"Talvez tenha sido mesmo o melhor jogo que vi na vida, e vi muitos milhares seguramente. O PSG-Bayern teve tudo o que o futebol tem de melhor: talento individual, intenção ofensiva permanente, crença coletiva nos momentos mais difíceis (de ambos os lados), incrível fair-play final, a começar nos treinadores.
Não foi um dia bom para quem aprecia no jogo mais sofrimento que talento, mais defesa que beleza, mais métrica do que estética. Não sei se foi o melhor jogo que vi na vida, mas, assim de repente, não me lembro mesmo de nenhum melhor. E nunca mais é quarta-feira, para os ver a todos em campo outra vez.
Sem terças nem quartas europeias, só quintas, o FC Porto agarrou-se ao campeonato. E a vitória anunciada obriga a admitir que Farioli não se equivocou ao privilegiar a liga doméstica. Quem ganha acaba sempre por ter razão. Mas ninguém me convence de que um pouco mais de risco na eliminatória com o Nottingham não só não teria hipotecado o título nacional como abriria caminho para o regresso portista à glória europeia. Faltou isso e a evolução para um jogar mais sedutor. São os desafios para o italiano no Dragão da nova época: jogar melhor e brilhar na Europa. Além de tentar repetir o título nacional, que não deixa de ser o mais importante.
Os maiores rivais acabam esta época afogados em dúvidas, o que normalmente é prenúncio de entrarão na próxima do mesmo modo. A menos que decidam mudar de planos no imediato, o que não se afigura provável: no Sporting porque já havia renovação anunciada para Rui Borges, no Benfica porque já se percebeu que José Mourinho só sairá se quiser, o que significa se alguém relevante o quiser, mais ainda quando o segundo lugar surge como inesperada redenção de uma época falhada.
Se Mourinho pode acabar melhor que o previsto, Borges deve (não é certo, claro) encerrar a época após desperdiçar os 50 milhões da Champions com empates diante das equipas mais fracas do campeonato. E é inevitável que isso enfraqueça a posição do treinador, a despeito da boa carreira europeia, de uma série de jogos entusiasmantes e do azar com as lesões. Acontece que o leão se colocou vezes demais no fio da navalha da (in)felicidade - sofreu agora golos após os 90 minutos do mesmo modo que umas quantas vezes os obteve - e Rui Borges não deixou de reclamar louros para si próprio, como quando exigiu reconhecimento e respeito após a goleada ao Bodo/Glimt. Na hora da desilusão, o ricochete atinge-o. Tem a palavra Frederico Varandas, que convém que dissipe dúvidas, seja quanto a crença na evolução ou de aposta em revolução.
Foi absurda a contratação de Cristiano Bacci pelo Estrela da Amadora a três jornadas do fim, pelo momento, em que pouco pode acrescentar, pelo contexto, após uma derrota normal frente ao FC Porto (não seria aí que esperava encontrar a salvação) e pelo perfil do técnico, que não tem tido propriamente sucessos e acabava de deixar o Tondela em agonia. Mais que a decisão em si, vale a pena, todavia, olhar o que é comum aos clubes em dificuldades. O Estrela faz Bacci suceder a João Nuno, depois deste ter sucedido a José Faria, e não se vê ponto de contacto entre eles. São insondáveis, pelo menos no plano técnico-tático, as razões que fizeram acreditar ou deixar de acreditar em cada um desses homens.
O AVS também teve três treinadores: José Mota, João Pedro Sousa e João Henriques (mais Fábio Espinho em transição), de novo perfis bem diferentes e sem que se perceba o fio condutor. O resultado está na tabela. No Tondela, idem aspas, com Gonçalo Feio a tentar o milagre sobre a meta, depois das escolhas difusas de Ivo Vieira e Cristiano Bacci. Falta o Casa Pia, que também vai no terceiro andamento, com Álvaro Pacheco, após ter desistido de João Pereira e Gonçalo Brandão. São exatamente essas as equipas em risco de descer, sendo que, das demais 14 - talvez não tenha reparado, eu não tinha -, só mais três mudaram de técnico (e uma só vez cada) nesta época: Benfica, Vitória SC e Santa Clara.
Moral da história: uma época de futebol é como uma viagem. Não adiante trocar de guia quando não há mapa, que isso vai significar perder-se, mesmo que se lhe dê outro nome."

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