"Quando, no verão de 2024, Edu
Castro foi apresentado como
treinador da equipa masculina
de hóquei em patins do Sport
Lisboa e Benfica, fez várias
declarações sobre a grandiosidade do Clube e o desafio que
tinha pela frente. Homem experimentado da modalidade, este
galego de Vigo, criado num
bairro da área metropolitana
de Barcelona, treinador do
FC Barcelona durante 20 temporadas (as 7 últimas na equipa
principal), trazia na bagagem
1 Liga dos Campeões, 2 Taças
Intercontinentais, 6 Campeonatos espanhóis e 4 Taças de
Espanha.
Nesses primeiros momentos a
dar a cara pelo Benfica, teve
uma referência que não esqueci: “É um gosto estar na terra
de Fernando Pessoa.” Para
mim, ficou logo ali marcado.
Leitor ávido, apaixonado também por Cervantes, José Saramago ou Lobo Antunes. Eduard
é advogado de formação, mas
apaixonou-se pelo hóquei em
patins e agora já não há volta a
dar. Sagrou-se campeão nacional pelo Glorioso no passado
fim de semana (o 25.º título do
SLB), terminando o Campeonato sem derrotas e vencendo
todos os jogos do playoff. Se
fosse literatura, poderíamos
estar a falar de um romance
que levou ao Nobel.
Edu Castro manteve-se imune
às críticas, ganhou a confiança
dos jogadores, entre eles alguns dos melhores do mundo,
conquistou os adeptos com
simplicidade e sem discursos
ocos. Emocionou-se na festa,
claro. Ele e nós.
Em declarações ao diário catalão Ara, Edu Castro confessou
que, no primeiro ano e meio
como treinador do SL Benfica,
esteve a viver sem a família por
perto. Até nessa conjuntura,
encontrou um lado positivo:
“Estar sozinho dá-me mais
tempo para me dedicar à literatura e ao hóquei. Temos sempre de fazer da necessidade
uma virtude.” De arrasto, Edu
ajudou a montar uma das equipas mais épicas do hóquei em
patins mundial. Parabéns e
obrigado, campeão."

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