores et déjà montré de très bons signaux mais qui doit encore s’adapter aux mécanismes de l’équipe et au style de jeu. Enfin, à la 76ème minute, Vinicius est accroché dans la surface de réparation et l’arbitre siffle un pénalty en faveur du SLB. Pizzi prend alors ses responsabilités et trompe le gardien d’une belle frappe à mi-hauteur.
A ce moment-là on comprend que le dernier quart d’heure va être très dur pour Aves et que Benfica va pousser et tout donner pour arracher la victoire. On note une forte envie du côté des joueurs mais avec une certaine dose de nervosité également.
Et c’est à la 89ème minute qu’arrive la délivrance pour Benfica, Vinicius reçoit un ballon dans la surface dos au but et le glisse à André Almeida qui frappe et bat le gardien. On assiste alors à l’explosion de joie de tous les joueurs et supporters, un but énormément fêté car très attendu. Le Benfica assurera ensuite pour les dernières minutes du temps de compensation.
Benfica arrache une victoire dans les derniers instants, en s’imposant difficilement d’un but d’écart contre le dernier du classement. Mais une chose est sûre, on gagne des titres aussi sur ce type de matchs.
On notera enfin une forte envie et implication de l’équipe de la Luz, avec un Ruben Dias endiablé en tête de file. Une incroyable envie de bien faire malgré des signes inquiétants défensivement et une attaque sans réussite dans la grande majorité du match. Il faudra, pour Bruno Lage, en retirer les bons enseignements en vue des prochains évènements à venir pour Benfica."

SL Benfica - CD Aves 2:1

"Vor einer vermeintlichen Pflichtaufgabe stand Benfica am Freitagabend gegen den Clube Desportivo das Aves. Nach dem Sieg in Guimarães und vor dem Stadtderby bei Sporting lag das Heimspiel gegen den Tabellenletzten wie ein appetitliches Fleischstückchen im Sandwich zweier richtig schweren Auswärtsbegegnungen.
Die Unterschiede zwischen den beiden Klubs könnten größer nicht sein: Musste der Tabellenführer im bisherigen Saisonverlauf erst eine Niederlage hinnehmen, konnte der Tabellenletzte bislang nur einen einzigen Sieg feiern. Von den Marktwerten sollten wir an dieser Stelle eigentlich erst gar nicht reden. Ich tue es trotzdem, weil die Unterschiede einfach unglaublich sind: Transfermarkt.de schätzt den Kader des Rekordmeisters aktuell auf 352 Millionen Euro, das Team von CD Aves bringt es auf zwölf Millionen.
Die Siegesgewissheit unter den Anhängern von Benfica vor der Partie war also kein Zeichen von Überheblichkeit, sondern spiegelte lediglich die Realität in der Liga NOS wieder. Trotzdem hatte ich ein mulmiges Gefühl, als die Startelf von Benfica bekannt wurde. Mit Neuzugang Julian Weigl, Jota und Seferovic rotierte Trainer Bruno Lage gleich auf drei Positionen. Sollte unser Trainer das Tabellenschlusslicht etwa doch ein kleines bisschen unterschätzen? Andererseits ist Rotation beim vollgepackten Terminplan der Adler in den nächste Wochen Pflicht, und Kritik am so unglaublich erfolgreichen Coach mutet dieser Tage sowieso ein wenig wie kindische Gotteslästerung an.
Wer das Spiel nicht verfolgen konnte, ahnt spätestens nach dieser Einführung, was kommen sollte. Unter dem Motto „wir haben keine Chance, aber die wollen wir nutzen“, spielten die Kellerkinder fröhlich drauf los und brachten die nicht immer hellwach wirkende Defensive der Hausherren mit ihren Kontern mehr als einmal in Bedrängnis. Nach 20 Minuten war die Überraschung perfekt, als Mohammadi auf der rechten Seite loslief und den Ball aus spitzem Winkel in die Maschen drosch. 
Zwar kamen die alles andere als schlecht spielenden Adler bis zum Pausenpfiff noch zu einigen Chancen. Doch jedesmal fehlten entweder Zentimeter, oder der bärenstarke französische Gästetorhüter Beunardeau bekam doch noch irgendwie die Finger an den Ball.
Im zweiten Durchgang dann ein Spiel auf ein Tor. Benfica griff unverdrossen an, Aves verschanzte sich vor dem eigenen Strafraum. Die Einwechslungen von Vinícius und Cervi brachten mehr Dynamik in die Offensivaktionen, doch es sollte bis eine Viertelstunde vor Schluss dauern, bis endlich der Ausgleich fiel. Nachdem Vinícius im Strafraum umgerempelt wurde, verwandelte Pizzi den fälligen Foulelfmeter gewohnt zuverlässig.
Eine Minute vor dem Ende dann der erlösende zweite Treffer: Nach einer Flanke von Cervi liess Vinícius den Ball auf André Almeida abtropfen, der Schuss des Außenverteidigers aus zwölf Metern Entfernung wurde von einem Gästespieler nur leicht aber damit unhaltbar für Beunardeau abgefälscht. Vielleicht einer der wichtigsten Treffer in der bisherigen Spielzeit, denn es sind genau diese Tore, die am Ende Meisterschaften entscheiden.
Nach dem ebenso schwer erarbeiteten wie hoch verdienten Heimsieg von Benfica gewann der FC Porto mit 4:2 bei Moreirense. An der Tabellenspitze bleibt damit alles beim Alten, der Vorsprung von Benfica auf die Nordportugiesen beträgt unverändert vier Zähler.
Weiter geht es schon am Dienstagabend mit dem Viertelfinale des portugiesischen Pokals gegen Rio Ave, am Freitagabend folgt dann das Spiel bei Sporting. Das Derby wird erst um 22.15 Uhr deutscher Zeit angepfiffen, DAZN und sportdigital übertragen live.
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SL Benfica - CD Aves 2:1
Liga NOS, 16. Spieltag
Freitag, 10. Januar 2020, 19 Uhr 
Estádio do Sport Lisboa e Benfica, 50.760 Zuschauer
Mannschaftsaufstellung: Odysseas, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Pizzi, Weigl (61. Cervi), Gabriel, Jota (46. Vinícius), Chiquinho, Seferovic (90.+3 Samaris)
Torschützen: 0:1 Mohammadi (20.), 1:1 Pizzi (76. FE), 2:1 André Almeida (89.)"

Defender também é tomar decisões – Ferro


"O registo defensivo do Benfica no campeonato é tão mais extraordinário quando se percebe que de toda a linha defensiva, apenas Rúben Dias é um jogador verdadeiramente competente nos momentos sem bola no que concerne à Técnica Individual Defensiva.
Ao seu lado Ferro, embora seja diferenciado em momentos de construção, continua a ter dificuldades imensas em tudo o que seja defender. Abordagens sucessivamente erradas, dificuldade gritante em defender espaços largos, e erros de decisão:
- Sobre o quando ir roubar ou esperar;
- Sobre a quem sair e quando sair;
- Sobre como orientar o corpo nos duelos – Seja no balanço para que o salto não seja vertical para disputa de bola aérea, seja nas fases da contenção"

Carta aberta aos benfiquistas: Que em campo só arda a paixão das papoilas saltitantes

"Caros benfiquistas,
Escrevo esta pequena carta não para criticar, mas para reflectir sobre um dos temas que mais tinta tem feito correr em Portugal: a pirotecnia no universo encarnado.
Pessoalmente, acho que o uso de artefactos pirotécnicos dá uma certa beleza e até poder às coreografias que costumamos ver nos estádios. No entanto, parece que a maior parte das pessoas não sabe usar este tipo de objectos nem com moderação, nem para os fins adequados.
Ao longo dos últimos tempos tem sido recorrente o arremesso de artefactos pirotécnicos para o terreno de jogo, fazendo com que o Sport Lisboa e Benfica esteja, jornada após jornada, sob a alçada do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol.
O caso mais recente aconteceu no dia quatro de Janeiro, em jogo a contar para a 15ª jornada da Primeira Liga, contra o Vitória SC, onde a partida foi interrompida por três vezes devido ao arremesso de tochas por parte dos benfiquistas presentes na bancada destinada aos visitantes.
A perpetuação deste tipo de comportamento só prejudica o clube, que paga milhares de euros em multas por época devido ao uso – e arremesso – deste tipo de materiais.
Há que começar a mudar o comportamento no que ao uso destes materiais diz respeito, visto que, se este tipo de situações continuar a acontecer, o mais provável é que o Sport Lisboa e Benfica seja castigado com jogos à porta fechada. Está na hora de apoiar o Glorioso, e esperar que a única coisa a arder em campo seja a paixão das papoilas saltitantes."

Os «22» campeonatos do Sporting

"Se dúvidas houvesse, a 15ª jornada do nosso campeonato colocou tudo em pratos limpos: este será um título disputado entre Benfica e FC Porto. Mais um. O Sporting de tempos a tempos intromete-se na luta, mas fica-se por aí. Desde a última liga verde, já no longínquo ano de 2002 (onde ainda nem Facebook ou Youtube existiam) que os campeonatos têm sido divididos entre azuis e vermelhos: 10 títulos para o FC Porto, 7 para o Benfica. Este ano iremos para um 11-7 ou para um 10-8. Já o clube de Alvalade caminha para ultrapassar a sua famosa seca entre 1982 e 2000. Uma seca tão incrível que todos achámos na altura que era algo de raro e irrepetível. Soubéssemos nós. Encontra-se já a 16 pontos da liderança e na melhor das hipóteses só será campeão em 2021. Mas alguém acredita nisso? Tudo bem que no futebol as coisas podem mudar muito rapidamente, mas é difícil ver o Sporting a ser campeão num futuro próximo...
À falta de títulos no presente, o Sporting vira-se para o passado. Ainda neste clássico se voltou a ver tanto no seu autocarro como no estádio referência aos seus "22" campeonatos. Assumindo como seu até um ano que foi de título Benfiquista, o de 1937/38, por exemplo. É o clube a carregar a fundo na loucura iniciada por Bruno de Carvalho. Recorde-se que até 2016 sempre foi pacifico para todas as cores que só tinham existido 5 clubes campeões em Portugal: Benfica, FCPorto, Sporting, Belenenses e Boavista. Qualquer pessoa interessada pelo futebol local, responderia assim à pergunta. Da mesma maneira que a contagem do Sporting sempre foi pacífica: em 2002 todos se referiram ao 18º título leonino. Tal como nunca ninguém colocou em causa a sequência de títulos Portistas e Benfiquistas, com uma excepção: uma dúvida relativa às quatro primeiras edições do Campeonato Nacional. Que foram «experimentais», dizem eles. E portanto pegue-se nessas taças e atire-se para o lixo, pelos vistos. A verdade é que é perfeitamente normal que se tenha tido que avaliar o sucesso financeiro de uma competição regular jogada no país inteiro nos anos 30 em que os acessos rodoviários eram o comboio e pouco mais. Aliás, que competição nova não é experimental? A Taça da Liga não foi experimental, até se provar que tinha condições financeiras para se estabelecer? E onde é que a palavra «experimental» equivale a zero? Experimento fumar um cigarro. Gostei, quero fumar outro. O outro é o primeiro ou o segundo cigarro que provo?
Continuemos: aferido o sucesso, a FPF apostou definitivamente na nova competição iniciada em 1934 e terminou com o Campeonato de Portugal. O relatório da FPF de 1938 é demasiado claro: «Por virtude da reforma a que se procedeu nos estatutos e regulamentos da Federação os Campeonatos das Ligas e de Portugal passaram a designar-se, respectivamente, Campeonatos Nacionais e Taça de Portugal». Ou seja, o Campeonato da Liga (as tais quatro primeiras edições) passou a ser designado Campeonato Nacional e o Campeonato de Portugal passou a ser a Taça de Portugal. Basta aliás, olhar para os troféus! A Taça de Portugal tem uma réplica exacta da Taça do Campeonato de Portugal e o mesmo se passa em relação às Taças do Campeonato da Liga e Nacional.
O que o Sporting propõe é uma chico-espertice surgida no exacto momento em que se viu dobrado pelo Benfica no número de campeonatos (36-18) tentando misturar alhos com bogalhos e fazendo-nos querer acreditar que afinal Carcavelinhos, Olhanense ou Marítimo já venceram a competição que disputamos nos dias de hoje. E arranjam argumentos para isso: descobrem capas antigas relativas a conquistas do Campeonato de Portugal em que se escreve «O Sporting é Campeão de Portugal!». Como se isso fosse prova. Ora quem vence uma competição chamada Campeonato de Portugal é normal que fosse considerado o Campeão de Portugal. Mas a pergunta não é «quantas vezes o Sporting já foi chamado Campeão de Portugal ou Campeão Nacional?». A pergunta é «da competição que disputamos actualmente, quantas vezes o Sporting a venceu?». E a resposta é 18 vezes. Outro argumento é tentar anular as tais edições ditas «experimentais», tudo isto e só porque o Benfica venceu três delas (e o FC Porto venceu uma, mas essa não os incomoda tanto). Até descobrem capas do jornal Record que até 2010 não as considerava e portanto titulou em 2005, por exemplo, que o Benfica tinha vencido o seu 28º título, enquanto todos os outros referiram o 31º. O jornal era o único que se baseava numa tese do historiador Henrique Parreirão em que as quatro primeiras edições não deveriam ser contadas, mas como escreveu em tempos o jornalista António Tadeia, conhecedor dessa decisão do Record, tal tratava-se mais de uma posição estratégica que histórica: "...a tese defendida pelo Record servia sobretudo de afirmação ante o gigante que era A Bola - era preciso contrariar o establishment para poder vir a superá-lo.". Entretanto, o Record já contabiliza os títulos como toda a restante comunicação social.
É tempo da FPF parar com esta loucura de um clube reclamar para si mais quatro campeonatos do que aqueles que efectivamente tem. A História do futebol Português merece ser tratada com respeito e consideração e não sofrer de revisionismos 80 anos à posteriori, quando até então ninguém teve dúvidas (e isso vale a pena destacar: se a ideia fosse os títulos do Campeonato de Portugal passarem a ser incluídos, por que razão quem viveu nos anos 50 ou 60, por exemplo, nunca o fez? Sabemos nós mais agora em 2020 que as pessoas que viveram nesses tempos?). De modo a acalmar o insaciável Bruno de Carvalho, o presidente da FPF Fernando Gomes, prometeu em tempos um estudo independente (que nem devia ser necessário, mas enfim...). Onde está ele? Não basta colocar os títulos de forma correcta no site da FPF, é altura do organismo dizer que esta fake news tem de terminar. O Sporting parece apostado na teoria que uma mentira ditas muitas vezes pode passar a verdade e é por isso que, mesmo entendendo a opinião de alguns que isto até deve ser minimizado e ridicularizado, sinto-me impelido a lutar para que se trave esta mentira.
Rivalidades à parte, o Sporting é um grande clube com um enorme historial em todas as modalidades, incluindo no futebol. Um clube que possui uma Taça das Taças, 18 Campeonatos, 17 Taças de Portugal, duas Taças da Liga e oito Supertaças é um clube que deve ter muito orgulho no seu palmarés, mesmo que no seu país haja quem tenha maior. E se quer ser mais laureado, tem uma boa solução: olhar para o futuro e conquistar títulos no relvado e não na secretaria com fake news."

Manifestações políticas nos Jogos Olímpicos

"A Regra 50 da Carta Olímpica estabelece o enquadramento que visa proteger a neutralidade do desporto e dos Jogos Olímpicos. Nessa regra é dito que «nenhum tipo de demonstração ou propaganda política, religiosa ou racial é permitida em nenhum local onde se realize um evento Olímpico» (tradução livre)
Naturalmente, esta regra restringe o direito à liberdade de expressão dos atletas participantes.
Assim, o Comité Olímpico Internacional (COI) publicou um documento com directrizes objectivas de interpretação da Regra para os atletas, portanto considerou-se necessário esclarecer sobre quando e onde eles poderiam expressar as suas opiniões durante os jogos (disponível para consulta no site do COI).
Não são permitidas, em nenhum caso, manifestações nos seguintes locais e momentos: no campo de jogo; na Vila Olímpica; durante cerimónias de medalhas olímpicas; durante a abertura, encerramento e outras cerimónias oficiais.
Durante os Jogos Olímpicos, os atletas têm a oportunidade de expressar as suas opiniões durante conferências de imprensa e entrevistas, em reuniões de equipa e nos meios de comunicação tradicionais ou digitais, ou outras plataformas. O COI alerta, contudo, que expressar opiniões é diferente de protestos e manifestações. São dados exemplos do que constituiria um protesto numa lista não exaustiva: qualquer mensagem política, incluindo sinais ou braçadeiras; gestos de natureza política; recusa em seguir o protocolo de cerimónias.
Se um atleta infringir a Regra 50 e a Carta Olímpica, o caso será avaliado pelo respectivo Comité Olímpico Nacional, pela Federação Internacional e pelo COI, de modo a serem levadas a cabo acções disciplinares."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola