Últimas indefectivações

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Voar à líder

"Sem margem para qualquer dúvida, ficou demonstrada a real diferença entre o actual Benfica e o actual Sporting. Num dérbi que as águias dominaram por completo, o triunfo é tão indiscutível como merecido. Mas desta vez não foram apenas os valores individuais a pesar na balança. Do ponto de vista táctico, Jorge Jesus anulou totalmente as intenções de Leonardo Jardim. No fim, a vantagem de dois golos até é curta para a produção de jogo das duas equipas. A da Luz realizou um voo de líder.
A primeira meia hora da partida foi de tal modo elucidativa que dificilmente se percebia de que maneira poderia o Sporting travar o andamento do adversário. A entrada do Benfica foi muito forte, deixando os leões sem capacidade de reação, limitando-se, dentro do possível, a evitar danos maiores. Com Fejsa e o notável Enzo Perez a controlarem o meio campo como e quando queriam, suportados nas diagonais de Gaitan e Markovic, mais as subidas pelos corredores de Maxi e Siqueira, o Benfica "estrangulou" o Sporting, como se este tivesse sido metido num colete de forças.
A desorientação leonina foi visível naquele período, não somente no plano táctico mas igualmente na resposta individual. Cédric e Piris passaram por maus bocados e o nervosismo estendeu-se até a Rui Patrício, que aliviou uma bola contra Lima, quase levando ao golo. As ameaças multiplicaram-se, até que Gaitan finalizou mesmo, numa assistência de Maxi (o papel determinante dos laterais). Absolutamente normal, só surpreendendo não ter acontecido mais cedo.
Mesmo baixando ligeiramente a velocidade (nenhuma equipa consegue correr daquela maneira durante 90 minutos), o Benfica continuou na segunda parte com a cartilha da primeira e o facto é que em momento algum da partida se admitiu a vaga possibilidade do Sporting inverter o destino do jogo. Os encarnados chegaram ao segundo golo - um trabalho magistral de Enzo Perez - , mas Rodrigo, por três vezes, podia ter subido a parada não fossem as grandes intervenções de Patrício, em duas delas, e a mira desafinada na outra.
O Sporting, tirando o lance protagonizado por Heldon (e já íamos nos 63 minutos), não logrou criar uma verdadeira ocasião de golo. Um desnível atacante que, contudo, tem várias explicações. Boa parte delas estão dadas na forma como o Benfica atuou. As restantes radicam numa solução que Leonardo Jardim pensava ser engenhosa, mas - como se viu - inaplicável com aqueles jogadores.
Dier, que não tem qualquer ponto de contacto com o perfil de William Carvalho, entrou perdido e perdido saiu. Adrien foi obrigado a fazer as despesas de uma dupla função, para tentar suprir o défice do meio campo, enquanto André Martins, destacado para a direita, foi mais vezes peixe fora de água do que outra coisa.
Jardim, um tanto estranhamente, começa por trocar Martins por Capel (que nada mais acrescentou), relegando para mais tarde uma mudança estrutural : entrada de Gerson Magrão, saída de Piris, com Dier a central e Rojo na lateral esquerda. Uma tentativa fora de horas, que não impediu que Montero e Slimani continuassem a ser presas fáceis para Garay (outra óptima exibição) e Luisão.
Em boa verdade, o destino, como referi acima, era visível desde muito cedo. É de admitir que esta versão do Sporting sirva para jogar em ataque continuado perante equipas que defendem, mas frente aos encarnados não deu, sequer, para equilibrar as coisas. O campeonato não está resolvido, obviamente, mas a partir deste momento o Benfica é a única equipa que depende do que ela própria fizer. E, para já, assinou dois triunfos sobre os rivais, em casa. Ambos inquestionáveis, acrescente-se.
Sobre Marco Ferreira. O melhor elogio que se pode fazer ao árbitro é dizer que não foi por causa dele que o Benfica ganhou, nem por causa dele que o Sporting perdeu. Muito bem."

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Um impressionante conjunto de anormalidades

"Uma tempestade chamada 'Stephanie', uma arbitragem sem casos, 'derby' sem 'penalties' e golos de cabeça de Gaitán somam anormalidades que marcaram com originalidade o jogo.

O último derby teve a rodeá-lo um impressionante conjunto de anormalidades. E a maior de todas nem terá sido a anormalidade da tempestade Stephanie de domingo que obrigou ao adiamento do jogo para terça-feira.
A anormalidade das anormalidades foi não haver penalties.
Cresci ouvindo dizer aos mais velhos e mais sábios que não há derby sem penalty. Fui constatando a verdade desse axioma ao longo de muitos anos.
Penalties para um lado, penalties para o outro lado, penalties indevidamente assinalados, penalties que ficaram por assinalar, penalties mal marcados, guarda-redes para um lado e a bola para o outro lado, guarda-redes e bola para o mesmo lado, bola ao poste, bola na trave, bola por cima, bola para o lado, enfim, todo um elenco de situações que tombam a cada derby e dão pano para mangas nos dias subsequentes.
É ou não é?
Anteontem não houve penalties. Desse ponto de vista foi um derby atípico. É essa a anormalidade maior quando se trata, como é o caso, de fazer o rescaldo do jogo entre os dois grandes clubes de Lisboa.
E não havendo penalties, é que nem sombra deles, do que falaremos então?
Sugiro que falemos do árbitro. Marco Ferreira, por mérito próprio, foi também uma das anormalidades do Benfica-Sporting.
E bem mais anormal foi o trabalho sem mácula do árbitro do que, por exemplo, o facto totalmente anormal de Nicolás Gaitán ter marcado um golo de cabeça, o primeiro do Benfica e, por sinal, bem bonito.
Voltemos ao árbitro.
Marco Ferreira começou por sair da norma antes mesmo de o jogo começar. Mal foi conhecida a sua nomeação logo irrompeu nas redes sociais um despejar de factos avulsos e intimidatórios associando o árbitro madeirense ao Benfica e ao Sporting, conforme dava jeito a cada lado da barricada da Segunda Circular.
Veio a terreno o árbitro, contrariando e muito bem a absurda lei do silêncio que impera no sector, para pôr fim à boataria: «Não sou sócio do Benfica, não sou cunhado de Leonardo Jardim nem andei como ele na escola», disse e ficou dito.
Contribuiu assim de forma frontal para o desanuviamento do ambiente que, em vésperas de derby, é sempre turvo, agitado, quando não trauliteiro, fruto de rivalidade mais do que centenária entre os dois emblemas em causa.
É difícil de entender que espécie de ganho advém para os árbitros estarem obrigados ao silêncio. Passam a vida a dizer-nos, quando as coisas correm mal para um lado ou para o outro, que os árbitros se erram é porque são humanos. Ora se são humanos podem falar à vontade, ou não é assim?
Segundo o que se leu nos jornais na semana que antecedeu o derby, Marco Ferreira foi uma segunda escolha do presidente dos árbitros visto que a primeira escolha, Jorge Sousa, se terá recusado a apitar na Luz.
Quando Jorge Sousa é nomeado para dirigir jogos que metam o Benfica nunca veio a lume, ao contrário do que sucedeu com Marco Ferreira, que se trata de um sócio do Benfica ou que foi colega de escola da águia Vitória.
O mais comum, quando se fala em Jorge Sousa nos areópagos benfiquistas, sendo Sousa um dos melhores árbitros portugueses, é lançar ao ar que o referido árbitro pertenceu à claque dos Super Dragões quando era jovem.
Poderá, se quiser, Jorge Sousa pôr fim à boataria um dia em que diga publicamente: «Eu nunca fui um Suepr Dragão.» E muito contribuirá com isso para desanuviar o ambiente. Por que não o faz?
Entrou, assim, Marco Ferreira na noite de terça-feira na Luz auto-liberto dos estigmas que lhe quiseram colar e rubricou uma actuação que mereceu elogios de todos os lados, inclusivamente de Bruno de Carvalho, o presidente do Sporting, e de Leonardo Jardim, o falso cunhado e o falso colega de carteira do árbitro.
E um derby em que, entre vencedores e vencidos, ninguém diz mal do árbitro é, só por si, uma grande anormalidade.
Outra anormalidade, ainda que menor em comparação com as já enunciadas, prendeu-se com aquilo a que vulgarmente se chama a sorte do jogo. Derbies, clássicos e quejandos são, por norma, tão renhidos, tão disputados, tão equilibrados que a sorte do jogo é, frequentemente, factor decisivo em favor do vencedor.
Pois na terça-feira aconteceu precisamente o contrário. O Sporting teve toda a sorte do jogo e o Benfica saiu vitorioso por 2-0, um resultado bastante económico tendo em conta a exibição de uns e de outros e tendo em conta o número de oportunidades construídas pelos donos da casa. Estivesse a sorte do jogo do lado do Benfica e o resultado teria sido, certamente, bem mais expressivo.

QUANDO Javi Garcia se foi embora, Matic cumpriu uma época inteira a fazer o seu papel e o de Javi Garcia. Por ter feito dois papéis tão bem feitos foi recompensado com um regresso pela porta grande ao clube, o Chelsea, que o tinha tratado como trocos na compra de David Luiz.
Agora que Matic se foi embora, é Enzo Pérez que anda a fazer dois papéis, o seu e o de Matic, com grande solenidade e eficácia. Foi, pelo menos, o que se viu com o Sporting.

O campeonato já vai a mais de meio e o Sporting de Braga, que há quatro anos discutiu o título até ao fim da prova, anda agora na luta por um lugar na Europa atrás dos inesperados Estoril e Nacional. Inesperados, com o devido respeito.
Normalmente chama-se de «equipa sensação» aos menos afortunados em questões de orçamento e de dimensão que capricham em atingir patamares que não lhes estavam, de modo algum, reservados.
Na última Liga, a de 2012/2013, foi o Paços de Ferreira de Paulo Fonseca o brilhante intruso nestas discussões maiores, o que lhe valeu uma experiência curtinha mas saborosa na competição de clubes mais importante da Europa.
Na Liga corrente, olhando para o estado actual do topo da tabela, os três primeiros lugares voltaram aos seus donos históricos, Benfica, FC Porto e Sporting, precisamente por esta ordem cumprida que foi a 18.ª jornada.
Do Sporting, terceiro classificado, para o Nacional quarto classificado, distam 7 pontos, muito ponto a dar confronto à equipa de Alvalade cujo anseio assumido é, desde o princípio, a qualidade para a fase de grupos da Liga dos Campeões.
Do Benfica, primeiro classificado,para o FC Porto, segundo classificado, distam 4 pontos que dão alento aos da Luz mas que não chegam, nem por sombras, para dar a mínima garantia de sucesso final, tal como a história recente já sobejamente demonstrou.
Em 2011/2012 o Benfica chegou a ter 5 pontos de avanço sobre o FC Porto (em Fevereiro) e em 2012/2013 o mesmo Benfica chegou a ter 4 pontos de vantagem sobre o mesmo FC Porto (em Maio) e depois aconteceu, como certamente estarão recordados, exactamente a mesmíssima coisa.
A três meses do próximo desenlace, o, apesar de ser líder, é tão favorito ao título como o é o FC Porto, apesar de não ser líder. Estamos entendidos? E, sinceramente, não é de crer que o Sporting abdique de lutar pelos seus pergaminhos até à última jornada só por ter perdido anteontem na Luz.
É muito cedo, portanto, para ter certezas embora se aceitem prognósticos porque os prognósticos fazem parte intrínseca destas emoções.
Há, no entanto, uma certeza e muito notável à 18.ª jornada do campeonato. O Estoril soma 6 vitórias e 1 empate nos 9 jogos que realizou fora do seu campo. O Estoril tem tantas vitórias fora na Liga quantas as têm o Benfica e o Sporting.
O Estoril já somou 20 pontos fora da Amoreira, tantos quantos os que somou o Benfica fora da Luz. Fora de casa, o Estoril já somou mais 6 pontos do que o FC Porto fora do Dragão e mais 1 ponto do que o Sporting fora de Alvalade. É da mais elementar justiça, por tudo isto, dar os parabéns ao Estoril.

O Benfica-Sporting a contar para o campeonato só pôde ter sido jogado anteontem, terça-feira, porque o FC Porto-Benfica da Taça da Liga marcado para ontem, quarta-feira, foi desmarcado em função do caso dos minutos de atraso com que se iniciou o FC Porto-Marítimo da Taça da Liga.
Há um inquérito em curso, já foram ouvidas todas as partes. Não é muito verosímil que o Sporting venha a beneficiar de uma decisão da secretaria e lhe caiba substituir o FC Porto nessa meia-final em suspenso da Taça da Liga.
Dizem que para a semana já há decisão.
Mas a perspectiva (ainda que muito longínqua) de ter de voltar a jogar com o Benfica nem sequer deve ser, por estes dias, o mais forte desejo dos comandados de Alvalade."

Leonor Pinhão, in A Bola

Cinco pontos

"1- Na 8.ª jornada o Benfica estava a 8 pontos dos rivais (5 do FCP e 3 do SCP). Na 18.ª jornada tem 9 pontos de avanço (4 do FCP e 5 do SCP). Ou seja uma inversão de 17 pontos: 9 para o FCP e 8 para o SCP.
2- Espero que não ressurja a fatalidade dos últimos anos nas derradeiras jornadas. Basta o Benfica entrar nos jogos como nesta 3.ª-feira. Dominador, demolidor e consciente que tudo começa no 1.º minuto. Porque, afinal, o Benfica ganhou com facilidade jogos difíceis, mas perdeu incríveis 6 pontos com Belenenses e Arouca (na Luz) e Gil (num batatal).
3- Muitos comentários pré dérbi eram quase só Sporting, tal a hiperbolização da sua capacidade. Viu-se quão exagerados foram, perante um jogo muito desequilibrado, um vendaval de sentido único em que o SCP nem um único canto obteve... Aliás, nestas últimas 5 jornadas, os leões perderam 9 pontos em 15 possíveis e só marcaram em Arouca. E há 8 anos que não marcam na Luz...
4- O dérbi foi exemplar. Além de um justo (embora escasso) resultado, houve desportivismo, rivalidade saudável, arbitragem limpinha sem os rodriguinhos dos habituais consagrados, declarações avisadas e serenas de técnicos e dirigentes, regresso da águia Vitória, ausência de casos para serem explorados ad nauseam por programas televisivos de sangue.

5- Jorge Jesus, tantas vezes mal-amado, evidenciou toda a sua mestria. «Sai Matic, entra o Manel» ilustra bem um técnico que não se lamuria perante a adversidade de ver sair jogadores cruciais por ele feitos craques: Coentrão, David Luiz, Di Maria, Ramires, Witsel, Javi, Matic... A fábrica de talentos continua."


Bagão Félix, in A Bola

Efeito comprovado !!!

Laranjinha


Reportagem Especial Laranjinha "Renascer" 2014 por JustTV99

Cantando...

O 'derby' disse...

"Benfica crescente força, vinda de... estabilidade. Sporting: Jardim errou (eu faria o mesmo) e não assumiu

Evidente: é o Benfica a equipa que melhor joga e se revela mais forte ao cabo de quase dois terços da Liga. Mais: fá-lo num crescendo de forma e de convicção, sobretudo a partir da noite quiça chave, em que, derrotando o FC Porto com clareza de 2-0, terá mandado às malvas o bloqueio mental - e táctico - que, nas três épocas imediatamente anteriores, exibiu perante máximo rival.
Sim, consentiu recente empate em Barcelos; mas mais vítima do que réu naquele miserável estado do terreno. Agora, na mais exuberante exibição - ou terá sido a da Grécia, onde jogou para golear mas saiu da Champions porque o ex-seu Roberto se desforrou assumindo inacreditável gigantismo? -, triturou um Sporting que muito apostava em ascender a líder e ainda estará entontecido na confusa miscelânea dos seus erros com superioridade, tremenda!, do adversário.
Tão longe, este Benfica, daquele que iniciou campeonato em flagrante incapacidade para superar violento trauma no fecho da época anterior. Aliás, não só essa grande perturbação psicológica então afectava o Benfica; arrastada indefinição do disciplinar caso Cardozo, catadupa de ditos reforços que - paradoxar apenas aparente... - projectou insegurança (sucessivas experiências de lança-los iam, afinal, redundando em fiasco) e, talvez o mais importante ao muito agravar dificuldades no acerto das agulhas, outra catadupa... esta de lesões: de Salvio (crucial ausência que permanece) a Sílvio, passando por Enzo Pérez, Markovic, Sulejmani, Rúben Amorim, Siqueira...
Muito tempo demorou o Benfica a estabilizar onze base. E, até à perda de Matic, só 2 aquisições desta época nele se fixaram: Markovic e Siqueira - quando recuperados de várias baixas clínicas... Agora, consumado o adeus a Matic, também Fejsa (Oblak só é novidade ao muito bem aproveitar lesão de Artur). Por isso (fracasso da grande maioria das compras no verão e perda do pilar Matic), mas não só, continuo desalinhado da corrente tese de que o plantel benfiquista é muito superior ao portista. E permanece dúvida sobre saída de Garay até ao fim deste mês...
Benfica em crescendo, FC Porto estagnado nas falhas do motor de arranque, Sporting no choque de ter percebido as suas limitações, tão compreensíveis. Benfica firmemente lançado para o título? Amiúde, as aparências iludem na definição do futuro. E o enorme fantasma que paira sobre o Benfica - duas épocas a fio, e com a pressão extra de terem sido as últimas, esbanjando vantagem de 5 pontos no jacto de 2 jornadas! - é a grande esperança do FC Porto e Sporting.
(...)"

Santos Neves, in A Bola

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Festival de golos...

Benfica 15 - 4 HC Braga

Goleada, sem espinhas, que começou logo nos primeiros segundos!!! Destaque para estreia do Diogo Neves a marcar no Campeonato, depois de também ter marcado na Liga Europeia no último sábado... Esta noite até marcámos golos de 'bolas paradas'... milagre!!!
Jornada sem surpresas, falta somente o Corruptos-Valongo, que será jogado na próxima semana...

Para além de um jogo

"Este texto é publicado já com o resultado da Luz conhecido. Para mim é ainda desconhecido porque o escrevo antes do jogo adiado e depois do jogo não jogado. Mas para o caso, tanto interessa. Porque não é sobre o jogo que escrevo.
Domingo, estive no Estádio da Luz, entre Miró e Stephanie. Entre um surrealismo artístico e meteorológico. A águia Vitória foi mais avisada. Não ousou voar. Assim evitou ultrapassar os limites do Estádio e prevenir voos descontrolados na 2.ª Circular. Lá, lembrei-me da canção dos anos 60 de Bob Dylan, With God on our side. Porque uns escassos minutos separaram o incómodo pelo atraso num dérbi, de um iminente desastre nas bancadas. O tempo que mediou entre a vulnerabilidade a ventos fortíssimos e uma saída rápida de uma multidão (a)traída pela saraivada de aquilo que, então, designei pelo acrónimo OVNI. Sim, porque eram para mim (leigo nestas matérias de obras) objectos voadores não identificados, que depois se soube ser lá de rocha em versão light e - pior - chapa metálica em versão hard.
Duas lições reforçadas desta situação: a primeira é que a Natureza tem o poder de se impor com a sua força e não deve ser desconsiderada; a segunda é que, perante a mesma Natureza, um jogo, mesmo que de grande simbolismo como é este dérbi, vale menos do que nós adeptos e eles jogadores e árbitros. Aqui não conta a teoria da probabilidade. Basta a certeza de esta não ser igual a zero.
Cito Pascal: «O que é o homem na natureza? Um nada em relação ao infinito, um tudo em relação ao nada, um ponto a meio entre nada e tudo.»
O futebol é desporto de Inverno, diz-se. Mas não tanto."

Bagão Félix, in A Bola

A grandeza de Eusébio

"No meio do alarido destinado a que o jogo FC Porto-Marítimo das meias-finais da Taça da Liga deu origem, é bom verificar que ainda há uma voz autorizada como a de Vítor Serpa que (vd. editorial do dia 6) dá testemunho de bom-senso e isenção e procura, num exercício de profilaxia, declarar e demonstrar que o rei vai nu e que o fundamento para a contestação não tem pés nem cabeça. O facto da Liga dar andamento ao processo só a desacredita.
1. Todos sabíamos que Eusébio foi um dos maiores futebolistas de todos os tempos, mas talvez alguns ignorassem que a sua auréola havia alcançado uma dimensão tão planetária. Dois exemplos: no museu do estádio de San Siro, em Milão, foi-lhe dedicada a primeira exposição de 2014, constituída por troféus e objectos históricos que marcaram a sua carreira, incluindo a camisola do jogo contra a Coreia no Mundial de 1966, em Inglaterra, no qual marcou quatro golos, além dos programas oficiais e bilhetes autografados das finais das Taças dos Clubes Campeões de 1963 3 1965, respectivamente em Londres (Milan) e Milão (Inter). Mais extraordinário, porém, foi o artigo que, sob o título Grandeza sem arrogância, o jornal do Vaticano L'Osservatore Romano lhe devotou, ilustrado por uma foto que correu mundo na qual se vê o Pantera Negra em posição acrobática perfeitamente sincronizada, todo no ar, a disparar de pé esquerdo um remate fulminante para golo. Ali são exaltadas a sua fidelidade a um só clube (o Benfica), a sua recusa em deixar-se instrumentalizar na guerra colonial com Moçambique (onde nasceu), a sua simplicidade e, por fim, a classe portentosa.
2. Finalmente , a FIFA decidiu levar à próxima reunião da International Board, no dia 1 de Março em Zurique, alguns dos problemas mais quentes com que hoje o futebol se defronta: a entrada em campo do video-replay (moviola); a expulsão temporária de jogadores faltosos; a abolição da tripla sanção (expulsão, penalty e castigo ao infractor) e a sua substituição por penalty e advertência. Para início de conversa já é salutar."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Ferrari para a vitória...

Benfica 2 - 0 Sporting

Passámos ao lado da goleada, com uma excelente exibição, consistente, quase sem erros individuais defensivos... Com um pouquinho mais de calma no momento do remate, e o resultado seria histórico!!! Foi um jogo de sentido único, mesmo quando o Benfica recuou um pouco e deu a bola ao Sporting, no inicio da 2.ª parte, foi sempre o Benfica a equipa mais perigosa, o Sporting só criou uma jogada perigosa de sua iniciativa, sem ressaltos, ou faltas não assinaladas... E mesmo aí, foi mais demérito do Maxi/Markovic que não anteciparam aquilo que o Heldon ia fazer...!!!
Oblak com pouco trabalho, mas com qualidade, tanto no ar, como nos remates de fora... Centrais impecáveis, mais um grande jogo do velhinho Capitão... Um dos melhores jogos do Siqueira... O Maxi está mais selectivo nas subidas, o que é bom, aquela jogada do Heldon foi a única nódoa... O Fejsa só falhou um passe no início do jogo, de resto muito bem na antecipação, muito bem na construção de jogo quando recuava para o meio dos Centrais... O Nico marcou, e fez jogar, correu muito no ataque e a defender, não merecia aquele golo falhado no final da 1.ª parte... O Markovic não fez nenhum daqueles sprint's que nos habituou nos jogos grandes, mas além de estar a defender muito melhor, não teve nenhuma daqueles perdas de bola irritantes... O Lima e o Rodrigo correram muito, mas desta vez o Lima esteve melhor, muito bem a recuar e abrir espaços... Quando as coisas começam a correr mal ao Rodrigo, o rapaz enerva-se, e nada lhe corre bem: foi exactamente isso que aconteceu hoje, muita corrida, muitos remates, e muitas decisões erradas...
O Enzo voltou a ser o melhor em campo, tanto a defender como a atacar. Foi o grande desequilibrador da equipa, e ainda demonstrou outra qualidade rara: 'cabeça'!!! Depois de ter levado o amarelo, conseguiu controlar os ímpetos, e não deu qualquer hipóteses de levar o 2.º !!! Foi um autêntico Ferrari todo-o-terreno, como já é habitual...aquelas arrancadas típicas do Enzo, pelo meio, de peito feito, e passada larga, são a imagem de marca do Argentino... só falta melhorar um pouco nos passes longos nas costas da defesa adversária...!!!
Amanhã irei rever o jogo na TV, mas no Estádio achei a arbitragem vergonhosa, com um critério técnico e disciplinar do mais inclinado possível... é verdade que não houve nenhum lance 'importante', mas as faltinhas foram sempre para o mesmo lado, e os cartões aos Lagartos só apareceram no final da partida...

A caminho de casa, ouvi a Antena 1, é incrível como é que de repente a estratégia Lagarta que durante 48 horas, foi elogiada por todos, passou a ser 'suicida'!!! Incrível como a 'culpa' não foi do treinador do Sporting, mas sim do adiamento do jogo, e da perda do efeito surpresa!!! E já agora, mais um 'cueca' do Patrício na Luz, e mesmo no grande golo do Enzo, a bola não foi muito bem colocada!!!
Os Lagartos 'venceram' nos comunicados ridículos, e o Benfica venceu em campo... E desta vez nem penalty's têm para protestar...!!! O relvado aguentou a muita chuva que caiu durante o dia, mas ainda se nota que não está na condição ideal...

Estamos em 1.º lugar, mas a vantagem é curta. Os 4 pontos para os Corruptos são de facto 1 ponto de vantagem, porque não nos podemos fiar na última jornada apitada pelo Proença... Perder pontos no próximo jogo em Paços é proibido...!!! 

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Os Engenheiros !!!

Em cada português existe um treinador de futebol, em cada português existe um potencial gestor futebolístico... tudo isso já sabíamos, a partir de ontem, também ficámos a saber que em cada português existe um Engenheiro Civil, e um técnico da Protecção Civil !!! Está no nosso ADN...!!!
Também fiquei chateado ontem no Estádio ao saber que o jogo seria adiado, do local onde estava não me apercebi da gravidade da situação... quando cheguei a casa, mesmo com mais informação, não comentei o caso. Não tenho dados suficientes.
Mas de todas as declarações, aquelas que achei mais relevantes, foram as do Mário Dias. Que me obrigam a perguntar:
Se existiam obras de manutenção a decorrer, os últimos funcionários a deixar o serviço (na Sexta provavelmente...), deixaram tudo em condições, ou esqueceram-se de apertar alguns rebites?!!!
E se a resposta à pergunta anterior for positiva, deverá o Benfica reclamar a quem de direito, uma indemnização pelos prejuízos financeiros que sofreu?!!!

Mesmo assim a maior estranheza ao sair da Luz, foi a aparente forma civilizada como a Direcção Lagarta se comportou... como é que eles hoje se iriam queixar de penalties não assinalados, sem que o jogo tivesse sido realizado?!!!
Mas não existem razões para preocupação, menos de 24 horas depois, os Lagartos voltaram aos comportamentos habituais, os 2 comunicados entretanto publicados (haverá mais?!!!), são prova da demência mental dos ditos cujo...
Invocar hipocritamente artigos do regulamento, não aplicáveis ao caso, para tentar passar uma imagem de fair-play, é bem demonstrativo do carácter dos representantes da instituição... A preocupação com saúde dos incendiários - que por acaso estavam exactamente no lado oposto do Estádio, em relação ao problema da cobertura... -, além da habitual estratégia populista, prova que esta gente não é de confiança...

Eu, que até sou um grande apologista de estratégias de alianças, para derrubar os Douradinhos, ao contrário de outros Benfiquistas, não tenho a mínima esperança na actual Direcção Lagarta... São tão maus como os outros. O facto de serem menos subservientes aos Corruptos do que os anteriores, para mim, não é suficiente!!!

A pescada

"1. A viagem do Benfica às Antas para jogar a meia-final da Taça da Liga foi adiada, pelos vistos. O FC Porto não só tem feito questão de adiar a conquista da sua primeira Taça da Liga ano após ano, como faz questão de adiar o próprio desenrolar da competição. Na época passada, por via de três jogadores que entraram em campo 15 minutos antes do tempo permitido pelos regulamentos, abriu-se um inquérito (daqueles que só servem para gastar papel, pois no Futebol português há os inimputáveis e os outros). Esta época, abre-se um inquérito por onze jogadores que entraram em campo depois da hora assinalada pelos regulamentos. Gasta-se mais papel e a decisão é como a pescada: já era antes de ser. Não estranho. Que seria de esperar (esperar é o verbo correcto) de um clube que não sabe ao certo em que ano foi fundado? Puro anacronismo.

2. Não sei se, como diz o Azeiteiro-da-Cabeça-de-Unto, Portugal merece ou não os árbitros que tem. Portugal não tem merecido grande coisa nos últimos 150 anos, na verdade. Aqueles que verdadeiramente gostam de Futebol não merece, com certeza, arbitragens tão manhosas. E os tais profissionais-à-pressão, que nem sabemos se têm horário de trabalho ou se continuam a gerir a vidinha à medida das suas conveniências, também não merecem a gigantesca paciência de quem assiste semanalmente a tantas trapalhadas. Pagas a condizer..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Um Maio louco em Lisboa!

"Na época de 1953/54, Benfica e Sporting disputaram quatro dérbies no espaço curto de 15 dias. Todos no Estádio Nacional. Nesse ano a vantagem foi dos leões...

A história das grandes instituições não é construída apenas de momentos brilhantes. A história dos grandes clubes não é feita somente de vitórias. Cabem nelas também derrotas feias, algumas lendárias, outras simplesmente dignas.

Hoje vou falar de derrotas. Daquelas derrotas que aos corações vermelhos dos benfiquistas mais doem, frente aos rivais de sempre, os que ficam hoje em dias do outro lado da avenida, Avenida General Norton de Matos para ser mais concreto: o Sporting claro está!
É semana de dérbi. É semana em que Lisboa se anima de um nervoso miudinho que vai para além do frio chato deste Inverno que nos cobre.

A espera é lenta, o tempo parece passar mais devagar no tique-taque dos ponteiros do relógio, mesmo que haja pelo meio a formalidade de uma viagem a Penafiel para o Benfica, já que o Sporting ficou pelo caminho, precisamente num dérbi, e dos bons!, na Luz com um 4-3 à moda antiga.

Vou para mais uma viagem ao passado, sessenta anos já decorreram (ou ainda não, perdão, faltam quatro meses) sobre aquela aventura de quatro derbies disputados em quinze dias, todos eles oficiais, está bem de ver. Isso mesmo: 15 dias  quatro Benficas-Sportings! Um luxo para os adeptos!
Estávamos em Maio. Maio de 1954. A última jornada do Campeonato inclui um Sporting-Benfica, no Estádio Nacional (houve uma altura em que era moda jogar-se o dérbi no Estádio Nacional, era moderno, levava mais gente, o passeio à Cruz Quebrada era convidativo), foi um Campeonato pobre do Benfica, ficou-se pelo terceiro lugar, a nove pontos do primeiro (o Sporting) e a quatro do segundo (o FC Porto). Na primeira volta, no mesmíssimo Estádio Nacional, vitória dos leões: 2-0, golos de Martins. Não houve vingança: o Sporting ganhou outra vez, agora por 3-2 de Janos e Martins outra vez (2), e de Águas e Salvador para os 'encarnados'.

Isso foi no dia 16. Pois no dia 23, Benfica e Sporting voltavam a entrar em campo. Agora era para a Taça de Portugal que, nessa época, se jogava totalmente após o final do Campeonato, assim a modos como que a fechar a temporada. Quartos-de-final. Jogavam-se a duas mãos. O recinto era o mesmo, o Estádio Nacional, e o Sporting recebia o Benfica, se assim se pode dizer. Vitória igualzinha à anterior. Com outros protagonistas. Aos 82 minutos, era o Benfica que estava em vantagem, golos de Arsénio e Calado contra um de Galileu. Depois tudo mudou. Travaços e Mendonça viraram o marcador do avesso, aos 82' de penálti e aos 86.

O empate e o desempate
Cabia desta vez ao Benfica jogar em casa, salvo seja. E assim, eis que os dois rivais voltam a subir ao relvado do Estádio Nacional no dia 30 de Maio para mais um tira-teimas. Vitória das 'águias', finalmente. E, para cúmulo do requinte sádico, com um resultado de 2-1 mas com os 3 golos a serem marcados por jogadores do Benfica: Salvador e Arsénio na baliza certa, Calado na baliza errada, a de Bastos. A «traição» de Calado registou-se aos 2 minutos. A reviravolta teve lugar aos 36' e 71'.
Ora, como a regra dos golos em casa alheia não fazia lei, obrigava o regulamento a um desempate.
Muito bem, marcou-se logo para o dia seguinte, isso mesmo, que também não fazia lei a regra do descanso das 72 horas.
Inevitavelmente no Estádio Nacional, no dia 31 de Maio de 1954, jogou-se o quarto dérbi desses loucos 15 dias de Lisboa. Nova vitória do Sporting por 4-2, caminho aberto para a final e vitória na prova num ano em grande para os rapazes de Alvalade. Arsénio pôs o Benfica em vantagem logo no primeiro minuto. Debalde. Travaços empatou aos 12 de penálti. Arsénio deu nova vantagem aos 30. O quarto-de-hora final foi fatal para o Benfica: Vasques, Albano e Martins resolveram a compita.
Mas as derrotas, nos grandes clubes, servem para ganhar alento para novas vitórias. O Benfica não iria esperar muito tempo pela desforra: na época seguinte, 1954/55, venceu o Campeonato e a Taça de Portugal. Vencendo o Sporting na final do Jamor, por 2-1: entre os dois rivais de Lisboa há sempre contas para ajustar..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Enervante

"1. Tudo nos correi mal em Barcelos num daqueles jogos em que deveríamos ter ganho e até com alguma facilidade, dada a diferença de valores entre as duas equipas. Mas, primeiro um 'relvado' que mais parecia um batatal, depois uma 'distracção' do Siqueira, um falhanço do Oblak e um 'erro de casting' contribuíram par um resultado absolutamente imerecido, tantas as oportunidades que tivemos para marcar e que a relva, o guarda-redes e o azar não deixaram concretizar. É um daqueles jogos em que, em várias ocasiões, apeteceu partir a televisão que, coitada, não teve culpa. Mas era o que estava à mão...
Valeram os resultados negativos do FC Porto e do Sporting. O Campeonato faz-me lembrar o de 2004/05, que ganhámos com Trapattoni como treinador e uma equipa qualitativamente bem inferior a esta. Nesse ano, os três 'grandes' foram perdendo pontos inacreditáveis e acabámos campeões, concluindo o Campeonato com o célebre golo de Luisão ao Sporting e um empate no Bessa. Tenho-me lembrado bem desse título este ano, face aos nossos enervantes empates com Belenenses, Arouca e Gil Vicente...

2. Terminou (será que terminou mesmo?) essa estúpida 'janela' de transferências de Janeiro (e, pelos vistos, Fevereiro), que muito interessa a empresários e jornais mas ajuda a descaracterizar o Futebol, que era bem mais verdadeiro e genuíno quando os jogadores se mantinham ligados ao mesmo clube ao longo de vários anos, permanecendo depois como símbolos desse mesmo clube, como foi o caso de Eusébio, Coluna, Águas, Ângelo, Humberto, etc., etc. e é agora Luisão. Perdemos Matic (mal 'perdido' mas a fraca figura na Champions não deve ter deixado alternativa) e iremos perder André Gomes e Rodrigo por valores bem acima do espectável. E vamos a ver se da Rússia não virão tristes novidades...

3. Li em A Bola de sábado passado um grande (e justíssimo) elogio de José Eduardo, sportinguista confesso, ao nosso Museu Cosme Damião que, como ele diz, não é apenas um museu do Benfica, é-o de Lisboa, do País e do Mundo. Dai que ache muito pouco os 30 mil visitantes que já teve desde o dia da inauguração. Merece muito mais e compete-nos a nós, benfiquistas, incentivarmos os nossos conhecidos, do Clube ou não, a lá ir. Não se arrependerão."

Arons de Carvalho, in O Benfica

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Matiné agradável...

Benfica 36 - 23 ISMAI

Jogo fácil, como era esperado, mesmo com as muitas ausências... excelente oportunidade para os mais novos se mostrarem à equipa técnica...
A meio do primeiro tempo, ainda tivemos uma 'branca' colectiva, mas com o desconto de tempo pedido, tudo voltou ao normal...
Nota para estreia do Hugo Figueira na Luz... espero um regresso rápido do Álamo, mas o Figueira tem características diferentes, e um conhecimento muito maior, do tipo de remates dos nossos principais adversários... acho mesmo que o Figueira nos remates de 2.ª linha é melhor!!!


sábado, 8 de fevereiro de 2014

1.º lugar garantido...

Diessbach 2 - 11 Benfica

Qualificação garantida com esta vitória na Suíça... com a derrota do Vendrell em França, frente ao Quevert, também garantimos o 1.º lugar, a última jornada na Luz com os Franceses será só para cumprir calendário.
Assim, o nosso provável adversário nos Quartos-de-final (2 jogos), será o Reus, ou a Oliveirense.

Liderança mantida...

Guimarães 1 - 3 Benfica
10-25, 25-23, 20-25, 23-25

Após a vitória fácil no 1.º Set, parecia que iria ser um final de tarde descansado... mas não foi!!! Estivemos à frente no 2.º Set, mas uma má ponta final ditou a derrota... O 3.º Set voltou a ser acessível... O 4.º Set começou muito mal, chegámos a estar em desvantagem por 14-9, parecia que íamos para a 'negra' (e consequentemente perder pontos. Recordo que a vitória por 3-2 só dá dois pontos!!!), mas a equipa não desistiu... tivemos 20-24 a nosso favor, e nem uma tremedeira final nos tirou a vitória, com a pontuação máxima!!!

A ferros... e com alguns murros!!!

Benfica 70 - 61 Guimarães
14-12, 11-17, 29-10, 16-12

Jogo equilibrado, com um 2.º período muito mau por parte do Benfica, que foi 'salvo' por uma boa ponta final dos últimos minutos do 3.º período, com os triplos a caírem todos!!! No último período conseguimos gerir a vantagem, sempre apertada, que depois da sessão de murros nas costas do Jobey Thomas, e respectivos lances livres, ditou um resultado final, um pouco enganador, já que o jogo foi muito complicado...
É o segundo jogo consecutivo, onde perdemos a luta dos ressaltos, algo nada habitual...

As lesões continuam a atrapalhar, e a rotação dos disponíveis continua a ser curta, hoje tivemos mais dois jogadores a fazer os 40 minutos... O Carreira voltou a entrar muito bem, tal como a semana passada, o Mário Fernandes tem que olhar mais para o cesto, o Ferreirinho tem que jogar mais... O estatuto normal do Fonseca e do Weaver obrigava a uma maior utilização, se estão a jogar assim tão mal, de quem é responsabilidade?!!!

Sinceramente não percebi a discussão e o tempo perdido com a sessão de murros do Balseiro nas costas do Thomas, é assim tão difícil expulsar um adversário do Benfica?!!!

ADENDA: Já tinha obrigação de não ficar surpreendido com a estupidez humana, também deveria saber que o jornal A Bola se transformou - para ficar bem com 'todos'... - num antro de anti-Benfiquismo militante, com especial destaque para as modalidades, como se pode apreciar na Bola TV!!! Mas ontem, ao ler a crónica deste jogo, fiquei mais uma vez 'sem palavras'!!! Então o jornaleiro de serviço, achou que um jogador do Benfica, que estava agachado no chão, protegendo a bola, e leva com 3 socos nas costas, TINHA QUE SER EXPULSO !!!
Para quando a 'porta fechada' para estes espécimes?!!!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Empate...

Moreirense 1 - 1 Benfica B

Excelente primeira parte, podíamos e deveríamos ter ido para o intervalo a vencer por muitos... além do golo marcado, mandámos uma bola ao poste, e tivemos vários remates de golo... Uma distracção, numa bola parada, e permitimos o golo ao adversário....
No segundo tempo, baixámos de rendimento... o Moreirense acabou por não ter muitas oportunidades, mas teve mais domínio a meio campo, sendo que nos últimos minutos, em mais uma situação de bola parada, o Varela acabou por fazer uma enorme defesa, salvando o empate...!!!
O Moreirense luta pela promoção, tem um dos melhores plantéis da II Liga, tem um treinador muito experiente nestas andanças, mas foi pena a equipa não ter conseguido manter a concentração e a intensidade demonstrada na 1.ª parte...
O jogo ficou marcado pelo regresso do Carlos Martins à competição... se por um lado é bom ver o Carlos a jogar, por outro lado, o João Teixeira foi parar ao banco...!!!

Espero ver o rolo compressor

"A vitória em Penafiel foi decisiva. Consolida um objectivo importante, dá moral para o jogo de domingo, mantém o Benfica em todas as provas e mostra os riscos de apostas múltiplas fora dos habituais titulares. Mudar um ou dois jogadores pode ser conseguido com qualidade, mudar uma equipa toda normalmente significa arriscar a sair das provas a eliminar. Uma eliminatória com o FC Porto a duas mãos é um bom cardápio para a Taça de Portugal.. Muitos comentários ao jogo de Barcelos foram injustos. O Benfica, ao contrário de outros empates esta época, mereceu ganhar, fez quase tudo para isso num lamaçal impróprio. Houve até quem concluísse em plena televisão que era mais natural a derrota do FC Porto na Madeira do que o empate do Benfica em Barcelos. Uma vitória no domingo sobre o aguerrido Sporting dá ao Benfica direito a ficar bem mais próximo de um terço dos objectivos desta época. Espero que as Taças, da Liga e de Portugal, agora chegadas às meias-finais, sejam também apostas máximas de Jorge Jesus. O Benfica vive de títulos, vários, muitos, todos se possível. Sempre o defendi, mas foi com a chegada de Jorge Jesus que voltámos a ter o fim das épocas com esta possibilidade. Disputar tudo para tentar ganhar tudo. Com a mesma honestidade, reconheço que houve outras épocas de Jorge Jesus em que o futebol era mais atractivo. Espero ver ainda nesta o velho rolo compressor que me fez fã do treinador. Por mim poderia começar já domingo. O maior erro que o Benfica pode cometer seria pensar que o FC Porto está mais fraco ou fora das decisões. O FC Porto está nas duas meias-finais, numa prova europeia e em luta pelo campeonato. O Benfica pode ganhar com a consciência de que os adversários estão perto, demasiado perto. Só ganharemos se formos fortes e competentes, nunca esperando que os adversários sejam fracos."

Sílvio Cervan, in A Bola

A causa da causa

"Quanto vale um Benfica-Sporting? Desde logo, o maior e mais reputado cartaz do Futebol nacional, quaisquer que sejam as circunstâncias, tem o valor acrescentado de um dérbi que paralisa (ou mobiliza) o País desportivo. O próximo, este domingo, tem a vantagem adicional de condicionar a segunda metade do Campeonato, sobretudo no caso de um triunfo vermelho. Alargar o fosso pontual relativamente ao seu arquirrival, nesta altura da competição, dá enorme embalagem ao Benfica e trava a onda anímica positiva que tem caracterizado a prestação do conjunto de Alvalade.
Quem está melhor nesta fase desde já atribuindo-se favoritismo ao Benfica, até porque actua na condição de equipa anfitriã? A formação de Jorge Jesus exibe-se em crescendo, algo que nem o empate recente no terreno do Gil Vicente contradita, denotando competência, persuasão e autoridade. Inequívoco também que o seu antagonista, até com foros de surpresa, tem sido intérprete de uma temporada positiva, resultado de mentalidade competitiva, espírito de sacrifício, tenção vitoriosa.
Ainda assim, a capacidade de argumentação do Benfica, em condições (desejavelmente) normais, é maior. Tem um quadro mais apetrechado, dispõe de mais soluções, mais talento, mais classe. O jogo vai ser rijo, está muito em causa, sendo que a causa das causas é a causa da vitória. Será a causa rubra? Será, decerto, a causa do apoio intenso dos apaniguados benfiquistas, a causa da entrega dos jogadores e dos seus responsáveis. Por causa da causa do título num episódio que só pode ser relevante na principal das causas."

João Malheiro, in O Benfica

Um dérbi, duas dúvidas

"Domingo é dia de dérbi lisboeta, e, à tradicional interrogação que a ocasião sempre colocou - quem irá vencer? -, os últimos anos têm trazido uma outra, capaz de despertar quase tanta curiosidade como o próprio resultado do jogo: que queixas irá o Sporting trazer em caso de derrota? Na verdade, nos tempos mais recentes, sendo difícil encontrarmos uma vitória do Sporting sobre o Benfica, é quase tão difícil recordarmos uma derrota leonina sem um consequente desfilar de acusações relativas à arbitragem, e a todos os aspectos paralelos que possam de algum modo servir de cortina de fumo, e impedir a atribuição de qualquer dose de mérito ao odiado rival.
Por mais insignificante que seja, lá encontram sempre um motivo. De uma gota de água (que tanto pode ser um lançamento lateral com um piton milimetricamente acima da relva, como um relógio dois minutos atrasado, ou um alegado penálti que nem à sétima repetição televisiva parece claro), fazem uma tempestade, contando para isso com um alinhado exército de comentadores televisivos, e com a complacência de redacções simpáticas - que conferem ao Sporting um peso mediático que vai muito para além da sua real dimensão social.
Não sei o que sucederia no País desportivo se, um dia, o Sporting perdesse um Campeonato com um golo tão irregular como o que Maicon apontou na Luz há dois anos atrás. Ou sofresse, em jogo decisivo, um penálti em lance idêntico ao de Yebda e Lisandro Lopez, em 2009 - ambas as situações tendo Pedro Proença como protagonista. Por muito menos, já vimos reacções absolutamente esquizofrénicas vindas dos lados de Alvalade.
Bom seria que tão ruidoso folclore voltasse a animar jornais e televisões, pois seria sinal de estarmos perante mais uma vitória do Benfica, e correspondente azia sportinguista.
O fim-de-semana passado foi muito duro. Mas nada como o velho dérbi (e, já agora, com uma arbitragem melhorzinha que a da primeira volta) para resgatar o orgulho ferido por um maldito penálti desperdiçado aos 94 minutos."

Luís Fialho, in O Benfica

Estamos convocados

"Estou a escrever num daqueles fins-de-semanas problemáticos em que não sabemos muito bem sobre que escrever. A equipa profissional de Futebol perdeu dois pontos em Barcelos - após o Tacuara ter exercido a sua «autonomia» sobre quem deveria marcar a grande penalidade para desempatar o jogo com o Gil Vicente; a equipa de Hóquei Campeã Europeia esteve a ganhar quase todo o tempo mas acabou por perder no final do jogo em Valongo. É certo que ganhámos o título de vice-campeões europeus de Corta-mato, que conquistámos nos últimos segundos a Taça Hugo dos Santos no Basquetebol, que passámos com autoridade aos quartos-de-final da Taça de Portugal de Andebol, que segurámos a liderança do Campeonato de Voleibol, com três pontos a mais e um jogo a menos que o segundo classificado.
Ou seja: o Benfica, por mais amargos-de-boca que sofra - como foi o do empate em Barcelos -, é tão grande e ecléctico que tem sempre um superavit de triunfos para registar. Como tem sempre uma margem de sucessos que não cabem em nenhuma tabela classificativa nem têm qualquer termo de comparação. Por exemplo: o Benfica foi o Campeão Europeu de vendas no mercado de Inverno de 2013/2014; antes do apuramento desde dado já o Benfica era o único Clube português presente no top-30 da listagem mundial da consultora Deloitte relativa às receitas de bilheteira, televisivas e comerciais; entretanto, a Benfica TV atingiu um total de 280 mil assinantes!
O Benfica é uma realidade que paira acima de uma trivial perda de pontos e da amargura de uma derrota. Ninguém ganha sempre a não ser os batoteiros. Mas na jornada que se segue, nem pensar em algo que não seja a vitória. De maneira que todos à Luz. Estamos convocados para dar força ao Benfica."

João Paulo Guerra, in O Benfica

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Está o país todo em alerta

"O FC Porto vai perder na secretaria? A acontecer seria qualquer coisa vagamente parecida com aquele filme 'A Queda do Império Romano'

O Benfica está nas meias-finais da Taça de Portugal. Deve-o única e exclusivamente a um golo solitário (outro) do sérvio Sulejmani porque no que diz respeito à exibição foi de uma mediocridade confrangedora. 
A equipa está péssima, arrasta-se pelos relvados há semanas e tudo o que ultimamente tem conseguido amealhar, e tem sido alguma coisa, é por obra e graça da divina providência.
Estou a exagerar? Obviamente que sim.
É política, não façam caso.
Para os espicaçar, entendem?
Ao contrário de muitos, de imensos, que nas vésperas dos grandes jogos se dedicam a fantasiar sobre as qualidades excelsas de todos os nossos jogadores, se entretêm a vaticinar resultados mirabolantes e a cantar loas por antecipação, acredito firmemente que o importante nestes momentos é deitar a equipa toda – um a um, de preferência – abaixo, desfazer os conceitos tácticos do treinador e apontar a dedo, entre todos, os principais culpados do momento de crise que estamos a viver.
Mas qual crise? - perguntarão e com toda a propriedade.
A crise, meus amigos, está à vista de todos. Tivesse a equipa do Benfica competência teria, com certeza, neste momento 10 pontos de avanço sobre o campeão em título. Ou não é incompetência perder 4 pontos na Luz com os recém-primodivisionários e perder 2 pontos em Barcelos com ou sem barbatanas? 
Regressando à política:
O jogo de ontem em Penafiel foi uma vergonha. Durante 80 minutos serviu apenas para dar minutos, os tais 80, precisamente, a Cardozo porque no que diz respeito a futebol a sério, népia. De positivo apenas terem conseguido evitar, à beira do fim, o prolongamento. Que benesse! Com mais 30 minutos de mau futebol e de total ausência de ideias, e outra coisa não seria de esperar, mais se agravaria a noção de que este Benfica é uma porcaria.
O Benfica segue em frente na Taça de Portugal sem saber ler nem escrever.
A única pessoa que pode ter ficado contente com o que ontem se passou em Penafiel foi o tesoureiro do Penafiel. Tinha a casa quase cheia. Já no sábado também o Benfica conseguiu fazer feliz o tesoureiro do Gil Vicente. Nós em tesoureiros somos óptimos, em secretarias é que somos péssimos.

LI na semana passada que o Benfica-Gil Vicente a contar para a Taça da Liga, que se realizou no Restelo por inoperância do relvado da Luz, se deveria ter realizado em Barcelos porque é assim que estipula o regulamento da competição.
E se a competição tem regulamentos são para se cumprir.
A questão é que nunca mais se ouviu falar do assunto, o que se lamenta.
No entanto, se o Benfica incorreu numa ilegalidade devia ter sido punido pela dita Liga que, paradoxalmente, incorreu na mesma ilegalidade visto que aceitou sem rebuço o desvio do jogo da Luz para Belém, certificou-o e homologou-lhe o resultado.
O resultado foi de 1-0 a favor do Benfica. Golo do Sulejmani. Se é verdade isso que dizem de os regulamentos da competição obrigarem a que o jogo se tivesse disputado em Barcelos por indisponibilidade da Luz, nesse caso o Benfica deveria ser punido com uma derrota na secretaria.
O que para o caso tanto faz.
Tendo o Benfica assegurado a qualificação para as meias-finais da Taça da Liga nas duas primeiras jornadas do seu grupo este jogo com o Gil Vicente foi apenas para cumprir com o calendário. E, todos sabemos, como uma derrota na secretaria, nesta altura do campeonato, é coisa que até fica bem, é chique, dá estatuto, para mais quando não faz a mínima mossa em desideratos, enfim, não-prioritários.
Tal como não gostei de ver o presidente do Gil Vicente a lamentar, com toda a razão, que o Benfica mudasse o palco do jogo sem lhe dar cavaco, também me desagrada constatar que o Benfica segue para as meias-finais da Taça da Liga sem pagar pelo mal que fez, se é que fez.
Sou pela justiça, não há nada a fazer.
Na noite de sábado, assistindo pela televisão ao Gil Vicente-Benfica seguinte, este a contar para o campeonato, mais lamentei a decisão tomada de mudar para o Restelo o palco do Benfica-Gil Vicente anterior.
Devíamos ter jogado em Barcelos e não no Restelo. Foi um erro o não termos jogado em Barcelos o tal jogo para cumprir com o calendário da Taça da Liga. Se tivéssemos jogado em Barcelos para a Taça da Liga a nossa equipa, por experiência própria, já sabia que tipo de pantanal a aguardava uma semana depois para o jogo do campeonato e talvez tivesse demorado menos tempo a habituar-se às circunstâncias invernais do terreno.
Em resumo: ganhámos ao Gil Vicente, com a equipa B, um jogo em que podíamos perder e empatámos com o Gil Vicente, com a equipa A, um jogo em que só podíamos ganhar.
Mesmo entre benfiquistas há quem discorde, naturalmente, desta conclusão. Até já ouvi coisas mirabolantes sobre este mesmo assunto. Querem um exemplo? Pois há quem diga que quem ganhou ao Gil no Restelo foi a equipa C, que quem empatou com o Gil em Barcelos foi a equipa B e que quem ganhou ao City em Manchester foi a equipa A, enfim, pelo menos o meio-campo da equipa A. E um bocadinho do treinador também porque por cá passou ainda que, infelizmente, por pouco tempo.
Há gente muito exagerada.

FOI bom para o Benfica o Cardozo ter falhado o pontapé de grande penalidade nos instantes finais do jogo de Barcelos.
Por duas razões:
1) Vem aí o jogo com o Sporting e é certo e sabido que Cardozo nos jogos com o Sporting quanto mais desmoralizado e em menor forma física está mais rende;
2) O lance que originou o citado penalty é de interpretação muito discutível portanto foi bom Cardozo ter falhado o pontapé de modo a impedir que o Benfica por ter sido alegadamente beneficiado no jogo com o Gil Vicente venha a ser alegadamente prejudicado no jogo seguinte, tal como vem sendo norma de acordo com a lei das compensações em vigor.
O jogo seguinte, ao contrário do que possam estar a pensar, não é o jogo de domingo com o Sporting. Foi o jogo de ontem com o Penafiel a contar para os quartos-de-final da Taça de Portugal.
Ora sabemos que, em comparação com a Taça da Liga, a Taça de Portugal é outra louça. De qualquer maneira ontem, em Penafiel, não houve casos de arbitragem, o que muito nos apraz. O árbitro foi o senhor Capela que não deu nas vistas. Muito bem.
Há amigos sportinguistas plenamente convencidos de que aquela grande penalidade que os favoreceu no jogo de Alvalade com o Belenenses – sancionando um lance ocorrido… fora das quatro linhas… - tenha sido decretada malevolamente com o intuito de os fazer pagar por isso até ao final da temporada.
Cada um pensa o que quer e o que pode.
Eu quero pensar que foi bom para o Benfica o Cardozo ter falhado aquele penalty de sábado passado embora o lance, ainda que discutível, tenha ocorrido dentro das quatro linhas o que, ainda assim, faz alguma diferença.

AO contrário do resultado do jogo do Benfica B com o Gil Vicente, o resultado do jogo do FC Porto com o Marítimo ainda não foi homologado porque a Liga, organizadora da competição, entendeu abrir um processo de inquérito ao atraso de minutos – coisa pouca – com que o jogo no Porto se iniciou. E, agora, diz-se até que os campeões nacionais podem vir a perder o jogo e a qualificação na secretaria.
A acontecer seria qualquer coisa vagamente parecida com aquele filme A Queda do Império Romano. E, com toda a franqueza, parece-me ainda muito cedo para um fenómeno histórico dessa envergadura.
Mas só a eventualidade dá que pensar.
Na última época, e mais uma vez para a mesma malfadada competição, teve o FC Porto de superar escolhos legais que lhe foram lançados pelo Vitória de Setúbal à boleia de uma alegadamente indevida utilização de jogadores por parte dos azuis e brancos.
Quis o Vitória de Setúbal ganhar o acesso às meias-finais na secretaria mas não teve sorte nenhuma. O clube sadino viu os seus argumentos serem refutados pelos órgãos competentes e o FC Porto seguiu em frente.
Agora é o Sporting que faz o papel de reclamante que coube fazer ao Vitória de Setúbal no ano passado. Felizmente vivemos num país em que todos somos iguais perante a lei mas também é um bocadinho verdade que as leis são, às vezes, mais iguais para uns do que para outros. Por isso o presente caso ganhou enorme notoriedade ontem nos jornais e na televisão. É grande contra grande na secretaria. Está o país todo em alerta.
Importante é relevar que o Sporting, o Sporting Clube de Portugal presidido por Bruno Carvalho, está na liça por uma proeza técnico-jurídica que muito ufanaria o seu presidente: substituir-se ao FC Porto numa competição depois de uma fabulosa vitória na secretaria.
O Vitória tentou no ano passado e falhou.
O Benfica nunca sequer tentou uma coisa desta dimensão. Frouxos…
O Sporting tenta este ano.
Vamos ver o que acontece – é esta a posição confortável do Benfica."

Leonor Pinhão, in A Bola

Simetrias

"Já aqui escrevi que, no futebol, os comentários são invariavelmente função do resultado. Exemplifiquemos com a última jornada. Se Cardozo tivesse marcado o penalty, o comentário seria 'Benfica estoico supera no batatal com fato-macaco e capacidade de sofrimento'. Mas como o paraguaio foi incompetente, o comentário é 'um grande Gil mereceu o empate e o Benfica não teve arte nem engenho para superar o galo'. Se em Alvalade o Sporting tivesse convertido uma das várias oportunidades, lá iríamos ter 'futebol alegre de um Sporting maduro'. Mas como Ricardo defendeu tudo, 'o Sporting não geriu com competência a pressão de poder passar para o primeiro lugar'.
Outro traço presente na idiossincrasia futebolística é o enviesamento com que se observam e comentam as incidências dos jogos. E se isso até é divertido entre adeptos como um quase novo jogo (se não ultrapassar os limites do bom senso), não é de todo recomendável entre dirigentes, treinadores e jogadores. Como diz o povo, pela boca morre o peixe. Se hoje se verbera contra um erro do árbitro, amanhã se silencia um erro a nossa favor. Se hoje se identifica uma agressão no campo, amanhã se vê a mesmíssima coisa como um leve encosto. Se hoje a nossa equipa só defende, amanhã critica-se quem faz o mesmo contra nós. Se hoje se queimou tempo por parte do adversário, amanhã somos nós que fazemos tal e qual.
Com a excepção que advém da patologia batoteira (dourada ou não), esta simetria é um regra. A única variável é o tempo para a sua consumação. Por isso, começa a ser nauseante querer transformar esta simetria numa assimetria de sentido único."

Bagão Félix, in A Bola

Silêncio de ouro

" «Não estamos a negociar ninguém. Quando dizemos que os nossos jogadores saem pela cláusula eles só saem pela cláusula. Aqui não saem a metade do preço.»
Pinto da Costa, presidente do FC Porto, 16 Janeiro, depois do Benfica vender Matic

A 15 de Janeiro o Benfica oficializou a venda de Matic ao Chelsea por 25 milhões de euros. A cláusula de rescisão era de 45 milhões. A 16 de Janeiro Pinto da Costa, presidente do FC Porto, deu uma entrevista ao Porto Canal em que deixava (ou tentava deixar) uma farpas ao Benfica, garantindo que no seu clube os jogadores não saem por metade do preço. Na mesma entrevista, deixava ainda outras duas pérolas (cito o site do próprio Porto Canal): «Ninguém tem que estar preocupado com o Fernando. As coisas estão tratadas com ele e com o seu empresário», e: «Quanto ao Lucho, queremos renovar pois ele é património do FC Porto mas ele pediu-nos para esperar até ao final da época. Ele quer ver como estará em termos físicos». Ontem, confirmando a notícia de A BOLA, o FC Porto formalizou, em comunicado à CMVM, a venda de Otamendi ao Valência por 12 milhões de euros (mais três por objectivos). A cláusula de rescisão era de 30 milhões.
Este é um espaço de opinião, por isso ela aqui fica: Otamendi foi bem vendido. Apesar de ser titular do FC Porto (um central que joga 20 dos 30 encontros oficiais da época não pode ser considerado outra coisa), estava a acumular erros e perdera espaço para Maicon. Terminava contrato em 2015 e havia o risco de não renovar, a margem negocial seria provavelmente pior no verão do que agora.
O problema não está na venda, está na entrevista de Pinto da Costa. Matic deu lucro de 400 por cento e foi vendido por 55 por cento do valor da cláusula; Otamendi deu lucro de 50 por cento e foi vendido por 40 por cento do valor da cláusula. Lucho já se foi embora. Fernando está a caminho. Paulo Fonseca há de ir primeiro que Pinto da Costa, mas quanto mais o presidente portista fala mais se aproxima, também ele, do adeus."

Hugo Vasconcelos, in A Bola

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Risco, recompensado !!!

Penafiel 0 - 1 Benfica

Agora no final do jogo, é fácil defender, que o risco valeu a pena...!!! Mas ao mudar praticamente toda equipa - dos actuais titulares só jogou Maxi e Luisão -, o Jesus arriscou muito... e como o estado de graça já lá vai, se as coisas tivessem corrido mal, teríamos um pré-derby muito complicado. Pessoalmente, concordo com esta rotação, acho mesmo que nas últimas épocas, o cansaço da equipa, no pós-Fevereiro, têm-se devido à teimosia do Jesus em não rodar o plantel... Creio que os jogos com o PAOK vão ser o derradeiro teste, para saber as intenções do treinador para esta época... se o discurso - prioridade é o Campeonato... -, bate certo com a prática!!!
Depois das fotos que circularam ontem, o estado do relvado apareceu muito melhor do que se estava à espera, mesmo assim notava-se que não era fácil circular a bola pelo chão com velocidade...
O jogo em si, acabou por ter pouca história, foi literalmente um jogo de sentido único, e a 'emoção' no resultado final deveu-se exclusivamente às falhas na concretização do Benfica... Se é verdade que o Benfica neste momento demonstra uma consistência defensiva melhorada, nos últimos jogos temos marcado poucos golos, e falhado muitos...!!!

Uma nota para o Djuricic, que ainda longe daquilo que prometia, pareceu-me mais solto... e hoje, com a entrada do Rodrigo, jogou alguns minutos num flanco, uma opção que na minha opinião devia ser tentada mais vezes...!!! O Cardozo está a precisar de minutos... A dupla Amorim/Gomes esteve muito bem... E como é óbvio, o destaque maior vai para o Micky (Sulejmani), que entre vários problemas musculares, quando joga, jogando bem ou mal, remata, e até tem marcado golos decisivos...!!!

PS: Hoje, não consegui ver a 1.ª parte na integra. Vi os primeiros minutos, e os últimos. Ao intervalo, fui ao site da Bola, verificar se tinha perdido alguma jogada importante, para surpresa minha, na info/comentário, resumindo a 1.ª parte, dizia: «Jogo dominado pelo Benfica, mas apenas com uma oportunidade soberana de golo, desperdiçada por Jardel...»!!! Eu não sei qual é a definição de 'oportunidade soberana' para os jornaleiros da Bola, mas nos minutos que eu vi, as oportunidades foram várias... mas eles só viram uma!!! Pelo menos não acharam que o jogo estava a ser repartido...!!!
Na Segunda-feira, num programa de referência, uma falta na área do Gil Vicente, foi discutida como se fosse passível de penalty contra o Benfica (não é a primeira vez, num jogo em Guimarães do Benfica, no mesmo canal, o senhor Ribeiro Cristóvão, fez o mesmo exercício!!!)... esta má vontade, contra o Benfica, não é novidade, mas nunca deve ser aceite por nós, como normal...

O futebol de volta

"Fechado o mercado (a não ser na Rússia e arredores onde, inexplicavelmente, há prazos diferentes com que a UEFA convive alegremente), fica evidente que o Sporting é mesmo candidato ao título da nossa Liga. Mesmo que, no clube, evitem responder a esta questão. Foi o mais comprador, desde uma versão séc. XXI de Sabry (com arma diferente, passado-se de sabre para bala) até um cabo-verdiano maritimista, agora sportinguista desde pequenino.
O Porto perdeu o líder no balneário embora já intermitente no relvado, Lucho Gonzalez. Foi repristinar Ricardo Quaresma num sebastianismo que, às vezes, até dá resultado. E tem jogadores muito provavelmente contrariados até ao Verão por terem visto frustradas as suas expectativas monetárias, as que verdadeiramente contam.
O Benfica concretizou agora o que não conseguiu no Verão: notável facturação de 70 milhões (que parte é para o clube?). Perdeu Matic, o mais influente jogador com consequências ainda imprevisíveis. Encontrou um «comprador de aluguer» para Rodrigo e André Gomes. E - dos 3 grandes - foi o único que não foi ao bazar. No entanto terá até ao final da época uma grande aquisição. Salvio (para além de Cardozo que poucos jogos fez até agora).
Na última jornada, o FCP insistiu no cinzentismo baço. O Benfica perde 2 pontos com a omissão na escolha do marcador de um penalty e a ausência, em momento crucial, de Rúben Amorim. O SCP não aproveitou, já algo distante da fulgurância do primeiro terço do campeonato. Depois de ter perdido seis pontos, o FCP recupera quatro face aos empates dos grandes lisboetas.
No domingo, a Luz pode determinar muito coisa. Ou não."

Bagão Félix, in O Benfica

Onze metros

"Não acredito que, no meio do desassossego que estava a ser o jogo de Barcelos, tenha havido um único adepto do Benfica a abominar a ideia de ser Cardozo a avançar para a marca de penalty. Estou certo até de que, naquele minuto 90+4, não terá havido um único benfiquista que, por um segundinho que fosse, não tenha sorrido, confiante, ao vislumbrar a imensa perfeição cósmica do instante: Tacuara, de volta após três meses a recuperar de lesão, estava a ajeitar a lama à volta do circulozinho branco da marca dos 11 metros; ia ser ele a marcar o penalty que poderia desfazer o 1-1 do marcador e, com isso, não só reconquistar moral (em vésperas de novo derby) mas também aumentar para seis os pontos de vantagem sobre o rival FC Porto, derrotado horas antes. E, se não é verdade que todo o coração benfiquista bateu forte de esperança naquele momento, aceito com toda a abertura o contraditório...
Porém, a felicidade de ver Cardozo, qual D. Sebastião, resolver de novo um desafio difícil rapidamente se transformou em desilusão. Tacuara falhou o penalty, o jogo acabava ali a decepção (ou desencantamento) logo acendeu a revolta e a indignação: «Como é possível que não tenha sido Lima a marcar?! Não era óbvio que o Cardozo ia falhar?!»; ou então: «Como pode Jesus ver Cardozo avançar e nada dizer?! Não era óbvio que ia falhar?!»; ou ainda: «Ele vem de lesão, não tem ritmo nem confiança. Por que raios ninguém impediu tal heresia?! Não era óbvio que ia falhar?!»
Ouvi e encarei tudo à luz de uma nova realidade (e do penalty falhado, a da esperança transformada em desilusão) mas continuo a não acreditar que, naquele minuto 90+4, tenha havido um único benfiquista que não tenha gostado de ver Cardozo avançar para a bola. E creio até que se, ao invés, tivesse visto Lima... seriam muitos os impropérios.
O que aconteceu depois é movido mais por verdades lapalissianas típicas de quem se move em rebanho do que propriamente por sentimentos reais. É aquela lógica que leva a que, após as eleições legislativas, nunca se encontre quem tenha votado nos que (des)governam..."

João Pimpim, in A Bola

Futuro... com esperança !!!


Alta Fidelidade: Bernardo Silva [Programa 21] [HD] por JustTV99

Passado... com saudade !!!

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A fúria do mar vermelho de encontro à praia do Seixal

"No dia 2 de Fevereiro de 1964, cumprem-se agora 50 anos, o Benfica obtém uma vitória histórica: 10-0. Eusébio marca pela primeira vez seis golos num jogo do Campeonato Nacional. Não seria a última...

Em 1964, o concelho do Seixal era um dos mais industrializados do País. Garantiam os dados disponíveis que a região viva quase em exclusivo das suas actividades fabris.
A protecção das chamadas «indústrias novas» por via do tratado com a EFTA, faz arrancar na zona as famosas siderurgias.
Fundado em 1925, o Seixal Futebol Clube vive também nessa altura a fase mais brilhante da sua história. Na época de 1962/63 garante a subida à I Divisão onde se mantém por dois anos. Aflito, é bem verdade. Em 1963/64 é o antepenúltimo classificado e salva-se à justa, descendo o Olhanense e o vizinho Barreirense. Em 1964/65 não resiste: é penúltimo com oito pontos. Abaixo só o Torreense, com sete. E no lugar acima, o Lusitano de Évora soma 20...
Não mais voltaria o Seixal à I Divisão. Mas, ainda assim, ficou sempre ligado à história do Benfica. E de Eusébio.
Em 1963/64, o Benfica tinha o hábito saudável das goleadas. Na Luz despachou o V- Setúbal com 5-2, o Belenenses, por 5-2, o Olhanense, por 8-1, o Barreirense, por 8-0 e o Varzim, por 8-0. Eusébio ia fazendo miséria. Mas, no dia 2 de Fevereiro de 1964, o Benfica e Eusébio abusaram. Era uma tarde de sol e os 'encarnados' vestiam de branco. Ironia, na certa. Diabos brancos. Ironia também no nome do guarda-redes do Seixal: chamava-se Trancas. Sofreu 10 golos: DEZ! Só de Eusébio sofreu seis.
Diz quem lá esteve que poderiam ter sido mais, que o Benfica abrandou o ritmo entre o quarto e o quinto golos e ente o novo e o décimo. Natural. Perfeitamente natural. A quem agrada a degola dos inocentes?

Sempre com pressa
Torres foi o primeiro a «molhar a sopa», se me permitem a expressão, logo aos 5 minutos. Depois apareceu Eusébio. «A man in a hurry», chamaram-~lhe os ingleses dois anos mais tarde. Um homem com pressa. Eusébio tinha essa pressa urgente de golos. Ainda antes de estarem decorridos 15 minutos de jogo, já marcara três (8, 11 e 15 minutos). Aos 37, mais um. Eusébio tinha pressa e o Benfica tinha pressa. Até ao intervalo, sete golos: Yaúca (39m) e Torres (44m). Pairava sobre a equipa do Seixal a sombra de uma goleada sem igual. Mas, no segundo tempo, a tormenta acalmou.
Não acalmou de imediato, porque aos 47 minutos Yaúca fez o 8-0 e, aos 53, Eusébio arrancou um pontapé impressionante de livre directo para o 9-0.E, então sim, as vagas alterosas do mar do ataque do Benfica começaram a bater suavemente sobre a praia da defesa do Seixal.
Trancas conseguiu ser visto a agarrar algumas bolas sem ter de as ir buscar ao fundo das redes.
Mas ainda faltava a Eusébio fechar a festa. A dez minutos do apito final do árbitro Saldanha Ribeiro, tem um lance individual de extraordinária categoria e conclui o seu duplo «hat-trick». Tão perfeito que nenhum dos golos foi de «penalty».
Estávamos na 16.ª jornada, e Eusébio apanhava Figueiredo, do Sporting, no topo da lista dos melhores marcadores com 15 golos. Marcaria 28 nesse Campeonato Nacional.
O Benfica, por seu lado, atingia a redonda marca de 60 golos, bem melhor do que o segundo ataque mais concretizador, o do Sporting, que levava 38. No final do Campeonato, o título seria entregue aos 'encarnados' com naturalidade e somaram um total de 103 golos em 26 jogos. De truz!
Não era a primeira vez que Eusébio marcava seis golos num jogo. E não seria a última. Já cometera proeza no Campeonato de Reservas, contra o Sport Lisboa e Olivais, no dia 18 de Abril de 1962. Voltou a marcar seis golos em 1968, no dia 12 de Maio, no Estádio da Luz, contra o Varzim (vitória do Benfica, por 8-0). Aqui sim, também para o Campeonato Nacional. No ano seguinte, a 25 de Outubro de 1969, a vítima foi o Boavista: o Benfica repete o 8-0 e Eusébio repete a marca de seis golos.
Guardamos a memória desses dias para novas crónicas, se me derem licença.
Com a certeza de que para Eusébio não havia impossíveis..."

Afonso de Melo, in O Benfica