Últimas indefectivações

terça-feira, 11 de março de 2014

Lixívia 22

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica......55 (-7) = 62
Sporting.....48 (-3) = 51
Corruptos...46 (+7) = 39
Braga.........30 (+2) = 28

O trauma é antigo, e já me convenci há muito tempo, que não tem cura: um Lagarto será sempre Lagarto, e consequentemente anti-Benfiquista primário!!! Nasceram assim, vivem assim, e vão morrer assim...!!! A vida é deles...
Independentemente de todas as estratégias de alianças, para derrubar o Sistema, já começa a ser cansativo, semana sim, semana não, ouvir o Presidente (chefe de claque, humorista-mor, matemático...) Lagarto a vomitar imbecilidades... sempre com o Benfica na ponta da língua. Como eu não faço parte da Direcção do Benfica, estou liberto dessas restrições, e como adepto (ao contrário de alguns Benfiquistas) nunca me iludi com a personagem... Já assisti a muitas outras estratégias de vitimização de gente sem coluna vertebral, e se a esta personagem trágico-cómica, for dado o mesmo espaço de manobra, daqui a alguns anos, teremos um clone-do-Pinto vestido de verde... sem a oratória seminarista, mas com um sotaque queque, ainda mais irritante!!!
Uma equipa que ainda não venceu qualquer jogo, com qualquer um dos 5 primeiros classificados (Benfica, Corruptos, Estoril e Nacional), vir 'exigir', quase por decreto, o 1.º lugar, é o cumulo da cegueira!!!

Aquilo que se passou em Setúbal foi grave, ninguém duvida disso. Agora a forma como alguns conseguem na mesma frase, separar os erros que prejudicaram o Sporting, dos erros que prejudicaram o Setúbal, classificando os primeiros como escândalos épicos, e os segundos, como erros menores, é digno de um qualquer Ministro da (Des)informação Iraquiano!!! Mais grave ainda, é que acéfalos Lagartos, acreditam mesmo, naquilo que dizem!!! Esta forma de auto-ilusionismo, é uma arte difícil de dominar, mas os Lagartos são mestres!!!
- Golo mal-anulado ao Sporting. Óbvio na TV. Não tão fácil ao vivo, já que a 1.ª bola é defendida pelo guarda-redes...
- Golo mal-validado ao Sporting. Nenhum árbitro, valida um golo destes. Eu, hoje, não sei se a bola entrou, mas repito: nenhum árbitro, sem um árbitro de baliza, ou sem uma indicação do fiscal-de-linha, valida um golo destes... ainda por cima a bola não bateu no chão, uma das formas de 'calibrar' este tipo de decisões.
- Golo bem validade ao Setúbal. Não existe fora-de-jogo no 1.º golo do Setúbal, Jefferson está a colocar o Rafael Lopes em jogo...
- Penalty mal assinalado a favor do Sporting. Não existe qualquer falta sobre o Capel, a queda é completamente teatral. Mesmo havendo um contacto involuntário na perna do defesa do Setúbal, não é penalty...
- Penalty mal assinalado a favor do Setúbal. Só compreendo este penalty, como uma compensação pelo penalty mal assinalado minutos antes...
- Durante o jogo pediu-se ainda 3 penalty's, 1 para o Setúbal e 2 para o Sporting, nenhum existiu: a bola bate involuntariamente no braço do Cedric; existe um toque no Silimani, mas é um contacto normal, na luta pela posição... além disso, esta jogada, é o ataque imediatamente anterior ao penalty sobre o Capel, portanto se este penalty fosse marcado, o mergulho do Capel não existiria...; a bola bate no braço de um jogador do Setúbal na barreira, mas o braço está junto do corpo, na posição natural de quem está na barreira, o jogador do Setúbal não aumentou a 'área' com o braço...
Conseguir transformar, um jogo com tantos erros, para os dois lados, num roubo épico é de uma hipocrisia a toda  prova. Uma equipa que marca dois golos ilegais, e chega ao fim a chorar baba e ranho, disparando para todo o lado... não merece o meu respeito. Quando ao fim destes anos todos, ainda não perceberam quem manda no Sistema em Portugal, é porque nunca o vão perceber... mesmo quando o seu próximo adversário no Campeonato, que foi o principal beneficiado deste 'empate', é também o principal beneficiado pelo Sistema nos últimos 30 anos...!!!
Não é preciso ser um génio de matemática, nem de economia, para perceber que o qualificação para a Champions League da próxima temporada é super-importante, para todos os Clubes, principalmente aqueles onde o seu máximo responsável financeiro, demitiu-se recentemente, e que apresentaram prejuízos enormes no último semestre... E com as vendas que vão ser obrigados a fazer no final da temporada, o 3.º lugar, e consequente ida ao Play-off da Champions, é um risco que eles não querem tomar...!!!


Na Luz, tivemos mais uma actuação matreira do Paulo Baptista. Basta analisar a forma impetuosa como mostrou os cartões amarelos ao Fejsa e ao Maxi, ao contrário da forma 'quase contrariada' como amarelou os jogadores do Estoril!!!
Além dos erros nos foras-de-jogo: um para cada lado...!!! Recordo ainda outro lance: logo nos primeiros minutos, o Lima aparece isolado na cara do Vágner, falha, a bola saí pela linha lateral, e o árbitro marcou qualquer coisa, que eu, hoje, ainda não percebi...!!!
É verdade que nos 3 lances dentro da área do Benfica (Rodrigo, Fejsa, livre ao poste), que com o Coroado provavelmente seriam penalty, ele não marcou: e fez bem!!! Se calhar faltou-lhe coragem... o próprio Olarápio já 'admitiu', que para 'roubar' num Estádio cheio, é preciso ter 'tomates'!!!
Voltando ao fora-de-jogo e golo mal anulado ao Lima: ao contrário de outros lances, este é daqueles foras-de-jogo fáceis de analisar ao vivo. Só compreendo esta decisão, com o visionamento ao intervalo, do fora-de-jogo mal assinalado ao ataque do Estoril, e depois da polémica da semana passada no Restelo, o fiscal-de-linha quis compensar...!!! O mesmo fiscal-de-linha que o ano passado não viu o fora-de-jogo no golo golo do Estoril na Luz, que nos retirou o título!!!
ADENDA: No Estádio tinha ficado com a clara impressão que tinha sido falta, mas só hoje vi com atenção na TV: Garay, quando se encontra isolado, é derrubado pelo Rúben Fernandes. É verdade que o toque é depois do Garay ter feito um 'pseudo-remate', mas a falta existe... e seria cartão vermelho!!!


No Dragay, nada melhor para dar confiança a um novo treinador, do que o Hugo Miguel, é como uma super-aspirina: cura tudo!!!
Os dois penalty's marcados a favor dos Corruptos não existiam. Então o primeiro sobre o Varela é um absurdo... absurdo maior só mesmo aqueles que vendo as imagens defendem a marcação do penalty!!! O movimento de bailarina do Jackson no segundo penalty (que até foi falhado) é bem feito, mas não vejo intensidade no contacto com o Nuno Coelho, suficiente para a queda...
Recordo ainda, mais uma entrada para vermelho do Quaresma. Já é a 3.ª ou 4.ª entrada assassina do palhaço, desde que regressou, e como era esperado, mantém o cadastro limpo...!!!

Nada a assinalar em Braga...

Anexos:
Benfica
1.ª-Marítimo(f), D(2-1), Jorge Sousa, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
2.ª-Gil Vicente(c), V(2-1), Paulo Baptista, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), E(1-1), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-2), (-2 pontos)
4.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-1), Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Guimarães(f), V(0-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Sem influência no resultado
6.ª-Belenenses(c), E(1-1), Jorge Tavares, Prejudicados, (2-0), (-2 pontos)
7.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Nacional(c), V(2-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
9.ª-Académica(f), V(0-3), Hugo Pacheco, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Paixão, Nada a assinalar
12.ª-Arouca(c), E(2-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (3-2), (-2 pontos)
13.ª-Olhanense(f), V(2-3), Vasco Santos, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-2), Paulo Baptista, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
16.ª-Marítimo(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
17.ª-Gil Vicente(f), E(1-1), Paixão, Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
18.ª-Sporting(c), V(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Duarte Gomes, Prejudicados, Sem influência no resultado
20.ª-Guimarães(c), V(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, Sem influência no resultado
21.ª-Belenenses(f), V(0-1), Jorge Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
22.ª-Estoril(c), V(2-0), Paulo Baptista, Beneficiados, Prejudicados, (3-1), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Arouca(c), V(4-1), Rui Costa, Nada a assinalar
2.ª-Académica(f), V(0-4), Soares Dias, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Benfica(c), E(1-1), Hugo Miguel, Beneficiados, (0-2), (+1 pontos)
4.ª-Olhanense(f), V(0-2), Benquerença, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
5.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Xistra, Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
6.ª-Braga(f), V(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Setúbal(c), V(4-0), Duarte Gomes, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
8.ª-Corruptos(f), D(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Marítimo(c), V(3-2), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
10.ª-Guimarães(f), V(0-1), Paulo Baptista, Nada a assinalar
11.ª-Paços de Ferreira(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
12.ª-Gil Vicente(f), V(0-2), Jorge Sousa, Nada a assinalar
13.ª-Belenenses(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Nacional(c), E(0-0), Miguel Mota, Nada a assinalar
15.ª-Estoril(f), E(0-0), Proença, Nada a assinalar
16.ª-Arouca(f), V(1-2), Cosme Machado, Beneficiados, Impossível contabilizar
17.ª-Académica(c), E(0-0), Paulo Baptista, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
18.ª-Benfica(f), D(2-0), Marco Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Olhanense(c), V(1-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Sem influência no resultado
20.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
21.ª-Braga(c), V(2-1), Soares Dias), Nada a assinalar
22.ª-Setúbal(f), E(2-2), Vasco Santos, Prejudicados, Beneficiados, (1-1), Impossível contabilizar

Corruptos
1.ª-Setúbal(f), V(1-3), João Capela, Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Marítimo(c), V(3-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, Sem influência no resultado
3.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
4.ª-Gil Vicente(c), V(2-0), Hugo Pacheco, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
5.ª-Estoril(f), E(2-2), Rui Silva, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
6.ª-Guimarães(c), V(1-0), Proença, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Arouca(f), V(1-3), Vasco Santos, Beneficiados, Impossível contabilizar
8.ª-Sporting(c), V(3-1), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-Belenenses(f), E(1-1), Miguel Mota, Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
10.ª-Nacional(c), E(1-1), Xistra, Nada a assinalar
11.ª-Académica(f), D(1-0), Capela, Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
12.ª-Braga(c), V(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Bruno Esteves, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-Olhanense(c), V(4-0), Hugo Miguel, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
15.ª-Benfica(f), D(2-0), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
16.ª-Setúbal(c), V(3-0), Hugo Pacheco, Nada a assinalar
17.ª-Marítimo(f), D(1-0), Nuno Almeida, Nada a assinalar
18.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Cosme Machado, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
19.ª-Gil Vicente(f), V(1-2), Paulo Baptista, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
20.ª-Estoril(c), D(0-1), Vasco Santos, Nada a assinalar
21.ª-Guimarães(f), E(2-2), Marco Ferreira, Nada a assinalar
22.ª-Arouca(c), V(4-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar

Braga
1.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-2), Bruno Paixão, Nada a assinalar
2.ª-Belenenses(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Gil Vicente(f), D(1-0), Vasco Santos, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Estoril(c), V(3-2), Capela, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Arouca(f), V(0-1), Marco Ferreira, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
6.ª-Sporting(c), D(1-2), Paulo Baptista, Nada a assinalar
7.ª-Nacional(f), D(3-0), Soares Dias, Nada a assinalar
8.ª-Académica(c), D(0-1), Benquerença, Beneficiados, Sem influência no resultado
9.ª-Rio Ave(c), D(0-1), Jorge Tavares, Nada a assinalar
10.ª-Benfica(f), D(0-1), Nuno Almeida, Beneficiados, Sem influência no resultado
11.ª-Olhanense(c), V(4-1), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Corruptos(f), D(2-0), Paulo Baptista, Nada a assinalar
13.ª-Setúbal(c), V(2-0), Xistra, Nada a assinalar
14.ª-Marítimo(f), E(2-2), Rui Costa, Nada a assinalar
15.ª-Guimarães(c), V(3-0), Benquerença, Nada a assinalar
16.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Proença, Nada a assinalar
17.ª-Belenenses(f), D(2-1), Jorge Tavares, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
18.ª-Gil Vicente(c), V(4-1), Capela, Nada a assinalar
19.ª-Estoril(f), D(2-1), Xistra, Nada a assinalar
20.ª-Arouca(c) E(2-2), Duarte Gomes, Nada a assinalar
21.ª-Sporting(f), D(2-1), Soares Dias, Nada a assinalar
22.ª-Nacional(c), V(2-1), Nuno Almeida, Nada a assinalar

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:

Tudo errado

"O tempo dos atalhos
Sim: é ridículo que a justiça desportiva não possa servir-se dos mesmos meios de obtenção de prova que a justiça comum e é duplamente ridículo que os meios de obtenção de prova de que não pode servir-se como a justiça comum incluam escutas telefónicas feitas legalmente. Mas é mais ridículo ainda que as escutas que conduziram à condenação de dirigentes desportivos e árbitros de futebol e consumaram um suposto terramoto no desporto-rei nacional, incluindo inevitável sentimento de vingança consumada por parte de dois terços dos adeptos portugueses, fossem afinal ilegais, inválidas ou mesmo apenas inúteis. Como podemos nós chegar aqui, não sei. Talvez a Comissão Disciplinar da Liga de Clubes, e o Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol que ratificou a sua primeira decisão, tenham achado que, face às provas existentes, a da praça pública era, na verdade, a única condenação que conseguiriam obter. Eu pergunto-me se não há sanções para isto. E pergunto-me também, já agora, se não é suposto, quando se parte para a batalha das nossas vidas, certificarmo-nos de que não seremos vencidos por uma questão processual qualquer, maior ou menor. O atalho pode ser a grande imagem deste tempo, mas a Justiça devia saber resistir-lhe.
A comunicação
Não há Revolução sem ela
Não sei se o futebol português precisa de uma revolução ou, para nos mantermos no campo metafórico proposto por José Eduardo Simões, de uma evolução na continuidade. Sei de uma coisa: se os clubes efetivamente estão empenhados em promover um "novo 25 de Abril", deviam pelo menos ter-se certificado de que era outro revolucionário a comunicá-lo ao país que não o presidente da Académica. Metade do romantismo da coisa já se foi."

segunda-feira, 10 de março de 2014

Rebotalho a Oeste de Pecos

"1. Há quatro anos um grupo de selvagens - uma horda pouco ordeira portanto - invadiu o túnel de acesso às cabinas do Estádio da Luz e resolveu pontapear tudo o que esteve ao seu alcance pouco se importando se eram placares de plásticos ou crânios humanos. Como de costume, a justiça do futebol, formada pelo rebotalho dos tribunais, tratou de branquear a bestialidade dos brutos. Os tribunais civis, que fornecem ao futebol as raspas judiciais que atentam contra a nossa paciência e boa vontade, vieram tarde e a más horas condenar os protagonistas da estolidez. Entretanto pudemos ouvir e ler coisas tão cavalares como os coices distribuídos a torto e a direito nessa noite de cabeças perdidas.

2. Houve quem defendesse a chavasquice com unhas e dentes e erros de ortografia. Faz parte. A horda traz consigo a matilha que ladra à ordem do Madaleno. Nem um único desses opinadores que emporcalham a língua portuguesa e o nosso bom senso foi capaz de condenar os actos boçais. pelo contrário: transformaram as vítimas das patadas em conspiradores contra a liberdade regional que se pretende acima da lei e dos costumes.

3. Outros continuarão a negar os factos até ao fim da Humanidade à qual logicamente não pertencem. Querem ser bestas do Apocalipse mas não passam de meros pilha-galinhas que vivem à sombra dessa lei que não existe a Oeste de Pecos."

Afonso de Melo, in O Benfica

A agradável visita do Comércio e Indústria

"O Campeonato de Portugal foi a primeira prova verdadeiramente nacional do futebol português. O Benfica conquistou-a por três vezes, apesar de haver quem nem contabilize no palmarés. Adversários foram vários e curiosos.

ORA muito bem, quem faz o favor de me ir lendo por estas páginas, semana após semana, vai dando conta que mais do que a prosa em si o que me preocupa é trazer até ao estimadíssimo leitor acontecimentos, pormenores ou personagens ligados de uma forma ou de outra à história do Benfica. Assim sendo, desta vez vou falar do Comércio e Industria. Originalmente União do Comércio e Indústria, mais tarde União de Futebol Comércio e Indústria, fundado no dia 24 de Junho de 1917 (sem invenções, como uns e outros!) pelos empregados da indústria conserveira de Setúbal, e respectiva actividade comercial, como está bem de ver.
Se há nome que liga umbilicalmente o Benfica ao Comércio e Indústria, esse é o de Jaime Graça, natural de Setúbal, falecido faz agora no dia 28 de Fevereiro dois anos, médio de ataque de águia ao peito entre 1966 e 1975 e com sete títulos de campeão no bornal. Quando houver a oportunidade, falaremos dele aqui com mais pormenor. Sim, porque em 1978, depois de ter pendurado as chuteiras como jogador do seu Vitória de Setúbal, conseguiu conduzir como treinador o Comércio e Indústria ao título de campeão da Associação de Futebol de Setúbal, algo que foi para proeza de truz para o simpático clube nascido nesses tempos alegres em que ainda havia comércio e ainda havia indústria. «Ai que saudades, ai, ai», diria o bom Carlos Pinhão.

Campeonato de Portugal
HOUVE um dia que o Comércio e Indústria se cruzou oficialmente com o Sport Lisboa e Benfica. Ou melhor, houve dois. Jogava-se o Campeonato de Portugal de 1932/1933. Foi a primeira competição verdadeiramente nacional organizada entre nós, inicialmente apenas destinada aos campeões regionais de Lisboa, Porto, Algarve e Funchal (os únicos que se disputavam em 1921).
O Campeonato de Portugal tinha pouco de campeonato. Era disputado em sistema de eliminatórias, ou em sistema de taça, pelo que não é de estranhar que, a partir de 1938/1939 tenha adoptado precisamente essa designação: Taça de Portugal.
Com o decorrer dos anos, o número de participantes foi crescendo. Na época de 1927/1928 já tínhamos 1.ª eliminatória, oitavos-de-final, quartos-de-final, meias-finais e final. Sempre jogados a uma só mão.
Até 1926/1927, a participação estava resumida aos campeões de seis distritos: Lisboa, Porto, Algarve, Coimbra, Braga e Funchal. Na época seguinte, são 28 os clubes inscritos, 12 dos quais apurados num torneio de qualificação realizado entre os meses de Outubro e Fevereiro. Entre Março e Junho, a fase final englobava estas 12 qualificados e as 16 equipas presentes nos oitavos-de-final da época anterior, sendo que o representante da Madeira, devido às dificuldades de deslocação, só entrava na liça a partir dos quartos-de-final.
A partir de 1928/1929, só a primeira eliminatória era disputada a uma só mão. Todas as outras a duas mãos. A partir de 1934/1935, reduziu-se o número de participantes a 16, com todas as eliminatórias a serem disputadas a duas mãos.
As explicações estão dadas. Mas ainda há quem ignore a prova. E nem a acrescente ao palmarés do Benfica que a conquistou por três vezes: 1929/39, 1930/31 e 1934/35.
Vamos então, depois deste relambório que tem a sua importância, até ao dia 14 de Maio de 1933. Depois de ter eliminado o Marinhense por 6-0 na primeira eliminatória, o Benfica recebe o Comércio e Indústria no Campo das Amoreiras. Vitória curta mas suficiente: 2-0. Golos de João Oliveira e Vítor Silva, ambos no último quarto-de-hora, o que revela a resistência oferecida pela rapaziada de Setúbal.
No dia 21 de Maio, no Campo da Bela Vista, jogou-se a 2.ª mão: vitória exactamente idêntica à anterior - 2-0, com os dois golos a serem apontados por Vítor Silva. E assim sendo, o velhinho Comércio e Indústria saiu do Campeonato de Portugal de cara lavada. Já o Benfica, enfim... Nos quartos-de-final vai ao Porto ser goleado por 8-0 pelo FC Porto. A vitória no jogo de resposta seria insuficiente: 4-2.
Malhas que o futebol tece..."

Afonso de Melo, in O Benfica

domingo, 9 de março de 2014

Mais uma Final ultrapassada !!!

Benfica 2 - 0 Estoril

Excelente jogo, sem correrias malucas, com um bom aproveitamento no início do jogo, e depois soubemos controlar os ritmos... a estratégia de dar a bola ao Estoril, resultou em pleno, já que em ataque planeado o Estoril não conseguiu criar qualquer perigo (algo que eu já defendi noutras ocasiões: o Estoril de Marco Silva, defende bem, pressiona muito bem, mas não tem rotinas de ataque apoiado)... Foi sempre o Benfica, com mais ou menos bola, que criou as oportunidades de perigo...
Um raro golo de Canto, e um regresso aos golos do Rodrigo, após uma 'seca' prolongada, só o Amarelo ao Fejsa, destoou, numa tarde de futeobl, com estádio quase cheio...
Mais um jogo praticamente sem trabalho para o Oblak; Centrais imperiais; Laterais muito bem na marcação, e com subidas sempre perigosas e com uma assistência para golo do Siqueira; Fejsa, atrapalhou-se e levou amarelo (que é o 5.º), mas soube controlar os ímpetos no resto da partida, muito bem a defender, mas também nas trocas de bola; Enzo menos ofensivo, mas importante nos equilíbrios defensivos; Markovic, voltou às exibições discretas (más!!!), mas pelo menos já defende; o Nico não marcou, mas voltou a ser o nosso principal desequilibrador, mas teve duas perdas de bola perigosas, numa delas ficou a pedir falta (que realmente existiu...), e na consequência do lance, deu-se o 1.º (e único, creio!!!) remate perigoso do Estoril; o Rodrigo marcou, podia ter marcado outro, após um sprint enorme... se as coisas ofensivas nem sempre lhe saem bem, voltou a ser muito importante a defender, principalmente a compensar o Nico; o Lima continua longe dos golos (na verdade até marcou... surreal fora-de-jogo inexistente!!!), mas trabalha muito, a defender e a abrir espaços para os colegas do ataque.
A arbitragem voltou a ser má, muito má. O facto de não ter tido influência no resultado, não deve servir para desculpar os erros... e principalmente a diferença de critérios...
Com o empate Lagarto, o objectivo principal está mais perto, mas... Neste momento, na minha opinião, só podemos pensar que temos uma derrota de margem de erro!!! Matematicamente, são 'oito' pontos para o Sporting, e 9 (que podem ser 10) para os Corruptos, mas como não podemos contar com a última jornada, apitada pelo Proença, neste momento a margem de erro é menor... Com os jogos da Liga Europa, e as Meias-Finais da Taça de Portugal pelo meio, todas as jornadas vão ser difíceis, e as deslocações à Choupana e à Pedreira vão ser, mesmo, muito complicadas... Compreendo, que após esta jornada, alguém possa pensar (inclusive o Jesus!!!) que já podemos apostar tudo na Liga Europa, eu discordo... depende, por exemplo, do resultado do clássico do próximo Domingo: empate, ou vitória Corrupta, pode fazer-me mudar de opinião?!!! Rodar plantel na Choupana e jogar com todos na Luz com o Tottenham, no jogo da 2.ª mão?!!! Talvez sim, talvez não...!!! Em condições normais, se após o jogo de Braga, a diferença se manter (ou aumentar), então aí, sim, se ainda estivermos na Europa, poderíamos mudar as prioridades... até lá, deveremos ser prudentes...
Faltam 8 Finais: 4 em casa, e 4 fora, não precisamos de vencer todas, matematicamente, 6 vitórias são suficientes, mas com a mais que provável perda de pontos dos nossos principais perseguidores, até 5 vitórias podem chegar!!! Mas quando mais cedo melhor garantirmos o título, melhor!!!
Uma nota ainda para o castigo ao Fejsa: sem jogar na Choupana, o Fejsa vai jogar em Londres. Mas cuidado com a escolha do outro centro-campista!!! Com a provável poupança do Enzo, escolher o Amorim para o Tottenham pode ser perigoso, pois sem o Fejsa na Madeira, é fundamental a presença do Rúben na Choupana... assim, a escolha mais prudente para Londres, na minha opinião deverá ser o André Gomes.

7.ª Taça de Portugal - Sevens

Benfica 29 - 7 Técnico

Em 10 anos de existência da secção feminina de Rugby, o Benfica venceu a 7.ª Taça de Portugal de Sevens, na 9.ª final !!! Em jogo disputado na Bairrada, a vitória nunca esteve em causa, ao intervalo já vencíamos por 17-0...
Parabéns às meninas, e que sirva de exemplo para os rapazes, que esta época estão a fazer uma satisfatória prova (versão 15) na II Divisão, mas a camisola do Benfica, exige sempre os títulos máximos.

Regresso às vitórias...

Benfica 9 - 2 Sp. Tomar

Voltámos a começar mal, a perder, mas contra um adversário que é o último da classificação, rapidamente demos a volta, mas ao intervalo só vencíamos 5-2... O 2º tempo, foi diferente, e com alguma naturalidade, e aproveitando a rotação do plantel, o marcador foi subindo... É sempre bom voltar às vitórias, mas aquela derrota a meio da semana dificilmente será esquecida nos próximos tempos...
Com a derrota do Valongo, voltamos a depender em exclusivo dos nossos resultados... mas continuo desconfiado. Numa época atípica, com os Corruptos a perderem pontos, o Benfica das últimas 3 épocas, estaria sentado confortavelmente na liderança, assim... Se deixarmos de sofrer golos estúpidos, talvez!!!

Líderes...

Benfica 3 - 0 Madalena
25-20, 30-28, 25-12

Vitória importante, num jogo que ficou marcado pelas vantagens no 2.º Set...
Jornada sem surpresas, com o Benfica a manter a liderança confortável. 
)

Justo...

Tondela 2 - 0 Benfica B

Má entrada no jogo, em mais um ervado impraticável, ainda por cima com mais algumas experiências do Hélder no '11', que não resultaram... É verdade que o Paixão não ajudou, com dois lances dentro da área do Tondela 'duvidosos', e mais uma carrada de amarelos, mas se a equipa quer ser Campeã da II Liga, não pode entrar amorfa... Contra uma boa equipa, bem orientada pelo Álvaro, com ganas, mas que hoje jogou desfalcada... e o Benfica não aproveitou...

sábado, 8 de março de 2014

Assim, sim... !!!

Benfica 6 - 1 Braga

Depois de tanto criticar, hoje, tenho que elogiar!!! Concordo com o treinador, quando disse, que este foi um dos melhores jogos da época. 1.ª parte muito forte (4-1), com muita pressão sobre a bola: os golos do Benfica nasceram quase todos de recuperações altas, e consequentes ataques rápidos.
No inicio da 2.ª parte o Benfica baixou um pouco o ritmo, e o Braga até teve várias oportunidades para reduzir... mas acabou por ser o Benfica, através de um remate forte do Ricardo Fernandes a aumentar a vantagem, e assim acabar com as esperanças que os de Braga ainda tinham...
Mesmo sem marcar tenho que destacar o regresso do Joel após lesão. Foi importante em vários golos...

A meio da semana a sorte, ditou nos Quartos-de-final da Taça de Portugal, uma deslocação difícil a Braga. Não se pense porque vencemos hoje, que o jogo em Braga será fácil. Bem pelo contrário. Mas hoje, ficou provado: se a equipa jogar com determinação, concentração e garra, a vitória será mais provável...!!!

Juniores - 5.ª jornada - Fase Final

Romário
Benfica 4 - 1 Oeiras

Jogo mais fácil daquilo que eu estava à espera. Com muitos ex-Benfica no Oeiras, muitos deles emprestados (e vários ex-Oeiras no Benfica, regressados após empréstimo!!!), este jogo não era um jogo 'normal'... mas a maior qualidade do plantel do Benfica acabou por ser decisiva. Mas não se pense que foi um 'amigável' até houve entradas bem durinhas, mas a verdade é que ofensivamente o Oeiras mostrou muito pouco... Destaco, hoje, o Romário, que continua a ter várias 'brancas' por jogo, mas hoje, além de assistir, marcou um grande golo!!!

Nas próximas jornadas vamos defrontar o Sporting e os Corruptos. Temos uma boa vantagem, mas em caso de vitória nos dois jogos, daremos um passo de gigante para o Bi !!! Mas não nos podemos esquecer, ainda vamos ter o jogo em Manchester, pelo meio, o que provavelmente vai complicar as contas internas...!!!

Benfica.............13
Braga................10
Corruptos............9
Leixões...............8
Sporting.............8
Oeiras................5
Leiria.................1
Guimarães...........0

Passo gigante...

Benfica 3 - 0 Fonte do Bastardo
25-23, 25-15, 25-21

Começamos fortes no Bloco, mas alguns remates disparatados, fez com que o Set ficasse equilibrado... só mesmo na recta final do parcial é que conseguimos a vantagem...
O 2.º Set não teve história, entrámos muitos fortes, com 8-2 e 16-7 nos tempos técnicos...
O Fonte, poupou alguns jogadores na parte final do 2.º Set, apostaram tudo no 3.º. Entraram melhor, mas desta vez o Benfica esteve muito bem na ponta final do Set, e fechámos rapidamente o jogo.
O destaque do jogo, foi mesmo a eficácia do nosso Bloco. Deu mesmo para 'disfarçar' alguns ataques, mal executados por nós...

Com esta vitória (3-0), demos um passo de gigante para garantir o 1.º lugar no final da 2.º fase... hoje jogou o Ché a oposto, o Perini na distribuição, e o Honoré/Kibinho na zona Central. Sem o Gaspar, a equipa manteve o nível, com o Miguel Tavares cada vez mais competitivo, e com o Zelão e o Gil de prevenção, temos tudo para revalidar o título, independentemente dos azares...

1.º lugar garantido...

Benfica 79 - 59 Barcelos
17-16, 26-16, 16-18, 20-9

Primeiro lugar garantido, com mais uma vitória, que a equipa soube tornar fácil... Com os Portugas em grande na marcação de pontos, e com uma rotação do plantel sensata (ao contrário do habitual!!!), acabámos por ganhar, com um 2.º e 4.º período, em grande...
Este jogo também serviu para confirmar, que o Loncovic é jogador para o Benfica!!! Foi de longe o melhor do Barcelos, em pontos (28), ressaltos (7), assistências (4), e roubos de bola (3)... e tendo em conta os vários problemas físicos que alguns jogadores do Benfica demonstram insistentemente, parece-me que seria uma excelente contratação... além disso, creio que já conta como Português.

Previsível !!!

ABC 30 - 25 Benfica

Quando soube que os irmãos Metralha iriam ser os árbitros, perdi todo o interesse em ver a partida!!! E do pouco que vi, logo no início, só confirmou a minha desconfiança...!!!
Podíamos até discutir o mau momento dos jogadores que tiveram lesionados ou castigados, podíamos até discutir as consequências da ausência do Pedroso, podíamos discutir muita coisa, mas este jogo, como todos os jogos apitados por estes ladrões, foi condicionado desde do 1.º minuto pela roubalheira da arbitragem (ao fim de poucos minutos já o Hugo Figueira tinha defendido 2 livres de 7 metros!!!)... No final, a estatística até pode dar a ilusão, que o critério foi equilibrado, nada mais errado... quando a diferença de golos, chega aos 6 ou 7 golos, até se marca alguns livres de 7 metros, ou exclui-se alguns jogadores, mas isso só serve para disfarçar, basta o marcador apertar um bocadinho, e lá volta os 'empurrões'... Podem até discutir a atitude, mas se o Benfica tivesse defendido com metade da agressividade do adversário, teríamos todos os jogadores EXPULSOS (sim, expulsos e não excluídos, não me enganei...)... a forma como o José Costa é agredido constantemente, a maneira como os defesas do ABC defendem dentro da área impunemente, ao fim de alguns minutos, não há atitude que aguente...

Não tenho números, mas na grande maioria dos jogos competitivos do Benfica, contra os Corruptos, ou o Sporting, ou o ABC, ou o Águas Santas, apitados por estes ladrões, o Benfica perde: a percentagem deve rondar os 95% !!! Quando jogamos com o Passos Manuel (com todo o respeito) ainda dá para ganhar, mas com os outros nem vale a pena ir a jogo... Aliás, com nomeações destas, depois daquilo que aconteceu na 1.ª fase em Braga, o melhor é mesmo a falta de comparência, enquanto não houver tomates para tomar decisões radicais, não vale a pena...

Ao contrário do que pode parecer o Campeonato ainda não está perdido, a verdade é que o ABC ainda não perdeu em casa, mas está muito mais difícil... e os Metralha ainda nos vão apitar outra vez!!!

Barreiras amaldiçoadas !!!

Depois da lesão da Eva ontem no aquecimento, hoje o Rasul Dabo logo na primeira barreira caiu, e pior ainda, partiu o antebraço na queda!!! Confirmando assim, de forma brutal, o tremendo azar dos nossos atletas neste Campeonato do Mundo de Pista Coberta, disputado em Sopot na Polónia.
O Benfica já anunciou a operação ao Rasul para a próxima Terça-feira... espera-se uma recuperação total. Força Rasul...

PS: Parabéns à Patrícia Mamona, pelo 4.º lugar na prova do Triplo... foi pena, a medalha ficou a 14 centímetros!!!

Picasso !!!

sexta-feira, 7 de março de 2014

O único imperador

"Foi no último 6 de Agosto. Na Luz, na nossa Luz. Na luz da justiça, pela luz do passado, por uma luz radiosa no futuro. Com a luz da emoção, já um tanto sofrida, organizei o jantar de aniversário do Mário Coluna. Foi uma cerimónia simples, sem a luz da exuberância, com a participação da família, ainda do Eusébio, do presidente Luís Filipe Vieira. Essa noite, fez-se mais luz na Luz. Afinal a consagração de uma amizade longa, permanente, emotiva, até venerada.
Sobre o capitão dos nossos capitães, deixei registado que até o nome lhe fiava a matar. Coluna era coluna. Resistência, solidez, força. 'Os homens são na proporção dos seus desejos', escreveu o mestre Almada Negreiros. Coluna era enorme, porque desejava, desejava intensamente.
Vivia o jogo com cuidados paternais, tinha gestos santos, era o sol do meio-dia. Eminência parda de Eusébio, mais tarde companheiro de equipa, tudo venceu, com excepção da Taça Intercontinental. Esteve em cinco finais europeias, foi bicampeão da Europa, sempre com golos da sua lavra. Pela Selecção, atingiu o pódio, no Inglaterra 66, era o capitão, o líder da mais afinada orquestra da bola nacional. Na mundialização do seu prestígio, envergou também a braçadeira da equipa FIFA, na festa de homenagem ao mítico Ricardo Zamora.
Dava músculo, dava cérebro, dava alma, dava até pelo, dava sangue. Dava ordens ao jogo, dava-lhe ordem, também. Dava jeito, tanto jeito. Dava o que dava e não dava mais porque não havia mais para dar. Sem exagero. Coluna era o farol do futebol português. Também o único e último imperador."

João Malheiro, in O Benfica

Águas, Coluna e Eusébio

"José Águas, Eusébio e Coluna são os três nomes mais míticos da minha “educação” benfiquista. Nascido no início dos anos setenta, ouvi vezes sem fim a narração dos grandes feitos do Benfica da década de sessenta. Os mais velhos da família passavam testemunho das grandes finais europeias, das conquistas, das jogadas, das goleadas… e na voz dos narradores, nascia a epicidade dos heróis. De entre todos, aquela “santíssima trindade” sobressaía.
Os golos, a elegância, o jogo aéreo e a eficácia do Águas, o grande capitão das finais conquistadas; a excelência superior do “Rei”, do maior de todos, o Eusébio; e a força, o pulmão, a inteligência, a determinação e a liderança do Coluna. Estes três eram míticos para a História do Benfica e heroicos no imaginário de quem, sem nunca ter tido o privilégio de os ver jogar ao vivo, cria uma imagem sonhada e, como tal, mais vincada e duradoura.
Aconteceu comigo e com milhões de outros benfiquistas que cresceram no benfiquismo, tendo como referência homens que julgamos eternos na medida em que se eternizam no nosso imaginário colectivo. Com o falecimento do Senhor Mário Coluna, deixámos de ter o último representante da tal trindade que, sendo maiores entre os maiores, percebiam que eram pequenos perante o Benfica.
Repito que não vi o Coluna jogar, mas vi-o, ao vivo, ajoelhar, com humildade e agradecimento, perante a Águia de Ouro que o Benfica lhe ofereceu como reconhecimento do seu papel cimeiro na história do Clube. Ali, naquele momento, estava mais uma, a derradeira, lição de liderança e benfiquismo que o Senhor Coluna nos deu: ensinou-nos a ser humildes na gratidão ao Benfica."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Porquê correr riscos?

"O Benfica não jogou bem no Restelo. Ganhou merecidamente contra um adversário frágil que só atacou uma vez e até marcou um golo bem mais legal do aquele que lhe valeu um ponto na Luz. Mais grave é que ficou a ideia de que se o Benfica quisesse marcaria, um ou dois golos, a todo o tempo. Então porquê correr riscos?
A gestão de resultados de vantagem mínima não está no ADN do Benfica. Aquilo a que muitos chamam maturidade competitiva e realismo é normalmente preguiça. Aquilo que o Benfica sabe fazer bem é jogar bem. A melhor forma de gestão de um jogo é, para o Benfica, jogá-lo à Benfica. Jorge Jesus mostrou, e bem, nas declarações do final do jogo, que estava mais irritado que os adeptos com aquela gestão preguiçosa.
Só não se fala muito nisto porque o FC Porto mostrou de forma ainda mais hilariante como segurar um ponto depois de estar a vencer 2-0 ao limitado Vitória de Guimarães. Rui Vitória continua a fazer milagres, e só Danilo em cima da linha de golo fez com que a proximidade pontual do FC Porto ao Estoril não fosse maior.
Depois dos eufóricos festejos pelo empate de Frankfurt dever-se-iam ter vistos festejos pelo empate arrancado a ferros em Guimarães.
O Benfica define a época e as suas glórias nos próximos jogos. O Estoril, pela sua qualidade, pelo jogo do último ano, pelo resultado no Dragão, não pode ser surpresa para ninguém no Benfica. Domingo tem de haver uma abordagem ao jogo igual à que foi feita frente ao FC Porto e ao Sporting.
Paulo Fonseca, que venceu a única prova que disputou até ao fim, a Supertaça, deixou o FC Porto a disputar todas as outras Campeonato, Liga Europa, Taça de Portugal e Taça da Liga. Sempre se pode concluir que ao não deixarem Paulo Fonseca terminar a época, podem ter deitado fora um ano como o de André Villas-Boas."

Sílvio Cervan, in A Bola

Para quê complicar?

"1. Não gostei da atitude da equipa no jogo no Restelo, que poderíamos ter ganho facilmente e acabámos sujeitos a ter que ouvir e ler que um golo do Belenenses, que daria o empate, foi mal anulado. Mas até que ponto a posição do avançado azul que não 'interferiu' na jogada terá perturbado a acção do nosso guarda-redes? Há que recordar que no empate da 1.ª volta, bem como nos jogos de Alvalade e no campo do Marítimo fomos bastante prejudicados... Mas tudo isso passaria a segundo plano se a equipa não se tivesse acomodado ao sempre perigoso 1-0, passando a jogar a 10 à hora.
Admito que não deveremos cair no 'exagero' das grandes 'cavalgadas' das últimas épocas, sempre em alto ritmo à procura de (ainda) mais um golo. Mas abrandar e simplesmente controlar o 1-0 pode dar mau resultado. A nossa vantagem sobre Sporting e (principalmente) FC Porto é cómoda mas está longe de ser decisiva.

2. Foi um aniversário triste, o dos nossos 110 anos. Depois de Eusébio, deixou-nos outro dos campeões europeus, o grande capitão Mário Coluna, cujo funeral foi realizado precisamente no dia do nosso aniversário. Louvável a atitude da direcção, que esteve representada ao mais alto nível em Maputo e levou consigo os campeões europeus ainda vivos.

3. Já não é novidade mas continua a lamentar-se: a triste (e anti-Benfica) atitude dos No Name Boys, tão bons a apoiar incansavelmente a equipa como maus a 'angariar' multas para o Clube pagar, semana após semana. Já vai em 91 mil euros está época, tanto quanto a soma das multas (por mau comportamento dos adeptos) de FC Porto e Sporting. Na base dos castigos, sempre a mesma razão: petardos. Mais grave: a acção é premeditada, já que nos jogos europeus (os castigos aí poderiam passar por interdição do campo) eles se portam bem. Até quando?

4. Os resultados da equipa de futebol condicionam muito a apreciação da valia dos dirigentes dos clubes, esquecendo-se muitas vezes tudo o resto. Agora que o FC Porto está na mó de baixo já Pinto da Costa está a ficar velho e a perder qualidades. Penso que o grande sinal da quebra do clube está na demissão do seu administrador Angelino Ferreira, pelo que isso pode significar. A par das contas e da nítida menor valia da equipa. Mais do que a idade do presidente, que continua igual a si próprio..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Até à Vitória

"Num mês de 28 dias, a equipa principal de futebol do Benfica disputou 7 jogos - um jogo de 4 em 4 dias -, obtendo 6 vitórias, 1 empate, 12 golos marcados, 1 golo sofrido, consolidando o 1.º lugar na classificação da Liga, passando às meias-finais da Taça de Portugal e aos oitavos de final da Liga Europa. Se somarmos o mês de Janeiro, teremos que o Benfica disputou 13 jogos - um jogo em cada 5 dias -, com 12 vitórias e 1 empate, 25 golos marcados contra 1 sofrido, tendo pelo caminho jogado com adversários como o FC Porto e Sporting. Pelo meio ficaram uns tantos golos de raiva, poucos golos para tanto domínio em alguns jogos, uns tantos golos artísticos. O Benfica perdeu entretanto um esteio do meio-campo, que foi «só» o melhor jogador da época passada de acordo com diversas avaliações, mas também ganhou um reforço de Inverno com o resgate de Eduardo Salvio à enfermaria.
É efectivamente um magnífico score que justifica plenamente a classificação actual, depois de um início de época um tanto vacilante. E que dá razão a todos quantos diziam - contra os mensageiros da desgraça - que o Benfica tinha plantel para fazer uma grande época. O Benfica é líder por mérito próprio e não apenas em função das desgraças alheias.
Mas os êxitos de uma equipa fazem-se em função do plantel disponível, do trabalho no dia-a-dia, da competição da equipa técnica, de alguma sorte e azar, de apoio dos adeptos, mas também do estado de espírito individual e da mentalidade do colectivo. O Benfica ainda não ganhou nada mas depende de si em todas as provas em que está envolvido, nomeadamente nas 9 jornadas que faltam ao campeonato. E o depender de si significa entrega, atitude, vontade, determinação, empenho, intrepidez. Cabe-nos dar a nossa parte no apoio à equipa e exigir que a equipa corresponda ao nosso apoio. Até à vitória."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Para além do Futebol

"As modalidades do Benfica estão bem e recomendam-se.
Decorrida parte significativa das temporadas regulares, todas elas se mantêm firmes na luta pelo topo das respectivas classificações, exibindo uma impressionante percentagem de vitórias (86%). A título de exemplo, e servindo de referência, poderemos aferir que a percentagem de triunfos no Futebol - também ele, como sabemos, a fazer uma excelente época - anda pelos 77%.
Acresce que, quer Voleibol, quer Basquetebol, quer Atletismo, quer, sobretudo, Hóquei em Patins, já conquistaram troféus em 2013-2014. Certamente não serão os únicos, nem os últimos.
Voleibol e Basquetebol são, de resto, aqueles que apresentam números mais significativos: além da liderarem, isolados os seus campeonatos (confirmando o favoritismo), somam, e conjunto, 48 vitórias em 51 partidas oficiais realizadas.
O Hóquei, por ser lado, venceu dois importantes troféus internacionais, sagrando-se Campeão do Mundo. Enfrentou algumas dificuldades intra-muros, mas conseguiu manter as portas abertas para o título. Também na Euroliga tem dado cartas, vencendo facilmente o seu grupo, e tendo todas as possibilidades de chegar novamente à 'Final-Four' da competição.
O Andebol está apenas a um ponto do 1.º lugar, à entrada para a segunda, e decisiva, fase do campeonato. É altura de mostrar a raça benfiquista, e recuperar um título que nos escapa desde 2008.
Já o Futsal tem tido os altos e baixos que seriam de esperar numa temporada de transição, em que saíram e entraram vários jogadores. Tudo se decidirá no Play-Off, momento em que, certamente com a máquina já bem oleada, os 'encarnados' estarão na luta pelo triunfo.
Se, além de tudo isto, acrescentarmos que o nosso clube ainda se mantém em todas as cinco Taças de Portugal em questão, que o Atletismo já venceu Estrada e Pista Coberta, e que nos sectores feminino e de formação todas as ambições são ainda legítimas, podemos ter esperança numa grande temporada à Benfica, seja nos relvados, nos pavilhões, ou nas pistas."

Luís Fialho, in O Benfica

Mau 1.º dia...

O 1.º dia dos Mundiais de Atletismo de Pista Coberta, que se estão a disputar em Sopot, na Polónia, não correu da melhor maneira para os atletas do Benfica:
- Marco Fortes, não conseguiu a qualificação para a Final do Peso, ficando-se pelo 11.º lugar com 20,12m, conseguido logo no 1.º ensaio. Acabou por ser uma marca dentro do esperado, para o momento actual do Marco... Estou neste momento a ver a Final do Peso, e as marcas estão a ser surpreendentemente muito boas (para esta altura da época), com vários lançamentos acima dos 21m, só mesmo o Marco Fortes ao seu melhor nível poderia aspirar a um top-5!!! Recordo, que nas últimas grandes competições o Marco tem conseguido várias presenças nas Finais, ultimamente alguns problemas físicos têm impedido marcas melhores, mas pelas declarações do Marco no final da prova, os problemas parece que estão ultrapassados e nos próximos tempos, as expectativas são altas...
- A Eva Vital merecia o prémio do cumulo do azar!!! Com uma qualificação muito difícil para este Mundial - tendo como objectivo o recorde nacional, seria sempre complicado passar as eliminatórias... -, a Eva não merecia ter-se lesionado no aquecimento da prova dos 60m barreiras... A Eva é jovem, e terá com certeza mais oportunidades para se mostrar ao mais alto nível...

Amanhã teremos o Rasul Dabo nos 60m barreiras. O objectivo é a melhorar a marca pessoal.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Gerir

"Há expressões muito comuns no desporto que merecem ser esmiuçadas. Por exemplo: «gerir o resultado» ou «fazer uma boa gestão do tempo». Estou para os jogos como a «gestão de expectativas» está para os economistas. Nem sempre com bons resultados, convenhamos.
Gerir significa, primacialmente, procurar uma boa conjugação se atingirem os objectivos (eficácia). No futebol, tem a ver, entre múltiplos factores, com o doseamento do esforço físico, o apuramento de forma, o esforço mental, o equilíbrio psicológico, a confiança ou falta dela. Numa palavra, tem a ver com pessoas, não com máquinas. E isto faz toda a diferença. E também porque, do outro lado, estão outras pessoas com objectivo simétrico. Por isso, gerir não pode ser dissociado de quem igualmente quer gerir, ainda que de maneira diversa e para um resultado diferente.
Mas gerir também quer dizer, no jargão desportivo, deixar passar o tempo com o menor sobressalto possível (leia-se, golos sofridos). O problema é que, não raro, em vez de se matar o tempo é o tempo que pode matar a dita gestão. À medida que se escoa essa variável inexorável que é o tempo, o gerir tem um duplo e contraditório significado: está-se mais perto da completa boa gestão, mas mais longe de a recuperar perante um percalço.
Na última jornada, os jogadores do Benfica resolveram gerir o tempo no Restelo. Acabou bem, mas quantas vezes, em circunstâncias similares, se pode acabar mal. Não teria sido melhor ir directamente para o 2.º golo, em vez de gerir tanto tempo com um resultado tão somítico? Até por causa da nossa gestão de nervos..."

Bagão Félix, in A Bola

Gestão olímpica ou caminhar no arame - eis a questão

"Não nos levem a mal que não nos indignemos se no próximo Belenenses-Sporting o árbitro castigar os visitantes com 'penalty' por falta feita por um 'placard' para lá das quatro linhas.

O Benfica venceu os seus dois últimos jogos para a Liga expressando magramente a sua inquestionável superioridade em ambas as ocasiões através de resultados, enfim, lacónicos para não dizer preguiçosos. Na Luz, o Benfica ganhou por 1-0 ao Vitória de Guimarães e no Restelo ganhou por 1-0 ao Belenenses. Lacónicos e inquietantes resultados.
É verdade que valeram, e valeram muito, valeram precisamente 3 pontos, os golos solitários de Markovic e, por último, o de Gaitán. Do ponto de vista artístico nada há a reclamar. O sérvio e o argentino, cada qual em seu palco, assinaram golos raros e de grande beleza.
Golos tão especiais, tão espectaculares que, findos os dois jogos e garantidas as vitórias, uma pessoa até se pode dar ao luxo de pensar que, perante monumentos daqueles, seria desperdício procurar marcar mais porque mais golos só viriam roubar o protagonismo devido aos artistas em causa.
Com todo o respeito pelos artistas, este não é o caminho mais aconselhável para o estado de taquicardia geral entre os adeptos e para a recuperação do título que foge ao Benfica vai fazer quatro anos.
Gerir resultados de 1-0 é caminhar no arame, é pôr-se à mercê de velhas circunstâncias bem conhecidas de um Benfica que, nas últimas duas temporadas, perdeu estupidamente nas últimas jornadas as vantagens amealhadas ao longo da prova.
As palavras de Jorge Jesus no fim do jogo do Restelo ilibam-no deste pecado que não é, de todo, nem de orgulho nem de gula, mas que é um pecado de ócio activo. O treinador do Benfica reprovou o “excesso de confiança” da sua equipa que, por não sofrer golos com a frequência com que sofria num passado recentíssimo, se terá convencido de que é imbatível. Portanto o 1-0 chega.
Não chega. Como se viu, por exemplo, no jogo com o mesmíssimo Belenenses na primeira volta do campeonato. O Benfica marcou cedo, aos 18 minutos por Cardozo, começou todo contentinho a gerir o resultado e o Belenenses, num lance tão fortuito quão irregular, empatou o jogo à meia hora. Da gestão olímpica à sofreguidão foi um instante e depois nem uma hora de jogo chegou para o Benfica dar a volta ao resultado e ganhar o jogo como era a sua obrigação.
São estes os perigos da gestão de resultados tangenciais. No domingo, no Restelo, só não se repetiu o filme porque o fiscal-de-linha que acompanhava o ataque do Belenenses na segunda parte assinalou, indevidamente, um fora-de-jogo a Tiago Caeiro invalidando-se assim o golo do empate dos anfitriões.
É certo que ainda faltavam vinte minutos para o fim da partida e que nesses vinte minutos o Benfica poderia voltar a adiantar-se no marcador. Ou antes pelo contrário. Mas nunca fiando.
O golo anulado a Tiago Caeiro suscitou grande indignação nos debates televisivos que se lhe seguiram. Sobretudo indignação vinda dos analistas emocionalmente ligados ao Sporting cuja distância pontual para o Benfica é perfeitamente anulável se o Benfica persistir neste modo insensato de gestão de resultados tangenciais.
Admito a indignação. Não se pode exigir ao rival imparcialidade de julgamento nestes momentos. Não se lhes pode exigir que considerem o golo mal anulado a Tiago Caeiro no Belenenses-Benfica como uma resposta da divina providência ao golo mal validado a Diakité no Benfica-Belenenses. Era pedir muito. 
Também não nos levem mal, caros rivais de sempre, que não nos indignemos por aí-além se, eventualmente, no Belenenses-Sporting da antepenúltima jornada da Liga, o árbitro resolver castigar os visitantes com uma grande penalidade por uma falta cometida por um placard de publicidade, geograficamente fora das quatro linhas, sobre um qualquer jogador do Belenenses.
Dirão os adeptos do Restelo que foi a divina providência a ressarci-los daquela singular ocorrência do jogo da primeira volta em Alvalade. E quem, de bom senso, os pode contrariar?
No entanto, com todo o respeito pela divina providência, pouco fiável na minha opinião alicerçada em décadas de acompanhamento da Liga portuguesa, venho encarecidamente solicitar aos jogadores do Benfica que não se fiem na Virgem, que desçam à terra e cumpram o que falta cumprir, são 9 jogos, imbuídos de um fortíssimo espírito de divina previdência.
Previdência não é providência. Previdência é ser previdente, é acautelamento, é precaução, é prevenção. É tudo menos gerir resultados tangenciais.

POR ocasião do centésimo-décimo aniversário do Sport Lisboa e Benfica foi inaugurada no Estádio da Luz uma estátua a Béla Guttman.
Fica bem ao Benfica homenagear de forma perene o treinador que lhe deu os seus únicos títulos europeus. Foram dois, brilhantíssimos, na prova maior, conquistados a equipas à época consideradas imbatíveis como o eram Barcelona e o Real Madrid.
É certo, também, que tudo isso já foi há muito, muito tempo. O agradecimento do Benfica a Guttman chegou trinta e três anos após o desaparecimento do treinador húngaro. É caso para se dizer que tardou mas chegou.
Béla Guttman tem, finalmente, uma estátua na Luz. E está morto, já não treina.
Cada emblema sabe de si no capítulo dos preitos. Kelvin, por exemplo, tem um espaço que lhe é inteiramente dedicado – Espaço K - no museu do Dragão. E Kelvin está bem vivo. Mas não joga.

NA semana passada, o Correio da Manhã escreveu em letras gordas: «Benfica TV rouba clientes à Sport TV».
Sem pretensos moralismos, trata-se de um título sensacionalista porque roubar é feio, é crime, é pecado e, em boa verdade, a Benfica TV não roubou nada a ninguém, muito menos à Sport TV.
Pronto, com boa vontade aceita-se. Trata-se tão-somente de uma figura de estilo este “roubar” e todos sabemos como o futebol, tão rico em personalidades, em eventos e em folclore, se presta às hipérboles, às metáforas, ao exagero.
O Correio da Manhã, no fundo, limitava-se a noticiar um parecer da Autoridade da Concorrência revelando o impacto obtido no mercado pela estação de televisão do Benfica que ultrapassou já os 300 mil assinantes. O que explica, segundo a referida Autoridade, a descida do número de clientes da Sport TV. O canal de Joaquim Oliveira atingiu um mínimo de subscritores que não se verificava desde 2008, regista a imparcial Autoridade no seu parecer. No Verão, quando a Benfica TV passou a transmitir os jogos do Benfica no Estádio da Luz e a cobrar por isso, houve muita autoridade do futebol nacional, gente de peso e bem-falante, que temeu publicamente pela «verdade desportiva» da coisa. Temia-se, por exemplo, que o Benfica sonegasse imagens que de alguma forma pudessem comprometer ou incriminar os seus jogadores e demais funcionários perante as altas instâncias dos conselhos disciplinares da Liga e da FPF.
Felizmente e bem depressa se provou o contrário. Na lamentável recepção ao Arouca, que terminou num empate, foram transmitidas, sem qualquer espécie de véu, as imagens de Enzo Pérez, agastado com o árbitro, dirigindo-lhe aquele gesto redondo de mão, algo sensacionalista, qual título do Correio da Manhã, gesto que subentende “roubar”. Deu em sumaríssimo, evidentemente, e o argentino foi suspenso por um jogo graças às imagens transmitidas pela Benfica TV amiga da verdade desportiva.
Já no último domingo, a Sport TV roubou aos seus assinantes as ocorrências mais mirabolantes do palco de Guimarães ao falhar a transmissão das imagens de Ricardo Quaresma «de cabeça quente», em «descontrolo emocional» – cito as noticias dos jornais porque não se viu nada disto na TV – «gritando aos ouvidos do auxiliar», «pontapeando as protecções laterais das câmaras de televisão» – e eram as câmaras da própria Sport TV! – «apontando o dedo a um adepto num gesto de espero por ti lá fora» e «indo ao banco do Vitória pedir explicações». De acordo com o relato deste jornal «valeu a intervenção do médico portista a tirar o extremo do olho do furacão». Valeu-lhe isso e a ausência de imagens televisivas. Na qualidade de assinante da Sport TV, uma pessoa sente-se roubada. Roubada, não. Roubada é exagero, é hipérbole. Sente-se antes defraudada. Sumaríssimamente defraudada."

Leonor Pinhão, in A Bola

Tentação de Jesus

"Terão os acontecimentos das duas últimas épocas servido de lição para Jorge Jesus? Conseguirá o treinador do Benfica manter a ideia (e o discurso) de que, este ano, o Campeonato é o objectivo supremo, para cuja luta está disposta a sacrificar competição europeia e taças de Portugal e da Liga? Mesmo com vantagem de nove pontos para o FC Porto e de cinco para o Sporting, resistirá o técnico encarnado à legítima tentação de voltar a olhar para a Liga Europa como meta igualmente a alcançar, agora que já está nos oitavos de final e depois de, há menos de um ano, ter perdido de forma inglória a final diante do Chelsea?
Até agora, e pela primeira vez desde que chegou à Luz, Jorge Jesus parece estar a resistir a todas a tentações. De forma algo surpreendente, apostou numa segunda linha nos dois jogos frente ao PAOK, poupando os principais craques para os desafios da Liga interna. Resultado: quatro vitórias, somando as duas europeias e as duas do Campeonato. Objectivo, portanto, cumprido e cumprindo o prometido: «O Campeonato é o que queremos realmente conquistar!»
Mas, agora, segue-se o Tottenham, um gigante Inglês, e o prémio é a presença nos quartos de final, ali cada vez mais perto da final de Turim. E Jesus dá-se bem com os Ingleses. E... resistirá à tentação de tudo querer? Seguirá os passos do seu homónimo de há dois mil anos, quando este, após o baptismo, foi jejuar por 40 dias e 40 noites no deserto da Judeia e resistiu a todos as tentadoras ofertas que o Diabo lhe foi fazendo?
Sempre que tudo quis, Jesus, o do Benfica, tudo perdeu. Aconteceu há duas épocas quando voou até aos quartos de final da Champions (caiu diante do Chelsea e com queixas sobre a arbitragem) mas, em parte pelo sacrifício extra na Europa, viu voarem os cinco pontos de vantagem que chegou a ter sobre o FC Porto na Liga; aconteceu na época passada, quando voou até à final da Liga Europa (novamente o Chelsea como carrasco...) mas, de novo, viu voarem cinco pontos de vantagem que tinha sobre os dragões, à beira do fim... Em breve, veremos."

João Pimpim, in A Bola

PS: Uma rectificação: na época que fomos eliminados da Champions pelo Chelsea, os pontos perdidos que nos custaram o Campeonato, foram perdidos muito antes dos jogos com os Ingleses, e a responsabilidade principal foi dos Xistras, dos Hugos Migueis, dos Proenças e dos Soares Dias e até dos Capelas...!!!

O 'suplente' Jardel

"Gerir um balneário não deve ser tarefa fácil. Mormente um grande clube onde a complexidade de sensibilidades, idiomas, idiossincrasias e amuos, diz-se que uma boa dor de cabeça de um treinador é ter dois jogadores (pelo menos) para cada posição. Melhor que só ter um ou... nenhum, diria o Senhor de La Palisse, caso o futebol existisse no seu tempo (1470-1525).
Vem isto a propósito de um atleta que considero exemplar: o defesa-central Jardel. Um verdadeiro jogador de equipa e para a equipa. Quando entra, como titular ou suplente, cumpre com a regularidade de um pêndulo. Joga sem deslumbrar, mas com a qualidade necessária e suficiente para a equipa não entrar em sobressalto. É o que, na gíria, se pode chamar um suplente de luxo (curiosa e paradoxal expressão).
Mas tanto ou mais importante, Jardel sabe conviver serenamente com essa condição (quiça injusta) de substituto. Não evidencia mal-estar, não se agasta, não desiste, não dá entrevistas a queixar-se, não faz gestos indisciplinados quando sai ou entra. Pelo contrário, joga com o profissionalismo e a intensidade de titular apesar de ser o terceiro, depois de Luisão e Garay. No recente jogo com o V. Guimarães foi um herói, no desempenho e no sacrifício, numa situação de tremenda dificuldade física. De seguida volta à normalidade de suplência, sem azedume ou lamúrias.
Jardel é,  por isso, precioso. Indispensável numa equipa que joga para ganhar em todas as competições. Tão precioso como os titulares indiscutíveis. Por vezes, até mais. Ainda bem que não saiu do Benfica. Os adeptos estão-lhes gratos."

Bagão Félix, in A Bola