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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Equador: Iván Kaviedes, o craque do Championship Manager com tantos golos quanto idas à prisão


"Em 1998 foi o maior goleador mundial, mas a vinda para a Europa não confirmou a fama conquistada em campo, e depois virtualmente. Jogou 15 minutos pelo FC Porto, marcou alguns dos golos mais importantes da história da seleção do Equador e nos últimos anos tem entrado e saído da prisão e de clínicas de reabilitação.

Muito boa gente ter-se-á deparado pela primeira vez com o nome “Iván Kaviedes” num save de uma das edições do início do século do Championship Manager (CM). Kaviedes era então um jovem jogador nas fileiras do Celta de Vigo e garantia muitos e bons golos a quem o comprasse no simulador em que um comum mortal se transformava no melhor treinador do mundo, capaz de vencer três vezes a Liga dos Campeões com o Beira-Mar.
Kaviedes, diga-se, não era exatamente um Maxim Tsigalko, um Julius Aghahowa, um Sergey Nikiforenko, muito menos um Tó Madeira. Para começar, porque era real. Tsigalko, Aghahowa e Nikiforenko também o eram mas, sendo todos eles craques do CM, nunca se destacaram por aí além fora do mundo virtual. No auge do jogo, o equatoriano vivia ainda dos louros de uma época estratosférica no Emelec em 1998, quando marcou 43 golos só na liga local, tornando-se o maior goleador planetário desse ano. Rápido, com técnica requintada e faro para o golo, estava ali a nova estrela sul-americana, digna dos desejos mais gulosos dos clubes europeus.
Foi por isso contratado pelo Perugia, na altura na Serie A. Sem a sua amada camisola 9 disponível, Kaviedes não foi de modas: aceitou o 33, mas pediu ao roupeiro que imprimisse no lugar do nome a palavra Nine (o inglês para nove), alcunha que até já trazia da infância, tal era a sua relação precoce com o golo. O ego estava lá, com certeza. Porém, da passagem por Itália ficam apenas umas raras viagens ao fundo das redes e o rumor de que teria cortejado a filha do presidente do Perugia. Seis meses depois de chegar, seguiu para o Celta, dando início a périplo internacional de empréstimos, o mais curto deles, de menos de dois meses, ao FC Porto - chegou com Octávio Machado e jogou apenas 15 minutos num jogo de Taça com o SC Braga, antes de José Mourinho o descartar.
Na seleção nacional as coisas iam correndo melhor, o que ajudou Kaviedes a manter uma certa aura local: é dele o golo que apura o Equador para o seu primeiro Mundial, em 2002. Em 2006, depois de uma aleatória passagem pelo Crystal Palace (seis jogos, zero golos) e outra não menos inusitada pelo Argentinos Juniors (13 jogos, um golo), foi peça importante na equipa que chegou aos oitavos de final no Mundial da Alemanha, entrando para o folclore dos Campeonatos do Mundo com o festejo do terceiro golo da vitória frente à Costa Rica, quando colocou uma máscara de Homem Aranha na cara, para homenagear Otilino Tenorio, avançado equatoriano desaparecido um ano antes num acidente de viação.
Depois do Mundial de 2006, Kaviedes, em tempos um dos putos maravilha no CM, voltou definitivamente ao futebol do Equador, somando mais polémicas que sucessos. Em 2009, foi admitido pela primeira vez numa clínica de reabilitação, por problemas com álcool. Em 2012 agrediu dois polícias, ficando detido por cinco dias. Nos relvados, voltou a marcar golos no Macará, mas sairia do clube devido a casos de indisciplina e desencontros com o treinador. Foi desperdiçando uma série de derradeiras oportunidades, oferecidas porque poucos tinham visto um talento como o dele no país. Voltaria à prisão em 2018, por não pagar a pensão de alimentos de um dos seus nove filhos, todos de mulheres diferentes.
Kaviedes assumiu em entrevistas ter consumido cocaína durante a carreira. “Mas nunca joguei drogado”, assegurou ao portal “Vistazo”, em 2020. Em 2023 voltou a ser detido, embriagado, precipitando nova entrada numa clínica de recuperação. Um grupo de antigos colegas internacionais equatorianos, entre eles Antonio Valencia e Iván Hurtado, organizou então um jogo de solidariedade para reunir fundos para o antigo avançado pagar a reabilitação e reiniciar a sua vida. Um dos colegas denunciaria mais tarde que Kaviedes tinha fugido da clínica e ligado a Hurtado para pedir o dinheiro do jogo."

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