Últimas indefectivações

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A propósito dos prémios de assinatura... e não só

"Ás vezes tarde, nós, simples consumidores de notícias, acabamos por descobrir que, afinal, o zero eram uns tantos milhões

Durante o defeso do futebol e joguinhos de preparação, também faço o meu defeso. Quero dizer, só volto aos jogos, quando for a doer. Assim sendo, escrevo hoje sobre a parafernália contratual dos craques. Começamos pelos prémios.

1. A palavra prémio tem muitos significados, consoante o contexto, o assunto e a ... moeda. Prémio pode significar uma compensação ou remuneração por um serviço prestado, uma galardão ou condecoração, ou uma recompensa para os vencedores de uma competição, concurso ou jogo. Ou, ainda, um pagamento para beneficiar da cobertura de um seguro ou para compensar um risco tomado. No meio ou por causa de todas estas significações surge agora, amiúde, nos defesos futebolísticos a expressão 'prémio de assinatura'. Curioso é que, até há pouco tempo, não se dizia que o atleta x tinha recebido um prémio de assinatura. Eufemisticamente, a referência era da gratuidade para o clube contratante, dizendo-se que o tal jogador x chegava 'a custo zero'.
Pois agora sabe-se que há prémios de assinatura que tornam certas transferências bem mais caras do que as que têm preço sem assinatura. Às vezes tarde, nós, simples consumidores de notícias, acabamos por descobrir que, afinal, o zero eram uns tantos milhões, ainda que o jogador destes milhões muitas vezes não venha a passar de zero.
A abocanhar parte dos ditos prémios de assinatura, vêm pais, irmãos, tios e toda a parentela a custo zero, trasvestidos de senhores agentes FIFA ou empresários de oportunidade. O rateio do prémio pode contemplar ainda ouros laboriosos comissionistas dos quatro cantos do mundo em regime offshore.

2. Esta nova nomenclatura baralha tudo. Fica-se perdido no meio de tantas parcelas de custo para o clube, entre valor do passe, prémio de assinatura, taxas de transferências, repartição de direitos de imagem, bónus e pagamentos por objectivos (estes subdivididos em possíveis, improváveis e impossíveis), compensação por formação, mecanismo de solidariedade da FIFA, prémios de fidelidade (hélas!) e - já me ia esquecendo - o valor anunciado mediaticamente como sendo o da transferência efectuada. A contabilidade, por mais rigorosa ou criativa que seja, tem dificuldade em encontrar a bitola certa da depreciação (ou valorização) do contrato e do contratado. Há, ainda, prémios leoninos (literalmente) de assinatura para quem assina depois de ter 'des-assinado', numa versão de prémio de 'infidelidade aparente', mas que serve para judiciosas declarações de amor ao clube e de garantia pública de recebimento do mesmíssimo salário!
Sobre as comissões cobradas pelos agentes de intermediação e, segundo recente relatório da UEFA, o seu valor médio percentual para as cerca de 2000 transferências entre 2004 e 2017 foi de 12,6% da transacção (em Portugal, 13%). Destas, é-nos também dito que 1/3 das transferências foram sujeitas e uma comissão mesmo superior a 20%.

3. Assaz interessante é a componente de custo que está muito em moda, relacionada com pagamentos por objectivos. É uma variável objectivamente muito subjectiva, que quase sempre o tempo se encarrega de anular. Por exemplo, «o jogador custará 20 milhões mais outros 15 por objectivos». É um modo de ficcionar um montante não atingido pelo vendedor com os tais 'objectivos' para memória futura, que logo é desmemoriada. Quem normalmente a sugere é o intermidário, que esse recebe a sua prebenda certinha e se está marimbando para objectivos pós-recebimento. Quem tem de responder perante 'objectivos' (que não fixou) é o jogador. Mas este também se sente confortável. Aumentou o pecúlio mensal e sempre pode queixar-se do treinador que não o põe tanto a jogar ou o coloca em posição diferente da do anterior clube.
Há 'objectivos' para todos os gostos. Há os impensáveis 'objectivos' de ser o melhor do mundo ou da Champions, o de marcar n golos, o de ser m vezes seleccionado, o de jogar y jogos a titular ou y+z a titular e suplente. Ou seja, em regra, 'objectivos' facilmente manipuláveis pelo comprador. Enfim, a quintessência das técnicas negociais.
Ora toda esta parafernália de custos/proveitos torna algumas contratações bem mais pesadas do que nos querem fazer supor e algumas 'vendas' bem menos aliciantes do que na altura foi tornado público. Isto já não falando na engenhosa de compras ou vendas de partes de jogadores, em regime talhante de divisão do passe entre vários detentores (divisão monetária, mas não anatómica), que, na minha opinião, para bem do futebol deveriam ser erradicadas. E nem me meto pela modalidade de empréstimos com opções obrigatórias de compra (curioso, o oxímoro 'opção obrigatória'...), instrumento ainda mais opaco e sempre sujeito a mudanças de conveniência, em regime de retalho ou de varejo, ou, ainda, o de estar à experiência depois de já experimentado.
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4. Por fim, a celebérrima cláusula de rescisão, sempre inchada e raramente usada. Afinal o que significa esse limite? Manobra de negociação? Algoritmo de fantasia? As cláusulas de rescisão têm, em tese, duas funções: uma, a de maximizar o produto da alienação dos passes de jogadores; outra, a de possibilitar ao clube detentor resistir melhor ao assédio do mercado.
A inflação desmesurada dos valores descredibiliza este meio, com jogadores comprados por tuta e meia e com cláusulas de milhões e milhões.
Além disso, o critério usado para fixar as cláusulas é tão variável, quanto imprevisível e irracional. Raramente há uma verdadeira relação entre o salário do atleta e a cláusula de rescisão. E mandariam as boas regras de valorimetria de 'activos' (como agora se chamam os atletas) que o valor da cláusula fosse sendo reduzido com o tempo remanescente de idade útil do jogador.
Tenho para mim que, para o clube vendedor, a mais segura cláusula de rescisão é não haver cláusula de rescisão, ou seja, é o que muito bem se entender entre zero e infinito.
Mas não nos iludamos. Por detrás deste espectáculo grandioso para um reduzido número de talentos, sortudos e oportunistas, há o futebol dos pobres, de uma maioria que não é notícia.

O hóquei em crise
Foi com alguma nostalgia que acompanhei o Europeu de hóquei em patins realizado na vizinha Galiza. Não apenas por Portugal não ter conseguido revalidar o título - feito internacional que há muito não conseguimos fora do país - mas, sobretudo, pela irrelevância que vai assolando, a nível global, a modalidade. Pavilhão quase às moscas, selecções que mal sabiam patinar e sem quaisquer tipos de apoio (o caso da Bélgica meteu dó), jogos para entreter sem qualquer interesse, fórmula de competição que só aquece no último dia com duas de três selecções sempre presentes, em vez de um campeonato em que todos jogariam contra todos, como há foi. Até a transmissão pela televisão pública foi de uma triste vulgaridade de lugares-comuns chegando ao ponto de se referirem aspectos do jogo muito depois de nós, em casa, já os termos detectado. Parece que vai haver uma reformulação destas provas. Espero bem que seja para relançar um desporto que Portugal tanto acarinha e onde até há uma liga com alguma emoção, ainda que sofrendo do mesmo mal de 3 ou 4 equipas destacadas e o resto quase paisagem...

Contraluz
- Título: Portugal campeão europeu sub-19
Magnífica conquista de Hélio Sousa e dos seus jovens seleccionados. Embora confesse alguma confusão com tantas categorias de sub's (dantes a este torneio chamava-se europeu de juniores), há ali grandes promessas de carreiras. E a selecção até se deu ao 'luxo' de não ter precisado do consurso de João Félix, Gedson Fernandes, Rafael Leão ou Diogo Dalot. Pena que meia-dúzia dos campeões já estejam a jogar fora de Portugal...
Sorteio: Fenerbahçe
Tem-se dito que o sorteio foi madrasto para o Benfica, calhando-lhe os turcos. Talvez tenha sido, mas a escolha não era fácil e, às vezes, o Benfica dá-se pior com aparentes facilidades. Só não se compreende que o 'cabeça-de-série' jogue o 2.º jogo fora de casa.
Atitude rara: «Jogar um Mundial é um prazer, um sonho que se torna realidade. Há dinheiro em jogo, mas eu não me importo! Eu não jogo por isso»
Disse o jovem francês campeão do mundo Mbappé que afirmou, ainda, não ser necessário pagarem-lhe para jogar pela sua selecção e que os seus prémios servirão para causas sociais ou humanitárias.
Comparação: o golo de Grimaldo...
...  no jogo contra a Juventus, na marcação de um livre soberbamente apontado. Se tivesse sido Ronaldo, as televisões andariam a repeti-lo vezes sem conta e os superlativos superlativizados não chegariam..."

Bagão Félix, in A Bola

Milagre italiano? Milagre não é...

"Não é por acaso que a Itália é uma das maiores potências do futebol mundial. Os transalpinos sempre tiveram uma ideia muito clara do que era preciso fazer para manter vivo o clacio, quer através da adopção de políticas adultas, que visaram o progresso da modalidade e do negócio, quer também recorrendo à dura lex, sed lex quando foi preciso meter ordem na casa, nomeadamente nos anos do Totonero e do Calciocaos. Para que se tenha uma ideia do que vale o futebol italiano, bastará dizer que a nível de clubes venceram por doze vezes a Liga/Taça dos Campeões (Portugal tem quatro); por nove vezes a Liga Europa/Taça UEFA/TCF (Portugal tem duas); e por sete vezes a Taça das Taças (Portugal tem uma). No âmbito da selecção principal, Itália tem um título europeu (como Portugal) e sagrou-se quatro vezes campeão do Mundo (Portugal tenta...).
É verdade que na última década houve algum atraso dos clubes italianos, que demoraram a reagir ao ataque das ligas espanhola e inglesa, que monopolizaram os melhores jogadores e também à exemplar organização dos alemães, que mantêm cheios os estádios da Bundesliga. Porém, aquilo a que assistimos hoje é ao regresso pujante da Itália do futebol. Começaram por meter na ordem as tribos mais violentos das claques, passaram, depois, à fase da renegociação dos direitos televisivos e, com os estádios mais pacificados e os cofres mais cheios, abalançaram-se a contratações mais ousadas, de que CR7 é o expoente máximo. Infelizmente, por cá continuam demasiado ténues os sinais de uma defesa da indústria do futebol e os principais clubes continuam entretidos em guerras de alecrim e manjerona."

José Manuel Delgado, in A Bola

Alvorada... do Júlio

Da hipocrisia...

"As pinturas rupestres de mãos, impressões positivas ou negativas, datadas entre 28 e 40 mil anos, quer sejam as mais antigas as de La Pasiega, de Chauvet ou da ilha de Sulawesi, transformaram o ser humano em espectador. O desporto transformou esse mesmo ser humano em espectador-consumidor.
Hannah Arendt dizia-nos que a excelência – areté – necessitava da presença dos outros, de um público formal. Em 1936 já Hitler tinha percebido isso ao fazer transportar a tocha olímpica de Olímpia para Berlim, quando a televisão dava os seus primeiros passos na divulgação das imagens de uns Jogos Olímpicos…
Mas os atletas também perceberam que a existência desse público formal poderia servir para passar as suas mensagens. Tommie Smith e John Carlos, ao fazerem a saudação típica dos Black Panthers no pódio, foram talvez dos primeiros a demonstrarem isso nos Jogos Olímpicos de 1968, no México. 
Recentemente, no mundial de futebol, na partida entre a Suíça e a Sérvia, que a primeira venceu por 2-1, Xherdan Shaquiri e Granit Xhaka, autores dos golos da Suíça, comemoraram os mesmos fazendo um gesto, com as mãos cruzadas, aludindo à águia de duas cabeças da Albânia. Disse-se que provocaram os adeptos sérvios… Contextualizemos: Xhaka é filho de pais albaneses de origem kosovar ao passo que Shaqiri é mesmo kosovar… e sabemos que a Sérvia não reconhece a independência do Kosovo.
A FIFA, solícita, abriu um inquérito e multou os dois jogadores suíços em 8,7 mil euros. Curioso a FIFA também sancionar jogadores que chamem «macaco» a um adversário considerando isso racismo e não sancionar um jogador por injuriar a mãe de um árbitro ou de um adversário porque esses termos fazem parte da linguagem do futebol… Hipocrisia ponto um!
Em 1999 a Nike pagou 500 mil dólares à União Ciclista Internacional para encobrir uma análise positiva de Lance Armstrong… (veja-se Albergotti, R. & O'Connell, V., 2014, “Lance Armstrong – o ciclista”, Alfragide, Livros D'Hoje). No entanto, a mesma Nike, em Outubro de 2012, ano em que Armstrong perde os seus 7 títulos do Tour, emite um comunicado onde expressa ter sido enganada por Armstrong durante mais de uma década e que a mesma “não tolera o uso de drogas ilegais que melhorem o desempenho desportivo”. Hipocrisia ponto dois!
E se o desporto criou o espectador-consumidor, a entrada da publicidade em jogo neste levou a alterações profundas no espectáculo. O que significa alterações profundas no desporto.
Antes da era Armstrong, alguém na Europa conhecia os US Postal? Ou deles tinha ouvido falar? Não, foi ele que lhes deu visibilidade, foi ele que os publicitou durante todos os anos em que os carregou às costas. Mas o Estado norte-americano pretende reaver de Lance Armstrong – como se só ele fosse patrocinado e não toda a equipa – a quantia de 85 milhões de euros por sentir-se defraudado pelo patrocínio abonado pelos US Postal entre 2000 e 2004… com juros referentes a 13 anos… Hipocrisia ponto três!
Se o consumo do desporto pelo espectador e a publicidade provocaram mutações no desporto, a intromissão da política no mesmo maior alteração veio a provocar. O atentado ocorrido nos J. O. de Munique, em 1972, e os boicotes aos J. O. de 1980, em Moscovo, e aos de 1984, em Los Angeles, são provas macro disso (não nos ocuparemos das provas micro por agora). Actualmente, muitos desportistas, principalmente de futebol americano, nos Estados Unidos, ajoelham-se durante a entoação do seu hino como forma de protesto em relação às políticas daquele país. Donald Trump já se pronunciou: “a primeira vez que se ajoelharem devem ser expulsos do jogo, à segunda devem ser proibidos de jogar durante a temporada e ficar sem salário”. Aguardemos os próximos capítulos… para vermos a força da política sobre o desporto ou a capacidade do mesmo resistir à intromissão da mesma.
“Uma vozearia rebentara no solar. Voltaram para trás a toda a pressa e tornaram a espreitar pela janela. Sim, eclodira uma violenta altercação. Havia gritos, murros na mesa, olhares ferozes de desconfiança, desmentidos irados. A origem do tumulto parecia residir no facto de Napoleão e o Sr. Bonifácio terem jogado simultaneamente dois ases de espadas.
Doze vozes gritavam, furiosas, e todas se assemelhavam. Era agora evidente o que sucedera aos rostos dos porcos. Os animais diante da janela olhavam dos porcos para os homens, dos homens para os porcos, e novamente dos porcos para os homens: mas era já impossível distingui-los uns dos outros.” Assim termina George Orwell o seu «A Quinta dos Animais». Assim se encontra o desporto… refém do espectador-consumidor, da publicidade, da política e da hipocrisia."

105x68... Quase a começar...

Benfiquismo (CMVI)

Por Inglaterra...

terça-feira, 31 de julho de 2018

A geração de 1999

"O futebol de formação em Portugal aparenta ser um mistério: um país pequeno, economicamente remediado, de fraca cultura desportiva e com poucos jogadores federados, tem resultados bem melhores do que seria de prever. Só em europeus de sub-19, fomos a três finais nos últimos cinco anos e a selecção de sub-21 esteve invencível de Outubro de 2011 a Junho de 2017.
A explicação para este sucesso está, em primeiro lugar, no trabalho feito nas academias dos clubes (dos três grandes, mas não só), na aposta que a Federação tem feito, dando condições únicas às selecções, mas, em importante medida, também na alteração do quadro competitivo. A este respeito, sublinhe-se os ganhos de maturidade que resultaram da criação das equipas B. Se no Euro 2016, nove dos 23 campeões europeus tinham jogado em equipas B, no último Mundial de sub-20, o mesmo era verdade para 20 dos seleccionados. Agora, neste europeu de sub-19, tivemos uma selecção formada por jogadores que, ainda mais jovens, já quase todos tiveram experiências em equipas B. Há um antes e depois das equipas B para o futebol de selecções jovens em Portugal. Sintomaticamente, os sub-21 estiveram os tais seis anos invencíveis a partir de 2011 e após terem falhado três vezes consecutivas a qualificação para o Euro (curiosamente, as equipas B foram criadas em 2012). Permanece, por isso, um mistério a aposta da Federação numa competição de sub-23 (que perpetua os campeonatos jovens) e o desinvestimento no projecto das B.
Mas, para além de explicações mais estruturais, sobra também o talento impressionante desta geração de 1999. Além dos jogadores de grande qualidade que estiveram na Finlândia, este grupo tem, pelo menos, mais seis jogadores que, por estarem nos A dos seus clubes, não foram ao europeu, mas que são uma mais valia. Com Dalot, Diogo Leite, Rafael Leão, João Félix, Gedson e David Tavares, este grupo, daqui a um ano, e se for exposto a um ambiente competitivo exigente nos seus clubes, tem todas as condições para trazer de volta para Portugal o título de campeão do Mundo de sub-20.
Sobra, contudo, uma inquietação. A passagem dos jovens talentos para as equipas principais continua a ser difícil: porque falham ou, muito pior, porque são vendidos prematuramente. Penso no caso do meu Benfica: Rúben Dias, capitão em todos os escalões, aparenta estar na porta de saída para o Lyon (!), antes de maturar como capitão na equipa principal; quando se vê o Jota a jogar, a sensação com que se fica é que deve estar na iminência de ser vendido por 15 milhões para um Wolverhampton da vida. Pior, isto numa altura em que o Benfica parece estar interessado, para a mesma posição, em Omur, um turco, também de 1999, com passagem ultradiscreta pelo europeu, com menos cinco centímetros do que o Jota, mas pelo qual, a crer na imprensa, terá sido feita uma oferta ao Trabzonspor de dez milhões de euros mais dois jogadores. O costumeiro carrossel de comissões e de intermediários que dá que pensar."

50%+1: A/C de Sporting e Belenenses e tantos outros

"A perda do controle da maioria do capital da SAD por parte do clube é tema central da campanha eleitoral para o Sporting e, um pouco por toda a parte, tem alimentado tristes novelas com desfechos tão tristes desfechos quanto o são o desaparecimento de emblemas históricos ou divórcios em praça publica entre clubes e respectivas SAD.
Num planeta futebol cada vez mais orientado para o dinheiro, o futebol alemão é o último bastião do fair play comercial, mas resistirá quanto tempo mais? O presidente-executivo do Bayern, Karl-Heinz Rummenigge, diz que chegou a hora de acabar com a regra dos 50+1 que até aqui tem impedido que investidores estrangeiros, muitos sem experiência anterior no futebol, assumam o controle dos clubes da Bundesliga.
A regra dos 50+1 estipula que o clube deve deter sempre uma participação social mínima de 50% mais uma acção, evitando assim que investidores com agendas guiadas mais pelos resultados económicos do que pelos resultados desportivos forcem mudanças nos clubes contra a vontade dos adeptos.
Entre outras externalidades positivas esta é a regra que tem mantido os preços dos ingressos baixos e os estádios cheios, dando à Alemanha a cultura desportiva mais saudável do futebol europeu.
Mas Rummenigge diz que esta regra torna os clubes alemães cada vez menos competitivos nas competições europeias, impedidos que estão de lutar com as mesmas armas dos clubes-empresa da Premier League. "Estão todos com medo de perdermos competitividade se nos abrirmos ao mercado mas o oposto já é verdadeiro, a Alemanha só tem a ganhar com isso", disse Rummennige. "Ou vamos por esse caminho também ou vamos acabar por pagar um preço de ficar de fora. (...) Temos que parar de promover o populismo. (...) A Alemanha não é uma ilha deserta."
A tentativa mais recente de derrubar a regra dos 50+1 fracassou em Março. A maioria dos 36 clubes das 1.ª e 2.ª Bundesligas votou favoravelmente a moção apresentada pelo mais romântico dos clubes alemães, o FC St. Pauli. Assim manteve-se o sistema de aprovação por parte dos clubes da liga da entrada de quaisquer investidores maioritários em qualquer um dos clubes membros. Este sistema de aprovação da propriedade entre pares é único na Europa, embora os investidores que tenham interesses registados num clube por pelo menos 20 anos possam pedir uma isenção ao mesmo, como a concedida à Bayer em Leverkusen ou à Volkswagen em Wolfsburg. Outra excepção é o Hoffenheim, onde o bilionário Dietmar Hopp foi autorizado a assumir o controle maioritário em 2014, após investir consistentemente no clube durante mais de duas décadas.
Num plano muitíssimo menos inclinado do que a derrapagem dos nossos clubes no ranking da UEFA, os clubes alemães vêm enfrentando dificuldades acrescidas nas competições europeias e nenhum clube da Bundesliga chega a uma final de uma competição europeia desde 2013.
O Bayern e o Eintracht Frankfurt são os grandes dinamizadores de uma revolução que, a ser bem sucedida, alterará definitivamente os paradigmas do futebol alemão enquanto modalidade popular, da e para a população. Para os clubes alemães será o cair da máscara de respeitáveis instituições sociais e formativas de promoção da pratica desportiva. Passaram a ser tratadas por um povo culto e responsável, como quaisquer outros promotores de uma actividade comercial.
Atendendo à festa familiar que é hoje o futebol alemão, não é certo que 'Herr' Karl-Heinz tenha feito bem as contas a tudo quanto o futebol alemão e os seus clubes podem vir a perder."

Os campeões sem medo

"Saúdo a selecção de sub-19. Somos campeões europeus, estão de parabéns os jogadores pelo brilhante percurso e vitória na competição, a equipa técnica liderada pelo Hélio Sousa e a estrutura da Federação Portuguesa de Futebol, pelo trabalho que têm desenvolvido para a promoção e desenvolvimento do jovem jogador português.
O sucesso dos sub-19 resulta de um trabalho articulado desde a captação ao treino e à competição regular, pelo que quero também saudar os clubes que apostaram na formação destes jovens atletas e das famílias que os apoiam. Estes resultados não surgem por acaso, conquistar os europeus de sub-17 e sub-19 não foi um golpe de sorte, foi o resultado de uma renovação das infraestruturas que acolhem o futebol de formação em Portugal, designadamente através do modelo de certificação das entidades formadoras.
Há, todavia, quem procure limitar esta aposta, insista em balizar por baixo, não tenha visão a médio ou longo prazo. É tempo de a política desportiva nacional se centrar no praticante. Uma politica integral e efectiva. Defender o jogador em todas as suas dimensões é defender o desporto e assegurar o futuro.
Em meu nome pessoal enquanto presidente do Sindicato, depois de destacar o mérito colectivo, quero também destacar o sucesso individual. A distinção do Trincão e o do Jota, um prémio ao seu talento, é um incentivo ao trabalho e ao crescimento e, paralelamente, inspira os demais colegas, projectando uma geração que dará, ainda, muitas alegrias a todos os portugueses.
Quanto à final, fica na memória muitos golos, sofrimento até ao fim, mas sempre atacar, sem medo. Não há barreiras insuperáveis quando se acredita. Dez dias volvidos de uma derrota com esta fantástica selecção italiana, mostrámos uma enorme capacidade de superação no duelo que realmente importava. Bem hajam!"

O futebol que aí vem...

"Não vale tudo para ganhar. E as justiças civis e desportivas parecem saber disso

Sérgio Conceição disso-o recentemente e com toda a razão. Esperemos que, esta época, os verdadeiros protagonistas do jogo sejam apenas jogadores e treinadores.
Nunca é de mais recordar mas, por vezes, torna-se demasiado fácil esquecer: são eles as estrelas deste espectáculo.
São eles que brilham em campo, que enchem o relvado, que desfilam talento. Talento que seduz, que procura vitórias, que tenta o sucesso.
São deles as jogadas inventadas nos treinos e a magia calçada nas botas.
São eles que fazem as tácticas e que marcam os golos. São eles que planeiam e são eles que executam. São eles que libertam o imaginário do adepto e que alimentam o sonho do menino que quer ser craque.
Os tempos são outros e a velocidade a que a informação circula é vertiginosa. Tudo se diz e tudo se sabe ao segundo, via multiplataformas que moram à distância de um clique.
Tal como tudo o resto, também o futebol está entregue à tecnologia.
Hoje parte considerável do mundo que o dirige, analisa e crítica fá-lo com legitimidade, mas sem nunca o ter sentido ou vivido por dentro, o que é perigoso. E estranho.
Por isso, permitam-me um conselho: pensem antes de agir, reflictam antes de falar. A vossa opinião pesa. Sejam sensatos. Correctos. Educados.
As atitudes e opiniões de quem tem responsabilidade podem e devem ser firmes e críticas, mas nunca falsas. Nunca ameaçadoras. Nunca incendiárias.
A difamação, a leviandade e a malícia contagiam a opinião pública. enervam o adepto. Destroem o trabalho honesto de gente competente, séria e com carácter.
O sucesso desportivo de um clube não deve ser conseguido fora das quatro linhas.
O futebol é uma actividade demasiado valiosa. Não pode dar abrigo a quem, directa ou indirectamente, o usa com agenda própria, para fins menos claros. Menos legais. Desonestos.
Não vale tudo para ganhar. E as justiças desportivas e civis parecem agora saber disso. Felizmente.
Porque o futebol que verdadeiramente interessa não é o dos egos, das ganâncias e da chico-espertice.
É o dos jogadores e treinadores. E mais cedo ou mais tarde voltará a ser. Esperemos que já em 2018/2019.

Duarte Gomes, in A Bola

PS: A utilização das palavras do Sérgio Conceição para 'ilustrar' esta opinião, só pode ter sido uma tentativa de sarcasmo por parte do autor.
Como é que uma pessoa que como jogador e agora como treinador, defende o Clube que é a maior ilustração do 'vale tudo para ganhar', o Clube responsável por todos os crimes possíveis e imaginários... O Clube da difamação, da malícia... Como é que esta pessoa, vem apelar à pacificação do Tugão!!!
Só por ter sido sarcasmo!

Alvorada... do Bernardo

Benfiquismo (CMV)

Jogar à apanhada!!!

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Chama Imensa... Formação, ICC, Alzeimher, Terrorismo, Fake News, Atletismo...

As Regras dos Jogos... Castigos inúteis e Pastéis...

Alvorada... do Gonçalves

A teoria do possível impera em Portugal

"Para os clubes portugueses, por razões diversas, este é, sobretudo, um mercado de verão feito de pequenos negócios

A menos de duas semanas do pontapé de saída da Liga (e antes ainda há a Supertaça Cândido de Oliveira e a entrada em cena do Benfica na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões), os clubes começam a tomar forma, mostrando virtudes e insuficiências que o tempo se encarregará de confirmar ou desmentir. Esta fase do ano é mágico, porque é o tempo de optimismo, da esperança, dos craques planetários que muitas vezes não passam de pés de chumbo, mas que, pelo menos, vão alimentando o imaginário dos adeptos, preenchendo as páginas dos jornais e a antena de rádios e televisões, e enchendo ainda mais os bolsos dos intermediários, públicos ou nem por isso, que funcionam entre clubes e jogadores.
Este defeso, em termos nacionais, fica marcado, sobretudo, pelo volume de pequenos negócios, já que, por razões diversas, os principais emblemas têm tido um mercado atípico.
Para o FC Porto, que tem em Militão um reforço bastante prometedor, a preocupação essencial tem estado em manter as peças mais importantes Marega, Brahimi, Aboubakar e Herrera. A seguir se verá se haverá condições para satisfazer mais alguns desejos de Sérgio Conceição.
Já o Sporting, a tentar recuperar do cataclismo brunista, tem conhecido alguns triunfos - a permanência de Bas Dost e Bruno Fernandes e a contratação de Nani - mas viu partir, em condições longe das ideias, valores com alta cotação de mercado e agora com valor inverto. Trata-se de uma circunstância excepcional, a que a SAD de Sousa Cintra tem dado a melhor resposta possível, mantendo viva, pelo menos, a chama de um futuro competitivo. Mas, se nada disto seria fácil em condições estáveis, num contexto eleitoral que deverá acentuar-se na próxima semana, a função de José Peseiro torna-se quase ingrata.
Quanto ao Benfica, que revelou alguns bons apontamentos nos jogos com Dortmund e Juventus, tem na eliminatória com o Fenerbahçe (e na seguinte, assim passe os turcos), a chave da época, não só em termos desportivos, mas também financeiros. E mesmo quanto a alguns negócios apetecíveis noutras circunstâncias (Rúben Dias, por exemplo), a SAD estará sempre condicionada pela necessidade, premente de aceder à fase de grupos da Champions."

Ás
Geraint Thomas
Depois dos compatriotas Bradley Wiggins e Chris Froome, Thomas tornou-se no terceiro britânico a vencer a Grand Boucle, uma competição que não vê em triunfador francês desde 1985 (Bernard Hinault). Aos 32 anos, o ciclista galês, campeão olímpico de pista em 2008 e 2012, atingiu o olimpo em paris: ganhou o Tour!

Ás
Francisco Trincão
Iniciou-se no Vianense, passou pelo FC Porto, mas acabou por ser na excelente escola do SC Braga que fez o seu desenvolvimento como jogador. Foi um dos jogadores mais importantes na conquista do Europeu de sub-19, cinco golos na fase final, e o seu pé esquerdo poderá fazer história no futebol nacional. Jackpot para o SC Braga!

Rei
João Filipe (Jota)
Tem 18 anos e vai para a décima segunda época ao serviço do Benfica, um dos exemplos mais flagrantes da filosofia made in Seixal. Fez um Europeu de sub-19 fantástico e embora as vitórias sejam das equipas deixou uma marca individual de futebol refinado que há de levá-lo longe. Tem tudo para cumprir carreira de sucesso.

Um 'player'que deve ser levado muito a sério...
«Decidi dar este passo para vencer, como é óbvio. (...) Se acham que era um presidente-sombra, agora passarei a ser às claras»
José Maria Ricciardi, candidato à Presidência do Sporting
José Maria Ricciardi tem sido, ao longo dos anos, uma peça influente no xadrez do Sporting. Porque manteve influência junto de instituições que estabeleceram parcerias com o clube e porque foi a voz ouvida atentamente por vários presidentes. Agora, decidiu ir a jogo e o mínimo que deverá fazer-se é levar a sua candidatura a sério. E ver quem o vai acompanhar nesta aventura...

O fenómeno Sky, seis Tours em sete anos
Até há bem pouco tempo, os ingleses não tinham expressão no Tour de France, onde entre 1903 e 2011 não venceram qualquer edição. De 2012 para cá, tudo mudou: seis triunfos em sete Tours, uma hegemonia da equipa Sky, que procura estar na vanguarda das tecnologias de preparação na alta competição...

Portugal, potência continental
Mais um troféu de campeão da Europa a caminho da Cidade do Futebol, desta feita na categoria de sub-19. Depois de finais perdidas, neste escalão que está em vigor na UEFA desde 2002, em 2003, 2014 e 2017, desta feita, apesar do sofrimento do prolongamento e das sucessivas cambalhotas no marcador, a taça assenta que nem uma luva à equipa de Hélio Sousa, que contou com sete elementos que tinham sido campeões europeus de sub-17 em 2016. Ou seja, há continuidade no trabalho, há talento nos jogadores e há competência nos técnicos. É claro que a FPF não pode ficar de fora neste rol de elogios e, 'last but not least', há que dar os parabéns aos clubes portugueses pelas condições que criaram e que representam a garantia de um futuro risonho."

José Manuel Delgado, in A Bola

Geração de ouro

"Os sub-19 garantiram ontem, na Finlândia, o primeiro título europeu sub-19 para Portugal. Percebe-se, logo pelo facto de dizermos ser o primeiro, que não estamos a falar de uma proeza qualquer, mas sim de um feitio que merece ser amplamente destacado. Até porque, percebe quem acompanhou esta equipa ao longo deste Campeonato da Europa, encontramo-nos perante uma nova geração de ouro, um grupo que há dois anos conquistou também o Europeu de sub-17, colocando ponto final num jejum de 13 anos no que a títulos internacionais ganhos por Selecções jovem diz respeito.
Há, neste conjunto que ontem bateu - de forma justíssima e até mais sofrida do que merecia - a Itália, talento muito acima da média. Bata olhar para jogadores como João Filipe (Benfica), Trincão (SC Braga) ou Rúben Vinagre (Wolverhampton) para sabermos estar perante jogadores capazes de fazer-nos olhar para o futuro com optimismo. Já para não falar que nesta equipa campeã da Europa podiam ainda estar nomes como João Félix, Diogo Dalot, Diogo Leite, Gedson Fernandes ou Rafael Leão. É, de facto, uma geração à parte. Talvez até comparável à que no final da década de 1980 e início da de 1990 garantiu a Portugal os títulos de campeão do Mundo de sub-20. Assim saibam os clubes aproveitar estes jovens, dando-lhes hipóteses de se afirmarem e resistindo pressão de os vender demasiado cedo e, muitas vezes, demasiado barato.
Uma palavra para Hélio Sousa. Um treinador discreto, incapaz de se colocar em bicos de pés mas de uma competência extraordinária. O trabalho que tem feito a FPF merece todos os elogios. Apoiado, claro, por uma estrutura competente que foi capaz de recolocar Portugal no lugar que merece no que aos escalões de formação diz respeito. Estão todos de parabéns."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Quatro nomes que são afinal cinco

"Se o internacional francês Djibril Sidibé se transferir do Mónaco para o Atlético de Madrid, como se espera, as vendas do emblema monegasco nas derradeiras quatro épocas ultrapassarão os 820 milhões de euros, o dobro daquilo que o clube gastou, no mesmo período, a contratar jogadores. Duvido que exista ou tenha existido no passado, no mundo do futebol, um êxito de gestão financeira dessa envergadura, para mais num clube que conseguiu ser campeão e luta em todas as frentes por alcançar títulos. Leonardo Jardim é o grande responsável por esse sucesso e vai ser muito bom poder acompanhar o desenvolvimento da sua carreira. Até onde chegará? Ainda tive uma vaga esperança que ele fosse a escolha do Real Madrid para suceder a Zidane, mas Florentino Pérez preferiu meter-se numa alhada. Azar dele.
Magistral o desempenho da talentosíssima Selecção de sub-19 – mais uma enorme geração de futebolistas que começou a impor-se – e perfeita a liderança de Hélio Sousa, repetindo a conquista do Europeu de sub-17, há dois anos, que não valorizámos o suficiente face ao estrondo da vitória da nossa equipa principal. Curiosamente, foi com a final perdida pelos sub-19, em 2014, primeira de seis alcançadas em quatro anos, que se tornou indiscutível o mérito do trabalho da Federação Portuguesa de Futebol e da presidência de Fernando Gomes. Tal como no caso de Leonardo Jardim, são os resultados – e não as simpatias, os lóbis ou as opiniões – que decidem quem vence e quem é derrotado.
Afinal, Jonas fica ou sai? Se ficar, pode ser um erro, pois o brasileiro é bem capaz de passar boa parte da temporada fisicamente diminuído, uma vez que o corpinho insiste, aos 34 anos, em dar sinais de alerta. Se sair, pode ser um erro porque o Benfica perde golo, garra, lucidez no ataque e um perfume de futebol que só os grandes artistas produzem. Difícil encruzilhada, essa.
E fecho hoje os dois últimos parágrafos a verde e branco, começando pela anedota de há dias, quando se falou que Luís Figo estaria a ponderar uma eventual candidatura à liderança do Sporting. Claro que com a ligeireza com que surgiu, a "ponderação" terminou naquilo que todos nós, veteranos destas guerras, esperávamos: em zero. Figo fez bem porque a sua falta de empatia com os adeptos leoninos levá-lo-ia muito provavelmente à derrota. E foi bom também para o Sporting, já que o risco de o seu antigo jogador poder ganhar existiria sempre e o clube já tem, nesta altura, duas ou três alternativas melhores.
Agora, que se veem tantos candidatos à presidência dos leões, parece-me ser o momento oportuno para recordar aqui os difíceis tempos de há 30 anos, quando o clube estava quase falido e atravessava a maior crise da sua história até então. Os notáveis de Alvalade hesitavam em avançar ou arranjavam desculpas – e Sousa Cintra, chamado a apoiar Carlos Monjardino, não teve outro remédio que não fosse fazer-se à estrada. Na crónica da próxima semana, o actual líder da SAD leonina contará, em discurso directo e ao pormenor, como se candidatou às eleições de 1989, que veio a ganhar, sucedendo a Jorge Gonçalves e salvando o Sporting."

Sub-19: Jota, Trincão e tanto talento para gerir com pinças

"O futuro começa já esta segunda-feira, dia de regresso a Portugal.

O pior que pode acontecer é colarem-lhes rótulos. «Geração de Ouro» no colectivo, «novo Ronaldo», «novos qualquer coisa» no individual. Esqueçam isso.
Já o melhor que pode suceder-lhes é que olhem a sério para eles. Nem todos terão deixado o mesmo rasto, mas todos merecem que, antes que se desbravem terrenos desconhecidos pelo estrangeiro e se encontrem jogadores de qualidade duvidosa, tenham primeiro o seu nome como opção.
Diogo Dalot, lateral. Diogo Leite, central; Gedson, médio; David Tavares, médio; Rafael Leão, extremo; e João Félix, avançado. Estes foram alguns dos que não viajaram, por diversas razões. 
Diogo Costa, guarda-redes. Na véspera. Miguel Luís, médio. No aquecimento. Os dois falharam a final. Jogadores obviamente nucleares, lesionados na pior altura de todas.
No entanto, ainda assim, Portugal foi campeão da Europa. Que enorme prova de qualidade!
João Filipe, o tal Jota, brilhou intensamente. Trincão acompanhou-o de tal maneira que mais parecia um dueto. Mas houve mais. Quina foi sempre um quebra-cabeças com aquele drible curto, Vinagre um lateral disponível para fazer piscina atrás de piscina, José Gomes um pivot fiável, capaz de abrir espaços para os companheiros. Florentino sempre equilibrado, nos dois papéis, o defensivo e o de construção.
Até Pedro Correia voltou a entrar para marcar.
Há ali talento. Trabalho, mas muito talento.
Há ali jogadores a apontar para uma primeira equipa, seja ou não no clube-mãe, e para uma primeira liga. Há nomes óbvios, e o de Jota é ainda mais óbvio pela diferença que teve para todos os outros, portugueses e não só, na Finlândia. A gestão do seu talento, como o de Trincão e o dos colegas, começa amanhã, no dia da chegada.

P.S. Excelente o trabalho de Hélio Sousa, claro. Muito bom o suporte dado pela Federação, que tem a formação cada vez mais bem estruturada, e só assim se mantém no topo. Bem, os clubes na aposta até à idade sénior. Faltará apenas a continuidade, de todas as partes."

Era o que faltava

"Vaga para o troféu referente ao título de sub-19 está, finalmente, preenchida. É tempo de pensar no futuro dos rapazes

Portugal reafirmou-se como potência do futebol de formação. Nas vitrinas da Federação Portuguesa de Futebol deixa de haver troféus em falta, porque este, do escalão sub-19, era o único que tinha a vaga por preencher. Nas ocasiões anteriores escapara-se, a diferença pode ter sido um pontapé de canela que entrou em vez de um remate tecnicamente perfeito esbarrado num poste. Mesmo sendo esta uma idade em que estar presente nas discussões é o mais importante, ganhar é o pormaior, a excelência, e não acontece por acaso. Há uma história e um trabalho.
Como lembrava ontem aqui em O Jogo o professor Jesualdo Ferreira, já lá vão umas décadas desde que "Portugal deixou de ter vagas de jogadores bons para ter equipas consistentes". E eis-nos perante o melhor de dois mundos: uma geração de grandes jogadores que é também uma equipa consistente, solidária, evoluída técnica e tacticamente, tudo quanto se pode sonhar. E se lembrarmos que nesta selecção também poderiam estar também Diogo Dalot, Gedson, Diogo Leite, João Félix e Rafael Leão, percebe-se que o futuro é destes rapazes. E o futuro é já ali ao virar da esquina, para alguns poderá ser já no próximo Europeu, outros ficarão para o Mundial. Também haverá quem passe ao lado, é inevitável.
Na hora de ganhar, é justo lembrar o investimento dos clubes, as boas condições e organização da Federação, bem como o talento dos jogadores, mas também é tempo de cuidar do passo seguinte. As equipas B fizeram muito bem a estes miúdos, a tentação de os vender já por tuta-e-meia poderá fazer muito mal a alguns deles. Quando terminar a festa, é preciso pensar na vida!"