"Perdi a conta de quantas vezes li e escutei nos últimos meses que Cristiano Ronaldo mantém-se como titular da seleção portuguesa simplesmente porque o reserva é Gonçalo Ramos. Uma completa injustiça.
Respeitosamente, prefiro outro raciocínio — e também as opiniões contrárias. Para mim, Gonçalo Ramos mantém-se como reserva da seleção portuguesa porque raramente recebe a merecida oportunidade.
Aconteceu na reta final de Fernando Santos, acontece também com Roberto Martínez. Há um padrão (ou um poder). O estatuto do CR7 ainda fala mais alto.
Ramos não tem, e nunca vai ter, a mesma história de Ronaldo. Ponto. Mas é revoltante quando muitos enxergam o jogador formado no Benfica como um atacante normal. Banal. É rir para não chorar.
Estreou-se no Mundial de 2022 como titular e logo fez um hat-trick (na goleada 6-1 diante da Suíça). Agora, em 2026, voltou a mostrar estrela. Foi determinante para a reviravolta, por 2 a 1, contra a Croácia.
Provou que é possível fazer um golaço de cabeça. Antes de mais, justiça seja feita: aproveitou o cruzamento perfeito de Rafael Leão. Posicionou-se bem e fez um gesto técnico digno de um goleador nato.
No PSG, mesmo no papel de suplente de luxo, teve extrema importância para Luis Enrique. Bicampeão da Liga dos Campeões. Não à toa o Milan, a pedido do recém-chegado (e muito exigente) Ruben Amorim, fez dele a contratação mais cara de sempre do Milan: pode ultrapassar os 80 milhões de euros.
Não pode ser tudo mera coincidência, tampouco obra do acaso. Gonçalo Ramos está pronto para ser a nova referência de Portugal. Isso não significa, no entanto, que Cristiano Ronaldo seja descartável. Longe disso. Blasfémia! Seria mais útil — e talvez letal — a partir do banco."

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