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segunda-feira, 22 de junho de 2026

Ego, fotografias e viagens



"Vai aceso o debate sobre Cristiano Ronaldo na Seleção. Normal num país onde a opinião é livre e o futebol é um assunto de Estado vivido de forma intensa e muitas vezes irracional. Mas há um outro debate que devia estar a ser feito e não está: em que é que se transformou a FPF de Pedro Proença?
Quando se é presidente da Federação e se publicam quatro fotografias nas redes sociais já com o jogo da Seleção a decorrer, não estamos a falar apenas de uma total falta de noção ou bom senso; é o retrato perfeito de alguém para quem o jogo é secundário. É o ego e a exaltação da imagem que contam.
Falemos tb da última fotografia de Proença ao lado dos pais de Diogo Jota. Não se trata de discutir o momento, mas o contexto. Para aqueles pais, cada jogo da Seleção é hoje um momento inevitável de memória, saudade e dor. O sorriso de Proença revela total incapacidade para compreender o significado daquele instante. É o sorriso de quem vive apenas para a imagem e em função da imagem. A FPF de Proença é ele, depois ele e, finalmente, ele!
E só isso explica o extraordinário e inédito feito que este conseguiu no final da Taça de Portugal: Houve mais vídeos de Proença postados nessa noite que do Torreense. Ninguém na FPF com bom senso?
É nisto que se transformou a FPF, uma instituição que deixou de servir o futebol português para servir o seu presidente, com a permissão daqueles que se “vendem” por algumas mordomias.
Realizar uma reunião da Direção da Federação em Houston, durante o Mundial, é mais um sinal do novo-riquismo provinciano que se instalou na Cidade do Futebol. Isto, mais a comitiva itinerante de delegados e presidentes de associações de futebol que durante 4 dias se passeiam por Houston.
O futebol português ganha zero com estes milhares de euros gastos em viagens e estadias, mas Proença ganha. Consolida relações de dependência, distribui favores e reduz a margem de escrutínio. Foi assim que Proença chegou à Federação e é assim que se pretende manter nela.
Ilegal? Provavelmente não, mas imoral.
Mais, o resultado dos generosos contratos publicitários celebrados pela Federação com grande parte dos órgãos de comunicação social está à vista. Raramente se encontra uma análise crítica, uma pergunta incómoda ou uma investigação séria sobre os custos, os excessos e as opções que têm marcado esta gestão.
A FPF beneficia do estatuto de utilidade pública. Administra recursos que pertencem, em última análise, ao futebol português e não aos seus dirigentes. Talvez não fosse má ideia alguém no Governo (talvez o IPDJ) interessar-se por este desvario."

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