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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Futebol total no Parque dos Príncipes


"PSG-Bayern de Munique, 5-4. Mas que jogo. Ontem, o futebol venceu. Venceu na sua forma mais pura e mais bela. Sem distrações, sem o ruído que tantas vezes o tenta abafar. Não foram os comunicados, nem as polémicas, nem as apostas, nem o circo paralelo que por vezes insiste em ocupar o palco principal. Foi apenas o futebol, o verdadeiro futebol, a falar mais alto.
Nove golos. Podiam ter sido mais. Um ritmo alucinante. Emoção até ao último segundo. Luis Enrique, técnico dos atuais campeões europeus, confessou no final da partida que este foi o melhor jogo da sua vida enquanto treinador. Uma daquelas noites em que o coração bate mais rápido e nos lembramos do porquê de nos termos apaixonado por este desporto. Porque, no fim de tudo, é isto que o futebol vende. É isto que o torna eterno.
E depois existem os verdadeiros protagonistas. Alguns deles portugueses ou que já passaram pelo nosso Campeonato. Jogadores de topo, com uma qualidade técnica muito acima da média, sem medos, sem amarras. A ir para cima, a arriscar, a desequilibrar. Com dribles que levantam os estádios, arrancadas fabulosas, receções e golos mágicos. Aqueles instantes que fazem um miúdo olhar para o ecrã e pensar: «É isto, Mãe. É isto que eu quero fazer quando crescer».
No Parque dos Príncipes, no memorável palco da Liga dos Campeões, foi dada uma grande resposta para quem insiste em viver preso ao passado. Para quem diz que «antigamente é que era», que já não há magia, que o futebol atual perdeu a alma.
Sim, o futebol está diferente. Mas este desporto não morreu. O futebol reinventa-se. Evolui. Continua a emocionar. Talvez de formas diferentes, mas com a mesma intensidade de sempre.
E enquanto existirem noites assim, jogos assim, jogadores assim… o futebol será sempre inesquecível e apaixonante.
Ontem não foi só um jogo de futebol. Foi um lembrete. Um lembrete de que o essencial ainda lá está. O talento, a criatividade, a coragem e a emoção. De que o jogo ainda pertence aos jogadores que arriscam, que inventam, que fazem algo inesperado quando todos pensam que já viram tudo.
Um lembrete de que não estamos a viver numa era menor, como tantas vezes se diz. E, talvez o mais importante, um lembrete do porquê de gostarmos tanto disto. Daquele sentimento quase infantil de surpresa e entusiasmo. E como alguém muito sábio uma vez me disse, «o futebol é a tua recuperação da infância a cada fim de semana»."

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