Últimas indefectivações

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Herança de peso para Robinho

"Inicia-se uma nova era no futsal do Sport Lisboa e Benfica, com a saída há muito anunciada de antigo capitão e símbolo do clube, Bruno Coelho, para o projecto do ACCS, em França. Tal abriu uma grande interrogação no seio do clube encarnado: qual seria o novo capitão das águias a partir da próxima época 2020/21. Com esta baixa de peso, caberia à estrutura benfiquista encontrar um jogador com o perfil indicado e um misto de experiência e capacidade de liderança para ser a extensão do treinador em campo. 
A escolha acabou por recair sobre um dos jogadores mais influentes e o mais experiente do actual elenco, o brasileiro Robinho. Com 37 anos de idade e a caminhar para o seu quarto ano com a camisola do Benfica, o brasileiro naturalizado russo é dos futsalistas do actual plantel aquele que melhor encarna, na minha opinião, a garra e a vontade que o misticismo e a rica história das águias merece.
A herança deixada pelo seu antecessor é muito pesada, pois Bruno Coelho é um dos grandes jogadores das águias e obviamente, um dos capitães mais consensuais e indiscutíveis, pelo que a tarefa de Robinho não se avizinha nada fácil. Mas, pelo menos, pode ajudar a integrar os jogadores jovens e inexperientes e faze-los sentir a importância e o peso de vestir o “manto sagrado”.
Nesse papel acredito que o experiente ala irá auxiliar os jovens que estão a dar o salto para a equipa principal. O resto, como se costuma dizer, teremos que aguardar pelos próximos episódios e pelo desenrolar da próxima temporada. Como o próprio jogador admitiu, a sua responsabilidade dele irá aumentar bastante e como tal, só o avançar da competição é que irá mostrar o real valor de Robinho enquanto capitão do Benfica.
Eu defendo sempre que, antes de se criticar ou elogiar prematuramente uma decisão, devemos dar o benefício da dúvida e um voto de confiança aos escolhidos e depois sim, fazer uma análise crítica e fundamentada."

Evanilson, o habilidoso gigante


"Como ponta de lança ou partindo da posição de extremo, quando actua em simultâneo com Fred, o miúdo Evanilson (20 anos) é a nova atracção do futebol no Rio de Janeiro. Ele que representa o Fluminense desde bem jovem, mas que tem a curiosidade de ter passado pela Liga Eslovaca.
Qualidades condicionais extraordinárias, surpreende pela invulgar habilidade com que se move e executa para quem tem tal perfil morfológico.
Mestre das diagonais curtas para aparecer a finalizar, aceleração, drible e capacidade de finalização que lhe valeram uma soma anormal de golos no Brasileiro Sub20, e que o tornaram atracção do Carioca 2021. 
Eis Evanilson, mais um jovem de potencial tremendo que o futebol brasileiro vê emergir."

Uma frase de pascal...

"Nos Pensamentos, Pascal (1623-1662), matemático e físico e filósofo e teólogo, de ideias imorredoiras, afirmou: “o homem nada mais é do que um caniço, o mais frágil da natureza, mas um caniço pensante. Não é necessário que o universo inteiro se reúna, para massacrá-lo. Uma gota de água basta para matá-lo. Mas, se o universo um dia o eliminar, o homem continua mais nobre do que os elementos que o eliminaram, pois que sabe por que morre. Toda a nossa dignidade consiste, portanto, em pensar”. Alain Touraine acrescenta, a este propósito, na sua Crítica da Modernidade: “a história da modernidade é a história da dupla afirmação da razão e do sujeito”. Os filósofos do século XVIII (o século, por excelência, do racionalismo) converteram a Razão numa espécie de divindade, capaz de ler o universo todo e conduzi-lo à resolução das necessidades humanas mais instantes. É pela Razão, segundo a filosofia racionalista, que pode contemplar-se a Verdade. Mas o paradigma desta filosofia (também chamada “iluminista”) era a física de Newton. O corpo jazia rodeado por um ferrugento arame farpado de ideias e não passava de um objeto ao lado dos outros objectos. A tanto levou o racionalismo: ao corpo-objecto! A visão do corpo era simplesmente mecânica e relojoeira. O médico mais célebre do Iluminismo, La Mettrie (1709-1751) escreveu um livro, L´Homme-Machine (O Homem-Máquina) que faz do ser humano uma simples máquina, chegando ao extremo do mais dogmático mecanicismo, ateísmo e materialismo. Pascal, no entanto, que inventou a primeira máquina de calcular, que se conhece, com o seu espírito científico sempre temperado de filosofia e teologia, também deixou escrito algumas frases que ficaram célebres e onde o racionalismo se põe em questão: “O coração tem razões que a própria Razão desconhece”…
Max Weber identificou modernização com racionalização, dado que a modernização se expressa pela permanente e cada vez mais complexa racionalização da sociedade, mormente do conhecimento científico. Não é por isso de estranhar-se que numa sociedade que se julga solidamente científica prevaleçam o empirismo, o positivismo, o realismo, o materialismo e o célebre princípio marxista: “não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas é o seu ser social que determina a sua consciência”. Só que se num primeiro momento a Igreja Católica, em Portugal, se sentiu enfraquecida pela ausência de simpatia e de apoio dos diversos governos republicanos, o exercício intelectual e pastoral de Gonçalves Cerejeira (futuro Cardeal Patriarca de Lisboa e “lente” na Faculdade de Letras), entre os estudantes da Universidade de Coimbra; a criação do C.A.D.C. (Centro Académico de Democracia Cristã), que logo nas primeiras reuniões se impõe um “espírito” que nunca mais se havia de perder: o alheamento da política partidária, a preocupação da integral formação dos estudantes e, finalmente e ainda mais, uma disciplinada e consciente subordinação à autoridade da Igreja. Folheio, agora o livro Fátima e a Cultura Portuguesa (D. Quixote, Lisboa, 2018), da autoria do escritor e filósofo Miguel Real, onde pode ler-se: “Porém, a grande resposta da Igreja ao republicanismo foi dada (de um modo lateral às instituições e totalmente inesperado para a hierarquia) pela irrupção das Aparições de Fátima” (p. 84). E, duas páginas adiante, escreve Miguel Real: “Do ponto de vista do pensamento católico em Portugal, A Igreja e o Pensamento Contemporâneo (de Gonçalves Cerejeira) é um livro notável , operando o ponto de situação metafísico, teológico e epistemológico das relações entre a ciência e a religião, na Europa contemporânea”. De salientar o seguinte, no que à “formação física” diz respeito dos sócios do C.A.D.C.: foi, nesta organização académica, que se ergueu um ginásio e se organizaram cursos de ginástica, em espaço universitário. Mas… “não se tendo lançado na febre do desportismo” (Padre Luís Lopes de Melo, O Centro Académico de Democracia Cristã (História Breve), Coimbra, 1951, p. 12).
O mundo que o Iluminismo criou tem muito do que é seu transformado em clamorosas ruínas. Tenho a sensação, por vezes, que só leio coisas já ditas. Faltam-nos mestres. “Deus morreu” proclamou-o Nietzsche, num desespero incontido. Foucault, tão niilista como Nietzsche, garante que o homem morreu também. E, no entanto, para ele, o homem é uma invenção recente, não passa de um conceito filosófico que a modernidade inventou – afinal, uma criatura, com 200 ou 300 anos de vida! Resta-nos pensar sobre o vazio do homem desaparecido. Tem razão o Heidegger quando afirma que o homem é tão-só um ser-para-a-morte? Michel Foucault morreu de sida, num hospital parisiense, em 1984. E deixa-nos um legado de morte para todos os quadrantes da vida. Como estranhar que neste árido clima se escutem apelos a uma renovação do pensamento? Pois não é verdade que também há quem nos diga palavras donde sai um autêntico acorde… que nos deixa em êxtase? “Somos em grande medida habitados pela possibilidade de Deus”. Sem esquecer jamais que “a crença num conhecimento muito estável muitas vezes precipita-nos numa espécie de idolatria. A gente tem de perguntar-se sempre: o que é que me traz mais próximo de Deus? O saber ou o não saber? A procura de uma segurança a todo o custo ou a confiança esperançada numa amizade que amadurece?”. E este pensamento que nos deixa sentido, num mundo em crise de sentido? “Não há misericórdia sem excesso. Se queremos ser pessoas moderadas, se queremos ser apenas justos, se queremos fazer apenas o que está certo, seremos até boas pessoas, mas não conheceremos o Evangelho da Misericórdia. Porque o Evangelho da Misericórdia pede de nós um excesso de amor: que sejamos capazes de abraçar a vida ferida e que percebamos tudo sem necessidade de dizer muito”. José Tolentino Mendonça: é um dos meus autores preferidos. Com ele aprendo sempre que é possível ser feliz, feita a ressalva que não há felicidade sem transcendência! De facto, na obra do Cardeal Tolentino Mendonça, há uma Verdade para além da verdade histórica dos nossos anseios e dos nossos sonhos, que só pela transcendência se pode imaginar. E que tem sentido… 
Na prosa poética de Jorge Valdano, os treinadores e os futebolistas avultam sempre como figuras de actualíssima projecção, muito oportuna nos dias que nos assistem: “O capitalismo já ocupa todos os espaços, também no futebol. Como o pragmatismo não se discute e o futebol não tem uma claque própria, aceitamos com resignação as palavras de Simeone: “O resultado não é o mais importante, é a única coisa”. Os treinadores têm o direito de o dizer, porque são os primeiros a sentir a guilhotina por um mau resultado. Mas a frase é uma falta de respeito pelo futebol enquanto fenómeno, “ópera dos pobres”, que provoca sobressaltos emocionais e estéticos e que eleva, em algumas ocasiões, jogadores e equipas a picos heróicos. Para Simeone, o resultado é uma questão de sobrevivência, mas se o futebol fascina é porque tem a ver com o orgulho, a identidade e a aspiração de grandeza. Numa só palavra, com a glória. Se o único critério social que mede o êxito é o dinheiro, não podemos estranhar que o único critério futebolístico que mede o sucesso seja o triunfo” (A Bola, 2020/8/15). De facto, “o capitalismo já ocupa todos os espaços, também no futebol”. Há muito tempo o senti. Por isso, respigando no que escrevi, pode encontrar-se: “E se o Desporto emerge tão-só como um dos subsistemas do sistema “capitalismo” ele não passa de simples mercadoria, à imagem do que se passa com o próprio corpo (…). No corpo, o que mais se consome e publicita são as suas qualidades físicas, morfológicas e sexuais. Prometem-se força física, ombros largos, cinturas finas, orgasmos tensos e intensos, como quem vende sabão, lixívia, ou outro produto deste jaez (…). O turvo presságio de Marx poderia aqui invocar-se: na sociedade capitalista, a prostituição da mulher acontece, lado a lado, com a prostituição generalizada do trabalhador. A reificação do corpo significa a reificação do trabalhador” (Algumas Teses sobre o Desporto, Compendium, Lisboa, 1999, p. 12). Mesmo o Ronaldo, o Messi e o Neymar… que ganham milhões, também para esconder a esmagadora maioria dos futebolistas profissionais que ganha “tostões”. Mas volto ao meu querido Amigo e Mestre, José Tolentino Mendonça, na revista do Expresso (2020/8/15): “Penso que uma forma de preparação decisiva, no nosso mundo incerto, é aquela que nos chega, através da capacidade de pensar”."

Cadomblé do Vata (milhões!)

"Então e aquele pessoal que há um ano via em silêncio esfingico, um clube sob alçada do Fair Play Financeiro da UEFA, com parcos 7 milhões de lucro no Relatório e Contas, investir quase 65 milhões de euros em reforços e que agora se contorce todo da língua quando um clube que nunca foi intervencionado pela UEFA e que no ultimo Relatório apresentou 104 milhões de lucro, planeia investir 80 ou 90 milhões de euros em craques?"

Patrick de Paula, da favela para o mundo


Na favela era tiro para cá, tiro para lá, vai tremer em penalty?
O moleque há dois anos e meio estava na favela jogando pelada. Lá onde ele morava, na comunidade dele, o tiro ‘come’ para lá e para cá, ele tinha que se esconder aqui e ali. Ele não está nem aí para bater pênalti. É um jogador que nasceu jogador de futebol. Não vai tremer nunca.»
Wanderlei Luxemburgo

Foi a grande revelação do Paulistão 2020 e ainda ficou para a história como o marcador do golo do triunfo do Palmeiras na competição.
Depois de um empate entre os rivais Palmeiras e Corinthians, a grande final decidiu-se na marca das grandes penalidades, e aí uma vez mais Patrick de Paula deixou a sua marca, assumindo a responsabilidade de bater o penalty final que valeu o triunfo do verão sobre o até então tricampeão Corinthians.
Médio centro com enormes argumentos técnicos e físicos, Patrick enche o campo com elegância e capacidade para progredir em posse. Com pouco erro, mesmo quando assume riscos à qual alia disponibilidade e qualidade defensiva, De Paula é mais um jovem brasileiro que a Europa descobrirá em breve."

As Águias #63 - Season Finale...

João, Pedro e Miguel... Trio!

domingo, 16 de agosto de 2020

Golos...

Decacampeões !!!

A secção masculina de Atletismo do Benfica, sagrou pela décima vez consecutiva, Campeões Nacionais por equipas ao Ar Livre.

Semanada...

"1. Seis ou Sete Reforços. Na sua primeira entrevista como treinador do Benfica, Jorge Jesus disse que esperava entre seis a sete reforços além de Pedrinho e Helton Leite. Fazendo as contas, quatro desses reforços serão Vertonghen, Gilberto, Everton e Waldschmidt. Os outros dois serão mais um central (Rúben Semedo, Lucas Veríssimo, Koch ou Cabrera) e um ponta de lança. Fica a faltar o sétimo. A minha aposta para sétimo seria alguém para substituir alguma possível venda, nomeadamente um guarda-redes ou, talvez o mais provável, a saída de Carlos Vinícius.
2. Emprestados. Diogo Gonçalves é o único emprestado a fazer a pré-época com a equipa principal, sendo que quase todos os emprestados terminaram a época de 2019-20 praticamente ao mesmo tempo. Isto significa que Bruno Varela, Pedro Pereira, Cristian Lema, Ljubomir Fejsa, Filip Krovinovic, Nuno Santos, Alfa Semedo, Chris Willock, Facundo Ferreyra e Jhonder Cádiz não contam para Jorge Jesus. Destes, aqueles que me surpreendem mais acaba por ser Facundo Ferreyra e Nuno Santos. Krovinovic fez uma boa época em Inglaterra, mas não me parece que seja melhor que Gabriel, Taarabt, Weigl, Samaris ou Pizzi. No entanto, para sexto médio centro - se calhar até para quinto - acho que deveríamos ter alguém jovem, com margem de progressão e potencial. Nuno Santos parece-me encaixar-se melhor nesse perfil do que David Tavares. Eu teria chamado-o. Facundo Ferreyra também teria chamado porque é um ponta de lança melhor do que aquilo que mostrou nos últimos dois anos, com Jorge Jesus poderia render mais. E parece-me que com a chegada de Edinson Cavani, vamos acabar por trocar vários pontas de lança.
3. Renovação de Diogo Gonçalves. Além de estar a fazer a pré-época, Diogo Gonçalves renovou com o Benfica até 2025. Esta renovação sinaliza uma aposta significativa no jogador que neste momento não há muitas dúvidas que deverá fazer parte da equipa principal. Muita gente tem falado da época dele na temporada passada. Foi boa, mas não foi assim tão fantástica, na minha opinião. Não era dos jogadores mais importantes no Famalicão. Mas Diogo Gonçalves é um jogador ao estilo de Jorge Jesus. É um jogador pragmático, com um sentido muito orientado para a baliza e competitivo. Tudo traços que agradam a JJ. Jorge Jesus disse que quer 25 jogadores de campo. 25 jogadores de campo são 4 laterais, 4 centrais, 6 médios centro, 6 extremos e 5 avançados. Com Pizzi a passar para o grupo de médios centro, o grupo de extremos está neste momento composto por Everton, Rafa, Pedrinho, Diogo Gonçalves, Zivkovic, Cervi e Jota. Acredito que o lugar de Diogo esteja assegurado. A dúvida neste momento será entre Zivkovic, Cervi e Jota. Cervi parece-me o elo mais fraco, mas Jota quererá tempo de jogo e o Benfica por certo não importaria de se desfazer do contrato de Zivkovic. O caso pode fazer-se para qualquer um dos lados.
4. As Terceiras Linhas. O ano passado li uma entrevista do Director Geral do Bayern e ele disse que o clube não tinha dinheiro para pagar salários a dois jogadores muito bons por posição e que o seu objectivo era ter 16 ou 17 muitos bons e depois preencher o resto com jovens. E é assim que surgem jogadores como Joshua Zirkzee, Michael Cuisance, Sarpreet Singh, Leon Dajaku. Depois alguns desses jovens surpreendem e é assim que aparece um tal de Alphonso Davies. Está mais do que visto que o Benfica este ano vai ter mais do que 20 jogadores muito bons para a sua realidade. Na posição de médio centro, por exemplo, temos Weigl, Florentino, Samaris, Pizzi, Taarabt e Gabriel. Isto significa que se JJ usar dois médios centros e levar outros dois para o banco, o Benfica vai ter dois jogadores que algures nos últimos dois anos foram essenciais e titulares no clube a ver o jogo da bancada. Parece-me manifestamente exagerado. Não sei se vai dar, mas visto que a massa salarial dos titulares deverá aumentar significativamente, devíamos seguir o modelo do Bayern, reduzir a massa salarial dos segundas e terceira linhas, trocando jogadores que no passado eram essenciais e titulares, por jovens com potencial que possam progredir com ao trabalhar diariamente na equipa principal. Não acredito que isto vá acontecer. Nuno Santos estaria a fazer a pré-época nesse caso. Mas na minha opinião, era isto que deveria acontecer. Não vejo grande lógica em um jogador como o Samaris, internacional grego, fazer quatro jogos em seis meses e todos para Taça de Portugal. E eu adoro o Samaris.
5. Rennes na Champions League. Devido aos resultados dos jogos dos quartos-de-final da Champions League, o Rennes que inicialmente iria disputar as pré-eliminatórias da Champions League do próximo ano, agora está directamente apurado para a Fase de Grupos. O Rennes era provavelmente a equipa mais forte que poderíamos apanhar. São boas notícias. O Benfica partirá para os sorteios sempre como cabeça-de-série porque é a equipa com melhor classificação no ranking. Os possíveis adversários na 3º eliminatória serão PAOK ou Gent, o vencedor entre AZ - Viktoria Plzen e o vencedor entre Lokomotiva Zagreb - Rapid Wien. Na ronda do playoff, o número de cenários possíveis já é maior, mas a única equipa que temos a garantia que não iremos apanhar é o Dinamo Kyiv. À lista anterior, podem juntar-se ainda Besiktas e Krasnodar. Destas equipas todas, a que me parece mais talentosa e competitiva é o AZ Alkmaar.
6. Cameron Jackson reforça a Equipa Basquetebol. Parece que está encontrado o último reforço da equipa de Basquetebol e muito provavelmente das Modalidades Masculinas de Pavilhão - pelo menos até que haja alguma lesão. Cameron Jackson é um Extremo-Poste que em Portugal quase de certeza irá jogar a Poste. Vem do segundo classificado da Alemanha, depois do seu primeiro ano fora do College. Na Alemanha não era titular, mas estava numa equipa dois ou três patamares do Benfica. O Ludwigsburg na próxima época teria uma vaga na EuroCup se não tivesse abdicado de participar em competições europeias. Na Alemanha, Cameron teve como médias por jogo 7.6 pontos, 3.4 ressaltos, 1 assistência. Não são números muito impressionantes, mas Cameron não era titular, e vem de uma das melhores Ligas Europeias. O salto para a Liga Portuguesa é francamente grande. No papel parece ser um jogador interessante, jovem e com potencial para encaixar bem com Caleb Walker, que se destaca mais pelas penetrações para o cesto. O Benfica claramente que mudou o estilo que procura nos americanos este ano. Na próxima época vamos ter dois americanos que estão nos primeiros anos de carreira desde que saíram da Universidade. Eu prefiro jogadores assim a role players como Damian Hollis ou Gary McGhee. O downside acaba por não ser muito mau e o upside é incrível. Agora é preciso também que Carlos Lisboa saiba aproveitar o que tem nas mãos."

sábado, 15 de agosto de 2020

O samba chega à Luz: Everton Cebolinha assinou pelo SL Benfica

"Everton Soares, mais conhecido como Cebolinha, acaba de ser anunciado como reforço do SL Benfica (juntamente com Vertonghen e Waldschmidt). O extremo brasileiro abandona o Grémio a troco de 20 milhões de euros mais 20% de uma futura mais valia. Ou seja, se o jogador for vendido por 40 milhões de euros, o clube de Porto Alegre receberá 20% dos 20 milhões de lucro.
Everton é um dos mais entusiasmantes jogadores a chegar a Portugal nos últimos anos. Pondo em perspectiva: o extremo brasileiro de 24 anos é, neste momento, muito melhor jogador do que aquilo que era Di Maria quando chegou ao clube encarnado.
Cebolinha era um dos melhores, senão mesmo o melhor, jogadores do Brasileirão. Em 2017, foi decisivo na conquista da Taça Libertadores e subsequente Recopa Sul Americana. Esteve na equipa do ano do campeonato brasileiro de 2018. Em 2019, fez 57 jogos ao serviço do Grémio PA, de Renato Gaúcho, e apontou uns impressionantes 20 golos.
Depois das boas exibições ao serviço do tricolor, Everton foi convocado para a Copa América de 2019 (competição onde iria demonstrar todo o seu valor). Disputando a competição em casa, Everton foi o melhor marcador e muito contribuiu para a conquista do título por parte da selecção brasileira.
Everton chega para ser titular de caras na equipa encarnada. Pode fazer ambas as alas, mas é à esquerda que mais brilha, fazendo-se valer do seu excelente pé direito. Everton é muito forte a executar diagonais para o meio e procurar o remate, como indicam os seus 2.1 remates por jogo.
Apesar de procurar muito o remate e aparecer bem em zonas de finalização, Everton consegue encontrar colegas em zonas privilegiadas e fazer chegar-lhes o esférico de forma adequada. Realiza cerca de um passe chave por jogo e fez sete assistências em 2019.
O desequilíbrio individual é a grande característica do jogador. Com a bola no pé é um autêntico mágico. É um jogador capaz de levantar uma bancada. É um jogador com muita capacidade em espaço curto, quase ao estilo do samba brasileiro, mas também consegue partir para cima do adversário em velocidade (onde o seu baixo centro de gravidade muito contribui). Realiza 3.5 dribles por jogo, o que equivale a cerca de 60% dos dribles tentados por partida.
Esta capacidade de desequilíbrio é algo que não existia no plantel encarnado, sobretudo nas alas (Taarabt talvez fosse o único capaz de desequilibrar no drible). Com a chegada do extremo brasileiro e do seu conterrâneo Pedrinho, o SL Benfica fica muito bem servido neste capítulo.
Relativamente a Rafa ou a Cervi, habituais titulares à esquerda, Everton é bastante diferente. O português é um jogador que procura muito mais o espaço e o argentino dá um contributo defensivo que nunca vimos Cebolinha dar. O novo reforço de Jorge Jesus é um jogador que prefere muito mais receber a bola no pé e muitas vezes contemporizar os lances, por vezes até demais.
A nível defensivo Everton é uma debilidade, mas já vimos muitos jogadores evoluírem bastante na transição defensiva com Jorge Jesus.
Everton é, para mim, o grande reforço desta temporada no SL Benfica, mesmo que a chegada de Cavani se confirme.
As características do jogador e a sua atitude em campo vão certamente cativar os adeptos e os colegas. O samba chega à Luz!"

O sucessor de João Félix: Luca Waldschmidt já veste de encarnado

"O interesse em Luca Waldschmidt não era de agora, mas finalmente o SL Benfica conseguiu convencer o avançado alemão a transferir-se para o clube encarnado. Waldschmidt assinou um contrato válido por 5 temporadas e custou aos cofres das águias 15 milhões de euros.
Jorge Jesus tem vindo a renovar o plantel do SL Benfica e desta feita renovou com um desejo passado de Luís Filipe Vieira. O interesse no alemão já vem desde a temporada passada, aquando da saída de João Félix, mas as negociações não haviam corrido da melhor forma.
Pois bem, o SL Benfica fez nova investida no avançado de 24 anos e informou hoje à CMVM a chegada do internacional alemão ao clube encarnado.
Assim, Benfica e Friburgo chegaram a um entendimento após Rui Costa e Tiago Pinto se terem deslocado à Alemanha para fechar o negócio e demonstrarem que o interesse no jogador era sério. O administrador da SAD e o Director Geral para o futebol do Benfica, respectivamente, alcançaram o objectivo e trazem consigo Waldschmidt.
O ponta de lança germânico conta com passagens pelo Eintracht Frankfurt, Hamburger SV e Friburgo e esta será a sua primeira experiência “fora de portas”. Nesta edição da Bundesliga disputou 24 jogos e apontou oito golos. No ano transacto foi o melhor marcador do Europeu Sub-21 ao apontar sete golos em apenas cinco partidas, o que lhe valeu o estatuto de melhor marcador da competição.
Tecnicamente evoluído, Gian-Luca Waldschmidt pode actuar como ponta de lança e até mesmo como segundo avançado. Joga, muitas vezes, descaído à direita do terreno de jogo, e faz das suas diagonais e grande capacidade de rematar fora da área uns dos seus pontos fortes. Com Jorge Jesus como treinador pode ainda aprender bastante tacticamente, uma vez que terá o “mestre da táctica” como seu treinador. 
A grande margem de progressão do jovem avançado, aliada às suas capacidades técnicas, fazem do alemão uma grande contratação para o Sport Lisboa e Benfica. Resta saber como se adaptará ao futebol português e se terá o mesmo impacto que teve na Alemanha.
Na Luz terá concorrência de peso, tal como Carlos Vinícius, Haris Seferovic, Chiquinho e dos regressados Ferreyra e Cádiz. Claro está que nem todos deverão ficar no plantel das águias e por isso são expectáveis transferências futuramente. Também uma possível transferência (bastante complicada) de Edison Cavani pode vir a ser mais uma “ameaça” ao lugar de Waldschmidt.
O avançado germânico virá para preencher um vazio deixado por João Félix, aquando da sua saída para o Atlético de Madrid, e, antes disso, da reforma de Jonas. Ainda que esteja uns quantos furos abaixo de qualquer um dos anteriores, penso que Waldschmidt tem potencial para brilhar em Portugal.
Assim, o Sport Lisboa e Benfica reforça o seu ataque com um jogador com qualidades acima da média, com grande margem de progressão e que chegará, certamente, para brilhar e marcar golos."

Salvação?!

"Está-se a cozinhar uma golpada de Jorge Mendes no sentido de salvar o Calor da Noite. O parceiro estratégico do Benfica, nas palavras de Luis Vieira, é o principal aliado do Calor da Noite neste mercado. O objectivo é vender miúdos que não interessam por dezenas de milhões de euros e assim conseguir manter a base da equipa da época passada sem necessidade de venda dos jogadores titulares. 
A questão é: se os próprios titulares têm pouco ou nenhum mercado, como é que Jorge Mendes consegue o milagre de vender jogadores que quase nem participaram na equipa principal?
Pois, Jorge Mendes vai fazer uso do seu carrossel (Mónaco, Wolves, Valência ou Milan) para impor a estes clubes jogadores juniores a troco de milhões, os famosos Mendilhões. Vamos falar de um exemplo prático: já foi veiculado pela imprensa dominada pelo Calor da Noite, e em especial pelo Chefe de Redacção do Record (o ex-jogador de Poker Vitor Pinto, andrade até ao tutano) que Fábio Silva vai ser vendido por 40 Mendilhões. O objectivo é repeti-lo várias vezes para que as pessoas se habituem à ideia de considerar normal a venda de um jogador que na época de 2019/2020 tem 790 minutos de competição sénior e 3 golos marcados. Fazemos uma sugestão e desafiamos a PJ a meter o Rui Pinto ao trabalho para descobrir o porquê deste milagre.
Outro exemplo: o Valência vendeu o Ferran Torres, com 20 anos e quase 2300 min na liga espanhola por 25M. E agora vai espetar 20M no Diogo Leite com 21 anos que jogou 376 minutos no poderoso campeonato Português! Tudo normal, não é Ana Gomes?
Para branquear este crime, já foi posto a circular também a ideia que Jorge Mendes fez o mesmo com o Benfica há uns anos atrás. Nada mais mentiroso. O que Jorge Mendes fez com o Benfica não foi despachar meia dúzia de miúdos por milhões. Os jogadores do Benfica, como Cancelo, Bernardo, Hélder Costa, Ivan Cavaleiro, etc, foram todos emprestados uma primeira época e os clubes apenas os compraram na época seguinte por 15M€ porque Todos eles jogaram, tiverem muitos minutos e foram relevantes nos respectivos clubes a que foram emprestados. Caso contrário, teriam vindo recambiados para o Benfica. Muito diferente do cheque em branco que Mendes está a dar ao Calor da Noite agora. 
Aguardamos serenamente os próximos desenvolvimentos, na certeza que se estes negócios avançarem e não forem investigados, será uma das maiores vergonhas de sempre do futebol em Portugal."

Passar com uma esponja o Benfica 2019-20? Os números de uma época histórica (no mau sentido).

"Duas semanas. Foi o período de nojo necessário para conseguir voltar a debruçar-me sobre o futebol do Benfica, e sobre o que se passou neste ano civil. Uma época a lembrar os bons tempos do Vietname, pautada por exibições paupérrimas e pela escassez de títulos: uma supertaça, naquele que (para muitos) foi o melhor jogo da época... a 4 de Agosto de 2019. Ou seja, tanto a melhor exibição como o último troféu do futebol sénior do Benfica ocorreram há mais de 1 ano.

Uma época... atípica. Talvez seja este o melhor adjectivo para o que aconteceu nesta temporada, marcada pela interrupção de jogos oficiais durante 3 meses devido à pandemia.
Comecemos pelo final de temporada: a Taça de Portugal. O Benfica tinha a hipótese de conquistar este troféu pela 27.ª vez, sendo que tinha enfrentado o FC Porto na final por 10 vezes, com um historial favorável de 9-1 (a última derrota na final deste troféu ocorreu no longínquo ano de 1958). Acresce ainda que Sérgio Conceição nunca tinha vencido a final da Taça das duas vezes que lá chegou (como treinador). Outro dado favorável ao clube: o Benfica tinha vencido 26 das 37 finais a que chegou, enquanto o FC Porto só tinha vencido 16 das 30 finais. Além disso, o Benfica tinha vencido as suas duas últimas finais, e no sentido inverso, o FC Porto tinha perdido as suas últimas duas finais da Taça, competição que não vencia desde 2011, ano em que completou a sua última dobradinha. E em campo considerado neutro, as duas equipas defrontaram-se por 15 vezes, com vantagem dos encarnados, que somavam nove vitórias, contra cinco triunfos dos portistas. Ou seja, os números estavam favoráveis ao clube da Luz.
E o Benfica, contra todas as tendências estatísticas, perdeu a final da Taça de Portugal. O FC Porto venceu, pela 4.ª na sua história, todos os jogos contra o Benfica numa temporada em que se defrontaram por 3 ou mais vezes. Foi também a 2.ª vez que o FC Porto venceu uma final em desvantagem numérica, a 1.ª sem vantagem no marcador. O Benfica de 2019-20 entra assim na história do clube azul e branco pelos piores motivos, algo que os adeptos benfiquistas detestam.
Quanto à Taça da Liga, o Benfica iguala o seu pior registo com apenas 3 pontos na fase de grupos, numa competição que já não vence desde 2016. Na Europa, o Benfica fica pela 2ª vez consecutiva em 3.º lugar na fase de grupos da Champions League (não segue para os oitavos-de-final há 3 anos), e alcançou a 1.ª vitória por mais do que um golo (!) nos últimos 23 jogos (6V - 3E - 14D). Contudo, e pela 1.º vez na sua história, o Benfica é eliminado logo na primeira eliminatória da Europa League (formato actual), e a 3.ª vez (séc. XXI) que completa uma competição europeia sem vitórias.
Quanto à Liga Portuguesa, desde 2013-14 que o Benfica não marcava tão poucos golos (71), sendo que a grande maioria desses golos (42) foi marcada na 1.ª volta do campeonato. Não admira que apesar de o melhor marcador do campeonato ter sido novamente um jogador do Benfica (Seferovic tinha sido o melhor marcador do campeonato na época passada com 22 golos), são precisos 13 anos (!) para se ver um Bota de Prata com um registo tão fraco: 18 golos. Os mesmos que Pizzi, que foi igualmente o jogador da Liga com mais assistências. A título de curiosidade, remeto os leitores para um "comparómetro" com a prestação dos 4 principais pontas-de-lança do Benfica nesta época (o artigo completo encontra-se aqui):
Registou a 2.ª pior marca defensiva e o 2.º pior goal average desde 2011-12, onde 17 golos foram sofridos de bola parada (8 de cantos, 4 de grandes penalidades, 4 de livres indirectos, e 1 de livre directo). O Benfica foi apenas a 4.ª equipa com mais posse de bola durante a temporada (FC Porto liderou esta lista), a 8.ª com menos passes falhados, a 9.ª com mais perdas de bola, a 10.ª com mais golos de bola parada, e a penúltima (!!!) em golos marcados fora da área.
Corria o mês de Janeiro e o Benfica estabelecia, em Alvalade, a melhor 1.ª volta de sempre de uma equipa numa Liga com 18 equipas (batendo o recorde estabelecido pelo FC Porto de António Oliveira, em 1996-97, com 47 pontos), e o 6.º melhor aproveitamento de pontos (94%), bem como o recorde de vitórias fora (17, que depois seriam 18 com o jogo em Paços de Ferreira já na 2.ª volta). Tudo parecia correr sobre rodas. O universo benfiquista já sonhava.
Mas, à semelhança de épocas anteriores, a mesma equipa que deslumbrou no passado, acaba por engasgar nos melhores momentos. Na 2.ª volta, o Benfica totalizou 29 pontos contra 41 do FC Porto. Aliás, no campeonato da 2.ª volta, o Benfica terminaria no 5.º lugar, a 12 do clube azul e branco. Teve, na 2.ª volta, um rácio de 1.71 pontos por jogo, o 5.º pior rácio de pontos por jogo nas últimas 50 voltas de campeonatos (ou seja, desde que as vitórias valem 3 pontos). Enquanto na 1.ª metade do campeonato só encaixa 6 golos (com 12 "clean sheets"), na 2.ª encaixa 20 (apenas 5 "clean sheets"), sendo apenas a 6.ª melhor defesa nestas últimas 17 partidas. Mas a tragédia continua.
Os adeptos benfiquistas tiveram de esperar 16 jogos para ver uma vitória por 2+ golos (em casa frente ao Boavista, a 1.ª na Luz no ano de 2020), 7 meses para ver uma goleada (4+ golos, contra Desp. Aves), e 19 jogos para ver 2 jogos consecutivos sem sofrer golos... e porque o adversário era o Desp. Aves, lanterna vermelha do campeonato e um clube a passar por gravíssimos problemas desportivos. Com 4 derrotas na 2.ª volta, o Benfica totalizou 5 em 2019-20, o seu pior registo desde 2010-11.
Em sete partidas em Fevereiro (2V, 2E, 3D), o Benfica só venceu dois jogos, frente ao Gil Vicente [F] e FC Famalicão na Luz para a Taça de Portugal. Não se via um mês tão negro desde Dezembro 2017 com Rui Vitória (2V, 3E, 2D). Mas a série negativa continuou, e o Benfica faz 13 jogos onde somou apenas 2 vitórias, 6 empates, e 5 derrotas – uma série onde esteve sem vencer em 5 jogos consecutivos, e onde não venceu na Luz também em 5 jogos consecutivos (a 1.ª vez que tal ocorreu neste século). Mas não foram os únicos registos históricos.
Há 20 anos que não ficava em branco nos Barreiros (jogo que ditou a saída de Lage); foi a 1.ª vez neste milénio que sofreu 4 golos em casa (frente ao Santa Clara, equipa que nunca tinha vencido um dos 3 grandes fora de portas, e a 1.ª a marcar 4 golos no Estádio da Luz); foi a 1.ª vez na sua história que o Benfica deixa fugir a vitória após uma vantagem de 2+ golos em jogos consecutivos (Shakhtar e Portimonense); e também a 1.ª vez na sua história que teve 5 empates consecutivos. Se acham que o pesadelo termina aqui, enganam-se. Eu é que não tenho estômago para aqui colocar os outros registos históricos ocorridos nesta segunda metade do campeonato.
«Convém que o Benfica se esqueça rapidamente da época que acabou», dizia recentemente Nuno Gomes no programa MaisFutebol da TVI (07/08/2020). Discordo, em toda a linha.
É essencial que o Benfica nunca se esqueça da época 2019-20: das 3 derrotas contra um dos piores FC Portos do séc. XXI; do retorno à incapacidade para encontrar soluções na dinâmica ofensiva; das evidentes dificuldades em defender bolas paradas; da problemática falta de opções com qualidade na frente de ataque, no eixo defensivo, e na baliza; e sobretudo, da preocupante falta de maturidade para conseguir não só manter a constância exibicional, mas também dar a volta aos maus resultados.
Numa altura em que há muita esperança nos novos reforços que chegam agora à Luz, é imperativo que a nova equipa técnica do Benfica identifique e minimize estas fraquezas, antes de poder partir para uma época que, esperamos todos, seja de retoma aos títulos mas acima de tudo, que volte a entusiasmar o universo benfiquista."

Sporting vs. Braga: o desaparecimento ou a emergência de (mais) um grande?

"Discute-se hoje o encurtamento das distâncias entre SC Braga e Sporting CP. Será esta uma moda de curta duração ou uma tendência emergente? Estaremos perante um quarto grande ou deveremos deixar de colocar Sporting no lote dos três grandes, dadas as distâncias cada vez mais evidentes para SL Benfica e FC Porto?

Tradicionalmente, no futebol português são identificados três grande clubes: FC Porto, SL Benfica e Sporting CP. Isto deve-se, possivelmente, aos seus números de associados, palmarés ou questões financeiras. Contudo, discute-se hoje o encurtamento das distâncias entre SC Braga e Sporting CP. Será esta uma moda de curta duração ou uma tendência emergente? Estaremos perante um quarto grande ou deveremos deixar de colocar Sporting no lote dos três grandes, dadas as distâncias cada vez mais evidentes para SL Benfica e FC Porto?
Parece-me claro: o Sporting é um clube grande, e por muito que o Braga venha encurtando as diferenças, não é um clube grande. Vamos a números: em termos sociais, o Sporting tem cerca de quatro vezes mais sócios que o Braga (107.000 v 28.000); em termos de palmarés, e considerando apenas quatro maiores troféus nacionais (campeonato, taça, taça da liga e supertaça), o Sporting tem 49 títulos e o Braga apenas 4; e em termos financeiros, o Sporting tem um activo 4.23 vezes superior (301M€ v 71M€) e receitas operacionais 4.75 vezes superior (76M€ v 16M€) do que o Braga. Isto permite que o valor (contabilístico) dos jogadores do Sporting per si seja reconhecida pelos mercados financeiros como sendo 5.56 vezes superior à do Braga (89M€ v 16M€). Por inerência, a sua folha salarial é também 3.73 vezes superior (69M€ v 18.5M€).
Não obstante, isto vale o que vale, porque nos últimos 10 anos, o Sporting não ganhou nenhum campeonato, e conquistou apenas duas taças de portugal, duas taças da liga e uma supertaça. No mesmo período, o SC Braga ganhou o mesmo número de campeonatos e taças da liga, e menos uma taça de portugal e uma supertaça. Pelo meio, Braga tem ainda uma final europeia e o Sporting não. E na última época Braga terminou o campeonato à frente de Sporting… Parece claro que existem formas de mitigar o impacto desportivo da diferença de dimensão entre clubes, e o Braga aparenta saber como.
Do ponto de vista estratégico, de gestão, financeiro, comunicação e, sobretudo, desportivo, o Braga aparenta ter os seus processos muito mais bem definidos e estáveis. Possui hoje uma cultura organizacional muito mais clara e definida, tendo uma estabilidade directiva grande que lhe permite ser mais consequente e clarividente na comunicação com os seus stakeholders. Este clima positivo permite o desenvolvimento de talento de forma sustentável. Tem demonstrado outputs dos melhores em Portugal, tanto no seu departamento de scouting (ex., Paulinho) e como no seu departamento de formação (ex., Pedro Neto, Trincão e Bruno Jordão), servidos por instalações de excelência. Até nas transacções com Sporting é no sentido Sul-Norte que tem fluído a valorização de activos (ex., Esgaio, Palhinha e Wilson Eduardo) e o fluxo do dinheiro proveniente de transferências (ex., Rúben Amorim). Por incrível que possa parecer, o Braga tem hoje uma estrutura financeira muito mais equilibrada que o Sporting. O seu endividamento é de 73%, considerando os capitais próprios positivos de 19M€. Já o Sporting, continua em falência técnica, com um endividamento de 108% e capitais próprios de -24M€. Isto permite que o Braga invista apenas menos 30% em aquisições de jogadores que o Sporting (8.4M€ v 12M€).
Em 2019/20, Portugal recuperou o 6º lugar do ranking de clubes de UEFA, garantido que o 3º classificado da liga portuguesa possa ter acesso à UEFA Champions League (UCL) de 2021/22. Considerando que cada clube ganha (i) por participação na UCL 15.25M€ mais 1.1M€ por cada lugar no ranking dos 32 participantes da UCL, e (ii) por desempenho 2.7M€ por vitória e 0.9M€ por empate, bem como 9.5M€ se passar aos 1/8° final, é possível admitir que em 2021/22 Sporting ou Braga consigam uma receita de cerca de 40M€ na UCL. Ou seja, para Braga um 3.º lugar na liga portuguesa em 2020/21 pode valer um aumento de 2.5 vezes da sua receita anual operacional ou o pagamento de 77% do seu passivo a pronto. Para o Sporting um 3.º lugar na liga portuguesa em 2020/21 pode significar um aumento de 53% na sua receita anual operacional ou o pagamento no imediato de 58% da sua folha salarial. Mais, o maior mediatismo do Sporting e respectiva instabilidade directiva pode também ser utilizada em benefício do Braga: a expectativa dos associados leoninos é lutarem lado a lado com Benfica e Porto. Voltando a não cumprir essa expectativa, será muito mais fácil (re)instalar-se uma crise social que prejudique inclusive a manutenção do 3.º lugar. Este ano promete ser de importância extrema para ambos os clubes."

João & Patrick... França!

Everton


A grande contratação do defeso (até agora!), e mesmo se o Cavani vier, muito sinceramente, creio que esta acaba por ser a 'entrada' mais surpreendente! Devido à idade e à qualidade do jogador...
Contratar um titular da selecção brasileira, ainda por cima um jogador de características ofensivas (são mais caros do que os defesas...), que na última competição internacional de selecções que o Brasil participou foi o melhor jogador... que era praticamente o único titular da selecção que ainda jogava no Brasileirão... tudo isto, parece 'impossível', mas tornou-se realidade!
Ainda me recordo das chegadas do Valdo, do Ricardo Gomes, do Mozer, do Aldair, do Elzo (e também do Paulo Nunes e do Donizete.... e do Roger!!!)... Nos últimos tempos, só a chegada do Luisão (muito jovem...) e do Ramires se podem aproximar à importância desta movimentação...
Tenho poucas duvidas sobre o impacto do Everton no Benfica... e o período de adaptação será curto, porque vem com ritmo, e nas pré-eliminatórias da Champions, será seguramente decisivo...
Drible, boa chegada na área, com remate potente, faro de golo, velocidade e força... sendo que defensivamente não se esconde...
A minha única preocupação, é que um jogador desta qualidade, no Benfica, treinado pelo Jesus, vai despertar o interesse dos tubarões rapidamente... Portanto, desfrutem...!!!

Waldschmidt


Jovem alemão, talentoso... aquele que devia ter sido o substituto do Félix, na época que terminou, que acabou por só chegar este ano!
Nas grandes selecções Alemãs dos anos 80 e 90, normalmente tínhamos 10 jogadores de qualidade, trabalhadores, disciplinados tacticamente, fisicamente fortes e depois havia sempre um criativo lá no meio, um Thomas Hassler!!! O Luca, parece-me ser um desses...!!!
A minha única dúvida, está ligada ao estilo de jogo do Benfica: no seu anterior Clube, jogava muitas vezes, contra equipas 'superiores', que depois permitiam 'saídas' rápidas... no Benfica, na maior parte das vezes, vai jogar contra equipas muito fechadinhas, vamos ver como se adapta!

Vertonghen


Quando saíram as primeiras notícias do interesse do Benfica, no internacional Belga, não acreditei! Mas aparentemente neste defeso, aquilo que parece bom demais, é mesmo 'verdade'!!!
Central experiente, forte fisicamente, bom no jogo aéreo, canhoto, boa capacidade de passe para um defesa 'matacão'... e até tem alguma velocidade, já que jogou muitos minutos como defesa esquerdo em Inglaterra!
Vamos ver como se irá adaptar às 'ordens' do treinador... e qual será a atitude competitiva, mas tem tudo para ser a garantia das nossas melhorias defensivas...

PS: Vamos ver quem será o companheiro do lado! Muito se tem falado de contratações, mas também existe a possibilidade de haver algumas saídas sonantes...!!!

Trio 'Odemira' !!!

Venha lá mais um craque

"A comprar assim este Benfica é uma carraça para os adversários

O Benfica tem comprado a bom ritmo e com inegável qualidade. Helton Leite, Gilberto, Cebolinha, Waldschimidt e Vertonghen são aperitivo, prato e sobremesa para uma época de sonho. Parece melhor que o melhor dos sonhos. O sonho, depois destas compras, é que dia 15 de Setembro chegue rápido. Embora os adeptos queiram sempre mais (eu também), este plantel já tem muito talento e, nas mãos de Jorge Jesus, vai mesmo render o triplo. Mas, como sou adepto, venha lá mais um craque (esse mesmo em que estão a pensar) para aumentar o nosso contentamento e a preocupação noutras latitudes. A comprar assim este Benfica é um carraça para os adversários.
Este ano pode haver um factor lotaria na competição, como se viu com dois infectados no Atlético de Madrid e um no Barcelona em vésperas de jogos importantes. Um plantel ligeiramente mais longo, para atacar todos os títulos, faz, este ano, algum sentido acrescido. Porque este ano é para ganhar todos os títulos nacionais.
Por falar noutras latitudes parece óbvia que o SC Braga está a fazer as coisas muito bem e será candidato nas várias competições que vai disputar. Carlos Carvalhal é muito bom treinador, Nico Gaitán é um excelente jogador, daqueles que só estão ao alcance de equipas com ambição. Este ano ainda não sei quantos serão os candidatos ao título, mas sei que o SC Braga será um deles. Nos supostos candidatos há quem tente comprar, há quem tente vender e há quem tente existir.
Luís Castro levou os ucranianos do Shakhtar Donetsk às meias-finais da Liga Europa. Quando venceu o Benfica numa disputada eliminatória percebemos que era uma equipa de topo.
Daqui a um mês começa a competição e logo com uma terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. Começa sem o Benfica fazer um jogo oficial. Dia 15 de Setembro o campeonato já devia ter uma ou duas jornadas e a Supertaça (adiada) disputada. Uma realidade que prejudica muito o Benfica e o futebol português. Jogar uma partida de €50 milhões sem um jogo oficial anterior é uma planificação de amadores. Mas temos papas e bolos e assim se enganam os tolos.
Na próxima semana, o Benfica participa na Youth League, também com os nossos jogadores a viverem a dificuldade da ausência de jogos competitivos, mas isso não diminui a ambição de uma equipa cheia de talento. Boa sorte na partida contra os simpáticos e talentosos croatas do Dínamo de Zagreb que deixaram o Bayern pelo caminho."

Sílvio Cervan, in A Bola

Pontapé de saída

"Gostei bastante da entrevista concedida por Jorge Jesus à BTV, em que nada foi esquecido ou escamoteado. Na linha do que ficara patenteado na apresentação do nosso novo treinador, foi reforçada a ambição de recolocar o futebol benfiquista no trilho do sucesso. Se dominarmos as próximas temporadas, não tenho a mínima dúvida de que, no futuro, faremos a retrospectiva do decénio e considerá-lo-emos hegemónico da nossa parte. A época 2019/20 foi uma desilusão, vencemos somente a Supertaça. Ainda assim, nos últimos 7 anos, conquistámos 15 dos 28 troféus em disputa, mais do que todos os nossos adversários juntos conseguiram. Fazer da última temporada e de 2017/18 excepções será a desígnio de todos os benfiquistas e de quem o serve e representa nos próximos anos.
Mas houve mais que manifestações ambiciosas para o futuro próximo do Benfica. Entre o muito que poderia destacar, escolho a convicção de Jorge Jesus acerca da formação.
Primeiro deixou bem vincado que a competência não se restringe a escalões etários mais velhos e que terá sempre de ser, independentemente da idade, o factor determinante na escolha dos jogadores que compõe o plantel. Depois alargou, e bem, o conceito de formação a atletas que, não tendo percorrido as camadas jovens do clube, são contratados em idades precoces com o intuito de ser desenvolver, ao máximo, o seu potencial. Por último, defendeu a necessidade de dar tempo, logo jogo, às jovens promessas, o que passa, na esmagadora maioria dos casos, pela maturação na equipa B ou o recurso a empréstimos. Não poderia estar mais de acordo. Até porque, se aparecerem outros João Félix ou Renato Sanches, as oportunidades surgirão naturalmente, em nome da competição."

João Tomaz, in O Benfica

Paga o que deves!

"Quem cumpre não faz mais do que a sua obrigação. Quem não cumpre é estranhamente protegido por um sistema que perpetua os maus pagadores. Os pouquíssimos clubes que respeitam a lei, que pagam a tempo e horas ou que não têm dívidas a outras sociedades desportivas não são agraciados com medalhas ou elogios da Liga profissional. Já os outros, os incumpridores, podem fazer o que lhes dá na real gana: adiam pagamentos, reestruturam dúvidas, contratam treinadores e jogadores sem pagar, e nada lhes acontece. Continuam a jogar no campeonato dos mais fortes, desvirtuando a verdade e quebrando regulamentos. Vem isto ainda a propósito das já noticiadas despromoções de Desportivo das Aves e Vitória FC (Setúbal) por não apresentarem as garantias necessárias para disputar o principal campeonato de futebol. Entre elas, por exemplo, estão dívidas a outras sociedades desportivas.
É assim que deve funcionar o futebol profissional? Não me parece. Se queremos um campeonato forte, com equipas profissionais e competentes e em igualdade de circunstâncias, não pode haver protegidos. Nada contra avenses e vitorianos (tanto, que o processo do VFC ainda decorre), o alvo é geral. Quem não cumpre não pode jogar. E se pode haver alguma compreensão em ano de pandemia, já o mesmo não podia ter acontecido ao longo dos últimos anos. Nem nos próximos. Já para não falar da megalomania de ter 18 equipas na divisão principal. E ter tantos incumpridores entre elas."

Ricardo Santos, in O Benfica

Há coisas engraçadas

"Só no jornal O Jogo, a decisão da SIC (e, ao que parece, também da TVI), de descontinuar os programas televisivos com 'adeptos' dos clubes já gerou três (!) editoriais. Aliás, a primeira reacção negativa veio justamente da newsletter do FC Porto (que, diga-se, é quase a mesma coisa).
Também do outro lado da 2.ª Circular se ouviram vozes discordantes. E a reacção de um dos membros de painel, um tal Rodrigo-não-sei-quê (a propósito: quem é? Como foi lá parar?), corre por aí como exemplo de azia mal disfarçada.
Isto é engraçado, mas não surpreende.
Há muito que deixei de ver os ditos programas, e se, entretanto, uma ou outra vez, lá fui espreitar, logo me senti indisposto. Uma das razões foi o facto, óbvio, de há muito terem deixado de falar de futebol - a dada altura tornaram-se meros debates de arbitragem, e depois... nem disso. Outra foi perceber que tais programas representavam uma sofisticada forma de tiro ao Benfica.
Se o nosso clube tem uma representatividade social claramente maioritária no país, nesses painéis ela via-se reduzida a 33%, contra uma dupla normalmente bem oleada de rivais, ao jeito de um que mata e de outro que esfola. Por melhor que fosse o desempenho do nosso 'representante' (e houve de tudo), só por milagre se evitava que os rivais vendessem o seu peixe.
É claro que os problemas do futebol português não ficam todos resolvidos com o fim destes programas. E a comunicação tóxica vai muito para além deles - começa em certos directores de comunicação, e acaba em alguns jornalistas 'independentes'. Mas este não deixa de ser um passo positivo, que me curvo para saudar."

Luís Fialho, in O Benfica

A entrevista

"A guardada com enorme expectativa, a entrevista de Jorge Jesus à BTV foi um grande momento de TV, de futebol e de benfiquismo. Frontal e sem truques, Jorge Jesus respondeu a todos as perguntas de Hélder Contuto, mesmo as mais difíceis. O nosso treinador provou que está completamente focado no novo projecto que visa manter a hegemonia interna e lançar o Benfica europeu. Jorge Jesus explicou, de forma clara e transparente, e que pretende fazer, quantos jogadores quer, como os quer a actuar e onde pretende chegar. A radiografia que fez sobre o actual panorama do futebol português é cruel e devia fazer-nos reflectir. Os melhores jogadores portugueses duram pouco tempo no nosso campeonato, e os bons que contratamos estão de passagem por Portugal. É contra esta tendência que o SL Benfica tem de lutar. Estamos a montar uma grande equipa, e os investimentos da SAD são a prova provada do esforço que está a ser feito. Jorge Jesus voltou a desmontar a questão da formação e deixou pistas para reflexão. Para compreender esta complexa questão, vou dar dois exemplos. Em 2009/10, quando chegou ao SL Benfica, Jorge Jesus tinha cinco defesas-centrais no plantel - Luisão, David Luiz, Sidnei, Miguel Vítor e Roderick Miranda. Ninguém dúvida do real valor de Miguel Vítor e Roderick Miranda, jovens nados e criados no Benfica. Mas todos temos noção de que estavam tapados por dois grandes jogadores - Luisão e David Luiz. Os percursos de ambos são conhecidos, e graças a esta dupla conquistámos muitos títulos. Sidnei era um jovem com 20 anos e com um futuro risonho. Nessa época, Luisão fez 45 dos 51 jogos. David Luiz falhou apenas 2. Sidnei alinhou em 10 jogos. Miguel Vítor e Roderick jogaram 7 e 2, respectivamente. Nessa temporada, conquistámos 2 títulos - o Campeonato Nacional e a Taça da Liga. A pergunta impõem-se: alguém pode questionar as opções do nosso treinador?"

Pedro Guerra, in O Benfica

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Vencedores

"A vitória sorri a todos estes jovens do projecto Para ti Se não faltares! que sabem como ninguém resistir a adversidades e aprenderam por experiência própria que, por mais difícil que pareça a situação em que nos encontremos, existe sempre mais que uma saída. Assim a queiramos empreender e estejamos dispostos a dar tudo o que nos exige o sonho.
Assim, todos os anos, a Fundação Benfica ajuda muitas centenas de jovens a acreditar em si mesmos, aprendendo a avaliar de forma realista a situação em que se encontram na escola e a reconhecer quais as suas capacidades e que aptidões desenvolver para ambicionarem e alcançarem resultados cada vez mais elevados. O seu percurso marca-se da apatia inicial à performance a meio dos três anos de projecto e muitas vezes à superação e à excelência no final de percursos individuais extraordinários. Marca-se com resultados e celebra-se com prémios, muitos e bons, atribuídos na presença dos seus pares e recebidos em euforia numa festa que só o Benfica sabe fazer. Mas se há coisa que estes jovens aprenderam e nós sublinhamos é que o descanso é dos guerreiros e, chegando o seu tempo, deve ser gozado com o sabor doce da vitória que o trouxe. Por isso, boas férias e bom descanso a gozar os prémios merecidos. Setembro está à porta, e então, como sempre, voltem com tudo.
A Fundação Benfica estará cá, como sempre, para vos apoiar!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Dois passados

"1. A 'máquina' entrou (finalmente) em produção. A partir do zero. Ou, melhor, com o contador a zeros, como deu a entender Jorge Jesus, já que o que está para trás não conta. É passado.
2. Que sabemos é que a ambição está renovada em função dos modelos, tendo em conta a presença de alguns protagonistas da relva, e, em especial, considerando também o próprio capital de esperança que - pelo que tenho ouvido e sinto, eu próprio - recupera, de um modo já não passivamente expectante, os sólidos índices conjuntivos que só o Benfica consegue, porque (como costumo dizer) só o Benfica pode.
3. Por muita conversa fiada (a cujos bolçamentos a gente se vem habituando) de muitas origens externas e internas, a verdade é que poucos no seu lugar teriam ousado chegar-se à frente nos modos decididos como Luís Filipe Vieira acabou por fazer agora.
4. Os resultados hão de ver-se a breve trecho. Tão certo como dois e dois fazerem quatro.
5. Por um lado, porque ninguém no mundo estaria tão preparado para montar uma equipa de futebol com tamanhas responsabilidades, em tão pouco tempo; e, por muito difícil que parecesse ser, foi precisamente essa personalidade que, no momento verdadeiramente decisivo, se foi resgatar ao outro lado do mar para vir conduzir a equipa do Benfica.
6. Por outro, porque, se se definiram objectivos claramente mais ambiciosos e mais consentâneos com a afirmada largueza de recursos largueza de recursos do Benfica, também não deixou de haver o atrevimento de recorrer ao mercado de forma a reconstruir uma equipa caldeada e fortalecida por mais experientes executantes, à medida dessas nossas novas ambições objectivamente proclamadas.
7. Realismo. Realismo usando regras claras, escoradas na gestão equilibrada dos recursos humanos e infraestruturas disponíveis e, evidentemente, na prudente projecção de futuras consequências que as actuais circunstâncias recomendam.
8. Afinal, no Benfica não é como nesse espantoso mundo das instâncias judiciárias portuguesas, no qual, à boleia de formidáveis vagas de comunicação (e às vésperas de um importante julgamento...), pelos vistos, os ladrões passam de repente a poder acasalar livremente com os polícias e os magistrados, a quem reiteradamente antes haviam rabiado e provocado de viva voz, ou mediante astutos mandatários às escâncaras, em variadas sedes e meios nacionais e estrangeiros.
9. Na Justiça à portuguesa, portanto, o contrário 'disto', agora, também parece que é passado. Mas um passado peculiar, com lei de fora...
10. Um passado à medida das conveniências do presente no qual, se for preciso, dois a dois, afinal, até podem passar a fazer mais que vinte e dois... E, se não for assim, pelo menos a um leigo, até parece que possa mesmo passar a ser: basta que um senhor juiz aceite validar tudo o que um polícia, para a passar a poupar a mais trabalhos, venha a combinar com um ladrão..."

José Nuno Martins, in O Benfica

De Ferro a Aço: o Homem-de-Aço Jan Vertonghen é do SL Benfica

"Jan Vertonghen, também conhecido como Super Jan, é reforço para o sector defensivo do Sport Lisboa e Benfica. O internacional belga, de 33 anos, chega ao clube da Luz como jogador livre, mas nem por isso será uma contratação barata.
O jogador, que dividiu a sua carreira entre o AFC Ajax e o Tottenham FC (pelo meio, uma passagem de uma época, por empréstimo dos primeiros, pelo RKC Waalwijk, da Holanda), vai pertencer ao clube dos mais bem-pagos do plantel encarnado, auferindo cerca de 2,5 milhões de euros limpos (talvez mais), e recebe um prémio de assinatura não revelado, mas que será, por certo, avultado.
No entanto, a qualidade paga-se e Vertonghen tem qualidade suficiente para ser verdadeiramente um reforço e não apenas uma contratação, que nem sequer teria retorno financeiro (pelo menos, de forma directa, através de uma revenda). Como tal, a ideia tem que passar – e passa – por uma aposta para o imediato e para a titularidade. Naturalmente, é isso que vai acontecer.
A qualidade do belga, por si só, já é um garante da sua titularidade absoluta, ao lado de Rúben Dias. Essa qualidade aliada à falta de soluções para o eixo da defesa das águias fortalece essa garantia e, mais importante ainda, deixa patente que a intenção de subir o nível do plantel (em termos individuais e colectivos, em termos exibicionais e de experiência) vai ser materializada.
Com 1,89m e uma capacidade física e atlética ainda acima do razoável (não o suficiente para aguentar toda uma época na Premier League, daí o abandono do Tottenham FC), Jan preza pela capacidade de desarme, de posicionamento e no jogo aéreo. É e será uma voz de comando, tendo um perfil de liderança de que o SL Benfica está carenciado, e pode, em circunstâncias especiais, alinhar como defesa-esquerdo.
Essa polivalência pode ser uma solução de recurso, mas não será uma solução a adoptar continuamente, espero, não só pela falta de velocidade que o jogador vai começando a apresentar, mas também porque não são boas as memórias da última vez que Jorge Jesus utilizou um central pela esquerda como defesa-esquerdo ao leme do clube encarnado.
A sua carreira espelha que Vertonghen é central de equipa grande e apreciadora de um estilo de jogo assente na construção desde o primeiro momento e primeiro terço. Essa característica é uma enorme mais-valia para as águias, que vão ter no belga um verdadeiro tratado no que diz respeito à construção pelo eixo da defesa.
O seu pé canhoto coloca a bola onde quer e a sua experiência permite-lhe ler o jogo, decidir a melhor linha de passe para avançar a jogada e executar com fiabilidade esse mesmo passe, tudo com uma tranquilidade que, para muitos adeptos, será assustadora.
Internacional A pela selecção belga por 118 jogos (e a contar…), ao serviço da qual apontou nove golos, Jan Vertonghen vem dar experiência e qualidade a uma posição carenciada e que tem que ser bem assegurada, sob pena de, caso contrário, suceder em 2021 o que aconteceu em 2020. Com Rúben Dias e Jan Vertonghen, acredito que, de facto, o eixo da defesa estará bem entregue, tratando-se de dois internacionais de duas das melhores selecções da actualidade.
Além do que significa para a equipa no imediato, também para o futuro de alguns jogadores em particular é muito importante e interessante a chegada do central belga. Esses jogadores são, claro, o próprio Rúben Dias e Ferro. Fazendo dupla com alguém do calibre de Vertonghen, Dias fica menos exposto, deixa de ser o bombeiro de serviço da defensiva encarnada e pode subir o seu nível.
Por seu turno, Ferro, com o novo estatuto de segundo central pela esquerda (mais correto do que dizer quarto central, creio), pode aprender imenso com o belga e fica também ele muito menos exposto, recaindo sobre ele menos expectativas e responsabilidades e, consequentemente, menos pressão.
O crescimento dos dois centrais formados no clube será bom para ambos, para o colectivo e para o clube, que só desta forma rentabilizará ao máximo os dois futebolistas, financeiramente. A chegada de Vertonghen, ao contrário do que possa aparentar, é uma aposta na formação, pois só ao lado de jogadores como ele, no caso de Dias, ou na sua sombra, no caso de Ferro, podem os jovens centrais crescer como se deseja.
Em resumo, Jan Vertonghen é uma das melhores e mais mediáticas contratações do Sport Lisboa e Benfica nos mais recentes anos. Bem-vindo, Jan Vertonghen!"

SL Benfica 2020/2021 | Um plantel renovado

"Desde que foi anunciado o regresso de Jorge Jesus ao SL Benfica que o clube encarnado tem sido associado aos mais variados jogadores e contratações. Helton Leite, Gilberto e Pedrinho já foram confirmados. Everton, Vertonghen e Waldschmidt parecem estar quase certos e continua a perdurar a novela deste verão: Cavani. Todas estas entradas implicarão algumas saídas e um plantel consideravelmente diferente daquele que terminou esta temporada.

Na baliza
Vlachodimos ganha a concorrência de Helton Leite. Para os desatentos a contratação do já experiente guardião brasileiro parece não ser a melhor. No entanto, Helton Leite foi um dos melhores guarda redes desta edição da Liga Portuguesa. Tem perfeitamente capacidade para ser o número dois das águias e talvez até dar boa concorrência a Vlachodimos pela titularidade. O lugar de terceiro guarda redes é incerto. Zlobin parece ter perdido todo o seu espaço e deverá sair do clube encarnado. Svilar, apesar da boa época na equipa B, deverá ser emprestado a uma equipa onde será primeira opção. A escolha, caso não se concretize mais nenhuma chegada para a baliza, deverá recair entre Leo Kokubo e Samuel Soares, dois jovens guarda redes da formação dos encarnados. Ivan do Ponte Preta tem sido falado como possível contratação.

Na lateral direita
André Almeida tem agora a concorrência de Gilberto, ex-Fluminense Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede Nesta zona do terreno parece estar tudo fechado. Gilberto e André Almeida serão os concorrentes ao lugar. O português parte como favorito, mas Gilberto pode perfeitamente conquistar o lugar. O lateral brasileiro é forte fisicamente e demonstra qualidade no ataque, mas é bastante inconsistente e tem algumas lacunas. Acho que pode crescer muito com Jorge Jesus. Tomás Tavares deverá ser relegado para a equipa B, onde terá tempo para crescer longe da pressão e exigência da equipa principal, onde foi lançado de forma prematura. Diogo Gonçalves não creio que seja opção para a lateral direita.

No centro da defesa
Aqui parece estar muita coisa em aberto. Rúben Dias, um dos maiores activos encarnados e um claro candidato a ser transferido, será certamente um dos centrais titulares. Vertonghen, que parece estar praticamente fechado, deverá fazer parceria com o internacional português. Com a adição do experiente defesa belga, esta será uma das melhores duplas de centrais dos últimos anos em Portugal. Quanto às alternativas: Jardel deverá estar de saída para um destino financeiramente agradável. Ferro, depois de uma época muito pouco positiva, deverá permanecer como o terceiro ou quarto central do plantel. Ainda existe a forte possibilidade de chegar mais um central à Luz. Garay, Lucas Veríssimo, Koch (que parece já ter sido descartado), Leo Pereira ou Cabrera têm sido as opções faladas. Acredito que o mais plausível seria o regresso de Garay ou a chegada de Cabrera, mas caso o argentino não regresse e o uruguaio não chegue, o lugar que sobra deve pertencer a Morato.

Na lateral esquerda
Neste lado da defesa não há qualquer entrada e nem sequer vão surgindo muitos nomes na órbita do SL Benfica. Grimaldo manterá, certamente, a titularidade e Nuno Tavares deverá ser a alternativa, enquanto vai desenvolvendo na equipa B. Nota também para a possibilidade de Vertonghen poder fazer a posição de lateral esquerdo.

No meio campo
No centro do terreno as opções continuam a ser muitas. Jogadores como Fejsa ou Alfa Semedo deverão abandonar o clube. Weigl creio que tem um lugar praticamente garantido na equipa titular. Jesus parece ter a ideia de que o alemão pode desempenhar funções ligeiramente mais ofensivas. Faz todo o sentido, face até à excelente qualidade de passe e receção do médio germânico. Com Weigl a desempenhar mais uma função de 8, fica aberto um espaço atrás para Florentino. O jovem português é, no sentido da palavra, o melhor médio defensivo no plantel (Weigl não é um médio defensivo) e pode dar uma solidez enorme ao SL Benfica. Assumindo que Jorge Jesus manterá o seu sistema, esta para mim seria a dupla ideal. Gabriel e Taarabt são duas opções muito boas, mas o marroquino terá que perder alguma da sua anarquia táctica e o brasileiro tem que subir (muito) os seus níveis de intensidade. Com Jorge Jesus não é possível jogar regularmente correndo apenas alguns quilómetros por jogo. Samaris acho que não terá qualquer espaço. É um líder no balneário, mas em termos desportivos há muito que pouco ou nada acrescenta. Jogadores como David Tavares ou Tiago Dantas dificilmente terão muitas oportunidades. 

Na posição de segundo avançado
Para este papel, o titular será certamente Luca Waldschmidt. O jogador alemão chega da Bundesliga e acrescenta muita qualidade ao plantel encarnado. Forte na finalização e com boa qualidade de passe e de drible. O alemão terá a concorrência de Chiquinho, que foi uma das boas surpresas do final de época. Com melhorias na finalização poderá ser uma opção muito válida. Atenção também a Pizzi. Numa entrevista recente ao canal do clube, Jorge Jesus disse que achava que Pizzi potencia mais as suas características no meio do terreno do que encostado a uma ala. Se é verdade que pode jogar mais recuado no meio campo, acho que e é aqui, com uma função mais de médio ofensivo e não tanto de segundo avançado, que pode brilhar.

Nas extremidades
Para extremo as opções são também de muita qualidade. Everton Cebolinha será certamente o titular à esquerda. Um extremo muito forte no desequilíbrio individual e com um excelente remate. Cervi parece não ser opção para Jorge Jesus como extremo. Não quero levantar suspeitas, mas com o historial de criar (ou querer) defesas esquerdos… Jota poderá ser uma opção válida, mas terá de crescer muito. Contudo, este crescimento só será observável com minutos de jogo. Na direita, considerando que Pizzi poderá ser uma opção mais para o centro do terreno, a luta será entre Rafa e Pedrinho. Dois jogadores diferentes. O português mais rápido e com mais capacidade de explorar os espaços, o brasileiro mais técnico e capaz de desequilibrar individualmente. Normalmente procura-se que os dois extremos titulares tenham dinâmicas ofensivas algo diferentes o que, com Everton à esquerda, pode fazer de Rafa o titular à direita. Zivkovic provavelmente continuará a não contar.

Na frente de ataque
Vinícius é titular absoluto. A não ser que abandone a Luz ou… chegue Edison Cavani. O avançado uruguaio tem protagonizado a grande novela deste mercado de transferências em Portugal. A ser confirmado seria, a seguir a Casillas, o jogador com maior nome a chegar a Portugal nos últimos anos. Sem problemas físicos, seria o melhor avançado em Portugal, por larga margem. Seferovic é dispensável e Dyego Sousa permanecerá até dezembro (altura até à qual está emprestado), mas certamente não fará parte das opções. Gonçalo Ramos poderá ser a terceira opção.
Um plantel verdadeiramente melhorado que promete muito!"

Desporto e lazer: um espelho das sociedades

"É dado como certo que a industrialização determinou o surgimento do desporto moderno e a sua expansão foi determinada também pelas condições promovidas pelo avanço das técnicas. O século XX foi palco de transformações tecnológicas e sociais, alterando a vida das populações.
No processo de alterações societais, o lazer assumiu um papel importante. A partir de 1980, e consoante os países europeus, o tempo livre tornou-se o tempo de vida mais longo, que ganhou sobre o tempo de trabalho e o tempo requerido a satisfazer as obrigações diversas (sociais, administrativas, higiénicas, familiares, domésticas, etc.). O trabalho não foi destituído socialmente, na medida em que ele continua estruturador e organizador da vida dos cidadãos. É a partir do trabalho que se continuam a se distribuir as temporalidades sociais. O trabalho ritma e determina os modos de vida, dos activos, bem como dos inactivos. É o trabalho que continua a organizar o dia, a semana, o mês e o ano.
Retirando a questão profissional, praticantes desportivos e não desportivos procuram aproveitar o lazer. Na sua continuidade, o fenómeno desportivo é inteiramente lazer. É isso que lhe dá sentido e lhe confere a sua especificidade. Sem o lazer, sem o surgimento de uma sociedade de lazeres, o fenómeno desportivo não existe. E se existe, é de outra forma. O tempo livre tornou-se o primeiro tempo de vida nos países desenvolvidos. Uma tendência se afirma, que consiste em compensar um trabalho cada vez mais intenso pelas actividades de lazer com uma intensidade correspondente. Ouve-se dizer que o desporto reclama capacidades físicas. Se é verdade para o nível de alto rendimento, não é verdade para todos os desportos.
A simples saúde permite amplas possibilidades de praticar desporto e o leque de práticas desportivas é tão rico para a diversidade de gostos e de aptidões se possam exprimir. O desporto tem a incomparável faculdade de preencher o tempo livre. Compreender o desporto (ou os desportos), é perceber o sistema de relações que ele tem com a cultura e a sociedade que lhe dá sentido. Na sua multiplicidade, de formas e funções, o desporto escapa a uma clara definição, na medida em que é objeto de um incessante processo de legitimação social."

João & Ricardo... Escócia!