Últimas indefectivações

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A maldita canhota

"Já não tenho paciência para a novela sobre o sebastiânico lateral esquerdo para o Benfica. Encontrar o dito é quase tão difícil como descobrir o bosão de Higgs também conhecido como a partícula de Deus. No caso do SLB, será mais apropriado falar em partícula de Jesus.
Neste defeso já não tem conta os putativos candidatos. Um deles, Rojo, apesar do seu nome ser da cor benfiquista, acabou nos verdes. Assim se estendeu ao SCP o serviço de scouting que desde há anos o SLB municia pro bono o FCP.
Esta coluna não chegaria para enunciar as experiências falhadas nesta década para a tal posição. Aparte Coentrão, uma notável adaptação de Jesus mas que, tal cometa, tão depressa se revelou como saiu, e de Léo que foi injustiçado, já se exprimentou de tudo. Portugueses e estrangeiros, cristãos e mulçumanos, jovens e velhos, brancos e negros, louros e morenos, altos e baixos, falsos lentos e falsos rápidos, promessas e consagrados, campeões de bairro e do mundo, ex-juniores e pré-reformados, dos PIGS e das pampas. Todos foram devolvidos à procedência com factura paga (no total já quanto?) ou emprestados a custo (não) zero.
Os jogos do Benfica na Polónia mostraram à sacidade que Melgarejo - um bom jogador - não serve para lateral e Luisinho não passa de um esforçado suplente. E mesmo do lado direito não há concorrente imediato para Maxi. A não ser que se adapte Djaló, que, todavia, deveria estar mais perto da saída de um plantel onde não cabe.
O síndroma Roberto virou maldição canhota. Não lembra ao diabo que tanta gente bem paga no clube não trate dos 'buracos' do plantel a tempo e horas.
Ora bolas!"

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 24 de julho de 2012

Eusébio...





A apresentação oficial do Benfica aos sócios, vai decorrer na próxima Sexta-feira, na edição deste ano da Eusébio Cup... Vive-se actualmente no Benfica momentos muitos especiais, aparentemente o Benfica é a única equipa Europeia que ainda não tem o plantel definido, todos os outros já venderam todos os jogadores, e já compraram todos os jogadores que queriam!!! Mais: o presidente Vieira, e o treinador Jesus são os principais culpados, pelas férias prolongadas dos principais jogadores do Real Madrid, que assim deve vir à Luz sem as suas grandes estrelas!!! Que incompetentes!!!
Haja paciência...!!!

Incongruências

"As incongruências no futebol são cada vez mais chocantes. Por um lado Platini, do alto do seu púlpito presidencial da UEFA, prega o fair play financeiro, sob pena de exclusão das competições europeias. Por outro, o xeque Al Thani, novo patrão do PSG, marimba-se para o fair-play e compra a eito os maiores bigs da Europa por quem paga fortunas: 100 milhões de euros por Lavezzi, Thiago Silva e Ibrahimovic. Só este recebe 14 milhões de euros/ano mais bónus, um salário que escandalizou o próprio inquilino do Eliseu. E assim a Itália vai ficando cada vez mais depauperada de estrangeiros de referência. O grande mal, porém, não é o faraónico ordenado do sueco mas a loucura que globalmente se paga pelo custo da mão-de-obra. Oito clubes em dez têm despesas com o pessoal que absorvem todo o orçamento de receitas! Agora que as vendas estão em queda livre, quem suporta as despesas de funcionamento?
O fogo de artifício também se apagou em Espanha, onde o mercado está parado e o Málaga, que tem atrás de si outro xeque, corre o risco de ver fechada a porta da Europa. Por sua vez, o Barcelona viu-se obrigado a desistir de renovar o contrato a Keita (foi para a China) para não ter de pagar 52 por cento de IRS em vez dos 24 da prescrita lei Beckham e, espantem-se!, ter perdido o apoio da banca. Do mesmo mal padece o Real Madrid, que em 2009 precisou de um empréstimo de 80 milhões de euros da Caja Madrid, ainda em dívida, para adquirir os passes de CR7 e Kaká. Entretanto, a Caja e outros institutos financeiros foram fundidos no Bankia, que faliu, e houve quem sugerisse que os certificados dos dois jogadores fossem entregues ao Banco Central Europeu como garantia. Vejam bem onde isto chegou."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Desporto de Verão

"Sem Futebol a sério, o período que vai do fim de Maio (fim de Junho, quando há Europeus ou Mundiais), até meados de Agosto, é altura para prestar atenção a outras modalidades, e a outros palcos do Mundo do Desporto. É altura, por exemplo, de acompanhar a Volta à França em Bicicleta, uma das mais belas competições desportivas do planeta, recheada de história e de lendas, que me encanta desde tenra infância.
Devo confessar que despertei para o Ciclismo e, em particular para o Tour, por via de um... sportinguista. Eram tempos em que o clube de Alvalade ainda impunha algum respeito, discutindo títulos em várias modalidades, e ostentando figuras de renome. Falo naturalmente do grande Joaquim Agostinho, cuja trágica morte - de camisola amarela vestida, numa rua de Quarteira - me deixou destroçado.
Agostinho, como também, por exemplo, Carlos Lopes, eram atletas de excepção à época totalmente incomum em desportistas portugueses (só a de Eusébio se lhes sobrepunha).
Tinham o senão de vestirem as cores erradas (embora os melhores tempos de 'Tino' tivessem sido passados ao serviço de equipas estrangeiras), mas nem por isso deixavam de ser objecto de admiração e estima de todos os seus compatriotas. Os dois terceiros lugares de Agostinho, sempre atrás de Bernerd Hinault e Joop Zoetemelk, são as mais remotas memórias que tenho de uma modalidade que desde então me apaixona profundamente.
Mesmo sem que o Benfica faça parte do seu universo presente - coisa que lamento, mas não deixo de compreender face às especifidades financeiras do Desporto velocipédico.
Particularmente as subidas aos Alpes, aos Pirenéus, e a chegada aos Campos Elísios (que em 2011 tive a felicidade de presenciar ao vivo), são momentos que o meu Verão não dispensa. E nem os casos de doping, passados e presentes, me afastam da 'Grand Boucle', ou das suas histórias de sofrimento, coragem e resistência, sempre emolduradas pelas deliciosas paisagens que a França tem para mostrar ao Mundo."

Luís Fialho, in O Benfica

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O homem da brilhantina (II)

"Estávamos já em plena segunda volta do Campeonato de 2008/09, jogava-se um FC Porto-Benfica no Estádio do Dragão e, em caso de vitória, os 'encarnados' isolavam-se na liderança da prova. À época, o Benfica era orientado pelo espanhol Quique Flores. O seu futebol não impressionava, mas o do FC Porto de Jesualdo Ferreira, com 14 pontos perdidos nas primeiras 14 jornadas, também não convencia muita gente. As equipas equivaliam-se na mediania, e a diferença foi, uma vez mais, estabelecida por conta de outrém.
O clássico até começou bem. Um golo de Yebda, na sequência de um canto, colocou o Benfica em vantagem pouco antes do intervalo. O tempo foi passando, e o resultado de 0-1 prevalecia no marcador. As campanhias de alarme terão então soado e alguns ouvidos mais sensíveis. Era preciso fazer alguma coisa, e havia que encontrar rapidamente um pretexto. Já perto do final, Lisandro Lopez mergulha para o relvado numa encenação mal esgalhada, que nem o próprio deverá ter achado conviciente. Era a ocasião perfeita para o homem da brilhantina mostrar os seus dotes. Penálti! Apitou ele de pronto. O FC Porto empatou e acabaria por ser campeão.

A marca do artista
Por esta altura, já o nome do personagem constava da lista de obséquios da UEFA. Essa mesma UEFA, na qual se movem e cruzam interesses obscuros, e onde a proximidade a algumas figuras influentes do Futebol português é maior do que parece.
No ano seguinte, o Benfica conseguiu por fim chegar ao ansiado título. Fê-lo com todo o mérito, sobrepondo-se às adversidades que lhe foram sendo colocadas no caminho - às quais respondeu com um Futebol deslumbrante. Há Campeões assim: grandes! Outros nem tanto. Nós, para sermos felizes, temos de ser muito melhores que todos os outros, e superiorizarmo-nos às forças que nos querem destruir. Temos de jogar sistematicamente contra catorze, e só as grandes equipas conseguem fazê-lo com sucesso. Esse Benfica (com Di Maria, David Luíz, Ramires e Fábio Coentrão, entre outros) era uma extraordinária equipa, e ninguém a conseguiu parar. Era muito melhor que as outras. Quando somos iguais, ou, apenas, ligeiramente melhores, normalmente perdemos, pois há sempre uma mão diligente que faz pender os pratos da balança para o outro lado. Em 2010, essas mãos não foram suficientes para nos fazer cair, e no meio dos festejos, pouco benfiquistas terão recordado com rigor as arbitragens terão recordado com rigor as arbitragens de toda a temporada. Alguns, inebriados pela conquista, terão até acreditando que a obscuridade pertencia a tempos passados, e que o Futebol português caminhava para a purificação. Nada mais errado. Basta lembrar aqui dois dos jogos que o artista da brilhantina nos apitou nessa época. Em Alvalade, permitiu que agressões de Adrien Silva e Anderson Polga ficassem impunes, e subtraiu-nos dois pontos, retirando-nos provisoriamente do primeiro lugar da tabela classificativa. Mais tarde, no chamado 'jogo do título', frente ao SC Braga na Luz, poupou a expulsão a Renteria (por agressão a Di Maria), e deixou passar um claríssimo corte com a mão do Peruano Rodriguez, que poderia ter tido influência decisiva no jogo, e no título. Não me recordo se Domingos Paciência lhe terá dado o habitual e caloroso abraço no fim do jogo. Mas lá que o homem merecia, disso não restam dúvidas.

Novamente em acção
À partida para a temporada de 2010/11, o Campeão Benfica era tido como o principal favorito ao título. Mantivera a base da equipa, e reforçara-se com nomes prometedores. Era o alvo a abater. Não entrou bem na época, em parte por culpas próprias, mas, sobretudo, por culpas de terceiros.
Falou-se de Olegário Benquerença (outro árbitro de elite da UEFA), que nos matou as esperanças com uma arbitragem assassina em Guimarães. Falou-se de Cosme Machado, que abriu as hostilidades no jogo da Luz com a Académica, logo na ronda inaugural. Mais uma vez, o homem da brilhantina passou por entre os pingos da chuva.
A verdade, porém, é que também ele ficou ligado a esse triste começo de época, com um arbitragem tão má quanto as piores, na Choupana, onde dois penáltis ficaram por assinalar a nosso favor - corte com a mão de um defensor madeirense; e rasteira a Fábio Coentrão -, e onde deixámos os três pontos. Nessas semanas desenhou-se o destino de mais um Campeonato. Em 2011/12, as coisas não seriam muito diferentes.
(parte III na próxima semana)"

Luís Fialho, in O Benfica

O 13º Olímpico !!!


O Pedro Isidro tornou-se hoje o 13ª atleta do Benfica (o 11º na comitiva Portuguesa) a marcar presença nos Jogos Olimpicos de Londres.
O Pedro vai participar nos 50Km Marcha, provavelmente a prova mais dura dos Jogos!!!
Recentemente, o Pedro retirou 13 minutos ao seu recorde pessoal!!! Mas essa marca 'só' dava para o Mínimo B fixado pela FPA. Como já havia um atleta Português com o Mínimo A (João Vieira), o Pedro ficou como suplente, mas como os Mínimos impostos pela FPA eram mais exigentes do que Mínimos exigidos pela Federação Internacional, o Comité Olímpico Português, juntamente com a FPA, decidiram mudar os critérios e resolveram 'convocar' o Pedro Isidro, premiando assim o esforço do atleta... que assim se vai estrear nos Jogos...
Parabéns Pedro...

Os tempos

"Uma boa gestão dos tempos é, por norma, um acto de sensatez. Conseguir ter a sensatez de perceber isso é um bom acto de gestão.
Nos tempos que correm, a opinião faz-se na vertigem do momento e não na ponderação dos diferentes momentos. Só assim se explica que, com base na observação de um ou dois jogos, de cinquenta minutos de exibição numa pré-época, se possam tirar conclusões absolutas sobre a mais-valia ou não de um jogador. Temo-lo visto a propósito do lado esquerdo da defesa do Benfica. A adaptação de Melgarejo tem servido para todas as teses, opiniões e conclusões por parte dos opinadores. Agora, é tempo de observar, é tempo de experimentar e, brevemente, será tempo de avaliar a decisão tomada. Antes de todos estes tempos, veio o tempo de reflectir. Depois, e só então, será o tempo de tirar conclusões. Em seguida, agir-se-á de acordo com as conclusões retiradas. Tudo isto terá de ser feito em tempo útil, mas sem termos no nosso treinador a precipitação de julgar de acordo com os ecos extemporâneos da imprensa. Se assim não for, arrisca-se tanto o sucesso do jogador como o do grupo de trabalho e o do próprio treinador.
Num plano diferente, observámos como a Liga de Clubes se precipitou na regulação dos empréstimos de jogadores. Muitas vezes apelei para a necessidade de regulamentar essa matéria, mas a Liga trocou os tempos. Começou pelo tempo da implementação da medida antes de ter feito o tempo da reflexão acerca da mesma. Isso inviabiliza qualquer possibilidade de sucesso numa medida que até poderia ser benéfica para o futuro do futebol português.
Seja treinador ou seja dirigente, quem lidera tem de saber gerir os tempos, sob pena de perder a razão pelo facto de a ter antes do tempo."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

No traçado da emoção

"Chama-se BENFICA NO DESENHO DA HISTÓRIA. É o meu novo livro, produto oficial SLB com textos da minha lavra e desenhos da Sofia Zambujo, uma talentosa benfiquista, cujas ilustrações me motivaram a endereçar-lhe o convite para a consecução da obra.
BENFICA DESENHO DA HISTÓRIA retrata, em imagens e em textos, os 120 melhores jogadores e os dez mais destacados treinadores da história centenária do nosso Clube.
Trata-se de um longo cortejo que permite mergulhar (melhor ainda, saborear) os feitos de uma maúça de gente que emprestou majestade, que conferiu primazia, que protagonizou mística, que concitou aplausos infindos.
BENFICA NO DESENHO DA HISTÓRIA, cujo lançamento, na Luz, está aprazado para a próxima semana, afigura-se mais um documento susceptível de conferir elevada auto-estima a todo o universo vermelho
Retrata coisas boas, proezas irrepetíveis, odisseias sem igual. A preferência das 130 figuras pode não ser consensual? Mas será que haveria duas escolhas iguais? Seguramente, passe a imodéstia, não vai suscitar nenhum sobressalto, ainda que talvez este ou aquele reparo.
BENFICA NO DESENHO DA HISTÓRIA, com um texto institucional do presidente, Luís Filipe Vieira, e prefácio do grande escritor e benfiquista, José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, é mais um contributo para valorizar o património bibliográfico do Glorioso. Como é que me sinto, mentor do projecto e co-autor do livro? Gloriosamente feliz, gloriosamente emocionado. Com uma dedicatória veneranda ao meu Benfica."

João Malheiro, in O Benfica

50 anos

"1. Permitam-me que esta crónica comece na primeira pessoa. É que na quarta-feira passada, à hora a que assistia ao nosso jogo de solidariedade 'Um gesto contra a fome', completavam-se precisamente 50 anos sobre a minha presença num torneio (nocturno, a meio da semana) de captação do Atletismo do Benfica, na antiga pista do Campo Grande, então denominado Torneio para Sócios e simpatizantes. Tinha 15 anos, corri 600 metros, fui terceiro, no final dei o nome e a morada e dias depois fui convocado para a antiga secretaria da Rua Jardim do Regedor.
Tinha cumprido um sonho: era atleta do Benfica! Já era sócio, já ia a todos os jogos, mas iniciei então um percurso mais por dentro do Clube. Fui um atleta dedicado, mas apenas mediano, mas foram anos que não mais esqueci e que marcariam o percurso da minha vida. Ao Benfica o devo.
Curiosamente, 50 anos passados,participei, com a camisola do Benfica, no Campeonato Nacional de Veteranos. Igualmente sem grande brilho, mas ajudando, dentro das possibilidades, a que a nossa equipa conseguisse um 2.º lugar colectivo, não longe do título. E nela estavam desde o mais velho atleta dos campeonatos, o dedicadíssimo Adriano Gomes (89 anos!), ao nosso antigo atleta olímpico, Pedro Curvelo, e aos antigos internacionais José Pedroso e Ricardo Lemos, entre outros. Não conseguimos igualar os feitos de todas as equipas masculinas do Benfica, que esta época fizeram o pleno, sagrando-se campeãs (absolutos, sub-23, Juniores, Juvenis). Mas o Benfica esteve bem representado na pista do Luso, só perdendo para a mais numerosa equipa do Cucujães.

2. O FC Porto não tem Voleibol há vários anos e nunca teve Futsal. Há dois anos, acabou com o atletismo pois quis continuar a ganhar campeonatos 'alugando' no estrangeiro mais de metade da equipa no fim-de-semana dos Campeonatos e a Federação, logicamente, aprovou um regulamento que o impedia. Agora, sem o assumir, parece ter acabado com o Basquetebol, após os tristes acontecimentos no seu pavilhão, aquando do título benfiquista, e depois de ter renovado alguns contratos e contratado novos jogadores. De repente, parece terem chegado à conclusão de que não havia dinheiro. É lá com eles. O problema é se começam também a perder ´no Hóquei com regularidade. Lá se vai mais uma modalidade..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Para descontrair com o Dimitri...

Lembrei-me de vir cá por isto...

domingo, 22 de julho de 2012

Objectivamente (Proença)

"O facto de Pedro Proença ter apitado as finais da Liga dos Campeões e do Europeu de 2012 não muda nem um bocadinho a ideia que tenho sobre este pretencioso árbitro, que se acha o máximo, e que até teve o desplante de criticar as autoridades portuguesas pelo facto de ninguém o ter ido esperar ao aeroporto quando chegou de Kiev. Reclamou aos jornalistas porque secretários de Estado e ministros foram esperar medalhados e - imagine-se! - a selecção portuguesa. Mas não foram esperar o árbitro. Que injustiça!
O que ele fez na final do Europeu também não foi tão fantástico assim! Um penalti claríssimo - daqueles que em Portugal ele bem vê - a favor da Espanha ficou por marcar e na altura em que foi, até poderia ter encaminhado as coisas a favor dos italianos quando tão evidente a supremacia dos campeões do Mundo e da Europa!
A Espanha ganhou de forma inequívoca e nem o apoio por vingança - vá lá perceber-se porquê - de alguns populistas portugueses aos italianos, deram a força suficiente para empurrar os italianos na hora do massacre dos «nustros hermanos»!
Nós não devemos evidenciar no futebol aquela reconhecida fraqueza da inveja, da mesquinhez e dos complexos de inferioridade que por vezes assolam as cabeças lusas quando se trata de avaliar aqueles que são melhores que nós! A selecção de Espanha, que joga à «Barcelona de Pep Guardiola» não deveria irritar, nem dar sonolência (como tiverem a ousadia de dizer alguns ignorantes comentadores), só porque é o oposto do «pontapé prá frente e fé em Ronaldo» do Mourinho de Madrid! A mesma receita para Pedro Proença: Não se julgue um Deus só porque teve bons padrinhos para chegar onde chegou esta época! A única coisa que lhe peço é que apite cá em Portugal como o faz no estrangeiro! Se ele fizesse isso de certeza que não participava naqueles escândalos como foi o célebre golo do Maicon 2,5Km fora de jogo!
O resto é conversa para entreter distraídos! A mim não me engana!"

João Diogo, in O Benfica 

Detector de insuficiências !!!


PSV 3 - 1 Benfica

Primeiro desaire da época, num jogo onde o Benfica voltou a entrar muito bem, marcou um golo, mas até podia ter marcado mais... jogo quezilento, e com o Artur a ter pouco trabalho - a melhor oportunidade do PSV é num contra-ataque, com duas bolas em campo, em simultâneo!!! -, com as alterações na equipa o Benfica perdeu objectividade e consistência ofensiva, mesmo assim o Witsel podia ter feito o 2-0, e num lance de bola parada - quando nada tinha feito para o merecer - o PSV empatou, aqui notou-se alguma falta de pernas do Benfica, que com menos de 20 horas entre os dois jogos, e com alguns jogadores a fazerem os 180 minutos, o Benfica não teve capacidade de resposta... Com a expulsão do Maxi o Benfica acabou por ter 'sorte', em não sofrer mais golos...!!!
No segundo golo, o Melga foi à 'queima' e foi ultrapassado... felizmente o nosso treinador no final do jogo com os Polacos, afirmou claramente que o Benfica precisa de um defesa-esquerdo.
O excesso de minutos que o Luisão, o Garay, o Maxi e Javi tiveram neste fim-de-semana merecem uma analise: se no caso do Javi isso aconteceu devido à lesão do Matic; no caso do Maxi deveu-se à falta de opções para defesa-direito; mas no caso dos Centrais nota-se uma clara desconfiança em relação ao Jardel e ao Miguel Vítor...!!!
O árbitro que na 1ª parte já tinha perdoado uma penalidade aos Holandeses - quando o Cardozo é agarrado... - permitiu um bloqueio em movimento, e em falta sobre o Melga - sim, este tipo de bloqueio é falta... - no canto que deu o primeiro golo. Com os jogadores cansados, a chegarem atrasados à bola, as faltas foram constantes, algumas bastante duras, para os dois lados, mas com os nossos adversários a exagerarem... e sempre com a complacência do árbitro... inclusive numa agressão ao Gaitán - que sofre falta por trás, levanta-se e é agredido... -, que acabou com um amarelo para cada lado!!! Logo depois o Maxi é expulso com duplo amarelo, com o árbitro a usar um critério completamente oposto ao usado anteriormente, até nos foras-de-jogo houve mudança de critério: no início foram mal marcados vários foras-de-jogo às duas equipas, na 2ª parte o PSV na mesma jogada, conseguiu ter jogadores em fora-de-jogo em duas ocasiões distintas, e nada foi marcado!!!
Resumindo, nesta pré-época o Benfica pensou em tudo!!! Exigindo inclusive arbitragens 'à Proença'!!!
As leituras apocalíticas que li na Glorisesfera logo após este jogo, só demonstra, que grande parte dos 'clientes' dos hospícios deste País, andam à 'solta' e têm acesso à Net!!!
As pré-épocas perfeitas - só com vitórias -, normalmente dão mal resultado, é preciso muitas vezes uma chamada 'à real'... este jogo mostrou algumas fragilidades da equipa - apesar de todas as condicionantes, com as lesões e com o tempo de recuperação entre os jogos -, não foi um péssimo jogo, foi um jogo menos conseguido na 2ª parte, contra uma boa equipa, bem orientada, com jogadores talentosos, que vai entrar em competição 2 semanas antes que o Benfica. Jogar com equipas de escalões inferiores, ou recém-promovidos, seria mais fácil, jogar com equipas que vão jogar a Champions - ou pelo menos as pré-eliminatórias -, é mais difícil, os resultados podem não ser os mais espectaculares, mas provavelmente é o melhor para avaliar as necessidades da equipa... E esta pré-época do Benfica, até tem sido positiva analisando os resultados, mesmo com a derrota de hoje.

Limpeza geral !!!


O João Ribeiro tornou-se hoje Campeão Nacional de Canoagem, no K1 1000, no K1 500 e no K1 200 !!!
Não foi surpresa - devido a algumas ausências -, mas nem sempre o favorito, confirma os créditos...

Agradável, com dois 'soluços' !!!


Slask Wroclaw 2 - 4 Benfica

Bons momentos, muito desperdício, jogo controlado com dois golos de vantagem... uma mistura de azar (é o que faz, jogar-se futebol, com bolas de 'praia'!!!) e descompressão, complica as contas, jogo empatado, Benfica volta a acertar o ritmo, e os golos apareceram naturalmente...!!! Tudo poderia ter sido mais fácil, o Jesus poderia até ter tido uma gestão diferente da equipa, já que amanhã temos outro jogo, mas com o 'susto' a meio da 2º parte não foi possível, assim com o PSV alguns jogadores vão ter que repetir os 90 minutos...!!!
O Melgarejo tem melhorado a defesa-esquerdo, mas mesmo assim continuo a pensar que é imperioso contratar um verdadeiro defesa-esquerdo; infelizmente o Bruno César continua a desperdiçar as oportunidades no 'meio'; o Ola John continua numa 'onda' colectiva diferente...
Espero que o Witsel não se lembre de fazer algo 'parecido', na próxima Sexta, no jogo com o Real, se o fizer, a saída será inevitável!!!

PS: Hoje a equipa B, voltou a perder, com um adversário da I Liga. Com os empréstimos a clubes da I Liga novamente autorizados, vários jogadores da equipa B já mudaram de ares, outros parece que vão seguir o mesmo caminho, eu não concordo. A equipa B foi criada para 'rodar' os nossos jogadores, assim, por este caminho, ainda vamos jogar a II Liga com a nossa equipa de Juniores!!! Concedo 2 excepções: Oblak, a posição de guarda-redes é diferente; e o Miguel Rosa, que já não é um 'jovem' e depois de várias épocas na II Liga já merecia a I Liga. Os outros para mim ficavam todos na equipa B, todos, sendo que em caso de emergência podiam 'saltar' para a equipa principal...

sábado, 21 de julho de 2012

Mantorras

"Já aqui escrevi que Pedro Manuel Torres, Mantorras, merecia mais da vida e do Futebol. Mas de facto, alguns adversários e algumas arbitragens não deixaram jogar o Mantorras. O fenomenal angolano, de 'águia ao peito', pegava na bola e antes que fizesse gato-sapato dos adversários, como fez do Sporting num jogo ainda com a camisola do Alverca, era vítima das mais brutais, traiçoeiras e impunes agressões. E foi assim que Mantorras sofreu uma dramática lesão num joelho, quatro intervenções cirúrgicas e três anos de afastamento dos relvados. Apesar de tudo, Mantorras ainda foi um jogador talismã numa época do Benfica campeão, em 2004/2005, quando saltava do banco e resolvia. De maneira que, para além de embaixador do Benfica, Mantorras talvez também pudesse dar alguns conselhos particulares a novos atletas do Clube sobre a colocação na área, a oportunidade de meter o pé à bola e o instinto pela baliza adversária.
Mantorras despediu-se do relvado da Luz, com a camisola que tem a cor e o emblema do seu coração, num início de época em que o Benfica procura identidade de um novo plantel. O Benfica está a preparar a época com um plantel que, porventura, não será rigorosamente aquele que vai disputar as competições em que O Glorioso vai estar envolvido. É estranho ver evoluir em campo jogadores que eventualmente não ficam e não conhecer ainda outros que estarão possivelmente para chegar. Seja como for, o Benfica já confirmou nos primeiros jogos a sua vocação de equipa de ataque, capaz de criar numerosas ocasiões de golo.
Mantorras não era apenas um matador. Ele próprio fintava e por vezes sentava os adversários, conduzia a bola e finalizava. Mas é por ventura pelo instinto do finalizador que ele deixa mais saudades. E também pela alegria com que jogava."

João Paulo Guerra, in O Benfica

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Mantorras - adeus ídolo

"Os grandes nomes do futebol, muitos do passado mas também alguns do presente, provaram na Luz, juntamente com mais de 30 mil adeptos e com a total disponibilidade benfiquista, que não perdem de vista as causas sociais - infelizmente, no século XXI, onde a manda a tecnologia, mas como grassa a hipocrisia de muitos governantes, ditadores assumidos ou disfarçados de colarinho branco, que já não é só em África ou na Ásia que se morre de fome. Fome; ter fome; morrer de fome; sobreviver com fome -, Luís Figo, os seus amigos e o SL Benfica deram o muito que ainda têm e mostraram ao mundo que há gestos que ficam para toda a vida.
Dessa noite de solidariedade fica também o adeus ao futebol de um daqueles que merecia ter sido feliz: Mantorras. Eusébio, que gostei imenso de ver, pela televisão, recuperado, foi jogador genial; para mim Mantorras foi o que mais dele se aproximou. Tinha tudo mas não teve sorte; outros tiveram-na e jogaram-na à rua. Onde Mantorras podia ter chegado se tem sido bafejado pela deusa fortuna. Só precisava de ter tido um bocadinho disso. Um dos maiores ídolos do futebol português disse adeus mas na minha memória perdurarão para sempre a portentosa exibição protagonizada frente ao Sporting pelo Alverca (lembras-te amigo Alexandre Albuquerque?) e o golo de livre ao V. Setúbal. O que desejo a Mantorras é que tenha no futuro a pontinha de sorte que não encontrou no futebol.
Rui Costa - é evidente que não podia marcar o penalty ao seu clube; bem basta o que se passou na Fiorentina - encontrou no ciclismo um homónimo à sua altura. Tem feito de tudo neste Tour para que Portugal se faça notado. Agostinho foi o maior de todos mas este Rui Costa fica muito bem no pódio ao seu lado."

José Manuel Freitas, in A Bola

A falência do histórico Rangers

"O Glasgow Rangers, histórico clube europeu, faliu, e desapareceu como tal. Parece haver um sucedâneo que começa da quarta divisão. Acabou o Old Firm, o mais antigo derby do mundo mas também devia também acabar a irresponsabilidade financeira. O risco existe, e não é só em pequenos clubes. Há grandes, alguns dos maiores, cuja situação é dramática.
Há bem pouco tempo, Rodrigo Nunes (Feirense), cheio de razão alertava para a «batotice financeira» existente. Os clubes, como os países, empresas e famílias têm que se adaptar à sua realidade económica. Em Portugal são 30 anos de cosméticos. Primeiros foram as bombas de gasolina a disfarçar os défices, depois alguns bingos pareciam ser o El Dourado, mais tarde com o advento das SAD, poucos ouviram sem se rir as sábias palavras de Alfredo Farinha.
E agora? Falir as SAD e começar da quarta divisão? No futuro muito próximo, ganhará desportivamente quem estiver mais sadio financeiramente. Na Europa do futebol o Bayern será cliente assíduo das finais e os irresponsáveis financeiramente vão arrastar-se por caminhos penosos. O dinheiro não é tudo e no futebol é bom que assim seja. O encanto está em ver pequenos e ganhar aos maiores, no fazer grandes equipas com menos recursos, não está no não pagar, no não cumprir e no aldrabar contabilidades.
Gostei até agora da pré-época encarnada. Este Benfica parece sólido e seguro, recheado de soluções mesmo sem contar com Rodrigo e Nélson Oliveira que ainda não se juntaram ao grupo.
Na passada quarta-feira vi poucos minutos de Ricardo Araújo Pereira e Pedro Ribeiro. Julgo que ainda é cedo para saber se têm lugar no plantel. Muito seguros no aquecimento, rápidos a bater palmas, mas preciso de ver o entendimento com Pablo Aimar para emitir um juízo definitivo. De qualquer forma, melhores que Thomas, Rojas e Escalona parece garantido."

Sílvio Cervan, in A Bola

Não há rebanhos, felizmente

"Não se corre o risco de ver Pinto da Costa fechar o hóquei em patins do FC Porto por também terem perdido o título nacional para o Benfica. Já no que diz respeito ao futebol, o caso fia mais fino...

AS generalizações são sempre perigosas porque, inevitavelmente, carregam uma falsidade do tipo abrangente, universal, que é de evitar a todo o custo se quisermos olhar para situações, pessoas, instituições e outras minudências com olhos de bem as ver.
Vem isto a propósito do recente episódio ocorrido no aeroporto Sá Carneiro, da cidade do Porto, aquando do regresso da equipa de futebol do principal clube da Invicta depois de um estágio de preparação para a nova temporada realizado no estrangeiro.
Aconteceu que os jogadores de futebol do FC Porto tinham à sua espera no aeroporto um grupo impecavelmente ordeiro de adeptos do clube que quiseram aproveitar o arraial jornalístico que sempre se monta em acontecimentos do género futebolístico para vincarem um protesto contra a anunciada extinção da secção de basquetebol do clube.
Certamente que esta manifestação no aeroporto não foi organizada por um bando de delinquentes e é de duvidar que os adeptos do basquetebol portista presente em Pedras Rubras fossem, um a um, os mesmos que no fim do jogo decisivo do último campeonato impediram à bruta que a equipa campeã recebesse o troféu em campo.
Na verdade, são situações que não se compadecem uma com a outra.
E porque, à chegada da equipa de futebol do estágio no estrangeiro, não houve no aeroporto cânticos «SLB, SLB, filhos da puta, SLB» é quase permitido concluir, em abono dos presentes, que não era aquela a mesma gente que se manifestou de forma tão pouco ordeira quando o Benfica foi ganhar o campeonato ao Dragão.
À boleia do futebol e da incontornável visibilidade do futebol, os portistas amantes do basquetebol compareceram no aeroporto equipados com os artefactos próprios da modalidade, envergando camisolas com nomes dos seus heróis da bola ao cesto. Não deixando de apoiar os futebolistas que regressavam a casa, os pacíficos manifestantes não enjeitaram a oportunidade de, com bons modos, fazer valer a sua tristeza pelo fim do basquetebol no FC Porto.
Nos jornais do dia seguinte o protesto não foi ignorado. E seria, com certeza, esta ideia dos protestantes. Tornar pública a sua legítima insatisfação.
Não caiam, portanto, os benfiquistas na disparatada e abusiva tentação de concluir com pressa e regozijo que a decisão superior de acabar com o basquetebol no Dragão foi mansamente acatada pela generalidade dos adeptos portistas, arrebanhados em prol da urgência de se acabar com o basquetebol da casa pelas simples razão de que se perdeu, na dita casa, o último título em disputa para o rival Benfica.
Lá como cá, há pessoas que pensam de modo diferente e que reagem de modo diverso perante as mais diversas situações.
A questão é que, quer na Luz quer no Dragão, há quem goste mesmo de basquetebol, do jogo propriamente dito, e não o veja como uma mera actividade-modalidade compensatória em função única e exclusiva dos dislates do futebol.
No fundo, é uma questão de tacanhez de espírito. Tacanhos há em todo o lado, como sabemos e por muito que nos custe reconhecer. E tacanhos-exacerbados é o que é mais, ainda que não maioria em nenhum dos círculos.
Na franja benfiquista mais tacanha-exacerbada não há quem não conclua que o fecho do basquetebol portista se deve única exclusivamente ao facto de Pinto da Costa não ter aguentado psicologicamente a festa do título benfiquista no pavilhão do Dragão.
E que, para castigar a incompreensível falha dos seus incensados super poderes e para punir, como exemplo para memória futura, a incompetência dos técnicos e dos jogadores do basquetebol que se atreveram a entregar o ouro ao bandido, outro remédio não teve o presidente do FC Porto do que sentenciar a morte de toda uma história de uma modalidade do clube de modo a que, venha quem vier incomodá-lo com o título de campeão de basquetebol conquistado pelo Benfica, possa ele responder com a ironia do costume:
-Basquetebol? Isso nem existe.
Já na franja portista mais exacerbada-tacanha, a justificação para o encerramento do basquetebol profissional é completamente diferente da que vinga na sua congénere benfiquista. E entra pelos olhos adentro como uma evidência papal: trata-se apenas de os mandar ir jogar sozinhos, carago!
Aqui está um grande, um enorme consolo para a dita franja auto convencida, por razões insondáveis, de que sem o FC Porto na competição todos os títulos que o Benfica venha a conquistar não vão ter o mesmo sabor, não vão conseguir fazer sequer saltar uma rolha de uma garrafa de espumante nacional.
O que não é verdade porque se tomarmos o exemplo do futsal, onde o FC Porto também não vai a jogo, a alegria causada aos benfiquistas pelos títulos conquistados pela sua equipa nunca se ressentiu, nem nunca se vai ressentir, da ausência na competição de uma equipa de futebol de 5 vinda do Dragão.
Julgo que no domínio dos raciocínios tacanhos-exacerbados, a franja portista comete um abuso de interpretação dos factos e dos respectivos sabores bem maior do que o cometido pela franja benfiquista.
Haverá uma franja de adeptos portistas tacanhamente convencidos de que, tal como acontece com eles em relação ao Benfica, também os benfiquistas precisam do FC Porto para justificar a sua essência, valor, importância e genuinidade enquanto clube? Quer parecer que sim.
Enganam-se porque, cometendo o pecado das generalizações em seu favor, sofrem de uma visão distorcida de realidade, visão essa que muito os satisfaz e nela se comprazem.
No entanto, também a franja tacanha-exacerbada de benfiquistas comete um pecado parecido quando se compraz julgando que o presidente do FC Porto fechou o basquetebol num ataque fulminante de dor de corno, encantadora expressão popular, ao ver o Benfica ser campeão diante do seu nariz.
Honrados pela importância dada por Pinto da Costa ao Benfica, haverá certamente alguns benfiquistas, poucos, que nem se esforçam por reconhecer a maior de todas as evidências do caso do fim do basquetebol portista: o dinheiro.
É a economia, amigos!
Num e no outro clube, felizmente, há gente bem-humorada e que opta por ultrapassar todas estas tensões com um sorriso. Façamos por isso e respeitemos todas as opiniões. Não há rebanhos, felizmente.
Na minha opinião, por exemplo, julgo que não se corre o risco de vermos o presidente Pinto da Costa a fechar o hóquei em patins do FC Porto por também terem perdido o título nacional para o Benfica depois de 10 anos de enfiada no primeiro lugar. Já que no que diz respeito ao futebol, o caso fia mais fino.
Julgo que se o Benfica for, alguma vez, campeão nacional por dois anos consecutivos, pensando melhor, por três anos consecutivos, alguma coisa vai ter de fechar no FC Porto. E não me refiro às torneiras, obviamente.

ONTEM, a um quarto de hora do fim do jogo de beneficência entre Benfica & amigos e Luís Figo & amigos, o fiscal de linha inventou um fora-de-jogo numa jogada de ataque dos amigos de Luís Figo e o Estádio da Luz veio abaixo com vaias porque o autor do passe fatalmente interrompido fora Rui Costa, já a jogar pela equipa visitante.
São estas as graças dos jogos a brincar e com cariz de bondade.
Quem não teve bondade nenhuma com Melgarejo foi Luís Figo que, bem no princípio do jogo, aplicou meio-nó cego ao jovem paraguaio, deixando-o entontecido. Há males que vêm por bem. Pode ser que, assim, o Benfica ainda vá a tempo de, ao fim de dois anos de buscas infrutíferas, conseguir descobrir e comprar um lateral-esquerdo.
No jogo que antecedeu o prato principal, a equipa B do Benfica venceu por 3-1 o Beira-Mar. Como o golo dos aveirenses foi marcado por Balboa, quase se pode dizer que, na verdade,  resultado foi de 4-0."

Leonor Pinhão, in A Bola

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Tour de France

"Sempre gostei de acompanhar o Tour. Desde os tempos de Anquetil até agora. Lembro-me como me regozijei com um então quase impensável 10º lugar de Alves Barbosa em 1956 e com os notáveis feitos de Joaquim Agostinho. Então socorria-me das muitas páginas que A BOLA dedicava ao Tour. A televisão era escassa e os Alpes e Pirenéus com os seus Col eram mais produto da imaginação do que da imagem visionada.
Agora que escasseiam os ídolos e abundam as suspeitas de doping e batotas, é a televisão que nos faz abraçar o Tour e tê-lo como companhia fiel em Julho. Este ano, mesmo sem Contador e A. Schleck (que, por certo, dariam um acrescido interesse desportivo), estamos perante transmissões notáveis. Superiormente realizadas, com pormenores deliciosos sobre o interior do pelotão, com imagens soberbas sobre a heterogeneidade de uma natureza pródiga em beleza. E com bons comentadores da RTP que pedem meças a todos os que por aí há no mundo do futebol.
Às vezes, ao pensar na penosidade de, para ver escassos minutos entusiasmantes de um jogo de futebol, ter de aturar a pasmaceira de todos os outros minutos feitos de letargia, tácticas sonolentas, interrupções para todos os gostos, pergunto-me como é que o desporto é cada vez mais só o futebol. E encontro uma poderosa razão que explica a diferença: no futebol a paixão de representação suplanta a vacuidade de parte do espectáculo. No ciclismo de elite acontece o inverso: a magnanimidade do espectáculo não consegue suplantar a ausência da paixão, agora que não há países ou clubes representados, mas marcas comerciais que não nos aquecem o coração."

Bagão Félix, in A Bola

Ainda a crise

"O desporto, ainda que com atraso, sente as dificuldades por que passa o país (e não só). O futebol é, naturalmente, o seu epicentro mais visível. Viver acima das possibilidades é, agora, uma forma directa e fatal de destruir o futuro. O crédito bancário aperta, as condições de financiamento são mais dispendiosas, os salários são incompatíveis com as receitas correntes, as estruturas técnicas e administrativas estão inflacionadas, o recebimento de transferências perde-se no tempo no tempo, as receitas de publicidade diminuem. Claro que a expressão dessas dificuldades varia consoante a dimensão do clube e a 'arte' de adiar o inadiável.
Escrevi nesta coluna, há um ano que os clubes sobrevivem como os Estados: acumulando dívida ou antecipando proveitos futuros. Repercutem para a frente os gastos de hoje. Com uma diferença: não podem cobrar... impostos!
Neste contexto, foi de todo incompreensível a proibição de cedências de jogadores a clubes da mesma Liga. À boa maneira portuguesa, passa-se da magnitude do exagero ao absolutismo da interdição, como se não houvesse uma medida de equilíbrio entre os extremos. Sabendo-se que, se tal assim ficar, nascerão formas de engenharia laboral para atingir os mesmos fins.
Um dano colateral da crise no futebol é também a degradação competitiva das modalidades. Isto apesar de um só ordenado no futebol de alguns clubes poder pagar uma dessas modalidades. Não foi, por isso, com agrado que li que o FC Porto iria deixar de competir no basquetebol. O ecletismo de um clube é, na minha opinião, um dos baluartes que, só em situação de desespero, deve ser questionado."

Bagão Félix, in A Bola