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quarta-feira, 3 de junho de 2026

“Torres e Azulejos”


"A CAMPANHA DOS AZULEJOS FOI UMA DAS INICIATIVAS MAIS CURIOSAS DO ANTIGO ESTÁDIO DA LUZ.

A maioria dos benfiquistas estava de acordo: o Estádio da Luz precisava urgentemente de ter iluminação noturna! Deste modo, os adeptos uniram- -se para darem o seu contributo nas várias campanhas de angariações de fundos para a construção das torres de iluminação.
As obras de construção já decorriam havia perto de 5 meses quando, em maio de 1958, foi anunciada “mais uma grande iniciativa da Comissão Central”, na qual os benfiquistas podiam deixar permanentemente a sua marca nas torres. Como estava prevista a colocação de azulejos, quem tivesse interesse teria a oportunidade de “perpetuar o seu nome nesta grande obra do Clube”, podendo “inscrevê-lo num desses azulejos, apenas pela módica quantia de 50$00”. Conhecida como campanha dos azulejos, não ficaria circunscrita a este ano, sendo retomada mesmo após a inauguração das torres de iluminação, a 9 de junho de 1958. 
Com um significativo número de participantes, a materialização desta campanha teve início em 1963, com a colocação dos primeiros painéis de azulejos nas torres de iluminação. A razão pela qual não seriam colocados individualmente era que “o custo de um painel completo é menos elevado do que mandar-se executar azulejos em separado”.
Para além das razões estéticas e emotivas, graças ao apoio dos sócios, a Comissão Central também relembrava as vantagens de se forrar as torres de iluminação com azulejos: sendo uma iniciativa que permitia a “todos os benfiquistas perpetuarem o seu amor ao clube”, esta era também conveniente pois a torre “ainda fica mais bem defendida das intempéries. O útil e o agradável, portanto”.
Passados 40 anos, quando chegou o momento do antigo Estádio da Luz dar lugar ao novo, as torres de iluminação ainda tinham nas suas paredes inúmeros azulejos com os nomes dos benfiquistas, com o mote “Campanha dos Azulejos: ‘Inscreva os seus nomes nas torres’”.
Saiba mais sobre as torres de iluminação e o antigo Estádio da Luz na área 17 – Chão Sagrado, do Museu Benfica – Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

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